26 novembro, 2019

Papa na Universidade Sophia: modelar uma sociedade melhor e um futuro mais esperançoso



 
A Universidade Sophia foi fundada pelos jesuítas, em 1913, mas a sua origem remonta a mais de 450 anos, quando o missionário Francisco Xavier chegou ao Japão, em 1549, com a ideia de difundir o cristianismo e criar uma universidade.
 
Mariangela Jaguraba - Cidade do Vaticano

Depois de despedir-se da Nunciatura Apostólica na manhã desta terça-feira, 26, o Papa Francisco deslocou-se até a Sophia University, em Tóquio, onde celebrou com membros da Companhia de Jesus na Capela do Kulturzentrum. Seguiu-se o café da manhã e o encontro privado com o Colegio Maximo no refeitório, a visita aos sacerdotes idosos e enfermos, e por discursou no auditório.

A instituição foi fundada pelos jesuítas em 1913, mas a sua origem remonta a mais de 450 anos, quando o missionário Francisco Xavier chegou ao Japão, em 1549, com a ideia de difundir o cristianismo e criar uma universidade. O projetoda criação deste centro de estudos teve início, em 1908, quando, por vontade do Papa Pio X, três sacerdotes jesuítas desembarcaram no Japão para abrir, cinco anos depois, a primeira universidade católica do país.
“ A minha estadia neste país foi breve, mas intensa. Agradeço a Deus e a todo o povo japonês pela oportunidade de visitar este país, que marcou fortemente a vida de São Francisco Xavier e no qual tantos mártires deram testemunho da sua fé cristã. Muito embora os cristãos sejam uma minoria, sente-se a sua presença ”
O Santo Padre sublinhou que foi testemunha da estima geral pela Igreja Católica, e espera que este respeito mútuo possa aumentar no futuro. “Notei também que, apesar da eficiência e da ordem que a caracterizam, a sociedade japonesa deseja e procura algo mais: um anseio profundo de criar uma sociedade cada vez mais humana, compassiva e misericordiosa”, disse ele.

O Papa frisou que “o estudo e a meditação fazem parte de todas as culturas, sendo a cultura japonesa orgulhosa do seu antigo e rico património a tal respeito. O Japão conseguiu integrar o pensamento e as religiões da Ásia no seu conjunto e criar uma cultura com identidade específica”.

Francisco citou a Escola Ashikaga como exemplo “da capacidade que possui a cultura japonesa de absorver e transmitir o conhecimento. Os centros de estudo, meditação e pesquisa continuam a desempenhar um papel importante na cultura atual. Por este motivo, é necessário que mantenham a sua autonomia e liberdade, como penhor dum futuro melhor”.
“ Dado que as universidades continuam a  ser o lugar principal onde se formam os futuros líderes, é preciso que o conhecimento e a cultura em toda a sua amplitude inspire todos os aspetos das instituições educacionais, tornando-se cada vez mais inclusivas e capazes de gerar oportunidades e promoção social. ”
Segundo o Pontífice, “numa sociedade tão competitiva e tecnologicamente orientada, esta Universidade deveria ser não só um centro de formação intelectual, mas também um local onde modelar uma sociedade melhor e um futuro mais esperançoso. E acrescentaria – no espírito da encíclica Laudato si’ – que o amor à natureza, tão típico das culturas asiáticas, aqui devia-se expressar numa lúcida e previdente preocupação pela proteção da terra, nossa casa comum; preocupação que possa conjugar-se com a promoção duma nova ciência capaz de questionar e fazer expandir qualquer tentativa reducionista por parte do paradigma tecnocrático”.

A  Universidade Sophia distinguiu-se sempre por uma identidade humanista, cristã e internacional.

"Desde a sua fundação, a Universidade foi enriquecida pela presença de professores provenientes de vários países, às vezes até de países em conflito entre si. Mas todos estavam unidos pelo desejo de dar o melhor aos jovens do Japão. O mesmo espírito perdura também nas várias formas com que vocês prestam ajuda àqueles que mais precisam, aqui e no exterior", disse o Pontífice, acrescentando:
“ Estou certo de que este aspeto da identidade da vossa Universidade se revigorará cada vez mais, de modo que os grandes progressos tecnológicos atuais possam ser colocados ao serviço duma educação mais humana, justa e ecologicamente responsável. ”
Francisco disse ainda que a tradição inaciana, na qual se baseia a Universidade Sophia, deve estimular professores e alunos a criar uma atmosfera que favoreça a reflexão e o discernimento. “Nenhum estudante desta Universidade deveria conseguir a formatura sem antes ter aprendido como escolher, responsável e livremente, aquilo que em consciência sabe ser o melhor”, frisou o Papa.

O Santo Padre recordou as Preferências Apostólicas Universais que ele propôs à Companhia de Jesus e que “mostram claramente que o acompanhamento dos jovens é uma realidade importante em todo o mundo e que todas as instituições inacianas devem favorecer este acompanhamento”. “Como demonstra o Sínodo sobre os jovens com os seus documentos, também a Igreja universal olha, com esperança e interesse, para os jovens de todo o mundo”, disse ele.

Segundo o Papa, a Universidade Sophia “é chamada a concentrar-se nos jovens, que não só devem ser destinatários duma educação qualificada, mas também participar nessa educação, oferecendo as suas ideias e partilhando a sua visão e esperanças para o futuro”.

A seguir, Francisco disse que a tradição cristã e humanista da Universidade Sophia está plenamente em linha com outra das Preferências que ele mencionou: caminhar com os pobres e os marginalizados do nosso mundo.

“A Universidade, centrada na sua missão, deve estar sempre aberta à criação dum arquipélago capaz de interligar aquilo que, social e culturalmente, pode ser concebido como separado. Os marginalizados devem ser envolvidos e introduzidos criativamente no currículo universitário, procurando criar as condições para que isto se traduza na promoção dum estilo educativo capaz de reduzir as fraturas e as distâncias”, disse o Papa acrescentando:
“ O estudo universitário de qualidade, em vez de se considerar um privilégio de poucos, seja acompanhado pela consciência de se saberem servidores da justiça e do bem comum; serviço a ser implementado na área que cada um é chamado a desenvolver. Trata-se duma causa que tem a ver com todos nós; a recomendação feita a Paulo por Pedro continua a ser válida ainda hoje: não nos esqueçamos dos pobres. ”
O Papa espera que esta reflexão e o encontro com os jovens, professores e funcionários da Universidade Sophia possa produzir fruto nas suas vidas e na vida dessa comunidade acadêmica. “O Senhor e a sua Igreja contam convosco como protagonistas na missão de procurar, encontrar e difundir a Sabedoria divina e oferecer alegria e esperança à sociedade atual”, concluiu Francisco.

Papa Francisco na Sophia University, em Tóquio

VN

25 novembro, 2019

Papa na Missa em Tóquio: o oposto de um "eu" isolado só pode ser um "nós" partilhado.

 
 
No penúltimo dia da sua visitam ao Japão, o Papa Francisco celebrou nesta segunda-feira a Santa Missa no Estádio Tóquio Dome, na presença de mais de 50 mil pessoas.
 
Silvonei José – Cidade do Vaticano
 
No início da tarde desta segunda-feira (hora local) o Papa Francisco deixou a Nunciatura apostólica e dirigiu-se ao Estádio Tóquio Dome onde celebrou a Santa Missa. Presentes mais de 50 mil pessoas. A Santa Missa, em latim, foi celebrada pelo Dom da Vida Humana. A primeira leitura foi feita em português.

Na sua homilia o Santo Padre, citando o Evangelho do dia recordou que o mesmo faz parte do primeiro grande discurso de Jesus; conhecido como o «Sermão da Montanha» e descreve-nos a beleza do caminho que somos convidados a percorrer.

Segundo a Bíblia, a montanha é o lugar onde Deus Se manifesta e dá a conhecer: «sobe o encontro do Senhor» (Ex 24, 1), disse Deus a Moisés. Em Jesus,  - disse o Papa – “encontramos o cimo do que significa ser humano e indica-nos o caminho que nos leva à plenitude capaz de ultrapassar todos os cálculos conhecidos; n’Ele encontramos uma vida nova, onde se experimenta a liberdade de nos sentirmos filhos amados”.

Francisco advertiu que “estamos cientes de que, ao longo do caminho, esta liberdade filial pode ver-se sufocada e enfraquecida, quando ficamos prisioneiros do círculo vicioso da ansiedade e da competição, ou quando concentramos toda a nossa atenção e as nossas melhores energias na procura obstinada e frenética de produtividade e consumismo como único critério para medir e avaliar as nossas opções ou definir quem somos e quanto valemos”.
“ Como oprime e enreda a alma - frisou o Santo Padre - a ânsia gerada por pensar que tudo pode ser produzido, conquistado e controlado! ”
Seguidamente, o Papa disse “que os jovens fizeram-me notar esta manhã (no encontro que tive com eles) que, numa sociedade como o Japão com uma economia altamente desenvolvida, não são poucas as pessoas socialmente isoladas que permanecem à margem, incapazes de entender o significado da vida e da sua própria existência.
“ A casa, a escola e a comunidade, destinadas a ser lugares onde cada um apoia e ajuda aos outros, estão a deteriorar-se cada vez mais pela excessiva competição na procurca do lucro e da eficiência. Muitas pessoas sentem-se confusas e inquietas, ficam sobrecarregadas pelas demasiadas exigências e preocupações que lhes tiram a paz e o equilíbrio. ”
Ressoam, como bálsamo reparador, as palavras do Senhor que convidam a não nos inquietarmos, mas a termos confiança.

Não se trata – disse Francisco -, de nos desinteressarmos do que sucede ao nosso redor nem de nos desleixarmos relativamente às nossas ocupações e responsabilidades diárias; antes pelo contrário, é um desafio a abrirmos as nossas prioridades para um horizonte de sentido mais amplo e, assim, criar espaço para olhar na mesma direção: «Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos será dado por acréscimo» (Mt 6, 33).

O Senhor não nos diz que as necessidades básicas, como alimento e roupa, não sejam importantes; mas convida-nos a repensar as nossas opções diárias para não acabarmos entalados ou fechados na procura do êxito a todo o custo, incluindo a custo da própria vida. As atitudes mundanas que procuram e perseguem apenas o próprio lucro ou benefício neste mundo, e o egoísmo que pretende a felicidade individual, subtil mas realmente conseguem apenas tornar-nos infelizes e escravos, para além de dificultar o desenvolvimento numa sociedade verdadeiramente harmoniosa e humana.
“ O oposto de um «eu» isolado, fechado e até sufocado só pode ser um «nós» partilhado, celebrado e comunicado. ”
Este convite do Senhor lembra-nos que «precisamos de reconhecer alegremente que a nossa realidade é fruto dum dom, e aceitar também a nossa liberdade como graça. Isto é difícil hoje, num mundo que julga possuir algo por si mesmo, fruto da sua própria originalidade e liberdade».

Como comunidade cristã – frisou o Papa - somos convidados a proteger toda a vida e testemunhar, com sabedoria e coragem, um estilo marcado pela gratuitidade e compaixão, pela generosidade e a escuta simples, um estilo capaz de abraçar e receber a vida como se apresenta «com toda a sua fragilidade e pequenez e, muitas vezes, até com todas as suas contradições e insignificâncias».

Somos convidados a ser comunidade que desenvolva uma pedagogia capaz de acolher «tudo o que não é perfeito, tudo o que não é puro nem destilado, mas lá por isso não menos digno de amor. Por acaso uma pessoa portadora de deficiência, uma pessoa frágil não é digna de amor? (…) Uma pessoa, mesmo que seja estrangeira, tenha errado, se encontre doente ou numa prisão, não é digna de amor?
“ O anúncio do Evangelho da Vida impele-nos e exige de nós, como comunidade, que nos tornemos um hospital de campanha preparado para curar as feridas e oferecer sempre um caminho de reconciliação e perdão. ”
Unidos ao Senhor, cooperando e dialogando sempre com todos os homens e mulheres de boa vontade, e também com as pessoas de convicções religiosas diferentes, podemos tornar-nos fermento profético duma sociedade que protege e cuida cada vez mais de toda a vida.

VN

Papa aos jovens japoneses: “combater a pobreza espiritual é um dever de todos"



“Importante não é tanto concentrar-me e questionar-me por que vivo, como sobretudo para quem vivo”. Palavras do Papa Francisco aos jovens japoneses num discurso que focaliza a cultura do encontro. O Pontífice encontrou os jovens na Igreja de Santa Maria, em Tóquio, nesta segunda-feira 25 de novembro. 

Jane Nogara - Cidade do Vaticano 

No seu terceiro compromisso na cidade de Tóquio nesta segunda-feira (25), o Papa Francisco foi à Catedral de Santa Maria para encontrar os jovens japoneses.

No seu discurso o Papa respondeu às questões apresentadas por três jovens que deram o seu testemunho. Inicialmente saudou a todos recordando que ao vê-los percebe haver uma grande diversidade cultural e religiosa, sendo eles, jovens que vivem no Japão e algo da beleza que a sua geração oferece ao futuro. E continua: “A amizade entre vós e a vossa presença aqui lembram-nos a todos que o futuro não é ‘monocromático’", convidando a “contemplá-lo na variedade e diversidade das contribuições que cada um pode dar”. E considera: “Como a nossa família humana precisa de aprender a viver em harmonia e paz, sem necessidade de sermos todos iguais!” 

Bullyng: Unam-se para ajudar os que precisam

De seguida falou sobre o tema de uma das perguntas dos jovens presentes: o bullyng escolar. O Papa afirmou que “o ponto mais cruel do bullyng é que fere o nosso espírito e auto-estima no momento em que mais precisávamos de força para nos aceitarem e enfrentar novos desafios na vida”. E que algumas vezes as vítimas chegam a culparem-se por serem ‘alvos fáceis’. E afirma: “Paradoxalmente, os molestadores é que são frágeis de verdade, pois pensam que podem afirmar a sua identidade fazendo mal aos outros”. “No fundo – continua - os molestadores têm medo; são medrosos que se escondem por trás da sua força aparente”. E encoraja todos a tomar uma atitude: “Devemos unir-nos contra esta cultura do bullying e aprender a dizer: Basta!”

E como fazer isso? O Papa recomenda:
“ Deveis-vos unir, entre amigos e companheiros, para dizer: Isto não! Isto é mal! Não existe arma maior aema para nos defender-mos de tais ações do que pretendeis levantar-vos, entre companheiros e amigos, e dizer: Aquilo que vocês estão a fazer é uma coisa grave ”
Medo, inimigo do amor

“O medo, continua Francisco, é sempre inimigo do bem, porque é inimigo do amor e da paz. As grandes religiões ensinam tolerância, harmonia e misericórdia; não ensinam medo, divisão e conflito”.

E esclarece: “Jesus não Se cansava de dizer aos seus seguidores para não terem medo. Porquê? Porque, se amamos a Deus e aos nossos irmãos e irmãs, este amor expulsa o temor”

E agradece ao jovem dizendo “O mundo precisa de ti: nunca te esqueças disto! O Senhor tem necessidade de ti, para poderes dar coragem a tantos que hoje pedem uma mão para os ajudar a levantarem-se”. Isto supõe aprender a desenvolver uma qualidade muito importante, mas desvalorizada: a capacidade de disponibilizar tempo para os outros”, à família, a Deus, rezando e meditando.

E para os que têm dificuldade recomenda:
“ A oração consiste principalmente em estar lá. Ficar quieto, dar espaço a Deus, deixar-mo-nos olhar por Ele e Ele nos encherá da sua paz ”
Pobreza espiritual

Como encontrar Deus numa sociedade frenética, competitiva na qual as pessoas são materialmente ricas, mas são escravas da solidão? É o quesito a que o Papa responde a outro jovem. Primeiramente o Papa recordou as palavras de Madre Teresa que trabalhava entre os mais pobres dos pobres: “A solidão e a sensação de não ser amado é a pobreza mais terrível”. E o Papa adverte:
“ Combater esta pobreza espiritual é um dever a que todos somos chamados, e vocês têm um papel especial nisto, porque requer uma grande alteração nas nossas prioridades e opções ”
E Francisco recorda: “Importante não é tanto concentrar-me e questionar-me por que vivo, como sobretudo para quem vivo”

“As coisas são importantes, mas as pessoas são indispensáveis; sem elas, desumanizamo-nos, perdemos o rosto, o nome e tornamo-nos mais um objeto”. 

Respirar espiritualmente e mediante atos de amor

Francisco explica aos jovens  que “para mante-mo-nos vivos fisicamente, temos que respirar” e “para nos mantermos vivos no sentido mais amplo e pleno da palavra, devemos também aprender a respirar espiritualmente, através da oração e da meditação”. Porém, adverte o Papa “necessitamos também de um movimento exterior, pelo qual nos aproximamos dos outros mediante atos de amor e serviço”.

Mantendo “este duplo movimento podemos crescer e descobrir não só que Deus nos amou, mas também que confiou a cada um de nós uma missão, uma vocação única, que descobrimos na medida em que nos damos aos outros, às pessoas concretas”.

Aqui o Papa abordou o tema de como crescer para descobrir a nossa identidade, bondade e beleza interior. E explica:
“ Para sermos felizes, devemos pedir ajuda aos outros (…) sair de nós mesmos e ir ter com os outros, especialmente os mais necessitados ”
O Papa pede aos jovens para que ajudem os que procuram refúgio no país, e que os  considerem como irmãos e irmãs.

Por fim o Papa convida: “Não deturpem nem interrompam os seus sonhos, dêem-lhes  espaço e ousem contemplar grandes horizontes, vós, o mundo precisa de vós, despertos e generosos, alegres e entusiastas, capazes de construir uma casa para todos”.

Encontro do Papa Francisco com os jovens em Tóquio

VN

24 novembro, 2019

O Papa em Hiroshima: imoral o uso e a posse de armas nucleares

 
 
“Nunca mais a guerra, nunca mais o fragor das armas, nunca mais tanto sofrimento!” São as palavras conclusivas do Papa Francisco no Encontro pela Paz, realizado em Hiroshima, no Memorial da Paz, neste domingo (24)
 
Jane Nogara - Cidade do Vaticano

Depois de Nagasaki, o Papa Francisco foi até Hiroshima, a outra cidade japonesa devastada pela bomba atómica em 1945 para o Encontro pela Paz. O Encontro realizou-se no Memorial da Paz, e foi o último compromisso deste domingo 24 de novembro.

No seu discurso, depois de recordar o trágico instante em que tudo “foi devorado por um buraco negro de destruição e morte”, o Papa disse:
“ Aqui, faço memória de todas as vítimas e inclino-me perante a força e a dignidade das pessoas que, tendo sobrevivido àqueles primeiros momentos, suportaram nos seus corpos durante muitos anos os sofrimentos mais agudos e, nas suas mentes, os germes da morte que continuaram a consumir a sua energia vital ”
Seguidamente explica a sua presença:

Senti o dever de vir a este lugar como peregrino de paz, para me deter em oração, recordando as vítimas inocentes de tanta violência e trazendo no coração também as súplicas e anseios dos homens e mulheres do nosso tempo, especialmente dos jovens, que desejam a paz, trabalham pela paz, sacrificam-se pela paz”.

Francisco declarou que “humildemente, [quereria] ser a voz daqueles cuja voz não é escutada” pois crescem as tensões e as injustiças que ameaçam a convivência e o cuidado da casa comum para garantir um futuro de paz. 

Energia atómica para fins de guerra é imoral

“Desejo reiterar – afirma - com convicção, que o uso da energia atómica para fins de guerra é, hoje mais do que nunca, um crime não só contra o homem e a sua dignidade, mas também contra toda a possibilidade de futuro na nossa casa comum”. E afirma também: “O uso da energia atómica para fins de guerra é imoral, assim como é imoral a posse de armas nucleares, como eu já disse há dois anos. Seremos julgados por isso”. 

Predecessores

Depois recordou algumas palavras dos seus predecessores sobre este tema, como o Papa São João XXIII que exortou “Estou convencido de que a paz não passa de um ‘som de palavras’, se não for fundamentada na verdade, construída segundo a justiça, animada e consumada no amor, e realizada na liberdade”. Assim como São Paulo VI: “Não se pode amar com armas ofensivas nas mãos”.

O Santo Padre pondera: “Quando nos rendemos à lógica das armas e nos afastamos da prática do diálogo, esquecem-mo-nos tragicamente de que as armas, antes mesmo de causar vítimas e ruínas, têm a capacidade de provocar pesadelos”. 

Caminho de paz

Então Francisco observa aos presentes que:
“ Recordar, caminhar juntos e proteger: são três imperativos morais que adquirem, precisamente aqui em Hiroshima, um significado ainda mais forte e universal e são capazes de abrir um verdadeiro caminho de paz ”
Memória
 
Mas para isto, “não podemos permitir que as atuais e as novas gerações percam a memória do que aconteceu, memória que é garantia e estímulo para construir um futuro mais justo e fraterno”. Temos que manter a memória viva, que ajude a dizer de geração em geração: nunca mais!”

Por fim o Papa exorta todos “Por isto mesmo, somos chamados a caminhar unidos, com um olhar de compreensão e perdão” e acrescenta: “sempre possível, se formos capazes de nos proteger e reconhe-mo-nos como irmãos num destino comum”.

E acrescenta: “Que sejam suplantados os interesses exclusivos de certos grupos, a fim de se atingir a grandeza daqueles que lutam corresponsavelmente para garantir um futuro comum”.

Concluiu p seu discurso evocando: "ENuma única súplica, aberta a Deus e a todos os homens e mulheres de boa vontade, em nome de todas as vítimas dos bombardeamentos, das experiências atómicas e de todos os conflitos, elevemos juntos um grito:
“ Nunca mais a guerra, nunca mais o fragor das armas, nunca mais tanto sofrimento! ”
VN

Missa em Nagasaki - Texto integral da homilia do Santo Padre

 

"Calvário, lugar de desatino e injustiça, onde impotência e incompreensão aparecem acompanhadas pela murmuração bisbilhotada e cínica dos zombadores de turno perante a morte do inocente, transforma-se, graças à atitude do bom ladrão, numa palavra de esperança para toda a humanidade".

Viagem Apostólica ao Japão

Homilia do Santo Padre

Eucaristia na solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

(Nagasáqui – Estádio de Beisebol, 24 de novembro de 2019)

«Jesus, lembra-Te de mim, quando estiveres no teu Reino» (Lc 23, 42). No último domingo do Ano Litúrgico, unimos as nossas vozes à do malfeitor que, crucificado com Jesus, O reconheceu e proclamou-O rei. Lá, no momento menos triunfal e glorioso, no meio dos gritos de zombaria e humilhação, aquele delinquente foi capaz de levantar a voz e fazer a sua profissão de fé. São as últimas palavras que Jesus escuta e, na sua resposta, temos as últimas palavras que Ele pronuncia antes de Se entregar ao Pai: «Em verdade te digo [que] hoje estarás comigo no Paraíso» (Lc 23, 43).

Por um instante, o passado tortuoso do ladrão parece ganhar um novo significado: acompanhar de perto o suplício do Senhor; e este instante limita-se a corroborar a vida do Senhor: oferecer sempre e por toda a parte a salvação. Calvário, lugar de desatino e injustiça, onde impotência e incompreensão aparecem acompanhadas pela murmuração bisbilhotada e cínica dos zombadores de turno perante a morte do inocente, transforma-se, graças à atitude do bom ladrão, numa palavra de esperança para toda a humanidade. As zombarias gritando «salva-te a ti mesmo», dirigidas ao inocente sofredor, não serão a última palavra; antes, suscitarão a voz daqueles que se deixam tocar o coração, optando pela compaixão como verdadeiro modo de construir a história.

Aqui, hoje, queremos renovar a nossa fé e o nosso compromisso. Como o bom ladrão, conhecemos bem a história dos nossos fracassos, pecados e limitações, mas não queremos que seja isso a determinar ou definir o nosso presente e futuro. Sabemos não serem poucas as vezes em que podemos cair no clima indolente que leva a proferir o grito fácil e cínico «salva-te a ti mesmo», e perder a memória do que significa carregar com o sofrimento de tantos inocentes. Estas terras experimentaram, como poucas, a capacidade destrutiva a que pode chegar o ser humano. Por isso, como o bom ladrão, queremos viver o instante em que se possa erguer as nossas vozes e professar a nossa fé em defesa e ao serviço do Senhor, o Inocente sofredor. Queremos acompanhar o seu suplício, sustentar a sua solidão e abandono, e ouvir mais uma vez que a salvação é a palavra que o Pai deseja oferecer a todos: «Hoje estarás comigo no Paraíso».

Salvação e certeza que testemunharam, corajosamente, com a própria vida São Paulo Miki e seus companheiros, bem como os milhares de mártires que constelam a vossa herança espiritual. Queremos caminhar pela sua senda, queremos seguir os seus passos professando, com coragem, que o amor entregue, sacrificado e celebrado por Cristo na cruz é capaz de vencer todo o tipo de ódio, egoísmo, ultraje ou maledicência; é capaz de vencer todo o pessimismo indolente ou bem-estar narcotizante, que acaba por paralisar qualquer ação e escolha boa. Como nos lembrou o Concílio, estão longe da verdade aqueles que, sabendo que não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura, pensam que podemos por isso descuidar os nossos deveres terrenos, sem advertirem que, pela própria fé professada, somos obrigados a realizá-los duma maneira tal que manifestem e façam transparecer a nobreza da vocação a que fomos chamados (cf. Gaudium et spes, 43).

A nossa é fé no Deus dos vivos. Cristo está vivo e atua no meio de nós, guiando-nos a todos para a plenitude da vida. Ele está vivo e quer-nos vivos: esta é a nossa esperança (cf. Christus vivit, 1). Pedimo-lo todos os dias: venha a nós o vosso Reino, Senhor. E, ao fazê-lo, queremos também que a nossa vida e as nossas ações se tornem um louvor. Se a nossa missão como discípulos missionários é ser testemunhas e arautos do que virá, ela não nos permite resignar-nos perante o mal e com os males, mas impele-nos a ser fermento do seu Reino onde quer que estejamos: em família, no trabalho, na sociedade; impele-nos a ser uma pequena abertura pela qual o Espírito continua a soprar esperança entre os povos. O Reino dos Céus é a nossa meta comum; uma meta que não pode ser só para amanhã, mas imploramo-la e começamos a vivê-la hoje junto da indiferença que rodeia e silencia tantas vezes os nossos doentes e pessoas com deficiência, os idosos e abandonados, os refugiados e trabalhadores estrangeiros: todos eles são sacramento vivo de Cristo, nosso Rei (cf. Mt 25, 31-46); porque, «se verdadeiramente partimos da contemplação de Cristo, devemos saber vê-Lo sobretudo no rosto daqueles com quem Ele mesmo Se quis identificar» (São João Paulo II, Novo millennio ineunte, 49).

No Calvário, muitas vozes emudeciam, tantas outras zombavam; só a voz do ladrão soube erguer-se e defender o Inocente sofredor: uma corajosa profissão de fé. Cabe a cada um de nós a decisão de emudecer, zombar ou profetizar. Queridos irmãos, Nagasáqui carrega na sua alma uma ferida difícil de curar, sinal do sofrimento inexplicável de tantos inocentes; vítimas atingidas pelas guerras de ontem, mas que sofrem ainda hoje com esta terceira guerra mundial aos pedaços. Levantemos, aqui, as nossas vozes numa oração comum por todos aqueles que hoje estão a sofrer na sua carne este pecado que brada ao céu e para que sejam cada vez mais aqueles que, como o bom ladrão, sejam capazes de não se calar nem zombar, mas de profetizar, com a sua voz, um reino de verdade e vida, de santidade e graça, de justiça, amor e paz (cf. Missal Romano, Prefácio da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo).



VN

Papa em Nagasaki: conscientes do sofrimento e horror que somos capazes de nos infligir

 
 
 
“Oxalá a oração, a procura da promoção de acordos, a insistência no diálogo sejam as ‘armas’ para construir um mundo de justiça e solidariedade". Palavras do Papa Francisco sobre as armas nucleares neste domingo (24) em Nagasaki. No final do encontro convidou todos a rezar a oração de São Francisco de Assis pela paz
 
Jane Nogara – Cidade do Vaticano

Ao visitar a cidade de Nagasaki, o Papa Francisco foi ao Monumento situado no Parque Atomic Bomb Hypocenter. Na ocasião foi recebido pelas autoridades locais e depôs uma coroa de flores. Depois de um momento de oração, o Santo Padre proferiu uma mensagem sobre as armas nucleares.

O Santo Padre iniciou recordando que:
“ Este lugar torna-nos mais conscientes do sofrimento e do horror de que nós, seres humanos, somos capazes de infligir a nós mesmos ”
E continuou: “A cruz bombardeada e a estátua da Nossa Senhora, recentemente descobertas na Catedral de Nagasaki, lembram-nos mais uma vez o horror indescritível que sofreram na própria carne as vítimas e as suas famílias”. 

Paz e estabilidade

Comentando um dos anseios mais profundos do coração humano que é a paz e a estabilidade adverte: “A posse de armas nucleares e outras armas de destruição de massa não é a melhor resposta a este desejo; antes, parecem pô-lo continuamente à prova”. E que esta paz e estabilidade internacionais são “incompatíveis com qualquer tentativa de as construir sobre o medo de mútua destruição ou sobre uma ameaça de aniquilação total”. E como é possível? Francisco explica: “São possíveis só a partir duma ética global de solidariedade e cooperação ao serviço dum futuro modelado pela interdependência e a corresponsabilidade na família humana inteira de hoje e de amanhã”. 

Mundo em paz e livre de armas nucleares

Depois de recordar os sofrimentos e a experiência passada pelo povo de Nagasaki, o Papa explica que um mundo de paz e livre de armas nucleares “requer a participação de todos: as pessoas, as religiões, a sociedade civil, os Estados que possuem armas nucleares e os que não as possuem, os setores militares e privados, e as organizações internacionais”. Confirmando que a nossa resposta deve ser coletiva e concertada.

Seguidamente adverte os perigos atuais: “É necessário romper a dinâmica de desconfiança que prevalece atualmente e que faz correr o risco de se chegar ao desmantelamento da arquitetura internacional de controle dos armamentos”. Esclarecendo sobre o perigo da “erosão do multilateralismo” agravada pelo “desenvolvimento das novas tecnologias das armas” criando uma situação que requer uma atenção urgente por parte dos líderes.

Francisco recordou também que os bispos japoneses “lançaram um apelo à abolição das armas nucleares e anualmente, em agosto, a Igreja japonesa realiza dez dias de oração pela paz”.
“ Oxalá a oração, a busca incansável de promover acordos, a insistência no diálogo sejam as ‘armas’ em que deponhamos a nossa confiança e também a fonte de inspiração dos esforços para construir um mundo de justiça e solidariedade que forneça reais garantias para a paz ”
Desenvolvimento Humano Integral
 
Neste ponto ligou o tema da corrida aos armamentos nucleares com o meio ambiente esclarecendo aos líderes políticos: “É preciso ter em consideração o impacto catastrófico do seu uso, sob o ponto de vista humanitário e ambiental, renunciando ao aumento de um clima de medo, desconfiança e hostilidade, promovido pelas doutrinas nucleares”. Também é preciso pensar na implementação, complexa e difícil, “da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e, deste modo, alcançar objetivos como o desenvolvimento humano integral”.
“ Ninguém pode ficar indiferente perante o sofrimento de milhões de homens e mulheres que ainda hoje continuam bater à porta das nossas consciências; ninguém pode ficar surdo ao grito do irmão ferido que chama; ninguém pode ficar cego diante das ruínas duma cultura incapaz de dialogar ”
São Francisco de Assis
 
Concluiu seu pronunciamento pedindo a todos, mesmo os não católicos, para fazerem a oração pela paz de São Francisco de Assis:

Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde há ódio, que eu leve o amor;
Onde há ofensa, que eu leve o perdão;
Onde há dúvida, que eu leve a fé;
Onde há desespero, que eu leve a esperança;
Onde há trevas, que eu leve a luz;
Onde há tristeza, que eu leve a alegria.

VN

23 novembro, 2019

Papa aos bispos do Japão: defender toda vida como dom precioso do Senhor

 
Encontro do Papa Francisco com os Bispos do Japão,
primeiro compromisso em terras nipónicas
 
No seu primeiro discurso em terras nipónicas, neste sábado (23/11), o Papa Francisco, convidou os Bispos a prestarem atenção especial aos jovens e às suas necessidades, procurando “criar espaços onde a cultura da eficiência, do rendimento e do sucesso possa abrir-se à cultura dum amor gratuito e altruísta, capaz de oferecer a todos – e não só aos mais prendados – a possibilidade duma vida feliz e realizada”
 
Raimundo de Lima - Cidade do Vaticano

“Não tenhamos medo de realizar sempre, aqui e em todo o mundo, a missão de levantar a voz e defender toda a vida como dom precioso do Senhor. Por isso vos encorajo nos vossos esforços para garantir que a comunidade católica, no Japão, ofereça um testemunho claro do Evangelho no meio de toda a sociedade.” 

No vosso meio como peregrino missionário

Foi a exortação do Papa no encontro com os bispos do Japão, no seu primeiro dia e primeiro discurso em terras nipónicas, neste sábado (23/11), na nunciatura apostólica, na qual agradeceu ao Senhor ao fazer-se peregrino missionário no País do São Nascente, seguindo os passos de grandes testemunhas da fé. A visita constitui a segunda etapa desta 32ª viagem apostólica internacional, iniciada com a visita pastoral à Tailândia.

Falando aos seus irmãos no episcopado, Francisco externou desde jovem sentir simpatia e estima por estas terras. “Passaram-se muitos anos desde aquele impulso missionário, cuja realização se fez esperar”, acrescentou.

Já no início dp seu discurso, o Santo Padre quis estender o seu abraço e as suas orações a todos os japoneses, neste período marcado pela entronização do novo Imperador e o início da era Reiwa. 

São Francisco Xavier, grande evangelizador do Japão

“Completam-se quatrocentos e setenta anos da chegada de São Francisco Xavier ao Japão, que marcou o início da propagação do cristianismo nesta terra. Recordando-o, quero unir-me convosco para dar graças ao Senhor por todos aqueles que, ao longo dos séculos, se dedicaram a semear o Evangelho e a servir o povo japonês com grande unção e amor; tal dedicação conferiu uma fisionomia muito particular à Igreja japonesa”, frisou o Pontífice recordando particularmente a figura eminente do jesuíta, grande evangelizador do Japão.

O Papa recordou também os mártires São Paulo Miki e seus companheiros e o Beato Justo Takayama Ukon, que, no meio de muitas provações, deram testemunho até à morte.

“O DNA das vossas comunidades está marcado por este testemunho, antídoto contra todo o desespero, que nos indica a estrada para onde se encaminhar-. Sois uma Igreja que se manteve viva pronunciando o Nome do Senhor e contemplando como Ele vos guiava no meio da perseguição.” 

Testemunho dos mártires

Francisco destacou que a sementeira confiante, o testemunho dos mártires e a espera paciente dos frutos, que o Senhor concede no devido tempo, “caracterizaram a modalidade apostólica com que soubestes acompanhar a cultura japonesa. Como resultado – disse –, plasmastes  ao longo dos anos um rosto eclesial, geralmente muito apreciado pela sociedade japonesa, graças às vossas variadas contribuições para o bem comum”.

Semente, lembrou aos bispos japoneses o lema desta visita e a missão episcopal. 

Proteger toda a vida

“Esta viagem apostólica decorre sob o lema «proteger toda a vida»; lema este, que faclmente simbolizar o nosso ministério episcopal. O bispo é uma pessoa que o Senhor chamou no meio do seu povo, para devolvê-lo a este como pastor capaz de proteger toda a vida; isto define, em certa medida, o alvo para onde devemos apontar.”

“Proteger toda a vida significa, em primeiro lugar, ter um olhar contemplativo capaz de amar a vida de todo o povo que vos está confiado, para reconhecerdes nele, antes de mais nada, um dom do Senhor”, disse ainda. Porque só o que se ama pode ser salvo. Só o que se abraça, pode ser transformado, acrescentou.

Proteger toda a vida e anunciar o Evangelho não são duas coisas separadas nem contrapostas, mas uma reclama e exige a outra, observou o Santo Padre. “Ambas significam estarem atentos e vigilantes relativamente a tudo aquilo que hoje possa impedir, nestas terras, o desenvolvimento integral das pessoas confiadas à luz do Evangelho de Jesus”. 

Testemunho humilde, diário, aberto ao diálogo

“Sabemos que a Igreja, no Japão, é pequena, e os católicos são uma minoria; mas isto não deve desmerecer o vosso compromisso com a evangelização, pois, na vossa situação particular, a palavra mais forte e clara que se pode oferecer é a dum testemunho humilde, diário, aberto ao diálogo com as outras tradições religiosas.”

Francisco ressaltou aos bispos que a hospitalidade e o cuidado prestados aos numerosos trabalhadores estrangeiros, que constituem mais de metade dos católicos do Japão, “servem não só como testemunho do Evangelho no meio da sociedade japonesa, mas atestam também a universalidade da Igreja, demonstrando que a nossa união com Cristo é mais forte do que qualquer outro vínculo ou identidade e é capaz de atingir e envolver todas as realidades”. 

Visita a Hiroshima e Nagasaki

Uma Igreja de mártires pode falar com maior liberdade, especialmente quando aborda questões urgentes como a paz e a justiça no nosso mundo, disse o Pontífice, acrescentando:

“Em breve, visitarei Nagasaki e Hiroshima, onde rezarei pelas vítimas do catastrófico bombardeamento destas duas cidades e darei voz aos vossos próprios apelos proféticos em prol do desarmamento nuclear. Desejo encontrar aqueles que sofrem ainda das feridas daquele trágico episódio da história humana, bem como as vítimas do ‘tríplice desastre’.” 

Flagelos que ameaçam a vida de algumas pessoas

Estamos cientes da existência de vários flagelos que ameaçam a vida de algumas pessoas das vossas comunidades, por várias razões atingidas pela solidão, o desespero e o isolamento, disse, antes de concluir.

“O aumento do número de suicídios nas vossas cidades, bem como o bullying e várias formas de consumo estão a criar novos tipos de alienação e desorientação espiritual. E como tudo isto atinge especialmente os jovens!” – observou, convidando os bispos a prestar atenção especial a eles e às suas necessidades, procurando “criar espaços onde a cultura da eficiência, do rendimento e do sucesso possa abrir-se à cultura dum amor gratuito e altruísta, capaz de oferecer a todos – e não só aos mais prendados – possibilidade duma vida feliz e realizada”. 

Evangelho da compaixão e da misericórdia

“Devemos alcançar a alma das cidades, dos lugares de trabalho, das universidades, para acompanhar com o Evangelho da compaixão e da misericórdia os fiéis que nos foram confiados”, concluiu Francisco exortando mais uma vez os bispos do Japão.

VN