21 junho, 2014

Imensa multidão na Missa celebrada pelo Papa em Síbari, na conclusão da visita a Cassano


(RV) Uma imensa multidão participa, sob um sol tórrido, na esplanada de Síbari, a 15 Km de Cassano allo Jonio, na missa da solenidade do Corpo de Deus, presidida pelo Papa Francisco, na conclusão da sua viagem pastoral, neste sábado 21 de junho, a esta pequena diocese da Calábria, no sul de Itália.

Este o texto da homilia do Papa:

Na festa do Corpo de Deus celebramos Jesus “pão vivo descido do céu”(Jo, 6,51), alimento para a nossa fome de vida eterna, força para o nosso caminho. Agradeço o Senhor que hoje me dá a graça de celebrar o Corpus Domini convosco, irmãos e irmãs desta Igreja que está presente aqui em Cassano allo Jonio.
A de hoje, é a festa na qual a Igreja louva o Senhor pelo dom da Eucaristia. Enquanto na quinta-feira Santa celebramos a memória da sua instituição na Última Ceia, hoje predomina a acção de graças e a adoração. E, de facto, é tradiçaõ neste dia a procissão com o Santíssimo Sacramento. Adorare Jesus (na) Eucaristia e caminhar com Ele. Estes são os dois aspetos inseparáveis da festa de hoje , dois aspetos que marcam toda a vida do povo cristão: um povo que adora Deus e caminha com Ele.
Antes de mais nós somos um povo que adora Deus. Nós adoramos Deus que é amor, que em Jesus Cristo entregou Si próprio por nós, entregou-se para ser crucificado para espiar os nossos pecados e pela potência deste amor ressuscitou da morte e vive na sua Igreja. Nós não temos outro Deus a não ser este. Hoje o confessamos com o olhar dirigido ao Corpus Domini, ao Sacramento do altar. E para esta fé, nós renunciamos ao satanás e a todas as suas seduções; renunciamos aos ídolos do dinheiro, da vaidade, do orgulho e do poder. Nós cristãos não queremos adorar nada e ninguém neste mundo a não ser Jesus Cristo que está presente na santa Eucaristia. Talvés nem sempre dámo-nos conta profundamente do significado e das consequências que tem ou deveria ter esta nossa profissão de fé. Hoje pedimos ao Senhor que nos ilumine e nos converta, para que possamos adorar realmente só Ele e possamos renunciar ao mal em todas as usas formas.
Mas esta nossa fé na presença reale de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, no pão e no vinho consagrados é autêntica se nós nos empenharmos a caminhar atrás d’Ele e com Ele, procurando por em prática o seu mandamento, aquele que Ele deu aos seus discípulos na Última Ceia(...) O povo que adora Deus na Eucarestia é o povo que caminha na caridade.
Hoje, como Bispo de Roma, estou aqui para confirmar-vos nºao só na fé mas também na caridade, para acompanhar-vos e encorajar-vos no vosso caminho com Jesus Caridade. Quero exprimir o meu apoio ao Bispo, aos presbíteros e aos diáconos desta Igreja e também a “Eparchia de Lungo”, rica pela sua rtadição grega-bizantina. Mas estendo este meu apoio à todos os Pastores e féis da Igreja em Calábria , empenhada corajosamente na evangelização e em favorecer estilos de vida e iniciativas que ponham no centro as necessidades dos pobres e dos últimos. O mesmo também para as autoridades civis que procuram viver o empenho político e administrativo por aquilo que é: um serviço ao bem bem comum.
Encroajo todos a testemunhar a solidariedade concreta com os irmãos, especialmente aqueles que têm mais necessidade de justiça, de esperança, de “tenerezza”. Graças a Deus existem tantos sinais de esperança nas vossas famílias, nas parróquias, nas associações, nos movimentos eclesiais. O Senhor Jesus não cessa de suscitar gestos de caridade no seu povo em caminho! Um sinal concreto de esperança é o Projeto Policoro, para os jóvens que querem “mettersi in gioco” e criar possobilidades laborais para si e para os outros. Vós, caros jóvens, não vos deixeis roubar a esperança! Adoranmdo Jesus no vosso coração e permanecendo unidos n’Ele sabereis opor-vos ao mal, às injustiças,à violência com a força do bem, da verdade, e da beleza.
Caros irmãos e irmãs, a Eucarestia reuniu-nos juntos. O corpo do Senhor faz de nós uma só coisa, uma só família, o Povo de Deus reunido em torno de Jesus , Pão da vida. Aquilo que disse aos jovens digo-o à todos: se adorardes Cristo e caminhardes atrás d’Ele e com Ele, a vossa Igreja diocesana e as vossas parróquias crescerão na fé e na caridade, na alegria da evangelização. Sereis uma Igreja na qual país, mães, sacerdotes, religiosos, catequistas, crianças, idosos, jóvens, caminham uns ao lado do outro, se encorajam, se entreajudam, se amam como irmãos, especialmente nos momentos de dificuldades. Maria Mulher Eucarística, que vós venerais em tantos santuários, especialmente o Santuário de Castrovillani, vos preceda nesta peregrinação da fé. Que Ela vos ajude a permanecer sempre unidos para que tmabém por intermédio do vosso testemunho, o Senhor possa continuar a dar a vida ao mundo. 

Papa Francisco em visita pastoral a Cassano, Calábria, sul da Itália, encontra presos, doentes, crianças, padres, jovens, idosos


(RV) Papa Francisco encontra-se neste sábado na cidade de Cassano, na região da Calábria, no sul da Itália, zona marcada pelo fenómeno da Mafia. Tendo partido do Vaticano, de helicóptero, às 7h30 locais, chegou à localidade de Castrovillari uma hora e meia depois. Após um momento de acolhimento oficial no estádio da cidade, primeiro momento do programa foi a visita do Santo Padre à prisão local.

Na cordial saudação dirigida aos detidos, o Papa declarou ter querido realizar esta visita como primeiro ato da viagem de hoje para “exprimir a proximidade da Igreja a cada homem e mulher que se encontra preso, como disse Jesus “Estava na cadeia e fostes visitar-me”. Dirigindo-se às autoridades, o Papa sublinhou a necessidade de, para além do respeito devido a cada um dos detidos, tudo fazer para que a pena não seja apenas instrumento de punição mas se cuide da sua sucessiva reinserção social. Neste caminho, entra também o encontro com Deus, que nos ama e perdoa os nossos erros. O Senhor é um mestre de reinserção: toma-nos pela mão e reconduz-nos á comunidade social.
Já em Cassano all'Jonio, após nova breve deslocação de helicóptero, o Papa visitou os doentes do Centro Residencial ‘São José Moscati’. Ao meio-dia, encontrar-se-á com os padres desta pequena diocese, na Catedral de Cassano.
Francisco almoçará no Seminário “João Paulo I” com os pobres assistidos pela Cáritas Diocesana e com os jovens da comunidade residencial terapêutica Saman Mauro Rostagno. Às 14h30 Papa vai visitar os idosos da ‘Casa Serena’ de Cassano all'Jonio.
A Missa que encerra a viagem será celebrada na planície de Síbari, perto do mar, a partir das 16h. Regresso ao Vaticano duas horas depois.

20 junho, 2014

Perseguições religiosas atentam contra a razão e contra a paz e humilham a dignidade humana: Papa ao Congresso Internacional sobre liberdade religiosa

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(RV) “A liberdade religiosa segundo o direito internacional e o conflito global dos valores” foi o tema de um Congresso Internacional promovido em Roma pela Universidade (católica) LUMSA. Acolhendo no Vaticano os participantes nesta iniciativa, o Papa Francisco considerou “incompreensível e preocupante que, ainda hoje, subsistam no mundo discriminação e restrições de direitos, pelo simples facto de se pertencer e professar publicamente uma determinada fé”.

“É inaceitável que persistam até mesmo autênticas perseguições por motivos de pertença religiosa! Isto ofende a razão, atenta contra a paz e humilha a dignidade do homem!”

O Papa exprimiu o “grande sofrimento” que para ele representa “constatar que os cristãos são os que em maior número sofrem no mundo tais discriminações… Há hoje em dia mais cristãos mártires do que nos primeiros séculos da Igreja. E isto a mais de 1700 anos do Édito de Constantino, que concedia aos cristãos a liberdade de professar publicamente a sua fé!”

Na primeira parte da sua intervenção, sobre os fundamentos da liberdade religiosa, o Papa fez notar que a razão reconhece esta liberdade como “um direito fundamental que reflecte a mais elevada dignidade da pessoa – a de poder procurar a verdade, para a ela aderir, sublinhando que a liberdade religiosa não diz só respeito à liberdade de pensamento e de culto:
“É liberdade de viver – tanto privada como publicamente - segundo os princípios éticos consequentes com a verdade encontrada.”

Trata-se – considerou o Papa de “um grande desafio no mundo globalizado”, o qual “em nome de um falso conceito de tolerância acaba por perseguir aqueles que defendem a verdade sobre o homem e as suas consequências éticas”.
 

Jesus quer que o nosso coração seja livre do dinheiro, da vaidade e do poder – o Papa em Santa Marta

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(RV) Jesus quer que o nosso coração seja livre do dinheiro, da vaidade e do poder – esta a mensagem essencial da homilia do Papa Francisco em Santa Marta na Missa na manhã desta sexta-feira. Partindo do Evangelho do dia em que Jesus nos diz: “Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar” – o Papa Francisco desenvolveu a sua homilia deixando clara a diferença entre os tesouros luminosos que fazem o nosso coração ser livre de decidir e os tesouros terrenos que nos acorrentam o coração fazendo-o escravo das riquezas.
O Santo Padre declarou o amor, a paciência, o serviço aos outros e a adoração a Deus como sendo os tesouros luminosos que nos permitem ter um coração livre e apontou o dinheiro, a vaidade e o poder como os tesouros terrenos que nos roubam a liberdade escravizando o coração:

“ Aqui está a mensagem de Jesus. Se o teu tesouro está nas riquezas, na vaidade, no poder, no orgulho, o teu coração será acorrentado ali! O teu coração será escravo das riquezas da vaidade, do orgulho. E aquilo que Jesus quer é que nós tenhamos um coração livre. Esta é a mensagem de hoje. Por favor, tenham um coração livre, diz-nos Jesus. Fala-nos na liberdade do coração. E ter um coração livre pode-se ter apenas com os tesouros do céu: o amor, a paciência, o serviço aos outros, a adoração a Deus. Estas são as verdadeiras riquezas que não são roubadas. As outras riquezas pesam no coração, acorrentam-no, não lhe dão liberdade!”

Um coração escravo não é um coração luminoso – sublinhou o Papa Francisco – que considerou que um coração escravo dos tesouros da terra vive nas trevas e não vive na alegria e na liberdade. O Papa Francisco pediu ao Senhor que nos dê prudência espiritual para perceber que tesouro está ligado o nosso coração:

“Que o Senhor nos dê esta prudência espiritual, para perceber bem onde está o meu coração, a que tesouros está ligado o meu coração. E também nos dê a força de desacorrentá-lo, se estiver acorrentado, para que se torne livre, luminoso e nos dê esta bela felicidade dos filhos de Deus: aquela verdadeira liberdade.” (RS)

Não a qualquer tipo de droga! Sim à vida, ao amor, ao desporto, ao trabalho! - Papa à Conferência Mundial antidroga



(RV) “A droga não se vence com a droga! A droga é um mal, e com o mal não pode haver cedências ou compromissos”.

Não podia ser mais clara a posição do Papa, ao receber, esta manhã, os participantes na Conferência Internacional de Luta contra a Droga, um problema do nosso tempo “tão grave e complexo”. O Santo Padre fez votos de que esta Conferência possa alcançar os objectivos que se propôs: coordenar as políticas antidroga, partilhar as relativas informações e incrementar uma estratégia concreta visando contrastar o narcotráfico.
Dado que “o flagelo da droga continua a difundir-se com formas e dimensões impressionantes, alimentada por um mercado vergonhoso, que ultrapassa os confins nacionais e continentais, declarou o Papa Francisco, com preocupação:

“Deste modo, continua a crescer o perigo para os jovens e adolescentes. Perante tal fenómeno, sinto a necessidade de manifestar o meu sofrimento e preocupação”.

Papa Francisco declara-se contrário contra a legalização, mesmo parcial, das chamadas “drogas ligeiras”, considerando tal medida como mínimo discutível, no plano legislativo, para além de não ter produzido os efeitos que se esperava. Reforçou portanto a sua posição firme, já recentemente expressa, numa Audiência geral:

“Não a todo e qualquer tipo de droga! Simplesmente! Não a qualquer tipo de droga! Mas para dizer este não, há que dizer sim à vida, sim ao amor, sim aos outros, sim à educação, ao desporto, sim ao trabalho, sim a mais fontes de trabalho!”

E o Papa concluiu recordando que a Igreja, seguindo o mandamento de Jesus de ir ao encontro de todos os que sofrem ou estão encarcerados, não abandona os que caíram na espiral da droga; toma-os pela mão, para que possam redescobrir a sua própria dignidade e ressuscitar os próprios recursos e talentos pessoais.

Para além das audiências aos participantes nesta Conferência e no Congresso sobre Liberdade Religiosa, o Santo Padre recebeu, nesta manhã:
- Frei Matthew Festing, Grã Mestre da Soberana Ordem Militar de Malta, com o séquito;
- o Núncio Apostólico na Guatemala, o arcebispo D. Nicolas Henry Trevenin; e
- o arcebispo emérito de Puerto Montt (Chile), D. Savino Bertollo.

“O alimento que nos sacia é só aquele que nos dá o Senhor” – o Papa na Missa da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo

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(RV) No final da tarde desta quinta-feira, 19 de junho, o Papa Francisco presidiu à Missa da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, na Basílica Papal de S. João de Latrão, em Roma.
"O Senhor, teu Deus, (...) alimentou-te com o maná, que tu não conhecias" – disse o Papa Francisco no início da sua homilia citando uma passagem do Livro do Deuteronómio.
"Estas palavras de Moisés fazem referência à história de Israel, que Deus fez sair do Egito, da condição de escravidão, e por quarenta anos guiou-o no deserto para a terra prometida.” – afirmou o Santo Padre que declarou ainda que Moisés convida a voltar ao essencial, à experiência de total dependência de Deus, quando a sobrevivência foi colocada nas suas mãos, para que o homem compreenda que "não vive somente de pão, mas de tudo aquilo que vem da boca do Senhor".

“O convite é aquele de regressar ao essencial, à experiência da total dependência de Deus, quando a sobrevivência era confiada na sua mão, para que o homem compreendesse que não vive apenas do pão, mas… de quanto sai da boca do Senhor.”

Além da fome física o ser humano tem uma fome que não pode ser saciada com os alimentos normais de todos os dias: é a fome de vida, de amor e de eternidade. Jesus dá-nos esse alimento – afirmou o Papa Francisco – o seu Corpo é o verdadeiro alimento sob a espécie de pão e o seu Sangue é a verdadeira bebida sob a espécie do vinho. Este é o alimento que dá a “vida eterna” porque a sua “substância” é “o Amor”:

“Viver a experiência da fé significa deixar-se nutrir do Senhor e construir a própria existência não sob os bens materiais, mas sob a realidade que não termina: os dons de Deus, a sua Palavra e o seu Corpo.”

Mas existem outros alimentos – continuou o Santo Padre – que aparentemente nos satisfazem mais nutrindo-nos com o dinheiro, a vaidade, o poder e o orgulho. Mas, o alimento que nos nutre verdadeiramente e que nos sacia é apenas aquele que nos dá o Senhor – afirmou o Papa Francisco:

“Mas o alimento que nos nutre verdadeiramente e que nos sacia é apenas aquele que nos dá o Senhor! O alimento que nos oferece o Senhor é diferente dos outros e talvez não nos pareça tão gostoso como certas comidas que nos oferece o mundo. Então sonhamos outras refeições, como os hebreus no deserto, os quais tinham saudades da carne e das cebolas que comiam no Egito, mas esqueciam que aquelas refeições comiam-nas à mesa da escravidão.”

Naqueles momentos – sublinhou o Santo Padre – o povo de Deus tinha uma “memória doente” e exorta-nos a questionarmo-nos onde queremos comer: na mesa do Senhor ou na escravidão?
Chamando a atenção para a procissão com o Santíssimo Sacramento que se seguiu à Missa, o Papa Francisco afirmou que a Hóstia consagrada é o nosso maná mediante o qual o Senhor nos dá a si próprio:

“A Ele nos dirigimos com confiança: Jesus, defende-nos das tentações da comida mundana que nos torna escravos: é alimento envenenado; purifica a nossa memória, para que não fique prisioneira na seletividade egoísta e mundana, mas seja memória viva da sua presença ao longo da historia do seu povo, memória que se faz memorial do seu gesto de amor redentor.”

No final da Missa foi iniciada a procissão com o Santíssimo Sacramento da Basílica de S. João de Latrão até à de Santa Maria Maior, percorrendo a Rua Merulana. O Papa deslocou-se num carro coberto do Palácio Lateranense até à Praça de Santa Maria Maior permitindo, assim, que a atenção dos fiéis se orientasse para o Santíssimo Sacramento, exposto e levado em procissão. O Santo Padre acolheu a Procissão e deu a bênção solene. (RS)

19 junho, 2014

Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. Papa celebra Missa em São João de Latrão às 19 horas


(RV) Nesta quinta-feira, 19 de Junho, solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, o Papa Francisco celebra a Santa Missa às 19 horas no adro da Basílica de São João de Latrão, em Roma.

No final da Missa haverá a procissão com o Santíssimo Sacramento da Basílica de São João de Latrão até à de Santa Maria Maior, percorrendo a Rua Merulana que separa as duas Basílicas.

O Papa desloca-se de carro coberto do Palácio Lateranense até à Praça de Santa Maria Maior, onde acolherá a Procissão (que será guiada pelo Cardeal Vigário de Roma) para dar a bênção solene.

Com efeito, dados as suas próximas actividades empenhativas, nomeadamente a viagem a Cassano allo Jónio, na Calábria, o Papa Francisco considerou oportuno renunciar ao percurso a pé ao longo da Via Merulana. Prefere também evitar fazer o percurso em carro descoberto a fim de que, em sintonia com o espírito dessa celebração, a atenção dos fiéis se oriente para o Santíssimo Sacramento, exposto e levado em procissão.

18 junho, 2014

Igreja não é uma ONG, mas família aberta a toda a humanidade – Papa na audiência geral iniciou novo ciclo de catequeses

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(RV) Na audiência geral desta quarta-feira, dia 17 de junho, o Papa Francisco propôs o início de um novo ciclo de catequeses que terá como tema a Igreja:

“... hoje começo um ciclo de catequeses sobre a Igreja. É um pouco como um filho que fala da própria mãe, da própria família. A Igreja não é uma instituição com um fim em si própria ou uma ONG, nem muito menos se deve restringir ao clero e ao Vaticano... A Igreja é uma realidade mais ampla, que se abre a toda a humanidade e que não nasce num laboratório, improvisamente, do nada. É fundada em Jesus Cristo mas é um povo com uma história longa e uma preparação que tem início muito antes de Jesus.”

A Igreja foi fundada por Jesus Cristo, mas a sua preparação na história começou muito antes – sublinhou o Papa Francisco. Com Abraão, Deus dá início a um povo que levará a sua bênção a todas as famílias da terra. Um povo no qual nascerá Jesus. Mas, não é Abraão a tomar a iniciativa, mas sim Deus que dá vida a este povo:


“... não é Abraão a constituir à sua volta um povo. Normalmente era o homem a dirigir-se à divindade, procurando e invocando apoio e proteção. Neste caso, ao contrário, assiste-se a algo de inaudito: é o próprio Deus a tomar a iniciativa.”

Assim – continuou o Santo Padre - quem toma a iniciativa é Deus, que se dirige a Abraão convidando-o a entrar numa relação nova com Ele. Assim Deus forma um povo com todos aqueles que escutam a sua palavra e, confiados n’Ele, põem-se a caminho. Contudo – afirmou ainda o Santo Padre – quantas vezes fazemos experiência do nosso egoísmo e da dureza do nosso coração. Mas, se nos arrependermos Deus perdoa-nos com o seu amor:

“Quando, porém, reconhecemos o nosso pecado e nos voltamos para Deus, Ele enche-nos da sua misericórdia e do seu amor. É precisamente isto que nos faz crescer como povo de Deus, como Igreja: não é pela nossa habilidade, pelos nossos méritos, mas pela experiência que diariamente fazemos de quanto o Senhor nos quer bem e cuida de nós. “

O Papa Francisco concluiu a sua catequese pedindo a graça de permanecermos fieis a Jesus Cristo e à escuta da sua Palavra. Nas saudações aos peregrinos o Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, com menção especial à comunidade «Coccinella meninos da rua», do Brasil, e à «Associação Cultural Amor e Responsabilidade» das Caldas da Rainha. Esta visita a Roma vos ajude a estar prontos, como Abraão, a sair cada dia para a terra de Deus e do homem, revelando-vos uma bênção e um sinal do amor de Deus por todos os seus filhos. A Virgem Santa vos guie e proteja!”

No final da audiência o Papa Francisco lançou um apelo para o drama dos refugiados:

“Depois de amanhã, 20 de junho, ocorre o Dia Mundial do Refugiado, que a comunidade internacional dedica aos que são obrigados a deixar a sua própria terra para fugir dos conflitos e das perseguições. O número destes irmãos refugiados está a crescer e, nestes últimos dias, outros milhares de pessoas foram levadas a deixar as suas casas para se salvarem. Milhões de famílias refugiadas de tantos países e de todos os credos religiosos vivem nas suas histórias dramas e feridas que dificilmente poderão ser sanadas. Estejamos próximos delas, partilhando os seus medos e incertezas pelo seu futuro e aliviando concretamente os seus sofrimentos. O Senhor sustente as pessoas e as instituições que trabalham com generosidade para assegurar aos refugiados acolhimento e dignidade dando-lhes motivos de esperança.

Recordando que Jesus, com Maria e José, também foi refugiado, o Papa Francisco invocou a proteção de Nossa Senhora.

O Papa Francisco a todos deu a sua benção! (RS)

17 junho, 2014

D. Manuel Clemente apresenta Sínodo Diocesano de 2016

 


O Domingo da Santíssima Trindade em que se celebra o Dia da Igreja Diocesana, 15 de Junho, foi a data escolhida para marcar o inicio da caminhada sinodal que terá como lema: “O sonho missionário de chegar a todos” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium nº 31)

Durante as atividades que decorreram na Igreja da Boa Nova, no Estoril, o Patriarca de Lisboa apresentou aos diocesanos o programa pastoral “que a todos empenhará até ao final de 2016”, refere. Nesse encontro foram também entregues o calendário diocesano para o próximo ano pastoral (2014-2015), uma pagela com a oração do sínodo e um folheto “com a informação necessária sobre os objetivos e os métodos dessa caminhada” refere D. Manuel Clemente.
Os materiais estão disponíveis para download no final desta página e também podem ser obtidos em suporte papel a partir de terça feira, dia 17 de junho, na Livraria Nova Terra - Mosteiro de São Vicente de Fora.

“O sonho missionário de chegar a todos”
Papa Francisco, Evangelii Gaudium nº 31

- O que é um Sínodo?
A palavra tem origem no grego “synodos” e significa: caminho feito em conjunto. Foi traduzida para o latim como “concilium”, que quer dizer: assembleia.O Sínodo Diocesano é uma assembleia que reúne leigos, consagrados e sacerdotes dessa Igreja particular, escolhidos para auxiliar o Bispo Diocesano no exercício da sua função, para o bem de toda a comunidade cristã. É um caminho de reflexão, avaliação, renovação, planeamento e programação, feito em conjunto, com a participação de todos.

- O porquê de um Sínodo?
A inspiração para a realização de um Sínodo em Lisboa nasce como acolhimento e resposta à Exortação Apostólica do Papa Francisco, ‘A Alegria do Evangelho’ (publicada a 24 de novembro de 2013), um programa de missão geral e evangelizadora, em estreita sintonia com o processo de renovação da pastoral da Igreja em Portugal, a que fomos recentemente convidados.O Sínodo acontece no contexto da celebração dos três séculos sobre a qualificação patriarcal de Lisboa, que ocorrerá em novembro de 2016. A sua preparação, a começar já, envolve-nos a todos num processo de discernimento, purificação e reforma, que, como diz o Papa, “não pode deixar as coisas como estão”. Neste sentido, o nosso Bispo a todos quer escutar e convidar a vivermos em estado permanente de conversão e missão.

- A caminhada pré-sinodal
Se queremos mudar o mundo, comecemos por nós próprios, pelas nossas famílias, grupos cristãos, comunidades religiosas, movimentos, associações, paróquias, diocese... Enquanto caminhamos em comunhão rumo ao Sínodo, deixemo-nos interpelar-transformar por Jesus Cristo, pela Palavra de Deus e pelos sacramentos, pelos acontecimentos do nosso tempo e pelas pessoas em quem Jesus vem ao nosso encontro. Ousemos fazer uma revisão pessoal-comunitária de vida e deixarmo-nos abraçar por Deus e pela Igreja de Lisboa; dialoguemos, debatamos, aprofundemos sempre mais as razões da nossa fé e interpelemos o Sínodo com novas propostas para os seus desafios atuais; concelebremos a vida humana e a vida de Deus em nós, nos outros e na História; testemunhemos a alegria e a beleza de sermos discípulos e apóstolos de Jesus Cristo, hoje; comprometamo-nos com quem mais necessita na partilha de dons, competências e tempo; e… participemos, todos, neste itinerário.

- O que se pretende?
Tempo de oração: o “segredo” para que o Sínodo seja um autêntico evento de graça para a Igreja de Lisboa é a oração. Rezemos, desde já, pelos bons frutos do Sínodo;tempo de formação, reflexão e partilha: a partir de “A Alegria do Evangelho”, a Igreja de Lisboa é chamada a perscrutar os desafios pastorais atuais para que, em escuta e resposta à Palavra de Deus, à Igreja e ao Mundo, possa ser fiel, credível e próxima, hoje. Tempo de ensaio de iniciativas pastorais de âmbito missionário: «Ensaio de modos e meios de projeção missionária de cada comunidade – paróquias, institutos, famílias e todas as formas agregativas da vida cristã –, local a local, ambiente a ambiente, processo a processo». (D. Manuel Clemente, homilia da Missa Crismal, 2014)

- Metodologia
No início de cada trimestre receberemos um guião que orientará a nossa caminhada sinodal e constará de oração, leitura e reflexão pessoal, diálogo comunitário, compromisso e celebração. Em cada etapa (trimestre), após o trabalho pessoal, somos convidados a reunirmo-nos em grupo (existente ou a constituir para o efeito)  para a oração, o estudo, a partilha e a missão. Procuremos envolver todas as “forças vivas” do Patriarcado de Lisboa: comunidades paroquiais, institutos de vida consagrada e sociedades de vida apostólica, movimentos, associações e grupos eclesiais, institutos de formação e educação (seminários, universidades e escolas), famílias, instituições… No final de cada etapa, cada grupo enviará o contributo da sua reflexão e ensaio para o Secretariado do Sínodo. Este tratará toda a informação e preparará o documento de trabalho ou “Instrumentum Laboris” para a Assembleia Sinodal.Cada etapa deste caminho culminará num momento alto do ano litúrgico e pastoral: o 1.º trimestre conduzir-nos-á ao Natal; o 2.º, à Páscoa; o 3.º, no final do ano pastoral, congregar-nos-á no Dia da Igreja Diocesana. Localmente, e para marcar o ritmo sinodal, cada comunidade pode enriquecer esta caminhada da seguinte forma: ensaiando novas formas de missão e valorizando celebrações e eventos significativos.

- As etapas

A caminhada de preparação para o Sínodo decorrerá ao longo dos próximos dois anos pastorais: 2014-15 e 2015-16.  Em cada trimestre seremos conduzidos por um dos capítulos da Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho”

De set. a dez. de 2014
“A transformação missionária da Igreja”

De jan. a mar. de 2015
“Na crise do compromisso comunitário”

De abr. a jun. de 2015
“O anúncio do Evangelho”

De set. a dez. de 2015
“A dimensão social da evangelização”

De jan. a mar. de 2016
“Evangelizadores com Espírito”

No último trimestre do ano pastoral 2016 (de abril a junho) construir-se-á o documento de trabalho sinodal [“Instrumentum Laboris”], a partir das reflexões feitas nos trimestres anteriores.Toda esta caminhada guiar-nos-á à Assembleia Sinodal, que se realizará em novembro de 2016. 


 

Isenção e prudência, virtudes do Juiz: Papa Francisco ao Conselho Superior da Magistratura

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(RV) Recebendo, ao fim da manhã, nesta terça-feira, 17, no Vaticano, 280 membros do Conselho Superior da Magistratura Italiana, Papa Francisco reconheceu que a tarefa a eles confiada ao serviço da nação é fundamental para o bom funcionamento de um setor vital da convivência social. Exprimiu, pois, a sua “estima e encorajamento” pelas pessoas “envolvidas neste setor com consciência limpa e com profundo senso de responsabilidade jurídica e cívica.”

Evocando o “aspeto ético” da tarefa do magistrado, “trabalho importante e delicado”, o Santo Padre recordou a objetividade e prudência indispensáveis “para manter uma imparcialidade incontestável; para discernir com objetividade e prudência, baseando-se unicamente na justa norma jurídica e, sobretudo, para responder à voz de uma consciência infalível, alicerçada sobre valores fundamentais”.
“A independência do magistrado e a objetividade do julgamento necessitam de uma atenta e pontual aplicação das leis vigentes. A certeza do direito e o equilíbrio dos diversos poderes de uma sociedade democrática encontram a sua síntese no princípio da legalidade através da qual o juiz opera.”

Papa Francisco prosseguiu, enaltecendo as principais qualidades que um magistrado deve ter e a importância de seu papel na sociedade:
“Entre todas as qualidades, a que é dominante, específica do magistrado, é a prudência: uma virtude que leva a ponderar com serenidade as razões de direito e de facto que devem estar na base do juízo.”

Terá mais prudência se tiver um elevado equilíbrio interior, capaz de dominar as pressões provenientes do próprio caráter, das próprias visões pessoais, das próprias convicções ideológicas.” A concluir, Papa Francisco observou ainda que os juízes se devem esforçar por ser um exemplo de integridade moral:
“A sociedade italiana espera muito da magistratura, especialmente no contexto actual, caracterizado, entre outros, por um empobrecimento dos valores e pela evolução das estruturas democráticas. Empenhai-vos em não desiludir as legítimas expectativas das pessoas. Esforçai-vos por ser cada vez mais um exemplo de integridade moral para toda sociedade”.

SER "ANDRÉ"!

 
 
 
 
«André, o irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João e seguiram Jesus. Encontrou primeiro o seu irmão Simão, e disse-lhe: «Encontrámos o Messias!» - que quer dizer Cristo. E levou-o até Jesus. Fixando nele o olhar, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, o filho de João. Hás-de chamar-te Cefas» - que significa Pedra.» Jo 1, 40-42
Sempre ouvimos dizer que os primeiros catequistas devem ser os pais, que a primeira catequese tem que ser em casa, que a família deve rezar unida e deve dar testemunho aos vindouros, para que também eles encontrem o Deus que nos chama ao seu amor.
André, alertado por João Baptista seguiu Jesus, e encontrando o seu irmão Simão Pedro, logo lhe deu a Boa Nova e o levou a Jesus.
A frase, simples e concisa, é terna e tocante: «E levou-o até Jesus.»
Não o levou “a” Jesus, mas sim, levou-o ”até” Jesus!
Mostrou-lhe Jesus, fê-lo encontrar-se com Jesus, e, a partir daí, tudo passou a ser entre Jesus e Simão Pedro.
André reconhece o Messias, o Senhor, e é esse acreditar que ele transmite ao seu irmão, levando-o ao encontro d’Aquele que é objecto da sua fé.
A partir daqui, Pedro encontra Jesus, e tendo Jesus fixado nele o seu olhar, Pedro deixa-se conduzir até à missão que Ele há-de colocar sobre os seus ombros!
E nós, que um dia começámos a seguir Jesus, como pais, como irmãos, como parentes, também damos a Boa Nova aos da nossa casa?
Também os levamos até Jesus?
Também testemunhamos com palavras, com actos, com a nossa vida, a nossa fé em Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador?
Sejamos então, todos e cada um de nós, “André”, para aqueles que se cruzam nas nossas vidas, começando por aqueles que o Senhor nos deu como família.

Monte Real, 17 de Junho de 2014
Joaquim Mexia Alves

Os corruptos matam, a única saída é o arrependimento – o Papa em Santa Marta

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(RV) Os corruptos matam e a única saída possível é o arrependimento – esta a mensagem fundamental da homilia do Papa Francisco na Missa em Santa Marta na manhã desta terça-feira. Partindo da Leitura do Livro dos Reis o Santo Padre anota o que diz o profeta Elias sobre o rei Acab dizendo que ele vendeu-se. É como se tornasse numa mercadoria – afirmou o Papa Francisco:

“Esta é a definição: é uma mercadoria!... Ontem vimos que haviam três tipos: o corrupto político, o corrupto negociante e o corrupto eclesiástico. Os três faziam mal aos inocentes, aos pobres, porque são os pobres que pagam a festa dos corruptos!”

“O corrupto vende-se para fazer o mal, julgando que apenas o faz para ter mais dinheiro”. “O corrupto é um escândalo para a sociedade, é um escândalo para o povo de Deus” – com estas frases fortes e duras o Papa Francisco apresentou três aspetos que definem o corrupto:

“A primeira coisa na definição de corrupto é que é alguém que rouba, alguém que mata. A segunda coisa: o que acontece aos corruptos? ...porque exploraram os inocentes, aqueles que não podem defender-se e fizeram-no com luvas brancas, à distância, sem sujarem as mãos. A terceira coisa: há uma saída para os corruptos? Sim! ‘Quando ouviu tais palavras, Acab rasgou as suas vestes e vestiu um saco sobre o seu corpo e jejuou’... Começou a fazer penitência.”

Na conclusão da sua homilia o Papa Francisco evidenciou que a única saída para um corrupto é pedir perdão, tal como fez Zaqueu, restituindo quatro vezes daquilo que roubou. O Papa Francisco disse ainda que quando lemos nos jornais que esta ou aquela pessoa é corrupta mesmo até quando são prelados da Igreja, devemos rezar por eles e pedir ao Senhor para que se arrependam e se convertam “e que não morram com o coração corrupto”. (RS)

O Papa na abertura do Congresso Diocesano de Roma: sonho uma Igreja mãe que sabe abraçar e acolher os seus filhos


(RV) Os ritmos da vida quotidiana, o cansaço do trabalho e da educação esmagam as pessoas. Isso vale na sociedade, mas também na Igreja, e também na Igreja se corre o risco de encontrar-se diante de uma geração de "órfãos".

O Papa pediu às paróquias que estudem este aspecto de "orfandade", como para fazer recuperar a memória de família, estudar de modo que nas paróquias haja a memória. O Santo Padre o fez ao abrir o Congresso Diocesano de Roma, reflectindo sobre o conceito de evangelização expresso por Paulo VI na Evangelii nuntiandi e sobre o de Igreja que não faz proselitismo, mas que "atrai", conceito expresso e recomendado por Bento XVI ("a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração").

Falando em grande parte de modo espontâneo, ou seja, sem texto, Francisco disse que em numerosas cartas que recebe todos os dias – contou – leio relatos "de muitos homens e mulheres que se sentem desorientados porque a vida é muitas vezes cansativa e não se consegue encontrar o seu sentido e valor, por demais corrida, e imagino quanto é confusa a jornada de um pai e de uma mãe que se levantam cedo, acompanham os filhos à escola e depois vão trabalhar muitas vezes em lugares repletos de conflitos".

O Papa Bergoglio contou que quando era Arcebispo de Buenos Aires e conseguia falar com mais frequência com os jovens, deu-se conta de que eles sofrem de orfandade, "nossas crianças e jovens sofrem de orfandade – reiterou –, creio que o mesmo aconteça em Roma. Os jovens são órfãos de um caminho seguro para percorrer, de um mestre, de ideais que aqueçam o coração, de esperanças que sustentem a faina quotidiana. São órfãos, mas conservam o desejo de tudo isso", frisou.

"Essa é a sociedade dos órfãos, sem memória de família porque, por exemplo, os avós são levados para casas de repouso, sem afecto de hoje, ou um afecto muito veloz, pai e mãe estão cansados e vão dormir e eles ficam cansados, órfãos de gratuidade, daquela gratuidade do pai e da mãe que sabem perder tempo brincando com os filhos. Precisamos do sentido da gratuidade nas famílias e nas paróquias.

O Papa Francisco disse ainda que "a Igreja deve tornar-se mãe, não uma ONG bem organizada". "Se a Igreja não é mãe, não é fecunda e se torna solteirona" – disse. A sua identidade é evangelizar, ou seja, fazer filhos". "A fecundidade é a graça que devemos pedir ao Espírito Santo. Não é ir buscar proselitismo". A Igreja "não cresce por proselitismo, mas por atracção materna, por testemunho que gera filhos", reiterou.

Hoje a "mãe Igreja envelheceu um pouco, não digamos que é avó, mas devemos rejuvenescê-la, não levá-la ao médico que faz maquiagem. A Igreja torna-se jovem quando é capaz de fazer filhos".

16 junho, 2014

Intolerável que os mercados financeiros governem os destinos dos povos: Papa a Congresso do Conselho Justiça e Paz

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(RV)
O Papa Francisco recebeu em audiência ao fim da manhã desta segunda-feira os participantes no Congresso “Investing for the Poor” (‘investir para os pobres’), organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, como contribuição na busca de vias actuais e praticáveis para uma maior equidade social. Nas palavras que lhes dirigiu, o Papa elogia antes de tudo esta iniciativa de investimento responsável e de solidariedade com os pobres e excluídos, que estuda formas inovadoras de investimento que possam trazer benefícios às comunidades locais e ao meio ambiente, para além de um lucro justo.

De facto, o ‘Impact Investor’ configura-se como um investidor consciente da existência de graves situações de iniquidade, profundas desigualdades sociais e dolorosas condições de desvantagem enfrentadas por inteiras populações. Refere-se sobretudo a institutos financeiros que utilizam os recursos para promover o desenvolvimento económico e social das populações pobres, com fundos de investimento destinados a satisfazer necessidades básicas relacionadas com a agricultura, acesso à água, possibilidade de dispor de alojamentos dignos e a preços acessíveis, bem como serviços básicos de saúde e educação.

Além disso, estes investimentos pretendem produzir um impacto social positivo para as populações locais, tais como a criação de postos de trabalho, o acesso à energia, a educação e o crescimento da produtividade agrícola e os retornos financeiros para os investidores são mais baixos em relação a outras tipologias de investimentos. Observou o Papa:


A lógica que impulsiona estas formas inovadoras de intervenção é aquela que "reconhece a ligação original entre lucro e solidariedade, a existência de uma circularidade fecunda entre ganho e dom ... A tarefa dos cristãos é redescobrir, viver e anunciar a todos esta preciosa e originária unidade entre lucro e solidariedade. Quanto o mundo contemporâneo precisa de redescobrir esta bela verdade!

O Santo Padre considerou “importante que a ética reencontre o seu espaço na finança e que os mercados se coloquem ao serviço dos interesses dos povos e do bem comum da humanidade.
Não podemos tolerar por mais tempo que sejam os mercados financeiros a governar o destino dos povos, em vez de servir as necessidades destes, ou que alguns poucos prosperem recorrendo à especulação financeira, enquanto que muitos sofrem gravemente as consequências.
“A inovação tecnológica – fez notar o Papa - aumentou a velocidade das transacções financeiras, mas esse aumento só encontra sentido na medida em que se demonstra capaz de melhorar a capacidade de servir o bem comum”.

Em particular a especulação sobre os preços alimentares é um escândalo que tem graves consequências para o acesso dos mais pobres à alimentação. É urgente que os Governos de todo o mundo se empenhem em desenvolver um quadro internacional susceptível de promover o mercado do investimento com elevado impacto social, de modo a contrastar a economia da exclusão e do descarte.

Foto: Papa saudado pelo cardeal Turkson, Presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, promotor do Congresso

Reforçar o empenho pela grande causa da reconciliação: Papa ao Arcebispo de Cantuária

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(RV) Recebendo esta manhã o arcebispo de Cantuária, Primaz da Comunhão Anglicana, Justin Welby (foto), acompanhado de uma delegação, o Papa Francisco declarou pedir ao Senhor que este encontro “contribua para reforçar os nossos elos de amizade e o nosso empenho pela grande causa da reconciliação e da comunhão entre os crentes em Cristo”.
O Papa evocou a pergunta de Jesus aos seus discípulos – “Que vínheis vós a discutir pelo caminho?” – observando que ter que confessar que se tratava de ver quem era o maior, grande é a confusão de ver a distância existente entre a chamada do Senhor e a nossa pobre resposta. “Não podemos fazer de conta que que a nossa divisão não é um escândalo ao anúncio do Evangelho ao mundo”.

Muitas vezes a nossa vista está ofuscada pelo peso causado pela história das nossas divisões. A nossa vontade nem sempre está isenta daquela ambição humana que por vezes acompanha até mesmo o nosso desejo de anunciar o Evangelho segundo o mandamento do Senhor.
A meta da plena unidade pode parecer um objectivo distante e contudo permanece sempre a meta para a qual devemos orientar cada passo do caminho ecuménico que estamos a percorrer conjuntamente.

O Papa recordou o que ensina o Concílio Vaticano II: que o progresso em direcção à plena união não é mero resultado das nossas acções humanas, mas sim dom de Deus. Há pois que confiar na potência do Espírito Santo, que nos anima e conduz.
Neste contexto, Francisco evocou as “muitas testemunhas”, os “grandes santos”, “mestres e comunidades que nos transmitiram a fé ao longo dos séculos e nos atestam as nossas raízes comuns, a partir de Agostinho de Cantuária, monge enviado de Roma, com outros companheiros, pelo Papa Gregório Magno, a evangelizar os povos da Inglaterra, dando origem a uma história de fé e santidade da qual haveriam de beneficiar depois muitas outras populações europeias.

A concluir o Papa aludiu às preocupações e ao sofrimento que compartilha com o Arcebispo de Cantuária, perante os males que afligem a família humana, nomeadamente a praga do tráfico de seres humanos e as várias formas modernas de escravatura.

Empenhamo-nos em perseverar na luta contra as novas formas de escravidão, confiando em poder contribuir para aliviar as vítimas e contrastar este trágico comércio, Como discípulos enviados a curar o mundo ferido, dou graças a Deus que nos tornou capazes de fazer frente comum, com perseverança e determinação, contra esta gravíssima praga”.

Papa à Comunidade de Santo Egídio - Em frente, por este caminho: oração, pobres, paz

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(RV) O Papa Francisco visitou neste domingo à tarde a Comunidade de Santo Egídio, no popular bairro romano de Trastevere, dedicando especial atenção aos pobres e imigrantes que ali encontraram apoio , incluindo alguns desembarcados em Lampedusa. O Papa falou numa Europa “cansada”, que perdeu a memória das suas raízes, descurando os mais frágeis.

Partindo da Praça São Calisto, Francisco dirigiu-se a pé até a Praça de Santa Maria cumprimentando e abençoando os presentes, antes de ser saudado pelo fundador da Comunidade de Santo Egídio, Andrea Riccardi, e rezar em silêncio diante de um ícone de Nossa Senhora, numa capela lateral. Presente o arcebispo siro-ortodoxo de Damasco, Jean Kawak, que evocou o drama vivido na Síria, “país mergulhado numa grande e longa noite” e onde o povo “é prisioneiro do mal”.

O programa do encontro incluiu, depois, testemunhos de um refugiado, de um cigano, de um deficiente, de um jovem e de uma idosa, de diferentes proveniências e religiões.

“No meio de vós confunde-se quem ajuda e quem é ajudado. Quem é o protagonista? Os dois, ou melhor, o abraço”, comentou o Papa, encorajando a Comunidade a prosseguir no caminho da “oração, dos pobres e da paz”, para fazer crescer a “compaixão no coração da sociedade, porque esta é a verdadeira revolução”.

No final de um momento de oração na basílica de Santa Maria em Trastevere, antes de se deslocar à sede história da Comunidade, junto da vizinha igreja de Santo Egídio, Francisco pediu de novo:

“Rezem muito, temos necessidade de oração no mundo: pela paz, há muita gente que não tem o necessário para viver. Todos os meses, muitas famílias não podem pagar a renda e têm de ir embora. Para onde? Só Deus sabe… Por estes novos pobres, rezar pelos povos que estão em guerra, está bem?"

Ao entrar na Basílica de Santa Maria em Trastevere, o Papa tinha sido saudado por uma delegação da comunidade judaica da capital italiana, presidida pelo Rabino Chefe, que lhe exprimiu o convite oficial para visitar a Sinagoga de Roma, na sequência das visitas de João Paulo II, em 1986, e de Bento XVI em 2009.

15 junho, 2014

Homilia de D. Manuel Clemente no Dia da Igreja Diocesana - Igreja da Boa Nova, Estoril

 


Apelo para o Iraque e viagem à Tirana: o Papa durante o Angelus


(RV) Na sua reflexão antes da oração mariana do Angelus o Papa Francisco falou da Santíssima Trindade, que a Igreja celebra neste domingo, uma solenidade que nos apresenta a vida divina do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e que é, disse, uma vida de comunhão profunda e de amor perfeito, origem e meta de todo o universo e de toda a criação. E o Papa continuou sublinhando que a Trindade é o modelo da Igreja, na qual somos chamados a amar-nos uns aos outros como Jesus nos amou, pois o amor é o sinal concreto que manifesta a nossa fé em Deus e o emblema do cristão, como nos disse Jesus: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros".

Todos nós somos chamados a testemunhar e proclamar a mensagem de que "Deus é amor", que Deus não está distante ou indiferente às nossas questões humanas. Ele está perto de nós, está sempre ao nosso lado, caminha connosco para partilhar as nossas alegrias e as nossas dores, as nossas esperanças e as nossas canseiras. Ele nos ama tanto que se fez carne, veio ao mundo, não para julga-lo, mas para que o mundo seja salvo por meio de Jesus.

Em seguida o Papa falou do Espírito Santo, dom de Jesus ressuscitado, e que nos comunica a vida divina e nos faz entrar, portanto, no dinamismo da Trindade, que é um dinamismo de amor, comunhão, serviço recíproco, e partilha. E reiterou:

Uma pessoa que ama os outros pela própria alegria de amar é um reflexo da Trindade. Uma família em que os membros se amam e se ajudam mutuamente é um reflexo da Trindade. Uma paróquia em que as pessoas se querem bem e partilham os bens espirituais e materiais é um reflexo da Trindade.
E o amor verdadeiro não tem limites – continuou o Papa - mas sabe limitar-se, para ir ao encontro do outro, para respeitar a liberdade do outro, e este amor da Trindade habita na Eucaristia:

A Eucaristia é como a "sarça ardente", na qual humildemente habita e se comunica a Trindade; por isso a Igreja colocou a festa do Corpo de Deus depois da festa da Trindade. Na próxima quinta-feira, segundo a tradição romana, vamos celebrar a santa Missa em São João de Latrão e, em seguida, faremos a procissão com o Santíssimo Sacramento. Convido os romanos e os peregrinos a participar para exprimirmos o nosso desejo de ser um povo "reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Vos espero a todos na quinta-feira, às 19h.
E o Papa convidou a todos a invocar a Virgem Maria, criatura perfeita da Trindade, para que nos ajude a fazer de toda a nossa vida um hino de louvor ao Deus Amor.


Depois do Angelus Papa Francisco dirigiu um pensamento particular para o Iraque:

Sigo com profunda preocupação os acontecimentos destes últimos dias no Iraque. Convido a todos vós a se unirem à minha oração pela querida nação do Iraque, sobretudo pelas vítimas e para aqueles que mais sofrem com as consequências da crescente onda de violência, e em particular para as muitas pessoas, incluindo muitos cristãos, que tiveram de deixar as suas casas. Desejo para toda a população a segurança, a paz e um futuro de reconciliação e justiça, onde todos os iraquianos, independentemente da sua filiação religiosa, possam construir juntos a sua pátria, e fazer dela um modelo de convivência.
E com todos rezou uma Ave Maria para o povo iraquiano.
Em seguida o Papa anunciou a sua próxima viagem à Albânia:


Quero hoje anunciar que, aceitando o convite dos Bispos e das Autoridades civis da Albânia, tenciono ir para Tirana no Domingo 21 de Setembro próximo. Com esta breve viagem desejo confirmar na fé a Igreja na Albânia e testemunhar o meu encorajamento a um país que sofreu por muito tempo como consequência das ideologias do passado.
Em seguida o Papa saudou a todos peregrinos presentes na Praça S. Pedro, grupos religiosos, famílias e associações, em particular aos militares da Colômbia, os fiéis vindos de Taiwan e Hong Kong, Ávila e La Rioja (Espanha), de Venado Tuerto (Argentina), de Cagliari, Albino, Vignola, Lucca e Battipaglia. O Santo Padre saudou de modo particular o Movimento Pro Sanctitate, no centenário do nascimento do seu fundador, o Servo de Deus Guglielmo Giaquinta, encorajando a todos a empenhar-se com alegria no apostolado da santidade.
E por último o Papa dirigiu um pensamento especial as colaboradoras e auxiliares domésticas, que provêm de várias partes do mundo e desempenham um serviço precioso nas famílias, especialmente para apoiar as pessoas idosas e não auto-suficientes, recordando que muitas não valorizamos com justiça o grande trabalho que elas realizam nas famílias.

E, como habitualmente, Papa Francisco se despediu desejando a todos um bom domingo e um bom almoço.

14 junho, 2014

Homilia de D. José Traquina na peregrinação aniversária ao Santuário de Fátima (13 de Junho)

Luís de Oliveira. Santuário de Fátima


Irmãos e irmãs 

O Santuário de Fátima tem como tema para este mês de Junho uma frase do profeta Habacuc: “Até quando clamarei”. “Até quando, Senhor, pedirei socorro sem que me escutes” (1,2). É assim que começa o livro daquele profeta.
Esta frase aborda a questão do silêncio de Deus perante o sofrimento humano. No silêncio e na solidão de uma experiência de sofrimento, o homem interroga-se “por quê?” e “para quê?”. Muitos, pelo sofrimento, afastaram-se de Deus e outros curiosamente aproximaram-se e descobriram a graça de Deus no meio da desgraça humana.
O sofrimento e a doença, experiência universal do ser humano, contrariam o desejo de viver, ofuscam a beleza da vida e são facilmente interpretados como uma inutilidade. 
Jesus não veio dar respostas às dúvidas sobre o sofrimento, veio antes colocar-se ao lado da pessoa que sofre. Na 1ª Leitura, ouvimos o Profetas Isaías e sabemos como Jesus, na sinagoga de Nazaré, se serviu deste texto para definir a sua vocação e missão: anunciar a boa nova aos infelizes, curar os corações atribulados, proclamar a redenção aos cativos, consolar todos os aflitos.
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O Senhor Jesus considerou os doentes na primeira linha da sua dedicação. “A sua compaixão para com os doentes e as suas numerosas curas de enfermos de toda a espécie são um sinal claro de que ‘Deus visitou o seu Povo’ e de que o reino de Deus está próximo. Jesus tem poder não somente para curar, mas também para perdoar os pecados: veio curar o homem na sua totalidade, alma e corpo. A sua compaixão para com todos os que sofrem vai ao ponto de identificar-se com eles: ‘Estive doente e visitaste-Me’ (Mt 25,36). E finalmente doou a vida, fazendo a experiência do sofrimento e da morte. 
Irmãos e irmãs, a vinda Jesus ao mundo veio trazer uma nova consideração e sentido da vida e uma nova leitura acerca do sofrimento. Com Jesus, o doente deixa de ser um amaldiçoado para ser um querido de Deus. A doença deixa de ser interpretada como um castigo para ser vista como uma oportunidade de revelar a glória de Deus. O doente deixa de ser considerado como fora da comunhão dos familiares para ser considerado o mais amado entre todos. A parábola do bom samaritano revela como Jesus supera todas barreiras culturais para valorizar a atenção ao homem caído no caminho da vida, seja ele quem for. 
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Aos seus dois discípulos desiludidos a caminho de Emaús, Jesus Ressuscitado diz-lhes: “Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas tinham anunciado! Não tinha o Messias de sofrer estas coisas para entrar na sua glória?” (Lc 24,25-26). Apesar dos sofrimentos de Jesus terem sido causados pelas forças das trevas, Ele fala dos seus sofrimentos e da morte como necessários para entrar na sua glória. 
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Escreveu o Papa João Paulo II: “Torna-se fonte de alegria o superar o sentimento da inutilidade do sofrimento, sensação que, por vezes, está profundamente arreigada no sofrimento humano; e isto, não só desgasta o homem por dentro, mas parece fazer dele um peso para os outros. O homem sente-se condenado a receber ajuda e assistência da parte dos outros e, ao mesmo tempo, considera-se a si mesmo inútil. A descoberta do sentido salvífico do sofrimento em união com Cristo transforma esta sensação deprimente. A fé na participação nos sofrimentos de Cristo traz consigo a certeza interior de que o homem que sofre «completa o que falta aos sofrimentos do mesmo Cristo», e de que, na dimensão espiritual da obra da Redenção, serve, como Cristo, para a salvação dos seus irmãos e irmãs. Portanto, não só é útil aos outros, mas presta-lhes ainda um serviço insubstituível.” (Salvifici Doloris 27) 
Ou seja, o doente com fé, oferece-se, doa-se, entrega-se. Através do sofrimento e unido a Cristo, ele cumpre uma missão de paz e de salvação. Ainda que dependente de todos, a sua existência não é inútil.
Um dos Sacramentos da Igreja é o Sacramento da Unção dos Enfermos. E é importante a celebração deste sacramento para quando o doente está consciente da sua situação. Através deste Sacramento, o doente recebe consolo, paz e ânimo para vencer as dificuldades próprias da enfermidade. É uma graça do Espírito Santo que renova a confiança e a fé em Deus e leva o doente a sentir-se consagrado e configurado com Cristo sofredor e redentor. 
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Na experiência da celebração do Sacramento da Unção dos Enfermos, não raras vezes damo-nos conta do efeito libertador que o doente experimenta por sentir que o Senhor Jesus está com ele. E muitas vezes trazemos do doente o seu testemunho de alegria e de paz por saber que não é esquecido nem por Cristo nem pela comunidade cristã.
Um cristão no mundo não é uma pessoa com mais sorte ou protegida por qualquer escudo invisível. O cristão, que vive da Fé, isso sim, pode sentir-se um privilegiado pelo dom que tem consigo mas vive da esperança e expressa a sua Fé no amor aos irmãos. Portanto, está sujeito a tribulações e é isso que ouvimos de São Paulo na 2ª Leitura: “Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de Misericórdia e Deus de toda a consolação. Ele nos conforta em todas as tribulações, para podermos consolar aqueles que estão atribulados” (2 Cor 1,3)
Temos aqui definida, muito claramente, uma dimensão da nossa vida cristã: Bendizer a Deus, reconhecê-lo como Pai de bondade e misericórdia, receber d’Ele toda a consolação pela Fé em Cristo Ressuscitado e dar testemunho, confortando aqueles que estão atribulados. Ou seja, em todas as circunstâncias viver no Amor de Deus, amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou. 
O individualismo, a autonomia pessoal, a luta pela independência, enfim, o desejo de viver sem necessitar de ninguém, é erro de vida e pecado. Na verdade, o homem não foi criado para viver sozinho. O Evangelho ensina-nos a buscarmos a felicidade na dependência de Deus e uns dos outros. “Bem- aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus” (Mt 5, 3). Quem são estes bem-aventurados? São os que não se reconhecem donos de coisa alguma. São os que reconhecem a própria vida como um dom de Deus. São os que não vivem devorados pelo desejo imoderado de possuir. 
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Não são felizes porque choram mas porque Deus será a sua consolação e essa é a missão de Jesus conforme declara na sinagoga de Nazaré. E quais são os que choram e necessitam de consolação? São os que vivem em profunda solidão, os que não se sentem amados por ninguém, os que são vítimas de injustiças, os que vivem com uma doença incurável, entre outros. 
Nossa Senhora, que sofreu em seu coração o martírio de Cristo, tornou-se também Mãe da Igreja, porque foi constituída mãe de todos os discípulos de seu Filho. Por isso, nós a evocamos como Mãe e recebemos dela a Consolação materna para as nossas muitas situações de sofrimento, de dúvida e de fragilidade.
Conta a Irmã Lúcia nas suas Memórias que na Aparição de 13 de Junho, pediu a Nossa Senhora a cura de um doente. E a resposta foi: “Se se converter, curar-se-á durante o ano”. Ou seja: há uma “cura” e uma consolação para quem crê no Senhor. 
Que Nossa Senhora de Fátima, Mãe da Consolação, a quem confio o ministério episcopal que me é concedido, interceda por todos os doentes, os familiares, voluntários e profissionais de saúde. A dedicação junto dos doentes é muitas vezes interpretada como uma consolação de Deus. Sabemos de muitos e bons testemunhos dessa preciosa dedicação. Tratar de um doente, tem tanto de humano como de sagrado. Nossa Senhora interceda por todos. 
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Fortalecidos pela celebração da Fé, alegres porque o Amor do Senhor “foi derramado em nossos corações”, “envolvidos no amor de Deus pelo mundo”, ao deixarmos este Santuário, sintamo-nos enviados e portadores desta verdade: Deus não desistiu do homem e da mulher, seja qual for a sua debilidade, pelo contrário, conta connosco para sermos suas testemunhas e para promovermos o bem que estiver ao nosso alcance, especialmente a favor das pessoas idosas, doentes e mais frágeis. 
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Em tudo o que fizermos de bem, Deus seja glorificado!