20 setembro, 2013

A Igreja cure as feridas e aqueça os corações dos fiéis: Papa Francisco à "La Civiltà Cattolica"

 

(RV) "A Igreja muitas vezes fechou-se em pequenas coisas, em pequenos preceitos. A coisa mais importante, ao contrário, é o primeiro anúncio: 'Jesus Cristo salvou-te." Esta é uma das passagens da longa entrevista ao Papa Francisco, publicada nesta quinta-feira pela prestigiosa revista "La Civiltà Cattolica" e, ao mesmo tempo, por outras dezasseis revistas da Companhia de Jesus.

No longo encontro de cerca de trinta páginas com o diretor da "La Civiltà Cattolica", P. Antonio Spadaro, o Papa traça um retrato falado de si mesmo, explica qual é a sua ideia da Companhia de Jesus, analisa o papel da Igreja hoje, indica as prioridades da ação pastoral e aborda questões sobre o anúncio do Evangelho.
"Um pecador para quem Deus olhou": assim se define o Papa Francisco na longa entrevista concedida na Casa Santa Marta, no Vaticano, durante três encontros, realizados dias 19, 23 e 29 de agosto. Trinta páginas para contar a sua história de jesuíta, bem como o seu pensamento sobre a missão da Igreja.

"A capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, de estar perto, a proximidade... E precisa começar de baixo": com essas palavras, o Papa explica aquilo de que a Igreja mais precisa. "Eu vejo a Igreja como um hospital de campo após uma batalha. É inútil – diz – perguntar a um ferido grave se tem colesterol e glicose altos! É preciso curar as feridas. Depois se poderá falar de todo o restante."
"A Igreja – prossegue – por vezes fechou-se em pequenas coisas, pequenos preceitos. A coisa mais importante, ao invés, é o primeiro anúncio: 'Jesus salvou-te!'. Portanto, os ministros da Igreja, em primeiro lugar, devem ser ministros de misericórdia" e "as reformas organizativas e estruturais são secundárias, ou seja, vêm depois", porque "a primeira reforma deve ser a da atitude".

De facto, para o Papa Francisco "os ministros do Evangelho devem ser pessoas capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar com elas na noite, de saber dialogar e também entrar na noite delas, na escuridão delas sem se perderem. O povo de Deus – diz - quer pastores e não funcionários ou clérigos de Estado".
Quanto à pastoral missionária, o Papa explica que não se deve ter "obsessão pela transmissão desarticulada de um amontoado de doutrina a ser imposta com insistência". O anúncio missionário concentra-se "no essencial" que é também aquilo que mais atrai, "aquilo que faz arder o coração". Portanto, é preciso "encontrar um novo equilíbrio", do contrário – observa –, "também o edifício moral da Igreja corre o risco de desmoronar como um castelo de areia", de "perder o perfume do Evangelho". Assim sendo, a proposta evangélica deve ser "mais simples" e "é dessa proposta que depois vêm as consequências morais".
De seguida, na entrevista, o Papa Francisco relê a sua história de jesuíta, inclusive em relação a alguns momentos difíceis: "o meu modo autoritário e rápido de tomar decisões – afirma – levou-me a ter sérios problemas e a ser acusado de ser ultraconservador". Uma experiência difícil que hoje produz fruto: recordando o seu ministério episcopal na Argentina, diz ter entendido como a "consulta" é importante: "Os Consistórios, os Sínodos, por exemplo, são lugares importantes para tornar esta consulta verdadeira e ativa", mas devem ser "menos rígidos na forma". "Quero consultas reais, não formais", diz o Papa Francisco.
O Papa fala, ainda, sobre a sua formação de jesuíta, sobre o discernimento e sobre reformas. É sempre necessário "tempo para colocar as bases de uma mudança verdadeira". "E este é o tempo do discernimento", afirma. A imagem da Igreja evocada na entrevista é a expressa no Concílio Vaticano II na Lumen Gentium "do santo povo fiel de Deus", e "sentir com a Igreja" para Francisco é "estar neste povo".
Uma Igreja que não quer reduzir-se a conter "apenas um grupinho de pessoas selecionadas", mas deve ser uma "Igreja Mãe e Pastora". A Igreja é fecunda, deve sê-lo", diz o Papa contando que quando se dá conta de "comportamentos negativos de ministros da Igreja" ou consagradas, a primeira coisa que lhe vem em mente é: "'eis um solteirão' ou 'eis uma solteirona'". "Não são nem pais, nem mães. Não foram capazes de dar vida", diz.
Entre outras questões, o diretor da referida revista jesuíta volta também a temas complexos como divorciados em segunda união, pessoas homossexuais e pergunta qual a pastoral a fazer nesses casos."É preciso considerar sempre a pessoa – diz o Papa Francisco. Aí entramos no mistério do homem. Na vida Deus acompanha as pessoas, e nós devemos acompanhá-las a partir da condição delas. É preciso acompanhar com misericórdia."
Também se faz presente o tema da mulher e o Papa Francisco evidencia que "o desafio" é "refletir sobre o lugar específico da mulher também justamente onde se exerce a autoridade nos vários âmbitos da Igreja".
No final, a conversação chega um aspeto que está muito a peito para o Papa Francisco, ou seja, que "Deus o encontramos caminhando". "Deus é sempre uma surpresa – diz – e, portanto, jamais se sabe onde e como encontrá-lo, não é você quem fixa o tempo nem os lugares do encontro com Ele." Com uma visão estática e de involução, buscam-se sempre "soluções disciplinares" ou o passado perdido, "a fé torna-se uma ideologia entre tantas outras".
"Tenho uma certeza dogmática: Deus está na vida de toda pessoa", diz o Papa Francisco ressaltando que "mesmo se a vida de uma pessoa é um terreno repleto de espinhos e ervas daninhas, há sempre um espaço em que a semente boa pode crescer." Daí, o seu encorajamento: "É preciso confiar em Deus".(RS)
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19 setembro, 2013

“Caridade é ter o comportamento pastoral de Jesus Cristo”- Mensagem do Patriarca

No início do ano pastoral (2013-2014), o Patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente deixa mensagem vídeo com desafio à diocese.


SACRÁRIOS VIVOS!





Os sacrários são normalmente peças de muita beleza exterior, mesmo aqueles que primam pela simplicidade.

No entanto o seu interior é, normalmente, apenas constituído por paredes nuas, sem qualquer decoração.

Assim poderemos dizer, que os sacrários são muito belos por fora, mas despidos de beleza por dentro.

No entanto tudo se transforma quando no sacrário está Jesus Cristo Sacramentado!

Podemos afirmar então, que a maior beleza do sacrário está no seu interior, e que já não interessa sequer aquilo que ele é por fora.

Aliás os sacrários têm um fim, que é conterem, guardarem dentro de si, Jesus Cristo Sacramentado.

E sabemos que eles estão a cumprir essa missão quando há uma luz, sempre acesa, que nos diz que ali está a Presença Real de Jesus Cristo.

Se assim não for, a luz está apagada e os sacrários para nada servem, a não ser para decoração, para museus, e não nos suscitam mais nada, a não ser a apreciação da sua beleza, ou a falta dela.

Enfim, não nos detemos neles e nada acrescentam às nossas vidas!

Nós somos muitas vezes assim, como os sacrários!

Arranjamo-nos exteriormente, não só cuidando do aspecto do corpo e do que vestimos, mas também, tantas vezes aparentando uma maneira de ser que nada tem a ver connosco, (com o que nós realmente somos), enquanto no interior somos apenas paredes nuas, sem qualquer beleza, sem luz, porque não nos preocupamos em ser amor para nós e para os outros, porque em nós não mora Jesus Cristo, fonte do Amor.

Podemos conversar com quem quisermos, mas as nossas conversas são apenas palavras, não deixam rasto, nada acrescentam às vidas que por nós passam.

No entanto, quando nos abrimos a Ele e deixamos que Ele faça em nós morada, o aspecto exterior conta pouco ou nada, porque a expressão que transmitimos é a beleza do amor, há uma luz acesa em nós, e as conversas que possamos ter, o testemunho de vida que damos, deixa sempre uma impressão indelével, que leva muitas vezes os outros a deterem-se e pensarem nas suas próprias vidas.

Tal como os sacrários também nós temos um fim!

Esse fim é sermos sacrários vivos, ou seja, enquanto os sacrários na igreja “apenas” contêm Jesus Cristo Sacramentado, mas estão ali, estáticos, sem nada nos transmitirem de si próprios, nós poderemos ser sacrários vivos, ou seja, levarmos Jesus Cristo aos outros, transmitindo tudo o que Ele faz em nós, dando testemunho da Sua presença viva em nós e no meio de nós.

Os sacrários na igreja podem “conter” Jesus Cristo Sacramentado, mas não mudam, são sempre do modo como foram feitos.

Nós, se formos sacrários vivos, vamos sendo moldados, aperfeiçoados, pela presença de Jesus Cristo em nós, e essa mudança reflecte-se em nós e de nós para os outros.

Enquanto nos sacrários na igreja, a luz indica a presença de Jesus Cristo Sacramentado no seu interior, em nós, quando somos sacrários vivos, a luz é o Próprio Jesus Cristo que brilha em nós! 

Faz do teu coração um Sacrário vivo, onde more sempre Jesus Cristo! 

Marinha Grande, 21 de Setembro de 2007 

Nota: 
Recupero este texto de 2007, porque me fez muito bem relê-lo. 

Joaquim Mexia Alves

18 setembro, 2013

XXXIX Assembleia do RCC em Portugal

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XXXIX Ass.RCC - Pneumavita
 
PROGRAMA DA ASSEMBLEIA


ORIENTADOR

    
PADRE JERÓNIMO DA ROCHA MONTEIRO, SDB


O Pe. Rocha Monteiro nasceu em 1938, e foi ordenado sacerdote, em 1968, na Sé do Porto.
É licenciado em Teologia e Filosofia. Já dirigiu dezenas de assembleias do Renovamento Carismático em Portugal e no estrangeiro.
Atualmente vive na comunidade salesiana do Estoril. É membro do conselho provincial e delegado nacional para a Família Salesiana.

DIA 16, SÁBADO 
09:00 - Laudes
09:30 - Ensinamento
10:30 - Intervalo
11:00 - Ensinamento
12:30 - Almoço
14:30 - Louvor
15:00 - Ensinamento
16:15 - Terço
16:45 - Intervalo
17:30 - Saudação Dioceses
18:00 - Eucaristia
19:30 - Jantar
21:00 - Adoração. Oração de louvor, cura e libertação. 

DIA 17, DOMINGO 
09:00 - Louvor
10:00 - Ensinamento
11:00 - Intervalo
11:30 - Eucaristia e encerramento

PAPA FRANCISCO - Audiência Geral

Praça de São Pedro


Quarta-feira, 18 de Setembro de 2013



Locutor
A Igreja é como uma mãe boa que indica a estrada que devemos seguir na vida, sabe ser paciente, misericordiosa e compreensiva e colocar-nos nas mãos de Deus. Em primeiro lugar, a Igreja indica-nos a estrada para amadurecermos na vida; um exemplo disso são os Dez Mandamentos. Estes não são uma série de «nãos», mas o modo de nos comportarmos bem com Deus, connosco e com os outros. Em segundo lugar, a Igreja é compreensiva e misericordiosa como uma mãe que pacientemente acompanha os filhos, mesmo crescidos; e, até quando erram, sabe encontrar maneira de os compreender e ajudar. A Igreja nunca fecha as portas; não julga, mas oferece o perdão de Deus, sem medo de entrar na noite de seus filhos, para lhes dar esperança. Finalmente, pelo bem dos filhos, as mães sabem bater a todas as portas, sobretudo à porta do coração de Deus. Quanto rezam as mães pelos filhos! E sem nunca se cansarem! Queridas mães, continuai a rezar, a confiar os vossos filhos a Deus. Ele tem o coração grande! Isto mesmo faz a Igreja: coloca nas mãos do Senhor todas as situações dos seus filhos. Confiemos na força da oração da Igreja, nossa querida Mãe.
* * *
Santo Padre
Carissimi pellegrini di lingua portoghese, benvenuti! Saluto con affetto il gruppo di Bragança-Paulista e i pellegrini del Portogallo guidati dai Carmelitani Scalzi. Il Signore vi benedica, perché dovunque siate faro di luce del Vangelo per tutti. Possa questo pellegrinaggio rinvigorire, nei vostri cuori, il sentire e il vivere con la Chiesa. La Madonna accompagni e protegga voi tutti e i vostri cari!
* * *
Locutor
[Queridos peregrinos de língua portuguesa, bem-vindos! Saúdo cordialmente o grupo de Bragança-Paulista e os peregrinos vindos de Portugal guiados pelos Carmelitas Descalços. O Senhor vos abençoe, para serdes em toda a parte farol de luz do Evangelho para todos. Possa esta peregrinação fortalecer, nos vossos corações, o sentir e o viver com a Igreja. Nossa Senhora acompanhe e proteja a vós todos e aos vossos entes queridos].



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Emoção, Fé e Razão



O perigo que é substituir a Razão e a Fé, pela emoção

Hoje em dia, infelizmente, há muitas pessoas que deixam de lado a Razão, o raciocínio, e preferem confiar nos seus fracos sentidos e emoções. Ora, isso já é perigoso para o corpo - afinal é apenas o raciocínio que nos leva a saber que uma arma apontada para nós é perigosa, já que os nossos sentidos e emoções não nos mostram o perigo que ela apresenta - mas é muito mais perigoso para a alma.

Muitas pessoas, assim, passaram (ou passam), infelizmente até mesmo em meios católicos, a expressar e crer de modo totalmente emocional, sem dar ouvidos à Razão que Deus nos deu para que possamos crer. Creio para entender e entendo para crer, dizia Santo Agostinho. Muitas pessoas procuram na Religião não a Salvação, a Verdade, a Vida Eterna, mas apenas sensações agradáveis, emoções que as façam sentir bem consigo mesmas.

Disse o Senhor: "Vou ensinar-te e mostrar-te o caminho que deves seguir; ... não sejas irracional como o cavalo ou um jumento, cujo ímpeto só é dominado com freio e cabresto, para nos aproximar de ti " (Sl. 32,8-9). O nosso dever de cristãos é procurar entender, aprender o que a Igreja que Cristo mandou ensinar a todos os povos (Mc 16,15), usar a inteligência que Deus nos deu e não ser "como o cavalo e o jumento", que nada compreendem e vivem apenas em busca do que os seus sentidos dizem ser bom.

Esta busca da emoção, do sensível (aquilo que percebemos pelos nossos sentidos), é algo que pode trazer problemas enormes para uma pessoa bem intencionada. A Fé edificada sobre a emoção não é Fé verdadeira, mas mera busca de recompensa rápida, tão pouco profunda e tão ineficiente quanto a caminhada do burrico atrás da cenoura que o seu mestre mantém pendurada diante dele para que não pare de caminhar.

Isso acontece frequentemente em Grupos e Oração e Encontros, em que as pessoas são levadas a um estado emocional perturbador, que acreditam ser Deus a agir nelas. Este estado, porém, não é um estado permanente, mas uma mera excitação nervosa que seria provocada de modo muito similar se estivessem a assistir a um espetáculo não religioso. O problema, porém, é que para estas pessoas, isto é a Fé, isto é a Religião. A Religião, para elas, resume-se num estado de espírito agradável, numa sensação que forçosamente um dia irá passar. Elas tomam uma experiência emocional por uma revelação, e um estado emocional pela Graça de Deus.

Ora, este estado passará. Mais cedo ou mais tarde, coisas desagradáveis virão a ocorrer, e estas pessoas não estarão preparadas para elas. Na vida cotidiana, nos pequenos problemas encontrados ao longo do caminho, elas vão ter obstáculos enormes, e no fim daquela exultação emocional verão o fim de sua "fé", edificada não sobre Cristo, mas sobre as suas emoções passageiras.

O que é a Fé? Ter fé é crer, é acreditar no que não se vê, num acto da vontade e do intelecto, não sentir. A Fé não é algo que possa ser sentido, e muitos dos maiores Santos nunca, jamais tiveram qualquer tipo de consolo ou sensação agradável enquanto caminhavam pela Terra. Dizemos na Salve Rainha que somos degredados, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. É nas lágrimas, é na Fé que persiste apesar da ausência total de sensações agradáveis, que está a Cruz, que é o nosso caminho. Cristo não veio para nos dar uma vaga "sensação de bem-estar"; este, ao menos segundo o que diz a publicidade, é o ramo dos desodorizantes e outros produtos. Cristo veio dar-nos a graça de carregarmos com Ele as nossas cruzes, para um dia, após a morte, estarmos junto a Ele no Céu. Lá, sim, não mais haverá situações desagradáveis.

Cristo deu-nos a Sua Igreja, que tem a tríplice missão de ensinar, santificar e governar.

O Ensino da Igreja é a Doutrina que Cristo ensinou, Doutrina essa que não é "sentida", mas estudada e aprendida pela Razão. De nada adianta fazer trezentos "Encontros" por ano e sentir-se "feliz" se não buscamos aprender o que Cristo ensinou. Não será pelo nosso estado emocional que poderemos aprender a Doutrina, mas sim pelo estudo do Catecismo.

A Santificação ocorre por meio dos Sacramentos, que são sinais visíveis de uma realidade invisível. Esta realidade invisível é a Graça de Deus que eles conferem. A Graça não pode ser vista, não pode ser sentida nem sequer percebida pelas emoções. Receber o Sacramento da Reconciliação após a confissão dos pecados a um sacerdote não causa nenhum estado emocional preciso, mas faz-nos voltar a ter a Graça. É bem verdade que pode haver, e em muitos casos há, uma grande alegria por nos vermos livres da inimizade de Deus, que certamente nos valeria o Inferno caso morrêssemos neste estado, mas isso não é causado diretamente pelo próprio Sacramento, mas sim pelo reconhecimento que fazemos de nossa situação depois de recebê-lo.

Do mesmo modo, receber o Santíssimo Sacramento não é tomar um remédio psiquiátrico de tarja preta que faça imediatamente o triste sentir-se cheio de alegria, mas sim receber o sinal visível da Graça de Deus que Ele nos infunde e que não pode ser percebida. Ninguém pode ver a Graça, ninguém consegue senti-la ou percebê-la de qualquer forma que seja. Procurar estados emocionais não é de modo algum equivalente a buscar a Graça de Deus, e abandonar a Razão, abdicar de nosso livre-arbítrio (a nossa capacidade de escolher entre duas coisas que parecem boas) em prol apenas da busca de emoções que supostamente seriam sinais visíveis de Deus é rejeitar os Sacramentos que Cristo nos deu e que são necessários para nossa Salvação.

O Governo da Igreja é feito pela Sua hierarquia, que transmite a Doutrina, ministra os Sacramentos e governa por suas normas a vida dos cristãos. A busca de emoções faz com que muitos, infelizmente até mesmo sacerdotes, deixem de obedecer ao que nos ordena o Santo Padre e a Lei da Igreja. Vemos frequentemente Missas celebradas de modo quase blasfemo, em que o objetivo primeiro e, porque não dizê-lo, único, parece ser a busca de emoções. Música de rock tocada em volume ensurdecedor, gestos coreografados, palmas, coisas que têm como função única despertar emoções nas pessoas são encontrados em muitas paróquias, desobedecendo frontalmente a Lei da Igreja, que tem regras muito estritas acerca do que é ou não permitido na liturgia. Isto é tanto mais perigoso por fazer com que seja deixado de lado e praticamente esquecido o que é realmente importante naquele momento: que ali no altar, defronte de toda uma multidão a buscar emoções, está Cristo, morrendo na Cruz pelos nossos pecados.

©Prof. Carlos Ramalhete - livre cópia na íntegra com menção do autor

Texto obtido (e adaptado pelo GOVV), através do blog: "A obra de Santo Agostinho"

17 setembro, 2013

Papa Francisco ao Clero de Roma: à Igreja serve conversão pastoral e corajosa criatividade



(RV) “Mesmo agora que sou Papa sinto-me ainda um sacerdote”. Eis uma das passagens-chave do diálogo que o Papa Francisco teve, na manhã desta segunda-feira (16.09.13), com os sacerdotes da Diocese de Roma, reunidos na Basílica de São João de Latrão.

“O que é o cansaço para um Sacerdote, para um Bispo e mesmo para o Bispo de Roma?” O Papa Francisco desenvolveu a sua intervenção no encontro com o clero romano detendo-se nesta pergunta. E disse em confidência que a inspiração lhe veio após ler a carta enviada por um sacerdote idoso, que justamente lhe falava sobre este cansaço, um “cansaço no coração”. “Existe – disse o Papa – um cansaço do trabalho e este cansaço todos o conhecemos. Chegamos à noite, cansados de trabalhar e passamos diante do Tabernáculo para saudar o Senhor. Devemos sempre passar pelo Tabernáculo – advertiu o Papa:

“Quando um padre está em contacto com o seu povo, se cansa. Quando um padre não está em contacto com o seu povo, se cansa, mas mal e para dormir deve tomar um comprimido, não? Pelo contrário, aquele que está em contacto com o povo, porque de facto o povo tem tantas exigências, tantas exigências! - mas são as exigências de Deus, não? – esse se cansa realmente e não tem necessidade de tomar comprimidos”.
Existe, porém, um “cansaço final” – continuou o Papa Francisco – que se vê antes do “crepúsculo da vida” onde “existe a luz escura e o escuro um pouco luminoso”. É “um cansaço que vem no momento em que deveria haver o triunfo”, mas pelo contrário “vem este cansaço”. Isto acontece – disse o Papa – quando “o sacerdote se interroga sobre a sua existência, olha para trás, pelo caminho percorrido e pensa nas renúncias, nos filhos que não teve e se pergunta se se enganou, se a sua vida “falhou”. É exactamente o “cansaço do coração” do qual o sacerdote escrevia na carta. E assim o Papa citou o cansaço de muitas figuras bíblicas, de Elias a Moisés, de Jeremias até João Baptista. Este último, afirmou, na “escuridão da prisão” vive a “escuridão da sua alma” e manda os seus discípulos para perguntarem a Jesus se Ele é realmente aquele que estão à espera. O que pode fazer então um sacerdote que vive a experiência de João Baptista? Rezar, “até adormecer diante do Tabernáculo, mas estar ali”. E depois “procurar a proximidade com os outros padres, e sobretudo, com os bispos”:

“Nós, Bispos, devemos ser próximos aos sacerdotes, devemos ser caridosos para com o próximo e os mais próximos são os sacerdotes. Os mais próximos do Bispo são os sacerdotes (aplausos). Vale também o contrário, eh! (risos e aplausos): o mais próximo dos sacerdotes deve ser o bispo, o mais próximo. A caridade para com o próximo, o mais próximo é o meu bispo. O Bispo diz: os mais próximos são os meus padres. É bonito este intercâmbio, não? Este, creio, é o momento mais importante da proximidade, entre o bispo e os sacerdotes: este momento sem palavras, porque não existem palavras para este cansaço”.
Em seguida, iniciou-se o diálogo do Papa Francisco com os sacerdotes, aos quais pediu para se sentirem livres para perguntar seja o que for. Respondendo à primeira pergunta, o Papa Francisco disse que no serviço pastoral, não se deve “confundir a criatividade com fazer alguma coisa nova”. A criatividade – disse – “é procurar o caminho para que o Evangelho seja anunciado” e isto “não é fácil”. Criatividade “não é somente mudar as coisas”. É uma outra coisa, vem do Espírito e se faz com a oração, e se faz falando com os fiéis, com as pessoas.
A Igreja, continuou o Papa, e “também o Código de Direito canónico dão-nos tantas, tantas possibilidades, tanta liberdade para procurarmos estas coisas”. É necessário – destacou – procurar os momentos de acolhimento, quando os fiéis devem ir à paróquia por um motivo ou outro. E criticou severamente aqueles que, numa paróquia, estão mais preocupados em pedir dinheiro por um certificado que pelo Sacramento e assim “afastam as pessoas”. É necessário, pelo contrário, “o acolhimento cordial”: “para que aquele que vem à igreja se sinta como na sua casa. Se sinta bem. Que não se sinta explorado. Mas se, pelo contrário, a pessoa vê que existe um interesse económico, então se afasta”, observou o Papa.
E a quem lhe perguntava como ele se define agora, visto que, como Arcebispo de Buenos Aires, gostava definir-se simplesmente como ‘sacerdote’, o Papa respondeu:

“Mas, eu me sinto padre, é verdade. Eu me sinto padre, sacerdote, é verdade, bispo...Me sinto assim, não? E agradeço ao Senhor por isto (aplausos). Teria medo de me sentir um pouco mais importante, não? Isto sim, tenho medo disto, porque o diabo é esperto, eh!, é esperto e te faz sentir que agora tu tens poder, que tu podes fazer isto, que tu podes fazer quilo... mas sempre girando, girando em volta, como um leão – assim diz São Pedro, não? Mas graças a Deus, isto não perdi, ainda, não? E se vocês virem que eu perdi isto, por favor, digam-me, digam-me, e se não puderem dizer-me privadamente, digam publicamente, mas digam: ‘Olha, converte-te!’, porque está claro, não?” (aplausos).

E depois disto o Papa falou da Igreja dizendo que “na Igreja existem, sim, certos escândalos mas também tanta santidade, e esta é maior. E existe também a “santidade cotidiana”, escondida, “aquela santidade de tantas mães e de tantas mulheres, de tantos homens que trabalham todo o dia pela família”, palavras estas acompanhadas por uma encorajadora convicção, quando disse:

“Eu ouso dizer que a Igreja nunca esteve tão bem como hoje. A Igreja não cai: estou seguro disto, estou seguro!”
O Papa falou também do tema das periferias existenciais, retomando as suas palavras sobre os “conventos vazios” e a generosidade para com os mais necessitados. E por último, reflectiu sobre o tema da família, e em particular, sobre a delicada questão da nulidade dos matrimónios e sobre as segundas uniões, "um problema – recordou o Papa – que não pode ser reduzido à questão do fazer a comunhão ou não, porque se trata de um problema sério e a Igreja neste momento deve fazer alguma coisa para resolver os problemas das nulidades matrimoniais, um tema sobre o qual falará com o grupo dos 8 Cardeais que se reunirão nos primeiros dias de Outubro, no Vaticano, e será tratado também no próximo Sínodo dos Bispos