05 novembro, 2017

Papa: o maior defeito das autoridades civis e eclesiais




(RV) Cidade do Vaticano: O Papa Francisco presidiu hoje, domingo, 05 de Novembro de 2017, às 12 horas locais de Roma, na Praça de S. Pedro, a habitual cerimónia mariana do Ângelus. Milhares de fiéis e peregrinos, provenientes de diversas partes da Itália e do mundo, congregaram-se, como de costume, na Praça da cidade Vaticana para assistir à cerimónia Mariana do Ângelus deste XXI domingo do tempo comum.

Na sua alocução, Francisco iniciou por recordar que o Evangelho deste domingo (Mt 23, 1-12), foi ambientado nos últimos dias da vida de Jesus em Jerusalém: eram por isso, observou o Santo Padre, “dias carregados de expectativas e de tensões. De uma parte, Jesus que dirige críticas severas aos escribas e aos fariseus; e da outra parte, deixa importantes “encomendas” para os cristãos de todos os tempos e portanto, acrescentou o Pontífice, também para nós hoje em dia.

Ele disse à multidão: “na cadeira de Moisés, sentaram-se os escribas e os fariseus. Fazei e observai tudo quanto vos disserem”. Isso significa que eles tinham a autoridade de ensinar o que estava de acordo com a Lei de Deus. Todavia, observou Francisco, Jesus acrescenta: “mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem”. Trata-se, para o Santo Padre, de um defeito frequente das autoridades civis e eclesiais: eles têm a autoridade de exigir algo dos outros, até mesmo de coisas justas, que porém eles mesmos não praticam.

Disse Jesus: “Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover”. Esta atitude, é um mau exercício da autoridade, que deveria no entanto, atingir a sua força primária próprio a partir da prática do bom exemplo. A autoridade nasce do bom exemplo, para ajudar os outros a praticar o que é justo e constitui um dever, apoiando-os nas provações que encontram ao longo do caminho que conduz ao bem. A autoridade é uma ajuda, mas se é exercida de forma negativa, torna-se opressiva, não deixa crescer as pessoas e cria um clima de desconfiança e de hostilidade, mas sobretudo, conduz à corrupção.

Jesus, acrescenta o Pontífice, denuncia abertamente alguns comportamentos negativos dos escribas e dos fariseus: “gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas”. Esta, observa o Santo Padre, é uma tentação que corresponde à soberbia humana e que nem sempre é fácil de vencer. Trata-se, daquela atitude de viver só por aparência.

Sucessivamente, disse Francisco, Jesus entrega às “encomendas aos seus discípulos”: não vos deixeis tratar por Mestres, porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos. (…) Nem vos deixeis tratar por Doutores, porque um só é o vosso doutor, o Messias.(…)Aquele que for maior entre vós será o vosso servo”.

Nós discípulos de Jesus não devemos procurar títulos de honra ou de supremacia, pois entre nós deve existir uma atitude fraterna. Para mim, pessoalmente, angustia profundamente, ver pessoas que correm diariamente e conscientemente atrás dos títulos de honra, das vaidades mundanas. Somos todos irmãos e não devemos, de forma alguma, prevalecer sobre os outros. Se recebemos qualidades do Pai celeste, devemos colocá-las ao serviço dos irmãos e não aproveitar delas para as nossas satisfações pessoais. Não devemos considerar-nos superiores aos outros. A modéstia é essencial para uma existência que quer ser conforme ao ensinamento de Jesus, que é humilde de coração e veio ao mundo não para ser servido, mas para servir.

Que a Virgem Maria, concluiu dizendo o Papa, “humilde e ao mesmo tempo, a mais elevada das criaturas”, nos ajude com a sua materna intercessão, a fugirmos do orgulho e da vaidade, e a sermos dóceis ao amor que vem de Deus, para o serviço dos nossos irmãos e para a sua alegria que será também nossa”.

Após a recitação da oração mariana do Ângelus, Francisco informou aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça de S. Pedro que, disse, ontem, na cidade indiana de Indor, foi proclamada Beata, Regina Maria Vattali, religiosa da Congregação das Irmãs Clarissas Franciscanas, assassinada por causa da sua fé cristã em 1995. A Irmã Vattali, acrescentou Francisco, testemunhou Cristo no amor e na humildade, e ela se une de agora em diante à longa lista dos mártires do nosso tempo. Que o seu sacrifício, concluiu dizendo o Santo Padre, seja semente de fé e de paz especialmente em terra indiana. Ela era muito boazinha e todos a chamavam a Irmã do sorriso”, observou Francisco, agradecendo à todos pela presença e augurando-lhes um bom domingo. Como de costume, Francisco recordou, mais uma vez à todos os presentes, que por favor, não esqueçam de rezar por Ele.

04 novembro, 2017

Papa: harmonizar Fé e Razão nas Universidades Católicas



(RV) O Santo Padre recebeu, na manhã deste sábado (04/11), na Sala do Consistório, no Vaticano, 230 membros da Federação Internacional das Universidades Católicas, na conclusão do seu encontro, que acaba de se realizar em Roma, sobre o tema: “Refugiados e Migrantes  num mundo globalizado: responsabilidade e respostas das universidades”.

O Papa iniciou o seu discurso recordando as actividades deste organismo, que, em menos de um século, se propôs promover a formação católica, a nível superior, valendo-se da grande riqueza que deriva do encontro de tantas e diversas realidades universitárias.

Neste sentido, Francisco salientou o aspecto essencial desta formação que visa à responsabilidade social para a construção de um mundo mais justo e humano. E, congratulando-se com os membros do organismo, disse:

“Por isso, vocês sentiram-se interpelados pela realidade global e complexa das migrações contemporâneas e, por conseguinte, enquadraram uma reflexão científica, teológica e pedagógica, bem arraigada na Doutrina Social da Igreja, buscando superar os preconceitos e temores sobre o pouco conhecimento do fenómeno migratório”.

Neste sentido o Santo Padre recordou a necessidade da contribuição dos membros desta Federação, colocando em evidência três âmbitos da sua competência: “pesquisa, ensinamento e promoção social”. Explicando cada um deles, Francisco disse sobre o primeiro, ou seja, sobre a pesquisa:

“As Universidades Católicas sempre procuraram harmonizar a pesquisa científica com a teológica, mantendo o diálogo entre fé e razão. No entanto, acho oportuno fazer ulteriores estudos sobre as causas remotas das migrações forçadas, individuando soluções práticas para assegurar às pessoas o direito de não terem que emigrar”.

Por outro lado, - acrescentou o Papa – é igualmente importante reflectir sobre as reacções negativas, às vezes até discriminatórias e xenófobas, que a chegada dos migrantes suscita nos países de antiga tradição cristã, promovendo itinerários de formação das consciências. Depois, sobre o segundo âmbito de competências do organismo, ou seja, do “ensinamento”, o Pontífice exprimiu o seu desejo:

“Faço votos para que as Universidades Católicas possam adoptar programas para favorecer a instrução dos refugiados, em vários níveis, seja através de cursos, mesmo à distância, para os que vivem em campos ou em centros de assistência, seja através de bolsas de estudo, que lhes permitam uma digna reinserção”.

Porém, - disse o Papa – para responder adequadamente aos novos desafios migratórios, verdadeiros sinais dos tempos, outra tarefa urgente das Universidades Católicas é formar, de modo específico e profissional, os agentes de pastoral, que se dedicam à assistência dos migrantes e refugiados. E meste caso, Francisco exortou:

“De modo geral, queria convidar os Ateneus Católicos a educarem os seus estudantes, - alguns dos quais poderão tornar-se líderes políticos, empresários e artífices da cultura-, a fazer também uma leitura atenciosa do fenómeno migratório, numa perspectiva de justiça, corresponsabilidade global e unidade nas diversidades culturais”.

Aqui, o Papa recordou, a respeito do complexo mundo das migrações, a sugestão do Organismo Vaticano para o Desenvolvimento Humano Integral: trata-se de vinte “Meios de Acção” para contribuir com o processo, que levará à adopção, - na segunda metade de 2018 - por parte da Comunidade Internacional, de dois “Pactos Globais”: um sobre os migrantes e o outro sobre os refugiados. E Francisco concluiu dizendo:

“Nesta e em outras dimensões, as Universidades podem desempenhar um papel de destaque privilegiado também em campo social, como, por exemplo, incentivar o voluntariado entre os estudantes, mediante programas de assistência aos refugiados, aos que pedem asilo político e aos migrantes em geral”.

Francisco concluiu o seu discurso aos membros da Federação Internacional das Universidades Católicas, dizendo que “todo este trabalho”, - no âmbito da pesquisa, do ensinamento e da promoção social – “encontra um ponto de referência seguro nas quatro pedras miliares da acção da Igreja” em relação aos migrantes: “acolhimento, protecção, promoção e integração”.

Patriarcado de Lisboa agradece a D. José Traquina



O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, vai presidir a uma celebração de agradecimento pela nomeação de D. José Traquina para Bispo de Santarém. A Missa vai ter lugar na capela do Seminário dos Olivais, no próximo dia 9 de novembro, quinta-feira, às 19h00, e é aberta a todos quantos se queiram despedir do até agora Bispo Auxiliar de Lisboa.
D. José Augusto Traquina Maria, de 63 anos, foi nomeado Bispo de Santarém pelo Papa Francisco, no passado dia 7 de outubro. A entrada solene de D. José Traquina na nova diocese vai decorrer no dia 26 de novembro, Domingo, pelas 16h00, na Igreja de Santa Clara, em Santarém.

03 novembro, 2017

A fé que professamos leva-nos a ser homens de esperança




(RV) Nesta sexta-feira, 3 de Novembro, às 11.30, o Papa Francisco presidiu à Missa, na Capela Papal, Basílica de São Pedro, em sufrágio dos Cardeais e Bispos falecidos ao longo deste ano.

Na sua homilia, Francisco disse que “a celebração de hoje nos coloca mais uma vez diante dos olhos a realidade da morte, reavivando em nós, também o pesar pela separação das pessoas que viveram connosco e nos ajudaram”.

Mas – continuou – a liturgia alimenta em nós “a forte esperança na ressurreição dos justos”, dos que tiverem, na vida terrena, optado pelo caminho da vida, isto é com Deus; enquanto que tiver optado pelo caminho da morte, isto é, longe d’Ele, acordarão para a ignomínia eterna.

Jesus fortalece a nossa esperança na vida eterna ao dizer “Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente. São palavras – disse Francisco – que evocam o sacrifício de Cristo na Cruz, para salvar os homens da escravidão do pecado. Deste modo Ele despedaçou o jugo da morte e abriu-nos as portas da vida. Quando nos alimentamos do seu corpo e sangue, unimo-nos ao seu amor fiel que encerra a esperança da vitoria definitiva do bem sobre o mal, o sofrimento e a morte. Em virtude deste vínculo – continuou o Papa – a comunhão com os defuntos não fica apenas ao nível de um desejo, duma imaginação, mas torna-se real.

A fé que professamos na ressurreição leva-nos a ser homens de esperança e não de desespero, homens da vida e não da morte, porque nos consola a promessa da vida eterna, radicada na união com Cristo ressuscitado”.

Esta esperança, reavidada em nós pela Palavra de Deus, ajuda-nos a adoptar uma atitude de confiança frente à morte, pois que Jesus demonstrou-nos que a morte não é a última palavra, mas o amor misericordioso do Pai transfigura-nos e faz-nos viver na vida eterna com Ele. Uma característica fundamental do cristão é esta ansiosa expectativa do encontro final com Deus. “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo! Quando poderei contemplar a face de Deus?” E o Papa concluiu comentando este salmo:

Estas expressões do Salmo tinham-se imprimido na alma dos nossos irmãos Cardeais e Bispos que hoje recordamos: deixaram-nos, depois de ter servido a Igreja e o povo a eles confiado, rumo à eternidade. Assim, ao mesmo tempo que damos graças pelo serviço que prestaram generosamente ao Evangelho e à Igreja, parece-nos ouvi-los repetir com o Apóstolo: «A esperança não engana» (Rm 5, 5). Sim, não engana! Deus é fiel e a nossa esperança n’Ele não é vã. Invoquemos para eles a intercessão materna de Maria Santíssima a fim de participarem no banquete eterno, que, com fé e amor, antegozaram durante a peregrinação terrena.”

(DA)

02 novembro, 2017

Bible Challenge - n.º 2 - João Pedro Tavares, Presidente da ACEGE



Papa Francisco saúda ‘Caminhada pela Vida’



Informado da ‘Caminhada pela Vida’ simultânea nas cidades de Aveiro, Lisboa e Porto, o Papa Francisco envia a sua saudação aos participantes na iniciativa, nascida da consciência cristã nacional moralmente sensível à promoção e defesa da vida, contra a cultura do descarte, guiada por uma lógica económica que exclui e por vezes mata”. Assim se inicia a mensagem enviada através da Nunciatura Apostólica em Lisboa.
Na carta, assinada pelo cardeal Pietro Parolin, o Papa manifesta o desejo de que “apareçam sempre mais homens e mulheres de boa vontade que abracem corajosamente a verdade e valor que cada ser humano tem para Deus, sustentando tal verdade com factos e razões científicas e morais num dramático apelo à razão, para se voltar ao respeito de cada vida humana”, da concepção à morte natural, “na batalha contra o aborto, eutanásia e demais atentados à vida humana”.

O apelo à participação também foi feito pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, através de um vídeo publicado no passado dia 30 de outubro:



Em Lisboa, a iniciativa está marcada para sábado, 4 de novembro, às 15h00, com partida da Praça Luís de Camões.

Patriarcado de Lisboa

Ódio, morte, vingança, estes os frutos da guerra - Papa Francisco



(RV) Depois da Missa no Cemitério Americano de Nettuno, o Papa Francisco, regressou a Roma, onde visitou o Sacrário das “Fossas Ardeatinas” e rezou sobre os túmulos dos militares e civis que morreram nesse lugar. “As Fossas Ardeatinas” ficam na periferia sul de Roma. Ali foram trucidadas, pelas tropas nazistas alemãs, a 24 de Março de 1944, 335 italianos. Foi uma represália por os “partigiani” italianos terem morto 33 soldados alemães.
Ali o Papa pronunciou estas palavras:


Deus de Abraão, de Isaac, Deus de Jacó, com este nome te apresentaste a Moisés quando lhe revelaste a vontade de libertar o Teu povo da escravidão do Egipto. Deus de Abraão, Deus de Isaac e de Jacó, Deus que faz aliança com o homem, Deus que se liga com um pacto de amor fiel para sempre, misericordioso e compassivo com cada homem e cada povo que sofre opressão. “Observei a miséria de meu povo, ouvi o seu grito, conheço os seus sofrimentos””.
“Deus dos rostos e dos nomes, Deus de um dos 335 homens trucidados aqui, em 24 de Março de 1944, cujos restos repousam nestes túmulos. Tu, Senhor, conheces as suas faces e os seus nomes: todos, também os 12 que continuam desconhecidos para nós. Para ti, ninguém é desconhecido”.
"Deus de Jesus, Pai nosso que estás nos Céus: graças a Ele, o Crucificado ressuscitado, nós sabemos que o Teu nome - Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó - quer dizer que não és o Deus dos mortos, mas dos vivos, que a Tua aliança de amor fiel é mais forte do que a morte e é garantia de ressurreição".
“Faz, Senhor, que neste lugar consagrado à memória dos caídos pela liberdade e a justiça,  tiremos os calçados do egoísmo e da indiferença e por meio da sarça ardente deste mausoléu, escutemos no silêncio o Teu nome: Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó, Deus de Jesus, Deus dos vivos. Amém”.
Antes de deixar o local, o Santo Padre deixou escrito no Livro de Honra as seguintes palavras: “Estes são os frutos da guerra: ódio, morte, vingança. Perdoa-nos, Senhor”.

Grutas do Vaticano
Às 18.30 o Papa já estava no Vaticano, onde se deteve em oração, privadamente, nas Grutas do Vaticano, perante os túmulos dos Papas defuntos.
(DA com JE)


A guerra é a destruição de nós mesmos - Papa no Cemitério de Nettuno


(RV) Hoje dia dos defuntos, festivo no Vaticano, o Papa Francisco deslocou-se, no inicio da tarde, ao Cemitério Americano de Nettuno, localidade marítima a quase 60km a sul de Roma. Nettuno fica próximo de Anzio, onde as tropas americanas desembarcaram a 22 de Janeiro de 1944 para libertar a Itália do nazi-fascismo.

No cemitério americano de Nettuno estão sepultados  os restos de 490 soldados que puderam ser identificados. E nas paredes brancas estão inscritos os nomes de outros 3.094 desaparecidos.

O Cemitério enquanto tal foi construído em 1956 pela American Battle Monuments Commission  em território da cidade de Nettuno na zona onde desde os primeiros dias do desembarque anfíbio foi posicionado o cemitério temporário dos que vinham à cabeça do grupo e que foram os primeiros a tombar pela liberdade.

Mas voltemos à Missa presidida pelo Santo Padre:

“Todos nós, hoje, estamos aqui reunidos na esperança. Cada um de nós, no seu coração, pode repetir as palavras de Job que ouvimos na primeira leitura:  “Sei que o meu Redentor está vivo e que no fim se erguerá sobre o pó”. A esperança de reencontrar Deus, de nos reencontrarmos todos nós, como irmãos, e esta esperança não desilude”.

Foi com estas palavras que o Santo Padre iniciou a sua homilia pronunciada sem texto escrito. Ele disse que a esperança nasce e se enraíza, muitas vezes, nas pregas humanas, em tantas dores e sofrimentos e nos faz olhar para o Céu e dizer: “Eu creio que o meu Redentor está vivo. Mas fica connosco Senhor”. É esta a oração que sai, talvez, do coração de todos nós quando olhamos para este cemitério”.

O Papa disse ter a certeza que dizemos: “Mas, por favor Senhor, fica connosco. Nunca mais, nunca mais a guerra. Nunca mais este “massacre inútil” como dizia Bento XV.

Jovens, milhares, milhares, milhares, milhares … esperanças rompidas. “Nunca mais Senhor”. E esse “Nunca mais Senhor” devemos dize-lo também hoje que rezamos por todos os defuntos” – disse o Papa, recordando todavia que nesse cemitério eram chamados a rezar de modo especial por esses jovens ; “hoje que o mundo está outra vez em guerra e se prepara para entrar mais fortemente em guerra. “Nunca mais Senhor. Nunca mais”. Com a guerra se perde tudo”

Francisco disse que lhe vinha à cabeça uma idosa que, olhando para as ruínas de Hiroshima dizia com uma sapiencial resignação e dor : “Os homens fazem de tudo para declarar e fazer uma guerra e acabam destruindo-se a si próprios”

“A guerra é isto: a destruição de nós mesmos”.

Se hoje é um dia de esperança, é também um dia de lágrimas, lágrimas como aquelas das mães e esposas, a quem se batia à porta para lhes anunciar a honra de o marido ou o filho ter morrido na guerra e de ter  sido, portanto, um herói da Pátria.

São lágrimas que hoje a humanidade não deve esquecer” – frisou Francisco condenando este orgulho desta humanidade que não aprender a lição e parece não a querer aprender.

Quantas vezes – prosseguiu Francisco – os homens mostram-se convictos de que fazendo uma guerra trazem um novo mundo, uma nova primavera e se acaba trazendo um inverno, feio, cruel, com o reino do terror e da morte. E o Papa voltou a recordar esses jovens sepultados nesse cemitério de guerra:

Hoje rezamos por todos os defuntos, todos, mas de modo especial por estes jovens, num momento em que tantos morrem em batalhas de todos os dias desta guerra aos bocadinhos. Rezemos também pelos mortos de hoje, os mortos de guerra, também crianças, inocentes. Este é o fruto da guerra: a morte. E que o Senhor nos dê a graça de chorar”.

(DA)

01 novembro, 2017

Papa Francisco durante o Angelus: quem está com Jesus é feliz


(RV) - 1 de Novembro 2017, Solenidade de Todos os Santos. Antes da oração mariana do Angelus e dirigindo-se aos milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça de S. Pedro, o Papa Francisco falou da solenidade hodierna como “nossa festa”, não porque somos bons, sublinhou, mas porque a santidade de Deus tocou a nossa vida.

Os santos não são modelos perfeitos, mas pessoas atravessadas por Deus, como os vitrais das igrejas, que fazem entrar a luz em diferentes tonalidades de cor:

“Os santos são nossos irmãos e irmãs que acolheram a luz de Deus no seu coração e a transmitiram ao mundo, cada qual segundo a própria "tonalidade". Mas todos foram transparentes, lutaram para tirar as manchas e a escuridão do pecado, para fazer passar a luz amável de Deus. Esta é a finalidade da vida, mesmo para nós”.

Jesus no Evangelho, prosseguiu o Papa, dirige-se aos discípulos e a todos nós, chamando-nos "bem-aventurados", palavra com a qual Ele inicia a sua pregação, que é boa notícia, "evangelho", porque é o caminho da felicidade, e quem está com Jesus é bem-aventurado, é feliz, ressaltou Francisco:

“A felicidade não está em ter algo ou tornar-se alguém, não, a felicidade verdadeira é estar com o Senhor e viver por amor. Acreditais nisto?”

E Francisco enumerou os ingredientes para a vida feliz, ou seja, as bem-aventuranças: são felizes os simples, disse, os humildes que têm um lugar para Deus, que sabem chorar pelos outros e pelos próprios erros, permanecem mansos, lutam pela justiça, são misericordiosos para com todos, mantêm a pureza do coração, sempre trabalham pela paz e permanecem na alegria, não odeiam, e mesmo quando sofrem, eles respondem ao mal com o bem.

As bem-aventuranças não exigem gestos espectaculares, não são para os super-homens, mas para aqueles que vivem as provações e as canseiras de cada dia, notou o Pontífice, ressaltando que assim são os santos: respiram como todos o ar poluído pelo mal que está no mundo, mas na caminhada nunca perdem de vista a via traçada por Jesus e indicada pelas bem-aventuranças, que são como o mapa da vida cristã:

“Hoje é a festa daqueles que alcançaram a meta indicada por este mapa: não apenas os santos do calendário, mas tantos irmãos e irmãs "da porta ao lado" que porventura podemos ter encontrado e conhecido. É uma festa de família, de tantas pessoas simples e escondidas que na verdade ajudam Deus a levar o mundo à frente. E existem também hoje!” Saudemo-los com uma bela salva de palmas” …

Em seguida o Papa comentou a primeira bem-aventurança reiterando que os "pobres em espírito" sãos os que não vivem para o sucesso, o poder e o dinheiro; sabem que aqueles que acumulam tesouros para si mesmos não se enriquecem diante de Deus e crêem que o Senhor é o tesouro da vida e o amor ao próximo é a única verdadeira fonte de ganho.

Finalmente, Francisco citou uma outra bem-aventurança, que não se encontra no Evangelho de hoje mas no livro do Apocalipse: "Bem-aventurados os mortos que morrem no Senhor". Amanhã seremos chamados a acompanhar com a oração os nossos defuntos, para que gozem para sempre no Senhor; recordemo-los com gratidão e rezemos por eles, convidou Francisco aos presentes.

Que a Mãe de Deus, Rainha dos Santos e Porta do Céu, interceda pelo nosso caminho de santidade e pelos nossos queridos que nos precederam e já partiram para a pátria celeste.
Angelus Domini …

Depois das Ave-Marias, Francisco manifestou o seu pesar pelos recentes ataques terroristas na Somália, Afeganistão e N. Iorque:

“Queridos irmãos e irmãs, sinto enorme tristeza pelos ataques terroristas destes últimos dias: na Somália, Afeganistão e, ontem, em Nova Iorque. Enquanto deploro tais actos de violência, rezo pelos defuntos, os feridos e os seus familiares. Peçamos ao Senhor para que converta os corações dos terroristas e livre o mundo do ódio e da loucura homicida que abusa o nome de Deus para disseminar a morte”.

E o papa saudou cordialmente a todos os peregrinos da Itália e dos vários países, e em particular os de Courbevoi (França) e Derry (Irlanda); os fiéis de Terrasini, os meninos crismados de Modena, a Associação "Empenhar-se serve”.

Uma saudação especial o Papa dirigiu-a aos participantes na Corrida dos Santos, promovida pela Fundação "Dom Bosco no Mundo" para oferecer uma dimensão de festa popular à celebração religiosa de Todos os Santos, agradecendo-lhes pela grande iniciativa e pela sua presença.

A terminar, Francisco anunciou a sua viagem, amanhã à tarde, ao Cemitério americano de Neptuno e às Fossas Ardeatinas, tendo acrescentado:

“Peço-vos que me acompanheis com a oração nestas duas etapas de memória e sufrágio pelas vítimas da guerra e da violência. As guerras não produzem nada mais que cemitérios e morte. Eis porque quis dar este sinal, num momento em que a nossa humanidade parece não ter aprendido a lição, ou de no querer aprendê-la”.

A todos Francisco desejou uma boa festa na companhia espiritual dos Santos pedindo, por favor, para que não nos esqueçamos de rezar por ele.

Bom almoço e até logo!