11 julho, 2020

Turquia. A Basílica de Santa Sofia torna-se mesquita

 
 
Assim foi estabelecido por um decreto do Presidente Erdogan após o julgamento do Conselho de Estado anulando a transformação do local de culto em um museu em 1934. O próprio Erdogan anunciou uma primeira oração muçulmana em Santa Sofia para o dia 24 de julho.

Emanuela Campanile – Vatican News
 
De uma catedral bizantina dedicada à Divina Sabedoria - inaugurada em 537 sob o Imperador Cristão Justiniano - a uma mesquita, quando os Otomanos conquistaram Constantinopla em 1453 e renomearam a cidade de Istambul. Mais tarde foi convertida em museu em 1934 por decreto do pai fundador da Turquia moderna, Mustafa Kemal Ataturk.
 
Na sexta-feira (10/07), um decreto do Presidente Recep Tayyip Erdogan, que chegou logo após a decisão do Conselho de Estado, anulou a decisão de Ataturk aceitando o pedido de um pequeno grupo islâmico local, estabelecendo a transferência da gestão da sede bizantina do Ministério da Cultura para a Presidência de Assuntos Religiosos, convertendo-a efetivamente na Mesquita de Santa Sofia. Num discurso à nação, o presidente turco anunciou que a primeira oração na mesquita de Santa Sofia será no dia 24 de julho.
 
O alerta do Patriarca Bartolomeu
 
O Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu, nos últimos dias, tinha denunciado os riscos de tal decisão: "Ela levará milhões de cristãos em todo o mundo contra o Islã". Em virtude da sua sacralidade, Santa Sofia, comentou o Patriarca, é um centro de vida "no qual o Oriente e o Ocidente se abraçam", e a sua reconversão num lugar de culto islâmico "será uma causa de rutura entre estes dois mundos". No século XXI é "absurdo e prejudicial que Santa Sofia, de um lugar que agora permite que os dois povos se encontrem e admirem a sua grandeza, possa tornar-se novamente num motivo de oposição e confronto”.
 
Erdogan: toda a crítica é um ataque à nossa independência
 
Respondendo às críticas, o presidente Erdogan defendeu a decisão invocando a "soberania nacional" e assegurando que as portas da Santa Sofia continuarão abertas a todos, muçulmanos e não-muçulmanos, como é o caso de todas as mesquitas: "Qualquer crítica", disse ele, "é um ataque à nossa independência". Centenas de crentes muçulmanos foram em frente à Santa Sofia gritar: "Alllah é grande". O chefe da Associação ao Serviço das Fundações Históricas e do Meio Ambiente disse que continuar a deixar Santa Sofia como museu "faria mal à consciência das pessoas".
 
O pesar da UNESCO: Santa Sofia deve continuar a set um símbolo de diálogo
 
A UNESCO lamentou profundamente a decisão da Turquia de mudar o "valor universal excecional" do local, "um poderoso símbolo do diálogo". "Um país - diz a agência da ONU - deve certificar-se de que nenhuma mudança comprometa o extraordinário valor universal de um local no seu território que está na lista. Qualquer modificação deve ser notificada pelo país à Unesco e verificada pelo Comitê do Património Mundial".
 
VN

09 julho, 2020

Globalização da esperança: 5 anos atrás, o encontro do Papa com os Movimentos Populares

 
 
Em 9 de julho de 2015, o Papa Francisco estave na Bolívia, numa visita apostólica. Passados cinco anos, o próprio Papa tornou-se um dos artífices e articuladores do “processo de mudança” que pediu aos movimentos populares ao impulsionar inúmeros eventos, sendo o próximo a ser realizado por eles, "A Economia de Francisco".
 
Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Exatamente há cinco anos atrás, em 9 de julho de 2015, o Papa Francisco estava na Bolívia, numa visita apostólica. A viagem incluiu também outras duas etapas: Equador e Paraguai.

Na Bolívia, o evento principal realizou-se em Santa Cruz de la Sierra com os Movimentos Populares para o II Encontro Mundial.
 
Globalização da esperança
  Na ocasião, Francisco destacou  a importância de um “processo de mudança”.
“A globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença.”
Neste processo, ressaltou, são os trabalhadores, inclusive na sua informalidade, os protagonistas e semeadores de mudança:

“Vós sois semeadores de mudança. Aqui, na Bolívia, ouvi uma frase de que gosto muito: «processo de mudança». A mudança concebida não como algo que um dia chegará porque se impôs esta ou aquela opção política ou porque se estabeleceu esta ou aquela estrutura social. Sabemos, amargamente que uma mudança de estruturas, que não seja acompanhada por uma conversão sincera das atitudes e do coração, acaba a longo ou curto prazo por burocratizar-se, corromper-se e sucumbir. Por isso gosto tanto da imagem do processo, onde a paixão por semear, por regar serenamente o que outros verão florescer, substitui a ansiedade de ocupar todos os espaços de poder disponíveis e de ver resultados imediatos. Cada um de nós é apenas uma parte de um todo complexo e diversificado interagindo no tempo: povos que lutam por uma afirmação, por um destino, por viver com dignidade, por «viver bem».”

O futuro da humanidade, disse ainda o Pontífice, não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites.

“Está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem e também nas suas mãos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança.” 

De Santa Cruz a Assis
 
Passados cinco anos, o próprio Papa tornou-se um dos artífices e articuladores deste “processo de mudança” ao impulsionar inúmeros eventos, sendo o próximo a ser realizado por eles, em outubro.

Os convidados especiais são jovens empresários e estudantes, que em Assis vão debater “A Economia de Francisco”, isto é, novas propostas de organização económica.

Trata-se de procurar uma “economia diferente” que “faz viver e não mata” e “cuida da criação e não a despreza”. Noutras palavras, tentar colocar em prática a globalização da esperança anunciada justamente em Santa Cruz de la Sierra.

VN

08 julho, 2020

Papa: inimaginável o inferno vivido pelos migrantes nos campos de detenção

 
 
Na missa do aniversário dos 7 anos da histórica visita de Francisco a Lampedusa, o Pontífice ressaltou que conhecemos uma "versão destilada" do que acontece nos campos de detenção na Líbia. O Papa também alertou novamente para a “globalização da indiferença”, “um pecado” dos cristãos de hoje, que nos torna insensíveis ao “encontro com o outro” que também é “um encontro com Cristo”. O convite à conversão - de reconhecer Jesus nos estrangeiros, pobres e doentes -, foi renovado pelo Pontífice na missa desta quarta-feira (8), na Casa Santa Marta.
 
Andressa Collet – Vatican News

Já se passaram 7 anos da primeira viagem do Papa Francisco feita à Lampedusa, uma ilha entre a Tunísia e a Itália, que, aos olhos do mundo inteiro, passou a ser um símbolo de angústia e sofrimento para os imigrantes que se viram obrigados a fugir dos seus países para lutar pela vida. E milhares têm o sonho interrompido diariamente, quando morrem junto com a esperança. 

Encontro com migrantes e com Deus

Longe do Mediterrâneo, mas sempre próximo à história de cada um deles, está o Papa Francisco que, nesta quarta-feira (8), celebrou uma missa na capela da Casa Santa Marta. Junto aos colaboradores da Seção Migrantes e Refugiados do Discatério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral – os únicos que puderam fazer parte da cerimónia, por causa das restrições da pandemia – o Pontífice recordou aquela viagem feita em 2013 quando encontrou, no olhar de cada migrante, a face de Deus.

A reflexão de Francisco na homilia partiu justamente dessa atitude que é “fundamental na vida de quem crê”, como descreve o Salmo Responsorial de hoje que “nos convida a uma procura constante da face do Senhor” (Sl 104):

“A procura da face de Deus é garantia de sucesso da nossa viagem neste mundo, que é um êxodo em direção à verdadeira Terra Prometida, a Pátria celestial. A face de Deus é o nosso destino e também é a nossa estrela polar, que nos permite não perder o nosso caminho.” 

O alerta à globalização da indiferença

O Pontífice trouxe, então, para os nossos dias, o exemplo do povo “perdido” de Israel, descrito pelo profeta Oséias na primeira leitura (Os 10, 1-3.7-8.12). Na época, os israelitas vagavam “no deserto da iniquidade”, devido à distância que tomaram do Senhor por causa da “prosperidade e riqueza abundante” que geraram um coração cheio de “falsidade e injustiça”. “É um pecado do qual até nós, cristãos de hoje, não somos imunes”, alertou Francisco, ao relembrar e reforçar o que disse em 2013 sobre a “globalização da indiferença” criada pela atual cultura do bem-estar, “que nos leva a pensar em nós mesmos” e acaba tornando-nos “insensíveis aos gritos dos outros”.

O apelo de Oséias de semear justiça e colher amor, procurando o Senhor, disse o Papa, chega até nós hoje “como um convite renovado à conversão”. Os 12 Apóstolos, como também fala o Evangelho de hoje (cf. Mt 10, 1-7), “tiveram a graça de encontrá-lo fisicamente em Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado”. Foi um encontro pessoal com o Senhor, olho no olho, quando conseguiram “fixar o olhar no seu rosto, escutaram a sua voz, viram as suas maravilhas”:

“Este encontro pessoal com Jesus Cristo também é possível para nós, discípulos do terceiro milénio. Orientados na procura da face do Senhor, podemos reconhecê-lo no rosto dos pobres, dos doentes, dos abandonados e dos estrangeiros que Deus coloca no nosso caminho. E este encontro torna-se também para nós um tempo de graça e salvação, investindo-nos com a mesma missão confiada aos Apóstolos.”

Por ocasião do aniversário dos 7 anos da visita do Pontífice a Lampedusa, a Palavra de Deus reforça a importância do “encontro com o outro” que também é “um encontro com Cristo”. Acolher – ou não – quem bate à nossa porta, seja ele um estranho ou um doente que precisa de “ser encontrado e ajudado”, é acolher – ou não – Jesus, “no bem e no mal”:
“Esta advertência é hoje de uma atualidade ardente. Todos nós deveríamos usá-la como um ponto fundamental do nosso exame de consciência diário. Penso na Líbia, nos campos de detenção, nos abusos e na violência que sofrem os migrantes, nas viagens da esperança, nos resgates e nas rejeições. ‘Todas as vezes que fizestes isto... foi a mim que o fizestes’ (Mt 25, 40)”
A versão destilada da viagem da esperança
 
O Papa, então, no final da homilia, recordou o lado pessoal do 'encontro com Deus' ao descrever o dia do 'encontro com os imigrantes de Lampedusa'. No seu próprio idioma, contou o Pontífice, eles davam testemunho do sofrimento e das coisas terríveis que viveram para chegar até Itália. E os intérpretes procuravam traduzir, “bem, mas de forma breve", muito sucinta. Ao voltar para o Vaticano, acrescentou Francisco, uma senhora que tinha visto a transmissão e compreendia o idioma etíope dos conterrâneos, disse que a tradução era “uma versão destilada” de toda tortura e sofrimento que passaram durante a viagem:
“Eles me deram uma versão ‘destilada’. Isto acontece hoje com a Líbia: dão-nos uma versão ‘destilada’. A guerra, sim, é má, nós sabemos, mas vocês não imaginam o inferno que se vive ali, naqueles campos de detenção. E, estas pessoas, somente vinham com a esperança, e atravessar o mar.”
VN

06 julho, 2020

Papa recorda 7 anos da visita a Lampedusa com Missa na Santa Marta


Papa Francisco com migrantes em Lampedusa

Na próxima quarta-feira, no aniversário de sua primeira viagem realizada em 8 de julho de 2013, na ilha símbolo do sofrimento de muitos migrantes no Mediterrâneo, o Papa Francisco celebrará uma Missa na capela da Casa Santa Marta, na qual tomarão parte somente os funcionários da Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
 
Alessandro Di Bussolo - Cidade do Vaticano

Também neste ano o Papa Francisco quer recordar com a celebração de uma Missa o aniversário da sua visita a Lampedusa, na ilha entre a Tunísia e a Itália, em frente a um trecho de mar, o "Canal da Sicília" que, ao invés de ser um caminho de esperança, transformou-se num caminho de morte para milhares de migrantes.

Será nesta quarta-feira - agora que a Audiência Geral está suspensa durante todo o mês de julho - na capela da Casa Santa Marta, das 11 às 12. Dada a atual situação sanitária, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, comunica que somente o pessoal da Seção de Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral irá participar.. 

Em 2019,  Missa no altar da Cátedra na Basílica de São Pedro

No ano passado, o Papa celebrou a Santa Missa no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, com a presença de cerca de 250 pessoas, entre migrantes, refugiados e aqueles que trabalharam para salvar as suas vidas.

Na sua primeira viagem fora do Vaticano, Francisco quis denunciar a "globalização da indiferença", que deixa insensível ao clamor dos outros, a oportunidade em que deu alguns sinais claros sobre aspetos que marcariam o seu Pontificado: as periferias, os últimos, os gestos cheios de significado.

Numa entrevista que abre o livro "In viaggio" de Andrea Tornielli, o Papa Francisco diz que sentiu-se "tocado e comovido" pelas notícias sobre migrantes que morreram no mar "afogadas": pessoas comuns, crianças, mulheres, homens que continuam a perder a vida ainda hoje, sete anos depois daquela viagem, em travessias desesperadas, a bordo de barcos improvisados, confiados e gerenciados por pessoas sem escrúpulos.

A visita do Papa à Lampedusa 
 
 
 
"Caímos na globalização da indiferença"

No lugar simbólico do sofrimento no Mediterrâneo, ainda ressoa o grito do Papa: "Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença", "acostumamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é assunto nosso"!  "Foi-nos tirada a capacidade de chorar".

A oração foi então a de pedir ao Senhor "perdão pela indiferença para com tantos irmãos e irmãs", "perdão para aqueles que se acomodaram e se fecharam no seu próprio bem-estar, o que leva à anestesia do coração", "perdão para aqueles que com as suas decisões globais, criaram situações que levam a esses dramas", para que o mundo tenha "a coragem de acolher aqueles que procuram uma vida melhor ".

VN

05 julho, 2020

Um cessar-fogo global imediato por um futuro de paz, pede Francisco


Criança síria refugiada na fronteira com a Turquia  (AFP or licensors)

Como tinha feito no Angelus de 29 de março, o Papa Francisco voltou neste domingo a pedir um cessar-fogo global imediato para enfrentar as consequências da pandemia de Covid-19. 

Vatican News 

No Angelus deste domingo o Papa Francisco voltou a lançar um apelo por um cessar-fogo global imediato, para que as consequências da pandemia de coronavírus possam ser melhor enfrentadas e ajudas humanitárias possam chegar às populações civis atingidas por conflitos:

“Nesta semana, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou uma resolução que dispõe de algumas medidas para enfrentar as devastadoras consequências do vírus Covid-19, de maneira particular para as áreas já palco de conflitos. É louvável o pedido de um cessar-fogo global e imediato, que permitiria a paz e a segurança indispensáveis para fornecer a assistência humanitária tão urgentemente necessárias”. 

“Faço votos – disse Francisco ao concluir - que tal decisão seja implementada de maneira eficaz e imediata para o bem de tantas pessoas que estão a sofrer. Que esta resolução do Conselho de Segurança possa tornar-se um primeiro passo corajoso para um futuro de paz.”

Semelhante apelo já tinha sido feito pelo Papa Francisco no Angelus do domingo 29 de março, quando se uniu ao pedido lançado pelo secretário-geral da ONU António Guterres de um cessar-fogo imediato global em todas as partes do mundo para, entre outros, combater melhor a pandemia de coronavírus e favorecer a criação de corredores de ajudas humanitárias.

VN

04 julho, 2020

A ajuda de Francisco ao Programa Mundial de Alimentos


A doação do Papa também representa um encorajamento paterno pelo trabalho humanitário do PAM

Uma doação simbólica de 25 mil euros ao PAM, como ulterior sinal de solicitude diante da emergência global provocada pela pandemia. 

Vatican News
  O Santo Padre enviou uma doação ao PAM - Programa Mundial de Alimentos – diante da atual e crescente preocupação pela disseminação, a nível global, do contágio do coronavírus.

A doação de 25 mil euros foi feita na última segunda-feira (01/6), através do Dicastério do Serviço para o Desenvolvimento Humano Integral, em colaboração com o Representante Permanente da Santa Sé, junto à FAO e ao IFAD.

Esta doação simbólica representa a expressão imediata do sentimento de solidariedade do Santo Padre com as pessoas afetadas pela pandemia e os que prestam assistência essencial aos pobres e aos mais frágeis e vulneráveis ​​da nossa sociedade. Representa também um gesto de encorajamento paterno pelo trabalho humanitário do PAM e a outros países, que, em tempos de crise, desejam aderir e apoiar o desenvolvimento integral e a saúde pública em contraposição à instabilidade social, a falta de segurança alimentar, o crescente desemprego e o colapso dos sistemas económicos das nações mais vulneráveis.

VN

02 julho, 2020

Em julho, Francisco pede aos fiéis que rezem pelas famílias

 
 
“A família tem que ser protegida”: é a premissa do Papa Francisco ao pedir a oração dos fiéis. “A Igreja tem que animar e estar ao lado das famílias, ajudando-as a descobrir caminhos que lhes permitam superar todas estas dificuldades.” 
 
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

“Para que as famílias no mundo de hoje sejam acompanhadas com amor, respeito e conselho”: por esta intenção, o Papa Francisco pede a oração dos fiéis neste mês de julho.
No vídeo que acompanha a intenção, o Santo Padre destaca os tempos difíceis que as famílias estão a enfrentar hoje, marcados pelo stress de um mundo em crise.

“A família tem que ser protegida”: é a premissa de Francisco. “Às vezes, os pais esquecem-se de brincar com os filhos.”

Com o ritmo de vida intenso, o Pontífice chama à causa a Igreja e o Estado.
“A Igreja tem que animar e estar ao lado das famílias, ajudando-as a descobrir caminhos que lhes permitam superar todas estas dificuldades.”
Já o Estado tem a função de protegê-las.
 
Colocar-se a serviço das famílias
 
Comentando esta intenção, o diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, Pe. Frédéric Fornos S.J., observa que os efeitos da pandemia continuam a ser sentidos em muitas partes do mundo.

“Existem muitas famílias necessitadas e inseguras sobre o seu presente e futuro no trabalho. Diante das dificuldades e enfermidades do mundo, como essas famílias podem ser acompanhadas?”, questiona o jesuíta.

O Papa lembra-nos que “a família é a base da sociedade e a estrutura mais adequada para garantir às pessoas o bem integral necessário ao seu desenvolvimento permanente”.

Ao afirmar que os Estados têm a obrigação de proteger as famílias, Francisco enfatiza mais uma vez que a família não é simplesmente um assunto privado, mas um facto social.

“Neste tempo em que vivemos, as famílias precisam de ser apoiadas, fortalecidas 'acompanhadas com amor, respeito e conselho'." Rezar por esta intenção, afima o Pe. Fornos, "significa colocar-mo-nos ao serviço das famílias, apoiar as associações que as ajudam a enfrentar os seus vários desafios, uma vez que a verdadeira oração encarna-se nas nossas vidas".
“Durante este mês de julho, dediquemos todos os dias isto significa.”

VN

Eutanásia - Grupo inter-religioso alertou para “rutura no dique da vida”



Segundo o padre Fernando Sampaio, representante da Igreja Católica no Grupo de Trabalho Inter-religioso – Religiões-Saúde (GTIR), o grupo foi bem acolhido e pôde manifestar a sua preocupação perante os deputados pelo risco de se estar a abrir uma “rutura no dique da vida”. “Considerámos que não nos devíamos manifestar sobre as propostas de lei, porque os nossos princípios são doutrinais e partimos de pressupostos diferentes do que eles partem, portanto achámos que não nos devíamos pronunciar sobre isso”, explica o sacerdote.

O Grupo de Trabalho Inter-religioso – Religiões-Saúde (GTIR) esteve esta quarta-feira no Parlamento para ser ouvido pela Comissão Constitucional de Direitos, Liberdades e Garantias, no contexto do processo de legalização da eutanásia. O GTIR participou em conjunto com a Associação de Médicos Católicos, tendo a Associação dos Juristas Católicos recusado o convite da Comissão, por ter sido feita na sexta-feira e não dar tempo para preparar a intervenção. “Reafirmámos os nossos princípios e porque defendemos a nossa posição de que uma lei da eutanásia trará dificuldades e problemas, porque introduzirá uma rutura no dique da vida”, disse ainda o diretor da Pastoral da Saúde do Patriarcado de Lisboa, que esteve acompanhado de representantes da Igreja Evangélica, da Igreja Adventista do Sétimo Dia, da União Budista e da Comunidade Hindu.

Não obstante esta oportunidade, em que o GTIR entregou aos deputados um documento em que explica que toda a vida tem dignidade, independentemente do sofrimento e das doenças que possam acometer as pessoas, o padre Fernando Sampaio parece conformado com o facto de que o processo no Parlamento vai mesmo avançar. “O processo vai para a frente. Depois, talvez só o Presidente da República possa ter uma palavra a dizer. Mas isso são já problemas que me ultrapassam. Mas eles estão a escutar a sociedade civil, naturalmente com a intenção de o processo ir para a frente”, disse o padre Fernando Sampaio, em declarações à Renascença.

Noutro comunicado, a Associação dos Médicos Católicos, que esteve presente na mesma audição, diz que aproveitou para reiterar “a sua absoluta oposição a todos os projetos Lei de Despenalização da Eutanásia apresentados”. A associação profissional defende com convicção que “a eutanásia nunca será um ato médico”, secundando assim a recente posição da Ordem dos Médicos, que manifestou a sua indisponibilidade em colaborar com o Parlamento na nova legislação sobre a Eutanásia.

Com Renascença

Patriarcado de Lisboa

Não deixar os idosos sozinhos. As palavras de Francisco ao pároco de Corviale


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A visita do Papa Francisco ao bairro Corviale, em Roma

Na tarde da última quarta-feira, o Papa Francisco fez um telefonema surpresa ao pe. Roberto Cassano, pároco de São Paulo da Cruz, no bairro de Corviale, em Roma. O Pontífice visitou a paróquia em 12 de abril de 2018. O Santo Padre pediu para rezar por ele e para cuidar das pessoas mais frágeis 

Marina Tomarro/Mariangela Jaguraba – Vatican News 

“Quando o Papa veio em visita pastoral à nossa paróquia, eu disse-lhe que fazíamos transmissões via streaming para estar perto de todos e pedi-lhe uma bênção. Mas não esperava um telefonema dele na última transmissão, antes das férias de verão, como aconteceu ontem à noite!”

Ainda não acredita no que aconteceu, o pe. Roberto Cassano, pároco de São Paulo da Cruz, paróquia situada no centro de Corviale, em Roma. Um bairro difícil, marcado pelo conhecido “Serpentone”, uma aglomeração de edifícios cinzentos e arruinados, onde convive uma humanidade variada, composta por idosos sozinhos, migrantes, famílias com problemas sociais, e uma parte de apartamentos ocupados ilegalmente por aqueles que não têm uma casa. Na tarde desta quarta-feira (01/07), a carícia do Papa Francisco chegou a eles através de um telefonema ao pároco.

Um pai que não esqueceu os seus filhos

“Devíamos ir ao ar com o episódio final de uma transmissão que, junto com outros dois sacerdotes da nossa paróquia, intitulamos “Cuidado com aqueles três”, mas não funcionava nada. A transmissão ao vivo não iniciava. Parecia que estava tudo bloqueado. Num determinado  momento, o meu telefone tocou e respondi. Reconheci imediatamente a voz do Papa!” Naquele momento, o pe. Roberto tentou fazer com que todos os paroquianos conetados, ouvissem o telefonema. “Foi emocionante para todos nós saber que o Santo Padre ainda se lembra da visita que nos fez, que reza por nós, que não se esqueceu de Emanuele, aquele menino que tinha perdido o pai recentemente, e que entre lágrimas lhe perguntou se seu pai estava no céu, mesmo não tendo o dom da fé, e que ele o abraçou e consolou. Por isso, não é visto como uma pessoa distante, mas como um pai que realmente veio para estar perto das pessoas em dificuldade”, disse o pe. Roberto. 

O compromisso de rezar pelo Papa

O Papa pediu no telefonema para não deixar sozinhos especialmente os mais vulneráveis como os idosos. “A nossa é uma realidade muito particular, com muitos problemas”, explicou o pe. Roberto. “Nós, como paróquia, procuramos estar o mais próximo possível dos idosos sozinhos. Durante o isolamento, muitas vezes lhes telefonamos, para entender como estão e se precisam de alguma coisa. Procuramos nunca deixar faltar o Sacramento da Eucaristia para aqueles que nos pedem. Através das redes sociais transmitimos a missa e com as nossas transmissões tentamos fazer companhia às pessoas”, frisou. Uma coisa que marcou muito o pe. Roberto neste telefonema foi o pedido do Papa para rezar por ele. “Ele pediu-nos várias vezes. Por isso decidimos, junto com os outros sacerdotes, convidar todos os nossos paroquianos a comprometerem-se todos os dias, fazer uma oração ao Senhor pelo nosso amado Papa, para que ele o sustente nas suas dificuldades e o proteja”, concluiu.


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