“Peçamos juntos para que as redes sociais
não anulem a própria personalidade, mas que favoreçam a solidariedade e
o respeito pelo outro na sua diferença”. Esta é a intenção de oração do
Santo Padre para o mês de junho: “A Internet é um dom de Deus e também
uma grande responsabilidade”, acrescentou.
Cidade do Vaticano
O Papa Francisco, no O Vídeo do Papa de junho, afirma que as redes sociais são uma oportunidade de encontro e
solidariedade, mas adverte que devem ser usadas respeitando a dignidade
dos outros. Ele também enfatiza a importância de construir uma
cidadania na rede como um lugar rico em humanidade.
“Peçamos juntos para que as redes sociais não anulem a própria
personalidade, mas que favoreçam a solidariedade e o respeito pelo outro
na sua diferença”, diz o Papa. “A Internet é um dom de Deus e também
uma grande responsabilidade”, acrescentou.
No mundo, atualmente existem 3.196 biliões de usuários ativos nas
redes sociais, que representam 42% da população mundial. Entre as
regiões onde há uma maior concentração, destacam-se a América do Norte,
com 70% de usuários ativos em relação à população; o norte de Europa,
com 66%; a Ásia Oriental, com 64%; e a América do Sul, com 63%.
“Aproveitemos as possibilidades de encontro e solidariedade que as
redes sociais oferecem”, pediu Francisco. “Vamos construir uma
verdadeira cidadania na rede e que a rede digital não seja um lugar de
alienação”, acrescentou.
“Convivemos com as redes sociais quase sem percebermos, mas, muitas
vezes, ao invés de servir como um instrumento de verdadeira comunicação e
comunhão, tornam-se um meio de discórdia e desinformação”, comenta o
Pe. Frédéric Fornos, SJ, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa
e do Movimento Eucarístico Juvenil. “Façamos das redes sociais um lugar
de humanização, de abertura ao outro, à sua cultura, à sua tradição
religiosa e espiritual, à sua diferença; lugar de diálogo ao serviço de
uma cidadania responsável”, acrescentou.
Uma carta da Congregação para a Doutrina
da Fé esclarece o pensamento do Papa Francisco sobre o tema dos
matrimónios interconfessionais, levantado pelo episcopado alemão: são
necessários mais estudos para aprofundar um tema ecuménico que se refere
a toda a Igreja.
Cidade do Vaticano
Uma questão sobre a qual os bispos são convidados a esperar uma
normativa que seja comum a toda a Igreja. É a essência da carta do
prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, enviada em nome do Papa, ao presidente da Conferência Episcopal da Alemanha sobre
o delicado tema da admissão à Eucaristia nos matrimónios
interconfessionais, ou seja, quando um dos cônjuges é católico e outro
protestante. No texto, sublinha-se a necessidade de avaliar com atenção
as consequências que cada decisão no mérito da questão possa comportar
aos equilíbrios alcançados no diálogo ecuménico.
A posição dos bispos alemães
O tema dos matrimónios interconfessionais – possibilidade reconhecida
pelo Direito Canôónico em determinadas condições – tinha sido
contemplado no fevereiro passado pelos bispos alemães num subsídio
pastoral intitulado “Caminhar com Cristo – nas pegadas da unidade.
Matrimónios mistos e participação comum na Eucaristia”. O documento,
votado por dois terços da assembleia, abria a possibilidade ao cônjuge
protestante de receber a Comunhão durante a Missa católica depois de um
aprofundado diálogo com o pároco.
Decide o bispo
Aos sete bispos que em sede plenária não expressaram parecer favorável – e que escreveram uma carta com as suas perplexidades ao Papa Francisco
– o próprio Pontífice concedeu a 3 de maio o poder de levar o parecer
comum para ser analisado pela cúpula da Congregação da Doutrina da Fé e
pelos Dicastérios para a Unidade dos Cristãos e para os Textos
Legislativos. Portanto, depois da carta do prefeito da Doutrina da Fé e
na espera de ulteriores aprofundamentos que serão dedicados ao tema, o
bispo diocesano permanece com a possibilidade de avaliar os casos
assinalados e estabelecer as medidas necessárias.
A proteção do meio ambiente é um tema
fundamental para o Pontífice que escreve no tuíte: “Senhor desperta em
nós o louvor e a gratidão pela nossa Terra e por todos os seres que
criastes”.
Cidade do Vaticano
“Acabe com a poluição plástica. Se não podes reutilizar, recusa”.
Este é o tema escolhido pela ONU por ocasião do Dia Mundial do Meio
Ambiente 2018. Proclamado em 1972 pela Assembleia Geral das Nações
Unidas, é celebrado todos os anos dia 5 de junho para sensibilizar as
pessoas sobre a proteção da natureza.
O tema de 2018: não à poluição plástica O tema desta edição é a luta contra a poluição plástica que destrói
principalmente mares e oceanos. Segundo a PNUMA (Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente), todos os anos entram nos oceanos mais de 8
milhões de toneladas de lixo plástico que poluem e destroem o ambiente
marinho.
Francisco e o ambiente: “É preciso uma conversão ecológica” A tutela do ambiente é um tema muito caro ao Papa Francisco que, em 2015, dedicou uma Encíclica ao tema. A Laudato si’
convida todos a cuidarem da casa comum. No texto, Francisco fala sobre a
necessidade de uma “conversão ecológica” para a nossa terra ferida.
“Todos – escreve na Encíclica – podemos colaborar, como instrumentos de
Deus, para o cuidado da criação, cada um a partir da sua própria
cultura, experiência, iniciativas e capacidades”.
O plástico: símbolo da poluição “O plástico – fala ao Vatican News Andrea Masullo, diretor científico
da Greenacord, associação cultural que luta pela salvaguarda do meio
ambiente – tornou-se o símbolo de uma economia que se iludiu de poder
ser auto-suficiente, ignorando os recursos da natureza. O nosso dever é
pensar numa economia que evite os problemas desde a sua fonte, para
não ter que se procurar mais tarde, desesperadamente, uma solução quando os
problemas já ocorreram. É inútil pensar em resolver os problemas depois de certos materiais terem sido jogados no ambiente. Não devemos produzi-los
mais, devemos pensar em soluções alternativas. Só então a despoluição
do plástico poderá ter sucesso”.
O papel da mídia Um sucesso que pode ser alcançado graças à colaboração dos meios de
comunicação. “A mídia – prossegue o diretor – tem um papel fundamental
em matéria ambiental pois são a ponte entre a ciência e as pessoas
porque, muitas vezes, muitas questões ligadas ao ecossistema permanecem
limitadas ao debate científico”.
À delegação da Igreja Evangélica Luterana
Alemã, Francisco encorajou o diálogo teológico e um maior envolvimento
dos fiéis no ecumenismo.
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano
A semana do Papa Francisco começou com o tema do ecumenismo. O
Pontífice recebeu no Vaticano uma delegação da Igreja Evangélica
Luterana Alemã, guiada pelo bispo Ulrich.
No seu discurso, Francisco recordou “com alegria” os momentos vividos
juntos no ano passado por ocasião da Comemoração comum da Reforma.
“Graças a Deus, constatamos que os 500 anos de história que nos
contrapuseram – às vezes muito dolorosa e em conflito –, deixaram espaço
nos últimos 50 anos a uma crescente comunhão.”
Lógica do Evangelho
Os encontros fraternos, acrescentou o Papa, foram realizados segundo a
lógica do Evangelho e não de estratégias humanas – o que permitiu
superar antigos preconceitos de ambas as partes.
Francisco destacou que a Comemoração da Reforma confirmou que o
ecumenismo continuará a marcar o caminho conjunto, pois está sempres a tornar-se mais uma necessidade e um desejo.
“Não nos podemos esquecer de partir da oração, para que não sejam os
projetos humanos a indicar o caminho, mas o Espírito Santo.”
Ecumenismo de sangue e da caridade
O Papa voltou a falar do ecumenismo de sangue e do ecumenismo da
caridade. Católicos e luteranos são chamados antes de tudo a amarem-se
intensamente, mas são chamados também a aliviar juntos as misérias dos
necessitados e dos perseguidos.
“Os sofrimentos de tantos irmãos oprimidos por causa da fé em Jesus
são também um premente convite a alcançar uma unidade sempre mais
concreta e visível entre nós.”
Diálogo teológico
Francisco encorajou o diálogo teológico, propondo como temas a
Igreja, a Eucaristia e o ministério eclesial. Pediu ainda que o
ecumenismo não seja elitista, mas envolva o mais possível os inúmeros
irmãos e irmãs na fé, “crescendo como comunidade de discípulos que
rezam, amam e anunciam”.
“Que o Senhor nos acompanhe, para que o nosso ser cristão seja mais
centralizado Nele e corajoso na missão; para que o cuidado pastoral se
enriqueça de serviço”, concluiu o Pontífice.
Papa presidiu à procissão de Corpus Christi em Ostia, no litoral romano
No litoral romano, em Ostia, o Papa Francisco convidou os fiéis a viverem eucaristicamente: passando do eu ao tu.
Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano
De São João de Latrão ao litoral romano: o Papa Francisco presidiu na
tarde de domingo (03/06) à santa missa e à procissão de Corpus Christi
na localidade de Ostia.
Trata-se de uma novidade no pontificado de Francisco, mas não inédita
na história recente dos Papas. Todos os anos, Paulo VI realizava a
procissão com o Santíssimo Sacramento numa diferente região de Roma e
cinquenta anos atrás foi justamente Ostia a acolher o Pontífice. Depois,
em 1978, João Paulo II estabeleceu a tradicional procissão saindo da
Basílica de São João de Latrão, passando pela “Via Merulana”, até a
Basílica de Santa Maria Maior.
A missa foi celebrada diante da praça da paróquia de Santa Mónica,
com a participação de milhares de fiéis das oito paróquias do litoral
romano.
Na homilia, Francisco comentou o Evangelho do dia, concentrando-se em
especial sobre o verbo que aparece várias vezes na narração da Última
Ceia: preparar.
Lugar e alimento
Jesus, explicou o Papa, prepara para nós um lugar e um alimento.
“Um lugar muito mais digno do que a «grande sala mobiliada» do
Evangelho. É a nossa casa espaçosa e ampla aqui na terra, a Igreja, onde
há, e deve haver, lugar para todos. Mas reservou-nos também um lugar lá
no Céu, no Paraíso, para estarmos com Ele e uns com os outros para
sempre.”
Além do lugar, Jesus prepara-nos também um alimento, um Pão que é Ele
próprio. “Estas duas dádivas – o lugar e o alimento – são tudo aquilo
que precisamos para viver. São a alimentação e a morada definitivas. E
ambas nos são dadas na Eucaristia.”
Coração palpitante
A Eucaristia, prosseguiu Francisco, é o coração palpitante da Igreja,
é a única matéria nesta terra que tem verdadeiramente sabor de
eternidade.
“É o pão do futuro, que já agora nos faz saborear um futuro
infinitamente maior do que as mais risonhas expetativas. É o pão que
sacia os nossos maiores anseios e nutre os nossos mais belos sonhos.
Numa palavra, é o penhor da vida eterna, isto é, uma antecipação
concreta daquilo que nos será concedido. A Eucaristia é a marcação, a
«reserva» do paraíso.”
Fome de amor
Na Hóstia consagrada, além do lugar, Jesus prepara-nos o alimento. Na
vida, nutrimo-nos não só com alimentos, mas também com projetos e
afetos, anseios e esperanças.
As tecnologias mais avançadas não bastam: temos fome de ser amados.
Na Eucaristia encontramos realmente Jesus, sentimos o seu amor. O Papa
então faz uma exortação:
“Queridos irmãos e irmãs, escolhamos este alimento de vida: ponhamos
em primeiro lugar a Missa, voltemos a descobrir a adoração nas nossas
comunidades! Peçamos a graça de nos sentirmos esfomeados de Deus, de
nunca nos fartarmos de receber o que Ele prepara para nós.”
Locais desconfortáveis, não exclusivos
Para nos preparar para este lugar e alimento, Jesus indica-nos as suas
preferências: não locais exclusivos e excludentes, mas desconfortáveis:
“Há tantas pessoas privadas dum lugar decente para viver e do
alimento para comer! Mas todos conhecemos pessoas sozinhas, atribuladas,
necessitadas: são sacrários abandonados. Nós, que recebemos de Jesus
alimentação e morada, estamos aqui para preparar um lugar e o alimento
para esses irmãos mais frágeis.”
A Eucaristia traduz-se na vida
Jesus pede que nos doemos aos outros, que deixemos de viver para nós
mesmos, mas vivamos um para o outro. É assim que se vive
eucaristicamente: derramando sobre o mundo o amor que recebemos da carne
do Senhor. A Eucaristia traduz-se, na vida, passando do eu ao tu.
Para isso, é preciso abater os muros da indiferença e da conivência,
remover as grades dos abusos e arrogâncias, abrir os caminhos da
justiça, da equidade e da legalidade.
“A Eucaristia convida a deixar-nos levar pela onda de Jesus, não
ficar arenados na praia à espera que chegue qualquer coisa, mas zarpar
livres, corajosos, unidos.”
Procissão
Depois da Santa Missa, o Papa Francisco presidiu a procissão com o
Santíssimo, percorrendo uma distância de um quilómetro e duzentos
metros, passando por algumas ruas da localidade na costa romana.
A procissão concluiu-se no estacionamento na via della Martinica,
perto da paróquia de Nossa Senhora de Bonaria, onde o Santo Padre
concedeu a bênção eucarística.
“A presença de Jesus vivo na Eucaristia é
como uma porta, uma porta aberta entre o templo e a estrada, entre a fé
e a história, entre a cidade de Deus e a cidade do homem”: disse o Papa
Francisco no Angelus referindo-se à festa de Corpus Christi.
Raimundo de Lima - Cidade do Vaticano
A festa de Corpus Christi ensina a tornar-nos mais
acolhedores e disponíveis aos que buscam compaixão, auxílio,
encorajamento, e se encontram marginalizados e sozinhos. Foi o que disse
o Papa Francisco no Angelus este domingo (03/06) ao rezar a oração mariana com milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.
Ouça a reportagem incluindo voz do Papa
O Santo Padre lembrou que este domingo se celebra em muitos países, entre os quais a Itália, a festa de Corpus Christi, dedicando a alocução que precedeu a oração mariana ao significado desta solenidade.
Humilde sinal do pão que se tornou o Corpo de Cristo
Retomando as palavras do Evangelho do dia, pronunciadas por Jesus na
Santa Ceia com os seus discípulos: “Tomai, este é o meu corpo”. Depois,
“Este é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos”, o
Pontífice ressaltou que pela força deste testamento de amor, a comunidade
cristã reúne-se todo domingo, e todo dia, em torno da Eucaristia,
sacramento do Sacrifício redentor de Cristo. “E através da sua presença
real – acrescentou – os cristãos o adoram e o contemplam através do
humilde sinal do pão que se tornou o seu Corpo”.
“Toda as vezes que celebramos a Eucaristia, mediante este Sacramento
tão sóbrio e, ao mesmo tempo, tão solene, fazemos experiência da Nova
Aliança, que realiza plenamente a comunhão entre Deus e nós. E enquanto
partícipantes desta Aliança, nós, mesmo pequenos e pobres, colaboramos para
edificar a história como quer Deus.”
Amor que recebemos de Cristo deve ser parilhado com os outros
Por isto, continuou Francisco, “toda celebração eucarística, no tempo
em que constitui um ato de culto público a Deus, evoca a vida e as
vicissitudes concretas da nossa existência. Ao mesmo tempo em que nos
alimentamos do Corpo e Sangue de Cristo, somos assimilados a Ele,
recebemos em nós o seu amor, não para detê-lo ciosamente, mas para
partilhá-lo com os outros”. Esta é a lógica eucarística. Nela
contemplamos Jesus pão partilhado e doado, sangue derramado para a nossa
salvação.
“É uma presença que como fogo queima em nós as atitudes egoístas, purifica-nos da tendência a dar somente quando recebemos, e acende o
desejo de fazer-nos também nós, em união com Jesus, pão partilhado e
sangue derramado pelos irmãos.”
Corpus Christi, escola de amor concreto, paciente e sacrificado
A festa de Corpus Christi “é um mistério de atração a Cristo e
de transformação n’Ele. E é escola de amor concreto, paciente e
sacrificado, como Jesus na cruz”.
“A presença de Jesus vivo na Eucaristia é como uma porta, uma
porta aberta entre o templo e a estrada, entre a fé e a história, entre a
cidade de Deus e a cidade do homem”.
Angelus - 03 de junho de 2018
Procissão com o Santíssimo, expressões da piedade eucarística popular
Francisco ressaltou ainda que as procissões com o Santíssimo
Sacramento são expressões da piedade eucarística popular, que se
realizam nesta solenidade em vários países, destacando em seguida a
celebração da missa na parte da tarde deste domingo na localidade Ostia –
litoral romano – com a procissão com o Santíssimo Sacramento,
convidando todos a participar, também espiritualmente, através do rádio e
da televisão.
Saudação aos fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro
Na saudação aos vários grupos de fiéis e peregrinos presentes,
Francisco lembrou a beatificação, no sábado (02/06), em Nápoles, da
fundadora das Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração, Irmã Maria Crucificada
do Amor Divino, filha espiritual de Pe. Pio.
Além do novo e premente apelo a favor da paz na Nicarágua, saudou
também os fiéis reunidos em Sotto il Monte, com o bispo de Bergamo –
norte da Itália – no aniversário da morte de São João XXIII, cujos
restos mortais encontram-se estes dias naquelas terras. Francisco fez
votos de que tal peregrinação possa suscitar em todos generosos
propósitos de bem.
Papa Francisco saúda os membros da Sociedade Italiana de Combate à Distrofia Muscular
"Sejam sinais de esperança, que aliviam
os momentos de solidão e sofrimento na enfermidade", disse Francisco aos
membros da Sociedade Italiana de Combate à Distrofia Muscular, doença
genética degenerativa, que acomete, geralmente, crianças entre 1 e 6
anos.
Cidade do Vaticano
O Santo Padre concluiu as suas atividades, na manhã deste sábado (02/6),
recebendo, na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de 1.500 membros da
Sociedade italiana de Combate à Distrofia Muscular.
Enfrentar enfermidade com confiança e serenidade
A distrofia muscular, recordamos, é uma doença genética degenerativa,
que acomete, geralmente, crianças entre 1 e 6 anos, provocando fraqueza
e perda progressiva da função muscular. Trata-se de uma doença grave
que não dá nenhuma expectativa de vida.
No seu discurso aos presentes, o Papa cumprimentou e
agradeceu “aos sócios e voluntários da Sociedade, que prestam um
generoso serviço, em todo o território nacional, aos pacientes
acometidos por distrofias e outras patologias musculares. E acrescentou:
“Para eles, vós sois sinais de esperança, que aliviam os momentos
de solidão e sofrimento, e estímulo para enfrentar a enfermidade, com
confiança e serenidade. A vossa presença assegura-lhes uma assistência
preciosa, em âmbito médico e social, para além do calor humano, do diálogo
fraterno e da ternura. A reabilitação física pode e deve ser acompanhada
por uma reabilitação espiritual, composta de gestos de solidariedade,
um serviço para combater a dor física, mas também o sofrimento moral de
abandono e isolamento”.
Entre as características de tal serviço, o Papa recordou a gratuitidade,
- para além dos interesses ou ideologias, - discrição, fidelidade,
atenção, prontidão, eficácia, humildade, serenidade, determinação,
pontualidade, perseverança e respeito pelo paciente. Por isso, Francisco
animou os membros da Associação italiana de Combate à Distrofia
Muscular:
“Encorajo-vos a prosseguir nesta trajetória, tornando-vos, cada vez
mais, testemunhas da solidariedade e caridade evangélica. O vosso precioso
serviço é um fator peculiar de humanização, que leva a sociedade a ser
mais atenciosa com a dignidade humana. Jesus partilhou, até à morte, a nossa realidade terrena, ensinando-nos a agir com caridade, que é a
forma mais eloquente do testemunho evangélico”.
Neste sentido, o Santo Padre recordou os inúmeros homens e mulheres
cristãos, que, ao longo dos séculos, se dedicaram com amor ao próximo
sofredor, como José Cottolengo, Luís Guanella, Luís Orione.
Francisco concluiu o seu discurso recordando a importância da ajuda e
da assistência a quem sofre, bem como o testemunho cristão, sobretudo
entre os jovens, que devem ser educados numa cultura de solidariedade e
acolhimento, aberta às necessidades das pessoas mais frágeis.
Por fim, o Papa afirmou que “quem sofre compreende mais o valor do
dom divino da vida, que deve ser tutelada, desde a sua concepção até ao
fim natural”.
Potâmio, no século IV, é apenas o primeiro nome conhecido de um Bispo de
Lisboa. Até 1716, ano da qualificação patriarcal, muitos se seguiram na
condução da diocese. Os seus legados, percursos e outros aspetos são
agora apresentados na obra ‘Bispos e Arcebispos de Lisboa’. Em
entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE, o responsável pela coordenação da
publicação, João Luís Fontes, refere que esta não é uma obra acabada e
aponta como desafio a elaboração da história da diocese.
Como surgiu a ideia para a obra ‘Bispos e Arcebispos de Lisboa’, que foi apresentada no passado dia 28 de maio? A
obra surge a partir de uma conversa com o senhor Patriarca, na altura
da preparação das comemorações dos 300 anos da criação do Patriarcado,
em 2014. Nas comemorações, acontecia algo que implicava repensar a
Igreja de Lisboa, que era o próprio Sínodo Diocesano. E não se pensa o
presente e projeta o futuro sem ter em conta toda uma memória que
trazemos, enquanto povo de Deus. Por outro lado, poderia ser uma
oportunidade para tentar fazer algumas sínteses sobre os percursos dos
Bispos e Arcebispos de Lisboa. É evidente que a grande síntese que
gostaríamos de fazer seria uma história da diocese, mas achou-se que
seria, para já, precoce porque esta é uma diocese muito particular em
vários aspetos. É uma diocese enorme e que, no período medieval e
moderno, incluía outras dioceses que hoje já estão autonomizadas, tais
como Santarém, Setúbal e parte de Leiria. Lisboa é a diocese da capital
do Reino e esse facto dá-lhe uma fisionomia muito diferente. Neste meio
termo, achámos que seria interessante e importante começar por recuperar
e completar a biografia dos Bispos e Arcebispos que estiveram à frente
da diocese. Como já existe uma obra sobre os Patriarcas de Lisboa, este
novo livro contempla os prelados até a criação do Patriarcado, em 1716.
Desde a restauração da diocese, no século XII, até à atribuição do
título patriarcal, fizemos as biografias dos respetivos Bispos e
Arcebispos. Para o período anterior, desde o século IV, em que a
informação é muitíssimo mais dispersa e escassa, procurámos fazer
capítulos de síntese em que apresentamos o que é possível saber, para
já, sobre os primeiros Bispos após a chegada do cristianismo ao atual
território português, o que sabemos sobre a Igreja de Lisboa no período
visigótico e, depois, o modo como a própria Igreja de Lisboa sobrevive e
resiste sob a ocupação muçulmana.
Que desafios se colocaram para a procura de informação? Foi,
sobretudo, a própria natureza das fontes. Para o período visigótico, o
que temos, muitas vezes, são referências à participação dos Bispos de
Lisboa em Concílios que aconteceram na Península. Para muitos, é a única
referência que temos. Mesmo assim, permite-nos compilar dados e
perceber que existe uma continuidade na organização eclesiástica no
território de Lisboa. No período da antiguidade tardia, temos um
caso muito excecional que é o Bispo Potâmio, do século IV. Foi uma
figura muito bem trabalhada pelo senhor D. António Montes Moreira, que
já tinha estudado este Bispo na sua tese de doutoramento (1964). Potâmio
é a primeira referência conhecida ao nome de um Bispo de Lisboa, ainda
por cima um Bispo excecional, na medida em que se conhece grande parte
da sua obra escrita, que esteve relacionada com as questões do
arianismo, e com todo o debate cristológico que atravessa toda a
antiguidade tardia, entre as Igrejas do Oriente e Ocidente.
Que ideias gerais se podem destacar nesta obra dos ‘Bispos e Arcebispos de Lisboa’? No
prefácio, D. Manuel Clemente já sintetizou algumas ideias interessantes
em relação àquilo que encontramos na obra. A investigação desenvolvida
procurou apresentar o que historicamente podemos conhecer do percurso
dos prelados lisboetas: as suas origens familiares, a sua formação e
carreiras políticas e eclesiásticas, as suas experiências pastorais e,
muitas vezes, também os laços que estabeleceram entre a dimensão
pastoral e a dimensão política. Aliás, D. Manuel Clemente chama a
atenção para isso, de como essas duas esferas se interpenetram no
percurso destes prelados. Há Bispos que são apresentados como
reformadores e que têm de fazer coexistir esse ímpeto reformador com o
serviço Régio. Por exemplo, houve Bispos obrigados a ausentarem-se da
diocese para serviços diplomáticos, pedidos pelo monarca. Por outro
lado, há aspetos interessantes de prelados que se conheciam muito mal,
sobretudo aqueles que estão ligados a um período mais complicado que é o
período em que o papado está em Avinhão (1309-1377) e, depois, o
período do Cisma do Ocidente (1378-1415), onde tivemos dois Papas – e
chegámos, até, a ter três! –, e em que os reinos cristãos se dividiram
muito entre a obediência a Roma e obediência a Avinhão. Também em Lisboa
tivemos alturas em que tínhamos um Bispo nomeado por Avinhão e outro
por Roma.
Leia a entrevista completa na edição do dia 3 de junho do Jornal VOZ DAVERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.
Papa Francisco: “ não ter medo de entrar
em jogo com os outros e com Deus e não se contentar com um empate
"medíocre". "Dar o melhor de si" para "o que dura para sempre ".
Alessandro De Carolis, José Silvonei - Cidade do Vaticano
Nos cinco capítulos e nas 50 páginas do texto “Dar o melhor de si”,
se analisa, em síntese a história do fenómeno desportivo, oferece-se uma
leitura antropológica do ponto de vista dos valores e outra sobre os
desafios e desvios do desporto – entre as quais o doping e a corrupção –
para concluir com uma descrição do papel desempenhado pela Igreja neste
setor, considerado um "moderno Pátio dos Gentios".
O que interessa no fundo é reiterar que não há um "desporto cristão",
mas certamente é legítima "uma visão cristã do desporto". Por esta razão,
reafirma-se que a Igreja - como repetidamente ensinada nas últimas
décadas, em particular por João Paulo II, - não se limita a incentivar
uma "prática desportiva qualificada", mas "quer estar" dentro do
"desporto", entendido como "desporto para a pessoa "e, portanto, como
espaço onde dar o " melhor de si ", a partir do qual, se desenvolvem
amizade, diálogo, igualdade, respeito, solidariedade.
Não apenas pela glória
O capítulo 2 detém-se na evolução do desporto. Raciocinando sobre a
etimologia da palavra, nota-se como o francês “desporter” deriva do
latim “desportare”, que é "divertimento". O aspecto "lúdico, físico,
competitivo", se observa, tem animado práticas desportivas desde "o
alvorecer da história do homem". Mas a "mudança radical" vem nos últimos
dois séculos, quando o desporto, - recorda-se -, gradualmente se torna
um fenómeno de massa e as Olimpíadas de Coubertin ampliam as suas
fronteiras, enquanto o desenvolvimento da mídia o torna global. Neste
desenvolvimento amadurece a concepção da atividade desportiva como
instrumento de "educação integral", que combina a “excelência física”
com a "excelência humana", e a competição no mesmo nível por um
resultado, promove o "reconhecimento da igualdade entre as pessoas".
Ginástica do corpo e do espírito
À pergunta "o que é o desporto?", o documento propõe uma das
definições possíveis, depois de ter passado em resenha as suas
características. E assim, diz-se, o desporto é, em geral, qualquer
"atividade física em movimento, individual ou em grupo" que tenha um
"caráter lúdico e competitivo" e seja codificado por "um sistema de
regras", com desempenhos comparáveis entre si " em condições de
igualdade e oportunidades ". Não se trata tanto de uma esquematização
teórica, porque no capítulo 3 o documento desloca a atenção para os
valores da atividade desportiva considerados de maneira "sinótica"
comparados aos da fé, em primeiro lugar a tensão "ao desenvolvimento
harmonioso e integral da pessoa, alma e corpo". É ainda o Papa Wojtyla
que sugere uma descrição eficaz quando vê o desporto como "uma forma de
ginástica corporal e espiritual" e observa que "não é mera força física e
eficiência muscular, mas também tem uma alma e deve mostrar a sua face
integral".
Jogo "limpo"
O paralelo desporto-fé continua por outros 9 pontos. Entre os
primeiros, destaca-se que o desporto recorda que a "liberdade" seja
"também uma responsabilidade" e que "vale a pena abraçar desafios de
longo prazo" com compromisso e sacrifícios. Precisamente como a vida
cristã, que requer "perseverança", o que a torna mais parecida com "uma
maratona do que com uma corrida de velocidade". Depois, há as "regras"
compartilhadas, resultado da "criatividade" daqueles que conceberam a
competição, sem as quais o sentido da competição "seria frustrado". Em
particular, o parágrafo foca no "fair play", que se origina da
necessidade de que o jogo seja "limpo" e que aos atletas ensina "a
estarem atentos e a respeitarem o adversário" muito para além do medo de
serem sancionados. Tudo isto, diz o documento, torna o desporto "uma
oportunidade de educação para toda a sociedade". Em particular, para os
jovens confusos com uma "perda cada vez maior de valores", os atletas
podem encarnar o papel de "educadores".
Bem-estar da pessoa e corpos-objeto
Também aprender o "gosto e a beleza do jogo em equipa" - onde o
atleta coloca à disposição da equipa "dons e talentos" - pode dar uma
forte resposta à difusa "mentalidade individualista". Enquanto a
"disciplina" de que um desportista deve dotar-se, treinando com
"abnegação" e "humildade", demonstra como ocorre na vida de fé, que o
"sacrifício e o sofrimento têm um poder transformador". Sem esquecer
que, ao lado das dificuldades dos "desafios mais difíceis", convive no
desporto o aspecto da "alegria" e da "harmonia", porque a atividade
desportiva é portadora de "bem-estar" e "equilíbrio". Por outro lado,
prossegue o texto, "grande dano às pessoas" pode vir do excesso de
"comercialização" que afeta alguns desportos, da sua "dependência de
modelos científicos livres" de "preocupações éticas" em que o "corpo é
reduzido a objeto". e a pessoa é considerada uma mercadoria ".
Sinal de paz possível
Que na "lógica do desporto" se reconheça a "lógica da vida" é evidente
também a partir de outras peculiaridades de quem participa numa
competição. O é pela "coragem", que brilha especialmente quando continua
a dar o melhor de si, apesar da possibilidade de vencer ter
desaparecido, ou na "igualdade e respeito" essenciais em todas as formas
de competição. E, de facto, - reconhece o documento -, "muitos desportos
populares fizeram campanhas para aumentar a consciencialização contra o
racismo e promoveram a inclusão, a paz, a solidariedade e a inclusão".
"O desporto - dissera Bento XVI - pode unir num espírito de amizade,
povos e culturas. O desporto é um sinal de que a paz é possível". Conclui-se o capitulo afirmando que, na sua "tensão entre força e
fragilidade", o desporto "é talvez o exemplo mais evocativo de unidade
entre corpo e alma".
A competição corrompida
E ainda, apesar do seu conjunto de valores, "o desporto – lê-se no
texto - pode ser usado contra a dignidade do ser humano e contra os
direitos da pessoa". A premissa abre o capítulo 4, breve, mas incisivo
ao abordar tudo o que estraga o setor. Tudo nasce quando a prática
desportiva se degrada ao redor do "vencer a todo custo". A partir dos
"riscos para a saúde" - com os atletas reduzidos, como disse o Papa
Francisco, "a mera mercadoria" - passando pelos abusos "físicos, sexuais
ou emocionais" cometidos contra menores, para os quais são necessárias
medidas especiais de segurança; até os "comportamentos antidesportivos"
dos torcedores o texto estigmatiza, situações que minam a beleza da face
"humana e justa" do desporto. Uma responsabilidade que também inclui "o
máximo respeito pela criação" e a atenção aos "animais" que porventura
devem estar envolvidos na competição.
Os quatro desafios
Para a Igreja há quatro áreas nas quais há que intervir para evitar que os
interesses de parte contaminem os setores do desporto tentados pelo
desempenho fora das regras. O primeiro diz respeito à "degradação do
corpo", levando - afirma - à "automatização dos atletas" e, muitas
vezes, no caso de muitos, a um "especialização precoce" que pode minar a
saúde do corpo, por exemplo, no caso da ginástica de elite em que o
esforço para reentrar no modelo de “físico pré-púberes" pode causar
"distúrbios de alimentação". A segunda área relaciona-se com o doping,
prática infame de degradação do corpo do atleta, bem como da fraude dos
resultados que requer “esforços internacionais concretos e coordenados”
não somente da parte de organizações desportivas, mas também dos meios de
comuni esconde-se a "corrupção" de tipo económico,
considerada pelo documento como o terceiro desafio a ser superado para
evitar fraudes e enganos orquestrados por "atores externos" ao ambiente
(se pense na "apostas esportivas") e proteger" com “regras concretas e
transparentes” a “integridade do desporto”. Quarta área de intervenção refere-se aos "fãs e espectadores": também aqui o apelo é para a
preservação da "comunidade unida" dos torcedores que, quando vive
corretamente a sua paixão, é "uma fonte fantástica de alegria e de
beleza."
"A Igreja é de casa no desporto"
O quinto e último capítulo é dedicado ao cuidado pastoral da Igreja
nos vários níveis do mundo do desporto. A presença da Igreja nesta área,
tornou-se cada vez mais estável no início do século XX com o objetivo,
não tanto de fornecer as suas próprias instalações para a atividade amadora
ou agonista, mas sim, como reafirma o texto, "para dar sentido, valor e
perspectiva à prática do desporto". Em 5 pontos, o capítulo explora os
contextos em que o cuidado pastoral é chamado a agir. Nas famílias
(reconhecendo que o desporto é "uma fonte de relação" entre pais e
filhos, " mas isso não deveria impedir a participação na missa), nas
paróquias e oratórios (desporto "firmemente ancorado num projeto
educativo e pastoral "), nas escolas e universidades (desporto "orientado para o desenvolvimento integral dos estudantes"), em centros de fitness,
bem como no setor da ciência e da medicina e desportos, no setor "ponte"
da mídia tradicional e das redes sociais e, finalmente, entre os clubes
de desporto amador e, especialmente, no âmbito profissional, onde é
relançada a necessidade de uma formação adequada dos "capelães
desportivos". Em particular, a Igreja é convidada a acompanhar os
profissionais do desporto estimulando aqueles que estão em atividade, a conservação
de um espírito de "amador" - que tem em si os "valores da gratuicdade,
da amizade, da beleza" - e naqueles que tendo completad oa sua carreira, o
saber "colocar em jogo os talentos" longe da "depressão e vazio" que às
vezes podem atingir um atleta em repouso.
Um "bem pastoral"
Para todos os protagonistas desses setores, o documento insiste na
necessidade de uma "estratégia educacional" que apoie educadores
desportivos, pais, voluntários, sacerdotes e pessoas consagradas. O
documento sugere "elementos fundamentais" para um projeto que entenda o
desporto como "um bem pastoral". E portanto, entre outras coisas, o
desporto como instrumento "para reconstruir o pacto educacional", visto
"ao serviço da humanidade", que recupere a centralidade do "jogo" e que
seja "para todos" e tenha "uma visão ecológica". A parte final é do Papa
Francisco, as suas palavras no Centro Desportivo Italiano em 2014: “ não
ter medo de entrar em jogo com os outros e com Deus, e não se contentar
com um empate "medíocre". "Dar o melhor de si" para "o que dura para
sempre".
Papa Francisco recebeu em audiência os diretores das Pontifícias Obras Missionárias
(Vatican Media)
“A conversão missionária das estruturas da Igreja requer santidade pessoal e criatividade espiritual.", disse Francisco.
Cidade do Vaticano
O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta sexta-feira (1º/06), na
Sala Clementina, no Vaticano, os diretores nacionais das Pontifícias
Obras Missionárias (POM), por ocasião da sua assembleia geral, em Roma.
ciualização missionária do Povo de Deus, assegurando as suas orações.
“ Temos diante de nós um caminho interessante: a preparação do Mês
Missionário Extraordinário de outubro de 2019, que eu convoquei no Dia
Mundial das Missões de 2017. ”
"Encorajo-vos a viver esta fase de preparação como uma grande
oportunidade de renovar o compromisso missionário de toda a Igreja. É
também uma ocasião providencial para renovar as nossas Pontifícias Obras
Missionárias. As coisas devem ser sempre renovadas: renovar o coração,
renovar as obras, renovar as organizações, caso contrário, terminaremos
num museu."
"Temos de nos renovar para não acabar no museu. Vocês conhecem a minha
preocupação com o perigo de que o vosso trabalho se reduza à mera dimensão
monetária de ajuda material, transformando-os numa agência como muitas
outras.”
Francisco chamou a atenção para a urgência da “renovação da
consciência missionária de toda a Igreja, hoje, intuição grande e
corajosa do Papa Bento XV, contida na sua Carta Apostólica Maximum illud: a necessidade de requalificar evangelicamente a missão da Igreja no mundo”.
“Se a renovação for autentica, criativa e eficaz, a reforma das suas
obras consistirá numa verdadeira refundação, uma requalificação de
acordo com as exigências do Evangelho”, frisou o Papa.
“ A conversão missionária das estruturas da Igreja requer santidade pessoal e criatividade espiritual. ”
"Portanto, não somente renovar o velho, mas permitir que o Espírito
Santo crie o novo, fazendo novas todas as coisas. Não tenham medo das
novidades que vêm do Senhor Crucificado e Ressuscitado. Sejam valentes e
corajosos na missão, colaborando com o Espírito Santo em comunhão com a
Igreja de Cristo.”
Francisco perguntou: “O que significa requalificar-se evangelicamente
para as Pontifícias Obras Missionárias que junto com a Congregação para
a Evangelização dos Povos estão a preparar o Mês Missionário
Extraordinário?
"Acredito que significa simplesmente uma conversão missionária.
Precisamos de nos requalificar a partir da missão de Jesus, requalificar o
esforço de coleta e distribuição de ajuda material à luz da missão e da
formação que esta exige, a fim de que a consciência e responsabilidade
missionária voltem a fazer parte da vida cotidiana do santo povo fiel de
Deus.”
Falando sobre o tema do Mês Missionário Extraordinário de outubro de 2019, “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”,
o Papa explicou que “o envio para a missão é um chamanebto ínsito no
Batismo. É de todos os batizados. Assim, a missão é o envio para a
salvação que causa a conversão do enviado e do destinatário: a nossa
vida é, em Cristo, uma verdadeira missão! A dimensão missionária do
nosso Batismo traduz-se no testemunho de santidade que dá vida e beleza
ao mundo.”
Francisco destacou que “renovar as Pontifícias Obras Missionárias
significa ter no coração, com compromisso sério e corajoso, a santidade
de cada um e da Igreja como família e comunidade. Para colaborar na
salvação do mundo é preciso amá-lo e estar dispostos a dar a vida,
servindo a Cristo, único Salvador do mundo. Nós não temos um produto
para vender, mas uma vida para comunicar: Deus, sua vida divina, seu
amor misericordioso e sua santidade!”
O Pontífice recordou que em outubro de 2019, Mês Missionário Extraordinário, realizar-se-á também o Sínodo para a Amazónia.
“Acolhendo as preocupações de muitos fiéis, leigos e pastores, eu
quis que se encontrassem para rezar e refletir sobre os desafios da
evangelização nessas terras da América do Sul onde vivem Igrejas
particulares importantes.”
“Espero que essa coincidência nos ajude manter fixo o nosso olhar em
Jesus Cristo ao enfrentar problemas, desafios, riquezas e pobreza;
ajude-nos a renovar o compromisso de serviço ao Evangelho para a
salvação dos homens e mulheres que vivem nessas terras. Rezemos para
que o Sínodo para a Amazónia possa requalificar evangelicamente a missão
nessa região do mundo tão sofrida, injustamente explorada e necessitada
da salvação de Jesus”, concluiu Francisco.