12 agosto, 2014

Papa Francisco, que parte amanhã para Seul, enviou Mensagem aos Coreanos: “levarei comigo o Evangelho do amor e da esperança”

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(RV) Poucos dias antes de partir para a Coreia, aonde chegará quinta-feira, 14, pela manhã, o Papa Francisco gravou uma mensagem de saudação ao povo coreano. O vídeo foi transmitido domingo, 09, pela rede coreana KBS e teve grande repercussão nos meios de comunicação social. Esta é a primeira vez em 25 anos que um Papa visita o país, já que Bento XVI não chegou a ir a Ásia.

Dentro de poucos dias, com a ajuda de Deus, estarei convosco na Coreia. Agradeço desde já pela vossa recepção e convido todos a rezarem comigo para que esta viagem apostólica dê bons frutos para a Igreja e a sociedade coreana.

«Levanta-te, resplandece»: com estas palavras, dirigidas pelo profeta a Jerusalém, eu me dirijo a vós. É o Senhor que vos convida a acolher a sua luz, a acolhê-la nos vossos corações, para que reflita numa vida plena de fé, de esperança e de amor, repleta da alegria do Evangelho.

Como sabeis, virei para a Sexta Jornada Asiática da Juventude. Aos jovens, de modo especial, levarei o apelo do Senhor: «Juventude da Ásia, levanta-te! A glória dos mártires resplandece em ti». A luz de Cristo ressuscitado brilha como num espelho no testemunho de Paul Yun Ji-chung e de 123 companheiros, todos mártires da fé, que proclamarei beatos no dia 16 de agosto, em Seoul.
Os jovens são portadores de esperança e de energias para o futuro; mas são também vítimas da crise moral e espiritual do nosso tempo. Por isso, quero anunciar a eles e a todos o único nome que nos pode salvar: Jesus, o Senhor.
Queridos irmãos e irmãs coreanos, a fé em Cristo criou raízes profundas na vossa terra e deu frutos abundantes. Os mais idosos são custódios desta herança: sem eles, os jovens não teriam memória. O encontro entre idosos e jovens é a garantia do caminho dos povos. E a Igreja é a grande família na qual somos todos irmãos em Cristo. Em seu nome, venho junto a vós com a alegria de partilhar o Evangelho do amor e da esperança”.

Card. Fernando Filoni, de partida para o Iraque, como enviado pessoal do Papa Francisco, foi por este recebido

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(RV) Na tarde de domingo, 10, o Santo Padre recebeu na sua residência, na Casa Santa Marta, o Card. Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos e recentemente nomeado Enviado pessoal do Papa ao Iraque. Com a iniciativa, o Papa Francisco quer demonstrar a sua proximidade à população local, especialmente aos cristãos, extremamente necessitados de apoio e encorajamento.

O cardeal informou ao Papa sobre a preparação da sua missão. Por sua vez, o Papa ldeu-lhe algumas indicações pessoais e confiou-lhe uma quantia em dinheiro para utilizar nas ajudas mais urgentes. Segundo Dom Filoni, a sua missão será levar encorajamento, confiança, mas também ajuda espiritual, moral e psicológica. Ao deixar a Casa Santa Marta, o cardeal falou com a RV:

“O Papa já manifestou várias vezes a sua sensibilidade em relação à situação atual no Iraque, onde muitos cristãos, e muitas outras minorias, estão a fugir da perseguição. Fala-se de um milhão de pessoas desalojadas, em busca de um lugar seguro para a sua vida e seu futuro”.

“Senti vivamente a solicitude do Papa, senti que ele mesmo provavelmente gostaria de estar ali, no meio deste pobre povo. Ele me confia este papel para que eu leve pessoalmente este carinho, este amor profundo, a solidariedade que ele sente por estes pobres de hoje”.

“Nós entendemos que estes cristãos, depois de tantas dificuldades, pensem que o Iraque não seja mais o seu país. Tradicionalmente, no Iraque convivem muitas realidades: é um país acolhedor, no qual historicamente, em centenas de anos, minorias e maiorias conviveram. Seria uma pena, hoje, perder esta riqueza”.

“Com a minha presença, quero também encorajar psicologicamente os cristãos, dizer que existe futuro para eles. Eles devem saber que a Igreja está com eles, que não os abandona, que os considera preciosos nesta terra, para que tenham confiança neles mesmos e nas relações que estabelecerem”.

“O Papa está consciente disso tudo. Sendo assim, a minha missão será sensibilizar ainda mais as autoridades, recomendando-lhes o bem dos nossos povos e, ao mesmo tempo, estudar como ajudá-los concretamente nesta situação e no futuro próximo. Além disso, vou agradecer a todos – autoridades, organizações eclesiásticas e não eclesiásticas – por aquilo que estão a fazer em favor desta população”.

11 agosto, 2014

Papa participou num programa de duas pequenas Emissoras Católicas argentinas


(RV) Sexta-feira passada, o Papa Francisco participou num programa radiofónico na Argentina, transmitido em direto por duas pequenas Emissoras católicas locais - Campo Gallo e Huachana, de duas paróquias localizadas a cerca de 200 km da capital de Santiago del Estero, na província de mesmo nome, uma das mais pobres da Argentina.
A entrevista foi concedida aos dois ‘padres de rua’ Joaquín Giangreco e Juan Ignacio Liébana, que conhecem Jorge Bergoglio desde que era arcebispo de Buenos Aires.

“Vocês estão no meu coração. – declarou o Papa. O trabalho que fazem dá-me muita alegria. Por isso começo com uma forte saudação e a minha benção”, disse-lhes ainda.

Prosseguindo numa linguagem muito coloquial, o Papa afirmou que “quando uma comunidade cristã está parada é como uma água estagnada, a primeira a ser corrompida. Quando uma comunidade não peregrina, não só a pé, mas com o coração, e não tem um coração peregrino para ir além de si mesma, seja para adorar a Deus ou para ajudar os seus irmãos, essa Igreja está moribunda e precisa de ser rapidamente ressuscitada”.

Na Igreja, disse, “cada um tem a sua função, cada um tem o seu trabalho a fazer, a sua vocação. A Igreja se mantém com a oração dos fiéis. O coração de Deus não é indiferente ao seu povo”, continuou, explicando:
“Trabalhar pela unidade sempre vai ser importante. Sempre vai haver diferenças e brigas; a questão é não deixá-las crescer. Fazer que as coisas se resolvam entre irmãos. É preciso conversar sim, mas com Deus. Não depreciar o outro com as palavras. O que mais destrói a Igreja, os povos e a Nação é a crítica destrutiva. Ou seja, ficar falando mal um do outro. Isso não é cristão”.

Questionado sobre a falta de sacerdotes na diocese, observou:
“Como disse Jesus, rezem para que Deus envie pastores para a messe. O coração de Deus não é indiferente às orações de seu povo. Orem para que o Senhor envie pastores. E eu diria aos jovens que se sentem o chamado de Jesus, que não tenham medo. Que vejam todo o bem que podem fazer, todo o consolo que podem dar, toda a mensagem cristã que podem transmitir e não tenham medo. A vida é para ser arriscada, não para ser guardada. Jesus disse “quem cuida muito da sua vida acaba perdendo-a”.
“A vida é para ser dada. É necessário apostar em coisas grandes e não em pequenas coisinhas. E se sentir que Jesus o chama para formar uma família, que seja uma família cristã, grande, linda, com muitos filhos que levem a fé adiante”.

O Santo Padre concluiu lembrando que “Jesus é muito bom. Deus ama-nos. Deus espera-nos sempre. Deus não se cansa de nos perdoar. Devemos ser humildes e pedir perdão, para seguirmos em frente. Deus quer que sejamos felizes. E Ele está conosco. Quando passamos momentos difíceis, de cruz, de dor, temos que lembrar que Ele passou antes e nos compreende de coração. Peço ao Senhor para que todos os que estão ouvindo sejam muito abençoados por Ele, que Deus lhes dê força, vontade de viver, a coragem de não se deixar roubar a esperança e, especialmente, lhes dê uma carícia e lhes faça sorrir”.

Papa aos Coreanos: “levarei comigo o Evangelho do amor e da esperança”


(RV) Poucos dias antes de partir para a Coreia, aonde chegará quinta-feira, 14, pela manhã, o Papa Francisco gravou uma mensagem de saudação ao povo coreano. O vídeo foi transmitido domingo, 09, pela rede coreana KBS e teve grande repercussão nos meios de comunicação social. Esta é a primeira vez em 25 anos que um Papa visita o país, já que Bento XVI não chegou a ir a Ásia.

Dentro de poucos dias, com a ajuda de Deus, estarei convosco na Coreia. Agradeço desde já pela vossa recepção e convido todos a rezarem comigo para que esta viagem apostólica dê bons frutos para a Igreja e a sociedade coreana.

«Levanta-te, resplandece»: com estas palavras, dirigidas pelo profeta a Jerusalém, eu me dirijo a vós. É o Senhor que vos convida a acolher a sua luz, a acolhê-la nos vossos corações, para que reflita numa vida plena de fé, de esperança e de amor, repleta da alegria do Evangelho.

Como sabeis, virei para a Sexta Jornada Asiática da Juventude. Aos jovens, de modo especial, levarei o apelo do Senhor: «Juventude da Ásia, levanta-te! A glória dos mártires resplandece em ti». A luz de Cristo ressuscitado brilha como num espelho no testemunho de Paul Yun Ji-chung e de 123 companheiros, todos mártires da fé, que proclamarei beatos no dia 16 de agosto, em Seoul.
Os jovens são portadores de esperança e de energias para o futuro; mas são também vítimas da crise moral e espiritual do nosso tempo. Por isso, quero anunciar a eles e a todos o único nome que nos pode salvar: Jesus, o Senhor.
Queridos irmãos e irmãs coreanos, a fé em Cristo criou raízes profundas na vossa terra e deu frutos abundantes. Os mais idosos são custódios desta herança: sem eles, os jovens não teriam memória. O encontro entre idosos e jovens é a garantia do caminho dos povos. E a Igreja é a grande família na qual somos todos irmãos em Cristo. Em seu nome, venho junto a vós com a alegria de partilhar o Evangelho do amor e da esperança”.

O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 
 
 
Desde sempre o coração foi visto e sentido, pelo homem, como a fonte do amor, o gerador dos sentimentos do homem.
É normal ouvir-se dizer que uma pessoa boa é uma pessoa de bom coração.
O coração é assim, (para além dos conceitos médico/científicos), o centro da vida do homem em tudo aquilo que ele vive física, emocional, sentimental e até espiritualmente.

Que dizer então do Coração do Homem perfeito, daquele que sendo Homem era Deus, e sendo Deus se fez Homem?
Que dizer do Coração de Jesus Cristo? 

É afinal o Coração de Deus, do Deus que se fez Homem, do Deus que quis ter coração como o coração dos homens.

Mas o Coração de Jesus, Coração de Deus, Coração do Homem, é:
Um Coração que “apenas” sabe amar.
Um Coração que “apenas” sabe querer.
Um Coração que “apenas” sabe acolher.
Um Coração tão grande e infinito que nele todos cabem: os que O amam, os que não O amam, os que O rejeitam, os que Lhe dedicam indiferença.


“Dou-te o meu coração”, dizemos nós, quando queremos mostrar o nosso amor por alguém. Mas é sempre, obviamente, uma afirmação simbólica, um desejo que nunca conseguimos cumprir na totalidade.

“Dou-te o meu Coração”, diz Jesus, e dá-O efectivamente, entrega-O, esgota-O, (embora Ele nunca se esgote), é enfim um desejo divino que se torna inteira e total realidade.

No Coração de Jesus encontramos o tudo da salvação, o amor e o perdão, o acolhimento e o envio, o divino e o humano, a vida agora e a vida para além da morte, a porta aberta de um Coração que não aprisiona, porque “apenas” ama, e o amor é sempre liberdade.

Sabemos bem que todos estamos no Coração de Deus!
A pergunta que nos devemos fazer é saber se nos nossos corações está também, por nossa vontade, o Sagrado Coração de Jesus.


Marinha Grande, 19 de Junho de 2014
Joaquim Mexia Alves


Nota: 
Texto publicado no “Grãos de Areia”, boletim mensal da paróquia da Marinha Grande.

10 agosto, 2014

"Tudo isto ofende gravemente Deus e a humanidade!" - Papa Francisco ao Angelus, evocando violências no norte do Iraque

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(RV)
A grave situação de violência e precariedade que se vive no norte do Iraque, assim como de novo na Faixa de Gaza, foi evocada em termos sentidos pelo Papa Francisco, neste domingo, ao meio-dia, depois da recitação do Angelus, na Praça de São Pedro.

O Papa exprimiu o sentimento de “incredulidade e consternação” que suscitam as notícias que chegam do Iraque:

Milhares de pessoas , entre os quais muitos cristãos, expulsos de maneira brutal das próprias casas, crianças morte de sede e de fome durante a fuga, mulheres sequestradas; violências de todos os tipos; destruições de patrimónios religiosos, históricos e culturais. Tudo isto ofende gravemente Deus e ofende gravemente a humanidade. Não se é odeia em nome de Deus! Não se faz guerra em nome de Deus!

Neste contexto, o Papa pediu aos milhares de presentes um momento de silêncio de recolhimento e oração, pensando naquelas pessoas que sofrem… E agradeceu os que, com coragem (disse) estão a levar socorro a estes irmãos e irmãs e declarou confiar que se restabeleça o direito:

Confio que uma solução política eficaz, a nível internacional e local, possa deter estes crimes e restabelecer o direito.

O Papa Francisco recordou ainda que, para melhor assegurar a sua proximidade àquelas caras populações, nomeou seu enviado pessoal ao Iraque o cardeal Fernando Filoni, que já amanhã (disse) partirá de Roma.

Não faltou igualmente uma referência a Gaza:

Também em Gaza, após uma trégua, recomeçou a guerra, que ceifa vítimas inocentes e mais não faz do que piorar o conflito entre Israelitas e Palestinianos.
E pediu que se reze conjuntamente ao Deus da paz, por intercessão da Virgem Maria: Dá a paz, Senhor, nos nossos dias e torna-nos construtores de justiça e de paz.

Na breve catequese antes da reza do Angelus, o Papa comentou, como habitualmente, o Evangelho deste domingo, o episódio da tempestade no lago, em São Mateus, com Jesus que vem ao encontro dos apóstolos, lhes diz para não terem medo e salva do perigo, Pedro que está para sucumbir, por falta de fé. Esta narração é um belo ícone, uma bela imagem da fé do apóstolo Pedro.

Pedro começa a afundar quando afasta de Jesus o seu olhar, deixando-se arrastar pelas adversidades que o circundam.

Na personagem de Pedro, com os seus ímpetos e suas debilidades, está descrita a nossa fé: sempre frágil e pobre, inquieta e contudo vitoriosa, a fé do cristão caminha ao encontro do Senhor ressuscitado , no meio das tempestades e perigos do mundo.
A concluir este comentário evangélico, o Papa sublinhou a importância da cena final: quando Jesus sobe para a barca onde se encontram os discípulos, irmanados pela experiência da fraqueza, da dúvida, do medo, da “pouca fé”, tudo muda: o vento cessa, a tempestade desaparece. E então todos se sentem unidos, na fé, a Jesus. E adoram Jesus….

Esta é uma imagem eficaz da Igreja: uma barca que tem que enfrentar as tempestades e que por vezes parece estar para ser arrastada pelas ondas. Aquilo que a salva, não são as qualidades e coragem dos seus homens, mas sim a fé, que permite caminhar mesmo no meio das dificuldades. É a fé que nos dá a certeza da presença de Jesus ao nosso lado.
No final deste intenso mas breve encontro dominical com os fiéis, para além das já referidas palavras sobre o Iraque e Gaza, o Santo Padre pediu também orações pelas vítimas do vírus “ébola” e por quantos estão lutando para o deter.

A concluir, uma referência à sua partida, na quarta-feira, para a Coreia, para a viagem apostólica que ali realizará até ao dia 18. Como sempre o Papa pediu orações e a todos desejou bom domingo e… um bom almoço. 


09 agosto, 2014

Papa Francisco deseja exprimir proximidade aos cristãos iraquianos vítima de violência: ouça Cardeal Filoni, seu Enviado pessoal

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(RV) O Papa lançou um novo Tweet nesta sexta-feira na sua conta @Pontifex. Diz o texto: "Peço a todos os homens de boa vontade que se unam às minhas orações pelos cristãos iraquianos e por todas as comunidades perseguidas". E, à luz das graves situações no Iraque, o Santo Padre nomeou o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Cardeal Fernando Filoni, como seu Enviado pessoal para exprimir a sua proximidade espiritual às populações que sofrem e levar-lhes a solidariedade da Igreja. A este propósito, o Cardeal Filon foi entrevistado pela Rádio Vaticano:

Cardeal Fernando Filoni:- "Certamente é um gesto de confiança do Papa em relação a mim, mas diria que, sobretudo, é um gesto que manifesta a solicitude do Papa para com a situação destes cristãos, que sofrem neste momento: o sofrimento por terem deixado a própria casa e por verem as suas raízes ceifadas, por terem sido humilhados, deixando as suas casas assim como estavam e buscando refúgio em outro lugar. Portanto, esta solicitude do Papa parece-me ser a coisa mais importante e, desse ponto de vista, espero poder ir ao encontro da exigência de tantas pessoas e não somente manifestando este aspecto próprio da solicitude do Papa, mas também buscando ver junto com o Patriarcado o que podemos fazer como Igreja universal".

RV: Certamente será uma viagem difícil e delicada: já se tem alguma ideia em relação à sua organização?

Cardeal Fernando Filoni:- "Neste momento estamos tentando organizar a viagem, mesmo porque não é fácil chegar ao lugar... Mas não é necessário por demais assustar-se. Indubitavelmente disporemos do que for necessário para realizar a viagem e ver de que modo por algum tempo podemos estar próximos deste povo".

RV: O Patriarca caldeu Dom Sako falou em riscos de genocídio...

Cardeal Fernando Filoni:- "O Patriarca Sako encontra-se in loco e, portanto, conhece muito bem muitos aspectos que, infelizmente, podem passar-nos despercebidos. Infelizmente, não é a primeira vez que o povo cristão desta área se vê obrigado a migrações e também a sofrimentos indizíveis. Isso já havia começado quase um século atrás e se repetiu mais vezes durante a história destes últimos 90 anos de vida do Iraque, quando o território passou do Império Otomano a um Estado independente como todos os outros países da região. Portanto, é uma população que ainda carrega sofrimentos dentro de si e compreendo também a expressão do Patriarca".

RV: Gostaria de lançar um apelo às populações que irá visitar?

Cardeal Fernando Filoni:- "Em primeiro lugar, procurarei levar a solidariedade e a proximidade na oração, inclusive concretamente. Estou certo de que também depois o Santo Padre me dirá aquilo que ele deseja apresentar a esta população, que é querida para o Papa, bem como para a Igreja no mundo inteiro."

O Cardeal Sandri: medidas urgentes para deter o êxodo dos cristãos


(RV) "O mundo civilizado, as autoridades públicas e os organismos internacionais, e em qualquer outro nível, na extrema gravidade da situação, não retardem as indispensáveis intervenções humanitárias para parar, especialmente no Iraque e na Síria, o doloroso e profundamente injusto êxodo dos cristãos das terras onde vivem há dois mil anos": é o apelo lançado pelo cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, que agradece de coração ao Papa Francisco "pela sua proximidade para com os mais de cem mil cristãos que, durante a noite, tiveram de deixar as suas casas, igrejas e aldeias no bíblico vale de Nínive, no Iraque, e agora vagueiam rumo à cidade de Erbil em condições impossíveis, em busca de refúgio e sobrevivência cada vez mais incertos".

"Trata-se de atos contra Deus e contra todo o sentido de humanidade" – afirma o purpurado. Em constante contato com o patriarca caldeu Sako, com a representação pontifícia em Bagdad e os bispos locais, a Congregação para as Igrejas Orientais "encoraja os responsáveis ​​e quantos são sensíveis ao destino dos cristãos no Oriente, para que se faça com urgência quanto é indispensável para aliviar os seus sofrimentos: desprovidos de água e comida, e de qualquer outro bem de primeira necessidade, sobretudo as crianças, os idosos e os doentes, encontram-se na mais insuportável tribulação. Teme-se, infelizmente, um epílogo catastrófico se não se põe fim à marcada insegurança geral, alimentada pela indiferença de muitos, muitas vezes denunciada”.
Interpretando a imensa dor e a indignação dos pastores e fiéis orientais católicos espalhados pelo mundo", o Cardeal Sandri "renova a mais intensa oração ao Senhor pelas populações duramente afectadas por barbáries totalmente contrárias à dignidade humana e à plena solidariedade humana e cristã contra eles”.

08 agosto, 2014

Urgente acudir às pessoas expulsas de suas casas no Iraque: arcebispo Tomasi, Observador da Santa Sé na ONU, em Genebra

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(RV) Sobre a situação de milhares de civis expulsos das suas cidades pelos milicianos jihadistas, o colega italiano, Sergio Centofanti entrevistou o arcebispo D. Silvano Maria Tomasi, Observador Permanente da Santa Sé, na sede de Genebra, das Nações Unidas.

É evidente que existe a urgência de defender, mesmo fisicamente, os cristãos do norte do Iraque, providenciar à ajuda humanitária – água, alimentos – porque as crianças estão a morrer, os idosos estão a morrer, por falta de ajudas alimentares. Há que intervir agora, antes que seja demasiado tarde. Uma intervenção humanitária é exigida pela realidade destas dezenas e dezenas de milhares de cristãos e de outras minorias na Planície de Nínive, que tiveram de escapar sem levar nada consigo… apenas a roupa que vestiam. Precisam de ser ajudados com toda a urgência.
A ação militar é porventura necessária neste momento, mas parece-me também urgente fazer com que venham à luz aqueles que fornecem aos fundamentalistas armas e dinheiro, os países que os apoiam taticamente, e que ponham de lado este tipo de apoio, que ao fim e ao cabo não faz bem nem aos cristãos nem aos muçulmanos.
- Uma situação dramática…

Trata-se de uma nova tragédia no Médio Oriente, onde são violados os direitos humanos fundamentais de tantíssimas pessoas e de inteiras comunidades. Encontramo-nos perante uma situação verdadeiramente complicada: por um lado, temos estes fundamentalistas jihadistas, que em nome de um Califado que querem elevar estão a destruir e a matar sem misericórdia; por outro lado, há uma certa indiferença da parte do mundo ocidental. De facto, quando se trata de cristãos, há um falso pudor que impede que se fale disso e que se defendam os seus direitos. Portanto, é um momento em que deve emergir com clareza a voz da consciência.
- Em todo o caso, agora algo se está movendo…

A comunidade internacional começa a fazer qualquer coisa. Vimos o Secretário Geral das Nações Unidas falar do inaceitável crime cometido contra os cristãos, pela primeira vez mencionando expressamente a palavra. Depois, também o Conselho de Segurança abordou a questão das minorias no Médio Oriente, em particular dos cristãos e de outros grupos que se encontram em maior risco. Diria portanto que isto parece ser o início de uma mudança de atitude, em que se referem explicitamente os cristãos, que se encontram expostos a uma violação radical dos seus direitos, no contexto da complexidade política e militar que vemos no Médio Oriente.
A novidade parece-me estar no facto de que alguns muçulmanos, por exemplo o Secretário Geral da Organização para a Cooperação Islâmica, exprimiram-se em termos bastante fortes para condenar esta perseguição de cristãos inocentes e para defender o seu direito, não só a não serem mortos e a serem respeitados no seu próprio ambiente, mas também a viver na própria casa, como todos os outros cidadãos do Iraque (por exemplo) ou da Síria. Um Médio Oriente sem cristãos seria um empobrecimento, não só porque a Igreja estaria ausente, mas também para o próprio Islão, ao qual viria a faltar o estímulo à democracia e a um sentido de diálogo com o resto do mundo.

07 agosto, 2014

Veemente apelo do Papa Francisco em favor dos cristãos perseguidos no Iraque

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(RV) Os cristãos estão em fuga do Iraque. Os jihadistas do auto-proclamado ‘califado islâmico’ expulsam das cidades conquistadas quem não se converte ao Islão. Desesperada a situação dos refugiados. “O Santo Padre acompanha com viva preocupação as dramáticas notícias que chegam do norte do Iraque sobre uma população indefesa. Particularmente atingidas as comunidades cristãs: é um povo em fuga dos próprios povoados devido à violência que nestes dias está assolando e conturbando a região” - palavras do Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, ao referir-se na manhã desta quinta-feira à reação do Papa Francisco às últimas notícias que chegam da Planície de Nínive.
O Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Cardeal Fernando Filoni, declarou à Agência Fides que “os cristãos tiveram que abandonar tudo e foram forçados a seguir, mesmo descalços, em direção ao Curdistão. A situação – continua o Cardeal – é desesperante, pois em Irbil, capital do Curdistão, não existe a intenção de acolhê-los, porque não sabem como hospedar estes milhares de pessoas”.
O Padre Lombardi recordou que no Angelus de 20 de julho o Santo Padre, com profunda dor, já se tinha referido à situação vivida pelos cristãos perseguidos, especialmente no Iraque. Foram estas as declarações do Padre Lombardi:

“À luz dos angustiantes acontecimentos, o Santo Padre renova a sua proximidade a todos os que estão atravessando esta dolorosa provação e une-se aos veementes apelos dos bispos locais, pedindo, juntamente com eles, pelas suas comunidades atribuladas, que surja incessante de toda a Igreja uma prece para invocar do Espírito Santo o dom da paz.”

“Sua Santidade dirige também o seu forte apelo à Comunidade Internacional, para que tome medidas que ponham um fim ao drama humanitário em curso, e aja para proteger quem sofre violências e para assegurar as ajudas necessárias, sobretudo, àqueles mais urgentes, e a tantos os desalojados, cuja sorte depende da solidariedade dos outros.”


O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, recordou mais uma vez as palavras pronunciadas pelo Papa Francisco no Angelus de 20 de julho, quando fez um apelo à consciência de todos: “que o Deus da paz suscite em todos um autêntico desejo de diálogo e de reconciliação. A violência não se vence com a violência. A violência vence-se com a paz! Rezemos em silêncio, pedindo a paz; todos, em silêncio….Maria Rainha da Paz, roga por nós!”. (JE / RS)

Seguir Jesus nas bem-aventuranças – o Papa Francisco na audiência geral

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(RV) Esta audiência geral do Papa Francisco teve lugar na Aula Paolo VI devido ao forte calor que se fazia sentir em Roma na manhã deste dia 6 de agosto. Grandíssimo entusiasmo dos oito mil peregrinos ali presentes. Contudo, foram muitos os que seguiram este encontro com o Santo Padre na Praça de S. Pedro através dos grandes ecrâns ali instalados. Tema da catequese: a Igreja, como já tinha sido iniciado em junho pelo Santo Padre. Hoje em particular o Papa apresentou a novidade deste novo povo que se funda na nova aliança estabelecida por Jesus com o dom da sua vida.

Desde logo, uma figura muito significativa que faz a passagem entre o Antigo e o Novo Testamento – João Batista:

“Como precursor e testemunha, João Batista tem um papel central na Escritura, pois faz a ponte entre a promessa do Antigo Testamento e o cumprimento, entre as profecias e a sua realização em Jesus Cristo.”


E o Papa Francisco acentuou o concreto do testemunho de João Batista:

“Com o seu testemunho João indica-nos Jesus, convida-nos a segui-Lo e diz-nos, sem meios termos, que isso pede humildade, arrependimento e conversão.”

O Santo Padre explicou ainda que como Moisés tinha estipulado a aliança com Deus por força da lei recebida no Sinai, assim Jesus, de uma colina na Galileia, entrega aos seus discípulos e à multidão um ensinamento novo que começa com as bem-aventuranças. E a este ponto da catequese o Papa Francisco convidou os peregrinos a repetirem consigo as bem-aventuranças para que fiquem impressas no nosso coração:

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados sereis, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós por Minha causa.
Alegrai-vos e exultai, porque grande será vossa recompensa nos Céus.”

O Papa Francisco pediu a todos os presentes que leiam o Evangelho nos próximos dias, nomeadamente as bem-aventuranças.

O Papa Francisco referiu-se ainda ao facto de que Jesus também nos deixou o critério pelo qual seremos julgados. Estaremos com Ele na vida eterna se formos capazes, durante a nossa vida terrena, de reconhecê-lo no pobre, no indigente, no marginalizado, no doente e no sofredor. E tudo isso podemos ler no capítulo 25 do Evangelho de S. Mateus como disse o Papa Francisco convidando todos a relerem e refletirem sobre essa passagem do Evangelho nos próximos dias.

Durante as saudações o Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em particular aos brasileiros de Rio Grande da Serra. Queridos amigos, sois chamados a ser testemunhas do Evangelho no mundo, transfigurados pela alegria e pela graça misericordiosa de Deus. Desça sobre vós e sobre as vossas famílias a bênção de Deus. “

Aquando da saudação aos peregrinos de língua árabe o Papa Francisco pediu para que se reze tanto pela paz no Médio Oriente.

Na saudação aos peregrinos de língua italiana o Papa Francisco exprimiu a sua proximidade às populações da província chinesa de Yunnan, atingidas no domingo passado por um terramoto:

“Exprimo a minha proximidade às populações da província chinesa de Yunnan, atingidas no domingo passado por um terramoto que provocou numerosas vitimas e grandes danos. Rezo pelos defuntos e pelos seus familiares, pelos feridos e por quantos perderam a casa. O Senhor dê conforto, esperança e solidariedade na provação.”

O Santo Padre recordou ainda o Papa Paulo VI neste dia 6 de agosto em que ocorre o 36º aniversário da sua morte.

O Papa Francisco a todos deu a sua benção! (RS)

Na audiência geral o Papa pediu orações pelo Médio Oriente e solidariedade com a China

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(RV) Na audiência geral desta quarta-feira, dia 6 de agosto o Papa Francisco lançou mais um apelo para a oração pela paz no Médio Oriente, neste dia especialmente dedicado à oração pela paz no Iraque.

Na saudação aos peregrinos de língua italiana o Papa Francisco exprimiu a sua proximidade às populações da província chinesa de Yunnan, atingidas no domingo passado por um terramoto:

“Exprimo a minha proximidade às populações da província chinesa de Yunnan, atingidas no domingo passado por um terramoto que provocou numerosas vitimas e grandes danos. Rezo pelos defuntos e pelos seus familiares, pelos feridos e por quantos perderam a casa. O Senhor dê conforto, esperança e solidariedade na provação.” (RS)

“A família, centro de amor onde ninguém é descartado“ – Papa na mensagem ao I Congresso Latino-americano


(RV) A família é um “centro de amor” onde “ninguém é descartado”. Foi o que afirmou o Papa Francisco na mensagem enviada ao I Congresso Latino-americano da Pastoral Familiar, que tem lugar no Panamá de 4 a 9 de agosto. Organizado pelo Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), o encontro tem como tema “Família e desenvolvimento social para a vida plena e a comunhão missionária”. A mensagem foi lida na abertura do Congresso pelo Bispo de Santa Rosa, Argentina, Dom Raúl Martín, Presidente do Departamento para a Família, a Vida e a Juventude do CELAM.

O Papa Francisco iniciou a sua mensagem com a pergunta “O que é a família?”, à qual respondeu: “é um centro de amor” onde “reina a lei do respeito e da comunhão”, capaz de resistir às “manipulações mundanas”. A família – acrescentou o Papa - é aquilo que permite superar “a falsa oposição entre indivíduo e sociedade; no seio dela “ninguém é descartado” e todos – idosos e crianças – encontram acolhimento. E é na família que nasce “a cultura do encontro e do diálogo, a abertura à solidariedade e à transcendência”.

O Papa ressaltou ainda que a “estabilidade e a fecundidade” são duas características primordiais do núcleo familiar, ambiente onde se aprende “as relações baseadas no amor fiel até a morte, como o matrimónio, a paternidade, a filiação ou a fraternidade”. Quando estas relações formam o tecido basilar de uma sociedade humana” – reitera o Papa Francisco - conferem a ela “coesão e consistência”, oferecem ao homem “segurança no abrir-se ao outro”. Mas adverte, que “não é possível fazer parte de um povo, sentir-se próximo, ter consciência dos mais afastados e prejudicados, se no coração do homem foram infringidas estas relações basilares”.

O Papa Francisco explica em seguida que o amor familiar é fecundo não somente porque gera nova vida, “mas porque alarga os horizontes da existência, gera um mundo novo, nos faz acreditar, contra todos os desesperos e as derrotas, que uma convivência baseada no respeito e na confiança é possível”. “Diante de uma visão materialista do mundo – acrescenta - a família não reduz o homem ao estéril utilitarismo, mas encarna os seus desejos mais profundos”.

Ao observar que o “homem cresce também na sua abertura a Deus como Pai” com base na experiência do amor familiar, o Papa cita o Documento de Aparecida quando indica “que a família não deve ser considerada somente como objeto de evangelização, mas também agente de evangelização”, pois “nesta se reflecte a imagem de Deus que, no seu mistério mais profundo é uma família, e neste modo, permite ver o amor humano como sinal de presença do amor divino”. “Na família – diz o Papa Francisco – a fé se mistura com o leite materno”. O Santo Padre recordou então, que o gesto de pedir a bênção – conservado em muitos povos – “encerra em si a convicção bíblica que a bênção de Deus se transmite de pai para filho”.

Ao concluir, o Pontífice ressalta a importância de encorajar as família a “cultivar relações sãs entre os próprios membros”, onde se deve saber dizer uns aos outros “perdão, obrigado e por favor”, e dirigir-se a Deus com o bonito nome de “Pai”
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06 agosto, 2014

Papa aos acólitos alemães: Deus quer pessoas livres; não usem mal a liberdade

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(RV) Num clima de festa, mais de 50 mil acólitos de língua alemã encontraram-se com o Papa Francisco no final da tarde desta terça-feira, na Praça S. Pedro. Presentes em Roma no âmbito da Peregrinação Nacional com o lema: “Livres! Porque é lícito fazer o bem!” os jovens acólitos alemães celebraram as Vésperas com o Santo Padre. Na sua homilia pronunciada em alemão o Papa Francisco disse que o Senhor quer pessoas livres. Através de Jesus “podemos entender aquilo que Deus verdadeiramente quer”:

“Ele quer pessoas humanas livres, porque se sentem protegidas como filhos de um bom Pai. Para realizar este desenho, Deus tem necessidade apenas de uma pessoa humana. Tem necessidade de uma mulher, uma mãe, que coloque no mundo o Filho. Ela é a Virgem Maria, que honramos com esta celebração vespertina. Maria foi totalmente livre. Na sua liberdade disse sim.”

Após a homilia, o Papa Francisco deu algumas respostas a perguntas colocadas por estes jovens acólitos. Selecionamos duas dessas respostas. Na primeira o Santo Padre acentuou que o "mundo precisa de pessoas que testemunhem aos outros que Deus nos ama". Não basta "colocar-se ao serviço do bem comum”:

"Nós, discípulos do Senhor, temos uma missão a mais: a de sermos 'canais' que transmitem o amor de Jesus. E nessa missão, vós, adolescentes e jovens, tendes um papel particular. Vós sois chamados a falar sobre Jesus aos vossos colegas, não somente no seio da comunidade paroquial ou da associação, mas sobretudo aos de fora. Este é um compromisso reservado especialmente a vós, porque com a vossa coragem, entusiasmo, espontaneidade e facilidade para o encontro podeis chegar mais facilmente à mente e ao coração daqueles que se distanciaram do Senhor."

Numa outra resposta o Papa Francisco afirmou que “muitos adolescentes da vossa idade têm uma imensa necessidade de alguém que com a própria vida lhes diga que Jesus nos ama”:

"Mas para falar aos outros de Jesus é preciso conhecê-lo e amá-lo, fazer experiência d'Ele na oração, na escuta da sua Palavra. Nisso vocês são facilitados pelo serviço litúrgico que prestam, que vos permite estar próximo de Jesus Palavra e Pão da vida. Dou-lhes um conselho: o Evangelho que ouvis na liturgia, releiam-no pessoalmente, em silêncio, e apliquem-no à vossa vida; e com o amor de Cristo, recebido na Santa Comunhão, você podem colocá-lo em prática. O Senhor chama cada um de vós a trabalhar no seu campo; chama-vos a serdes alegres protagonistas da sua Igreja, prontos a comunicar aos vossos amigos aquilo que Ele vos comunicou, especialmente a sua misericórdia."
No final o Papa Francisco exortou os jovens acólitos a não usarem mal a liberdade e a seguirem Jesus para assim encontrarem a alegria autêntica. (RS)

Oração pelos Cristãos do Iraque – as palavras do Patriarca Caldeu Louis Raphael Sako

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(RV)
O Dia de Oração pelos Cristãos do Iraque que estamos a viver nesta quarta-feira foi lançado pela organização da “Ajuda à Igreja que sofre” e pelo Patriarca Caldeu D. Louis Raphael Sako que prestou declarações à Rádio Vaticano. Ouçamos um excerto da entrevista que o Patriarca Sako deu à nossa colega da RV Benedetta Capelli:

“Nós acreditamos verdadeiramente muito na oração, na solidariedade, na fraternidade porque a situação é muito grave. Ontem em Sinjar mataram 70 yazidi. A Isis apanhou as muheres, os cristãos escaparam, graças a Deus, para as montanhas. Também ontem, durante a tarde foi bombardeada a vila de Tul Kef a norte de Mosul, ao mesmo tempo que um grupo de jovens juntamente com um padre escapavam. Mataram um cristão. Portanto, há anarquia um pouco por todo o lado. Nós hoje somos um alvo, porque somos cristãos, mas existem também outros alvos.” (RS)

05 agosto, 2014

Papa reza com 50 mil acólitos de língua alemã. Tema da peregrinação: livres para fazer o bem


(RV) A Praça de São Pedro encontra-se já repleta com dezenas de milhares de acólitos de língua alemã - provenientes da Alemanha, Áustria, Suíça - vindos nestes dias a Roma, em peregrinação, sob o lema "Livres! Porque é lícito fazer o bem".

O encontro tem lugar a partir das 16.15 (hora de Roma). Pelas 18 horas chegará também o Santo Padre. às 18.30, serão celebradas Vésperas, com uma breve homilia do Papa.
Seguidamente, após uma saudação do Presidente da Conferência Episcopal Alemã, o Papa Francisco responderá a quatro perguntas formuladas por estes jovens.

Sobre o significado desta peregrinação, a Rádio Vaticano ouviu Dom Michael Gerber, Bispo Auxiliar de Friburgo:

- Para nós, esta peregrinação é muito importante. Por exemplo, da minha diocese estão em Roma 10 mil acólitos, com idades de 14 a 22 anos. Para muitos deles, é uma oportunidade para aprofundar a sua fé e fazer a escolha de ser Igreja, e de servir a Igreja. Em Roma, Têm ocasião de ver que são muitos e que fazem parte de algo muito maior: eles fazem parte da Igreja presente em todo o mundo. Isto significa que, em muitos deles se poderá verificar uma mudança no coração, que poderá levá-los, no futuro, a continuar o seu serviço na Igreja também como adultos.
Falando sobre o tema da peregrinação: “Livres! Porque é lícito fazer o bem” o prelado disse que o mesmo significa que Deus nos deu a liberdade, a sua liberdade, com Jesus Cristo, e que esta liberdade nos torna livres para fazermos o bem, como Cristo fez.

Foto final: logo desta peregrinação

Regressam as audiências gerais do Papa Francisco na Praça de S. Pedro. Ouça e veja na RV


(RV) Nesta quarta-feira, dia 6 de agosto regressam as audiências gerais do Papa Francisco na Praça de S. Pedro após a pausa de julho. A redação de língua portuguesa da Rádio Vaticano aqui estará para vos trazer todas as informações atualizadas.
Recordemos que a última audiência geral do Santo Padre, antes desta pausa de verão, foi no dia 25 de junho tendo o Papa Francisco continuado a desenvolver na sua catequese o tema: a Igreja. Nessa audiência o Papa disse que: “Ninguém se torna cristão por si mesmo” e afirmou que ser cristão é pertencer à Igreja.

O Santo Padre, logo no início da sua intervenção, nessa quarta feira, 25 de junho, lançou a ideia fundamental da sua catequese deixando claro que “não estamos isolados, nem somos cristãos por conta própria.” Quando afirmamos que somos cristãos estamos a dizer que pertencemos à Igreja.

“A nossa identidade é pertença.”

Se acreditamos, se sabemos rezar, se conhecemos o Senhor e O reconhecemos nos nossos irmãos é porque outros, antes de nós, viveram a fé e no-la transmitiram e ensinaram – afirmou o Papa Francisco recordando todos aqueles que nas nossas famílias e nas comunidades nos transmitiram a fé.

“Ninguém se torna cristão por si mesmo. “

A Igreja é uma grande família – continuou o Santo Padre – na qual uma pessoa é acolhida e aprende a viver como crente, como discípulo de Jesus. Como disse o Papa nesta audiência o caminho da fé vive-se “… não apenas graças a outras pessoas, mas unidos a outras pessoas.”

Segundo o Papa Francisco, por vezes, ouve-se dizer: «Eu creio em Deus, creio em Jesus, mas a Igreja não me interessa…». Estas pessoas creem que podem ter uma relação pessoal, direta, imediata com Jesus Cristo, fora da comunhão e da mediação da Igreja – sublinhou o Santo Padre. Não se pode amar a Deus sem amar os irmãos, não se pode estar em comunhão com Deus sem estar em comunhão com a Igreja e só podemos ser bons cristãos unidos a todos aqueles que procuram seguir Jesus, formando um só povo, um único corpo.

“E isto significa pertencer à Igreja.”

As audiências gerais recomeçam nesta quarta-feira dia 6, sendo que na próxima quarta-feira dia 13 não haverá audiência geral devido à Viagem Apostólica do Papa Francisco à Coreia do Sul. (RS)

04 agosto, 2014

Cardeal Maradiaga pede solidariedade com quem tem fome


(RV) “Que lástima ver pessoas que acumulam bens e não os desfrutam porque têm origem ilícita, enquanto outros irmãos não têm o que comer em Honduras”, assinalou o Cardeal Óscar Andrés Rodríguez na homilia dominical, celebrada na Catedral San Miguel Arcángel de Tegucigalpa.

O cardeal também elogiou as pessoas que solidarizaram com os moradores do sul do país, que estão a padecer pela fome e a escassez de grãos básicos devido à seca que afeta quase todo o território nacional.

Referiu ainda que aqueles que participaram de correntes em favor desta causa contribuíram para amortizar a fome dos seus compatriotas. “Ninguém é tão pobre que não possa compartilhar, e ninguém é tão rico que não precise de nada”, recordou o arcebispo. Dom Maradiaga completou dizendo que “quando não queremos partilhar surgem as maiores e mais tremendas desigualdades”.

“Nos últimos dias, lemos notícias de pessoas às quais são atribuídas verbas de origem ilícita que nunca serão desfrutadas porque passarão o resto dos seus dias na cadeia. Para que ganhar todo o mundo e perder a alma?”, questionou.

Papa Francisco aos Escuteiros: “o encontro com Deus vence todos os medos”


(RV) Rezai pela paz na Europa e não tenhais medo de defender os valores cristãos. É o convite que o Papa faz aos Escuteiros europeus numa mensagem publicada neste domingo, por ocasião do quarto encontro internacional – Eurojamboree – que até o próximo dia 10 de agosto reunirá 12 mil Escuteiros na região francesa da Normandia. A 100 anos da eclosão da Primeira Guerra Mundial e a 70 do desembarque das forças aliadas na Normandia, o Papa Francisco escreve: vós sois os protagonistas deste mundo.

“Para conhecer Jesus é necessário caminhar e, percorrendo a estrada, descobre-se que Deus se faz encontrar em diversas formas: por meio da beleza da Criação, quando com amor intervém na nossa história, nas relações fraternas e de serviço que temos com o próximo”. Com a sua mensagem, o Papa Francisco confia aos Escuteiros europeus uma importante missão, nos passos das três etapas pelo pontífice indicadas a eles no Rio de Janeiro: ide, sem medo, para servir. Convida também a todos, fortificados pelo encontro com Deus por meio dos Sacramentos e amparados pelo Seu amor que vence todos os medos, “a anunciar o seu amor até as extremidades da Terra e a servir o próximo nas periferias mais remotas”.

Tantas são as gerações – reconhece o Papa – que devem à pedagogia do Escutismo “o seu crescimento no caminho da santidade, a prática das virtudes e, em particular, a grandeza da alma”. Para isso, ao recordar o centenário do início da Primeira Guerra Mundial, o Papa Francisco convida-os a rezar por uma Europa unida e em paz, porque – diz o Papa – “vós sois os verdadeiros protagonistas deste mundo e não somente espectadores”.

No fim da mensagem, encoraja todos a não terem medo de enfrentar os desafios que implicam a defesa dos valores cristãos, em particular a defesa da vida, o desenvolvimento, a dignidade da pessoa humana, a luta contra a pobreza, e os tantos outros desafios que se devem encarar todos os dias.

Em cada momento quando o caminho se fizer mais difícil, conclui o Papa, estará ali o amor e o auxílio da Igreja que é mãe para vos ajudar, vós que sois chamados a amar e servir com a alegria e a generosidade próprias da juventude

03 agosto, 2014

Compaixão, partilha, Eucaristia: a mensagem do Evangelho - multiplicação dos pães - deste domingo


(RV) “Compaixão, partilha, Eucaristia: este o caminho que Jesus nos indica neste Evangelho” – sublinhou o Papa Francisco, neste domingo ao meio-dia, na Praça de São Pedro, comentando a liturgia deste dia, com o episódio da multiplicação dos pães, segundo São Mateus…

“Perante a multidão que o assedia e – por assim dizer – não o deixa em paz, Jesus não reage com irritação, mas sente compaixão… Ele sabe que as pessoas não o procuram por curiosidade, mas por necessidade… Jesus ensina-nos a colocar as necessidades dos pobres acima das nossas. As nossas exigências, embora legítimas, nunca serão tão urgentes como as dos pobres, que não têm o necessário para viver”.

No que diz respeito à partilha, “é útil confrontar a reacção dos discípulos perante aquelas pessoas cansadas e cheias de fome com a de Jesus”...
“Duas reações diferentes, que reflectem duas lógicas opostas. Jesus raciocina segundo a lógica de Deus, que é a da partilha”.
Se tivesse mandado embora as pessoas, muitos teriam ficado sem comer… Assim, aqueles poucos pães e peixes, partilhados e abençoados por Deus, bastaram para toda a gente… Mas não se trata de magia!
“Atenção: não é magia, é um sinal! Um sinal que convida a ter fé em Deus, Pai providente, que não nos deixa faltar o pão nosso de cada dia, se o soubermos partilhar como irmãos!”

Finalmente, a terceira mensagem deste Evangelho, segundo o Papa Francisco, é que este prodígio dos pães preanuncia a Eucaristia, como se vê desde logo no gesto de Jesus, que “recitou a bênção” antes de partir o pão e o distribuir pela multidão. É o mesmo gesto que Jesus faz na Última Ceia, quando instituir o memorial perpétuo do seu Sacrifício redentor. Na Eucaristia Jesus… dá o pão da vida eterna, dá-se a Si mesmo, oferecendo-se ao Pai por nosso amor.

Recapitulando, o Papa recordou de novo que “partilha – comunhão – Eucaristia” constitui o caminho que Jesus nos indica neste Evangelho: caminho que nos leva a enfrentar com fraternidade as necessidades deste mundo, mas nos conduz para além deste mundo…

02 agosto, 2014

Papa encontrou familiares do P. Dall’Oglio, jesuíta sequestrado na Síria


(RV) Na quinta-feira, 31 de julho, o Papa Francisco almoçou na Cúria Geral da Companhia de Jesus, por ocasião da festa de Santo Inácio de Loyola, fundador da Ordem. Segundo a Cúria, tratou-se de uma visita privada e simples. O Papa almoçou ali e depois, na sala do café, conversou "amavelmente, cumprimentando a todos".

Foi nessa ocasião que o Papa Francisco saudou os sete irmãos e irmãs do jesuíta P. Paolo Dall'Oglio, sequestrado há um ano atrás na Síria e que também estavam nesse almoço. O Santo Padre dirigiu-lhes palavras de apreço e conforto. Também estava presente o grupo de estudantes dos Jesuítas Europeus em Formação (EJIF), que nestas semanas realizam o seu congresso anual na Cúria Geral.

No ano passado, na sua primeira Festa de Santo Inácio após a sua eleição para a Cadeira de Pedro, o Santo Padre presidiu à Missa na Igreja de Jesus, no centro de Roma. Na sua homilia naquela ocasião em 2013, o Papa exortou os seus irmãos jesuítas “a colocarem Jesus no centro das suas vidas e não na sua própria pessoa”, e dirigiu o seu pensamento ao P. Dall’Oglio sequestrado na Síria, recordando: “Os jesuítas são chamados, em diversos modos, a dar a sua vida pelos outros, como fizeram S. Francisco Xavier e o Padre Pedro Arrupe”. (BF/RS)

01 agosto, 2014

Visita às Filipinas 2015: Papa Francisco próximo de um povo sofrido – o comentário do Cardeal Tagle

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(RV) Faltam pouco mais de dez dias para a Viagem Apostólica do Papa Francisco à Coreia de Sul. Mas esta semana foram notícia outros dois países asiáticos que já se estão a preparar para acolher o Sucessor de Pedro: são eles o Sri Lanka e as Filipinas. No próximo mês de janeiro o Santo Padre visitará as Filipinas. O arcebispo de Manila Cardeal Luis Antonio Tagle prestou declarações à Rádio Vaticano em entrevista conduzida pela nossa colega do programa inglês Emmer McCarthy. Ouçamos as palavras do Cardeal Tagle:

“ O povo filipino ama o Santo Padre e o anúncio da sua viagem à Ásia, em particular às Filipinas, no próximo ano, deu-nos tanta alegria, e foi uma coisa maravilhosa. Os não católicos, os mass media, a televisão, a rádio, todos os filipinos, falam sempre do próximo janeiro como de um mês de graça. E há também uma outra razão: a 14 de janeiro de 1995, o Papa João Paulo II veio às Filipinas, para a Jornada da Juventude. No próximo ano, o Papa Francisco chegará a 15 de janeiro, 20 anos depois. A gente filipina verá de novo um Vigário de Cristo, na pessoa do Papa Francisco.”

“... um povo sofrido, que se encontra num processo de reconstrução da vida: não só das casas, das escolas, mas especialmente da vida. O sofrimento continua, mas a proximidade de todos os povos de boa vontade é extraordinária e é uma razão para termos esperança e força de continuar. A proximidade do Santo Padre acontece, contudo, num modo especial, porque há um ano atrás o Papa benzeu o mosaico de S. Pedro Calungsod, na Basílica de S. Pedro, depois de um tufão e lançou uma mensagem ao povo em sofrimento das Filipinas; “Não vos canseis de perguntar: Porquê? Porquê?” A palavra usada pelas crianças com o pai e a mãe. No sofrimento o povo deve perguntar-se porquê?, para chamar a si a atenção e os olhos de Deus Pai. E esta é a mensagem tocante para as Filipinas.”

O Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de imprensa da Santa Sé apresentará mais informações à comunicação social em conferência de imprensa na manhã da próxima quinta-feira, 7 de agosto pelas 11.30h acerca desta visita do Papa Francisco ao Sri Lanka e às Filipinas que acontecerá entre os dias 12 e 19 de janeiro de 2015. (RS)

Visita do Papa à Albânia – as declarações de D. Rrok Mirdita, Arcebispo de Tirana

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(RV) A Sala de Imprensa da Santa Sé publicou nesta quinta-feira, dia 31 de julho o programa da Viagem Apostólica que o Papa Francisco fará à Albânia no próximo dia 21 de setembro A esse propósito, o nosso colega do Programa Albanês, Marjan Paloka, entrevistou o arcebispo de Tirana, D. Rrok Mirdita, a quem perguntou com que sentimento a Igreja na Albânia aguarda este encontro com o Papa Francisco. Ouçamos as suas declarações:

"Com sentimentos de gratidão. A nossa Igreja é bem radicada no território e permaneceu profundamente unida ao povo, ao longo de todo o curso da história e, sendo uma Igreja pequena, sempre olhou para Roma com afeto, vivendo assim a sua vocação à catolicidade. Foi através da comunhão com o Sucessor de Pedro e a fidelidade a ele que o nosso povo viveu a pertença à Igreja universal, inclusive nos momentos em que o Sucessor de Pedro e a Igreja universal eram considerados inimigos na pátria. Penso na longa perseguição religiosa sob o regime comunista, mas também em outros momentos do passado. Agora é o Sucessor de Pedro que olha para nós e vem encontrar-nos, para confirmar-nos na fé e para fazer homenagem ao martírio e ao sofrimento dos católicos, mas não só. A Igreja na Albânia espera-o com alegria e afeto, mas também as outras religiões e não-fiéis têm grande estima e apreço por ele."

Na Albânia, a perseguição ateia reforçou a comunhão entre as religiões. Recordamos que as quatro comunidades religiosas principais: muçulmanos sunitas, ortodoxos, católicos e muçulmanos bektashi convivem de modo pacífico. A este propósito D. Mirdita considera que a Albânia oferece um modelo exemplar de convivência pacífica entre as religiões:

"Após a queda do comunismo havia quem defendesse a hipótese de que com a liberdade de religião surgiriam tensões inter-religiosas, mas não houve nada disso. A Albânia oferece um modelo exemplar de convivência pacífica. Não digo que se tenha chegado a essa harmonia sem sacrifício, mas os sacrifícios feitos ao longo da história deram frutos de paz, dos quais hoje desfrutam todos os cidadãos no país. Os albaneses aprenderam, ao longo dos séculos, que se pode ser plenamente fiéis à própria religião no pleno respeito da religião dos outros. Não se pode agradar a Deus violando os direitos dos irmãos, mas pode-se honrar a Deus, também em público, sem com isso invadir o espaço dos outros. Portanto, o Papa Francisco encontrará na Albânia um modelo exemplar de convivência pacífica entre as religiões."

Passaram-se 21 anos desde a visita do Papa João Paulo II: como a Igreja e a sociedade albanesa mudaram, desde então?

"A visita de S. João Paulo II foi como uma carícia no corpo atormentado da igreja martirizada. Foi um dia de luz para toda a nação. Ele reconstituiu a hierarquia eclesiástica e consagrou os primeiros quatro bispos. Através daquela invocação ao Espírito Santo para a consagração dos bispos, um dos quais era eu, todo o corpo eclesial foi reanimado. Durante estas duas décadas a Igreja mudou muito. Temos um clero autóctone, religiosos e religiosas albaneses que auxiliam muitos missionários que trabalharam com generosidade, mas que aos poucos passam o bastão às novas gerações albanesas. Temos leigos engajados na Igreja e na sociedade. Prestamos, como Igreja, muitos serviços no campo social, mas corremos também o risco de nos tornarmos numa Igreja estática, sedentária. Agora, a visita do Papa Francisco traz nova frescura, mexe com as nossas comodidades e faz-nos reviver a permanente novidade do Evangelho. Também a sociedade mudou muito, mas alguns desafios permanecem os mesmos, como a corrupção, pobreza, desemprego, criminalidade organizada e a justiça."

A visita a Tirana será a primeira viagem apostólica do Papa Francisco no continente europeu. Nesse caso, pode-se dizer que o Papa começa de uma periferia da Europa?

"Se se entende por centro o bem-estar material, sim, a Albânia é uma periferia da Europa, mas o nosso país é rico de outros valores. Temos a população mais jovem do continente – apesar dos fluxos migratórios, temos uma família ainda forte, na qual os anciãos são respeitados, ouvidos e são bem tratados. Temos a preciosa convivência pacífica entre as religiões e, apesar do trauma da ditadura e do grande sofrimento do passado recente, não caímos na cilada de uma nova luta entre classes e mantivemos a paz social. Então pode-se dizer que o Papa Francisco entra no continente europeu através do encontro com um povo que não é abastado, que sofreu muito, mas que também tem muito a dar à Europa." (RL/RS)