11 junho, 2015

C9: tutela dos menores e reforma dos media em destaque

(RV) Concluiu-se nesta quarta-feira dia 10 de junho no Vaticano mais uma reunião do Conselho de Cardeais. Foi o décimo encontro deste organismo que foi criado pelo Papa Francisco para o apoiar na Reforma da Cúria Romana. Foram três os temas objeto de decisões: Tutela do menores, reforma dos media e esboço da nova Constituição.

Sobre a tutela dos menores o Presidente da Comissão Pontifícia para a Tutela dos Menores, Cardeal Sean Patrick O'Malley, apresentou um relatório sobre “as denúncias de abusos de poder episcopal”, preparado pelo próprio organismo. O relatório engloba também “uma proposta sobre o tema das denúncias dos abusos sexuais em menores e adultos vulneráveis por parte do clero”.

Tais documentos foram aprovados pelo Santo Padre que concedeu a autorização para que “sejam fornecidos recursos adequados para se alcançar este objetivo”. Ficou estabelecido, portanto, “que a competência de receber e analisar as denúncias de abusos de poder episcopal pertence às Congregações para os Bispos, para a Evangelização dos Povos ou para as Igrejas Orientais e todas as denúncias devem ser apresentadas à Congregação apropriada. Também foi aprovado que será a Congregação para a Doutrina da Fé a julgar os processos, como informou o Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé:

“Que o Santo Padre dê um mandato à Congregação para a Doutrina da Fé para julgar os bispos em relação aos delitos de abuso de poder. Portanto, as denúncias são feitas às três Congregações, mas o julgamento é feito depois pela Doutrina da Fé que, como sabemos, tem também uma natureza de Tribunal”.

Também foi autorizada a instituição de uma nova Secção Judicial dentro da Congregação para a Doutrina da Fé, como refere o Padre Lombardi:

“No Código de Direito Canónico provavelmente existiam elementos, mas até agora não existia um procedimento, não havia uma indicação de competências específicas. Portanto, este é um passo muito importante”.

Foi também apresentado ao Conselho o relatório do Diretor do Centro Televisivo Vaticano e Presidente da Comissão para os Meios de Comunicação Vaticanos, o Mons. Dario Viganò, que propõe um projeto de reforma a ser implementado em quatro anos e que prevê “a salvaguarda dos funcionários e uma integração das instituições”:

“As instituições envolvidas são o Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, a Sala de Imprensa, a Rádio Vaticano, o Centro Televisivo Vaticano, o L’Osservatore Romano, o Serviço Fotográfico, a Livraria Editora Vaticana, a Tipografia Vaticana e o Serviço Internet. Portanto, todas as instituições de tipo mediático comunicativo estão inseridas neste projeto.”

“O Conselho de Cardeais expressa ao Santo Padre Francisco um parecer positivo e isto também no que diz respeito aos tempos de implementação, que prevê nos próximos meses a constituição do Dicastério e as nomeações necessárias para o início do processo. Portanto, prevê-se a constituição de um Dicastério, para o qual  não existe ainda um nome fixado – Secretariado, Conselho, Secretaria, não existe uma especificação em relação a isto – e que se ocupe do conjunto dos media e das comunicações da Santa Sé e que assim administre este processo de gradual integração das instituições, até chegar a um novo ordenamento, num período previsível de 4 anos, evidentemente em passos graduais”.

Outro tema tratado foi o esboço do preâmbulo da nova Constituição, que será ulteriormente elaborada e que envolve reformas no campo económico-financeiro. A este respeito, o Prefeito da Secretaria para a Economia, o Cardeal George Pell, apresentou um relatório onde referiu a criação de três grupos de trabalho para a análise das entradas e dos investimentos, para a gestão dos recursos humanos e para o estudo dos sistemas informáticos existentes.

A próxima reunião do Conselho de Cardeais está prevista para os dias 14 a 16 de setembro de 2015. (RS)

10 junho, 2015

Audiência : viver a doença na família

(RV) Quarta-feira, 10 de junho: na audiência geral o Papa Francisco abordou na sua catequese o tema da doença na família : “É uma experiência da nossa fragilidade, que vivemos principalmente em família, desde crianças e depois sobretudo quando somos idosos” – afirmou o Papa.

Segundo o Santo Padre, o amor que sentimos pela pessoa doente, faz-nos viver os momentos de doença no âmbito familiar, com ainda mais sofrimento e angústia. Muitas vezes, é mais fácil para os pais suportar a sua própria doença do que a dos filhos.

“A família, podemos dizer que é, desde sempre, o hospital mais próximo; ainda hoje, em muitas partes do mundo, o hospital é um privilégio para poucos. E, às vezes, está longe. São a mãe, o pai, os irmãos, as irmãs, as avós que garantem os cuidados e ajudam a curar.”

O Papa Francisco citou alguns episódios do Evangelho que narram o encontro de Jesus com os doentes, em particular, o facto que mesmo em dia de Sábado Jesus nunca se recusou a curar e deu aos discípulos a ordem e o poder de fazerem o mesmo. Esta é também a tarefa da Igreja: ajudar e aliviar os doentes na prática, mas também com as orações. “Jamais devem faltar as orações pelos doentes” – observou o Santo Padre e devemos rezar pessoalmente e em comunidade.

Diante da doença – disse ainda o Papa – podem surgir problemas no seio familiar devido à fraqueza humana. Mas, de modo geral, o período da doença faz aumentar a força dos elos familiares.

“Penso quanto é importante educar os filhos desde pequenos à solidariedade no período da doença. Uma educação que poupa os filhos do contacto com a enfermidade empobrece o coração. E faz de modo que as crianças fiquem anestesiadas diante do sofrimento dos outros, incapazes de confrontar-se com o sofrimento e de viver a experiência do limite.”

O Santo Padre considerou como sendo um “heroísmo escondido” o esforço de tantos pais que se revezam à noite para cuidar dos filhos ou do idoso doente e, no dia seguinte, com poucas horas de sono, têm que regressar ao trabalho. Desta forma, a fraqueza dos nossos familiares pode ser uma escola de vida se for acompanhada da oração e da presença afetuosa dos seus membros.

A comunidade cristã sabe que a família não deve ser deixada sozinha nos momentos da enfermidade – sublinhou o Papa – e devemos agradecer a Deus pelas beneméritas experiências de fraternidade eclesial que ajudam as famílias a atravessar o difícil momento da tribulação e do sofrimento.

A proximidade cristã, de família a família, é um verdadeiro tesouro para uma paróquia; um tesouro de sabedoria, que ajuda as famílias nos momentos difíceis e faz compreender melhor o Reino de Deus do que muitos discursos – declarou o Santo Padre concluindo a sua catequese.

O Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! De coração vos saúdo a todos, em particular a «Fazenda Esperança» e os grupos paroquiais do Brasil, encorajando-vos a ser por todo o lado testemunhas de esperança e caridade. E, se alguma vez a vida fizer desencadear turbulências espirituais na vossa alma, ide procurar refúgio sob o manto da Virgem Mãe de Deus; somente lá encontrareis paz. Sobre vós, vossas famílias e paróquias desça a Bênção do Senhor.”

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção! (RS)

09 junho, 2015

Papa: não diluir a identidade cristã numa religião soft



(RV) Terça-feira, 9 de junho: o Papa Francisco na Missa em Santa Marta afirmou que não podemos diluir a identidade cristã numa religião soft. Desenvolvendo a sua homilia refletindo sobre as palavras de S. Paulo aos Coríntios que fala, precisamente, da identidade dos discípulos de Jesus, o Santo Padre afirmou que esta identidade revela-se no testemunho. E o testemunho é a linguagem da nossa identidade cristã – pois esta é uma identidade concreta que, contudo, corre o risco de se tornar débil e perder-se:

“… passar do testemunho às ideias, diluir o testemunho. ‘Eh sim, sou cristão. O Cristianismo é isto, uma bela ideia. Eu rezo a Deus’. E assim, do Cristo concreto, passamos a esta religião um pouco 'soft', no ar...”

“A cruz – disse o Papa – é um escândalo” e, portanto, há quem busque Deus em “espiritualidades cristãs um pouco etéreas”. Segundo o Santo Padre, uma outra forma de diluição da identidade cristã é a mundanidade que faz com que o espírito cristão, que é sal da terra, perca o sabor. E, desta forma, vemos comunidades cristãs, que se dizem cristãs, mas não podem nem sabem dar testemunho de Jesus Cristo. E ,assim, o sal perde o sabor”  - afirmou o Papa Francisco. (RS)

Papa Francisco apela para os direitos da criança

(RV) No passado domingo dia 7 de junho durante o Angelus, o Papa Francisco fez um apelo à comunidade internacional para promover “o reconhecimento ativo dos direitos da infância” a propósito do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil que ocorre na próxima sexta-feira dia 12 de junho:

“Muitas crianças no mundo não têm liberdade para brincar, de ir às aulas, e acabam por ser exploradas como mão-de-obra. Espero o compromisso solícito e constante da comunidade internacional para a promoção do reconhecimento efetivo dos direitos da infância.”

Recordemos que a Organização Internacional do Trabalho, agência das Nações Unidas, instituiu a data do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil em 2002. O objetivo é alertar a população para o facto de muitas crianças serem obrigadas a trabalhar diariamente quando deveriam estar na escola a aprender e a construir um futuro melhor para si e para as suas famílias. (RS)

Papa: hipocrisia de quem defende a paz e vende armas


(RV) O Papa Francisco no voo de regresso de Sarajevo para Roma, no passado sábado dia 6, cumpriu a sua promessa de ter uma conversa com os jornalistas que o acompanharam na viagem. Foram abordados alguns temas, com destaque para as aparições de Medjugorje, sobre as quais o Santo Padre disse ter havido um aprofundado trabalho da comissão criada pelo Papa Bento XVI. O Santo Padre informou que a Congregação para a Doutrina da Fé está a trabalhar numa decisão. Em particular, anunciou uma sessão especial deste dicastério para finais de junho para deliberar sobre este assunto.

Respondendo a perguntas sobre as suas próximas viagens na Europa, o Papa Francisco lembrou que gostaria de visitar países pequenos, que tenham sofrido, tal como a Bósnia que foi visitada neste sábado. Entretanto, ainda sem data anunciada, está pensada uma visita a França.

Comentando a conversa que teve com os jovens bósnios no Centro Juvenil João Paulo II em Sarajevo, o Santo Padre disse que há quem fale da paz mas fomente a guerra:

“Há hipocrisia, sempre! Por isso disse que não é suficiente falar de paz: deve-se fazer a paz! E quem fala apenas de paz e não faz a paz está em contradição, e quem fala de paz e favorece a guerra, por exemplo com a venda das armas, é um hipócrita!”

De seguida, o Papa referiu-se ao consumismo como um cancro da sociedade, anunciando que sobre este assunto também falará na Encíclica que vai ser publicada neste mês de junho:

“Nós sabemos que o consumismo é um cancro da sociedade, o relativismo é um cancro da sociedade: disto falarei na minha próxima Encíclica, que sairá este mês. Eu disse a palavra “porcaria” para dizer uma coisa em geral, mas todos sabemos isto. Há pais muito preocupados que não permitem que existam computadores nos quartos dos filhos: os computadores devem estar numa área comum da casa. Estas são as pequenas ajudas que os pais encontram para evitar precisamente isto.” (RS)

07 junho, 2015

Papa: Ângelus na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo


(RV) Aos milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro para a oração mariana do Angelus o Papa Francisco recordou antes de tudo que se celebra em muitos países, incluindo a Itália, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, ou de Corpus Christi,como muitas vezes se diz, e comentou o Evangelho de Marco em que se apresenta o relato da instituição da Eucaristia, realizada por Jesus na Última Ceia, no Cenáculo em Jerusalém. Na véspera da sua morte redentora na cruz, continuou o Papa, Ele realizou o que tinha predito: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão viverá para sempre; e o pão que eu hei-de dar é a minha carne para a vida do mundo ... Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele". Jesus toma o pão em suas mãos e diz: "Tomai, isto é o meu corpo" , diz ainda o Papa e acrescenta:

“Com este gesto, e com estas palavras, Ele dá ao pão uma função que já não a de simples alimento físico, mas a função de tornar presente a sua Pessoa no meio da comunidade dos crentes”

A Última Ceia representa o ponto de chegada de toda a vida de Cristo, disse ainda o Papa, reiterando que não é apenas a antecipação do seu sacrifício na cruz, mas também a síntese de uma existência oferecida pela salvação de toda a humanidade:

“Portanto, não basta afirmar que na Eucaristia está presente Jesus, mas é preciso ver nela a presença de uma vida doada e nela tomar parte. Quando tomamos e comemos aquele pão, nós somos associados com a vida de Jesus, entramos em comunhão com Ele, nos empenhamos a realizar a comunhão entre nós, a transformar a nossa vida em dom, sobretudo aos mais pobres”
      
E o Papa continuou dizendo que a festa de hoje evoca esta mensagem de solidariedade e nos impele a acolher o íntimo convite à conversão, ao amor e ao perdão, e nos estimula a nos tornarmos, com a vida, imitadores daquilo que celebramos na liturgia:

“O Cristo que nos alimenta sob as espécies consagradas do pão e do vinho é o mesmo que vem ao nosso encontro nos acontecimentos de cada dia, está no pobre que estende a mão, está no sofredor que pede ajuda, está no irmão que implora a nossa disponibilidade e espera o nosso acolhimento. Está em cada ser humano, mesmo o mais pequeno e indefesa”

E o Papa prosseguiu a sua reflexão dizendo que a Eucaristia, fonte de amor para a vida da Igreja, é de caridade e solidariedade, e quem come o Pão de Cristo não pode ficar indiferente perante aqueles que não têm pão de cada dia, sublinhando que um problema sempre mais grave, apesar dos esforços da comunidade internacional e de muitas organizações, e que se devem, portanto, encontrar propostas e projectos concretos para resolver as suas causas        estruturais.

E concluiu com o auspício de que a festa do Corpus Christi inspire e alimente cada vez mais em nós o desejo e o empenho por uma sociedade acolhedora e solidária, colocando este desejo junto do coração da Virgem Maria, Mulher eucarística, para que desperte em todos a alegria de participar na Missa, sobretudo nos domingos, e a alegre coragem de testemunhar a infinita caridade de Cristo.


Após a oração do Angelus o Papa falou da sua vista apostólica de ontem à Bosnia e Erzegovina, agradeceu à todo o povo, aos fiés e as autoridades civis e religiosas do país pela calorosa hospitalidade. Recordou que na próxima sexta feira se celebra o dia mundial contra o trabalho infantil salientando que ainda hoje existem milhares de crianças que vivem privadas da liberdade de brincar e de ir à escola. Por fim saudou os fiéis e peregrinos presentes na Praça de S. Pedro e a todos deu a sua bênção pedindo que continuassem a rezar por ele.