10 outubro, 2010

9-8: O Coração Trespassado

Série: 'Oração e Vida'

O mistério do amor infinito de Deus revela-se no Coração trespassado do Verbo feito carne no seio da Virgem Maria. Deus é Amor (1Jo 4,8), mas esse amor está simbolizado no Coração de Cristo. É todo o amor divino e todo o amor humano que ali está presente, misticamente simbolizado, no Coração trespassado do Cordeiro, no Coração do Bom Pastor, no Coração do Bom Samaritano, no Coração do Amigo dos pecadores, no Coração do Redentor.
Deus é Coração. Deus tem Coração. Deus é Amor e não pode nunca deixar de amar e de amar-nos. Amor infinito, total, perfeito. E todo esse amor está no Coração do Filho, que foi trespassado na cruz.
Dá pena sentir que em muitos locais, em muitas paróquias, em certos movimentos, em gente que tem responsabilidade na Igreja, a devoção e o culto ao Sagrado Coração de Jesus pareça uma velharia de antigamente, algo desactualizado, sem sentido de novidade, sem motivos para uma pastoral dita moderna e actualizada. Como anda enganada essa gente!!! Santo Deus!!!
Basta ouvir os jovens, basta ver os corações que eles traçam com um canivete nas cascas das árvores ou nos bancos dos jardins, basta ver o coração trespassado com uma seta que desenham nos cadernos, nos livros, nos seus “diários íntimos”, nas cartas que escrevem, sobretudo quando estão mais apaixonados.
O coração é uma linguagem universal, é um símbolo universal para falar do amor, para dizer que se ama e que se é amado.
Porquê, então deitar fora a grandeza desse símbolo, porquê não evangelizar através dele?
Porquê não se servir dessa linguagem universal para anunciar o amor louco de Jesus por nós e a retribuição do nosso amor por Ele?
Porquê ter medo de falar do Coração de Cristo Redentor?
Porquê acabar com a devoção e a prática das Primeiras Sextas Feiras, com os tríduos do Coração de Jesus, com as Horas Santas, com o sentido bíblico e espiritual do coração, da amizade por Jesus, da reparação do Coração do Amigo?
Será que temos vergonha dessa linguagem?
Será que não percebemos que os jovens gostam dela e se sentem atraídos a usá-la?
Será que o Coração, porque exigente no amor, no dom, na entrega, na reciprocidade, nos mete medo?
Será que alguns pastores têm medo de serem tidos por antiquados só porque ainda “acreditam nessas coisas”?
Mas se Deus é Coração, ou como disse um místico da escola carmelita, parafraseando o prólogo de S. João: “no princípio era o Coração”, temos que descobrir a riqueza teológica e espiritual, bíblica e pastoral do mistério do Coração d’Aquele que deu a vida por nós e que, cada dia, renova esse dom na Eucaristia, ou como afirmou Paulo VI: “ A Eucaristia é o maior dom do Coração de Jesus”.
Abramos os olhos, abramos sobretudo o coração para esse Coração divino que continua a ter sede, a sede mística do alto da cruz, a sede da nossa amizade, do nosso tempo, do nosso coração, da nossa oração, da nossa amizade. Não nos intimidemos, não nos assustemos com as exigências do divino Amor.
Abramos o osso Coração ao Amor do Coração do Redentor, que continua aberto para que nós possamos entrar n’Ele, para encontrarmos n’Ele graça e santidade, paz e misericórdia, refúgio e repouso, vida e felicidade.
Tudo nos vem desse Coração, dessa fonte divina sempre aberta e a jorrar torrentes de misericórdia e de graça. Não deitemos fora esta riqueza, não desprezemos este tesouro.
Seria um “crime”, seria um “pecado”, seria, sem dúvida, um erro pastoral, um desajuste ao sentido profundo do amor que nos baila no coração. Sejamos modernos, usemos o coração como distintivo do amor.
Dário Pedroso, SJ
Labat n.º 75 de Setembro de 2007

8-8: Louvor Perene

Série: 'Oração e Vida'

Ao longo dos séculos, sempre a devoção ao Coração de Jesus esteve e está unida à Santíssima Eucaristia. Esta é o maior dom do Coração de Jesus.
É na Eucaristia que o seu Coração Se dá todo, em que está todo o seu amor.
O maior sacramento, a Eucaristia é presença do Coração d’Aquele que nos ama sem medida. Cada celebração, cada comunhão, cada sacrário é a presença do amor infinito do seu Coração.
Daí ter sentido que adoremos a Eucaristia, façamos Lausperene, façamos as 40 horas, tenhamos Horas-Santas, sempre que queremos adorar, reparar, desagravar o Coração do nosso Redentor, o Coração trespassado na Cruz.
O Louvor Perene à Eucaristia é ao mesmo tempo o Louvor Perene ao Coração de Jesus Cristo, ao Coração Eucarístico de Jesus.
Acreditar que Ele está na Eucaristia, que a Hóstia Santa é Ele, que em cada comunhão O recebemos a Ele, é mistério infinito do seu amor que nos disse “Tomei e comei”; “Tomai e bebei”. “Minha Carne é verdadeira comida, meu Sangue verdadeira bebida”; “Quem Me come, permanece em Mim e eu n’Ele”.
E sabemos. Que através dos séculos nos ensinaram que a Eucaristia veio do lado aberto do Redentor, no símbolo do sangue que dele jorrou na Sexta-Feira Santa. Do seu Coração nos vem tudo, pois vem Ele mesmo em dom e graça.
Louvor perene à Eucaristia. Louvor perene ao Coração de Jesus. Que não cesse nunca a nossa adoração. Ele merece tudo. É nosso tesouro e nossa pérola. É o Tudo das nossas vidas.
Mas é, hoje e em muitos lados, muito ofendido no SS.mo Sacramento, muito ultrajado e injuriado. Há quem roube “hóstias consagradas”, para depois fazer bruxarias, missas negras, e outros ultrajes e sacrilégios.
Há Eucaristias mal celebradas, comunhões mal feitas, falta de acção de graças da celebração. Há muito sacrário abandonado e só.
Precisamos urgentemente de reparar, de desagravar a Eucaristia e o Coração de Jesus, que Se dá todo n’Ela. Como Ele é ofendido, magoado, ultrajado! Quanto sacrilégio, quanta ofensa, quanto desprezo. Urge amá-Lo mais, amá-Lo pelos que não O amam. Reparar, desagravar.
Um dos modos mais comuns e mais frequentes é fazer um tempo forte de Adoração, de Louvor Perene, diante d’Ele na custódia ou no sacrário, ou mesmo em nossa casa, com o coração e o pensamento no sacrário, onde Ele está e espera por nós.
Multiplicar nas paróquias, nas comunidades religiosas as Horas Santas, o Louvor Perene. Intensificar a catequese sobre esta urgência e esta necessidade. O nosso Deus, o nosso Amigo, o nosso Redentor, o Jesus Eucaristia, o Coração de Cristo, é magoado e ofendido.
Que surjam “almas reparadoras”, “corações reparadores”, “vidas reparadoras”. Que não cesse a nossa Adoração.
Quis o Senhor que um Sacerdote amigo, bom e zeloso, me entusiasmasse a escrever um livro com 20 Horas Santas, com o título “LOUVOR PERENE”, seguindo o tema dos 20 mistérios do ciclo dos nossos quatro terços.
Cada Hora Santa tem reflexões que ajudam à oração e à adoração pessoal ou comunitária.
Será uma preciosa ajuda para as paróquias que têm Lausperene, para as Comunidades religiosas, para os cristãos e as cristãs que em particular, mesmo em suas casas, quiserem fazer uma Hora Santa.
O livro saiu recentemente, com o intuito de ajudar os Lausperenes da Quaresma e as 40 Horas. Mas serve para todo o ano. Editado pela Editorial do Apostolado da Oração, pode ser ajuda eficaz para a oração de todos.
Queira Deus que seja verdadeira ajuda nos tempos de Adoração eucarística, para louvar Jesus Eucaristia e o Coração d’Aquele, que por amor, no-La deu e quis ficar connosco no Santíssimo Sacramento.
Dário Pedroso SJ
Labat n.º 74 de Julho de 2007

7-8: VIDA cristã e oração trinitária

SÉRIE: 'Oração e Vida'
Temos vindo a reflectir acerca do Pai como fim último da nossa oração, como Paizinho, com quem desejamos ter uma comunhão filial e amiga. Olhámos para Jesus Orante como Modelo da nossa oração. Fixámo-nos no Espírito Santo como Mestre interior, como Aquele que reza em nós e nos ensina a rezar.
Vamos, agora, a partir da nossa realidade de baptizados, fazer a relação da nossa vida cristã com a nossa oração. Se como baptizados somos filhos de Deus Pai, irmãos de Jesus Cristo e templos do Espírito Santo, precisamos de ir à fonte da nossa origem trinitária e descobrimos que a nossa oração deve tender para um diálogo cada vez mais intenso e profundo com cada uma das Pessoas divinas.
Desenvolver a graça de ser filhos, filhos no Filho, irmãos de Jesus que de Unigénito Se tornou o Primogénito, e termos com o Pai um diálogo, uma comunhão, uma intimidade ao jeito de Jesus nosso modelo.
Com Jesus vamos descobrindo o caminho para o Pai e tendo com Ele uma amizade filial cada vez mais intensa. Filhos que vivem a sua vocação baptismal e que se encantam de ter com o Pai um diálogo e uma abertura cada vez maior.
Mas é natural que a nossa oração comece por ser uma oração cristológica, ou seja, que comecemos por rezar a Jesus e encontrar n’Ele o Amigo, o Salvador, o Redentor, Ele modelo da nossa oração, o Jesus dos mistérios que contemplamos, o Rabi de Nazaré.
Cada mistério, cada faceta da vida de Jesus é-nos mais fácil de imaginar e, por isso, facilita também o diálogo e a comunhão, a oração e a intimidade com Jesus. Mas se Ele é caminho para o Pai, com Ele, através d’Ele, temos de chegar ao Pai e ter uma oração verdadeiramente filial.
Mas, em terceiro lugar, precisamos de cultivar uma comunhão pessoal, um diálogo, com o Espírito Santo, a alma da nossa alma, Aquele que é o nosso Mestre interior, que é Mestre da nossa oração e da nossa vida espiritual. Somos templos, têmo-Lo em nós, precisamos de entrar em diálogo com Ele.
O Espírito deve ser o nosso contínuo interlocutor, numa oração em que Ele vai sendo o dono do nosso santuário, o Senhor da nossa casa, o Deus do templo que somos. O Espírito irá tomando conta da nossa inteligência, da nossa vontade, da nossa liberdade, do nosso coração, do nosso afecto, e será, aos poucos, o “Senhor do santuário”.
É evidente que a oração tem de ser feita na liberdade interior, ou seja, não podemos programar que agora rezo ao Pai, depois rezarei ao Filho, finalmente rezarei ao Espírito.
A oração quer-se livre e espontânea e, se um dia, estamos mais sintonizados com o Filho, até por causa da leitura duma passagem do Evangelho ou do tempo litúrgico que estamos a viver, importa, que fiquemos aí, na oração com Jesus.
Dia virá que o nosso interlocutor será mais o Pai e, então, será com Ele que é bom rezar e dialogar. E o mesmo se diga do Espírito Santo. Não há programa semanal, não há determinação de calendário. Será o Espírito a conduzir a nossa oração trinitária.
E porque é trinitária, também pode ser feita à Trindade, como um todo, como uma Família, como uma relação pessoal com a Trindade que é conjunto e relação de Pessoas, unidas pelo amor.
Dialogar com a Trindade no seu conjunto, como Família divina, é também uma excelente oração, um modo de viver a nossa vocação cristã, que é sempre uma vocação trinitária. Viemos da Trindade e caminhamos para a Trindade.
Habituados a falar, a dialogar com cada um d’Eles, podemos aos poucos centrar a nossa oração na própria Trindade.
Dário Pedroso S.J.
Labat n.º 73 de Junho de 2007

6-8: Jesus Cristo, Modelo de Oração

Série: 'Oração e Vida'

Se é importante olhar o Pai como alicerce da nossa oração, é preciso imolar os ídolos que nos povoam o interior, para descobrir o Abba, o Paizinho, o Deus de Amor, pois só assim o nosso diálogo orante é verdadeiramente evangélico.
Mas não é menos importante pensar na oração de Jesus, contemplar Jesus Orante, como modelo da nossa oração, pois é outro grande alicerce da nossa vida de oração, da nossa vida interior.
Jesus é, antes de mais, um Filho em continua comunhão com o Pai. Vida orante de unidade e de comunhão, vida de Filho centrado no Pai, vida do Unigénito, que dialoga, em amor e com amor, no mistério do Pai.
Daí Lhe vem, a Jesus, ser um contemplativo na vida. Tudo, sobretudo nos longos anos da vida oculta, é visto, é vivido, é centrado no Pai e no seu amor.
Mais tarde há-de fazer referência ao Pai e ao Reino, quando falar da luz que se coloca em cima do candelabro, dos lírios do campo, do fermento na massa, do pôr-do-sol bonito, adivinhando bem tempo.
Tudo, no Coração do Filho, é motivo, é meio para Se centrar no Pai e viver como contemplativo na vida, contemplativo na acção.
E ao deixar a pacata vida de Nazaré, ao deixar a vida oculta, vai ao deserto onde reza quarenta dias e quarenta noites. Também aí é o diálogo com o Pai o importante para lançar as bases do Reino que ia pregar, para escolher os apóstolos, para dar fundamentos à Igreja. No diálogo como Pai encontra eco às suas aspirações e respostas para as suas perguntas e interrogações, para as suas interpelações afectivas.
E ao longo da vida pública, dos escassos três anos de vida pública, é no Pai que está centrado o seu ser e o seu coração.
Durante a vida pública parece passar mais tempo a rezar do que a pregar.
Noites inteiras, madrugadas, “fugas” para a solidão do monte para estar com o Pai.
Reza no meio das multidões antes dos milagres, reza quando ensina o Pai Nosso, reza antes da Transfiguração no Monte Tabor, reza para alcançar a fé para os discípulos.
Passa a vida pública a orar.
É, de verdade o Homem Orante, o Filho em contínua comunhão com o Pai.
Depois rezará na Ceia, a última Ceia, a Instituição da Eucaristia. Aí há uma longa oração eucarística e sacerdotal, que Lhe repassa o coração de Único e Eterno Sacerdote.
A seguir irá ao Horto, onde nesse jardim das Oliveiras, rezará horas seguidas, repetindo sempre a mesma súplica. Horas de agonia, de tédio, de pavor, mas horas de oração.
Vence as tentações dessa noite tenebrosa, rezando.
E, finalmente, morre rezando. As palavras da Cruz são quase todas elas expressões orante de um Jesus em agonia e quase moribundo.
Mas reza, não deixa a oração pois ela é a força dos fracos, o auxílio para a dor e para a morte.
Agora Jesus continua a rezar. A oração não foi só algo que Ele fez há dois mil anos.
Hoje reza de muitos modos e em muitos estados.
No Céu, à direita do Pai, como Mediador e Pontífice.
Reza na Eucaristia, sua acção de graças por excelência, a oração mais importante da Igreja.
Reza silencioso em milhões de sacrários espalhados pelo mundo.
Reza no coração da Igreja, como comunidade de crentes, pois onde dois ou três estão reunidos Ele está no meio, rezando e estimulando a fé, a esperança e o amor.
Reza no nosso interior, no íntimo de cada cristão, onde pela acção do Espírito é o Jesus Orante.
Pensar neste Jesus, modelo da nossa oração e abrir a alma e o coração ao sopro do Espírito de Jesus, é aprender com Ele a rezar, imitá-Lo na sua vida orante.

Dário Pedroso sj
Labat n.º 72 de Maio de 2007

5-8: Relação com o Pai, alicerce de oração

Série: 'Oração e Vida'

Todos sabemos que a nossa abertura numa conversa, num diálogo, depende da opinião que temos da pessoa que está diante de nós ou do outro lado do telefone ou do telemóvel.
Se temos a certeza que a pessoa é séria, honesta, que sabe guardar segredo, somos capazes de nos abrir mais e contar o que nos vai no interior.
Se temos a impressão ou a certeza que a pessoa não sabe guardar segredo ou que é muito rígida e pouca compreensiva, não nos abrimos, não falamos, não damos a conhecer o nosso interior, passando para o outro os nossos desabafos, contando os nossos problemas.
Abrimo-nos, dialogamos tanto mais quanto mais estamos à vontade, quanto mais estamos em sintonia e em comunhão interior com a pessoa com quem dialogamos.
Se a oração é dialogo com Deus Pai, dependerá muito da convicção interior daquilo que temos no coração e na inteligência, acerca de Deus, rezarmos mais, rezarmos de outro modo, rezarmos com o coração mais aberto, mais filial, mais amoroso, mais dialogante.
Infelizmente, por várias razões, muitas pessoas têm de Deus uma imagem muita errada.
Vêem-No mais como deus juiz, como deus carrasco, como deus comerciante, como deus polícia, como deus motor, como deus que é um bonzanas, etc.
Diversos ídolos, diversas deformações acerca de Deus, que nos impedem o diálogo, a abertura, a comunhão filial e amiga. Se Deus para alguém é mais juiz que Pai, mais carrasco ou polícia que Pai, mais comerciante que Pai, muito difícil há-de ser o diálogo com Ele, o gosto de se relacionar com Ele em comunhão amiga e carinhosa.
A grande revelação do evangelho é a de Deus como Pai, como Abba, como Paizinho. Rezar é dialogar com este Pai, que Jesus nos deu e nos revelou como Deus Amor.
Rezar é um diálogo entre um filho e um Pai, diálogo de amor, de comunhão, de íntima amizade, de amor paternal e filial. Enquanto não chegarmos aqui não há verdadeira oração, não há diálogo orante, não há comunhão de amigos.
Ter Deus como Pai é o primeiro alicerce da nossa oração, da nossa vida interior. Sabê-Lo Pai, amá-LO como Pai, ser amado como filho ou filha é o primeiro alicerce da nossa vida interior. Jesus dá-nos o exemplo disso mesmo: sua vida é comunhão de amor com o Pai.
Sua oração é relação filial com o Pai. Sua existência é unidade perfeita com o Pai.
As causas dos ídolos são diversas: a má experiência do pai terreno, a falsa educação familiar, a má catequese, o medo que nos metiam acerca de Deus, até quando havia trovoadas, etc. etc. Precisamos de derrubar estes ídolos, fazer um exorcismo espiritual, pela força e acção do Espírito Santo, e descobrimos, cada vez mais, Deus como Pai, Deus como Abba, como Paizinho.
Será difícil para muitos de nós chegarmos até Ele, devido às tais causas funestas que deturparam a sua imagem no nosso interior, mas conseguiremos, com a graça do espírito entrar na comunhão amiga e filial com esse Pai que Jesus nos ensinou que é Pai Providente e Bom, que é o Doador de todas as coisas, que é Pai de Misericórdia, que é o Semeador Divino que semeia em nós sua Palavra, que é Divino Agricultor que cuida da Videira, que é o Pai Santo e o Deus de toda a consolação, o Pai que quer a nossa felicidade e quer conquistar-nos o coração e a amizade.
O Espírito Santo nos irá dando a graça de descobrirmos Deus como Pai, de nos relacionarmos com Ele, de O termos como o tesouro da nossa vida, a pérola preciosa do nosso coração.
Quanto mais descobrirmos o Pai, melhor será a nossa oração e toda a nossa vida interior. Fazer do Pai, o centro, o Tudo, das nossas vidas de filhos.
Só assim a nossa oração será verdadeiramente cristã, com raízes evangélicas.

Dário Pedroso SJ
Labat n.º 71 de Abril de 2007

4-8: Dom ou conquista?

Série: 'Oração e Vida'

Pelo que dissemos anteriormente todos já nos apercebemos que a oração, a arte de rezar, é mais dom que conquista, ou melhor, é puro dom, graça dada dum modo gratuito. Se é verdade que a nós nos compete insistir, rezar para aprender rezando, é também verdade que o nosso esforço seria infecundo se Deus não nos desse o dom da oração.
Então precisamos de começar a via da oração pedindo, pedindo muito, insistindo na súplica. Não nos cansarmos de pedir.
Pedir ao Pai e dizer-Lhe: Pai Santo ensina-me a orar. Pai faz-me entrar na comunhão Contigo. Pai dá-me sede dessa comunhão. Pai vem em meu auxílio e ensina-me a orar. Pai faz-me ser um filho em oração e em intimidade. Pai dá-me o teu Espírito de oração. Pai ensina-me a arte do diálogo orante. Pai faz-me entrar no silêncio interior, para rezar mais e melhor...Pegar nestas jaculatórias, ou noutras do mesmo género e repeti-las com a alma, com fé, com desejo de crescer na oração.
Não parar, não nos cansarmos de pedir ao Pai este dom precioso.
Pedir ao Filho e dizer-Lhe: Jesus, Homem Orante ensina-me a rezar. Jesus em comunhão íntima com o Pai, ensina-me e orar. Jesus, contemplativo na acção dá-me a graça de Te imitar. Jesus orante em deserto, dá-me esse dom da oração silenciosa. Jesus, orante na Ceia, faz-me rezar à tua semelhança. Jesus, orante na Agonia, ensina-me essa arte de orar.
Jesus orante na Cruz, morrendo a rezar, ensina-me a orar sem cessar. Jesus orante no Céu, sempre a interceder por nós, dá-me a graça de aprender a rezar mais e melhor. Jesus Filho, em diálogo de amor com o Pai, ensina-me a imitar-Te. Jesus a orar na vida, no meio da multidão, dá-me a graça de uma oração incessante...Pegar nestas jaculatórias, ou noutras no mesmo sentido, e repeti-las vezes sem conta, com alma e fé, com desejos de crescer na oração.
Não parar, não nos cansarmos de pedir a Jesus, o Filho Orante, o Homem Orante, a graça preciosa, duma séria e cuidada oração.
Pedir muito ao Espírito Santo e dizer-Lhe: Espírito Santo, ensina-me a rezar. Espírito, alma da minha alma, ajuda-me a rezar melhor. Espírito, Mestre interior, dá-me a graça duma melhor oração. Espírito de sabedoria, vem em meu auxílio e ajuda-me a orar. Espírito Santo, luz divina, ilumina os caminhos da minha oração. Espírito Orante, ensina-me a rezar, a contemplar. Espírito, Mestre interior, vem em meu auxílio e ensina-ma a arte de rezar. Espírito que fizeste místicos e santos, dá-me a graça duma boa oração.
Espírito de Fortaleza, ajuda a lutar, a fazer esforço para poder rezar melhor... Pegar nestas jaculatórias ou noutras do mesmo género e pedir muito ao Espírito o dom da oração. Não parar, não nos cansarmos de suplicar ao Espírito este dom.
Ele é o Mestre interior, só Ele nos pode fazer crescer na vida espiritual. Rezar, pedir, suplicar.
Pedir muito a Nossa Senhora e dizer-Lhe: Maria, Mãe, ensina-me a rezar. Maria, Mulher Orante, ajuda-me a rezar mais e melhor. Maria, orante no louvor do Magnificat, faz-me rezar como Tu. Maria, na oração de oferta no Templo e no Calvário, ensina-ma a arte de orar, mais e melhor. Maria em oração no Cenáculo com os discípulos, reza comigo e alcança-me o dom do Espírito.
Maria, Mãe, no Céu sempre a interceder, dá-me a graça de Te poder imitar... Pegar nestas jaculatórias, ou noutras do mesmo género e pedir muito à Senhora a arte da oração. Não parar, não nos cansarmos de pedir, de rezar.
Ir rezando ao Pai, ao Filho, ao Espírito, a Maria. Repetindo e interiorizando a oração. Não nos cansarmos de pedir o dom da oração, pois esta é sempre graça.

Dário Pedroso SJ
Labat n.º 70 de Março de 2007

3-8: REZAR? Mas eu não sei…

Série: "Oração e Vida"

Quantas vezes nos aparecem pessoas a lamentar-se que não sabem rezar, que querem aprender, que desejam rezar melhor, que desejam outros métodos e modos de oração.
Claro que sabem rezar fórmulas, rezar orações que aprenderam de cor, mas querem mais, querem caminhar na vida de oração, nos caminhos da vida interior. Sentem que não sabem meditar, contemplar, passar uma hora nem adoração silenciosa diante de Jesus Eucaristia, etc. Mas não sabem, nunca ninguém lhes ensinou. 
E daqui nascem certos equívocos.
O primeiro é convencer-nos que não há receitas para aprender a rezar. Podes ler um livro sobre oração, participar num curso, ter sessões de vida orante, mas se tu não te dispões a rezar, na certeza que se aprende a rezar, rezando, como se aprende a nadar, nadando ou a comer, comendo.
É o exercício da oração começado mil vezes e mil vezes repetido é que é a escola da oração. Só se aprende a rezar, rezando, fazendo esforço e treino espiritual. Não pretender receitas, fórmulas mágicas, ensinamentos que façam rezar sem exercício e sem esforço nosso, pessoal. E como, dizia Tony de Melo, a grande arte para aprender a rezar é pedir, suplicar milhares de vezes esse dom gratuito de Deus, pois só o Senhor e o seu Espírito nos podem ensinar a orar. Pedir, suplicar, insistir na súplica, pedir sem cessar, sem se cansar. 
Outro equívoco de muita gente, é pensar que a oração é algo de sensível, tem de ser algo fervoroso, algo de consolação, de enlevo “místico” e como não sentem, não têm essa graça, pois isso é graça que só Deus pode dar, pensam que já não rezam, que não sabem rezar.
A oração mais que consolação sensível é algo que pertence ao mundo da fé e não do sentimento, da vontade e não da sensibilidade. Daí que se pode rezar muito bem sem sentir nada, vivendo uma oração na fé e na vontade determinada de a fazer, mesmo sem sensibilidade, sem consolação, sem fervor.
 Reza, lança-te na vida de oração, não queiras sentimentos e não meças a oração pela consolação, pelo fervor. Repetimos: este é graça, dada de graça, quando Deus quer e a quem Ele quer. Entrega ao Senhor esse desejo e Ele, na sua infinita Providência fará o que muito bem entender. A ti compete-te rezar, fazer esforço, repetir sem cessar o desejo de orar, a súplica para uma boa e cuidadosa oração. O resto é com Deus e não contigo. 
A pura e simples leitura, mesmo que seja da Sagrada Escritura ou de algum bom livro de oração, porventura escrito por algum místico, não chega a ser oração. Esta exige paragem na leitura, exige reflexão, exige diálogo.
 Ler e rezar não são a mesma coisa, mesmo que a leitura seja muito boa e formativa, espiritual. Uma leitura desta pode conduzir à oração, pode lançar-nos na oração, mas, por si mesma não é ainda oração. Outra coisa é uma leitura meditada, com paragens para a interiorizarão e para o diálogo.  
Por outro lado, um perigo enorme na vida da oração é reduzi-la ao monólogo e ao caminhar para o diálogo com o Senhor.
Sem diálogo, de lábios, de coração, de afecto, de entendimento, não há oração. O monólogo fecha-nos em nós mesmos e não nos lança para a comunhão com o Senhor. E esta é que é oração que não nos deixa ficar centrados em nós num monólogo estéril, que não nos lança para o diálogo do amor. 
Aprende-se a rezar rezando.
De tudo o que ficou dito o leitor pode já começar uma frutuosa oração, no silêncio humilde, com um diálogo que se abre a Deus, com o gosto de que o Senhor lhe ensine a arte de rezar, com a súplica humilde que deseja a oração.
Dário Pedroso, SJ
Labat n.º 69 de Fevereiro de 2007

2-8: Oração: Absoluto de Deus

 Série: 'Oração e Vida'

O homem é criado, re-criado a cada instante pelo amor de Deus. A criação não é um acto do passado, mas do presente, de agora, deste instante. E ao criar-nos, agora, Deus gere uma contínua relação de amor connosco. Ama-nos, somos seus predilectos, somos filhos e filhas a quem diz a cada instante: “És meu filho, és minha filha, amo-te de todo o meu coração”. Ser, existir, significa pois ser amado por Deus a cada instante, ser criado o cada instante, pelo amor infinito de Deus.
Daqui deve nascer a consciência da primazia de Deus na nossa vida. Se agora Ele me ama e me cria, agora eu devo amá-Lo, ter com Ele uma relação de amor. Agora, a cada instante, esteja onde estiver, faça o que fizer. Ao menos na oração Ele deve ser o Primeiro, o Tudo, o Único. Absoluta primazia de Deus que devemos cultivar sem cessar. Se Deus começa a ser o primeiro da nossa vida, aos poucos passará a ser o “Único”, e tudo e todos, n’Ele, por causa d’Ele.
Se agora Deus se debruça sobre mim e me re-cria, me gera como criatura, eu devo estar na oração por inteiro, correspondendo a esse acto de amor. Na conversa com os outros, muitas vezes estamos divididos, parece que estamos a ouvi-los com toda a atenção, mas o nosso interior não está, estamos a pensar noutra coisa, noutras pessoas, noutro acontecimento, estamos porventura desejosos que se cale e nos deixe em paz.
Com Deus também infelizmente estamos muitas vezes divididos. Nem na oração estamos totalmente n’Ele, em amor, em atenção, dando-Lhe o lugar que merece. Há divisão dentro de nós, há distracções, há momentos de corte no diálogo de amor.
Mas se a cada instante somos criados e re-criados, a cada instante devemos estar em comunhão com Ele. Cultivar esta comunhão já é uma arte maravilhosa na vida da oração. Arte difícil, sem dúvida, mas absolutamente necessária. Ter consciência do acto criador de Deus, no agora do seu amor, deve levar ao agora do nosso amor, no nosso diálogo, da nossa oração.
Ser re-criado a cada instante deve levar-nos a cada instante a romper em diálogo com Deus, em louvor, em adoração, em gratidão, em “êxtase de amor”, de presença, de amizade. Pensar n’Ele é rezar. Mesmo sem dizer palavras ou fórmulas já estou em oração, em resposta amorosa ao amor que agora me re-cria.
Daí a necessidade de cultivarmos sem cessar, esta unidade e esta comunhão com o Deus uno e trino. Sem descanso, sem desejar paragens, hiatos, cultivar essa comunhão, essa intimidade. Em casa ou na rua, no trabalho, no campo ou na fábrica, na escola, na universidade, no café ou no futebol, no carro ou no metro, sempre, sempre, sempre, em esforço de comunhão, de resposta amorosa ao acto criador.
A oração torna-se assim o princípio e fundamento da nossa vida, já que o acto criador de Deus é o princípio e fundamento da nossa existência. Mas o que estamos a dizer não nasce só, nem sobretudo, do nosso esforço. É dom, é graça. Tem que ser pedido com muita insistência. Suplicar esta comunhão, suplicar esta união, suplicar esta oração.
Como afirmou o grande mestre de oração Tony de Melo, precisamos de pedir, de pedir sem cessar a arte da oração, a graça da intimidade, o dom do diálogo orante, perante o Absoluto de Deus, a primazia de Deus nas nossas vidas.
Pedir com, mil, cinco mil, cem mil vezes… Não desistir de suplicar o dom da oração. E esta súplica já é por si mesma, uma excelente oração. Criado a cada instante pelo Deus Amor, a cada instante, louvo, adoro, entro em comunhão de filho, desejo uma unidade mais profunda com o Deus que me ama e me re-cria.
Dário Pedro Sj 
Extraído do Labat n.º 68 de Janeiro de 2007

1-8: Oração: Resposta ao Amor

Série: 'Oração e Vida'
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Deus é amor (1Jo4,8), e o amor é dom e acolhimento. Deus quer dar-Se, quer comunicar-Se, quer entrar em comunhão connosco. O amor exige alteridade, exige um “outro” a quem se dar e a quem acolher, a quem se comunicar em amor, em dom. Para Deus Pai não Lhe “basta “ o Filho Unigénito, Jesus Cristo, mas como todos somos filhos, quer dar-Se a todos e entrar em comunhão com cada um de nós, entrar em diálogo.
Deus tem um desejo infinito de entrar em diálogo com cada um de seus filhos e filhas. Quer fazer-Se ouvir pois tem muito para nos comunicar. Quer que estejamos atentos à sua Palavra, à sua voz no nosso interior, pois tem muitos segredos e mistérios a comunicar-nos.
Foi assim que Deus fez com a Abraão, em que não só o chama pelo nome, mas coloca-Se este problema: “hei-de esconder ao meu amigo Abraão aquilo que estou decidido a fazer”?
E deste diálogo, entre Deus e Abraão, nasce o dom da intercessão para que a cidade não seja destruída.
Mas o mesmo desejo de diálogo aparece também da parte de Deus em relação a Moisés. Chama, convida à intimidade, dá-lhe uma missão. Encontra-Se com Moisés, na “tenda do encontro”, lugar do diálogo e da revelação, lugar onde se cultiva a intimidade e a amizade.
Deus quer amigos, quer dialogar. Deus tem sede em entrar em comunhão com o homem, pois sabe que radica aí o nosso bem e a nossa felicidade. Daí que é urgente a nossa resposta ao amor de Deus, a nossa resposta à sede de Deus, a nossa resposta ao diálogo que Deus quer fazer connosco.
Parece uma “loucura”, mas é uma divina realidade: Deus está dependente, por amor, de nós, do nosso tempo, da nossa oração, da nossa vontade, da nossa liberdade. Não nos força, mas quer amigos com Quem possa entrar em comunhão.
Quer ter intimidade com cada um de nós, seus filhos.
Daí que nos deseja, nos procura. A oração é esta sede de Deus a nosso respeito. Como o Esposo do livro do Cântico dos Cânticos, que busca sem cessar entrar em comunhão com a sua amada.
E Jesus, mais perto de nós pela sua sacratíssima humanidade, não desejou outra coisa senão entrar em comunhão, em diálogo, com Zaqueu, com Pedro, com a Madalena. Como Bom Pastor busca as ovelhas e quer entrar em comunhão íntima com elas. Como afirma o Apocalipse, “Ele está à porta e bate” (cf. 3,20), bate para que nós, respondendo ao seu amor, abramos a porta e entremos em comunhão com Ele, o nosso Redentor, o nosso tesouro, a nossa pérola, o nosso Tudo.
Quer conquistar-nos o coração e entrar em comunhão connosco.
Rezar é a nossa resposta a este amor de Deus, a este Deus que é Amor.
É procurar responder com a escuta atenta, com o diálogo de lábios, mas sobretudo de coração.
Rezar é responder com amor à sede que Deus tem de nós.
Afinal é Ele que deseja “rezar”, entrar em diálogo, ser um connosco pelo amor que nos tem. Conscientes deste amor apaixonado de Deus por cada um de nós, cada cristão e cada cristã, começarão a ter sede de se encontrar com Deus, de entrar em comunhão com Ele, de se abrir a um diálogo mais orante.
Começamos, nós também, a ter sede de Deus. E o encontro das duas sedes é o grande início de uma oração mais pessoal, mais íntima, mais evangélica.
Jesus teve sede da Samaritana e a Samaritana começou a ter sede de Jesus a fonte da água viva sempre a jorrar.
Este encontro é a oração, é a resposta ao amor de Deus e à sua sede de nós, do nosso tempo, do nosso amor. 
Dário Pedroso SJ 
Labat n.º 67 de Dezembro de 2006

07 outubro, 2010

1. A NATUREZA do Renovamento Carismático Católico

Série: "Reflexões sobre o Renovamento Carismático Católico"


Começamos por fazer a 1ª pergunta:

Qual é a Natureza do Renovamento Carismático Católico?

Passemos a analisar:

1. Esta é uma questão muito importante porque, à medida que o tempo passa, a visão original facilmente se vai perdendo e as ideias e práticas vão esmorecendo e tornando-se em algo que quase não tem relação com razão de ser desta vinda do Espírito Santo, à qual nós chamamos de Renovamento Carismático Católico.
Temos por isso que estar sempre atentos para não distorcer ou interpretar mal aquilo que Deus está a realizar.

2. Há diferenças de país para país. Aquilo que num país pode ser muito importante, noutro pode não o ser.
Os estilos, as estruturas de liderança no Renovamento variam de país para país e as nossas relações uns com os outros e com a hierarquia podem ser formalizadas e estruturadas, ou muito abertas e informais.
Mas o Espírito é sempre o mesmo e o que devemos é deixar a graça fluir, esta graça que nos atrai e nos leva a renovar em cada dia.

Quando falo de Renovamento Carismático Católico, estou a falar pela experiência deste maravilhoso e espantoso dom de Deus. Estou também ciente de que estou a falar de algo muito precioso ao coração de Deus.

3. O Renovamento é então um processo, que normalmente começa com um acontecimento.
Deus está sempre a fazer coisas novas nas nossas vidas e todos os cristãos precisam desta renovação permanente.
Olhemos para as nossas vidas e se estamos a experimentar o trabalho renovador do Espírito Santo, tentemos responder a estas questões:

Quais são as coisas novas que o Senhor está a fazer na minha vida?
Como era eu antes de começar a experiência do Renovamento no Espírito Santo?
O que foi transformado em mim?
Então como acontece o Renovamento no Espírito Santo?
É porque vamos a conferências, a cursos, a assembleias?

R. - Claro que o Senhor utiliza todos estes meios, mas ninguém é renovado excepto por um acto soberano que toca as nossas vidas pelo poder do Espírito Santo e nos transforma.
Esta transformação e a exacta e poderosa actividade do Espírito Santo são aquilo a que nós nos referimos quando falamos de Renovamento.

4. O que é o Renovamento Carismático Católico?
Como é que descrevemos este Renovamento?
Comecemos por olhar por aquilo que não é o Renovamento:

O Renovamento Carismático Católico não é um movimento mundial único e unificado como os outros.
Não tem um fundador ou um grupo de fundadores, como os outros movimentos têm; é um trabalho soberano do Espírito Santo.
Não tem um curso formal de iniciação ou uma lista de membros.
Isto é o que o Renovamento não é.
Não é um movimento, no sentido de uma organização estruturada, como outros dentro da Igreja.
Não tem nenhuma regra de vida ou uma constituição escrita.

- Não é uma devoção especial ao Espírito Santo.
- Não é uma rede de grupos de oração ou de comunidades.
- Não é uma nova e estranha espiritualidade que apenas é vivida por algumas pessoas em particular (alguns dirão ‘peculiares’).

Levantar as nossas mãos na oração não é um gesto pedido liturgicamente - acontece espontaneamente por causa daquilo que Deus fez em nossos corações.

- Não é algo ao qual nós nos decidimos juntar como a um clube.

Então como podemos descrever o quê?
É uma experiência pessoal da presença e do poder do Espírito Santo, que nos faz reviver de uma nova forma as graças do nosso baptismo.
Não é apenas aquilo que já recebemos que o Espírito Santo incendeia, mas Ele vem novamente com o poder de nos equipar com os dons para o serviço e para a missão.
Não existem, no seio da Igreja, pessoas especiais ou superiores chamadas ‘carismáticos’, mas há milhões de homens e mulheres simples cujas vidas foram renovadas ‘carismaticamente’, por outras palavras pela acção do Espírito Santo.
O Cardeal Suenens recorda-nos que a cristandade carismática é a cristandade normal, porque a própria Igreja é carismática e nós nunca devemos viver uma vida cristã sem a total presença e poder do Espírito Santo.
Tristemente muitos cristãos ainda tentam fazer isto.
Então o objectivo do Renovamento é trazer a vida do Espírito Santo a todas as partes da Igreja trazendo-a para a vida de todos os homens e mulheres cristãos.
O Renovamento existe para ajudar as pessoas a viverem uma nova vida no poder do Espírito, não para as trazer para algo chamado de Renovamento Carismático Católico.
Nós somos renovados quando nos abrimos a Deus e aceitamos o que Ele nos oferece, a totalidade do Espírito Santo, não existe outra maneira.
Isto é o trabalho de Deus, não nosso, e cabe-lhe a Ele controlar e dirigir. Isto quer dizer que pela nossa natureza nós somos diferentes dos outros movimentos eclesiais.

Em 1996 o Cardeal Suenens escreveu:
“Ao interpretarmos o Renovamento como um ‘movimento’ entre os outros movimentos é não compreendermos a sua natureza; é um movimento do Espírito oferecido a toda a Igreja e destinado a rejuvenescer todas as partes da vida da Igreja”.
O Renovamento é antes de mais uma acção entre mim e Deus, eu devo tomar uma decisão conscienciosa de aceitar aquilo que Ele me oferece.
O resultado?
A minha fé é renovada e torna-se viva. Não tem nada a ver com os meus planos, as minhas ideias ou com os meus méritos.
Tem tudo a ver com o amor, a misericórdia e o poder de Deus.
O dom é o próprio Deus, dando-se a nós de uma maneira mais completa e mais maravilhosa.
Pela graça do Renovamento, um cristão normal ou até um pouco afastado é transformado numa pessoa com uma vida cheia e activa de uma fé vivida no poder do Espírito Santo.
Entramos numa intensa e viva relação com Jesus e colocamos esta relação sob a orientação do Espírito Santo.
Esta graça do Renovamento já foi descrita de muitas maneiras diferentes:

- O Baptismo no Espírito Santo
- A libertação do Espírito Santo
- A Efusão ou a vinda do Espírito Santo
- Como se processa essa transformação em nós?
- QUAIS SÃO OS AGENTES DESSE PROCESSO?

R - É o trabalho soberano do Espírito Santo sobre os Católicos.

Não é algo que nós possuímos ou controlemos.
Nesse processo é-nos pedido que entreguemos as nossas vidas a Deus e que lhe devolvamos o poder.
Num claro e deliberado acto de rendição, nós convidamos o Espírito Santo a tomar o controle da nossa vida.
Permitimos que Deus seja Deus e trabalhe em nós através do Espírito Santo.
Por isso pensar que o Renovamento é nosso para o podermos controlar é correr o risco de cairmos no mesmo pecado de Adão e Eva – querermos ser como Deus (Gen. 3, 5).
O Renovamento Carismático é um trabalho de Deus, não dos homens.

Como podemos descrever o Renovamento?
Vamos então ver agora o que o Renovamento é.
É uma grande diversidade de indivíduos, grupos, ministérios e actividades, muitas vezes independentes umas das outras, em diferentes estados ou modos de desenvolvimento e com diferentes expressões.
Uma das características do Renovamento é a enorme variedade de expressões e ministérios, todos inspirados pelo Espírito Santo e conduzidos pelo Seu poder.
Trabalha muito mais na base das relações do que propriamente das estruturas.
No entanto todos nós partilhamos a mesma experiência fundamental da presença poderosa do Espírito Santo e todos temos o mesmo objectivo.
As nossas relações informais são encontradas tanto a nível local, diocesano, nacional ou internacional.
Estas relações são muitas vezes caracterizadas por associações livres, pelo diálogo ou colaboração.
Muitos dos grupos sentem-se como parte de uma grande família carismática.
Pela sua natureza estão relacionados uns com os outros, sabem que fazem parte desta família e que fazem parte da Igreja e isso é o suficiente.

Então como podemos descrever o quê?

É uma experiência pessoal da presença e do poder do Espírito Santo, que nos faz reviver de uma nova forma as graças do nosso baptismo.
Não é apenas aquilo que já recebemos que o Espírito Santo incendeia, mas Ele vem novamente com o poder de nos equipar com os dons para o serviço e para a missão.
Não existem, no seio da Igreja, pessoas especiais ou superiores chamadas ‘carismáticos’, mas há milhões de homens e mulheres simples cujas vidas foram renovadas ‘carismaticamente’, por outras palavras pela acção do Espírito Santo.
O Cardeal Suenens recorda-nos que a cristandade carismática é a cristandade normal, porque a própria Igreja é carismática e nós nunca devemos viver uma vida cristã sem a total presença e poder do Espírito Santo.
Tristemente muitos cristãos ainda tentam fazer isto.
Então o objectivo do Renovamento é trazer a vida do Espírito Santo a todas as partes da Igreja trazendo-a para a vida de todos os homens e mulheres cristãos.
O Renovamento existe para ajudar as pessoas a viverem uma nova vida no poder do Espírito, não para as trazer para algo chamado de Renovamento Carismático Católico.
Nós somos renovados quando nos abrimos a Deus e aceitamos o que Ele nos oferece, a totalidade do Espírito Santo, não existe outra maneira.
Isto é o trabalho de Deus, não nosso, e cabe-lhe a Ele controlar e dirigir.
Isto quer dizer que pela nossa natureza nós somos diferentes dos outros movimentos eclesiais.

Em 1996 o Cardeal Suenens escreveu:
“Ao interpretarmos o Renovamento como um ‘movimento’ entre os outros movimentos é não compreendermos a sua natureza; é um movimento do Espírito oferecido a toda a Igreja e destinado a rejuvenescer todas as partes da vida da Igreja”.
O Renovamento é antes de mais uma acção entre mim e Deus, eu devo tomar uma decisão conscienciosa de aceitar aquilo que Ele me oferece.
O resultado?
A minha fé é renovada e torna-se viva.
Não tem nada a ver com os meus planos, as minhas ideias ou com os meus méritos.
Tem tudo a ver com o amor, a misericórdia e o poder de Deus.
O dom é o próprio Deus, dando-se a nós de uma maneira mais completa e mais maravilhosa.
Pela graça do Renovamento, um cristão normal ou até um pouco afastado é transformado numa pessoa com uma vida cheia e activa de uma fé vivida no poder do Espírito Santo.
Entramos numa intensa e viva relação com Jesus e colocamos esta relação sob a orientação do Espírito Santo.
Esta graça do Renovamento já foi descrita de muitas maneiras diferentes:

- O Baptismo no Espírito Santo
- A libertação do Espírito Santo
- A Efusão ou a vinda do Espírito Santo

Isto leva-nos de volta à nossa questão inicial da natureza do Renovamento.
O Renovamento Carismático Católico não existe para criar mais e maiores grupos, ou para criar uma grande organização.
Não! O nosso simples desejo é ajudar outros a renovar a sua vida cristã da mesma maneira como nós fomos renovados.
Algumas organizações são necessárias para facilitar o trabalho do Espírito, mas devem ser mantidas em ordem a ajudar a graça a passar e não em serem elas mesmas a graça.
O simples desejo de ver as vidas renovadas reflecte-se na maneira como nós nos aproximamos da liderança.
A natureza da liderança no Renovamento é oferecer um serviço e não mandar e exigir obediência.
Os líderes são reconhecidos pelos dons que Deus lhes concede e por variados e diferentes processos, mas sempre no sentido do serviço.
Para os líderes no Renovamento não existem quaisquer qualificações em ordem a essa promoção, a liderança é vista como um dom, um serviço.
Alguns são simplesmente convidados a liderar, outros são eleitos ou apontados, mas outros também, porque iniciaram o grupo ou tiveram essa visão, elegem-se a si próprios.
Não existe por isso uma única e correcta maneira para este processo de liderança.
Mas é necessário não esquecer de que o Renovamento está sempre sobre o cuidado pastoral do Bispo local ou em sua substituição da Equipa Diocesana aprovada pelo Bispo.
Todas estas diversas características e expressões marcam o Renovamento Carismático como diferente de todos os outros movimentos eclesiais.
Isto tanto pode ser uma força como uma fraqueza, mas não desvia a atenção para o facto de que o Renovamento não é trabalho do homem e não é ordenado humanamente, vem directamente de Deus.
Isto ilumina também o facto de que o trabalho do Espírito Santo pode muitas vezes nos parecer disperso, mas devemos resistir à tentação de o tentar organizar, apesar de muitas vezes ser difícil aos outros movimentos relacionarem-se connosco, particularmente porque nós não falamos numa só voz em todos os assuntos.
“Mas sendo disperso, como pode ser que nenhuma iniciativa de Deus na Igreja alguma vez se tenha espalhado tão longe, tão rápido e tão poderosamente como o Renovamento Carismático Católico!
Isto é possível porque é uma acção directa do Espírito Santo e não de um homem.
A vida de milhões foi transformada, trazendo uma nova fé e visão, e incendiando-os com amor e zelo para servir o Senhor e o seu povo.
Hoje são estimadas mais de 80 milhões de pessoas que podem testemunhar a experiência de mudança de vida no Espírito Santo, através do seu contacto com o Renovamento Carismático Católico.
Esta é a famosa referência do Papa Paulo VI ao Renovamento como uma “chance para a Igreja e para o mundo”.
É exactamente isso, mas infelizmente é uma chance que ainda pessoas não aceitam.

Nota:
Iniciamos uma Série ‘Reflexões sobre o Renovamento Carismático Católico’, baseadas num dos livros de ‘Good News Books’, de Charles Whitehead, ex-presidente do ICRRS e que já esteve a orientar uma das Assembleias Interdiocesanas, em Fátima - Centro Paulo VI, convidado pela Equipa de Serviço Nacional de então.

Charles Whitehead
Publicado no Labat n.º 58, de Fevereiro de 2006

2. O que distingue o RCC dos outros grupos na Igreja?

Série: “Reflexões sobre o Renovamento Carismático Católico”


2. O que distingue o RCC dos outros grupos na Igreja?

A característica distintiva do RCC é que o papel do Espírito Santo, na Igreja, não se modificou desde os primeiros séculos.
Hoje podemos experimentar a Sua vinda, o Seu poder e os Seus dons, do mesmo modo que foram experimentados pelos primeiros cristãos. Esta experiência deveria ser normativa na Igreja hoje.
Uma prova da autenticidade desta vivência não depende, primariamente, da análise da própria experiência, mas antes no estudo dos efeitos nas vidas individuais das pessoas. Em muitos testemunhos, saídos do Renovamento Carismático Católico, a Igreja comentou os bons frutos que encontrou. Os frutos falam mais alto!
A nossa interpelação deverá ser: Quais são as coisas mais importantes que fazemos? Quais são os nossos dons para a Igreja?
Estou convencido que o nosso dom mais importante para a Igreja é a Efusão no Espírito Santo.
O Cardeal Suenens escreveu em 1996: “a alma do Renovamento – a Efusão do Espírito Santo – é a graça refrescada do Pentecostes oferecido a todos os cristãos”.
Esta graça conduzir-nos-á a uma relação viva e pessoal com Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – e ajudar-nos-á a buscar a santidade.
Com a Efusão do Espírito Santo vêm os dons espirituais e os carismas, os quais o Concílio Vaticano II nos recorda e diz que são: “convenientes e úteis para as necessidades da Igreja” (Lúmen Gentium 12).

- Entre os dons recebidos, devemos oferecer as nossas orações, louvores e adorações, fortalecidos pelo dom das línguas.
- Igualmente importante é a nossa fé expectante. Termos confiança que Deus vai actuar. Infelizmente, muitas vezes, esta expectativa perde-se na Igreja. Muitos têm uma fé de doutrina, de crenças, mas nenhuma expectativa de que o Senhor alguma vez faça qualquer coisa.

O Renovamento restaurou na Igreja a convicção de que o Senhor cura e faz milagres através de pessoas comuns e nós vimos muitas curas acontecerem pela oração e pela imposição das mãos.
Mas devemos, também, admitir que houve muitas ocasiões em que as pessoas não foram curadas. Não sabemos porque o Senhor cura uns e não os outros; mas sabemos que devemos persistir na oração por aqueles que estão doentes.

- Outros dons que trazemos à Igreja é o sentido de alegria e da celebração. É excitante ser cristão hoje!

- Temos o desejo de sermos testemunhas, na certeza do conhecimento de que fomos empossados para a Nova Evangelização e para o serviço. Recebemos tudo o que precisamos para proclamar Cristo!

- O Renovamento Carismático Católico ajudou a trazer à vida uma das virtudes teologais – a Esperança. Milhões de pessoas sabem, agora, que podem confiar na promessa de Deus. Ele é fiel.

- Outro dom importante é a nossa voz profética na Igreja e no mundo.
O dom carismático da profecia é uma das maneiras através da qual Deus fala connosco Nesta nossa sociedade materialista e egoísta, necessitamos desesperadamente de ouvir a Sua voz. Somos chamados a falar e a actuar de uma forma profética.

- Porque o Espírito está muito vivo em nós, estamos também alertados para a necessidade de intercessão e do bem-estar espiritual.
Pelo Espírito Santo compreendemos que está a acontecer uma batalha espiritual da qual nós fazemos parte. Reconhecemos a presença de espíritos malignos e também do Espírito Santo. Por isso temos o papel e a tarefa de defendermos a Igreja contra o poder do mal. Os que não estão conscientes desta batalha não podem fazer.

- Finalmente, mas de maneira nenhuma com menos importância, foi-nos dada uma preocupação pela justiça, a paz e os assuntos sociais.

Estes assuntos são importantes e nós somos chamados a dar-lhes uma maior proeminência. O cristão tem de viver da fé. Da fé surgem as obras. O social, enquanto expressão de amor cristão, brota da caridade do Espírito em nós que me leva a descobrir o outro como meu irmão.

Onde estamos depois de 39 anos?

Hoje encontramo-nos humildemente no coração da vida da Igreja, somos aceites como membros da família. Não somos pára-quedistas algures nas franjas da Igreja.
Estamos no coração pulsante da Igreja.
Se alguma dúvida existe, apenas temos de ler o que os Papas Paulo VI e João Paulo II disseram sobre o Renovamento Carismático Católico.
O Secretariado Internacional do Renovamento Carismático Católico (ICCRS) é reconhecido pela Santa Sé como o corpo para a promoção do Renovamento Carismático Católico e com personalidade jurídica de acordo com o Cânon 116.
A maior parte das conferências dos Bispos reconhecem o Renovamento Carismático Católico de uma maneira ou de outra.
Algumas das Equipas de Serviço Nacional e Comunidades pediram-no e foi-lhes concedido os estatutos.
Passámos pela infância e a adolescência em direcção à maturidade da idade adulta. Temos agora 39 anos! Não perdemos o nosso zelo juvenil. Continuamos entusiastas e comprometidos. Mas somos menos superficiais e menos inocentes.
Fomos chamados pelo Papa João Paulo II à “maturidade eclesial”, o que significa fazermos a nossa parte na vida da Igreja.
Enfrentamos desapontamentos e muitas das nossas esperanças continuam irrealizáveis. Sabemos agora que muitas pessoas não estão preparadas para arriscar abraçarem a totalidade da vida no Espírito.
Não interessa o que possamos dizer ou fazer. Devemos ser perseverantes na oração e aceitarmos que apenas Deus nos pode transformar.
Nós experimentamos a presença poderosa do Espírito Santo a trabalhar em nós e através de nós. Sabemos quem somos em Cristo e o que Ele fez por nós.
Temos um grande testemunho para dar. Vemos coisas maravilhosas acontecerem à nossa volta. Pessoas a serem curadas. Vidas transformadas. Mortos espirituais a voltarem à vida e a mais difícil das pessoas tornar-se maravilhosa.
Cometemos muitos erros, mas estamos mais sábios e aprendemos com eles.
Compreendemos a importância de bons ensinamentos e boa formação para nos preparar a fim de desempenharmos um papel cada vez mais profundo na vida da Igreja.
Sabemos muito bem que o nosso chamamento especial é o do ensino e o da Efusão do Espírito. Este é o nosso dom primário para a Igreja.
É uma graça particular dada ao Renovamento Carismático Católico.
Também sabemos que na mente do Papa João Paulo II nós estávamos na linha da frente, proclamando o Evangelho juntamente com os nossos irmãos dos novos movimentos eclesiais e comunidades.
Na noite de Pentecostes de 1998, na Praça de S. Pedro, o Papa deu-nos uma missão: “Hoje, a partir desta praça, Cristo repete a todos vós: ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a todas as criaturas. (Mc 16, 15). Ele conta com cada um de vós.
O Senhor assegura-nos: “Amados, estarei convosco até ao fim dos tempos (Mt 28, 20) Amen!”
Abracemos esta missão em unidade com todos os movimentos eclesiais e novas comunidades, mas com a certeza de que ao o fazermos permanecemos igualmente proféticos e carismáticos.
De que serve o Renovamento Carismático sem carismas? É como o sal que perdeu o seu sabor – “Não serve para mais nada; só serve para ser lançado fora e ser pisado pelos homens.” (Mt 5, 13)
Como um dos líderes neste grande trabalho de Deus, há uma pergunta que eu tenho feito a mim próprio muitas vezes: É a minha liderança no Renovamento Carismático Católico algo que eu posso deixar quando achar que já não me apetece?
Eu não acredito que um chamamento de Deus seja algo que possamos tomar ou largar quando quisermos. Não devemos tentar restituir a Deus a Sua unção.
Não existe a palavra reforma para um cristão. Claro que, de tempos a tempos, passaremos de uma posição de responsabilidade para outra, talvez para um nível inferior.
Um dia, Deus pedir-nos-á que nos retiremos da liderança. Mas isso é algo para Ele decidir, não nós.
Mas, é nossa responsabilidade treinar novos líderes e dar-lhes posições de responsabilidade, preparando-os a fim de que o trabalho continue.
Foi-nos confiado uma coisa verdadeiramente notável: o dom de Deus. O dom de Deus é para nós. Não é nosso para o controlarmos ou para fazermos como quisermos, ou até para o devolver.
Quando estivermos cansados lembremo-nos de que a nossa responsabilidade é a de vivermos esta graça do Renovamento Carismático Católico o mais completamente que podermos, confiando no Senhor e partilhando-o com todos os que encontrarmos.
S. Paulo escreveu a Timóteo: “Convido-te a reavivar o dom de Deus que está em ti pela imposição das minhas mãos” (2Tim. 1, 6).
Que estas palavras estejam sempre presentes em nosso coração.
Quando caminhamos na vontade de Deus estamos em paz. Cristo morreu para nos dar a liberdade. Aceitemos a Sua doação em cada dia. Continuemos a caminhar com Ele no poder e na liberdade do Espírito Santo.
Para fazermos isto significa que temos de voltar o nosso EU (ego) para Deus e trabalharmos com fé para o Espírito.

- Significa que precisamos de ouvir, todos os dias, a voz e a orientação do Espírito Santo.
- Significa que teremos de fazer tudo na Sua força, não na nossa, e realizarmos tudo para a glória de Deus.
- Significa que é necessário darmos o poder, o controle de volta a Deus.

Caminhemos no Espírito.

Como nos recorda Zacarias: “Não pela força, nem pelo poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor” (Zac. 4, 6).
Caminhar no Espírito é caminhar no amor, na liberdade e no poder de Deus, não do homem.
Espero fazer a vontade de Deus o resto da minha vida e espero que vocês, nos vossos países, por todo o mundo, continuem a fazê-lo também, até um dia. Tenho esperança de que todos ouviremos estas palavra maravilhosas: “Muito bem, servo bom e fiel … vem participar da minha alegria.” (Mt 25, 21)
Charles Whitehead
Labat n.º 59, de Março de 2006