06 maio, 2019

Texto integral da homilia da Missa em Rakowski



"Hoje tornais possível a todos nós estar novamente em festa e celebrar Jesus que está presente no Pão da Vida. Com efeito, há milagres que só podem acontecer, se tivermos um coração como o vosso, capaz de partilhar, sonhar, agradecer, ter confiança e honrar os outros." 

Cidade do Vaticano 

Outra etapa da Viagem Apostólica do Papa Francisco à Bulgária foi a Santa Missa celebrada na Igreja do Sagrado Coração de Rakovsky, cerca de 120 km distante de Sófia. Durante a Missa votiva da Santíssima Eucaristia, 242 crianças receberam a Primeira Comunhão. Eis a homilia do Santo Padre:

"Amados irmãos e irmãs!
 
Com grande alegria, saúdo os meninos e meninas da Primeira Comunhão, bem como os seus pais, parentes e amigos. A todos vós, dirijo a linda saudação de boas-festas que se usa também no vosso país neste tempo pascal: «Cristo ressuscitou». Esta saudação é a expressão da nossa alegria de cristãos, discípulos de Jesus, porque Ele, tendo dado a vida por amor na cruz para destruir o pecado, ressuscitou e tornou-nos filhos adotivos de Deus Pai. Sentimo-nos contentes porque Ele está vivo e presente no meio de nós, hoje e sempre.

Vós, queridos meninos e meninas, viestes aqui de todos os cantos desta «Terra das Rosas» para participar numa festa maravilhosa, que nunca – tenho a certeza – esquecereis: o vosso primeiro encontro com Jesus no sacramento da Eucaristia. Algum de vós poderia perguntar-me: Como podemos encontrar Jesus, que viveu há muitos anos, depois morreu e foi colocado no túmulo? Isto é verdade! Mas Jesus fez um ato imenso de amor, para salvar a humanidade de todos os tempos. Ficou no túmulo três dias, mas nós sabemos – assim no-lo asseguraram os Apóstolos e muitas outras testemunhas que O viram vivo – que Deus, Pai d’Ele e Pai nosso, O ressuscitou. E agora Jesus está vivo e está aqui connosco. Por isso, hoje podemos encontrá-Lo na Eucaristia. Não O vemos com estes olhos, mas vemo-Lo com os olhos da fé.

Vejo-vos aqui vestidos com as túnicas brancas: é um sinal importante e lindo. Porque estais vestidos de festa. A Primeira Comunhão é, antes de mais nada, uma festa, na qual celebramos Jesus que quis ficar sempre ao nosso lado e nunca Se separará de nós. Festa que foi possível graças aos nossos pais, aos nossos avós, às nossas famílias e comunidades que nos ajudaram a crescer na fé.

Percorrestes um longo caminho para chegar até aqui, a esta cidade de Rakovski. Os vossos sacerdotes e catequistas, que acompanharam o vosso percurso de catequese, acompanharam-vos também no caminho que vos leva hoje a encontrar Jesus e a recebê-Lo no vosso coração. Um dia, como ouvimos no Evangelho de hoje (cf. Jo 6, 1-15), Ele multiplicou miraculosamente cinco pães e dois peixes, saciando a fome da multidão que O tinha seguido e escutado. Notastes como foi que começou o milagre? Pelas mãos dum menino que trouxe o que tinha: cinco pães e dois peixes (cf. Jo 6, 9). Da mesma forma como hoje vós ajudais a realizar-se o milagre de lembrar a todos nós, os adultos aqui presentes, o primeiro encontro que tivemos com Jesus na Eucaristia e de poder agradecer por aquele dia.

Hoje tornais possível a todos nós estar novamente em festa e celebrar Jesus que está presente no Pão da Vida. Com efeito, há milagres que só podem acontecer, se tivermos um coração como o vosso, capaz de partilhar, sonhar, agradecer, ter confiança e honrar os outros. Fazer a Primeira Comunhão significa querer estar cada dia mais unido a Jesus, crescer na amizade com Ele e desejar que também os outros possam gozar da alegria que Jesus nos quer dar. O Senhor precisa de vós para poder realizar o milagre de envolver com a sua alegria muitos dos vossos amigos e familiares.

Queridos meninos, queridas meninas, estou contente por partilhar convosco este grande momento e de vos ajudar a encontrar Jesus. Verdadeiramente estais a viver uma jornada em espírito de amizade, alegria, fraternidade e comunhão entre vós e com toda a Igreja que expressa, de forma especial na Eucaristia, a comunhão fraterna entre todos os seus membros. O nosso cartão de identidade é este: Deus é nosso Pai, Jesus é nosso Irmão, a Igreja é a nossa família, nós somos irmãos, a nossa lei é o amor.

Desejo encorajar-vos a rezar sempre com o mesmo entusiasmo e alegria que tendes hoje. E lembrai-vos que este é o sacramento da Primeira Comunhão e não da última; lembrai-vos que Jesus vos espera sempre. Por isso, espero que a de hoje seja o início de muitas Comunhões, para que o vosso coração se mantenha sempre, como hoje, em festa, cheio de alegria e sobretudo de gratidão".

VN

05 maio, 2019

Papa na missa em Sófia: o amor de Deus é maior que qualquer pecado

 
 
O Papa celebrou a primeira missa desta sua visita à Bulgária, na capital, Sófia. Francisco destacou três realidades estupendas que marcam a nossa vida de discípulos: Deus chama, Deus surpreende, Deus ama
 
Raimundo de Lima - Cidade do Vaticano

“Hoje somos convidados a contemplar e descobrir aquilo que o Senhor fez no passado, para nos lançarmos com Ele rumo ao futuro, sabendo que sempre, tanto nos êxitos como nos fracassos, voltará a chamar-nos convidando-nos a lançar as redes.”

Foi a exortação do Papa Francisco na missa celebrada na tarde deste III Domingo da Páscoa, na Praça Knyaz Alexandar I, em Sófia, capital búlgara, no seu último compromisso deste primeiro dia da sua visita à Bulgária, aonde chegou pela manhã no âmbito desta 29ª viagem apostólica internacional, que se concluirá na terça-feira visitando a Macedónia do Norte. 

Três realidades que marcam a vida dos discípulos

Partindo da liturgia dominical, o Santo Padre articulou a homilia da celebração lembrando três realidades estupendas que marcam a nossa vida de discípulos: Deus chama, Deus surpreende, Deus ama. 

Deus chama

Atendo-se à primeira delas, Francisco destacou o chamamento que o Senhor fez a Pedro nas margens do lago da Galileia, para que se torna-se pescador de homens. No segundo chamamento, após a Paixão do Senhor, Pedro tem a tentação de retomar as redes para voltar a pescar no lago, o Senhor recomeça do princípio, com paciência sai ao seu encontro e diz-lhe “Simão”. Era o nome do primeiro chamamento, disse o Pontífice.

“O Senhor não espera situações ou estados de ânimo ideais, cria-os. Não espera encontrar-Se com pessoas sem problemas, sem decepções, pecados ou limitações. Ele mesmo enfrentou o pecado e a decepção, para ir ao encontro de cada vivente e convidá-lo a caminhar.”

“Irmãos, o Senhor não Se cansa de chamar. É a força do Amor que subverte todas as previsões e sabe recomeçar. Em Jesus, Deus procura dar sempre uma possibilidade. E assim procede também connosco: chama-nos em cada dia para reviver a nossa história de amor com Ele, para voltar a fundar-nos na novidade que é Ele.” 

Deus surpreende

Quando é o chamamento de Jesus que orienta a vida, o coração rejuvenesce, acrescentou o Papa. Francisco lembrou que Deus surpreende – segunda realidade. “É o Senhor das surpresas que convida não só a surpreender-se, mas também a realizar coisas surpreendentes.”

“O Senhor chama e, encontrando os discípulos com as redes vazias, propõe-lhes algo de insólito: pescar de dia, o que é bastante estranho naquele lago. Devolve-lhes confiança, colocando-os em movimento e impelindo-os de novo a arriscar, a não dar nada e, especialmente, ninguém por perdido. É o Senhor da surpresa que rompe os fechamentos paralisadores, restituindo a audácia capaz de superar a suspeita, a desconfiança e o medo que se esconde por detrás do «sempre se fez assim».”

“Deus surpreende, quando chama e convida a lançarmos, já não as redes, mas a nós mesmos ao largo na história e a olhar a vida, a olhar os outros e também a nós mesmos com os seus próprios olhos que, «no pecado, vê filhos carecidos de sererm levantados; na morte, irmãos carecidos de ressuscitar; na desolação, corações carecidos de consolação. Por isso, não temas! O Senhor ama esta tua vida, mesmo quando tens medo de a olhar de frente e tomar a sério».” 

Deus ama

Chegamos, assim, à terceira certeza de hoje, disse o Santo Padre: Deus ama. “Deus chama, Deus surpreende, porque Deus ama. O amor é a sua linguagem. Por isso, pede a Pedro – e a nós – para sintonizar-se com a mesma linguagem: «… amas-Me?» Pedro acolhe o convite e, depois de tanto tempo passado com Jesus, compreende que amar significa deixar de estar no centro.”

Pedro reconhece-se frágil, “compreende que, só com as suas forças, não pode prosseguir. E baseia-se no Senhor, na força do seu amor, até ao fim. Esta é a nossa força, que somos convidados a renovar todos os dias: o Senhor ama-nos”, prosseguiu.

“Ser cristão é um chamamento a ter confiança que o Amor de Deus é maior do que qualquer limite ou pecado. Um dos grandes desgostos e obstáculos, que hoje sentimos, situa-se não tanto ao nível da compreensão de que Deus é amor, mas no facto de termos chegado a anunciá-Lo e testemunhá-Lo duma maneira tal, que, para muitos, este não é o seu nome. Mas Deus é amor, que ama, dá-Se, chama e surpreende.” 

Protagonistas da revolução da caridade e do serviço

Francisco concluiu dirigindo a todos uma veemente exortação:

Aquilo que disse aos jovens na Exortação que escrevi recentemente, quero repeti-lo a vós também. Uma Igreja jovem, uma pessoa jovem, não pela idade, mas pela força do Espírito, convida-nos a testemunhar o amor de Cristo, um amor que impele e nos leva a estar prontos para lutar pelo bem comum, a sermos servidores dos pobres, protagonistas da revolução da caridade e do serviço, capazes de resistir às patologias do individualismo consumista e superficial. Enamorados por Cristo, sede testemunhas vivas do Evangelho em todos os cantos desta cidade.”



VN

Papa no Regina Caeli: Bulgária seja terra de encontro


 Papa na Cisita à Catedral de S. Aleksander Nevsky

Na oração mariana, Francisco pediu à Bem-Aventurada Virgem Maria que interceda junto ao Senhor Ressuscitado para que dê à amada terra da Bulgária o impulso sempre necessário de ser terra de encontro, na qual, "independentemente das diferenças culturais, religiosas ou étnicas, possais continuar a reconhecer-vos e estimar-vos como filhos de um mesmo Pai"
Cidade do Vaticano 

“Cristo vive. Ele é a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo. Tudo o que toca torna-se novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras que quero dirigir a cada um de vós são: Ele vive e quer-te vivo! Está em ti, está contigo e jamais te deixa”.

Foi o que disse o Papa Francisco no Regina Caeli deste III Domingo da Páscoa, conduzido pelo Pontífice na Praça de São Aleksander Nevsky, diante da Catedral Patriarcal, em Sófia, neste primeiro dia da sua visita à Bulgária, no âmbito da sua 29ª viagem apostólica internacional.

Na oração dominical deste período pascal, o caloroso encontro com cerca de três fiéis e peregrinos. Ao chegar à praça, diante do ícone de Nassebar, o Papa deteve-se brevemente em oração enquanto entoavam um canto mariano.

Esta fé em Cristo ressuscitado, disse Francisco na alocução que precede a oração mariana, tem vindo a ser proclamada desde há dois mil anos por todos os cantos da terra, através da generosa missão de tantos crentes, que são chamados a dar tudo pelo anúncio evangélico, sem guardar nada para si mesmos.

“Na história da Igreja, também aqui na Bulgária, houve Pastores que se distinguiram pela santidade de vida. Entre eles, apraz-me recordar o meu antecessor – por vós designado «o Santo búlgaro» – São João XXIII, um Santo pastor, cuja memória permanece particularmente viva nesta terra, onde ele viveu de 1925 a 1934. Aqui aprendeu a admirar a tradição da Igreja Oriental, estabelecendo relações de amizade com as outras Confissões religiosas.”

Francisco ressaltou que a experiência diplomática e pastoral na Bulgária deixou uma marca tão forte no coração do pastor de João XXIII que o levou a promover na Igreja a perspetiva do diálogo ecuménico. “Este recebeu um notável impulso no Concílio Vaticano II, desejado precisamente pelo Papa Roncalli. A esta terra, de certo modo, devemos agradecer a intuição sábia e inspiradora do «Papa bom»”, acrescentou.

Na esteira deste caminho ecuménico, disse o Santo Padre, “daqui a pouco terei a alegria de saudar os expoentes das várias Confissões religiosas da Bulgária, que, apesar de ser um país ortodoxo, revela-se uma encruzilhada onde se encontram e dialogam várias expressões religiosas. A estimada presença no encontro dos Representantes destas diversas Comunidades indica o desejo que todos têm de percorrer o caminho, cada dia mais necessário, de «adotar a cultura do diálogo como caminho, a colaboração comum como conduta, o conhecimento mútuo como método e critério».”

Em seguida, o Pontífice recordou a figura dos Santos Cirilo e Metódio e ressaltou a visita feita pouco antes à igreja Patriarcal de Santo Aleksander, onde rezou em memória dos evangelizadores dos povos eslavos.

Francisco pediu à Bem-Aventurada Virgem Maria que interceda junto do Senhor Ressuscitado para que dê à amada terra da Bulgária o impulso sempre necessário de ser terra de encontro, na qual, independentemente das diferenças culturais, religiosas ou étnicas, possais continuar a reconhecer-vos e estimar-vos como filhos de um mesmo Pai.

“A nossa invocação é expressa com a antiga oração do Regina Caeli. Fazemo-lo aqui, em Sófia, diante do ícone de Nossa Senhora de Nesebar (significa «Porta do Céu»), muito amado pelo meu antecessor São João XXIII, que começou a venerá-lo aqui, na Bulgária, e conservou-o consigo até à morte.”

VN

Papa: ecumenismo de sangue, do pobre e da missão dos cristãos


 Encontro entre o Papa e o Patriarca Neofit  (ANSA)

“As feridas que, ao longo da história, se abriram entre nós, cristãos, são dolorosos golpes infligidos no Corpo de Cristo, que é a Igreja. Ainda hoje, tocamos com a mão as suas consequências." O Papa convidou a seguir os caminhos dos Santos Cirilo e Metódio, padroeiros da Europa 

Manoel Tavares - Cidade do Vaticano 

Na sua visita à Bulgária, o Santo Padre manteve, na manhã deste domingo (05/5) o seu segundo encontro em Sófia, na Sala do Santo Sínodo, com Sua Santidade Neofit, Metropolita de Sófia e Patriarca ortodoxo de toda a Bulgária, e com os Metropolitas e Bispos do Santo Sínodo.

Após a saudação do Patriarca Neofit ao Santo Padre, Francisco pronunciou seu discurso partindo da festa de São Tomé, celebrado neste domingo no Oriente cristão. 

As feridas da divisão e a almejada unidade

Contemplando a ação do Apóstolo Tomé, que coloca a mão nas chagas do Ressuscitado e o declara «Meu Senhor e meu Deus!», Francisco disse:

As feridas que, ao longo da história, se abriram entre nós, cristãos, são dolorosos golpes infligidos no Corpo de Cristo, que é a Igreja. Ainda hoje, tocamos com a mão as suas consequências. Mas, se colocarmos, juntos, as mãos nestas feridas, confessarmos que Jesus ressuscitou e o proclamarmos como “nosso Senhor e nosso Deus”; se reconhecermos as nossas faltas e nos deixarmos imergir nas suas chagas de amor, talvez possamos reencontrar a alegria do perdão e regozijar-nos por aquele dia em que, com a ajuda de Deus, poderemos celebrar o mistério pascal no mesmo altar”. 

Ecumenismo do sangue

Neste caminho, afirmou o Papa, somos sustentados por tantos irmãos e irmãs cristãos, verdadeiras testemunhas da Páscoa, que neste país, sofreram tribulações, em nome de Jesus, especialmente durante a perseguição do século passado, que pode ser considerado “ecumenismo de sangue”! E acrescentou:

“Ecumenismo de sangue! Aqueles cristãos espalharam um suave perfume na «Terra das Rosas»; passaram pelos espinhos da provação para difundir a fragrancia do Evangelho; desabrocharam num terreno fértil e entre um povo rico de fé e humanidade, como a vida monacal, que, de geração em geração, alimentou a fé do povo”. 

Ecumenismo do pobre

Quantos irmãos e irmãs espalhados pelo mundo, exclamou Francisco,  continuam a sofrer por causa da fé, dando-nos o exemplo como sementes, que crescem e dão frutos. Por isso, somos chamados a caminhar e agir juntos para dar testemunho do Senhor, servindo, de modo particular, os irmãos mais pobres e esquecidos, que representam o “ecumenismo do pobre”.

Aqui, o Papa citou o exemplo dos Santos Cirilo e Metódio, “Apóstolos dos Eslavos”, que já pressentiam os sinais premonitórios das dolorosas divisões, que ocorreriam nos séculos seguintes. Por isso, escolheram a perspetiva da comunhão. 

Ecumenismo da missão

Missão e comunhão: duas palavras sempre presentes na vida dos dois Santos e que iluminam o nosso caminho para crescermos em fraternidade. O ecumenismo da missão”.

Aqui, o Santo Padre antecipou o encontro de oração que presidirá, logo a seguir, na Catedral Patriarcal de Santo Aleksander Nevskij, em memória dos Santos Cirilo e Metódio. Estes santos confirmam que a Bulgária é um país-ponte.

Papa Francisco concluiu o seu pronunciamento assegurando as suas orações por este amado povo búlgaro, pela sublime vocação deste país, pelo nosso caminho num “ecumenismo de sangue”, “ecumenismo do pobre” e “ecumenismo da missão”.

VN

Dia da Mãe - Carta da Pastoral da Família a todas as mães


“Senhor, formaste-me no seio de minha mãe" (Sl 138, 13)

Queridas mães,

Por ocasião do dia da Mãe, em pleno tempo Pascal, damos graças a Deus pelo dom da maternidade que vos foi concedido. Ser mãe é colaborar com Deus, para que se verifique o milagre duma nova vida. Como afirma o Papa Francisco, «as mães testemunham a beleza da vida, mesmo nos piores momentos, testemunham a ternura, a dedicação, a força moral. As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende. A mãe, que ampara o filho com a sua ternura e compaixão, ajuda a despertar nele a confiança, a experimentar que o mundo é um lugar bom que o acolhe, e isto permite desenvolver uma autoestima que favorece a capacidade de intimidade e a empatia». Por tudo isto e muito mais, conclui o Papa Francisco: «Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que sois na família e pelo que dais à Igreja e ao mundo.» (cf. Amoris Laetitia, 174-175).

Aproveitamos esta ocasião para vos convidar para a Festa Diocesana da Família, que este ano se realiza no Domingo da Santíssima Trindade, no dia 16 de Junho no Parque da Quinta das Conchas. Gostaríamos de convidar todas as famílias, mas em especial aquelas que batizaram os filhos no ano 2018 e ao longo deste ano 2019. Será uma grande oportunidade de celebrarmos o dom da família, o dom da maternidade e paternidade, frutos do amor de Deus. Contamos com a vossa presença, será uma bela ocasião para sermos testemunhas do Ressuscitado no meio deste mundo.

Continuação de uma Santa Páscoa e um feliz dia da mãe!
Setor da Pastoral da Família do Patriarcado de Lisboa


Patriarcado de Lisboa

Papa: Bulgária, ponte entre Oriente e Ocidente, terra de raízes cristãs


Cerimónia de boas-vindas

No seu primeiro discurso em terra búlgaras, o Pontífice explicou que a sua visita à Bulgária reali-se na esteira de São João Paulo II, que visitou o país em maio de 2002, e na memória de Dom Angelo Roncalli, futuro Papa João XXIII, que foi Delegado Apostólico em Sófia, durante quase dez anos 

Manoel Tavares - Cidade do Vaticano 

O Papa Francisco deixou o Vaticano, na manhã deste domingo (05/5), para mais uma Viagem Apostólica do seu Pontificado, a de número 29, que o leva a dois países: a Bulgária e a Macónia do Norte.

O Santo Padre partiu do aeroporto internacional de Fiumicino às 7h10 e, após menos de duas horas de viagem, chegou ao aeroporto de Sófia, capital da Bulgária.

Durante a viagem, como habitualmente faz, o Pontífice enviou telegramas aos Chefes de Estado dos países sobrevoados: Itália, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Sérvia.

Ao chegar ao aeroporto de Sófia, o Papa foi recebido pelo Núncio Apostólico, Dom Anselmo Guido Pecorari e pelo Primeiro Ministro, Boyko Borisov, com o qual manteve um encontro privado. 

No país, diversidade vista como oportunidade e riqueza

A seguir, Francisco dirigiu-se de automóvel ao Palácio Presidencial de Sófia, para uma visita de cortesia ao Presidente búlgaro, Rumen Radev, e a cerimónia de boas-vindas.

Depois, diante do Palácio Presidencial, na Praça Atanas Burov, o Santo Padre manteve um encontro com as Autoridades, a Sociedade Civil, o Corpo Diplomático e representantes de várias Confissões Religiosas.

Após as palavras de boas-vindas do Presidente búlgaro ao Papa, Francisco pronunciou o seu discurso expressando alegria por encontrar-se na Bulgária, para confirmar os seus irmãos na fé e encorajá-los no seu caminho e testemunho de vida cristã. E, ao agradecer as autoridades civis e religiosas presentes, Francisco disse:

[A Bulgária] é um lugar de encontro entre múltiplas culturas e civilizações, ponte entre o leste e o sul da Europa, porta para o Médio Oriente; uma terra de antigas raízes cristãs, que favorecem o encontro quer entre a comunidade local como na internacional. Aqui, a diversidade, no respeito pelas peculiaridades específicas, é vista como uma oportunidade e uma riqueza, não como contraste”. 

Verdadeiros ensinamentos das religiões promovem a paz

Neste sentido, o Papa cumprimentou, cordialmente, Sua Santidade o Patriarca Neofit, os Metropolitas e Bispos da Santo Sínodo, os fiéis da Igreja Ortodoxa, os cristãos das outras Comunidades eclesiais, os membros da Comunidade judaica e os fiéis muçulmanos. E recordou:

Reafirmo convosco a forte convicção de que os verdadeiros ensinamentos das religiões convidam a permanecer ancorados nos valores da paz; apoiar os valores do conhecimento mútuo, da fraternidade humana e da convivência comum”.

Assim, Francisco convidou a aproveitar da hospitalidade que o povo búlgaro oferece, para que cada religião, chamada a promover harmonia e concórdia, possa contribuir para o crescimento de uma cultura e um ambiente, no respeito da pessoa humana e da sua dignidade, das civilizações e tradições diferentes rejeitando toda a violência e coação. 

Visita na esteira de João Paulo II e memória de João XXIII

Neste contexto, o Pontífice explicou que a sua visita à Bulgária realiza-se na esteira de São João Paulo II, que visitou o país em maio de 2002, e na memória de Dom Angelo Roncalli, futuro Papa João XXIII, que foi Delegado Apostólico em Sófia, durante quase dez anos. 

Sobre ele, Francisco disse:

São João XXIII trabalhou com afinco para promover a colaboração fraterna entre todos os cristãos e com o Concílio Vaticano II, - por ele convocado e presidido na sua primeira fase, - deu grande impulso e incisividade ao desenvolvimento das relações ecuménicas”. 

Cirilo e Metódio, "Apóstolos dos Eslavos"

No seguimento destes acontecimentos providenciais, - recordou Francisco, - há quase cinquenta anos, uma Delegação oficial Búlgara visita anualmente o Vaticano por ocasião da festa dos Santos Cirilo e Metódio. Sobre estes dois “Apóstolos dos Eslavos” disse:

Eles evangelizaram os povos eslavos e estiveram na origem do desenvolvimento da sua língua e cultura e, sobretudo, de abundantes e duradouros frutos de testemunho cristão e de santidade. Os Santos Cirilo e Metódio, padroeiros da Europa, continuam a ser exemplo, por mais de um milénio, e inspiradores de diálogo fecundo, harmonia e encontro fraterno entre as Igrejas, os Estados e os povos!

Na atual conjuntura histórica, trinta anos depois do fim do regime totalitário, que dificultava a liberdade e as iniciativas, - afirmou Francisco, - a Bulgária arca, hoje, com as consequências da emigração de mais de dois milhões dos seus cidadãos que vão em busca de novas oportunidades de vida e de trabalho noutros países. Por outro lado, defronta-se com o fenómeno dos que fogem das guerras, dos conflitos ou da miséria, em busca de uma vida melhor no rico Continente europeu. 

Não fechar os olhos aos que batem à porta

Por fim, o Santo Padre encorajou os governantes da Bulgária a continuarem a criar condições para que, sobretudo os jovens, não sejam obrigados a emigrar. Por isso, fez-lhes um apelo “a não fechar os olhos, o coração e as mãos aos que batem à sua porta”. E concluiu o seu discurso com a exortação:

Este país distinguiu-se sempre como ponte entre o Oriente e Ocidente, favorecendo o encontro entre diferentes culturas, etnias, civilizações e religiões, que há séculos vivem em paz aqui. Esta terra fértil pelo trabalho humilde de tantas gerações e aberta aos intercâmbios culturais e comerciais, integrada na União Europeia e com sólidos laços com a Rússia e a Turquia – possa oferecer aos seus filhos um futuro de esperança! Que Deus abençoe a Bulgária e a mantenha sempre pacífica, acolhedora, próspera e feliz!”

VN

04 maio, 2019

Papa: Madre Teresa, missionária corajosa da caridade de Cristo

 
 
Na vídeo-mensagem ao povo da Macedónia do Norte, o Papa Francisco afirma que "é preciso fazer crescer na Europa e no mundo inteiro a cultura do encontro, a cultura da fraternidade", e recorda Madre Teresa de Calcutá.
 
Mariangela Jaguraba - Cidade do Vaticano

O Papa Francisco enviou uma mensagem de vídeo, neste sábado (04/05), ao povo da Macedónia do Norte, manifestando a sua alegria e  afeto aos irmãos daquele país e à Igreja.

O Santo Padre visitará a Macedónia do Norte na próxima terça-feira (07/05), após a visita à Bulgária.

Depois da Macedónia do Norte alcançar a independência, a Santa Sé quis estabelecer com aquela nação relações diplomáticas e de amizade.

Fazer crescer a cultura da fraternidade

“Hoje, mais do que nunca, é preciso fazer crescer na Europa e no mundo inteiro a cultura do encontro, a cultura da fraternidade, e eu irei até vós para lançar essas sementes, certo de que a vossa  terra é boa, saberá acolhê-las e dar fruto.”

Segundo Francisco, a beleza peculiar do rosto daquele país “deve-se precisamente à variedade de culturas, pertenças étnicas e religiosas que ali vivem”.

“Claro, a convivência nem sempre é fácil, sabemos disso. Mas é um esforço que vale a pena fazer, porque os mais belos mosaicos são os mais ricos de cores”, ressalta o Papa. 

Madre Teresa de Calcutá

“Confio a minha visita à intercessão de uma grande santa, filha desta  terra: Madre Teresa. Nascida e criada em Skopje, ela tornou-se, com a graça de Deus, numa missionária corajosa da caridade de Cristo no mundo, dando conforto e dignidade aos mais pobres entre os pobres.”

O Papa conclui a vídeo-mensagem, convidando o povo macedónio a preparar-se para esse encontro com a oração, a fim de que seja fecundo de paz e bem.

VN

03 maio, 2019

Assembleia de Catequistas: Vivência “plena” do Domingo pede “criatividade"

Na Assembleia Diocesana de Catequistas, que decorreu em Sintra, o Cardeal-Patriarca de Lisboa agradeceu o trabalho destes agentes, que estão “na primeira fronteira” do Evangelho, e apelou à “vivência plena” do primeiro dia da semana “que dá sentido a todos os outros”. Os percursos formativos neste dia conduziram as mais de cinco centenas de catequistas por experiências de oração e formação litúrgica.


A vila de Sintra recebeu, no último Domingo, 28 de abril, 550 catequistas, na Assembleia Diocesana de Catequistas, vindos de todas as vigararias do Patriarcado de Lisboa. A este pequeno ‘exército’, o Cardeal-Patriarca de Lisboa agradeceu todo o trabalho e dedicação que empregam, todas as semanas, na formação na fé de milhares de catequizandos. “Em cada criança, adolescente, jovem ou adulto que acompanhais nos atos catequéticos – aí, exatamente, o Evangelho que está vivo nas vossas vidas e nos vossos corações se torna vida de todos”, garantiu D. Manuel Clemente, na homilia da celebração que encerrou o encontro que teve como tema ‘Celebrar o encontro com Jesus Cristo’.
Por entre três percursos formativos, os catequistas foram conduzidos, ao longo da manhã e início da tarde, por vários ateliers, em diferentes locais, que tiveram como objetivo, “por um lado, proporcionar uma formação litúrgica, do ponto de vista catequético e, por outro, experiências de oração”, explica, ao Jornal VOZ DA VERDADE, a irmã Isabel Martins, do Setor da Catequese do Patriarcado de Lisboa. Para esta responsável, a catequese atual “tem que continuar a ser repensada neste tripé: catequista, catequizandos, famílias”. “A catequese será cada vez menos um catequista que vai dar catequese e os pais que levam os meninos. Não pode ser. Tem que ser um caminho conjunto”, defende a religiosa.

Caminhada conjunta
A importância da envolvência dos pais no percurso de catequese dos seus filhos foi também um dos pontos abordados em alguns ateliers que decorreram, na sua maioria, no Agrupamento de Escolas D. Fernando II, em Sintra. Na sessão que teve como tema ‘Iniciação à oração na infância’, a formadora Fátima Soledade garantiu que apenas “uma caminhada conjunta com pais e filhos” pode “gerar frutos”, mas alertou: “Temos que trabalhar muito. A catequese não é uma aula”. Para esta catequista, da Paróquia do Parque das Nações, é importante ter muita atenção aos sinais. “As crianças vão-nos imitar em tudo”, refere, dando como exemplo a Bíblia, sempre aberta, que convida todos os pais terem em casa. “É essencial que eles sintam, desde o primeiro dia, que aquele é um livro da Palavra, que tem de estar sempre aberto e no coração”.

Partilhar diferentes realidades
Para além da presença dos catequistas, este encontro, organizado pelo Setor da Catequese do Patriarcado de Lisboa, contou com a colaboração de 40 animadores dos ateliers e 120 voluntários, vindos, sobretudo, da Vigararia de Sintra, que acolheu esta iniciativa. Os diferentes participantes foram partilhando, ao longo do dia, na página do Setor da Catequese no Facebook (
www.facebook.com/CatequesedeLisboa) alguns testemunhos. João Pedro, catequista da Paróquia de Algueirão - Mem Martins - Mercês, referiu que estes encontros “são importantes para estarmos juntos e compreendermos e partilharmos diferentes realidades, dificuldades e como as superamos”. “São também uma oportunidade para obter ferramentas e ter momentos de oração”, acrescentou. Estes encontros diocesanos são também momento para buscar “as melhores soluções” para resolver algumas situações, segundo salientou um grupo de catequistas da Paróquia da Malveira. “É importante este dia porque partilhamos e adquirimos conhecimento e não ficamos cingidos à nossa própria realidade, apoiamo-nos uns aos outros e conseguimos perceber quais as melhores soluções”, referiram. Para a jovem catequista Andreia, da Paróquia de Camarate, a Assembleia de Catequistas foi uma “oportunidade para todos aprenderem a ser melhores catequistas e a caminharem em direção ao que o Senhor nos ensina”.
  • Leia a entrevista completa na edição do dia 5 de maio do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.
Patriarcado de Lisboa

Papa Francisco: Deus conceda paz e prosperidade à Bulgária

 
 
O Papa recorda na videomensagem que a Bulgária "é a Pátria de testemunhas da fé desde a época em que os santos irmãos, Cirilo e Metódio, ali semearam o Evangelho".
 
Manoel Tavares - Cidade do Vaticano

O Santo Padre enviou, nesta sexta-feira (03/5), uma videomensagem aos fiéis da Bulgária, com vista à sua próxima Viagem Apostólica àquele país, que se realizará de 5 a 7 deste mês.

Na sua mensagem, o Papa recorda que a sua Viagem à Bulgária será uma peregrinação sob o signo da fé, da unidade e da paz:

“A sua terra é a Pátria de testemunhas da fé, desde a época em que os santos irmãos, Cirilo e Metódio, ali semearam o Evangelho: uma semeadura fecunda, que produziu frutos abundantes também nos períodos difíceis do século passado”.

São João Paulo II, - recordou Francisco – fez sempre com que a Europa redescobrisse o poder libertador de Cristo e continuasse a respirar com os seus dois pulmões.

Neste sentido, seguindo as pegadas de São João Paulo II, o Papa Francisco expressou a sua alegria de conhecer, pessoalmente, Sua Santidade o Patriarca e o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa na Bulgária. E afirmou:

Juntos, manifestaremos o nosso desejo de seguir o Senhor Jesus no caminho da comunhão fraterna entre todos os cristãos”.

No final da sua Vídeo-mensagem, o Pontífice disse que a sua peregrinação à Bulgária será totalmente em memória de São João XXIII, que, durante quase dez anos passados em Sófia, como Delegado Apostólico, criou, com o seu povo, um vínculo de estima e afeto, que ainda perdura nos nossos dias. E o Papa concluiu:

Ele era um homem de fé, de comunhão e de paz. Por isso, escolhi como lema desta minha Viagem o título da sua histórica encíclica "Pacem in terris - Mir na zemyata". Que Deus conceda a paz e a prosperidade à Bulgária!

VN

02 maio, 2019

Papa: é tempo de uma renovada solidariedade internacional, não de nacionalismos

 
 
No discurso aos participantes da Plenária da Academia das Ciências Sociais, Francisco recordou que a Igreja exortou sempre “ao amor do próprio povo e da pátria”, todavia, sempre advertiu para os desvios deste sentimento quando resulta na exclusão e no ódio pelos demais.
 
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Os neopopulismos e as suas consequências foram o tema do longo e articulado discurso do Papa Francisco aos participantes na Plenária da Pontifícia Academia das Ciências Sociais.

De facto, o tema da Plenária é “Nação, Estado. Estado-Nação”. Infelizmente, constatou o Pontífice, que alguns Estados nacionais atuam mais em espírito de contraposição do que de cooperação. As fronteiras de um país nem sempre coincidem com demarcações de populações homogéneas e muitas tensões provêm de uma excessiva reivindicação de soberania por parte dos Estados.

Amor à pátria

O Papa recordou que a Igreja exortou sempre “ao amor do próprio povo e da pátria”, todavia, sempre advertiu para os desvios deste sentimento quando resulta na exclusão e no ódio pelos demais, quando se torna “nacionalismo conflituoso que levanta muros” ou se torna racismo ou antissemitismo.

Por isso, a Igreja observa com preocupação o reemergir em todo o mundo de correntes agressivas contra os estrangeiros, especialmente os imigrantes, como também de um crescente nacionalismo que ignora o bem comum. Isso pode comprometer formas já consolidadas de cooperação internacional.

Para Francisco, o modo com que uma nação acolhe os migrantes revela a sua visão da dignidade humana e da sua relação com a humanidade. “Quando uma pessoa ou uma família é obrigada a deixar a própria terra, deve ser acolhida com humanidade”, afirmou Francisco, citando os quatro verbos sobre os quais os governos têm responsabilidade perante a migração: acolher, proteger, promover e integrar.

Um Estado que suscita sentimentos nacionalistas do próprio povo contra outras nações ou grupos de pessoas, não realiza a sua missão. E a história ensina para onde conduzem semelhantes desvios. 

O sonho de Simón Bolivar ainda é válido

O Papa destacou que nenhum Estado pode ser considerado um absoluto, uma ilha, sobretudo na atual situação de globalização não somente da economia, mas dos intercâmbios tecnológicos e culturais. O Estado nacional não é mais capaz de obter sozinho o bem comum para as suas populações. “O bem comum tornou-se mundial e as nações devem associarem-se para o próprio benefício”, afirmou Francisco, citando os desafios das mudanças climáticas, das novas escravidões e da paz.

Neste âmbito, o Pontífice encorajou o caminho de cooperação regional empreendido, por exemplo, pela União Europeia e o “sonho” de Simón Bolivar na América Latina de uma Pátria Grande.

Com o multilateralismo a humanidade poderia evitar o perigo de conflitos armados todas as vezes que surgem disputas entre Estados nacionais, assim como o perigo da colonização económica e ideológica das superpotencias.

Já a crescente tendência dos nacionalismos está a enfraquecer o sistema multilateral, com o êxito de uma escassa credibilidade na política internacional e de uma progressiva marginalização dos membros mais vulneráveis da família das nações. 

Holocausto nuclear

Neste ponto do discurso, Francisco manifestou a sua preocupação com o abrir de uma “nova estação de confronto nuclear”, que cancela os progressos do passado recente e multiplica o risco de guerras.
“ Se, agora, não somente sobre a terra, mas também no espaço forem colocadas armas nucleares ofensivas e defensivas, a chamada nova fronteira tecnológica terá aumentado e não diminuído o perigo de um holocausto nuclear. ”
Portanto, para o Pontífice, é tempo de uma maior responsabilidade e de uma renovada solidariedade internacional. Hoje, é tarefa do Estado participar da edificação do bem comum da humanidade, mantendo sempre a soberania de cada país e preservando a identidade e a riqueza de cada povo.

VN

Bispos criam estruturas para a proteção de menoreres



Os bispos das dioceses católicas portuguesas assumiram em Fátima o compromisso de criar estruturas de “prevenção e acompanhamento” para a “proteção de menores, em casos de abusos sexuais. “Os bispos comprometem-se a criar instâncias de prevenção e acompanhamento em ordem à proteção de menores nas suas dioceses e a atualizar as diretrizes aprovadas pela Conferência Episcopal em 2012, tendo em conta as orientações da Santa Sé”, refere o comunicado final da 196ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), divulgado hoje em Fátima. O encontro, iniciado esta segunda-feira, refletiu sobre as orientações vindas do encontro sobre a proteção de menores na Igreja, que decorreu em fevereiro no Vaticano, “destacando os pontos principais do discurso conclusivo do Papa Francisco”.

"A resposta eclesial deve ter as seguintes dimensões: a tutela das crianças; a seriedade impecável; uma verdadeira purificação; a formação; o reforço e verificação das diretrizes das Conferências Episcopais; o acompanhamento das pessoas abusadas; a atenção pastoral ao fenómeno crescente dos abusos no mundo digital e no turismo sexual”

Em conferência de imprensa, D. Manuel Clemente disse que esta foi uma “decisão unânime” e que se tratou da “formalização de algo que já estava em curso” e que pode assumir várias denominações, visando, sobretudo, a prevenção.Esta é “uma orientação comum e um compromisso de cada um”, para uma “atuação atenta e reforçada”, em todas as dioceses.As prioridades, concretizando as orientações da Santa Sé, passam pela “colaboração de pessoas competentes” de várias áreas e uma “articulação estreita” com as autoridades estatais, em eventuais casos de denúncias.

"Tudo o que vá no sentido da colaboração estrita direta e imediata com as entidades civis e policiais é prioritário”

Para o presidente da CEP, existe já a “prática generalizada” de “aconselhar” as pessoas a denunciar acusações “credíveis, com factos concretos” às respetivas autoridades, respeitando “a lei e as questões de foro interno”, como o sigilo sacramental, na Confissão. “O que tiver de ser feito segundo a lei vai ser feito estritamente segundo a lei”, acrescentou, com procedimentos civis e canónicos. O cardeal-patriarca de Lisboa assinalou que nas instituições eclesiais da mais diversa ordem há milhares e milhares de crianças e adolescentes. “É sobretudo nessas áreas que a prevenção tem de se ativar”, observou.

As atuais diretrizes da CEP foram aprovadas em 2012 e preveem que, sempre que houver denúncia, ou “qualquer suspeita fundada” de abusos sexuais por parte de um clérigo em relação a um menor, o bispo responsável deve proceder à investigação prévia.As orientações em vigor sublinham ainda a obrigação de “cumprir as disposições da lei civil, no que se refere à colaboração com as autoridades competentes”.


Ecclesia

01 maio, 2019

Audiência: Deus luta por nós, não contra nós

 
 
Na Audiência Geral, o Pontífice deu seguimento ao ciclo de catequese sobre o Pai-Nosso, explicando hoje a penúltima invocação: "Não nos deixeis cair em tentação" (Mt 6, 13). 
 
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Este 1º de maio foi dia de trabalho para o Papa Francisco, que acolheu na Praça de São Pedro milhares de fiéis e peregrinos para a Audiência Geral.

O Pontífice deu seguimento ao ciclo de catequese sobre o Pai-Nosso, explicando hoje a penúltima invocação: "Não nos deixeis cair em tentação" (Mt 6, 13).

Esta invocação, afirmou, introduz-nos no âmago do drama, isto é, no terreno do confronto entre a nossa liberdade e as insídias do maligno. Independentemente da interpretação do texto, deve-se excluir que seja Deus o protagonista das tentações que pairam sobre o caminho do homem. 

Sempre conosco

“Os cristãos não lidam com um Deus invejoso, em competição com o homem, ou que gosta de colocá-lo à prova", disse Francisco. Pelo contrário, quando o mal aparece na vida do homem, combate ao seu lado, para que possa ser libertado. “Um Deus que combate por nós, não contra nós. É um Pai. É nesse sentido que rezamos o Pai-Nosso."

Deus está sempre conosco, prosseguiu o Papa: "Quando nos dá a vida, durante a vida, nas alegrias, nas provações, na tristeza, nos fracassos quando pecamos. Mas sempre conosco porque é Pai, não pode abandonar-nos". 

O Diabo não é coisa antiga

Se somos tentados a fazer o mal, negando a fraternidade com os outros e desejando um poder absoluto sobre tudo e todos, Jesus já combateu por nós essa tentação.

Jesus foi tentado no deserto pelo Satanás. A sua vida pública começou assim, recordou o Papa. Alguns recriminam: “Mas porque falar do diabo, é uma coisa antiga, não existe. Mas o Evangelho ensina-nos que Jesus enfrentou o diabo. E saiu vitorioso".

Quando Jesus se retira para rezar no Getsêmani, o seu coração é invadido por uma angústia indescritível, e Ele experimenta a solidão e o abandono ao ponto de pedir aos seus amigos: "Ficai aqui e vigiai comigo" (Mt 26, 38). Eles adormeceram.

Mas no tempo em que o homem conhece a sua provação, Deus ao invés, vigia.
“ Nos momentos mais difíceis da nossa vida, mais sofridos, mais angustiantes, Deus vigia connosco, luta connosco, está sempre perto de nós. Porquê? Porque é Pai. Assim começamos a oração: Pai-Nosso. Um Pai não abandona os seus filhos. ”
É o nosso conforto na hora da provação: saber que aquele vale, desde que Jesus o atravessou, não está mais desolado, mas é abençoado pela presença do Filho de Deus. 

"Afasta portanto de nós, ó Deus, o tempo de provação e da tentação. Mas quando chegar para nós este tempo, mostra-nos que não estamos sozinhos, que o Cristo já tomou sobre si o peso dessa cruz, e nos chama a carregá-la com Ele, abandonando-nos confiantes no amor do Pai", foi a oração final do Pontífice.


VN