22 fevereiro, 2010

É tempo de conversão



A Quaresma é tempo favorável para abrir os olhos da alma e do coração, para nos vermos à luz de Deus, para pedir ao Espírito a graça da nossa conversão. Mas parece que há uma nuvem de poeira que nos vai cegando, impedindo de ver mais e melhor, de ver mais profundamente.
Se nalgum dos campos e sectores da nossa vida a nuvem de poeira se fez sentir, parece ser exactamente neste: a necessidade de conversão. É próprio do espírito do mal, do príncipe das trevas, querer convencer-nos que não temos pecados, que o pecado não existe, que não necessitamos de conversão, que não precisamos de nos examinar, converter, corrigir.
Anda por aí uma doença que se poderia chamar permissivismo, em que parece que tudo é permitido, que nada é mal, que tudo se pode fazer ou dizer, que não há pecado em nada, nem sequer em matar, em caluniar, em roubar, etc. E no campo da oração e da fidelidade à vida interior ou espiritual como no sector da vida de castidade, parece que essa nuvem densa ainda se faz sentir com maior profundidade.
O maior pecado deste mundo, deste tempo, é a falta de consciência de pecado. Insensíveis ao amor de Deus, ficamos como calhaus, insensíveis ao pecado, ao mal, à malícia e perversidade que nos rodeia ou que trazemos dentro de nós.
Daí a falta de consciência para encarar a sério a necessidade de conversão. Se sinto e digo que não há pecado, que não tenho pecado, porquê e para quê a conversão?
A nuvem de poeira que o inimigo da natureza humana nos lança nos olhos da alma e do coração, torna-nos menos sensíveis ao bem, à virtude, à graça, à conversão, à necessidade de amar a Deus e ao próximo. A nuvem de poeira quer que fiquemos instalados, comodistas, aburguesados, infiéis à graça e ao amor, insensíveis ao pecado e conversão.
Mas nós, pobres pecadores, somos tão cegos que não caímos na conta que temos mais pecados do que pensamos, do que vemos à superfície de nós próprios, mais pecados dos que aqueles que a nuvem de poeira nos deixa ver. Mas nem por isso a conversão é menos necessária e menos exigente.
Precisamos de conversão, de mudança, de caminhada de santidade, de ascese, de esforço para sermos mais fiéis à graça, ao amor. Precisamos de conversão pois nas nossas vidas há muita coisa que não está como Deus quer, que não é evangélica, que não é correspondência fiel ao amor de Deus e do próximo. O orgulho cega-nos, a vaidade cega-nos, a paixão cega-nos, o ciúme cega-nos e não vemos o pecado que está em nós, tornamo-nos insensíveis à fidelidade.
Rezar mais ou rezar menos, rezar melhor ou pior, dar mais tempo, com gratuidade, ao diálogo com o Senhor, parece que não  nos interpela, não nos questiona, não nos causa impacto. Ser mais casto em olhares, em desejos, em pensamentos, parece que não nos causa impacto, que não nos interroga e interpela. Corresponder mais e melhor às moções do Espírito e aos apelos da graça, parece que nos deixa insensíveis, pouco determinados, pouco audazes, com pouca tenacidade interior. Certa apatia, certa sonolência espiritual, certa tibieza, nos deixam despreocupados, indolentes, infiéis, a deixar-nos conduzir para uma inércia que nos instala, que não nos deixa desejar o mais, o melhor, o mais santo, o mais perfeito.
Falta garra, audácia, tenacidade, força interior, compromisso sério. E assim andamos muitos de nós, ao sabor do prazer, do apetite, do mais cómodo, do menos exigente. Uma mediocridade assustadora. E a nuvem densa de poeira em que o inimigo nos faz mergulhar, torna-nos cegos.
Mas é tempo de conversão, de mudança. Tempo favorável a uma acção decidida de conversão, de busca humilde do melhor, de dinamismo interior para sermos mais santos, mais orantes, mais pobres, mais humildes, mais caridosos, mais evangélicos.
É tempo de conversão. Não deixemos que a poeira nos impeça de olhar para nós, para a nossa vida, para o nosso interior, para nos comprometermos a uma determinada conversão, a uma mudança mais radical na fidelidade ao amor.

O MISTÉRIO DA INIQUIDADE

Nestes tempos quaresmais é urgente pensar no pecado. Parece que não gostamos de o fazer. Há quem afirme que o maior pecado dos tempos de hoje é a falta de consciência do pecado. O demónio, pai da mentira, como lhe chama Jesus, parece estar interessado em enganar-nos, a levar-nos a pensar que não temos pecado, que não há pecado no mundo.
Mas isto é artimanha do maligno, daquele que é o príncipe das trevas, e as trevas, como nuvem densa de poeira, impede que os olhos da alma e do coração descubram o mistério da iniquidade que está em nós e no mundo.
E o mistério da iniquidade não é, propriamente, o somatório dos pecados, mas o elo maligno e satânico, de miséria e maldade, de podridão e fealdade, que os une.
É este mistério de iniquidade que está em nós, nos outros, nas próprias estruturas da sociedade, no mundo mau e satânico, como diz S. João, em oposição ao mundo belo criado por Deus.
Para muitos hoje, há uma permissividade assustadora, quase a caminhar para a loucura, para a máxima aberração, para a paranóia de um agir sem lei, sem regra, sem pudor, sem dignidade, onde tudo se pode fazer, tudo se pode dizer, tudo se pode realizar, desde o matar ao roubar, desde promiscuidade sexual à droga, desde a fraude até ao crime.
Numa avalanche que não para mais, como lava de vulcão a rolar pela montanha abaixo, o mistério da iniquidade está aí, a cada esquina, em cada rosto, nas manobras subtis da tentação, nos enredos nefastos de prazer pecaminoso, nas afrontas indigentes ao valor da vida, da justiça, do amor.
Espreita-nos esse mistério da iniquidade, nos écrans da televisão, nos anúncios dos jornais, em tantos artigos que levam a maldade e o labirinto da mentira ou do suborno.
Espreita-nos quando se deseja votar leis permitindo matar uma criança antes de nascer ou um idoso ou doente através da chamada eutanásia.
Espreita-nos nos cartazes,  por vezes imundos, eróticos, pornográficos, ou nos anúncios do marketing que nos cegam e seduzem.
Espreita-nos dum modo maléfico e subtil quando perante o pecado, o mal, o satisfatório, já há muita gente que fica impassível, sem capacidade de julgar, de optar pelo bem e pelo melhor, aceitando o pecado, com a máxima naturalidade sem pudor ou repugnância instintiva.
Bernanos, um famoso autor francês, afirmou que "o nosso pecado envenena o ar que os outros respiram". E todos vamos ficando contaminados. Como denso nevoeiro que suja  e impede os olhos da alma e do coração de verem com justeza e dignidade.
Chafurdamos na lama, enredados pelo pecado, seduzidos pelo espírito do mal, manobrados pela tentação, enganados pelo poder das trevas, pelo pai da mentira, alienados pelo que luz mas não é oiro, presos pelas correntes do mal e da iniquidade, caminhamos no mundo da iniquidade.
E um pecado vai arrastando a outro. David porque causa adultério vai cometer um homicídio. Judas porque era ladrão vendeu o Mestre.
Quem é orgulhos, forçosamente pisa e destrói os outros, quem é vaidoso nunca terá espírito de pobreza evangélica, quem entra na areia movediça vai-se enterrar cada vez mais. E, às vezes, na tentativa de sair de um pecado cai noutro, pois o emaranhado da teia, ou da densa nuvem de poeira, não o deixa libertar.
Com a Palavra lutemos contra o MISTÉRIO DA INIQUIDADE que está em nós, nos outros, no mundo, na certeza que a vitória será nossa, unidos a Deus e alimentados pelo dom da sua Palavra salvadora.
Com a oração lutemos contra o MISTÉRIO DA INIQUIDADE que está em nós, nos outros, no mundo, e não deixemos de rezar, mais e melhor, para alcançar a vitória do amor que salva e liberta.
Com a penitência lutemos contra o MISTÉRIO DA INIQUIDADE que está em nós, nos outros, no mundo, na certeza de que a ascese, a penitência, a mortificação são um modo de nos identificarmos com Jesus Crucificado, o Homem Penitente e Sofredor.
Bela caminhada de Quaresma.
Dário Pedroso SJ
Labat n.º 101 de Fevereiro de 2010

17 fevereiro, 2010

Falta de tempo para rezar?



Os jesuítas acabam de lançar o www.passo-a-rezar.net, uma proposta de oração para quem não vive parado.
Cada dia, são 10 minutos de texto, pistas de oração e música, em formato MP3 para descarregar. Depois, é só levar e rezar no metro, no autocarro, a passear pela rua ou simplesmente sentado à secretária.
Descubra este novo modo de se encontrar com Deus e viver espiritualmente o dia-a-dia!

O acesso ao referido endereço, também está disponível na faixa lateral deste blogue, em "endereços importantes", com a designação: "Leva contigo a tua oração!".

12 fevereiro, 2010

Bento XVI em Portugal - 2010


CEP lança site dedicado à visita do Papa

 

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) apresentou no dia 9.2.10, o site www.bentoxviportugal.pt onde vão estar todas as informações sobre a visita do Papa Bento XVI ao nosso País, marcada para Maio deste ano. 
A novidade foi avançada no final da reunião do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), pelo porta-voz Padre Manuel Morujão.
"É um grande investimento na comunicação da Conferência Episcopal, para jornalistas estrangeiros e nacionais e para todas as pessoas que se ligam à Internet, que são cada vez mais".
"Contigo caminhamos na esperança - Cristianismo, sabedoria e missão”, foi o slogan  escolhido para o cartaz alusivo ao evento, uma mensagem positiva que contrasta com o momento que se vive.
"É alguma coisa que dá um tom positivo, o pessimismo não é amigo de ninguém e de situações difíceis muito menos. É na esperança que caminhamos e caminhamos unidos ao sucessor de Pedro que nos vem visitar, motivo de alegria para todos nós”, sublinha o porta-voz da CEP, o Padre Manuel Morujão.
Os Bispos portugueses estão a preparar uma nota pastoral sobre a visita do Papa a Portugal, documento que será publicado em Março.
A visita de Bento XVI realiza-se de 11 a 14 de Maio deste ano e vai passar pelas cidades de Lisboa, Fátima e Porto.
Net Rádio Católica

NOTA: O Site  acima referido, encontra-se também disponível na faixa lateral deste blogue, em "endereços importantes" com a designação: "Bento XVI em Portugal - 2010".

11 fevereiro, 2010

Informação da Administração do Blogue



Foram ultrapassadas as dificuldades de reprodução dos  vídeos constantes neste blogue, mas mantém-se ainda a impossibilidade de inserção de novos vídeos de duração superior a 10 minutos, até que o BLOGGER, solucione.

07 fevereiro, 2010

Acções de Formação

Realizadas no período de 15.OUT.06 a 3.JUN.07


Diácono João Carmona

Para acesso a cada Acção de Formação, clique na que pretender:

- ACÇÃO DE FORMAÇÃO (7-7)

 

Com base nas indispensáveis alterações que estão a ser efectuadas pelo BLOGGER, tendo como origem o fecho do GOOGLE Page Creator, lamentamos mas tornou-se inviável a continuação dos lançamentos dos nossos vídeos, a partir da 2.ª parte da 5.ª Acção de Formação, até nova solução. 

30 janeiro, 2010

Retiros Diocesanos

(Realizados em 2007 e 2008)

Pe. Dário Pedroso S.J.

Para acesso ao registo sonoro de cada Retiro, clique na opção que desejar:


14 janeiro, 2010

Retiro Dicesano Anual



Especial atenção!!!

A Equipa Diocesana mantém os 5,00 € de inscrição e, com grande dificuldade também os 55,00 € do alojamento, apesar da inflação e do aumento previsto das despesas. Com esse esforço, procura-se dar possibilidades que facilitem a participação de todas as pessoas que o desejem.

A Equipa do Serviço Diocesano em reunião com o Assistente Diocesano, discerniram que sendo o Retiro um todo, cada pessoa inscrita deve comprometer-se com essa realidade e conjuntamente criarem condições para o reencontro de cada um com o SENHOR, em silêncio, em oração e recolhimento, facilitando igualmente que os elementos do secretariado possam participar no Retiro.

O Senhor Padre Pregador pediu para que aqueles que vão ao próximo Retiro se comprometam a participar desde as 21h00 do dia 19 (sexta-feira), até às 13h00 do dia 21 de Fevereiro de 2010 (domingo).

As fichas de inscrição, envidas aos Coordenadores de cada Grupos de Oração da Diocese, deverão ser preenchidas e devolvidas, sem falta, até ao dia 12 de Fevereiro de 2010, à:

Equipa de Serviço Diocesano
Rua Augusto Costa, 17 - R/C
1500-064 Lisboa

Por favor não deixem o envio das inscrições para os últimos dias!

Apesar de todo o carinho, por parte da Equipa Diocesana, em satisfazer os desejos dos irmãos, mormente na disposição de quartos, muitas vezes sentem-se tristes por não poderem corresponder ao que lhes é solicitado, dado que as inscrições serão atendidas por ordem de chegada.

Vamos todos rezar pelo Pregador e Director do Retiro, Assistentes Regionais, sacerdotes confessores, equipas de serviço, organização, participantes do Retiro e tudo o que esta acção envolve.

OBS. - Como aliás tem vindo a ser hábito, a E.D. aconselha que cada participante leve a Bíblia, um bloco ou caderno e esferográfica.


Início da actividade
(Sexta-feira, dia 19 de Março)

16h00: - Acolhimento

18h30: - Concentração na Igreja do Seminário
- Boas Vindas - Informações e orientações

- Eucaristia

19h00: - Jantar

21h00: - Intervenção do Pregador - ENSINAMENTO

22H00: - Momento de Escuta - Santíssimo Sacramento - Silêncio

22h30: - GRANDE SILÊNCIO e descanso.

Conteúdo da carta datada de 5 de Janeiro de 2010, Ref.ª ESD/CF/001/2010, da Equipa de Serviço Diocesano de Lisboa.

10 janeiro, 2010

II - ASS. Diocesana do XXXV Aniversário


AUDITÓRIO DA IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
(Rua Camilo Castelo Branco - Lisboa)
10 de Janeiro de 2010
 
TEMA

"BAPTIZADOS NO ESPÍRITO SANTO"

ORADOR


Pe. Manuel Morujão
Secretário do Conselho Permanente da Conferência Episcopal



1.º ENSINAMENTO
Maria Olga
(Palavras de reconhecimento e incentivo à entrega)


2.º ENSINAMENTO
Intervenção do Pe. Bruno Machado
(Assisntente Diocesano)
XXXV Aniversário do RCC, da Diocese


CÂNTICO DE PARABÉNS

D. JOAQUIM MENDES

HOMILIA
(Para melhor audição, levante um pouco o som)



IMAGENS

03 janeiro, 2010

Nascido de uma Mulher

 
 A Igreja, no tempo litúrgico de Natal e Epifania, que celebramos, deu-nos a ler e meditar, nas suas Eucaristias e leitura das Horas, o texto central de S. Paulo, na carta aos Gálatas 4, 4-7: Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei, para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adopção de filho. E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: ABBÁ! - PAI! Deste modo, já não és escravo, mas filho, e se és filho, és também herdeiro, por graça de Deus.

Nesta passagem, S. Paulo oferece-nos o arco teológico de toda a teologia cristã. Neste arco teológico sobressaem os seguintes temas:1) plenitude dos tempos; 2) aparecimento do Filho de Deus; 3) nascido de mulher; 4) domínio da Lei; 5) redenção da Lei; 6) Espírito; 7) filiação adoptiva e herança.

1. PLENITUDE DOS TEMPOS

S. Paulo não conhecia, a nível cosmológico, o que nós conhecemos: que  o Universo apareceu há uns quinze mil milhões de anos. Os físicos e astrofísicos procuram, de maneira científica, o princípio do Universo - o célebre Big Bang. É bom que assim seja. Que trabalhem em liberdade e autonomia científica e que possamos, um dia, ver e contemplar os seus resultados.

2. APARECIMENTO DO FILHO DE DEUS
Para S. Paulo, os tempos de revelação de Deus tinham amadurecido. Ele é judeu e pensa como judeu. Conhecia a filosofia e as tragédias gregas e conhecia o poder do império romano. Também conhecia os impérios da Mesoptâmia e do Egipto através das Escrituras Hebraicas. Mas eram as Escrituras Hebraicas que lhe interessavam porque só elas transmitiam a vontade e o desígnio divino de Deus. E elas referiam de maneira directa e indirecta a vinda do Messias - o Filho de Deus. Este Filho apareceu-lhe, agarrou-o, e ele deixou-se agarrar como acontecera com outros profetas do Antigo Testamento.
3. NASCIDO DE MULHER

O Filho não caiu do céu à terra como um meteorito divino. Foi concebido no seio de uma mulher. S. Paulo nunca fala de Nossa Senhora como Maria de Nazaré nem de S. José. Deixemos o silêncio e o mistério falarem mais alto. Sabemos que S. Paulo foi de propósito a Jerusalém conversar com as "autoridades" cristãs, Tiago, Cefas e João, sobre a sua conversão (Gálatas 2, 6-9).Muito deve ter conversado sobre o real Jesus da história. Muito deve ter aprendido sobre a "Sagrada Família". Seja como for, para S. Paulo s+o lhe interessava a pessoa de Jesus nascido de mulher sob o domínio da Lei.

4. DOMÍNIO DA LEI
S. Paulo é o primeiro escritor cristão com as suas cartas dirigidas a várias igrejas domésticas de então, que ele fundara. Só muitos anos mais tarde é que apareceram os evangelhos e demais escritos do Novo testamento. Para S. Paulo a vinda de Jesus Cristo não foi em vão. Se lhe apareceu também não foi em vão. Apareceu-lhe para ser apóstolo-enviado da salvação. Se até então, a salvação se centrava na Lei de Moisés, a partir de agora centrava-se na pessoa do Salvador que nos salvava do próprio domínio da Lei. Se a Lei fora dada a Moisés por causa do pecado, o Salvador desfaz em si esse "domínio" e "tirania". O aparecimento do salvador não teria qualquer razão de ser sem este postulado - a salvação ou soteriologia.

5. REDENÇÃO DA LEI
O verbo grego utilizado por S. Paulo, esagoráô, tanto significa "redimir", "resgatar", "salvar" da Lei. Ainda hoje continuamos a estudar e discutir sobre este assunto fundamental nas cartas aos Gálatas e Romanos de S. Paulo. Os judeus não aceitam e entre os cristãos católicos, ortodoxos e protestantes/evangélicos há vários modos de interpretar. Deixemos que os exegetas estudem. Fixemo-nos apenas no sentido literal dos verbos redimir, resgatar e salvar. Para os compreender em profundidade existencial cristã, S. Paulo ajuda-nos com o que se segue.

6. ESPÍRITO

Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho que interpreta a pessoa  do Filho-salvador. A exegesse científica é muito necessária como as descobertas científicas da física, química, medicina, etc. No campo da teologia cristã - a ciência de Deus-, o Espírito é sempre a última palavra. Nem sempre a nossa Igreja de Bispos, Padres, diáconos, teólogos, movimentos e paróquias, racionam com S. Paulo. É pena, diria S. Paulo, se cá viesse conversar connosco. Mas ele já veio e já escreveu. Nós somos os seus herdeiros.

7. FILIAÇÃO ADOPTIVA E HERANÇA

 S. Paulo tem à sua frente o horizonte teológico dos seus irmãos judeus para quem a filiação adoptiva e respectiva herança lhes pertencia por direito próprio. A Bíblia do AT reafirma esta verdade - são o seu bilhete de identidade. S. Paulo estende este bilhete de identidade a todos os cristãos baptizados em Cristo, judeus e pagãos. Assim há dois mil anos e assim continuamos a ser.

Que o Espírito do Filho-Salvador nos ilumine, neste novo ano, sobre todas estas verdades, razão de ser da nossa vida. Não somos escravos da Lei, do dinheiro, do consumismo, da corrupção, da intriga, mas somos filhos e herdeiros a viver em liberdade, graças a Deus. BOM ANO!
Pe. Joaquim Carreira das Neves, O.F.M.
Labat n.º 101, de Fevereiro de 2010

23 dezembro, 2009

Bom Natal


 


Desejamos a todos os nossos leitores um Feliz Natal. Que a Vida, que o menino Jesus nos trouxe, renove e restaure a Vossa Vida.


Padre Manuel Silva