12 janeiro, 2014

BATISMO DE JESUS





Promulgação do Reino

Após as festas do Natal, em que celebramos o Mistério da infância de Jesus, a Liturgia introduz-nos no mistério da sua vida pública.
No BATISMO DE JESUS, nas margens do Rio Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens.
A 1ª Leitura anuncia um misterioso "Servo" escolhido por Deus e enviado aos homens com a missão de instaurar um mundo de justiça e de paz.
Com o Espírito de Deus, ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade. (Is 42,1-4.6-7)
Na 2ª Leitura Pedro reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projeto de salvação:
Ele "passou pelo mundo fazendo o bem" e libertando os oprimidos.
Essa é também a Missão fundamental dos discípulos. (At 10,34-38)
No Evangelho, temos a realização da promessa profética:
Jesus é o "Servo" enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito, e cuja missão é realizar a libertação dos homens. (Mt 3,13-17)
+ Jesus precisava de receber o Batismo?
   É claro que não. João até não queria batizar Jesus.
- Que sentido faz então Jesus se apresentar a João para receber este "batismo" de purificação, de arrependimento e de perdão dos pecados?
Para Mateus, o Batismo é um momento importante, em que Jesus manifesta a sua IDENTIDADE e a sua MISSÃO:
- Jesus é SOLIDÁRIO com o Homem limitado e pecador.
  Coloca-se ao lado dos pecadores para percorrer com eles o caminho que conduz à liberdade.
- Jesus é o "FILHO AMADO" enviado pelo Pai ao mundo para cumprir um projeto de libertação em favor dos homens.
- Jesus é o NOVO LIBERTADOR:
  O batismo de Jesus no Jordão recorda a passagem do Mar Vermelho e estabelece um novo paralelo entre Jesus e Moisés…
  Jesus é o novo Moisés, revestido do Espírito de Deus, para conduzir o seu Povo da terra da escravidão para a terra da liberdade.
- Jesus é o MESSIAS ESPERADO:
  João reconhece ser apenas o precursor do Messias esperado.
Para aprofundar a Identidade e a Missão de Jesus, Mateus recorre a três elementos simbólicos muito expressivos:
Os céus abertos, o Espírito que desce em forma de pomba e a Voz do céu:
- "Os céus se abriram...":
  Deus encerrou o seu silêncio...
  abriu o seu coração e voltou a ser amigo dos homens:
  É o momento da reconciliação entre o céu e a terra, entre Deus e os homens...
- "O Espírito Santo desceu sob a forma de Pomba":
   Relembra o Espírito de Deus que na Criação pairava sobre as águas...
   Lembra também o Dilúvio... quando o céu estava fechado, e a pomba com o ramo de oliveira foi o sinal de que a paz havia sido restabelecida...
- "Ouviu-se uma voz do céu...":
  Há 300 anos o povo não ouvia a voz de Deus pelos profetas...
  Ao enviar o Espírito sobre Jesus, Deus quer mostrar que voltou a falar com os homens...
  * Jesus é confirmado pelo Espírito Santo e pelo Pai.
+ O Batismo de João, que Jesus recebeu, não é a mesma coisa do Batismo que Jesus instituiu e mandou os apóstolos realizarem...
   O de João era apenas um rito penitencial... de purificação, para os que aceitavam preparar-se para a vinda do Messias.
   Era apenas antecipação do Batismo cristão, na "água e no Espírito".
+ O Batismo de Jesus:
   - É um SACRAMENTO instituído por Cristo e realizado hoje pela Igreja.
- Lava a mancha do pecado original...
- Dá uma Vida Nova...
- Nos torna membros do Povo de Deus e da Igreja....
  Filhos de Deus e herdeiros do céu.
   - É um Sinal sensível e eficaz da Graça...
   - É uma Presença especial de Deus em momentos importantes de nossa vida.
      + O BATISMO é o começo
     de uma caminhada como seguidores de Cristo e nos compromete a servir Deus com fidelidade, como membros vivos e atuantes no Povo de Deus.

Continuemos a nossa celebração:
- agradecendo o grande dom do nosso Batismo...
- e pedindo forças para sermos fiéis a esse COMPROMISSO assumido

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 12.01.2014
Fonte: "Buscando Novas águas"

11 janeiro, 2014

50 anos de colaboração cultural com as Igrejas Ortodoxas evocados pelo Papa Francisco

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(RV) Faz agora 50 anos que, ainda antes da conclusão do Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI instituiu uma Comissão Católica para a Colaboração Cultural com as Igrejas Ortodoxas e as Igrejas Ortodoxas Orientais – sob a responsabilidade do Conselho Pontifício para Promoção da Unidade dos Cristãos. Este aniversário foi recordado neste sábado de manhã pelo Papa Francisco, ao receber os membros desta Comissão, liderados pelo cardeal Kurt Koch, responsável por aquele dicastério do Vaticano, e acompanhados por um grupo de benfeitores da instituição (foto).

“O caminho de reconciliação e de renovada fraternidade entre as Igrejas, admiravelmente marcado pelo primeiro histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca ecuménico Atenágoras, tinha necessidade também de experiências de amizade e de partilha que nascessem do conhecimento recíproco entre expoentes das diversas Igrejas e em particular entre os jovens orientados para o sagrado ministério”.

Foi assim que, por iniciativa da Secção Oriental do então Secretariado para a promoção da unidade dos cristãos – explicou o Papa Francisco – surgiu esta Comissão, que ainda hoje, como já então, graças ao contributo de generosos benfeitores, distribuiu bolsas de estudo a clérigos e leigos, provenientes das Igrejas Ortodoxas e das Igrejas Ortodoxas Orientais, que desejam completar os seus estudos teológicos em instituições académicas da Igreja Católica e apoia outros projectos de colaboração ecuménica. O Santo Padre agradeceu a todos os benfeitores e aos membros da Comissão pelo seu precioso contributo.

Ao longo destes 50 anos, foram centenas os jovens ortodoxos que puderam realizar estudos superiores nas Universidades Pontifícias de Roma e não só. Neste momento são 50 estes bolseiros que frequentam Institutos Superiores da Igreja em Roma e cinco no Instituto Católico de Paris. A Comissão financiou diversos projectos de colaboração, sobretudo na Rússia, Grécia, Ucrânia, Bielorrússia e Líbano.

10 janeiro, 2014

A fé é vitória – o Papa na missa desta sexta-feira exortou os cristãos a não se darem por vencidos e a confiarem em Deus


(RV) Na missa desta sexta-feira na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco desenvolveu a sua homilia a partir da passagem da Primeira Carta de S. João em que o Apóstolo insiste na expressão: “permanecer no Senhor”, para amar Deus e o próximo. Este permanecer no amor de Deus é obra do espírito Santo e da nossa fé e, segundo o Papa Francisco, produz um efeito concreto:
“Quem quer que permaneça em Deus, quem quer que tenha sido gerado por Deus, quem quer que permaneça no amor vence o mundo e a vitória é a nossa fé. Da nossa parte, a fé. Da parte de Deus – por este permanecer – o Espírito Santo, que faz esta obra de graça. Da nossa parte, a fé. É forte! E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé! A nossa fé pode tudo! É vitória! E seria belo que o repetíssemos, também nós, porque tantas vezes somos cristãos vencidos, que não acreditam nisto, que a fé é vitória; que não vivam esta fé, porque se não se vive esta fé, somos vencidos pelo mundo, o príncipe do mundo.”

“A fé é confessar Deus, mas o Deus que se nos revelou, desde o tempo dos nossos pais até hoje; o Deus da história. E isto é aquilo que nós todos os dias recitamos no Credo. E uma coisa é recitar o Credo com o coração, outra é fazê-lo como os papagaios, não é? Creio, creio em Deus, creio em Jesus Cristo, creio... Eu creio naquilo que digo? Esta profissão de fé é verdadeira ou digo-a de memória, porque se tem que dizer? Ou creio pela metade? Confessar a fé! Toda , não uma parte! Toda! E esta fé, guarda-la toda, como chegou até nós, pelo caminho da tradição: toda a fé! E como posso saber se confesso bem a fé? Há um sinal: quem confessa bem a fé, toda a fé, tem capacidade de adorar, adorar Deus.”

Nós sabemos fazer pedidos ao Senhor – afirmou o Santo Padre - mas, adorá-lo, louvá-lo é mais do que isso. Só quem tem uma fé forte é capaz da adoração é capaz de se confiar ao Senhor. Tal como fez S. Paulo num momento difícil da sua vida, também os homens e as mulheres devem confiar em Deus – concretizou ainda o Papa Francisco:

“ O homem ou a mulher que tem fé confia em Deus: confia! Paulo, num momento escuro da sua vida dizia: ‘Eu sei bem a quem me confiei’. A Deus! Ao Senhor Jesus! Confiar-se: e isto leva-nos à esperança. Assim como a confissão da fé nos leva à adoração e ao louvor de Deus, o confiarmo-nos a Deus leva-nos a uma atitude de esperança. Há tantos cristãos com uma esperança com demasiada água, não é forte: uma esperança débil. Porquê? Porque não têm a força e a coragem de confiar no Senhor. Mas se nós cristãos acreditamos confessando a nossa fé, e confiando-nos a Deus, ao Senhor, seremos cristãos vencedores. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé!” (RS)

09 janeiro, 2014

O amor cristão é concreto e generoso, não é como aquele das telenovelas – o Papa na missa desta quinta-feira

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(RV) Na missa desta quinta-feira na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco deixando-se guiar pelas palavras da Primeira Carta de João em que o Apóstolo insiste em repetir que: “Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós e o amor d’Ele é perfeito em nós”, o Santo Padre afirmou que ou amor é altruísta e solícito, que arregaça as mangas e olha para os pobres e prefere mais dar do que receber ou, então, não é um amor cristão. Porque se Deus está connosco nós temos que estar com Deus:

“Nós em Deus e Deus em nós: esta é a vida cristã. Não permanecer no espírito do mundo, não permanecer na superficialidade, não permanecer na idolatria, não permanecer na vaidade. Não, não. Permanecer no Senhor. E Ele corresponde-nos: Ele permanece em nós. Mas, antes é Ele que permanece em nós.”

“Olhai que o amor de que nos fala João não é o amor das telenovelas! Não, é outra coisa. O amor cristão tem sempre uma qualidade: o concreto. O amor cristão é concreto. O próprio Jesus, quando fala do amor, fala-nos de coisas concretas: dar de comer aos esfomeados, visitar os doentes e tantas coisas concretas. O amor é concreto. A consistência cristã. E quando não existe esta consistência, pode-se viver um cristianismo de ilusões, porque não se percebe bem onde está o centro da mensagem de Jesus. Não chega este amor a ser concreto: é um amor de ilusões, como estas ilusões que tinham os discípulos quando, olhando Jesus, pensavam que fosse um fantasma.”

O amor cristão é concreto – insistiu o Papa Francisco na sua homilia e apontou dois critérios objetivos: amar com as obras e o dar deve ser mais importante do que o receber:

“Primeiro critério: amar com as obras, não com as palavras. As palavras leva-as o vento! Hoje estão e amanhã já não estão. Segundo critério do concreto: no amor é mais importante dar do que receber. Aquele que ama dá... Dá coisas, dá vida, dá-se a Deus e aos outros. Ao contrário, quem não ama, quem é egoísta, sempre tenta receber, sempre tenta ter coisas, ter vantagens. Permanecer com o coração aberto, não como era aquele dos discípulos, que era fechado, que não percebiam nada: permanecer em Deus e Deus permanece em nós; permanecer no amor.” (RS)

08 janeiro, 2014

Despertar a memória do Batismo – o Papa na audiência geral iniciou um ciclo de catequeses sobre os sacramentos

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(RV) Após a pausa natalícia o Papa Francisco retomou na manhã desta quarta-feira as audiências gerais na Praça de São Pedro. O Santo Padre iniciou hoje um ciclo de catequeses sobre os sacramentos. Hoje falou-nos sobre o Batismo:

“O Batismo, juntamente com a Eucaristia e a Confirmação, forma a chamada «iniciação cristã», que nos configura com o Senhor Jesus e faz de nós um sinal vivo da sua presença e do seu amor.”

O Batismo é um dom concedido num contexto de solicitude e partilha fraterna – continuou o Santo Padre. Na verdade, não se trata de uma mera formalidade, mas, no Batismo, somos imersos naquela fonte inexaurível de vida que é a morte de Jesus, o maior ato de amor de toda a história; e, em virtude deste amor, podemos viver uma vida nova de comunhão com Deus e com os irmãos – afirmou ainda o Santo Padre. E foi neste momento da audiência que o Papa Francisco lançou um desafio a todos os fiéis presentes:

“Quem de vocês sabe o dia do seu Batismo? Levante a mão? São poucos, mas olhai que é importante.”

Permito-me de dar-vos um conselho, quando regressarem a casa procurem e perguntai a data do vosso batismo, para saberdes quando foi esse dia belo do Batismo”

“É na força do Batismo, com efeito, que, libertados do pecado original, somos introduzidos na relação de Jesus com Deus Pai; somos portadores de uma esperança nova, que nada nem ninguém pode apagar; somos capazes de perdoar e de amar mesmo quem nos ofende e nos faz mal; conseguimos reconhecer nos últimos e nos pobres o rosto do Senhor que nos visita e faz-se próximo.”

O Santo Padre recordou ainda que ninguém se batiza a si próprio, sendo portanto, necessário pedi-lo e desejá-lo pois é um dom que deve ser celebrado num contexto de solicitude e partilha fraterna.

“Peçamos ao Senhor que nos faça experimentar cada vez mais, na vida diária, a graça recebida no Batismo. Quando os outros se cruzarem connosco, possam encontrar verdadeiros filhos de Deus, verdadeiros irmãos e irmãs de Jesus, verdadeiros membros da Igreja.”
No final da audiência o Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, encorajando-vos a todos a viver o vosso Batismo como realidade atual da vossa existência. Não deixeis que vos roubem a vossa identidade cristã! Com estes votos, invoco sobre vós e vossas famílias a abundância das bênçãos do Céu.”

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção. (RS)

«SÓ DEUS BASTA!»



Senhor,
pedir-Te o quê?
Eu tenho tudo!
Nada me falta!
Se eu precisar de mais alguma coisa
para ser Teu discípulo,
para Te seguir cada vez mais,
para ser melhor testemunha do Teu amor,
Tu mo darás, sem dúvida,
Senhor.

Preciso de mais dinheiro para Te seguir?
Julgo que não!
Preciso de mais bens ou estatuto social para Te seguir?
Julgo que não!
Preciso de ser reconhecido e elogiado para Te seguir?
Julgo que não!
Preciso de outro estado de vida para Te seguir?
Julgo que não!
Preciso de ser mais novo ou mais velho,
mais alto ou mais baixo,
ter mais ou menos saúde para Te seguir?
Julgo que não!

De que preciso então?
Preciso de mais amor,
de mais paz e de mais entrega,
de mais Palavra tua e de mais oração,
de mais Eucaristia e de mais adoração,
de mais humildade e de mais sinceridade,
de mais perdão,
de mais abertura aos outros,
na fraternidade!
Tantas coisas afinal,
Senhor,
que preciso de Te pedir!

Olhas-me,
com esses Teus olhos de amor,
e dizes-me suavemente:
Não precisas de Me pedir mais nada,
porque tudo isso Eu já te dei,
quando te aproximaste de Mim.
Está tudo em ti!
A ti compete pôr a render
tudo o que te dei,
até ao fim.

Lembra-te do que vos disse:
«quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo
àqueles que lho pedem!»*

Abraças-me,
apertas-me,
olhas-me,
e sussurras ao meu ouvido:
«Só Deus basta!»

*Lc 11, 13


Marinha Grande, 8 de Janeiro de 2013
Joaquim Mexia Alves

07 janeiro, 2014

Vigiar o coração para distinguir os falsos profetas – o Papa na missa desta terça-feira afirmou que o caminho de Jesus é o da humildade e mesmo da humilhação

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(RV) “Permanecei no Senhor” – o Papa Francisco desenvolveu a sua homilia da Missa desta terça-feira na Capela da Casa de Santa Marta a partir desta exortação do Apóstolo João contida na Primeira Leitura. O Apóstolo indica uma atitude para o cristão: vigiar e conhecer o que se passa no seu coração e adverte para o facto de não darmos valor a qualquer espírito. O Santo Padre concretizou dizendo que devemos saber se os espíritos provêm mesmo de Deus:

“Metei à prova os espíritos para saber se provêm verdadeiramente de Deus, porque muitos falsos profetas vieram ao mundo. Profetas ou profecias ou propostas: ‘Eu tenho vontade de fazer isto!’ Mas isto não te leva ao Senhor, afasta-te dele. Para isso é necessária vigilância. O cristão é um homem ou uma mulher que sabe vigiar o seu coração. E tantas vezes o nosso coração, com tantas coisas que vão e vêm, parece um mercado de bairro: há de tudo, encontras de tudo ali. E não! Devemos saber que isto é do Senhor e isto não é, para permanecermos no Senhor.”

Para permanecermos no Senhor necessitamos assim de discernir qual o Seu caminho. Saber qual o caminho de Jesus. Segundo o Papa Francisco a vaidade e o orgulho não pertencem a este caminho. O caminho de Jesus é o da humildade e mesmo da humilhação – afirmou o Santo Padre:

“Aquele é o caminho de Jesus Cristo: o abaixamento, a humildade e mesmo a humilhação. Se um pensamento, se um desejo te leva naquele caminho de humildade, de abaixamento, de serviço aos outros, é de Jesus. Mas se te leva pelo caminho da suficiência, da vaidade, do orgulho, pelo caminho de um pensamento abstrato, não é de Jesus. Pensemos nas tentações de Jesus no deserto: as três propostas que faz o demónio a Jesus são propostas que queriam afastá-lo daquele caminho, o caminho do serviço, da humildade, da humilhação, da caridade.” (RS)

06 janeiro, 2014

SANTA MISSA NA SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Basílica Vaticana


Segunda-feira, 6 de Janeiro de 2014


«Lumen requirunt lumine». Esta sugestiva frase dum hino litúrgico da Epifania refere-se à experiência dos Magos: seguindo uma luz, eles procuram a Luz. A estrela aparecida no céu acende, nas suas mentes e corações, uma luz que os move à procura da grande Luz de Cristo. Os Magos seguem fielmente aquela luz, que os penetra interiormente, e encontram o Senhor.
Neste percurso dos Magos do Oriente, está simbolizado o destino de cada homem: a nossa vida é um caminhar, guiado pelas luzes que iluminam a estrada, para encontrar a plenitude da verdade e do amor, que nós, cristãos, reconhecemos em Jesus, Luz do mundo. E, como os Magos, cada homem dispõe de dois grandes «livros» donde tirar os sinais para se orientar na peregrinação: o livro da criação e o livro das Sagradas Escrituras. Importante é estar atento, velar, ouvir Deus que nos fala – sempre nos fala. Como diz o Salmo, referindo-se à Lei do Senhor: «A tua palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sal 119/118, 105). E, de modo especial, o ouvir o Evangelho, lê-lo, meditá-lo e fazer dele nosso alimento espiritual permite-nos encontrar Jesus vivo, ter experiência d’Ele e do seu amor.
A primeira leitura faz ressoar, pela boca do profeta Isaías, este apelo de Deus a Jerusalém: «Ergue-te e sê iluminada!» (60, 1). Jerusalém é chamada a ser a cidade da luz, que irradia sobre o mundo a luz de Deus e ajuda os homens a seguirem os seus caminhos. Esta é a vocação e a missão do Povo de Deus no mundo. Mas Jerusalém pode falhar a esta chamada do Senhor. Diz-nos o Evangelho que, chegados a Jerusalém, os Magos deixaram de ver a estrela durante algum tempo. Já não a viam. Em particular, a sua luz está ausente no palácio do rei Herodes: aquela habitação é tenebrosa; lá reinam a escuridão, a desconfiança, o medo, a inveja. Efectivamente Herodes mostra-se apreensivo e preocupado com o nascimento de um frágil Menino, que ele sente como rival. Na realidade, Jesus não veio para derrubar um miserável fantoche como ele, mas o Príncipe deste mundo! Todavia o rei e os seus conselheiros sentem fender-se os suportes do seu poder, temem que sejam invertidas as regras do jogo, desmascaradas as aparências. Todo um mundo construído sobre o domínio, o sucesso, a riqueza, a corrupção é posto em crise por um Menino! E Herodes chega ao ponto de matar os meninos: «Tu matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração», escreve São Quodvultdeus (Sermão 2 sobre o Símbolo: PL 40, 655). É assim: tinha medo e, com este medo, enlouqueceu.
Os Magos souberam superar aquele perigoso momento de escuridão junto de Herodes, porque acreditaram nas Escrituras, na palavra dos profetas que indicava Belém como o local do nascimento do Messias. Assim escaparam do torpor da noite do mundo, retomaram a estrada para Belém e lá viram de novo a estrela, e o Evangelho diz que sentiram uma «enorme alegria» (Mt 2,10). Precisamente a estrela que não se via na escuridão da mundanidade daquele palácio.
Entre os vários aspectos da luz, que nos guia no caminho da fé, inclui-se também uma santa «astúcia». Também esta é uma virtude: a «astúcia» santa. Trata-se daquela sagacidade espiritual que nos permite reconhecer os perigos e evitá-los. Os Magos souberam usar esta luz feita de «astúcia» quando, no caminho de regresso, decidiram não passar pelo palácio tenebroso de Herodes, mas seguir por outra estrada. Estes sábios vindos do Oriente ensinam-nos o modo de não cair nas ciladas das trevas e defender-nos da obscuridade que teima em envolver a nossa vida. Com esta «astúcia» santa, eles  guardaram a fé. Também nós devemos guardar a fé. Guardá-la daquela escuridão, se bem que, muitas vezes, é uma escuridão travestida de luz! Porque às vezes o demónio, diz São Paulo, veste-se de anjo de luz. Daí ser necessária uma santa «astúcia», para guardar a fé, guardá-la do canto das Sereias que te dizem: “Olha! Hoje devemos fazer isto, aquilo…” Mas, a fé é uma graça, é um dom. Compete-nos a nós guardá-la com esta «astúcia» santa, com a oração, com o amor, com a caridade. É preciso acolher no nosso coração a luz de Deus e, ao mesmo tempo, cultivar aquela astúcia espiritual que sabe combinar simplicidade e argúcia, como Jesus pede aos discípulos: «Sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas»  (Mt 10, 16).
Na festa da Epifania, em que recordamos a manifestação de Jesus à humanidade no rosto dum Menino, sentimos ao nosso lado os Magos como sábios companheiros de estrada. O seu exemplo ajuda-nos a levantar os olhos para a estrela e seguir os anseios grandes do nosso coração. Ensinam-nos a não nos contentarmos com uma vida medíocre, sem «grandes voos», mas a deixarmo-nos sempre fascinar pelo que é bom, verdadeiro, belo... por Deus, que é tudo isso elevado ao máximo! E ensinam-nos a não nos deixarmos enganar pelas aparências, por aquilo que, aos olhos do mundo, é grande, sábio, poderoso. É preciso não se deter aí. É necessário guardar a fé. Neste tempo, isto é muito importante: guardar a fé. É preciso ir mais além, além da escuridão, além do fascínio das Sereias, além da mundanidade, além de muitas modernidades que existem hoje, ir rumo a Belém, onde, na simplicidade duma casa de periferia, entre uma mãe e um pai cheios de amor e de fé, brilha o Sol nascido do alto, o Rei do universo. Seguindo o exemplo dos Magos, com as nossas pequenas luzes, procuramos a Luz e guardamos a fé. Assim seja!




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Epifania - atracção recíproca: de Deus pelo homem e vice-versa. Igreja está neste movimento - Papa no Angelus

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(RV) Ao meio-dia, já da janela do palácio do Vaticano sobre a Praça de São Pedro, antes das Ave-Marias, com uma imensa multidão ali congregada sob um esplêndido sol, o Papa voltou a recordar o sentido da Epifania, a “manifestação” do Senhor.

“Esta festa faz-nos ver um duplo movimento: por um lado o movimento de Deus em direcção ao mundo, ao direcção à humanidade – toda a história da salvação, que culmina em Jesus; e por outro lado o movimento dos homens em direcção a Deus – pensemos nas religiões, na busca da verdade, no caminho dos povos em direcção à paz, à justiça e à liberdade”.
Há assim uma “atracção recíproca”. “Da parte de Deus, é o amor por nós: somos seus filhos, Ele ama-nos, quer libertar-nos do mal… Também da nossa parte, há um amor, um desejo: atrai-nos a verdade, a vida, a felicidade, a beleza”.

“Jesus é o ponto de encontro desta atracção recíproca e deste duplo movimento. É Deus e homem. Mas a iniciativa é de Deus. O amor de Deus vem antes do nosso"…
“Jesus é a epifania, a manifestação do amor de Deus” – acrescentou ainda o Papa Francisco, que sublinhou que também a Igreja está toda dentro deste movimento de Deus em direcção ao mundo”:
“ A sua alegria (a alegria da Igreja) é o Evangelho, é reflectir a luz de Cristo. A Igreja é o povo daqueles que experimentaram esta atracção e a levam dentro de si, no coração e na vida”

Retomando uma passagem da sua Exortação Apostólica “A alegria do Evangelho”, acrescentou ainda o Papa:
“Quereria dizer aos que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm receio e são indiferentes: o Senhor chama-te também a ti, a sere parte do seu povo e fá-lo com grande respeito e amor”.
“Rezemos para que os coração se abram para acolher o anúncio e todos os homens cheguem a ser participantes da promessa por meio do Evangelho” – conclui o Papa, recitando então o Angelus…

Nas saudações após as Ave-Marias, o Santo Padre dirigiu os seus “cordiais votos (de boas festas) aos irmãos e irmãs das Igrejas Orientais que amanhã (7 de Janeiro) celebrarão o Santo Natal” …
O Papa recordou também que a Epifania é o Dia Missionário das Crianças, proposto pela Obra Pontifícia da Santa Infância. Muitas crianças, nas paróquias, realizam gestos de solidariedade para com os meninos da sua idade, colaborando assim na missão da Igreja – explicou o Papa, agradecendo e abençoando todas as crianças.

Mantendo um costume que vem dos pontificados anteriores, convergiu ao fim da manhã, para a Praça de São Pedro, um cortejo histórico-folclórico dos Reis Magos, com trajes medievais. Uma iniciativa que envolve, em cada ano, uma diferente localidade da região do Lácio, que tem como capital Roma. Desta vez tratou-se da cidade de Leonessa, com a colaboração de outras localidades da província de Rieti, mencionados expressamente pelo Papa, ao despedir-se de todos:
“A todos desejo boa festa de Epifania e bom almoço. Adeus!”