24 julho, 2020

Jovem portador de deficiência no Caminho de Santiago. O Papa: "Testemunho corajoso"

  Peregrino no Caminho de Santiago de Compostela

Uma ação motivada pela fé e pelo desejo de rezar para si e pelos outros foi realizada por Álvaro, um adolescente de quinze anos, de Málaga. A sua extraordinária força interior impressionou até mesmo o Papa Francisco, que agradeceu ao jovem escrevendo-lhe uma carta.
 
Isabella Piro/Mariangela Jaguraba – Vatican News
 
Chama-se Álvaro Calvente e tem 15 anos. Natural de Málaga, Espanha, é portador de uma deficiência intelectual. Entretanto, há poucos dias atrás, Álvaro fez uma peregrinação no “Caminho de Santiago”, acompanhado pelo seu pai e por um amigo da família. A sua ação não passou despercebida pelo Papa Francisco que lhe escreveu uma carta, publicada no site da Diocese de Málaga, na qual o Pontífice congratula-se com o jovem e agradece-lhe pelo seu corajoso testemunho.
 
“Caro Álvaro”, escreve o Papa, “recebi uma carta do seu pai na qual me dizia que terminas-te o Caminho de Santiago e que na tua mochila levas-te as intenções não somente tuas, mas também de muitas pessoas que 'se uniram a ti' na peregrinação, pedindo-te orações”. “Obrigado por encorajar-nos a caminhar e convidar muitos outros a caminhar como tu”, acrescenta Francisco. No meio à pandemia que estamos a viver, com a tua sinceridade, alegria e simplicidade, conseguiste colocar em movimento a esperança de muitas pessoas que conheceste ao longo do caminho ou através das redes sociais”. A viagem de Álvaro foi compartilhada pelo seu pai no Twitter, através da conta @CaminodeAlvaro.

“Ao longo do caminho nunca estamos sozinhos”
 
“Foste em peregrinação e fizeste  muitas pessoas também irem em peregrinação, encorajando-as a não ter medo e a recuperar a alegria, porque ao longo do caminho nunca estamos sozinhos”, escreve ainda o Papa. O Senhor caminha sempre ao nosso lado. Obrigado pelo teu testemunho e pelas tuas orações”. A carta do Papa foi concluida com uma bênção, uma invocação a Nossa Senhora do Carmo e um pedido: “Não te esqueças de rezar por mim”.
 
Sétimo de dez irmãos, Álvaro vive no distrito de Huelin e é membro da Comunidade Neocatecumenal da paróquia local de “São Patrício”. “Não obstante a sua deficiência”, explica a Diocese de Málaga, “o jovem participa ativamente na vida paroquial. “A sua experiência de fé, tão alegre, é um testemunho para todos os que o conhecem”.
 
VN

23 julho, 2020

“Eu não consigo respirar”: oração on-line pelos povos que sofrem com a Covid-19, realiza-se hoje - 23.07.20



A oração coletiva mundial acontece às 15h, no Horário de Verão da Europa Central (CEST), isto é, 14h no horário de Portugal, através do App Zoom e com tradução simultânea em 4 línguas, entre elas, o português. A iniciativa partiu da União Internacional das Superiores Gerais (UISG), da Confederação Latino-americana de Religiosos (CLAR) e da Conferência das Líderes de Congregações de Mulheres Religiosas (LCWR).

Mais um momento para fortalecer a fé e testemunhar a presença de Deus unindo o mundo que enfrenta a pandemia de Covid-19. Nesta quinta-feira, dia 23 de julho, a oração on-line intitulada “Eu não consigo respirar” será especialmente direcionada às pessoas dos países que estão a sofrer drasticamente com as consequências do coronavírus. A iniciativa partiu da União Internacional das Superioras Gerais (UISG), da Confederação Latino-americana de Religiosos (CLAR) e da Conferência das Líderes de Congregações de Mulheres Religiosas (LCWR).

Como participar da oração on-line

A oração on-line está marcada para às 15h, no Horário de Verão da Europa Central (CEST), isto é, 14h no horário de Portugal. Para participar, basta seguir as indicações no site da UISG, acessando o link do App Zomm, já que o encontro mundial vai acontecer em modalidade de videoconferência (https://us02web.zoom.us/j/89788103343 Meeting ID: 897 8810 3343).

A iniciativa motiva a rezar sobretudo pelos países mais afetados pela pandemia, como: Estados Unidos, Brasil, Índia, Rússia, África do Sul, Peru, México, Chile, Reino Unido e Irão. Desta forma, a oração será feita em português, espanhol, italiano e inglês.

A "santa inquietação" da pandemia

A presidente da UISG, Ir. Jolanta Kafka, em mensagem pública divulgada no final do mês de junho no portal da organização para manifestar comunhão e contribuir com o discernimento neste período de pandemia, descreveu o momento vivido como de “santa inquietação” pela privação de projetos e de poder administrar a própria vida. Um tipo de “pobreza” e de “incerteza” que “levam a confiar em Deus mais sinceramente, a aceitar que a insegurança eduque a uma procura intensa de Deus, a ancorar n'Ele o coração”.

A Irmã Jolanta também lembrou que o confinamento ajudou a “redescobrir o próximo”, com gestos concretos de ajuda mútua, a nível local ou através da “solidariedade global”. Por isso, a oração on-line manifesta-se como mais uma iniciativa para oferecer o acompanhamento recíproco, mesmo que de forma virtual, mas que vai “muito para além da comunidade congregacional”.
VN

20 julho, 2020

Congregação para o Clero: Instrução sobre paróquia e evangelização

Celebração eucarística na Paróquia de São Pedro, em Porto Alegre 
 
Um instrumento canónico-pastoral relativo aos diversos projetos de reforma da comunidade paroquial e de reestruturação diocesana: assim é apresentada a Instrução “A conversão pastoral da comunidade paroquial ao serviço da missão evangelizadora da Igreja”, redigida pela Congregação para o Clero.

Isabella Piro/Mariangela Jaguraba – Vatican News
Na Igreja há lugar para todos e todos podem encontrar o seu lugar, respeitando a vocação de cada um: este é o sentido da Instrução sobre a paróquia. O documento não contém novidades legislativas, mas propõe modalidades para aplicar melhor a normativa vigente, a fim de favorecer a corresponsabilidade dos batizados e promover uma pastoral de proximidade e cooperação entre as paróquias. O que emerge, sobretudo, é a urgência de uma renovação missionária, de uma conversão pastoral da paróquia, para que ela redescubra o dinamismo e a criatividade que a levam a ser sempre “em saída”, com a contribuição de todos os batizados. Composta de onze capítulos, a Instrução pode ser dividida em duas grandes áreas: a primeira (cap. 1-6) oferece uma reflexão ampla sobre a conversão pastoral, o sentido missionário e o valor da paróquia no contexto contemporâneo; a segunda (cap. 7-11) detém-se nas repartições das comunidades paroquiais, nas diferentes funções presentes nelas e nas modalidades de aplicação das relativas normas.

A paróquia é uma casa no meio das casas

Sinal permanente do Ressuscitado no meio do povo, “a paróquia é uma casa no meio das casas”, lê-se na primeira parte do documento, e o seu sentido missionário é fundamental para a evangelização. A globalização e o mundo digital mudaram o laço específico com o território, que não é somente um espaço geográfico, mas um espaço existencial. É justamente neste contexto que surge a “plasticidade” da paróquia, capaz de entender as exigências dos tempos e adaptar o seu serviço aos fiéis e à história. Por isso, a Instrução sublinha a importância de uma renovação missionária das estruturas paroquiais: longe de se tornar autorreferencial e de esclerosar-se, elas deverão investir no dinamismo espiritual e na conversão pastoral baseada no anúncio da Palavra de Deus, na vida sacramental e no testemunho da caridade.
A “cultura do encontro” é o contexto que promove o diálogo, a solidariedade e a abertura a todos: a comunidade paroquial é chamada a desenvolver uma verdadeira e própria “arte da proximidade”. A Instrução recomenda o testemunho da fé na caridade e a importância da atenção aos pobres que a paróquia evangeliza, mas pelos quais se deixa evangelizar. Todo o batizado deve ser um “protagonista ativo da missão evangelizadora”, reitera a Congregação para o Clero, e isto exige “uma mudança de mentalidade e uma renovação interior” para que haja uma reforma missionária da pastoral. Naturalmente, estes processos de mudança deverão ser flexíveis e graduais, porque cada projeto deve estar situado na vida real de uma comunidade, sem ser imposto de cima e sem “clericalizar” o serviço pastoral.

As repartições paroquiais

A segunda parte da Instrução abre-se com a análise das repartições paroquiais: elas deverão seguir o “fator chave” da proximidade, considerando a homogeneidade da população e as características comuns do território. O documento detém-se nos procedimentos específicos relativos à incorporação, a fusão ou a divisão de uma comunidade paroquial em paróquias autónomas, e nos Vicariatos forâneos que reúnem várias unidades paroquiais, e as áreas pastorais que reagrupam mais Vicariatos forâneos.

O pároco, “pastor próprio” da comunidade

A seguir, aborda-se o tema da atenção ao cuidado pastoral das comunidades paroquiais, tanto na forma ordinária quanto extraordinária: em primeiro lugar, é sublinhado o papel do pároco como “pastor próprio” da comunidade. Ele está ao serviço da paróquia, e não o contrário, recorda a Instrução, e cuida plenamente das almas. Consequentemente, o pároco deve ter recebido a Ordem do presbiterado; qualquer outra possibilidade está excluída. Administrador dos bens da paróquia e representante jurídico da mesma, o pároco deve ser nomeado por tempo indeterminado, pois o bem das almas exige estabilidade e requer o conhecimento da comunidade e da sua proximidade. No entanto, a Instrução recorda que, quando uma Conferência Episcopal estabelece por decreto, o Bispo pode nomear um pároco por um período determinado, desde que não seja inferior a cinco anos. Além disto, uma vez atingida a idade de 75 anos, o pároco tem o “dever moral” de apresentar a sua renúncia, mas não deixará o cargo enquanto a renúncia não for aceita e comunicada pelo Bispo por escrito. Em todo o caso, a aceitação será sempre por uma “causa justa e proporcional”, de modo a evitar uma conceção “funcionalista” do ministério.

Diáconos: ministros ordenados, não “meio padres e meio leigos”

Uma parte do oitavo capítulo é dedicada aos diáconos: colaboradores dos bispos e dos presbíteros na única missão evangelizadora, são ministros ordenados e participam, ainda que de forma diferente, do Sacramento da Ordem, especialmente no âmbito da evangelização e da caridade, incluindo a administração dos bens, a proclamação do Evangelho e o serviço à mesa eucarística. Não devem ser considerados “meio padres e meio leigos”, afirma a Instrução, citando o Papa Francisco, nem devem ser vistos na perspetiva do clericalismo e do funcionalismo.

O testemunho dos consagrados e o generoso compromisso dos leigos

A Congregação para o Clero reflete também sobre os consagrados e os leigos dentro das comunidades paroquiais: dos primeiros, recorda-se não tanto “o fazer”, mas “o ser testemunhas de um seguimento radical de Cristo”, enquanto dos leigos, se enfatiza a participação na ação evangelizadora da Igreja e pede-lhes “um compromisso generoso” para um testemunho de vida conforme ao Evangelho e ao serviço da comunidade paroquial. Os fiéis leigos podem também ser instituídos leitores e acólitos (ou seja, para o serviço do altar) de forma estável, com um rito especial, desde que estejam em plena comunhão com a Igreja Católica, haja uma formação adequada e uma conduta pessoal e pastoral exemplar. Além disso, em circunstâncias excecionais, podem receber outras funções do Bispo, “ao seu prudente juízo”: celebrar a Liturgia da Palavra e o rito das exéquias, administrar o Batismo, auxiliar nos matrimónios, com a permissão prévia da Santa Sé, e pregar na igreja ou no oratório em caso de necessidade. Não poderão, em nenhuma circunstância, fazer a homilia durante a missa.
VN

19 julho, 2020

Angelus: colabora com Deus quem reconhece o bem que cresce silenciosamente

 
Janela do apartamento pontifício no Palácio Apostólico  (Vatican Media)
 
"O mal, certamente, deve ser rejeitado, mas os malvados são pessoas com as quais é preciso ter paciência. Não se trata daquela tolerância hipócrita que oculta ambiguidade, mas da justiça mitigada pela misericórdia. Se Jesus veio buscar os pecadores mais que os justos, curar os enfermos antes dos saudáveis, também a ação de nós, dos seus discípulos, deve ser dirigida para não eliminar os malvados, mas para os salvar."
 
Vatican News

A paciência de Deus, representada pelo proprietário do campo que tem o seu olhar fixo no bom trigo, e que abre os nossos corações à esperança, foi-nos proposta pelo Papa como exemplo do agir cristão. “Suportar as perseguições e as hostilidades faz parte da vocação cristã” – disse Francisco - e colaboram bem com Deus “aqueles que sabem reconhecer o bem que cresce silenciosamente no campo da Igreja e da história, cultivando-o até à maturação. E então será Deus, e somente Ele, a recompensar os bons e punir os malvados.

A Parábola do Joio, descrita no Evangelho de Mateus, inspirou a alocução do Santo Padre neste XVI Domingo do Tempo Comum, antes de rezar o Angelus com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro, em maior número que nos domingos precedentes, visto o constante aumento de turistas e peregrinos em Roma, após a abertura das fronteiras entre os países da União Europeia, no 1dia 1 de julho.

Na Parábola, Jesus conta que no campo onde foi semeado um bom trigo, surgem ervas daninhas. "Entre nós - disse o Papa saindo do texto escrito - podemos dizer que também hoje o solo é devastado por tantos herbicidas e pesticidas, que também fazem mal quer às ervas, como à terra e à saúde. Mas isto, entre parênteses".

Os servidores  então - continuou Francisco - foram até o proprietário perguntar de onde veio o joio: “Foi o inimigo que fez isso”, respondeu. Os servidores quiseram imediatamente limpar o campo, mas foram advertidos pelo proprietário de que havia o risco de ser também o trigo arrancado junto com as ervas daninhas. Assim, “é preciso esperar o momento da colheita: somente então serão separadas e o joio será queimado.”

O Papa explica que esta é "uma história de bom senso. Pode-se ler nesta parábola uma visão da história. Ao lado de Deus - o dono do campo - que semeia sempre e somente boa semente, há um adversário, que espalha o joio para impedir o crescimento do trigo”:

O proprietário age abertamente, à luz do sol, e seu objetivo é uma boa colheita; o outro, o adversário, no entanto, tira proveito da escuridão da noite e trabalha por inveja, por hostilidade, para arruinar tudo. O adversário tem um nome, ao qual se refere Jesus: é o diabo, o opositor por excelência de Deus. A sua intenção é atrapalhar a obra da salvação, fazer com que o Reino de Deus seja obstaculizado por operários iníquos, semeadores de escândalos. De facto, a boa semente e o joio representam não o bem e o mal abstratamente, não, mas nós seres humanos, que podemos seguir a Deus ou ao diabo.

Tantas vezes, observou o Papa, ouvimos que uma família vivia em paz, depois começaram as guerras, as invejas. Um bairro vivia em paz, depois começaram coisas más:
“E nós acostumamo-nos a dizer: "Eh, alguém veio ali semear cizânia", ou "esta pessoa da família, com os mexericos, semeia cizânia". É sempre, semear o mal que destroi. E isto é sempre o diabo que o faz, ou a nossa tentação,quando caímos na tentação do mexerico para destruir os outros”
A intenção dos servidores – diz Francisco - é eliminar imediatamente o mal, isto é, as pessoas más, “mas o proprietário é mais sábio, vê mais longe: eles devem saber esperar, porque suportar as perseguições e as hostilidades faz parte da vocação cristã”:

O mal, certamente, deve ser rejeitado, mas os malvados são pessoas com as quais é preciso ter paciência. Não se trata daquela tolerância hipócrita que oculta ambiguidade, mas da justiça mitigada pela misericórdia. Se Jesus veio buscar os pecadores mais do que os justos, curar os enfermos, antes dos saudáveis, também a nossa ação, como seus discípulos, deve ser dirigida para não eliminar os malvados, mas sim, para salvá-los. E nisto, a paciência.
“Suportar as perseguições e as hostilidades faz parte da vocação cristã”
“Os servidores querem um campo sem ervas daninhas, o proprietário, um bom trigo”, observa o Pontífice. Assim, o Evangelho do dia “apresenta duas maneiras de agir e viver a história: por um lado, o olhar do patrão, que vê longe; por outro, o olhar dos servidores, que veem o problema”:

O Senhor convida-nos a assumir o seu próprio olhar, o que se fixa no bom trigo, que sabe protegê-lo mesmo entre as ervas daninhas. Aqueles que procuram os limites e defeitos dos outros não colaboram bem com Deus, mas sim aqueles que sabem reconhecer o bem que cresce silenciosamente no campo da Igreja e da história, cultivando-o até ba maturação. E então será Deus, e somente Ele, a recompensar os bons e a punir os malvados.
“Será Deus, e somente Ele, a recompensar os bons e punir os malvados.”
Que a Virgem Maria - disse o Santo Padre ao concluir - nos ajude a entender e a imitar a paciência de Deus, que deseja aos seus filhos, a  quem Ele ama com o amor do Pai, que nenhum se perca.

VN

18 julho, 2020

Primado e infalibilidade: 150 anos da proclamação dos Dogmas


 Dogmas são verdades de fé que a Igreja ensina como reveladas por Deus

Após longas discussões durante o Concílio Vaticano I, foram aprovados o Dogma do Primado do Papa sobre a Igreja Católica e o da Infalibilidade do Magistério pontifício quando for pronunciado "Ex cathedra". Quais e o que são os Dogmas da Igreja? 

Sérgio Centofanti
Há cento e cinquenta anos, em 18 de julho de 1870, foi promulgada a Constituição "Pastor Aeternus", que definia os dois Dogmas do Primado do Papa e da sua Infalibilidade.

Discussões longas e agitadas

A Constituição dogmática "Pastor Aeternus" foi aprovada por unanimidade pelos 535 Padres conciliares presentes, "após discussões longas, briosas e agitadas": assim Paulo VI se expressou durante uma Audiência geral, ao descrever aquele dia como "uma página dramática na vida da Igreja, mas nem por isso, menos clara e definitiva "(Audiência Geral, 10 de dezembro de 1969).
Oitenta e três Padres conciliares não participaram da votação. A aprovação do texto ocorreu no último dia do Concílio Vaticano I, suspenso por causa da guerra franco-prussiana. A guerra começou em 19 de julho de 1870 e se prolongou "sine die", com a tomada de Roma pelas tropas italianas em 20 de setembro daquele mesmo ano, que sancionou, efetivamente, o fim do Estado pontifício.
A Constituição "Pastor Aeternus" reflete uma posição intermediária entre as várias discussões dos participantes, mas excluía, por exemplo, que a definição da Infalibilidade fosse integralmente estendida também às Encíclicas ou a outros Documentos doutrinais.
Dos contrastes que surgiram no Concílio, resultou o Cisma dos antigos católicos, que não quiseram aceitar o Dogma sobre o Magistério infalível do Papa.
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Dogma sobre a racionalidade e sobrenaturalidade da fé

Os dois Dogmas foram proclamados depois daquele da racionalidade e sobrenaturalidade da fé, contido na outra Constituição dogmática do Concílio Vaticano I "Dei Filius", de 24 de abril de 1870. Neste texto, afirma-se que "Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido, com certeza, sob a luz natural da razão humana, através das coisas criadas; de fato, as coisas invisíveis de Deus podem ser conhecidas pela inteligência da criatura humana através das suas obras” (Rm 1,20).
Este Dogma - explicou Paulo VI na Audiência de 1969 - reconhece que "a razão, somente pela sua própria força, pode chegar ao conhecimento seguro do Criador através das criaturas. Assim, a Igreja defende, no século do racionalismo, o valor da razão", afirmando, de um lado, "a superioridade da revelação e da fé sobre a razão e sobre suas capacidades"; de outro lado, declara que" não pode haver nenhum contraste entre verdade da fé e verdade da razão, visto que Deus é a fonte, tanto de uma quanto da outra".

Dogma do Primado

Na Constituição "Pastor Aeternus", antes da proclamação do Dogma do Primado, Pio IX recorda a oração de Jesus ao Pai para que os seus discípulos sejam "uma só coisa": Pedro e seus Sucessores são "o princípio imutável e o fundamento visível" da unidade da Igreja. Por isso, declarou solenemente: “Logo, proclamamos e afirmamos, com base nos testemunhos do Evangelho, que a Primazia da jurisdição sobre toda a Igreja de Deus foi prometida e conferida, pelo Senhor Jesus Cristo, ao Beato apóstolo Pedro, de modo imediato e direto (...). Daí, o que o Príncipe dos pastores e grande Pastor de todas as ovelhas, o Senhor Jesus Cristo, instituiu no Beato apóstolo Pedro, para tornar contínuas a salvação e o bem perene da Igreja, é necessário, por desejo de quem o instituiu, que dure para sempre na Igreja, que, fundada sobre a rocha, permaneça firme até o fim dos séculos (...). Disso resulta que, quem suceder a Pedro nesta Cátedra, em virtude da instituição do próprio Cristo, obtenha a Primazia de Pedro sobre toda a Igreja (...): todos, pastores e fiéis, de qualquer rito e dignidade, estão vinculados, sob ele, pela obrigação de subordinação hierárquica e verdadeira obediência, não apenas nas coisas, que se referem à fé e aos costumes, mas também nas concernentes à disciplina e ao governo da Igreja, no mundo inteiro. Desta forma, tendo salvaguardado a unidade da comunhão e da profissão da mesma fé com o Pontífice Romano, a Igreja de Cristo será um só rebanho sob um único sumo Pastor. Esta é a doutrina da verdade católica, da qual ninguém pode se distanciar, sem a perda da fé e o perigo da salvação".

Magistério infalível do Papa

No Primado do Papa - escreve Pio IX – “está contido também o supremo poder do Magistério”, conferido a Pedro e seus sucessores “para a salvação de todos", como "confirma a constante tradição da Igreja (...). Todavia, precisamente neste tempo, em que sentimos de modo particular a necessidade salutar da presença do ministério Apostólico, muitas pessoas se opõem ao seu poder; por isso, acreditamos que é realmente necessário proclamar, de maneira solene, a prerrogativa de que o unigênito Filho de Deus se dignou vincular ao supremo cargo pastoral. Portanto, mantendo-nos fiéis à tradição recebida da fé cristã, desde o início, - para a glória de Deus, nosso Salvador, para a exaltação da religião católica e para a salvação dos povos cristãos, com a aprovação do sagrado Concílio, - proclamamos e definimos o Dogma, revelado por Deus, de que o Pontífice Romano, quando fala “Ex cathedra”, - ou seja, quando exerce seu cargo supremo de Pastor e Doutor de todos os cristãos e, em virtude do seu supremo poder Apostólico define uma doutrina sobre a fé e os costumes, - vincula toda a Igreja, pela divina assistência, prometida pela pessoa do Beato Pedro; além do mais, goza da infalibilidade, com a qual o divino Redentor quis que sua Igreja fosse acompanhada, ao definir a doutrina sobre fé e os costumes. Assim, tais definições do Pontífice Romano são imutáveis, por si mesmas, e não pela aprovação da Igreja".

Quando ocorre a infalibilidade

João Paulo II explicou o significado e os limites da Infalibilidade na Audiência geral, em 24 de março de 1993: “A infalibilidade não é dada ao Pontífice Romano, como a uma pessoa em particular, mas enquanto cumpre seu cargo de pastor e mestre de todos os cristãos. Ele também não a exerce por autoridade em si mesma e por si mesma, mas “pela sua suprema autoridade apostólica" e "por assistência divina, que lhe foi prometida, mediante o Beato Pedro". Enfim, ele não dispõe dela como se pudesse usar e abusar em todas as circunstâncias, mas apenas “quando fala da Cátedra - Ex Cathedra” - e somente em campo doutrinal, limitado às verdades da fé e da moral e às que lhe estão intimamente ligadas (...). O Papa deve agir como “pastor e doutor de todos os cristãos”, ao pronunciar-se sobre verdades concernentes à “fé e aos costumes”, com termos que demonstrem, claramente, sua intenção de definir certa verdade e exigir a sua adesão definitiva de todos os cristãos. Foi o que aconteceu - por exemplo – com a definição do Dogma da Imaculada Conceição de Maria, sobre a qual Pio IX afirmou: “Trata-se de uma doutrina revelada por Deus e, como tal, deve ser firme e constantemente aceita por todos os fiéis”; ou, então, com definição da Assunção de Maria Santíssima, quando Pio XII disse: “Com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Beatos Apóstolos Pedro e Paulo, e com a minha autoridade, a declaramos e definimos Dogma, divinamente revelado”... etc. Somente sob estas condições podemos falar de magistério papal extraordinário, cujas definições são irreformáveis “de por si”, não pela aprovação da Igreja” (...). Os Sumos Pontífices podem exercer este tipo de magistério como de fato aconteceu, realmente. Porém, muitos Papas não o exerceram".

O que significa dogma?

Os Dogmas são verdades de fé que a Igreja ensina como reveladas por Deus (cf. Catecismo da Igreja Católica, 74-95). São pontos firmes da nossa crença. Os principais Dogmas são: Deus é Uno e Trino; o Pai é o criador de todas as coisas; Jesus, seu Filho, é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, encarnado, morto e ressuscitado pela nossa salvação; o Espírito Santo é Deus; a Igreja é una, como o Batismo é uno. E ainda: o perdão dos pecados; a ressurreição dos mortos; a existência do Paraíso, do Inferno e do Purgatório; a transubstanciação; a maternidade divina de Maria, como a sua virgindade, concepção imaculada e sua Assunção.
Todas estas verdades não são abstratas e insensatas, mas devem ser entendidas no âmbito da grande verdade de Deus, que é Amor, e deseja que as suas criaturas participem da vida divina. O próprio Jesus revelou quais são os maiores mandamentos: amar a Deus e ao próximo (Mt 22, 36-40). No fim das nossas vidas, seremos julgados pelo amor.

Dogmas e desenvolvimento da Doutrina

Enfim, um dogma é um ponto firme da vida de fé; é definido pelo Magistério da Igreja, que o reconhece na Sagrada Escritura como revelado por Deus, em estreita conexão com a Tradição.
A Tradição, no entanto, não é algo imóvel e estático, mas - como João Paulo II diz na esteira do último Concílio (Carta Apostólica “Ecclesia Dei”) - é viva e dinâmica à medida que aumenta a inteligência da fé.
Os dogmas não mudam, mas, graças ao Espírito Santo, podemos entendemos, cada vez mais, a amplidão e profundidade das verdades da fé. Assim, o Papa Wojtyla afirmou "que o exercício do magistério concretiza e manifesta a contribuição do Pontífice Romano para o desenvolvimento da Doutrina da Igreja" (Audiência geral, 24 de março de 1993).

Primado, colegialidade, ecumenismo

Na audiência geral de 1969, Paulo VI reivindicou a atualidade do Concílio Vaticano I e sua conexão com o Concílio seguinte: "Ambos os Concílios Vaticanos, primeiro e segundo, são complementares", embora muito divergentes "por várias razões". Assim, a atenção às prerrogativas do Pontífice Romano, no Vaticano I, foi alargada, no Vaticano II, a todo o Povo de Deus, com os conceitos de "colegialidade" e "comunhão"; no entanto, o tema da unidade da Igreja, que, em Pedro, tem seu ponto de referência visível, se desenvolve com um forte compromisso com o diálogo ecumênico. Tanto que João Paulo II, no seu documento "Ut unum sint", pôde lançar um apelo às Comunidades cristãs, para encontrar uma forma de exercício da Primazia, que, "apesar de não renunciar, de nenhum modo, à essencialidade da sua missão, se abra a uma nova situação", como "serviço de amor, reconhecido por todos" (Ut unum sint, 95).
Por sua vez, o Papa Francisco fala, no “Evangelii Gaudium”, de uma "conversão do papado": "O Concílio Vaticano II afirmou que, de modo análogo às antigas Igrejas patriarcais, as Conferências Episcopais podem "dar uma contribuição múltipla e fecunda, para que o sentido de Colegialidade seja concretizado" (Lumen Gentium, 23). No entanto, este auspício não se realizou, suficientemente, porque ainda não havia sido esclarecido pelas Conferências Episcopais, que o concebesse como sujeitos de atribuições concretas, inclusive também alguma autoridade doutrinária autêntica. “Uma centralização excessiva, ao invés de ajudar, podia complicar a vida da Igreja e o seu dinamismo missionário" (Evangelii gaudium, 32). Seria necessário recordar que, segundo o Concílio Vaticano II, "a infalibilidade, prometida à Igreja, também reside no corpo episcopal, quando exerce o magistério supremo com o Sucessor de Pedro" (Lumen gentium, 25).

Amar o Papa e a Igreja é construir sobre Cristo

Além dos Dogmas, Pio X recordava, em uma audiência de 1912, a necessidade de amar o Papa e obedecê-lo, expressando a sua tristeza quando isto não acontecia.
Dom Bosco exortava seus colaboradores e seus jovens a manter em seus corações "três amores brancos": a Eucaristia, Nossa Senhora e o Papa.
Bento XVI, em 27 de maio de 2006, conversando em Cracóvia com os jovens que cresceram sob o pontificado de João Paulo II, disse, com palavras simples, o que as verdades da fé, proclamadas no distante 1870, queriam dizer: “Não tenham medo de construir as suas vidas na Igreja e com a Igreja! Sintam orgulho de amar Pedro e a Igreja, que lhe foi confiada. Não se deixem enganar pelos que opõem Cristo à Igreja! Há apenas uma rocha sobre a qual vale realmente a pena de construir a casa: esta rocha é Cristo! Há apenas uma rocha sobre a qual vale, realmente, a pena de apoiar tudo. Esta rocha é aquela a quem Cristo disse: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). Vocês, jovens, conheceram bem quem o Pedro dos nossos tempos. Por isso, não esqueçam que nem aquele Pedro, que está observando o nosso encontro da janela de Deus Pai, nem este Pedro, que agora está diante de vocês, nem qualquer outro Pedro estão contra vocês, nem contra a construção de uma casa duradoura sobre a rocha. Pelo contrário, compromete seu coração e suas mãos para ajudá-los a construir a vida em Cristo e com Cristo”.
VN

17 julho, 2020

Abusos Sexuais - Vaticano publica «manual» para tratamento de denúncias

 
 
Documento tem 164 pontos e sublinha a necessidade de cooperação com autoridades civis
 
O Vaticano publicou ontem um “vade-mécum” para ajudar os bispos e responsáveis de institutos religiosos no tratamento de denúncias de abusos sexuais de menores. O documento foi preparado pela Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), para ajudar os responsáveis católicos a cumprir os seus deveres nestas situações e surge depois dos pedidos feitos durante a cimeira para a proteção de menores, que o Papa promoveu de 21 a 24 de fevereiro de 2019, no Vaticano.

A CDF fala num “manual” para “casos de abusos sexuais de menores cometidos por clérigos”, visando processos que envolvam bispos, padres e diáconos, de forma a uniformizar os procedimentos e estabelecer regras comuns, em vez de orientações. Ao longo de 164 pontos, a CDF explica os procedimentos a seguir, desde a denúncia à conclusão da causa, falando numa “ferida profunda e dolorosa que pede para ser curada”. A tipologia do delito é, de acordo com o documento, “muito ampla” e pode incluir, por exemplo, relações sexuais (com e sem consentimento), contacto físico de ordem sexual, exibicionismo, masturbação, produção de pornografia, indução à prostituição, conversas e/ou propostas de caráter sexual, “inclusive através dos meios de comunicação”.


Uma das novidades relaciona-se com as denúncias anónimas, que deixam de ser automaticamente descartadas, referindo-se que é “oportuno ter muita cautela ao tomar em consideração esse tipo de ‘notitia’, que de modo algum deve ser encorajado”. O Vaticano sublinha que não é necessária uma “denúncia formal”, pedindo que qualquer situação suspeita seja “adequadamente avaliada e, na medida do possível, aprofundada com a devida atenção”. O primeiro passo recomendado é uma investigação prévia, para determinar se a denúncia é verossímil, sublinhando que, mesmo onde a legislação não o torne obrigatório, a autoridade eclesiástica deve dar a conhecer o caso às autoridades civis competentes, “sempre que o considere indispensável para tutelar a pessoa ofendida ou outros menores do perigo de novos atos delituosos”. A investigação prévia canónica deve ser realizada “independentemente da existência ou não de uma investigação correlativa pelas autoridades civis”, a não ser nos casos em que a legislação estatal impõe a proibição de investigações paralelas à sua.


O Vaticano sublinha que “a divulgação de notícias sobre a existência de uma acusação não constitui necessariamente uma violação da boa fama”, convidando à “cautela”, quando são publicados comunicados sobre os casos. Quanto à obrigação de notificar as autoridades civis da denúncia recebida e da investigação prévia aberta, a Santa Sé estabelece como princípio que se devem “respeitar as leis do Estado” e “a vontade da presumível vítima”, neste caso, também, “encorajando-a, no exercício dos seus deveres e direitos perante as autoridades estatais”. A colaboração é também determinada se “as autoridades judiciais civis emanarem uma ordem executiva legítima solicitando a entrega de documentos relativos às causas ou estabelecerem a apreensão judicial dos mesmos”.
“As autoridades eclesiásticas devem empenhar-se para que a presumível vítima e a sua família sejam tratadas com dignidade e respeito, e devem oferecer-lhes acolhimento, escuta e acompanhamento, inclusive através de serviços específicos, bem como assistência espiritual, médica e psicológica”.
Os bispos e hierarcas (comunidades católicas do Oriente) podem aplicar medidas cautelares, nesta fase inicial, distinguindo-as de eventuais penas, pelo que se deverá falar em “afastamento ou proibição de exercício do ministério”. “Deve evitar-se a opção de realizar simplesmente uma transferência de ofício, de circunscrição, de casa religiosa do clérigo envolvido, pensando que o seu afastamento do local do suposto delito ou das presumíveis vítimas constitua solução satisfatória do caso”, acrescenta a CDF. A Santa Sé realça que, “desde o momento em que se tem a notícia de delito, o acusado tem direito de apresentar pedido para ser dispensado de todas as obrigações inerentes ao seu estado de clérigo, incluindo o celibato” e “eventuais votos religiosos”. No último ponto, o “manual” determina que a autoridade eclesiástica competente informe a presumível vítima e o acusado “sobre cada uma das fases do procedimento, tendo o cuidado de não revelar informações cobertas por segredo pontifício ou segredo de ofício, cuja divulgação poderia prejudicar terceiros”.
Ecclesia
Foto: Ricardo Perna / Família Cristã
 
Patriarcado de Lisboa

16 julho, 2020

Papa: Nossa Senhora do Carmo nos ajude a ter um coração puro

 
Papa abençoa imagem de Nossa Senhora do Carmo em 27 novembro de 2019
 
Os Carmelitas difundiram no povo cristão a devoção à Bem-Aventurada Virgem do Monte Carmelo, indicando-a como modelo de oração, de contemplação e de dedicação a Deus.
 
Bianca Fraccalvieri - Vatican News

“Nossa Senhora do Carmo, nossa mãe, ajuda-nos a ter mãos inocentes e um coração puro, a não pronunciar uma mentira e a não falar em detrimento das outras pessoas. Assim poderemos subir o monte do Senhor e obter a  sua bênção, a sua justiça, a sua salvação.”

Com esta mensagem no Twitter, o Papa Francisco recorda hoje a festa litúrgica de Nossa Senhora do Carmo, mãe da Ordem Carmelita. 

Modelo de oração, contemplação e dedicação

Venerada desde o século XIII, o nome de Nossa Senhora do Carmo está ligado à região do Monte Carmelo, alto promontório que se eleva na costa oriental do mar Mediterrâneo, precisamente na altura da Galileia. Em hebraico, “carmo” significa vinha; e “elo” significa senhor; portanto, “Vinha do Senhor”.

O Carmelo tem nas suas ladeiras numerosas grutas naturais, preferidas pelos eremitas. O mais célebre destes homens foi o grande profeta Elias que, no século IX a. C., defendeu estrenuamente da contaminação dos cultos idolátricos, a pureza da fé no Deus único e verdadeiro. Inspirando-se precisamente na figura de Elias, nasceu a Ordem contemplativa dos "Carmelitas", família religiosa que entre os seus membros enumera grandes Santos, como Teresa de Ávila, João da Cruz, Teresa do Menino Jesus e Teresa Benedita da Cruz (no século, Edith Stein).

Os Carmelitas difundiram no povo cristão a devoção à Bem-Aventurada Virgem do Monte Carmelo, indicando-a como modelo de oração, de contemplação e de dedicação a Deus.

O Escapulário também ajudou na difusão desta devoção mariana em todo o mundo, sinal de cuidado materno. Carregando sobre o peito, o escapulário recorda-nos a misericórdia de Deus para connosco e nos convida a viver segundo a sua Santa Palavra.

VN

15 julho, 2020

Peregrinação virtual: em formato inédito, Santuário de Lourdes reúne milhões de fiéis neste dia 16




Serão 15 horas de transmissão ao vivo, em 10 idiomas diferentes – entre eles, o português – com uma programação intensa para recordar a última aparição de Nossa Senhora de Lourdes à Santa Bernardette. A primeira peregrinação online global direto da Gruta das Aparições no Santuário Internacional de Lourdes, em França, começa às 7h  hora local (6 no horário de Portugal). Basta conectar as plataformas oficiais do evento “Lourdes United” ou pelo site lourdes-france.org.

Andressa Collet - Vatican News

Está marcada para esta quinta-feira, 16 de julho, a primeira peregrinação online global do Santuário Internacional de Lourdes, em França. Os organizadores do “Lourdes United” esperam reunir milhões de pessoas de todo o mundo num único percurso virtual até à Gruta das Aparições de Nossa Senhora, uma oportunidade em que as câmaras irão entrar no coração do espaço católico. Serão 15 horas de transmissão ao vivo, em 10 idiomas diferentes, entre eles, o português: começa às 7h (6h em Portugal) e estende-se até às 22:17h (21:17h de Portugal).

A programação da e-peregrinação global

A data marcada para o evento inédito comemora a última aparição de Nossa Senhora de Lourdes à Santa Bernardette. A programação será dividida em várias atividades, entre celebrações, procissões, orações, terços e testemunhos de fiéis e personalidades religiosas sobre a importância de Nossa Senhora de Lourdes na vida pessoal. Um novo programa de TV será transmitido ao vivo das 16h às 18h, no horário local (15h e 17h de Portugal), com intervenções sobre os temas da solidariedade, além de reportagens, vídeos de arquivo e música ao vivo.

Como participar no Lourdes United

Para participar da peregrinação online basta acessar as plataformas oficiais do Santuário durante todo o dia 16 de julho e de qualquer parte do mundo. Vale a pena ressaltar que os fiéis também podem enviar intenções de oração que serão depositadas na Gruta – inclusive dá para solicitar que uma vela seja adicionada ao pedido.

A campanha online de doação

Apesar da reabertura parcial neste período, o Santuário de Lourdes também procura usar a peregrinação online como um pedido de apoio e colaboração financeira, visto que, as dificuldades vividas durante mais de dois meses fechado – pela primeira vez na sua história – devido à pandemia. “Lourdes sem peregrinos é uma Lourdes sem recursos para realizar a sua missão” e para manter o Santuário e garantir o trabalho dos 320 funcionários motiva para a generosidade dos peregrinos. Os prejuízos já são calculados em cerca de 8 milhões de euros.

O site oficial recorda que anualmente o espaço “mobiliza cerca de 100 mil voluntários para receber 3 milhões de peregrinos, incluindo mais de 50 mil doentes e deficientes”. A peregrinação online será, então, uma mobilização global para ajudar Lourdes a reerguer-se e preparar-se para o futuro através de “todos aqueles que, nos quatro cantos do mundo, veem Lourdes como um farol de fé, compromisso, partilha e esperança. O mundo enfrenta uma crise económica e social sem precedentes, aliada a uma busca sem precedentes de significado. A fraternidade, a generosidade e a esperança que o Santuário carrega há 162 anos nunca foi tão essencial”.
VN

14 julho, 2020

JMJ Lisboa 2023 - COL da JMJ Lisboa 2023 reuniu-se em Braga



O Comité Organizador Local (COL) da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa 2023, reuniu-se esta segunda-feira, em Braga, num dia de trabalho que tratou da recalendarização de atividades entretanto suspensas, por causa da pandemia. O encontro foi presidido pelos dois coordenadores-gerais da JMJ 2023, D. Américo Aguiar (setor logístico-operativo) e D. Joaquim Mendes (área pastoral), bispos auxiliares de Lisboa, e congregou 38 representantes diocesanos.

A pandemia de Covid-19 forçou ao adiamento da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2022 para 2023, decisão anunciada pelo Vaticano a 20 de abril. “Esta reunião dá sequência aos trabalhos que estão a ser desenvolvidos no âmbito de cada uma das Dioceses”, disse D. Américo Aguiar ao ‘Diário do Minho’.

Segundo o responsável, as novas datas são relativas à “apresentação do hino, do logotipo e ao acolhimento dos símbolos das Jornadas em Roma”, a cruz e o ícone, que deveria ter acontecido no último Domingo de Ramos. D. Américo Aguiar espera que no final do verão haja um hino e um logotipo preparados e que o acolhimento dos símbolos das Jornadas se realize por ocasião do Domingo de Cristo Rei, no dia 22 de novembro. “Depois, temos trabalhos diversos, no que diz respeito à área pastoral, seja dos subsídios de reflexão pastoral, seja na área da comunicação. Há muitos temas, nos quais vamos trabalhando, apesar de faltarem 3 anos e mais uns meses”, acrescentou.

Ecclesia
Foto: Diário do Minho

Patriarcado de Lisboa

13 julho, 2020

Santa Sofia. Igrejas ortodoxas: "Uma grande perda para os cristãos de todo o mundo"


Complexo monumemtal de Santa Sofia, em Istambul, volta a ser mesquita

Moscovo, Roménia, Chipre, Geórgia. O mundo ortodoxo reage duramente à decisão de transformar a Basílica de Santa Sofia em Istambul numa mesquita. “É uma grave perda para a ortodoxia mundial”, diz com veemencia o metropolita russo Hilarion. “Penso que a decisão tomada certamente influenciará as relações deste país com o mundo cristão. Mais vezes, inclusive nos últimos dias, ouvimos as vozes dos líderes cristãos que convidaram as autoridades turcas a não seguir adiante”. Mas elas não o fizeram 

Vatican News

O mundo ortodoxo reage duramente à decisão de transformar a Basílica de Santa Sofia em Istambul, na Turquia, numa mesquita. O anúncio de sexta-feira (10/07) foi feito pelo presidente turco Recep Tayyip Erdoğan após a decisão do Conselho de Estado turco de anular o status de museu da basílica.

No decreto, assinado por Erdoğan e publicado no seu perfil no Tuíter, lê-se: “Foi decidido que Santa Sofia será colocada sob a administração da Diyanet” (autoridade estatal para assuntos religiosos, que administra as mesquitas na Turquia), “e será reaberta à oração” islâmica a partir de sexta-feira, 24 de julho.

O Conselho de Estado turco anulou o decreto de 24 de novembro de 1934 do então presidente Mustafá Kemal Ataturk, que transformava Santa Sofia num museu. A decisão foi tomada por unanimidade, aceitando o recurso apresentado em 2016 por um pequeno grupo islâmico local, a Associação para a proteção de monumentos históricos e do meio ambiente. 
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Mundo ortodoxo reage duramente à decisão turca

As reações do mundo ortodoxo foram imediatas e muito duras. O primeiro a manifestar-se foi o Patriarcado de Moscovo. “Esperávamos que as autoridades turcas reconsiderassem esta decisão, mas com grande pesar e grande tristeza tomamos conhecimento de que ela foi tomada”, diz o metropolita Hilarion, presidente do Departamento das Relações Exteriores do Patriarcado de Moscovp, comentando a notícia numa entrevista concedida à “Rússia 24”.

A transformação de Santa Sofia em mesquita “é uma grave perda para a ortodoxia mundial”, porque para os cristãos ortodoxos do mundo inteiro a igreja de Santa Sofia assume o mesmo valor que a basílica “de São Pedro em Roma” tem para os católicos. “Este templo foi construído no Séc. VI e é dedicado a Cristo Salvador e para nós continua a ser um templo dedicado ao Salvador”.
“Penso – continua o número dois da Igreja ortodoxa russa – que a decisão tomada certamente influenciará as relações deste país com o mundo cristão. Mais vezes, inclusive nos últimos dias, ouvimos as vozes dos líderes cristãos que convidaram as autoridades turcas a não seguir adiante.”

Igrejas unidas em defesa do patriarcado de Constantinopla

Também o patriarca de Moscovo e de toda a Rússia, Kirill, tonha-se manifestado. Numa declaração publicada em 6 de julho, expressou preocupação com o destino de “uma das maiores obras-primas da cultura cristã”. Istambul é a sede do Patriarcado ecuménico de Constantinopla.

No comunicado, o patriarca russo lembra que mesmo recentemente houve períodos “por vezes bastante difíceis na história das relações entre a Rússia e Constantinopla”. Mas depois acrescenta: “No entanto, com amargura e indignação, o povo russo respondeu no passado e agora responde a qualquer tentativa de degradar ou espezinhar a herança espiritual milenar da Igreja de Constantinopla”.

As Igrejas Ortodoxas unem-se em defesa do Patriarcado ecuménico de Constantinopla. De facto, Bartolomeu I tinha tomado uma posição muito clara e sem precedentes contra o projeto de transformar Santa Sofia numa mesquita e numa declaração do 1º de julho lançou um apelo:

“A conversão de Santa Sofia numa mesquita decepcionaria milhões de cristãos no mundo”, disse ele, esconjurando a deriva de, no Séc. XXI, transformar Santa Sofia em “uma causa de confronto e conflito”. 

A situação é delicada

De Chipre, de acordo com o site de informações ortodoxas “Orthodox Times”, o arcebispo Chysostomos diz que não quer contactar com o patriarca ecuménico porque “os turcos estão a  monitorizar os nossos telefones”. Chysostomos diz que está preocupado porque “o patriarca ecuménico vive na Turquia e sabemos muito bem que cada pequena respiração que ele faz irrita os turcos”.
“Devemos proteger o Patriarca Ecuménico e não colocá-lo em apuros. A situação é delicada.”
O Patriarcado Georgiano também se manifesta. Num momento em que “a humanidade deve enfrentar muitos desafios globais, é muito importante manter e fortalecer as boas relações entre cristãos e muçulmanos”, lê-se num comunicado. 

Solidariedade com todos aqueles que defendem Santa Sofia

Por sua vez, o Patriarca Daniel, líder da Igreja ortodoxa da Roménia, enviou uma carta ao patriarca ecuménico Bartolomeu, para expressar apoio e reafirmar “a sua solidariedade com todos aqueles que defendem este símbolo da Igreja universal”.

As posições tomadas pelos governos grego e cipriota em relação à decisão da Turquia foram também muito duras. O ministro das Relações Exteriores de Chipre, Nikos Christodoulidis, ressalta num tuíte “a crescente e flagrante violação da Turquia das suas obrigações internacionais” com a modificação da designação de Santa Sofia, “um património mundial e um símbolo universal da fé ortodoxa”.

Por outro lado, o Ministro grego das Relações Exteriores, Nikos Dendias, anunciou no Tuíter: "Informei os meus colegas sobre a decisão provocadora da Turquia - contra o património cultural mundial e a UNESCO - de anular o decreto de Kemal Ataturk de 1934 para a proteção de Santa Sofia”.

(Agência Sir)

VN

12 julho, 2020

O Papa: penso em Santa Sofia e fico muito triste

 
 
Depois do Angelus desta manhã o Papa Francisco recordou as últimas notícias sobre Santa Sofia, em Istambul. Saudação aos marítmos no Dia Internacional do Mar
 
Jane Nogara - Vatican News

Depois do Angelus deste domingo, 12 de julho, o Papa Francisco expressou-se assim ao referir-se a Santa Sofia, em Istambul, que se tornou Mesquita:
“Penso em Santa Sofia e fico muito triste”
Seguidamente, o Papa recordou o Domingo do Mar:  fez uma saudação especial aos marítimos, todas as pessoas que trabalham no mar: em navios, pescadores e os seus familiares. 
“Neste segundo domingo de julho é o Dia Internacional do Mar. Estendo uma saudação afetuosa a todos aqueles que trabalham no mar, especialmente aqueles que estão longe dos seus entes queridos e seus país. Saúdo todos aqueles que se reuniram esta manhã no porto de Civitavecchia-Tarquinia para a celebração eucarística”
Nesta manhã (12/07) o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral através do seu prefeito, o Cardeal Peter K.A. Turkson, publicou a mensagem para o Domingo do Mar 2020. Juntamente com a mensagem foi publicada uma oração inspirada na Mensagem para o Domingo do Mar do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humao Integral.

VN