11 setembro, 2020

Ordenações - Carlos Marques, Póvoa de Santa Iria - “Servir onde for necessário”


 
Dos cinco anos de formação para o diaconado permanente, o primeiro, o chamado ano zero, foi passado a tentar ‘encontrar’ uma saída deste caminho. “Foi um ano em que eu passei a ver como é que poderia sair sem me chatear muito. Arranjar um bom motivo para mostrar que aquilo não era para mim. Algumas coisas motivavam-me, mas achava que não era para mim, que era um caminho de uma exigência…”, assume ao Jornal VOZ DA VERDADE Carlos Marques, da Paróquia da Póvoa de Santa Iria. Tudo mudou no primeiro ano académico, mais concretamente no retiro de Advento. “As coisas, de repente, começaram a fazer sentido. Eu mudo a perspetiva. Até aí, eu estava a olhar muito para o que é que eu quero. E nesse retiro, começo a pensar o que é que Deus quer de mim. Isso fez toda a diferença. A partir daí, e olhando para trás, mesmo com algumas dores de cabeça, ao reconhecer a vontade divina naquilo que faço, sou feliz e retiro dali muita coisa boa”, garante este (ainda) leigo, destacando a “muita ajuda do diretor espiritual, que é fundamental”. 

‘Vais lá e vês como é que é’

Carlos Marques, de 58 anos, é casado desde 1984, tem quatro filhos entre os 11 e os 33 anos – dois, os mais velhos (um rapaz e uma rapariga), são naturais, e os dois mais novos (uma rapariga e um rapaz), são adotados, há quase oito anos – e trabalha numa empresa de consultoria tecnológica. “Nasci numa família cristã e comecei a frequentar a Eucaristia ainda antes de ter nascido”, graceja, recordando-se dos tempos de infância em Santa Maria dos Olivais. “O meu pai foi o meu primeiro catequista em casa e também o meu primeiro catequista na paróquia. Foi com ele que me preparei para a Primeira Comunhão. No segundo ano, o meu pai foi meu catequista e da minha esposa”, lembra. O namoro, contudo, não começou aí, mas uns anos mais tarde. “Descobrimos isto porque vimos uma fotografia da Primeira Comunhão onde estamos os dois, mas confesso que não me lembrava dela”, reconhece. Carlos esteve nos Olivais, em casa da sogra, até nascer o filho mais velho. “Em 1987, na grande falta de casas em Lisboa, viemos parar ao Forte da Casa, que é aqui ao lado da Póvoa de Santa Iria, para onde mudámos há 19 anos”, refere.

No Forte da Casa esteve essencialmente à frente do grupo coral, fez preparação de adultos para o Crisma e foi também animador do grupo de jovens. Na Póvoa, esteve num dos grupos corais, foi catequista, fez preparação de pais para o Batismo e também de adultos para o Crisma. Quando o padre Carlos Silva chegou à paróquia, em 2013, colaborou no cartório, algo que “já tinha feito, quando tinha 19-20 anos, em Santa Maria dos Olivais”. Foi este sacerdote dehoniano, falecido o ano passado, que, em 2015, convida Carlos Marques “para esta caminhada”. “É ele que me propõe, um pouco contra a minha vontade, porque não me estava a ver nesta caminhada. Ele apresentou a minha candidatura a 13 de maio de 2015, para ter a bênção de Nossa Senhora, e agora a data de ordenação será a 13 setembro, mas na altura, há cinco anos, a minha mulher tinha sido operada e estava de cama, tinha acabado de adotar os meus dois mais novos, o meu irmão mais novo tinha falecido há pouco tempo, o cartório estava-me a dar um trabalhão, quando chegava do meu trabalho de consultor… Portanto, foi um convite que não dava jeito nenhum naquela altura”, assume. Além disso, sendo consultor de engenharia informática e da área das Matemáticas, na escola a sua pior nota “foi a Filosofia”. “Ainda hoje tenho pesadelos com isso”, revela. “Eu disse ao padre Carlos que o curso era na base da Filosofia e que eu não tinha jeito nenhum para isso… Ele, com aquela calma quase fleumática, disse-me: ‘Vais lá e vês como é que é’”, recorda, destacando o acompanhamento que o então pároco lhe prestava: “O padre Carlos Silva era uma pessoa que seguia e se interessava. Quase todas as semanas perguntava”. 


“Faz de mim o que quiseres”
 
Ainda do tempo de formação, Carlos Marques lembra “aquele receio, que ainda cá está”. “Como fiel, se eu disser qualquer coisa menos ajustada ao outro, eu fico mal, mas a Igreja fica na mesma. Este receio só neste último ano é que se esbateu, e houve uma frase do meu diretor de formação que me marcou: ‘Não te esqueças de ver na própria pessoa que está à frente um escravo do mal. Alguém que, mesmo que te agrida, está a ser agredido pelo próprio mal’”, partilha.

“Estou aqui, faz de mim o que quiseres”. É com esta expectativa que este futuro diácono permanente encara a ordenação diaconal deste Domingo. “Neste ano, ao mesmo tempo, veio uma grande serenidade. ‘Qual é a Tua vontade?’, é para isso que estou aqui. O caminho inicia-se agora, este foi só o treino, digamos”, manifesta, reforçando a “disponibilidade para servir”. “A frase que escolhi, com o Zé Pedro [que será também ordenado diácono permanente], para ilustrar este mistério é do capítulo 13 de João, na lavagem dos pés, e fomos buscar a primeira e a última frase: primeira, ‘Compreendei o que vos fiz’ – que eu acho que nunca vamos compreender, mas temos que nos esforçar neste entendimento –; segunda, ‘Fazei vós também’ – ou seja, ‘Aprendei de Mim e agora aplicai-o naquilo que é necessário’. É isso que quero levar para o ministério: a disponibilidade para servir e para servir onde for necessário. Nem posso olhar para isto de outra forma qualquer”, garante.

  • CARDEAL-PATRIARCA PRESIDE À ORDENAÇÃO DIACONALA Sé Patriarcal de Lisboa recebe neste Domingo, 13 de setembro, às 16h00, a ordenação de dois diáconos permanentes, que vai ser presidida pelo Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente. A celebração vai ser transmitida online, e em direto, a partir do site e redes sociais do Patriarcado de Lisboa.
  • VIGÍLIA DE ORAÇÃO PELOS ORDINANDOSNesta sexta-feira, dia 11 de setembro, o Bispo Auxiliar de Lisboa D. Daniel Henriques vai presidir, às 21h15, na Basílica de Mafra, à Vigília de oração pelos ordinandos e também pela profissão religiosa da irmã Madalena Silva, na Aliança de Santa Maria, que vai decorrer este sábado, dia 12, às 10h30, na Basílica da Santíssima Trindade, em Fátima.
Patriarcado de Lisboa

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