30 maio, 2020

Associação dos Médicos Católicos apoia sacerdotes no regresso das celebrações comunitárias



A Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) organizou um Webinar (videoconferência com intuito educacional) com os padres do Patriarcado de Lisboa, para debater o regresso das celebrações comunitárias, a partir de hoje. José Diogo Ferreira Martins, vice-presidente da AMCP, disse à Agência Ecclesia que esta iniciativa foi solicitada por D. Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa, e que pretendeu “ajudar os sacerdotes no reinício das celebrações públicas da Eucaristia”, depois de mais de dois meses de suspensão por causa da pandemia de Covid-19.

A formação em formato online chegou “a mais padres”, mas os médicos católicos também forneceram os seus contactos pessoais e “alguns párocos têm ligado para esclarecer dúvidas concretas para ajudar neste desconfinamento”, revelou o médico.

A AMCP acompanha esta “vontade de abrir” ao culto comunitário, por um lado “com prudência”, mas “sem alarmismos desnecessários”, até porque todos têm de se “habituar” a viver nesta nova realidade. José Diogo Ferreira Martins considera que as normas emanadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) são, nesta fase, “corretas”, até porque “não há muito para inventar”.

Enquanto médico, a ideia de proteger “os mais frágeis” é “muito cara” e os mais frágeis são “os chamados grupos de risco”.

Ao longo da quarentena, “a prudência foi bem usada pela Igreja” ao cancelar as celebrações, disse o vice-presidente da AMCP, para quem, nesta nova fase, “é possível fazer estas atividades de experiências públicas de celebração fé” com segurança.

Ecclesia

Patriarcado de Lisboa

UM “RECOMEÇO”

 
 
 
 
 
Recomeçam hoje as Missas com a participação dos fiéis. Graças a Deus!

Embora condicionadas por força da Pandemia, vamos esperar que tudo se normalize e brevemente nos possamos juntar como sempre para celebrar o nosso Deus.
Talvez seja importante reflectir em como “afinal” a Missa é importante e como Ela nos faz falta e aproveitar para rezar por aqueles que pelo mundo fora vivem diária e seguidamente aquilo que nós agora vivemos, ou seja a ausência da Eucaristia, seja pela força das armas, seja porque razão for, de ódio ou de incompreensão.

Mas mesmo aqui entre nós, julgo que para além de muito mais será preciso fazer grande “uso” de duas grandes virtudes: A obediência e a paciência.

Sabemos que o número de presentes terá de ser limitado e que terá de haver algumas regras a serem seguidas.
Haverá equipas, (pelo menos na nossa paróquia), para ajudar e dirigir as pessoas aos seus lugares dando as indicações necessárias.

Ora é importante perceber que essas pessoas, essas irmãs e irmãos, estão a cumprir ordens e a velar por nós e não têm portanto culpa do Covid ou das condições que a Igreja determinou.
É preciso lembrarmo-nos também que a igreja/edifício é lugar sagrado onde o respeito deve ser mantido e como tal não é local de discussões nem de irritações.

Por isso, por favor, não discutamos e obedeçamos a quem está a fazer o trabalho de organização, que com o seu próprio esforço, (se não estivessem lá voluntariamente a Missa não poderia acontecer nas circunstâncias em que vivemos agora), ali dedica o seu serviço a Deus, servindo os outros.

As equipas são forçosamente pequenas, por isso é preciso “usar e abusar” da nossa paciência, (aproveitemos para rezar o terço), enquanto esperamos a nossa vez de entrar e de comungar.

A estas virtudes, obediência e paciência, é preciso juntar outra bem importante e que é a humildade, sobretudo para que não entremos logo com vontade de criticar e de dizer mal de tudo e de todos.

Lembremo-nos que o Jesus que levarmos no coração a seguir à Eucaristia é o Jesus que devemos testemunhar aos outros cá fora, ou seja, um Jesus verdadeiro que sofreu a Paixão e morreu por nós, e não um “jesus” que vai criticar e dizer mal de tudo o que se passou.

Temos ideias planos que nos parecem ser melhores do que aqueles que estão a ser executados?
Óptimo!
Vamos escrevê-los e entregá-los de modo a que cheguem aos nossos sacerdotes e equipas e assim possam reflectir na possibilidade de mudar para melhor o “sistema” que vai ser usado, mas lembremo-nos sempre, que os membros das equipas naquele momento nada podem mudar, nem têm tempo para nos ouvir.

Se devia haver Missas como antes, com toda a gente, ou isto ou aquilo, não é neste momento discussão para aqui chamada neste lugar, nem eu, respeitando a opinião dos outros, a permitirei nesta minha página.

Em vez de nos deixarmos ter ideias de “como é que isto vai correr”, rezemos antes para que tudo corra bem e que Deus seja louvado, dentro ou fora da Eucaristia.

Um Santo Domingo a todos e que Deus nos abençoe, proteja e guarde.



Marinha Grande, 30 de Maio de 2020
Joaquim Mexia Alves
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28 maio, 2020

Paróquia de Ota - RETOMAR DAS MISSAS EM COMUNIDADE (horários)



Para mais informação
clique AQUI

Paróquia de Ota - RFETOMR DAS MISSAS EM COMUNIDADE


RETOMAR DAS MISSAS EM COMUNIDADE
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Queridos amigos!
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Esperamos e rezamos para que todos se encontrem bem neste momento. No retomar a pouco e pouco da nossa vida, após este largo tempo de quarentena e confinamento, daremos igualmente início às nossas celebrações da Eucaristia de Domingo. Tudo o resto da nossa vida paroquial (catequese, festas, procissões, peregrinações,...) fica adiado para o próximo ano pastoral de 2020/2021.

Para além da Eucaristia de Domingo de manhã, acrescentaremos uma celebração ao sábado à tarde. Isto para garantir que ninguém tenha que ficar sem a celebração dominical, devido ao distanciamento obrigatório de dois metros entre as pessoas. Os horários marcados para a Eucaristia, a partir de dia 30 de Maio serão: 

Sábado, 17h30m - Igreja Paroquial de Ota
Domingo, 10h - Igreja Paroquial de Ota 

As missas durante a semana ficarão suspensas até que surjam novas indicações. Recomenda-se o uso de máscara, sem o qual a ninguém será permitida a entrada na Igreja. À entrada haverá uma equipa de acolhimento a receber as pessoas e a administrar o desinfetante nas mãos de cada um. Estamos a fazer de tudo para que a celebração da Eucaristia decorra com o máximo de cuidados possível, para segurança de todos. Deixamos nas mãos de cada um a decisão de vir ou de continuar a acompanhar as celebrações pela televisão ou pela Internet. A cada um cabe este discernimento, sabendo que quem for de risco há-de ponderar mais seriamente a possibilidade de permanecer em casa.

No dia 30 de Maio, celebramos a Solenidade do Pentecostes. Que melhor dia para a Igreja em Portugal retomar a Eucaristia comunitariamente? O Espírito Santo nos ilumine e nos una nestes tempos mais conturbados. Votos de uma boa semana e de bons trabalhos. E não esqueçamos os necessários cuidados para a prevenção do contágio. Está nas mãos de todos nós o futuro do nosso país e da humanidade, no que diz respeito a esta pandemia.

Um abraço em Cristo,

P. Francisco

P. Tiago

Confiança e esperança: a exortação do Papa aos refugiados

 
Papa na Missa para os migrantes em 2018  (Vatican Media)
 
O Papa Francisco manifestou a sua solidariedade aos refugiados acolhidos pelo "Centro Astalli": “a todos me faço espiritualmente próximo com a oração e o afeto e vos exorto a ter confiança e esperança num mundo de paz, de justiça e de fraternidade entre os povos”.
 
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco expressou novamente a sua preocupação com os migrantes ao enviar uma carta ao “Centro Astalli”, iniciativa dos jesuítas voltada aos refugiados e requerentes de asilo.

O Centro publicou o seu Relatório anual 2020, em que relata as “vidas suspensas” dos migrantes, que aguardam o êxito dos procedimentos para permanecerem legalmente em Itália. Neste momento de pandemia, a angústia é ainda maior, pois os processos podem atrasar ou permanecerem bloqueados.

Em 2019, os jesuítas e os seus colaboradores atenderam 20 mil pessoas, 11 mil só em Roma. O Relatório denuncia “as políticas migratórias, restritivas e de fechamento – até mesmo discriminatórias –, que caracterizaram o último ano”, aumentando a precariedade da vida, a exclusão e a irregularidade dos refugiados e tornando toda a sociedade mais vulnerável. 

Coragem
 
Na carta, o Papa aprecia de modo especial a coragem com a qual os jesuítas enfrentam o "desafio das migrações, sobretudo neste delicado momento para o direito de asilo, em que milhares de pessoas fogem de guerras, perseguições e de graves crises humanitárias”.

Francisco manifesta a sua solidariedade aos refugiados, que o Centro acolhe “com amor fraterno”: “a todos me faço espiritualmente próximo com a oração e o afeto e vos exorto a terem confiança e esperança num mundo de paz, de justiça e de fraternidade entre os povos”.

O Papa renovou o seu encorajamento aos jesuítas e a todos os que colaboram com eles na “sábia abertura” ao complexo fenómeno migratório, “favorecendo adequadas intervenções de apoio e testemunhando aqueles valores humanos cristãos que estão na base na civilização europeia”.

Que este exemplo, conclui o Papa, “possa suscitar na sociedade um renovado compromisso por uma autêntica cultura do acolhimento e da solidariedade”. 

Gratidão
 
Para o diretor do Centro Astalli, padre Camillo Ripamonti, “as palavras do Pontífice são de grande motivação e encorajamento a prosseguir o caminho ao lado dos refugiados”.

“O Centro Astalli expressa profunda gratidão ao Papa Francisco pelo seu empenho quotidiano a favor dos migrantes e por estas duas palavras que nos indicam o caminho a percorrer rumo a um bem sempre maior.”

VN

Regresso das Missas comunitárias com “muito entusiasmo” e “cautela”



Numa mensagem vídeo, divulgada nesta quarta-feira, no programa ‘3 DICAS’, do Jornal Voz da Verdade, o Cardeal-Patriarca de Lisboa manifestou-se entusiasmado com a retoma das celebrações comunitárias e pediu “cautela” para que o “vírus muito astucioso” não aproveite algum “descuido” para se propagar.
Tal como foi anunciado, as celebrações comunitárias vão recomeçar, em Portugal Continental, no próximo fim-de-semana (30 e 31 de maio), Solenidade de Pentecostes. Segundo D. Manuel Clemente, a data “é uma boa altura” para que este recomeço aconteça porque “é o Espírito de Cristo que nos conduz, também da maneira mais acertada para que o Evangelho continue, as nossas celebrações também e tudo aquilo que é a vida de Cristo no mundo possa acontecer”.


Na mensagem dirigida a todos os diocesanos, o Cardeal-Patriarca lembrou os exemplos de Igreja doméstica que este tempo de confinamento veio desenvolver e as transmissões online das celebrações, que se realizaram durante os últimos meses. “Tudo isto, eu creio que continuará como complemento das celebrações habituais com povo, como, a pouco e pouco, e muito cuidadosamente, se puderem fazer”, assegurou.

Na mensagem, D. Manuel Clemente apela ainda ao respeito das recentes orientações da Conferência Episcopal Portuguesa e das indicações das autoridades de saúde. “Temos muita vontade de nos encontrarmos, mas sabemos que temos ainda por diante um vírus muito astucioso que aproveitará qualquer descuido da nossa parte para grassar negativamente”, alertou.

O Cardeal-Patriarca de Lisboa deseja que este novo tempo, em contexto de pandemia, “corra muito bem”, e lembra a importância das equipas de acolhimento que se estão a formar, nas diferentes comunidades paroquiais, contribuindo para que “as coisas, a pouco e pouco, possam ir tomando rumo”.

Patriarcado de Lisboa

27 maio, 2020

O Papa: a oração é um refúgio diante da onda do mal que cresce no mundo

 
 
"A oração dos justos”. Este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (27/05). “O desígnio de Deus para a humanidade é bom, mas na nossa vida cotidiana experimentamos a presença do mal", disse ainda Francisco.
 
Mariangela Jaguraba - Cidade do Vaticano

“A oração dos justos” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (27/05), realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico, devido à pandemia de coronavírus, ainda em andamento.

“O desígnio de Deus para a humanidade é bom, mas na nossa vida quotidiana experimentamos a presença do mal. Os primeiros capítulos do Livro do Gênesis descrevem a expansão progressiva do pecado nas vicissitudes humanas”, ressaltou o Papa. 

O verme da inveja
 
“Adão e Eva duvidam das intenções benevolentes de Deus, pensam que têm a ver com uma divindade invejosa, que impede a sua felicidade. Daí a rebelião: eles não acreditam mais num Criador generoso, que deseja a sua felicidade. O seu coração, cedendo à tentação do maligno, é tomado por delírios de omnipotência: “Se comermos o fruto da árvore, tornarem-mo-nos como Deus”. E esta é a tentação: esta é a ambição que entra no coração. Mas a experiência segue na direção oposta: os nossos olhos abrem-se e descobrem que estão nus, sem nada. Não se esqueçam disto: o tentador é um mau pagador, ele paga mal”.

O mal torna -se ainda mais perturbador com a segunda geração humana. É mais forte: é a história de Caim e Abel. Caim tem inveja do seu irmão: há o verme da inveja. Embora seja o primogénito, ele vê Abel como um rival, alguém que ameaça a sua primazia. O mal aparece no seu coração e Caim não consegue dominá-lo. O mal começa a entrar no coração: os pensamentos são sempre de olhar mal o outro, com suspeita. E isto, também com o pensamento: “Este é mau. Fár-me- á mal. E isto vai  entrando no coração. Assim, a história da primeira fraternidade conclui-se com um homicídio. Penso na fraternidade humana: guerras por toda parte. 

O resgate da esperança
 
Segundo o Papa, “na descendência de Caim, desenvolvem-se os trabalhos e as artes, mas desenvolve-se também a violência, expressa pelo cântico sinistro de Lamec, que soa como um hino de vingança: «Por uma ferida, eu matarei um homem, e por uma cicatriz matarei um jovem. Se a vingança de Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta e sete». A vingança: fizeste-me, pagarás. Mas isto não diz o juiz, digo eu. Torno-me juiz da situação. Assim, o mal espalha-se como uma mancha de óleo, até ocupar todo o quadro: «O Senhor viu que a maldade do homem crescia na terra e que todo o projeto do coração humano era sempre mau». Os grandes afrescos do dilúvio universal e da torre de Babel revelam a necessidade de um novo início, assim como de uma nova criação que terá a sua realização em Jesus Cristo”.

No entanto, nestas primeiras páginas da Bíblia, está escrita também outra história, menos evidente, muito mais humilde e devota, que representa o resgate da esperança. Mesmo que quase todos se comportem de maneira brutal, fazendo do ódio e da conquista o grande motor das vicissitudes humanas, existem pessoas capazes de rezar a Deus com sinceridade, capazes de escrever o destino do homem de uma maneira diferente. 

A oração autêntica liberta dos instintos de violência
 
E o Papa citou como exemplo, Abel, que oferece a Deus um sacrifício de primícias. Depois da sua morte, Adão e Eva tiveram um terceiro filho, Set, de quem nasceu Enós, que significa mortal. Depois aparece Henoc, personagem que “caminha com Deus”, arrebatado por Deus. Por fim, Noé, um homem justo que “caminhava com Deus”, diante do qual Deus detém o eu propósito de cancelar a humanidade. E Francisco acrescentou:

Lendo estas histórias, tem-se a impressão de que a oração seja ao mesmo tempo um escudo, seja um refúgio do homem diante da onda do mal que cresce no mundo. Nós também rezamos para ser salvos de nós mesmos. É importante. Rezar: “Senhor, por favor, salva-me de mim mesmo, das minhas ambições, das minhas paixões. Salva-me de mim mesmo”. As pessoas que rezam nas primeiras páginas da Bíblia são homens promotores da paz: na verdade, a oração, quando é autêntica, liberta dos instintos de violência e tem um olhar voltado para Deus, para que Ele volte a cuidar do coração do homem.

“Esta qualidade da oração é vivida por uma multidão de justos em todas as religiões”, disse ainda o Pontífice, citando o Catecismo da Igreja Católica. “A oração cultiva canteiros de renascimentos em lugares em que o ódio do homem só foi capaz de ampliar o deserto. A oração é poderosa, porque atrai o poder de Deus e o poder de Deus dá sempre vida: sempre. Ele é o Deus da vida e faz renascer”, frisou o Papa. 

A oração é sempre uma corrente de vida
 
Segundo Francisco, “o senhorio de Deus passa pela corrente desses homens e mulheres, muitas vezes incompreendidos ou marginalizados no mundo. Mas o mundo vive e cresce graças à força de Deus que esses seus servidores atraem com a sua oração. São uma corrente que não é barulhenta, que raramente sai nas manchetes, mas é muito importante para restabelecer a confiança no mundo”.

E o Papa contou uma história: “Lembro-me da história de um homem: um chefe de governo, importante, não deste tempo, mas de tempos passados. Ateu. Ele não tinha senso religioso no seu coração. Mas quando criança, ouvia a avó que rezava, e isto permaneceu no seu coração. Num momento difícil da sua vida, aquela lembrança voltou ao seu coração e disse: “Mas a avó rezava...”. Ele começou a rezar com as coisas que a sua avó dizia e ali encontrou Jesus. A oração é sempre uma corrente de vida, sempre. Muitos homens e mulheres que rezam, rezam, semeiam vida. A oração semeia vida. A pequena oração... Por isso que é importante ensinar as crianças a rezar. Dói-me quando encontro crianças e “faço o sinal da cruz”, e vêjo-as fazer assim, fazem um gesto: não sabem fazê-lo. Ensine as crianças a fazerem bem o sinal da cruz: é a primeira oração. Que as crianças aprendam a rezar. Depois, talvez, elas se esqueçam, sigam outro caminho; mas isso permanece no coração, porque é uma semente de vida, a semente do diálogo com Deus”.

Francisco concluiu a sua catequese, afirmando que o caminho de Deus na história de Deus é transitado por essas pessoas. “Passou por um “resto” da humanidade que não se conformou com a lei do mais forte, mas pediu a Deus para realizar os seus milagres e transformar o nosso coração de pedra em coração de carne. E isto ajuda a oração: porque a oração abre a porta para Deus, para que transforme o nosso coração muitas vezes de pedra, num  coração humano. É preciso muita humanidade, e com a humanidade reza-se bem”.

VN

26 maio, 2020

Tempo da Criação se constrói com o impulso da Igreja



Numa carta, o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral convida a promover iniciativas, no Ano do Aniversário Especial da Laudato Si’, “para responder ao grito da terra” e “ao grito dos pobres”. Em especial a celebração do Tempo da Criação de 1º de setembro a 4 de outubro, Solenidade de São Francisco de Assis 

Cidade do Vaticano 

“Encorajamos o povo de Deus a acelerar os seus passos em busca de novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral, planificando atividades para o Tempo da Criação”. Escreve Dom Bruno-Marie Duffé, Secretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que publicou uma carta convidando os católicos do mundo inteiro a participarem do Tempo da Criação. A carta convida a Igreja calorosamente para “se unir" à família ecuménica celebrando o Tempo da Criação, a celebração anual que ocorre do dia 1 de setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, ao dia 4 de outubro, Solenidade de São Francisco de Assis”.

Oração e ação

“Acabamos de concluir a Semana Laudato Si’, que lançou o Ano Especial de Aniversário da 'Laudato Si’ com diversas iniciativas, incluindo o Tempo da Criação”.

“A celebração do Tempo da Criação é especialmente oportuna neste ano, à luz da pandemia do coronavírus. O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, atualmente está engajado no trabalho para desenvolver uma resposta abrangente à pandemia, abordando tanto as necessidades imediatas daqueles que sofrem hoje, como as necessidades a longo prazo de criar sociedades mais justas. Assim como o Papa Francisco disse na sua Audiência Geral do dia 22 de abril de 2020, no quinquagésimo Dia da Terra: “Como a trágica pandemia do coronavírus nos demonstra, só unidos e cuidando dos mais frágeis podemos vencer os desafios globais.”

VN

Vaticano - Papa vai rezar o terço nos jardins do Vaticano e pede que fiéis o acompanhem



Santuários dos cinco continentes já aderiram a esta iniciativa.
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No encerramento do mês mariano, o Papa Francisco vai rezar o terço, no próximo sábado, dia 30 de maio, às 17h30 locais (16h30, em Lisboa), para pedir a consolação de Nossa Senhora para enfrentar a pandemia. O evento vai ser transmitido pela Santa Sé, em direto, a partir Gruta de Lourdes, nos jardins do Vaticano, e terá a duração de uma hora.

“As dezenas serão rezadas por homens e mulheres representando as várias realidades tocadas pelo vírus: um médico, uma enfermeira, um paciente curado, uma pessoa que perdeu um familiar, um sacerdote, um capelão hospitalar, um farmacêutico, uma freira enfermeira, um representante da Defesa Civil, uma família cujo filho nasceu durante a pandemia”, informa o site Vatican News.

Esta iniciativa é organizada pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. “Aos pés de Maria, o Papa Francisco depositará as aflições e as dores da humanidade, ulteriormente agravadas pela difusão da Covid-19”, escreveu o presidente deste dicastério, D. Rino Fisichella. Para o arcebispo italiano, a oração do terço pelo Papa Francisco é mais um “sinal de proximidade e de consolação para aqueles que, de algum modo, foram atingidos pelo vírus, na certeza de que a Mãe Celeste não desatende os pedidos de proteção”.

Santuários unidos
Santuários dos cinco continentes, incluindo Fátima, já deram conta da sua adesão a esta iniciativa, na sequência da carta enviada por D. Rino Fisichella aos reitores dos santuários. “À luz da situação de emergência causada pela pandemia do novo coronavírus, que provocou a interrupção da atividade normal de todos os santuários e a interrupção de todas as peregrinações, o Papa Francisco deseja expressar um gesto de proximidade a cada um de vocês com a oração do Santo Terço”, refere a missiva.

Além do santuário mariano português, já confirmaram participação os santuários de Lourdes, Pompeia, Czestochowa, Guadalupe, Luján e Aparecida.

Jornal Voz da Verdade

Patriarcado de Lisboa

Francisco e o ecumenismo: um “caminho irreversível”

 
O Papa Francisco em Genebra, nos 70 anos do Conselho Ecuménico das Igrejas  (AFP or licensors)
 
O compromisso ecuménico é uma das prioridades do Papa Francisco. Desde as suas primeiras palavras como bispo da Igreja de Roma, quando afirmou “que preside na caridade todas as Igrejas”, ao seu pedido de bênção ao patriarca Bartolomeu, assim como na sua “procura de unidade e paz” em Genebra, nos 70 anos do Conselho Ecuménico das Igrejas
  A continuidade com os predecessores, a linha do Concílio
 
Desde então Francisco, numa sucessão de gestos, encontros, discursos e declarações comuns com homens e mulheres de diferentes Igrejas, tem mostrado que a construção da unidade visível da Igreja de Cristo é uma das prioridades do seu pontificado. Isto explica o seu compromisso para superar as divisões e fortalecer a comunhão, com o objetivo de tornar cada vez mais eficaz a missão do anúncio e do testemunho da palavra de Deus. A sua escolha de colocar entre as prioridades da Igreja Católica a participação plena e ativa no caminho ecumênico está em profunda continuidade com seus predecessores, a começar por São João XXIII, na linha da transmissão do Concílio Vaticano II. 

Francisco e Bartolomeu como Paulo VI e Atenágoras
 
Uma semana depois do conclave que o elegeu, Francisco abraçou Bartolomeu I chamando-o de “André” como herdeiro do apóstolo. O Papa repetiu o gesto de Paulo VI com o Patriarca de Constantinopla Atenágoras em Jerusalém, quando em 5 de janeiro de 1964, Atenágoras chamou Paulo VI de “Pedro”. E anunciou aos representantes das Igrejas cristãs e outras religiões, "a firme vontade de continuar no caminho do diálogo ecuménico", na esteira dos seus antecessores. Mais tarde encontrou-se com Bartolomeu em Jerusalém, em Roma e Istambul. 

Abençoado por Bartolomeu
 
Em 29 de novembro de 2014, na Igreja Patriarcal de São Jorge em Istambul, no final da oração ecuménica, o Papa Francisco inclina-se diante do Patriarca, pedindo para ser abençoado por ele. No dia seguinte, durante a Divina liturgia ortodoxa, o Papa diz as seguintes palavras ao seu convidado:

Encontrar-nos, olhar o rosto um do outro, trocar o abraço de paz, rezar um pelo outro são dimensões essenciais do caminho para o restabelecimento da plena comunhão para a qual tendemos. 

Evangelii gaudium: a diversidade reconciliada no Espírito
 
O Papa Francisco esclarece esta urgência no compromisso ecuménico, ao dedicar alguns parágrafos na Exortação Apostólica “Evangelii gaudium”, de 23 de novembro de 2013, um autêntico programa do seu pontificado. Um compromisso que, escreve no parágrafo 244, corresponde à oração de Jesus que pedindo “que todos sejam um só”: peregrinemos juntos e para isso, devemos “abrir o coração ao companheiro de estrada sem desconfianças procurando a paz no rosto do único Deus”. No parágrafo 230 explica que “a unidade do Espírito harmoniza todas as diversidades”, na espécie de um pacto cultural que faça surgir uma “diversidade reconciliada”. 

Cristãos chamados a uma conversão à misericórida
 
O Papa convida todos os cristãos a um caminho de conversão à misericórdia, cristãos que simplesmente não estão mais divididos, mas sentem-se unidos na descoberta diária do que já partilham, sem esquecer as questões doutrinárias que ainda impedem a plena comunhão. Nesta direção Francisco encontra uma profunda harmonia com os chefes das Igrejas e os responsáveis pelos organismos ecuménicos. Pensemos no encontro de 14 de junho de 2013 com o novo Arcebispo de Canterbury Justin Welby, no qual ele convida anglicanos e católicos a trabalharem juntos "para dar voz ao grito dos pobres", para que não sejam abandonados às leis de uma economia que muitas vezes considera o homem "apenas como consumidor". Pedindo para não esperar a solução de problemas teológicos para trabalhar juntos. Este ano, a pandemia da Covid-19 impediu que o Papa e o Primaz da Igreja Anglicana visitassem juntos o Sudão do Sul, que se encontra num difícil caminho de reconciliação interna após anos de guerra civil. 

Roma e Moscovo, o primeiro abraço em Cuba
 
Igualmente histórico é o primeiro encontro entre um Bispo de Roma, Papa da Igreja Católica e um Patriarca de Moscou e todas as Rússias, em 12 de fevereiro de 2016, em Cuba. Francis e Kirill escolheram a América Latina e não a Europa porque no velho continente o diálogo ecuménico deve enfrentar as feridas históricas das divisões. Assinam uma declaração conjunta na qual abordam questões sensíveis como a questão greco-católica e a Ucrânia, e lançam um apelo conjunto pela paz na Síria e no Iraque e em defesa da família "com base no casamento homem-mulher". Definem os "cristãos vítimas de perseguição" como "mártires do nosso tempo, pertencentes a várias Igrejas, mas unidos por um sofrimento comum". 

O ecumenismo do sangue, cristãos unidos no martírio
 
Esta reiterada denúncia da perseguição dos cristãos no século XXI une ainda mais o Papa Francisco a São João Paulo II, que, em vista do Jubileu do Ano 2000, esperava uma comunhão ecuménica dos mártires de cada uma das Igrejas. O Papa argentino fala de “ecumenismo de sangue”, recordando que “em alguns países cristãos, os cristãos são mortos porque carregam uma cruz ou têm uma Bíblia, e antes de matá-los não perguntam se são anglicanos, luteranos, católicos ou ortodoxos". 

Os 500 anos da Reforma recordados juntos
 
Um outro passo para uma plena reconciliação das memórias é a comemoração conjunta luterano-católica dos 500 anos da Reforma em 31 de outubro de 2016 na Catedral Luterana de Lund, na Suécia. O Papa e os seus convidados propõem um profundo repensar das riquezas espirituais e doutrinárias do século XVI, num espírito de partilha que infelizmente não existiu em todos os séculos anteriores. 

Genebra, peregrinação “na procura de unidade e paz”
 
E chegamos à peregrinação "na procura de unidade e paz" realizada por Francisco em 21 de junho de 2018 em Genebra, por ocasião do 70º aniversário da fundação do Conselho Ecuménico de Igrejas. No decorrer da oração ecuménica, o Pontífice recorda que " as divisões entre cristãos deram-se porque na raiz, na vida das comunidades, infiltrou-se uma mentalidade mundana”.

Primeiro eles alimentaram os seus próprios interesses, depois os de Jesus Cristo. Nestas situações, o inimigo de Deus e do homem teve facilidade em nos separar, porque a direção que estávamos a seguir era a da carne, não a do Espírito.  
 
Missionários juntos para serem mais unidos
  No encontro ecuménico realizado na Sede do centro Ecuménico de Genebra, ainda em 21 de junho de 2018, o Papa destaca que “aquilo de que temos verdadeiramente necessidade é dum novo ímpeto evangelizador”.

Estou convencido que, se aumentar o impulso missionário, crescerá também a unidade entre nós. Como nos primórdios o anúncio marcou a primavera da Igreja, assim a evangelização marcará o florescimento duma nova primavera ecuménica.  
 
Um caminho essencial para os discípulos de Cristo
  O Pontífice que “veio do fim do mundo” prossegue a tradição de receber uma delegação ecuménica da Finlandia durante a Semana de oração pela unidade dos cristãos, no Dia de Santo Henrique. E na audiência de 19 de janeiro de 2019, foi particularmente incisivo. Recordem que o caminho ecuménico é "uma exigência essencial" de nossa fé, um "requisito" que vem do facto de sermos discípulos de Cristo.

Assim como seguimos o mesmo Senhor, compreendemos cada vez mais que o ecumenismo é um caminho, um caminho que, como os vários Pontífices constantemente sublinharam desde o Concílio Vaticano II, é irreversível. This is not an optional way.

VN

Transmissão online - Cardeal-Patriarca convida jovens para a Vigília de Pentecostes





O Cardeal-Patriarca de Lisboa convidou os jovens da diocese a participarem na Vigília de Pentecostes, que vai ter lugar na noite do próximo sábado, 30 de maio, às 21h00. Num vídeo divulgado este Domingo pelo Serviço da Juventude, D. Manuel Clemente recordou que a participação juvenil na vigília terá de ser feita através da internet. “Queridos amigos, tenho muito gosto em convidar-vos para, através do site do Patriarcado, estarem comigo na Vigília de Pentecostes. Será no sábado, 30 deste mês, a partir das 21h00. A vigília será celebrada na Igreja de Cristo-Rei da Portela, onde estarão, basicamente, os membros do secretariado, mas, todos vocês através do site do Patriarcado, podem seguir, e eu sei que vocês vão estar aí, e eu vou gostar muito de estar com todos vocês. Então, até à Vigília de Pentecostes, com muito gosto e muita estima”, referiu o Cardeal-Patriarca, na vídeo-mensagem divulgada nas redes sociais.

Segundo o Serviço da Juventude, a Vigília de Pentecostes vai ter transmissão, em direto, no site do Patriarcado de Lisboa, mas também no YouTube e no Facebook da diocese e no MeoKanal (210021). “Apesar de não podermos estar todos juntos, reza connosco! Quando estavam fechadas as portas da casa onde se encontravam, os discípulos receberam o Espírito Santo”, salientou um comunicado deste serviço diocesano.

Jornal Voz da Verdade

25 maio, 2020

Francisco e os 25 anos da "Ut unum sint": gratidão e empenho

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Celebração das Vésperas do 25 de janeiro de 2020  (Vatican Media)

Com uma carta ao presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Kurt Koch, o Papa Francisco recorda os 25 anos da publicação da Carta Encíclica "Ut unum sint" de São João Paulo II. 

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano 

Agradecimento e empenho: estes são os sentimentos expressos pelo Papa Francisco ao recordar os 25 anos da publicação da Carta Encíclica Ut unum sint de São João Paulo II.

Com uma carta ao presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Kurt Koch, o Pontífice lembra o contexto da época: com o olhar voltato para o horizonte do Jubileu do Ano 2000, o Papa polaco queria que a Igreja mantivesse bem presente a oração de seu Mestre e Senhor: “Que todos sejam um”.

“Por isso, escreveu esta Encíclica, que confirmou de modo irreversível o empenho ecuménico da Igreja Católica”, ressalta Francisco. Publicando o texto na Solenidade da Ascensão do Senhor, João Paulo II colocou-o sob o signo do Espírito Santo, artífice da unidade na diversidade, princípio da unidade da Igreja. 

Que não nos falte fé e reconhecimento
 
A própria Encíclica reitera que “a legítima diversidade não se opõe de forma alguma à unidade da Igreja, antes aumenta o seu decoro e contribui significativamente para o cumprimento da sua missão”   (n. 50).

“Neste aniversário, dou graças ao Senhor pelo caminho que nos permitiu percorrer como cristãos na busca da plena comunhão”, escreve o Papa, afirmando compreender a “impaciência” de quem pensa que poderia e deveria ser feito mais. “Todavia, não nos deve faltar fé e reconhecimento: muitos passos foram dados nestas décadas para curar feridas seculares e milenárias.”

Para Francisco, os progressos são visíveis no maior conhecimento e estima recíprocos, no avanço no diálogo teológico e caritativo, e em várias formas de colaboração no diálogo da vida, no plano pastoral e cultural.

O Papa dirigiu o seu pensamento também para os Irmãos que estão à frente das diversas Igrejas e comunidades cristãs e a todos os cristãos de todas as tradições, “que são os nossos companheiros de viagem”. 

Duas iniciativas
 
Ao agradecer quem trabalha e trabalhou no Dicastério dedicado ao ecumenismo, o Pontífice anunciou duas iniciativas: a primeira é um Vademecum ecumenico para os Bispos, que será publicado no segundo semestre “como encorajamento e guia ao exercício das suas responsabilidades ecuménicas". A segunda iniciativa é o lançamento da revista Acta Œcumenica, que servirá de subsídio para quem trabalha ao serviço da unidade.

Fazendo memória do caminho percorrido, Francisco recorda que a importância de perscrutar o horizonte, interrogando-se «Quanta est nobis via?» (n. 77), “quanta estrada nos resta por fazer?”.

Uma coisa é certa, conclui o Papa: a unidade não é principalmente o resultado da nossa ação, mas é dom do Espírito Santo. E não acontecerá como um milagre, mas caminhando juntos.

“Invoquemos confiantes, portanto, o Espírito, para que guie os nossos passos e cada um se sinta, com renovado vigor, o apelo a trabalhar pela causa ecuménica; Ele inspire novos gestos proféticos e reforce a caridade fraterna entre todos os discípulos de Cristo, «para que o mundo creia» (Jo 17,21) e se multiplique o louvor ao Pai que está nos Céus.”

VN

Os 25 anos da “Ut unum sint”, entre profecias e resistências



Jubileu do Ano 2000

Um apelo apaixonado aos cristãos para que respondam à oração de Jesus pela unidade de todos. A Encíclica do Papa João Paulo II ajuda-nos a olhar para a realidade das comunidades cristãs de hoje com um renovado compromisso ecuménico. 

Sergio Centofanti 

A Encíclica "Ut unum sint" de São João Paulo II sobre o ecumenismo traz a data de 25 de maio de 1995: vinte e cinco anos depois, preservando intacto o seu frescor e sua carga profética. Com um olhar para frente, indica uma meta que parece distante, a unidade dos cristãos: o próprio Jesus a quer e, antes de enfrentar a Paixão, ora ao Pai para que os seus fiéis sejam uma só união. 

O Papa da unidade
 
O Papa Wojtyla sente fortemente este ardente desejo do Senhor, ele fá-lo seu, e o ecumenismo torna-se uma das prioridades do Pontificado, porque a divisão dos cristãos é um escândalo que afeta a própria obra de Jesus: "Crer em Cristo - escreve ele - significa querer a unidade". É um ato de obediência que amplia os horizontes do coração e da mente. Mas é justamente o Papa da unidade que deve sofrer a grande dor do cismo: alguns irmãos que não entendem este impulso para o futuro. O documento chega sete anos após a ilegítima ordenação episcopal conferida pelo Arcebispo Marcel Lefebvre, que em 1988 sancionou a separação de Roma. 

João Paulo II acusado de relativismo pelos tradicionalistas

O prelado tradicionalista francês acusa o Papa polaco e o Concílio Vaticano II de "falso ecumenismo", que destrói a verdadeira fé e leva "a Igreja à ruína e os católicos à apostasia": diz que a Providência lhe confiou a missão de se opor "à Roma moderna, infestada de modernismo", para que "possa voltar a ser a Roma católica e reencontre a sua Tradição de dois mil anos". A seu ver, foi introduzida uma "concepção protestante" da Missa e dos Sacramentos. Lefebvre morreu em 1991. Os seus sucessores atacaram a Encíclica de João Paulo II porque - dizem - ela não só leva ao "relativismo dogmático", mas "na verdade" já o contém. Uma posição que se baseia "numa noção incompleta e contraditória da Tradição", já tinha afirmado o Papa Wojtyla na Carta Apostólica "Ecclesia Dei": incompleta, pois não considera que a Tradição esteja viva e em crescimento pois é transmitida de geração em geração, sem se fixar numa data histórica predeterminada. Contraditória, porque a Tradição jamais pode ser separada da comunhão com o Papa e com os pastores de todo o mundo. 

O diálogo é uma prioridade que permite descobertas inesperadas
 
O documento pontifício olha para o futuro com coragem; indica o diálogo como prioridade e um passo necessário para descobrir a riqueza dos outros. Vê todos os passos dados para a unidade com as diversas Igrejas e Comunidades cristãs, a começar pela abolição mútua das excomunhões entre Roma e Constantinopla e as Declarações Cristológicas comuns com as antigas Igrejas do Oriente. É um caminho que permite "descobertas inesperadas", na consciência de que "a diversidade legítima não se opõe de forma alguma à unidade". "Polemicas e controvérsias intolerantes - lê-se no texto - transformaram em afirmações incompatíveis o que foi, na verdade, o resultado de dois pontos de vista que visavam escrutinar a mesma realidade, mas de dois ângulos diferentes". É um caminho que ajuda "a descobrir a insondável riqueza da verdade" e a presença de elementos de santificação "para além das fronteiras visíveis da Igreja Católica". 

A expressão da verdade pode ser multiforme
 
Não se trata de "modificar o depósito da fé" e "mudar o sentido dos dogmas" - explica o Papa Wojtyla - mas "a expressão da verdade pode ser multiforme". Isto porque "a doutrina deve ser apresentada de modo que se torne compreensível àqueles para quem o próprio Deus a destina", qualquer cultura a que pertençam, evitando qualquer forma de "particularismo exclusivismo étnico ou preconceito racial", como "qualquer sobranceria nacionalista". 

Do diálogo da doutrina ao diálogo do amor

A Encíclica indica a necessidade de que "o modo e o método de enunciar a fé católica não seja um obstáculo ao diálogo com os irmãos", sabendo que existe "uma hierarquia nas verdades da doutrina católica". A Igreja - afirma João Paulo II - "é chamada por Cristo a esta reforma contínua", que "pode exigir revisões de declarações e atitudes". O "diálogo", lembra, "não se articula exclusivamente em torno da doutrina, mas envolve a pessoa toda", porque "é também um diálogo de amor". É do amor que "nasce o desejo de unidade". É um caminho que exige "trabalho paciente e coragem". Ao fazê-lo, é necessário não impor outras obrigações para além das indispensáveis". 

A primazia da oração: convergindo para o essencial
 
No ecumenismo - observa o Papa polaco - a primazia, pertence à oração comum. Os cristãos, orando juntos, descobrem que o que os une é muito mais forte do que o que os divide. A renovação litúrgica realizada pela Igreja Católica e outras Comunidades eclesiais permitiu convergências sobre o essencial e, juntos, cada vez mais se voltam para o Pai com um só coração: "Às vezes - observa João Paulo II - parece estar mais perto a possibilidade de finalmente selar esta comunhão real, embora ainda não plena. Quem teria podido sequer imaginá-lo, há um século? 

Compromisso comum pela liberdade, a justiça, a paz
 
Entre os passos adiante no caminho do ecumenismo, a Encíclica aponta a crescente colaboração dos cristãos pertencentes a várias confissões no seu compromisso com "a liberdade, a justiça, a paz, o futuro do mundo": "a voz comum dos cristãos tem mais impacto do que uma voz isolada" para "fazer triunfar o respeito pelos direitos e necessidades de todos, especialmente dos pobres, dos humilhados e dos indefesos". Para os cristãos - sublinha o Papa Wojtyla - não se trata de uma mera ação humanitária, mas de responder à palavra de Jesus, como lemos no capítulo 25 do Evangelho de Mateus: "Tive fome e deste-me de comer...". 

Mudar a linguagem: da condenação ao perdão recíproco
 
João Paulo II apela para uma mudança de linguagem e de atitudes: é preciso evitar o estilo agressivo e antagónico de oposição, o "derrotismo que tende a ver tudo negativo", "o fechamento não evangélico na condenação dos outros" e o "desprezo que deriva de uma presunção insalubre". É preciso, ao contrário, "fazer todo o possível, com a ajuda de Deus, para derrubar muros de divisão e desconfiança, para superar obstáculos e preconceitos", eliminando palavras e vocábulos que ferem, escolhendo o caminho da humildade, da mansidão e da generosidade fraterna. Assim, com o tempo, não mais falamos de hereges ou inimigos da fé, mas de "outros cristãos", "outros batizados". " Tal ampliação do léxico – aponta Wojtyla - traduz uma notável evolução das mentalidades”. É um caminho de conversão que passa por um caminho obrigatório: o arrependimento mútuo pelos erros cometidos. E João Paulo II pede perdão pelas faltas cometidas pelos membros da Igreja. 

A primazia do Papa: um serviço de amor 
 
A unidade plena tem em Pedro o ponto visível de referência e João Paulo II lança um apelo às Comunidades cristãs para que encontrem uma forma de exercício do primado petrino que, "sem renunciar de forma alguma ao que é essencial da sua missão, se abra a uma situação nova ", como "um serviço de amor reconhecido por uns e por outros". 

Uma Igreja a caminho da unidade
 
Ut unum sint é uma esplêndida síntese da caminhada da Igreja ao longo de seus 2000 anos de história. É uma luz que aponta o caminho a seguir, continuando na mesma direção daqueles que nos precederam. Mostra o caráter vivo da Tradição, que - como diz a "Dei Verbum" - tem origem nos Apóstolos e progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo. E é graças ao Espírito que cresce a inteligência da fé. Neste caminho - afirma João Paulo II citando São Cipriano - os irmãos devem aprender a reconciliar-se com o altar, porque "Deus não aceita o sacrifício daqueles que estão em desacordo". Em vez disso, "o maior sacrifício a oferecer a Deus é a nossa paz e harmonia fraterna, é o povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo". Este é o convite final do Papa Wojtyla: pedir ao Senhor a graça de preparar todos nós para o sacrifício da unidade. 

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