06 maio, 2014

OS "RE-CASADOS" SÃO IGREJA (6)




Na minha experiência pessoal sempre me mostrei disponível, mas também o fiz porque o então Pároco de Monte Real, me chamou, me pediu que colaborasse em várias actividades da paróquia.
Isso, sem dúvida, fez-me sentir Igreja, fez-me sentir útil à Igreja, apesar da minha situação irregular, apesar de toda a minha vida passada.

Devemos lembrar-nos que quem vive estas situações, para além de estar emocionalmente ferido por causa do divórcio, (como vimos na primeira reflexão), é também muitas vezes confrontado com todos aqueles que de fora da Igreja a atacam, a criticam, por causa da Doutrina do Matrimónio.

Ora se estas pessoas só recebem críticas, indiferenças ou respostas negativas da Igreja, vão acabar por engrossar as críticas infundadas, porque não conhecedoras da realidade da Igreja, ou melhor, de como a Igreja devia acolher e amar estes verdadeiramente necessitados espirituais.

Ouvimos muitas vezes estas críticas servirem-se por exemplo do episódio da mulher adúltera a quem Jesus perdoa, para dizerem que a Igreja não faz o que Jesus fez.

Então, Jesus ergueu-se e perguntou-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?» Ela respondeu: «Ninguém, Senhor.» Disse-lhe Jesus: «Também Eu não te condeno.» Jo 8, 10-11
Então é preciso explicar-lhes, com o amor de Jesus, que se esqueceram de uma parte muito importante, e que é a parte final do discurso de Jesus: «Vai e de agora em diante não tornes a pecar.»

Porque a verdade é que há muita desconhecimento sobre a Palavra de Deus, sobre a Doutrina da Igreja, sobre aquilo que a Igreja realmente diz sobre estas situações, e por isso mesmo é preciso explicar com muita paciência e amor, não só àqueles que vivem estas situações mas também àqueles que vivem em Igreja e são a parte que deve acolher aqueles primeiros, e que só o poderá fazer bem, se souber bem o que a Igreja propõe.

E devemos fazê-lo sem tabus, sem reservas, mas com toda a franqueza, e aceitando as possíveis perguntas incómodas, o possível mal-estar, nunca deixando de responder com clareza fundamentada.

Recentemente propus ao Padre Armindo Ferreira, pároco da Marinha Grande, minha paróquia agora, a criação de um grupo de divorciados e re-casados, com o fim de os acolher, de os fazer sentir-se Igreja e também de os fazer perceber as suas especiais situações.

A ideia era de uma pequena palestra no início da reunião focando alguns aspectos específicos da situação dos divorciados e re-casados, de 10/15 minutos, seguida de um testemunho de alguém que esteja a viver essa situação, 10/15 minutos também. Seguir-se-ia um debate em que as pessoas poderiam colocar as suas dúvidas, as suas questões, as suas indignações, as suas revoltas, com toda a liberdade.
A reunião terminaria com adoração ao Santíssimo Sacramento, comunitária e participada.
O Padre Armindo aceitou de imediato a ideia e assim a primeira reunião teve lugar no mês de Fevereiro.

Foi uma muito boa reunião, em que as pessoas ao princípio “desconfiadas”, no correr do tempo se sentiram à vontade e partilharam as suas dúvidas e desacordos, tendo tido como muito bom que, vivendo alguns desses casais já a sua fé em Igreja dentro da Doutrina, puderam testemunhar isso mesmo, e assim, foi de dentro do próprio grupo que saíram algumas respostas.

Percebemos no entanto aquilo que atrás afirmei, ou seja, o muito desconhecimento, não só da Doutrina da Igreja, mas também do que é verdadeiramente seguir Jesus Cristo, ser Igreja.

Percebemos por exemplo que algumas pessoas vêem este estar na Igreja, este viver Jesus, como um quase “negócio”, ou seja, eu dou e Tu dás, dizendo coisas como: Eu fui tantos anos catequista e agora negam-me a comunhão? Os meus pais deram tanto para a Igreja e eu agora não tenho direito a comungar? Etc.

Antes da segunda reunião ter lugar, foi também tomada uma decisão, (pelo secretariado permanente da paróquia), que aqui desejo relatar.
Na Sexta Feira Santa a paróquia vai realizar uma Via Sacra pelas ruas da cidade.
As estações da Via Sacra foram distribuídas pelos diversos movimentos, obras e serviços da paróquia tendo proposto a esse grupo uma das estações o que foi prontamente aceite. Esta é sem dúvida uma boa maneira de fazer que estes nossos irmãos se sintam integrados, acolhidos na Igreja.

Regresso ao ponto do meu testemunho de atrás em que dizia que a minha mulher e eu vivemos cerca de oito anos e meio nesta situação.

A verdade é que todo esse caminho foi uma graça de Deus que nos ultrapassou, digamos assim. A comunhão espiritual em tantas eucaristias era de uma riqueza extraordinária, e dava-nos, deu-nos, uma consciência da comunhão eucarística, que posso afirmá-lo, julgo nunca teríamos se não tivéssemos passado por essa situação.
Era de tal modo intensa e verdadeira essa comunhão espiritual, que a decisão estava tomada, pois mesmo que a decisão do Tribunal Eclesiástico fosse contrária aos nossos desejos, nos manteríamos fiéis àquilo a que ambos nos tínhamos proposto.

Isto leva a pensar que aqueles que vivem estas situações em Igreja, aceitando o que a Igreja diz, serão as melhores testemunhas junto dos outros, porque não só podem falar do que é, mas sobretudo do que vivem, e um testemunho na primeira pessoa é normalmente um testemunho que toca.

Verdadeiramente, já o disse na primeira reflexão, não chegam os documentos, não chegam os pronunciamentos, (chamemos-lhe assim), da Igreja afirmando que os divorciados e re-casados são Igreja.
É preciso chamá-los, melhor do que isso, ir buscá-los, demonstrando-lhes na prática, não que a Igreja está com eles, mas sim que eles são Igreja, com alguma limitações, mas Igreja sem dúvida.

Para finalizar gostaria ainda de reflectir sobre todas estas notícias, entre aspas, que vêm constantemente na comunicação social, e às vezes até, de algumas pessoas na própria Igreja, quase afirmando que a Doutrina sobre o matrimónio vai mudar porque o Papa já o afirmou.

A verdade, julgo eu, é que o Papa nunca tal afirmou e assim estão-se a criar falsas expectativas que poderão ter um efeito muito doloroso, para não dizer mais, sobre aqueles que por tal mudança anseiam.

Claro que não devemos, eliminar radicalmente tais esperanças com radical negatividade, mas sim dirigi-las para um melhor entendimento da Doutrina da Igreja, para que cada um possa encontrar na sua própria situação o seu lugar como pedra viva da Igreja, no caminho de salvação que o Senhor Jesus Cristo a todos oferece.

O problema da família é hoje em dia algo que ultrapassa as fronteiras da Igreja, porque se torna hoje em dia num problema grave da sociedade.

Uma sociedade que não seja assente no valor da família é uma sociedade que tende a desagregar-se e até a morrer, porque como muito facilmente constatamos, por exemplo, a natalidade está a diminuir de modo tão drástico que já se começam a ouvir vozes pronunciadoras de gravíssimos problemas no futuro.

O divórcio é, quer queiramos quer não uma realidade dos nossos dias, mas a verdade é que após muitos divórcios também aparecem novas relações que constituem famílias estáveis e duradouras.

A essas famílias faltará o caminho para perceberam e viverem o amor de Deus, (que nunca lhes falta, porque a todos Deus ama), e faltará esse caminho se não formos capazes de dar respostas concretas em Igreja àqueles que a procuram a Igreja para nela sentirem e viverem esse amor infinito de Deus, que é, afinal, o elemento, (se me é permitido chamá-lo assim), indispensável a uma família, porque é o elemento unificador e santificador de cada membro da família e da própria família em si.


Joaquim Mexia Alves


Nota:
Final do texto da segunda intervenção da recoleção para sacerdotes, no Santuário de Fátima, que orientei no dia 7 de Abril passado, a convite do Senhor D. António Marto.


Série constante na faixa lateral deste blog, em:
"Pesquisa rápida" - "OS "RE-CASADOS" SÃO IGREJA "
 

A Igreja não é uma universidade da religião – o Papa em Santa Marta afirmou que a Igreja, sem testemunho, é estéril

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(RV) A Igreja não é uma universidade da religião – afirmou o Papa Francisco na Missa em Santa Marta na manhã desta terça-feira na qual deixou uma mensagem clara: a Igreja sem testemunho é estéril.
Na sua homilia o Santo Padre percorreu o caminho do martírio de Estevão, o primeiro mártir da Igreja. O primeiro de tantos testemunhos:

“Martírio é a tradução da palavra grega que também significa testemunho. E assim podemos dizer que para um cristão o caminho vai no rasto deste testemunho, sobre estas pegadas de Jesus para dar testemunho d’Ele e tantas vezes este testemunho acaba por dar a vida. Não se pode entender um cristão sem que seja testemunha e dê testemunho. Nós não somos uma religião de ideias, de pura teologia, de coisas belas, de mandamentos. Não, nós somos um povo que segue Jesus Cristo e dá testemunho de Jesus Cristo – e este testemunho às vezes chega a dar a vida.”
Assassinado Estevão, lê-se nos Atos dos Apóstolos, que eclodiu uma violenta perseguição contra a Igreja em Jerusalém. E desta forma – sublinhou o Papa – os cristãos dispersaram-se na região da Judeia e da Samaria. E estas pessoas aonde quer que chegavam davam testemunho de Jesus dando assim início à missão da Igreja – afirmou o Papa Francisco:

“O testemunho seja na vida quotidiana, seja com algumas dificuldades e, também seja na perseguição com a morte, sempre é fecunda. A Igreja é fecunda e mãe quando dá testemunho de Jesus Cristo. Ao invés, quando a Igreja se fecha em si própria, julga-se – digamos - uma universidade da religião, com tantas belas ideias, com tantos belos templos, com tantos belos museus, com tantas belas coisas, mas não dá testemunho, torna-se estéril. O cristão também. O cristão que não dá testemunho fica estéril, sem dar a vida que recebeu de Jesus Cristo.”
“E hoje pensando nestes dois ícones – Estevão que morre e a gente, os cristãos, que fogem, andando por todo o lado devido à violenta perseguição – perguntemo-nos: Como é o meu testemunho? Sou um cristão testemunha de Jesus ou sou um simples numerário desta seita? Sou fecundo porque dou testemunho, ou fico estéril porque não sou capaz de deixar que o Espírito Santo me leve para a frente na minha vocação cristã?” (RS)

05 maio, 2014

Papa Francisco em Santa Marta: os cristãos sejam livres de vaidade, de sede de poder e de dinheiro

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(RV) Os cristãos sejam livres de vaidade, sede de poder e dinheiro – esta a mensagem principal do Papa Francisco na missa em Santa Marta na manhã desta segunda-feira.
Partindo do texto do Evangelho da liturgia deste dia retirado do Evangelho de S. João, em que Jesus repreende as pessoas que o procuravam apenas porque se tinham saciado depois dos pães e dos peixes, o Papa Francisco convida-nos a perguntarmo-nos se seguimos Jesus por amor ou temos qualquer vantagem:

“Às vezes, nós fazemos coisas procurando mostrar-nos, procurando a vaidade. É perigosa a vaidade porque nos faz deslizar para o orgulho, a soberba e depois tudo acaba ali. E eu faço-me a pergunta: Eu, como sigo Jesus? As coisas boas que eu faço, faço-as sem mostrar ou gosto de me fazer ver?”

E o Santo Padre referiu-se em particular aos pastores da Igreja, porque um pastor que é vaidoso não faz bem à Igreja e muito menos os que têm sede de poder:

“ E na Igreja há trepadores! Há tantos, que batem à porta da Igreja para... Mas se gostas, vai para o Norte e faz alpinismo: é mais são! Mas não venhas para a Igreja trepar! E Jesus repreende estes trepadores que procuram o poder.”
“Aqueles que seguem Jesus pelo dinheiro e com o dinheiro, procuram aproveitar economicamente da paróquia, da diocese, da comunidade cristã, do hospital, do colégio... Esta tentação houve sempre desde o início e conhecemos tantos bons católicos, bons cristãos, amigos, benfeitores da Igreja, mesmo com honoroficiências várias... tantas! Que depois se descobriu que fizeram negócios um pouco escuros: eram verdadeiros negociadores e fizeram tanto dinheiro! Apresentavam-se como benfeitores da Igreja mas ganhavam tanto dinheiro e nem sempre dinheiro limpo.

O Papa concluiu a sua homilia pedindo ao Senhor nos dê a graça de vivermos sem vaidade, sem vontade de poder e de dinheiro. (RS)

04 maio, 2014

Papa Francisco - Meditações Matutinas






Palavra de Deus e Eucaristia enchem-nos de alegria: Papa ao meio-dia, na praça de São Pedro, sobre discípulos de Emaús. E reza pela Ucrânia e por vítimas no Afeganistão



(RV) Ao meio-dia, na Praça de São Pedro, na tradicional alocução antes da oração mariana deste tempo pascal, Papa Francisco, evocou com preocupação as tensões que se vivem na Ucrânia, convidando a confiar a Nossa Senhora esta grave situação:

“Rezo convosco pelas vítimas destes dias, pedindo que o Senhor infunda nos corações de todos sentimentos de pacificação e de fraternidade”.

Estendendo o seu olhar também ao Afeganistão, o Papa recordou os defuntos vítimas do enorme desabamento ocorrido há dias numa aldeia do país.

“Deus omnipotente, que conhece o nome de cada um deles, acolha todos na sua paz; e dê aos sobreviventes a força para prosseguirem, com o apoio de todos os que se esforçam por aliviar os seus sofrimentos”.
Relativamente ao Evangelho deste domingo, evocando o episódio dos dois discípulos desiludidos que recobram a fé e a esperança, observou o Papa:

“A estrada de Emaús torna-se assim símbolo do nosso caminho de fé: as Escrituras e a Eucaristia são os elementos indispensáveis para o encontro com o Senhor”.

Também nós muitas vezes chegamos à Missa dominical com as nossas preocupações, dificuldades e desilusões. E encontramos na liturgia da Palavra Jesus que nos explica as Escrituras e reacende nos nossos corações o calor da fé e da esperança. E na liturgia eucarística, Jesus doa-se a Si mesmo, Pão da vida eterna. “A Missa, presença viva de Jesus ressuscitado – uma presença que se exprime na Palavra e na Eucaristia (observou o Papa) – ilumina-nos e conduz-nos de nosso a Jerusalém, isto é, à comunidade dos irmãos e à comunidade dos homens, onde viver a partilhar e a missão”

“Há sempre uma Palavra de Deus que nos orienta depois dos nossos extravios. E através dos nossos cansaços e desilusões, há sempre um Pão partilhado que nos faz prosseguir no caminho” - concluiu.

No final, recordando a nonagésima Jornada nacional para a Universidade Católica do Sagrado Coração, tendo desta vez como tema “Com os jovens, protagonistas do futuro”, o Papa anunciou que em breve se deslocará, aqui em Roma, ao Policlínico “Gemelli”, da Universidade Católica, para visitar a Faculdade de Medicina e Cirurgia, que completa 50 anos de existência.

De entre as variadas saudações aos numerosos grupos presentes na Praça de São Pedro, de referir a Associação “Meter” que desde há quase 20 anos se dedica à luta contra toda e qualquer forma de abuso de menores, assim como aos participantes na Marcha para a Vida, que este ano assume um carácter internacional e ecuménico, encorajando uns e outros a prosseguirem a sua ação

Papa Francisco celebrou Missa na igreja romana dos Polacos, a uma semana da canonização de João Paulo II


(RV) "Pedro é o ponto firme de referência da comunidade porque está assente sobre a Rocha que é Cristo. Assim foi João Paulo II, verdadeira pedra ancorada à grande Rocha": palavras do Papa Francisco, na missa celebrada neste domingo de manhã na igreja de Santo Estanislau, ponto de agregação dos católicos polacos de Roma, bem no centro da Cidade.

Na homilia, o Papa começou por referir a primeira Leitura da Missa, dos Atos dos Apóstolos, em que Pedro anuncia com vigor a ressurreição de Jesus. E também na segunda Leitura, da Carta de São Pedro, o Apóstolo proclama com a mesma força o Senhor Ressuscitado.

“Pedro é o ponto firme de referência da comunidade porque está assente na Rocha que é Cristo. Assim foi João Paulo II, verdadeira pedra ancorada à grande Rocha”.

A uma semana da canonização e João XXIII e de João Paulo II – observou Papa Francisco – tem lugar esta celebração na igreja dos polacos de Roma para dar graças ao Senhor pelo dom do santo bispo de Roma, filho da vossa nação. A esta igreja ele veio mais de 80 vezes, em variados momentos da sua vida e da vida da Polónia – anotou o Papa Bergoglio.

“Nos momentos de tristeza e de abatimento, quanto tudo parecia perdido, ele não perdia a esperança, porque a sua fé e a sua esperança estavam fixas em Deus”.

E era assim que ele era pedra, rocha, para esta comunidade que aqui reza, que aqui escura a Palavra, prepara os Sacramentos e os administra, acolhe quem tem necessidade, canta e faz festa, e daqui reparte para as periferias de Roma…

“Vós, irmãos e irmãs, fazeis parte de um povo que foi muito provado na sua história. O povo polaco sabe bem que para entrar na glória é necessário passar através da paixão e da morte. São João Paulo II, como digno filho da sua pátria terrena, seguiu este caminho. Seguiu-o de modo exemplar, recebendo de Deus um despojamento total.”

Neste contexto, o Papa Francisco interpelou os fiéis presentes: “Estamos nós dispostos a seguir este caminho?”

A concluir, referindo especialmente o Evangelho dos discípulos de Emaús, o Santo Padre fez notar que, como eles, nós “somos viandantes, mas não errantes”. À ida, também eles eram ainda errantes, mas ao regressar a Jerusalém, depois de terem encontrado o Viandante Ressuscitado, tinham-se tornado testemunhas da esperança que é Cristo…

“Também nós podemos tornar-nos viandantes ressuscitados, se a sua Palavra aquecer o nosso coração e a sua Eucaristia nos abrir os olhos da fé e nos alimentar a esperança e a caridade… Que São João Paulo II nos ajude a sermos viandantes ressuscitados…"

03 maio, 2014

Permanecer, caminhar, alegrar-se: palavras de ordem do Papa Francisco à AC Italiana

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(RV) Três verbos como orientação no caminho da vida: permanecer, caminhar, alegrar-se. Esta a proposta feita hoje pelo Papa Francisco a milhares de membros da Ação Católica Italiana, num efusivo encontro neste sábado, no Vaticano, na conclusão da 15.a Assembleia nacional que decorreu desde 30 de abril, tendo como tema “Pessoas novas em Cristo Jesus, corresponsáveis da alegria de viver”.
Primeiro verbo proposto pelo Papa: permanecer. “Convido-vos a permanecer com Jesus, a gozar da sua companhia. Para serdes anunciadores e testemunhas de Cristo, ocorre antes de mais permanecerdes perto d’Ele”.
Segundo verbo: caminhar. “Caminhar pelos caminhos das vossas cidades e aldeias e anunciar que Deus é Pai”. Encontrar o homem onde quer que se encontre, ali onde ele sofre e espera, escutando as suas verdadeiras interrogações, os desejos do seu coração.
Finalmente, alegrar-se, rejubilar. “Exultar sempre no Senhor! Ser pessoas que cantam a vida, que cantam a fé, pessoas capazes de reconhecer os próprios talentos e os limites, e de ver, mesmo nos dias mais sombrios, os sinais da presença do Senhor”.
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A meio da manhã, o Santo Padre tinha recebido os Bispos do Sri Lanka, vindos a Roma para a visita “ad limina apostolorum”. No discurso que lhes entregou, o Papa Francisco sublinha nomeadamente, como fundamentais na missão da Igreja no país, o anúncio do Evangelho, o contributo para a reconciliação e reconstrução nacional, a ação caritativa, o diálogo inter-religioso e ecuménico, assim como o acompanhamento a assegurar aos padres, às pessoas consagradas e aos leigos mais empenhados no apostolado, sem esquecer a pastoral da família.
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Na Zâmbia, na catedral de Monze, neste sábado à tarde, recebe a ordenação episcopal o padre Moses Hamungole, até agora responsável do Programa Inglês para a África, da nossa Emissora. Participa o nosso responsável, Padre Bernardo Suate, que ilustrará a seu tempo, para os nossos ouvintes, este acontecimento.
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“Não tenhas medo, abre de par em par as portas a Cristo.” – esta a mensagem tweet hoje enviada pelo Papa aos seguidores da sua conta @Pontifex.

02 maio, 2014

OS "RE-CASADOS" SÃO IGREJA (5)

 
 
 
 Também a linguagem se torna fonte de revolta, indignação, quando utilizamos a despropósito palavras como pecado e condenação.
Com isto não quero dizer que o pecado não existe, e que as pessoas nessas situações, à luz da Doutrina da Igreja, não vivem em pecado, mas há muitas formas de o dizer, de o explicar, para que percebam o que a Igreja lhes diz.

Mas pior ainda se a palavra pecado vem acompanhada de alguma palavra que refere condenação, ou seja, qualquer coisa como: “Se continuares a viver assim estás condenado”.
Isto é terrível, e se nos colocarmos na situação de quem ouve algo parecido podemos perceber como a relação com a Igreja termina nesse momento e como dificilmente voltará a surgir.

Não pensemos que isto não acontece, que estou a exagerar, porque já aconteceu comigo.
Um dia, em que estávamos, (minha mulher e eu, casados civilmente por não podermos então celebrar o Matrimónio na Igreja), numa assembleia do Renovamento Carismático em Fátima, ela sentiu uma grande necessidade de se confessar.
Disse-lhe para não o fazer ali, com um sacerdote desconhecido, mas para aguardar para conversar com algum dos sacerdotes que nos conheciam e conheciam a nossa situação conjugal.
Ela no entanto achou que não havia problema e lá foi à procura de um sacerdote para se confessar.
Voltou passado pouco tempo, lavada em lágrimas, porque tendo encontrado um sacerdote, tendo-lhe explicado rapidamente a situação e pretendendo confessar-se, levou como resposta que vivia em pecado, que não podia confessar-se, e que se não se arrependesse e mudasse de vida, estaria condenada, tudo isto dito de forma abrupta e rude.
O efeito no momento foi devastador, sobretudo para ela. Demorou algum tempo a fazê-la perceber que o que aquele sacerdote tinha dito era uma enormidade e que não era assim que a Igreja pensava e agia.
Valeu-nos, obviamente, a nossa intensa vivência da fé e os sacerdotes nossos amigos para ultrapassarmos essa situação.

Mas se fossem outras pessoas na mesma situação, e não tivessem o apoio que nós tínhamos, nem a vivência tão intensa da fé que nós vivíamos, essa seria uma resposta adequada?
Claro que não, porque não deixando de ser verdadeira quanto à Doutrina, é terrivelmente dura, e sem dúvida afasta quem quer que seja, que se queira aproximar da Igreja.
Há muitos modos de explicar porque é que uma pessoa nessas circunstâncias não se pode confessar, e esta maneira não é seguramente a indicada.

A melhor resposta a dar, seria sem dúvida disponibilizar-se para ouvir a pessoa, explicar-lhe com amor e paciência porque não pode uma pessoa nesta situação receber a absolvição, mas ter a conversa necessária, deixando a pessoa desabafar, aconselhando, aliás como Bento XVI aconselha na Sacramentum Caritatis: «um diálogo franco com um sacerdote ou um mestre de vida espiritual»

O mesmo vale para a resposta a dar quando é perguntado porque não podem as pessoas nessas situações, receber a comunhão eucarística.

Mas não se julgue que apenas os sacerdotes, (alguns, claro, e sem dúvida sem qualquer intenção de magoar, mas por falta de discernimento no momento), têm atitudes destas para com estes irmãos que vivem re-casados.
Uma outra vez, numa celebração em Igreja, uma senhora veio ter connosco e disse-nos cara a cara, em frente da muita gente que ali estava, que sabia muito bem que nós não eramos casados pela Igreja e que por isso não tínhamos nada que ali estar.

Ora isto tem que levar-nos forçosamente a pensar, que tem de existir toda uma formação para os leigos, para que entendam a verdadeira situação destes irmãos re-casados e saibam também acolhê-los em Igreja, para que se sintam amados e não colocados de lado.
Lembro-me bem de alguns muitos olhares que recebia nos primeiros tempos de regresso a Deus e à Igreja, olhares do tipo: O que está este aqui a fazer? Este não tem lugar aqui!
E obviamente esses olhares doíam, sobretudo pela incompreensão das pessoas perceberem que é sempre tempo para regressar a Deus e à Igreja, regresso esse em que quem o faz tem necessidade de ser acolhido, de ser aceite, de se sentir amado em Igreja, porque esse amor é, podemos dizê-lo, o amor palpável de Deus.

A verdade, é que a mágoa, a dor que acontece pela falta da comunhão eucarística, pela impossibilidade de comungar na Eucaristia o Corpo e Sangue do Senhor, seria muito aliviada se as pessoas se sentissem acolhidas e amadas em Igreja, entendendo esta Igreja nas pessoas que a formam, ou seja, sacerdotes e leigos.

Precisamente por isso, não basta explicar doutrinalmente, (digamos assim), o porquê da impossibilidade da Confissão e da Comunhão, mas avançar com todo o amor para introduzir estas pessoas na realidade da sua situação em Igreja, fazendo-as sentir-se Igreja, isto é, dentro de tudo o que lhes é possível pela Doutrina, chamá-las a serviços na Igreja, no coro da paróquia, por exemplo, nas obras de beneficência, na organização das festas religiosas, nos conselhos económicos, etc., enfim na vida comunitária da Igreja.

Obviamente, podemos reflectir aqui se as pessoas nestas situações estarão disponíveis para esta colaboração em Igreja, mas a verdade é que se não lhes apontarmos esses possíveis caminhos, também elas por falta de informação se podem colocar de lado por terem receio que ao oferecer-se, ouçam um não como resposta.


(continua)
Joaquim Mexia Alves


Nota:
Continuação do texto da segunda intervenção da recoleção para sacerdotes, no Santuário de Fátima, que orientei no dia 7 de Abril passado, a convite do Senhor D. António Marto.
O texto é, obviamente, algo extenso, pelo que o publicarei aqui em diversas partes.

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Choro pelos cristãos crucificados, ainda há quem mate em nome de Deus – o Papa em Santa Marta


(RV) No centro da homilia desta sexta-feira na Missa celebrada pelo Santo Padre na Capela da Casa de Santa Marta, esteve o Evangelho da multiplicação dos pães e dos peixes e a leitura dos Atos dos Apóstolos em que os discípulos de Jesus são flagelados por ordem do Sinédrio.
O Papa Francisco desenvolveu a sua meditação utilizando três imagens figurativas, três ícones para descrever a Palavra de Deus neste dia: o primeiro é o amor de Jesus pela gente, a sua atenção aos problemas, o seu acompanhamento manso e humilde; um segundo ícone em que o Santo Padre coloca em relevo os ciúmes das autoridades religiosas da época que não toleravam Jesus e que se deixavam dominar pela inveja; num terceiro ícone o Papa coloca a alegria do testemunho dos que foram flagelados.
Neste particular o Santo Padre revelou ter chorado quando viu nos orgãos de comunicação social a notícia de cristãos que foram crucificados em certos países não cristãos. Também hoje – sublinhou o Papa – há tanta gente que em nome de Deus mata e persegue. E hoje em dia, ainda vemos tantos que, como os apóstolos se sentem felizes por serem ultrajados em nome de Jesus, colocando assim em ação o terceiro ícone da alegria do testemunho.
No final da homilia, o Papa Francisco recordou as três imagens retiradas da Palavra de Deus nesta sexta-feira para a reflexão pessoal de cada um de nós:

“Primeiro ícone: Jesus com a gente, o amor, o caminho que Ele nos ensinou, no qual devemos andar. Segundo ícone: a hipocrisia destes dirigentes religiosos, que tinham aprisionado o povo com todos estes mandamentos, com esta legalidade fria, dura e que pagaram para esconderem a verdade. Terceiro ícone: a alegria dos mártires cristãos, a alegria de tantos irmãos e irmãs nossos que na história sentiram esta alegria, este agrado de serem julgados dignos de suportarem ultrajes em nome de Jesus. E hoje há tantos! Pensai que em alguns países, apenas por levar o Evangelho, vais para a prisão. Tu não podes levar uma cruz: fazem-te pagar uma multa. Mas o coração está feliz. Os três ícones: olhemo-los, hoje. É parte da nossa história da salvação.” (RS)