22 maio, 2018

Sínodo 2018 - Documento final da Reunião Pré-sinodal dos Jovens



Sínodo 2018
Documento final da reunião Pré-sinodal dos Jovens

Introdução:

Os jovens de hoje encontram uma série de desafios e oportunidades externas e internas, muitas das quais são específicas dos seus contextos individuais e algumas são comuns entre os continentes. À luz disto, é necessário para a Igreja examinar o modo com o qual vê os jovens e se compromete com eles, de modo que seja um guia eficaz, relevante e vivificante no decorrer das suas vidas.

Este documento é uma síntese para expressar alguns dos nossos pensamentos e experiências. É importante notar que estas são algumas reflexões dos jovens do século XXI provenientes de diversas religiões e contextos culturais. Neste sentido, a Igreja deve ver estas reflexões não como uma análise empírica de um tempo qualquer no passado, mas como uma expressão de onde nos encontramos, para onde nos direcionamos e como um indicador do que a Igreja deve fazer para ir em frente.

É importante, sobretudo, esclarecer os parâmetros deste documento. Não se trata de fazer um tratado teológico nem de estabelecer um novo ensinamento por parte da Igreja. É principalmente um documento que reflete as específicas realidades, personalidades, crenças e experiências dos jovens. Este é destinado aos padres sinodais. É destinado a direcionar aos bispos para uma maior compreensão dos jovens; um instrumento de navegação para o próximo sínodo dos bispos sobre os “Jovens, a fé e o discernimento vocacional” em outubro de 2018. É importante que estas experiências sejam vistas e entendidas de acordo com os vários contextos nos quais os jovens estão inseridos.

Estas reflexões surgiram de um encontro de mais de 300 jovens representantes de todo o mundo, reunidos em Roma de 19 a 24 de março de 2018 por ocasião da Reunião Pré-sinodal dos jovens e da participação de 15.000 jovens através dos grupos do Facebook.

Este documento é um resumo de todas as contribuições dos participantes, divididos nos 20 grupos linguísticos e outros 6 grupos através das redes sociais. Esta será uma das fontes que contribuirá com o INSTRUMENTUM LABORIS do Sínodo dos bispos 2018. A nossa esperança é que a Igreja e outras instituições possam aprender com o resultado desta reunião e escutar a voz dos jovens.

Dito isto, podemos continuar a explorar, com disponibilidade e confiança, os contextos nos quais o jovem está hoje, como ele se percebe em relação aos outros e como nós, como Igreja, podemos acompanhar os jovens para uma compreensão profunda de si mesmos e do lugar que ocupam no mundo.

Parte I - Desafios e oportunidades dos jovens no mundo de hoje.

1) A formação da personalidade.

Os jovens procuram o sentido de si mesmos em comunidades que sejam de sustento, edificantes, autênticas e acessíveis, ou seja, comunidades capazes de valorizá-los. Reconhecemos a existência de contextos que podem ajudar no desenvolvimento da própria personalidade, entre os quais a família ocupa uma posição privilegiada. Em muitas partes do mundo, o papel dos idosos e a reverência aos antepassados são fatores que contribuem com a formação da nossa identidade. Porém, isso não é um dado universalmente partilhado, visto que os modelos de família tradicional estão em declínio em vários lugares. Isto traz sofrimento também para os jovens. Alguns afastam-se das tradições familiares, esperando serem mais originais do que aquilo que consideram “parado no passado” ou “fora de moda”. Por outro lado, em alguns lugares do mundo, os jovens procuram a sua identidade permanecendo apegados às suas tradições familiares, esforçando-se para serem fiéis ao modo no qual cresceram.

A Igreja, então, precisa de sustentar melhor as famílias e a sua formação. Isto é significativamente importante nos países em que não há liberdade de expressão, onde aos jovens - especialmente aos menores - não é permitido participar da vida da Igreja; por isso devem ser formados na fé pelas suas próprias famílias, nos seus lares.

O sentido de pertença é um fator significativo na formação da própria identidade. A exclusão social é um fator que contribui para a perda da auto-estima e da identidade, frequente em muitos jovens. No Médio Oriente, muitos jovens sentem-se obrigados a converterem-se a outras religiões para serem aceites pelos seus coetaneos e pela cultura dominante que os circunda. Isto é sentido também em comunidades de imigrantes na Europa, que, além disto, sofrem o peso da exclusão social e do abandono de sua identidade cultural para assemelharem-se à cultura dominante. Este é um campo no qual a Igreja precisa projetar e fornecer espaços de cura para as nossas famílias em resposta a estes problemas, mostrando que existe espaço para todos.

Além disto, é oportuno observar que a identidade dos jovens também é formada por interações externas e pela pertença a grupos específicos, associações e movimentos ativos até mesmo fora da Igreja. Muitas vezes, as paróquias não são mais lugares de encontro. Reconhecemos também o papel dos educadores e amigos como responsáveis de grupos jovens que podem tornarem-se bons exemplos. Precisamos de ncontrar modelos atraentes, coerentes e autenticos. Precisamos de explicações racionais e críticas às questões complexas - as respostas simplistas não são suficientes.

Para alguns, a religião passou a ser considerada uma questão privada. Ás vezes sentimos que o sagrado parece algo separado da vida quotidiana. Muitas vezes, a Igreja parece severa demais e, geralmente, associada a um moralismo excessivo. É frequente, na Igreja, a dificuldade de superar a lógica do “sempre foi assim”. Precisamos de uma Igreja acolhedora e misericordiosa, que tem apreço pelas suas raízes e os seus valores, amando a todos, até mesmo aqueles que não seguem o que acreditamos ser a fé “padrão”. Muitos daqueles que buscam uma vida pacífica terminam dedicando-se a filosofias ou experiências alternativas.

Outros lugares importantes de pertença dos jovens são grupos como as redes sociais, os amigos e colegas de classe, assim como contextos sociais e o ambiente natural. Estes são lugares que muitos de nós passamos a maior parte do tempo. Frequentemente, as nossas escolas não nos educam para desenvolvermos um pensamento crítico.

Momentos cruciais para o desenvolvimento da nossa identidade incluem: escolher a nossa faculdade, a nossa profissão, decidir em que crer, descobrir a nossa sexualidade e fazer escolhas definitivas na nossa vida.

Além disto, as experiências eclesiais podem tanto formar quanto influenciar a construção da nossa personalidade e identidade. Os jovens são profundamente interessados em assuntos como a sexualidade, as dependências, os casamentos falidos, as famílias desestruturadas, assim como nos grandes problemas sociais como o crime organizado, o tráfico de pessoas, a violência, a corrupção, abusos, feminicídio e toda forma de perseguição e degradação do nosso meio ambiente. Estes elementos são de profunda preocupação nas comunidades de todo o mundo. Temos medo porque em muitos dos nossos países encontramos instabilidade social, política e económica.

Para lutarmos contra estes desafios, precisamos de inclusão, acolhimento, misericórdia e cuidado por parte da Igreja, tanto como instituição ou como comunidade de fé.

2) Relação com os outros

Os jovens buscam dar sentido a um mundo muito complicado e diversificado. Temos acesso às novas oportunidades para superar as diversidades e as divisões no mundo, mas isso acontece em níveis e realidades diferentes. Muitos jovens são acostumados a ver a diversidade como uma riqueza e consideram um mundo pluralista como uma oportunidade. O multiculturalismo tem o potencial de favorecer um ambiente de diálogo e tolerância. Valorizamos a diversidade de ideias num mundo globalizado, o respeito pela maneira de pensar do outro e a liberdade de expressão. Ao mesmo tempo, queremos também preservar a nossa identidade cultural e evitar a uniformidade e a cultura do descarte. Não devemos temer as nossas diversidades, mas valorizar as nossas diferenças e tudo aquilo que nos faz únicos. Às vezes, sentimo-mo-nos excluídos por sermos cristãos em ambientes sociais que são contra a religião. Temos consciência que precisamos de encontros entre nós e com outros para se poder construir laços profundos.

Em alguns países a fé cristã é em minoria, enquanto noutra religião é dominante. Os países com raízes cristãs têm, hoje em dia, uma tendência para rejeitar gradualmente a Igreja e a religião. Alguns jovens tentam dar um sentido à fé numa sociedade cada vez mais secularizada, onde a liberdade de consciência e a religião estão sendo atacadas. O racismo, em diferentes modos, é presente nos jovens de diversas partes do mundo. Existe ainda uma oportunidade para a Igreja de propor aos jovens um outro “modo” de viver, mas isto deve ser feito no meio dos contextos sociais muitas vezes complicados.

Desta forma, é frequentemente difícil para os jovens escutar a mensagem do Evangelho. Isto é ainda mais acentuado em lugares onde infelizmente, mesmo existindo um geral apreço pela diversidade, as tensões sociais fazem parte da realidade. Uma atenção particular deve ser dada aos nossos irmãos e irmãs cristãos que são perseguidos. Recordamos que as nossas raízes cristãs são banhadas no sangue dos mártires e, enquanto rezamos pelo fim de todo tipo de perseguição, somos agradecidos pelos seus testemunhos de fé em todo o mundo. Ainda não existe um consenso unânime em relação à questão dos imigrantes e dos refugiados e muito menos sobre as problemáticas que causam este fenómeno - tudo isto somado ao reconhecimento do dever universal de tutelar a dignidade de cada pessoa humana.

Num mundo globalizado e inter-religioso, a Igreja precisa não somente de um modelo mas também de uma elaboração sobre as linhas teológicas já existentes para um pacífico e construtivo diálogo com pessoas de outras crenças e tradições.

3) Os jovens e o futuro

Os jovens sonham com segurança, estabilidade e plenitude. Muitos esperam uma vida melhor para as suas famílias. Em muitas partes do mundo, isto significa buscar a segurança pessoal; para outros especificamente quer dizer, encontrar um bom trabalho e um certo estilo de vida. Identificar um lugar de pertença é um sonho comum que ultrapassa continentes e oceanos.
Aspiramos melhores oportunidades numa sociedade que seja coerente e que confie em nós. Buscamos ser escutados, participando ativamente, e não somente espetadores na sociedade. Procuramos uma Igreja que nos ajude a encontrar a nossa vocação, em todos os seus significados. Além disto, infelizmente, nem todos acreditamos que a santidade seja algo possível de se alcançar e que seja um caminho para a felicidade. Precisamos revitalizar o sentido de comunidade que nos conduza a um verdadeiro sentido de pertença.
Algumas preocupações práticas tornam a nossa vida difícil. Muito jovens experimentaram grandes traumas em vários modos. Muitos ainda sofrem sob o peso de desestabilidades mentais ou deficiências físicas. A Igreja precisa de sustentar melhor e prover recursos idóneos para nos assistir no nosso percurso de cura. Em algumas partes do mundo, a única via para se ter um futuro seguro é receber uma instrução universitária ou trabalhar excessivamente. Se, por um lado esse é um padrão comum aprovado, por outro é importante dizer que nem sempre é possível executá-lo por uma série de circunstâncias nas quais os jovens se encontram. Esta ideia prevalece e tem mudado o nosso modo de ver o trabalho. Mesmo diante desta realidade, os jovens afirmam que existe uma dignidade intrínseca ao trabalho. Às vezes, acabamos renunciando aos nossos sonhos. Temos muito medo e alguns de nós pararam de sonhar. Isto percebe-se nas muitas pressões sócio-económicas que ameaçam a esperança dos jovens. Acontece então que não temos nem mesmo mais a capacidade de continuar a sonhar.

Por esta razão os jovens comprometem-se com os problemas de injustiças sociais do nosso tempo. Buscamos a oportunidade de trabalhar e construir para um mundo melhor. Com este propósito, a doutrina social da Igreja Católica é, de modo particular, instrumento privilegiado de informação para os jovens católicos que se identificam com essa vocação. Queremos um mundo de paz, com uma ecologia integral unida a uma economia global sustentável. Para os jovens que vivem em regiões instáveis e vulneráveis, existe a esperança e uma expectativa de ações concretas da parte dos governos e da sociedade: acabar com os conflitos, com a corrupção; ter atenção às mudanças climáticas, às desigualdades sociais e à segurança. É importante saber que, independentemente do contexto, todos partilham a mesma aspiração inata por ideais nobres: paz, amor, confiança, igualdade, liberdade e justiça.

Os jovens sonham com uma vida melhor, mas muitos são obrigados a migrar para encontrar uma melhor situação económica e ambiental. Desejam a paz e são, em particular modo, atraídos pelo “mito do Ocidente”, assim como é representado pela mídia. Os jovens africanos sonham com uma Igreja local autónoma, que não alimente a dependência, mas que seja uma contribuição viva para as suas comunidades. Mesmo com tantos conflitos e ondas de violência, os jovens permanecem cheios de esperança. Em muitos países ocidentais, os seus sonhos têm como base o desenvolvimento pessoal e a realização de si.

Em muitos lugares existe uma grande discrepância entre os desejos dos jovens e a sua capacidade de tomar decisões a longo prazo.

4) Relação com a tecnologia.

Quando nos referimos à tecnologia, é necessário entender o duplo aspeto do seu uso. Se, por um lado, os progressos tecnológicos melhoraram sensivelmente a nossa vida, é igualmente necessário usá-los de maneira prudente. Como em todas as coisas, um uso desregrado pode trazer consequências negativas. Enquanto para alguns a tecnologia tem enriquecido as nossas relações, para muitos outros têm gerado uma forma de dependência, tomando o lugar das relações humanas e até mesmo da relação com Deus. Mesmo assim, a tecnologia é considerada parte integrante da vida dos jovens e deve ser entendida como tal. Paradoxalmente, em alguns países, a tecnologia, em particular a Internet, é gratuitamente acessível, enquanto os serviços de necessidades básicas são insuficientes.

O impacto das mídias sociais na vida dos jovens não pode ser desvalorizado. As mídias sociais são parte integrante da identidade dos jovens e do seu modo de viver. Como nunca, os ambientes digitais têm o poder sem precedentes de unir pessoas geograficamente distantes. A troca de informações, ideais, valores e interesses comuns é hoje muito mais possível. O acesso a instrumentos de formação online trouxe novas oportunidades educativas para os jovens que vivem em áreas remotas e fez do conhecimento do mundo algo mais acessível, até mesmo com um só click.

Todavia, a tecnologia tem mostrado uma outra face, aquela de certos vícios. Este perigo manifesta-se de diversas formas como isolamento, preguiça, desolação e tédio. É evidente que os jovens de todo o mundo estejam a consumir excessivamente produtos eletrónicos. Embora vivamos num mundo hiperconetado, a comunicação entre os jovens permanece limitada a grupos de pessoas que pensam como eles. Faltam espaços e oportunidades para que sejam feitas experiências com a diversidade. A cultura destes meios de comunicação em massa tem muita influência na vida e nos ideais dos jovens. O advento das redes sociais trouxe novos desafios em relação à enorme influência que essas mesmas redes têm sobre os jovens.

Frequentemente os jovens tendem a comportarem-se nos ambientes online de forma diferente da que se comportam nos ambientes offline. É necessário oferecer uma formação aos jovens de como ter uma vida digital sadia. As relações online podem tornar-se desumanas. Os espaços digitais deixam-nos cegos para a fragilidade do outro e impedem um olhar profundo. Problemas como a pornografia distorcem a percepção que o jovem tem da sua própria sexualidade. A tecnologia usada deste modo cria uma realidade paralela ilusória, que ignora a dignidade humana.

Outros riscos incluem: a perda de identidade relacionada com uma representação errada da pessoa, uma construção virtual da personalidade e a perda de uma presença social embassada na realidade. Além disto, os riscos a longo prazo incluem: perda de memória, de cultura e de criatividade diante do acesso imediato à informação e a perda de concentração ligada à fragmentação. Além do mais, existe uma cultura ditatorial da aparência.

Falar da tecnologia não se limita à internet. No campo da bioética, a tecnologia traz novos desafios e novos riscos em relação à proteção da vida humana em cada fase. O advento da inteligência artificial e das novas tecnologias como a robótica e a automação coloca em risco muitos trabalhadores, reduzindo as oportunidades de empregos. A tecnologia pode ser nociva à dignidade humana se não usada com conhecimento e prudência: a dignidade humana deve  guiar
sempre o uso da mesma.

Oferecemos aqui duas propostas concretas no que toca à tecnologia. Primeiramente, a Igreja, comprometendo-se com um diálogo constante com os jovens, deveria aprofundar a sua compreensão da tecnologia de modo a poder ajudar-nos a ponderar o seu uso. Além disto, a Igreja deveria considerar a tecnologia - em particular a Internet - como um terreno fértil para a Nova Evangelização. Os resultados desta reflexão deveriam ser formalizados através de um documento oficial da Igreja. Em segundo lugar, a Igreja deveria voltar a sua atenção para o mal da pornografia, incluindo os abusos de menores na rede, o cyberbullismo e os prejuízos que isso traz para a humanidade.
5) A busca de sentido de vida

Muitos jovens não sabem responder à pergunta: “qual o sentido da sua vida?”. Nem sempre conseguem coligar a vida a um sentido transcendental. Vários jovens, perdendo a confiança nas instituições, não se reconhecem mais nas religiões tradicionais e não se definem como “religiosos”. Porém, os jovens são abertos à espiritualidade.

Vários lamentam-se que poucos são os seus coetâneos que buscam as respostas do sentido de vida num contexto de fé e de Igreja. Em diversos lugares do mundo, os jovens dão significados às suas vidas através dos seus trabalhos e sucessos pessoais. A dificuldade em encontrar estabilidade nesses âmbitos produz insegurança e ansiedade. Muitos são obrigados a migrar em busca de um contexto que lhes permita trabalhar. Outros ainda abandonam as suas famílias e cultura devido à instabilidade económica.

Além disto, outros evidenciam que, embora os jovens se interroguem sobre o sentido da sua existência, nem sempre significa que estejam prontos a dedicarem-se de maneira decisiva a Jesus ou à Igreja. Hoje a religião não é mais vista como o principal meio através do qual os jovens buscam sentido: dirigem-se, frequentemente, a tendências e ideologias modernas. Os escândalos atribuídos à Igreja - tanto os reais, quanto aqueles percebidos como tais - afetam a confiança dos jovens na Igreja e nas instituições tradicionais por ela representadas.

A Igreja pode ter um papel vital na certificação de que esses jovens não sejam excluídos, mas que se sintam aceites. Isso acontece também quando buscamos promover a dignidade das mulheres, tanto na Igreja quanto nos contextos sociais mais amplos. Hoje a falta de igualdade entre homens e mulheres é um problema difuso na sociedade. Isto acontece também na Igreja. Existem grandes exemplos de mulheres que realizam um serviço em comunidades religiosas, consagradas, tendo um papel de grande responsabilidade na vida dos leigos. No entanto, para algumas jovens esses exemplos não são sempre visíveis. Uma pergunta-chave surge destas reflexões: “quais os lugares em que as mulheres podem prosperar dentro da Igreja e da sociedade?”.

A Igreja pode lidar com estes problemas com um olhar aberto às diversas ideias e experiências.

Geralmente existe uma grande divergência entre os jovens, tanto na Igreja quanto no mundo, em relação aos ensinamentos que são atualmente, particularmente controversos. Entre estes encontramos: contracepção, aborto, homossexualidade, convivência, matrimónio e também como o sacerdócio é entendido nas diversas realidades da Igreja. É importante notar que, independentemente do nível de compreensão dos jovens dos ensinamentos da Igreja, ainda existem divergências e um debate aberto entre os próprios jovens sobre estas problemáticas. Consequentemente, muitos gostariam que a Igreja mudasse os seus ensinamentos ou, ao menos, que forneça melhores explicações e formação sobre as questões. Mesmo com este debate interno, os jovens católicos com convicções em contraste com os ensinamentos da Igreja desejam, de toda forma, fazer parte da Igreja. Por sua vez, muitos jovens católicos aceitam estes ensinamentos e encontram neles uma fonte de alegria. Desejam que a Igreja não somente mantenha firme os seus ensinamentos, mesmo se impopulares, mas os proclame ainda com mais profundidade.

No mundo, a relação com o sagrado é uma questão complexa. O cristianismo é visto, muitas vezes, como algo que pertence ao passado, e o seu valor ou relevância para as nossas vidas não são mais compreendidos. Ao mesmo tempo, em algumas comunidades observa-se uma prioridade ao sagrado enquanto a vida cotidiana é estruturada em torno da religião. Em alguns contextos asiáticos, o sentido de vida pode ser associado a filosofias orientais.

Por fim, muitos de nós desejamos fortemente conhecer Jesus, mas geralmente temos dificuldade em compreender que somente Ele é a fonte de uma verdadeira descoberta de si, pois é na relação com Ele que a pessoa descobre-se a si mesma. Consequentemente, evidenciamos que os jovens pedem testemunhos autênticos: homens e mulheres capazes de expressar com paixão a sua fé e relação com Jesus, e ao mesmo tempo, de encorajar outros também a aproximarem-se, encontrarem-se e apaixonarem-se por Jesus.


PARTE II - FÉ E VOCAÇÃO, DISCERNIMENTO E ACOMPANHAMENTO


É uma alegria e uma responsabilidade sagrada acompanhar os jovens na sua trajetória de fé e discernimento. Os jovens são mais receptivos diante de “uma narrativa de vida” do que diante de um abstrato sermão teológico; eles são conscientes e atentos, empenhando-se ativamente no mundo e na Igreja. Por isso, é importante compreender como os jovens percebem a fé, a vocação e os desafios que se apresentam no discernimento.

6) Os jovens e Jesus

O relacionamento que muitos jovens têm com Jesus é tão variado quanto o número de jovens no mundo. Muitos deles vêem Jesus como o seu Salvador e Filho de Deus. Ainda, muitas vezes, os jovens encontram a proximidade de Jesus através da Sua Mãe, Maria. Outros, ao contrário, podem não ter tal relação com Jesus, mas o vêem mesmo assim como um referencial moral e uma boa pessoa. Muitos jovens percebem Jesus como um personagem histórico, pertencente a uma época e a uma cultura passadas, e por isso, não relevante para as suas vidas. Outros, ainda, percebem Jesus distante da sua experiência humana, distância que para eles é perpetrada pela Igreja. Além disso, as falsas imagens que alguns jovens têm de Jesus, muitas vezes os afastam dele. Ideais erróneos de modelos cristãos parecem como algo fora de alcance, assim como os preceitos dados pela Igreja. Por causa disto, o Cristianismo é percebido por alguns como um padrão inalcansável.

Um modo de superar a confusão que os jovens têm a respeito de Jesus compreende um retorno às Escrituras, de modo a poder aprofundar o conhecimento da pessoa de Cristo, da Sua vida, e da Sua humanidade. Os jovens têm a necessidade de encontrar a missão de Jesus, e não aquilo que a eles pode parecer uma expectativa moral inalcansável. Em todo caso, sentem-se inseguros sobre como fazer tudo isto. O encontro com Jesus deve ser promovido entre os jovens e a Igreja deve dirigir-se a eles.

7) A Fé e a Igreja

Para muitos jovens, a fé tornou-se algo inerente mais à esfera privada do que a um evento comunitário, e as experiências negativas que alguns destes tiveram com a Igreja certamente contribuíram para esta perceção. Muitos jovens relacionam-se com Deus a um nível meramente pessoal, afirmando serem “espirituais, mas não religiosos”, ou mesmo concentrando-se somente na uma relação pessoal com Jesus Cristo. Alguns jovens pensam que a Igreja desenvolveu uma cultura na qual se presta mais atenção às instituições do que à pessoa de Cristo. Outros, por sua vez, consideram que os líderes religiosos são distantes, mais preocupados com a dimensão administrativa do que com a criação de uma comunidade; ainda mais, alguns vêem a Igreja como uma entidade irrelevante. Como se a Igreja se esquecesse que é constituída por pessoas e não por estruturas. Existem jovens que, ao contrário, experimentam uma Igreja próxima, como no caso da África, da América Latina e da Ásia, assim como em diversos movimentos de escala mundial. Mesmo jovens que não vivem o Evangelho sentem uma ligação com a Igreja. Este sentido de pertença e família sustenta os jovens no seu caminho. Sem esta ligação e ponto de referência comunitário, correm o risco de se encontrarem sós diante deos seus desafios. Por outro lado, existem muitos jovens que não percebem a necessidade de serem parte da Igreja e que encontram sentido para sua existência fora dela.

Infelizmente, em algumas partes do mundo, os jovens estão, em grande número, a deixar a Igreja. Entender os motivos deste fenómeno é crucial para poder continuar em frente. Os jovens que não têm ligação com a Igreja, ou que estão distantes dela, o fazem porque experimentaram indiferença, julgamento e rejeição. É possível participar numa missa e sair sem ter experimentado nenhum sentido de comunidade ou de família enquanto Corpo de Cristo. Os cristãos professam um Deus vivo, mas não obstante a isso, encontramos celebrações e comunidades que parecem mortas. Os jovens são atraídos pela alegria, que deveria ser um sinal distintivo da nossa fé. Desejam ver uma Igreja que seja testemunha viva daquilo que ensina, e que mostre a autenticidade do caminho em direção à santidade, compreendendo a admissão dos erros cometidos e tendo a humildade de pedir perdão. Os jovens esperam que as lideranças da Igreja - consagrados, religiosos e leigos - sejam o mais forte exemplo disso. Saber que os modelos de fé são autênticos, mas também vulneráveis, faz os jovens sentirem-se livres para também eles o serem. Não se deseja aqui negar a sacralidade dos seus ministérios, mas exercê-los de modo que os jovens possam ser inspirados por eles no caminho para a santidade.

Muitas vezes os jovens têm dificuldade de encontrar um espaço na Igreja no qual possam participar ativamente e ter responsabilidades. Os jovens, a partir das suas experiências, percebem uma Igreja que os considera demasiado jovens e pouco experientes para tomar decisões, e que deles se espera somente erros. Deve existir confiança no facto de que os eles podem guiar e serem também protagonistas do seu caminho espiritual. Não se trata somente de imitar os mais sábios, mas de assumir verdadeiramente a responsabilidade da própria missão e de vivê-la seriamente. Os movimentos e as novas comunidades na Igreja têm desenvolvido caminhos fecundos não só para a evangelização dos jovens, mas também para legitimá-los a serem os principais embaixadores da fé para os seus coetâneos.

Uma outra percepção de muitos jovens é a falta de clareza acerca do papel das mulheres na Igreja. Se, já de uma parte, é difícil para os jovens terem um sentido de pertença e liderança na Igreja, isso é ainda mais difícil para as mulheres jovens. Por isso, seria de grande ajuda se a Igreja não só afirmasse o papel da mulher, mas que também ajudasse os jovens a explorá-lo e a compreendê-lo sempre mais claramente.

8) O sentido vocacional da vida

É preciso encontrar uma simples e clara compreensão do significado de vocação, que seja capaz de dar destaque ao sentido do chamamento, da missão, do desejo e da aspiração em persegui-la. Um significado capaz de torná-la um conceito com o qual os jovens possam relacionar-se neste momento das suas vidas. O termo “vocação” foi por vezes apresentado como um conceito meramente intelectual, entendido por muitos como fora de alcance. Os jovens conseguem entender o sentido de dar um significado à vida e de existir no mundo por uma razão, mas muitos não sabem ligar este sentido à vocação entendida como dom e chamamento de Deus.

O termo “vocação” torna-se então, nos ambientes eclesiásticos, sinónimo do chamamento ao sacerdócio e à vida religiosa. Se, de um lado, estas são santas vocações e dignas de serem celebradas, por outro é importante que os jovens saibam que a sua vocação vem da dignidade intrínseca da própria vida e que cada um tem a responsabilidade de discernir ‘quem’ é chamado a ser e ‘o quê’ é chamado por Deus a fazer. Existe uma plenitude própria que é evidenciada em cada vocação para que os jovens possam abrir os seus corações a esta possibilidade.

Os jovens pertencentes às diversas tradições religiosas incluem no termo vocação: a vida, o amor, as aspirações, a busca do próprio lugar no mundo e o modo para contribuir com este, juntamente com as vias para poder deixar um sinal tangível. A ideia geral de que a vocação é um chamamento não é clara aos jovens, e por isso é necessária uma maior compreensão da vocação cristã (ao sacerdócio, à vida religiosa, ao apostolado laical, ao matrimónio à família, etc.) e do chamamento universal à santidade.

9) Discernimento vocacional

Discernir a própria vocação representa um desafio, especialmente à luz dos equívocos inerentes a este termo, porém os jovens aceitam-no mesmo assim. Este processo de discernimento pode ser uma aventura que acompanha o caminho da vida. Dito isto, muitos jovens não sabem envolver-se neste processo de discernimento, e isto constitui uma oportunidade para que a Igreja os acompanhe.

São muitos os fatores que influenciam a capacidade de um jovem no momento de discernir a própria vocação: a Igreja, as diferenças culturais, as exigências do trabalho, o mundo digital, as expectativas da família, a saúde mental e o estado de ânimo, ruídos, a pressão dos outros jovens, os cenários políticos, a sociedade, a tecnologia, etc… Passar tempos em silêncio, em introspecção e rezar, assim como a ler a Escritura e aprofundando o conhecimento de si, são oportunidades que poucos jovens de facto desfrutam. É necessária uma melhor introdução a estas práticas. Envolverem-se com grupos de oração, movimentos e comunidades construídas sob o interesse comum pode também ajudar os jovens no seu discernimento.

Reconhecemos de modo particular o excepcional desafio que as jovens moças devem enfrentar no momento de discernir a sua vocação e o seu espaço na Igreja. Assim como o “sim” de Maria ao chamamento de Deus é fundamental na experiência cristã, é necessário dar às mulheres de hoje espaços nos quais possam dizer “sim” à sua vocação. Encorajamos a Igreja a aprofundar a compreensão do papel da mulher e valorizar as jovens, sejam essas leigas ou consagradas, no mesmo espírito de amor que a Igreja tem por Maria, mãe de Jesus.

10) Jovens e acompanhamento

Os jovens buscam companheiros de caminho, buscam estar em torno de homens e mulheres fiéis que comuniquem a verdade, ao mesmo tempo deixando-os exprimir a sua consciência de fé e de vocação. Tais pessoas não devem ser modelos de fé irrepreensíveis, mas testemunhos vivos, capazes de evangelizar através das suas vidas. São muitos os que podem ser exemplos à altura desta expectativa: podem ser rostos familiares no próprio lar, colegas da comunidade local, ou mártires que testemunham a sua fé doando as suas vidas.

Estes guias devem possuir algumas qualidades: ser um cristão fiel e engajado na Igreja e no mundo; buscar constantemente a santidade, não julgar, mas cuidar; escutar ativamente as necessidades dos jovens e responder com gentileza; ser profundamente amoroso e ter consciência de si, saber reconhecer os próprios limites, conhecer a alegria e as dores da vida espiritual.

Uma qualidade de importância primária para os educadores é saber reconhecer-se humano e capaz de compreender os erros: não ser perfeito, mas um pecador perdoado. Acontece muitas vezes que os guias e lideranças são colocados num pedestal, e sua eventual ‘queda’ pode causar um impacto devastador na capacidade dos jovens de se engajarem na Igreja.

As lideranças não devem conduzir os jovens a serem seguidores passivos, mas caminhar junto deles, deixando-os ser participantes ativos desta viagem. Devem respeitar a liberdade do processo de discernimento de um jovem, fornecendo os instrumentos necessários para o cumprimento adequado deste processo. Um acompanhador deve acreditar de todo o coração na capacidade que um jovem tem de participar da vida da Igreja. Um guia deve cultivar a semente da fé nos jovens, sem nenhuma expectativa de ver os frutos do trabalho, pois este é feito pelo Espírito Santo. Este papel não pode ser restrito aos sacerdotes e religiosos, mas também os leigos deveriam ser legitimados a desenvolvê-lo. Todos estes guias e acompanhadores deveriam poder ser beneficiados por uma boa formação permanente.

Parte III - Atividades formativas e pastorais da Igreja

11) O estilo da Igreja

Hoje os jovens procuram uma Igreja autêntica. Queremos dizer, especialmente para a hierarquia da Igreja que ela deve ser transparente, acolhedora, honesta, convidativa, comunicativa, acessível, alegre e interativa com a comunidade.
Uma Igreja credível é aquela que não tem medo de ser vista como vulnerável. A Igreja deveria ser sincera em admitir os erros passados e presentes e apresentar-se como uma Igreja feita de pessoas capazes de erros e incompreensões. A Igreja deveria condenar atos como abusos sexuais e o mau uso do poder e da riqueza. A Igreja deveria continuar a reforçar a sua posição em não tolerar o abuso sexual dentro das suas instituições, e assim, reconhecendo-se mais humilde e humana, aumentaria, sem dúvida, a sua credibilidade entre os jovens do mundo. Se a Igreja agir deste modo, ela se distinguirá das demais instituições e autoridades que, em grande parte, despertam a desconfiança dos jovens.

No mais, a Igreja atrai a atenção dos jovens na medida em que está enraizada em Jesus Cristo. Cristo é a Verdade que faz a Igreja ser diferente de qualquer outro grupo secular com o qual poderíamos identificar-nos. Portanto, pedimos que a Igreja continue a proclamar a Alegria do Evangelho guiada pelo Espírito Santo.

Nós desejamos que a Igreja difunda esta mensagem através dos meios modernos de comunicação e expressão. Os jovens têm muitos questionamentos sobre a fé, mas desejam respostas que não sejam aguadas ou que utilizem formulações pré-fabricadas. Nós, a Igreja jovem, pedimos que os nossos líderes falem em termos práticos sobre assuntos controversos como homossexualidade e questões de género, dos quais os jovens já conversam livremente sem tabus. Alguns percebem a Igreja como anti-científica, por isso o seu diálogo com a comunidade científica também é importante, já que a ciência ilumina a beleza da criação. Neste contexto, a Igreja deveria também cuidar de questões ambientais, especialmente a poluição. Nós também queremos uma Igreja empática que alcança os que estão nas margens, os perseguidos e os pobres. Uma Igreja atrativa é uma Igreja relacional.

12) Jovens Protagonistas

A Igreja deve envolver jovens nos seus processos de tomadas de decisão e oferecer-lhes mais funções de liderança. Essas funções devem ser na paróquia, diocese, a nível nacional e internacional, e até em comissões do Vaticano. Nós sentimos fortemente que estamos prontos para sermos líderes, amadurecermos e aprendermos com os membros mais experientes da Igreja, religiosos ou leigos. Nós precisamos de programas de liderança e formação para o desenvolvimento contínuo de lideranças jovens.
Algumas jovens sentem falta de referências femininas dentro da Igreja, com quem também elas desejam contribuir com os seus talentos intelectuais e profissionais. Nós também acreditamos que os seminaristas e religiosos deveriam ter uma maior capacidade para acompanhar os jovens.

Além deste maior envolvimento institucional, queremos também ser uma presença alegre, entusiasmada e missionária dentro da Igreja. Nós também expressamos fortemente o desejo de participar como uma voz criativa proeminente. Essa criatividade é frequentemente encontrada na música, liturgia e artes, mas até ao momento, esse é um potencial inexplorado, visto que a parte criativa da Igreja é dominada pelos membros mais velhos.

Existe também o desejo por comunidades fortes, nas quais os jovens partilhem as suas lutas e testemunhos uns com os outros. Em muitos lugares, isso já acontece por iniciativas de leigos, movimentos e associações, mas estas têm necessidade de receber maior suporte, oficial e financeiro.

Os jovens da Igreja querem ter também um olhar para fora. Eles têm paixão por atividades políticas, civis e humanitárias. Eles querem agir como católicos na esfera pública para o aperfeiçoamento da sociedade como um todo. Em todas estas dimensões da vida da Igreja, os jovens desejam ser acompanhados e levados a sério, como membros responsáveis da Comunidade eclesial.

13) Lugares preferenciais

Nós gostaríamos que a Igreja nos encontrasse em lugares onde ela atualmente tem pouca ou nenhuma presença.
Particularmente, desejamos que a Igreja nos encontre nas ruas, onde se encontram pessoas de todos os tipos. A Igreja deve procurar formas novas e criativas de encontrar as pessoas, exatamente onde elas vivem, em lugares onde socializam naturalmente: bares, cafés, parques, academias, estádios e outros centros culturais populares. Outros lugares menos acessíveis também deveriam ser considerados, como os ambientes militares, os locais de trabalho e as áreas rurais. De igual modo, nós precisamos da luz da fé em lugares mais desafiantes como orfanatos, hospitais, bairros marginalizados, regiões devastadas pela guerra, prisões, centros de reabilitação e zonas de prostituição.

Enquanto a Igreja já nos encontra nas escolas e universidades, queremos ver a sua presença nestes lugares de maneira mais consistente e eficaz. Os recursos não são desperdiçados quando investidos nessas áreas pois são estes os lugares onde muitos jovens passam grande parte do seu tempo e frequentemente se envolvem com pessoas de várias classes sociais. Muitos já são membros de comunidades paroquiais ou de várias instituições, associações e organizações dentro da Igreja. É indispensável que aqueles que já estão engajados sejam apoiados pela comunidade eclesial para que sejam fortalecidos e inspirados na sua missão de evangelização no mundo.

Assim como podemos ser encontrados em muitos lugares físicos, o mundo digital tem de ser levado em conta pela Igreja. Nós desejamos uma Igreja que seja acessível por meio das mídias sociais e outros espaços digitais, para mais fácil e efetivamente disponibilizar informações da Igreja, os seus ensinamentos, e para favorecer a formação dos jovens.
Em resumo, queremos ser encontrados onde estamos – intelectualmente, emocionalmente, espiritualmente, socialmente e fisicamente.

14) Iniciativas a serem reforçadas

Nós esperamos por experiências que possam aprofundar a nossa relação com Jesus no mundo real. Iniciativas bem-sucedidas oferecem-nos uma experiência com Deus. Portanto, concordamos com iniciativas que nos dão um entendimento dos Sacramentos, oração e liturgia, para que possamos partilhar e defender a nossa fé no mundo secularizado.
Os Sacramentos sã para nós, de grande valor e desejamos conhecer os seus mais profundos significados nas nossas vidas. Isto vale para a preparação para o Matrimónio, o Sacramento da Reconciliação, o Batismo de crianças e assim por diante. Pela falta de uma apresentação clara e atrativa daquilo que os sacramentos verdadeiramente oferecem, alguns de nós os recebemos sem valorizá-los adequadamente.
Algumas iniciativas frutuosas são: eventos como a Jornada Mundial da Juventude, cursos e programas de formação, em especial aos que são novos na fé; pastorais sociais, catecismo para jovens, retiros de finais de semana e exercícios espirituais, eventos carismáticos, coros e grupos de oração, peregrinações, iniciativas desportivas cristãs, grupos paroquiais ou diocesanos, grupos de estudo bíblico, grupos universitários cristãos, diferentes aplicativos de fé e a imensa variedade de movimentos e associações dentro da Igreja.

Nós gostamos de
grandes eventos e bem organizados, mas não significa que todos os eventos precisam de ser de grande porte.  Pequenos grupos locais onde podemos expressar dúvidas e partilhar uma convivência cristã também são primordiais para mantermos a fé. Esses pequenos eventos, nos vários contextos sociais, preenchem a lacuna entre os grandes eventos da Igreja e a paróquia. Reunir-se dessa forma é especialmente importante nos países onde os cristãos são menos aceites.

Os aspectos sociais e espirituais das iniciativas da Igreja podem ser complementares uns aos outros. Existe também um desejo de um alcance social e de evangelização das pessoas que lutam contra doenças e vícios, assim como o envolvimento num diálogo com pessoas de diferentes religiões, contextos culturais e socioeconómicos. A Igreja deve reforçar as iniciativas que combatem o tráfico humano e migrações forçadas, assim como o narcotráfico que é especialmente importante na América Latina.

15) Instrumentos a serem usados

A Igreja deve adotar uma linguagem que a torne capaz de se relacionar com os costumes e culturas dos jovens, de modo a que todas as pessoas tenham a oportunidade de ouvir a mensagem do Evangelho. Somos apaixonados pelas diferentes expressões da Igreja. Alguns têm um forte entusiasmo pelo “fogo” dos movimentos Carismáticos contemporâneos, que focam na ação do Espírito Santo; outros são atraídos pelo silêncio, meditação e tradições litúrgicas. Todas essas coisas são boas pois ajudam-nos a rezar de formas diferentes. Fora da Igreja, muitos jovens vivem uma espiritualidade difícil, mas a Igreja poderia ajudá-los com os instrumentos adequados.
  • Multimídia – A internet oferece à Igreja uma oportunidade de evangelização sem precedentes, especialmente por meio das mídias sociais e dos conteúdos de vídeo online. Como jovens, somos nativos no meio digital e por isso podemos guiar a Igreja neste caminho. Também é um lugar fantástico de encontro e relação com pessoas de outra fé ou sem fé alguma. As séries de vídeos do Papa Francisco são um bom exemplo do potencial de evangelização da internet.
  • Experiências de um Ano (Ano Sabático) – Anos de serviço dentro dos movimentos e obras de caridade dão aos jovens a experiência de missão e espaço para o discernimento. Também criam a oportunidade para a Igreja encontrar os não-crentes e pessoas de uma outra fé. 
  • A Beleza e as Artes – A beleza é universalmente reconhecida e a Igreja tem um belo histórico de evangelizar por meio das artes, como a música, artes visuais, arquitetura, design etc. Os jovens respondem a isto com facilidade e gostam de ser criativos e expressivos.
  • Adoração, Meditação e Contemplação – Nós também apreciamos o contraste do silêncio oferecido pela tradição da Igreja, na Adoração Eucarística e na oração contemplativa. Isto afasta-nos dos barulhos constantes da comunicação moderna e assim podemos encontrar-nos com Jesus. O silêncio é onde podemos ouvir a voz de Deus e discernir a Sua Vontade para nós. Muitos, mesmo fora da Igreja, também apreciam a meditação, e isto pode ser uma ponte para aqueles que, mesmo não tendo fé, se reconhecem como pessoas espirituais. Pode ser contra-cultural, mas é eficaz.
  • Testemunho – As histórias pessoais de quem fez parte da Igreja são meios eficazes de evangelizar já que experiências pessoais não podem ser contraditas. Testemunhos de cristãos modernos e aqueles perseguidos no Médio Oriente são particularmente fortes sinais da vida plena que se encontra na Igreja. As histórias dos santos são muito relevantes para nós, pois são caminhos rumo à santidade e à plenitude.
  • O processo Sinodal – Ficamos entusiasmados por termos sido levados a sério pela hierarquia da Igreja e sentimos que este diálogo entre os jovens e a Igreja madura é um processo vital e frutuoso. Seria uma pena se a este diálogo não fosse dada a oportunidade de continuar a crescer! Esta cultura de abertura é extremamente saudável para nós.
No início deste encontro Pré-Sinodal, e neste espírito de diálogo, o Papa Francisco propôs o seguinte trecho bíblico: “Depois de tudo isso, derramarei o meu espírito sobre todos os viventes. E, então, todos os vossos filhos e filhas falarão como profetas: Os anciãos receberão em sonho as suas mensagens e os jovens terão visões” (Joel 3,1).

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