12 março, 2020

MONTANHA

 
 
 
 
 
Subo ao alto da montanha, abro os braços e chamo: Senhor! Senhor! Senhor!
Só me responde o silêncio, mas eu sei que depois de todo o meu esforço em subir a montanha, Ele com certeza me responderá, pois fui ao Seu encontro.

Faço-me maior ainda, grito ainda mais alto: Senhor! Senhor! Senhor!
E nada!
Nem um sussurro, um ruído, sequer uma brisa que me toque e me faça sentir que Ele está ali.
Tento mais três ou quatro vezes e nada, nem um pequeno sinal.

Desço então a montanha, acabrunhado, triste, pensando, (pobre de mim), que teria merecido nem que fosse um pequeno sinal.

Ao chegar ao sopé da montanha vejo uma grande azáfama, com gente doente, gente com fome, gente sem abrigo, gente que chora simplesmente e no meio de todos está Ele, a trabalhar sem parança, consolando, curando, enxugando lágrimas e com Ele estão muitos também ajudando-O em todo esse trabalho.

De repente, Ele levanta os olhos, vê-me e de imediato acena-me para chegar junto dEle.

Atravesso a multidão e digo-Lhe: Aqui estou Senhor! Que queres de mim?

Olha para mim, põe-me a mão no ombro e diz-me com um sorriso: Deixa lá as tuas montanhas e vem cá para baixo, para perto de Mim, ajudares-Me a distribuir o Meu amor e o amor que eu te dei, pelos outros que mais precisam.
Assim estarás sempre perto de Mim e comigo!

Baixo a cabeça envergonhado e digo num sussurro, abraçando alguém que chora: Obrigado, Senhor!


Marinha Grande, 12 de Março de 2020
Joaquim Mexia Alves
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