02 abril, 2018

Papa: somente a fraternidade pode garantir uma paz duradoura


 Papa no Regina Coeli desta Segunda-feira do Anjo  (Vatican Media)

Que a fraternidade e a comunhão posam tornar-se no nosso estilo de vida e alma das nossas relações, disse o Papa no Regina Coeli desta Segunda-feira do Anjo, renovando o seu apelo a fim de que as pessoas sequestradas ou injustamente privadas da liberdade sejam libertadas e possam voltar para às suas casas. 

Cidade do Vaticano 

O dia de hoje é um dia de festa a ser vivido habitualmente com a família. A segunda após a Páscoa é chamada “Segunda-feira do Anjo”, segundo uma tradição muito bonita que corresponde às fontes bíblicas da Ressurreição. Foi o que disse o Papa Francisco no Regina Caeli ao meio-dia, explicando o sentido e o significado desta segunda-feira após o domingo de Páscoa.

Fraternidade possa tornar-se nosso estilo de vida

De facto, os Evangelhos narram que, quando as mulheres foram ao Sepulcro, encontraram-no aberto. Elas temiam não poder entrar porque este estava fechado com uma grande pedra. Ao invés, estava aberto; e uma voz vinda de dentro do sepulcro disse-lhes que Jesus não estava ali, mas ressuscitou, destacou o Papa.

Primeiro anúncio da Ressurreição foi dado pelos anjos

Pela primeira vez foram pronunciadas as palavras “Ressuscitou”. Os evangelistas – prosseguiu o Santo Padre – referem-nos que este primeiro anúncio foi dado pelos anjos, ou seja, mensageiros de Deus. Há um significado nesta presença angélica – prosseguiu Francisco: como a Encarnação do Verbo foi anunciada por um anjo, Gabriel, assim para anunciar pela primeira vez a Ressurreição não bastava uma palavra humana.

Era necessário um ser superior para comunicar uma realidade tão inédita, tão incrível, que talvez nenhum homem teria ousado pronunciá-la. Após este primeiro anúncio, a comunidade dos discípulos começou a repetir: “Verdadeiramente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão (Lc 24,34), mas o primeiro anúncio exigia uma inteligência superior à inteligência humana.

A fraternidade é o fruto da Páscoa de Cristo

Explicitando ainda o sentido celebrativo desta segunda-feira, o Pontífice explicou:

“Após ter celebrado a Páscoa sente-se a necessidade de reunir mais uma vez com os familiares e com os amigos para fazer festa. Porque a fraternidade é o fruto da Páscoa de Cristo que, com a sua morte e ressurreição, derrotou o pecado que separava o homem de Deus, de si mesmo e de seus irmãos.”

Jesus abateu o muro de divisão entre os homens e restabeleceu a paz, começando a tecer a rede de uma nova fraternidade. É muito importante neste nosso tempo redescobrir a fraternidade, assim como era vivida nas primeira comunidades cristãs, acrescentou.

Sem fraternidade há somente indivíduos movidos pelos próprios interesses

“Não pode haver verdadeira comunhão e um compromisso a favor do bem comum e da justiça social sem a fraternidade e partilha. Sem partilha fraterna não se pode realizar uma autêntica comunidade eclesial ou civil: há somente um conjunto de indivíduos movidos pelos próprios interesses.”
 
A Páscoa de Cristo fez explodir no mundo a novidade do diálogo e da relação,  novidade que para os cristãos se tornou uma responsabilidade. De facto Jesus disse: “Disso saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35).

Ver também: Papa Francisco - Oração do Regina Coeli 2018-04-02


Cuidar dos mais frágeis e marginalizados

“Eis o motivo porque não podemos fechar-nos no nosso privado, no nosso grupo, mas somos chamados a ocupar-nos do bem comum, a cuidar dos irmãos, especialmente dos mais frágeis e marginalizados. Somente a fraternidade pode garantir uma paz duradoura, derrotar as pobrezas, superar as tensões e as guerras, extirpar a corrupção e a criminalidade.”

Que a fraternidade e a comunhão posam tornar-se o nosso estilo de vida e a  alma das nossas relações, disse ainda Francisco, renovando o seu apelo a fim de que as pessoas sequestradas ou injustamente privadas da liberdade sejam libertadas e possam voltar para as suas casas.

Oitava da Páscoa, prolongamento da alegria da Ressurreição de Cristo

Antes de despedir-se dos fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro, o Pontífice fez votos a cada um que transcorra serenamente estes dias da Oitava da Páscoa, em que se prolonga a alegria da Ressurreição de Cristo.

“Aproveitem cada boa ocasião para serem testemunhas da paz do Senhor ressuscitado especialmente em relação às pessoas mais frágeis e menos favorecidas”, exortou o Papa, assegurando uma oração especial pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado este 2 de abril.

"Invoquemos o dom da paz para o mundo inteiro, especialmente para as populações que mais sofrem por causa dos conflitos em andamento", exortou ainda Francisco.



VATICAN NEWS

Papa: somente a fraternidade pode garantir uma paz duradoura

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 Papa no Regina Coeli desta Segunda-feira do Anjo  (Vatican Media)
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Que a fraternidade e a comunhão posam tornar-se no nosso estilo de vida e alma das nossas relações, disse o Papa no Regina Coeli desta Segunda-feira do Anjo, renovando o seu apelo a fim de que as pessoas sequestradas ou injustamente privadas da liberdade sejam libertadas e possam voltar para às suas casas. 

Cidade do Vaticano 

O dia de hoje é um dia de festa a ser vivido habitualmente com a família. A segunda após a Páscoa é chamada “Segunda-feira do Anjo”, segundo uma tradição muito bonita que corresponde às fontes bíblicas da Ressurreição. Foi o que disse o Papa Francisco no Regina Caeli ao meio-dia, explicando o sentido e o significado desta segunda-feira após o domingo de Páscoa.

Fraternidade possa tornar-se nosso estilo de vida

De facto, os Evangelhos narram que, quando as mulheres foram ao Sepulcro, encontraram-no aberto. Elas temiam não poder entrar porque este estava fechado com uma grande pedra. Ao invés, estava aberto; e uma voz vinda de dentro do sepulcro disse-lhes que Jesus não estava ali, mas ressuscitou, destacou o Papa.

Primeiro anúncio da Ressurreição foi dado pelos anjos

Pela primeira vez foram pronunciadas as palavras “Ressuscitou”. Os evangelistas – prosseguiu o Santo Padre – referem-nos que este primeiro anúncio foi dado pelos anjos, ou seja, mensageiros de Deus. Há um significado nesta presença angélica – prosseguiu Francisco: como a Encarnação do Verbo foi anunciada por um anjo, Gabriel, assim para anunciar pela primeira vez a Ressurreição não bastava uma palavra humana.

Era necessário um ser superior para comunicar uma realidade tão inédita, tão incrível, que talvez nenhum homem teria ousado pronunciá-la. Após este primeiro anúncio, a comunidade dos discípulos começou a repetir: “Verdadeiramente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão (Lc 24,34), mas o primeiro anúncio exigia uma inteligência superior à inteligência humana.

A fraternidade é o fruto da Páscoa de Cristo

Explicitando ainda o sentido celebrativo desta segunda-feira, o Pontífice explicou:

“Após ter celebrado a Páscoa sente-se a necessidade de reunir mais uma vez com os familiares e com os amigos para fazer festa. Porque a fraternidade é o fruto da Páscoa de Cristo que, com a sua morte e ressurreição, derrotou o pecado que separava o homem de Deus, de si mesmo e de seus irmãos.”

Jesus abateu o muro de divisão entre os homens e restabeleceu a paz, começando a tecer a rede de uma nova fraternidade. É muito importante neste nosso tempo redescobrir a fraternidade, assim como era vivida nas primeira comunidades cristãs, acrescentou.

Sem fraternidade há somente indivíduos movidos pelos próprios interesses

“Não pode haver verdadeira comunhão e um compromisso a favor do bem comum e da justiça social sem a fraternidade e partilha. Sem partilha fraterna não se pode realizar uma autêntica comunidade eclesial ou civil: há somente um conjunto de indivíduos movidos pelos próprios interesses.”
 
A Páscoa de Cristo fez explodir no mundo a novidade do diálogo e da relação,  novidade que para os cristãos se tornou uma responsabilidade. De facto Jesus disse: “Disso saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35).

Ver também: Papa Francisco - Oração do Regina Coeli 2018-04-02


Cuidar dos mais frágeis e marginalizados

“Eis o motivo porque não podemos fechar-nos no nosso privado, no nosso grupo, mas somos chamados a ocupar-nos do bem comum, a cuidar dos irmãos, especialmente dos mais frágeis e marginalizados. Somente a fraternidade pode garantir uma paz duradoura, derrotar as pobrezas, superar as tensões e as guerras, extirpar a corrupção e a criminalidade.”

Que a fraternidade e a comunhão posam tornar-se o nosso estilo de vida e a  alma das nossas relações, disse ainda Francisco, renovando o seu apelo a fim de que as pessoas sequestradas ou injustamente privadas da liberdade sejam libertadas e possam voltar para as suas casas.

Oitava da Páscoa, prolongamento da alegria da Ressurreição de Cristo

Antes de despedir-se dos fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro, o Pontífice fez votos a cada um que transcorra serenamente estes dias da Oitava da Páscoa, em que se prolonga a alegria da Ressurreição de Cristo.

“Aproveitem cada boa ocasião para serem testemunhas da paz do Senhor ressuscitado especialmente em relação às pessoas mais frágeis e menos favorecidas”, exortou o Papa, assegurando uma oração especial pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado este 2 de abril.

"Invoquemos o dom da paz para o mundo inteiro, especialmente para as populações que mais sofrem por causa dos conflitos em andamento", exortou ainda Francisco.



VATICAN NEWS

PÁSCOA – VIGÍLIA PASCAL

 
 
 
 
 
 Na Vigília Pascal, na minha querida paróquia da Marinha Grande, foram baptizados quatro adultos, numa celebração extraordinária de intimidade com Deus, emotiva até, que me fez dar graças a Deus por me ter feito reencontrá-lO.

As palavras do Vigário Paroquial, Padre Patrício Oliveira, (que bela homilia, tão simples, tão próxima, tão cheia de Deus), vieram directas ao meu coração e fizeram-me lembrar tudo o que fui, tudo o que sou e tudo o que posso vir a ser, pela graça de Deus.

Esta Páscoa do Senhor Ressuscitado, sentia-a também como a minha Páscoa, a Páscoa da minha vida, quando renasci e encontrei a Vida Nova, aquela que nunca acaba.

Com efeito, andei tanto tempo afastado de Deus, por caminhos de vícios vários, que bem posso dizer que estava morto para a vida verdadeira, e que foi o reencontro com o Senhor Crucificado, Morto e Ressuscitado, que há anos atrás, foi e continua a ser a Páscoa que sempre quero viver na minha vida.

E durante esta Vigília Pascal tudo me passou pela memória, mas já não senti vergonha nem culpa, (como as poderia sentir se acredito na misericórdia de Deus e no seu infinito perdão), mas senti uma paz imensa que me levou ainda mais a acreditar que “se com Cristo morremos, com Ele ressuscitamos”.

Como gostaria de ter palavras que exprimissem o que senti, o que vivi naquela Santa Noite e que ainda vivo no meu coração!
E, depois, dar aos meus irmãos na fé, na Comunhão, o Corpo do Senhor na Hóstia Consagrada, emocionou-me, fez-me sentir que a bondade de Deus atinge todos, até mesmo aqueles que durante tanto tempo O rejeitaram, mas que para Ele e por Ele continuaram a ser amados pelo Amor verdadeiro.

Senti-me um pouco como aqueles que foram baptizados, crismados e que pela primeira vez receberam o Corpo do Senhor, ou seja, como se Ele me dissesse, (como tantas vezes me faz sentir no coração), «Eu renovo todas as coisas».

De coração cheio, de alma repleta de alegria, só posso dizer a Deus as palavras que pouco exprimem, mas que saem de dentro de mim:

Obrigado meu Deus pela paróquia que me deste, pelos sacerdotes que colocaste ao seu/teu serviço, por todas as minhas irmãs e irmãos na fé que chamaste a fazerem parte desta comunidade paroquial.
Obrigado, meu Deus, porque me achaste digno de receber a graça de Te reencontrar.
Glória e louvor a Ti, Senhor, hoje, sempre, pelos séculos sem fim.


Marinha Grande, 2 de Abril de 2018
Joaquim Mexia Alves

01 abril, 2018

Homilia do Domingo de Páscoa

Se Cristo nos espera, porque demoramos nós?

«Maria Madalena correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes. “Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram.” Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos a sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa que Pedro…»

Detenhamo-nos um pouco nesta passagem do Evangelho que ouvimos. Ou dizendo melhor, porventura, corramos também nós espiritualmente ao sepulcro, como o fizeram fisicamente os discípulos, alertados por Maria Madalena, que também correra a avisá-los.
É intencional a insistência do evangelista na pressa de qualquer deles. Como é salutar o convite a imitá-los. Para encontramos o túmulo vazio. Para sermos encontrados pelo Ressuscitado, como aconteceu com eles depois.
Desde aquela madrugada é isto mesmo que nos define como crentes, ou seja, a urgência em divisar a presença do Ressuscitado e sermos encontrados por Ele. São Paulo definia-se nesses termos, ou na mesma corrida: «… Assim posso conhecer a Cristo, na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformando-me com ele na morte, para ver se atinjo a ressurreição dos mortos. Não que já o tenha alcançado ou já seja perfeito; mas corro, para ver se o alcanço, já que fui alcançado por Cristo Jesus» (Fl 3, 10-13).
Urgência de alcançar a Cristo, que já nos alcançou a nós. Ansiou pela chegada daquela hora absoluta em que nos encontrou no mais profundo e dramático da condição humana, para nos salvar de vez. Acolhamos a exortação de Paulo, ainda há pouco ouvida: «Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.»
É a afeição às coisas do alto, isso mesmo que só Cristo nos conseguiu e oferece, que explica e incita a nossa corrida espiritual de todos os dias, sempre e só ao seu encontro. E o túmulo vazio que os primeiros discípulos encontraram foi apenas o sinal da presença total com que hoje corresponde à nossa procura.
Cristão, podemos dizer, é quem anseia deparar com o Ressuscitado em cada momento da sua vida – para vir a dizer, também com São Paulo: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.» (Gl 2, 20). Para ressuscitar com o Ressuscitado. Esse mesmo que nos prometeu: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28,20).
Certamente que o Tríduo Pascal, que Deus nos concedeu celebrar mais uma vez, tanto nos encheu a alma como agora nos reforça o propósito. Graças são encargos e a graça pascal redunda em procura e missão, sempre mais urgentes. Procura do Ressuscitado nos sinais mais garantidos da sua presença; missão de os repercutir na vida do mundo, do pequeno mundo de cada um ao grande mundo de nós todos.
Lembremos brevemente os sinais garantidos da presença do Ressuscitado, como a eles devemos acorrer todos os dias, com particular referência ao Tempo Pascal que hoje começa. Falando da sua união connosco, Jesus usou esta comparação: «Eu sou a videira; vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto […] Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos» (Jo 15, 5-8).
Caríssimos: Este é o primeiro sinal que devemos ativar todos os dias: a Palavra de Cristo ouvida, meditada e assimilada. Quando tal acontece, tudo muda de figura, passando a ser visto a partir de Deus, o único que absolutamente conhece o coração do homem e o sentido das coisas. Palavra ressuscitadora, uma vez que ressoa no silêncio que fizermos, como o anúncio da Ressurreição de Cristo soou no túmulo vazio. Precisamente com esta condição silenciosa e acolhedora, todos os dias exercitada e de cada vez correspondida por Cristo Palavra de Deus.
Outro sinal – ou a decorrência do primeiro – é a Eucaristia para que nos convida. É também no Evangelho de João que encontramos esta alusão ao Ressuscitado, aparecendo aos discípulos que tinham voltado à sua faina de pescadores - mas igualmente a cada um de nós, na faina de todos os dias: «Disse-lhes Jesus: “Vinde almoçar.” E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: “Quem és tu?”, porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe» (Jo 21, 12-13).
A alusão é certamente eucarística, pelo gesto de “tomar o pão e dá-lo”. E traz outra referência importante, uma vez que o “peixe” era para os primeiros cristãos um modo de designar o próprio Cristo. Significando isto que num sacramento – na Eucaristia como em todos os outros - é da própria pessoa de Cristo que se trata, requerendo tanta correspondência e coerência da nossa parte, como da sua é a entrega.
Mais dois sinais da presença do Ressuscitado, a que devemos acorrer, encontramo-los no Evangelho de Mateus, sobremaneira eclesial. Um é mantermo-nos em oração, especialmente a comunitária: «Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão de obtê-la de meu Pai que está no Céu. Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estou no meio deles» (Mt 18, 19-20).
Também, e por excelência, a caridade ativa, que nos leve ao encontro das necessidades dos outros, assim mesmo encontrando o Ressuscitado que em cada um nos espera. Mencionando as fomes que saciámos, as sedes que dessedentámos, os peregrinos que recolhemos, os nus que vestimos, os doentes e presos que visitámos, responde perentoriamente: «Sempre que fizeste isto a um destes irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).          
- Assim sendo, caríssimos irmãos, que nos falta ou retarda, para vivermos plenamente em Páscoa, procurando e testemunhando a presença do Ressuscitado, como garantidamente se oferece? Para que também dos vazios tumulares deste mundo a sua presença irrompa, tão forte e luminosa como na madrugada daquele primeiro dia. - Se Cristo nos espera, porque demoramos nós?


Sé de Lisboa, 1 de abril de 2018

+ Manuel, Cardeal-Patriarca

Patriarcado de Lisboa 

Os votos de paz do Papa ao mundo, na Bênção Urbi et Orbi

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Papa na varanda central da Basílica São Pedro  (AFP or licensors)
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"A morte, a solidão e o medo já não são a última palavra. Há uma palavra que vem depois e que só Deus pode pronunciar: é a palavra da Ressurreição". Foi de esperança a mensagem do Santo Padre para este Domingo de Páscoa, ao recordar os tantos dramas que martirizam populações em diversas partes do mundo. 

Cidade do Vaticano 

Exortação ao diálogo e pedidos de frutos de paz para o mundo inteiro, a começar pela “martirizada Síria”, Terra Santa, continente africano, península coreana, Ucrânia, Venezuela, as crianças e os idosos.

Os dramas vividos por milhões de pessoas em cada uma destas partes do globo foram recordados pelo Papa Francisco na sua mensagem Urbi et Orbi na Páscoa da Ressurreição. Mas mesmo diante disto,  existe a esperança, pois "a morte, a solidão e o medo não têm a última palavra".

MSG Urbi et Orbi Papa

Jesus, Morto pelo pecado do mundo, permaneceu dois dias no sepulcro, mas na sua morte estava contido todo o poder do amor de Deus, e “nós cristãos, acreditamos e sabemos que a ressurreição de Cristo é a verdadeira esperança do mundo, aquela que não desilude”, disse o Santo Padre.

É a força do grão de trigo, a do amor que se humilha e oferece até ao fim e que verdadeiramente renova o mundo. Esta força dá fruto também hoje nos sulcos da nossa história, marcada por tantas injustiças e violências. Dá frutos de esperança e dignidade onde há miséria e exclusão, onde há fome e falta trabalho, no meio dos deslocados e refugiados – frequentemente rejeitados pela cultura atual do descarte – das vítimas do narcotráfico, do tráfico de pessoas e da escravidão dos nossos tempos”. 

Síria

Ao recordar da “amada e martirizada Síria, cuja população está exausta por uma guerra que não vê fim”, o Pontífice pediu que “a luz de Cristo Ressuscitado ilumine as consciências de todos os responsáveis políticos e militares, para que ponham fim imediato ao extermínio em andamento”, respeitando o direito humanitário e facilitando o acesso das ajudas humanitárias aos “nossos irmãos e irmãs que têm necessidade urgente” e assegurando as condições adequadas para o retorno dos deslocados. 

Terra Santa

O Papa desejou “frutos de reconciliação” para o Iemen, o Médio Oriente, para a Terra Santa - “também nestes dias ferida por conflitos” que não poupam os inocentes – pedindo que “o diálogo e o respeito recíproco prevaleçam sobre as divisões e sobre a violência” e que “os nossos irmãos em Cristo, que não raro sofrem abusos e perseguições, possam ser testemunhos luminosos do Ressuscitado e da vitória do bem sobre o mal”. 

África

“Frutos de esperança” foi a súplica do Santo Padre pelas populações do continente africano que anseiam por uma vida mais digna, em particular nas áreas afetadas “pela fome, por conflitos endemicos e pelo terrorismo”.

Neste continente, o Papa citou o Sudão do Sul, pedindo que “a paz do Ressuscitado cure as feridas, abra os corações ao diálogo e à compreensão recíproca”.
“Não esqueçamos as vítimas deste conflito, especialmente as crianças!” sublinhou, pedindo que “não falte a solidariedade às pessoas obrigadas a abandonaram as próprias terras “e privadas do mínimo necessário para viver”. 

Península coreana

“Frutos de diálogo” foi o que implorou o Santo Padre para a Península coreana, para que os colóquios em andamento “promovam a harmonia e a pacificação da região”, e que os responsáveis diretos “ajam com sabedoria e discernimento” para promover o bem do povo coreano. 

Ucrânia

“Frutos de paz”, com o fortalecimento dos passos em direção à concórdia e a facilitação para as iniciativas humanitária a favor das populações necessitadas foi o desejo de Francisco para a Ucrânia. 

Venezuela

Para o povo venezuelano o Pontífice suplicou “frutos de consolação”, recordando a mensagem do episcopado local que afirmava que no  país vive-se uma espécie de “terra de ninguém”.

Assim, Francisco pede que “pela força da Ressurreição do Senhor Jesus” possa ser encontrado “o caminho justo, pacífico e humano para sair o mais rápido possível da crise política e humanitária” e que “não faltem acolhimento e assistência àqueles, que entre os seus filhos, são obrigados a abandonar o próprio país”. 

Crianças e idosos

O Papa pediu “frutos de vida nova” para as crianças, “que devido às guerras e à fome, crescem sem esperança, privadas de educação e de assistência sanitária” e também pelos idosos “descartados pela cultura egoísta, que deixa de lado quem não é “produtivo””.

Por fim, o pedido de “frutos de sabedoria” por aqueles que têm responsabilidades políticas, para que “respeitem sempre a dignidade humana” e que estejam a serviço “do bem comum”, assegurando “desenvolvimento e segurança aos próprios cidadãos”.

Recordando que “a morte, a solidão e o medo não têm a última palavra”, e que a força do amor de Deus “derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos, dissipa o ódio, quebra a dureza dos poderosos, promove a concórdia e a paz”, o Papa Francisco desejou a todos “Boa Páscoa”.

No final, o Santo Padre concedeu a todos a Bênção Pascal com a Indulgência Plenária, segundo a forma estabelecida pela Igreja: 

Bênção Urbi et Orbi

No final, o Santo Padre concedeu a todos a Bênção Urbi et Orbi, cuja fórmula em latim é a seguinte:

Sancti Apostoli Petrus et Paulus: de quorum potestate et auctoritate confidimus ipsi intercedant pro nobis ad Dominum.

R: Amen.

Precibus et meritis beatæ Mariae semper Virginis, beati Michaelis Archangeli, beati Ioannis Baptistæ, et sanctorum Apostolorum Petri et Pauli et omnium Sanctorum misereatur vestri omnipotens Deus; et dimissis omnibus peccatis vestris, perducat vos Iesus Christus ad vitam æternam.

R: Amen.

Indulgentiam, absolutionem et remissionem omnium peccatorum vestrorum, spatium verae et fructuosae poenitentiæ, cor semper penitens, et emendationem vitae, gratiam et consolationem Sancti Spiritus; et finalem perseverantiam in bonis operibus tribuat vobis omnipotens et misericors Dominus.

R: Amen.

Et benedictio Dei omnipotentis, Patris et Filii et Spiritus Sancti descendat super vos et maneat semper.

R: Amen. 

Idosos, jovens e famílias

Após conceder a sua Bênção, o Pontífice sublinhou que "a Páscoa é a festa mais importante da fé cristã, porque é a festa da nossa salvação e do amor de Deus por nós", saudando de forma especial as famílias, pedindo que "a alegria e a esperança de Jesus Ressuscitado dê a elas conforto".

O pensamento do Papa dirigiu-se em particular também "aos idosos que são a preciosa memória da sociedade" e "aos jovens, que representam o futuro da Igreja e da humanidade".

Por fim, um agradecimento especial aos Países Baixos, "pelo dom das flores" que ornamentam o adro petrino.

VATICAN NEWS

A mensagem Urbi et Orbi do Papa Francisco

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Papa na varanda central da Basílica São Pedro  (ANSA)
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Frutos de paz para o mundo inteiro, de reconciliação, de diálogo, de consolação. Esta foi a súplica do Papa Francisco na sua mensagem dirigida à cidade e ao mundo neste Domingo de Páscoa 

Cidade do Vaticano 

Neste Domingo da Páscoa da Ressurreição, o Papa Francisco dirigiu a sua mensagem de Páscoa e concedeu a Bênção Urbi et Orbi ("à cidade [de Romae ao mundo"), com a Indulgência Plenária segundo as normas estabelecidas pela Igreja. Eis o texto de sua mensagem na íntegra:

"Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!

Jesus ressuscitou dos mortos.

Ressoa na Igreja, por todo o mundo, este anúncio, juntamente com o cântico do Aleluia: Jesus é o Senhor, o Pai ressuscitou-O e Ele está vivo para sempre no meio de nós.

O próprio Jesus preanunciara a sua morte e ressurreição com a imagem do grão de trigo. Dizia: «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, ficará só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24). Foi isto mesmo que aconteceu: Jesus, o grão de trigo semeado por Deus nos sulcos da terra, morreu vítima do pecado do mundo, permaneceu dois dias no sepulcro; mas, naquela sua morte, estava contida toda a força do amor de Deus, que se desencadeou e manifestou-se ao terceiro dia, aquele que celebramos hoje: a Páscoa de Cristo Senhor.

Nós, cristãos, acreditamos e sabemos que a ressurreição de Cristo é a verdadeira esperança do mundo, a esperança que não dececiona. É a força do grão de trigo, a do amor que se humilha e oferece até ao fim e que verdadeiramente renova o mundo. Esta força dá fruto também hoje nos sulcos da nossa história, marcada por tantas injustiças e violências. Dá frutos de esperança e dignidade onde há miséria e exclusão, onde há fome e falta trabalho, no meio dos deslocados e refugiados – frequentemente rejeitados pela cultura atual do descarte – das vítimas do narcotráfico, do tráfico de pessoas e da escravidão dos nossos tempos.

E nós, hoje, pedimos frutos de paz para o mundo inteiro, a começar pela amada e martirizada Síria, cuja população se encontra exausta por uma guerra sem um fim à vista. Nesta Páscoa, a luz de Cristo Ressuscitado ilumine as consciências de todos os responsáveis políticos e militares, para que se ponha imediatamente termo ao extermínio em curso, respeite o direito humanitário e proveja a facilitar o acesso às ajudas de que têm urgente necessidade estes nossos irmãos e irmãs, assegurando ao mesmo tempo condições adequadas para o regresso de quantos foram desalojados.

Frutos de reconciliação, imploramos para a Terra Santa, também ferida por conflitos abertos que não poupam os indefesos, para o Iêmen e para todo o Médio Oriente, a fim de que o diálogo e o respeito mútuo prevaleçam sobre as divisões e a violência. Possam os nossos irmãos em Cristo, que muitas vezes sofrem abusos e perseguições, ser testemunhas luminosas do Ressuscitado e da vitória do bem sobre o mal.

Frutos de esperança, suplicamos neste dia para todos aqueles que anseiam por uma vida mais digna, especialmente nas regiões do continente africano atormentadas pela fome, por conflitos endémicos e pelo terrorismo. A paz do Ressuscitado cure as feridas no Sudão do Sul e da mortificada República Democrática do Congo: abra os corações ao diálogo e à compreensão mútua. Não esqueçamos as vítimas daquele conflito, sobretudo as crianças! Não falte a solidariedade em prol das inúmeras pessoas forçadas a abandonar as suas terras e privadas do mínimo necessário para viver.

Frutos de diálogo, imploramos para a península coreana, para que os colóquios em curso promovam a harmonia e a pacificação da região. Aqueles que têm responsabilidades diretas ajam com sabedoria e discernimento para promover o bem do povo coreano e construir relações de confiança no âmbito da comunidade internacional.

Frutos de paz, pedimos para a Ucrânia, a fim de que se reforcem os passos a favor da concórdia e sejam facilitadas as iniciativas humanitárias de que necessita a população.

Frutos de consolação, suplicamos para o povo venezuelano, que vive – escreveram os seus Pastores – como que em «terra estrangeira» no seu próprio país. Possa, pela força da Ressurreição do Senhor Jesus, encontrar a via justa, pacífica e humana para sair, o mais rápido possível, da crise política e humanitária que o oprime e, àqueles entre os seus filhos que são forçados a abandonar a sua pátria, não lhes falte hospedagem nem assistência.

Frutos de vida nova, Cristo Ressuscitado dê às crianças que, por causa das guerras e da fome, crescem sem esperança, privadas de educação e assistência sanitária; e também aos idosos descartados pela cultura egoísta que põe de lado aqueles que não são «produtivos».

Frutos de sabedoria, imploramos para aqueles que, em todo o mundo, têm responsabilidades políticas, a fim de que respeitem sempre a dignidade humana, trabalhem com dedicação ao serviço do bem comum e garantam progresso e segurança aos seus cidadãos.

Queridos irmãos e irmãs!

Também a nós, como às mulheres que acorreram ao sepulcro, é-nos dirigida esta palavra: «Porque buscais o Vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou!» (Lc 24, 5-6). A morte, a solidão e o medo já não são a última palavra. Há uma palavra que vem depois e que só Deus pode pronunciar: é a palavra da Ressurreição (cf. João Paulo II, Palavras no final da Via-Sacra, 18/IV/2003). Com a força do amor de Deus, ela «afugenta os crimes, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, dá alegria aos tristes, derruba os poderosos, dissipa os ódios, estabelece a concórdia e a paz» (Precónio Pascal)".

 Bênção Urbi et Orbi

VATICAN NEWS

Papa: ressurreição, uma "surpresa" que nos coloca em caminho

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Papa na Missa do Domingo da Ressurreição  (ANSA)
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O Papa Francisco destacou na sua homilia a "surpresa" que a ressurreição provocou - pois o nosso Deus é um Deus de surpresas - e o desejo de anunciar esta boa nova. 

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco presidiu a Missa da Páscoa da Ressurreição na Praça São Pedro, não seguindo nenhum texto na sua homilia, mas falando brevemente e de forma espontânea.

“Depois de ouvir a Palavra de Deus, desta passagem do Evangelho, sinto o desejo de dizer três coisas.

Primeiro: o anúncio. Há lá um anúncio: o Senhor ressuscitou. Esse anúncio que desde os primeiros tempos dos cristãos ia de boca em boca; era a saudação: o Senhor ressuscitou. E as mulheres ali, que foram para ungir o corpo do Senhor, tiveram uma surpresa. A surpresa ... os anúncios de Deus são sempre surpresas, porque o nosso Deus é o Deus das surpresas.

E assim, desde o início da história da salvação, de nosso pai Abraão, Ele te surpreende: "Mas vai, vai, sai, deixa a tua terra e vai". E há sempre uma surpresa atrás da outra. Deus não sabe fazer um anúncio sem nos surpreender.

E a surpresa é aquilo que te move o coração, que te toca exatamente ali onde menos esperavas. Para dizer um pouco com a linguagem dos jovens: a surpresa é um golpe baixo; não esperavas por isso. E ele vai e comove-te. Primeiro: anúncio como surpresa.

Segundo: a pressa. As mulheres correm, apressam-se para dizer: "Mas, nós encontramos isso!".

As surpresas de Deus olocaram-nos em caminho, imediatamente, sem esperar. Então correm para ver. Pedro e João correm. Os pastores, naquela noite de Natal, correm: "Vamos a Belém para ver o que os anjos nos disseram".

E a mulher samaritana corre para dizer às pessoas: "Esta é uma novidade: encontrei um homem que me contou tudo o que fiz". E as pessoas sabiam as coisas que ela tinha feito.

E essas pessoas correm, deixam o que estão a fazer, até mesmo a dona de casa deixa as batatas na panela - ela vai encontrá-las queimadas - mas o importante é ir, correr, para ver aquela surpresa, esse anúncio.

Ainda hoje acontece. Nos nossos bairros, nos povoados, quando algo de extraordinário acontece, as pessoas correm para ver. Vão com pressa. André não perdeu tempo e apressou-se a ir até Pedro para lhe dizer: "Encontramos o Messias".

As surpresas, as boas novas, são dadas sempre assim: com pressa. No Evangelho há alguém que leva algum tempo; ele não quer arriscar. Mas o Senhor é bom, esperando por ele com amor: Tomé. "Eu vou acreditar quando vir as feridas". Até mesmo o Senhor tem paciência com aqueles que não vão tão rápido.

O anúncio-surpresa, a resposta rápida e a terceira que eu gostaria de fazer-vos hoje é uma pergunta:

"E eu que? Meu coração está aberto às surpresas de Deus, consigo ir com pressa ou sempre com aquela cantilena: "Mas amanhã verei, amanhã, amanhã ...?”.

(...) O que me diz a surpresa? João e Pedro correram para o túmulo. De João o Evangelho diz-nos: "Acredite". Também Pedro: "Acredite", mas do seu modo, com fé um pouco misturada com o remorso de ter renegado o Senhor.

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Papa Francisco - Domingo de Páscoa - Santa Missa 2018-04-01



VATICAN NEWS

Reflexão: O Sepulcro vazio está vazio, Jesus ressuscitou!

 
Cristo ressurge dos mortos 
 
"Jesus continua, ña sua nova forma de existência, vindo ao nosso encontro e quer saber quais são as causas de nossa tristeza. Ele é o consolador, é a nossa alegria, é a nossa vida!"
 
Padre César Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano
 
“Maria Madalena vai ao sepulcro. É madrugada! Maria, ainda com o ambiente escuro pela ausência de sol, vai ao sepulcro. É noite não apenas na natureza, mas principalmente no coração de Maria Madalena. Aliás, no seu coração não. Ali o amor iluminava. Ela não consegue ficar longe do corpo morto de seu Senhor, daquele que a libertou do mal. Ela não consegue viver sem Jesus!

Ela diz que vai ungir o corpo do Senhor, mas como? Existe uma pesada pedra a tapar o túmulo e, além do mais, Nicodemos e José de Arimateia já tinham preparado o corpo.

Quando ela chega, a pedra está removida, mas o sepulcro está vazio! Maria sente-se completamente perdida e desolada. Sai correndo para comunicar a Pedro e a João. Ela pede ajuda. Sente-se perdida e impotente.

Quando também experimento a ausência de Jesus, como reajo? Onde e como o busco? No lugar dos mortos ou como aquele que é Vida e que dá Vida?

Cristo é, de facto, o Senhor de minha vida?

Prossigamos na nossa oração.

Todo aquele que ama está fadado a sofrer muito!

Maria vê o sepulcro vazio, um anjo à cabeceira e outro aos pés, mas nada entende.

O evangelista quando descreveu este quadro, quis-nos dizer que Jesus é a nova e eterna aliança do Pai com os homens.

O sepulcro, uma caixa retangular aberta e com dois anjos, recorda a qualquer devoto a arca da aliança com os anjos do propiciatório. A aliança nova e eterna foi realizada!

Enquanto está com o olhar fixado dentro da sepultura, Maria escuta alguém a perguntar-lhe porque está a chorar. Quem lhe  pergunta quer dizer-lhe: “Mulher, porque choras?” Não tens motivo para chorar, antes para te alegrares. As lágrimas de Maria revelam o seu grande amor e sua pouca fé.

Jesus entra em diálogo com Maria de modo semelhante como entrou com outras pessoas. Revela-se progressivamente, adaptando as suas palavras e os seus gestos à história dessas pessoas e às situações concretas em que se encontram.

Maria só vai entender que aquela voz é de Jesus no momento em que deixa de olhar para o sepulcro, para o lugar da morte, e volta os olhos e o corpo inteiro na direção contrária. Então, ela vê Jesus, vivo, ressuscitado!

Como Maria, muitas vezes não encontramos Jesus porque não o buscamos vivo, mas sim o seu cadáver.

Concluamos nossa reflexão.

Assim como Madalena buscava Jesus por toda a parte, também o Ressuscitado seguia os seus passos, os seus olhares. E a primeira palavra que pronuncia ao dirigir-se a ela é: “MULHER”. Depois pergunta porque chora. Jesus continua, na sua nova forma de existência, vindo ao nosso encontro e quer saber quais são as causas de nossa tristeza. Ele é o consolador, é a nossa alegria, é a nossa vida!

Feliz Páscoa!

Feliz Páscoa!

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