04 novembro, 2019

Com vista à ressurreição, fazer escolhas com sabor de eternidade, afirma o Papa

 
 
Ao celebrar a missa em sufrágio dos cardeais e bispos falecidos, o Papa Francisco afirmou que ir até Jesus é uma vacina contra a morte, contra o medo de que tudo acabe.
 
Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano

O Papa Francisco presidiu na manhã desta segunda-feira (04/11), na Basílica Vaticana, a missa em sufrágio dos cardeais e bispos que morreram no decorrer do último ano.

Do Brasil, recordamos o Cardeal Serafim Fernandes de Araújo, que morreu no dia 8 de outubro. Dom Antônio Possamai, bispo emérito de Ji-Paraná; Dom Friedrich Heimler, bispo emérito de Cruz Alta; Dom Francisco de Paula Victor; que foi auxiliar de Brasília; Dom José Belvino do Nascimento, bispo emérito de Divinópolis; Dom Silvestre Luís Scandian, arcebispo emérito de Vitória; Dom Urbano José Allgayer, bispo emérito de Passo Fundo; Dom Diogo Reesink, bispo emérito de Teófilo Otoni; Dom Moacyr Grechi, arcebispo emérito de Porto Velho; Dom Walmir Alberto Valle, bispo emérito de Joaçaba; Dom Franco Cuter, bispo emérito de Grajaú; Dom Elias James Manning, bispo emérito de Valença; Dom Ercílio Turco, bispo emérito de Osasco. 

Vinde a mim

Na sua homilia, o Papa comentou as leituras extraídas do Livro dos Macabeus, da carta de São Paulo aos Filipenses e do Evangelho de João – leituras que recordam que viemos ao mundo para ressurgir: não nascemos para a morte, mas para a ressurreição. Francisco então propôs uma pergunta: o que me sugere o pensamento da ressurreição? Como respondo ao meu chamamento para ressurgir?

Uma ajuda vem de Jesus, que no Evangelho afirma “vem a mim”.

“Ir até Jesus para nos vacinarmos contra a morte, contra o medo de que tudo acabe”, disse o Papa, acrescentando que não se trata de uma exortação espiritual genérica se nos interrogarmos realmente como Jesus está presente nas nossas ações cotidianas.

Vivo seguindo na direção do Senhor ou giro em torno de mim mesmo? Qual é a direção do meu caminhar?

Jesus é veemente: “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.
“ Para quem crê, não existem subterfúgios: não se pode ser de Jesus e girar em torno de nós mesmos. Quem é de Jesus vive em saídam em direção a Ele. ”
Sair de nós mesmos
 
A vida é toda em saída, prosseguiu o Papa. Do ventre da mãe para vir à luz, da infância para a adolescência, da adolescência para a vida adulta e assim por diante até à saída deste mundo.

Para Francisco, existe todavia uma saída que é a mais importante e a mais difícil: a saída de nós mesmos.

“Somente saindo de nós mesmos abrimos a porta que conduz ao Senhor. Peçamos esta graça: ‘Senhor, desejo ir a Ti através das estradas e dos companheiros de viagem de todos os dias. Ajuda-me a sair de mim mesmo para ir ao Teu encontro, que és a vida’.” 

Ponte entre o céu e a terra

O Pontífice comentou ainda o trecho de Macabeus, em que se afirma que uma belíssima recompensa aguarda os que morrem piedosamente. São os sentimentos de piedade que geram magníficas recompensas, explicou o Papa. Servir os necessitados é a antecâmara do o paraíso, é a ponte que liga o céu e a terra.

Podemos então perguntar se estamos a avançar sobre esta ponte, se me deixo comover, se choro por quem sofre, se rezo por aqueles em que ninguém pensa, se ajudo alguém que não pode retribuir-me.
“ Não é bonachismo, caridade mesquinha; são perguntas de vida, questões de ressurreição. ”
Diante de Deus
 
Por fim, Francisco citou uma passagem dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, que sugere imaginar-se no dia do juízo antes de tomar uma decisão importante. Toda a escolha de vida enfrentada nesta perspectiva é bem orientada, porque mais próxima à ressurreição, que é o sentido e a finalidade da vida.

Assim como a partida calcula-se na chegada, a semeadura na colheita, a vida julga-se a partir do seu fim.
“ Pode ser um exercício útil para ver a realidades com os olhos do Senhor e não com os nossos; para ter um olhar projetado no futuro, na ressurreição; e não somente no hoje que passa; para realizar escolhas que tenham o sabor da eternidade, o gosto do amor. ”
Entre as muitas vozes do mundo que fazem perder o sentido da existência, concluiu o Papa, “sintonizemo-nos na vontade de Jesus, ressuscitado e vivo: faremos do hoje que vivemos um alvorecer de ressurreição”.

VN

Sem comentários:

Enviar um comentário