19 julho, 2017

Santa Sé: fiéis sejam alma e consciência do desenvolvimento sustentável



Nova Iorque (RV) - A maior contribuição que os fiéis podem dar para implementar a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável consiste em continuar comprometidos com a diminuição da pobreza, a tutela do ambiente e a construção da paz.



Foi o que afirmou o observador permanente da Santa Sé junto à Organização das Nações Unidas, Dom Bernardito Auza, em pronunciamento esta segunda-feira (17/07) na sede da Onu, em Nova Iorque, sobre o tema “Mobilizar as comunidades religiosas a agir com solidariedade e responsabilidade partilhada para dar fim à pobreza e promover a paz”.

Valores éticos estão na base de um verdadeiro desenvolvimento

O serviço das comunidades religiosas tornar-se-á desse modo fermento para promover um desenvolvimento sustentável, explicou o núncio apostólico.

Se perdermos as coordenadas humanas fundamentais, corremos o grave risco de que os objetivos de desenvolvimento sustentável possam ser considerados somente de modo parcial. Desse modo corre-se o risco, em particular, de privilegiar aspectos econômicos e sociológicos e não seu contexto ético e antropológico, acrescentou Dom Auza.

Por isso, é essencial para os líderes religiosos, as comunidades e os fiéis contribuir para alimentar, com coragem e perseverança, “a alma” e a “consciência” em prol de um desenvolvimento autenticamente sustentável.

Deve-se evitar a instrumentalização da religião

Numa época como a atual marcada pelo relativismo é também urgente ajudar as pessoas a colher o verdadeiro sentido do bem e do belo. Ademais, disse ainda o arcebispo filipino, devem ser corrigidas aquelas ações voltadas a instrumentalizar a religião para fins incompatíveis com sua verdadeira essência.

Em particular, deve-se impedir o incitamento à violência que pode levar a praticar crimes e  atrocidades. Fiéis e comunidades religiosas devem permanecer a alma e a consciência para promover o desenvolvimento sustentável.

O desenvolvimento seja responsável

Os líderes religiosos não são líderes políticos ou especialistas. Não são chamados a medir objetivos e indicadores científicos, mas a dar as razões da esperança, a favorecer o diálogo. A verdadeira prioridade é promover o desenvolvimento humano integral de toda pessoa, afirmou o representante vaticano.
Os líderes religiosos e os fiéis devem se comprometer a proteger a vida para defender os mais fracos e os oprimidos. Além disso, devem ajudar as populações a desenvolver seus recursos naturais de modo responsável, a protegê-los de explorações econômicas e de interesses políticos.

É preciso abordagem integral

Como escreveu o Papa Francisco na Carta encíclica Laudato si, “as diretrizes para a solução exigem uma abordagem integral para combater a pobreza, para restituir a dignidade aos excluídos e, ao mesmo tempo, para cuidar da natureza”, recordou por fim o prelado.

Os indicadores mais importantes para o desenvolvimento sustentável não são quantitativos, mas qualitativos, e dizem respeito aos valores éticos. Valores contrários à cultura do descarte, concluiu Dom Auza. (RL/AL).

Mandela Day. Papa: superar racismo, intolerância e instrumentalizações



(RV) “É preciso superar todas as formas de racismo, de intolerância e de instrumentalização da pessoa humana.” Com um Tweet, o Papa Francisco recordou, neste 18 de julho, a celebração do Dia Internacional Nelson Mandela.

Se estivesse vivo, hoje Madiba – como era conhecido – completaria 96 anos. Considerado uma das personalidades mais ilustres do século XX, Mandela morreu em 5 de dezembro de 2013. Naquela ocasião, o Papa Francisco enalteceu o firme compromisso demonstrado por Mandela para “promover a dignidade humana de todos os cidadãos do País e forjar uma nova África do Sul construída sobre os pilares da não-violência, da reconciliação e da verdade.

“Rezo para que o exemplo do ex-presidente inspire gerações de sul-africanos, para que coloquem a justiça e o bem comum à frente de suas aspirações políticas”, disse o Papa Francisco em telegrama.
 
S. João Paulo II

Ao longo de sua vida, Nelson Mandela encontrou um único Pontífice: João Paulo II. A primeira vez foi em junho de 1990, pouco depois que deixou a prisão, onde transcorreu 27 anos de sua vida.

Em setembro de 1995, o Papa polaco visitou a África do Sul, sendo acolhido justamente por Nelson Mandela. Eis as palavras de João Paulo II na cerimónia de boas-vindas, em 16 de setembro: hoje a minha viagem me traz à África do Sul, à nova África do Sul, uma nação que se colocou firmemente no caminho da reconciliação e da harmonia entre todos os seus habitantes. No início da minha visita, desejo homenagear o Senhor, Presidente, que, depois de ter sido uma “testemunha” silenciosa e partícipe do anseio do seu povo à verdadeira libertação, agora assumiu a responsabilidade de inspirar e de desafiar cada um a ter êxito na tarefa de reconciliação e de reconstrução nacional.

Apartheid

Mais uma menção a Mandela foi feita ao regressar desta viagem, no Angelus de 24 de setembro de 1995 no Vaticano: “Infelizmente, mais uma vez pude tocar com as mãos os problemas deste Continente. A África carrega os sinais da sua longa história de humilhações. Muito se olhou para este Continente somente em nome de interesses egoístas. Hoje, a África pede para ser estimada e amada por aquilo que é. Não pede compaixão, pede solidariedade. Esta mensagem colhi em todos os lugares e, em especial, no encontro com Nelson Mandela, o homem que guiou a superação do apartheid, interpretando o desejo do seu povo, e de toda a África, de renascer na pacificação e na colaboração entre todos os seus filhos”.

Bento XVI

Bento XVI falou de Mandela ao se dirigir ao novo Embaixador da África do Sul junto à Santa Sé, em 29 de maio de 2009.

“Ninguém pode duvidar que muitos méritos pelos progressos realizados devem ser atribuídos à extraordinária maturidade política e às qualidades humanas do ex-presidente Nelson Mandela. Ele foi promotor de perdão e de reconciliação e goza de grande respeito no seu país e junto à comunidade internacional.”

Maior nome da política sul-africana, Nobel da Paz, Nelson Mandela deixou um legado não só de convivência, mas também de luta e resistência. Primeiro presidente negro eleito da África do Sul, entre 1994 e 1999, cumpriu um só mandato – feito raro na política mundial.

17 julho, 2017

UM ANÚNCIO DA DEGRADAÇÃO




Vi na televisão, recentemente, um anúncio de uma conhecida bebida, que é o exemplo “perfeito” de como este mundo caminha a passos largos para a total degradação.

O anúncio consta de um homem que está a trabalhar numa piscina, quase em troco nu, e que via limpando o suor da sua cara. Obviamente o actor é um suposto modelo de homem, passe o termo, irresistível!
Vê-se então uma rapariga nova, (que depois se depreende ser a filha da família que vive na casa), que olha atentamente, podemos dizer, excitadamente, para o “trabalhador” em causa.
Noutra janela, um rapaz, (que depois se depreende ser o filho da família que vive na casa), com uma postura nitidamente efeminada, faz a mesma coisa que a rapariga, ou seja, olha atenta e excitadamente para o “limpador” da piscina.
Na cena seguinte, ambos, a rapariga e o rapaz, correm para o frigorífico, para ir buscar uma garrafa da tal bebida, e fazem uma corrida, com alguns percalços, para ver qual é o primeiro a servir o “trabalhador”, na mira óbvia de lhe agradar para os fins que se percebem.
Espantamo-nos então porque ao chegarem perto do homem, verificam que ele já está a beber a tal bebida, que lhe foi trazida por aquela que se presume ser a mãe dos jovens, e que também está “embevecida” com a figura do referido homem.
Não preciso explicar a ninguém o que tudo isto significa de degradação moral, mas ainda posso acrescentar que, como é óbvio numa mensagem destas, produzida para este mundo cada vez mais amoral, a figura do pai não existe!

E assim nos entra pela casa adentro a agenda política e social de um mundo em degradação.
Chamam-lhe “politicamente correcto”, o que em boa verdade se chama e é apenas a “obra do diabo”!

Até mesmo, com tristeza o digo, algumas vozes da Igreja defendem que a Palavra de Deus, os ensinamentos de Cristo, devem ser reinterpretados à “luz” do mundo, ou seja, deste mundo amoral.
(Antes que alguém se aproveite deste escrito, aviso desde já que não me refiro de modo nenhum ao Papa Francisco.)

Caminhamos apressadamente para o “fim do império romano”, ou seja, uma degradação que não terá retorno, a não ser quando de alguma forma “implodir” a sociedade de hoje, para renascer uma nova sociedade.

E quem se levantar para dizer algo, para protestar, para tentar mostrar a imoralidade da mensagem, etc., é “apontado a dedo”, é gozado, é perseguido pelas inúmeras organizações criadas por gente política com uma agenda bem precisa de degradação da sociedade.

E, no entanto, a Palavra de Deus “nunca” foi tão actual:

«Envio-vos como ovelhas para o meio dos lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas suas sinagogas; sereis levados perante governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e dos pagãos.
Mas, quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer. Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós. O irmão entregará o seu irmão à morte, e o pai, o seu filho; os filhos hão-de erguer-se contra os pais e hão-de causar-lhes a morte. E vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo.» Mt 10, 16-22

«Então, irão entregar-vos à tortura e à morte e, por causa do meu nome, todos os povos irão odiar-vos. Nessa altura, muitos sucumbirão e hão-de trair-se e odiar-se uns aos outros. Surgirão muitos falsos profetas, que hão-de enganar a muitos. E porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos; mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo.» Mt 24, 9-13

Não nos calemos, não deixemos sobretudo de dar testemunho cristão, repitamos uns aos outros “não tenhas medo”, porque a nossa força, a nossa confiança, a nossa esperança, vem de Deus, do Deus que nos criou no Seu amor.

«Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.» Mt 28, 19-20



Marinha Grande, 17 de Julho de 2017
Joaquim Mexia Alves

Papa: a voz dos trabalhadores continua a ressoar na Igreja




(RV) “A voz dos trabalhadores continua a ressoar no seio da Igreja”: é o desejo do Papa Francisco numa mensagem dirigida ao encontro internacional do Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos a decorrer em Ávila, na Espanha, no 50° aniversário da sua fundação.

A conferência está em andamento, na cidade de Ávila, Espanha, na Universidade da Mística, até o próximo dia 21. Participam do evento 120 delegados representando o movimento presente hoje em 79 países. O tema do encontro é “Terra, casa e trabalho por uma vida digna”.

A mensagem, assinada pelo Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, sublinha que “a dignidade da pessoa está estritamente ligada a essas três realidades” que recordam que a experiência fundamental do ser humano “é a de sentir-se arraigado no mundo, na família e na sociedade”.

“Terra, casa e trabalho significa lutar para que cada pessoa viva de maneira conforme à sua dignidade e ninguém seja descartado. Para isso, nos encoraja a nossa fé em Deus que enviou o seu Filho ao mundo para que, partilhando a história de seu povo, vivendo numa família e trabalhando com suas mãos, redimisse e salvasse o ser humano com a sua morte e ressurreição”, prossegue a mensagem papal.

Francisco conclui, exortando o Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos “a perseverar com impulso renovado nos esforços de levar o Evangelho ao mundo do trabalho”. (BS/MJ)

16 julho, 2017

Limpemos o nosso coração para que a Palavra de Deus dê frutos




(RV) Na sua alocução antes da oração mariana do Angelus juntamente com os fiéis congregados na Praça de São Pedro, o Papa Francisco comentou a parábola do bom semeador que o Evangelho deste domingo nos apresenta. E o semeador é Jesus que – disse Francisco  - não se impõe, mas se propõe a nós, difundindo com paciência e generosidade a sua Palavra. Palavra que não é uma gaiola ou uma ratoeira, mas sim uma semente que pode dar frutos. Mas isto só acontecerá se nós a acolhermos. É uma parábola que nos diz respeito sobretudo a nós. Com efeito fala mais do terreno do que do semeador. Jesus faz como que uma “radiografia espiritual” do nosso coração que é o terreno no qual semeia a Palavra – insistiu o Papa. E o terreno pode ser bom e nesse caso dá bons frutos, mas pode também ser duro, impermeável, como uma estrada alcatroada. Mas entre o terreno bom e a o duro, a estrada – fez notar o Papa - pode haver dois tipos de terrenos intermédios: um terreno pedregoso e um terreno espinhoso. E explicou:

“Um terreno pedregoso é um terreno, onde não há muita terra; a semente pode germinar, mas não consegue afundar as raízes. Assim é o coração superficial, que acolhe o Senhor, que quer rezar, amar, testemunhar, mas não persevera, cansa-se e nunca descola. É um coração sem espessura, onde as pedras da preguiça prevalecem sobre a terra boa, onde o amor é inconstante e passageiro. Mas quem acolhe o Senhor só quando lhe apetece, não dá frutos”

O Papa falou depois do terreno espinhoso, cheio de sarças que sufocam as plantas boas. Essas sarças são as seduções da riqueza, dos vícios, as preocupações do mundo:

“As sarças são os vícios que lutam com Deus, que sufocam a sua presença: são antes de mais os ídolos da riqueza mundana, o viver avidamente para si mesmo, pelo ter e pelo poder. Se cultivarmos essas sarças, sufocamos o crescimento de Deus em nós. Cada um pode reconhecer as suas pequenas ou grandes sarças, os vícios que habitam o seu coração, aqueles arbustos mais ou menos enraizados não agradam a Deus e nos impedem de ter um coração limpo. É preciso arrancá-los, caso contrário a Palavra não dá frutos”

E o Papa concluiu dizendo que Jesus nos convida a olharmos para dentro de nós, a agradecermos pelo terreno bom e a trabalhar os que não são ainda bons; a perguntarmo-nos se o nosso coração está aberto para acolher com fé a semente da Palavra de Deus. E exortou:

“Encontremos em nós a coragem de fazer uma bela bonificação do terreno, do nosso coração, levando ao Senhor na confissão e a na oração os nossos pedregulhos e as nossas sarças. Assim fazendo, Jesus, bom semeador, sentir-se-á feliz por acrescentar o seu trabalho: purificar o nosso coração, tirando os pedras e os espinhos que sufocam a Palavra”.

Que Nossa Senhora do Monte Carmelo, insuperável no acolhimento da Palavra de Deus e em pô-la em prática nos ajude a purificar o coração e a conservar nele a presença do Senhor – rematou Francisco que passou depois à oração do Angelus:

Oração…

Após a reza das Avé Marias, Francisco saudou fiéis e peregrinos, (famílias, grupos paroquiais e associações) de Roma e do mundo presente na Praça.

Depois dirigiu uma saudação particular às irmãs Filhas de Nossa Senhora das Dores nos 50 anos da Aprovação Pontifícia do seu Instituto; às Irmãs Franciscanas de São José, nos 150 anos da sua fundação; aos dirigentes e hóspedes da “Domus Croata” de Roma no 30º aniversário da sua criação; e depois uma referência especial às irmãs e frades camelitas:

“Gostaria de saudar de forma especial as irmãs e os frades carmelitas no dia da sua festa. Desejo que possam continuar decididamente no caminho da contemplação.”

Na Praça estava igualmente um grande grupo da comunidade venezuelana em Itália, a quem o Papa saudou também de modo especial, renovando a sua oração por esse amado país.

E de todos se despediu desejando bom domingo e pedindo, como sempre orações para ele.

(DA)

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Angelus Domini - Vídeo integral



12 julho, 2017

Papa ao Simpósio sobre a Catequese na Argentina: caminhar com Cristo


(RV) O Papa Francisco enviou nesta quarta-feira (12/07) uma mensagem a Dom Ramón Alfredo Dus, arcebispo de Resistencia e Presidente da Comissão Episcopal e pastoral bíblica, e aos participantes no Simpósio Internacional sobre a Catequese, a decorrer na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica da Argentina (UCA), em Buenos Aires.
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Na mensagem o Santo Padre começa por recordar o exemplo de São Francisco de Assis que dizia a um dos seus seguidores: “quando visitamos os doentes, ajudamos as crianças e damos de comer aos pobres já estamos a pregar" . Nesta bela lição, observou o Papa, está encerrada a vocação e a tarefa do catequista.

Em primeiro lugar, prossegue Francisco, a catequese não é um "trabalho" ou uma tarefa externa à pessoa do catequista, mas se "é" catequista e toda a vida gira em torno desta missão. Porque "ser" catequista é uma vocação de serviço na Igreja, o que se recebeu como dom do Senhor deve por sua vez ser  transmitido, e é por isso que o catequista deve voltar constantemente àquele primeiro anúncio ou "kerygma", que é o dom que mudou a sua vida - é o anúncio fundamental que deve ressoar sempre na vida do cristão, e ainda mais naquele que foi chamado a proclamar e ensinar a fé, sublinha o Papa.

Este anúncio deve acompanhar a fé que está presente na religiosidade do nosso povo – diz ainda o Papa na mensagem. É necessário cuidar de todo o potencial de piedade e amor que envolve a religiosidade popular para que se transmitam não só os conteúdos da fé, mas para que também se crie uma verdadeira escola de formação em que se cultive o dom da fé que se recebeu, de modo que os actos e as palavras reflictam a graça de ser discípulos de Jesus.

O catequista caminha com Cristo e não é uma pessoa que parte das suas próprias ideias e gostos, mas que se deixa olhar por Ele, por esse olhar que inflama o coração, sublinha ainda o Pontífice. Quanto mais Jesus tomar o centro das nossas vidas, tanto mais ele nos faz sair de nós mesmos, nos descentraliza e nos torna próximos dos outros. E o Papa compara este dinamismo do amor ao movimento do coração: "sístole e diástole”, pois se concentra para se encontrar com o Senhor e imediatamente se abre, saindo de si  por amor, para dar testemunho de Jesus e falar de Jesus, pregar Jesus.

Ele mesmo nos dá o exemplo, reitera Francisco: retirava-se para rezar ao Pai e imediatamente saia ao encontro dos famintos e sedentos de Deus, para curá-las e salvá-los. Daqui nasce a importância da catequese "mistagógica" que é o encontro constante com a Palavra e os sacramentos e não algo meramente ocasional antes da celebração dos sacramentos da iniciação cristã. A vida cristã é um processo de crescimento e integração de todas as dimensões da pessoa num caminho comunitário de escuta  e resposta.

O catequista é também criativo; procura diferentes meios e formas para anunciar a Cristo. Os meios podes ser diferentes, mas o importante é ter presente o estilo de Jesus, que se adequava às pessoas que tinha diante de si para aproximá-las do amor de Deus. É preciso saber "mudar", adaptar-se, para que a mensagem seja mais próxima, mesmo quando é sempre a mesma, porque Deus não muda, mas renova todas as coisas nele. Na busca criativa de dar a conhecer Jesus, não devemos ter medo porque Ele nos precede nesta tarefa. Ele já está no homem de hoje, e lá nos espera.

Queridos catequistas, diz Francisco a terminar, agradeço-vos por aquilo que fazeis, mas sobretudo porque cainhais com o Povo de Deus. Encorajo-vos a ser alegres mensageiros, guardiões do bem e da beleza que brilham na vida fiel do discípulo missionário.

Que Jesus vos abençoe e a Virgem santa, verdadeira "educadora da fé", vos cuide. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim – conclui Francisco.

O Simpósio Internacional sobre a Catequese iniciou nesta terça-feira, dia 11 de julho e terminará na sexta-feira, 14 de julho. O encontro é organizado pelo Instituto de Catequese da Argentina (ISCA), um organismo dependente da Comissão Episcopal para a Catequese e Pastoral Bíblica da Conferência Episcopal Argentina (CEA), em colaboração com a Faculdade de Teologia da UCA.

"Bem-aventurados os que acreditam " é o lema da conferência na qual, entre os relatores, estão também o arcebispo Luis Francisco Ladaria, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Comissão de estudo sobre o Diaconato das mulheres, e Dom José Ruiz Arenas, secretário do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização. (BS)

11 julho, 2017

O Vídeo do Papa 07-2017 – Pessoas afastadas da fé cristã – Julho 2017



ORAÇÃO DE GRAÇAS

 



 Elevo os olhos ao Céu,
deixo aberto o coração,
levanto os braços p’ra Ti,
e deixo que a oração
brote como água fresca,
bem viva,
dentro de mim!

Não me refugio num canto,
não fujo em qualquer viagem,
mas deixo que o Espírito Santo,
me ilumine, me guie,
me dê coragem,
para dizer-Te olhos nos olhos:
Jesus, Senhor, eu amo-Te!

Um vento forte,
impetuoso,
irrompe na minha vida,
move o meu coração,
varre o sofrimento e a dor,
e grita forte aos meus ouvidos:
Não temas!
Vive apenas o Meu amor!

E eu caio,
prostrado na vida,
não de dor,
nem de emoção,
mas em plena adoração,
para gritar bem alto:
Obrigado,
meu Deus e meu Senhor!



Monte Real, 11 de Julho de 2017
Joaquim Mexia Alves

Motu Proprio do Papa contempla "oferta da vida" como causa de santificação




(RV) O Papa Francisco emitiu nesta terça-feira, 11 de Julho, uma Carta, Motu Próprio, sobre a oferta da vida. Intitula-se “Maiorem hac dilectionem”.  Abre-se assim o caminho para a beatificação daqueles que, levados pela caridade, ofereceram a própria vida pelo próximo, aceitando livre e voluntariamente uma morte certa e prematura com o intento de seguir Jesus: “Ele deu a sua vida por nós, portanto, nós também devemos dar a vida pelos irmãos” – lê-se na no Motu Proprio.

É desde há séculos  que as normas da Igreja Católica prevêem que se possa proceder à beatificação de um Servo de Deus essencialmente por três vias: que tenha passado pelo martírio; que tenha exercido as virtudes heróicas; e pelas chamadas “Casus excepit”. Esta última via é também denominada “beatificação equipolente”. Assim está explicitado no Código de Direito canónico de 1917, que retoma uma antiga tradição anterior a 1534. Foi o que estabeleceu o Papa Urbano VIII, o grande legislador das Causas dos Santos.

Estas três vias ainda hoje abertas e percorríveis, não parecem, todavia, ser suficientes para interpretar todos os casos possíveis de santidade canonizáveis. Com efeito, ultimamente, a Congregação para a Causa dos Santos perguntou-se se “não merecem também ser beatificados aqueles Servos de Deus que, inspirados no exemplo de Cristo, tenham livre e voluntariamente oferecido e imolado a própria vida pelos irmãos num supremo acto de caridade, que tenha sido causa directa da própria morte, pondo assim em prática a palavra do Senhor: “Ninguém tem um amor maior do que este: dar a própria vida pelos próprios amigos”.

Trata-se aqui, portanto, de introduzir,  uma quarta via que pode ser chamada oferta da vida. Embora tendo alguns elementos semelhantes tanto à via do martírio como à da virtudes heróicas, trata-se de uma nova via que pretende valorizar um heróico testemunho cristão, e que até agora não tinha um procedimento específico, precisamente porque não entrava nem na casuística do martírio, nem na das virtudes heróicas.

Contudo, todas as vias da Santidade canonizada têm um denominador comum: a caridade, que é “o vínculo da perfeição”, “plenitude da lei” e “espírito de santidade”. Sendo assim, também a oferta da vida não pode prescindir da perfeição da caridade, que, neste caso, porém, não é o resultado duma prolongada, pronta e alegre repetição dos actos virtuosos, mas sim um único acto heróico que, pela sua radicalidade, irrevocabilidade  e persistência até à morte, exprime plenamente a opção cristã.

A Congregação para as Causas dos Santos começou a debater esta temática no seu Congresso Ordinário em Janeiro de 2014. A questão foi seguidamente submetida ao Papa Francisco que aprovou e encorajou a aprofundá-la. Em Junho do ano passado a Congregação fez um Congresso específico sobre isto com 15 peritos, presidido por D. Enrico dal Cóvolo na sua qualidade de postulador. Seguiu-se uma sessão plenária de cardeais, bispos e membros da Congregação para as Causas dos Santos e as conclusões foram novamente submetidas ao Papa Francisco que pediu a redacção de um texto que é o agora Motu Próprio “Maiorem hac dilectionem”, assinado pelo Pontífice. O Papa pediu que este acto legislativo fosse promulgado mediante publicação no jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano” e que entrasse em vigor no mesmo dia da publicação, isto é hoje.
Para a correcta aplicação deste Motu Próprio é preciso referir-se à Instrução “Sanctorum Mater” de 17 de maio de 2007.

Com este Motu Próprio a doutrina da Igreja sobre a santidade canonizável  e o procedimento tradicional da Igreja para a beatificação dos Servos de Deus não são, de modo nenhum alteradas, mas enriquecidas com novos horizontes e oportunidades para a edificação do povo de Deus que nos seus Santos vê o rosto de Cristo, a presença de Deus na história e a exemplar actuação do Evangelho – lê-se no “L’Osservatore Romano”.