26 agosto, 2017

O Papa aos peregrinos de Czestochowa: nenhum de nós é órfão


(RV) 26 de agosto é a memória litúrgica de Nossa Senhora de Czestochowa e, neste ano,  decorrem os 300 anos da coroação do quadro milagroso que se encontra no Santuário de Jasna Gora, na Polónia. Por esta ocasião, o Papa Francisco enviou uma vídeo-mensagem em que saúda com grande afecto a todos os peregrinos, especialmente (diz Francisco) os que fizeram um longo caminho para alcançar hoje, juntamente com os queridos irmãos Bispos e os sacerdotes, a capital espiritual do País.

“Se Czestochowa está no coração da Polónia, significa que a Polónia tem um coração materno; significa que cada palpite de vida acontece juntamente com a Mãe de Deus. A Ela vós tendes o hábito de confiar-lhe tudo: o passado, o presente, o futuro, as alegrias e as angústias da vossa vida pessoal e a do vosso amado País. Isso é muito bonito”.

E é muito bonito para mim – diz ainda Francisco na mensagem - recordar que o fiz convosco no ano passado, quando me coloquei sob o olhar da Mãe, quando pus os meus olhos nos olhos de Nossa Senhora, confiando ao seu coração o que estava no meu e no vosso coração. Francisco sublinha que mantem viva e grata a memória daqueles momentos, a alegria de ter ido como peregrino para celebrar, sob o olhar da Mãe, os 1.050 anos do baptismo da Polónia, e recorda “outra ocasião de graça a celebrar na peregrinação” quando, há 300 anos, o Papa concedeu de colocar as coroas papais sobre a imagem da Senhora de Jasna Gora, Rainha da Polónia:

“É uma grande honra ter por mãe uma Rainha, a mesma Rainha dos Anjos e dos Santos, que reina gloriosa no céu. Mas dá ainda mais alegria saber que tendes como Rainha uma Mãe, amar como Mãe Aquela que chamais Senhora. A sagrada imagem mostra, de facto, que Maria não é uma Rainha distante sentada no trono, mas a Mãe que abraça o Filho e, com Ele, todos nós, seus filhos. É uma Mãe verdadeira, com o rosto marcado, uma Mãe que sofre porque tem realmente a peito os problemas da nossa vida. É uma Mãe próxima,  que nunca se afasta de nós; uma Mãe carinhosa, que nos segura pela mão no caminho de cada dia”.

E o desejo do Papa neste solene jubileu que estão a celebrar é que ele seja momento favorável para sentir que nenhum de nós é órfão:

“Neste mundo de orfandade nenhum de nós é órfão, porque cada um tem perto de si uma Mãe, Rainha insuperável na ternura. Ela nos conhece e nos acompanha com o seu estilo tipicamente materno: manso e corajoso ao mesmo tempo; nunca invasora e sempre perseverante no bem; paciente perante o mal e activo na promoção da concórdia”.

A Virgem Maria vos dê a graça de vos alegrardes juntos, como família reunida em torno da Mãe – conclui Francisco, dando a todos a sua bênção:

“Neste espírito de comunhão eclesial, tornado ainda mais forte pelo vínculo único que une a Polónia com o sucessor de Pedro, dou-vos a minha Bênção Apostólica. E peço a todos vós, por favor, que rezeis por mim. Obrigado”. (BS)

24 agosto, 2017

Papa Francisco: la riforma della da liturgia



(RV) Não basta reformar os livros litúrgicos para renovar a mentalidade (...), a educação litúrgica de Pastores e fiéis é um desafio a ser enfrentado sempre de novo”." Depois deste magistério e  depois deste longo caminho, podemos afirmar com segurança e com autoridade magisterial que a reforma litúrgica é irreversível”, disse Papa Francisco ao encontrar na manhã desta quinta-feira na Sala Paulo VI os participantes da Semana Litúrgica Nacional italiana, o Papa Francisco falou sobre a irreversibilidade da reforma litúrgica, recordando - ao começar seu pronunciamento - os acontecimentos “substanciais e não superficiais” ocorridos no arco dos últimos 70 anos na história Igreja e em particular, “na história da liturgia”.

O Concílio Vaticano II e a reforma litúrgica – disse o Papa – são dois eventos directamente ligados, “que não floresceram repentinamente, mas foram longamente preparados”, como testemunha o movimento litúrgico “e as respostas dadas pelos Sumos Pontífices às dificuldades percebidas na oração eclesial”. “Quando se percebe uma necessidade – observou – mesmo se não imediata a solução, existe a necessidade” de começar a fazer algo.

Francisco começa por citar, neste sentido, São Pio X, que dispôs uma reordenação da música sacra e a restauração celebrativa do domingo, além de instituir “uma comissão para a reforma geral da liturgia, consciente de que isto comportaria” um grande e longo trabalho, mas que daria “um novo esplendor” à dignidade e harmonia do “edifício litúrgico”.

Um projecto reformador que foi retomado mais tarde por Pio XII com a Encíclica Mediator Dei e a instituição de uma comissão de estudo, sem falar em decisões como “a atenuação do jejum eucarístico, o uso da língua viva no Ritual, a importante reforma da Vigília Pascal e da Semana Santa”.

O Concílio Vaticano II fez amadurecer mais tarde – recordou o Papa -  “como bom fruto da árvore da Igreja, a Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium”, cujas linhas da reforma geral respondiam às necessidades reais e à concreta esperança de uma renovação, “para que os fiéis não assistam como estranhos e mudos espectadores a este mistério de fé, mas compreendendo-o por meio dos  ritos e das orações, participem da acção sagrada conscientemente, piamente e activamente (SC, 48)”.

O Papa recorda que “a direcção traçada pelo Concílio encontrou forma, segundo o princípio do respeito da sã tradição e do legítimo progresso nos livros litúrgicos promulgados pelo Beato Paulo VI”, já há quase 50 anos “universalmente em uso no Ritual Romano.

E a aplicação prática, guiada pelas Conferências Episcopais para os respectivos países, está ainda em andamento, pois não basta reformar os livros litúrgicos para renovar a mentalidade”:

“Os livros reformados por norma dos decretos do Vaticano II, introduziram um processo que requer tempo, recepção dos fiéis, obediência prática, sábia actuação celebrativa por parte, antes, dos ministros ordenados, mas também dos outros ministros, dos cantores e de todos aqueles que participam da liturgia. Na verdade, o sabemos, a educação litúrgica de Pastores e fiéis é um desafio a ser enfrentado sempre de novo”.

“O próprio Paulo VI, um ano antes de sua morte – recordou o Papa – dizia aos Cardeais reunidos em Consistório: “Chegou o momento, agora, de deixar cair definitivamente os fermentos desagregadores, igualmente perniciosos em um sentido e em outro, e de aplicar integralmente nos seus justos critérios inspiradores, a reforma por nós aprovada em aplicação aos votos do Concílio”. E completou:

“E hoje ainda há trabalho a ser feito nesta direcção, em particular redescobrindo os motivos das discussões realizadas com a reforma litúrgica, superando leituras infundadas e superficiais, recepções parciais e práticas que a desfiguram. Não se trata de repensar a reforma revendo as suas escolhas, mas de conhecer melhor as razões subjacentes, também por meio da documentação histórica, como de interiorizar os princípios inspiradores e de observar a disciplina que a regula. Depois deste magistério e  depois deste longo caminho, podemos afirmar com segurança e com autoridade magisterial que a reforma litúrgica é irreversível”.

Após “repassar com a memória este caminho”, o Papa falou sobre alguns aspectos do tema que guiou a reflexão nestes dias do encontro do Centro de Ação Litúrgica: “Uma liturgia viva para uma Igreja viva”:

“A liturgia é “viva”, afirmou Francisco, e “sem a presença real do mistério de Cristo, não existe nenhuma vitalidade litúrgica. Como sem o batimento cardíaco não existe vida humana, da mesma forma, sem o coração pulsante de Cristo não existe acção litúrgica”. “E entre os sinais visíveis do invisível Mistério está o altar, sinal de Cristo pedra viva, descartada pelos homens mas que se tornou a pedra angular do edifício espiritual em que é oferecido a Deus vivo o culto em espírito e verdade”.

A liturgia – disse depois o Papa – “é vida para todo o povo da igreja. Por sua natureza, a liturgia é de fato “popular” e não clerical, sendo – como ensina a etimologia – uma acção para o povo, mas também do povo”:
"A Igreja em oração acolhe todos aqueles que têm o coração na escuta do Evangelho, sem descartar ninguém: são convocados pequenos e grandes, ricos e pobres, crianças e idosos, saudáveis e doentes, justos e pecadores. À imagem da "multidão imensa" que celebra a liturgia no santuário do céu, a assembleia litúrgica supera, em Cristo, todo limite de idade, raça, língua e nação".

 “A dimensão “popular” da liturgia nos recorda que ela é inclusiva e não exclusiva, criadora de comunhão com todos, sem todavia homologar, porque chama cada um com a sua vocação e originalidade, a contribuir no edificar o corpo de Cristo”.

Não devemos esquecer – alertou o Papa – que a liturgia expressa a piedade de todo o povo de Deus e nela cada um contribui a edificar o corpo de Cristo.

A liturgia – disse o Papa analisando um terceiro ponto – é vida e não uma ideia a ser entendida. “Leva de fato a viver uma experiência iniciática. Ou seja, transformadora do modo de pensar e de comportar-se e não para enriquecer a própria bagagem de ideias sobre Deus”:

 “A Igreja é realmente viva se, formando um só ser vivo com Cristo, é portadora de vida, é materna, é missionária, sai ao encontro do próximo, solícita de servir sem buscar poderes mundanos que a tornam estéril. Por isto, celebrando os santos mistérios, recorda Maria, a Virgem do Magnificat”.

Por fim, o Papa recorda que “não podemos esquecer que a riqueza da Igreja em oração enquanto “católica” vai além do Rito Romano que, mesmo sendo o mais difundido, não é o único’:

“A harmonia das tradições rituais, do Oriente e do Ocidente, pelo sopro do mesmo Espírito dá voz à única Igreja orante por Cristo, com Cristo e em Cristo, a glória do Pai e para a salvação do mundo”.

Ao agradecer a visita o Papa encoraja os responsáveis do Centro de Acção Litúrgica a prosseguir e a ajudar “os ministros ordenados, assim como os outros ministros, os cantores, os artistas, os músicos, a cooperarem para que a liturgia seja “fonte e ápice da vitalidade da Igreja””.

O pronunciamento do Papa Francisco pode ser encontrado por agora somente em italiano - no link: https://goo.gl/BqSQb9 (MM).

23 agosto, 2017

O Papa: a esperança cristã vence as tragédias do mundo


(RV) Quarta-feira, 23 de agosto. Na audiência geral e partindo da passagem do livro do Apocalipse cap. 21 (“Eis que faço novas todas as coisas”), o Papa Francisco prosseguiu o ciclo das suas catequeses sobre a esperança cristã, sublinhando que a esperança cristã baseia-se na fé em Deus que sempre cria novidade na vida do homem, cria novidade na história, cria novidades no cosmos, porque o nosso Deus é o Deus da novidade e surpresas.

 Não é, portanto, próprio do cristão caminhar olhando para baixo sem elevar os olhos para o horizonte, como se todos o nosso caminho se apagasse aqui, como se na nossa vida não houvesse nenhum destino e nenhum porto de chegada, e fôssemos forçados a vaguear eternamente, sem qualquer motivo para os nossos esforços. Isto não é próprio do cristão, ressaltou o Papa acrescentando:.

 “As páginas finais da Bíblia nos mostram o horizonte último do caminho do crente: a Jerusalém do Céu, a Jerusalém celeste. Esta é imaginada antes de tudo como uma tenda imensa, onde Deus acolherá todos os homens para habitar definitivamente com eles. E esta é a nossa esperança”.

 E quando, finalmente, estivermos com Deus – prosseguiu o Papa - Ele usará uma ternura infinita connosco, como um pai que acolhe os seus filhos que por muito tempo se cansaram e sofreram. Ele apagará toda a lágrima dos seus olhos, e já não haverá morte, nem luto, nem lamentação, nem aflição, porque as coisas anteriores passaram.

E o Papa convidou  a meditar esta passagem da Sagrada Escritura não de maneira abstracta mas concreta, depois de ler uma história dos nossos dias, o telejornal ou a primeira página dos jornais, onde se vêem tantas tragédias e notícias tristes. E Francisco deu o exemplo de Barcelona e do Congo (só para citar apenas dois casos), onde existem tantas notícias tristes. E muitas outras notícias tristes, disse ainda o Papa, como os rostos das crianças aterrorizadas pela guerra, ao choro das mães, os sonhos fracassados de tantos jovens, os refugiados que enfrentam viagens terríveis e muitas vezes são explorados ... A vida infelizmente é também isso. E por vezes nos apeteceria dizer que é sobretudo isso, disse o Pontífice, mas com esta observação:

“Pode ser. Mas há um Pai que chora connosco; há um Pai que chora lágrimas de infinita piedade para com os seus filhos. Nós temos um Pai que sabe chorar, que chora connosco. Um Pai que espera por nós para nos consolar, porque conhece os nossos sofrimentos e nos preparou um futuro diferente. Esta é a grande visão da esperança cristã que se expande por todos os dias da nossa existência, e nos quer reanimar”.

 Deus não quis as nossas vidas por engano, continuou o Papa, e Ele nos criou porque nos quer felizes, e se nós aqui, agora, vivemos uma vida que não é a que Ele queria para nós, Jesus assegura-nos que o próprio Deus está operando o seu resgate. A morte e o ódio, portanto, não são as últimas palavras pronunciadas na parábola da existência humana, e ser cristão implica uma nova perspectiva, um olhar cheio de esperança.

E contrariamente aos que pensam que a vida retém toda a sua felicidade na juventude e no passado, que a vida é uma decadência lenta, ou que as nossas alegrias são apenas episódicas e passageiras e que, perante as tantas calamidades, dizem: "Mas, a vida não faz sentido”, Francisco ressaltou:

“Mas nós, cristãos, não acreditamos nisso. Acreditamos, antes, que no horizonte do homem existe um sol que ilumina para sempre. Acreditamos que os nossos dias mais belos ainda estão por vir. Somos mais pessoas da primavera que do outono”.

E o Papa convidou cada qual a perguntar-se no coração, em silêncio, e responder, se é um homem, uma mulher, um menino, uma menina da primavera ou do outono, acrescentando que nós vemos os rebentos de um mundo novo e não as folhas amareladas nos ramos, não nos fechamos em nostalgias, arrependimentos e lamentações mas sabemos que Deus quer que sejamos herdeiros de uma promessa e incansáveis ​​cultivadores de sonhos, somos da primavera, aguardando a flor, aguardando o fruto, aguardando o sol que é Jesus.
A concluir, o Papa sublinhou que o cristão sabe, portanto, que o Reino de Deus está crescendo como um grande campo de trigo, mesmo que no meio haja ervas daninhas; sempre existem problemas, mexericos, guerras, doenças ... existem problemas, mas o trigo cresce e, ao fim, o mal será eliminado:

“O futuro não nos pertence, mas sabemos que Jesus Cristo é a maior graça da vida: é o abraço de Deus que nos espera no final, mas que já agora nos acompanha e nos consola na caminhada. Ele nos conduz à grande "tenda" de Deus com os homens, com muitos outros irmãos e irmãs, e levaremos a Deus a recordação dos dias vividos aqui”.

E será bonito descobrir naquele instante que nada ficou perdido, nada, nem mesmo uma lágrima: nada ficou perdido; nenhum sorriso e nenhuma lágrima. Naquele dia seremos realmente felizes e vamos chorar, mas vamos chorar de alegria – concluiu Francisco.

O Papa Francisco, como habitualmente, também se dirigiu aos fiéis de língua portuguesa tendo saudado em particular os fiéis da Paróquia de Ribeirão e os grupos de brasileiros, convidando-os a se deixarem guiar pela ternura divina, para poderem transformar o mundo com a sua fé:

"Saúdo os peregrinos de língua portuguesa presentes nesta Audiência e através de cada um de vós, saúdo todas as famílias dos vossos Países. Dirijo uma saudação particular aos fiéis da paróquia de Ribeirão e aos grupos de brasileiros. Deixai-vos guiar pela ternura divina, para que possais transformar o mundo com a vossa fé. Deus vos abençoe".

Nas saudações ao grupo de língua italiana o Papa saudou cordialmente os jovens, os doentes e os recém-casados, convidando-os a elevar o olhar ao Céu para contemplar o esplendor da Santa Mãe de Deus, que recordamos – disse Francisco - na semana passada na sua Assunção, e ontem invocamos como nossa Rainha. Cultivai para ela uma devoção sincera, para que esteja ao vosso lado na vossa existência quotidiana.

E por fim o Papa dirigiu o seu pensamento exprimindo afectuosa proximidade para com os que sofrem por causa do terremoto que na noite de segunda-feira atingiu a ilha de Ischia. Rezemos pelos mortos, pelos feridos, pelas suas famílias e pelas pessoas que perderam suas casas – concluiu o Papa.

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção. (BS)

21 agosto, 2017

Missa da paz em Barcelona em memória das vítimas do atentado




(RV) MBarcelona homenageou às 10h de domingo (20/08) as vítimas dos atentados desta semana com uma missa presidida pelo Cardeal-Arcebispo Juan José Omella na Sagrada Família, o célebre templo projectado por Antonio Gaudí, símbolo da cidade.

Quase 1.800 pessoas recordaram as 14 vítimas fatais dos ataques terroristas na Rambla de Barcelona e na localidade costeira de Cambrils, 120 km ao sul.

Autoridades civis e religiosas

O rei Felipe e a rainha Letícia, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, o presidente da região Catalunha, Carles Puigdemont; as prefeitas de Barcelona, Ada Colau, e de Cambrils, Camí Mendoza, participaram da cerimónia.

A segurança no entorno da igreja foi reforçada, inclusive com a presença no interior de agentes de segurança e operadores da Cruz Vermelha e atiradores de elite no alto de edifícios.

Na sua homilia, o Cardeal Omella chamou a sociedade a ser ‘artesã da paz’ e a unir-se com o objectivo comum de ‘fraternidade, respeito e amor solidário’: “Somos um bonito mosaico. A união nos fortalece e a divisão corrói e destrói’.

Com a presença de membros de outras confissões religiosas, inclusive muçulmanos, o Cardeal pediu unidade para ‘olharmos ao futuro com esperança’.

“Nosso silêncio e nossa oração, nossa presença neste lugar sagrado são sinais de repulsa ao atentado”, afirmou.

Centenas de pessoas acompanharam a missa do lado de fora do templo.

Antes do arcebispo Omella, tomou a palavra o bispo auxiliar de Barcelona, Sebastià Taltavull, que clamou para que toda a dor vivida na Catalunha esta semana deixe lugar a “um novo estilo de convivência que respeite os direitos humanos e vele pela dignidade, superando toda diferença e exclusão”.

No fim da missa o Cardeal leu duas mensagens enviadas pelo Papa Francisco e revelou que recebeu um telefonema do Pontífice na tarde de sábado (19/08), deixando gravada na secretária telefónica a sua expressão de solidariedade e proximidade ‘neste momento doloroso’.

(BS/CM)

20 agosto, 2017

Papa Francisco: mensagem do Ângelus


(RV) Hoje, domingo, dia 20 de Agosto de 2017, o Papa Francisco celebrou, às 12 horas de Roma, a oração mariana do Ângelus, na Praça de S. Pedro repleta de fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo.

O Evangelho deste domingo, disse o Papa, apresenta-nos um exemplo particular de fé no encontro de Jesus com uma mulher cananeia, uma estrangeira em relação aos judeus. O evento acontece enquanto a mulher cananeia estava a caminho em direcção à cidade de Tiro e Sidónia, em direcção portanto à parte norte ocidental da Galileia: é precisamente aqui que a mulher implora a Jesus de curar a sua filha que “está cruelmente atormentada por um demónio”.

Jesus, acrescenta o Santo Padre, num primeiro momento, parece indiferente ao grito de dor da mulher cananeia, o que levou a intervenção dos discípulos que procuram interceder em favor da mulher. No entanto, esta aparência de descarte por parte de Jesus, não desencorajou a mulher cananeia, que pelo contrário insistiu no seu pedido.

A força interior desta mulher que permite superar todos os obstáculos, deve ser procurada no seu amor materno e na fé que Jesus pode realizar o seu pedido. Podemos dizer que é o amor que movimenta a fé, e a fé por sua vez se torna o prémio do amor. O amor para com a própria filha a leva a gritar: “Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim”. E a fé perseverante em Jesus consente a mulher de não se desencorajar perante ao inicial gesto de recusa de Jesus. Assim, a mulher prostrou-se diante de Jesus dizendo: “Socorre-me, Senhor”.

Finalmente, observou ainda Francisco, perante tanta perseverança da mulher, Jesus exprime a sua admiração e surpresa por esta grande fé manifestada por essa mulher pagã. Ele então aceita o seu pedido dizendo: “ Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas”. E então a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.

Ora, acrescentou o Santo Padre, esta mulher humilde é-nos hoje indicada por Jesus como exemplo de fé perseverante. A sua insistência em invocar a intervenção de Cristo é para nós um estímulo a não desencorajarmo-nos, a não desesperarmo-nos quando estamos oprimidos por provas duras da vida. O Senhor nunca nos vira as costas perante as nossas necessidades, e se por vezes parece insensível ao nosso grito de ajuda , é simplesmente para nos colocar à prova e tornar mais robusta a nossa fé.

Este episódio evangélico ajuda-nos a compreender que todos  temos necessidade de crescer na fé e fortalecer a nossa fé em Jesus. Ele pode ajudar-nos a re-encontrar a vida, todas as vezes que perdemos com a bússola do nosso caminho, quando a estrada parece cheia de obstáculos, árdua: quando custa muito ser fiel aos nossos empenhos. É importante alimentar cada dia a nossa fé mediante a escuta atenta da Palavra de Deus, mediante a celebração dos Sacramentos, a oração pessoal como nosso “grito” à Jesus e através de atitudes concretos de caridade para com o nosso próximo.

Por isso, disse o Pontífice, entreguemo-nos ao Espírito Santo pedindo-Lhe para que nos ajude a perseverar na fé. O espírito infunde audácia no coração dos crentes , dá a nossa vida e ao nosso testemunho cristão a força de convicção e da persuasão; encoraja-nos a vencer a incredulidade em Deus e a indiferença para com os irmãos.

Que a virgem Maria, concluiu dizendo Francisco, nos torne cada vez mais conscientes da nossa necessidade do Senhor e do seu Espírito: infunda em nós uma fé forte , cheia de amor e de um amor capaz de se transformar numa corajosa súplica à Deus.

Após a recitação da oração mariana do Ângelus, Francisco rezou juntamente com os presentes na Praça de S. Pedro, uma Ave-Maria em homenagem às vítimas dos atentados terroristas que nestes dias causaram numerosos mortos e feridos em Burkina Faso, na Espanha e na Finlândia. Rezemos, disse o Santo Padre, por todos os defuntos, para os feridos e para os seus familiares, e suplicamos ao Senhor, Deus da misericórdia e da paz, de libertar o mundo desta desumana violência.

Finalmente Francisco saudou todos os presentes e de modo particular os membros da Associação francesa “Roulons pour l’Espoir”; os novos seminaristas e os seus superiores, do Colégio Norte Americano de Roma e o grupo dos adolescentes provenientes da cidade de Zevio em Verona(Itália). À todos Francisco augurou um bom domingo e pediu, que por favor, não esqueçam de rezar por ele.   

18 agosto, 2017

Papa Francisco consternado pelo atentado de Barcelona





(RV) O Papa Francisco "acompanha com grande preocupação os acontecimentos e reza pelas vítimas" do atentado que deixou quinta-feira (17/08) 13 mortos em Barcelona, na Espanha. "O Santo Padre está ao lado do povo espanhol, especialmente dos feridos e das famílias das vítimas”, segundo declaração do porta-voz do Vaticano, Greg Burke.

A Igreja espanhola condena

Proximidade e oração pelas vítimas e suas famílias, apoio à sociedade e às forças policiais e firme condenação do atentado: assim os bispos do País se expressam num comunicado difundido logo após o ataque que abalou a cidade. Segundo fontes oficiais, são 13 os mortos e 80 os feridos, dos quais 15 em estado grave.

“Diante deste episódio trágico e abominável – diz o comunicado – a Conferência Episcopal Espanhola condena toda demonstração de terrorismo, prática intrinsecamente perversa, totalmente incompatível com a visão moral da vida. Não apenas lesa seriamente o direito à vida e à liberdade, mas é a mais dura demonstração de intolerância e totalitarismo”.

“Pedimos a todos os fiéis que elevem orações a Deus para que conceda o descanso eterno aos falecidos, restabeleça a saúde das outras vítimas, dê consolo às famílias e preencha de paz o coração das pessoas de boa vontade, a fim de que nunca mais se repitam actos tão deploráveis”, encerra o comunicado.

Reacções

Líderes políticos de todo o mundo, personalidades artísticas e desportivas, instituições prestaram solidariedade às vítimas e muitos recorreram às redes sociais para deixar registrado o seu repúdio ao acto e as suas condolências às famílias da vítimas.

O Estado Islâmico reivindicou a autoria do ataque.

(BS/CM)