30 setembro, 2014

Evitemos lamentações teatrais e rezemos por quem sofre verdadeiramente – o Papa em Santa Marta nesta terça-feira

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(RV) Evitemos lamentações teatrais e rezemos por quem sofre verdadeiramente – esta a mensagem principal do Papa Francisco na manhã de terça-feira, dia 30 de setembro.
Na primeira leitura da liturgia deste dia retirada do Livro de Job podemos ler: “Desapareça o dia em que nasci e a noite em que foi dito: ‘Foi concebido um varão!’ Porque não morri no seio da minha mãe ou não pereci ao sair das suas entranhas?” Job faz estas afirmações amaldiçoando o dia em que nasceu. Tinha perdido tudo: família, bens, saúde. Será blasfémia? – perguntou o Santo Padre que a este propósito recordou Jesus na cruz que afirma: Pai, por que me abandonaste? Tudo isto é oração – afirmou o Papa Francisco.

“Tantas vezes eu ouvi pessoas que estão vivendo situações difíceis, dolorosas, que perderam muito ou se sentem sós e abandonadas e vêm lamentar-se e fazem estas perguntas: Porquê? Porquê? Rebelam-se contra Deus. E eu digo: 'Continua a rezar assim, porque também isto é uma oração ". Era uma oração quando Jesus disse ao seu Pai: "Por que me abandonaste?!”.

O Santo Padre recordou neste ponto da sua homilia as grandes tragédias da humanidade, “tantos irmãos e irmãs que não têm esperança”. Referiu o exemplo dos cristãos que são perseguidos e expulsos das suas casas ficando sem nada. E nós, – observou o Papa – que “não temos fome, nem doenças”, quando chega um pouco de “escuridão na nossa alma” zangamo-nos logo com Deus. O Santo Padre evocou o exemplo de Santa Teresinha do Menino Jesus:
 
“E ela, Santa Teresa, rezava e pedia para andar em frente, na escuridão. Isto chama-se entrar em paciência. A nossa vida é demasiado fácil, as nossas lamentações, são lamentações de teatro. Perante estas, estas lamentações de tantas pessoas, de tantos irmãos e irmãs que estão na escuridão, que quase perderam a memória, que quase perderam a esperança – que vivem aquele exílio de si próprios, são exilados, também de si próprios – nada! E Jesus fez este caminho: da noite no Monte das Oliveiras até a última palavra da cruz: "Pai, por que me abandonaste!”

No final da sua meditação o Papa Francisco apontou duas ideias práticas: prepararmos o nosso coração para os dias de escuridão, e rezarmos com a Igreja pelos irmãos que perderam a esperança e que vivem no sofrimento e na escuridão. (RS)

29 setembro, 2014

Satanás apresenta as coisas como boas, mas quer destruir a humanidade – o Papa em Santa Marta


RV) Satanás apresenta as coisas como boas, mas quer destruir a humanidade – esta a principal mensagem do Papa Francisco em Santa Marta nesta segunda-feira em que a Igreja celebra os Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.
As leituras do dia apresentam-nos imagens muito fortes: o arcanjo Miguel e os seus anjos lutando contra "o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo" e "engana toda a terra habitada", mas é derrotado, como indicado no Livro do Apocalipse; e no Evangelho do dia descobrimos Jesus que diz a Natanael: "Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem." O Papa Francisco falou sobre a "luta entre Deus e o diabo":

"Mas esta luta acontece depois de Satanás procurar destruir a mulher que está prestes a dar à luz o filho. Satanás sempre tenta destruir o homem: o homem que Daniel via ali, em glória, e que Jesus dizia a Natanael que viria em glória. Desde o início que a Bíblia fala sobre isto: desta sedução para destruir, de Satanás. Talvez por inveja. Nós lemos no Salmo 8: "Tu fizeste o homem superior aos anjos", e aquela inteligência tão grande do anjo não podia levar aos seus ombros essa humilhação, que uma criatura inferior fosse feita superior e tentava destruí-lo. "
"Tantos projetos, exceto para os próprios pecados, mas tantos, tantos projetos de desumanização do homem, são obra dele, simplesmente porque odeia o Homem. É astuto: di-lo a primeira página do Genesis; é astuto. Apresenta as coisas como se fossem boas. Mas a sua intenção é a destruição. E os anjos defendem-nos. Defendem o homem e defendem o Deus-Homem, o Homem Superior, Jesus Cristo que é a perfeição da humanidade, o mais perfeito. Por isso, a Igreja honra os Anjos, porque são aqueles que estarão na glória de Deus – estão na glória de Deus - porque defendem o grande mistério oculto de Deus, ou seja, que o Verbo veio em carne.

O Santo Padre no final da sua homilia convida-nos a rezar aos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael e a “recitar aquela oração antiga e bela, ao arcanjo Miguel, para que continue a lutar para defender o mistério maior da humanidade: o Verbo fez-se Homem, morreu e ressuscitou. Este é o nosso tesouro. Que ele continue a lutar para o conservar” – concluiu o Papa Francisco. (RS).

28 setembro, 2014

A Semana do Papa – uma síntese das principais atividades de 22 a 28 de setembro

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(RV)

Dia 23
A vida cristã é "simples": ouvir a Palavra de Deus e colocá-la em prática – esta a mensagem clara do Papa Francisco na Missa celebrada na capela da Casa Santa Marta nesta terça-feira, dia 23 de setembro.
Não basta "ler" o Evangelho – afirmou o Santo Padre – mas é necessário perguntarmo-nos de que forma é que a Palavra de Deus fala nas nossas vidas.

"Mas Jesus continuava a falar com as pessoas e amava as pessoas e amava a multidão, a tal ponto que diz ‘estes que me seguem, aquela imensa multidão, são a minha mãe e os meus irmãos… são estes'. E explica: "aqueles que escutam a Palavra de Deus, colocam-na em prática". Estas são as duas condições para seguir Jesus: ouvir a Palavra de Deus e colocá-la em prática. Esta é a vida cristã, nada mais. Simples, fácil. Talvez nós fizemo-la um pouco difícil, com muitas explicações que ninguém entende, mas a vida cristã é isto: Escutar a Palavra de Deus e praticá-la."

Foi publicada na terça-feira, dia 23, a Mensagem do Papa Francisco para o próximo Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados a ter lugar no dia 18 de Janeiro de 2015. O tema é “Igreja sem fronteiras, mãe de todos” . Um tema assente na passagem do Evangelho que diz: “… era peregrino e acolheste-me” e que recorda que a Igreja tem por missão amar Jesus Cristo, particularmente nos mais pobres e abandonados, acolhendo a todos sem distinção nem fronteiras, para anunciar que Deus é amor. E nesta ótica “ninguém deve ser considerado inútil, intruso ou descartável” – reafirma com vigor o Santo Padre nesta sua mensagem.

Dia 24

O Papa Francisco na audiência geral desta quarta-feira dirigiu-se aos milhares de fieis presentes na Praça de S. Pedro falando-lhes sobre a Viagem Apostólica à Albânia realizada no passado domingo dia 21 de setembro. Com esta visita ao povo albanês o Santo Padre quis mostrar a solidariedade do Sucessor de Pedro para com um País que, após passar muito anos sob a opressão de um regime ateu e desumano, está a viver agora uma experiência de convivência pacífica entre as religiões.

“Por isso no centro da Viagem esteve um encontro inter-religioso onde pude constatar, com viva satisfação, que a pacífica e frutuosa convivência entre pessoas e comunidades pertencentes a religiões diferentes é não só desejável, mas concretamente possível e praticável.”

Segundo o Papa Francisco foi visível no encontro inter-religioso que é possível e praticável estabelecer um diálogo frutuoso entre as religiões, sem que isso signifique dar espaço ao relativismo ou ao menosprezo da identidade de cada um. O Santo Padre recordou os testemunhos de martírio que conheceu na Albânia:

“Graças à presença de alguns idosos, que viveram na sua carne as terríveis perseguições, ressoou a fé de tantos heroicos testemunhos do passado, os quais seguiram Cristo até às extremas consequências.”

O Papa Francisco, terminou a catequese afirmando a mensagem de fé em Jesus Cristo que viu e testemunhou na Albânia:

“Esta mensagem de esperança, fundada na fé em Cristo e sobre a memória do passado, confiei-a à inteira população albanesa que vi entusiasta e alegre nos lugares dos encontros e das celebrações, como também pelas estradas de Tirana. Encorajei todos a atingirem energias sempre novas do Senhor Ressuscitado, para poder ser fermento evangélico na sociedade e empenharem-se, como já acontece, em atividades caritativas e educativas.”

No final da audiência geral o Santo Padre lançou uma mensagem especial de conforto e proximidade para as vítimas do virus ébola:

“O meu pensamento vai agora para aqueles países que estão a sofrer com a epidemia de Ébola. Estou próximo a tantas pessoas atingidas por esta terrível doença. Convido-vos a rezar por eles e por todos os que perderam tragicamente a vida. Desejo que não falte a necessária ajuda da Comunidade Internacional para aliviar os sofrimentos destes nossos irmãos e irmãs.”

Dia 25

Não nos deixemos levar pela vaidade que nos afasta da verdade e nos faz assemelhar a uma bola de sabão – disse o Papa na homilia da missa de quinta-feira, dia 25 na Casa de Santa Marta.

Deixando-se inspirar pela primeira leitura do dia, tirada do Livro de Qoelet, o Papa deteve-se sobre a questão da vaidade – uma tentação não só para os pagãos, mas também para os cristãos, para pessoas de fé – afirmou, recordando que Jesus repreendia sempre aqueles que se vangloriavam, e recomendava a não exibição de vestes luxuosas e a reza só para mostrar aos outros. O mesmo frisou o Papa deve ser feito quando se ajudam os pobres: “Não mandar tocar a tromba, fazei-lo às escondidas. O Pai vê, é suficiente”:

“Quantos cristãos vivem só para a aparência. A vida deles parece uma bola de sabão. É bela a bola de sabão. Muitas cores, eh! Mas dura um segundo, e depois? Também quando olhamos para alguns monumentos fúnebres, achamos que é vaidade, porque a verdade é voltar para a terra nua, como dizia o Servo de Deus Paulo VI. Espera-nos a terra nua, esta é a nossa verdade final. Entretanto vanglorio-me ou faço alguma coisa? Faço o bem? Procuro o bem? Procuro Deus? Rezo? As coisas consistentes? A vaidade é mentirosa, é fantasiosa, engana a si mesma.”

A vaidade – prosseguiu o Papa - semeia uma má inquietude, tira a paz. A vaidade não nos traz a paz, somente a verdade nos dá a paz. Jesus é a única rocha em que podemos edificar a nossa vida. Ele foi tentado pelo Diabo a assumir atitudes de vaidade, mas não cedeu – deixou entender o Papa, definindo a vaidade “uma doença espiritual grave” contra a qual temos de lutar sempre:

Peçamos ao Senhor a graça de não ser vaidosos, de ser verdadeiros, com a verdade da realidade e do Evangelho.”
 
Dia 26
“Contemplar”, “sair”, “fazer escola” – os três pontos fundamentais indicados pelo Papa Francisco ao Movimento dos Focolares, recebendo na manhã de sexta-feira, dia 26, os participantes na respetiva Assembleia geral, que confirmou a sucessora de Chiara Lubich, Maria Voce como Presidente.

A cinquenta anos do Concílio Vaticano II, a Igreja está chamada a percorrer uma nova etapa da evangelização, testemunhando o amor de Deus por cada pessoa, a começar pelos mais pobres e excluídos, e para fazer crescer – com a esperança, a fraternidade e a alegria – o caminho da humanidade em direção à unidade.
O Papa evocou “o carisma da unidade que o Pai quer dar à Igreja e ao mundo” como uma característica central da Obra de Maria – conhecida como Movimento dos Focolares – tendo palavras de “afeto e reconhecimento” em relação à fundadora, Chiara Lubich, “extraordinária testemunha deste dom” – disse. Convidando os “Focolares” a colaborar no esforço que hoje se pede à Igreja – de oferecer “com responsabilidade e criatividade” o próprio contributo para a evangelização, Papa Francisco apontou nesse sentido três palavras chave: contemplar, sair, fazer escola.

Dia 27
“Remai e sede fortes mesmo com o vento contrário. Remai e rezai, esperando sempre no Senhor” – esta a principal mensagem do Papa Francisco na Igreja de Jesus na tarde deste sábado, dia 27 de setembro, em Roma, numa celebração de Vésperas e TeDeum por ocasião do bicentenário da restauração da Companhia de Jesus.

“...remem, portanto! Remem, sejam fortes, mesmo com o vento contrário! Rememos ao serviço da Igreja. Rememos juntos! Mas enquanto remamos – também o Papa rema na barca de Pedro – devemos rezar tanto: “Senhor, salva-nos!”, “Senhor, salva o teu povo!”. O Senhor, mesmo se somos homens de pouca fé nos salvará. Esperemos no Senhor! Esperemos sempre no Senhor!"

Dia 28
No domingo dia 28 o Papa Francisco agradeceu a presença do Papa Emérito Bento XVI na Praça de S. Pedro no Encontro com os avós.
No seu discurso, o Santo Padre recordou que "a velhice é um tempo de graça na qual o Senhor nos renova a sua chamada: chama-nos a cuidar e a transmitir a fé, a rezar e sobretudo a interceder. Chama-nos a estar próximos dos que precisam. Mas os idosos, os avós, têm uma capacidade para compreender as situações mais difíceis e quando rezam por estas situações, a sua oração é forte, é potente".
"Por conseguinte, salientou ainda o Papa, cabe aos avós que tiveram a graça de poder conhecer e ver os seus netos, a tarefa de transmitir a experiência da vida, a história da família, da comunidade, de um povo, partilhar com simplicidade essa sabedoria e a mesma fé como uma herança preciosa."

Na Missa celebrada pelo Papa Francisco depois do encontro-diálogo com os idosos o Santo Padre comentando o Evangelho do dia referiu-se ao encontro entre Maria e a já idosa prima Isabel, ressaltando que não há futuro "sem esse encontro entre as gerações, sem que os filhos recebam com reconhecimento o bastão da vida das mãos dos pais".
No Angelus deste domingo a propósito da Assembleia Sinodal que se inicia no próximo dia 5, subordinada ao tema da família, o Papa convidou todos a rezarem pelo Sínodo dos Bispos confiando esta intenção à intercessão de Nossa Senhora.

E com o Angelus deste domingo terminamos esta síntese das principais atividades do Santo Padre que foram notícia de 22 a 28 de setembro. Esta rubrica regressa na próxima semana sempre aqui na RV em língua portuguesa. (RS)

Durante o Angelus Papa Francisco convida fiéis a rezar pelo Sínodo sobre a família


(RV) Antes da conclusão da Missa o Santo Padre introduziu a oração mariana do Angelus com uma saudação a todos os peregrinos presentes na Praça de S. Pedro, e especialmente os idosos, vindos de muitos Países.

O Papa dirigiu igualmente uma cordial saudação aos participantes na conferência- peregrinação "Cantar a Fé", organizada por ocasião do trigésimo aniversário do coro da diocese de Roma, tendo-lhes agradecido pela presença e por terem animado com o canto a celebração, juntamente com a Capela Sistina, dando-lhes em seguida esta recomendação:

Continuai a realizar com alegria e generosidade o serviço litúrgico nas vossas comunidades!
Em seguida o Papa recordou o Bispo Álvaro del Portillo, proclamado Beato ontem em Madrid, tendo manifestado o desejo que o seu testemunho cristão e sacerdotal possa suscitar em muitos o desejo de aderir sempre mais a Cristo e ao Evangelho.

A propósito da Assembleia Sinodal que inicia no próximo domingo, subordinada ao tema da família, o Papa dirigiu aos fiéis o seguinte convite:

Convido a todos, indivíduos e comunidades, a rezar por este importante evento e confio esta intenção à intercessão de Maria, Salus Populi Romani.

E por último, o Papa convidou aos presentes a rezar juntos o Angelus, dizendo:

Com esta oração invoquemos a protecção de Maria pelos idosos do mundo inteiro, de modo particular por aqueles que vivem em situações de maiores dificuldades.

E como habitualmente o Papa Francisco concluiu com a sua bênção, desejando a todos bom domingo e bom almoço.

A velhice é um tempo de graça: Papa Francisco encontrando os idosos

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(RV) "Agradeço de maneira especial a presença do Papa Emérito Bento XVI. Eu disse tantas vezes que gostaria que Ele habitasse aqui no Vaticano porque a sua presença é como ter um avó sábio em casa. Obrigado" - Palavras do Papa Francisco dirigidas ao Papa emérito Bento XVI, no encontro com os idosos, esta manhã na Praça de S. Pedro.

No seu discurso, o Santo Padre recordou que "a velhice é um tempo de graça na qual o Senhor nos renova a sua chamada: chama-nos a cuidar e a transmitir a fé, a rezar e sobretudo a interceder. Chama-nos a estar próximos dos que precisam. Mas os idosos, os avós, têm uma capacidade para compreender as situações mais difíceis e quando rezam por estas situações, a sua oração é forte, é potente".

"Por conseguinte, salientou ainda o Papa, cabe aos avós que tiveram a graça de poder conhecer e ver os seus netos, a tarefa de transmitir a experiência da vida, a história da família, da comunidade, de um povo, partilhar com simplicidade essa sabedoria e a mesma fé como uma herança preciosa."

O Santo Padre recordou ainda que nos países onde a perseguição religiosa foi cruel, como foi no caso da Albania, país que o Santo Padre visitou no domingo passado, nestes países, disse o Papa, foram os avós que levaram às escondidas as crianças para serem baptizadas, para lhes transmitirem o dom da fé. Desta forma os avós conseguiram salvar a fé em Cristo durante o periodo da perseguição.

Infelizmente, salientou o Santo Padre, nem sempre o avô, a avó, têm uma família pronta para os acolher. Então neste caso são bem vindas as Casas, os Lares para os idosos, desde que sejam autênticas casas e não prisões para os idosos. Mas sobretudos que estas casas sejam realmente para os idosos e não para os interesses de alguém.

Finalmente, o Papa Francisco recordou que os cristãos juntamente com todos os homens e mulheres de boa vontade são chamados a construir com paciência uma sociedade diversa, mais acolhedora, mais humana, mais inclusiva. E lembrou que um povo que não cuida dos seus idosos, dos seus avós e sobretudo os maltrata, é um povo sem futuro, pois que está privado de memória, vive separado das próprias raízes. Cabe portanto aos cristãos, manterem viva estas raízes familiares.

Remai e sede fortes, mesmo com o vento contrário – o Papa Francisco aos jesuítas

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(RV) “Remai e sede fortes mesmo com o vento contrário. Remai e rezai, esperando sempre no Senhor” – esta a principal mensagem do Papa Francisco na Igreja de Jesus na tarde deste sábado, dia 27 de setembro, em Roma, numa celebração de Vésperas e TeDeum por ocasião do bicentenário da restauração da Companhia de Jesus. Recordemos que a atividade da Companhia de Jesus tinha sido extinta em 1773 pelo Papa Clemente XIV tendo sido posteriormente reabilitada em 1814 através da bula “sollicitudo omnium ecclesiarum” do Papa Pio VII.
Na homilia desta celebração, após recordar que a Companhia viveu tempos difíceis, de perseguição, em que os inimigos da Igreja conseguiram obter a extinção da Companhia de Jesus, o Santo Padre, também ele jesuíta, frisou que hoje "somos chamados a recuperar a nossa memória, recordando os benefícios recebidos e os dons particulares".
O Papa Francisco evocou a atitude com a qual o último Prepósito Geral de então, Padre Lorenzo Ricci, viveu esse tempo de tribulação para a Companhia. O Santo Padre referiu que, nessa ocasião de confusão e de perda o Padre Ricci chegou a falar, justamente, dos pecados dos jesuítas. "Não se defende sentindo-se vítima da história, mas reconhecendo-se pecador" – afirmou o Papa Francisco que ressaltou o facto da Companhia de Jesus ter preferido viver o discernimento da vontade de Deus:

"Olhar a si mesmos reconhecendo-se pecadores evita de colocar-se na condição de considerar-se vítimas diante de um carrasco. Reconhecer-se pecadores, reconhecer-se realmente pecadores, significa colocar-se na atitude justa para receber a consolação."Mesmo diante do seu fim, a Companhia "permaneceu fiel ao objetivo para o qual tinha sido fundada": caridade, união, obediência, paciência, simplicidade evangélica, verdadeira amizade com Deus e total confiança no Senhor” – declarou o Papa Francisco.

" Às vezes o caminho que conduz à vida é estreito, mas a tribulação, se vivida à luz da misericórdia, purifica-nos como o fogo, dá-nos tanta consolação e inflama o nosso coração afeiçoando-o à oração. Os nossos irmãos jesuítas na supressão foram ardentes no espírito e no serviço do Senhor, alegres na esperança, constantes na tribulação, perseverantes na oração. E isto deu honra à Companhia, não certamente as comendas dos seus méritos. E assim será sempre."
Também a Igreja, a barca de Pedro, pode ser hoje, abalroada pelas ondas, como foi então a nave da Companhia de Jesus – refletiu o Papa. Cansa remar – continuou o Santo Padre – mas “os jesuítas são remadores especialistas e valorosos”:

“...remem, portanto! Remem, sejam fortes, mesmo com o vento contrário! Rememos ao serviço da Igreja. Rememos juntos! Mas enquanto remamos – também o Papa rema na barca de Pedro – devemos rezar tanto: “Senhor, salva-nos!”, “Senhor, salva o teu povo!”. O Senhor, mesmo se somos homens de pouca fé nos salvará. Esperemos no Senhor! Esperemos sempre no Senhor!"

O Papa Francisco concluiu a sua homilia considerando que ”o jesuíta quer ser um companheiro de Jesus, alguém que tem os mesmos sentimentos de Jesus.” (RS)

27 setembro, 2014

Levar a esperança cristã aos que se afastaram da Igreja – o Papa à Plenária dos Congressos Eucarísticos


(RV) No final da manhã deste sábado o Papa Francisco recebeu na Sala Clementina no Vaticano os participantes na Assembleia Plenária do Comité Pontifício para os Congressos Eucarísticos Internacionais. Na sua mensagem o Santo Padre referiu-se aos preparativos do próximo Congresso Eucarístico Internacional que terá lugar em Janeiro de 2016 em Cebu nas Filipinas. “A Eucaristia tem um lugar central na Igreja porque é ela a fazer a Igreja” – observou o Santo Padre que considerou muito significativo o tema do próximo Congresso: “Cristo em vós, esperança da glória”. Segundo o Papa Francisco este tema coloca em destaque a ligação entre a Eucaristia, a missão e a esperança cristã.

“Hoje existe uma falta de esperança no mundo, por isso a humanidade tem necessidade de ouvir a mensagem da nossa esperança em Jesus Cristo.” – afirmou o Santo Padre que concluiu a sua intervenção desejando que a Igreja leve esta mensagem de esperança a todos, “especialmente àqueles que, sendo batizados, afastaram-se da Igreja e vivem sem fazer referência à vida cristã”.

No início da manhã deste sábado o Papa Francisco celebrou missa na Capela do Governatorato para os membros da Gendarmeria, que é o Corpo Policial do Vaticano. De seguida, recebeu em audiências sucessivas o Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos, o Núncio Apostólico no México, D. Christiophe Pierre; o Núncio na Tanzânia, D. Francisco Montecillo Padilla e ainda o Núncio Apostólico presente nas Filipinas, D. Giuseppe Pinto. (RS)

26 setembro, 2014

Entende-se Cristo carregando a cruz como o Cireneu – o Papa na Missa na Casa Santa Marta


(RV) “Ser cristão é ser Cireneu e quem tem fé, identifica-se com Ele. Pertence a Jesus quem leva com Ele o peso da Cruz” - reflexão feita pelo Papa na homilia da manhã desta sexta-feira, 26, baseada no Evangelho de Lucas, em que Cristo pergunta aos discípulos quem as multidões pensam que Ele é, e recebe as respostas mais diversas.

“Este episódio – observou o Papa – demonstra que Jesus queria que a sua identidade fosse protegida. Em certas ocasiões, quando alguém se aproximava para comunicá-la, Ele o detinha, assim como impediu várias vezes também ao demónio de revelar a sua natureza de Filho de Deus, que veio para salvar o mundo. Fazia isto para que – explicou o Papa – as pessoas não se enganassem e pensassem que Messias fosse um líder vindo para expulsar os romanos. Só quando estava sozinho com os doze Apóstolos, Jesus começou a fazer a catequese sobre a sua verdadeira identidade”.

É necessário que O Filho do Homem sofra muito, seja rejeitado pelos anciãos, chefes dos sacerdotes e escribas, seja morto e ressuscite. Este é o caminho da sua libertação. Este é o caminho do Messias, do Justo: a Paixão e a Cruz. E lhes explica quem é. Eles não querem entender e no Evangelho de Mateus, se vê que Pedro rejeita esta verdade: ‘Não, não! E Ele começa a revelar o mistério sobre a sua identidade: ‘Sim, eu sou o Filho de Deus. Mas este é o meu caminho: devo percorrer este caminho de sofrimento’”.

Esta – afirmou o Papa – é a “pedagogia” que Jesus usa para “preparar os corações dos discípulos, os corações das pessoas... a entender este mistério de Deus”:
“É tanto o amor de Deus, é tão ruim o pecado, que Ele nos salva assim: com esta identidade na Cruz. Não se pode entender Jesus Cristo Redentor sem a cruz: não se pode! Podemos até chegar a pensar que é um grande profeta, que faz coisas boas, é um santo. Mas o Cristo Redentor sem a Cruz não se pode entender. Mas os corações dos discípulos, os corações das pessoas, não estavam preparados para entendê-lo. Não haviam entendido as profecias, não haviam entendido que justamente Ele era o Cordeiro para o sacrifício. Não estavam preparados”.

É somente no Domingo de Ramos – observa o Papa – que Cristo permite à multidão de dizer, “mais ou menos”, a sua identidade, com aquele “Bendito o que vem em nome do Senhor”. E isto porque “se estas pessoas não gritam, gritarão as pedras!”. Pelo contrário, é somente após a sua morte que a identidade de Jesus aparece em plenitude e a “primeira confissão” vem do centurião romano, conta o Papa Francisco, que conclui: “passo a passo”, Jesus “nos prepara para entendê-lo”. Nos “prepara para acompanhá-lo com as nossas cruzes no seu caminho para a redenção”:

“Nos prepara para sermos Cireneus, para ajudá-lo a carregar a cruz. E a nossa vida cristã sem isto, não é cristã. É uma vida espiritual, boa... ‘Jesus é o grande profeta, também nos salvou. Mas Ele e eu não...’. Não, tu com Ele! Percorrendo o mesmo caminho. Também a nossa identidade de cristãos deve ser protegida e não acreditar que ser cristãos é um mérito, é um caminho espiritual de perfeição. Não é um mérito, é pura graça”.

25 setembro, 2014

A vaidade é uma doença espiritual muito grave - Papa na Missa em Santa Marta, nesta quinta-feira

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(RV) Não nos deixemos levar pela vaidade que nos afasta da verdade e nos faz assemelhar a uma bola de sabão – disse o Papa na homilia da missa desta quinta-feira na Casa Santa Marta.

Deixando-se inspirar pela primeira leitura do dia, tirada do Livro de Qoelet, o Papa deteve-se sobre a questão da vaidade – uma tentação não só para os pagãos, mas também para os cristãos, para pessoas de fé – afirmou, recordando que Jesus repreendia sempre aqueles que se vangloriavam, e recomendava a não exibição de vestes luxuosas e a reza só para mostrar aos outros. O mesmo frisou o Papa deve ser feito quando se ajudam os pobres: “Não mandar tocar a tromba, fazei-lo às escondidas. O Pai vê, é suficiente”:

“Mas o vaidoso: “Mas olha, eu dou este cheque para as obras da Igreja, e mostra o cheque; depois trufa a Igreja. É o vaidoso que faz isto: viver para mostrar. “Quando jejuas – dizia Jesus a esses tais, por favor não te mostres melancólico, triste para que os outros vejam que estás a jejuar; não, jejua com alegria; faz penitência com alegria, que ninguém se dê conta. A vaidade é assim: é viver para mostrar, viver para se fazer ver” .

Os cristãos que vivem assim para mostrar, por vaidade, assemelham-se a pavões. Há quem diga ”eu sou cristão, eu sou parente daquele padre, daquela irmã, daquele bispo, a minha família é uma família cristã. Se vangloriam. Mas, e a tua vida com o Senhor?, como é que rezas? A tua vida nas obras de misericórdia como é que está? Visitas os doentes? – perguntou o Papa frisando que tal como recordava Jesus - quando a nossa vida cristã não é construída sobre a verdade sólida, cedemos facilmente às tentações. E acrescentou:

“Quantos cristãos vivem só para a aparência. A vida deles parece uma bola de sabão. É bela a bola de sabão. Muitas cores, eh! Mas dura um segundo, e depois? Também quando olhamos para alguns monumentos fúnebres, achamos que é vaidade, porque a verdade é voltar para a terra nua, como dizia o Servo de Deus Paulo VI. Espera-nos a terra nua, esta é a nossa verdade final. Entretanto vanglorio-me ou faço alguma coisa? Faço o bem? Procuro o bem? Procuro Deus? Rezo? As coisas consistentes? A vaidade é mentirosa, é fantasiosa, engana a si mesma, engana o vaidoso, porque primeiro ele finge ser, mas depois acaba por pensar ser aquilo mesmo. Acredita. Pobrezinho!

A vaidade – prossegui o Papa - semeia uma má inquietude, tira a paz. A vaidade não nos traz a paz, somente a verdade nos dá a paz. Jesus é a única rocha em que podemos edificar a nossa vida. Ele foi tentado pelo Diabo a assumir atitudes de vaidade, mas não cedeu – deixou entender o Papa, definindo a vaidade “uma doença espiritual grave” contra a qual temos de lutar sempre:

Os Padres egípcios no deserto diziam que a vaidade é uma tentação contra a qual devemos lutar a vida inteira, porque está sempre ali pronta a afastar-nos da verdade. É por isso que diziam: é come a cebola, pegas nela tiras uma casca, tiras outra… assim também é a vaidade, evitas um pouco hoje, um pouco amanhã e acabas por ficar contente: ah, venci a vaidade!… mas é como a cebola, tiras uma casca, tiras outra, até acabar, mas no fim fica-te o cheiro nas mãos… Peçamos ao Senhor a graça de não se vaidosos, de ser verdadeiros, com a verdade da realidade e do Evangelho”

24 setembro, 2014

Albânia: exemplo de pacífica convivência entre as religiões – o Papa na audiência geral

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(RV) O Papa Francisco na audiência geral desta quarta-feira dirigiu-se aos milhares de fieis presentes na Praça de S. Pedro falando-lhes sobre a Viagem Apostólica à Albânia realizada no passado domingo dia 21 de setembro. Com esta visita ao povo albanês o Santo Padre quis mostrar a solidariedade do Sucessor de Pedro para com um País que, após passar muito anos sob a opressão de um regime ateu e desumano, está a viver agora uma experiência de convivência pacífica entre as religiões.

“Esta visita nasceu do desejo de viajar num país que, depois de ter estado longamente oprimido por um regime ateu e desumano, está a viver uma experiência de pacífica convivência entre as suas diferentes componentes religiosas.”

“Por isso no centro da Viagem esteve um encontro inter-religioso onde pude constatar, com viva satisfação, que a pacífica e frutuosa convivência entre pessoas e comunidades pertencentes a religiões diferentes é não só desejável, mas concretamente possível e praticável.”

Segundo o Papa Francisco foi visível no encontro inter-religioso que é possível e praticável estabelecer um diálogo frutuoso entre as religiões, sem que isso signifique dar espaço ao relativismo ou ao menosprezo da identidade de cada um. O Santo Padre recordou os testemunhos de martírio que conheceu na Albânia:

“Graças à presença de alguns idosos, que viveram na sua carne as terríveis perseguições, ressoou a fé de tantos heroicos testemunhos do passado, os quais seguiram Cristo até às extremas consequências.”

O Santo Padre referiu-se também ao encontro com os sacerdotes, pessoas consagradas, seminaristas e movimentos laicais como uma ocasião para fazer memória dos numerosos mártires da fé daquele País, lembrança perene de que a força da Igreja não vem da sua capacidade organizativa nem das estruturas, mas do amor de Cristo.
O Papa Francisco, terminou a catequese afirmando a mensagem de fé em Jesus Cristo que viu e testemunhou na Albânia:

“Esta mensagem de esperança, fundada na fé em Cristo e sobre a memória do passado, confiei-a à inteira população albanesa que vi entusiasta e alegre nos lugares dos encontros e das celebrações, como também pelas estradas de Tirana. Encorajei todos a atingirem energias sempre novas do Senhor Ressuscitado, para poder ser fermento evangélico na sociedade e empenharem-se, como já acontece, em atividades caritativas e educativas.”

O Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em particular aos brasileiros vindos de Novo Hamburgo, Jundiaí, Santo André e da Bahia, com votos de que esta peregrinação seja para vós uma oportunidade de contemplar a beleza da fé e da união com Cristo, para viver plenamente a vossa vocação cristã. Que Deus vos abençoe! Obrigado.”

No final da audiência geral o Santo Padre lançou uma mensagem especial de conforto e proximidade para as vítimas do virus ébola:

“O meu pensamento vai agora para aqueles países que estão a sofrer com a epidemia de Ébola. Estou próximo a tantas pessoas atingidas por esta terrível doença. Convido-vos a rezar por eles e por todos os que perderam tragicamente a vida. Desejo que não falte a necessária ajuda da Comunidade Internacional para aliviar os sofrimentos destes nossos irmãos e irmãs.”

O Papa Francisco a todos deu a sua benção. (RS)

Deve-se proteger a criação: Cardeal Parolin na Cimeira das Nações Unidas sobre o clima


(RV) O clima da Terra não melhora, apesar dos numerosos acordos adoptados a nível internacional. Para salvaguardar o planeta das mudanças climáticas é necessário um empenho comum a longo prazo. Disto se falou nesta terça-feira na ONU, à margem da 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Em destaque os discursos do Presidente americano Obama e do Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin.
No Palácio de Vidro circulavam ontem os dados compilados pela Global Carbon Project, segundo os quais as emissões de dióxido de carbono não dão sinais de diminuir. O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, destacou no seu discurso o imperativo moral de se agir para que todos tenhamos a responsabilidade de proteger a criação para o bem desta e das futuras gerações. Citando o Papa Francisco, o cardeal sublinhou a importância de "proteger o nosso ambiente que muitas vezes exploramos com ganância". Para isso, o secretário citou a necessidade de iniciar uma autêntica transformação cultural, por meio de esforços de formação e educação. O presidente americano recordou aos líderes reunidos em Nova York que "somos a primeira geração a sentir o impacto do aquecimento global, mas também a última que pode fazer algo para pará-lo". "A ameaça do clima que antes era distante agora é presente, e nenhum país está imune dela", comentou Obama, pedindo à comunidade internacional para chegar a um acordo "ambicioso, abrangente e flexível” sobre o clima.
A cimeira sobre o clima foi convocada para tentar alcançar, até 2015, um acordo sobre as mudanças climáticas. Na ocasião, foi apresentada ao Secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon uma declaração do Vértice inter-religioso sobre as mudanças climáticas, que teve lugar nos últimos dias, também em Nova York, na qual se sublinha que "a mudança climática é realmente uma ameaça para a vida, um dom precioso que recebemos e que devemos defender" e se pede um empenho concreto de todos os países da ONU em matéria de clima.

Stefan von Kempis entrevistou o Padre Michael Czerny, representante do Conselho Pontifício Justiça e Paz, e um dos signatários do texto:
As tradições de fé das diversas religiões do mundo, como parte da realidade humana, devem confrontar-se com o desafio do clima, do ambiente, do tempo e de todos os novos perigos. E, embora as várias tradições não estejam totalmente de acordo sobre a origem ou o destino do ser humano e do universo, como parte da família humana devemos unir-nos e pedir aos líderes políticos para tomarem boas decisões.
Qual é a novidade do empenho inter-religioso para a protecção do ambiente?
Tivemosuma série de encontros sobre o clima. O primeiro foi em Copenhaga, em 2009, depois em Cancun, no México, em 2010, em seguida, em Durban, na África do Sul, em 2011. Estes encontros não nos levaram a decisões definitivas. Agora, existe uma nova unidade entre as religiões do mundo que reconhecem a urgência de formar uma frente comum perante os desafios. Assim, em Nova York, as várias tradições religiosas produziram uma declaração conjunta para pressionar os líderes políticos do mundo a tomar decisões e iniciar um processo melhor de responsabilidade sobre o clima e o meio ambiente.
Falando da mudança climática, qual é a posição da Igreja e da Santa Sé?
A Santa Sé e a Igreja Católica participam neste encontro inter-religioso, porque todos estamos conscientes da urgência da situação e da necessidade de responder juntos como comunidade humana. Esta responsabilidade faz parte da tradição da Igreja e a Doutrina social nos ensina que somos responsáveis​​, que devemos cuidar das coisas que o Criador nos confiou, que os bens da criação são destinados para o uso de todos. Devemos estar conscientes das gerações futuras, e não apenas da nossa situação: devemos garantir o futuro das próximas gerações e o ambiente em que eles viverão, mesmo que sejam decisões a serem tomadas agora. (BS)

23 setembro, 2014

A JUSTA RETRIBUIÇÃO DE DEUS

 
 
 
O Evangelho deste Domingo fez-me pensar na justa retribuição de Deus.

Em termos humanos, a justa retribuição tem a ver, sem dúvida, com o desempenho de cada um.
Obviamente, para nós homens, não é justo que alguém que trabalha menos, ganhe tanto como aquele que trabalha mais.
Mas a retribuição dos homens aos homens é sempre limitada, e por isso mesmo, tem graduações, pode e deve medir-se, tem “tamanho”, tem “valor” calculado, enfim é ajustada àquilo que foi feito.

A retribuição de Deus não tem limites.
Como poderia ter, se Ele se deu inteiramente por todos os homens?
Poderá Deus amar mais um homem do que outro?
E se pudesse, porque seria? Porque um homem se “porta melhor” do que outro? Mas Ele até nos disse que veio para os pecadores!
O amor de Deus não tem graduações: Deus ama, ponto final!
E como ama, porque é amor, tanto ama aquele que O segue, como aquele que O rejeita.
A sua “retribuição” é sempre o amor, e, por isso, o amor é igual tanto para aquele que “trabalhou” mais, como para aquele que “trabalhou” menos, como nos conta a parábola.

Qual é a “retribuição” final de Deus, se não a vida eterna, na eternidade do gozo de Deus?
E pode-se viver na eternidade do gozo de Deus, só um “bocadinho”, ou menos, ou mais do que qualquer outro que vive eternamente o gozo de Deus?
Claro que não!

Humanamente quase nos parece injusto que aquele que viveu sempre para Deus e com Deus, viva a mesma retribuição, (a eternidade do gozo de Deus), exactamente como aquele que viveu uma vida inteira afastada de Deus, até O descobrir no fim dessa mesma vida.

E é esse pensamento humanamente frágil, que nos leva, por vezes, a criticar os outros que “agora” chegam a Deus, agora chegam à Igreja, e nos leva a apontá-los, e a considerarmo-nos, por vezes, mais merecedores do que eles.

E quando assim pensamos, e quando assim fazemos, (e arrisco a dizer que nalgum momento todos já assim procedemos), então é porque ainda não entendemos a parábola da “retribuição aos trabalhadores da vinha”, então é porque ainda não nos deixamos envolver totalmente na infinitude do amor de Deus.

Um dia, no gozo de Deus, perceberemos então como a retribuição de Deus, o seu Amor, é afinal a retribuição mais justa e perfeita de todas.


Marinha Grande, 23 de Setembro de 2014
Joaquim Mexia Alves

Não compliquemos o Evangelho: escutemo-lo e pratiquemo-lo – o Papa em Santa Marta



(RV) A vida cristã é "simples": ouvir a Palavra de Deus e colocá-la em prática – esta a mensagem clara do Papa Francisco na Missa celebrada na capela da Casa Santa Marta nesta terça-feira, dia 23 de setembro.
No Evangelho de S. Lucas podemos ler na leitura deste dia no capítulo 8:
“Naquele tempo, sua mãe e seus irmãos vieram ter com Ele, mas não podiam aproximar-se por causa da multidão. Anunciaram-lhe: ’Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-te.’ Mas Ele respondeu-lhes: ‘Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática’.”
Não basta "ler" o Evangelho – afirmou o Santo Padre – mas é necessário perguntarmo-nos de que forma é que a Palavra de Deus fala nas nossas vidas.

"Mas Jesus continuava a falar com as pessoas e amava as pessoas e amava a multidão, a tal ponto que diz ‘estes que me seguem, aquela imensa multidão, são a minha mãe e os meus irmãos… são estes'. E explica: "aqueles que escutam a Palavra de Deus, colocam-na em prática". Estas são as duas condições para seguir Jesus: ouvir a palavra de Deus e colocá-la em prática. Esta é a vida cristã, nada mais. Simples, fácil. Talvez nós fizemo-la um pouco difícil, com muitas explicações que ninguém entende, mas a vida cristã é isto: Escutar a Palavra de Deus e praticá-la."

“Cada vez que nós fazemos isto – abrimos o Evangelho e lemos uma passagem e perguntamo-nos: 'Com isto Deus fala-me, diz-me qualquer coisa? E se diz alguma coisa, o que me diz? ‘- isto é escutar a Palavra de Deus, escutar com os ouvidos e escutar com o coração. Abrir o coração à Palavra de Deus. Os inimigos de Jesus ouviam a Palavra de Jesus, mas estavam perto dele para tentar encontrar um erro, para fazê-lo escorregar para que perdesse a autoridade. Mas nunca se perguntavam: "O que diz Deus para mim com esta Palavra?' E Deus não fala só para todos: sim, fala para todos, mas fala para cada um de nós. O Evangelho foi escrito para cada um de nós.”
 
Colocar em prática aquilo que se escuta não é fácil – observou o Papa Francisco – pois é mais fácil viver tranquilamente sem preocupar-se com as exigências da Palavra de Deus. No final da sua homilia o Santo Padre propôs duas pistas concretas para começarmos a pôr prática aquilo que Deus nos ensina com a sua Palavra: os Mandamentos e as Bem-Aventuranças. (RS)

Mensagem do Papa para o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados (18/1/15)


(RV)

IGREJA SEM FRONTEIRAS. MÃE DE TODOS

Queridos irmãos e irmãs!

Jesus é «o evangelizador por excelência e o Evangelho em pessoa» (Exort. ap. Evangelii
gaudium, 209). A sua solicitude, especialmente pelos mais vulneráveis e marginalizados, a todos
convida a cuidar das pessoas mais frágeis e reconhecer o seu rosto de sofrimento sobretudo nas
vítimas das novas formas de pobreza e escravidão. Diz o Senhor: «Tive fome e destes-Me de
comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e recolhestes-Me, estava nu e destes-Me
que vestir, adoeci e visitastes-Me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt25, 35-36). Por isso,
a Igreja, peregrina sobre a terra e mãe de todos, tem por missão amar Jesus Cristo, adorá-Lo e
amá-Lo, particularmente nos mais pobres e abandonados; e entre eles contam-se, sem dúvida,
os migrantes e os refugiados, que procuram deixar para trás duras condições de vida e perigos
de toda a espécie. Assim, neste ano, o Dia Mundial do Migrantee do Refugiado tem por tema:
Igreja sem fronteiras, mãe de todos.


Com efeito, a Igreja estende os seus braços para acolher todos os povos, sem distinção nem
fronteiras, e para anunciar a todos que «Deus é amor» (1 Jo4, 8.16). Depois da sua morte e
ressurreição, Jesus confiou aos discípulos a missão de ser suas testemunhas e proclamar o
Evangelho da alegria e da misericórdia. Eles, no dia de Pentecostes, saíram do Cenáculo cheios
de coragem e entusiasmo; sobre dúvidas e incertezas, prevaleceu a força do Espírito Santo,
fazendo com que cada um compreendesse o anúncio dos Apóstolos na própria língua; assim,
desde o início, a Igreja é mãe de coração aberto ao mundo inteiro, sem fronteiras. Aquele
mandato abrange já dois milénios de história, mas, desde os primeiros séculos, o anúncio
missionário pôs em evidência a maternidade universal da Igreja, posteriormente desenvolvida
nos escritos dos Padres e retomada pelo ConcílioVaticano II. Os Padres conciliares falaram de
Ecclesia materpara explicar a sua natureza; na verdade, a Igreja gera filhos e filhas, sendo
«incorporados» nela que «os abraça com amor e solicitude» (Const. dogm. sobre a Igreja Lumen
gentium, 14).


A Igreja sem fronteiras, mãe de todos, propaga no mundo a cultura do acolhimento e da
solidariedade, segundo a qual ninguém deve ser considerado inútil, intruso ou descartável. A
comunidade cristã, se viver efectivamente a sua maternidade, nutre, guia e aponta o caminho,
acompanha com paciência, solidariza-se com a oração e as obras de misericórdia.
Nos nossos dias, tudo isto assume um significado particular. Com efeito, numa época de tão
vastas migrações, um grande número de pessoas deixa os locais de origem para empreender a
arriscada viagem da esperança com uma bagagem cheia de desejos e medos, à procura de
condições de vida mais humanas. Não raro, porém, estes movimentos migratórios suscitam
desconfiança e hostilidade, inclusive nas comunidades eclesiais, mesmo antes de se conhecer as
histórias de vida, de perseguição ou de miséria das pessoas envolvidas. Neste caso, as suspeitas e preconceitos estão em contraste com o mandamento bíblico de acolher, com respeito e solidariedade, o estrangeiro necessitado.


Por um lado, no sacrário da consciência, adverte-se o apelo a tocar a miséria humana e pôr
em prática o mandamento do amor que Jesus nos deixou, quando Se identificou com o
estrangeiro, com quem sofre, com todas as vítimas inocentes da violência e exploração. Mas, por
outro, devido à fraqueza da nossa natureza, «sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma
prudente distância das chagas do Senhor» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 270).
A coragem da fé, da esperança e da caridade permite reduzir as distâncias que nos separam
dos dramas humanos. Jesus Cristo está sempre à espera de ser reconhecido nos migrantes e
refugiados, nos deslocados e exilados e, assim mesmo, chama-nos a partilhar os recursos e por
vezes a renunciar a qualquer coisa do nosso bem-estar adquirido. Assim no-lo recordava o Papa
Paulo VI, ao dizer que «os mais favorecidos devem renunciar a alguns dos seus direitos, para
poderem colocar, com mais liberalidade, os seus bens ao serviço dos outros» [Carta ap.
Octogesima adveniens(14 de Maio de 1971), 23].


Aliás, o carácter multicultural das sociedadesde hoje encoraja a Igreja a assumir novos
compromissos de solidariedade, comunhão e evangelização. Na realidade, os movimentos
migratórios solicitam que se aprofundem e reforcem os valores necessários para assegurar a
convivência harmoniosa entre pessoas e culturas. Para isso, não é suficiente a mera tolerância,
que abre caminho ao respeito das diversidades e inicia percursos de partilha entre pessoas de
diferentes origens e culturas. Aqui se insere a vocação da Igreja a superar as fronteiras e
favorecer «a passagem de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização (...) para uma atitude que tem por base a “cultura de encontro”, a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno» (Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado -2014).

Mas os movimentos migratórios assumiram tais proporções que só uma colaboração
sistemática e concreta, envolvendo os Estados e as OrganizaçõesInternacionais, poderá ser capaz de os regular e gerir de forma eficaz. Na verdade, as migrações interpelam a todos, não só por causa da magnitude do fenómeno, mas também «pelas problemáticas sociais, económicas,
políticas, culturais e religiosas que levantam, pelos desafios dramáticos que colocamà
comunidade nacional e internacional» [BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate (29 de Junho
de 2009), 62].


Na agenda internacional, constam frequentes debates sobre a oportunidade, os métodos e os
regulamentos para lidar com o fenómeno das migrações. Existem organismos e instituições a
nível internacional, nacional e local, que põem o seu trabalho e as suas energias ao serviço de
quantos procuram, com a emigração, uma vida melhor. Apesar dos seus esforços generosos e
louváveis, é necessária uma acção mais incisiva e eficaz, que lance mão de uma rede universal
de colaboração, baseada na tutela da dignidade e centralidade de toda a pessoa humana. Assim
será mais incisiva a luta contra o tráfico vergonhoso e criminal de seres humanos, contra a
violação dos direitos fundamentais, contra todas as formas de violência, opressão e redução à
escravidão. Entretanto trabalhar em conjunto exige reciprocidade e sinergia, com disponibilidade
e confiança, sabendo que «nenhum país pode enfrentar sozinho as dificuldades associadas a este fenómeno, que, sendo tão amplo, já afecta todos os continentes com o seu duplo movimento de imigração e emigração» (Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado - 2014).


À globalização do fenómeno migratório é preciso responder com a globalização da caridade
e da cooperação, a fim de se humanizar as condições dos migrantes. Ao mesmo tempo, é preciso intensificar os esforços para criar as condições aptas a garantirem uma progressiva diminuição das razões que impelem populações inteiras a deixar a sua terra natal devido a guerras e carestias, sucedendo muitas vezes que uma é causa da outra.
À solidariedade para com os migrantes e os refugiados há que unir a coragem e a
criatividade necessárias para desenvolver, a nível mundial, uma ordem económico-financeira
mais justa e equitativa, juntamente com um maior empenho a favor da paz, condição
indispensável de todo o verdadeiro progresso.


Queridos migrantes e refugiados! Vós ocupais umlugar especial no coração da Igreja e sois
uma ajuda para alargar as dimensões do seu coração a fim de manifestar a sua maternidade para com a família humana inteira. Não percais a vossa confiança e a vossa esperança! Pensemos na Sagrada Família exilada no Egipto: como no coração materno da Virgem Maria e no coração solícito de São José se manteve a confiança de que Deus nunca nos abandona, também em vós não falte a mesma confiança no Senhor. Confio-vos à sua protecção e de coração concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Setembro de 2014.

Padre Lombardi: a Albânia tocou profundamente o coração do Papa

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(RV)
Uma visita que permitiu ao Papa Francisco descobrir de perto a história e a alma da Albânia, ao lado de um povo que não se esquece das suas feridas mas que tomou há muito tempo o caminho da reconciliação. O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, e director geral da Rádio Vaticano, padre Federico Lombardi, condensa em alguns pontos a quarta viagem apostólica, partindo do abraço comovido do Papa aos sobreviventes da perseguição comunista, durante a celebração das vésperas. O que significou aquele encontro?

Não me surpreendeu, de facto, este momento de profunda emoção, porque o tema do martírio, do testemunho da em situações extremamente difíceis, é um tema que o Papa sente muito, e todos nós sentimos com ele. o experimentámos também na Coreia, recentemente, apesar de ter sido um martírio na maioria dos casos, de tempos um pouco mais distantes. Na Albânia, pelo contrário, são tempos muito próximos e tivemos encontro com testemunhas que, se não foram mártires eles mesmos, no sentido de perderem as próprias vidas, na verdade, viveram o mesmo tipo de experiência daqueles que foram mortos na perseguição. Ora, neste dia a presença do grande martírio foi muito grande, muito forte. Viu-se naquela belíssima apresentação que os albaneses fizeram, com as grandes fotografias dos 40 mártires cuja Causa de beatificação está em curso, que estavam penduradas ao longo do Boulevard percorrido várias vezes durante o dia e que estava precisamente diante da sede da Missa e em frente do Palácio Presidencial. E este foi um impacto muito grande. Além disso, me dei conta de que, também para os albaneses foi um impacto muito forte, porque eles sabem bem que tiveram esta história, mas os rostos concretos destas 40 pessoas das quais está em curso a Causa de beatificação, muitos não os conheciam ou não os tinham assim tão presentes. Revê-los assim em frente na sua realidade concreta fez uma grandíssima impressão também aos próprios albaneses. Deu-lhes um sentimento de presença daquilo que foi vivido nas décadas passadas do século passado. E o Papa viveu-o em primeira pessoa, muito. E portanto, quando se encontrou diante destas duas pessoas, duas testemunhas que com grande simplicidade contaram o que tinham vivido, a emoção foi grandíssima: a sua e a nossa.
Lembro-me que também durante a comunhão, na parte da manhã, houve um belíssimo canto cantado em albanês, e portanto muitos não entendiam o que estava a dizer, mas eram as palavras da Carta aos Romanos de São Paulo, que dizia: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou a angústia, ou a perseguição? Nada nos vai nunca separar do amor de Cristo”. Este canto belíssimo, com todas as figuras dos mártires em frente, deu-me um momento de emoção fortíssima, pessoal, de certa maneira semelhante àquilo que de maneira muito mais importante o Papa viveu no período da tarde, ao encontrar e abraçar estas duas testemunhas . Foi natural, na sensibilidade do Papa, ter falado em seguida de improviso, dizendo da plenitude do coração aquilo que ele estava a viver naquele momento. E, certamente, para nós - que conhecemos um pouco o que foi a história recente da Albânia não se pode ir à Albânia sem sentir esta intensidade desta presença. O Papa também teve palavras muito bonitas quando disse que ia espiritualmente àquele muro do Cemitério de Scutari, onde foram fuzilados vários dos mártires.
Pessoalmente, também fiquei agradecido e impressionado que o presidente tenha querido recordar a voz da Rádio Vaticano, como a voz que vinha de Roma, trazendo as mensagens de conforto do Papa aos albaneses perseguidos. E não é por nada, também no passado aqui, o primeiro-ministro da Albânia nos trouxe o prémio, que é a Ordem de Madre Teresa, o mais alto prémio do país, precisamente pelo serviço prestado naquele tempo pela Rádio Vaticano.
Eis, pois, que o martírio e a perseguição são, na história da Igreja e na vida da Igreja, momentos de referência absolutamente fundamentais, são aqueles em que verdadeiramente o amor de Cristo e o amor por amor Cristo e o amor de Cristo por nós se manifesta de forma mais intensa. Não admira pois, que tenham sido os momentos mais intensos também na experiência do Papa durante uma viagem como esta, seria na verdade surpreendente o contrário.
- Um outro momento intenso foi o encontro do Papa com as crianças hospedadas na Casa Betânia, uma estrutura que acolhe crianças com vários tipos de desconforto. E aqui, o Papa, ao abraçá-los e falando aos presentes, usou um pensamento que se repete, ou seja, que "a bondade não é uma fraqueza" ... O que o impressionou mais deste momento?

Em cada viagem do Papa, há um momento dedicado explicitamente ao tema da caridade e do empenho da Igreja no mundo da caridade, da assistência, dos gestos concretos de atenção para quem é pequeno, para quem é pobre, para os doentes e para quantos estão em dificuldade. E, portanto, a visita ao Centro Betânia foi uma parte essencial deste itinerário.
Gostaria de destacar ainda uma pequena referência que o Papa fez quase de forma marginal, mas que não era casual neste discurso e é a referência ao perdão: ou seja, o amor que se manifesta na caridade operativa é também um amor capaz de perdoar, e na sociedade albanesa - que tem muitos valores e muitas virtudes que foram abundantemente recordados – existe, porém, também uma tradição, por vezes, de vinganças locais, de dificuldades de reconciliação. Mesmo os nossos missionários, em muitos anos, sobretudo em regiões montanhosas ou difíceis do País, trabalharam muito para a reconciliação: reconciliação entre as famílias, superando rancores tradicionais que inquinam por vezes as relações entre as pessoas. E esta referência do Papa para superar qualquer sentimento de recriminação ligada ao passado, a uma capacidade de perdão e de reconciliação plena, é uma bela mensagem: valia para os albaneses, e vale - realmente - um pouco para todos.
Durante o dia, o Papa Francisco teve a oportunidade de exprimir-lhe algo sobre os seus sentimentos em relação àquilo que estava a viver?

Todos o viram; todos puderam ver um detalhe que eu gostaria de salientar: que o Papa se movimentou ao longo do dia no jeep descoberto, através da cidade de Tirana, e portanto também os rumores que foram feitos antes, de preocupações, ameaças, riscos, etc., na realidade manifestaram-se absolutamente infundados. O Papa movimentou-se como se movimenta habitualmente, sem qualquer obstáculo e sem
qualquer distância.

22 setembro, 2014

Com mensagem contra a indiferença e pelo diálogo inter-religioso, Papa Francisco concluiu a sua viagem à Albânia

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(RV) Papa Francisco concluiu domingo ao fim da tarde a sua visita à Albânia num centro social para menores, nos arredores de Tirana, deixando uma mensagem contra a “indiferença” e pelo diálogo inter-religioso.
“A fé que opera na caridade move as montanhas da indiferença, da incredulidade e da apatia e abre os corações e as mãos para fazer o bem e irradiá-lo. Através de gestos humildes e simples de serviço aos pequeninos, passa a Boa Nova de Jesus que ressuscitou e vive entre nós”, disse o Papa às crianças e voluntários reunidos na igreja dedicada a Santo António.
O trabalho deste centro assistencial foi apresentado como exemplo de “caridade concreta” que consegue “levar luz e esperança a situações de grave contrariedade”.
“Além disso – acrescentou ainda o Papa - este Centro testemunha que é possível uma convivência pacífica e fraterna entre pessoas pertencentes a várias etnias e a diferentes confissões religiosas”.
Neste sentido, Papa Francisco repetiu os elogios que fez à sociedade albanesa do pós-comunismo pelo exemplo de convivência entre credos religiosos, mostrando que “as diferenças não impedem a harmonia, a alegria e a paz”.
“As diferentes experiências religiosas abrem-se ao amor respeitoso e eficaz para com o próximo; cada comunidade religiosa exprime-se através do amor e não da violência; não se envergonha da bondade” e é capaz de “renunciar à vingança”, sublinhou.
O Papa reconheceu o trabalho da Comunidade Betânia no acolhimento a “tantas crianças e adolescentes” carenciados, oferecendo-lhes “um ambiente sereno e de pessoas amigas”. “O bem paga infinitamente mais do que o dinheiro, que, pelo contrário, desilude porque fomos criados para acolher o amor de Deus e dá-lo, por nossa vez, aos outros, e não para medir tudo em termos de dinheiro ou de poder”, observou.
O espírito de amor e de “sacrifício” ao serviço dos outros, disse o pontífice, não é compreendido pela maior parte de uma sociedade que “procura freneticamente nas riquezas terrenas, na posse e na diversão finalizadas em si mesmas a chave para a sua existência”, encontrando pelo contrário “alienação e aturdimento”.
“O segredo duma vida bem-sucedida é amar e dar-se por amor”, concluiu, desafiando as comunidades católicas a continuar o seu serviço aos pobres e abandonados.