23 abril, 2014

Jesus está vivo, não o procuremos entre os mortos – o Papa na audiência geral em dia de S. Jorge

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(RV) Tempo cinzento em Roma mas uma alegria solar irradiava nos corações das dezenas de milhares de peregrinos presentes na Praça de S. Pedro para a audiência geral com o Papa Francisco nesta quarta-feira, dia 23, dia de S. Jorge. “Porque procurais entre os mortos aquele que está vivo?” – esta frase do Evangelho de S. Lucas serviu de mote para a catequese proposta pelo Santo Padre:

“Porque procurais entre os mortos aquele que está vivo?”
Nestes dias em que celebramos a alegria pascal de que Cristo ressuscitou e permanece para sempre vivo e presente no mundo, a pergunta que os anjos fizeram às mulheres no sepulcro, também se dirige a nós: «Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo?»

De facto – continuou o Santo Padre – às vezes, podemos fechar-nos em várias formas de egoísmo, seduzidos pelas coisas deste mundo, deixando de lado Deus e o próximo.

“Mas não é fácil aceitar a vida do Ressuscitado e a sua presença no meio de nós. O Evangelho faz-nos ver as reações do apóstolo Tomé, de Maria Madalena e dos dois discípulos de Emaús: faz-nos bem confrontarmo-nos com eles.“
Desta forma – continuou o Papa – podemos ser como Tomé, querendo tocar nas chagas para acreditar; ou como Maria Madalena, que vê Jesus, mas não o reconhece; ou ainda, como os discípulos de Emaús, que sentindo-se derrotados não percebem que é o próprio Jesus que os acompanha.
“Porque procuras entre os mortos aquele que está vivo tu que perdes-te a esperança e tu que te sentes aprisionado pelos teus pecados? Porque procuras entre os mortos aquele que está vivo tu que aspiras à beleza, à perfeição espiritual, à justiça, à paz?
Não podemos, assim, procurar entre os mortos aquele que está vivo! – sublinhou o Santo Padre. Por isso, é preciso maravilhar-se novamente com Cristo ressuscitado, para poder sair dos nossos espaços de tristeza e abrirmo-nos à esperança que remove as pedras dos sepulcros e nos dá coragem para anunciar pelo mundo fora o Evangelho da vida. – concluiu o Papa Francisco.

O Papa Francisco no final da catequese saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, especialmentemente aos fiéis de Lisboa e aos diversos grupos do Brasil. Queridos amigos, a fé na Ressurreição nos leva a olhar para o futuro, fortalecidos pela esperança na vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Feliz Páscoa para todos!”
Na saudações em língua italiana o Santo Padre referiu em particular a sua proximidade e oração aos trabalhadores da Lucchini de Piombino, em Livorno, na região italiana da Toscânia de quem recebeu uma video-mensagem que referia o quase seguro encerramento desta histórica e importante unidade siderúrgica:

“Caros operários, caros irmãos, abraço-vos fraternalmente e aos responsáveis peço de fazerem todos os esforços de criatividade e generosidade para reacender a esperança nos corações destes nossos irmãos e de todas as pessoas desempregadas por causa do desgoverno e da crise económica. Por favor, abram os olhos e não fiquem com os braços cruzados…”
O Papa Francisco a todos deu a sua benção! (RS)

As homilias do Papa em Santa Marta no livro “A verdade é um encontro”


(RV) Um ano de palavras entre as mais lidas e escutadas no mundo, transformadas num encontro marcado diário para milhares de pessoas. No livro “La veritá è um incontro. Omelie da Santa” (“A verdade é um encontro. Homilias da Santa Marta”), nas livrarias a partir de 24 de Abril, são recolhidas e propostas as sínteses produzidas pela Rádio Vaticano, das 186 primeiras homilias matinais do Papa Francisco. O livro tem o prefácio do Director Geral da emissora, Padre Federico Lombardi e de um estudo introdutório do Padre António Spadaro, Director da “Civiltà Cattolica”, responsável pela obra.

Desde quando abriu as portas da Capela Santa Marta e o mundo passou a entrar para escutar as suas palavras, quatro manhãs por semana, o Papa Francisco não somente criou uma expectativa, como introduziu um hábito sem limites geográficos e contribuiu para alterar também as rotinas profissionais mais radicadas na “sua” Rádio, criando um espaço novo e extraordinário.

Desde 25 de Março de 2013, quando o encontro da Missa matutina do Papa Francisco começou a delinear-se como tal – isto é, na modalidade de um relatório público das suas homilias pronunciadas espontaneamente num contexto “familiar” da Capela Santa Marta, no Vaticano – o trabalho jornalístico da Rádio Vaticano logo modelou-se à novidade. Já nos primeiros dias tomou forma a fileira de competências técnico-redaccionais necessárias para produzir rapidamente uma síntese escrita e radiofónica – e também televisiva – da homilia do dia, que em brevíssimo tempo tornou-se uma marca magistral do novo Papa.

Nasceu assim este “trabalho a mais”, mas “muito bem-vindo”, como o definiu o Padre Federico Lombardi no prefácio do livro. Editado pela ‘Casa Editora Rizzoli’, no qual são revividas as palavras do Papa Francisco – assim como a Rádio Vaticana (Secção italiana) as publicou no seu site – e revive também a sua voz, com os seus destaques, as suas pausas, a incisividade do seu ensinamento de fé, o formidável impacto do seu estilo expressivo, graças ao CD áudio que será anexado à edição nas livrarias a partir de 7 de Maio, quatro dias antes da apresentação do livro, programada para o Salão do Livro de Turim. As homilias matutinas do papa Francisco - escreve Pe. Lombardi – são aquelas “de um filho de Santo Inácio habituado a ajudar as almas a buscar e encontrar a vontade de Deus’, a cada dia, olhando e seguindo Jesus que carrega a Cruz para nos salvar, sob o olhar de amor do Pai”.

A Rádio Vaticano segue e continuará a fazer, esta viagem espiritual do Papa, "do microfone activado ao amanhecer aos ouvidos atentos, inteligências despertas e dedos velozes das secretarias de redacção que transcrevem fielmente as palavras”, concluiu Pe. Lombardi.

22 abril, 2014

Canonizações de João XXIII e João Paulo II – primeiro briefing com os jornalistas

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(RV) Concentrar a atenção sobre as figuras espirituais destes dois novos santos – foi desta forma que o P. Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, iniciou o primeiro de vários encontros com os media sobre as canonizações de domingo. Presentes o franciscano P. Giovangiuseppe Califano, postulador da causa de João XXIII e P. Slawomir Oder, postulador para a canonização de João Paulo II. A conferência de Imprensa teve a tradução simultânea para espanhol e inglês do P. Manuel Durantes, da arquidiocese de Chicago nos EUA.

Estes dois sacerdotes apresentaram aspetos fundamentais da vida destes dois santos:

Sobre o Papa João XXIII o P. Califano afirmou que o desejo de santidade de Angelo Roncalli manfestou-se desde criança. Santidade entendida como abandono à providência ele que será para sempre recordado como o Papa Buono, o Papa Bom, que segundo o P. Califano deve-se à sua proximidade e doação de pastor e padre, e à sua enorme cordialidade e obediência. João XXIII que foi um paladino da paz.

Já o P. Slawomir Oder referiu três caraterísticas fundamentais do itinerário de vida de João Paulo II:
Fé simples – húmus para nutrir a fé, no contacto com a gente, com as pessoas. Tinha necessidade da Igreja viva e nutrir-se daquela fé.
Profundidade mística – era um homem de Deus que queria encontrar Deus sempre e, por isso, a oração era a sua respiração. Tinha um estilo de vida eucarístico. Não podemos esquecer que o aspeto da Divina Misericórdia e do encontro que teve com a Irmã Faustina e também o facto de ter vivido em duas situações limite, nazismo e comunismo, foram importantes na sua vivência mística.
Coragem – a coragem de enfrentar as contrariedades da vida, lendo a história através da intervenção de Deus.
O P.Oder referiu ainda que João Paulo II não tinha um diário espiritual mas escreveu sobre o dom da vida recebido e sentia-se, portanto, devedor da sua própria vida pois a vida era para ele um verdadeiramente dom.
No final da conferência de imprensa o P. Lombardi marcou encontro para o dia de amanhã no Media Center para um briefing só sobre o Papa João XXIII. (RS)

21 abril, 2014

A alegria - íntima e profunda - da Mãe de Jesus tornou-se fonte de paz e misericórdia: Papa, ao meio-dia, na praça de São Pedro


(RV) “Cristo ressuscitou! Aleluia!” – esta a simples mensagem pascal ontem mandada pelo Papa Francisco com um tweet da sua conta @Pontifex aos milhões de seguidores. Nesta segunda-feira de Páscoa, idêntica mensagem tweet: “Todo o encontro com Jesus nos enche de alegria, daquela alegria profunda que só Deus nos pode dar.”
Sendo feriado em Itália (como em muitos outros países europeus), o Santo Padre acolheu ao meio-dia, na Praça de São Pedro, os romanos e peregrinos que ali se quiseram congregar para com ele rezarem a Nossa Senhora, com o oração do “Regina Coeli”, que durante o Tempo Pascal substitui o tradicional Angelus.
Cari fratelli e sorelle, buona Pasqua! “Cristòs anèsti! – Alethos anèsti! Cristo è risorto! È veramente risorto!”
O Papa começou a sua alocução saudando os presentes com votos de Páscoa, também em grego, segundo a fórmula usada tradicionalmente pelos cristãos do oriente: Cristo ressuscitou, ressuscitou verdadeiramente!
Papa Francisco mencionou “a alegria cheia de admiração” que transparece nas narrativas dos Evangelhos, como o sentimento predominante vivido pelos discípulos ao receber a notícia da Ressurreição do Senhor. E convidou a deixar “que esta experiência, impressa no Evangelho, se imprima também nos nossos corações e transparece na nossa vida”.
“Deixemos que a jubilosa admiração do Domingo de Páscoa irradie nos pensamentos, nos olhares, nas atitudes, nos gestos e nas palavras…”
Mas não se trata de simples maquilhagem, só aparente - advertiu o Papa. É algo que vem de dentro…
“Vem de dentro, de um coração imerso na fonte desta alegria, como o de Maria Madalena, que chorou pela perda do seu Senhor e não acreditava nos seus olhos vendo-o ressuscitado”.
Quem faz esta experiência torna-se testemunha da Ressurreição, porque num certo sentido ressuscita também. E então é capaz de levar um “raio” da luz do Ressuscitado às diversas situações humanas, felizes (tornando-as ainda mais belas) ou infelizes (levando aí serenidade e esperança).
“Far-nos-á bem, nesta Semana, pensar à alegria de Maria, a Mãe de Jesus. Como foi íntimo o seu sofrimento, ao ponto de trespassar a sua alma, assim também foi íntima e profunda a sua alegria e nela se podiam abastecer os discípulos.”
“Tendo passado através da experiência da morte e ressurreição do seu Filho – vistas, na fé, como expressão suprema do amor de Deus – o coração de Maria tornou-se manancial de paz, de consolação, de esperança, de misericórdia”.
“É daqui que derivam todas as prerrogativas da nossa Mãe: da sua participação na Páscoa de Jesus. Num certo sentido, também ela morreu com Ele; e com Ele resuscitou”
“De Sexta até à manhã de Domingo, Ela não perdeu a esperança: contemplamo-la como a Senhora das Dores, mas ao mesmo tempo como Mãe cheia de esperança. É por isso que é a Mãe de todos os discípulos, Mãe da Igreja.”
O Papa concluiu a sua introdução ao canto do Regina Coeli, convidando a pedir a Maria, “testemunha silenciosa da morte e da ressurreição de Jesus”, que nos introduza na alegria pascal.
Após a recitação do Regina Coeli, o Papa Francisco, saudando todos os peregrinos e a todos fazendo votos de que cada um possa viver na alegria e na serenidade este tempo em que se prolonga a alegria da Ressurreição.
A concluir, o Papa sugeriu que ao longo desta semana pascal, cada um, em casa, pegue nos Evangelhos para ler e meditar os textos referentes às manifestações do Senhor ressuscitado…
E a todos desejou uma boa refeição…

Tríduo Pascal - Homilia de D. Manuel Clemente no Domingo de Páscoa

Foto: DR


DOMINGO DE PÁSCOA 2014
A vivência perfeita da única Páscoa garantida

Caríssimos irmãos, na Páscoa do Senhor
Saúdo-vos vivamente nesta manhã pascal. E com aquela vida que venceu a morte, em Cristo e em nós. Ouvimo-lo a Paulo, clamando aos colossenses, com o sentido transfigurado que as palavras ganham no batismo dos crentes: «Vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida se manifestar, também vós vos haveis de manifestar com ele na glória».

Sim, caríssimos, estamos aqui com o que trazemos em mente e porventura nos pesa na alma, e não podemos nem queremos esquecer. Uns com saúde e outros enfermos, ou com doentes a seu cargo; uns com trabalho e outros sem o ter, numa sociedade que tarda a reconhecê-lo como condição indispensável de realização humana; uns acompanhados e outros sós, ou com dificuldade em constituir e manter a vida familiar, base irrecusável da convivência autêntica…

Sim, estamos como estamos, e nem todos como queríamos ou devíamos estar. Mas o apóstolo dizia-nos outra coisa e muito mais do que isso: «A vossa vida está escondida com Cristo em Deus». Traduzamos assim: Nas vicissitudes duma existência frágil ou fragilizada, mas sempre mortal, o segredo dos batizados é o destino de Cristo, que lhes é oferecido.

Venha o que vier, já veio o que devia - a Páscoa de Cristo, o Filho de Deus, que se fez um de nós, passou pelo que passamos e venceu a morte, não lhe fugindo, mas repassando-a da vida ressuscitada e ressuscitadora que o Pai lhe ofereceu. Tendo a vida escondida com Cristo em Deus, temo-la bem segura e não nos recusaremos a dá-la também, pois quanto mais a dermos pelos outros mais a receberemos de Deus. Por isso, a Páscoa de Cristo é a permanente raiz da nossa liberdade altruísta – a única realmente livre. 

Mas recuperemos brevemente o caminho feito e indispensável sempre: Em Domingo de Ramos, entrámos com Jesus em Jerusalém. Quinta-Feira Santa, estivemos com Ele na Ceia e depois no Horto das Oliveiras. Sexta-Feira, no seu julgamento, condenação e morte. Fomos agora com a Madalena ao sepulcro, vimos a pedra retirada, fomos ter com Simão Pedro e o discípulo predileto. Com eles corremos ao sepulcro, vimos as ligaduras no chão, sinal certamente de que o corpo não fora roubado… Por fim, e é o ponto em que estamos, vimos e acreditámos. Vimos o que eles viram e acreditámos no que o discípulo predileto acreditou.

Uma semana plena de circunstâncias e ensinamentos, que decerto seguimos com humildade de espírito e coração contrito, como só pode ser em momentos únicos e vitais. – Que alvoroço aquele, de ramos e hossanas, quando Jesus entrou na Jerusalém das nossas vidas, também representadas em incontáveis celebrações que se fizeram nas comunidades cristãs, há uma semana atrás! Percebendo, sobretudo, que é assim que Ele continua a entrar, com a régia humildade em que aconteceu, num pequeno jumento. – Quanta ação de graças, quanta “Eucaristia”, quando em Quinta-Feira se deu em corpo e sangue! E depois, no Horto, quanta advertência para não dormirmos, antes o acompanharmos, indo até ao fim…

A seguir, no pretório de Pilatos, certamente o vimos a Ele, igual a si mesmo, quando a multidão já era tão diferente do que fora nos Ramos, aclamando-o um dia para o rejeitar no outro... E para o seguirmos, como cada um o fez e continua a fazer, sob a cruz dos homens, sob a cruz do mundo… Depois a morte, a sepultura e finalmente o mais, o tudo que nos traz aqui, num dia sem ocaso.

Mais um ponto ainda, e muito de reter. Ouvimos no Evangelho: «Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou». Tratava-se do “discípulo predileto”, que, exatamente porque o era, chegou mais depressa e acreditou primeiro.

Caríssimos irmãos, é do que se trata agora e há de ser connosco. Olhando para onde olharmos, correndo para onde corrermos, não nos faltam sepulcros de esperanças e vazios de vida. De perto ou de longe, dramas pessoais, tragédias de povos, riscos de mais guerras, cristãos perseguidos, horizontes curtos, bloqueados… Mesmo com férias e passeios nesta feliz quadra, nada nos evita as notícias tristes, nem nos dispensa de habituais cuidados.

Todavia, se a predileção de Jesus e por Jesus nos prende deveras, nem deixaremos de acorrer onde O sabemos, nem deixaremos de lhe divisar a presença onde Ele preferentemente está e nos espera.

Não faltaremos à reunião fraterna de cada “Domingo”, aprendendo com o apóstolo Tomé que, só estando “com os outros”, O veremos também, para lhe dizermos de coração rendido: «Meu Senhor e meu Deus!» (cf. Jo 20, 26-28).
Não olvidaremos as suas palavras, pois guardá-las na memória e no coração é o modo perfeito de O sabermos connosco e bem connosco, como prometeu: «Se alguém me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14, 23).

Mantendo-nos com Ele, em devoção e lembrança, cada vez mais captaremos o fulgor da sua glória e presença, que a tudo confere a verdadeira luz e o sentido autêntico. Ele próprio o pediu ao Pai, assim mesmo o garantindo: «Pai, quero que onde Eu estiver estejam também comigo aqueles que me confiaste, para que contemplem a minha glória, a glória que me deste, por me teres amado antes da criação do mundo» (Jo 17. 24).

Vendo bem, procuramo-lo porque Ele nos procurou primeiro e sempre procura agora. Batemos à porta do céu, que nem sempre parece tão escancarada como a pedra removida do sepulcro. Mas, na verdade, é Ele que bate à porta do nosso coração, em constante vontade de conviver connosco: «Olha que Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo» (Ap 3, 20).

A alusão à ceia, eucarística sobretudo, traduz a proximidade do Ressuscitado, como a quer manter connosco. E, sendo Ele próprio o alimento, a convivência passa a ser comunhão, em sentido cabal e preciso. Como no seu discurso do Pão da Vida: «Quem come realmente a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive e eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim» (Jo 6, 56-57).

Sem esquecermos nunca a sua presença nos outros, igualmente real e à nossa espera, agora e sempre, como lembra outro trecho evangélico: «Vinde, benditos de meu Pai! […] Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me de vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo. […] Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 34 ss).

Recolhendo estas preciosas indicações do Novo Testamento que deixou, nada nos há de tolher a corrida ao lugar donde ressuscita, para entrarmos de vez e lhe divisarmos a presença. Assim mesmo O veremos, onde quer ser visto; aí mesmo O serviremos, nos pobres em quem nos espera; aí mesmo nos garantirá para sempre, pois a caridade nunca acabará; aí mesmo nos servirá, ele próprio, conforme prometeu; «Felizes aqueles servos a quem o senhor, quando vier, encontrar vigilantes! Em verdade vos digo: Vai cingir-se, mandará que se ponham à mesa e há de servi-los» (Lc 12, 37).

A esta luz definitiva, caríssimos irmãos, façamos da nossa presença reforçada, na Igreja e no mundo, a vivência perfeita da única Páscoa garantida.


+ Manuel Clemente
Lisboa, 20 de abril de 2014

Papa Francisco - Semana Santa e Páscoa: os principais momentos

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(RV) 
Dia 14, Segunda-Feira Santa
“Ai dos maus pastores que apascentam a si mesmos e não ao rebanho!” – esta forte admoestação dos profetas foi recordada pelo Papa Francisco, ao receber, na segunda-feira dia 14 os estudantes e superiores do Seminário inter-regional de Anagni, que serve a região do Lazio, a sul de Roma.
“Vós, caros seminaristas, não vos estais preparando para exercer uma profissão, para vos tornardes funcionários de uma empresa ou de um organismo burocrático. Cuidado, estai atentos a não cair nisso! “
Trata-se, isso sim, de irem-se tornando “pastores à imagem de Jesus, Bom Pastor”, para serem como Ele apascentando as suas ovelhas.
Quem não se sentir disposto a seguir este caminho, com esta atitude e orientação – advertiu o Papa – “tenha a coração de procurar outra estrada”, pois há muitos modos, na Igreja, de dar testemunho cristão.

Dia 16, Quarta-Feira Santa
Na audiência geral na quarta-feira da Semana Santa o Papa Francisco exortou os cristãos a contemplarem o Mistério da Morte e Ressurreição de Jesus:

“Esta semana vai-nos fazer bem pegar no crucifixo e beija-lo tantas vezes e dizer obrigado Jesus, obrigado Senhor. Assim seja.”


Dia 17, Quinta-Feira Santa

No início do Tríduo Pascal no dia 17 de abril, quinta-feira santa, o Papa Francisco celebrou a missa crismal em comunhão com todos os sacerdotes do mundo que nessa celebração renovam as promessas feitas no dia da ordenação:
“O sacerdote é o mais pobre dos homens se Jesus não o enriquece com a sua pobreza, é o mais inútil servo se Jesus não o chama amigo, o mais tonto dos homens se Jesus não o ensina pacientemente como Pedro, o mais indefeso dos cristãos se o Bom Pastor não fortifica no meio do rebanho. Ninguém é menor do que um sacerdote deixado às suas forças.”

Durante a tarde de dia 17 de abril o Papa Francisco celebrou a Missa da Ceia do Senhor num centro de acolhimento de idosos e pessoas com deficiência onde fez o ato do lava-pés:

“Ele é Deus e fez-se servo, nosso servidor. E esta é a herança: também vós deveis ser servidores uns dos outros. E Ele fez este caminho por amor: também vós deveis amar-vos e ser servidores no amor. Esta é a herança que nos deixa Jesus.”

Dia 18, Sexta-Feira Santa

No dia 18 de abril, sexta-feira santa, o Papa Francisco presidiu à Celebração da Paixão do Senhor na Basílica vaticana tendo sido confiada a homilia ao P. Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia. O padre capuchinho centrou a sua atenção na figura de Judas, traidor por dinheiro, que cometeu o pecado de ter duvidado da misericórdia de Jesus.
A traição de Judas a Jesus continua na história. O padre Cantalamessa fez exemplos concretos:

“Trai Cristo quem trai a própria mulher ou o próprio marido. Trai Jesus o ministro de Deus infiel à sua condição que em vez de pastorear o seu rebanho pastoreia-se a si próprio. Trai Jesus quem quer que traia a sua própria consciência.”

Na Via Sacra do Coliseu de Roma, os textos foram propostos por D. Giancarlo Bregantini, arcebispo de Campobasso em Itália. Estes textos da Via Sacra trouxeram ao caminho da Cruz reflexões críticas sobre a sociedade atual. O Papa Francisco após as 14 estações e antes da benção final proferiu algumas palavras em que evocou as injustiças e sofrimentos da humanidade e declarou que:
“O mal não terá a última palavra, mas sim o amor, a misericórdia e o perdão".

Dia 19, Sábado Santo
O Papa Francisco presidiu na noite deste Sábado Santo na Basílica de S. Pedro à Vigília Pascal. Na sua homilia exortou os cristãos a redescobrirem a sua própria experiência cristã voltando à Galileia, lugar do primeiro chamamento:
“Voltar à Galileia significa reler tudo a partir da cruz e da vitória. Reler tudo – a pregação, os milagres, a nova comunidade, os entusiasmos e as deserções, até a traição – reler tudo a partir do fim, que é um novo início, a partir deste supremo ato de amor.”
Também para cada um de nós há uma «Galileia» - afirmou o Santo Padre – «Partir para a Galileia» significa redescobrirmos o nosso Batismo como fonte viva, voltar àquele ponto incandescente onde a Graça de Deus me tocou no início do caminho. É dali, da faísca que acendeu o fogo da fé que se deve acender a alegria por Jesus Ressuscitado uma alegria humilde, uma alegria que não ofende o sofrimento e o desespero, uma alegria mansa e bondosa – observou o Papa Francisco. Voltar à Galileia é pois voltar à experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo. Mas tudo isto lança-nos interrogações. O Santo Padre apontou-as:
“Hoje, nesta noite, cada um de nós pode interrogar-se: Qual é a minha Galileia? Onde é a minha Galileia? Lembro-me dela? Ou esqueci-a? Andei por caminhos e sendas que me fizeram esquecê-la. Senhor, ajudai-me! Dizei-me qual é a minha Galileia. Como sabeis, eu quero voltar lá para Vos encontrar e deixar-me abraçar pela vossa misericórdia. O Evangelho da Páscoa é claro: é preciso voltar lá, para ver Jesus Ressuscitado e tornar-se testemunha da sua ressurreição. Não é voltar para trás, não é nostalgia. É voltar ao primeiro amor, para receber o fogo que Jesus acendeu no mundo, e levá-lo a todos até aos confins da terra.”

Dia 20, Domingo de Páscoa

Cari fratelli e sorelle, buona e santa Pasqua!
O Papa Francisco neste Domingo de Páscoa, 20 de abril, proferiu a Mensagem Urbi et Orbi da varanda central da Basílica de S. Pedro. O Santo Padre começou por reafirmar a mensagem do anjo às mulheres, perante o sepulcro vazio: “Ressuscitou! Vinde e vede” e sublinhou que anunciar a Boa Nova da Ressurreição não é apenas uma palavra mas um testemunho:

“A Boa Nova não é apenas uma palavra, mas é um testemunho de amor gratuito e fiel: é sair de si mesmo para ir ao encontro do outro, é permanecer junto de quem a vida feriu, é partilhar com quem não tem o necessário, é ficar ao lado de quem está doente, é idoso ou excluído... “
“Ajudai-nos a procurar-Vos para que todos possamos encontrar-Vos, saber que temos um Pai e não nos sentimos órfãos; que podemos amar-Vos e adorar-Vos. Ajudai-nos a vencer a chaga da fome, agravada pelos conflitos e por um desperdício imenso de que muitas vezes somos cúmplices. Tornai-nos capazes de proteger os indefesos, sobretudo as crianças, as mulheres e os idosos, por vezes objeto de exploração e de abandono.”
“Fazei que possamos cuidar dos irmãos atingidos pela epidemia de ébola na Guiné Conacri, Serra Leoa e Libéria, e daqueles que são afetados por tantas outras doenças, que se difundem também pela negligência e a pobreza extrema.”
“Suplicamo-Vos, em particular, pela Síria, a amada Sìria, para que quantos sofrem as consequências do conflito possam receber a ajuda humanitária necessária e as partes em causa cessem de usar a força para semear morte, sobretudo contra a população inerme, mas tenham a audácia de negociar a paz, há tanto tempo esperada.”
“Jesus glorioso, pedimo-Vos que conforteis as vítimas das violências fratricidas no Iraque e sustenteis as esperanças suscitadas pela retomada das negociações entre israelitas e palestinianos.
Imploramo-Vos que se ponha fim aos combates na República Centro-Africana e que cessem os hediondos ataques terroristas em algumas zonas da Nigéria e as violências no Sudão do Sul.
Pedimos-Vos que os ânimos se inclinem para a reconciliação e a concórdia fraterna na Venezuela.”
“Pedimo-Vos, Senhor, por todos os povos da terra: Vós que vencestes a morte, dai-nos a vossa vida, dai-nos a vossa paz!” (RS)

20 abril, 2014

A boa nova não é só palavra, é testemunho de amor: Papa na mensagem Urbi et Orbi 2014

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(RV) Cari fratelli e sorelle, buona e santa Pasqua!
… Papa Francisco, nesta Páscoa 2014, dirigindo Urbi et Orbi (à Cidade de Roma e ao mundo inteiro), da varanda central da basílica de São Pedro, a sua mensagem pascal, em que tomou como ponto de partida o anúncio do anjo às mulheres, perante o sepulcro aberto: “Ressuscitou! Vinde e vede!”
Uma mensagem que hoje ressoa uma vez mais na Igreja espalhada pelo mundo: «Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou (...). Vinde, vede o lugar onde jazia»
“Não tenhais medo! O Senhor ressuscitou. Este é o ponto culminante do Evangelho, é a Boa Nova por excelência: Jesus, o crucificado, ressuscitou!”
É este o acontecimento que está na base da nossa fé e da nossa esperança – sublinhou o Papa: se Cristo não tivesse ressuscitado, o cristianismo perderia o seu valor; toda a missão da Igreja veria esgotar-se o seu ímpeto, porque foi dali que partiu e é sempre daqui que de novo parte.
A mensagem que os cristãos levam ao mundo é esta: Jesus, o Amor encarnado, morreu na cruz pelos nossos pecados, mas Deus Pai ressuscitou-O e fê-Lo Senhor da vida e da morte.

“Em Jesus, o Amor triunfou sobre o ódio, a misericórdia sobre o pecado, o bem sobre o mal, a verdade sobre a mentira, a vida sobre a morte.”

Há que dizer a todos: «Vinde e vede», isso porque - insistiu o Papa - a Boa Nova não é apenas uma palavra, é testemunho…

“A Boa Nova não é apenas uma palavra, mas é um testemunho de amor gratuito e fiel: é sair de si mesmo para ir ao encontro do outro, é permanecer junto de quem a vida feriu, é partilhar com quem não tem o necessário, é ficar ao lado de quem está doente, é idoso ou excluído...

O Amor é mais forte, o Amor dá vida, o Amor faz florescer a esperança no deserto… “Com esta jubilosa certeza no coração”, o Papa Francisco prosseguiu a sua Mensagem pascal em jeito de oração ao Senhor ressuscitado pedindo-lhe a graça de O reconhecer e servir nos irmãos que sofrem:

“Ajudai-nos a procurar-Vos para que todos possamos encontrar-Vos, saber que temos um Pai e não nos sentimos órfãos; que podemos amar-Vos e adorar-Vos.
Ajudai-nos a vencer a chaga da fome, agravada pelos conflitos e por um desperdício imenso de que muitas vezes somos cúmplices.
Tornai-nos capazes de proteger os indefesos, sobretudo as crianças, as mulheres e os idosos, por vezes objecto de exploração e de abandono.”

Na sua oração a Jesus Ressuscitado, Papa Francisco não esqueceu os que sofrem com doenças como a epidemia de ébola… dos quais é preciso cuidar, contrastando também as condições de vida que facilitam a sua difusão…

“Fazei que possamos cuidar dos irmãos atingidos pela epidemia de ébola na Guiné Conacri, Serra Leoa e Libéria, e daqueles que são afectados por tantas outras doenças, que se difundem também pela negligência e a pobreza extrema.”

O Papa pediu ao Senhor Ressuscitado que console quantos hoje não podem celebrar a Páscoa com os seus entes queridos porque a eles foram arrancados injustamente, como (é o caso, por exemplo) das numerosas pessoas – padres e leigos - sequestradas em diferentes partes do mundo.

Recordados também “os que deixaram as suas terras emigrando para lugares onde possam esperar um futuro melhor, viver a própria vida com dignidade e, não raro, professar livremente a sua fé.”

Na parte final da Mensagem pascal a todo o mundo, o Papa evocou as situações de guerra e de violências, nomeadamente a Síria, o Iraque, a Terra Santa, a República Centro-Africana, Nigéria, Sudão do Sul, Venezuela e Ucrânia…

Começando por pedir a “Jesus glorioso”, que “cesse toda a guerra, toda a hostilidade grande ou pequena, antiga ou recente”, prosseguiu o Papa Francisco, em tom de súplica:

“Suplicamo-Vos, em particular, pela Síria, a amada Sìria, para que quantos sofrem as consequências do conflito possam receber a ajuda humanitária necessária e as partes em causa cessem de usar a força para semear morte, sobretudo contra a população inerme, mas tenham a audácia de negociar a paz, há tanto tempo esperada.”

“Jesus glorioso, pedimo-Vos que conforteis as vítimas das violências fratricidas no Iraque e sustenteis as esperanças suscitadas pela retomada das negociações entre israelitas e palestinianos.

Imploramo-Vos que se ponha fim aos combates na República Centro-Africana e que cessem os hediondos ataques terroristas em algumas zonas da Nigéria e as violências no Sudão do Sul.

Pedimos-Vos que os ânimos se inclinem para a reconciliação e a concórdia fraterna na Venezuela.”

Finalmente a referência à Ucrânia, observando que este ano os católicos de rito latino celebram a Páscoa juntamente com as Igrejas que seguem o calendário juliano, o Papa pediu ao Senhor Ressuscitado “que ilumine e inspire as iniciativas de pacificação” e “que todas as partes interessadas, apoiadas pela Comunidade internacional, possam empreender todo esforço para impedir a violência e construir, num espírito de unidade e diálogo, o futuro do País”.

“Pedimo-Vos, Senhor, por todos os povos da terra: Vós que vencestes a morte, dai-nos a vossa vida, dai-nos a vossa paz!”

Cari fratelli e sorelle, buona Pasqua!

O Santo Padre a todos deu a sua especial bênção apostólica, a que está ligada, nesta circunstância, a indulgência plenária, nas condições previstas de conversão pessoal, absolvição sacramental e oração pelas intenções do Santo Padre.

Anteriormente, a partir das 10.15, o Santo Padre presidiu à solene Missa da Ressurreição, na Praça de São Pedro, com uma multidão incontável de fiéis. Coincidindo este ano a celebração da Páscoa nas comunidades de rito latino com a data da Páscoa nas comunidades que seguem o calendário juliano, a celebração papal de hoje incluiu também um antiquíssimo Cântico do património da liturgia pascal bizantina… que recordam as mulheres que vão ao Sepulcro para ungir o corpo de Jesus e recebem a boa nova de que o Senhor ressuscitou…

Caminhar para a Galileia dos gentios, horizonte do Ressuscitado – o Papa Francisco na Vigília Pascal


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(RV)
O Papa Francisco presidiu na noite deste Sábado Santo na Basílica de S. Pedro à Vigília Pascal, mãe de todas as vigílias. Celebrou a Ressurreição de Jesus percorrendo os quatro momentos fundamentais desta celebração: a Liturgia da Luz, a Liturgia da Palavra, a Liturgia Batismal, e a Liturgia Eucarística. Na sua homilia exortou os cristãos a redescobrirem a sua própria experiência cristã:

O Evangelho da Ressurreição de Jesus Cristo refere o caminho das mulheres para o sepulcro ao alvorecer do dia depois do sábado – referiu o Papa Francisco no início da sua homilia. Querem honrar o corpo do Senhor e vão ao túmulo, mas encontram-no aberto e vazio. Aparece-lhes um anjo que lhes diz: «Não tenhais medo!» E ordena-lhes que levem esta notícia aos discípulos:

”Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia». As mulheres fogem de lá imediatamente, mas, ao longo da estrada, sai-lhes ao encontro o próprio Jesus que lhes diz: «Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá me verão.”

Depois da morte de Jesus, os discípulos tinham-se dispersado; a sua fé arrefecera, tudo parecia ter acabado – comentou o Santo Padre – mas aquele anúncio das mulheres era como um raio de luz na escuridão:

A notícia espalha-se: Jesus ressuscitou, como tinha dito... E de igual modo a ordem de partir para a Galileia; duas vezes a ouviram as mulheres, primeiro do anjo, depois do próprio Jesus: «Partam para a Galileia. Lá Me verão».

A Galileia é o lugar do primeiro chamamento, onde tudo começara! Trata-se, assim, de voltar lá, voltar ao lugar do primeiro chamamento – continuou o Papa – Jesus passara pela margem do lago, enquanto os pescadores estavam a consertar as redes. Chamara-os e eles, deixando tudo, seguiram-No:

“Voltar à Galileia significa reler tudo a partir da cruz e da vitória. Reler tudo – a pregação, os milagres, a nova comunidade, os entusiasmos e as deserções, até a traição – reler tudo a partir do fim, que é um novo início, a partir deste supremo ato de amor.”

Também para cada um de nós há uma «Galileia» - afirmou o Santo Padre – «Partir para a Galileia» significa redescobrirmos o nosso Batismo como fonte viva, voltar àquele ponto incandescente onde a Graça de Deus me tocou no início do caminho. É dali, da faísca que acendeu o fogo da fé que se deve acender a alegria por Jesus Ressuscitado uma alegria humilde, uma alegria que não ofende o sofrimento e o desespero, uma alegria mansa e bondosa – observou o Papa Francisco. Voltar à Galileia é pois voltar à experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo. Mas tudo isto lança-nos interrogações. O Santo Padre apontou-as:

“Hoje, nesta noite, cada um de nós pode interrogar-se: Qual é a minha Galileia? Onde é a minha Galileia? Lembro-me dela? Ou esqueci-a? Andei por caminhos e sendas que me fizeram esquece-la. Senhor, ajudai-me! Dizei-me qual é a minha Galileia. Como sabeis, eu quero voltar lá para Vos encontrar e deixar-me abraçar pela vossa misericórdia. O Evangelho da Páscoa é claro: é preciso voltar lá, para ver Jesus Ressuscitado e tornar-se testemunha da sua ressurreição. Não é voltar para trás, não é nostalgia. É voltar ao primeiro amor, para receber o fogo que Jesus acendeu no mundo, e levá-lo a todos até aos confins da terra.”

O Papa Francisco concluiu a sua homilia nesta Vigília Pascal exortando os cristãos a porem-se em caminho redescobrindo Jesus Ressuscitado:

“Galileia dos gentios: horizonte do Ressuscitado, horizonte da Igreja; desejo intenso de encontro... Ponhamo-nos a caminho!” (RS)

Caminhar para a Galileia dos gentios, horizonte do Ressuscitado – o Papa Francisco na Vigília Pascal

 
(RV) Papa Francisco preside na Praça de São Pedro, com uma imensa multidão de peregrinos, a partir das 10.15 (hora de Roma), à celebração eucarística na manhã de Páscoa, sob um esplêndido sol. Ao meio-dia, da varanda central da Praça de São Pedro, a mensagem "Urbi et Orbi" e a bênção correspondente. Tudo pode ser seguido em direto neste mesmo site.

Entretanto, o Papa Francisco presidiu na noite deste Sábado Santo na Basílica de S. Pedro à Vigília Pascal, mãe de todas as vigílias. Celebrou a Ressurreição de Jesus percorrendo os quatro momentos fundamentais desta celebração: a Liturgia da Luz, a Liturgia da Palavra, a Liturgia Batismal (batizando dez catecúmenos) e a Liturgia Eucarística. Na homilia exortou os cristãos a caminharem para a Galileia dos gentios, horizonte do Ressuscitado. Eis a versão integral da homilia: RealAudioMP3


“O Evangelho da ressurreição de Jesus Cristo começa referindo o caminho das mulheres para o sepulcro, ao alvorecer do dia depois do sábado. Querem honrar o corpo do Senhor e vão ao túmulo, mas encontram-no aberto e vazio. Um anjo majestoso diz-lhes: «Não tenhais medo!» (Mt 28, 5). E ordena-lhes que levem esta notícia aos discípulos: «Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia» (28, 7). As mulheres fogem de lá imediatamente, mas, ao longo da estrada, sai-lhes ao encontro o próprio Jesus que lhes diz: «Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá me verão» (28, 10).

Depois da morte do Mestre, os discípulos tinham-se dispersado; a sua fé arrefecera, tudo parecia ter acabado: desabadas as certezas, apagadas as esperanças. Mas agora, aquele anúncio das mulheres, embora incrível, chegava como um raio de luz na escuridão. A notícia espalha-se: Jesus ressuscitou, como tinha dito... E de igual modo a ordem de partir para a Galileia; duas vezes a ouviram as mulheres, primeiro do anjo, depois do próprio Jesus: «Partam para a Galileia. Lá Me verão».

A Galileia é o lugar da primeira chamada, onde tudo começara! Trata-se de voltar lá, voltar ao lugar do primeiro chamamento. Jesus passara pela margem do lago, enquanto os pescadores estavam a consertar as redes. Chamara-os e eles, deixando tudo, seguiram-No» (cf. Mt 4, 18-22). Voltar à Galileia significa reler tudo a partir da cruz e da vitória. Reler tudo – a pregação, os milagres, a nova comunidade, os entusiasmos e as deserções, até a traição – reler tudo a partir do fim, que é um novo início, a partir deste supremo ato de amor.

Também para cada um de nós há uma «Galileia», no princípio do caminho com Jesus. «Partir para a Galileia» significa uma coisa estupenda, significa redescobrirmos o nosso Batismo como fonte viva, tirarmos energia nova da raiz da nossa fé e da nossa experiência cristã. Voltar para a Galileia significa antes de tudo retornar lá, àquele ponto incandescente onde a Graça de Deus me tocou no início do caminho. É desta faísca que posso acender o fogo para o dia de hoje, para cada dia, e levar calor e luz aos meus irmãos e às minhas irmãs. A partir daquela faísca, acende-se uma alegria humilde, uma alegria que não ofende o sofrimento e o desespero, uma alegria mansa e bondosa.

Na vida do cristão, depois do Batismo, há também uma «Galileia» mais existencial: a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo, que me chamou para O seguir e participar na sua missão. Neste sentido, voltar à Galileia significa guardar no coração a memória viva deste chamamento, quando Jesus passou pelo meu caminho, olhou-me com misericórdia, pediu-me para O seguir; recuperar a lembrança daquele momento em que os olhos d’Ele se cruzaram com os meus, quando me fez sentir que me amava.

Hoje, nesta noite, cada um de nós pode interrogar-se: Qual é a minha Galileia? Onde é a minha Galileia? Lembro-me dela? Ou esqueci-a? Andei por caminhos e sendas que me fizeram esquece-la. Senhor, ajudai-me! Dizei-me qual é a minha Galileia. Como sabeis, eu quero voltar lá para Vos encontrar e deixar-me abraçar pela vossa misericórdia. O Evangelho da Páscoa é claro: é preciso voltar lá, para ver Jesus Ressuscitado e tornar-se testemunha da sua ressurreição. Não é voltar para trás, não é nostalgia. É voltar ao primeiro amor, para receber o fogo que Jesus acendeu no mundo, e levá-lo a todos até aos confins da terra.

«Galileia dos gentios» (Mt 4, 15; Is 8, 23): horizonte do Ressuscitado, horizonte da Igreja; desejo intenso de encontro... Ponhamo-nos a caminho!

19 abril, 2014

Na Via Sacra o Papa Francisco evoca sofrimentos e injustiças da humanidade – o texto de D. Bregantini deixou críticas à sociedade atual

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(RV)
O Papa Francisco evocou nesta Sexta-Feira Santa os sofrimentos provocados pela doença e pelo abandono, ao concluir a Via-Sacra no Coliseu de Roma, e condenou as injustiças cometidas por "cada Caim contra o seu irmão".
"Todos juntos, recordemos os doentes, lembremos todas as pessoas abandonadas sob o peso da cruz, a fim de que encontrem na provação da cruz a força da esperança, da esperança da ressurreição e do amor de Deus", disse o Santo Padre.
Após as 14 estações, que evocam o julgamento e execução de Jesus, o Papa Francisco disse que Deus colocou na Cruz de Cristo o peso dos pecados da humanidade, "a amargura" da traição, a "vaidade" dos prepotentes, a "arrogância dos falsos amigos".
"Era uma cruz pesada, como a noite das pessoas abandonadas, como a morte dos entes queridos" – referiu num texto lido antes da bênção final – mas era também "uma cruz gloriosa", porque simboliza o amor de Deus.
"Na cruz vemos a monstruosidade do homem, quando se deixa guiar pelo mal, mas também vemos a imensidão da misericórdia de Deus, que não nos trata segundo os nossos pecados” – afirmou o Papa Francisco.
“O mal – declarou – não terá a última palavra", mas sim "o amor, a misericórdia, o perdão".
Uma forte crítica às chagas da sociedade atual foi o mote das reflexões da Via-Sacra propostas por D. Giancarlo Bregantini, Arcebispo de Campobasso em Itália. Este refere que no madeiro da Cruz levado por Jesus até ao calvário estão “o peso de todas as injustiças que produziram a crise económica, com as suas graves consequências sociais: precariedade, desemprego, demissões, dinheiro que governa em vez de servir, especulação financeira, suicídios de empresários, corrupção e usura, juntamente com empresas que deixam os países”.
Nas reflexões feitas pelo arcebispo italiano para as 14 estações da Paixão, o sofrimento das mulheres também ocupou o seu lugar. Neste contexto, D. Bregantini pediu que se chore “pelas mulheres escravizadas pelo medo e a exploração”, mas recordou que “não basta bater no peito e sentir comiseração”. As mulheres devem “ser tranquilizadas como Ele fez, devem ser amadas como um dom inviolável para toda a humanidade”, acentuou o prelado.
O texto da Via-Sacra teve como tema “Rosto de Cristo, Rosto do Homem” e numa das estações o arcebispo Bregantini criticou também as condenações e “acusações fáceis, os juízos superficiais entre o povo, as insinuações e os preconceitos que fecham o coração e se tornam cultura racista, de exclusão e de descarte”. D. Bregantini, no texto da Via Sacra, questionou ainda se os homens e as mulheres de hoje sabem “ter uma consciência reta e responsável, transparente, que nunca volte as costas ao inocente, mas se posicione, com coragem, em defesa dos fracos, resistindo à injustiça e defendendo em todo o lado a verdade violada?”
De referir que a Cruz foi transportada nesta noite de sexta-feira, no Coliseu de Roma por um operário, um empresário, dois sem-abrigo, crianças, idosos, doentes e presos.
Segundo D. Giancarlo Bregantini, Cristo é o rosto que ilumina o Homem – como referiu à Rádio Vaticano em entrevista à nossa colega Tiziana Campisi:

“…Cristo é o rosto que ilumina o Homem é o homem e o rosto que encarna. Este é o título: ‘Rosto de Cristo, Rosto do Homem’. Por isso é muito belo poder dizer: ‘Eu sofro com o meu Senhor. O sofrimento é o seu beijo, a aliança que eu crio com Ele leva-me a tornar-me seu aliado. E outra mensagem é aquela muito sublinhada pela ‘Evangelii Gaudium’: ‘o sofrimento do outro é redentor do meu sofrimento’. Eu não encontro sentido olhando para mim e acariciando as minhas feridas, mas eu encontro esperança olhando os sofrimentos do outro’. (RS)

“O pecado maior de Judas foi ter duvidado da misericórdia de Jesus – o P. Cantalamessa na Celebração da Paixão presidida pelo Papa

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(RV) O Papa Francisco presidiu, na tarde desta Sexta-feira Santa, na Basílica Vaticana à celebração da Paixão do Senhor, com o rito da Adoração da Cruz, que caracteriza esta celebração. Como habitualmente nesta ocasião, a homilia foi feita pelo pregador da Casa Pontifícia, Padre Raniero Cantalamessa. O Padre capuchinho centrou a sua homilia na figura de Judas afirmando, desde logo, que este não tinha nascido traidor e não o era quando foi escolhido por Jesus mas tornou-se como tal! Estamos diante de um dos dramas mais obscuros da liberdade humana. Por que se tornou Judas num traidor?" – perguntou o Padre Cantalamessa.
Recordou ainda que durante muitos anos tentou-se dar ao gesto de Judas motivações idealistas como se Judas estivesse desapontado com a maneira com que Jesus realizou a sua ideia do "reino de Deus". Os Evangelhos falam de um motivo muito mais terra-terra – observou o Padre Cantalamessa: o dinheiro. Judas tinha a responsabilidade da bolsa comum do grupo; na ocasião da unção em Betânia tinha protestado contra o desperdício do perfume precioso derramado por Maria aos pés de Jesus, não porque se preocupasse pelos pobres, assinala S. João, mas porque “era um ladrão e, como tinha a bolsa, tirava o que se colocava lá dentro"(Jo 12, 6). A sua proposta aos chefes dos sacerdotes é explícita: “Quanto estão dispostos a dar-me, se o entregar? E eles fixaram a soma de trinta moedas de prata" (Mt 26, 15).

Mas porquê maravilhar-se desta explicação e achar que ela é banal? Não foi quase sempre assim na história e não é ainda assim hoje em dia? O dinheiro, não é um dos muitos ídolos; é o ídolo por excelência; literalmente, “o ídolo por antonomasia".

O dinheiro é o anti-Deus, porque cria um universo espiritual alternativo, muda o objeto das virtudes teologais. Fé, esperança e caridade deixam de estar colocadas em Deus, mas no dinheiro. O apego ao dinheiro é a raiz de todos os males" – afirmou o Padre Cantalamessa. É a relação com o dinheiro que está por detrás do tráfico de drogas que destrói tantas vidas humanas, a exploração da prostituição, o fenómeno das várias máfias, a corrupção política, o fabrico e comercialização de armas, e até mesmo a venda de órgãos humanos:

“E a crise financeira que o mundo atravessou e que este país ainda está atravessando, não é, em grande parte, devida à "deplorável ganância por dinheiro", o auri sacra fames, de alguns poucos? Judas começou roubando dinheiro da bolsa comum. Isso não diz nada a certos administradores do dinheiro público?”
“Mas sem pensar nesses modos criminosos de ganhar dinheiro, não será escandaloso que alguns recebam salários e pensões cem vezes maiores do que aqueles que trabalham nas suas casas, e que levantem logo a voz só com a ameaça de ter que renunciar a algo, em vista de uma maior justiça social?”
“Homens colocados em lugares de responsabilidade que já não sabiam em qual banco ou paraíso fiscal acumular os proventos da sua corrupção, acabaram no banco dos acusados, ou na cela da uma prisão, precisamente quando estavam para dizer a si próprios: ‘agora goza, alma minha’. Para quem é que o fizeram? Valia a pena? Fizeram verdadeiramente o bem dos filhos e da família, se era isto que procuravam? Ou não se terão arruinado e aos outros? O deus do dinheiro encarrega-se de punir ele próprio os seus adoradores.”

A traição de Jesus continua na história. Mas seria demasiado fácil pensar só nos casos clamorosos ou nos gestos feitos por outros. O padre Cantalamessa fez exemplos concretos:

“Trai Cristo quem trai a própria mulher ou o próprio marido. Trai Jesus o ministro de Deus infiel à sua condição que em vez de pastorear o seu rebanho pastoreia-se a si próprio. Trai Jesus quem quer que traia a sua própria consciência.”

Judas depois de ter reconhecido de ter entregue sangue inocente enforcou-se. Qual terá sido o seu destino eterno – perguntou-se o Padre Cantalamessa – convidando a não darmos um juízo apressado. Jesus nunca abandonou Judas – sublinhou – e ninguém sabe onde é que ele caiu quando se lançou da árvore com a corda ao pescoço. Como Jesus procurou o rosto de Pedro depois da sua negação para dar-lhe o perdão, quem sabe como terá procurado também a face de Judas em qualquer curva da sua via sacra! – observou o Padre Cantalamessa que concluiu a sua homilia afirmando que Pedro teve confiança na misericórdia de Cristo e Judas não! O seu grande pecado não foi trair Jesus mas duvidar da sua misericórdia:

“Existe um sacramento no qual é possível fazer uma experiência segura da misericórdia de Cristo: o sacramento da reconciliação. Como é belo este sacramento! É doce experimentar Jesus como Mestre, como Senhor, mas ainda mais doce experimentá-lo como Redentor: como aquele que te tira para fora do abismo, como Pedro no mar, que te toca, como fez com o leproso e te diz: Quero-o, sejas purificado.” (RS)

18 abril, 2014

A Paixão de Cristo - Filme Completo (Legendado)

 


Paróqia de Ota - VIA SACRA

 
Via Sacra - 18.04.14

REPORTAGEM FOTOGRÁFICA

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