06 outubro, 2013

Ao Angelus, Papa recorda Lampedusa e convida a multidão presente a rezar em silêncio e a "deixar chorar o coração"

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(RV) Neste domingo ao meio-dia, por ocasião do Angelus, com muitíssimos fiéis e turistas, Papa Francisco recordou as muitas vítimas do trágico naufrágio de Lampedusa, convidando a um momento de oração e recolhimento, para “deixar chorar o coração”… RealAudioMP3

O Papa tinha começado por dar graças a Deus pelo dia que passou em Assis, anteontem, no dia de São Francisco… Confessando que era a primeira vez que visitava Assis, agradeceu também a todos os que ali o acolheram.

Comentando como sempre o Evangelho do dia, Papa Francisco convidou os presentes a pedirem juntamente consigo, como os apóstolos, a Jesus: “Senhor aumenta a minha fé!”

Recordando que este mês de Outubro é particularmente dedicado às missões, o Papa convidou a pensar em “tantos missionários, homens e mulheres, que para levar o Evangelho, superaram obstáculos de todo o tipo, deram verdadeiramente a vida, como diz são Paulo a Timóteo” (na segunda Leitura deste domingo). E insistiu que esta missão – testemunho - diz respeito a todos: “cada um de nós, na própria vida de cada dia, pode dar testemunho de Cristo, com a força de Deus, a força da fé”.

Para tal – sublinhou – é indispensável a oração, que “é o respiro da fé: numa relação de confiança, não pode faltar o diálogo, e a oração é o diálogo da alma com Deus”.

Recordado que “Outubro é também o mês do Rosário, e que neste primeiro domingo, é tradição recitar a súplica a Nossa Senhora de Pompeia, Maria, Virgem do Santo Rosário”.

“Unamo-nos espiritualmente a este acto de confiança na nossa Mãe, e recebamos das suas mãos o terço do rosário: é uma escola de oração, uma escola de fé!”

Depois do Angelus, o Papa referiu que neste sábado, “em Módena, foi beatificado Rolando Rivi, um seminarista daquela zona, assassinado em 1945, quando tinha 14 anos, em ódio à fé, unicamente culpado de usar a batina naquele período de violência desencadeada contra o clero, que levantava a voz para condenar, em nome de Deus, os massacres do imediato após guerra.

“Mas a fé em Jesus Cristo vence o espírito do mundo! Demos graças a Deus por este jovem mártir, heróico testemunha do Evangelho!”
 
 

04 outubro, 2013

Na missa, em Assis, apelo do Papa à paz e ao respeito por todas as criaturas, seguindo o exemplo de São Francisco

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(RV) Uma imensa multidão participou na Missa celebra pelo Papa Francisco, em Assis, junto das basílicas do Santo. Na homilia, o Papa evocou o exemplo concreto de São Francisco, com a sua “maneira radical de imitar a Cristo”. “O amor pelos pobres e a imitação de Cristo são dois elementos indivisivelmente unidos, duas faces da mesma medalha” - insistiu.
Qual é hoje o testemunho que ele nos dá? – interrogou-se o Papa, observando que a primeira coisa, a realidade fundamental de que São Francisco nos dá testemunho é esta: ser cristão é uma relação vital com a Pessoa de Jesus, é revestir-se d’Ele, é assimilação a Ele”. E isso “começa do olhar de Jesus na cruz”.
“Deixar-se olhar por Ele no momento em que dá a vida por nós e nos atrai para Ele. Francisco fez esta experiência, de um modo particular na pequena igreja de São Damião, rezando diante do crucifixo.”
“Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a permanecer diante do Crucifixo, a deixarmo-nos olhar por Ele, a deixar-nos perdoar, recriar pelo seu amor”.
Um segundo aspecto do testemunho de São Francisco recordado pelo Papa na sua homilia foi o seguinte: “quem segue a Cristo, recebe a verdadeira paz, a paz que só Ele, e não o mundo, nos pode dar”.
“Qual é a paz que Francisco acolheu e viveu e que nos transmite? É a paz de Cristo, que passou através do maior amor, o da Cruz. É a paz que Jesus Ressuscitado deu aos discípulos”.
O Papa fez notar que “a paz franciscana não é um sentimento piegas” “Por favor, este São Francisco não existe!”
“A paz de São Francisco é a de Cristo, e encontra-a quem toma sobre si o seu jugo, isto é, o seu mendamento: Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.
Finalmente, terceiro aspecto do testemunho de Francisco de Assis recordado pelo Papa na homilia da missa, “o amor por toda a criação, pela sua harmonia”:
“O Santo de Assi dá testemunho do respeito por tudo o que Deus criou e que o homem é chamado a guardar e proteger, mas sobretudo dá testemunho de respeito e amor por todo o ser humano”.
E foi neste contexto, quase a concluir a sua homilia, que o Papa Francisco lançou um solene apelo à paz e ao respeito pela criação:
“Daqui, desta Cidade da Paz, repito com a força e a mansidão do amor: respeitemos a criação, não sejamos instrumentos de destruição!
Respeitemos todo o ser humano: cessem os conflitos armados que ensanguentam a terra, calem-se as armas e que, por toda a parte, o ódio dê lugar ao amor, a ofensa ao perdão e a discórdia à união.
Ouçamos o grito dos que choram, sofrem e morrem por causa da violência, do terrorismo ou da guerra na Terra Santa, tão amada por São Francisco, na Síria, em todo o Médio Oriente, no mundo.”
Este o texto integral da homilia do Papa:
«Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos» (Mt 11, 25).
A todos, paz e bem! Com esta saudação franciscana, agradeço-vos por terdes vindo a esta Praça, cheia de história e fé. Para rezarmos juntos.
Como tantos outros peregrinos, também eu vim hoje, para bendizer o Pai por tudo o que quis revelar a um destes «pequeninos» de que nos fala o Evangelho: Francisco, filho de um comerciante rico de Assis. O encontro com Jesus levou-o a despojar-se de uma vida cómoda e despreocupada, para desposar a «Senhora Pobreza» e viver como verdadeiro filho do Pai que está nos céus. Esta escolha, feita por São Francisco, constituía uma maneira radical de imitar a Cristo, de se revestir d’Aquele que, sendo rico, Se fez pobre para nos enriquecer por meio da sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9). Em toda a vida de Francisco, o amor pelos pobres e a imitação de Cristo pobre são dois elementos indivisivelmente unidos, as duas faces da mesma medalha.
De que nos dá hoje testemunho São Francisco? Que nos diz ele, não com as palavras – isso é fácil –, mas com a vida?

1. A primeira coisa, a realidade fundamental de que nos dá testemunho é esta: ser cristão é uma relação vital com a Pessoa de Jesus, é revestir-se d’Ele, é assimilação a Ele.
De onde começa o caminho de Francisco para Cristo? Começa do olhar de Jesus na cruz. Deixar-se olhar por Ele no momento em que dá a vida por nós e nos atrai para Ele. Francisco fez esta experiência, de um modo particular, na pequena igreja de São Damião, rezando diante do crucifixo, que poderei também eu venerar hoje. Naquele crucifixo, Jesus não se apresenta morto, mas vivo! O sangue escorre das feridas das mãos, dos pés e do peito, mas aquele sangue exprime vida. Jesus não tem os olhos fechados, mas abertos, bem abertos: um olhar que fala ao coração. E o Crucifixo não nos fala de derrota, de fracasso; paradoxalmente fala-nos de uma morte que é vida, que gera vida, porque nos fala de amor, porque é o Amor de Deus encarnado, e o Amor não morre, antes derrota o mal e a morte. Quem se deixa olhar por Jesus crucificado fica recriado, torna-se uma «nova criatura». E daqui tudo começa: é a experiência da Graça que transforma, de sermos amados sem mérito algum, até sendo pecadores. Por isso, Francisco pode dizer como São Paulo: «Quanto a mim, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6, 14).
Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a permanecer diante do Crucifixo, a deixar-nos olhar por Ele, a deixar-nos perdoar, recriar pelo seu amor.

2. No Evangelho, ouvimos estas palavras: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu hei-de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 28-29).
Esta é a segunda coisa de que Francisco nos dá testemunho: quem segue a Cristo, recebe a verdadeira paz, a paz que só Ele, e não o mundo, nos pode dar. Na ideia de muitos, São Francisco aparece associado com a paz; e está certo, mas poucos vão em profundidade. Qual é a paz que Francisco acolheu e viveu, e que nos transmite? A paz de Cristo, que passou através do maior amor, o da Cruz. É a paz que Jesus Ressuscitado deu aos discípulos, quando apareceu no meio deles e disse: «A paz esteja convosco!»; e disse-o, mostrando as mãos chagadas e o peito trespassado (cf. Jo 20, 19.20).
A paz franciscana não é um sentimento piegas. Por favor, este São Francisco não existe! E também não é uma espécie de harmonia panteísta com as energias do cosmos... Também isto não é franciscano, mas uma ideia que alguns se formaram. A paz de São Francisco é a de Cristo, e encontra-a quem «toma sobre si» o seu «jugo», isto é, o seu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei (cf. Jo 13, 34; 15, 12). E este jugo não se pode levar com arrogância, presunção, orgulho, mas apenas com mansidão e humildade de coração.
Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a ser «instrumentos da paz», da paz que tem a sua fonte em Deus, a paz que nos trouxe o Senhor Jesus.

3. «Altíssimo, omnipotente, bom Senhor, (...) louvado sejas (...) com todas as tuas criaturas» (FF, 1820). Assim começa o Cântico de São Francisco. O amor por toda a criação, pela sua harmonia. O Santo de Assis dá testemunho do respeito por tudo o que Deus criou e que o homem é chamado a guardar e proteger, mas sobretudo dá testemunho de respeito e amor por todo o ser humano. Deus criou o mundo, para que seja lugar de crescimento na harmonia e na paz. A harmonia e a paz! Francisco foi homem de harmonia e de paz. Daqui, desta Cidade da Paz, repito com a força e a mansidão do amor: respeitemos a criação, não sejamos instrumentos de destruição! Respeitemos todo o ser humano: cessem os conflitos armados que ensanguentam a terra, calem-se as armas e que, por toda a parte, o ódio dê lugar ao amor, a ofensa ao perdão e a discórdia à união. Ouçamos o grito dos que choram, sofrem e morrem por causa da violência, do terrorismo ou da guerra na Terra Santa, tão amada por São Francisco, na Síria, em todo o Médio Oriente, no mundo.
Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: alcançai-nos de Deus o dom de haver, neste nosso mundo, harmonia e paz!

Não posso, enfim, esquecer que hoje a Itália celebra São Francisco como seu Padroeiro. Disso mesmo é expressão também o gesto tradicional da oferta do azeite para a lâmpada votiva, que este ano compete precisamente à Região da Úmbria. Rezemos pela Nação Italiana, para que cada um trabalhe sempre pelo bem comum, olhando mais para o que une do que para o que divide.
Faço minha a oração de São Francisco por Assis, pela Itália, pelo mundo: «Peço-Vos, pois, ó Senhor Jesus Cristo, pai das misericórdias, que Vos digneis não olhar à nossa ingratidão, mas recordai-Vos da superabundante compaixão que sempre mostrastes [por esta cidade], para que seja sempre o lugar e a morada de quantos verdadeiramente Vos conhecem e glorificam o vosso bendito e gloriosíssimo nome pelos séculos dos séculos. Amen» (Espelho de perfeição, 124: FF, 1824).

03 outubro, 2013

"É uma vergonha": Papa Francisco, referindo comovido o gravíssimo naufrágio hoje ocorrido ao largo de Lampedusa, com muitas vítimas. Discurso nos 50 anos da "Pacem in terris"

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(RV) “Rezemos pelas vítimas do trágico naufrágio, ao largo de Lampedusa”: esta o comovido convite do Papa Francisco, ao fim da manhã, difundido num tweet. Com a voz tocada pela amargura de quem tomou conhecimento do elevadíssimo número de mortos e desaparecidos neste naufrágio, o Papa referiu o facto, exprimindo toda a vergonha que tal suscita. Foi no final do discurso dirigido a centenas de pessoas que participam em Roma nas jornadas celebrativas dos 50 anos da Encíclica “Pacem in terris”.

RealAudioMP3 “Falando da inumana crise económica mundial, que é um sintoma grave da falta de respeito pelo homem, não posso não recordar com grande sofrimento as numerosas vítimas de mais um trágico naufrágio ocorrido hoje ao largo de Lampedusa. Vem (ao espírito) a palavra “vergonha”. É uma vergonha! Rezemos conjuntamente a Deus por quem perdeu a vida – homens, mulheres e crianças – e pelos familiares e por todos os prófugos, para que não se repitam semelhantes tragédias. Só uma decidida colaboração de todos pode ajudar a preveni-las”.

Ao tomar conhecimento da tragédia, o Papa recolhera-se em oração (foto) junto do túmulo de João XXIII, na basílica de São Pedro.

“Não pode haver verdadeira paz e harmonia se não trabalharmos por uma sociedade mais justa e solidária, se não superarmos egoísmos, individualismos, interesses de grupo, e isto a todos os níveis”: sublinhou o Papa Francisco, dirigindo-se hoje, no auditório Paulo VI, do Vaticano, a uns trezentos participantes nas Jornadas comemorativas dos 50 anos da Encíclica “Pacem in Terris”, de João XXIII.
O Papa começou por evocar a época em que este importante documento papal foi publicado: em plena “guerra fria”, com a humanidade em risco próximo de um conflito atómico mundial. Foi nessa altura que João XXIII elevou “um dramático e premente apelo de paz”.

“Era um grito aos homens, mas era também uma súplica dirigida ao Céu”.
A “Pacem in Terris” – observou o Papa Francisco – recorda que o fundamento para construir a paz “consiste na origem divina do homem, da sociedade e da própria autoridade, que empenha cada um, as famílias, os vários grupos sociais e os Estados a viverem relações de justiça e de solidariedade”:

“É tarefa de todos os homens construir a paz, a exemplo de Jesus Cristo, através destes dois caminhos: - promover e praticar a justiça, com verdade e amor; - contribuir, cada um segundo as suas possibilidades, para o desenvolvimento humano integral, segundo a lógica da solidariedade”.
A concluir, o Papa sublinhou ainda que os princípios fundamentais da “Pacem in terris” podem lançar luz sobre as questões debatidas nestes dias, em Roma, pelos participantes nestas Jornadas celebrativas: a emergência educativa, o influxo dos meios de comunicação de massa sobre as consciências, o acesso aos recursos da terra, o bom e mau uso dos resultados das investigações biológicas, a corrida aos armamentos e as medidas de segurança, nacionais e internacionais”.
Papa Francisco classificou que a crise económica mundial “é um sintoma grave da falta de respeito pelo homem e pela verdade com que os governos e os cidadãos tomaram (certas) decisões”.

“A Pacem in terris traça uma linha que vai da paz a construir no coração dos homens a um repensamento do nosso modelo de desenvolvimento e de acção a todos os níveis, para que o nosso mundo seja um mundo de paz”. (PG)

Conselho de Cardeais sobre a reforma da Cúria. Padre Lombardi: a orientação é para uma nova Constituição


(RV) O director da Sala de Imprensa do Vaticano, padre Federico Lombardi, realizou nesta quinta-feira um novo briefing de actualização a propósito da reunião do Conselho dos Cardeais. Na quarta-feira - disse o P. Lombardi – o Conselho trabalhou no tema da reforma da Cúria, sobretudo: a orientação não é para uma simples actualização da "Pastor Bonus", com alterações ou modificações marginais, mas no sentido da elaboração de uma nova Constituição com novidades bastante substanciais: em suma, - explicou ele - acho que devemos esperar por uma nova Constituição, ao fim deste trabalho do Papa com o seu Conselho. Um trabalho que vai exigir um tempo apropriado, certamente, disse o P. Lombardi. Portanto, não se trata de mudanças cosméticas ou de pequenos ajustes, isto parece-me que é importante notar.

Particularmente evidente nas considerações do Conselho - observou o Pe. Lombardi - a intenção de destacar a natureza de serviço por parte da Cúria à Igreja universal e às Igrejas locais, também em termos de subsidiariedade, e portanto em não querer centralizar: uma direcção que não é a do centralismo, mas a de reagir ao centralismo; realizar em Roma tudo o que é necessário para o bom governo da Igreja e para a ajuda à Igreja em todas as suas dimensões.

Um tema particularmente importante, naturalmente – sublinhou o porta-voz do Vaticano - quando se fala da reforma da Cúria refere-se às funções e ao papel de serviço da Secretaria de Estado, que deve ser para todos os efeitos "secretaria do Papa": portanto, a Secretaria de Estado é a secretaria do Papa, é uma secretaria papal. Esta palavra “Estado” não deve criar equívocos. Na verdade, é uma secretaria do Papa para o seu serviço de governo da Igreja universal. A reflexão do Conselho também sobre o tema da Secretaria de Estado, das suas funções e do seu papel é útil para o Santo Padre, mesmo neste momento, tendo em vista as directrizes que ele quererá dar ao próximo Secretário de Estado: no dia 15 de Outubro, de facto, há um novo secretário de Estado que entra em função e, portanto, obviamente, pedirá ao Papa para lhe dar orientações e indicações e, agora, o facto de que o Papa, com o Conselho, já começou a reflectir sobre as funções e o papel da Secretaria de Estado, naturalmente ajuda o Papa nesta situação, nas vésperas da entrada em funções do novo Secretário de Estado.

Tratou-se também das relações entre os chefes de dicastérios e o Papa e da coordenação entre os vários dicastérios e escritórios - disse ainda o padre Lombardi - e, neste contexto, tratou-se também da hipótese da nova figura de um moderator curiae e das suas possíveis funções. É uma palavra que ouvimos circular – moderator curiae - uma possível nova figura de coordenação entre os dicastérios e os escritórios da Cúria. Também se falou disto. Não há decisões. Se houver decisões será na próxima Constituição e nas decisões que o Papa quiser tomar. Porém, de facto, é uma das hipóteses de que o Conselho dos cardeais fala, tratando da reforma da Cúria.

Quanto à uma possível reorganização - continuou o P. Lombardi – me tinha sido feito anteriormente a pergunta se estão a tratar da reorganização das administrações temporais e das instituições destinadas para tal. Este é certamente um tema presente na mesa do Conselho, mas não é um tema aprofundado neste Conselho, à espera também das conclusões das Comissões que estão a trabalhar nisto. A própria Comissão referente estabelecida pelo Papa sobre as Administrações, no Quirógrafo, diz-se que se necessário, presta contas ao Conselho dos Cardeais: prestará contas ao Conselho dos Cardeais, apresentará os seus resultados, para que o Conselho dos Cardeais possa tomar conhecimento delas. No entanto, não é o tema deste encontro. Portanto - disse o Pe. Lombardi - é uma possibilidade, ou antes, um tema que, certamente, se deve enfrentar se se deve tratar do conjunto da reforma da Cúria, também se tratará disto, mas não foi tema destes dias, e é adiado para outras ocasiões quando estas Comissões tiverem levado mais à frente o seu trabalho e dado os seus resultados.

Um outro tema de que se falou, e mesmo com uma considerável atenção, é a questão dos leigos, isto é, os membros do Conselho recolheram e trouxeram à mesa muitos pedidos provenientes de diferentes partes do mundo sobre o tema do laicado, “os leigos na Igreja" , e assim por diante. E portanto, mesmo no pensar na reforma da Cúria, no governo da Igreja e nos seus instrumentos no futuro, haverá uma atenção especial para o facto que, para as temáticas relacionadas com os leigos e os leigos na Igreja, haja pois as instituições apropriadas para se poderem ocupar disso de forma adequada. Agora, como sabemos , temos este Conselho, mas pode ser que também se possa reforçar a maneira em que se trabalha na Cúria sobre as questões dos leigos.

Também nesta quinta-feira - concluiu o padre Lombardi – falou-se do Sínodo e do tema do próximo Sínodo e da maneira de realizá-lo e também das observações sobre o regulamento do Sínodo: existe uma certa urgência por parte do Papa e da Secretaria do Sínodo de dar informações e indicações para a preparação do próximo Sínodo: isto nas próximas semanas.

02 outubro, 2013

A MÃE IGREJA, EM JEITO DE ORAÇÃO




Senhor,
ontem ouvi naquela aula no Seminário, (num aparte à Ética Teológica), uma comparação tão verdadeira e interessante, que a quero rezar aqui.
 
Se eu não digo mal da minha mãe, se não lhe descubro os defeitos em público, (e todas as mães têm defeitos, como todos nós temos), se só falo disso de quando em vez com os meus irmãos, porque me dedico tantas vezes a falar mal, a descobrir os defeitos em público da minha Mãe Igreja?
A minha mãe, que já tens junto a Ti, com todos os seus defeitos e qualidades foi quem me mostrou primeiro, o caminho para Ti, que despertou em mim as primeiras orações, que me levou ao Baptismo que me tornou filho de Deus, e sempre morou e ainda mora no meu coração cheio de amor por ela.
 
Tinha defeitos?
Pois tinha, todos temos, e tinha também muitas qualidades.
Mas não me lembro, a não ser muito, muito raramente de deles falar em público, (do que eu rapidamente me arrependia, como se de uma traição se tratasse), e se os aflorava era apenas com meus irmãos e irmãs, carne da mesma carne, que os podiam entender e ajudar-me a entender.
 
A minha Mãe Igreja que me acolheu e me mostra caminho de crescimento na fé, que me leva pelo caminho da salvação, que me faz irmão de todas as criaturas de Deus, que me recebeu de braços abertos no dia em que regressei à Casa do Pai após tantos anos de afastamento, também mora no meu coração cheio de amor por Ela.
 
Como posso eu então, tantas vezes dizer mal da minha Mãe Igreja, de Lhe apontar defeitos, a maior parte das vezes publicamente e com outros que nem sequer A conhecem, não A querem conhecer ou até A querem apenas denegrir?
Porque não apenas falar deles, desses defeitos, com as minhas irmãs e irmãos, filhos da mesma Igreja, que me podem ajudar a entender tantas coisas que se calhar não são defeitos, e que eu posso também ajudar a reflectir sobre maneiras de estar e agir?
 
Porque esta minha Mãe Igreja, somos nós todos suas filhas e filhos, e se Ela tem defeitos, então é porque são os nossos defeitos.
 
Só nós, suas filhas e filhos, pela graça do Teu Espírito Santo, Senhor, os podemos corrigir e traçar caminho de virtude para A tornar mais perfeita e acolhedora.
Ao apontarmos defeitos em público à Mãe Igreja, apenas atiramos pedras, mas são pedras que vão ficar de fora, sem construir, quando o que nós devíamos fazer era sermos pedras vivas e trazer mais pedras vivas, para que, colocadas nos alicerces, na construção diária, cimentadas no amor, assentes na Doutrina, construíssem na Fé a Igreja de Cristo nos homens e para os homens.
 
Ah Senhor, ajuda-nos e ensina-nos a sermos Igreja, a sermos filhas e filhos amorosos desta Mãe Igreja que Tu nos deste, a construi-La com os defeitos de cada um, aplanados pelas virtudes de cada um.

«Eu dei-lhes a glória que Tu me deste, de modo que sejam um, como Nós somos Um. Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim.» Jo 17,22-23

Monte Real, 8 de Maio de 2008

Nota:
Numa altura em que tanto se fala da Igreja, reli esta meditação/oração de 2008, que agora aqui novamente publico.

Joaquim Mexia Alves

A Igreja é santa porque guiada pelo Espírito Santo – o Papa Francisco na audiência geral lança uma questão: “Somos uma Igreja que acolhe de braços abertos os pecadores?”


(RV) Na Praça de S. Pedro estavam largas dezenas de milhares de peregrinos que, como habitualmente, vêm ávidos da palavra do Papa e da sua catequese na audiência geral das quartas-feiras. Hoje foi sobre a Igreja Santa. No Credo, disse o Santo Padre, quando professamos que a Igreja é Una também afirmamos que é santa. Mas, o Santo Padre lança, desde logo, uma pergunta?

“Mas, em que sentido a Igreja é santa se vemos que a Igreja histórica, no seu longo caminho de séculos, teve tantas dificuldades, problemas e momentos de escuridão? Como é que pode ser santa uma Igreja feita de seres humanos, de pecadores?”

Partindo da Carta de S. Paulo aos cristãos de Éfeso, o Papa Francisco explicou que o Apóstolo Paulo tomando como exemplo as relações familiares, afirma que Cristo amou tanto a sua Igreja que se deu a si mesmo por Ela, para a fazer santa. Isto significa, em primeiro lugar, que Ela procede de Deus que é santo e nunca a abandona; que Jesus Cristo, o Santo de Deus, está indissoluvelmente unido a Ela; e que o Espírito Santo a guia, purifica e renova.

“É Santa porque Jesus Cristo, o Santo de Deus, está unido em modo indissolúvel a ela; é santa porque é guiada pelo Espírito Santo que purifica, transforma e renova. Não é santa pelos nossos méritos, mas porque Deus a faz santa, é fruto do Espírito Santo e dos seus dons.”

Mas, é também verdade, diz o Papa Francisco, que a Igreja é feita de pecadores. Por isso, não se pode cair na tentação de imaginar uma Igreja feita somente de puros e perfeitos:

“Mas, Padre, eu sou um pecador, tenho grandes pecados, como é que posso sentir-me parte da Igreja? Caro irmão, cara irmã, é mesmo isto que deseja o Senhor; que tu lhe digas: Senhor estou aqui, com os meus pecados. Perdoa-me, ajuda-me a caminhar, transforma o meu coração!”


A Igreja não rejeita os pecadores, mas acolhe a todos, oferecendo a cada um a possibilidade de percorrer o caminho da santidade, através do encontro com Cristo nos sacramentos, especialmente na Confissão e na Eucaristia.

Entretanto, o Santo Padre lançou algumas questões para reflexão:

“Somos uma Igreja que chama e acolhe com os braços abertos os pecadores, que dá coragem, esperança, ou somos uma Igreja fechada em si própria? Somos uma Igreja na qual se vive o amor de Deus, em que existe atenção para com os outros, na qual se reza uns pelos outros?”

Papa Francisco concluiu a sua catequese considerando que não devemos ter medo de nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. Devemos ter a certeza de que na vida há uma só tristeza, a de não ser santos, somos convidados a não ter medo de buscar uma grande meta, deixando que Deus nos ame e nos purifique.

“Vivamos com alegria a nossa fé, deixemos-nos amar pelo Senhor...peçamos este dom a Deus na oração, para nós e para os outros.”


No final da audiência o Papa Francisco saudou os peregrinos de língua portuguesa em especial um grupo da Diocese de Viseu em Portugal e vários grupos de brasileiros. (RS)

01 outubro, 2013

Mais humildes para testemunhar a Igreja – o Papa Francisco em Santa Marta celebrando com os cardeais consultores

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(RV) O Papa Francisco na Missa desta manhã em Santa Marta teve a concelebração dos cardeais consultores, por si nomeados, que estão presentes no Vaticano até ao próximo dia 3 de Outubro. Na sua homilia o Papa Francisco desejou que as reuniões deste grupo de cardeais nos façam a todos mais humildes e confiantes em Deus para que a Igreja possa dar um belo testemunho a toda a gente.

O Papa Francisco desenvolveu a sua meditação desta manhã tomando como base o Evangelho do dia em que Jesus repreende os dois apóstolos que queriam que descesse fogo do céu sobre todos os que não os acolhiam. O Santo Padre alertou que o caminho da vingança não é cristão. O caminho do cristão é o da humildade e da mansidão. Sendo hoje o dia de Santa Teresinha do Menino Jesus, o Papa recordou o seu espírito de humildade, de ternura e de bondade. “O Senhor quer de todos nós este espírito” “...na caridade e na consciência de que estamos nas mãos do Pai” – afirmou ainda o Papa Francisco que acrescentou ser a humildade a força do Evangelho, “a humildade da criança que se deixa guiar pelo amor e pela ternura do pai...”


“ A Igreja – dizia-nos Bento XVI – não cresce por proselitismo, cresce por atração, por testemunho. E quando as pessoas, os povos vêem este testemunho de humildade, de mansidão, sentem a necessidade de que fala o Profeta Zacarias: “Queremos vir convosco!” as pessoas têm aquela necessidade perante o testemunho da caridade, desta caridade humilde, sem prepotência, não suficiente, humilde, que adora e serve.”


A caridade é simples, diz o Papa, “basta adorar Deus e servir os outros”. Eis porque uma freira tão humilde mas tão confiante em Deus se transformou em Padroeira das Missões. O Papa Francisco concluiu a sua homilia desta manhã com uma mensagem especial para os participantes nas reuniões do “Conselho dos Cardeais”:

“Hoje, aqui no Vaticano, começa a reunião com os cardeais consultores que estão concelebrando esta missa. Peçamos ao Senhor que o nosso trabalho de hoje nos faça a todos mais humildes, mais mansos, mais pacientes, mais confiantes em Deus, para que, assim, a Igreja possa dar um belo testemunho às pessoas que vendo o Povo de Deus, vendo a Igreja, sintam vontade de vir connosco!” (RS)

30 setembro, 2013

Diálogo e oração pela paz, na Síria e no Médio Oriente: Papa aos participantes no Encontro Internacional pela paz, promovido pela Comunidade de Santo Egídio


(RV) “Continuemos a rezar pela paz no mundo, na Síria, no Médio Oriente, em tantos países do mundo”: o apelo do Papa Francisco, ao receber esta manhã no Vaticano uns trezentos dos participantes no Encontro internacional pela Paz, promovido pela Comunidade de Santo Egídio CSE). O Santo Padre agradeceu à Comunidade e ao seu fundador, Andrea Riccardi (foto), por terem seguido com tenacidade a estrada traçada pelo Beato João Paulo II, no histórico encontro de Assis, em 1986, com os líderes religiosos convocados para rezar pela paz: “não uns contra os outros, mas uns ao lado dos outros”.
“Precisamente nestes meses, sentimos que o mundo tem necessidade do espírito que animou aquele histórico encontro… Não podemos resignar-nos perante o sofrimento de povos inteiros, reféns da guerra, da miséria, da exploração”.
“Não podemos assistir indiferentes e impotentes – prosseguiu o Papa – ao drama de crianças, famílias, idosos, atingidos pela violência. Não podemos deixar que o terrorismo encadeie o coração de uns poucos violentos para semear em tantos sofrimento e morte”.
“De modo especial dizemos com força, todos, continuamente, que não pode haver qualquer justificação religiosas para a violência, qualquer que seja a forma em que se manifesta”.
O Papa Francisco sublinhou ainda que “a paz é responsabilidade de todos” e que “um líder religiosos é sempre homem de paz”.
“Cada um de nós está chamado a ser um artesão da paz, unindo e não dividindo, extinguindo o ódio e não o conservando, abrindo as vias do diálogo sem erguer novos muros! Dialogar, encontrar-nos para instaurar no mundo a cultura do diálogo, a cultura do encontro”.
Para tal, é indispensável também a oração. “Diálogo e oração crescem ou definham conjuntamente. A relação do homem com Deus é a escola e o alimento do diálogo com os homens”. “Continuemos a rezar pela paz no mundo, na Síria, no Médio Oriente, em tantos países do mundo” – pediu o Papa Francisco, concluindo com o convite a um momento final de silêncio de todos os presentes, na presença de Deus, como voto recíproco de paz.
Segundo declarou o presidente da CSE, Marco Impaliazzo, este encontro internacional reveste-se de grande importância precisamente “em função da crise síria e daquela mais ampla no Médio Oriente”. O título do evento, “A coragem da esperança” foi escolhido a pensar na “falta de esperança” que atinge o povo sírio e “tantas” outras “parte do mundo”.

Destaque ainda para a inclusão de um “tema novo” no debate, o “terrorismo religioso”, assunto que foi proposto pelo Papa para refletir sobre a forma como os crentes olham para a violência motivada pela religião e que atitudes tomam face a esta problemática.

O encontro internacional, que se prolonga até 1 de outubro, tem lugar no auditório da Via da Conciliação, perto do Vaticano.

A paz e a alegria e não a organização, é que são sinal da presença de Deus na Igreja – o Papa Francisco na Missa em Santa Marta

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(RV) Uma organização ou programação perfeitas não são sinal da presença de Deus, mas sim a paz e a alegria. Isto é o essencial da homilia do Papa Francisco esta manhã em Santa Marta.
Os discípulos eram entusiastas e faziam programações sobre quem era o maior e discutiam entre si. Mas, Jesus, descentrou-lhes as ideias dirigindo-se para as crianças dizendo que os mais pequenos são... os maiores. Ao mesmo tempo, numa das leituras do dia de hoje do Profeta Zacarias, fala-se dos sinais da presença de Deus que, disse o Santo Padre, são os velhos e as crianças que são o futuro de um povo. E nem uns nem outros são descartáveis. Mas, os discípulos não compreendiam estes sinais e estavam mais preocupados com a eficácia da organização...

“Eu percebo que os discípulos queriam eficácia, queriam que a Igreja caminhasse sem problemas e esta pode ser uma tentação para a Igreja: a Igreja do funcionalismo! A Igreja bem organizada! Tudo certinho, mas sem memória e sem promessa! Esta Igreja assim não vai bem: será uma Igreja de luta pelo poder, será a Igreja dos ciúmes entre os batizados e tantas outras coisas que existem quando não há memória nem promessa.”

Assim a vitalidade da Igreja não vem dos documentos e reuniões para planificar e fazer bem as coisas, estas são realidades necessárias – diz o Papa Francisco – mas não são sinal da presença de Deus...

“O sinal da presença de Deus é este, assim disse o Senhor: Velhos e velhas estarão sentados nas praças de Jerusalém, cada um com o seu cajado para sua longevidade. E as praças da cidade estarão cheias de meninos e meninas que jogarão nas praças. Jogo faz-nos pensar em alegria: é a alegria do Senhor. E estes anciãos, sentados com o seu cajado na mão, tranquilos, fazem-nos pensar na paz. Paz e alegria: este é o ar da Igreja.” (RS)

29 setembro, 2013

Paróquia de Ota - despedida do Pe. Manuel Silva

  
Despedida Pe. Manuel Silva - 29.SET.13

O Pe. Manuel Silva irá deixar-nos a partir de amanhã (30.SET.13), porque partirá para o Kosovo, como Capelão de um contingente militar que com ele seguirá para aquele País, onde permanecerão 6 meses.

Assim, hoje (29.SET.13) celebrou a sua última Missa em Ota, tendo no final reunido com vários representantes dos grupos e serviços da Paróquia, para discussão, organização e propostas de ação a tomar a curto prazo, de forma a ser obtida uma maior eficácia no campo da organização geral, tornando-os mais motivadores e produtivos, essencialmente no campo da evangelização.

Concluída a reunião, com resultados nitidamente positivos, iniciou-se um almoço de confraternização, preparado pela Cozinha Social de Santa Teresinha, da Paróquia de Ota (a cargo G. O.  do RCC, “Verdade e Vida”, desde a sua inauguração), que decorreu de forma franca e amistosa.

Perante a ausência do Pe. Manuel, a Eucaristia dominical passará a ter início às 09H30 e será presidida pelo Pe. José António, da paróquia de Abrigada. Durnante a semana não haverá Missas em Ota.
Para atendimento diverso estará presente em Ota, todas as quintas feiras a partir das 19H30,  o Pe. Francisco, de Alenquer.

REPORTAGEM FOTOGRÁFICA


O catequista é aquele que guarda e alimenta a memória de Deus – Papa na missa para o Dia do Catequista na Praça de São Pedro

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(RV) Hoje, Jornada do Catequista, o Papa Francisco presidiu à missa na Praça de São de São Pedro para cerca de dois mil catequistas vindos de várias partes do mundo em peregrinação à Sé de Pedro e para tomar parte no Congresso Internacional da Catequese, realizado nos últimos três dias em Roma, no âmbito do ano da Fé. Com o Santo Padre concelebraram numerosos bispos e padres da igreja universal, entre os quais D. Salvatore Fisichella, Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, que lhe dirigiu a palavra no final da missa.

Na sua homilia o Papa deixou-se inspirar pelas palavras do Profeta Amós que diz: “Ai dos que vivem comodamente (…) e não se preocupam dos outros”. Palavras duras – disse o Papa - mas que nos chamam a atenção para o perigo que todos corremos. O perigo de termos como centro de tudo apenas o nosso bem-estar, sem nos preocuparmos com os outros, com os pobres; o perigo de - tal como o rico citado no Evangelho - perdermos a nossa identidade de pessoa, o nosso rosto humano, e de termos como rosto e como identidade apenas os nossos haveres.

Mas porque é que acontece isto, perguntou o Papa, respondendo que isto acontece quando perdemos a memória de Deus:

“Se falta a memória de Deus, tudo se nivela pelo eu, pelo meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros perdem consistência, já não contam para nada, tudo se reduz a uma única dimensão: o ter. Se perdemos a memória de Deus, também nós mesmos perdemos consistência, também nós nos esvaziamos, perdemos o nosso rosto, como o rico do Evangelho! Quem corre atrás do nada, torna-se ele próprio nulidade – diz outro grande profeta, Jeremias. Estamos feitos à imagem e semelhança de Deus, não das coisas, nem dos ídolos!”

E lançando o olhar à extensa Praça de São Pedro, repleta de catequistas (entre os outros fiéis) o Papa perguntou-se:

“Quem é o catequista”? É aquele que guarda a alimenta a memória de Deus; guarda-a em si mesmo e sabe despertá-lo nos outros. É belo isto!”

É belo isto, prosseguiu o Papa, referindo-se a Nossa Senhora que, depois de ter recebido o anuncio do Anjo de que ia ser a mãe de Jesus, soube, de forma humilde e cheia de fé, fazer memória de Deus.

A fé contém a memória de Deus, da história de Deus connosco, do Deus que toma a iniciativa de salvar o homem - continuou o Papa, afirmando que “o catequista é precisamente um cristão que põe esta memória ao serviço do anuncio: não para dar nas vistas, nem para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo o que Deus revelou, isto é a Doutrina, isto é a doutrina na sua totalidade, sem cortar, nem acrescentar”

Uma tarefa não fácil, a de guardar memória de Deus e despertá-lo na no coração dos outros, pois que isto compromete a vida toda –continuou o Papa, recordando que o próprio Catecismo não é senão memória de Deus, memória da sua acção na História, presença de Cristo na sua Palavra… e aqui o Papa dirigiu-se directamente aos catequistas:

“Amados catequistas pergunto-vos: Somos memória de Deus? Procedemos verdadeiramente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus, que inflama o coração (…)? Que estrada seguir para não sermos pessoas “que vivem comodamente”, que põem a sua segurança em si mesmos e nas coisas, mas homens e mulheres da memória de Deus?”

Como resposta o Papa sugeriu as indicações dadas por São Paulo na sua carta a Timóteo e que podem caracterizar também o caminho do catequista, isto é: procurar a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. E rematou:

“O catequista é pessoa da memória de Deus, se tem uma relação constante, vital com Ele e com o próximo; se é pessoa de fé, que confia verdadeiramente em Deus e põe n’Ele a sua segurança; se é pessoa de caridade, de amor, que vê a todos como irmãos; se é “hypomoné”, pessoa de paciência e perseverança, que sabe enfrentar as dificuldades, as provas, os insucessos, com serenidade e esperança no Senhor; se é pessoa gentil, capaz de compreensão e de misericórdia”

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No final da missa, e antes da oração mariana do Angelus, o Papa agradeceu todos, especialmente os catequistas vindos de tantas partes do mundo e dirigiu uma saudação particular a Sua Beatitude Youhanna X, Patriarca greco-ortodoxo de Antioquia de todo o Oriente, definindo-o irmão e dizendo que a sua presença nos convida a rezar mais uma vez para a paz na Síria e no Médio Oriente…

Saudou, entre outros, também um grupo de peregrinos de Assis vindos a Roma a cavalo, os peregrinos da Nicarágua, país que celebra o centenário da fundação canónica da Província eclesiástica… e concluiu recordando que sábado foi proclamado Beato na Croácia, Mirislav Bulevisic, sacerdote, morto como mártir em 1947.

E no meio meio dum tripudio de bandeirinhas amarelas e brancas, cartazes com frases saudando o Papa, rostos sorridentes e num pano de fundo de cânticos, o Papa foi dando a mão, saudando prelados, padres, catequistas, fieis… primeiro a pé e depois no automóvel papal até à Via da Concilição cheinha de gentes de mãos no ar a acená-lo e sauda-lo com gritos de alegria…

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28 setembro, 2013

Pedir a graça de não escapar à Cruz – o Papa Francisco na Missa deste Sábado em Santa Marta


(RV) Na homilia desta manhã na Missa em Santa Marta, partindo da Leitura do Evangelho, proposta pela liturgia deste dia, em que Jesus anuncia a sua Paixão, o Santo Padre afirma que as palavras de Jesus gelaram os discípulos. Estes provavelmente esperavam um caminho triunfante e tinham medo de colocar perguntas:
“Tinham medo da Cruz. O próprio Pedro, depois daquela confissão solene na região de Cesareia, quando mais uma vez chama a atenção do Senhor: Não, nunca Senhor! Isto não! Tinha medo da Cruz. Mas não só os discípulos, também Jesus tinha medo da Cruz! Ele não podia enganar-se, Ele sabia. Tanto era o medo de Jesus que naquela noite de quinta-feira suou sangue; tanto era o medo de Jesus que quase dizia o mesmo que Pedro, quase...’Pai afasta de mim este cálice...Mas faça-se a Tua vontade.’ Esta era a diferença!”
A Cruz faz-nos medo mesmo nas obras de evangelização. E o Papa Francisco recordou que não há redenção sem a efusão de sangue, não há obra apostólica fecunda sem a Cruz:
“Talvez nós pensamos, cada um de nós pensará: E a mim o que acontecerá? Como será a minha Cruz? Não sabemos. Não sabemos, mas haverá! Devemos pedir a graça de não escapar à Cruz quando ela vier: com medo, eh! Isso é verdade! Aquilo faz-nos medo. Mas a sequela de Jesus termina aí. Vêm-me à mente as últimas palavras que Jesus disse a Pedro, naquela coroação pontifícia no Tiberiades: Amas-me! Paz!... Mas as últimas palavras eram aquelas: Vão levar-te onde tu não queres ir! A promessa da Cruz.” (RS)

Permaneçam em Cristo correndo o risco de ir às “periferias” – o Papa Francisco aos catequistas reunidos em Congresso

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(RV) O Papa encontrou na tarde desta sexta-feira, na Sala Paulo VI, os participantes do Congresso Internacional de Catequese organizado no âmbito do Ano da Fé. No seu discurso, o Santo Padre ressaltou que "a catequese é um pilar para a educação da fé".
"É preciso bons catequistas!"- exclamou, agradecendo aos presentes por esse serviço "à Igreja e na Igreja". Ajudar as crianças, os adolescentes, os jovens a conhecer e a amar sempre mais o Senhor é uma das aventuras educacionais mais bonitas, e assim se constrói a Igreja! Mas devem ser catequistas e não trabalhar como catequistas” – observou ainda o Papa Francisco que convidou a recordar aquilo que Bento XVI disse: "A Igreja não cresce por proselitismo. Cresce por atração". "E aquilo que atrai – precisou o Papa – é o testemunho. Ser catequista significa dar testemunho da fé; ser coerente na própria vida. E isso não é fácil! Nós ajudamos, conduzimos ao encontro com Jesus com as palavras e com a vida, com o testemunho."
A este propósito o Papa Francisco recordou aquilo que São Francisco de Assis dizia aos seus confrades: "Preguem sempre o Evangelho e se for necessário também com as palavras". Mas antes vem o testemunho: "que as pessoas vejam o Evangelho na nossa vida. E 'ser' catequistas requer amor, amor sempre mais forte a Cristo, amor ao seu povo santo. E esse amor não se compra nas casas comerciais; não se compra nem mesmo aqui em Roma. Esse amor vem de Cristo! É um presente de Cristo!
Então, continuou o Papa devemos partir de Cristo. E o que é que isso significa?
O Papa respondeu com três coisas. Em primeiro lugar, partir novamente de Cristo significa ter familiaridade com Ele. "Se estivermos unidos a Ele – observou o Santo Padre – podemos dar fruto, e essa é a familiaridade com Cristo. Permanecer em Jesus!" É um permanecer apegado a Ele, "com Ele, falando com Ele: mas, permanecer em Jesus".
Depois acrescentou o segundo elemento: "partir novamente de Cristo significa imitá-lo no sair de si e ir ao encontro do outro. Essa é uma experiência bonita, e um pouco paradoxal. Por qual motivo? Porque quem coloca no centro da própria vida Cristo, descentra-se! Quanto mais se une a Jesus e Ele se torna o centro da sua vida, mais Ele o faz sair de si mesmo, descentra-se e abre-se aos outros…

“Prefiro mil vezes um catequista que tenha a coragem de correr o risco de sair de si mesmo do que um catequista que estude, saiba tudo, mas seja sempre fechado e doente. Ás vezes, é doente da cabeça...”

O terceiro elemento, com o qual terminou a sua mensagem, está sempre na linha dos anteriores: "partir novamente de Cristo significa não ter medo de ir com Ele às periferias" porque Jesus caminha sempre connosco e quando pensamos ir longe, a uma periferia extrema, Jesus está lá.

“ Vós sabeis qual é uma das periferias que me fazem mal? É aquela das crianças que não sabem fazer o Sinal da Cruz. Esta é uma periferia! É preciso ir lá! (RS)

27 setembro, 2013

“Acompanho o Senhor até à Cruz?” – o Papa responde que só quem se humilha com alegria e paciência pode acompanhar Jesus

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(RV) A prova do cristão está na sua capacidade de suportar as humilhações com alegria e paciência – esta é a ideia principal da meditação matinal do Papa Francisco na Missa em Santa Marta.

Na homilia desta sexta-feira o Santo Padre falou de “tentações do bem-estar espiritual” que impedem de amar a Cristo. É o perigo dos cristãos mornos... dizer sim mas só até um certo ponto. Partindo do Evangelho de Lucas no episódio em que Jesus pergunta aos discípulos sobre a opinião das pessoas sobre quem ele é, e que depois também questiona-os, a eles seus discípulos, sobre o mesmo assunto, esta pergunta, diz o Santo Padre, é diretamente para cada um de nós. Desta forma, quem é para nós Jesus Cristo? Pedro respondeu que Ele era o Cristo de Deus...“Foi o Espírito Santo a tocar o coração de Pedro para dizer quem é Jesus” – continuou o Santo Padre – que referiu o facto de Jesus ter logo aí anunciado a sua Paixão, Morte e Ressurreição. E aqui o Papa Francisco recordou a reação de Pedro que de imediato se apressou a declarar que nada aconteceria a Jesus, como podemos ler no Evangelho de S. Mateus. Eis, diz o Papa, uma tentação que nos pode acontecer...

“Esta é a tentação do bem estar espiritual. Temos tudo: temos a Igreja, temos Jesus Cristo, os Sacramentos, a Nossa Senhora, tudo, um bom trabalho pelo Reino de Deus; somos todos bons. Porque pelo menos devemos pensar isto, porque se pensamos o contrário é pecado! Mas não basta este bem-estar espiritual até a um certo ponto. Falta esta última unção do cristão para ser um verdadeiro cristão: a unção da Cruz, a unção da humilhação. Ele humilhou-se a si próprio até à morte, à morte de tudo. Esta é a pedra de comparação, a avaliação da nossa realidade cristã: sou um cristão de cultura e bem-estar? Sou um cristão que acompanha o Senhor até à cruz? O sinal é a capacidade de suportar a humilhação.”
O escândalo da cruz continua a bloquear muitos cristãos. Todos querem ressuscitar mas nem todos estão dispostos a fazer o caminho da cruz:

“A avaliação se um cristão é um cristão verdadeiro é a sua capacidade de levar com alegria e paciência as humilhações; esta é uma coisa que não dá prazer...há tantos cristãos que, olhando para o Senhor, pedem humilhações para serem semelhantes a Ele. Esta é a escolha: ou cristão do bem-estar – Estás seguro que irás para o Céu? Estás seguro que te salvarás? – ou o cristão perto de Jesus, pelo caminho de Jesus.” (RS) RealAudioMP3