06 setembro, 2019

Papa: não se pode ser cristão e viver sob a lei de talião



A missa no estádio Zimpeto foi o último compromisso do Papa em Moçambique. Da sacristia, o Pontífice dirige-se diretamente ao aeroporto internacional de Maputo para a cerimónia de despedida.´ 

Bianca Fraccalvieri – Maputo 

Com a missa no estádio nacional Zimpeto, na periferia de Maputo, o Papa Francisco concluiu a sua visita a Moçambique.

A chuva e o frio não diminuíram o entusiasmo dos milhares de fiéis que aguardavam a chegada do Pontífice com cantos e danças tradicionais.

Na sua homilia, o Papa refletiu sobre uma passagem do Sermão da Planície, contida no Evangelho de Lucas. Depois de escolher os seus discípulos e ter proclamado as Bem-aventuranças, Jesus acrescenta: «Digo-vos a vós que Me escutais: “Amai os vossos inimigos”» (Lc 6, 27).
“ Jesus não é um idealista, que ignora a realidade; está a falar do inimigo concreto, do inimigo real, que descrevera na Bem-aventurança anterior (6, 22): aquele que nos odeia, expulsa, insulta e rejeita como infame. ”
Portanto, explicou Francisco, Jesus não nos convida a um amor abstrato, etéreo ou teórico, redigido em escrevaninhas para discursos, mas a seguir o seu exemplo, pois amou aqueles que o traíram e o mataram. 

Alta é a medida que o Mestre propõe!

É difícil falar de reconciliação quando ainda estão vivas as feridas causadas durante tantos anos de discórdia, afirmou, mas mesmo assim Jesus Cristo convida a amar e a fazer o bem. Isto vai além de simplesmente ignorar o nosso inimigo, mas implica também abençoar e rezar por ele. “Alta é a medida que o Mestre nos propõe!”
“ Com tal convite, Jesus - longe de ser um obstinado masoquista - quer encerrar para sempre a prática tão usual – ontem como hoje – de ser cristão e viver sob a lei de talião. Não se pode pensar o futuro, construir uma nação, uma sociedade sustentada na «equidade» da violência. Não posso seguir Jesus, se a ordem que promovo e vivo é «olho por olho, dente por dente». Nenhuma família, nenhum grupo de vizinhos ou uma etnia e menos ainda um país tem futuro, se o motor que os une, congrega e cobre as diferenças é a vingança e o ódio. ”
Jesus propõe a primeira regra de ouro ao alcance de todos: fazer aos outros aquilo que gostaríamos fizessem a nós. Isto significa reciprocidade e implica amar e ajudar sem esperar nada em troca. 

Paradoxo humano

O Pontífice faz uma amarga constatação: "o mundo desconhecia – e continua sem conhecer – a virtude da misericórdia, da compaixão, matando ou abandonando deficientes e idosos, eliminando feridos e enfermos, ou divertindo-se com os sofrimentos dos animais".
“ Superar os tempos de divisão e violência supõe não só um ato de reconciliação ou a paz entendida como ausência de conflito, mas o compromisso diário de cada um de nós. Trata-se de uma atitude, não de fracos, mas de fortes, uma atitude de homens e mulheres que descobrem que não é necessário maltratar, denegrir ou esmagar para se sentirem importantes; antes, pelo contrário... ”
O Papa aponta então para o paradoxo de Moçambique: um território cheio de riquezas naturais e culturais, mas com uma quantidade enorme da sua população abaixo do nível de pobreza. “E por vezes parece que aqueles que se aproximam com o suposto desejo de ajudar, têm outros interesses. E é triste quando isto se verifica entre irmãos da mesma terra, que se deixam corromper; é muito perigoso aceitar que a corrupção seja o preço que temos de pagar pela ajuda externa."

Agir ao serviço de interesses políticos ou pessoais é ser ideológico. Este é o termómetro, disse o Papa.

“Se Jesus for o árbitro entre as emoções em conflito do nosso coração, entre as decisões complexas do nosso país, então Moçambique tem garantido um futuro de esperança.” 

Despedida

A missa no estádio Zimpeto foi o último compromisso do Papa em Moçambique. Antes de deixar o estádio, Francisco fez a sua saudação final:
“ Irmãs e irmãos moçambicanos, sei do sacrifício que tivestes de fazer para participar nas celebrações e encontros e também que se molharam todos. Espero que com água benta! Aprecio-o e agradeço-o de coração. E agradeço também a quantos não o puderam fazer, em consequência dos recentes ciclones: Queridos irmãos, senti de igual modo o vosso apoio! E digo a todos: tendes tantos motivos para esperar! Vi-o, toquei-o com a mão nestes dias. Por favor, guardai a esperança; não deixeis que vo-la roubem. ”
Da sacristia, o Pontífice dirigiu-se diretamente ao aeroporto internacional de Maputo para a cerimónia de despedida. A próxima etapa é a capital malgaxe, Antananarivo, onde Francisco chegará depois de três horas de voo.


Para leitura integral da homilia do Santo Padre

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VN

Missa em Maputo - texto integral da homilia do Papa Francisco

 
 
"Jesus - longe de ser um obstinado masoquista – quer encerrar para sempre a prática tão usual – ontem como hoje – de ser cristão e viver sob a lei de talião. Não se pode pensar o futuro, construir uma nação, uma sociedade sustentada na «equidade» da violência. Não posso seguir Jesus, se a ordem que promovo e vivo é «olho por olho, dente por dente»."
 
Visita Apostólica a Moçambique

HOMILIA DO SANTO PADRE

Santa Missa pelo progresso dos povos

Maputo – Estádio de Zimpeto, 6 de setembro de 2019

Amados irmãos e irmãs!


Ouvimos no Evangelho de Lucas uma passagem do Sermão da Planície. Depois de escolher os seus discípulos e ter proclamado as Bem-aventuranças, Jesus acrescenta: «Digo-vos a vós que Me escutais: “Amai os vossos inimigos”» (Lc 6, 27). Uma palavra dirigida hoje também a nós, que O escutamos neste Estádio.

Di-lo com clareza, simplicidade e firmeza traçando uma senda, um caminho estreito que requer algumas virtudes. Porque Jesus não é um idealista, que ignora a realidade; está a falar do inimigo concreto, do inimigo real, que descrevera na Bem-aventurança anterior (6, 22): aquele que nos odeia, expulsa, insulta e rejeita como infame.

Muitos de vós podem ainda contar, na primeira pessoa, histórias de violência, ódio e discórdias; alguns, na sua própria carne; outros, de alguém conhecido que já não está; e outros ainda pelo temor de que feridas do passado se repitam e tentem apagar o caminho de paz já percorrido, como em Cabo Delgado.

Jesus não nos convida a um amor abstrato, etéreo ou teórico, redigido em esrevaninhas para discursos. O caminho que nos propõe é o que Ele percorreu primeiro, o caminho que O fez amar aqueles que O traíram, julgaram injustamente, aqueles que O mataram.

É difícil falar de reconciliação, quando ainda estão vivas as feridas causadas durante tantos anos de discórdia, ou convidar a dar um passo do perdão que não signifique ignorar o sofrimento nem pedir que se cancele a memória ou os ideais (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 100). Mesmo assim, Jesus convida a amar e a fazer o bem. E isto é muito mais do que ignorar a pessoa que nos prejudicou ou esforçar-se para que não se cruzem as nossas vidas: é um mandato que visa uma benevolência ativa, desinteressada e extraordinária para com aqueles que nos feriram. Mas Jesus não fica por aí; pede-nos também que os abençoemos e rezemos por eles; isto é, que o nosso falar deles seja um bendizer, gerador de vida e não de morte, que pronunciemos os seus nomes não para insulto ou vingança, mas para inaugurar um novo vínculo que leve à paz. Alta é a medida que o Mestre nos propõe!

Com tal convite, Jesus - longe de ser um obstinado masoquista – quer encerrar para sempre a prática tão usual – ontem como hoje – de ser cristão e viver sob a lei de talião. Não se pode pensar o futuro, construir uma nação, uma sociedade sustentada na «equidade» da violência. Não posso seguir Jesus, se a ordem que promovo e vivo é «olho por olho, dente por dente».

Nenhuma família, nenhum grupo de vizinhos ou uma etnia e menos ainda um país tem futuro, se o motor que os une, congrega e cobre as diferenças é a vingança e o ódio. Não podemos pôr-nos de acordo e unir-nos para nos vingarmos, para fazermos àquele que foi violento o mesmo que ele nos fez, para planearmos ocasiões de retaliação sob formatos aparentemente legais. «As armas e a repressão violenta, mais do que dar solução, criam novos e piores conflitos» (Ibid., 60). A «equidade» da violência é sempre uma espiral sem saída; e o seu custo, muito alto. Há outro caminho possível, porque é crucial não esquecer que os nossos povos têm direito à paz. Vós tendes direito à paz.

Para tornar o seu convite mais concreto e aplicável no dia-a-dia, Jesus propõe uma primeira regra de ouro ao alcance de todos – «como quereis que os outros vos façam, fazei-lhes vós também» (Lc 6, 31) – e ajuda-nos a descobrir o que é mais importante nesta reciprocidade de trato: amar-nos, ajudar-nos e emprestar sem esperar nada em troca.

«Amar-nos»: diz-nos Jesus. E Paulo traduz isto como «revestir-nos de sentimentos de misericórdia e de bondade» (Col 3, 12). O mundo desconhecia – e continua sem conhecer – a virtude da misericórdia, da compaixão, matando ou abandonando ou deficientes e idosos, eliminando feridos e enfermos, ou divertindo-se com os sofrimentos dos animais. Também não praticava a bondade, a amabilidade, que nos move a considerar o bem do próximo tão querido como o próprio.

Superar os tempos da divisão e violência supõe não só um ato de reconciliação ou a paz entendida como ausência de conflito, supõe o compromisso diário de cada um de nós ter um olhar atento e ativo que nos leva a tratar os outros com aquela misericórdia e bondade com que queremos ser tratados; misericórdia e bondade sobretudo com aqueles que, pela sua condição, rapidamente acabam rejeitados e excluídos. Trata-se de uma atitude, não de débeis, mas de fortes, uma atitude de homens e mulheres que descobrem que não é necessário maltratar, denegrir ou esmagar para se sentirem importantes; antes pelo contrário... E esta atitude é a força profética que o próprio Jesus Cristo nos ensinou ao querer identificar-Se com eles (cf. Mt 25, 35-45) e ao mostrar-nos que o serviço é o caminho.

Moçambique possui um território cheio de riquezas naturais e culturais, mas paradoxalmente com uma quantidade enorme da sua população abaixo do nível de pobreza. E por vezes parece que aqueles que se aproximam com o suposto desejo de ajudar, têm outros interesses. E é triste quando isto se verifica entre irmãos da mesma terra, que se deixam corromper; é muito perigoso aceitar que a corrupção seja o preço que temos de pagar pela ajuda externa.

«Não seja assim entre vós» (Mt 20, 26; cf. vv. 26-28). Com as suas palavras, Jesus impele-nos a ser protagonistas de outro trato: o do seu Reino. Aqui e agora, sementes de alegria e esperança, paz e reconciliação. O que o Espírito vem a impelir não é um ativismo transbordante, mas, antes de tudo, uma atenção prestada ao outro, reconhecendo-o e valorizando-o como irmão até sentir a sua vida e a sua dor como a nossa vida e a nossa dor. Este é o melhor termómetro para descobrir as ideologias de todo e qualquer tipo que tentem manipular os pobres e as situações de injustiça ao serviço de interesses políticos ou pessoais (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 199). Só assim poderemos ser, no lugar onde nos encontrarmos, sementes e instrumentos de paz e reconciliação.

Queremos que reine a paz nos nossos corações e no palpitar do nosso povo. Queremos um futuro de paz. Queremos que «reine nos vossos corações a paz de Cristo» (Col 3, 15), como justamente dizia a carta de São Paulo. Ele usa um verbo que vem do mundo do desporto e faz referência ao árbitro que decide as coisas discutíveis: E disse: «que a paz de Cristo seja o árbitro nos vossos corações». Se a paz de Cristo é o árbitro nos nossos corações, então quando os sentimentos estão em conflito e nos achamos indecisos entre dois sentidos opostos, «façamos o jogo» de Cristo. A decisão de Cristo manter-nos-á no caminho do amor, na senda da misericórdia, na opção pelos mais pobres, na salvaguarda da natureza. No caminho da paz. Se Jesus for o árbitro entre as emoções em conflito do nosso coração, entre as decisões complexas do nosso país, então Moçambique tem garantido um futuro de esperança; então o vosso país cantará «a Deus, com gratidão e de todo o coração, salmos, hinos e cânticos inspirados» (Col 3, 16).

VN

05 setembro, 2019

Papa a consagrados: encontrar na doação a fonte da nossa identidade

 
 Encontro do Papa com os bispos, sacerdotes, religiosos, consagrados,
seminaristas, catequistas e animadores pastorais
 
“O sacerdote é o mais pobre dos homens, se Jesus não o enriquece com a sua pobreza; é o servo mais inútil, se Jesus não o trata como amigo; é o mais louco dos homens, se Jesus não o instrui pacientemente como fez com Pedro; o mais indefeso dos cristãos, se o Bom Pastor não o fortifica no meio do rebanho. Não há ninguém menor que um sacerdote deixado meramente às suas forças”: disse o Papa no encontro em Maputo com bispos, sacerdotes, religiosos, seminaristas
 
Raimundo de Lima - Cidade do Vaticano

Reavivemos o nosso chamamento vocacional, e que o nosso sim comprometido proclame as grandezas do Senhor e alegre o espírito do nosso povo em Deus nosso Salvador. E encha de esperança, paz e reconciliação o vosso país, nosso querido Moçambique. Foi o que disse o Papa Francisco no aguardado encontro com os bispos, sacerdotes, religiosos, consagrados, seminaristas, catequistas e animadores pastorais, na tarde desta quinta-feira (05/09) na Catedral da Imaculada Conceição, em Maputo, capital do país do sudeste de África, primeira etapa desta sua 31ª Viagem Apostólica Internacional. 

Testemunhos: desafios, sofrimentos e esperança viva

O discurso do Santo Padre foi precedido, além da saudação de boas-vindas ao ilustre visitante feito pelo presidente da Comissão para o Clero e a Vida Consagrada, Dom Hilário da Cruz Massinga, do testemunho de um sacerdote, de uma religiosa e de um catequista, testemunhos marcados pelos sérios desafios, sofrimentos, mas também pela viva esperança.

Na reflexão do Pontífice, um convite a renovar a resposta ao chamamento vocacional, a renovar a fé e a esperança:

“Encontramo-nos nesta catedral, dedicada à Imaculada Conceição da Virgem Maria, para partilhar como família aquilo que nos acontece; como família, que nasceu naquele sim que Maria deu ao anjo. Ela, nem por um momento olhou para trás. Quem narra estes acontecimentos do início do mistério da Encarnação é o evangelista Lucas. No seu modo de o fazer, talvez possamos descobrir resposta para as perguntas que fizestes hoje, e encontrar também o estímulo necessário para responder com a mesma generosidade e solicitude de Maria.” 

Contrastar a crise da indentidade sacerdotal

Perguntáveis o que fazer com a crise da identidade sacerdotal, como lutar contra ela? A propósito, o que vou dizer relativamente aos sacerdotes é algo que todos (bispos, catequistas, consagrados, seminaristas) somos chamados a cultivar e fomentar, ressaltou Francisco.

“Perante a crise ae identidade sacerdotal – disse o Papa –, talvez tenhamos que sair dos lugares importantes e solenes; temos de voltar aos lugares onde fomos chamados, onde era evidente que a iniciativa e o poder eram de Deus. Às vezes sem querer, sem culpa moral, habituamo-nos a identificar a nossa atividade cotidiana de sacerdotes com certos ritos, com reuniões e colóquios, onde o lugar que ocupamos na reunião, na mesa ou na sala é de hierarquia.” 

Se Jesus não te enriquece, o sacerdote é o mais pobre de todos

“Creio não exagerar se dissermos que o sacerdote é uma pessoa muito pequena: a grandeza incomensurável do dom que nos é dado para o ministério relega-nos entre os menores dos homens”, ressaltou o Pontífice, acrescentando:

“O sacerdote é o mais pobre dos homens, se Jesus não o enriquece com a sua pobreza; é o servo mais inútil, se Jesus não o trata como amigo; é o mais louco dos homens, se Jesus não o instrui pacientemente como fez com Pedro; o mais indefeso dos cristãos, se o Bom Pastor não o fortifica no meio do rebanho. Não há ninguém menor que um sacerdote deixado meramente entregue às suas forças.” 

Voltar a Nazaré para renovarmo-nos como pastores

Tendo precedentemente aludido ao Anúncio do Anjo feito a Zacarias em Jerusalém e a Maria em Nazaré, apresentado pelo evangelista São Lucas, Francisco enfatizou que voltar a Nazaré pode ser o caminho para enfrentar a crise de identidade, para renovarmo-nos como pastores-discípulos-missionários.

“Vós próprios faláveis de certo exagero na preocupação de gerar recursos para o bem-estar pessoal, por ‘caminhos tortuosos’ que muitas vezes acabam por privilegiar atividades com uma retribuição garantida e criam resistências a dedicar a vida ao pastoreio diário”, ressaltou. 

Doação na proximidade ao povo fiel de Deus

“Não podemos correr atrás daquilo que redunda em benefícios pessoais; os nossos cansaços devem estar mais relacionados com ‘a nossa capacidade de compaixão: são compromissos nos quais o nosso coração estremece e comove-se’.”

“Para nós, sacerdotes – acrescentou o Santo Padre –, as histórias do nosso povo não são um noticiário: conhecemos a nossa gente, podemos adivinhar o que se passa no seu coração.” “E, assim, a nossa vida sacerdotal vai-se doando no serviço, na proximidade ao povo fiel de Deus…, etc., o que sempre, sempre cansa.”
 
Fugir do "mundanismo espiritual" ditado pelo consumismo
 
Francisco observou que renovar o chamamento “passa, muitas vezes, por verificar se os nossos cansaços e preocupações têm a ver com um certo ‘mundanismo espiritual’ ditado ‘pelo fascínio de mil e uma propostas de consumo a que não conseguimos renunciar para caminhar livres, pelas sendas que nos conduzem ao amor dos nossos irmãos, ao rebanho do Senhor, às ovelhas que aguardam pela voz dos seus pastores’”.

 “Renovar o chamamento passa por optar, dizer sim e cansar-nos com aquilo que é fecundo aos olhos de Deus, que torna presente, encarna o seu Filho Jesus. Oxalá encontremos, neste saudável cansaço, a fonte da nossa identidade e felicidade!” 

Um olhar aos jovens: reconhecer a própria vocação

Por fim, o Pontífice dirigiu-se também ao jovens que se interrogam ou que já se sentem chamados para a vida consagrada:

“Tu que ainda te interrogas ou tu que já estás a caminho duma consagração definitiva dar-te-ás conta de que ‘a ansiedade e a velocidade de tantos estímulos que nos bombardeiam fazem com que não haja lugar para aquele silêncio interior onde se percebe o olhar de Jesus e se ouve o seu chamamento’”.
“Procura, antes, aqueles espaços de calma e silêncio que te permitam refletir, rezar, ver melhor o mundo ao teu redor e então sim, juntamente com Jesus, poderás reconhecer qual é a tua vocação nesta terra.”
Francisco concluiu destacando que a Igreja em Moçambique é convidada a ser a Igreja da Visitação: “não pode ser parte do problema das competências, menosprezos e divisões de uns contra os outros, mas porta de solução, espaço onde sejam possíveis o respeito, o intercâmbio e o diálogo”.

VN

02 setembro, 2019

Papa. Sínodo, sinodalidade e Espírito Santo

 
 Papa Francisco e os Bispos da Igreja Greco-Católica ucraniana
 
“Se não há o Espírito Santo, não há Sínodo. Se o Espírito Santo não está presente, não há sinodalidade”, afirma o Papa Francisco aos Bispos da Igreja Greco-Católica Ucraniana. 
 
Jane Nogara - Cidade do Vaticano

Na manhã desta segunda-feira, (02/09) o Papa Francisco recebeu os Bispos da Igreja Greco-católica Ucraniana.

No início do encontro, sua Beatitude o arcebispo-mor Sviatoslav Shevchuk, da Igreja Greco-Católica Ucraniana, dirigiu algumas palavras de saudação ao Santo Padre.

O Papa não fez um discurso oficial, mas uma saudação a todos esclarecendo que “no encontro que tivemos” [no Vaticano em 5 de julho de 2019] foi dito tudo o que deveria ser dito.

Porém, continuou o Pontífice referindo-se ao discurso do arcebispo Shevchuk “o senhor disse algo que não podemos esquecer: sínodo, sinodalidade, e Espírito Santo”. Evidenciando a seguir um artigo publicado na edição de domingo do jornal L’Osservatore Romano, sobre a presença do Espírito Santo no caminho sinodal.

Sínodo e Espírito Santo

Francisco explica que “há um perigo: crer hoje, que fazer caminho sinodal ou ter uma atitude de sinodalidade, signifique uma pesquisa de opinião, o que pensa este, aquele e outro…, para depois organizar um encontro e concordar… Não, o sínodo não é um Parlamento! As coisas devem ser ditas, discutidas como se faz normalmente, mas não é um Parlamento”. Principalmente, continua o Papa, “não é como na política: eu dou isto e tu dás-me aquilo”. Depois de afirmar veemente que o Sínodo também não é uma pesquisa sociológica, como alguns crêem embora os sacerdotes devam certamente saber o que os leigos pensam, finaliza:
“ Se não há o Espírito Santo, não há Sínodo. Se o Espírito Santo não está presente, não há sinodalidade ”
“Se não há a Igreja, a identidade da Igreja” não é Sínodo e continua a explicar o que é a identidade da Igreja segundo São Paulo VI: “a vocação da Igreja é evangelizar, ou seja, a sua identidade é evangelizar”.

Por fim Francisco convida os bispos ucranianos a entrarem no Sínodo que está para iniciar “com este espírito, com o Espírito Santo. Rezem ao Espírito Santo para que não se tornem uma Igreja congregacionista, mas sim uma Igreja sinodal".

Papa Francisco e os Bispos greco-católicos Ucranianos
VN

01 setembro, 2019

Cardeal-patriarca destaca percurso de D. José Tolentino Mendonça no diálogo cultural

O cardeal-patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) saudou hoje a nomeação cardinalícia de D. José Tolentino Mendonça, destacando o percurso do arcebispo madeirense no campo cultural.

“O Papa Francisco sabe muito bem como a evangelização e a nova evangelização têm uma fortíssima vertente cultural, isto é, requer uma compreensão profunda da mentalidade atual, não só na Europa, mas pelo mundo além”, assinalou D. Manuel Clemente, em declarações à Agência ECCLESIA.
“O senhor D. José Tolentino é muitíssimo bom e capaz, neste setor e neste sentido, de uma nova evangelização e da sua necessidade cultural”, acrescentou. O presidente da CEP falou de uma “grande felicidade” para a Igreja Católica em Portugal, que vai passar a contar com cinco elementos no Colégio Cardinalício pela primeira vez na história. “Temos de alegrar-nos, como Igreja em Portugal, como amigos e como admiradores de D. José Tolentino, por esta oportuna criação cardinalícia”, observou. O Papa anunciou hoje, pouco depois do meio-dia de Roma (menos uma em Lisboa), a decisão de convocar um Consistório para a criação de 13 cardeais, a 5 de outubro, entre eles o arquivista e bibliotecário da Santa Sé, D. José Tolentino Mendonça. “Agradecemos muito ao Papa Francisco e contamos muito com o trabalho, com a inteligência, com a sabedoria do nosso caríssimo D. José Tolentino”, declarou o cardeal-patriarca de Lisboa.
Já a reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil, falou num “percurso absolutamente notável” do antigo vice-reitor da instituição, que vai ser criado cardeal. A responsável destaca a juventude de D. José Tolentino Mendonça, que será um dos mais jovens elementos do Colégio Cardinalício, e a sua personalidade “profundamente cosmopolita”, com abertura ao mundo. “É um homem de cultura, que demonstrou como a missão evangelizadora da Igreja se manifesta através da arte e da cultura”, sustentou a reitora da UCP.Para Isabel Capeloa Gil, o Papa passa a contar com um conselheiro que se destaca como “homem de grande diálogo, com uma posição absolutamente singular na capacidade de articular as diferenças” e “uma posição absolutamente singular na capacidade de articular as diferenças”, prestando atenção à missão da Igreja “em todos os setores da sociedade”. A responsável sublinha ainda a “grande perspicácia” do futuro cardeal português para “analisar os quadros sociais, culturais, para entender os movimentos de transformação das sociedades contemporâneas”.
Ecclesia

Carta aos diocesanos de Lisboa no início do ano pastoral 2019-2020



Caríssimos diocesanos

Como tem acontecido, volto a escrever-vos no começo do novo ano pastoral. Creio que ajudará a precisar o que faremos em conjunto, além das múltiplas iniciativas pessoais e comunitárias.

1. - Sair com Cristo ao encontro de todas as periferias!
Entramos na última etapa da receção sistemática da Constituição Sinodal de Lisboa. Mantendo o objetivo de “fazer da Igreja uma rede de relações fraternas” (CSL, 60), para reforçar todos os dinamismos e instâncias de participação e corresponsabilidade eclesial, insistimos agora em “sair com Cristo ao encontro de todas as periferias” - onde, aliás, Ele nos espera (cf. CSL, 53)!
Para não dispersar, retomo o que vos escrevi em julho na apresentação do Programa e Calendário Diocesano 2019/2020: A insistência na ação caritativa há de levar-nos a trabalhar mais e melhor em conjunto para servir quem precisa. Detetar em cada meio aqueles que, estando mais periféricos, mais precisam de ser centralizados na nossa atenção e cuidado é o que procuraremos fazer, atendendo à especificidade sociocultural de cada lugar.  O Departamento da Pastoral Sociocaritativa elaborou uma “proposta de objetivos” de que sublinho três momentos: O Dia da Solicitude (18 de outubro), o Congresso da Pastoral Social (15-16 de maio) e a Semana Vicarial da Caridade, na data a escolher por cada Vigararia. Sobre cada um deles, o Departamento dará indicações e estará disponível. O Dia da Solicitude, em outubro, será um momento de partilha das ações programadas por cada comunidade e instituição sociocaritativa em ordem ao cumprimento deste programa. O Congresso da Pastoral Social, em maio, será o momento de avaliar o que se conseguiu realizar e apurar critérios para o fazer, porventura, melhor no futuro. A Semana Vicarial da Caridade é da organização de cada Vigararia. Trata-se de juntar na ocasião mais propícia as diferentes instituições e iniciativas sociocaritativas da Vigararia numa ação comum em que todos cooperem; dedicar nessa mesma semana algum tempo para a formação dos agentes pastorais desta área; proporcionar-lhes também um tempo de recoleção espiritual motivadora.
Ao mesmo tempo, avançaremos para o grande horizonte que o Papa Francisco nos abriu: a Jornada Mundial da Juventude. O reforço sociocaritativo que entretanto fizermos será a sua melhor garantia! Tanto mais quanto o tema indicado pelo Papa Francisco para a JMJ 2022 se refere precisamente à Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel, isto é, à evangelização caritativa: “Maria levantou-se e partiu apressadamente” (Lc 1, 39). Entretanto, no próximo Domingo de Ramos, 5 de abril de 2020, receberei, em Roma, os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (Cruz e Ícone de Nossa Senhora) que peregrinarão depois pelas Dioceses, preparando-nos também assim para o grande acontecimento.      
Relembro ainda que no próximo Domingo 20 de outubro, Dia Mundial das Missões, culminaremos, em Fátima, o Ano Missionário, que certamente aumentou em muitas comunidades esta dimensão essencial do Evangelho, recebido para partilhar com todos e em toda a parte. Na mesma celebração, às 11 da manhã, também agradeceremos a Deus os 175 anos do Apostolado da Oração – Rede Mundial da Oração do Papa, que tanto tem contribuído para alimentar e irradiar a nossa vida em Cristo. Espero encontrar-vos lá em bom número!

2. “Nova evangelização” é colocar os pobres no centro do caminho da Igreja
Esta é também a maior insistência do magistério do Papa Francisco, em plena coincidência com a do próprio Jesus Cristo. Na exortação inicial e programática do seu pontificado, enunciou-nos assim o tema da “nova evangelização”, tão caro a São João Paulo II: «Por isso, desejo uma Igreja pobre para os pobres. […] A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles» (Papa Francisco, Exortação apostólica Evangelii gaudium [EG], 24 de novembro de 2013, 198).
Como sabemos, a pobreza evangélica, primeira das bem-aventuranças, é mais do que a privação de bens materiais e só a atinge quem não ponha neles o seu coração, embora tudo faça para que não falte o essencial a ninguém. Requer da nossa parte a certeza de que só Deus basta, manifestando-se nos outros em quem nos espera, sobretudo nos que mais precisam do nosso cuidado. Em suma, trata-se de cuidar realmente de todos e cada um em tudo quanto à vida se refere, da conceção à morte natural, não desistindo de o repetir e praticar.
O Papa Francisco junta uma advertência forte, que devemos levar muito em conta: «Qualquer comunidade da Igreja, na medida em que pretender subsistir tranquila sem se ocupar criativamente nem cooperar de forma eficaz para que os pobres vivam com dignidade e haja a inclusão de todos, correrá também o risco da sua dissolução» (EG, 207).  
Ligando “nova evangelização” e cuidado dos outros, sobretudo dos mais necessitados de procura e integração, o Papa convocou o Jubileu da Misericórdia. Celebrado há três anos já, estas suas palavras não perdem atualidade: «No nosso tempo, em que a Igreja está comprometida na nova evangelização, o tema da misericórdia exige ser reproposto com novo entusiasmo e uma ação pastoral renovada. É determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio, que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. […] Nas nossas paróquias, nas comunidades, nas associações e nos movimentos – em suma, onde houver cristãos -, qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia» (Papa Francisco, Bula Misericordiae vultus, de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, 11 de abril de 2015, nº 12). Foi em Cristo pobre que Deus esteve connosco, na periferia daquele grande Império. Reconhecê-Lo e servi-Lo nos muitos pobres de todas as pobrezas atuais é refazer a Igreja no seu Centro vivo!
A atenção aos outros tem em conta o contexto sociocultural em que vivem e são formados. O Evangelho de Cristo deve iluminá-lo e não o deixará empobrecer. Recomendo que nas comunidades e meios educativos se leiam e divulguem alguns pronunciamentos da Santa Sé e do Episcopado Português de especial oportunidade. Refiro-me ao recente documento da Congregação para a Educação Católica,
Homem e mulher os criou” – Para uma via de diálogo sobre a questão do Gender na educação, à Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa sobre a ideologia de género e à Nota Pastoral sobre a eutanásia, também da CEP (além das edições impressas, tudo está disponível no “site” da Conferência Episcopal Portuguesa e da Agência Ecclesia).       

3. Como o Bom Samaritano

A parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 29-37) é fonte permanente de inspiração e ação. Se o imitarmos – lembrando que o Bom Samaritano da humanidade inteira é o próprio Cristo – irradiaremos uma autêntica “cultura” ou modo evangélico de sentir e agir, como o Papa também indica: «Somos chamados a fazer nascer uma cultura de misericórdia, com base na redescoberta do encontro com os outros: uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença, nem vire a cara quando vê o sofrimento dos irmãos» (Papa Francisco,
Carta apostólica Misericordia et misera, no termo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, 20 de novembro de 2016, nº 20).
Significativamente, o Papa Bento XVI ligara também à parábola do Bom Samaritano um trecho fundamental da
encíclica Deus caritas est. Fundamental porque nos dá o critério qualificativo da “caridade cristã”, como importa ter bem presente em tudo o que de pessoal, comunitário ou institucional possamos e devamos realizar. Peço a vossa especial atenção para o seguinte trecho: «Quais são os elementos constitutivos que formam a essência da caridade cristã e eclesial? a) Segundo o modelo oferecido pela parábola do bom Samaritano, a caridade cristã é simplesmente, em primeiro lugar, a resposta àquilo que, numa determinada situação, constitui a necessidade imediata: os famintos devem ser saciados, os nus vestidos, os doentes tratados para se curarem, os presos visitados, etc. […] b) A atividade caritativa cristã deve ser independente de partidos e ideologias. […] O programa do cristão – o programa do bom Samaritano, o programa de Jesus – é “um coração que vê”. Este coração vê onde há necessidade de amor e age de acordo com isso. […] c) Além disso, a caridade não deve ser um meio em função daquilo que hoje é indicado como proselitismo. O amor é gratuito; não é realizado para alcançar outros fins. […] É dever das organizações caritativas da Igreja reforçar de tal modo esta consciência nos seus membros que estes, através do seu agir – como também do seu falar, do seu silêncio, do seu exemplo -, se tornem testemunhas credíveis de Cristo» (Papa Bento XVI, Encíclica Deus caritas est, sobre o amor cristão, 25 de dezembro de 2005, nº 31).
Imediata, independente e gratuita, assim se carateriza a caridade cristã. Proponho que também esta encíclica do Papa emérito seja retomada e estudada nas comunidades ao longo do presente ano pastoral. Pelo tratamento sistemático que faz das caraterísticas e dos modos da ação sociocaritativa, pessoal ou institucional, será muito útil para a concretização do nosso programa anual, em perfeita consonância com a insistência evangélica do Papa Francisco.Desejo-vos a todos, caríssimos diocesanos, as maiores felicidades no ano pastoral que hoje começa. Nossa Senhora da Visitação nos acompanhará em direção a todas as periferias que nos esperam. - Para as centralizarmos também, como centrais continuam no seu coração materno!

Convosco, em oração e muita estima,

+ Manuel, Cardeal-Patriarca

Lisboa, 1 de setembro de 2019 

Patriarcado de Lisboa

Papa no Angelus: Jesus convida à generosidade desinteressada

 
 
 
"A retribuição humana, de facto, distorce geralmente os relacionamentos, torna-os comerciais, introduzindo o interesse pessoal numa relação que deveria ser generosa e gratuita. Em vez disto, Jesus convida à generosidade desinteressada, para abrir-nos o caminho em direção a uma alegria muito maior, a alegria de ser partícipes do próprio amor de Deus que nos espera, a todos, no banquete celeste."
 
Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

O Papa Francisco, que começou o Angelus desculpando-se pelo atraso - explica ter ficado 25 minutos preso no elevador do Palácio Apostólico - destacou na sua alocução a generosidade desinteressada e a humildade indicada por Jesus.

A sua reflexão foi inspirada no Evangelho de São Lucas que narra a presença de Jesus num banquete na casa de um chefe dos fariseu. “Jesus olha e observa como os convidados correm, apressam-se para conseguirem os primeiros lugares”. 

Afirmar superioridade sobre os outros

“É um comportamento bastante difundido, também nos nossos dias – observou o Papa -  e não somente quando somos convidados para um almoço: habitualmente busca-se o primeiro lugar para afirmar uma suposta superioridade sobre os outros.” 

Comportamento prejudicial à comunidade

Mas esta corrida pela busca dos primeiros lugares faz mal à comunidade – afirma Francisco - quer civil como eclesial, porque destrói a fraternidade:

Todos conhecemos estas pessoas: galgadores, que sempre se agarram para subir, subir. Fazem mal à fraternidade, prejudicam a fraternidade".

Diante desta cena, Jesus conta duas breves parábolas. O Papa recorda então a primeira, dirigida a uma pessoa convidada para um banquete, e é advertida para não ocupar o primeiro lugar, sob o risco de ser convidada pelo dono da festa a cedê-lo para outra pessoa e ocupar o último, o que seria uma vergonha. 

Escolher o último lugar

“Em vez disto – recordou o Santo Padre -  Jesus ensina-nos a termos a atitude oposta, a senta-mo-nos no último lugar: “Portanto, não devemos procurar por iniciativa própria a atenção e a consideração de outros, mas sim deixarmos que sejam os outros a dá-la”:

“Jesus mostra-nos sempre o caminho da humildade – devemos aprender o caminho da humildade! -  porque é o mais autêntico, o que também permite ter relações autênticas. A verdadeira humildade, não a humildade fingida, aquela que no Piemonte se chama a “mugna quacia”, não, aquela, não. A verdadeira humildade.” 

A generosidade humilde é cristã

Já na segunda parábola – continuou Francisco - Jesus dirige-se ao dono da festa, sugerindo que na escolha dos convidados, chame os “pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir"”:

“Também aqui, Jesus vai completamente contracorrente, manifestando como sempre a lógica de Deus Pai. E também acrescenta a chave para interpretar o seu discurso. E qual é a chave? Uma promessa: se fizeres assim,  “receberás a recompensa na ressurreição dos justos". Isto significa que aquele que assim se comportar, terá a recompensa divina, muito superior à retribuição humana que se espera: eu te faço este favor esperando que tu me faça outro. Não, isto não é cristão. A generosidade humilde é cristã”. 

Jesus convida à generosidade desinteressada

O Papa observa que a retribuição humana, “geralmente distorce os relacionamentos, torna-os comerciais, introduzindo o interesse pessoal numa relação que deveria ser generosa e gratuita”.
 
Jesus, por sua vez, “convida à generosidade desinteressada, para abrir-nos o caminho na direção para uma alegria muito maior, a alegria de ser partícipes do próprio amor de Deus que nos espera, a todos nós, no banquete celeste”.

Ao concluir, Francisco pediu a Virgem Maria que “nos ajude a reconhecer-nos como somos, isto é, pequenos; e a nos alegrarmos em dar, sem esperar recompensa”.

VN