30 outubro, 2016

Mostrar a quem erra o seu valor, o bem que tem em si - Papa no Angelus


(RV) Neste dia de mais um terramoto na Itália central, o sol brilhava, todavia em todo o país, e a Praça de São Pedro estava mais do que nunca repleta de fiéis que acompanharam a reflexão do Papa e rezaram com ele o Angelus, ao meio dia.

Como sempre o Papa comentou o evangelho deste domingo, em que São Lucas narra um episódio da vida de Jesus ocorrido em Jericó, onde vivia Zaqueu, um dos chefes de cobradores de impostos. Rico e colaborador dos romanos que ocupavam a região, Zaqueu não podia aproximar-se de Jesus devido aos seus pecados e ainda por cima era de estatura baixa. Então subiu para cima de uma árvore, um sicómoro, à beira da estrada por onde o Mestre ia passar. Ao vê-lo Jesus disse-lhe para descer porque queria parar na sua casa.

Tudo isto acontece antes de se dar em Jerusalém a condenação, a morte na cruz e a ressurreição de Jesus. Em poucas palavras, o desígnio da salvação da misericórdia do Pai para com a humanidade – comenta o Papa, acrescentando que nesse desígnio está também a salvação de Zaqueu, um homem desonesto e desprezado por todos e por isso mesmo necessitado de conversão.

Mas a multidão não compreende porque é que Jesus entra na casa dum pecador e murmura. Guiado pela misericórdia, Jesus procurava precisamente Zaqueu, para fazer compreender que o Filho do homem veio procurar e salvar quem estava perdido.

Se Jesus tivesse posto em evidencia os pecados de Zaqueu – disse o Papa, a multidão teria aplaudido, mas como o acolheu e parou na sua casa, murmurou.

Por vezes, prosseguiu o Papa na sua reflexão, procuramos corrigir e converter um pecador, repreendendo-o, fazendo-lhe notar os seus erros e seu comportamento injusto. Mas a atitude de Jesus em relação a Zaqueu indica-nos um outro caminho:

O de mostrar a quem erra o seu valor, aquele valor que Deus continua a ver não obstante tudo. Isto pode provocar uma surpresa positiva, que enternece o coração e leva a pessoa a trazer ao de cima o bom que tem em si. É o dar confiança às pessoas que as faz crescer e mudar. É assim que Deus se comporta com todos nós, não fica bloqueado pelo pecado, mas supera-o com o amor e nos faz sentir a nostalgia do bem”.

Que Nossa Senhora nos ajude a ver o bom que há nas pessoas que encontramos dia por dia, a fim de que todos sejamos encorajados a fazer emergir a imagem de Deus no nosso coração. E assim possamos alegrar-nos pela surpresa da misericórdia de Deus – rematou o Papa, passando a rezar as avé maria…

Depois da oração mariana do Angelus, o Papa recordou que ontem  em Madrid foram proclamados beatos  quatro mártires, assassinados no século passado em Espanha durante a perseguição contra a Igreja. Trata-se de José Antón Gómez, Antolín Pablos Villanuvea, Juan Rafael Maria Alcocer Martínez e Lus Vidaurrázaga Gonzáles, todos sacerdotes benedetinos. Louvemos o Senhor e confiemos à sua intercessão os irmãos e as irmãs que infelizmente ainda hoje, em várias parte do mundo, são perseguidos pela fé em Cristo – disse o Papa.

Francisco exprimiu também a sua proximidade aos povos da Itália Central, atingida pelo terramoto. Também esta manhã houve um forte abalo – disse, informando que reza ao Senhor pelos feridos e pelas famílias que tiveram os maiores prejuízos, assim como também pelo pessoal empenhado nos socorros e na assistência. O Senhor Ressuscitado lhes dê força e Nossa Senhora os proteja.

Os Papa saudou depois diversos grupos da Itália, da Eslovénia,da Irlanda presentes na Praça de São Pedro, concluindo com uma referência à viagem de dois dias que o leva a partir de amanhã à Suécia por ocasião dos 500 anos da Reforma protestante.

Nos próximos dois dias, realizarei uma viagem apostólica à Suécia, por ocasião da comemoração da Reforma, em que católicos e luteranos se reunirão para recordar e rezar. Peço a todos vós que rezeis a fim de que esta viagem seja uma nova etapa no caminho da fraternidade em direcção à plena comunhão”.

Sábado, por volta das 19 horas de Roma, o Papa deslocou-se do Vaticano à Basílica de Santa Maria Maior, no centro de Roma, para confiar a Nossa Senhora a sua iminente viagem à Suécia.

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