26 dezembro, 2013

Rezemos pelos cristãos perseguidos - o Papa no Angelus deste dia de Santo Estevão recordou a ligação entre Belém e...o Calvário

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(RV) No Angelus desta manhã o Papa Francisco referiu-se ao facto da Liturgia prolongar por oito dias a Solenidade do Natal e neste segundo dia da Oitava do Natal, encontramos a Festa de Santo Estevão, o primeiro mártir da Igreja:

"O livro dos Atos dos Apóstolos apresenta-o como 'um homem cheio de fé e do Espírito Santo' escolhido com outros seis para o serviço das viúvas e dos pobres na comunidade de Jerusalém. E conta-nos o seu martírio: quando, após um discurso inflamado que suscitou a ira dos membros do Sinédrio, foi arrastado para fora dos muros da cidade e lapidado. Estevão morreu como Jesus, pedindo o perdão para os seus executores."
Segundo o Santo Padre no clima alegre do Natal, esta comemoração de um mártir até poderia parecer deslocada, mas não é. Porque o Natal não é uma fábula e o martírio de Santo Estevão está em plena sintonia com o significado profundo do Natal. Jesus transforma a morte numa aurora de vida nova - continuou o Papa - que evocou a memória do primeiro mártir da Igreja e ligou o Nascimento de Belém ao momento do Calvário:

"A memória do primeiro mártir vem, assim, imediatamente, a dissolver uma falsa imagem do Natal: a imagem enfabulada e doce, que no Evangelho não existe! A liturgia leva-nos ao sentido autêntico da Encarnação, ligando Belém ao Calvário e recordando-nos que a salvação divina implica a luta ao pecado e passa através da porta estreita da Cruz."
O Santo Padre recordou, assim, todos aqueles que são discriminados e perseguidos pela sua fé em Jesus Cristo:

"Por isso rezemos hoje em modo particular pelos cristãos que sofrem discriminações por causa do seu testemunho por Cristo e pelo Evangelho. Estamos unidos as estes irmãos e irmãs que, como Santo Estevão, são acusados injustamente e feitos objeto de violências de vário tipo."
O Papa propôs uma oração silenciosa por todos os cristãos perseguidos no mundo, terminando com uma oração a Nossa Senhora...

Após a oração do Angelus o Papa Francisco saudou todos os que estavam na Praça de São Pedro especialmente os grupos paroquiais e as associações presentes, apelando para que o Natal faça suscitar em todos um empenho de amor nas famílias e nas comunidades vivido em clima de intensa fraternidade. A todos desejou boas festas natalícias e um bom almoço...(RS)

25 dezembro, 2013

Homilia de D. Manuel Clemente no Dia de Natal - 2013



Uma verdade para genufletir
Missa do dia no Natal de 2013

«E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós». Esta curta frase que acabámos de ouvir, preenche inteiramente o Natal que celebramos e dá-lhe o significado mais autêntico.

Correndo o risco de se perder entre tantas palavras que continuamente escutamos, oculta por tantas sombras em que a esquecemos ou contradizemos, mantém uma força impressionante, que certamente nos desperta cada vez que ressoa.

Trata-se, como sabemos, do Verbo de Deus e de Deus Verbo, Palavra dita que tanto nos cria como recria e ultima. É alfa e ómega, primeira e última letra do alfabeto que nos diz.

No princípio, esta Palavra trouxe-nos à vida: «Deus disse: “Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança”» (Gn 1, 26). Agora, depois de nos ter falado pelos profetas, Deus «falou-nos por seu Filho, […] pelo qual também criou o universo», como igualmente ouvimos. A diferença, ou melhor, a sucessão dos dois momentos está no encontro conseguido do Criador com a criatura. Encontro verdadeiro e concreto, com toda a intencionalidade divina a responder e a exceder a inegável expetativa humana.

De modo profetizado, é certo, mas não propriamente previsível. Podemos até dizer que, se correspondesse tal e qual aos nossos prognósticos, não seria certamente divino, porque Deus surpreende sempre e assim mesmo nos apela à conversão.

À conversão, de facto, amados irmãos. Iluminado por todas as luzes que acendemos, o Natal tem de ser visto a outra luz, que brilha de outro modo, desponta onde não esperávamos e incide no que não prevíamos.

Quando Jesus nasceu no presépio de Belém, a única luz veio do céu, pois as da terra iluminavam as cortes de Herodes ou de César Augusto. E isto mesmo apela à conversão do nosso olhar, para o fixarmos no presépio continuado deste mundo em que Deus nasce e aí mesmo nos espera. Presépio que não perde a sua qualidade essencial de verdade humilde, transcendente proximidade e comunhão realizada.

Fixemo-nos ainda um pouco naquelas palavras: «O Verbo fez-se carne». Carne que somos nós, humanidade de todos e de cada um, enquanto sente e sofre. Quando queremos dizer que algo tocou profundamente alguém, é assim mesmo que o referimos: «Sentiu na própria carne».

Isto para significar que a Palavra criadora é agora Palavra redentora, que toma por dentro a nossa condição para a remir de muitas contradições, enchendo de vida o que já seria definhamento e morte. Definhamos e morremos quando deixamos sumir-se o som da Palavra que nos cria e sustenta na vida. Renascemos por fim, quando essa mesma Palavra incarna na nossa carne e inteiramente nos profere.

Acolher o Natal de Cristo na nossa carne, é deixar que a sua presença e o seu Espírito nos recriem, no abandono total a um Deus que não desiste de ninguém, esteja onde estiver e como estiver. Como Pai, aguarda sempre o nosso regresso. E, ao contrário do irmão mais velho da parábola, vem buscar-nos em Cristo para lhe regressarmos por fim.

Vem buscar-nos aí mesmo onde nos extinguíamos, na carne enfraquecida da humanidade que sofre. Aliás, não nos encontraria doutro modo, como o sabia Ele e, tantas vezes, nos esquecemos nós.

Esquecemo-lo facilmente, quando nos alienamos em autossuficiências desmentidas; esquecemo-lo facilmente quando descuidamos a insuficiência dos outros, as suas necessidades à espera de solidariedade prática e convicta. Deus diz-Se na pobreza de Cristo e espera-nos na pobreza dos outros.

É tão bela e tão exigente a seguinte meditação do Papa Francisco, detalhando o Natal prolongado de Cristo: «O Salvador nasceu num presépio, entre animais, como sucedia com os filhos dos mais pobres; foi apresentado no Templo, juntamente com duas pombinhas, a oferta de quem não podia permitir-se pagar um cordeiro; cresceu num lar de simples trabalhadores e trabalhou com as suas mãos para ganhar o pão. Quando começou a anunciar o Reino, seguiam-no multidões de deserdados […]. A quantos sentiam o peso do sofrimento, acabrunhados pela pobreza, assegurou que Deus os tinha no âmago do seu coração […]; e com eles se identificou: “Tive fome e destes-me de comer”, ensinando-nos que a misericórdia para com eles é a chave do Céu» (Evangelium Gaudii, 197).

Concluamos de vez que a resposta às necessidades dos outros é o lugar legítimo da celebração do Natal. Percebamos por fim que o Verbo incarnado nos espera aí mesmo, na carne de quem sofre. Refere-o também e expressamente o Papa Francisco, noutro passo da sua exortação: «Às vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor. Mas Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros» (EG, 270).

É certo, amados irmãos, que a quadra natalícia está repleta duma doçura especial, nos reencontros familiares e sociais que felizmente ocasiona. Multiplicamo-nos em expressões de muita arte e afeto, para traduzir um sentimento grande que nesta altura nos toca. Redobramos proximidades, que oxalá se mantenham depois. Mas toda a beleza e aconchego deste dia, não deve alhear-nos do imenso apelo à conversão que sobretudo é.
Celebrar a incarnação de Deus na realidade humana, do nascimento num presépio à morte numa cruz, só pode levar-nos ao seu encontro precisamente aí: na frágil e sofredora carne do mundo. A adoração legitima-se no serviço, a fé atua pela caridade – e desta mesma se alimenta, como num encontro interpessoal, generoso e verdadeiro.

Daqui a pouco recitaremos o Credo da nossa fé, resumo verdadeiro de tudo o que cremos. E, neste dia, iremos genufletir às palavras «E incarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e se fez homem».

É bom que a Liturgia o indique, realçando a verdade celebrada. Melhor ainda será, ao continuarmos assim diante de todos, como aquele Menino o fez já crescido e nos mandou repetir sempre. Como que resumindo o sentido pleno da sua vida entregue, «deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos […]. Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se e disse-lhes: “Compreendeis o que vos fiz? […] Se eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros”» (Jo 13, 5 ss).

De joelhos diante do imenso mistério de Deus incarnado, inclinemo-nos depois, em serviço constante, diante de toda a realidade humana em que a incarnação continua. Sirvamos nos outros Aquele que nos serviu primeiro. - Ensine-nos Maria, a “serva do Senhor”; ajude-nos José, o guardião da Vida!

+ Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa
Sé de Lisboa, 25 de dezembro de 2013 (Missa do dia)

Urbi et Orbi - Papa Francisco convida Roma e o mundo inteiro à oração persistente e corajosa pela paz

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(RV) «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado»: foi deste cântico de anúncio dos anjos aos pastores de Belém que o Papa Francisco partiu para a sua mensagem de Natal aos “queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro”.
O Papa convidou “todos a unirem-se a este cântico” – “cântico para todo o homem e mulher que vela na noite, que tem esperança num mundo melhor, que cuida dos outros procurando humildemente cumprir o seu dever.” Um cântico que antes de mais dá “glória a Deus”. “A primeira coisa que o Natal nos chama a fazer – sublinhou o Papa Francisco - é precisamente isto: “dar glória a Deus, porque Ele é bom, é fiel, é misericordioso.”

“Neste dia, desejo a todos que possam reconhecer o verdadeiro rosto de Deus, o Pai que nos deu Jesus. Desejo a todos que possam sentir que Deus está perto, possam estar na sua presença, amá-Lo, adorá-Lo.
Possa cada um de nós dar glória a Deus sobretudo com a vida, com uma vida gasta por amor d’Ele e dos irmãos.”
Mas o cântico dos anjos de Belém anuncia também “paz aos homens”.

“A verdadeira paz – recordou o Papa - não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela «fachada», por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, que se realiza a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo.” O pensamento do Santo Padre dirige-se concretamente às primeiras vítimas de todas as guerras: crianças, idosos, mulheres maltratadas, doentes:

“Vendo o Menino no presépio, pensamos nas crianças que são as vítimas mais frágeis das guerras, mas pensamos também nos idosos, nas mulheres maltratadas, nos doentes... As guerras dilaceram e ferem tantas vidas!”
Como é tradição nesta Mensagem “Urbi et Orbi” (à cidade de Roma e a todo o mundo), o Papa evocou os principais focos de guerra existentes neste momento. A começar pelo conflito na Síria, que tantas vítimas tem provocado, fomentando ódio e vingança. Há que redobrar numa oração insistente, corajosa:

“Continuemos a pedir ao Senhor que poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e as partes em conflito ponham fim a toda a violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária.”

Aludindo sem dúvida à sua iniciativa de oração pela paz que conseguiu, meses atrás, deter a intervenção militar de algumas potências mundiais que se estava preparando, o Papa observou: “Vimos como é poderosa a oração!” E declarou-se “contente sabendo que hoje também se unem a esta nossa súplica pela paz na Síria crentes de diversas confissões religiosas.”
“Nunca percamos a coragem da oração! A coragem de dizer: Senhor, dai a vossa paz à Síria e ao mundo inteiro.”

Passando ao continente africano, o Santo Padre implorou de Deus a paz para a República Centro-Africana, Sudão do Sul e Nigéria:

“Dai paz à República Centro-Africana, frequentemente esquecida dos homens. Mas Vós, Senhor, não esqueceis ninguém e quereis levar a paz também àquela terra, dilacerada por uma espiral de violência e miséria, onde muitas pessoas estão sem casa, sem água nem comida, sem o mínimo para viver.
Favorecei a concórdia no Sudão do Sul, onde as tensões actuais já provocaram diversas vítimas e ameaçam a convivência pacífica naquele jovem Estado.”
Dirigindo-se a Jesus, “Príncipe da Paz”, o Papa Francisco pediu-lhe que converta “por todo o lado o coração dos violentos, para que deponham as armas e se empreenda o caminho do diálogo”. Juntamente com a Nigéria, com tantas vítimas inocentes, foram recordadas também a Terra Santa e o Iraque, para que se possa chegar finalmente a uma situação de verdadeira paz:

“Olhai a Nigéria, dilacerada por contínuos ataques que não poupam inocentes nem indefesos. Abençoai a Terra que escolhestes para vir ao mundo e fazei chegar a um desfecho feliz as negociações de paz entre Israelitas e Palestinianos. Curai as chagas do amado Iraque, ferido ainda frequentemente por atentados.”
Não faltou na Mensagem natalícia do Papa Francisco uma referência explícita – em jeito de oração a Deus - aos deslocados e refugiados, que fogem das perseguições ou procuram simplesmente condições de vida digna:

“Vós, Senhor da vida, protegei todos aqueles que são perseguidos por causa do vosso nome. Dai esperança e conforto aos deslocados e refugiados, especialmente no Corno de África e no leste da República Democrática do Congo.
Fazei que os emigrantes em busca duma vida digna encontrem acolhimento e ajuda. Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa.”
O Papa pediu ainda ao Menino de Belém que “toque o coração de todos os que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se dêem conta da gravidade deste crime contra a humanidade” e não esqueceu “as inúmeras crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados" e "quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância.” Quase a concluir, uma referência às vítimas da exploração assim como das calamidades naturais, com menção expressa do tufão das Filipinas:

“Senhor do céu e da terra, olhai para este nosso planeta, que a ganância e a ambição dos homens exploram muitas vezes indiscriminadamente. Assisti e protegei quantos são vítimas de calamidades naturais, especialmente o querido povo filipino, gravemente atingido pelo recente tufão”.

“Queridos irmãos e irmãs – concluiu o Papa - hoje, neste mundo, nesta humanidade, nasceu o Salvador, que é Cristo Senhor. Detenhamo-nos diante do Menino de Belém.”

“Deixemos que o nosso coração se comova, deixemo-lo abrasar-se pela ternura de Deus; precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; a Ele, o louvor e a glória pelos séculos!
Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus". (PG)

Homilia de D. Manuel Clemente na Missa da Noite de Natal - 2013

Foto: Patriarcado de Lisboa


Um tempo novo, de todos para cada um e de cada um para todos
Missa da meia-noite no Natal de 2013

Com a saudação amiga que vos dirijo, vão também os votos sinceros de que este Natal corresponda àquelas aspirações de felicidade e paz que o Criador não deixa de suscitar no coração humano.

É muito significativo que o nascimento de Cristo, dois milénios atrás, marque o nosso calendário, de crentes e até de não crentes, do modo tão particular e profundo com que continua sempre.

Do sentimento pessoal ao ambiente familiar, em muitas instituições particulares ou públicas, no mundo cultural e inter-religioso, perpassa um certo espírito de Natal que a ninguém deixa absolutamente de fora. E, num país como o nosso, em que o cristianismo, mesmo sem ser exclusivo, é propriamente estrutural, tudo isto sobressai, com muitas expressões de verdade, bondade e beleza. Dessas mesmas que tanto requeremos, como pão para a boca e para o espírito.

Será este o primeiro motivo de meditação: O Natal de Cristo não perde, antes redobra, a sua novidade e atração, abrindo um futuro que não é outra coisa senão o que aconteceu no presépio de Belém, fazendo-se presépio do mundo.

Mais do que qualquer espaço ou geografia, afinal tão condicionados pela nossa vontade de os preencher e dominar, manifestou-se ali «a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens», como há pouco ouvimos. Sendo graça, é dom de Deus e não conquista nossa. Sendo de Deus, é total e há de chegar a cada um, começando pela pequenez das nossas pessoas e situações, como naquele Menino e naquela lapa de Belém, pois «nem havia lugar para eles na hospedaria».  

Na sua recente exortação – que tão bem acolhida foi, dentro e fora do espaço eclesial estrito, por reafirmar princípios de redobrada urgência sociocultural –, escreve o Papa Francisco: «Dar prioridade ao tempo é ocupar-se mais com iniciar processos do que possuir espaços. […] Trata-se de privilegiar as ações que geram novos dinamismos na sociedade e comprometem outras pessoas e grupos que os desenvolverão até frutificarem em acontecimentos históricos importantes. Sem ansiedade, mas com convicções claras e tenazes» (Evangelii Gaudium, 223).

Creio estar aqui a razão mais forte para a persistência do Natal de Cristo e da sua influência em nós. Nada começou estrondosamente, antes no silêncio da noite e na pequenez daquele estábulo e dos seus ocasionais ocupantes. Mas era tanta a verdade intrínseca do que ali acontecia – verdade total, pois reunia céu e terra – que nunca mais deixou de crescer e crescer por atração, ano após ano e século após século. Dito doutro modo e com o Papa Francisco, criou um “tempo” novo, duma novidade que sobra para o futuro.

Então como agora, havia aquele povo e os outros povos, havia governadores e impérios, havia gente simples e alguns poderosos, a sobrevivência duns e o esbanjamento doutros. Havia de tudo o que ainda hoje tão contraditoriamente nos chega...

Mas nasceu aquele Menino, o “eterno nascido de ainda agora” como lhe chamou um dos nossos clássicos (Pe. Manuel Bernardes); e como nasceu assim viveu, autêntico, generoso e solidário, todo divino por ser “Deus de Deus” e todo humano por ser “Filho de Maria”. E as coisas começaram a mudar, numa convivência nova que não parou de crescer. Continuará a crescer, se for como ali foi. O único poder do céu é a sua partilha na terra, feita com simplicidade e confiança, estas sim vencedoras e convincentes.

Um episódio entre tantos, contado há dias por uma generosa mãe de família que alarga o coração a muitos sem-abrigo da nossa cidade. Certa noite, quando já tinham distribuído todos os alimentos que traziam, foi abordada por uma jovem que insistentemente lhe pedia alguma coisa para comer. Mesmo sabendo que já não havia nada na panela, ainda voltou a abri-la e, vendo bem, encontrou que chegasse e até sobrasse… Dizia-me esta senhora que não desiste de voltar semana após semana ao encontro dos sem-abrigo, por eles com certeza, mas também para permanecer no grande milagre que só acontece a quem partilha. Como àqueles pastores de que o Evangelho falava, a quem «a glória do Senhor cercou de luz».

Sabemos como os grandes problemas que enfrentamos enquanto sociedade também requerem soluções estruturais e propriamente políticas. Mas nenhuma delas se conseguirá sem começar pelo princípio. E o princípio do tempo novo que esta noite celebramos está no coração de quem se dispõe a ser com os outros, dos outros e para os outros. Como o daquele Menino chamado “Emanuel”, que significa precisamente Deus connosco, só percetível quando estamos de facto com os outros.  

É este sentimento e convicção que compartilho com todos, em noite tão singular. As grandes dificuldades de hoje não são maiores do que as de há dois mil anos. Mas são as de agora, das que atingem a vida em todo o arco da existência humana, da conceção à morte natural; das que dificultam a sobrevivência digna e o trabalho para todos; das que quase se opõem à constituição e ao sustento das famílias e à criação dos filhos, tal como ao acompanhamento dos doentes ou idosos; das que nos tocam diretamente a nós e das que pesam drasticamente sobre os naturais doutros países, a quem tudo falta e nos batem à porta…

Que nada disto nos tolha e paralise, como não o fez àquele Menino, do presépio em que nasceu até à cruz em que se entregou por nós e para nós, humanidade inteira de qualquer tempo ou geografia. Viveu em pouco espaço e por poucos anos. Mas tão intensamente o fez, em cada gesto, encontro e atitude, que abriu um caminho onde a história ganhou rumo, o nosso rumo.

Façamos o mesmo, agora nós: Na vossa casa, na vossa vizinhança, na vossa escola, empresa ou hospital, seja onde for que estiverdes hoje, amanhã ou depois, fazei o que importa e não desistais do possível – uma palavra, um gesto, um compromisso -, um que seja, dia após dia, no mesmo sentido de solidariedade, justiça e paz. Vereis que o caminho se abre, etapa após etapa, luminoso e certo. E - deixai-me dizer assim - com dois mil anos de garantia…

Daquela noite em Belém, sem lugar na hospedaria, à outra tarde em Jerusalém, fora dos muros da cidade, três décadas depois; das tábuas do presépio ao madeiro da cruz, tanto bastou a Cristo para se entregar por nós, na intensidade do seu amor total, do pouco para o muito, do quase nada para o imenso tudo que finalmente irradia.
Comenta um teólogo: «O Messias deve nascer como um menino, pois assim o quer a profecia: “Um menino nos nasceu”. E só por ser um menino é que “o seu reino será grande”. […] É como uma universalidade vertical: entre a glória mais esplendorosa do alto e a pobreza mais extrema cá de baixo, reina uma perfeita correspondência e unidade» (cf. H.U. von Balthasar, Luz de la Palabra, Madrid, Ediciones Encuentro, 1998, p. 21). A partir daqui, neste tempo novo que então começou, sabemos que a totalidade do dom se manifesta na simplicidade dos gestos – autênticos e concretos, consequentes e solidários.     

É isto mesmo que permite dizer-vos, sobretudo a quem mais precisar neste momento, no corpo ou no espírito: - Santo, luminoso e feliz Natal! Estaremos convosco num tempo novo, que só pode ser de todos para cada um e de cada um para todos.

+ Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa    
Sé de Lisboa, 25 de dezembro de 2013 (Missa da meia-noite)

24 dezembro, 2013

Natal: Papa apresenta Jesus como «sentido» da vida e da história da humanidade

 
Francisco presidiu à Missa do Galo na Basílica de São Pedro pela primeira vez

Cidade do Vaticano, 24 dez 2013 (Ecclesia) - O Papa Francisco começou hoje a cumprir pela primeira vez o seu calendário para o tempo litúrgico do Natal, no Vaticano, com a tradicional Missa do Galo, na qual apresentou Jesus como o “sentido” da história da humanidade.
“Jesus é o Amor feito carne. Não se trata apenas dum mestre de sabedoria, nem dum ideal para o qual tendemos e do qual sabemos estar inexoravelmente distantes, mas é o sentido da vida e da história que pôs a sua tenda no meio de nós”, disse, na homilia da celebração que decorre na Basílica de São Pedro e é concelebrada por dezenas de cardeais, bispos e padres.
Os pastores de Belém, acrescentou, foram os primeiros a ver esta «tenda» e a receber o anúncio do nascimento de Jesus “porque estavam entre os últimos, os marginalizados”.
“Foram os primeiros porque velavam durante a noite, guardando o seu rebanho. Com eles, detemo-nos diante do Menino, detemo-nos em silêncio. Com eles, agradecemos ao Pai do Céu por nos ter dado Jesus e, com eles, deixamos subir do fundo do coração o nosso louvor pela sua fidelidade”, declarou o Papa.
A intervenção teve como pano de fundo o contraste entre luz e sombra, na vida pessoal e social, frisando que o nascimento de Jesus veio manifestar “a graça, a misericórdia, a ternura do Pai”.
“Na nossa história pessoal, também se alternam momentos luminosos e escuros, luzes e sombras. Se amamos Deus e os irmãos, andamos na luz; se o nosso coração se fecha, se prevalece em nós o orgulho, a mentira, a busca do próprio interesse, então calam as trevas dentro de nós e à nossa volta”, acrescentou.
Francisco escolheu como palavras centrais da sua homilia o “mistério do andar e do ver”, apresentando uma reflexão sobre a condição crente, de “pessoas peregrinas para a terra prometida”.
“Somos povo em caminho, e à nossa volta – mas também dentro de nós – há trevas e luz. E nesta noite, enquanto o espírito das trevas envolve o mundo, renova-se o acontecimento que sempre nos maravilha e surpreende: o povo em caminho vê uma grande luz”, afirmou.
O Papa declarou que Deus acompanha sempre esta história, mas que “do lado do povo alternam-se momentos de luz e de escuridão, fidelidade e infidelidade, obediência e rebelião; momentos de povo peregrino e de povo errante”.
“Não temais! O nosso Pai é paciente, ama-nos, dá-nos Jesus para nos guiar no caminho para a terra prometida. Ele é a luz que ilumina as trevas. Ele é a nossa paz”, concluiu.
A celebração foi antecedida pelo canto da ‘calenda’, um texto da antiguidade cristã que serve como anúncio do nascimento de Jesus, acontecimento que a oração coloca na época da 194ª Olimpíada e no ano 752 da fundação de Roma, entre outras referências históricas.
Os participantes na missa, transmitida televisivamente para dezenas de países, incluindo Portugal, lembraram os que são perseguidos por causa da fé, os pobres, os doentes e os marginalizados.
No final da celebração, Francisco pegou na imagem do menino Jesus para a levar em procissão até ao presépio, onde teve lugar uma homenagem de 10 crianças, representando os cinco continentes, que depositaram flores diante do local.
O calendário celebrativo prossegue estaquarta-feira, com a bênção ‘Urbi et Orbi’, ao meio-dia de Roma, antecedida pela mensagem natalícia do Papa, na Praça de São Pedro.
OC



AGÊNCIA ECCLESIA

Mensagem de Natal do Patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente na RTP - Natal 2013



23 dezembro, 2013

Dar lugar a Jesus e não ao barulho e às compras - o Papa na missa desta segunda-feira, antevéspera de Natal

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(RV) Neste Natal devemos dar lugar a Jesus e não às compras e ao barulho das festas. Para tal devemos estar vigilantes e preparados para a vinda do Senhor. Esta a ideia principal da Missa celebrada pelo Papa Francisco na Capela da Casa de Santa Marta. E a Igreja tal como Maria também está na expectativa da vinda do Senhor.


"... a nossa alma assemelha-se à Igreja, a nossa alma assemelha-se a Maria. Os padres do deserto dizem que Maria, a Igreja e a nossa alma são femininas e aquilo que se diz de uma, analogamente pode-se dizer da outra. A nossa alma também está à espera, nesta espera da vinda do Senhor; uma alma aberta que chama:'Vem, Senhor'."
"E eu pergunto-me: estamos em espera ou estamos fechados? Estamos vigilantes ou estamos seguros num hotel, ao longo do caminho e já não queremos andar para a frente? Somos peregrinos ou somos errantes? Por isso a Igreja nos convida a rezar isto: Vem, a abrir a nossa alma e que a nossa alma seja, nestes dias, vigilante em espera. Vigiar! o que acontece em nós se vem o Senhor ou se não vem? Há lugar para o Senhor ou há lugar para festas, para fazer compras, para fazer barulho... A nossa alma está aberta, como está aberta a Santa Madre Igreja e como era a Nossa Senhora? Ou a nossa alma está fechada e colocamos na nossa porta um cartãozinho, muito educado que diz: Pede-se para não perturbar!"
O Papa Francisco concluiu assim a sua homilia exortando todos a terem a alma aberta, que seja uma alma grande para receber o Senhor neste Natal:

"E hoje repetir tantas vezes 'Vem', e tentar que a nossa alma não seja uma alma que diga: 'Não disturbar' Não ! Que seja uma alma aberta, que seja uma alma grande, para receber o Senhor nestes dias e que comece a sentir aquilo que amanhã na antífona nos dirá a Igreja:'Sabei que hoje vem o Senhor! E amanhã S
ereis a sua glória!" (RS)

CONTO DE NATAL 2013




Rodrigo estava feliz! Tinha conseguido, com grandes poupanças, marcar a viagem e o hotel para fazer a surpresa à Isabel, sua mulher.

Ela merecia tudo! Casados há mais de 35 anos, nunca tinham conseguido passar uns dias juntos, numa viagem ao estrangeiro, algo que ela tanto desejava.
Finalmente, com grandes esforços e algumas ajudas dos dois filhos, já casados, tinha sido possível comprar a viagem e pagar o hotel, para poderem passar uns dias no tempo do Natal, em Roma, a cidade dos sonhos da Isabel.
Era perfeito, pois como o dia 24 de Dezembro calhava numa segunda-feira, sairiam na sexta-feira anterior e estariam até quarta 26 em Roma, o que daria muito tempo para conhecer a cidade e, para além disso, (para eles católicos convictos e praticantes), tinha um sabor muito especial o facto de passarem o Natal em Roma.
Já tinha sabido da hora da Missa do Galo na Basílica Vaticana, com o Santo Padre, e portanto, tudo estava a concretizar-se para surpreender a Isabel com um belíssimo presente de Natal.

Tinha combinado com o filho e a filha, que este ano pela primeira vez desde que eram família, a noite de 24 não seria passada lá em casa, o que lhes iria custar muito, pois era uma tradição que os filhos mesmo depois de casados tinham feito questão de manter. A noite de 24 era sempre em casa do Rodrigo e Isabel, seus pais, e o dia 25 era sempre para as famílias dos seus sogros.
E era hoje quarta-feira, 19 de Dezembro, que iria desvendar o presente de Natal à Isabel. Não podia ser de outro modo para lhe dar tempo para tudo preparar para a viagem.

À hora de jantar, com um sorriso feliz na cara, Rodrigo disse a Isabel: Vou-te dar o presente de Natal hoje, e já vais perceber porquê!
Ela fitou-o com um ar totalmente surpreendido e pegou no envelope que ele lhe dava, todo decorado com motivos de Natal.
Abriu, leu, percebeu a viagem que lhe estava a ser dada como presente, levantou-se e abraçou longamente Rodrigo, a quem uma lágrima furtiva escorreu pelo rosto.
Deu-lhe um beijo e disse: Tu és doido! Isto custa um dinheirão, com certeza!
Ele respondeu que não se preocupasse com esse assunto, porque as poupanças já vinham de há muito tempo para a concretização deste presente.
Isabel retorquiu de imediato: E os “miúdos”? Sim, lembra-te que a noite de Natal é sempre cá em casa!
Tivessem que idade tivessem, com filhos ou não, (que por acaso já tinham), os filhos seriam sempre os “miúdos”.
Rodrigo respondeu-lhe: Tudo tratado com eles! Decidiram que para não perderem a tradição da família, vão passar ambos a noite de Natal em casa do Pedro, (o mais velho), e só no dia 25 vão como sempre para casa dos seus sogros.

Num instante chegou sexta-feira, e num “piscar de olhos” viram-se sábado a passear por Roma, visitando monumentos, percorrendo as ruas carregadas de história e era visível a felicidade de Isabel por estar finalmente na cidade dos seus sonhos.
Jantaram num belo restaurante como dois namorados e dormiram como crianças felizes.

No Domingo, durante o pequeno-almoço, parecia a Rodrigo que algo tinha mudado em Isabel. Não parecia tão feliz, tão alegre, tão entusiasmada.
Deixou passar algum tempo, mas à hora de almoço era visível que algo não estava bem com ela e por isso perguntou-lhe: O que se passa Isabel? Há alguma coisa que não esteja a correr bem? Estás doente?
Ela respondeu que não, que estava tudo bem, mas Rodrigo conhecia-a bem e sabia que algo a incomodava, de tal maneira que ela não conseguia gozar a viagem, a estadia na sua amada Roma.

Após muita insistência, Isabel abriu-se e disse: Não consigo imaginar-me a passar a noite de Natal sem os nossos filhos e netos! Tenho tentado afastar de mim essa ideia, mas não consigo! Não te preocupes, que isto passa.
Rodrigo nada respondeu. Deu-lhe apenas um beijo amoroso e passado pouco tempo, no final do almoço, disse ter de ir à recepção do hotel confirmar o passeio da tarde e os sítios a visitar.
Regressou pouco depois com um sorriso de garoto na cara e disse a Isabel: Está tudo tratado!
Ela perguntou: Então onde vamos esta tarde?
Rodrigo respondeu: Vamos fazer as malas, porque o avião para Lisboa é amanhã muito cedo!
Ela protestou, ralhou, disse milhentas coisas, mas por dentro o seu coração exultava de alegria. Ele fez questão de lhe dizer que também a ele lhe custava muito não passar a noite de Natal como sempre, mas tinha assim decidido apenas para lhe agradar.

Às 13 horas de segunda-feira já estavam a telefonar para o Pedro e a Luísa, (seus filhos), a dizer: A noite de Natal é cá em casa! Tragam o que tinham preparado e nós juntamos algumas coisas que já fomos comprar.
Agora foram os filhos a ficar surpreendidos, mas para além dos protestos que de imediato expressaram, estavam no fundo felicíssimos por poderem passar aquela noite de 24 de Dezembro com os seus pais.
Chegou a noite, encheu-se a casa, veio a Missa do Galo e passado pouco tempo todos estavam à volta da mesa para a ceia.
Mas antes, e como sempre, Rodrigo fez a oração, reunidos à volta do presépio como todos os anos fazia naquela Santa Noite.

Obrigado, Jesus, porque nos destes tanto e continuas a dar. Obrigado por nos teres trazido de volta a nossa casa para podermos estar com os filhos, nora, genro e netos reunidos em família. Obrigado, Jesus, porque o Natal assim é mais Natal. Dá-nos mais um Natal, e depois mais e mais um, conforme a Tua vontade. Abençoa, Jesus, a nossa família e todas as famílias, e abençoa todos os homens e mulheres de boa vontade. Amen.

A meio da ceia, com a alegria jorrando a rodos, ouviu-se por cima do barulho de todas as vozes a voz do Manel, o neto mais novo de 4 anos apenas:
É tão bom o Natal em família!

Marinha Grande, Natal de 2013
Joaquim Mexia Alves
Que é a verdade?

Com este Conto de Natal deste ano de 2013, quero desejar a todas amigas e amigos que por aqui passam, e suas famílias, um Santo Natal, no amor e na paz de Jesus.
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22 dezembro, 2013

José renunciando ao que era seu, fez a vontade de Deus e encontrou-se a si próprio - o Papa no Angelus apelou para que todas as famílias tenham casa

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(RV)
No Angelus deste Domingo o Papa Francisco referiu-se ao texto do Evangelho de S. Mateus que nos conta os factos que precederam o nascimento de Jesus sob o ponto de vista de S. José. O Papa Francisco sublinhou em particular a desconcertante situação que José teve que enfrentar com a gravidez inesperada de Maria. Mas ele escolhe fazer a vontade de Deus:

"Quando José tomou conhecimento deste facto ficou desconcertado. O Evangelho não explica quais fossem os seus pensamentos, mas diz-se o essencial: ele tenta fazer a vontade de Deus e é precisamente a renúncia mais radical. Em vez de se defender e de fazer valer os seus próprios direitos, José escolhe uma solução que para ele representa um enorme sacrifício: 'Pois era homem justo e não queria acusá-la publicamente, pensou de repudiá-la em segredo."

O Santo Padre considerou que esta frase revela o drama interior de José pois amava profundamente Maria. Mas ele decidiu fazer a vontade de Deus. É preciso meditar sobre esta atitude pois é uma prova de sacrifício tal como Abraão - afirmou o Papa Francisco:

"É preciso meditar sobre estas palavras, para compreender qual tenha sido a prova que José teve que suportar nos dias que precederam o nascimento de Jesus. Uma prova como aquela de Abraão quando Deus lhe pediu o filho Isaac, renunciar à coisa mais preciosa, à pessoa mais amada."

Mas, como no caso de Abraão o Senhor intervêm e José escuta a vontade de Deus:

"José era um homem que escutava a voz de Deus, profundamente sensível ao seu segredo, um homem atento às mensagens que lhe chegavam do profundo do coração e lá do alto."
José não se obstinou a seguir o seu projeto de vida, não permitiu que o ódio envenenasse a sua alma tornando-se mais livre e grande - continuou o Santo Padre que acentuou o facto de José ter renunciado ao que é seu e encontra-se a si próprio. Disponibiliza-se para a vontade de Deus e encontra o caminho.

Desta forma - concluiu o Papa Francisco - "dispomo-nos a celebrar o Natal contemplando Maria a cheia de graça que teve a coragem de confiar na Palavra de Deus e José, homem justo e de fé que preferiu crer no Senhor do que a dúvida e o orgulho humano. Com eles caminhemos juntos para Bélem."

Depois da oração do Angelus o Papa Francisco, referindo-se a um cartaz que estava na Praça e que dizia "Os pobres não podem esperar", o Santo Padre recordou que Jesus nasceu num estábulo e teve mesmo que fugir e só mais tarde voltou para a sua casa em Nazaré. O Papa disse que pensa hoje em tantas famílias sem casa, seja porque não a tiveram ou porque a perderam. "Casa e família caminham juntas e sem casa não se pode viver" - afirmou ainda o Santo Padre convidando todos a fazerem o possível para que cada família possa ter uma casa.

No final saudou todos os peregrinos presentes e em especial o Instituto Pontifício para as missões estrangeiras, uma banda musical de S. Giovanni Valdarno, os jovens da paróquia de S. Francesco Nuovo e Rieti e os participantes na estafeta Alessandria-Roma para testemunhar o empenho em favor da pazna Somália. A todos desejou um bom domingo e um Natal de esperança, justiça e de fraternidade. (RS)