13 maio, 2010

O Renovamento é um movimento profético do Espírito



Quando deixamos o Espírito intervir em nós, ficamos maravilhados, porque somos transformados e a história da nossa vida muda. A essência da vida resume-se num encontro com Deus: o encontro pessoal.
Só conhecemos Jesus na medida em que somos capazes de reiniciar uma relação de amor muito forte com Ele. Quem estiver em dúvida não reconhece Jesus. Jesus deixa-se reconhecer pelos olhos da alma de quem O ama.
Deixemos o Espírito Santo preparar-nos para esse amor. Abramo-nos docilmente aos dons do Espírito Santo e aceitemos com alegria os carismas que ele nos quer dar. Mas devemos pedi-los. Ele tem uma missão santificadora, de deixar-nos transfigurados com Cristo. Isso é o sinete do seu Amor em nós, pois Jesus é o amor que salva, liberta, cura, transforma e nos torna novas criaturas.

Labat n.º 104 de Maio de 2010

A Alegre Via Gloriosa

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Nascemos na manhã de Páscoa, somos discípulos do ressuscitado, temos em nós a sua vida, já estamos ressuscitados com Ele.

Apesar do nosso ar sombrio, triste e, tantas vezes fúnebre, apesar das nossas celebrações tristonhas, fechadas, sem alegria pascal, apesar das nossas lamentações e do modo sombrio e tenebroso como, tantas vezes, encaramos a vida, apesar dos nossos medos e perplexidades, nós cristãos, homens e mulheres baptizados, somos vocacionados à alegria verdadeira.
O próprio Jesus nos disse na Ceia: “deixo-vos a minha alegria e desejo que ela em vós seja completa” ( Jo 15....).
Temos dentro de nós essa semente de alegria, esse gérmen de glória, essa vida divina, que temos que fazer germinar, crescer, amadurecer, lutando contra tudo o que é pessimismo, medo, derrotismo, lamentação, contra tudo o que nos debruça sobre nós próprios, como a tristeza, o ciúme, o egoísmo, etc.
Um filho ou uma filha de Deus, um irmão ou uma irmã de Jesus Cristo, um templo vivo do Espírito, tem que viver a alegre e jubilosa vida pascal, em comunhão com o Senhor da Vida, da Paz e da Alegria.
A tristeza não vem de Deus, não é fruto do Espírito Santo, mas algo que nasce do amor-próprio ferido, da falta de confiança no Amor, de egoísmo ou egocentrismo que nos fecham sobre nós próprios.

Alegres de Deus e alegre por causa de Deus. Unidos ao Ressuscitados temos de ser testemunhas vivas da sua alegria.
Um modo eficaz desta alegria pascal invadir o nosso interior, o nosso coração, a nossa vida, é fazermos com frequência a Via Gloriosa. Fazemos a tradicional Via-sacra, contemplando os sofrimentos e dores da Paixão e Morte de Cristo, mas devemos fazer a Via Gloriosa, contemplando as suas diversas aparições de Ressuscitado.
Se fazemos uma Quaresma de penitência e de paramentos roxos, precisamos de fazer com frequência uma Quaresma de alegria e de Via Gloriosa.
De facto da Páscoa à Ascensão vão quarenta dias, com diversas aparições, convidando-nos à alegria, à paz, à certeza que Ele está Vivo e que somos participantes da sua Vida e da sua Glória. Alegres com Cristo Ressuscitado seremos mais eficazes testemunhas da sua Alegria, da sua Presença gloriosa e jubilosa.
No conjunto das aparições do Ressuscitado, desde o Domingo de Páscoa até à Quinta Feira de Ascensão, somos continuamente convidados à alegria, à paz, à certeza da sua presença, ao envio como testemunhas e mensageiros.
No seu conjunto, e cada aparição por si mesma, é convite a meditar no poder da Ressurreição que nos convida a viver com Ele, em alegre e júbilo, em paz e gozo, em sintonia com Ele e com o seu Coração.

Fazer a Via Gloriosa é escola contínua das dimensões evangélicas mais profundas e mais fecundas.
Madalena é transformada numa mulher alegre e enviada, embora estivesse junto ao túmulo a chorar.
Os Apóstolos medrosos e sem esperança, são movidos à alegria, à fortaleza, à paz, à esperança que não nos confunde. E junto ao mar da Galileia, o Ressuscitado, Amigo de seus Amigos, já tem as brasas acesas e o peixe assado, para partilhar com eles uma alegre refeição matinal.
E com a mesma amizade e delicadeza põe a caminho de Emaús, estabelece conversa com os discípulos tristes e sem esperança, e dá-Se a conhecer ao partir do Pão, enchendo os seus corações de alegria verdadeira, duradoira, celestial.
À medida que formos fazendo a Via Gloriosa, seremos invadidos pelos mesmos sentimentos, teremos em nós as mesmas realidades que tiveram as santas mulheres, os discípulos de Emaús, ou os apóstolos.
Ele continua a ser a fonte da alegria, da paz e da esperança.
Ele é a fonte do divino júbilo.
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Dário Pedroso, s.j.
Labat n.º 104 de Maio de 2010

Não se brinca com o Espírito Santo


Sempre me chocou a passagem do evangelho de S. Lucas 12, 10: “E todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem, há-de perdoar-se; mas, a quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo, jamais se perdoará.”
Todos sabemos que o título “Filho do Homem” só aparece, nos evangelhos, vindo da boca de Jesus. Assim sendo, quem não acreditar em Jesus como o “Filho do Homem” de Daniel 7, 13-14, é perdoado. Ao contrário acontecerá com quem blasfemar contra o Espírito Santo.

O evangelho de S. Lucas é o que mais refere o Espírito Santo. Outro tanto se diga da sua obra Actos dos Apóstolos.
Em Ac 5, 1-4 narra o facto de Ananias e Safira serem mortos de maneira fulminante por terem mentido ao Espírito Santo. Isto significa que não se brinca com o Espírito Santo.

E vem tudo isto a propósito de compreender, a nível sociológico e religioso, a realidade do movimento avassalador dos nossos irmãos evangélicos, denominados pentecostais/neopentecostais que, segundo li há dias numa Revista das “Assembleias de Deus” já somam uns 400 milhões. É natural que haja exagero no número, mas a realidade não deve andar muito longe.
Como sabemos, a marca cristã dos pentecostais tem a sua chancela na acção do Espírito Santo. Ainda bem que assim é. Mas será que a nossa adesão ao Espírito Santo deva passar pelas igrejas/congregações pentecostais?
Pessoalmente tenho muitos amigos pentecostais que admiro pela forma como oram e vivem a sua vida espiritual. Mas há duas proposições com as quais não concordo.
A primeira, consiste no facto da explicação para o número das suas igrejas/congregações. Segundo os estudos sociológicos, hoje em dia há umas 120.000 igrejas/congregações. Não se trata de vinte nem de mil mas de cento e vinte mil. Quem estuda este fenómeno extraordinário, no cristianismo do século XX e XXI, fica perplexo.
Há uns anos a esta parte, este movimento era tratado pela Igreja Católica Romana como um conjunto de “seitas”. Hoje em dia, ninguém fala de “seitas” por causa da semiótica negativa desta designação. No entanto, dentro das Igrejas cristãs, estas Igrejas/Congregações não aderem ao movimento ecuménico das Igrejas.

Se é o Espírito Santo que conduz a liturgia da Palavra destas Igrejas/Congregações como é possível que haja vinte mil? A explicação é simples e parte da chave hermenêutica de Calvino que estabeleceu como regra de interpretação das Escrituras que A Escritura interpreta-se por si mesma.
Daqui advém o célebre concordismo bíblico. Há que encontrar sempre uma explicação textual para tapar todos os buracos de aparentes contradições no texto bíblico.
Se Lucas em Lc 24 afirma que Jesus subiu ao céu no dia da ressurreição e em Ac 1 quarenta dias depois é porque subiu ao céu duas vezes. Como este exemplo há dezenas de muitos outros. Será assim? Só é assim para quem lê as Escrituras duma maneira historicista e fundamentalista. Os pentecostais lêem assim.
Para eles, a Bíblia foi inspirada pelo Espírito Santo e, assim sendo, tudo tem que concordar porque o Espírito nunca se engana.
Não lêem a Bíblia como uma pequena biblioteca de livros com uma literatura que contém todo o tipo de géneros literários: mito, saga, lenda, conto, romance, poesia, história, género profético, sapiencial, apocalíptico, evangelho, cartas.
Não admitem que Lucas, por exemplo, tenha utilizado uma retórica grega ou catequese retórica para descrever duas ascensões de Jesus.

Neste sentido, é fácil apanhar um simples texto desconstextualizado e fundar, através dele, mais uma Congregação/Igreja. Basta ler e ficar especado diante do texto que o Espírito Santo me acaba de apresentar e que ainda não foi devidamente apreciado pelos outros pentecostais.
Se foi o Espírito Santo que mo apresentou devo seguir literalmente o texto e fundar mais um movimento pentecostal. Assim se explica que todos os dias (?) nasçam novas igrejas e morram outras igrejas.
O problema que se põe é simples: será que Deus e o Seu Espírito está continuamente a mudar, hoje de uma maneira e amanhã de outra? Será que a verdadeira interpretação do texto só aconteceu com os fundadores destas milhares de Congregações pentecostais? Mas que Deus é este e que Espírito Santo é este? Não andaremos a brincar ao Espírito Santo?
A segunda proposição com que não concordo tem a ver com o facto de São Paulo, já no seu tempo, também não concordar. Segundo ele, todos os carismas só têm razão de ser se forem para a construção do único corpo da Igreja (1Cor 12, 12-31: “Pois, como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, constituem um só corpo, assim também Cristo. De facto, num só Espírito, fomos todos baptizados para formar um só corpo, judeus e gregos, escravos ou livres, e todos bebemos de um só Espírito…”).
As cento e vinte mil “Congregações” são cento e vinte mil pequenos “corpos” de interpretação bíblica? Mas Jesus Cristo é um só como o Espírito Santo também é um só.

Outra questão – sem dúvida muito séria – é a liturgia da Palavra nestas Congregações/Igrejas. Ao contrário da Igreja Católica Romana, as liturgias (vide os teleevangelistas americanos) são vivas, dinâmicas, dialogadas.
Os “pastores” aprenderam a arte de comunicar. Voltaremos ao assunto.

Pe. Joaquim Carreira das Neves, OFM
Labat n.º 104 de Maio de 2010

Cristo Rei - 20 de Abril de 2010

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 P. Raniero Cantalamessa
(Excertos)

O Padre Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia e participante do Renovamento Carismático, esteve em Portugal a convite do Renovamento para uma série de conferências, tendo uma delas acontecido no Santuário de Cristo Rei.
Com a sua simplicidade mostrou-nos que a força do Renovamento é ter sempre viva a chama de Pentecostes. É preciso estarmos atentos aos sinais que o Senhor nos envia e termos a consciência de que o Pentecostes acontece em 6 palavras: Todos ficaram cheios do Espírito Santo.
E estas palavras significam que todos ficaram cheios do amor de Deus. Os apóstolos ficaram extasiados de serem amados por Deus, porque a experiência de Pentecostes é descobrir que são amados por Deus.
É este amor de Deus que transforma, que renova as pessoas e, quando vem desta maneira, tende a transformar todos os componentes da vida de cada um: o matrimónio, a amizade, o trabalho, a paróquia, o grupo de oração. Porque quando o Espírito Santo entra numa pessoa, Ele difunde-se através dessa pessoa para os outros.
E como devemos reagir ao anúncio do Pentecostes?
A primeira resposta que damos é que se Deus me amou tanto, também eu devo amá-lO. Mas João diz-nos que a primeira resposta deverá ser: Deus amou-nos tanto, também nós devemos amar-nos uns aos outros.
É por isso que temos de olhar a nossa a vida à luz do amor de Deus, porque como diz S. Paulo: nada nos pode separar do amor de Deus. Deus, o criador de tudo, está por nós. Quem estará contra nós.
Por isso precisamos de olhar a nossa vida e ver o que não nos deixa ser feliz, o que não aceitamos em nós próprios, as coisas do nosso passado, o que precisa de ser curado e libertado. Mas olhar todas estas coisas à luz do amor de Deus. E então tudo se torna mais pequeno.
O Pentecostes vem também trazer-nos uma actualização do antigo Pentecostes, aquele que os Judeus celebram como a festa do Torá.
Temos o antigo Pentecostes que é a Lei exterior que nos mostra os castigos para as nossas acções e temos o novo Pentecostes, o do Espírito Santo, que nos trás, a nós cristãos, a lei interior. Que nos leva a fazermos as coisas não por medo ou constrangimento, mas por atracção, por amor.
Hoje temos que dialogar com outras religiões, mas temos que saber qual é a nossa identidade.
O cristianismo não é a religião da lei, mas a religião da graça.
O cristianismo não começa por dizer ao homem o que deve fazer, mas o que Deus fez pelo homem.
É esta graça que nos é dada, que nos faz fazer o que Deus nos pede, porque o cristianismo não é uma doutrina, é uma pessoa, Jesus Cristo.

Labat n.º 104 de Maio de 2010

O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza


Vários símbolos contidos na Bíblia expressam o Espírito Santo. Como a linguagem das palavras e a dos povos muda com os tempos, e a linguagem das coisas não muda, façamos uma reflexão do vento, como símbolo da liberdade do Espírito.

A linguagem simbólica do vento não nos diz o que ele é, mas sim o que faz enquanto um facto real. Sopra. Sentimo-lo, mas não vemos. Não sabemos de onde vem, nem para onde vai, mas vemos os seus efeitos. Não o podemos travar ou parar. Ele é ar em movimento.

Sucintamente, consideremos algumas das funções que a natureza atribui ao vento. Nas manhãs frescas e ventosas de Abril, os agricultores lavram e renovam a terra que fica exposta várias horas para que o vento traga ao de cima os vermes e insectos nocivos para serem comidos pelas aves, deixando a terra mais solta, menos húmida e mais imune para a preparação das sementeiras.

O vento, na primavera, transporta o pólen das flores e das plantas, assim como as sementes das árvores espalhadas pela terra para germinarem.

O vento torna as raízes dos arbustos e das árvores mais sólidas e o tronco mais resistente em seu porte.

O vento quente da primavera dá beleza ao desabrochar da vegetação, da verdura dos campos e das florestas, ao policromado das flores e ao encanto do aroma perfumado da natureza.

O vento produz força geradora, energia eólica e movimento.

O vento conduz tanto aves migratórias pairando nas asas do vento sobre oceanos, como leva aves deslizando amenamente para gozo e admiração nossa.

O vento ajuda actividades marítimas, fluviais e aquáticas. O deslizar num barco à vela é muito diferente da lentidão e esforço de um barco a remos.

Partindo desta linguagem acerca do vento, façamos uma transposição do símbolo do vento e, a partir daí, concentrados nessas imagens, elas nos induzam a conhecer, a viver e a proclamar o amor do Espírito Santo que vem em auxílio da nossa fraqueza.
Espírito Santo sois a suavidade e frescura que tornam nossos corações em boa terra para acolher a semente da Palavra de Deus.

Espírito Santo sois a força confortante que germina o nosso coração em abundantes frutos do Espírito.

Espírito Santo sois a presença consistente que fortaleça nossa vida cristã.

Espírito Santo sois o impulso gerador de uma vida nova para que sejamos autênticos e verdadeiros, resistentes e fortes no amor para com os outros e não como uma cana agitada pelo vento.

Espírito Santo sois a fortaleza e o equilíbrio que nos faz fluir, pairar e caminhar sem temer os perigos e obstáculos.

Espírito Santo acalmai as tempestades para que o barco da nossa vida, navegue pelas águas salvíficas do vosso amor.

Espírito Santo sois a força reconfortante que nunca podemos impedir, pois nos conduzes pelos prados verdejantes da graça, dons, carismas e rios de água viva.

Espírito Santo, assim como o vento impetuoso ou o sopro de brisa suave sois o nosso caminho conforme a necessidade espiritual do nosso coração.

Espírito Santo sois o poder que derruba todos os obstáculos e impedimentos.

Espírito Santo sois a liberdade, o amor, a paz, a esperança, a caridade e a justiça que mergulham nossos corações na imensidão do amor poderoso da Santíssima Trindade, pela fé e pela Palavra.

Espírito Santo princípio germinativo que fecunda a Palavra de Deus em nossos corações.

Espírito Santo sois a alma que verga a nossa servidez dura.

Espírito Santo sois a claridade da nossa fé e do nosso louvor.

Espírito Santo sois a luz do Senhor que nos conforta e é firmeza na nossa fraqueza.

Labat n.º 104 de Maio de 2010

11 maio, 2010

SVNE - Azambuja


 

Azambuja funciona como Pólo para os grupos de Azambuja, da Ota grupo 'Verdade e Vida' e de Alverca grupo 'Raboni - Meu Mestre' que estão a fazer Seminário de Vida Nova no Espírito.
Dos 52 pqrticipantes, 32 frequentam o SVNE - Iniciação; e 20 partilham o SVNE - Aprofundamento.
O Pólo funciona em Azambuja, no Centro Social Paroquial, com a coordenação da Equipa de Serviço Diocesano e apoio do Pároco, Senhor Cónego João Canilho.
Semana após semana, os seminaristas procuram crescer na fé e assumir a vida cristã alicerçada na Palavra e na fidelidade ao amor de Deus e dos irmãos.
A relação do amor de Deus em cada um e da relação de cada um com Deus desperta profundamente seus corações e leva-os a abraçar este amor que transforma e renova suas vidas a cada instante.
Após os dois primeiros ensinamentos, a partilha e o trabalho semanal, mergulha os participantes numa envolvência crescente de abertura ao Espírito Santo.
Porque Ele é o caminho, a verdade e a vida, que ilumina e conduz como cristão e filho da Igreja que me acolhe e alimenta na fé.

Labat n.º 104 de Maio de 2010

 Para aceder à reportagem fotográfica, clique em:

Maio, itenerário interior!


No calendário pastoral de Maio há um conjunto de acontecimentos e acções de vivência cristã para a nossa verdadeira identidade de membros do Corpo Místico de Cristo.
É mês de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe! Da medianeira de todas as graças e das comemorações das aparições de Fátima.
É mês da solenidade de S. José, operário! Homem justo, de pai de família e de trabalhador.
“A família e o trabalho são duas importantes realidades humanas que colocam em evidência a justa hierarquização de pessoas onde a família ocupa o primeiro lugar” (João Paulo II).
É mês da solenidade de S. Matias, Apóstolo. Escutemos a Palavra. Ela nos introduz na intimidade do Pai. “Eu sou a videira” (Jo 15, 1-17).
É mês da festa da Ascensão do Senhor! (Mc 16, 15-20) É a última aparição de Jesus aos seus discípulos. Ela dá o sinal de Sua partida definitiva até ao retorno final. Como nas outras aparições, a Ascensão contém um ensinamento da promessa do dom do Espírito Santo: Aquele que veio sobre Jesus no momento do seu baptismo, descerá também sobre os seus.
É mês da celebração de Pentecostes! (Jo 20, 21-23) O Evangelista coloca-nos na presença de Jesus. “Shallon, a paz esteja convosco…recebei o Espírito Santo”. A bondade é a primeira manifestação e fruto maior do Espírito Santo, como característica da vida divina na vida do homem. Ela faz nascer no coração a ágape, o amor, a cordialidade, a simpatia.
É mês da Solenidade da Santíssima Trindade! É Jesus que nos revela o Pai e nos envia o Espírito.
Que o itinerário espiritual deste mês seja incentivo de nosso crescimento em Igreja.

João Silva
Editorial do Labat n.º104, de Maio de 2010

02 maio, 2010

Momentos com o Senhor

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Durante alguns momentos cresçe com o Senhor, escutando-O.


Clica na seguinte frase:


30 abril, 2010

Frei Raniero Cantalamessa, em Portugal

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Frei Raniero Cantalamessa

No dia 18 de Abril, Frei Raniero Cantalamessa, esteve no Auditório Vita (Braga), onde profeririu uma conferência sobre o "VENI CREATOR".

Fr. Raniero Cantalamessa, Franciscano Capuchinho, foi ordenado sacerdote em 1958. Doutor em teologia e em literatura, foi professor de história das origens cristãs na Universidade Católica de Milão e director do Instituto de Ciências Religiosas. Membro da Comissão Teológica Internacional de 1975 até 1981. Em 1977 deixou o ensino académico para dedicar-se inteiramente ao serviço da Palavra de Deus.
Em 1980 foi nomeado Pregador da Casa Pontifícia. Por causa dessa missão, todos os anos pregou em cada semana durante a Quaresma e o Advento na presença do Papa e dos cardeais e dos bispos da Cúria Romana e dos superiores das ordens religiosas.
Foi ordenado sacerdote em 1958. Doutor em teologia e em literatura, foi professor de história das origens cristãs na Universidade Católica de Milão e director do Instituto de Ciências Religiosas. Membro da Comissão Teológica Internacional de 1975 até 1981. Em 1977 deixou o ensino académico para dedicar-se inteiramente ao serviço da Palavra de Deus.
Em 1980 foi nomeado Pregador da Casa Pontifícia. Por causa dessa missão, todos os anos pregou em cada semana durante a Quaresma e o Advento na presença do Papa e dos cardeais e dos bispos da Cúria Romana e dos superiores das ordens religiosas.
Muitas vezes é chamado a fazer conferências e pregar retiros e congressos nacionais e internacionais. Pregou nos retiros mundiais para sacerdotes acontecidos em Roma em 1984 e 1990.
Por ocasião da recordação dos quinhentos anos da chegada dos 'descobridores' na América, pregou um retiro no México para 1500 sacerdotes e 70 bispos de toda a América Latina.
Publicou muitos livros de espiritualidade que foram traduzidos em diversas línguas.
Desde o final de 1980 Frei Raniero Cantalamessa, da Província das Marcas, é Pregador Apostólico. Como tal, todas as sextas-feiras do Advento e da Quaresma, ele propõe uma meditação na presença do Papa, dos cardeais, bispos, prelados e superiores gerais de ordens religiosas.
O título e o serviço do Pregador Apostólico remontam a Paulo IV (1555-1559). Até aquele tempo os Procuradores Gerais das quatro ordens mendicantes (Pregadores ou Dominicanos, Menores ou Franciscanos, Eremitas de Santo Agostinho e Carmelitas) pregavam por turno nos domingos do Advento e da Quaresma.
De Paulo IV em diante, os pregadores apostólicos foram estáveis, escolhidos das diversas ordens religiosas. E, em 1743, o Sumo Pontífice Bento XIV, com o breve Inclytum Fratrum Minorum, reservou esse encargo exclusivamente à Ordem dos Frades Menores Capuchinho.
Fonte: http://www.cantalamessa.org/pt/index.php


Para escutar a Conferência,
clica em:

(Fonte: "AUDITÓRIOVITA")

Visita de Bento XVI, a Portugal

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Aura Miguel

No dia 27 de Março realizou-se, no Auditório Vita, em Braga, uma conferência acerca da viagem do Papa a Portugal intitulada "DESAFIOS E ESPERANÇAS" tendo como voz Aura Miguel, Vaticanista da Rádio Renascença.
Ao longo da sua carreira como jornalista especializada em assuntos do Vaticano, Aura Miguel, foi acompanhando Sua Santidade para todo o lado nas suas viagens e conhece bem todo o seu trabalho pastoral. Como tal, podemos afirmar que é a pessoa em Portugal melhor capacitada para nos ajudar a receber o Santo Padre.


Para escutar a Conferência,
clica em:


 (Fonte: "AUDITÓRIOVITA")

20 abril, 2010

16 abril, 2010

Aliança Eterna

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Pe. José Carreira das Neves

A pessoa de Jesus tem sido, ao longo dos dois mil e poucos anos de era cristã, uma grande interrogação para a História. Nos primeiros séculos, durante o império romano, surgiram muitas heresias – a dos gnósticas, dos montanistas, de Pelágio, dos monges encratitas…
Os gnósticos, que hoje conhecemos muito melhor com as descobertas da biblioteca de Nag-Hammadi, no centro do Egipto, defendiam que Jesus era um grande mónada, de entre muitas outras, que se colocou entre o pléroma superior e a humanidade inferior, como avatar salvador. A humanidade inferior - todos nós - é fruto da ignorância da Sabedoria do pléroma superior. Com esta “ignorância” deu-se a queda infernal que retirou à humanidade a faúlha divina de onde todos proviemos.
A redenção constante, por isso, na reconquista dessa faúlha. Entre todos os criados, é Jesus que mais possui o dom da faúlha divina e que, como tal intercede por toda a humanidade “perdida”.
Montano, no século II d. C., defendeu que Jesus não era humano, mas apenas divino e que, como tal, se confundia com o Espírito santo. A sua carne era pura aparência.
Este erro já aparece na 1 João 2, 18-13. Segundo o autor da carta, o “Anticristo” já apareceu dentro dos “anticristos” daquela comunidade cristã. São todos os que negam “que Jesus [o homem Jesus] é o Cristo [o Ungido messiânico]… Todo o que nega o Filho fica sem o Pai; aquele que confessa o Filho tem também o Pai.” Na segunda carta de João, o v. 7 é mais preciso: “É que apareceram no mundo muitos sedutores que afirmam que Jesus Cristo não veio da carne mortal. Esse é o sedutor e o anticristo!”.
Muitíssimos monges encheram os desertos da Síria, Palestina e Egipto, nos séculos III-VI, que negavam o casamento, o sexo, como coisa “feia” e “pecaminosa”. São os célebres encratitas.
A sua doutrina provinha do facto de Jesus ser divino e não humano, apenas espiritual e com uma “carne”apenas aparente. Também são classificados de “doceteas”, do verbo grego dokein, que significa “Carne aparente”.
Pelágio situa-se numa outra vertente: Jesus foi um super-homem. Salvamo-nos pelo mérito das nossas obras e não pela graça. Contra Pelágio lutou sobretudo Santo Agostinho.
No século XVIII muitos intelectuais europeus viram em Jesus um homem liberal, de acordo com a cultura liberal do tempo.
No século XIX, tempo do romantismo, uma vez mais os intelectuais europeus viram em Jesus o maior dos românticos a contemplar as searas da Galileia, os lírios do campo, a pesca do lago, a ternura pelos pobres e doentes e pelas crianças. Leiam Ernest Rénan.
Com a crítica histórico-literária, no século XX, sobretudo com R. Bultmann, muitos exegetas e intelectuais europeus, especialmente na Alemanha”protestante”, concluíram que os evangelhos, como chegaram até nós, não eram de Jesus, mas “criação” das comunidades de cristãos primitivos. O verdadeiro Jesus da Galileia nada tinha a ver com milagres, mas apenas com uma ética de mestre pregador, que “falhou” o seu plano de instalar na terra do Reino de Deus.
Nos nossos dias continua entre os pesquisadores intelectuais esta tentativa de encontrar o verdadeiro Jesus da história na panóplia dos textos sobre Jesus da fé e da Igreja. Em terminologia mais simples, o que esses intelectuais procuram é sempre um Jesus à medida humana.
Como resposta deixemos que o primeiro versículo do evangelista São Marcos, no início da pregação de Jesus na Galileia, nos encha os ouvidos: “Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus, dizendo: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. (Mc 1, 14-15). O “escândalo” reside no verbo de acção: arrependei-vos.
Se Jesus prega o arrependimento é porque há pecado. Simplesmente, na cultura actual, laica e hedonista, não há lugar para o “pecado”. Jesus foi um liberal, um romântico, um amigo de pobres e doentes, pouco interessado nos pecados dos fariseus e saduceus porque combatia os sacrifícios do Templo onde os pecadores eram perdoados por obra e graça do sangue dos animais.
E é verdade que Jesus combateu os sacrifícios do Templo, o que não significa que não combatesse o pecado. Ele existe no coração de todos e não há Reino de Deus onde existe a injustiça, a corrupção, a pedofilia, o orgulho, o interesse egoísta, o desprezo pelo outro. E para que não haja dúvidas sobre o verdadeiro Jesus, o drama da humanidade recai sobre Jesus na ceia pascal:”Tomai e comei: Isto é o meu corpo… Bebei dele todos, porque este é o meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos (todos), para perdão dos pecados” (Mt 26, 25-28 e paralelos).
Na última ceia – ceia pascal – o verdadeiro Jesus apresenta-se como a palavra final do drama da criação de Deus.
O grande pecado “original”, na história de Israel e do mundo, consiste em não aceitar as muitas alianças de Deus com o seu povo. Não aceitar a Aliança é não aceitar que Deus intervenha na História com leis e mandamentos de amor e verdade.
Todos queremos construir a nossa torre de Babel onde a “língua” de Deus não pode entrar. Nós e só nós é que existimos – Deus e as suas leis de aliança são um empecilho.
A última aliança – a de Jesus – deixa, realmente, de lado Moisés, sacrifícios do Templo, leis do puro e impuro, para se fundamentar na aliança que se confunde com a vida, sangue e morte das pessoa de Jesus, a única “eterna”…há olam!
Não há verdadeiro Jesus sem morte e sangue – doação total ao Pai e a Humanidade.
Santa Páscoa!
  
Labat n.º 103 de Abril de 2010

Mistério Pascal: Revelação do Amor


Toda a vida do Verbo Encarnado foi manifestação do amor trinitário, mas o Tríudo pascal coloca diante de nós, dum modo, dum modo muito evidente, a revelação desse amor. Deus é Amor (cf. 1Jo 4, 8), mas o mistério pascal é a mais solene e rica revelação desse amor, numa trilogia enriquecida pelos momentos mais significativos da experiência pascal de Jesus.
Amor eucaristico de Quinta Feira Santa, amor em que Jesus lava os pés com humildade de escravo, em que institui a Eucaristia como sacramento de amor, em que institui o sacramento da Ordem para que homens possam perpetuar a sua oferta e os outros sacramentos, em que Se dá a nós na entrega mais generosa e mais total, como sacerdote e vítima, em que faz a bela e longa Oração sacerdotal que S. João coloca no capítulo 17 do seu evangelho.
Amor eucarístico que prova a eloquência da dádiva do novo Cordeiro pascal que Se entrega para ser nosso alimento, em que Jesus quer ficar connosco no sacramento da Eucaristia, em que há a oração pela unidade de todos com Ele, por Ele, por ele e n’Ele.
Amor eucarístico em que o Bom Pastor se dá em alimento às suas ovelhas, em que o Pão Vivo se torna manjar celeste, em que homens são investidos do poder sacerdotal.
Amor crucificado de Sexta feira Santa, em que a vítima Se oferece em holocausto na Cruz, em que se dá a maior prova de amor, a morte pelos amigos, em que o Cordeiro que tira o pecado do mundo, Se deixa matar para nos remir e salvar, em que a misericórdia se torna operante, perdoando, remindo e fica perpetuada com a palavra “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.
Amor crucificado em que o cordeiro Imaculado se oferece pela salvação de todos, em que o Bom Pastor vai até ao extremo do dom da vida, em que a oferta é feita em pleno holocausto.
Amor crucificado simbolizado no Coração aberto, para provar a “loucura” apaixonada do nosso Deus, em que todos somos aspergidos pelo sangue redentor, em que a Igreja sai do seu lado aberto no símbolo de água e de sangue, os sacramentos do baptismo e da eucaristia.
Amor crucificado em que Jesus continua a ter sede de nós, da nossa amizade, do nosso amor, da nossa entrega generosa e fiel.
Amor ressuscitado de Domingo de Páscoa, continuado em todo o tempo pascal, em que a paz e a alegria invadem o coração e a vida dos cristãos, começando pelos apóstolos, em que é dado poder de perdoar e a primeira efusão do Espírito, em que Jesus nos envia em missão, para ser no mundo suas testemunhas.
Amor ressuscitado em que nos é dito que Deus é nosso Pai e que somos irmãos de Jesus, em que se gera a fraternidade universal e a comunhão de irmãos, em que o Cristo Pascal nos faz introduzir na comunhão trinitária.
Amor ressuscitado em que a Igreja é consolidada pela força do Espírito, em que Jesus nos convida, como a Tomé, a entrar em seu Coração aberto, em que somos enviados pelo mundo inteiro a baptizar, a anunciar o amor, a fazer discípulos.
Amor ressuscitado em que Jesus, doravante, fica presente e actuante na Igreja, na Palavra, na Eucaristia, em nós, em todos, sobretudo nos mais pobres e nos que sofrem (cf. Mt 25, 31 e seg.)

Trilogia do amor, amor-perfeito com três pétalas: eucarístico, crucificado, ressuscitado. O mistério pascal torna-se a revelação mais esplendorosa do amor. Viver o mistério pascal é entrar neste circuito do amor.

Dário Pedroso, s.j.
(Labat n.º 103 de Abril de 2010)

15 abril, 2010

Vimos o Senhor!



 Se vivemos em cheio a Páscoa, nós vimos o Senhor. Vimo-lo em Fé, cheio de Glória.
Foi esta expressão – Vi o Senhor! – que Maria Madalena proclamou depois de falar com quem ela julgava ser um jardineiro, mas logo reconheceu, qual ele pronunciou o seu próprio nome: “Maria” (Jo 20, 11-18).
Mais lentos a reconhecerem o Senhor foram os dois discípulos que vinham de Emaús. Falaram longamente. Sentiram que lhes ardia por dentro o coração e até pediram ao simpático visitante que ficasse com eles. Mas só ao partir do pão o reconheceram. E então, o Senhor desapareceu! (Lc 24, 13-35).
Um outro dia, o Senhor apareceu-lhes de manhã cedo, junto ao Mar Tiberíades, quando os discípulos regressavam de uma longa noite que esperavam fosse de pesca. “Rapazes, tendes alguma coisa para comer?” Resposta: “MÃO”. O Senhor disse-lhes: “Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis”. E logo encontraram. Almoçaram felizes. E a seguir, como sempre, Jesus explicou-lhes muita coisa que eles ainda não haviam entendido (Jo 21, 1-23).
Foi assim que Jesus, a pouco e pouco, foi abrindo o entendimento aos seus discípulos, levando-os a compreender que a felicidade de que a Escritura fala não está onde lhes parecia. A verdadeira porta é estreita. Só a encontrariam pela força do Espírito Santo. Mas mesmo nós, que já O recebemos, ainda falhamos, às vezes, a encontrá-la.
Espírito Santo de Deus, desce sobre mim, cresce em mim, enche a minha verdade, amadurece a minha compreensão, torna feliz a minha vida, faz que me esqueça de mim e só me lembre de ti. Porque só tu és de verdade a minha vida, o meu encanto, o meu amor, o meu futuro, o meu destino.

Ámen, aleluia!

Pe. Luís Archer sj
(Editorial do Labat n.º 103, de Abril de 2010)