07 junho, 2015

Papa aos jovens: sede unidos, honestos e construtores da paz



(RV) O último compromisso público do Papa em Sarajevo neste sábado (06/06) foi no Centro esportivo para jovens da diocese, dedicado a João Paulo II. O Centro ainda não está pronto; faz parte de um complexo que começou a ser construído em 2006, após a guerra. Trata-se de um espaço aberto onde jovens de todas as etnias e religiões socializam, praticam actividades de desporto e voluntariado, e formação pastoral e religiosa para católicos.

Ao descer do papamóvel, Francisco foi acolhido pelo Reitor com algumas crianças e foi acompanhado ao elevador e ao segundo andar. Ali foi inaugurada uma placa em homenagem a São João Paulo II. Cerca de 800 jovens assistiram a este ato solene.

Como presente ao Centro, Francisco levou de Roma uma estátua (71 cm de altura) moderna, de bronze, com a imagem de São João Paulo II já idoso, nos últimos anos de seu Pontificado. A obra foi doada à Santa Sé pelo Bispo de Chiavari, Dom Alberto Tanasini, e pela comunidade diocesana, em 1998, e agora foi presenteada pelo Papa Francisco aos jovens bósnios.

Depois da saudação do bispo Dom Marko Semren, encarregado da pastoral juvenil, foi a vez de dois jovens do Centro darem seu testemunho ao Pontífice.

O primeiro, Darko Majstorovic, tem 24 anos, é professor de educação física e é croata católico. Em seu caminho de busca de si mesmo, da paz e dos benefícios que esta poderia acarretar, Darko ingressou na Associação de estudantes católicos Emaús, tornando-se uma parte activa também do Centro juvenil João Paulo II. Ali encontrou a paz que tanto procurava.

“A vida comum de respeito recíproco pelas diversidades fez cair e dissolver a onda de medo que me perseguia. Crescer na fém ajudar os outros, saber se precisavam de ajuda sem lhes perguntar seu nome são valores que aprendi neste Centro”, disse. Darko, que hoje é o presidente da Associação, terminou com o auspício de que a visita do Papa seja um encorajamento a não temer as diferenças, pois “tolerância e conciliação são o caminho certo para um amanhã melhor”.

A jovem Nadežda Mojsilović, sérvia-ortodoxa, é a coordenadora do trabalho com os jovens no programa ‘Caminhemos juntos’, parceria do templo ortodoxo de S. Vasilij Ostroški, no leste de Sarajevo, com o Centro católico de pastoral juvenil João Paulo II.

“O projecto – disse Nadežda – reúne jovens de coração aberto aos outros, convencidos de que esta variedade é a riqueza do povo deste país. Guiados pelas virtudes comuns, nos esforçamos em ser modelo para os jovens daqui e de fora. Espero que depois deste nosso encontro com o Sr., líder da Igreja católica, possamos difundir a forte certeza de que a paz é a mais alta de nossas aspirações e que preservar nossas almas é um imperativo para que o amor e a confiança reinem entre nós e permaneçam nos séculos dos séculos”, completou.

Depois de ouvir os dois testemunhos, o Pontífice fez o seu discurso lembrando o que São João Paulo II fez pelos jovens, encontrando-os e encorajando-os em todas as partes do mundo. O Papa convidou as instituições a colocarem em prática estratégias oportunas e corajosas para favorecer os jovens na realização das suas legítimas aspirações; e a Igreja, a dar a sua contribuição com projectos pastorais adequados. No entanto, ressalvou, a Igreja deve sentir-se chamada a ousar cada vez mais, partindo do Evangelho e impelida pelo Espírito Santo que transforma as pessoas, a sociedade e a própria Igreja.

“Também a vocês, jovens, cabe um papel decisivo na resposta aos desafios do nosso tempo, que são certamente desafios materiais, mas antes ainda dizem respeito à visão do homem. De fato, juntamente com os problemas económicos, com a dificuldade de encontrar trabalho e a consequente incerteza do futuro, nota-se a crise dos valores morais e a perda do sentido da vida. Diante desta situação crítica, alguém poderia ceder à tentação da fuga, da evasão, fechando-se numa postura de isolamento egoísta, refugiando-se no álcool, na droga, nas ideologias que pregam o ódio e a violência”.

Lembrando aos jovens que estas são realidades que bem conhece porque, infelizmente, estão presentes também em Buenos Aires, de onde provém, Francisco os encorajou a não se deixarem abater pelas dificuldades, mas a fazer surgir sem medo a força que deriva de serem pessoas e cristãos, sementes de uma sociedade mais justa, fraterna, acolhedora e pacífica.

“Vós sois chamados a esta missão: salvar a esperança, para a qual vos impele a vossa própria realidade de pessoas abertas à vida; a esperança que tendes de superar a situação actual, de preparar para o futuro um clima social e humano mais digno do que o presente; a esperança de viver num mundo mais fraterno, mais justo e pacífico, mais sincero, mais à medida do homem”.

Na sequência, o Papa mencionou o Beato Ivan Merz, proclamado Beato por São João Paulo II em Banja Luka: “Que ele seja sempre o vosso protector e o vosso exemplo!”.

Enaltecendo ainda o empenho dos jovens no diálogo ecuménico e inter-religioso, encorajou todos a perseverar nesta obra com gestos concretos de proximidade e ajuda aos mais pobres e necessitados.

Terminando, recordou que “a juventude não é passividade, mas esforço tenaz por alcançar metas importantes, mesmo que isso custe; não é fechar os olhos às dificuldades, mas recusar os comprometimentos e a mediocridade; não é evasão ou fuga, mas compromisso de solidariedade com todos, particularmente com os mais frágeis”. Como palavras finais, o Papa pediu que rezem por ele.

Antes de deixar o local, o Papa Francisco saudou alguns jovens doentes e, do terraço, concedeu a bênção aos fiéis reunidos fora do edifício. (BS/CM)

Papa aos líderes religiosos: o diálogo é "factor de unidade"



(RV) Da Catedral de Sarajevo, Francisco dirigiu-se ao Centro internacional estudantil franciscano para o penúltimo evento do dia: o encontro ecuménico e inter-religioso.
O trauma da guerra e suas consequências marcaram as saudações ao Papa dos quatro líderes religiosos do país: católico, muçulmano, ortodoxo e judeu.

De modo especial, o Bispo Gregório recorda que o país saiu da guerra 20 anos atrás, mas ainda hoje se fala como se tivesse terminado ontem. “Isso é compreensível, porque a guerra traz consigo desgraças, homicídios, tratamentos cruéis contra menores e inocentes.”

Por sua vez, o Arcebispo de Sarajevo, Card. Vinko Puljic, ressaltou que os quatro líderes não conseguiram deter a guerra nem criar uma estratégia de paz. “O que podíamos fazer, fizemos: rezamos e invocamos a paz.” Dois anos depois do fim do conflito, fundaram em 1997 o Conselho Inter-religioso da Bósnia-Herzegovina. “Ainda há muito por fazer para realizar um verdadeiro processo de reconciliação, de perdão e de regresso do espírito de confiança.”

Nesta mesma linha, ao se dirigir aos presentes, Francisco afirmou que este encontro é sinal de um desejo comum de fraternidade e de paz. “O facto de nos encontrarmos aqui já é uma ‘mensagem’ daquele diálogo que todos procuramos e para o qual trabalhamos.”

Na realidade, ressaltou o Pontífice, o diálogo inter-religioso é uma condição imprescindível para a paz e, por isso, é um dever para todos os fiéis. Não deve ficar restrito aos líderes religiosos, mas deve envolver toda a sociedade civil. “O diálogo é uma escola de humanidade e um factor de unidade, que ajuda a construir uma sociedade baseada na tolerância e no respeito mútuo”, acrescentou.

Para Francisco, a cidade de Sarajevo, que no passado se tornou um símbolo da guerra, hoje, com a sua variedade de povos, culturas e religiões, pode ser novamente sinal de unidade. “Num mundo infelizmente ainda dilacerado por conflitos, esta terra pode tornar-se uma mensagem: atestar que é possível viver um ao lado do outro, na diversidade mas na comum humanidade, construindo juntos um futuro de paz e de fraternidade”.

E concluiu com palavras de encorajamento: “Todos estamos cientes de que há ainda muita estrada a percorrer. Mas não nos deixemos desencorajar pelas dificuldades, e continuemos com perseverança pelo caminho do perdão e da reconciliação”.

(BS/BF)

06 junho, 2015

Discurso do Papa aos religiosos: vós carregais a cruz de Cristo



(RV) Na parte da tarde, depois do encontro com os bispos da Bósnia-Herzegovina e com o séquito na Nunciatura Apostólica de Sarajevo, o Papa Francisco dirigiu-se à Catedral da capital, para o encontro com os sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas. Acolhido pelo reitor da Catedral, o Papa fez uma breve pausa diante do Santíssimo Sacramento e para uma oração silenciosa diante do túmulo do Servo de Deus, Dom Joseph Stadler, primeiro arcebispo de Sarajevo e construtor da Catedral. Depois da saudação do Card. Puljic, o Papa escutou os dramáticos  testemunhos vividos durante o conflito dos Balcãs, testemunhos de um sacerdote, um religioso e uma religiosa. No fim, o Papa Francesco particularmente comovido, pôs de lado a homilia que havia preparado e falou de espontaneamente sublinhando a importância de conservar os testemunhos de fé e a memória do passado, não para se vingar mas para construir uma sociedade de paz.

Sarajevo, mais de 60 mil fiéis na Missa do Papa Francisco


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(RV) Depois do encontro com as Autoridades, o Papa Francisco dirigiu-se ao estádio Kosevo, em Sarajevo, para presidir a celebração eucarística, segundo momento da sua visita apostólica à capital da Bósnia e Herzegovina. O estádio encontra-se superlotado e milhares de pessoas estão abarrotadas no terreno de jogo, diante do altar, para uma presença de mais de 60 mil pessoas no estádio.

Uma área do estádio foi reservada para acomodar deficientes e feridos da guerra da década de noventa. Também o Papa João Paulo II havia celebrado neste lugar a Missa durante a Viagem apostólica de 1997.

O Papa Francisco iniciou a sua homilia recordando que “as leituras bíblicas que ouvimos, ressoaram várias vezes a palavra «paz». Palavra profética por excelência! Paz, disse Farncisco, é o sonho de Deus, é o projecto de Deus para a humanidade, para a história, com toda a criação. E o Papa Salientou também que a paz é um projecto que encontra sempre oposição por parte do homem e por parte do maligno. E acrescentou:

<< Também no nosso tempo, a aspiração pela paz e o compromisso de a construir colidem com o facto dos numerosos conflitos armados existentes no mundo. É uma espécie de terceira guerra mundial travada «aos pedaços»; e, no contexto da comunicação global, sente-se um clima de guerra.

De facto, sublinhou Francisco:

Bem o sabeis vós, que experimentastes isto mesmo precisamente aqui: quanto sofrimento, quanta destruição, quanta tribulação! Hoje, amados irmãos e irmãs, desta cidade ergue-se mais uma vez o grito do povo de Deus e de todos os homens e mulheres de boa vontade: Nunca mais a guerra!

Entretanto, dentro deste clima de guerra, recordou ainda o Papa Francisco:

E finalmente, o Santo Padre se pregunta, afinal, como se faz, como se constrói a paz? A paz, disse Francisco citando o Profeta Isaías, é obra da justiça. Também aqui falamos, não duma justiça declamada, teorizada, planificada, mas da justiça praticada, vivida. E o Novo Testamento ensina-nos que o pleno cumprimento da justiça é amar o próximo como a nós mesmos (cf. Mt 22, 39; Rom 13, 9). Quando, ajudados pela graça de Deus, seguimos este mandamento, como mudam as coisas! Porque mudamos nós! Aquela pessoa, aquele povo que eu via como inimigo, na realidade tem o meu próprio rosto, o meu próprio coração, a minha própria alma. Temos o mesmo Pai nos Céus. Então a verdadeira justiça é fazer àquela pessoa, àquele povo, o mesmo que eu queria que fosse feito a mim, ao meu povo (cf. Mt 7, 12) disse o Papa indicando por conseguinte, nas sendas do Apóstolo Paulo, as atitudes necessárias para fazer a paz: «Revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, fazei-o vós também» (Col 3, 12-13)

E o Papa Francisco concluiu a sua homilia convidando os fiéis a rezar juntos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, pedindo a graça de ter um coração simples, a graça da paciência, a graça de lutar e trabalhar pela justiça, de ser misericordiosos, de trabalhar pela paz, de semear a paz e não guerra e discórdia, pois este é o único caminho que torna felizes, que torna bem-aventurados.

Papa Francisco: Sarajevo exemplo para o mundo que a paz é possível



(RV) O primeiro encontro do Papa Francisco na sua 8ª Viagem apostólica foi com as Autoridades, no Palácio Presidencial, incluindo os Membros da Presidência da Bósnia e Herzegovina, o presidente Mladen Ivanic e o Corpo Diplomático. Sarajevo e a Bósnia e Herzegovina têm um especial significado para a Europa e para o mundo inteiro, diz Francisco. Esta cidade sofreu tanto pelos sangrentos conflitos do século passado e voltou a ser lugar de diálogo e de coexistência pacífica.

Durante séculos nestes territórios vivem comunidades que professam diferentes religiões e pertencem a diferentes etnias e culturas, cada uma das quais rica das suas características peculiares e suas tradições específicas, mas sem que isso tenha impedido por muito tempo o estabelecimento de boas relações recíprocas. No seu tecido urbano surgem, a pouca distância umas das outras, sinagogas, igrejas e mesquitas, de modo que a cidade recebeu o nome de "Jerusalem de Europa".

Uma encruzilhada de culturas, nações e religiões; e este papel requer que se construam sempre novas pontes e renovar as já existentes, para garantir uma comunicação fácil, segura e civil. As pessoas, famílias e comunidades podem assim transmitir os valores da sua própria cultura e acolher o bem proveniente das experiências dos outros. Deste modo também as graves feridas do passado recente podem ser curadas.

O Papa Francisco recorda que a sua visita acontece 18 anos depois da histórica visita de S. João Paulo II, em 1997, menos de dois anos depois da assinatura dos Acordos de Paz de Dayton. Desde então, foram feitos progressos consideráveis, mas há também passos ulteriores que devem ser feitos para reforçar a confiança e criar ocasiões para aumentar o conhecimento e respeito recíprocos. Para facilitar este percurso são fundamentais a proximidade e a colaboração da Comunidade internacional, nomeadamente da União Europeia e de todos os Países e as Organizações presentes e que operam no território da Bósnia e Herzegovina. A Bósnia e Herzegovina é, de facto, parte integrante da Europa; os seus sucessos e os seus dramas inserem-se na história dos dramas europeus, e são um sério aviso para que se façam todos os esforços a fim de que os processos de paz se tornem mais sólidos e irreversíveis.

A paz e a concórdia entre Croatas, Sérvios e Bósnios, as relações cordiais e fraternas entre muçulmanos, judeus e cristãos, testemunham ao mundo inteiro de que a colaboração entre várias etnias e religiões em vista do bem comum é possível, que um pluralismo de culturas e tradições pode subsistir e dar vida a soluções originais e eficazes para os problemas, que mesmo as feridas mais profundas podem ser sanadas por meio de um percurso que purifica a memória e dá esperança para o futuro. O Papa Francisco salienta a importância de tudo isso, no contexto da barbárie daqueles que gostariam de fazer de qualquer diferença um pretexto para violências cada vez mais brutais. Existe a necessidade urgente de reconhecer os valores fundamentais da nossa humanidade comum, valores em nome dos quais se pode e se deve colaborar, construir e dialogar, perdoar e crescer, em vez de difundir o ódio.

A tarefa e a responsabilidade dos políticos é de garantir os direitos fundamentais da pessoa humana, entre os quais o direito à liberdade religiosa, para construir assim uma sociedade mais pacífica e justa. Para que isso aconteça, é indispensável a efectiva igualdade de todos os cidadãos perante a lei e a sua execução, independentemente da sua filiação étnica, religiosa e geográfica: assim todos, sem qualquer distinção, se sentirão participar plenamente na vida pública e, gozando os mesmos direitos, poderão dar activamentea suacontribuição específica para o bem comum.

O Papa sublinhou, por fim, a contribuição da Igreja Católica na obra da reconstrução material e moral da Bósnia e Herzegovina e a preocupação da Santa Sé na promoção da paz e da escuta recíproca numa convivência civil e ordenada, condições indispensáveis para um desenvolvimento autêntico e duradouro. (BS)

Papa Francisco aterrou em Sarajevo



(RV) Aterrou há poucos minutos no aeroporto de Sarajevo o Airbus da Alitalia transportando o Papa Francisco e a sua comitiva, e que decolara pelas 07.50 horas do aeroporto de Roma "Leonardo da Vinci". Esta viagem à da Bósnia e Herzegovina é a oitava viagem apostólica de Francisco, tendo como lema "A paz esteja convosco".

Os empenhos da manhã para Papa Francisco compreendem o encontro com as autoridades do País, no Palácio Presidencial, pouco depois das 10 e, uma hora mais tarde, a Missa no estádio Kosevo. Na parte da tarde, o encontro com o clero e os religiosos, e um outro com os líderes de outras confissões e, finalmente, com os jovens.

Durante o voo para Sarajevo o Papa Francisco mandou telegramas aos Presidentes dos Países sobrevoados: Itália e Croácia. Ao Presidente italiano Sérgio Mattarella o Papa escreveu:

“No momento em que me preparo para realizar a minha viagem apostólica à Bósnia-Herzegovina, para favorecer o encontro e o diálogo entre culturas e religiões diversas, para fortalecer o caminho da unidade dos cristãos e para confirmar na fé a Comunidade Católica, é com grande alegria que me dirijo, Senhor Presidente e à Nação Italiana as minhas cordiais saudações, que acompanho com votos fervorosos de progresso espiritual, civil e social. Francisco PP”.

"A Itália e a Europa - escreveu de volta o Chefe de Estado italiano - olham com particular atenção para a sua missão, na certeza de que a sua presença na Bósnia-Herzegovina trará uma importante mensagem de paz e reconciliação para toda a região balcânica, empenhada num complexo caminho para superar as dolorosas feridas de um passado ainda vivo na memória de muitos”.

 Do mesmo modo, à Presidente da República da Croácia Kolinda Grabar-KITAROVIĆ, Francesco escreveu: “Envio as minhas cordiais saudações a Vossa Excelência e aos seus compatriotas neste momento em que sobrevoo o vosso país no início da minha Viagem apostólica para Bósnia-Herzegovina. Rezo para que o Deus Todo-Poderoso possa guiar a nação inteira nos caminhos da paz, da justiça e do bem comum. Sobre si e sobre o todo o povo Croata, invoco abundantes bênçãos do Senhor. Francisco PP” (BS)

Papa: Igreja reduzida ao eficientismo das estruturas, está morta

(RV) No final da manhã desta sexta-feira dia 5 de junho o Papa Francisco recebeu em audiência os participantes na Assembleia Geral das Obras Pontifícias Missionárias.
No seu discurso o Santo Padre frisou que o anúncio do Evangelho é a primeira e constante preocupação da Igreja, o seu compromisso essencial e recordou a “Evangelii Gaudium”: “a atividade missionária é o paradigma de toda a obra da Igreja.”

Aos membros da Congregação para a Evangelização dos Povos e aos diretores nacionais das obras pontifícias missionárias o Papa Francisco disse uma palavra de exortação considerando-os como “protagonistas de uma renovada evangelização, dirigida a todos e em particular aos pobres, os últimos e os marginais.”

Em particular as Obras Pontifícias Missionárias, pelo carisma que as caracteriza, “estão atentas e sensíveis às necessidades dos territórios de missão e dos grupos humanos mais pobres” – observou o Papa. Para tal é necessário que estejam atentas em “não cair na tentação de tornarem-se numa ONG, um gabinete de distribuição de subsídios ordinários e extraordinários” – advertiu o Santo Padre.

O Papa Francisco sublinhou que o funcionalismo pode ser a ruína de uma missão e afirmou mesmo que “uma Igreja que se reduza ao eficientismo das estruturas já está morta”.

“Não é possível uma verdadeira evangelização a não ser na energia santificadora do Espírito Santo” – afirmou o Santo Padre na conclusão do seu discurso. (RS)

05 junho, 2015

Papa no Corpus Domini: Eucaristia é força para os débeis

(RV) Quinta-feira, dia 4 de junho: o Papa Francisco presidiu à Missa da Solenidade do Corpo de Deus celebrada no adro da Basílica de S. João de Latrão. Na sua homilia, o Santo Padre introduziu, desde logo, o verbo desagregar:
“Desagregamo-nos quando não somos dóceis à Palavra do Senhor, quando não vivemos a fraternidade entre nós, quando competimos para ocupar os primeiros lugares, quando não encontramos a coragem de testemunhar a caridade, quando não somos capazes de oferecer esperança. Assim desagregamo-nos”.

Segundo o Santo Padre “a Eucaristia permite-nos que não nos separemos, pois é o vínculo da comunhão, é o cumprimento da Aliança sinal vivo do amor de Cristo que se humilhou e aniquilou, para que permanecêssemos unidos.” Desta forma, Cristo quer que sejamos comunhão com os pobres e os fracos:

“O Cristo presente no meio de nós, no sinal do pão e do vinho, exige que a força do amor supere toda a laceração e, ao mesmo tempo, torne-se comunhão com o pobre, apoio para o fraco, atenção fraterna aos que se esforçam carregando o peso da vida quotidiana e estão em perigo de perder a fé”.

“E o que significa hoje para nós “padecermos”, ou seja,  diminuir a nossa dignidade cristã? “ – perguntou o Papa que respondeu logo de seguida:

“Significa deixarmo-nos atingir pelas idolatrias do nosso tempo: o aparecer, o consumir, o eu no centro de tudo; mas também ser competitivos, a arrogância como comportamento vencedor, o não dever nunca admitir ter errado ou ter necessidades. Tudo isto nos abate, nos torna cristãos medíocres, mornos, insípidos, pagãos”.

O Papa Francisco continuou a sua reflexão afirmando que “Jesus derramou o seu sangue como preço e como batismo, para que fôssemos purificados de todos os pecados”. Se bebermos dessa fonte, acrescentou, “o Sangue de Cristo nos libertará dos nossos pecados e restituirá a nossa dignidade”. E sublinhou que a Eucaristia não é um prémio para os bons mas força para os débeis:

“ Assim aprendemos que a Eucaristia não é um prémio para os bons, mas é a força para os débeis, para os pecadores, o perdão e o viático que nos ajuda a andar e a caminhar.”

O Santo Padre concluiu a sua homilia lembrando os cristãos oprimidos e perseguidos, pedindo para nos sentirmos “em comunhão com os nossos irmãos e irmãs que não têm a liberdade de expressar a sua fé no Senhor Jesus. Sintamo-nos unidos a eles: cantemos com eles, louvemos com eles, adoremos com eles. E veneremos no nosso coração aqueles irmãos e irmãs aos quais foi pedido o sacrifício da vida pela fidelidade a Cristo: o seu sangue, unido ao do Senhor, seja penhor de paz e de reconciliação pelo mundo inteiro.

Após a Eucaristia seguiu-se a Adoração do Santíssimo Sacramento e a procissão que percorreu a Via Merulana até à Praça de Santa Maria Maior onde foi dada a bênção final. (RS)

04 junho, 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (16)


 
 
 
 
Olha lá, tu segues Jesus ou queres que Ele te siga ou vá a teu lado?
Bem, por vezes julgo que Lhe peço mais que me siga ou que caminhe comigo, do que verdadeiramente O sigo.

E o que pensas disso?
Quando O sigo faço a sua vontade.

E quando Lhe pedes que te siga ou caminhe a teu lado?
Bem, quando assim é, no fundo estou verdadeiramente a pedir-Lhe para Ele fazer a minha vontade.


Marinha Grande, 9 de Junho de 2013
Joaquim Mexia Alves
 
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