Jesus é “presença obrigatória” na ação caritativa da Igreja, sob o risco
de toda a caridade da Igreja se tornar mais uma “tarefa”. Esta foi uma
das principais conclusões do Dia Vicarial da Caridade da Vigararia
Lisboa II, uma iniciativa que contou com o testemunho da superiora das
Missionárias da Caridade em Lisboa, irmã Therese Frances. “O importante
não é o que damos, é o amor que colocamos no que damos”, sublinhou a
religiosa.
No Dia Vicarial da Caridade na Vigararia Lisboa II, a Missionária da
Caridade Therese Frances referiu que o tema diocesano para este ano
pastoral – ‘Sair com Cristo ao encontro de todas as periferias’ – “não é
apenas mais um plano pastoral, mas é um apelo a uma mudança do
coração”. Num encontro que decorreu, na tarde do dia 23 de novembro, no
auditório da Igreja de Cristo Rei da Portela, esta religiosa partilhou
um testemunho sobre o trabalho que a congregação fundada por Santa
Teresa de Calcutá desempenha naquela vigararia da cidade, mais
concretamente no Vale de Chelas, e apontou para o rosto que deve estar
sempre presente em toda a ação caritativa. “Não somos chamadas a ser
assistentes sociais, o que não é de todo de menosprezar, mas o nosso
chamamento é o de sermos contemplativas no coração do mundo, de levar
Jesus ao mundo e o mundo a Jesus! Jesus é o único que pode realmente
satisfazer as necessidades de cada um, dar sentido às suas vidas,
satisfazer a sua fome, não só de alimento e de vestuário, mas também de
dignidade humana, de amor, de paz e de alegria. Não podemos dar o que
não temos e, por isso, temos que estar cheios de Jesus!”, apontou a irmã
Frances, atual superiora da congregação na diocese.
“Estar com os pobres”
No encontro que juntou membros da Pastoral Sociocaritativa e dos centros sociais das paróquias da Vigararia Lisboa II, a irmã Frances partilhou alguns casos onde a missão das religiosas é “desafiante” e exige sempre “responsabilidade” e a consciência de que “o que fazemos aos mais pobres dos pobres é a Jesus que o fazemos”. Contudo, segundo esta religiosa, a realidade leva a “reconhecer que a vida nas periferias nem sempre é bela, às vezes é difícil e dolorosa e somos chamados a estar com os pobres onde eles estão”. “Madre Teresa ensinou-nos a procurar este Jesus escondido nos pobres. Na nossa casa, em Chelas, vivem connosco 12 senhoras e 10 homens. Alguns idosos, alguns com doenças crónicas, alguns acamados e muitos com problemas psiquiátricos. A vida nem sempre é um mar de rosas, e às vezes tem espinhos, trovoadas e relâmpagos”, descreveu a irmã Therese Frances, exemplificando com um caso de uma senhora que lhe bateu à porta: “Vinha com uma vida muito difícil, isolada e solitária. Não se misturava com as outras senhoras, era autossuficiente e nunca deixava ninguém se aproximar, por vezes rejeitando até quem tentava aproximar-se. Quando completou 82 anos, oferecemos-lhe um bolo de aniversário. Assim que viu o bolo, começou a soluçar dizendo: ‘Nunca ninguém me ofereceu um bolo de aniversário em toda a minha vida’. Não só esta senhora chorou, mas todos naquela casa. A sua dor quebrou o gelo e deu lugar a um novo sentido de compaixão e amor verdadeiro entre todos os que ali estávamos”.
Perante algumas dezenas de participantes, a religiosa Missionária da Caridade alertou para o “perigo” de se acreditar que as “periferias” estão “algures, longe, e que precisamos de sair para as ir procurar e para as encontrar”. “Por vezes, mesmo nas nossas famílias, existem pessoas que preferimos não encontrar ou com quem preferimos não ter que falar; mas nós somos chamados a defender os valores da vida no nosso local de trabalho, a ajudar quem precise nos nossos bairros, por vezes só um simples sorriso pode fazer a diferença na vida de alguém e levar luz à sua vida. O importante não é o que damos, é o amor que colocamos no que damos! Uma das maiores pobrezas do mundo atual é a solidão, e o valor de um coração que escuta é incomensurável!”, apontou.
“Estar com os pobres”
No encontro que juntou membros da Pastoral Sociocaritativa e dos centros sociais das paróquias da Vigararia Lisboa II, a irmã Frances partilhou alguns casos onde a missão das religiosas é “desafiante” e exige sempre “responsabilidade” e a consciência de que “o que fazemos aos mais pobres dos pobres é a Jesus que o fazemos”. Contudo, segundo esta religiosa, a realidade leva a “reconhecer que a vida nas periferias nem sempre é bela, às vezes é difícil e dolorosa e somos chamados a estar com os pobres onde eles estão”. “Madre Teresa ensinou-nos a procurar este Jesus escondido nos pobres. Na nossa casa, em Chelas, vivem connosco 12 senhoras e 10 homens. Alguns idosos, alguns com doenças crónicas, alguns acamados e muitos com problemas psiquiátricos. A vida nem sempre é um mar de rosas, e às vezes tem espinhos, trovoadas e relâmpagos”, descreveu a irmã Therese Frances, exemplificando com um caso de uma senhora que lhe bateu à porta: “Vinha com uma vida muito difícil, isolada e solitária. Não se misturava com as outras senhoras, era autossuficiente e nunca deixava ninguém se aproximar, por vezes rejeitando até quem tentava aproximar-se. Quando completou 82 anos, oferecemos-lhe um bolo de aniversário. Assim que viu o bolo, começou a soluçar dizendo: ‘Nunca ninguém me ofereceu um bolo de aniversário em toda a minha vida’. Não só esta senhora chorou, mas todos naquela casa. A sua dor quebrou o gelo e deu lugar a um novo sentido de compaixão e amor verdadeiro entre todos os que ali estávamos”.
Perante algumas dezenas de participantes, a religiosa Missionária da Caridade alertou para o “perigo” de se acreditar que as “periferias” estão “algures, longe, e que precisamos de sair para as ir procurar e para as encontrar”. “Por vezes, mesmo nas nossas famílias, existem pessoas que preferimos não encontrar ou com quem preferimos não ter que falar; mas nós somos chamados a defender os valores da vida no nosso local de trabalho, a ajudar quem precise nos nossos bairros, por vezes só um simples sorriso pode fazer a diferença na vida de alguém e levar luz à sua vida. O importante não é o que damos, é o amor que colocamos no que damos! Uma das maiores pobrezas do mundo atual é a solidão, e o valor de um coração que escuta é incomensurável!”, apontou.
- Leia a reportagem completa na edição do dia 1 de dezembro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.
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