08 maio, 2012

RECONHECÊ-LO AO PARTIR DO PÃO




«E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença.» Lc 24, 30-31


Ao «partir do pão, reconheceram-no»!

E nós, Senhor, reconhecemos-Te ao «partir do pão»?
Ou aquele gesto sublime, (memorial do teu gesto naquela Ceia), realizado pelo sacerdote, não passa de uma celebração repetida a que “assistimos”, já nem sabemos bem porquê, se por tradição, se por obrigação, se por “medo” ou se porque acreditamos mesmo?

Porque é que eles Te reconhecem ao «partir do pão»?
Eram melhores do que nós? Tinham mais fé? Viam-Te e tocavam-Te?
Mas eles estavam desiludidos?! Eles já não acreditavam que Tu tinhas ressuscitado?!
E depois de Te reconhecerem, desapareceste da sua presença?!

Então, Senhor, que tinhas Tu feito, para que apesar dessa descrença, dessa desilusão, eles Te pudessem reconhecer ao «partir do pão»?
Tinhas-lhes explicado as Escrituras?
Pois tinhas, Senhor, ao longo daquele caminho todo, da Jerusalém renascida pela Tua Ressurreição, à Emaús do nosso descontentamento incrédulo!
Do nascer, do acreditar, do alegrar-se, ao duvidar, ao desistir, ao morrer para a própria vida!
Aquele caminho foi toda uma vida, ao longo da qual lhes explicaste as Escrituras!
Por isso eles Te reconheceram ao «partir do pão», por isso nasceram de novo, alegraram-se de novo e anunciaram-Te com a força da fé, alicerçada na Palavra.

Mas a nós, Senhor, também nos é explicada a Palavra, sempre que nos reunimos no memorial da tua Ceia!
Mas estamos “distraídos”!
Mas não abrimos os nossos ouvidos e os nossos corações ao Deus que fala, mas apenas ao homem sacerdote que prega, e, por isso, julgamos, opinamos, e decidimos se gostámos ou não do que ouvimos.
Ouvimos o homem, mas não ouvimos o Deus que nos fala através do homem!
Ouvimos com os ouvidos as palavras “humanas”, mas não “ouvimos” com o coração a Palavra divina!

Então não nos pode «arder o coração» enquanto nos é explicada a Palavra, e se não nos «arde o coração», como queremos nós reconhecer-Te ao «partir do pão»?
Então, Senhor, decidimos nas nossas mentes que a Eucaristia é a consagração e a comunhão, e todo o resto é “acessório”!

Mas, Senhor, se aqueles discípulos não tivessem caminhado contigo, (e Tu com eles), todo aquele caminho, (do nascer ao morrer), e se a eles não Te tivesses revelado na Palavra, como poderiam eles ter-Te reconhecido ao «partir do pão»?
E não foi ao longo desse caminho que eles nasceram para a vida e morreram para a vida, que os levava a Emaús?
E não foi ao longo desse caminho que eles nasceram para Ti e morreram em Ti, alcançando a nova vida, que lhes permitiu reconhecer-Te ao «partir do pão»?

Todos os dias, Senhor, fazes esse caminho connosco em cada Bíblia que abrimos e lemos, (meditando), em cada palavra amiga e conselheira que nos é dada por aqueles que aproximas de nós, em cada oração que colocas nos nossos lábios, vinda do coração. 
Todos os dias, Senhor, nos explicas as Escrituras em cada Eucaristia que celebramos verdadeiramente.

Ah, Senhor, abre o nosso entendimento, derruba as barreiras da nossa incredulidade, faz-nos «arder o coração», para Te reconhecermos ao «partir do pão»!

E mais ainda, porque aqueles que caminhavam para Emaús, (mesmo depois de teres «desaparecido da sua presença»), levantaram-se e caminharam para Jerusalém, onde alegremente anunciaram a tua Ressurreição.

Por isso, Senhor, depois de Te reconhecermos em cada Eucaristia verdadeiramente celebrada, faz com que A continuemos a viver, no verdadeiro e alegre anúncio da Tua presença no meio de nós.


Monte Real, 8 de Maio de 2012 
Joaquim Mexia Alves

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