02 março, 2018

Discernimento espiritual: intenção de oração do Papa para março

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Rezar juntos para que toda a Igreja reconheça a urgência da formação ao discernimento espiritual no plano pessoal e comunitário.” 

Cidade do Vaticano –

Discernimento: esta é a palavra chave da intenção de oração proposta pelo Papa Francisco neste mês e março. “Rezar juntos para que toda a Igreja reconheça a urgência da formação ao discernimento espiritual no plano pessoal e comunitário”, é o pedido do Papa ao Apostolado da Oração.

No vídeo em que convida a orar, Francisco afirma que a época em que vivemos pede-nos para desenvolver uma profunda capacidade de discernimento.

“Discernir, entre todas as vozes, qual seja a do Senhor, qual seja a Sua voz que nos leva à Ressurreição, à Vida, e a voz que nos liberta de cair na “cultura da morte”.

Precisamos “ler de dentro” aquilo que o Senhor nos pede, afirma ainda o Papa, para viver no amor e ser continuadores desta sua missão de amor.

Confira acima o vídeo.

VATICAN NEWS

Segunda pregação da Quaresma: o amor não seja fingido (resumo)


 Capela Redemptoris Mater, local das pregações da Quaresma
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O pregador da Casa Pontifícia escolheu como tema das meditações para a Quaresma deste ano: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”. As meditações são feitas sempre às sextas-feiras e vão até 23 de março. 

Cidade do Vaticano –

O Papa Francisco e os seus colaboradores da Cúria Romana participaram na manhã de sexta-feira (02/03) na segunda pregação de Quaresma feita pelo Fr. Raniero Cantalamessa.

O tema da meditação, na capela Redemptoris Mater, foi “O amor não seja fingido”. “O agape, ou a caridade cristã, não é uma das virtudes, nem que fosse a primeira; é a forma de todas as virtudes, aquela da qual “dependem toda a lei e os profetas”, afirmou o frade capuchinho, citando versículos do Novo Testamento (Mt 22, 40; Rm 13,10). Entre os frutos do Espírito que o Apostólo elenca nos Gálatas 5, 22, em primeiro lugar encontramos o amor: “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz...”.

O amor não seja fingido

Quando o Apóstolo Paulo afirma “O amor não seja fingido”, não se trata de uma das inúmeras exortações, mas a matriz de onde derivam as demais. Contém o segredo da caridade, do amor. O que se pede ao amor é que seja verdadeiro, autêntico, não fingido. Para o frade franciscano, pode-se falar de uma intuição paulina em relação à caridade, indicando o coração como o “local” em que se decide o valor daquilo que o homem faz.
“ O amor sincero consiste em amar-se intensamente ‘de verdadeiro coração’. ”
O amor é paciente, é benigno, não é invejoso, prosseguiu Fr. Cantalamessa. A caridade hipócrita é aquela que faz o bem sem querer bem, que mostra ao exterior algo que não tem uma correspondência no coração. Não se trata de atenuar a importância das obras de caridade, mas garantir a elas um fundamento seguro contra o egoísmo e as suas infinitas astúcias. 

Convite: olhar para si mesmo

Portanto, cada um é convidado a examinar a si mesmo para ver o que está na raiz da própria escolha: se há a realeza de Cristo, a sua glória, o interesse Dele, ou a própria afirmação, o próprio “eu” e o próprio poder. Se a escolha é de natureza realmente espiritual e evangélica, ou se não depende, ao invés, da própria inclinação psicológica, ou pior, da própria opção política.

O pregador da Casa Pontifícia escolheu como tema das meditações para a Quaresma deste ano: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”. As meditações são feitas sempre às sextas-feiras e vão até 23 de março.

VATICAN NEWS

Para aceder ao texto integral da II Pregação Quaresmal

II Pregação da Quaresma do Pe. Raniero Cantalamessa - texto integral

Capela Redemptoris Mater, no Vaticano  (ANSA)
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“Que a vossa caridade não seja fingida", foi o tema da II Pregação da Quaresma do padre Raniero Cantalamessa O.F.M. ao Papa Francisco e à Cúria Romana. 

Cidade do Vaticano

Tradução de Thácio Siqueira:

Segunda Pregação de Quaresma 2018

“QUE VOSSA CARIDADE NÃO SEJA FINGIDA”

O amor cristão 

1. Indo às fontes da santidade cristã 

Juntamente com a chamamento universal à santidade, o Concílio Vaticano II também deu indicações precisas sobre o que se entende por santidade, no que consiste. Na Lumen gentium se lê: 

" Jesus, mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a santidade da vida, de que Ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição: «sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito» (Mt. 5,48) (121). A todos enviou o Espírito Santo, que os move interiormente a amarem a Deus com todo o coração, com toda a alma, com todo o espírito e com todas as forças (cfr. Mc. 12,30) e a amarem-se uns aos outros como Cristo os amou (cfr. Jo. 13,34; 15,12). Os seguidores de Cristo, chamados por Deus e justificados no Senhor Jesus, não por merecimento próprio mas pela vontade e graça de Deus, são feitos, pelo Batismo da fé, verdadeiramente filhos e participantes da natureza divina e, por conseguinte, realmente santos. É necessário, portanto, que, com o auxílio divino, conservem e aperfeiçoem, vivendo-a, esta santidade que receberam."(LG 40).

Tudo isto está resumido na fórmula: "a santidade é a união perfeita com Cristo" (LG, 50). Esta visão reflete a preocupação geral do Concílio de voltar às fontes bíblicas e patrísticas, superando, também neste campo, a postura escolástica dominante durante séculos. Agora é uma questão de tomar consciência dessa renovada visão de santidade e fazê-la passar na prática da Igreja, isto é, na pregação, na catequese, na formação espiritual dos candidatos ao sacerdócio e à vida religiosa e - por que não? - também na visão teológica que inspira a prática da Congregação dos Santos[1].
Uma das principais diferenças entre a visão bíblica da santidade e a da escolástica reside no facto de que as virtudes não se fundamentam tanto na "reta razão" (a recta ratio aristotélica), mas no Querigma; ser santo não significa seguir a razão (muitas vezes, é o contrário!), mas seguir a Cristo. A santidade cristã é essencialmente cristológica: consiste na imitação de Cristo e, no seu cume - como diz o Concílio - na "perfeita união com Cristo".

A síntese bíblica mais completa e mais compacta de uma santidade fundada no Querigma é aquela descrita por São Paulo na parte parenética da Carta aos Romanos (capítulos 12-15). No início, o Apóstolo dá uma visão resumida do caminho de santificação do crente, do seu conteúdo essencial e do seu propósito:

"Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito" (Rm 12,1-2).

Na última pregação, nós meditamos nestes versículos. Nas próximas meditações, partindo do que se segue no texto paulino e completando-o com o que o Apóstolo diz noutro lugar sobre o mesmo argumento, tentaremos destacar os traços salientes da santidade, aqueles que hoje são chamados de "virtudes cristãs" e que o Novo Testamento define como os "frutos do Espírito", as "obras da luz", ou também "os sentimentos que estavam em Cristo Jesus" (Fl 2, 5).

A partir do capítulo 12 da Carta aos Romanos, todas as principais virtudes cristãs, ou frutos do Espírito, estão listadas: o serviço, a caridade, a humildade, a obediência, a pureza. Não como virtudes a serem cultivadas por si mesmo, mas como necessárias consequências da obra de Cristo e do batismo. A seção começa com uma conjunção que por si só vale um tratado: “Vos exorto, portanto...”. Aquele "portanto" significa que tudo o que o Apóstolo dirá daquele momento em diante é a consequência do que escreveu nos capítulos precedentes sobre a fé em Cristo e sobre a obra do Espírito. Refletiremos sobre quatro destas virtudes: caridade, humildade, obediência e pureza, começando com a primeira. 

2. Um amor sincero 

O Ágape, ou caridade cristã, não é uma das virtudes, nem sequer a primeira; é a forma de todas as virtudes, da qual "dependem todas as leis e os profetas" (Mt 22, 40; Rom 13,10). Entre os frutos do Espírito que o Apóstolo apresenta em Gálatas 5, 22, em primeiro lugar, encontramos o amor: "O fruto do Espírito é amor, alegria, paz...". E é com isso que, de forma coerente, também começa a parénese sobre as virtudes na Carta aos Romanos. Todo o capítulo doze é uma sucessão de exortações à caridade:

"Que a vossa caridade não seja fingida [...]; amai-vos mutuamente com afeição terna e fraternal. Adiantai-vos em honrar uns aos outros..." (Rm 12, 9 ss).

Para entender a alma que unifica todas estas recomendações, a ideia básica, ou melhor, o "sentimento" que Paulo tem da caridade deve começar daquela palavra inicial: "Que a vossa caridade não seja fingida!” Esta não é uma das muitas exortações, mas a matriz a partir da qual derivam todas as demais. Contém o segredo da caridade.

O termo original usado por São Paulo e que é traduzido como "sem fingimentos", é anhypòkritos, isto é, sem hipocrisia. Esta palavra é uma espécie de lâmpada-piloto; na verdade, é um termo raro que encontramos empregado, no Novo Testamento, quase que exclusivamente para definir o amor cristão. A expressão "amor sincero" (anhypòkritos) retorna novamente em 2 Cor 6, 6 e 1 Pd 1, 22. Este último texto permite compreender, com toda a certeza, o significado do termo em questão, porque o explica com uma perífrase; o amor sincero – diz – consiste em se amar intensamente “com coração verdadeiro”.

São Paulo, então, com aquela simples afirmação: "a caridade seja sem fingimento!", leva o discurso à própria raiz da caridade, ao coração. O que se requer do amor é que seja verdadeiro, autêntico, não fingido. Também nisso o Apóstolo é o eco fiel do pensamento de Jesus; ele, de facto, tinha indicado, repetidamente e com força, o coração, como o "lugar" no qual se decide o valor do que o homem faz" (Mt 15, 19).

Podemos falar de uma intuição paulina em relação à caridade; consiste em revelar, por trás do universo visível e externo da caridade, feito de obras e de palavras, outro universo todo interior, que é, em relação ao primeiro, o que é a alma para o corpo. Reencontramos essa intuição no outro grande texto sobre a caridade, que é 1 Cor 13. O que São Paulo diz ali, observando bem, refere-se inteiramente a esta caridade interior, às disposições e sentimentos de caridade: a caridade é paciente, é benigna, não é invejosa, não se irrita, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera... Nada que diga respeito, por si e diretamente, ao fazer o bem, ou as obras da caridade, mas tudo é reconduzido à raiz do querer bem. A benevolência vem antes da beneficência.

É o próprio Apóstolo que faz explícita a diferença entre as duas esferas da caridade, dizendo que o maior ato de caridade externa (distribuir aos pobres todas as próprias coisas) não beneficiaria em nada, sem a caridade interior (cf. 1 Cor 13,3). Seria o oposto da caridade "sincera". A caridade hipócrita, de facto, é precisamente aquela que faz o bem, sem querer bem, que mostra externamente uma coisa que não encontra uma correspondência no coração. Neste caso, há uma aparência de caridade, que pode, no máximo, esconder egoísmo, a busca de si mesmo, instrumentalização do irmão, ou também simplesmente o remorso de consciência.

Seria um erro fatal contrapor a caridade do coração à caridade dos factos, ou refugiar-se na caridade interior, para encontrar nela uma espécie de álibi perante a falta de caridade factual. Sabemos com que vigor a palavra de Jesus (Mt 25), de São Tiago (2, 16 s) e de São João (1 Jo 3, 18) encorajam à caridade dos factos. Sabemos a importância que São Paulo deu às coletas a favor dos pobres de Jerusalém.

Além disso, dizer que, sem a caridade, "não ganho nada” inclusive dando tudo aos pobres, não significa dizer que tal atitude não sirva para ninguém e que seja inútil; significa, pelo contrário, dizer que não serve “para mim”, enquanto que pode servir para o pobre que a recebe. Não se trata, portanto, de atenuar a importância das obras de caridade, mas de garantir-lhes um fundamento seguro contra o egoísmo e os seus infinitos truques. São Paulo quer que os cristãos estejam “enraizados e fundamentados na caridade” (Ef 3, 17), ou seja, que a caridade seja a raiz e o fundamento de tudo.

Quando amamos "de coração", é o próprio amor de Deus "derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo" (Rm 5, 5) que passa por nós. A ação humana é verdadeiramente deificada. Tornar-se "participantes da natureza divina" (2 Pd 1, 4) significa, de facto, tornar-se participantes da ação divina, da ação divina de amar, dado que Deus é amor!

Nós amamos os homens não só porque Deus os ama, ou porque Ele quer que os amemos, mas porque, ao  dar-nos o seu Espírito, Ele colocou nos nossos corações o  próprio amor por eles. Isto explica a razão por que o apóstolo afirma imediatamente depois: "A ninguém fiqueis a dever coisa alguma, a não ser o amor recíproco; porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei." (Rm 13, 8).

Por que perguntamos, uma "dívida"? Porque recebemos uma medida infinita de amor para ser distribuído, a seu tempo, entre os irmãos (cf Lc 12, 42, Mt 24, 45 s.). Se não o fizermos, retiramos do irmão algo que lhe é devido. O irmão que aparece à sua porta, talvez peça algo que não lhe podes dar; mas se não podes dar-lhe o que ele pede, presta atenção para não mandá-lo embora sem aquilo que lhe é devido, ou seja, o amor. 

3. Caridade com os de fora 

Depois de nos ter explicado o que é a verdadeira caridade cristã, o Apóstolo, na sequência da sua parénese, mostra como esse "amor sincero" deve ser traduzido na ação nas situações de vida da comunidade. O Apóstolo destaca duas situações: a primeira diz respeito às relações ad extra da comunidade, ou seja, com os de fora; a segunda, as relações ad intra, entre os membros da própria comunidade. Vamos ouvir algumas das suas recomendações referentes à primeira relação, aquela com o mundo exterior:

"Abençoai os que vos perseguem; abençoai-os, e não os praguejeis [...] Aplicai-vos a fazer o bem diante de todos os homens. Se for possível, quanto depender de vós, vivei em paz com todos os homens. Não vos vingueis uns aos outros, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus [...] Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber [...]Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem." (Rm 12, 17-21).

Nunca antes, como neste ponto, a moral do evangelho parece original e diferente de qualquer outro modelo ético, e nunca a parénese apostólica parece mais fiel e em continuidade com a do Evangelho. O que torna tudo isto particularmente atual para nós é a situação e o contexto em que esta exortação é dirigida aos que crêem. A comunidade cristã de Roma é um corpo estranho num organismo que - na medida em que toma consciência da sua presença - rejeita-o. É uma pequena ilha no mar hostil da sociedade pagã. Em circunstâncias como esta, sabemos quão forte é a tentação de se fechar, desenvolvendo o sentimento elitista e sombrio de uma minoria de salvos num mundo de perdidos. Com este sentimento vivia, naquele mesmo momento histórico, a comunidade essênia de Qumran.

A situação da comunidade de Roma descrita por Paulo representa, em miniatura, a situação atual de toda a Igreja. Não falo das perseguições e do martírio ao qual os nossos irmãos de fé são expostos em muitas partes do mundo; falo da hostilidade, da recusa e muitas vezes do profundo desprezo com que não só os cristãos, mas todos os crentes em Deus são vistos em vastos estratos da sociedade, geralmente os mais influentes e que determinam o sentimento comum. Eles são considerados precisamente como corpos estranhos numa sociedade evoluída e emancipada.

A exortação de Paulo não nos permite perder um único momento em recriminações acrimoniosas e em polémicas estéreis. Naturalmente, não se exclui o facto de dar razão da esperança que está em nós "com gentileza e respeito", como recomendava São Pedro (1 Pd 3, 15-16). É uma questão de entender qual atitude do coração deve ser cultivada com relação a uma humanidade que, como um todo, rejeita Cristo e vive nas trevas e não na luz (cf. Jo 3,19). Tal atitude é aquela de uma profunda compaixão e tristeza espiritual, de amá-los e sofrer por eles; carregar os us fardos perante Deus, como Jesus carregou os nossos  perante o Pai, e não deixar de parar de chorar e orar pelo mundo. Este é um dos mais belos traços da santidade de alguns monges ortodoxos. Penso em São Silvano do Monte Athos. Ele dizia:

"Há homens que desejam aos seus inimigos e aos inimigos da Igreja a ruína e os tormentos do fogo da condenação. Eles pensam assim porque não foram instruídos pelo Espírito Santo no amor de Deus. Aquele que, pelo contrário, realmente aprendeu a derrama lágrimas por todo o mundo. Dizes: ‘É mau e deve queimar no fogo do inferno’. Mas, eu pergunto: ‘Se Deus te desse um lindo lugar no paraíso e de lá visses queimar nas chamas aquele a quem desejaste tal fim, possivelmente, nem então, sentirias compaixão por ele, quem quer que ele tivesse sido, mesmo se inimigo da Igreja[2]”

Na época deste santo monge, os inimigos eram principalmente os bolcheviques que perseguiam a Igreja da sua amada pátria, a Rússia. Hoje, a frente alargou-se e não existe "cortina de ferro" a este respeito. Na medida em que um cristão descobre a infinita beleza, o amor e a humildade de Cristo, não pode deixar de sentir uma profunda compaixão e sofrimento por aqueles que voluntariamente se privam do maior bem da vida. O amor torna-se mais forte nele do que qualquer ressentimento. Numa situação semelhante, Paulo diz que está disposto a ser ele mesmo "anátema, separado de Cristo", se isso pudesse servir para ser aceito por aqueles do seu povo que permaneceram fora (Rm 9, 3).

4. A caridade ad intra 

O segundo grande campo de exercício da caridade é, izia-se, as relações dentro da comunidade. Na prática: como gerenciar os conflitos de opiniões que emergem entre os eus vários componentes. Sobre este tema, o Apóstolo dedica todo o capítulo 14 da Carta.

O conflito que ocorria então na comunidade romana era entre aqueles que o Apóstolo chama de "os fracos" e aqueles que chama de "os fortes", entre os quais ele se coloca ("Nós, que somos os fortes ...") (Rm 15,1). Os primeiros eram aqueles que se sentiam moralmente obrigados a observar determinadas prescrições herdadas da lei ou de crenças pagãs anteriores, como não comer carne (com suspeita de que tinha sido sacrificada aos ídolos) e o distinguir os dias em felizes e infelizes. Os segundos, os fortes, eram aqueles que, em nome da liberdade cristã, tinham superado estes tabus e não distinguiam comida de comida ou dia de dia. A conclusão do discurso (cf. Rm 15, 7-12) deixa claro que, no fundo, há o usual problema da relação entre os crentes provenientes do judaísmo e os crentes provenientes dos gentios.

As exigências da caridade que o Apóstolo inculca neste caso interessam-nos no mais alto grau porque são as mesmas que se impõem em cada tipo de conflito intereclesial, inclusive aqueles que vivemos hoje, tanto a nível de Igreja universal quanto na comunidade em que cada um mora.

Os critérios que o Apóstolo sugere são três. O primeiro é seguir a própria consciência. Se alguém está convencido de cometer pecado fazendo certa coisa, não deve fazê-la. “Tudo isto, de facto, não vem da consciência - escreve o Apóstolo - é pecado" (Rm 14, 23). O segundo critério é respeitar a consciência dos outros e abster-se de julgar o irmão:

 “Por que julgas, então, o teu irmão? Ou por que desprezas o teu irmão? [...]"Deixemos, pois, de nos julgar uns aos outros; antes, cuidai em não pôr um tropeço diante do vosso irmão ou dar-lhe ocasião de queda." (Rm 14, 10.13).

O terceiro critério diz respeito principalmente aos "fortes" e é de evitar o escândalo:

"Sei, estou convencido no Senhor Jesus de que nenhuma coisa é impura em si mesma; somente o é para quem a considera impura. Ora, se por uma questão de comida entristeces o teu irmão, já não vives segundo a caridade. Pela comida não causes a perdição daquele por quem Cristo morreu! [...] Portanto, apliquemo-nos ao que contribui para a paz e para a mútua edificação." (Rm 14, 14-19).

Todos estes critérios são, no entanto, particulares e relativos, em comparação com outro que, pelo contrário, é universal e absoluto, o do senhorio de Cristo. Ouçamos como o Apóstolo o formula:

"Quem distingue o dia, age assim pelo Senhor. Quem come de tudo, o faz pelo Senhor, porque dá graças a Deus. E quem não come, abstém-se pelo Senhor, e igualmente dá graças a Deus. Nenhum de nós vive para si, e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. Para isto é que morreu Cristo e retomou a vida, para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos." (Rm 14, 6-9).

Cada um é convidado a examinar-se a si mesmo para ver o que há no fundo da própria escolha: se há o senhorio de Cristo, a sua glória, o seu interesse, ou não, pelo contrário, mais ou menos dissimuladamente, a própria afirmação, o próprio “eu” e o próprio poder; se a sua escolha é de natureza verdadeiramente espiritual e evangélica, ou se não depende pelo contrário da própria inclinação psicológica, ou, pior, da própria opção política. Isso vale num e no outro sentido, ou seja, tanto para os assim chamados fortes quanto para os a chamados fracos; portanto, diremos nós hoje, para aqueles que estão do lado da liberdade e da novidade do Espírito, quanto para aqueles que estão do lado da continuidade e da tradição.

Há uma coisa que deve ser levada em consideração para não ver, na atitude de Paulo sobre este assunto, uma certa inconsistência em relação ao seu ensino anterior. Na Carta aos Gálatas, ele parece muito menos disposto ao compromisso e negociações, por vezes, encolerizado. (Se ele tivesse que se submeter ao processo de canonização hoje, Paulo, dificilmente, se tornaria santo: teria sido difícil demonstrar a "heroicidade" da sua paciência! Ele às vezes "explode", mas podia dizer: "Não sou mais eu quem vivo, Cristo vive em mim "(Gal 2,20), e essa, nós vimos, é a essência da santidade cristã).

Na Carta aos Gálatas, Paulo censura Pedro pelo que ele parece recomendar a todos, ou seja, abster-se de mostrar a sua convicção para não escandalizar os simples. Na verdade, em Antioquia, Pedro estava convencido de que comer com os gentios não contaminasse um judeu (já tinha estado na casa de Cornélio!), mas abstém-se de fazê-lo para não causar escândalo aos judeus presentes (cf. Gal 2, 11-14). O próprio Paulo, noutras circunstâncias, agirá da mesma maneira (veja At 16, 3; 1 Cor 8, 13).

A explicação não está naturalmente apenas no temperamento de Paulo. Em primeiro lugar, o que estava em jogo em Antioquia era muito mais claramente ligado à fé e à liberdade do Evangelho do que parecia ser em Roma. Em segundo lugar - e este é o principal motivo - para os Gálatas Paulo fala como fundador da Igreja, com a autoridade e a responsabilidade do pastor; para os Romanos, fala como mestre e irmão na fé: para contribuir, diz ele, à edificação comum (ver Rm 1, 11-12). Há uma diferença entre o papel do pastor ao qual é devida a obediência e o do mestre ao qual somente se deve respeito e escuta. Isso  faz- nos entender que aos critérios de discernimento mencionados deve-se acrescentar outro, do qual não demorará para se tomar consciência com o desenvolvimento da comunidade cristã, ou seja, o critério da autoridade e da obediência.

Enquanto isto, ouçamos como dirigida à Igreja de hoje a exortação conclusiva que o Apóstolo dirigia à comunidade de então: "Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como Cristo nos acolheu para a glória de Deus." (Rm 15,7).
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[1] Cf. Le cause dei santi. Sussidio per lo Studium, a cura della Congregazione delle Cause dei Santi, Libreria Editrice Vaticana, 3a ed. 2014, pp. 13-81.
[2] Archimandrita Sofronio, Silvano del Monte Athos. La vita, la dottrina, gli scritti,  Torino 1978, pp. 255 s.

VATICAN NEWS

01 março, 2018

Renúncia Quaresmal: “Contribuir para curar as feridas da violência"

Na República Centro Africana, um país em estado permanente de guerra desde 2013, as Irmãs Oblatas do Coração de Jesus cumprem a missão de “acolher” crianças cristãs e muçulmanas e contribuir para a reconciliação. Ao jornal VOZ DA VERDADE, a superiora geral da comunidade, irmã Júlia de Sousa, pede a ajuda da diocese de Lisboa, nesta quaresma, para a construção de um novo edifício da Escola Sacré Coeur, em Bangui.

Depois das obras no Seminário dos Olivais, em 2017, este ano a renúncia quaresmal do Patriarcado de Lisboa destina-se à construção de um novo edifício da Escola Sacré Coeur, em Bangui, na República Centro-Africana. Neste país, devastado pela guerra civil, trabalham as irmãs Oblatas do Coração de Jesus. “Devido aos conflitos armados, todas as escolas foram destruídas. As crianças têm de fazer vários quilómetros a pé, para chegar a uma escola. Os mais pequeninos não vão por causa da distância e da insegurança. Por este motivo, a Congregação das Oblatas do Coração de Jesus, a pedido do Cardeal Dieudonné Nzapalainga [arcebispo de Bangui], responde a esta necessidade da comunidade: a educação das crianças”, explica a irmã Júlia de Sousa, Superiora Geral das Oblatas do Coração de Jesus em Portugal, desde 2006. O projecto de construção do novo espaço ronda os 200 mil euros.
A Escola Sacré Coeur começou a ganhar forma em 2016, por iniciativa de duas irmãs da congregação, que criaram um espaço de ensino para órfãos e crianças cujos pais não conseguem suportar as despesas educativas. O ano passado, a congregação abriu uma sala para o pré-escolar, com a ajuda da Kinder Mission, missão patrocinada pela marca com o mesmo nome. “No fim do ano, os pais estavam tão contentes com a formação dada às crianças que pediram para abrir salas para dar seguimento ao processo educativo. Construiu-se uma palhota, que serve de sala. Pensava inscrever-se 30 crianças para o 1º ciclo, só que o número de inscrições duplicou. Na impossibilidade de construir um novo edifício e de comprar o equipamento necessário para acolher as crianças para o próximo ano, vimos pedir ajuda”, refere a religiosa portuguesa, de 54 anos. Neste momento, a comunidade educativa de Bangui é constituída por três irmãs, além de professoras, leigos, perfazendo um total de 11 pessoas.

Uma luta armada com quase cinco anos 
Os conflitos na República Centro-Africana – país localizado no centro de África com cerca de cinco milhões de habitantes – prolongam-se desde 2013, altura em que o ex-presidente, François Bozizé, foi afastado do cargo pelos ex-Sélékas, alegados defensores da minoria muçulmana. A queda do chefe de Estado desencadeou uma contra-ofensiva dos anti-Balaka, maioritariamente cristãos. Em cinco anos morreram quase seis mil pessoas e grande parte das construções ficou destruída. Em janeiro deste ano, os confrontos intensificaram-se, causando pelo menos 100 mortos, destruindo duas mil casas e deixando 60 mil pessoas deslocadas. Segundo a Human Rights Watch, a violência sexual tornou-se um problema preocupante, com centenas de casos de mulheres e até crianças violadas por elementos dos vários grupos que combatem. Desde Setembro de 2014, a Organização das Nações Unidas tem na República Centro-Africana uma missão de capacetes azuis composta por mais dez mil membros, entre os quais cerca de 150 militares portugueses.
Em outubro de 2017, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, referiu-se ao conflito como “uma crise dramática, mas esquecida”. “A República Centro-Africana está muito longe das atenções da comunidade internacional. O nível de sofrimento do povo, mas também os dramas sofridos pelos trabalhadores humanitários e as forças de manutenção de paz merecem uma solidariedade e uma atenção acrescidas", disse o português.
Também o Papa Francisco tem manifestado muita preocupação, depois de ter visitado aquele país em 2015. “Infelizmente, chegam-nos notícias dolorosas da República Centro-Africana que tenho no coração. Confrontos armados causaram numerosas vítimas e desalojados, e ameaçam o processo de paz”, afirmou o Papa, em maio, no Vaticano, garantindo “proximidade” para com as populações. “Rezo pelos defuntos e feridos e renovo o meu apelo: que as armas se calem e prevaleça a boa vontade em dialogar para trazer paz e desenvolvimento ao país”, apelou Francisco.
Um dos locais afectados pela guerra é a paróquia de São José de Mukassa, localizada na periferia de Bangui, capital do país, onde está a comunidade das Oblatas do Coração de Jesus. “Na última crise abrigou mais de 40.000 deslocados. É neste bairro que se situa a sede do grupo armado anti-BalaKa, de auto defesa contra vários grupos e milícias islamitas, em especial Seleka”, conta a irmã Júlia. E acrescenta: “A violência já provocou dezenas de milhares de mortos e 1,1 milhões de deslocados (600.000 fugiram para o interior do país e cerca de 500.000 para países vizinhos, como para os Camarões ou a República Democrata do Congo). Cada dois habitantes do país depende da ajuda humanitária, mas a segurança instável e os grupos armados, que controlam 80% do país, têm levado a um aumento do número de deslocados”.

Um país destruído em que o Evangelho é sinal de esperança 
É neste cenário de devastação, desemprego generalizado e deficiente prestação de cuidados de saúde, em que 80% da população é cristã, 15% muçulmana e 5% animista, a congregação pretende “construir um mundo mais belo, justo e fraterno”. “No acolhimento de crianças cristãs e muçulmanas queremos contribuir para curar as feridas causadas por tanta violência e reconciliar uns com os outros. ‘Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância" (João 10, 10)’”, diz a irmã. E explica: “O meu grande desejo é que possamos reler, de forma individual e colectiva, estas provações à luz dos sofrimentos de Cristo. Tudo o que viveremos vai encontrar significado: aqui e agora, já estamos projetados para a outra vida. Se não orientarmos as nossas feridas para Cristo, através da oração, do silêncio e da não-violência, não seremos capazes de ver a possibilidade de um perdão sincero. Da mesma forma, se através da partilha, quebramos as fronteiras da exclusão e da intolerância, se nos comprometermos a abrirmo-nos uns aos outros, a acolher, a ajudar aquele que já não tem um telhado, então vamos permitir que as pequenas ressurreições nos guiem até à grande ressurreição”.
Na República Centro-Africana, há duas comunidades das irmãs Oblatas do Coração de Jesus, ambas em Bangui. Uma em Cucherousset, no centro, onde vivem três irmãs, que se ocupam do Centro Espiritual Diocesano, dedicado ao acolhimento de missionários vindos do interior – o espaço é utilizado para retiros e sessões de formação. Outra em Cattin onde estão seis irmãs (quatro da República Democrática do Congo, uma das Honduras e uma da República Centro Africana). “Trabalham na pastoral da paróquia, nos centros de saúde. Acompanham crianças subnutridas. Algumas trabalham na escola”, diz Júlia de Sousa.
texto por Ana Catarina André; fotos por Irmãs Oblatas do Coração de Jesus
  • Leia o texto completo na edição do dia 4 de março do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.
Patriarcado de Lisboa

Carta Placuit Deo aos Bispos da Igreja Católica sobre alguns aspectos da salvação cristã

 
Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer 
 
Foi publicada nesta quinta-feira pelo Vaticano a Carta Apostólica da Congregação para a Doutrina da Fé Placuit Deo aos Bispos da Igreja Católica sobre alguns aspectos da salvação cristã. O documento é assinado por Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer e por Dom Giacomo Morandi, respectivamente prefeito e secretário do Dicastério.
 
Cidade do Vaticano

A
Carta pretende destacar, na linha da grande tradição da fé e com especial referência ao ensinamento de Papa Francisco, alguns aspectos da salvação cristã que possam ser hoje difíceis de compreender por causa das recentes transformações culturais.

O Texto é dividido em 4 partes com uma introdução e uma conclusão.

Carta Placuit Deo

Depois da introdução o segundo ponto fala do Impacto das transformações culturais de hoje sobre o significado da Salvação cristã.

O mundo contemporâneo questiona, não sem dificuldade, a confissão da fé cristã, que proclama Jesus o único Salvador de todo o homem e da humanidade inteira. A carta busca combater duas tendências que estão a crescer muito no nosso tempo, como disse o Papa Francisco no seu discurso em Florença, a novembro de 2015.
“ Prolifera nos nossos tempos um neo-pelagianismo em que o homem, radicalmente autónomo, pretende salvar-se a si mesmo sem reconhecer que ele depende, no mais profundo do seu ser, de Deus e dos outros. ”

Já um certo neo-gnosticismo, por outro lado, apresenta uma salvação meramente interior, fechada no subjetivismo. Essa, consiste no elevar-se “com o intelecto para além da carne de Jesus rumo aos mistérios da divindade desconhecida”. O texto reafirma que, a salvação consiste na nossa união com Cristo, que, com a sua Encarnação, vida, morte e ressurreição, gerou uma nova ordem de relações com o Pai e entre os homens.

A tentação do gnosticismo – recordava o Papa Francisco em Florença – “leva a confiar no raciocínio lógico e claro, o qual porém perde a ternura da carne do irmão. O fascínio da gnosticismo é o de “uma fé fechada no subjetivismo, onde interessa unicamente uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos em que se acredita e podem confortar e iluminar, mas onde o objeto em definitivo permanece fechado na iminência da sua própria razão ou dos seus sentimentos”.

O gnosticismo não pode transcender. A diferença entre a transcendência cristã e qualquer forma de espiritualismo agnóstico está no mistério da encarnação. Não colocar em prática, não levar a Palavra à realidade, significa construir sobre a areia, permanecer na pura ideia e degenerar em intimismos que não dão frutos, que tornam estéreis o seu dinamismo”.

O terceiro ponto destaca o desejo humano de salvação.

Toda a pessoa, à sua maneira, procura a felicidade e tenta alcançá-la recorrendo aos meios disponíveis. Com frequência, tal desejo coincide com a esperança da saúde física, às vezes assume a forma de ansiedade por um maior bem-estar económico, mais difusamente expressa-se através da necessidade de uma paz interior e de uma convivência pacífica com o próximo.

A salvação plena da pessoa – evidencia o texto -, não consiste nas coisas que o homem poderia obter por si mesmo, como o ter ou o bem-estar material, a ciência ou a técnica, o poder ou a influência sobre os outros, a boa fama ou a auto-realização. “A última vocação de todos os homens é realmente uma só, a divina”.

O quarto ponto: Cristo, Salvador e Salvação

Segundo o Evangelho, - sublinha o documento -, a salvação para todos os povos começa com o acolhimento de Jesus: “Hoje veio a salvação a esta casa” (Lc 19,9). A Boa Nova da salvação tem um nome e um rosto: Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador. “No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”.

Para responder, quer seja ao reducionismo individualista da tendência pelagiana, quer seja ao reducionismo neo-gnóstico que promete uma libertação interior, é necessário recordar o modo como Jesus é Salvador. Ele não se limitou a mostrar-nos o caminho para encontrar Deus, isto é, um caminho que poderemos percorrer por nós mesmos, obedecendo às suas palavras e imitando o seu exemplo. Cristo, todavia, para abri-nos a porta da libertação, tornou-se Ele mesmo o caminho: “Eu sou o caminho” (Jo 14,6).

Quinto ponto: A salvação na Igreja, corpo de Cristo

O documento deixa claro que “o lugar onde recebemos a salvação trazida por Jesus é a Igreja”. A Igreja é uma comunidade visível: nela tocamos a carne de Jesus, de maneira singular nos irmãos mais pobres e sofredores. Evidencia ainda que a participação, na Igreja, à nova ordem de relações inauguradas por Jesus realiza-se por meio dos sacramentos, entre eles, o Batismo que é a porta, e a Eucaristia que é fonte e culmine.

Já na conclusão da Carta sublinha-se que a consciência da vida plena, na qual Jesus Salvador nos introduz, impulsiona os cristãos à missão de proclamar a todos os homens a alegria e a luz do Evangelho. Fala-se da necessidade de se estabelecer um diálogo sincero e construtivo com os crentes doutras religiões e que a salvação integral, da alma e do corpo, é o destino final ao qual Deus chama todos os homens.

 VQATICAN NEWS