04 março, 2019

Papa anuncia abertura dos arquivos do Pontificado de Pio XII

 
 Papa Pio XII em visita aos lugares do bombardeamento em Roma -19 de julho de 1943
 
O Papa anunciou a sua "decisão de abrir à consulta dos pesquisadores a documentação arquivística atinente do Pontificado de Pio XII, até à  sua morte, ocorrida em Castel Gandolfo em 9 de outubro de 1958”, ao receber em audiência esta segunda-feira (04/03) os responsáveis e os funcionários do Arquivo Secreto do Vaticano
 
Raimundo de Lima - Cidade do Vaticano

“Decidi que a abertura dos Arquivos Vaticanos referentes ao Pontificado de Pio XII se dará em 2 de março de 2020, exatamente à distância de um ano do octogésimo aniversário da eleição de Eugenio Pacelli à Cátedra de Pedro.”

Foi o anúncio feito pelo Papa Francisco ao receber em audiência ao meio-dia desta segunda-feira (04/03) na Sala Clementina, no Vaticano, os responsáveis e os funcionários do Arquivo Secreto Vaticano, um grupo de 75 pessoas.

Dirigindo-se ao prefeito, vice-prefeito, arquivistas, assistentes e funcionários do Arquivo Secreto Vaticano situou o encontro por ocasião da alegre celebração, sábado passado, dos oitenta anos da eleição a Sumo Pontífice, em 2 de março de 1939, do Servo de Deus Pio XII. 

Figura de Pio XII hoje oportunamente colocada na justa luz

A figura daquele Pontífice, que conduziu a Barca de Pedro num momento entre os mais tristes e sombrios do Séc. XX, agitado e em vários lugares dilacerado pelo último conflito mundial – disse o Santo Padre –, com o período consequente de reorganização das Nações e a reconstrução pós-bélica, esta figura foi questionada e estudada em vários dos seus aspectos, por vezes colocada em discussão e até mesmo criticada (se diria com alguns preconceitos ou exageros). Hoje essa figura é oportunamente reavaliada e, aliás, colocada na justa luz pelas suas poliédricas qualidades: sobretudo pastorais, mas também teológicas, ascéticas, diplomáticas, enfatizou.

Em seguida, Francisco ressaltou ao presentes que por desejo do Papa Bento XVI eles estão desde 2006 a trabalhar num projeto comum de inventário e preparação da volumosa documentação produzida durante o Pontificado de Pio XII, a qual em parte os seus veneráveis predecessores São Paulo VI e São João Paulo II já tornaram consultáveis. 

Trabalho dos arquivistas no silêncio e distante dos clamores

Referindo-se à atividade desempenhada por todos eles, o Papa destacou que se trata de um trabalho que se realiza no silêncio e distante dos clamores, cultiva a memória, e num certo sentido, disse, “parece-me que possa ser comparado à cultivação de uma árvore majestosa, cujos ramos estão voltados para o céu, mas as raízes estão solidamente fincadas na terra”.

“Se compararmos essa árvore, à Igreja, vemos que ela está voltada para o Céu, onde se encontra a nossa pátria e o nosso último horizonte; as raízes, porém, fincam no terreno da própria Encarnação do Verbo, na história, no tempo”, disse ainda.

“Vocês, arquivistas, com a vossa paciente fadiga trabalham sobre essas raízes e contribuem para mantê-las vivas, de tal modo que também os ramos mais verdes e mais jovens da árvore possam ter boa seiva para o seu crescimento no futuro”, acrescentou. 

Arquivo completo do Pontificado de Pio XII

“Este constante e não leve esforço vosso e dos vossos colegas, permite-me hoje, em recordação daquela significativa data, anunciar a minha decisão de abrir à consulta dos pesquisadores a documentação arquivística atinente ao Pontificado de Pio XII, até à sua morte, ocorrida em Castel Gandolfo em 9 de outubro de 1958.”

Assumo esta decisão, continuou Francisco, “tendo ouvido o parecer dos meus mais estreitos colaboradores, com ânimo sereno e confiante, certo de que a séria e objetiva pesquisa histórica saberá avaliar na justa luz, com crítica apropriada, momentos de exaltação daquele Pontífice e, sem dúvida, também momentos de graves dificuldades, de decisões difíceis, de humana e cristã prudência, que a alguém poderá parecer reticência, e que ao invés foram tentativas, humanamente também muito difíceis, para manter acesa, nos períodos mais sombrios e de crueldade, a chama das iniciativas humanitárias, da silenciosa, mas ativa diplomacia, da esperança em possíveis boas aberturas dos corações”. 

Igreja não tem medo da história

“A Igreja não tem medo da história, aliás, ama-a e quer amá-la mais e melhor, como Deus a ama! Portanto, com a mesma confiança dos meus Predecessores, abro e confio aos pesquisadores esse património documentário.”

O Santo Padre concluiu encorajando os responsáveis e funcionários do Arquivo Secreto do Vaticano, bem como os professores da Escola Vaticana de Paleografia, Diplomática e Arquivística, a prosseguir no trabalho de assistência aos pesquisadores – assistência científica e material – e também na publicação das fontes do Papa Pacelli que serão consideradas importantes, como já o estão a fazer há alguns anos.

VN

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