19 agosto, 2014

“GOSTOS” E “AMENS” EM IMAGENS E FRASES NAS REDES SOCIAIS



 
Surgem bastantes vezes nas redes sociais, imagens e frases cristãs, pedindo a colocação de um “gosto” ou de um “ámen”, àqueles que visitam essas páginas.
Obviamente que, desde que colocadas com boa intenção, não fazem mal nenhum, nem a colocação das ditas imagens/frases, nem os “gostos” ou “amens”, mas verdadeiramente, quanto a mim, não servem para nada, a não ser, muitas vezes, um desejo de ter muitos “gostos” e “amens”, como num qualquer concurso de uma possível popularidade.

Reparemos que não é por eu colocar um “gosto” ou um “amen”, numa essas imagens/frases, que a minha fé aumenta, ou sequer, que assim eu testemunho a minha fé em Deus.
Podemos até, com a maior simplicidade, servirmo-nos das palavras em causa para perceber isso mesmo.
Com efeito, gostar não é amar, e a Deus ama-se, adora-se, não se gosta, ou seja, não se fica pelo gostar, porque é pouco, muito pouco, para tudo o que Deus é, deve ser, para aqueles que n’Ele acreditam.
A palavra ámen vai ainda mais longe, ou seja, é um “assim seja”, que implica uma adesão, que implica o assentimento ao que foi dito, mostrado, que implica o acreditar.
Ora o acreditar em Deus e em tudo aquilo que O envolve, está “inscrito” no Dom da Fé, (graça do próprio Deus), e vai para além da simples adesão ou assentimento, porque se torna, ou deve tornar, vida, modo de vida, naquele que acredita, naquele que vive a Fé.

Esta vivência da fé não se “demonstra” com “gostos” ou “amens” colocados nas redes sociais a propósito da publicação das tais imagens/frases, que podem ser lindíssimas, cheias de significado, mas que não passam de algo estático, que pode até roçar a superstição, a superstição do tipo, «se eu não puser lá nada pode acontecer-me algo de mal!»
Sobretudo quando essas imagens/frases vêm acompanhadas com “sentenças” do tipo, «se acreditas coloca “gosto” ou “ámen”», quase como que a dizer que «se não colocas nada é porque não acreditas.»
E há ainda que ter o cuidado de perceber que muitas dessas imagens não são verdadeiramente cristãs e sobretudo genuinamente católicas, porque mostram conceitos que não são os da Doutrina da Igreja, como as “energias” e as “luzes”, etc., etc., bem como algumas frases que subtilmente contêm erros de sentido doutrinal, ou “endeusam” figuras que não devem ser “endeusadas”, até da própria Virgem Maria, nossa querida Mãe do Céu.

Com certeza que esmagadora maioria das pessoas que colocam estas imagens/frases o fazem com a melhor das intenções e sem segundos sentidos, mas são muitas vezes aqueles que as fazem e as lançam ao público, que se aproveitam da boa vontade daqueles que as colocam.

Verdadeiramente, e desculpem a “brutalidade” das palavras, este tipo de publicações leva a que se viva uma fé “oca”, assente em coisas exteriores, assente nos nossos interesses e desejos, nos nossos pedidos de ajuda, etc., e não numa verdadeira entrega a Deus, procurando e vivendo a sua vontade, em oração diária e comprometida.
Nunca um “gosto” ou um “ámen” deste tipo pode substituir um Pai Nosso, uma Avé Maria, um Glória, uma recitação do Rosário, para já não dizer, uma celebração Eucarística.
E o problema é que muitas vezes se fica apenas por esses “gostos”, esses “amens”, julgando assim que se vive uma vida com Deus, para Deus e em Deus.

O meu intuito não é magoar ninguém, nem criticar ninguém, mas chamar a atenção para algumas práticas que, não sendo propriamente erros de vivência cristã católica, também para nada servem, nem constroem as nossas vidas com e para Deus.

Eu próprio já coloquei “gostos” e “amens” em algumas coisas desse tipo, mas é muito raro que não aproveite para reflectir, meditar sobre o que essas imagens/frases dizem à minha vivência da fé, e dá-lo a conhecer aos outros, partilhando assim, aquilo que, quero acreditar Deus me vai colocando no coração.

Vivamos verdadeiramente a Fé que nos foi dada em união de oração com toda a Igreja, testemunhando não só com palavras, mas também com gestos e actos, o amor com que Deus permanente e infinitamente nos ama.

Sempre, sempre para a maior glória de Deus!


Marinha Grande, 18 de Agosto de 2014
Joaquim Mexia Alves


Nota:
E tenhamos muito cuidado com algum tipo de imagens e frases que envolvem “energias” e “luzes”, frases do Papa Francisco e de outros que afinal nunca as disseram, bem como nomes de anjos, lembrando-nos que a Bíblia apenas nos refere três nomes de anjos: Gabriel, Rafael e Miguel.
 

18 agosto, 2014

Papa Francisco, acabado de regressar da Coreia, foi rezar à basílica de Santa Maria Maior - Principais momentos da viagem


(RV) Logo que chegou a Roma, e ainda antes de regressar ao Vaticano, o Papa Francisco quis passar pela basílica de Santa Maria Maoir, para um momento de oração de ação de graças a Nossa Senhora pelo bom andamento da viagem, deixando aos pés do ícone de Maria, Salus populi romani, um ramo de flores. Também antes da partida, o Papa se tinha deslocado à mesma basílica para confiar à Virgem a viagem que estava para empreender.

Como previsto, o voo B 777 da Companhia Aérea Coreana aterrou no aeroporto de Ciampino alguns minutos antes das 18 horas desta segunda-feira, 18 de agosto, concluindo-se assim a terceira viagem internacional do Papa Francisco, a primeira ao continente asiático.
Durante este voo de regresso, como habitualmente, o Papa conversou com os jornalistas que viajavam no mesmo avião.

Esta viagem que o Papa Francisco realizou ao longo de cinco dias à Coreia do Sul foi marcada por apelos ao diálogo com todas e culturas e regimes políticos, bem como por encontros com jovens e a beatificação de 124 mártires. Estas figuras da primeira geração de católicos coreanos, mortos entre 1791 e 1888 por causa da sua fé, foram propostas pelo Papa como referências para as atuais comunidades cristãs no seu esforço de contribuir para promover a paz e os valores humanos no país e no continente asiático. A celebração da beatificação, no sábado, congregou umas 800 mil pessoas no centro de Seul, num banho de multidão em que o Papa condenou a "pobreza abjeta" na sociedade atual.

Nas suas várias intervenções ao longo da visita, o Santo Padre insistiu na necessidade de maior solidariedade e atenção aos pobres, sustentando que a ação da Igreja Católica junto dos pobres deve ir além da “assistência” e promover um verdadeiro “crescimento humano”. Do início ao fim da viagem, o Papa Francisco referiu-se diretamente à divisão da Coreia e apelou à oração pela “unidade” e pela estabilidade na península, que considerou vital para a paz em todo o globo.

No domingo, num encontro com os Bispos asiáticos, o Papa defendeu que a Igreja Católica deve ter uma atitude de “abertura” em relação a todas as culturas da Ásia e desejou maior “diálogo” na relação com países como a China e a Coreia do Norte (embora sem os citar directamente), onde os cristãos sofrem limitações na vivência da sua fé.

O naufrágio do ferry-boat Sewol, tema particularmente sensível na Coreia do Sul, mereceu vários gestos e palavras de Francisco, que no domingo batizou, em cerimónia privada, o pai de uma das vítimas do naufrágio. O Papa cumprimentou em três ocasiões vários familiares das vítimas e sobreviventes do acidente, que aconteceu a 16 de abril, provocando a morte de 304 pessoas, entre as quais 280 estudantes de um liceu.

Centenas de milhares de pessoas acompanharam Francisco e mostraram o seu entusiasmo pela presença do Papa, que repetiu vários sinais de proximidade, em particular junto de crianças e doentes. A viagem incluiu a passagem por um centro de recuperação para pessoas com deficiência na localidade coreana de Kkottongnae, onde depois Francisco parou em oração junto de um monumento dedicado às vítimas do aborto.

No referido encontro com os Bispos asiáticos o Papa desenvolveu uma reflexão particularmente centrada na Coreia, onde os católicos são 10,7% da população (na Ásia a percentagem é de 3,2%), o Papa advertiu que o anúncio da mensagem cristã apresenta “alguns desafios especiais” numa sociedade “próspera mas cada vez mais secularizada e materialista”. Na primeira Missa pública da viagem, na solenidade da Assunção, num estádio de Daejeon completamente lotado, deixou alertas contra o “cancro” do desespero, modelos económicos “desumanos” e o que Francisco denominou como “cultura da morte”. (15 de agosto é feriado nacional na Coreia, festa da libertação).

A VI Jornada da Juventude Asiática, motivo oficial desta viagem, juntou o Papa e milhares de participantes de 23 países, com uma mensagem de esperança no futuro da Igreja e na participação dos jovens numa nova sociedade. “O continente asiático, permeado de ricas tradições filosóficas e religiosas, continua a ser uma grande fronteira que espera o vosso testemunho de Cristo”, disse Francisco, ao encerrar esta iniciativa, ontem, domingo.

O perdão é a porta que leva à reconciliação: Papa na Missa conclusiva da viagem, na catedral de Seul. Chegada a Roma, esta tarde



(RV) Concluiu-se com uma Missa pela paz e reconciliação, na Catedral de Seul, a visita que o Papa Francisco realizou à Coreia desde quinta-feira passada.

Eram 6 horas desta manhã em Roma (13 horas na Coreia) quando o avião da Linhas Aéreas Coreanas descolou do aeroporto de Seul, com o Papa Francisco, a comitiva e largas dezenas de jornalistas. A chegada ao aeroporto romano de Ciampino está prevista para as 17.45 desta tarde, após um voo de cerca de 12 horas.

Na homelia da Missa desta manhã, o Papa encorajou os fiéis coreanos a serem testemunhas do Evangelho na sociedade do país, nomeadamente pela atenção e empenho a favor dos mais desfavorecidos. e no exercício do perdão. Eis o texto integral das palavras pronunciadas pelo Papa:


Queridos irmãos e irmãs!

A minha estadia na Coreia está a chegar ao fim e não posso deixar de agradecer a Deus pelas muitas bênçãos que concedeu a este amado país e, de maneira particular, à Igreja na Coreia. De entre tais bênçãos, conservo de modo especial a experiência, que vivemos juntos nestes últimos dias, da presença de tantos jovens peregrinos originários de todas as partes da Ásia. O seu amor por Jesus e o seu entusiasmo pela propagação do seu Reino foram uma inspiração para todos.

A minha visita culmina agora nesta celebração da Santa Missa, em que imploramos de Deus a graça da paz e da reconciliação. Esta oração reveste-se de particular ressonância na Península Coreana. A Missa de hoje é, sobretudo e principalmente, uma oração pela reconciliação nesta família coreana. Jesus diz-nos, no Evangelho, como é poderosa a nossa oração, quando dois ou três se reúnem em seu nome para pedir qualquer coisa (cf. Mt 18, 19-20). Muito mais o será, quando um povo inteiro eleva a sua instante súplica ao céu!

A primeira leitura apresenta a promessa feita por Deus de restaurar na unidade e na prosperidade um povo disperso pela desgraça e a divisão. Para nós, como para o povo de Israel, é uma promessa cheia de esperança: indica um futuro que Deus está desde já a preparar para nós. Mas esta promessa está inseparavelmente ligada com um mandamento: o mandamento de retornar a Deus e obedecer de todo o coração à sua lei (cf. Dt 30, 2-3). O dom divino da reconciliação, da unidade e da paz está inseparavelmente ligado à graça da conversão: trata-se de uma transformação do coração, que pode mudar o curso da nossa vida e da nossa história, como indivíduos e como povo.

Nesta Missa, naturalmente escutamos essa promessa no contexto da experiência histórica do povo coreano, uma experiência de divisão e conflito que já dura há mais de 60 anos. Mas o premente convite de Deus à conversão chama também os seguidores de Cristo na Coreia a examinarem-se sobre a qualidade da sua contribuição para a construção duma sociedade justa e humana. Chama cada um de vós a reflectir sobre o testemunho que dá, como indivíduo e como comunidade, de compromisso evangélico com os desfavorecidos, os marginalizados, com aqueles que não têm emprego ou estão excluídos da prosperidade que muitos usufruem. Chama-vos, como cristãos e como coreanos, a repelir com firmeza uma mentalidade fundada sobre a suspeita, a confrontação e a competição, optando antes por favorecer uma cultura plasmada pelo ensinamento do Evangelho e pelos mais nobres valores tradicionais do povo coreano.

No Evangelho de hoje, Pedro pergunta ao Senhor: «Quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?» O Senhor responde: «Digo-te, não até sete vezes, mas até setenta vezes sete» (Mt 18, 21-22). Estas palavras tocam o coração da mensagem de reconciliação e de paz indicada por Jesus. Obedientes ao seu mandamento, pedimos diariamente ao nosso Pai do Céu que perdoe os nossos pecados, «assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». Mas, se não estivéssemos prontos a fazer o mesmo, como poderíamos honestamente rezar pela paz e a reconciliação?

Jesus pede-nos para acreditar que o perdão é a porta que leva à reconciliação. Quando nos manda perdoar aos nossos irmãos sem qualquer reserva, pede-nos para fazer algo de totalmente radical, mas dá-nos também a graça de o cumprir. Aquilo que, visto duma perspectiva humana, parece ser impossível, impraticável e às vezes até repugnante, Jesus torna-o possível e frutuoso com a força infinita da sua cruz. A cruz de Cristo revela o poder que Deus tem de superar toda a divisão, curar toda a ferida e restaurar os vínculos originais de amor fraterno.

Assim, a mensagem que vos deixo no final da minha visita a Coreia é esta: tende confiança na força da cruz de Cristo; acolhei nos vossos corações a sua graça reconciliadora e partilhai-a com os outros. Peço-vos que deis um testemunho convincente da mensagem reconciliadora de Cristo nas vossas casas, nas vossas comunidade e em todas as esferas da vida nacional. Estou confiante que vós, num espírito de amizade e cooperação com os outros cristãos, com os seguidores de outras religiões e com todos os homens e mulheres de boa vontade que têm a peito o futuro da sociedade coreana, sereis fermento do Reino de Deus nesta terra. Então as nossas orações pela paz e a reconciliação subirão até Deus de corações mais puros e, pelo dom da sua graça, hão-de alcançar aquele bem precioso por que todos suspiramos.
Por isso, rezemos pelo aparecimento de novas oportunidades de diálogo, encontro e superação das diferenças, por uma incessante generosidade na prestação de assistência humanitária aos necessitados, e por um reconhecimento sempre mais vasto de que todos os coreanos são irmãos e irmãs, membros duma única família e dum único povo.

Antes de deixar a Coreia, quero agradecer à Senhora Presidente da República, às Autoridades civis e eclesiásticas e a todos aqueles que de alguma forma ajudaram a tornar possível esta visita. De modo especial, quero dirigir uma palavra de gratidão pessoal aos sacerdotes da Coreia, que diariamente se empenham no serviço do Evangelho e na edificação da fé, da esperança e da caridade do Povo de Deus. A vós, como embaixadores de Cristo e ministros do seu amor de reconciliação (cf. 2 Cor 5, 18-20), peço que continueis a construir laços de respeito, confiança e cooperação harmoniosa nas vossas paróquias, entre vós e com os vossos Bispos. O vosso exemplo de um amor sem reservas ao Senhor, a vossa fidelidade e dedicação ao ministério, bem como o vosso empenhamento caritativo com os necessitados contribuem enormemente para a obra de reconciliação e paz neste país.

Queridos irmãos e irmãs, Deus chama-nos a voltar para Ele e a escutar a sua voz, e promete estabelecer-nos sobre a terra numa paz e prosperidade maiores, como os nossos antepassados nunca conheceram. Possam os seguidores de Cristo na Coreia preparar a alvorada daquele dia novo em que esta terra do calmo amanhecer gozará das mais ricas bênçãos divinas de harmonia e de paz! Ámen

17 agosto, 2014

Homilia do Papa na Missa conclusiva da JMJ asiática (domingo, 17 agosto 2014)


Queridos jovens amigos!

«A glória dos mártires resplandece sobre vós»: estas palavras, que fazem parte do tema da VI Jornada Asiática da Juventude, são de consolação para todos nós e dão-nos força. Jovens da Ásia, vós sois herdeiros dum grande testemunho, duma preciosa confissão de fé em Cristo. Ele é a luz do mundo, é a luz da nossa vida! Os mártires da Coreia, e tantos outros em toda a Ásia, entregaram seus corpos aos perseguidores; mas, a nós, entregaram um testemunho perene de que a luz da verdade de Cristo afugenta todas as trevas e o amor de Cristo triunfa glorioso. Com a certeza da sua vitória sobre a morte e da nossa participação nela, podemos enfrentar o desafio de ser seus discípulos hoje, nas nossas situações de vida e no nosso tempo.

As palavras, sobre as quais acabamos de reflectir, são uma consolação. A outra parte do tema desta Jornada – «Juventude da Ásia, levanta-te!» – fala-vos de um dever, de uma responsabilidade. Consideremos brevemente cada uma destas palavras. Antes de mais nada, a expressão «da Ásia». Reunistes-vos aqui, na Coreia, vindos de toda a parte da Ásia. Cada um de vós possui um lugar e um contexto próprios, onde sois chamados a espelhar o amor de Deus. O Continente Asiático, permeado de ricas tradições filosóficas e religiosas, continua a ser uma grande delimitação que espera o vosso testemunho de Cristo, «caminho, verdade e vida» (Jo 14, 6). Como jovens que não apenas vivem na Ásia, mas são filhos e filhas deste grande Continente, tendes o direito e o dever de tomar parte plena na vida das vossas sociedades. Não tenhais medo de levar a sabedoria da fé a todos os campos da vida social!

Além disso, como jovens asiáticos, vedes e amais, a partir de dentro tudo o que é belo, nobre e verdadeiro nas vossas culturas e tradições. Ao mesmo tempo, como cristãos, sabeis também que o Evangelho tem a força de purificar, elevar e aperfeiçoar este património. Através da presença do Espírito Santo, que vos foi dado no Baptismo e selado na Crisma, podeis, em união com os vossos pastores, apreciar os inúmeros valores positivos das diferentes culturas da Ásia. Além disso, sois capazes de discernir aquilo que é incompatível com a vossa fé católica, o que é contrário à vida da graça enxertada em vós com o Baptismo, e os aspectos da cultura contemporânea que são pecaminosos, corruptos e levam à morte.

Voltando ao tema desta Jornada, detenhamo-nos agora sobre a palavra: «Juventude». Vós e os vossos amigos estais cheios do optimismo, de energia e de boa vontade, característicos desta estação da vossa vida. Deixai que Cristo transforme o vosso natural optimismo em esperança cristã, a vossa energia em virtude moral, a vossa boa vontade em amor genuíno que sabe sacrificar-se! Este é o caminho que sois chamados a empreender. Este é o caminho para vencer tudo o que ameaça a esperança, a virtude e o amor na vossa vidas e na vossa cultura. Assim a vossa juventude será um presente para Jesus e para o mundo.

Como jovens cristãos – quer sejais trabalhadores ou estudantes, quer tenhais já iniciado uma profissão ou respondido à chamada para o matrimónio, a vida religiosa ou o sacerdócio –, não constituís parte apenas do futuro da Igreja: sois uma parte necessária e amada também do presente da Igreja! Permanecei unidos uns aos outros, aproximai-vos cada vez mais de Deus, e, juntamente com os vossos Bispos e sacerdotes, gastai estes anos na edificação duma Igreja mais santa, mais missionária e humilde, uma Igreja que ama e adora a Deus, procurando servir os pobres, os abandonados, os doentes e os marginalizados.

Muitas vezes, na vossa vida cristã, sereis tentados – como os discípulos no Evangelho de hoje – a afastar o estrangeiro, o necessitado, o pobre e quem tem o coração despedaçado. E no entanto são sobretudo pessoas como estas que repetem o grito da mulher do Evangelho: «Senhor, ajuda-me!» A invocação da mulher cananeia é o grito de toda a pessoa que está à procura de amor, aceitação e amizade com Cristo. É o gemido de tantas pessoas nas nossas cidades anónimas, a súplica de muitos dos vossos contemporâneos, e a oração de todos os mártires que ainda hoje sofrem perseguição e morte pelo nome de Jesus: «Senhor, ajuda-me!» Muitas vezes, é um grito que brota dos nossos próprios corações: «Senhor, ajuda-me!» Dêmos resposta a esta invocação, não como aqueles que afastam as pessoas que pedem, como se a atitude de servir os necessitados se contrapusesse a estar mais perto do Senhor. Não! Devemos ser como Cristo, que responde a cada pedido de ajuda com amor, misericórdia e compaixão.

Finalmente, a terceira parte do tema desta Jornada – «Levanta-te!» - fala duma responsabilidade que o Senhor vos confia. É o dever de estarmos vigilantes, para não deixar que as pressões, as tentações e os pecados – os nossos ou os dos outros – entorpeçam a nossa sensibilidade à beleza da santidade, à alegria do Evangelho. O Salmo Responsorial de hoje convida-nos repetidamente a «estar alegres e cantar com alegria». Ninguém que esteja a dormir pode cantar, dançar, alegrar-se. Queridos jovens, «o Senhor nosso Deus nos abençoou» (Sal 67, 8); d’Ele, «alcançamos misericórdia» (cf. Rom 11, 30). Com a certeza do amor de Deus, ide pelo mundo, fazendo com que, «em consequência da misericórdia usada convosco» (Rom 11, 31), os vossos amigos, os colegas de trabalho, os concidadãos e todas as pessoas deste grande Continente «alcancem finalmente misericórdia» (cf. Rom 11, 31). É justamente por esta misericórdia que somos salvos.

Queridos jovens da Ásia, faço votos de que, unidos a Cristo e à Igreja, possais seguir por esta estrada que certamente vos encherá de alegria. E agora que estamos para nos aproximar da mesa da Eucaristia, dirijamo-nos a Maria nossa Mãe, que deu ao mundo Jesus: Sim, ó Maria nossa Mãe, desejamos receber Jesus! No vosso carinho maternal, ajudai-nos a levá-Lo aos outros, a servi-Lo fielmente e a honrá-Lo em todo tempo e lugar, neste país e na Ásia inteira. Ámen. (RV)


Recebeu o nome de Francisco o coreano batizado pelo Papa, domingo de manhã

 
(RV) Segundo informou, a partir da Coreia, Padre Federico Lombardi, neste domingo, às 7 horas da manhã, na Capela da Nunciatura apostólica de Seul, onde pernoita durante este viagem à Coreia, o Papa Francisco procedeu ao baptismo de um adulto coreano, Lee Ho Jin, pai de um dos jovens mortos no naufrágio do ferry-boat Sewol, que há dias, num encontro do Santo Padre com alguns sobreviventes daquela tragédia e familiares das vítimas, lhe tinha pedido este sacramento.

O batizando encontrava-se acompanhado por um filho e uma filha e pelo sacerdote que o tinha apresentado ao Papa. O padrinho foi um leigo que faz parte do pessoal da Nunciatura de Seul. A celebração decorreu em forma simples, dirigida em coreano pelo padre John Chong Che-chon, jesuíta, que acompanha permanente o Santo Padre nesta viagem, como intérprete da língua coreana. Papa Francisco interveio pessoalmente no momento do Batismo propriamente dito, com a infusão da água e a unção com o Santo Crisma.

Ao baptizado foi dado o nome de Francisco. Para o Papa foi uma grande alegria ter podido assim participar – de um modo não inicialmente previsto – no grande ministério da administração do baptismo de adultos na Igreja da Coreia.

16 agosto, 2014

Papa encontra-se com líderes do apostolado laical, após visita a Casa de recuperação de deficientes e encontro com religiosas coreanas

RealAudioMP3

(RV) No seu discurso aos líderes do apostolado dos leigos o Papa sublinhou que a Igreja na Coreia é herdeira da fé de gerações de leigos que perseveraram no amor de Jesus Cristo e na comunhão com a Igreja, apesar da escassez de sacerdotes e a ameaça de graves perseguições. E o Papa continuou reiterando que hoje, como sempre, a Igreja precisa de um testemunho credível dos leigos à verdade salvífica do Evangelho, à sua fecundidade na edificação da família humana na unidade, justiça e paz.

O Papa Francisco sublinhou que existe uma única missão da Igreja de Deus, e que cada cristão baptizado tem um papel fundamental nesta missão. Os dons de leigos, homens e mulheres, são múltiplos e o seu apostolado é diversificado, tudo se destina à promoção da missão da Igreja, assegurando que a ordem temporal seja permeada e aperfeiçoada pelo Espírito de Cristo e ordenada à vinda do seu Reino. E o Papa reconheceu de modo particular a obra das muitas associações directamente envolvidas no sair ao encontro dos pobres e necessitados, nas periferias da sociedade. O Papa observou a este propósito que dar assistência aos pobres é coisa boa e necessária, mas não é suficiente. E pediu para se multiplicarem os esforços no âmbito da promoção humana para que cada homem e mulher possa conhecer a alegria que deriva da dignidade de ganhar o pão quotidiano, sustentando assim as próprias famílias.

Por último o Papa reconheceu a preciosa contribuição dada pelas mulheres católicas coreanas à vida e à missão da Igreja, como mães de família, catequistas e professoras e em muitos outros modos. E sublinhou a importância do testemunho dado pelas famílias cristãs. Numa época de crise da vida familiar, as nossas comunidades cristãs são chamadas a apoiar os casais e as famílias a realizarem a sua missão na vida da Igreja e da sociedade. A família permanece a unidade básica da sociedade e a primeira escola na qual as crianças aprendem os valores humanos, espirituais e morais que as tornam capazes de ser faróis de bondade, integridade e justiça nas nossas comunidades.

Entretanto o Papa havia tido antes um inenso, comovente, encontro com pessoas com deficiências em Khottongnae, a que se seguiu outro com as comunidades religiosas na Coreia.

No seu discurso às religiosas o Papa sublinhou que a grande variedade de carismas e de atividades apostólicas enriquece a vida da Igreja na Coreia. A firme certeza de ser amados por Deus é o centro da vocação – disse o Papa – e que só se o testemunho for alegre poder atrair homens e mulheres a Cristo. Tal alegria, insistiu o Papa Francisco, é um dom que se nutre de uma vida de oração, de meditação da palavra de Deus da celebraço dos sacramentos e da vida comunitária. E reiterou que, quer o carisma do Instituto seja orientado mais à vida contemplativa quer se oriente à vida ativa, o grande desafio de todos é aquela de se tornarem ‘especialistas’ na divina misericórdia precisamente através da vida em comunidade. E não existem atalhos: Deus deseja os nossos corações completamente, e isto significa que devemos ‘destacar-nos’ e ‘sair de nós mesmos’ cada vez mais – concluiu o Papa.
 

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Papa, em Seul, na Missa de Beatificação de Mártires coreanos: vivemos numa sociedade onde raramente se escuta o grito dos pobres


(RV) Neste sábado, 16. terceira jornada da sua visita à Coreia, depois da Missa celebrada de manhã, em Seul, o Santo Padre visitou já, de tarde, em Kkottongnae, a uns 100 Km de Seulum Centro de Recuperação de pessoas deficientes (foto final) . Neste momento, decorre um encontro com religiosos e religiosas do país,

O Papa tinha começado o dia com a Missa celebrada de manhã em Seul, com uns 800 mil fiéis vindos de toda a Coreia. A celebração teve lugar numa praça da cidade. Foram beatificados 124 mártires, todos eles da primeira geração de vítimas da perseguição religiosa no país.

“Os mártires ensinam-nos o caminho”, disse o Papa Francisco na homilia, em que destacou que seu legado contribuirá para promover a paz e os valores humanos na Coreia do Sul e no resto do mundo.

O Santo Padre destacou ainda o caráter leigo dos primeiros católicos da Coreia, onde, diferentemente de outros países da Ásia o Evangelho não foi introduzido pelos missionários.

“Além disso, o exemplo dos mártires ensina-nos a importância da caridade na vida de fé. Foi a pureza do seu testemunho de Cristo, manifestada na aceitação da igual dignidade de todos os baptizados, que os levou a uma forma de vida fraterna que desafiava as rígidas estruturas sociais do seu tempo. Foi a sua recusa de separar o duplo mandamento do amor a Deus e do amor ao próximo que os levou a tão grande solicitude pelas necessidades dos irmãos”.

O seu exemplo – continuou o Papa - tem muito a dizer a nós que vivemos numa sociedade onde, ao lado de imensas riquezas, cresce silenciosamente a pobreza mais denigrante; onde raramente se escuta o grito dos pobres; e onde Cristo continua a chamar, pedindo-nos que O amemos e sirvamos, estendendo a mão aos nossos irmãos e irmãs necessitados, disse o Pontífice.

(texto integral da homilia na Secção "Mensagens, homilias, documentos")

Concelebraram com o Santo Padre o Arcebispo de Seul, Cardeal Yeom Soo-jeong, e o Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin, Antes da celebração, o Papa Francisco passou pela ampla avenida de Sejong-daero até a Praça de Gwanghwamun, onde se encontrava instalado o altar para a Santa Missa.

Entre os presentes, havia cerca de 400 familiares de vítimas do naufrágio do ferry-boat Sewol, que há semanas estão acampados em Gwanghwamun para protestar contra o governo e exigir uma investigação independente. No seu trajeto, o Santo Padre deteve-se por alguns momentos com alguns familiares para os saudar e abençoar.

O Papa começara o dia com uma breve visita ao Santuário dos Mártires de Seosomun, um lugar histórico no centro da capital onde foram executados os primeiros católicos coreanos.


 

Assembleia Pneumavita - 40.º Aniversário do RCC em Portugal

 

Revista PNEUMA

15 agosto, 2014

Muita alegria e entusiamo no encontro do Papa com os jovens asiáticos

RealAudioMP3

(RV)
Ambiente de festa e de muita alegria no encontro do Papa com os jovens participantes na VI Jornada da Juventude Asiática, numa grande tenda predisposta junto Santuário dos mártires coreanos, em Solmoé, a uns 15 Km de Daejon. O encontro teve lugar neste dia 15 de tarde (manhã na Europa).

O Papa Francisco assistiu inicialmente a um momento de festa e reflexão que incluiu, sucessivamente, uma exibição artística por jovens indonésios, uma intervenção do bispo de Daejon, testemunhos e perguntas formuladas por alguns jovens, e um breve espectáculo "musical" sobre a parábola do Pai misericordioso.

O Santo Padre interveio na segunda parte do encontro, lendo em inglês a alocução que estava preparada, mas improvisando a partir de certa altura diferentes observações (em italiano, com tradução sucessiva em coreano). Eis um breve resumo da parte da intervençáo escrita lida pelo Papa.

Papa Francisco deteve-se inicialmente a reflectir sobre uma parte do tema destas Jornadas: «A glória dos Mártires resplandece sobre vós». “Tal como o Senhor fez resplandecer a sua glória no testemunho heróico dos mártires, do mesmo modo deseja que a sua glória resplandeça na vossa vida e, por vosso intermédio, deseja iluminar a vida deste grande Continente” – disse o Papa.

Hoje Cristo bate à porta do vosso coração; convida a levantar-vos, a permanecer bem despertos e atentos, a ver as coisas que verdadeiramente contam na vida. Mais ainda! Pede-vos para irdes pelas estradas e caminhos deste mundo e baterdes à porta do coração dos outros, convidando-os a recebê-Lo na sua vida.
O Papa insistiu naquele que é projecto de Deus: a “construção de um mundo onde todos vivam juntos em paz e amizade, superando as barreiras, recompondo as divisões, rejeitando a violência e os preconceitos.”

Isto é justamente o que Deus quer de nós. A Igreja é germe de unidade para a família humana inteira. Em Cristo, todas as nações e povos são chamados a uma unidade que não destrói a diversidade, mas a reconhece, harmoniza e enriquece.
O Papa reconheceu que “muitas vezes nos parece que as sementes de bem e de esperança que procuramos semear acabam sufocadas pelos cardos do egoísmo, da inimizade e da injustiça; e não só ao redor de nós, mas também nos nossos corações. Preocupa-nos o desnível crescente entre ricos e pobres nas nossas sociedades. Vemos sinais de idolatria da riqueza, do poder e do prazer, que se obtêm com custos altíssimos para a vida humana. Ao nosso lado, muitos dos nossos amigos e coetâneos, embora rodeados de grande prosperidade material, sofrem de pobreza espiritual, solidão e silencioso desespero. Parece quase que Deus fora removido deste horizonte” – reconheceu o Papa. Mas é precisamente aqui que os jovens asiáticos estão chamados a intervir, com fé e esperança:

É como se um deserto espiritual se estivesse propagando em todo o mundo. Este deserto atinge também os jovens, roubando-lhes a esperança e, em demasiados casos, até a própria vida. E, no entanto, este é o mundo aonde estais chamados a ir testemunhar o Evangelho da esperança, o Evangelho de Jesus Cristo e a promessa do seu Reino.

Dizendo ainda aos jovens que Deus conta com eles e com a sua geração, o Papa insistiu perguntando aos jovens se estão prontos a dizer sim a Cristo, e depois perguntou-lhes se não estavam cansados e se queriam continuar a ouvi-lo. A resposta a ambas as perguntas foi positiva e o Papa continuou improvisando em italiano e respondendo às questões que lhe tinham sido dirigidas pelos jovens… Questões centradas sobre “o que o Senhor quer da minha vida”. O Papa disse aos jovens que é preciso escutar a voz de Jesus, é Ele e com o conselho de leigos, sacerdotes, bispos, papas, leigos, encontrar o caminho que o Senhor quer para mim”.

Papa Francisco - Homilia de 15 agosto 2014 - Estádio de Daejeon (Coreia)


Amados irmãos e irmãs em Cristo!

Em união com toda a Igreja, celebramos a Assunção de Nossa Senhora, em corpo e alma, à glória do Paraíso. A Assunção de Maria mostra-nos o nosso destino como filhos adoptivos de Deus e membros do Corpo de Cristo: como Maria, nossa Mãe, somos chamados a participar plenamente na vitória do Senhor sobre o pecado e a morte e a reinar com Ele no seu Reino eterno.

O «grande sinal» apresentado na primeira leitura – uma mulher vestida de sol e coroada de estrelas (cf. Ap 12, 1) – convida-nos a contemplar Maria, entronizada na glória junto do seu divino Filho. Convida-nos ainda a tomar consciência do futuro que, já desde agora, abre diante de nós o Senhor Ressuscitado. Tradicionalmente, os coreanos celebram esta festa à luz da sua experiência histórica, reconhecendo a amorosa intercessão de Maria operante na história da nação e na vida do povo.

Na segunda leitura de hoje, ouvimos São Paulo afirmar que Cristo é o novo Adão, cuja obediência à vontade do Pai derrubou o reino do pecado e da escravidão e inaugurou o reino da vida e da liberdade (cf. 1 Cor 15, 24-25). A verdadeira liberdade encontra-se no amoroso acolhimento da vontade do Pai. De Maria, cheia de graça, aprendemos que a liberdade cristã é algo mais do que a mera libertação do pecado; é a liberdade que abre para um novo modo espiritual de considerar as realidades terrenas, a liberdade de amar a Deus e aos nossos irmãos e irmãs com um coração puro e viver na jubilosa esperança da vinda do Reino de Cristo.

Hoje, ao venerar Maria, Rainha do Céu, dirigimo-nos a Ela como Mãe da Igreja na Coreia para Lhe pedir que nos ajude a ser fiéis à liberdade régia que recebemos no dia do Baptismo; que guie os nossos esforços por transformar o mundo segundo o plano de Deus; e que torne a Igreja neste país capaz de ser, de uma forma mais plena, fermento do Reino de Deus na sociedade coreana. Possam os cristãos desta nação ser uma força generosa de renovação espiritual em todas as esferas da sociedade; combatam o fascínio do materialismo que sufoca os autênticos valores espirituais e culturais e também o espírito de desenfreada competição que gera egoísmo e conflitos; rejeitem modelos económicos desumanos que criam novas formas de pobreza e marginalizam os trabalhadores, bem como a cultura da morte que desvaloriza a imagem de Deus, o Deus da vida, e viola a dignidade de cada homem, mulher e criança.

Como católicos coreanos, herdeiros duma nobre tradição, sois chamados a valorizar esta herança e a transmiti-la às gerações futuras. Isto implica para cada um a necessidade duma renovada conversão à Palavra de Deus e uma intensa solicitude pelos pobres, os necessitados e os fracos que vivem no meio de nós.

Ao celebrar esta festa, unimo-nos a toda a Igreja espalhada pelo mundo e olhamos para Maria como Mãe da nossa esperança. O seu cântico de louvor lembra-nos que Deus nunca esquece as suas promessas de misericórdia (cf. Lc 1, 54-55). Maria é a cheia de graça, porque «acreditou no cumprimento daquilo que o Senhor lhe dissera» (Lc 1, 45). N’Ela, todas as promessas divinas se demostraram verdadeiras. Entronizada na glória, mostra-nos que a nossa esperança é real e que, já desde agora, esta esperança se estende, «como uma âncora segura e firme para as nossas vidas» (Heb 6, 19), até onde Cristo está sentado na glória.

Amados irmãos e irmãs, esta esperança – a esperança oferecida pelo Evangelho – é o antídoto contra o espírito de desespero que parece crescer como um cancro no meio da sociedade, que exteriormente é rica e todavia muitas vezes experimenta amargura interior e vazio. A quantos dos nossos jovens não fez pagar o seu tributo um tal desespero! Que os jovens, que nestes dias se reúnem ao nosso redor com a sua alegria e confiança, nunca lhes vejam roubada a esperança!

Dirijamo-nos a Maria, Mãe de Deus, e imploremos a graça de viver alegres na liberdade dos filhos de Deus, usar sabiamente esta liberdade para servirmos os nossos irmãos e irmãs, e viver e actuar de tal modo que sejamos sinais de esperança, aquela esperança que encontrará a sua realização no Reino eterno, onde reinar é servir. Amen. (RV)

Saudação do Papa Francisco - Viagem Apostólica à Coreia do Sul

14 agosto 2014:


14 agosto, 2014

Empenho a favor da paz e da reconciliação - primeira intervenção pública do Papa, dirigindo-se às Autoridades da Coreia

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(RV) Dezenas de pessoas participaram, nesta quinta-feira à tarde (manhã na Europa), no Palácio presidencial de Seul, a um encontro do Papa com as autoridades coreanas, depois do encontro de cortesia tido com a presidente Park Geun-hye.

Falando em inglês, o Santo Padre começou por recordar que esta sua visita à Coreia tem lugar por ocasião da VI Jornada Asiática da Juventude, com jovens católicos de todo o Continente e inclui também a proclamação como Beatos de alguns coreanos martirizados pela fé cristã.

Estes dois acontecimentos que celebramos completam-se um ao outro. A cultura coreana possui uma boa compreensão da dignidade e sabedoria próprias dos antigos e honra o seu papel na sociedade. Nós, católicos, honramos os nossos antigos que sofreram o martírio pela fé, porque se prontificaram a dar a vida pela verdade em que acreditaram e de acordo com a qual procuraram viver. Ensinam-nos a viver plenamente para Deus e para o bem do próximo.
“Um povo grande e sábio não se limita a amar as suas tradições ancestrais, mas valoriza também os seus jovens, procurando transmitir-lhes a herança do passado que aplica aos desafios do presente.” – sublinhou também o Papa Francisco. É importante reflectirmos sobre a necessidade de transmitir aos nossos jovens o dom da paz.


Exprimo o meu apreço pelos esforços feitos a favor da reconciliação e da estabilidade na Península Coreana e encorajo tais esforços, que são o único caminho seguro para uma paz duradoura. A busca da paz por parte da Coreia é uma causa que nos está particularmente a peito, pois concorre para a estabilidade de toda a região e do mundo inteiro, cansado da guerra.


“A busca da paz – recordou o Papa - constitui um desafio também para cada um de nós e, particularmente, para quantos de entre vós têm a tarefa de procurar o bem comum da família humana através do paciente trabalho da diplomacia. Trata-se do desafio perene de derrubar os muros da desconfiança e do ódio, promovendo uma cultura de reconciliação e solidariedade. Enquanto arte do possível, a diplomacia baseia-se numa convicção firme e perseverante de que a paz pode ser melhor alcançada pelo diálogo e a escuta atenta e discreta, do que com recriminações recíprocas, críticas inúteis e demonstrações de força.


Quase a concluir, o Papa recordou ainda que “num mundo cada vez mais globalizado, a compreensão do bem comum, do progresso e do desenvolvimento deve ser, em última análise, não só de carácter económico mas também humano”. É “importante que a voz de cada membro da sociedade seja ouvida, promovendo-se um espírito de comunicação aberta, de diálogo e cooperação”.

É igualmente importante que se dedique especial atenção aos pobres, àqueles que são vulneráveis e a quantos não têm voz, não somente indo ao encontro das suas necessidades imediatas mas também promovendo-os no seu crescimento humano e espiritual. Nutro a esperança de que a democracia coreana se há-de fortalecer cada vez mais e que esta nação demonstrará primar também na «globalização da solidariedade» que é hoje particularmente necessária.”
(Texto integral do discurso do Papa na secção “Mensagens e Documentos”)
Por sua vez, na saudação que a presidente Park Guen-hye dirigira antes, em coreano, ao Santo Padre, esta ilustrou as etapas da visita ao país, ilustrando os lugares correspondentes. No final, referiu-se expressamente à guerra entre o Norte e o Sul do país, sublinhando que este conflito constitui uma ferida no interior da nação, dilacerando as próprias famílias.

Precisamente sobre a paz – provavelmente pensando não só na Coreia, mas também em geral no Médio Oriente – é, em jeito de oração, o segundo tweet de hoje do Papa, distribuído a meio do dia. Reza assim: “Maria, Rainha da Paz, ajudai-nos a desenraizar o ódio e a viver em harmonia.”

Após este encontro com as Autoridades, o Santo Padre partiu de automóvel para a sede da Conferência Episcopal, onde teve um encontro com os 35 bispos coreanos. No discurso que lhe dirigiu, em italiano, o Papa Francisco sublinhou especialmente uma das tarefas específicas dos Bispos – a de “guardar o rebanho do Senhor”. Guardiães da memória, mas também da esperança – foram os dois aspectos evidenciados pelo Papa, que recordou “o desafio” de “uma Igreja missionária constantemente em saída para o mundo e em particular para as periferias da sociedade contemporânea”, preservando ao mesmo tempo “a sabedoria e a experiência dos idosos e as aspirações dos jovens”.

Papa Francisco aos Bispos da Coreia: sede guardiães da memória e da esperança


(RV) O Papa Francisco encontra-se em Seul, por ocasião da sua terceira Viagem Apostólica, que o levou à Coreia do Sul. O segundo encontro do Papa, em terras coreanas, foi com as autoridades e diplomatas do país. De fato, ao deixar o Palácio Presidencial de Seul dirigiu-se à sede da Conferência Episcopal Coreana, onde se reuniu com todos os 35 Bispos das 16 dioceses existentes no país.

No discurso que pronunciou aos seus irmãos no episcopado, o Papa Francisco saudou e agradeceu a presença de todos e disse ser “uma bênção para ele estar ali e poder conhecer pessoalmente a vida dinâmica da Igreja na Coreia. Aos pastores presentes, o Papa recordou-lhes a sua missão de cuidar do rebanho do Senhor como guardiães das maravilhas que Ele realiza no seu povo. Cuidar do rebanho ou do povo de Deus é uma das tarefas específicas, confiadas a cada Bispo.

A seguir, o Santo Padre passou a refletir, como irmão no episcopado, sobre dois aspectos principais do cuidado do povo de Deus naquele país: ser “guardiães da memória” e “guardiães da esperança”. A beatificação de Paul Yun Ji-chung e dos seus companheiros, que o Papa vai presidir no próximo sábado em Seul, será uma ocasião para agradecer ao Senhor que, a partir das sementes lançadas pelos mártires, proporcionou uma colheita abundante de graça naquela terra. E o Papa explicou:

“Vós sois os descendentes dos mártires, herdeiros do seu heróico testemunho de fé em Cristo. Além disso, sois herdeiros de uma tradição extraordinária, que teve início e cresceu amplamente graças à fidelidade, a perseverança e o trabalho de gerações de leigos. É muito significativo o fato de que a história da Igreja na Coreia tenha começado com um encontro direto com a Palavra de Deus. A beleza intrínseca e a integridade da mensagem cristã, ou seja, o Evangelho e o seu apelo à conversão, à renovação interior e a uma vida de caridade, impressionaram a Yi Byeok e aos ilustres anciãos das primeiras gerações”.

Hoje, afirmou o Papa, a fecundidade do Evangelho na terra coreana e a grande herança transmitida pelos seus antepassados na fé podem-se reconhecer no florescimento de paróquias ativas e movimentos eclesiais, nos sólidos programas de catequese, na solicitude pastoral pelos jovens e nas escolas católicas, nos seminários e nas universidades. A Igreja na Coreia é estimada pelo seu papel na vida espiritual e cultural da nação e pelo seu vigoroso impulso missionário: de terra de missão, a Coreia tornou-se hoje terra de missionários; e a Igreja católica continua a se beneficiar de tantos sacerdotes e religiosos enviados pelo mundo. E, ao explicar o primeiro ponto da sua reflexão, o Papa disse:

“Ser ‘guardiães da memória’ significa mais do que recordar e aprender com acontecimentos do passado; significa extrair os recursos espirituais para enfrentar, com clarividência e determinação, as esperanças, as promessas e os desafios do futuro. A vida e a missão da Igreja na Coreia não se medem, em última análise, em termos exteriores, quantitativos e institucionais; mas devem ser julgados à luz do Evangelho e do seu apelo à conversão da pessoa para Jesus Cristo. Ser guardiões da memória significa dar-se conta de que o crescimento vem de Deus e, ao mesmo tempo, é fruto de um trabalho paciente e perseverante, tanto no passado como no presente”.
A memória dos mártires e das gerações passadas de cristãos, afirmou ainda o Papa, deve ser realista, não idealizada nem ‘triunfalista’. Olhar para o passado, sem ouvir o chamamento de Deus à conversão, não nos ajuda a prosseguir na caminhada; pelo contrário, pode até acabar por impedir ou deter o nosso progresso espiritual.

Além de ser “guardiães da memória”, explicou o Santo Padre, vós sois chamados também a ser “guardiães da esperança”: a esperança oferecida pelo Evangelho da graça e da misericórdia de Deus em Jesus Cristo, a esperança que inspirou os mártires. É esta esperança que somos chamados a proclamar a um mundo que, apesar da sua prosperidade material, busca algo mais, algo maior, algo mais autêntico e que dá plenitude.

Vós e os irmãos sacerdotes ofereceis esta esperança com o vosso ministério de santificação, que não apenas conduz os fiéis às fontes da graça na liturgia e nos sacramentos, mas constantemente vos impele a agir em resposta a Deus. Por isso, o Papa exortou os pastores e o clero coreanos a manterem esta esperança e a chama da santidade, da caridade fraterna e do zelo missionário na comunhão eclesial. Por isso, o Pontífice convidou os Bispos a permanecerem sempre ao lado dos sacerdotes, encorajando-os no seu trabalho diário, na sua busca da santidade e na proclamação do Evangelho de salvação. O Papa transmitiu-lhes a sua saudação cordial e a sua gratidão pelo generoso serviço em favor do povo de Deus.

O Bispo de Roma prosseguiu dizendo que “se abraçarmos o desafio de ser uma Igreja missionária, uma Igreja que sai constantemente para o mundo e, em particular, para as periferias da sociedade contemporânea, teremos necessidade de cultivar aquele ‘prazer espiritual’ que nos torna capazes de acolher e identificar-nos com cada membro do Corpo de Cristo.

Neste sentido, recordou o Papa, é preciso mostrar particular solicitude, nas nossas comunidades, pelas crianças e os idosos. A este respeito, quero pedir-vos que cuideis, de modo especial, da educação dos jovens, apoiando, na vossa indispensável missão, não apenas as universidades, mas também as escolas católicas, onde as mentes e os corações jovens são formados no amor de Deus e da sua Igreja, no bem, no verdadeiro e no belo, para serem bons cristãos e honestos cidadãos. E o Pontífice acrescentou:

“Ser guardiães da esperança implica também assegurar o testemunho profético da Igreja na Coreia, a fim de que continue a exprimir-se na sua solicitude pelos pobres e nos seus programas de solidariedade, especialmente em favor dos refugiados e migrantes e dos que vivem à margem da sociedade. Esta solicitude deveria manifestar-se, não apenas através de iniciativas concretas de caridade, muito necessárias, mas também do trabalho constante de promoção a nível social, ocupacional e educativo. Podemos correr o risco de reduzir o nosso compromisso com os necessitados simplesmente a uma dimensão assistencial, ignorando a necessidade de cada um de crescer como pessoa e exprimir com dignidade a sua própria personalidade, criatividade e cultura”.
A solidariedade para com os pobres deve ser considerada como um elemento essencial da vida cristã; através da pregação e da catequese, fundadas no rico património da Doutrina social da Igreja, esta solidariedade deve permear os corações e as mentes dos fiéis e refletir em todos os aspectos da vida eclesial. O ideal apostólico de uma Igreja pobre e para os pobres encontrou uma expressão eloquente nas primeiras comunidades cristãs desta nação.

Por isso, o Pontífice espera que este ideal continue a moldar o caminho da Igreja coreana na sua peregrinação para o futuro. Ele exprimiu a sua convicção de que, se o rosto do amor sobressair na Igreja, os jovens se sentirão sempre mais atraídos para o coração de Jesus, repleto de amor divino.

O Papa Francisco concluiu o seu longo discurso aos Bispos coreanos encorajando-os, com estas reflexões sobre a sua missão e como ‘guardiães da memória e da esperança’, a fomentar a unidade, a santidade e o zelo dos fiéis na Coreia. A memória e a esperança, concluiu, nos inspiram e nos guiam para o futuro. Possam as súplicas de Maria, Mãe da Igreja, levar ao seu pleno florescimento, nesta terra, as sementes lançadas pelos mártires, irrigadas por gerações de fiéis católicos e transmitidas a todos como uma promessa para o futuro do país e do mundo.

Ao término do encontro com os Bispos da Coreia, o Bispo de Roma retornou à Nunciatura Apostólica de Seul, concluindo assim o seu primeiro dia de atividades na Coreia do Sul.

Papa Francisco na Coreia para visita de cinco dias. Quinta-feira, 14, encontro com as Autoridades e com os Bispos coreanos


(RV) Papa Francisco encontra-se na Coreia para uma visita de cinco dias. Foi com um céu coberto que o avião aterrou no aeroporto de Seul, às 10.15 locais (eram 3 e um quarto da noite em Roma).

O Santo Padre foi acolhido pela presidente coreana, Frank Geun-hye e com salva de 21 detonações de canhão. Duas crianças com roupas tradicionais ofereceram-lhe um ramo de flores, suscitando um belo sorriso do Papa (foto). Presentes também, à chegada, o bispo de Cheju, D. Peter U-il Kang, Presidente da Conferência Episcopal, assim como o cardeal Andrew Soo-jung, arcebispo de Seul, que integram a comitiva do Papa nesta visita apostólica .

Tendo seguido de automóvel para a Nunciatura Apostólica de Seul, o Papa pôde repousar um pouco, celebrar a missa privadamente e almoçar. Deslocou-se depois (às 16 horas na Coreia), ao Palácio presidencial, para a cerimónia de boas-vindas propriamente dita, seguida de um visita de cortesia à Presidente coreana e um encontro com as autoridades do país.
A primeira jornada do Papa na Coreia concluirá com um encontro com os Bispos Coreanos, na sede da Conferência Episcopal.

Acompanha permanentemente o Papa nesta viagem, um jesuíta coreano que fala também espanhol, para assegurar a tradução, sempre que preciso (à direita, nas fotos)


O gesto da paz mantém-se depois do Pai-Nosso e antes da comunhão


(RV) É já oficial: a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, optou por manter, durante a missa, o gesto da paz depois do Pai-Nosso e antes da Comunhão. A mudança do rito da paz para um outro momento da Missa, por exemplo antes do ofertório, tinha sido discutida durante o Sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia, em 2005, mas a maioria das Conferências Episcopais consultadas sobre o assunto pronunciou-se contra uma mudança estrutural.
“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz": a paz é o dom que Cristo Ressuscitado continua a oferecer à sua Igreja reunida para a celebração da Eucaristia. O gesto da paz comporta um grande valor no nosso tempo marcada por numerosos conflitos. Pela sua oração e testemunho, os cristãos têm a missão de acalmar os temores profundos da humanidade e favorecer a instauração de um mundo mais justo e pacífico
Realizado antes do partir do pão, este gesto tem um profundo significado teológico. Mas ele deve ser feito com sobriedade e para não perturbar o sentido sagrado da celebração eucarística. Ora, este gesto causa por vezes uma certa agitação entre os fiéis, mesmo pouco antes da comunhão. As Conferências Episcopais de todo o mundo são, portanto, convidadas a preparar catequeses litúrgicas sobre o significado deste rito, o seu desenvolvimento no quadro da celebração da Missa e sobre o significado cristão da paz.
Será necessário mudar nas novas edições do missal nos países onde foram adotados gestos profanos. Numa uma circular aprovada pelo Papa Francisco, a Congregação dá várias indicações práticas. Ela recorda também que o gesto da paz não é mecânico, que não é obrigatório e que pode ser omitido pelo celebrante. A circular adverte contra a introdução de um canto de paz e pede aos fiéis, bem como ao celebrante, para não se deslocarem para dar a paz.
Para a Congregação para o Culto Divino, é essencial não apenas promover uma melhor expressão do sinal de paz, corrigindo os abusos e moderando os excessos que suscitam a confusão na assembleia litúrgica. É também necessário melhorar a sua compreensão.

13 agosto, 2014

Santa Sé pede que autoridades, sobretudo muçulmanas, condenem barbáries no Iraque


(RV) Uma condenação clara e corajosa por parte dos responsáveis religiosos, sobretudo dos muçulmanos, assim como de todas as pessoas de boa vontade, dos crimes cometidos no Iraque pelos jihadistas do Estado Islâmico contra cristãos, yazidis e outras minorias religiosas. É o que pede o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso numa declaração divulgada nesta terça-feira, 12.

“A dramática situação dos cristãos, yazidis e de outras comunidades religiosas e étnicas numericamente minoritárias no Iraque – lê-se na declaração – exige uma tomada de posição clara e corajosa por parte dos responsáveis religiosos, sobretudo muçulmanos, das pessoas comprometidas com o diálogo inter-religioso e de todas as pessoas de boa vontade”.

O dicastério vaticano para o diálogo inter-religioso observa que o mundo inteiro assistiu perplexo à denominada ‘restauração do califado’, que foi abolido em 29 de outubro de 1923 pelo fundador da Turquia moderna, Kamal Ataturk. “A contestação desta ‘restauração’ por parte da maioria das instituições religiosas e políticas muçulmanas – denuncia a nota - não impediu aos jihadistas do Estado Islâmico de “cometer e continuar a cometer ações criminosas indizíveis”.

O Pontifício Conselho, juntamente com todos os que estão empenhados no diálogo inter-religioso, os fiéis de todas as religiões e os homens e mulheres de boa vontade, não pode senão “denunciar e condenar, sem ambiguidades”, diversas “práticas indignas do homem”, como o massacre por motivos de pertença religiosa, as práticas execráveis da decapitação, da crucifixão, de cadáveres pendurados em locais públicos; ou a escolha imposta aos cristãos e yazidis entre a conversão ao Islão, o pagamento de uma taxa ou o êxodo.

A declaração cita ainda a expulsão forçada de dezenas de milhares de pessoas, crianças, idosos, mulheres grávidas e doentes; o rapto de jovens como troféu de guerra; a imposição da prática bárbara de infibulação; a destruição de locais de culto e mausoléus cristãos e muçulmanos; a ocupação forçada ou profanação de igrejas e mosteiros; a retirada de crucifixos e de outros símbolos religiosos cristãos e de outras religiões; a destruição do património religioso cristão de valor inestimável; a desmedida violência com o objetivo de aterrorizar as pessoas e obrigá-las a renderem-se ou fugir.

“Ninguém – prossegue a declaração do dicastério vaticano – poderia justificar tal barbárie e certamente não uma religião”. Trata-se de uma ofensa de extrema gravidade à humanidade e a Deus Criador, como frequentemente tem recordado o Papa Francisco: “Todos os responsáveis religiosos devem ser unânimes na condenação sem nenhuma ambiguidade destes crimes e denunciar a invocação da religião para justificá-los. De outra forma, que credibilidade terão as religiões, os seus seguidores e os seus líderes? Qual credibilidade – questiona a nota do Pontifício Conselho – poderia ter ainda o diálogo inter-religioso pacientemente perseguido nos últimos anos?”.

Os responsáveis religiosos devem também “exercer a sua influência sobre os governos” para que se ponha um fim a estes crimes, seja punido quem os comete, seja restabelecido um estado de direito no território e garantido o retorno dos que foram exilados.

“Ao recordar a necessidade da ética na gestão das sociedades humanas”, a declaração exorta os líderes religiosos a denunciarem que “o apoio, o financiamento e o armar o terrorismo é moralmente condenável”. A violência não se vence com a violência, mas com a paz, conclui a declaração do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, unindo-se à voz do Santo Padre.

O Papa alerta as Nações Unidas para o drama no Iraque e pede esforços concretos


(RV) O Vaticano divulgou na manhã desta quarta-feira, 13, uma carta escrita pelo Papa Francisco, sábado, 9, ao Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, a respeito da situação no Iraque.

“Com o coração apertado e angustiado, acompanhei os dramáticos acontecimentos dos últimos dias no norte do Iraque, onde os cristãos e as outras minorias religiosas foram obrigados a fugir das suas casas e a assistir à destruição dos seus lugares de culto e do património religioso. Comovido com esta situação, pedi ao Cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que foi Núncio no Iraque nos Pontificados de João Paulo II e Bento XVI, para manifestar a minha proximidade espiritual e expressar a minha preocupação, assim como de toda a Igreja Católica, com o intolerável sofrimento de pessoas que desejam somente viver em paz, harmonia e liberdade na terra dos seus antepassados”.

“Neste mesmo espírito, escrevo para si, senhor Secretário-geral, e lhe exponho as lágrimas, os sofrimentos e os gritos de desespero dos cristãos e das outras minorias religiosas na amada terra do Iraque. Ao renovar o meu apelo urgente à comunidade internacional para intervir e pôr fim à tragédia humanitária em andamento, encorajo todos os organismos competentes da ONU, especialmente os responsáveis pela segurança, a paz, o direito humanitário e a assistência aos refugiados, a prosseguirem os seus esforços, em conformidade com o Preâmbulo e os artigos pertinentes da Carta das Nações Unidas”.

“Os ataques violentos que se têm alastrado ao longo do norte do Iraque não podem ficar indiferentes às consciências de todos os homens e mulheres de boa-vontade e devem despertá-los para ações concretas de solidariedade em defesa dos atingidos ou ameaçados pela violência e assegurar a assistência necessária e urgente aos desabrigados além do seu retorno seguro às suas cidades e casas”.
“As trágicas experiências do século XX e a elementar compreensão da dignidade humana exigem que a comunidade internacional – através de normas e mecanismos de direito internacional – faça tudo o que for possível para deter e prevenir novas violências sistemáticas contra as minorias étnicas e religiosas”.
“Confiante que o meu apelo, unido ao dos Patriarcas Orientais e de outros líderes religiosos, encontre uma resposta positiva, colho a ocasião para renovar a minha mais elevada consideração”, assina o Papa.

Papa dirigir-se-á a todo o continente asiático e a todos os seus jovens: Cardeal Parolin sobre viagem do Papa

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(RV) A propósito desta viagem apostólica e sobretudo do encontro com os jovens, o Centro Televisivo do Vaticano entrevistou o Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin:

"Diria que a importância desta viagem está ligada essencialmente a três fatores: o primeiro é que o Papa, pela primeira vez, vai ao Extremo Oriente, uma região do mundo que adquire uma relevância cada vez maior na política e na economia mundial. O Papa irá para dirigir-se a todo o continente asiático, não somente à Coreia. É claro, a viagem é à Coreia, porém, tem como destinatários todos os países do continente, graças justamente a esta celebração da Jornada Asiática da Juventude, que se realizará na Coreia e da qual participarão representantes dos jovens dos países vizinhos. O terceiro aspecto é o do futuro, a juventude representa o futuro. Portanto, o Papa se dirige ao futuro deste continente, se dirige ao futuro da Ásia."
- O coração da viagem será o encontro do Papa com os jovens da Ásia, que muitas vezes, numa sociedade por demais competitiva, se distanciam da Igreja buscando o sucesso na formação escolar. Qual a mensagem que o Papa levará a esses jovens?

"Creio que a mensagem que o Papa levará a estes jovens é que eles devem se tornar protagonistas da vida da Igreja. Isso significa uma presença ativa, partícipe, feita de colaboração e de co-responsabilidade. A Igreja precisa dos jovens, nos recordava São João Paulo II, nos recorda o Papa Francisco. Portanto, ser protagonista dentro da Igreja e protagonista também na missão. Este é o chamado fundamental, os jovens devem se tornar evangelizadores de seus coetâneos. Portanto, estamos sempre na linha da evangelização, e essa é a mensagem que o Papa levará, além, naturalmente, da insistência a não deixar-se levar pelos valores efémeros de nossas sociedades e do nosso mundo, e de encontrar em Jesus a verdadeira resposta a suas interrogações e inquietações."
- Qual é o testemunho que os mártires coreanos que o Papa beatificará em Seul pode dar às jovens gerações de católicos asiáticos?

"Este é outro motivo pelo qual o Papa vai à Coreia: para a beatificação dos 124 mártires coreanos. Deve-se ressaltar o fato que dentro deste grupo há somente um sacerdote, todos os outros são leigos, que exerciam as mais variadas e diferentes profissões, das mais humildes às profissões mais elevadas na escala social, e isso nos reconduz a uma das características da Igreja coreana, ou seja, o fato que é uma Igreja nascida do testemunho e do compromisso dos leigos, que souberam conservar e transmitir a fé. Creio que essa é a mensagem fundamental, isto é, que na Igreja todos são chamados a colaborar na missão de anunciar o Evangelho e todos somos chamados à santidade, uma santidade que se pode manifestar de várias formas, mas que deve caracterizar o compromisso de cada um."

- O Papa concluirá sua viagem à Coreia – que os bispos definem como sendo "a última vítima da guerra fria" – com uma missa pela paz e a reconciliação. Esta viagem poderá abrir novos canais de diálogo entre os líderes das duas Coreias e dar esperança aos católicos da Coreia do Norte?

"Essa sempre foi a grande esperança da Santa Sé, que se empenhou também concretamente nesta direção. É uma constatação mais do que óbvia de que a península é ainda atingida por muitas tensões e de que a península precisa de paz e de reconciliação. Creio que a viagem do Papa ajudará também neste sentido, no sentido de continuar nessa obra de solidariedade – em prol das populações que se encontram necessitadas – e de favorecer, na medida do possível, aberturas de espaços de comunicação e de diálogo, porque creio, e é uma convicção que o Papa reiterou várias vezes, que somente através deste diálogo se podem também resolver os problemas que ainda existem, e que, se houver boa vontade por parte de todos, canais se encontram sempre."