06 janeiro, 2017

Papa no Angelus: Coragem, a luz de Jesus vence as trevas mais obscuras!


(RV) Antes da oração mariana do Angelus e, dirigindo aos milhares de peregrinos e fiéis presentes na Praça de S. Pedro, o Papa Francisco falou do significado da Epifania do Senhor, isto é, a manifestação de Jesus que brilha como luz para todos povos. Símbolo desta luz que brilha no mundo e quer iluminar a vida de cada um, disse o Papa, é a estrela que guiou os Magos até Belém.

Também na nossa vida existem várias estrelas, luzes que brilham e orientam, e cabe a nós escolher quais queremos seguir:

“Há luzes intermitentes, que vão e vêm, como as pequenas satisfações da vida: embora boas, não são suficientes, porque duram pouco e não deixam a paz que procuramos; estão depois as luzes deslumbrantes da ribalta, do dinheiro e do sucesso, que prometem tudo e agora: são sedutoras, mas com a sua força cegam e fazem passar dos sonhos de glória à escuridão mais espessa. Os Magos, ao invés, nos convidam a seguir uma luz estável e suave, que não se apaga, porque não é deste mundo: vem do céu e brilha no coração”.

Esta luz verdadeira é a luz do Senhor, ou melhor, é o Senhor – continuou Francisco. Esta luz é para todos e chama a cada um e podemos, assim, sentir como dirigido a nós o convite de hoje do profeta Isaías: "Levanta-te, reveste-te de luz".

Gostaria, com muito respeito, convidar a todos a não ter medo desta luz e a abrir-se ao Senhor. Sobretudo gostaria de dizer a quem perdeu a força de procurar, àqueles que, subjugados pela escuridão da vida, apagaram qualquer desejo: "Coragem, a luz de Jesus sabe vencer as trevas mais escuras”, disse ainda o Papa.

Como podemos encontrar esta luz divina? Seguindo o exemplo dos Magos, que o Evangelho descreve sempre em movimento, disse o Papa, ressaltando a vida cristã é um caminho contínuo, feito de esperança e de busca; um caminho que, como o dos Magos, continua mesmo quando a estrela desaparece de vista momentaneamente:

“Neste caminho existem também insídias que devem ser evitadas: as conversas superficiais e mundanas que tornam lento o passo; os caprichos paralisantes do egoísmo; os buracos do pessimismo, que armadilha a esperança. Estes obstáculos bloquearam os escribas, eles sabiam onde estava a luz, mas não se mexeram. O seu conhecimento foi em vão, pois não basta saber que Deus nasceu, se não se faz com Ele o Natal no coração.

Os Magos, pelo contrário, ao encontrar o Menino, "se prostraram e o adoraram". E depois lhe deram ouro, incenso e mirra, os seus bens mais preciosos. Nós também, como os Magos, ponhamo-nos em caminho, revistamo-nos de luz seguindo a estrela de Jesus, e adoremos o Senhor com tudo aquilo que somos.

Depois do Angelus o Papa falou do Natal das Igrejas do Oriente que se celebra amanhã:

“Amanhã as comunidades eclesiais do Oriente que seguem o Calendário Juliano celebram o Santo Natal. Em espírito de alegre fraternidade faço votos que o novo nascimento do Senhor Jesus as encha de luz e de paz”.

E Francisco continuou dizendo que a Epifania é o Dia da Infância Missionária. E encorajou a todos os meninos e meninas que em muitas partes do mundo se empenham em difundir o Evangelho e ajudar os seus pares que passam por dificuldades. E também agradeceu a Pontifícia Obra da Infância Missionária por este serviço educativo.

Os Magos ofereceram a Jesus os seus dons mas na verdade o próprio Jesus é o verdadeiro dom de Deus – n’Ele vemos o rosto misericordioso do Pai que nos acolhe e perdoa, sempre, disse Francisco a concluir. E falando de dons, o Papa pensou em dar aos presentes um pequeno dom: o livrinho de bolso “Ícone de Misericórdia”, que foi distribuído pelos pobres, os sem-abrigo e os refugiados, juntamente com muitos voluntários e religiosos.

E o Santo Padre desejou a todos um ano de justiça, de perdão, de serenidade, mas sobretudo, um ano de misericórdia.

Boas festas a todos e, por favor, não vos esqueçais de me dar o dom da vossa oração por mim. Bom almoço e até logo!

Papa. Homilia na Solenidade da Epifania do Senhor – Texto integral




(RV) Na Solenidade da Epifania do Senhor o Papa contrapõe as figuras dos Magos em caminhoe à procura de Deus movidos pela nostalgia da pátria celeste, à figura de Herodes que dorme fechado na cultura de si e das próprias certezas.
Texto integral:

«Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo» (Mt 2, 2).

Com estas palavras, os Magos, que vieram de terras distantes, dão-nos a conhecer o motivo da sua longa caminhada: adorar o Rei recém-nascido. Ver e adorar são duas ações que sobressaem na narração evangélica: vimos uma estrela e queremos adorar.

Estes homens viram uma estrela, que os pôs em movimento. A descoberta de algo inusual, que aconteceu no céu, desencadeou uma série inumerável de acontecimentos. Não era uma estrela que brilhou exclusivamente para eles, nem possuíam um DNA especial para a descobrir. Como justamente reconheceu um Padre da Igreja, os Magos não se puseram a caminho porque tinham visto a estrela, mas viram a estrela porque se tinham posto a caminho (cf. João Crisóstomo). Mantinham o coração fixo no horizonte, podendo assim ver aquilo que lhes mostrava o céu, porque havia neles um desejo que a tal os impelia: estavam abertos a uma novidade.

Os Magos dão-nos, assim, o retrato da pessoa crente, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem sente a falta da sua casa: a pátria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que não deixaram, na sua vida, anestesiar o próprio coração.

Esta nostalgia santa de Deus brota no coração crente, porque sabe que o Evangelho não é um acontecimento do passado, mas do presente. A nostalgia santa de Deus permite-nos manter os olhos abertos contra todas as tentativas de restringir e empobrecer a vida. A nostalgia santa de Deus é a memória crente que se rebela contra tantos profetas de desgraça. É esta nostalgia que mantém viva a esperança da comunidade crente que implora, semana após semana, com estas palavras: «Vinde, Senhor Jesus!»

Era precisamente esta nostalgia que impelia o velho Simeão a ir ao Templo todos os dias, tendo a certeza de que a sua vida não acabaria sem ter nos braços o Salvador. Foi esta nostalgia que impeliu o filho pródigo a sair duma conduta autodestrutiva e procurar os braços de seu pai. Era esta nostalgia que sentia no seu coração o pastor, quando deixou as noventa e nove ovelhas para ir à procura da que se extraviara. E foi também o que sentiu Maria Madalena na madrugada do Domingo de Páscoa, fazendo-a correr até ao sepulcro e encontrar o seu Mestre ressuscitado. A nostalgia de Deus tira-nos para fora dos nossos recintos deterministas, que nos induzem a pensar que nada pode mudar. A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos. A nostalgia de Deus tem as suas raízes no passado, mas não se detém lá: vai à procura do futuro. Impelido pela sua fé, o crente «nostálgico» vai à procura de Deus, como os Magos, nos lugares mais recônditos da história, pois está seguro, em seu coração, de que lá o espera o seu Senhor. Vai à periferia, à fronteira, aos lugares não evangelizados, para poder encontrar-se com o seu Senhor; e não o faz, seguramente, numa atitude de superioridade, mas como um mendigo que se dirige a alguém aos olhos de quem a Boa Nova é um terreno ainda a explorar.

Entretanto no palácio de Herodes que distava poucos quilómetros de Belém, animados de procedimento oposto, não se tinham apercebido do que estava a acontecer. Enquanto os Magos caminhavam, Jerusalém dormia; dormia em conluio com Herodes que, em vez de andar à procura, dormia também. Dormia sob a anestesia duma consciência cauterizada. E ficou perturbado; teve medo. É aquela perturbação que leva a pessoa, à vista da novidade que revoluciona a história, a fechar-se em si mesma, nos seus resultados, nos seus conhecimentos, nos seus sucessos. A perturbação de quem repousa na sua riqueza, incapaz de ver mais além. É a perturbação que nasce no coração de quem quer controlar tudo e todos; uma perturbação própria de quem vive imerso na cultura que impõe vencer a todo o custo, na cultura onde só há espaço para os «vencedores» e a qualquer preço. Uma perturbação que nasce do medo e do temor face àquilo que nos interpela, pondo em risco as nossas seguranças e verdades, o nosso modo de nos apegarmos ao mundo e à vida. E Herodes teve medo, e aquele medo levou-o a procurar segurança no crime: «Necas parvulos corpore, quia te necat timor in corde – matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração» (São Quodvultdeus, Sermo 2 de Symbolo: PL 40, 655).

Queremos adorar. Aqueles homens vieram do Oriente para adorar, decididos a fazê-lo no lugar próprio de um rei: no Palácio. Aqui chegaram eles com a sua busca; era o lugar idóneo, porque é próprio de um rei nascer num palácio, ter a sua corte e os seus súditos. É sinal de poder, de êxito, de vida bem-sucedida. E pode-se esperar que o rei seja reverenciado, temido e lisonjeado; mas não necessariamente amado. Estes são os esquemas mundanos, os pequenos ídolos a quem prestamos culto: o culto do poder, da aparência e da superioridade. Ídolos que prometem apenas tristeza e escravidão.

E foi lá precisamente onde começou o caminho mais longo que tiveram de fazer aqueles homens vindos de longe. Lá teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no Palácio aquilo que procuravam, mas estava noutro lugar: e não só geográfico, mas também existencial. Lá não veem a estrela que os levava a descobrir um Deus que quer ser amado, e isto só é possível sob o signo da liberdade e não da tirania; descobrir que o olhar deste Rei desconhecido – mas desejado – não humilha, não escraviza, não aprisiona. Descobrir que o olhar de Deus levanta, perdoa, cura. Descobrir que Deus quis nascer onde não o esperávamos, onde talvez não o quiséssemos; ou onde muitas vezes o negamos. Descobrir que, no olhar de Deus, há lugar para os feridos, os cansados, os maltratados e os abandonados: que a sua força e o seu poder se chamam misericórdia. Como é distante, para alguns, Jerusalém de Belém!

Herodes não pode adorar, porque não quis nem pôde mudar o seu olhar. Não quis deixar de prestar culto a si mesmo, pensando que tudo começava e terminava nele. Não pôde adorar, porque o seu objetivo era que o adorassem a ele. Nem sequer os sacerdotes puderam adorar, porque sabiam muito, conheciam as profecias, mas não estavam dispostos a caminhar nem a mudar.

Os Magos sentiram nostalgia, não queriam mais as coisas usuais. Estavam habituados, dominados e cansados dos Herodes do seu tempo. Mas lá, em Belém, havia uma promessa de novidade, uma promessa de gratuidade. Lá estava a acontecer algo de novo. Os Magos puderam adorar, porque tiveram a coragem de caminhar e, prostrando-se diante do pequenino, prostrando-se diante do pobre, prostrando-se diante do inerme, prostrando-se diante do insólito e desconhecido Menino de Belém, descobriram a Glória de Deus.

Solenidade da Epifania do Senhor, 06 de janeiro de 2017

Papa: crentes como os Magos sejam impelidos pela nostalgia de Deus



(RV) Sexta-feira, 6 de janeiro de 2017, Solenidade da Epifania do Senhor. Com as palavras dos Magos «Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo» , o Papa Francisco iniciou a sua homilia sublinhando que ver e adorar e adorar são as duas ações que sobressaem na narração evangélica de Mateus que a liturgia apresenta.

Os Magos viram uma estrela que os pôs em movimento – disse Francisco – e, citando o Padre da Igreja S. João Crisóstomo, reafirmou que eles não se puseram a caminho porque tinham visto a estrela, mas viram a estrela porque se tinham posto a caminho, mantinham o coração fixo no horizonte, porque havia neles um desejo que a tal os impelia: estavam abertos a uma novidade:

“Os Magos dão-nos, assim, o retrato da pessoa crente, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem sente a falta da sua casa: a pátria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que não deixaram, na sua vida, anestesiar o próprio coração”.

Esta “nostalgia santa de Deus” – prosseguiu o Papa - brota no coração crente, porque sabe que o Evangelho não é um acontecimento do passado, mas do presente, a nostalgia santa de Deus permite-nos manter os olhos abertos contra todas as tentativas de restringir e empobrecer a vida, a nostalgia santa de Deus é a memória crente que se rebela contra tantos profetas de desgraça. E acrescentou:

“Foi esta nostalgia que impeliu o filho pródigo a sair duma conduta autodestrutiva e procurar os braços de seu pai. Era esta nostalgia que sentia no seu coração o pastor, quando deixou as noventa e nove ovelhas para ir à procura da que se extraviara. E foi também o que sentiu Maria Madalena na madrugada do Domingo de Páscoa, fazendo-a correr até ao sepulcro e encontrar o seu Mestre ressuscitado. A nostalgia de Deus tira-nos para fora dos nossos recintos deterministas, que nos induzem a pensar que nada pode mudar. A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos”.

A nostalgia de Deus, disse ainda Francisco, tem as suas raízes no passado, mas não se detém lá: vai à procura do futuro e impele o crente a ir à procura de Deus, como os Magos, nos lugares mais recônditos da história, pois está seguro, em seu coração, de que lá o espera o seu Senhor. Vai à periferia, à fronteira, aos lugares não evangelizados, para poder encontrar-se com o seu Senhor; e fá-lo não com atitude de superioridade mas como um mendigo que se dirige a alguém aos olhos de quem a Boa Nova é um terreno ainda a explorar.

Mas enquanto os Magos caminhavam, Jerusalém dormia – frisou Francisco - dormia em conivência com Herodes que, em vez de andar à procura, dormia também. E ficou perturbado; teve medo. É aquela perturbação, explicou o Papa, que leva a pessoa, à vista da novidade que revoluciona a história, a fechar-se em si mesma, nos seus resultados, nos seus conhecimentos, nos seus sucessos.

“A perturbação de quem repousa na sua riqueza, incapaz de ver mais além. É a perturbação que nasce no coração de quem quer controlar tudo e todos; uma perturbação própria de quem vive imerso na cultura que impõe vencer a todo o custo, na cultura onde só há espaço para os «vencedores» e a qualquer preço. Uma perturbação que nasce do medo e do temor face àquilo que nos interpela, pondo em risco as nossas seguranças e verdades, o nosso modo de nos apegarmos ao mundo e à vida”.

E o Papa falou da segunda atitude dos Magos “Queremos adorar”. Aqueles homens – observou o Papa - vieram do Oriente para adorar, decididos a fazê-lo no lugar próprio de um rei: no Palácio, porque é próprio de um rei nascer num palácio, mas foi lá onde precisamente teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no Palácio aquilo que procuravam, mas estava noutro lugar:

Lá não veem a estrela que os levava a descobrir um Deus que quer ser amado, descobrir que o olhar deste Rei desconhecido – mas desejado – não humilha, não escraviza, não aprisiona; descobrir que o olhar de Deus levanta, perdoa, cura; descobrir que Deus quis nascer onde não o esperávamos, onde talvez não o quiséssemos; ou onde muitas vezes o negamos; descobrir que, no olhar de Deus, há lugar para os feridos, os cansados, os maltratados e os abandonados: que a sua força e o seu poder se chamam misericórdia. Como é distante, para alguns, Jerusalém de Belém!”

Mas Herodes não pôde adorar porque o seu objetivo era que o adorassem a ele, e nem sequer os sacerdotes puderam adorar, porque sabiam muito, conheciam as profecias, mas não estavam dispostos a caminhar nem a mudar, mas o Magos sentiram nostalgia e puderam adorar porque tiveram a coragem de caminhar e, prostrando-se diante do pequenino, prostrando-se diante do pobre, prostrando-se diante do inerme, prostrando-se diante do insólito e desconhecido Menino de Belém, descobriram a Glória de Deus – rematou Francisco.

05 janeiro, 2017

Papa: levar para as comunidades cristãs uma nova cultura vocacional



(RV) O Papa Francisco recebeu, nesta quinta-feira (05/01), na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de oitocentos participantes do encontro nacional promovido pela Pastoral Vocacional da Conferência Episcopal Italiana (CEI) sobre o tema “Levanta-te, vá e não tenhas medo”.

O Pontífice entregou o discurso preparado e falou espontaneamente, convidando os jovens a não terem medo de se levantar e aceitar o convite de Jesus que diz: Segui-me.

Francisco convidou os sacerdotes, consagrados e religiosas a abrirem as portas de seus institutos aos jovens. “As portas se abrem com a oração, a boa vontade e o risco. Arriscar-se com os jovens”, disse o Santo Padre.

“Jesus nos disse que o primeiro método para obter vocações é a oração, e nem todos são convencidos disso. Rezar pelas vocações. Com as portas fechadas ninguém pode entrar para encontrar o Senhor. É preciso abrir as portas para que eles possam entrar nas igrejas. Os bispos devem procurar uma maneira de acompanhar a oração da comunidade”, sublinhou Francisco.

O Papa chamou a atenção para o anúncio do Evangelho. Falou também sobre a importância do acolhimento. “Para ter vocações é preciso acolher os jovens.”

“Se queremos vocações devemos abrir as portas, rezar e nos sentar para ouvir os jovens. Fazer o apostolado do ouvido. Ter paciência, ouvir, fazer com que se sintam em casa, acolhidos. Muitas vezes eles fazem molecagem: Graças a Deus! Porque não são velhos. É importante perder tempo com os jovens.”

Segundo Francisco, o testemunho é outro elemento importante para a Pastoral Vocacional. “É verdade que o jovem sente o chamado do Senhor, mas o chamado é concreto, e na maioria das vezes é: Quero me tornar como ele ou ela. Existem testemunhos que atraem os jovens. Os testemunhos dos bons sacerdotes e das boas religiosas.”

A seguir, o resumo do discurso entregue pelo Papa aos participantes do encontro.

No discurso entregue aos participantes, o pontífice se congratula pela realização desse encontro anual “onde se partilha a alegria da fraternidade e a beleza de várias vocações”.

No texto, Francisco recorda a Assembleia sinodal de 2018 sobre o tema ‘Jovens, fé e discernimento vocacional’. “O sim total e generoso de uma vida que se doa é semelhante a uma fonte de água, escondida por muito tempo nas profundezas da terra, que espera para jorrar e escorrer num fluxo de pureza e frescor. Os jovens hoje precisam de uma fonte de água fresca para saciar a sede e prosseguir o seu caminho de descoberta. Os jovens têm o desejo de uma grande vida. O encontro com Cristo, o deixar-se atrair e guiar pelo seu amor amplia o horizonte da existência e doa uma esperança sólida que não decepciona".

Segundo o Papa, o serviço de anúncio e acompanhamento vocacional “requer paixão e gratuidade”. “A paixão do envolvimento pessoal, do saber cuidar das vidas que lhes são entregues como um baú que possui um tesouro precioso a ser preservado. A gratuidade de um serviço e ministério na Igreja que exige respeito por aqueles que são seus companheiros de caminhada. É o compromisso de buscar sua felicidade, e isso vai além de suas preferências e expectativas.”

Confiança e esperança

Francisco cita as palavras do Papa Bento XVI: “Sejam semeadores de confiança e esperança. É profundo o sentido de confusão em que muitas vezes vive a juventude contemporânea. Não raro, as palavras humanas são desprovidas de futuro e de perspectiva, despojadas também de sentido e de sabedoria. [...] E no entanto, esta pode ser a hora de Deus”.

“Para ser críveis e entrar em sintonia com os jovens é preciso privilegiar o caminho da escuta, do saber perder tempo em acolher as suas perguntas e seus desejos.”

“A prioridade do anúncio vocacional não é a eficiência do que fazemos, mas atenção privilegiada à vigilância e ao discernimento. É ter um olhar capaz de ver o lado positivo nos eventos humanos e espirituais que encontramos”, sublinha o Francisco.

Cultura vocacional

Segundo o Papa, “hoje é necessária uma Pastoral Vocacional de horizontes amplos e com o espírito de comunhão, capaz de ler com coragem a realidade assim como ela é, com suas fadigas e resistências, reconhecendo os sinais de generosidade e beleza do coração humano. É preciso levar novamente para dentro das comunidades cristãs uma nova cultura vocacional”.

“Não se cansem de repetir: ‘eu sou uma missão’ e não simplesmente ‘tenho uma missão’. Estar em estado permanente de missão requer coragem, audácia, criatividade e desejo de ir além.”

“Sintamo-nos impelidos pelo Espírito Santo a encontrar, com coragem, novos caminhos de anúncio do Evangelho da vocação, para ser homens e mulheres que, como sentinelas, sabem capturar os raios de luz de um novo amanhecer, numa experiência renovada de fé e paixão pela Igreja e pelo Reino de Deus.”

(MJ)

Papa: "Mãos e corações de todos para reconstruir"




(RV) Depois de visitar em outubro passado a localidade de Amatrice, uma das áreas afetadas pelo sismo no centro de Itália, nesta quinta-feira, 5 de janeiro, o Papa Francisco recebeu as vítimas e suas famílias no Vaticano.





Sala Paulo VI lotada, clima de emoção

Participaram do encontro na Sala Paulo VI cerca de 5.000 pessoas atingidas pelos terremotos ocorridos de agosto de 2016 a janeiro, no centro da Itália. “A audiência – como explica o arcebispo de Spoleto-Norcia, Dom Renato Boccardo – foi dedicada especialmente aos que perderam parentes, casas, terras e segurança econômica: pessoas que foram de certo modo feridas pelo sismo e carecem de consolo e esperança”. 

Os 800 participantes chegaram ao Vaticano em 14 ônibus, já de manhã cedo. O pároco de Abbazia di S. Eutizio in Preci, Pe. Luciano Avenati, saudou o Pontífice em nome de toda a delegação.

“Vítimas do terremoto no corpo, mas não na alma”, disse o padre, apresentando o grupo. “Não temos mais casas, mas tivemos muitas reconciliações nos últimos meses. Redescobrimos ser uma grande família”.

Reconstruir, mãos e ferida

O discurso do Papa, feito espontaneamente, teve três palavras-chave: “reconstruir”, não só as casas, mas também os corações; “mãos”, como as que removeram os escombros e as que, como as de Deus, que reconstroem; e “feridas”, que se curam, mas que deixam cicatrizes.

“Na situação de vocês, o pior que eu poderia fazer é um sermão!”, começou Francisco, explicando sua decisão de não proferir o discurso preparado para o encontro. Ao contrário, preferiu comentar as palavras mencionadas nos testemunhos que acabara de ouvir, detendo-se especialmente no termo “ferida”.

“Cada um sofreu alguma coisa, alguns perderam tanto: casa, filhos, pais... O silêncio, o carinho e a ternura do coração nos ajudam a não ferir e fazem milagres na hora da dor!”, disse o Pontífice, lembrando o discurso feito pelo pároco.

“Houve reconciliações, foram deixados de lado rancores e nos reencontramos juntos, numa nova situação... com beijos, abraços e ajuda recíproca... e também com o pranto. Chorar só faz bem; nos expressamos diante de nós e de Deus, mas chorar juntos é melhor. E nós choramos juntos. Estas coisas me vieram no coração quando li e ouvi os seus testemunhos”, revelou o Papa.

O agradecimento e o reconhecimento pelo bom exemplo

Em seguida, Francisco se dirigiu aos presentes afirmando: “Vocês sabem que eu lhes sou próximo. Quando soube do que tinha acontecido naquela manhã, (24 de agosto) e recém-acordado, encontrei um bilhete que me informava dos dois tremores, eu senti duas coisas: a primeira foi ‘tenho que ir lá’ e a segunda foi ‘a dor’. Senti dor, muita dor, e com este sentimento, fui celebrar a missa da manhã. Obrigado por sua presença aqui hoje e em algumas audiências nos últimos meses. Obrigado por tudo o que fizeram com o seu exemplo para construir, reconstruir os corações, as casas e o tecido social.

Papa batizará bebês das áreas do terremoto

No próximo dia 14 de janeiro, o Papa Francisco batizará oito bebês nascidos em Amatrice e Accumoli, cidades do centro da Itália devastadas pelo terremoto de 24 de agosto.

O anúncio foi feito por Dom Domenico Pompili, bispo de Rieti, diocese em que se encontram os dois municípios. A cerimônia será à tarde, na Casa Santa Marta, residência do Pontífice no Vaticano. A ideia amadureceu durante a visita do Papa a Amatrice, em 4 de outubro passado. Enquanto cumprimentava a população, uma senhora lhe apresentou o seu bebê para ser abençoado e disse que seu maior sonho era que o Papa o batizasse.

(cm)

04 janeiro, 2017

Responder ao sofrimento com a delicadeza do amor – Papa na audiência geral




(RV) Hoje – disse o Papa, saudando os presentes – “quero contemplar convosco  uma figura de mulher que nos fala de esperança vivida no pranto.  A esperança vivida no pranto”.

Essa mulher é Raquel, esposa de Jacob e mãe de José. A história de Raquel que morre dando à luz o seu segundo filho, é usada pelo profeta Jeremias para consolar os israelitas em exílio, dando-lhes esperança. Raquel morreu para que o filho pudesse viver, mas o profeta apresenta-a como viva, em Rama, chorando pelos seus filhos que morreram a caminho do exílio, e por isso ela não quer ser consolada.

Esta recusa exprime a profundidade da sua dor e a amargura do seu pranto. Uma dor proporcional ao amor de uma mãe pelos filhos. Qualquer mãe sabe isso – afirmou o Papa, recordando que também hoje são muitas as mães que choram, que não se resignam pela perda de um filho. Raquel – disse - Raquel representa em si a dor de todas as mães do mundo, de todos os tempos, e as lágrimas de cada ser humano que chora devido a perdas irremediáveis.

Esta recusa de Raquel de ser consolada, ensina-nos que é preciso muita delicadeza perante a dor do outro – disse Francisco:

“Para falar de esperança a quem está desesperado, é preciso partilhar o seu desespero; para enxugar uma lágrima do rosto de quem sofre, é preciso unir o seu pranto ao nosso. Só assim as nossas palavras podem ser realmente capazes  de dar um pouco de esperança. E se não posso dizer palavras assim, com o pranto, com a dor, então, melhor o silêncio, o carinho, o gesto e nada de palavras”.

E o texto de Geremias recorda que Deus responde a Raquel não com palavras artificiais, mas com a delicadeza do amor, dizendo-lhe para reter o seu pranto porque há esperança para a sua descendência. “Os teus filhos voltarão à sua terra”, ou seja, o povo no exílio poderá regressar e viver na fé e de forma livre a sua relação com Deus. Raquel que tinha morrido para que o filho pudesse viver, com o seu pranto, é agora o início de uma nova vida.

As lágrimas geraram esperança. Não é fácil compreender isto, mas é verdade. Muitas vezes na nossa vida, as lágrimas semeiam esperança, são sementes de esperança”.

O texto do profeta Jeremias sobre o pranto de Raquel é retomado pelo Evangelista Mateus e aplicado ao massacre dos inocentes – continuou o Papa – chamando a atenção para “a tragédia do massacre de seres humanos de hoje indefesos, ao horror do poder que despreza e suprime a vida”. Não devemos esquecer que as crianças de Belém morreram devido a Jesus e que Cristo seria por sua vez morto inocentemente, para todos nós.

O filho de Deus entrou na dor do homem. Não podemos nunca esquecer isto. Quando alguém se dirige a mim e me faz perguntas difíceis, por exemplo: “Diga-me Padre: porque sofrem as crianças?”, e eu não sei realmente o que responder. Digo apenas: “Olha para o Crucifixo: Deus deu-nos o seu Filho, Ele sofreu, e talvez possas encontrar ali a resposta”.

Mas respostas racionais não há – afirmou o Papa indicando a cabeça. Só olhando para o amor de Deus que dá o seu Filho, Filho que morre por nós, se pode indicar algum caminho de consolação.

E por isso dizemos que o Filho de Deus entrou na dor do homem; partilhou e acolheu a morte; a sua Palavra é definitivamente a palavra de consolação, porque nasce do pranto”.

Francisco concluiu frisando que é Jesus morrente na cruz que dá nova fecundidade à sua mãe, ao confiar-lhe o discípulo João e tornando-a a mãe de todos os crentes. A morte é vencida. A profecia de Jeremias concretiza-se. Tal como as lágrimas de Raquel, também as de Maria, geraram esperança e uma vida nova – rematou o Papa Bergoglio.

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Depois da sua catequese, o Papa saudou em italiano os peregrinos presentes, para os quais a catequese foi resumidas em diversas línguas: francês, inglês, alemão, espanhol, português, árabe, e polaco. Eis a sua saudação em português :

“Com grande afeto, saúdo os peregrinos de língua portuguesa, e de modo particular os sacerdotes da diocese de Angra, desejando a cada um que sempre possa dar-se conta do dom maravilhoso que é pertencer à santa Mãe Igreja. Vele sobre o vosso caminho a Virgem Maria e vos ajude a ser sinal de confiança e esperança no meio dos vossos irmãos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção de Deus.”

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O Papa referiu-se também aos dramáticos factos ocorridos numa prisão do Brasil, com estas palavras:

Ontem chegaram do Brasil as notícias dramáticas do massacre ocorrido na prisão de Manaus, onde um violentíssimo recontro entre grupos rivais causou dezenas de mortos. Exprimo dor e preocupação pelo ocorrido. Convido a rezar pelos defuntos, pelos seus familiares, por todos os detidos daquela prisão e por quantos nela trabalham. E renovo o apelo a fim de que os institutos penitenciários sejam lugares de reeducação e reinserção social, e as condições de vida dos detidos sejam dignas de pessoas humanas.