23 fevereiro, 2018

Quaresma. Frei Cantalamessa: transformar-se para transformar o “mundo”


 Frei Raniero Cantalamessa

Na Capela Redemptoris Mater, nesta manhã, a primeira pregação da Quaresma, realizada pelo Frei Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia.
Tema das meditações para a Quaresma: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”
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Silvonei José – Cidade do Vaticano
 
Na manhã desta sexta-feira (23) realizou a primeira pregação da Quaresma na capela Redemptoris Mater no Vaticano, conduzida pelo frei Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia. Na sua meditação o franciscano enfatizou que, para transformar o mundo, devemo-nos transformar.

A sua reflexão teve como centro as palavras de São Paulo na sua Carta aos Romanos: "Não vos conformeis com este mundo”. Não diz, “transformem-no”, mas sim “transformem-se”. Esta primeira meditação introduz o espírito da Quaresma, sem entrar no tema específico do programa, também devido à ausência de parte dos participantes dos encontros, o Papa e os membros da Cúria Romana que concluíram nesta manhã dos Exercícios Espirituais em Ariccia.

A palavra "mundo" no cristianismo 

O frei capuchinho recorda que a atitude de Jesus em relação ao mundo é de “estar no mundo, mas não ser do mundo, que em si mesmo, apesar de tudo, é uma realidade boa criada por Deus.

Ler também:
1a. Preg Quaresma - anim
 
Assim, o Frei Cantalamessa analisa a relação entre o pensamento cristão e o “mundo” ao longo dos séculos: com Paulo e com João, a palavra “mundo” carrega-se com um valor moral que se refere principalmente a como se tornou depois do pecado, o ideal da fuga do mundo dos primeiros séculos até à chamada “teologia da secularização” que acaba no ideal de uma fuga “em direção” do mundo, isto é, uma mundanização.

Desta forma encontrou-se num "beco sem saída" – destaca - e em poucos anos, não se falou mais de teologia da secularização e alguns dos mesmos promotores se distanciaram-se dela.

Ir na direção dos pobres é separar-se do mundo 

O frei Cantalamessa explica então o que é o “mundo” ao qual não  nos devemos conformar: “Nós já sabemos qual é, para o Novo Testamento, o mundo ao qual não devemos conformar-nos: não o mundo criado e amado por Deus, não os homens do mundo aos quais  devemos isempre ir ao encontro, especialmente os pobres, os últimos, os sofredores.
O “misturar-se” com este mundo do sofrimento e da marginalização é, paradoxalmente, o melhor modo de “separar-se” do mundo, porque é ir lá onde o mundo foge com todas as suas forças. É separar-se do próprio princípio que governa o mundo, que é o egoísmo”.

A fé é o terreno de confronto primário 

O terreno de “confronto primário” entre o cristão e o “mundo” é a fé, disse Frei Canatalamessa, que se refere às “conclusões que tiram os cientistas não crentes da observação do universo” e outros: no melhor dos casos “Deus é reduzido a um vago e subjetivo senso do mistério e Jesus Cristo nem sequer é levado em consideração”. “A adaptação ao espírito dos tempos” é quando o mundo adormenta as pessoas sugando as energias espirituais e injetando uma espécie de líquido soporífero.

 A figura deste mundo passa 

O cristão - explica - não deve conformar-se ao mundo, não porque a matéria seja má ou inimiga do espírito, como pensaram os platónicos, mas porque a cena deste mundo passa. Basta pensar nos mitos de 40 anos atrás ou ao que permanecerá dos mitos e celebridades de hoje.

“Nu, saí do ventre da minha mãe, e nu vou voltar", diz Jó (Jó 1, 21). O mesmo – continua Cantalamessa - acontecerá com os bilionários de hoje com o seu dinheiro e com os poderosos de hoje que fazem o mundo tremer com o seu poder”.

Jejum de imagens 

Enfim uma advertência do Frei Cantalamessa de não se conformar com este mundo: as imagens. “Os antigos tinham inventado o lema: "Jejuar do mundo” (nesteuein tou kosmou); hoje isto deve ser entendido no sentido de jejuar das imagens do mundo. Uma vez era considerado mais eficaz o jejum dos alimentos e das bebidas. Não é mais assim. Hoje se jejua por muitas outras razões: especialmente para manter a linha. Nenhum alimento, diz a Escritura, é impuro, enquanto muitas imagens o são. Elas tornaram-se num dos veículos privilegiados com o qual o mundo difunde o seu antievangelho". E recordou um hino da Quaresma:

Utamur ergo parcius
Usemos parcamente
Verbis, cibis et potibus,
de palavras, comida e bebida,
Somno, iocis et arctius
de sono e de entretenimentos.
Perstemus in custodia.

Estejamos mais vigilantes em proteger os sentidos.

VATICAN NEWS

I Pregação Quaresma do Frei Raniero Cantalamessa - texto integral

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Cappella Redemptoris Mater 
 
Cidade do Vaticano

"Não vos conformeis com a mentalidade deste mundo” (Rm 12, 2), foi o tema da I reflexão da Quaresma do Frei Raniero Cantalamessa na Capela Redemptoris Mater a membros da Cúria. O Papa Francisco não participou por estar concluindo os Exercícios Espirituais em Ariccia.

(Tradução de Thácio Siqueira, com adaptação ao português de Portugal, efetuada por este blogue):

"Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rom 12, 2).

Numa sociedade em que todos se sentem investidos da tarefa de transformar o mundo e a Igreja, cai esta palavra de Deus que nos convida a transformar-nos a nós mesmos. . "Não vos conformeis com este mundo”: depois destas palavras, esperávamos ouvir: "mas transformai-o!"; Em vez disso, diz-se: “mas transformai-vos!”. Transformar, sim, o mundo, mas o mundo que está dentro de vós, antes de pensar em transformar o mundo que está fora de vós.

Será esta palavra de Deus, tirada da Carta aos Romanos, que nos introduzirá este ano no espírito da Quaresma. Como fazemos há alguns anos, dedicamos a primeira meditação a uma introdução geral à Quaresma, sem entrar no tema específico do programa, até mesmo por causa da ausência de parte do auditório envolvido nos Exercícios Espirituais.

1. Os cristãos e o mundo

Em primeiro lugar, vejamos como esse ideal de desapego do mundo foi compreendido e vivido desde o Evangelho até aos nossos dias. É sempre útil ter em conta experiências passadas se quisermos entender as necessidades do presente.

Nos evangelhos sinóticos, a palavra "mundo" (kosmos) é quase sempre compreendida num sentido moralmente neutro. Tomando no sentido espacial,  mundo indica a terra e o universo ("ide por todo o mundo"), tomando em um sentido temporal, indica o tempo ou o “século” (aion) presente. É com Paulo e ainda mais com João que a palavra "mundo", é preenchida com um valor moral e significa, na maioria das vezes, o mundo depois do pecado e sob o domínio de Satanás, “o deus deste mundo” (2 Cor 4, 4). Daí a exortação de Paulo da qual nós partimos e, aquela, quase idêntica, de João na sua Primeira Carta:

"Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo."(1 Jo 2, 15-16).

Estas coisas não nos fazem perder de vista que o mundo em si mesmo, apesar de tudo, é e permanece, a boa realidade criada por Deus, que Deus ama e que veio para salvar, não para julgar: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16).

A atitude em relação ao mundo que Jesus propõe aos seus discípulos encerra-se em duas preposições: estar no mundo, mas não ser do mundo:  “Já não estou no mundo – diz dirigindo-se ao Pai – ; eles, pelo contrário, ainda estão no mundo [...]. Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo" (Jo 17,11. 16)
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Nos primeiros três séculos, os discípulos estão bem cientes de sua posição única. A Carta a Diogneto, um escrito anónimo do final do segundo século, descreve dessa forma o sentimento que os cristãos tinham de si mesmos no mundo:

"Os cristãos não diferem do resto dos homens nem pelo território, nem pela língua, nem pelos hábitos de vida. De facto, não moram em cidades particulares, não usam uma linguagem estranha, não levam um tipo de vida especial [...]. Moram tanto na cidade grega como na bárbara, como acontece, e apesar de iguais nas roupas, na comida e no resto da vida segundo os costumes do lugar, se predispõem para uma forma de vida maravilhosa e, segundo todos, paradoxal. Cada um mora na própria pátria, mas como forasteiros; participam de todas as atividades de bons cidadãos e aceitam todos os encargos como convidados passageiros. Toda terra estrangeira é uma pátria para eles, enquanto toda pátria é, para eles, terra estrangeira. Como todos, se casam e têm filhos, mas não expõem os seus filhos. Eles têm em comum a mesa, mas não a cama. Vivem na carne, mas não segundo a carne"[1].

Façamos um breve resumo da história. Quando o cristianismo se torna tolerado e depois, religião protegida e favorecida, a tensão entre o cristianismo e o mundo tende, inevitavelmente, a diminuir, porque o mundo tornou-se, ou pelo menos, é considerado "um mundo cristão". Ocorre, assim, um duplo fenómeno. De uma parte, grupos de cristãos desejosos de permanecerem como o sal da terra e não perderem o sabor, fogem, também fisicamente, do mundo e retiram-se para o deserto. Nasce o monaquismo sob a bandeira do monge Arsênio: “Fuge, tace, quiesce”, “Fuja, cale, viva retirado[2]”

Ao mesmo tempo, os pastores da Igreja e os espíritos mais iluminados tentam adaptar o ideal de desapego do mundo a todos os crentes, propondo uma fuga não-material, mas espiritual, do mundo. São Basílio no Oriente e Santo Agostinho no Ocidente conhecem o pensamento de Platão, especialmente na versão ascética que ele tinha tomado com o discípulo Plotino. Neste ambiente cultural, estava vivo o ideal da fuga do mundo. Mas era uma fuga, por assim dizer, vertical, não horizontal, para cima, não para o deserto. Consiste em elevar-se por acima da multiplicidade das coisas materiais e das paixões humanas, para unir-se ao que é divino, incorruptível e eterno.

Os Padres da Igreja - os Capadócios em primeiro lugar - propõem uma ascética cristã que responde a essa exigência religiosa e adota a sua linguagem, sem, contudo, sacrificar os valores próprios do Evangelho. Para começar, a fuga do mundo inculcada por eles é trabalho da Graça mais do que esforço humano. O ato fundamental não está no final do caminho, mas no seu começo, no batismo. Portanto, não é reservada a poucos cultos, mas aberta a todos. Santo Ambrósio escreverá um breve tratado “Sobre a fuga do mundo”, dirigindo-o a todos os neófitos[3]. A separação do mundo que ele propõe é sobretudo afetiva: “A fuga – diz – não consiste no abandonar a terra, mas, permanecendo na terra, em observar a justiça e a sobriedade, em renunciar aos vícios e não ao uso dos alimentos” [4].

Este ideal de desapego e de fuga do mundo acompanhará, em formas diferentes, toda a história da espiritualidade cristã. Uma oração da liturgia resume-o no lema: "terrena despicere et amare caelestia", "desprezar as coisas da terra e amar as do céu".

2. A crise do ideal da "fuga mundi"

As coisas mudaram nos tempos próximos a nós. Atravessamos, referindo-nos ao ideal da separação do mundo, uma fase “crítica”, ou seja, um período no qual tal ideal foi “criticada” e olhada com suspeita. Tal crise tem raízes remotas. Começa – pelo menos a nível teórico – com o humanismo renascentista que traz de volta o interesse e o entusiasmo, às vezes de um tipo pagão, pelos valores mundanos. Mas o fator determinante da crise deve ser visto no fenómeno da chamada "secularização", iniciada com o Iluminismo e que atingiu o seu pico no século XX.

A mudança mais evidente refere-se precisamente ao conceito de mundo ou de século. Ao longo da história da espiritualidade cristã, a palavra saeculum teve uma conotação tendencialmente negativa, ou, pelo menos, ambígua. Indicava o tempo presente sujeito ao pecado, em oposição ao século futuro ou à eternidade. Dentro de algumas poucas décadas, isso mudou até assumir nos anos 60 e 70 um significado netamente positivo. Alguns títulos de livros publicados naqueles anos, como The Secular Meaning of the Gospel (O significado secular do Evangelho) de Paul van Buren e The Secular City (A cidade secular) of Harvey Cox, destacam, por si só, esse novo, otimista significado de "século" e de "secular". Nasce uma “teologia da secularização”.

Tudo isto contribuiu, no entanto, para alimentar em algumas pessoas um otimismo exagerado em relação ao mundo, que não leva em conta o seu outro rosto: o de estar “submetido ao maligno” e se opor ao espírito de Cristo (cf. Jo 14, 17). A certo momento, percebeu-se que o ideal tradicional de fuga do "mundo" tinha sido substituído, na mente de muitos (também entre clérigos e religiosos), pelo ideal de uma fuga "para" o mundo, isto é uma mundanização.

Neste contexto, escreveram-se algumas das coisas mais absurdas e delirantes que jamais tinham sido escritas sob o nome de "teologia". A primeira delas é a ideia de que o próprio Deus se seculariza e se mundaniza, quando se anula como Deus para fazer-se homem. Estamos na, assim chamada, “Teologia da morte de Deus”. Existe também uma saudável teologia da secularização que não é vista como algo oposto ao Evangelho, mas sim como um produto dele. Não é, no entanto, essa, a teologia de que estamos a falar.

Alguém apontou que as "teologias da secularização" mencionadas eram somente uma tentativa apologética que pretendia “fornecer uma justificação ideológica da indiferença religiosa do homem moderno”; era também “a ideologia da qual a Igreja tinha necessidade para justificar a sua crescente marginalização[5]". Logo ficou claro que tinhamos entrado num beco sem saída; em poucos anos, quase não se falou mais sobre a teologia da secularização e alguns dos seus promotores distanciaram-se dela.

Como sempre, tocar no fundo de uma crise é uma oportunidade para voltar a questionar a palavra de Deus "viva e eterna". Então, vamos ouvir novamente a exortação de Paulo: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito."

Nós já sabemos qual é, para o Novo Testamento, o mundo ao qual não devemos conformar-nos: não o mundo criado e amado por Deus, não os homens do mundo aos quais devemos sempre ir ao encontro, especialmente os pobres, os últimos, os sofredores. O “misturar-se” com este mundo do sofrimento e da marginalização é, paradoxalmente, o melhor modo de “separar-se” do mundo, porque é ir lá onde o mundo foge com todas as suas forças. É separar-se do próprio princípio que governa o mundo, que é o egoísmo.

Reflitamos um pouco, em vez disso, no significado do seguinte: transformar-se renovando a intimidade da nossa mente. Tudo em nós começa da mente, do pensamento. Existe um sábio ditado que diz:

Vigie os pensamentos porque se tornam palavras.

Vigie as palavras porque se tornam ações.

Vigie as ações porque se tornam hábitos.

Vigie os hábitos porque se tornam o seu caráter.

Vigie o seu caráter porque se torna o seu destino.

Antes que nas obras, a mudança deve acontecer, portanto, no modo de pensar, ou seja, na fé. Na origem da mundanização existem muitas causas, mas a principal é a crise de fé. Neste sentido, a exortação do Apóstolo somente retoma aquela de Cristo no começo do seu Evangelho: “Convertei-vos e crede”, convertei-vos, ou seja, crede! Mude o modo de pensar; pare de pensar ‘segundo os homens” e passe a pensar “segundo Deus” (Mt 16, 23). Tinha razão santo Tomás de Aquino ao dizer que “a primeira conversão acontece acreditando”: prima conversio fit per fidem[6].

A fé é o principal campo de batalha entre o cristão e o mundo. É pela fé que o cristão não é mais “do” mundo. Quando leio as conclusões que tiram os cientistas ateus da observação do universo, a visão do mundo que nos dão escritores e cineastas, onde, na melhor das hipóteses, Deus é reduzido a um vago e subjetivo senso do mistério e Jesus Cristo não é nem sequer levado em consideração, sinto que pertenço, graças à fé, a um outro mundo. Experimento a verdade daquelas palavras de Jesus: "Bem-aventurados os olhos que vêem o que vocês vêem" e fico surpreso ao constatar como Jesus previu essa situação e deu uma explicação antecipada: “Escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10, 21-23).

Compreendido num sentido moral, o “mundo” é por definição o que se recusa a acreditar. O pecado, do qual Jesus disse que o Paráclito “convencerá o mundo”, é de não ter acreditado nele (cf. Jo 16, 8-9). João escreve: "Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé" (1 Jo 5, 4). Na Carta aos Efésios, lemos: "E vós outros estáveis mortos por vossas faltas, pelos pecados que cometestes outrora seguindo o modo de viver deste mundo, do príncipe das potestades do ar, do espírito que agora atua nos rebeldes." ( Ef 2, 1-2). O exegeta Heinrich Schlier fez uma análise penetrante deste "espírito do mundo" considerado por Paulo como o antagonista direto do "Espírito de Deus" (1 Cor 2, 12). Um papel decisivo desempenha nisso a opinião pública, hoje também literalmente espírito "que está no ar" porque se espalha através do éter.

"Determina-se – escreve – um espírito de grande intensidade histórica, ao qual o indivíduo dificilmente pode escapar. Segue-se o espírito geral, tratando-o como óbvio. Agir, pensar ou dizer algo contra ele é considerado insensato ou até mesmo uma injustiça ou um delito. Então não se ousa mais pôr-se diante das coisas e das situações e especialmente da vida de modo diverso de como ele as apresenta... A sua característica é de interpretar o mundo e a existência humana à sua maneira” [7].

É o que chamamos de "adaptação ao espírito dos tempos". Ele funciona como o vampiro da lenda. O vampiro rende-se às pessoas que dormem e, enquanto suga o sangue, injeta simultaneamente um líquido soporífero nelas que as faz dormir de forma ainda mais doce, de modo que se afundam cada vez mais no sono e ele pode sugar todo o sangue que deseja. O mundo, no entanto, é pior do que o vampiro, porque o vampiro não pode adormecer a presa, mas aproxima-se dos que já dormem. O mundo em vez disso, primeiro, adormece as pessoas e, de seguida, suga-lhes todas as energias espirituais, injetando também uma espécie de líquido soporífero que faz o sono ainda mais doce.

O remédio nesta situação é que alguém nos grite ao ouvido: "Acorde!". É o que a palavra de Deus faz nas muitas ocasiões e que a liturgia da Igreja nos faz ouvir novamente e pontualmente no começo da Quaresma: "Desperta, tu que dormes” (Ef 5,14); "É hora de acordar do sono!" (Rom 13, 11).

3. A figura deste mundo passa

Mas perguntemos, por que o cristão não se deve conformar com o mundo. Isso não é de natureza ontológica, mas escatológica. Não se deve distanciar do mundo porque a matéria é intrinsecamente má e hostil ao espírito, como pensavam os platónicos e alguns Padres influenciados por eles, mas porque, como diz a Escritura, “a figura deste mundo passa” (1 Cor 7, 31); "O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente." (1 Jo 2, 17).

Basta parar por um momento e olhar em volta para ver a verdade dessas palavras. Isso acontece na vida como na tela da televisão: os programas, as chamadas grades de programação, sucedem-se rapidamente e cada uma cancela a anterior. A tela permanece a mesma, mas os programas e as imagens mudam. Assim acontece connosco: o mundo permanece, mas nós partimos um após outro. De todos os nomes, os rostos, as notícias que enchem os jornais e telejornais de hoje – de todos nós – o que permanecerá daqui a alguns anos ou década? Nada de nada.

Pensemos sobre no que resta dos mitos de 40 anos atrás e o que permanecerá daqui a 40 anos dos mitos e celebridades de hoje. "Isto acontecerá – lê-se em Isaías - tal como acontece com o esfomeado que sonha estar a comer e desperta com o estomago vazio, tal como o sequioso que sonha estar a beber e acorda fatigado pela sede" (Is 29,8). O que são riquezas, saúde, glória, se não um sonho que desaparece ao despontar da aurora? Eis que um pobre, dizia Santo Agostinho, uma noite teve um lindo sonho. Sonha que recebeu uma enorme herança. No sonho vê-se coberto de lindas roupas, cercado de ouro e prata, possuidor de campos e vinhas; no seu orgulho despreza o próprio pai e finge não reconhecê-lo... Mas, acorda pela manhã e vê-se do mesmo jeito em que tinha adormecido[8].

"Nu, saí do ventre da minha mãe, e nu vou voltar", diz Jó (Jó 1, 21). O mesmo acontecerá com os bilionários de hoje com o seu dinheiro e com os poderosos de hoje que fazem o mundo tremer com o seu poder. O homem, visto fora da fé, é apenas “um desenho criado pela onda na praia do mar cuja onda sucessiva o apaga”.

Hoje existe um novo campo em que é particularmente necessário não se conformar com este mundo: as imagens. Os antigos tinham inventado o lema: "Jejuar do mundo” (nesteuein tou kosmou) [9]; hoje isso deve ser entendido no sentido de jejuar das imagens do mundo. Era considerado mais eficaz o jejum dos alimentos e das bebidas. Não é mais assim. Hoje jejua-se por muitas outras razões: especialmente para manter a linha. Nenhum alimento, diz a Escritura, é impuro, enquanto muitas imagens são. Elas tornaram-se um dos veículos privilegiados com o qual o mundo difunde o seu antievangelho. Um hino da Quaresma exorta:

Utamur ergo parcius
Usemos parcamente
Verbis, cibis et potibus,
de palavras, comida e bebida,
Somno, iocis et arctius
de sono e de entretenimentos.
Perstemus in custodia.
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Estejamos mais vigilantes em proteger os sentidos.
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Para a lista de coisas a serem utilizadas com moderação - palavras, alimentos, bebidas e sono – dever-se-ia adicionar as imagens. Entre as coisas que vêm do mundo e não do Pai, ao lado da concupiscência da carne e da soberba da vida, São João coloca significativamente “a concupiscência dos olhos" (1 Jo 2, 16). Lembremos como o rei David caiu ... O que aconteceu com ele olhando para o terraço da casa ao lado, acontece hoje, muitas vezes, abrindo certos sites na internet.

Se em algum momento nos sentimos perturbados por imagens impuras, tanto por imprudência própria, quanto por intromissão do mundo que derrama à força as suas imagens nos olhos das pessoas, imitemos o que fizeram no deserto os hebreus que tinham sido mordidos pelas serpentes. Em vez de se perder em arrependimentos estéreis, ou procurar desculpas na nossa solidão e na incompreensão dos outros, olhemos para um Crucifixo ou vamos diante do Santíssimo. “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do homem, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3, 14-15). Que o remédio passe por onde passou o veneno, ou seja, pelos olhos.

Com estes propósitos sugeridos pela palavra de São Paulo aos Romanos, e especialmente com a graça de Deus, iniciemos, Veneráveis padres, irmãos e irmãs, a nossa preparação para a Santa Páscoa. Fazer a Páscoa, dizia Santo Agostinho, significa “passar deste mundo ao Pai” (Jo 13, 1), ou seja, passar ao que não passa! É necessário passar do mundo para não passar com o mundo. Boa e santa Quaresma".
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1 Carta a Diogneto, V, 1-8  (Die Apostolischen Vaeter, ed. Kunk –Bihlmeyer, Tubingen 1856, pp. 143-144, tradução Thácio Siqueira)
2 Cf. Vita e Detti dei Padri del deserto, a cura di L. Mortari, I, Roma 1986, p. 97.
3 Cf. De fuga saeculi, 1 (CSEL, 32, 2, p. 251).
4 S. Ambrogio, Espos. del Vang. sec. Luca, IX, 36; De Isaac et anima, 3, 6. (Tradução Thácio Siqueira).
5 Cf C. Geffré, art. Sécularisation, in Dictionnaire de Spiritualité, 15, 1989, pp. 502 s. (Traduçã Thácio Siqueira).
6 S. Tommaso d’Aquino, Summa theologiae, I-IIae, q.113,a,4.
7 H. Schlier, Demoni e spiriti maligni nel Nuovo Testamento, in Riflessioni sul Nuovo Testamento  Paideia, Brescia 1976, pp. 194 s.
8 Cf. S. Agostinho, Sermo 39,5 (PL 38, 242).
9 O lema vem de um ditado não canônico atribuído ao próprio Jesus: “Se não jejuardes do mundo, não descobrireis o reino de Deus”. Cf Clemente Al., Stromati, 111, 15 (GCS, 52, p. 242, 2); A. Resch, Agrapha, 48 (TU, 30, 1906, p. 68).

VATICAN NEWS

Conversa com Frei Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia

 
 Frei Cantalamessa durante pregação no Vaticano  (Vatican Media)
 
Entrevista do Padre Raniero Cantalamessa ao jornal “L’Osservatore Romano” sobre as meditações da Quaresma ao Papa e à Cúria Romana
 
Cidade do Vaticano

Os santos estão entre nós, vivem ao nosso lado, no dia a dia, muitas vezes passam inobservados, mas têm uma coisa em comum: não são super-homens. São discípulos de Cristo que se revestiram d’Ele. É a partir do convite paulino: “Revestidos do Senhor Jesus Cristo” que o padre Cantalamessa fará as pregações da Quaresma na capela Redemptoris Mater no Vaticano, a partir deste 23 de fevereiro.

O senhor pode explicar a escolha do tema?

“A Igreja deve sempre enfrentar desafios e tarefas, mas para Deus o mais importante é a santidade. Todo o resto deve servir este objetivo: sacramentos, ministérios, documentos, iniciativas pastorais. Nesta Quaresma senti a necessidade de recordar esta verdade da “única coisa necessária” porque Cristo instituiu a Igreja para ser “santa e íntegra diante dele no amor”. Há outro motivo que me levou a escolher este tema. Junto com a universal chamada à santidade, o Concílio Vaticano II deu claras indicações sobre o significado da santidade no cristianismo: “A santidade é a perfeita união com Cristo” (Lumen gentium, 50)”.

Como é possível “revestir-se de Jesus”?

"É um modo metafórico mas eficiente usado por São Paulo para exprimir a verdadeira natureza da santidade cristã que é essencialmente cristológica. Sugere a mesma ideia quando exorta os Filipenses: “Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus”, portanto não se trata de um modelo de vida moral, mas de poder dizer como o Apóstolo “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim”".

A Igreja precisa de santos?

"Os santos são o Evangelho vivido, são “o sal da terra”. É difícil imaginar como seria a Igreja nestes dois mil anos sem a infinidade de santos que a marcaram. Uma das coisas que mais surpreendem e levam a glorificar Deus pelos seus santos é sua infinita variedade. Houve épocas com poucos ou menos “espirituais”, mas nunca sem santos".

Existe uma santidade do cotidiano?

"A santidade é essencialmente do cotidiano. Há muito caminho a ser feito para dar a verdadeira ideia da santidade e superar o temor que esta palavra causa a muitos por associá-la a provas e sacrifícios insuperáveis. Há flores que Deus cultiva só para si, santos cujo perfume foi respirado apenas por Deus e talvez por alguém que viveu ao seu lado. Talvez um dia nos céus ficaremos surpreendidos ao descobrir gigantes de santidade desconhecidos pelos homens".

Como se reconhecem os santos?

"Seria uma longa resposta, mas cito apenas um sinal infalível de reconhecimento: a humildade. Através dos séculos, a Igreja católica acumulou uma série de critérios e espero que estes reflitam cada vez mais o ideal bíblico recordado pelo Concílio, dando nova linfa à doutrina escolástica da santidade até agora dominante, baseada nas “virtudes”. Justamente por isso escolhi como tema das meditações quaresmais a síntese bíblica mais completa, fundada no kerygma, que é a parte parenética (arte de pregar) da carta aos Romanos (cap. 12-15)".

VATICAN NEWS

Décima meditação: a bem-aventurança da sede


Missa matutina antes da pregação  (Vatican Media @Vatican Media)
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Pe. Tolentino fez a décima e última meditação dos Exercícios Espirituais em Ariccia. Papa regressa hoje ao Vaticano.
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Cidade do Vaticano –

O Papa Francisco e os seus colaboradores concluíram na manhã de sexta-feira (23/02) os Exercícios Espirituais de Quaresma. O Pontífice deixa Ariccia e a sua chegada ao Vaticano está prevista para o início da tarde.

O retiro quaresmal concluiu-se com a décima meditação do Padre José Tolentino de Mendonça, sendo dedicada ao tema “A bem-aventurança da sede”.

As bem-aventuranças são mais do que uma lei, uma norma codificada, disse o sacerdote. São uma configuração da vida, um verdadeiro chamamento existencial. Além disso, são o autorretrato de Jesus: pobre em espírito, manso e misericordioso, sedento e homem de paz, faminto de justiça e com a capacidade de acolher a todos, vibrante de alegria ao testemunhar a ação do Pai nos últimos e nos pequeninos.

Deus tem sede de que a vida das suas criaturas seja uma vida de bem-aventuranças. Deus não desiste em dizer que toda vida – a nossa vida – é amada e beata. Esta é a sede de Deus.

Não domesticar o Evangelho

Por outro lado, o que fizemos nós do Evangelho das Bem-aventuranças? Como as anunciamos?, questiona Pe. Toletino. É tão fácil criar barreiras ao invés de pontes. O nosso coração está sempre pronto a tornar-se arma de combate.

Esta atitude defensiva é um perigo para a Igreja, que se deve recordar que não é um clube exclusivo, restrito, feliz na medida em que exclui. É um hospital de campanha. E quando não vive a tensão de encruzilhada da humanidade, deve questionar-se se não estamos a domesticar o Evangelho de Jesus.

Para o Pe. Toletino, é urgente redescobrir a bem-aventurança da sede, pois não há nada pior do que estar saciado de Deus. Ter ido à igreja, ter rezado, não nos isenta dos encontros fundamentais com as extraordinárias surpresas de Deus. Talvez tenhamos um imagem errada da vida cristã: fiel não é quem está saciado de Deus, mas quem tem fome e sede de Deus. A experiência de fé não resolve a sede, mas amplifica-a, dilata o nosso desejo, intensifica a nossa busca. Devemos reconciliar-nos com a nossa sede repetindo-nos: A minha sede é a minha bem-aventurança.

Escuta, honestidade e abertura

Neste percurso, o sacerdote propõe a figura de Maria para nos inspirar. De modo especial, o seu diálogo com o anjo.

Primeiro: Maria é mulher de escuta. Deixa-se visitar, mantém
abertas as portas do coração e da vida. Não raramente, afirma ele, vivemos uma cotidianidade autística, tão envolvidos na nossa cápsula que até um anjo de Deus encontraria dificuldade em entrar: nada mais nos surpreende. Mas um anjo pode visitar-nos somente quando temos o coração desarmado, quando estamos dispostos a acolher o inesperado. Maria ensina-nos justamente a hospitalidade da vida. Em segundo lugar, Maria é uma mulher honesta. Quando lhe é anunciada a sua maternidade, ela simplesmente pergunta: mas como, se não conheço homem?

Deus não se manipula, não é um ornamento da nossa prática religiosa. E é importante fazer perguntas a Ele porque também Ele faz perguntas a nós. E é importante abrir o nosso coração. Maria tem uma honestidade sem subterfúgios. Com a sua pergunta, é como se dissesse: Senhor, a minha condição é esta. Ela é clara com Deus

Por fim, Maria descobre no encontro com o anjo que a sua vida está a serviço de um projeto maior, de uma vida maior, que não se limita ao perímetro ideal da felicidade que provavelmente ela projetou para si. O Senhor chama-a a fazer-se cúmplice da gestação do futuro de Deus. pede-lhe para acreditar na sede. diz-lhe: a tua sede está a serviço de uma sede maior. E Maria responde: eis a serva do Senhor. A Igreja torna-se crível quando é serva do coração de Deus, quando se coloca a serviço para saciar a sede do homem.

O olhar de mãe

A coisa no mundo mais semelhante aos olhos de Deus são os olhos de uma mãe, que são “raios X” infalíveis. Não se detém nas aparências, mas penetram profundamente no íntimo da vida, interpretando e respeitando com delicadeza o segredo. O olhar de uma mãe humaniza o filho.

O teólogo von Balthasar dizia que sem a mariologia o cristianismo corre o risco de se desumanizar. A Igreja sem torna sem alma. Em cada época, a Igreja deve aprender de Maria a compaixão, a ternura e a cura que a sede de cada ser humano requer.



Ouça a reportagem sobre a última meditação

VATICAN NEWS

Rezemos com o Papa pela paz no mundo

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Papa na Audiência Geral na Praça São Pedro 
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“As vitórias obtidas com a violência são falsas vitórias”, reiterou Francisco ao convocar este dia de jejum e oração pela paz durante o Angelus de 4 de fevereiro.
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Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

No Angelus do domingo 4 de fevereiro, o Papa lançou um apelo a favor da paz, convocando para esta sexta-feira da primeira semana da Quaresma, um Dia de Oração e Jejum. 

Francisco ressaltou na ocasião que “as vitórias obtidas com a violência são falsas vitórias”.
Diante da trágica continuação de situações de conflito em diversas partes do mundo, convido todos os fiéis a um Dia especial de Oração e Jejum pela Paz, a 23 de fevereiro próximo, sexta-feira da Primeira Semana da Quaresma”.

O ofereceremos em particular pelas populações da República Democrática do Congo e do Sudão do sul. Como noutras ocasiões similares, convido também os irmãos e irmãs não católicos e não cristãos para se associarem a esta iniciativa nas modalidades que considerarem mais oportunas, mas todos juntos”.

O Papa recordou que “o nosso Pai Celeste escuta sempre os seus filhos que gritam a Ele na dor e na angústia, «cura os corações feridos e enfaixa as suas feridas»”, e convidou a que cada um perguntasse na própria consciência: “O que eu posso fazer pela paz?”:

Certamente podemos rezar; mas não só. Cada um pode dizer concretamente “não” à violência naquilo que depender dele ou dela. Porque as vitórias obtidas com a violência são falsas vitórias; enquanto trabalhar pela paz faz bem a todos!”

Esta não é a primeira iniciativa a favor da paz promovida por Francisco no seu pontificado.

Setembro de 2013

No dia 7 de setembro de 2013, véspera da Natividade de Maria, Rainha da Paz, a pedido do Papa foi realizado um dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Oriente Médio, e no mundo inteiro.

Junho de 2014

A 8 de junho de 2014, um histórico encontro nos Jardins Vaticanos reuniu o Papa Francisco com os presidentes israelita e palestino, Simón Peres e Mahmud Abbas, para invocar juntos a paz no Médio Oriente.

O encontro teve por objetivo “fazer uma pausa na política para ver noutra perspectiva e mostrar publicamente o desejo comum de que aconteça algo, de que caminhos que foram fechados se reabram, de voltar a sonhar com a paz”, explicou na ocasião o então Custódio da Terra Santa, o franciscano Pierbattista Pizzaballa, um dos organizadores do encontro.

Novembro de 2017

A 23 de novembro de 2017, foi presidida pelo Pontífice no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, uma Vigília de Oração pela paz no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo.

Dia de Oração e Jejum pela paz

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