05 janeiro, 2014

Assembleia Aniversária do RCC da diocese de Lisboa


ASS. Aniversárioa RCC LIsboa - 05.JAN.14

FESTA DO 39.º ANIVERSÁRIO

TEMA

«Vigiai! Sede firmes nas fé! Sede homens! Sede fortes! Tudo o que fazes, fazei-o na caridade» 
(1 Cor 16, 13-14)


Assistente Nacional do RCC
Pe. José Vieira Magalhães


EVOCAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO




ACLAMAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS




ENSINAMENTO
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 HOMILIA

D. Joaquim Mendes




REPORTAGEM FOTOGRÁFICA

Adoração Santíssimo

Acesso às imgens » 

Papa anuncia a sua peregrinação à Terra Santa de 24 a 26 de maio e pede orações

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(RV) A 5 de janeiro de 1964, há precisamente 50 anos, o Papa Paulo VI encontrava-se como peregrino na Terra Santa e encontrava-se com o Patriarca de Constantinopla Atenágoras. Recordando-o ao meio-dia, após a oração do Angelus dominical, na Praça de São Pedro, o Papa Francisco anunciou – “no clima de alegria típico deste tempo natalício” – que será de 24 a 26 de maio que, “se Deus quiser”, terá lugar a sua “peregrinação à Terra Santa”, tendo como “objectivo principal” comemorar o histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras.
Três as etapas desta sua viagem, que começará da Jordânia para se concluir em Jerusalém, passando pelos Territórios Palestinianos: “Amã, Belém e Jerusalém”.
O Santo Padre anunciou que junto do Santo Sepulcro haverá um encontro ecuménico com os representantes das Igrejas cristãs de Jerusalém, juntamente com o Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla. E pediu a todos orações por esta peregrinação.

O Papa Francisco referiu também as muitíssimas mensagens de boas festas recebidas de todas as partes do mundo por ocasião do Natal e do Ano Novo. Impossível responder a todos e cada um. Agradeceu, portanto, “de todo o coração” a todos: “crianças, jovens, idosos, famílias, comunidades paroquiais e religiosas, associações, movimentos e diferentes grupos que lhe quiseram manifestar afecto e proximidade”. A todos, como sempre, pediu que continuem a rezar pelo seu serviço à Igreja.

Na alocução antes das Ave Marias, o Papa comentou um versículo do Evangelho deste domingo, do Prólogo do Evangelho segundo São João, que condensa em poucas palavras o mais profundo significado do Natal de Jesus: “O Verbo fez-se carne e veio a habitar no meio de nós”.
“Nestas palavras, que sempre nos maravilham, está todo o cristianismo! Deus fez-se mortal, frágil como nós, partilhou a nossa condição humana, excepto o pecado (mas tomou sobre si os nossos pecados, como se fossem seus), entrou na nossa história, tornou-se plenamente Deus-connosco… Jesus é Deus connosco.”
É esta a razão “do entusiasmo e da esperança de nós cristãos” que, “na nossa fragilidade, sabemos que somos amados, visitados, acompanhados por Deus”. E “encaramos o mundo e a história como o lugar por onde caminhar juntamente com Ele e entre nós, em direcção aos novos céus e à terra nova”.
“Com o nascimento de Jesus não só nasceu um mundo novo, mas também um mundo que pode ser sempre renovado. Deus está sempre presente a suscitar homens novos, a purificar o mundo do pecado que o envelhece, que o corrompe”.
Esta proximidade de Deus ao homem, a toda e qualquer pessoa, é um dom que sempre se mantém . É este anúncio do Natal, a luz do Natal – proclamou o Papa com vigor, sublinhando que há também “um aspecto ligado à liberdade humana, à liberdade de cada um de nós”. O Verbo de Deus monta a sua tenda no meio de nós, pecadores necessitados de misericórdia. Mas nós muitas vezes recusamo-lo, preferimos permanecer nos nossos erros e na angústia dos nossos pecados.
“Mas Jesus não desiste e não deixa de ser oferecer a si mesmo e a sua graça que nos salva”.
Esta a mensagem da salvação, antigo e sempre nova, que estamos chamados a testemunhar com alegria – concluiu o Papa. É a “mensagem do Evangelho da vida e da luz, da esperança e do amor”.
 

04 janeiro, 2014

Há 50 anos, Paulo VI peregrino na Terra Santa e histórico abraço ao Patriarca Atenágoras


(RV) De 4 a 6 de Janeiro de 1964, faz agora 50 anos, o Papa Paulo VI realizava a sua peregrinação à Terra Santa. Era a primeira vez que um Sucessor de Pedro voltava à Terra de Jesus. Esta deslocação constituiu também a primeira Viagem Apostólica internacional de um Pontífice na era contemporânea. Testemunha pessoal deste histórico acontecimento é o actual Bispo auxiliar de Jerusalém, Dom William Shomali, então jovem seminarista:

“Lembro-me muito bem. Era uma manhã muito fria, quando Papa Montini chegou a Belém para celebrar a Missa na Gruta da Natividade. Eu ainda era seminarista e tinha 14 anos. Nós aguardamos Paulo VI na Praça da Natividade, por cerca de uma hora e meia. Era grande a expectativa e estávamos ansiosos de ver o Sucessor de Pedro, que visitava pela primeira vez a Terra de Jesus. Foi um acontecimento extraordinário. Depois, li com calma os seus discursos e notei que, realmente, eram muito profundos, sobretudo aquele que pronunciou em Nazaré sobre a família, que ainda é muito actual. A intenção de Papa Montini era simplesmente fazer uma peregrinação à Terra Santa. Mas a visita abriu os horizontes de uma nova era na Igreja”.

A peregrinação de Paulo VI teve um forte cunho ecuménico sobretudo graças ao encontro que teve com o Patriarca Atenágoras I. Também este um encontro histórico…
“É verdade. De facto, a sua peregrinação assumiu especial dimensão e importância com o abraço ao Patriarca Atenágoras, sobretudo no momento em que, juntos, rezaram a oração do Pai Nosso no Monte das Oliveiras. Na verdade, o encontro com Paulo VI foi uma iniciativa ecuménica, que partiu do próprio Atenágoras”.

Atenágoras I foi Patriarca de Constantinopla ao longo de 24 anos (de 1948 a1972). O seu encontro com o Paulo VI, em Jerusalém, foi significativo pela anulação das excomunhões do Grande Cisma do Oriente de 1054. Foi um passo importante para a restauração das boas relações e de um apreciável grau de comunhão entre a Igreja de Roma e o Patriarcado de Constantinopla. Naquela ocasião, o Papa Montini e o Patriarca Atenágoras assinaram uma importante declaração conjunta de comum empenho ecuménico em direcção à plena comunhão.
Nestes dias encontra-se em Jerusalém um delegação internacional da Comunidade de Santo Egídio, para evocar a peregrinação de Paulo VI e nomeadamente o seu encontro com o Patriarca Ortodoxo. Haverá encontros com os chefes das Igrejas cristãs, com representantes do Grande Rabinato e do Islão e de diversas realidades religiosas da Cidade Santa, para revoar o espírito de fraternidade e diálogo da peregrinação de há 50 anos atrás, aguardando a visita que o Papa Francisco fará em breve.

Foto 1: Actual Patriarca de Constantinopla Bartolomeu I

Foto 2: Missa celebrada por Paulo VI em Jerusalém

"Despertai o mundo! Testemunhai um modo diferente de viver" - Papa Francisco aos Religiosos (segundo "La Civiltà Cattolica")


(RV) O Papa Francisco apela a um maior cuidado na formação de novos religiosos e elogia o esforço de Bento XVI no combate aos casos de abusos sexuais, segundo informa a revista dos jesuítas italianos ‘La Civiltà Cattolica’, no número que acaba de ser publicado.
O Papa falava, em 29 de Novembro passado, a cerca de 120 responsáveis religiosos, por ocasião da 82ª assembleia geral da União dos Superiores Gerais (USG), que teve lugar no Vaticano. Participou no encontro o director de “La Civiltà Cattolica”, António Spadaro, que gravou as declarações papais, delas apresentando agora em exclusivo uma longa reportagem (15 páginas) das três horas de colóquio com o Papa, em que este foi comentando perguntas e questões que lhe foram sendo postas. O Papa passa em revista os desafios que se colocam hoje à Vida Consagrada e à Igreja Católica, no seu todo.
Como se afirma na revista, o texto preparado por Padre Spadaro foi submetido ao Papa, que a considerou fidedigno, aprovando a sua publicação.
“A Igreja deve ser atraente – observou o Papa dirigindo-se aos Religiosos. Despertai o mundo! Sede testemunhas de um diferente de fazer, de agir, de viver”, exortou. A vida religiosa – advertiu - não pode ser vista como um “refúgio e consolação perante um mundo exterior difícil e complexo”. O Papa falou da hipocrisia como um dos “mais terríveis males” na Igreja e considerou que os problemas se resolvem com “diálogo” e não “proibindo isto ou aquilo”.
“Se um jovem foi convidado a sair de um instituto religioso por causa de problemas de formação e motivos sérios, mas depois é aceite num seminário, isso é um grande problema”, alertou o Papa, no referido encontro, declarando que o caminho seguido por Bento XVI face aos casos de abusos deve “servir de exemplo para ter a coragem de assumir a formação pessoal como um desafio sério, tendo sempre em mente o Povo de Deus”. “Não devemos formar administradores, gestores, mas pais, irmãos, companheiros de caminho”, observou.
O Papa pediu que os religiosos formem “o coração” e estejam atentos à linguagem dos jovens de hoje, “numa mudança de época”. “Caso contrário, formamos pequenos monstros e depois esses monstrozinhos formam o Povo de Deus. Vêm-me arrepios só a pensar nisso”, disse.

03 janeiro, 2014

O Evangelho anuncia-se com doçura, fraternidade e amor e não com pancadas inquisidoras – Papa Francisco na Missa na “Igreja de Jesus” em Roma

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(RV) O Papa Francisco deslocou-se nesta sexta-feira de manhã à igreja de Jesus, (‘Chiesa del Gesù’), no centro de Roma, local especialmente caro aos membros da Companhia de Jesus, por ser dedicado ao Santíssimo Nome de Jesus, que se celebra neste dia 3 de janeiro, e por conservar o corpo de Santo Inácio de Loiola, fundador dos jesuítas.
Foi ali que o Santo Padre, primeiro Papa jesuíta na história, presidiu a uma missa de “ação de graças” pela canonização de Pedro Fabro (1506-1546), sacerdote da Companhia de Jesus e um dos primeiros companheiros de Santo Inácio. Concelebraram com o Papa Francisco o Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o Cardeal Agostino Vallini, Vigário para a Diocese de Roma, e D. Yves Boivineau, bispo de Annecy (França), onde nasceu São Pedro Fabro. Participaram também cerca de 350 jesuítas presentes em Roma.
Na sua homilia, o Papa Francisco recordou aos membros da Companhia de Jesus que "cada um de nós, jesuítas" está chamado a seguir Jesus que se "esvaziou":

“Somos chamados a este rebaixamento: sermos esvaziados. Ser homens que não vivem centrados em si próprios porque o centro da Companhia de Jesus é Cristo e a sua Igreja. E Deus é o ‘Deus semper maior’, o Deus que nos surpreende sempre. E se o Deus das surpresas não é o centro, a Companhia desorienta-se. Por isto, ser jesuita significa ser uma pessoa de pensamento incompleto, de pensamento aberto: porque pensa sempre olhando o horizonte que é a glória de Deus sempre maior, que nos surpreende sem descanso. E esta é a inquietude da nossa voragem. Aquela bela e santa inquietude.”

Mas inquietos até que ponto? – perguntou o Santo Padre que de imediato disse ser a inquietude a paz do coração do jesuíta, uma inquietude que é também apostólica e sem ela o jesuíta é estéril. E foi com estas palavras que o Papa Francisco recordou Pedro Fabro “homem de grandes desejos” “espírito inquieto, indeciso, nunca satisfeito” e lançou algumas questões à assembleia que o escutava:

“Temos tambem nós grandes visões e impulsos? Somos também nós audazes? O nosso sonho voa alto? O zelo devora-nos? Ou somos mediocres e contentamo-nos das nossas programações apostólicas de laboratório? Recordemo-lo sempre: a força da Igreja não habita em si mesma e na sua capacidade organizativa, mas esconde-se nas águas profundas de Deus.”
O Papa Francisco recordou ainda Pedro Fabro como alguém que deu toda a sua vida para ter familiaridade com Deus, para ter um coração transplantado naquele de Jesus. E com estes sentimentos – continuou o Santo Padre – Pedro Fabro foi o autor de diálogo na Europa, dividida pela Reforma de Lutero, com a arma cristã da doçura. E o Papa Francisco concluiu a sua homilia afirmando as características fundamentais do anúncio do Evangelho:

“Penso nas tentações, que talvez nós possamos ter e que outros têm, de ligar ao anúncio do Evangelho pancadas inquisidoras de condenação. Não, o Evangelho anuncia-se com doçura, com fraternidade, com amor!” (RS)

01 janeiro, 2014

O Espírito Santo que fecundou o seio da Virgem Maria é a força que anima todos os construtores da paz - Papa ao meio-dia, na Praça de São, no Dia Mundial da Paz


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(RV) “Caros irmãos e irmãs, no início do novo ano a todos dirijo os mais cordiais votos de paz e de todos os bens”. A todos faço votos de um ano de paz, na graça do Senhor e com a protecção materna de Maria.”

 
Estes os votos de Ano Novo do Papa Francisco, ao meio-dia deste primeiro de janeiro, solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e também quadragésimo sétimo Dia Mundial da Paz, tendo desta vez como tema - Fraternidade, fundamento e caminho para a paz. Dirigindo-se à imensa multidão congregada na Praça de São Pedro, para a tradicional oração do Angelus, o Papa começou por observar que os seus votos de bom ano são os votos da Igreja, votos cristãos, não ligadas a um sentido um tanto mágico e fatalista de um novo ciclo que agora inicia… 


“Nós sabemos que a história tem um centro: Jesus Cristo, encarnado, morto e ressuscitado; tem um fim: o Reino de Deus, Reino de paz, de justiça, de liberdade, de amor; e tem uma força que o a move em direcção àquele fim: o Espírito Santo.
Este Espírito é a potência de amor que fecundou o ventre da Virgem maria . E é o mesmo que anima os projectos e as obras de todos os construtores de paz. Duas estradas se entrecruzam hoje – a festa de Maria Santíssima Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz. "

 
O Papa recordou o tema deste Dia Mundial da Paz – “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz” – e a mensagem a todos dirigida a esse propósito.


“Na base está a convicção de que somos todos filhos do único Pai celeste, fazemos parte da mesma família humana e partilhamos um destino comum”.

 
Daqui deriva para cada um a responsabilidade de actuar para que o mundo se torne uma comunidade de irmãos que se respeitam, se aceitam na sua diversidade e cuidam uns dos outros.


“Somos também chamados a darmo-nos conta das violências e das injustiças presentes em tantas partes do mundo e que não nos podem deixar indiferentes e imóveis: é necessário o empenho de todos para construir uma sociedade verdadeiramente mais justa e solidária”.

 
O Santo Padre fez votos de que todos os crentes peçam ao Senhor o dom da paz.
 

“Neste primeiro dia do ano, que o Senhor nos ajude a encaminharmo-nos mais decididamente pelos caminhos da justiça e da paz; que o Espírito Santo actue nos corações, desfaça a rigidez e durezas e nos conceda a graça de nos enternecermos diante da fragilidade do Menino Jesus. A paz, de facto, exige a força da doçura, a força não violenta da verdade e do amor”.
 
Depois das Ave marias, o Papa agradeceu publicamente ao Presidente da República italiana pelos votos que lhe dirigira na véspera, na sua Mensagem à nação. E invocou “a bênção do Senhor sobre o povo italiano, para que, com o contributo responsável e solidário de todos, possa encarar o futuro com confiança e esperança”.

O nosso caminho de fé é ligado ao de Maria, "Mãe de Deus" e nossa Mãe: Papa Francisco na Missa, em São Pedro


(RV) A iniciar o novo ano, a Igreja latina celebra desde tempos imemorais a grande solenidade de Santa Maria Mãe de Deus. Seguindo a tradição, o Papa Francisco preside, na basílica de São Pedro, à celebração eucarística, a partir das 10 horas, que pode ser seguida em directo, neste site, também com comentários em português. A missa é com celebrada por grande número de padres e um certo número de bispos e cardeais presentes em Roma.
Este primeiro de Janeiro é também o quadragésimo sétimo Dia Mundial da Paz, instituído pelo Papa Paulo VI. Tema proposto desta vez: Fraternidade, fundamento e caminho para a paz.

A homilia da Missa foi toda ela centrada na figura de Maria, Mãe de Deus, partindo das leituras proclamadas, a começar pela primeira, do Livro dos Números, com a bênção que Deus sugerira a Moisés, para que fosse invocada sobre todo o povo. “É significativo ouvir estas palavras de bênção no início de um novo ano - observou o Papa:

“São palavras que dão força, coragem e esperança; não uma esperança ilusória, assente em frágeis promessas humanas, nem uma esperança ingénua que imagina melhor o futuro, simplesmente porque é futuro.”

É uma esperança que tem a sua razão de ser precisamente na bênção de Deus; uma bênção que contém… os votos da Igreja para cada um de nós, repletos da protecção amorosa do Senhor, da sua ajuda providente.
Ora – prosseguiu Papa Francisco – os votos contidos nesta bênção realizaram-se plenamente numa mulher, Maria, enquanto destinada a tornar-Se a Mãe de Deus, e realizaram-se n’Ela antes de qualquer outra criatura.

“Mãe de Deus! Este é o título principal e essencial de Nossa Senhora. Trata-se duma qualidade, duma função que a fé do povo cristão, na sua terna e genuína devoção à Mãe celeste, desde sempre Lhe reconheceu.”

Papa Francisco evocou, a este propósito, aquele momento importante da história da Igreja Antiga que foi o Concílio de Éfeso, no qual se definiu com autoridade a maternidade divina da Virgem. Esta verdade da maternidade divina de Maria – recordou – ecoou em Roma, onde, pouco depois, se construiu a Basílica de Santa Maria Maior, o primeiro santuário mariano de Roma e de todo o Ocidente, no qual se venera a imagem da Mãe de Deus – a Theotokos – sob o título de Salus populi romani. Diz-se que os habitantes de Éfeso, durante o Concílio, se teriam congregado aos lados da porta da basílica onde estavam reunidos os Bispos e gritavam: «Mãe de Deus!» Os fiéis, pedindo que se definisse oficialmente este título de Nossa Senhora, demonstravam reconhecer a sua maternidade divina.
“É a atitude espontânea e sincera dos filhos, que conhecem bem a sua Mãe, porque A amam com imensa ternura.”

Mas é também o exercício do “sensus fidei” unânime do santo e fiel povo de Deus, que , na unidade, nunca se engana – acrescentou o Papa, logo prosseguindo:

“Desde sempre Maria está presente no coração, na devoção e sobretudo no caminho de fé do povo cristão.”

O nosso itinerário de fé é igual ao de Maria; por isso, A sentimos particularmente próxima de nós! – sublinhou o Papa. O nosso caminho de fé está indissoluvelmente ligado a Maria, desde o momento em que Jesus, quando estava para morrer na cruz, no-La deu como Mãe, dizendo: «Eis a tua mãe!»

“Estas palavras têm o valor dum testamento, e dão ao mundo uma Mãe. Desde então, a Mãe de Deus tornou-Se também nossa Mãe! Na hora em que a fé dos discípulos se ia quebrantando com tantas dificuldades e incertezas, Jesus confiava-lhes Aquela que fora a primeira a acreditar e cuja fé não desfaleceria jamais.
E a «mulher» torna-Se nossa Mãe, no momento em que perde o Filho divino. O seu coração ferido dilata-se para dar espaço a todos os homens, bons e maus; e ama-os como os amava Jesus.”

A Mãe do Redentor caminha diante de nós e sempre nos confirma na fé, na vocação e na missão. Com o seu exemplo de humildade e disponibilidade à vontade de Deus, ajuda-nos a traduzir a nossa fé num anúncio, jubiloso e sem fronteiras, do Evangelho – observou ainda o Papa Francisco, quase a concluir.

“A Ela confiamos o nosso itinerário de fé, os desejos do nosso coração, as nossas necessidades, as carências do mundo inteiro, especialmente a sua fome e sede de justiça e de paz; e invocamo-La todos juntos: Santa Mãe de Deus! Santa Mãe de Deus! Santa Mãe de Deus!”


Como habitualmente nestas celebrações papais, usaram-se diferentes línguas nas leituras e na oração dos fiéis:
- um jovem chinês rezou pela paz entre os povos e nações, invocando Jesus, Príncipe da paz, para que se vençam todas as divisões, ódios e rancores;
- uma mãe de família rezou, em espanhol, pelas mulheres e por todas as mães, chamadas a gerar, defender e promover a vida;
- em árabe, recordou-se o ano novo, para que Jesus eduque todos a viver activamente na história, sempre orientados para a Vida eterna;
- finalmente, em português, rezou-se por toda a assembleia presente…

Eis o texto integral da homilia:

Amados Irmãos e Irmãs,
A primeira leitura propôs-nos a antiga súplica de bênção que Deus sugerira a Moisés, para que a ensinasse a Aarão e seus filhos: «O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz» (Nm 6, 24-26). É muito significativo ouvir estas palavras de bênção no início dum novo ano: acompanharão o nosso caminho neste tempo que se abre diante de nós. São palavras que dão força, coragem e esperança; não uma esperança ilusória, assente em frágeis promessas humanas, nem uma esperança ingénua que imagina melhor o futuro, simplesmente porque é futuro. Esta esperança tem a sua razão de ser precisamente na bênção de Deus; uma bênção que contém os votos maiores, os votos da Igreja para cada um de nós, repletos da protecção amorosa do Senhor, da sua ajuda providente.

Os votos contidos nesta bênção realizaram-se plenamente numa mulher, Maria, enquanto destinada a tornar-Se a Mãe de Deus, e realizaram-se n’Ela antes de qualquer outra criatura.

Mãe de Deus! Este é o título principal e essencial de Nossa Senhora. Trata-se duma qualidade, duma função que a fé do povo cristão, na sua terna e genuína devoção à Mãe celeste, desde sempre Lhe reconheceu.
Lembremos aquele momento importante da história da Igreja Antiga que foi o Concílio de Éfeso, no qual se definiu com autoridade a maternidade divina da Virgem. Esta verdade da maternidade divina de Maria ecoou em Roma, onde, pouco depois, se construiu a Basílica de Santa Maria Maior, o primeiro santuário mariano de Roma e de todo o Ocidente, no qual se venera a imagem da Mãe de Deus – a Theotokos – sob o título de Salus populi romani. Diz-se que os habitantes de Éfeso, durante o Concílio, se teriam congregado aos lados da porta da basílica onde estavam reunidos os Bispos e gritavam: «Mãe de Deus!» Os fiéis, pedindo que se definisse oficialmente este título de Nossa Senhora, demonstravam reconhecer a sua maternidade divina. É a atitude espontânea e sincera dos filhos, que conhecem bem a sua Mãe, porque A amam com imensa ternura. Mais ainda: é o sensus fidei do santo fiel Povo de Deus, que nunca - na sua unidade - nunca se engana.
Desde sempre Maria está presente no coração, na devoção e sobretudo no caminho de fé do povo cristão. «A Igreja caminha no tempo (...). Mas, nesta caminhada, a Igreja procede seguindo as pegadas do itinerário percorrido pela Virgem Maria» (JOÃO PAULO II, Enc. Redemptoris Mater, 2). O nosso itinerário de fé é igual ao de Maria; por isso, A sentimos particularmente próxima de nós! No que diz respeito à fé, que é o fulcro da vida cristã, a Mãe de Deus partilhou a nossa condição, teve de caminhar pelas mesmas estradas, às vezes difíceis e obscuras, trilhadas por nós, teve de avançar pelo «caminho da fé» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. Lumen gentium, 58).
O nosso caminho de fé está indissoluvelmente ligado a Maria, desde o momento em que Jesus, quando estava para morrer na cruz, no-La deu como Mãe, dizendo: «Eis a tua mãe!» (Jo 19, 27). Estas palavras têm o valor dum testamento, e dão ao mundo uma Mãe. Desde então, a Mãe de Deus tornou-Se também nossa Mãe! Na hora em que a fé dos discípulos se ia quebrantando com tantas dificuldades e incertezas, Jesus confiava-lhes Aquela que fora a primeira a acreditar e cuja fé não desfaleceria jamais. E a «mulher» torna-Se nossa Mãe, no momento em que perde o Filho divino. O seu coração ferido dilata-se para dar espaço a todos os homens, bons e maus; e ama-os como os amava Jesus. A mulher que, nas bodas de Caná da Galileia, dera a sua colaboração de fé para a manifestação das maravilhas de Deus na mundo, no Calvário mantém acesa a chama da fé na ressurreição do Filho, e comunica-a aos outros com carinho maternal. Assim Maria torna-Se fonte de esperança e de alegria verdadeira.
A Mãe do Redentor caminha diante de nós e sempre nos confirma na fé, na vocação e na missão. Com o seu exemplo de humildade e disponibilidade à vontade de Deus, ajuda-nos a traduzir a nossa fé num anúncio, jubiloso e sem fronteiras, do Evangelho. Deste modo, a nossa missão será fecunda, porque está modelada pela maternidade de Maria. A Ela confiamos o nosso itinerário de fé, os desejos do nosso coração, as nossas necessidades, as carências do mundo inteiro, especialmente a sua fome e sede de justiça e de paz; e invocamo-La todos juntos: Santa Mãe de Deus!

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