18 junho, 2018

Papa: as ditaduras começam com a comunicação caluniosa

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 Papa Francisco - Santa Marta  (Vatican Media)

Na missa celebrada na Casa Santa Marta, o Papa recordou a sedução do escândalo e o poder destrutivo da comunicação caluniosa. Basta pensar na perseguição dos judeus no século passado. Um horror que acontece também hoje. 

Debora Donnini - Cidade do Vaticano 

Para destruir instituições ou pessoas, começa-se a falar mal. A esta “comunicação caluniosa”, o Papa Francisco dedicou a homilia na missa na Casa Santa Marta.

A sua reflexão parte da história de Nabot narrada na Primeira Leitura, no Livro dos Reis. O rei Acab deseja a vinha de Nabot e oferece-lhe dinheiro. Aquele terreno, porém, faz parte da herança dos seus pais e, portanto, rejeita a proposta. Então Acab fica aborrecido “como fazem as crianças quando não obtêm o que querem: chora.

A sua esposa cruel, Jezabel, aconselha o rei a acusar Nabot de falsidade, a matá-lo e assim tomar posse de sua vinha. Nabot – notou o Papa – é portanto um “mártir da fidelidade à herança” que tinha recebido dos seus pais: uma herança que ia além da vinha, “uma herança do coração”.

Os mártires condenados com as calúnias
Para Francisco, a história de Nabot é paradigmática da história de Jesus, de Santo Estevão e de todos os mártires que foram condenados usando um cenário de calúnias. Mas é também paradigmática do modo de proceder de tantas pessoas de “tantos chefes de Estado ou de governo”. Começa com uma mentira e, “depois de destruir seja uma pessoa, seja uma situação com aquela calúnia”, se julga-se e condena-se. 

Como as ditaduras adulteram a comunicação
“Também hoje, em muitos países, utiliza-se este método: destruir a livre comunicação”.

Por exemplo, pensemos: há uma lei da mídia, da comunicação, cancela-se aquela lei; concede-se todo o aparato da comunicação a uma empresa, a uma sociedade que faz calúnia, diz falsidades, enfraquece a vida democrática. Depois vêm os juízes julgar essas instituições enfraquecidas, essas pessoas destruídas, condenam e assim vai avante uma ditadura. Todas as ditaduras começaram assim, adulterando a comunicação, para colocar a comunicação nas mãos de uma pessoa sem escrúpulos, de um governo sem escrúpulos. 

A sedução dos escândalos
“Também na vida cotidiana é assim”, destacou o Papa: se quero destruir uma pessoa, “começo com a comunicação: falar mal, caluniar, dizer escândalos”:

E comunicar escândalos é um facto que tem uma enorme sedução, uma grande sedução. Seduz-se com os escândalos. As boas notícias não são sedutoras: “Sim, mas que belo o que fez!” E passa… Mas um escândalo: “Mas você viu! Viu isso! Você viu o que aquele lá fez? Esta situação… Mas não pode, não se pode ir avante assim!” E assim a comunicação cresce, e aquela pessoa, aquela instituição, aquele país acaba na ruína. No final, não se julgam as pessoas. Julgam-se as ruínas das pessoas ou das instituições, porque não se podem defender. 

A perseguição dos judeus
“A sedução do escândalo na comunicação leva justamente ao ângulo, isto é “destrói” assim como aconteceu a Nabot, que queria somente “ser fiel à herança dos seus antepassados” e não vendê-la. Neste sentido, também é exemplar a história de Santo Estevão, que faz um longo discurso para se defender, mas aqueles que o acusavam preferem lapidá-lo ao contrário de ouvir a verdade. “Este é o drama da avidez humana”, afirma o Papa. Tantas pessoas são, de facto, destruídas por uma comunicação malvada:

Muitas pessoas, muitos países destruídos por ditaduras malvadas e caluniosas. Pensemos por exemplo nas ditaduras do século passado. Pensemos na perseguição aos judeus, por exemplo. Uma comunicação caluniosa, contra os judeus; e acabavam em Auschwitz porque não mereciam viver. Oh… é um horror, mas um horror que acontece hoje: nas pequenas sociedades, nas pessoas e em muitos países. O primeiro passo é apropriar-se da comunicação, e depois da destruição, o juízo e a morte. 

Reler a história de Nabot
O Apóstolo Tiago fala precisamente da "capacidade destrutiva da comunicação malvada". Em conclusão, o Papa exorta a reler a história de Nabot no capítulo 21 do Primeiro Livro dos Reis e a pensar em "tantas pessoas destruídas, em tantos países destruídos, em tantas ditaduras com 'luvas brancas'" que destruíram países.

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VATICAN NEWS

17 junho, 2018

No Angelus, O Papa pede gestos concretos de solidariedade para com migrantes

  
Papa com um grupo de migrantes durante a Audiência Geral na Praça São Pedro  (AFP or licensors)
 
Na próxima quarta-feira ocorre o Dia Mundial do Refugiado. O Papa Francisco fez votos de que os países que estarão envolvidos nas consultas para adotar um Pacto Mundial sobre refugiados, "cheguem a um acordo para assegurar, com responsabilidade e humanidade, assistência e proteção a quem é obrigado a deixar o próprio país”. 
 
Cidade do Vaticano

O Papa Francisco também recordou no Angelus deste domingo o Dia Mundial do Refugiado que será celebrado esta semana:

Na próxima quarta-feira recorre o Dia Mundial do Refugiado, promovido pelas Nações Unidas, para chamar a atenção para o que eles vivem, muitas vezes com grande ansiedade e sofrimento, os nossos irmãos forçados a fugir das suas terras devido a conflitos e perseguições. Um dia que, este ano, é o centro das consultas entre os governos para a adoção de um Pacto Mundial sobre Refugiados, que deve ser adotado até um ano, como aquele para uma migração segura, ordeira e regular”.

O Pontífice fez votos de que “os Estados envolvidos naquele processo cheguem a um acordo para assegurar, com responsabilidade e humanidade, assistência e proteção a quem é obrigado a deixar o próprio país”.

Mas o apelo à solidariedade é dirigido também a cada um de nós:

Mas também cada um de nós é chamado a estar perto dos refugiados, a encontrar momentos de encontro com eles, a acolher e a valorizar a sua contribuição, para que também eles possam integrar-se melhor nas comunidades que os recebem. Neste encontro e neste recíproco apoio e respeito, está a solução de muitos problemas”.

Também por meio de um tweet o Papa Francisco recordou o drama das migrações, relançando a campanha da Caritas "Share the Journey", a favor dos migrantes: “Compartilhemos com gestos concretos de solidariedade o caminho dos migrantes e dos refugiados. #sharejourney http://journey.caritas.org/gwa18/

Especiais gestos concretos de solidariedade em favor dos migrantes e refugiados em todo o mundo serão concretizadas a partir de hoje até 24 de junho.

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VATICAN NEWS

Papa: permanecer confiantes quando a esperança parece naufragar

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O Papa Francisco no Angelus  (ANSA)

"Hoje o Senhor exorta-nos a uma atitude de fé que supera os nossos projetos, os nossos cálculos, as nossas previsões. É um convite para nos abrirmos com mais generosidade aos planos de Deus, tanto a nível pessoal como comunitário", disse o Papa Francisco na sua reflexão. 

Cidade do Vaticano 

Manter a confiança em Deus, mesmo diante das vicissitudes da vida, com o convite “para nos abrirmos com mais generosidade aos planos de Deus”, a nível pessoal e comunitário, pois “Deus é sempre o Deus das surpresas. O Senhor sempre nos surpreende”.

Inspirando-se em duas breves parábolas contadas por Jesus à multidão para explicar o Reino de Deus, o Papa Francisco explica que “a autenticidade da missão da Igreja” é dada “pelo ir em frente com a coragem da confiança e o humilde abandono a Deus”.

Na primeira parábola – explica o Papa – “o Reino de Deus é comparado ao crescimento misterioso da semente, que é jogada no chão e em seguida germina, cresce e produz a espiga, independentemente do cuidado do agricultor, que após a maturação, faz a colheita”.

E a mensagem que tiramos, é que “por meio da pregação e a ação de Jesus, o Reino de Deus é anunciado, irrompe no campo do mundo e, como a semente, cresce e desenvolve-se por si só, por força própria e segundo critérios humanamente não decifráveis”.

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O crescimento do Reino na história – afirma Francisco – não depende tanto “da obra do homem”, mas acima de tudo “é expressão do poder e da bondade de Deus, da força do Espírito Santo que leva em frente a vida cristã no Povo de Deus”:

“Às vezes, a história, com os seus acontecimentos e os seus protagonistas, parece ir na direção oposta ao plano do Pai celeste, que deseja para todos os seus filhos a justiça, a fraternidade, a paz. Mas nós somos chamados a viver esses períodos como estações de provação, de esperança e de espera vigilante da colheita”.

O Reino de Deus, ontem como hoje, “cresce no mundo de maneira misteriosa, de maneira surpreendente, revelando o poder escondido da pequena semente, a sua vitalidade vitoriosa”. E diante dos mistérios dos acontecimentos pessoais e sociais que parecem “o naufrágio de esperança, devemos permanecer confiantes no agir humilde, mas poderoso de Deus”.:

Por isto, nos momentos de escuridão e de dificuldades, não devemos abater-nos, mas permanecer ancorados à fidelidade de Deus, na sua presença, que sempre salva. Recordem-se disto: Deus salva sempre, é o salvador”.

Francisco explicou então a segunda parábola, a do grão de mostarda ao qual Jesus compara o Reino de Deus. Mesmo sendo uma semente muito pequena, ela “desenvolve-se tanto que se torna a maior de todas as plantas do jardim: um crescimento surpreendente e imprevisível”.
“ Não é fácil para nós entrar nesta lógica da imprevisibilidade de Deus e aceitá-la nas nossas vidas. ”
“Mas hoje – disse Francisco - o Senhor exorta-nos a uma atitude de fé que supera os nossos projetos, os nossos cálculos, as nossas previsões:

Deus é sempre o Deus das surpresas. O Senhor surpreende-mos sempre. É um convite para nos abrirmos com mais generosidade aos planos de Deus, tanto a nível pessoal como comunitário. Nas nossas comunidades é preciso dar atenção às pequenas e grandes oportunidades de bem que o Senhor nos dá, deixando-nos envolver na sua dinâmica de amor, de acolhimento e de misericórdia para com todos”.
“ A autenticidade da missão da Igreja não é dada pelo sucesso ou pela gratificação dos resultados, mas pelo ir em frente com a coragem da confiança e o humilde abandono a Deus ”
“Ir em frente na confissão de Jesus e com a força do Espírito Santo. É a consciência de ser instrumentos pequenos e fracos, que nas mãos de Deus e com a sua graça podem realizar grandes obras, fazendo progredir o seu Reino que é “justiça, paz e alegria no Espírito Santo”.

"Que a Virgem Maria nos ajude a ser simples, a ser atentos, para colaborar com a nossa fé e com o nosso trabalho no crescimento do Reino de Deus nos corações e na história", disse o Papa Francisco ao concluir sua reflexão.

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16 junho, 2018

Papa: o amor entre homem e mulher torna-os cooperadores do Criador

 
 Papa na Sala Clementina com membros do Fórum das Famílias  (Vatican Media)
 
"O nosso mundo, muitas vezes, tentado e guiado por lógicas individualistas e egoístas, leva, quase sempre, a perder o sentido e a beleza das uniões estáveis. Por isso, torna-se difícil entender o valor da família", disse o Papa à Delegação do Fórum da Família. 
 
Manuel Tavares – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco concluiu a sua série de audiências na manhã deste sábado, dia 16, recebendo na Sala Clementina uma Delegação de 150 membros das Associações Familiares, fundadas há 25 anos, que compreende mais de 500 centros de comunhão e força de partilha. Trata-se, disse, de uma “família de famílias”, que busca viver juntos na alegria e no bem comum.

O "fator familiar" constitui um "elemento de avaliação política e operacional, multiplicador da riqueza humana, económica e social", diz o Papa, no texto que foi entregue, tendo preferido falar de improviso, tocando em temas de várias naturezas.

Antes de tudo, ele reitera que a família é uma só, à imagem de Deus, a união entre um homem e uma mulher. E que, para continuar este elo de ligação ao longo do tempo, é preciso paciência, acima de tudo, diante de uma traição.

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 Entre os tópicos abordados, também o do aborto e da abertura à vida, que é sempre preciosa e inviolável. Com brincadeiras e histórias pessoais, o Papa Bergoglio não esquece de analisar a relação entre pais e filhos, muitas vezes penalizada pela urgência do trabalho ou pela falta do mesmo.

“A família que, de vários modos vós promoveis, está no centro do projeto de Deus, segundo a história da salvação”, afirmou.

“Por um misterioso desígnio divino, a complementariedade e o amor, entre o homem e a mulher, tornam-os cooperadores do Criador, que nos confia a tarefa de gerar novas criaturas, dando-nos assistência no crescimento e na educação”.

A família, sagrada e indissolúvel, afirmou Francisco, é o berço da vida e o primeiro lugar do acolhimednto e do amor. Ela tem um papel essencial na vocação do homem, é uma janela que se abre para o mistério do Amor, na unidade e Trindade de Deus. E recordou no texto:

O nosso mundo, muitas vezes, tentado e guiado por lógicas individualistas e egoístas, leva, quase sempre, a perder o sentido e a beleza das uniões estáveis. Por isso, torna-se difícil entender o valor da família. O apoio às famílias e a sua valorização depende de uma incansável obra de sensibilização e diálogo: eis o objetivo do seu Fórum, através de inúmeras iniciativas, em colaboração com as Instituições”.

Por isso, o Santo Padre animou as Associações Familiares a darem testemunho da alegria do amor, recordado no documento pós-sinodal sobre a família.

Por fim, o Papa agradeceu à Delegação pelo seu compromisso “em participar, de modo ativo e responsável, da vida das famílias, em ambiente cultural, social, escolar e político e incentivou-os a promover políticas para sustentar o crescimento da natalidade, apesar da pobreza e da falta de assistência familiar.

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15 junho, 2018

Papa na Santa Marta: explorar as mulheres é pecado contra Deus

 
Papa Francisco celebra a Missa na Santa Marta  (Vatican Media)
 
Na homilia da Missa na Casa Santa Marta, Francisco fala da exploração das mulheres de hoje, usadas como objetos, e recorda que elas são "o que falta a todos os homens para serem imagem e semelhança de Deus".
 
Giada Aquilino - Cidade do Vaticano 

Uma oração "pelas mulheres descartadas, pelas mulheres usadas, pelas jovens que têm que vender a própria dignidade para ter um emprego". Esta é a exortação do Papa na missa celebrada na manhã desta sexta-feira na Casa Santa Marta, quando refletiu sobre o Evangelho de hoje de Mateus e as palavras de Cristo: "Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de a possuir, já cometeu adultério” e "todo aquele que repudiar a sua mulher, a expõe ao adultério." 

Jesus muda a história 
Francisco recorda como as mulheres são "o que falta a todos os homens para serem imagem e semelhança de Deus": Jesus pronuncia palavras fortes, radicais, que "mudam a história", porque até aquele momento a mulher "era de segunda classe", dizendo com um eufemismo, "era escrava", "não gozava sequer de plena liberdade", observa o Papa.

E a doutrina de Jesus sobre a mulher muda a história. Uma coisa é a mulher antes de Jesus, outra coisa é a mulher depois de Jesus. Jesus dignifica a mulher e coloca-a ao mesmo nível do homem, porque utiliza aquela primeira palavra do Criador, ambos são "imagem e semelhança de Deus ", os dois; não primeiro o homem  e depois, um pouquinho mais abaixo, a mulher. Não, os dois. E o homem sem a mulher ao lado - tanto como mãe, como irmã, como esposa, como companheira de trabalho, como  amiga -  este homem sozinho não é imagem de Deus. 

Até hoje, as mulheres são objeto de desejo
Francisco concentra-se em particular no "desejar" uma mulher, evocada na passagem do Evangelho. "Nos programas de televisão, nas revistas, nos jornais - diz - mostram as mulheres como objeto de desejo, de uso", como em um "supermercado".

A mulher, talvez para vender uma certa qualidade de "tomates", torna-se um objeto, "humilhada, sem roupas", fazendo com que caia o ensinamento de Jesus que a "dignificou”.
E - acrescenta - não é preciso ir "tão longe": isto acontece também "aqui, onde vivemos", nos "escritórios", nas "empresas", as mulheres "objeto da filosofia, usa e joga fora", como material de descarte", em que nem parecem ser "pessoas":

Isto é um pecado contra Deus Criador, rejeitar a mulher, porque sem ela nós homens não podemos ser imagem e semelhança de Deus. Há uma fúria contra a mulher, uma fúria feia. Mesmo sem dizer isso ... Mas quantas vezes as jovens precisam de se venderem para obterem um emprego, como objeto, usa e joga fora? Quantas vezes? "Sim, padre eu ouvi naquele país ...". Aqui em Roma. Não ir longe. 

Olhe ao nosso redor para ver a exploração
O Papa pergunta, o que veríamos se fizéssemos uma "peregrinação noturna" em certos lugares da cidade, onde "muitas mulheres, muitos migrantes, muitos não-migrantes" são explorados "como num mercado": os homens aproximam-se destas mulheres não para dizer “boa-noite”, mas “quanto custa?", recorda Francisco. E para aqueles que lavam "a consciência" chamando-as de "prostitutas", o Pontífice diz:

"Tu fizeste dela uma prostituta, como Jesus diz: quem a repudia a expõe ao adultério, porque tu não tratas bem a mulher, a mulher acaba assim, também explorada, escrava, tantas vezes."

Portanto, será bom olhar para estas mulheres e pensar que, diante da nossa liberdade, elas são "escravas desse pensamento de descarte":

Tudo isto acontece aqui, em Roma, acontece em todas as cidades, as mulheres anónimas, as mulheres - podemos dizer - "sem um olhar" porque a vergonha cobre o olhar, as mulheres que não sabem rir e muitas delas que não sabem, não conhecem a alegria de amamentar e de ouvirem serem chamadas de mãe. Mas, mesmo na vida cotidiana, sem ir a esses lugares, esse pensamento feio de rejeitar a mulher, é um objeto de "segunda classe". Devemos refletir melhor. E fazendo isto ou dizendo isto, entrando neste pensamento desprezamos a imagem de Deus, que fez o homem e a mulher juntos à sua imagem e semelhança. Esta passagem do Evangelho ajuda-nos a pensar no mercado de mulheres, no mercado, sim, tráfico, exploração, que vemos; também no mercado invisível, que se faz e não se vê. A mulher é pisoteada porque é mulher. 

Com ternura, Cristo restitui dignidade
Jesus, lembra o Papa, "teve uma mãe", teve "muitas amigas que o seguiram para ajudá-lo no seu ministério" e para apoiá-lo. E encontrou "tantas mulheres desprezadas, marginalizadas e descartadas", que ele ajudou com tanta "ternura", restituindo-lhes a dignidade.

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Um mundo menos violento para os idosos, é um mundo mais humano para todos

 
 Papa Francisco e um idoso  (Vatican Media)
 
Nesta sexta-feira (15/06) celebra-se o Dia Mundial da Conscientização contra o Abuso de Idosos, instituído pela ONU em 2006. Para a ocasião a Comunidade de Santo Egídio que atua em mais de 70 países do mundo na defesa do direito dos idosos lança um apelo. 
 
Cidade do Vaticano

Com o aumento constante da população de idosos em todo o mundo (809.743.000 dos 7 biliões de habitantes) devido ao prolongamento da vida e os progressos da medicina, as nossas sociedades não parecem preparadas para viver de modo positivo a presença de tantos idosos. Ao ponto a que se espalha cada vez mais uma cultura que não aceita ou não sabe tratar a fragilidade humana. É justamente nesta mentalidade que se enraízam abusos que nos deparamos cada vez mais no dia a dia: fraudes, golpes, falta de assistência e cuidado adequado, maus-tratos, que muitas vezes levam à morte. 

Comunidade de Santo Egídio
Neste dia a Comunidade de Santo Egídio de Roma, que atua em mais de 70 países do mundo na defesa do direito dos idosos, em especial na assistência dos mais pobres, lança um apelo que divide em alguns pontos, entre os quais sugere o desenvolvimento de uma rede de relações sociais, atualmente muito fragmentadas nas sociedades onde viver sozinho está a tornar-se um modelo dominante. Para combater a solidão sugere um programa que existe há alguns anos em Itália: “Viva os idosos”, que faz da luta contra o isolamento social e o apoio à fragilidade, a base da própria atividade. O programa faz um controle ativo da população idosa, principalmente os que vivem sozinhos, e teve resultados muito positivos, ou seja, determinou um importante melhoramento na qualidade de vida das pessoas e a redução de custos na assistência pública. 

Diretos dos Idosos
Outro ponto fundamental é tutelar os direitos dos idosos, em particular a liberdade de como e onde viver a própria vida. De facto, em muitos países do mundo, sobretudo nos mais ricos, colocar os idosos em casas de repouso torna-se muitas vezes, uma escolha obrigatória, pela carência de serviços nos territórios e a domicílio. Assim como, com frequência, registam-se verdadeiros abusos em estruturas destinadas a garantir uma existência digna aos que não têm mais condições de viver autonomamente a própria vida, tornando-se lugares de humilhação. É preciso transformar os lares para idosos em estruturas abertas ao mundo externo, com horário de visitas sem excessivas limitações (por exemplo nos horários) e permitir a saída dos idosos se desejarem, no respeito da segurança pessoal.~

Habitações coletivas
Enfim uma sugestão moderna, já bem enraizada na Europa e sem muitas dificuldades de ser aplicada: as habitações coletivas (cohousing) onde os idosos decidem viver juntos para combater a solidão e enfrentar as dificuldades económicas, uma resposta humana e praticável.

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 VATICAN NEWS

14 junho, 2018

Papa: pobres ajudam-mos a redescobrir a beleza do Evangelho

 
 Papa em visita a lar que acolhe pessoas necessitadas  (@L'Osservatore Romano)
 
A 18 de novembro realiza-se o II Dia Mundial dos Pobres, iniciativa que nasceu no final do Jubileu da Misericórdia a pedido do Papa Francisco.
 
Cidade do Vaticano

Um convite a descobrir a beleza do Evangelho: assim é a mensagem do Papa Francisco em vista do II Dia Mundial dos Pobres, que este ano se celebra a 18 de novembro, no 33º Domingo do Tempo Comum.

O tema da mensagem foi extraído do Salmo 34: “Este pobre grita e o Senhor o escuta”. “As palavras do salmista tornam-se também as nossas no momento em que somos chamados a encontrar-nos com as diversas condições de sofrimento e marginalização em que vivem tantos irmãos e irmãs nossos que estamos habituados a designar com o termo genérico de ‘pobres’, explica o Papa. 

Gritar
O que emerge desta oração, prossegue Francisco, é o sentimento de abandono e de confiança num Pai que escuta e acolhe. O salmo caracteriza com três verbos a atitude do pobre e a sua relação com Deus. Antes de tudo, “gritar”. A condição de pobreza não se esgota numa palavra, mas torna-se um grito que atravessa os céus e chega até Deus. Num Dia como este, somos chamados a fazer um sério exame de consciência, de modo a compreender se somos verdadeiramente capazes de escutar os pobres, pois é do silêncio da escuta que precisamos para reconhecer a sua voz 

Responder
Um segundo verbo é “responder”. O Senhor, diz o salmista, não só escuta o grito do pobre, como também responde. A sua resposta é uma participação cheia de amor na condição do pobre.

A resposta de Deus é também um apelo para que, quem acredita Nele possa proceder de igual modo, dentro das limitações do que é humano.

“O Dia Mundial dos Pobres pretende ser uma pequena resposta que, de toda a Igreja, dispersa por todo mundo, é dirigida aos pobres de todos os tipos e de todas as terras para que não pensem que o seu grito tenha caído no vazio. Provavelmente, é como uma gota de água no deserto da pobreza; e, contudo, pode ser um sinal de partilha para com os que estão em necessidade, para sentirem a presença ativa de um irmão e de uma irmã. 

Libertar
Um terceiro verbo é “libertar”. O pobre da Bíblia vive com a certeza que Deus intervém em seu favor para lhe restituir a dignidade. A pobreza não é procurada, mas é criada pelo egoísmo, pela soberba, pela avidez e pela injustiça. Males tão antigos como o homem, mas mesmo assim continuam a ser pecados que implicam tantos inocentes, conduzindo a consequências sociais dramáticas.

Francisco cita a falta de meios elementares de subsistência, a marginalidade, as diversas formas de escravidão social apesar dos progressos levados a cabo pela humanidade… “Quantos pobres, como Bartimeu, estão hoje à beira da estrada e procuram um sentido para a sua condição!”, escreve. 

Marca da alegria
O Papa denuncia a aversão aos pobres, considerados não apenas como pessoas indigentes, mas também como gente que traz insegurança, instabilidade e desorientação. E na verdade, são os primeiros a estarem habilitados para reconhecer a presença de Deus e para dar testemunho da sua proximidade nas suas vidas.

Francisco manifesta o desejo de que este Dia fosse celebrado com a marca da alegria pela redescoberta capacidade de estar juntos. “Rezar juntos em comunidade e partilhar a refeição no dia de domingo. Uma experiência que nos leva de volta à primeira comunidade cristã.” O Pontífice aprecia a colaboração com outras instituições fora da Igreja, recordando que os verdadeiros protagonistas são o Senhor e os pobres. “Quem se coloca ao serviço é instrumento nas mãos de Deus para fazer reconhecer a sua presença e a sua salvação.” 

Beleza do Evangelho
O Papa conclui a sua mensagem com uma palavra de esperança: “Muitas vezes, são os pobres a colocar em crise a nossa indiferença, filha de uma visão da vida demasiado imanente e ligada ao presente. (…) É na medida em que somos capazes de discernir o verdadeiro bem que nos tornamos ricos diante de Deus e sábios diante de nós mesmos e dos outros. É na medida em que se consegue dar um sentido justo e verdadeiro à riqueza, cresce-se em humanidade e torna-se capazes de partilha”.

Por fim, Francisco convida toda a Igreja a viver este Dia Mundial como um momento privilegiado da nova evangelização. “Os pobres evangelizam-nos, ajudando-nos a descobrir em cada dia a beleza do Evangelho. Não deixemos cair no vazio esta oportunidade de graça.”

Ouça a reportagem completa

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Papa: o insulto mata o futuro. O caminho é a reconciliação

 
 Papa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)
 
"O insulto não acaba em si mesmo, mas é uma porta que se abre. É preciso passar da inveja à amizade": palavras do Papa Francisco ao celebrar a missa matutina na capela da Casa Santa Marta.
 
Alessandro Di Bussolo – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco celebrou a missa na manhã de quinta-feira na capela da Casa Santa Marta. Na sua homilia, comentou o Evangelho de Mateus, que fala do discurso de Jesus sobre a justiça, o insulto e a reconciliação.

“Procura reconciliar-te com o teu adversário para que não te entregue ao juiz. O juiz entregar-te-á ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão.” O convite de Jesus aos discípulos, afirmou o Papa, é “sabedoria humana: é sempre melhor um acordo mau do que um bom julgamento”. O Senhor usa um exemplo de todos os dias para explicar o seu ensinamento de amor, mas vai além e comenta o problema dos insultos”.

Jesus cita insultos “antiquados”. Dizer que o irmão é “estúpido” ou “louco” leva à condenação. “O Senhor diz: ‘o insulto não acaba em si mesmo’ – esclarece o Papa - é uma porta que se abra, é começar uma estrada que acabará por matar”. Porque o insulto “é o início do assassinato, é desqualificar o outro, tirar o direito a ser respeitado, é colocá-lo de lado, é matá-lo na sociedade”. 

Carnaval de insultos
O Papa então dirige-se aos fiéis, “acostumados a respirar o ar dos insultos”. “Dirigir o carro na hora do rush. Ali há um carnaval de insultos. E as pessoas são criativas para insultar”. E os pequenos insultos que se fazem enquanto dirigimos tornam-se, depois, grandes insultos. E o insulto cancela o direito de uma pessoa. ‘Não, não o ouça’. “A lápide. Essa pessoa não tem mais o direito de falar”, a sua voz foi cancelada.

O insulto é muito perigoso, explica ainda o Papa, “porque muitas vezes nasce da inveja”. Quando uma pessoa tem uma deficiência, mental ou física, não me ameaça, mas mesmo assim temos vontade de insultá-la.
Mas quando uma pessoa faz algo de que eu não gosto, eu a insulto e a mostro como “deficiente”: deficiente mental, deficiente social, deficiente familiar, sem capacidade de integração … E por isso mata: mata o futuro de uma pessoa, mata o percurso de uma pessoa. É a inveja que abre a porta, porque quando uma pessoa tem algo que me ameaça, a inveja leva-me a insultá-la. Quase sempre há inveja ali. 

O caminho é a reconciliação
O Livro da Sabedoria, acrescentou o Papa, “diz-nos que a morte entrou no mundo por meio da inveja do diabo”. É a inveja que traz a morte”. Se dizemos “eu não tenho inveja de ninguém“, pensemos bem: “aquela inveja está escondida e se não está escondida é forte, é capaz de nos tornar amarelo, verde, como faz o liquido biliar quando está doente”. Mas Jesus bloqueia este discurso dizendo: “Não, isto não se faz”. Se vais à missa, vai rezar e percebe que um dos teus irmãos tem algo contra ti, reconcilia-te.

Jesus é assim radical. A reconciliação não é uma atitude de boas maneiras, não: é uma atitude radical, é uma atitude que tenta respeitar a dignidade do outro e também a minha. Do insulto à reconciliação, da inveja à amizade. Este é o percurso que Jesus nos indica hoje. 

Jamais insultar
O Papa então concluiu dizendo que hoje far-nos-á bem pensar: “Como insulto? Quando insulto?” 

Quando removo o outro do meu coração com um insulto? E ver se ali há aquela raiz amarga da inveja que me leva a querer destruir o outro para evitar a competição, a concorrência, essas coisas. Isto não é fácil. Mas pensemos: que belo jamais insultar. É belo porque assim deixamos que os outros cresçam. Que o Senhor nos dê esta graça.

Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco


VATICAN NEWS

13 junho, 2018

Papa propõe uma 'sã inquietude' para os jovens

 
20 mil participaram da audiência geral  (Vatican Media)
 
Nesta quarta-feira (13/06), o Papa Francisco reuniu-se com fiéis, turistas e romanos na Praça de São Pedro e iniciou um novo ciclo de catequeses sobre os Mandamentos. "Se os jovens não forem famintos de vida autêntica, para onde irá a humanidade?".
 
Cidade do Vaticano

Nesta quarta-feira (13/06), o Papa Francisco reuniu-se com fiéis, turistas e romanos na Praça de São Pedro e iniciou um novo ciclo de catequeses sobre os Mandamentos. 

Praça lotada ouviu a catequese
Cerca de 20 mil pessoas participaram do encontro e ouviram as palavras do Pontífice, resumidas em seguida em várias línguas, inclusive português.

Para introduzir o tema, o Papa começou repassando um trecho do Evangelho de Marcos, lembrando o episódio daquele homem que, foi a Jesus e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?”. Ele queria ter vida infinita. Jesus respondeu-lhe citando os mandamentos; abriu um processo pedagógico procurando guiá-lo até àquilo que lhe faltava. Mas o homem respondeu: “Mestre, tudo isso eu tenho observado desde a minha juventude”.
 
A busca da vida plena
“ Quantos jovens querem ‘viver’ e~destroem-se correndo atrás de coisas efêmeras? ”
“Alguns pensam que seja melhor apagar este impulso, pois é perigoso. Gostaria de dizer especialmente aos jovens: ‘O nosso maior inimigo não são os problemas concretos, mesmo sérios ou dramáticos. O maior perigo é o espírito de adaptação má, que não é mansidão ou humildade, mas mediocridade ou covardia. A vida do jovem é ir avante, ser inquieto: a inquietude salutar, a capacidade de não se contentar com uma vida sem beleza, sem cores.
“ Se os jovens não forem famintos de vida autêntica, para onde irá a humanidade? ”
Francisco explicou que a passagem da juventude à maturidade dá -se quando iniciamos aceitar os nossos limites; quando tomamos consciência daquilo que falta… E nos últimos séculos, a história mostra-nos uma verdade que o homem muitas vezes se recusou a enxergar e que causou consequências trágicas: a verdade de seus limites. 

A resposta de Jesus
Mas para alcançar ‘aquilo que falta’, deve-se partir da realidade. E Jesus, fitando aquele homem com amor, dá-lhe a resposta:

“Só te falta uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”, ou seja, pára de viver de ti mesmo, das tuas obras e dos teus bens, deixar tudo para seguir o Senhor: a perfeição, o pleno cumprimento. 

Quem, podendo escolher entre o original e a cópia, opta pela cópia?
"Este é o desafio: encontrar o original. Jesus não oferece substitutos, mas vida verdadeira, amor verdadeiro, plenitude de vida. É preciso perscrutar o ordinário para nos abrirmos ao extraordinário”. 

Copa da Rússia: saudação e apelo pela paz
Depois de pronunciar a sua catequese, o Papa saudou os grupos presentes na Praça, inclusive os brasileiros e portugueses, e dirigiu uma saudação aos jogadores e organizadores da Copa do Mundo de Futebol, que será inaugurada quinta-feira (14/06) na Rússia.

Definindo o campeonato como ‘um evento social que supera todas as fronteiras’, Francisco disse:

“Que esta importante manifestação desportiva possa ser uma ocasião de encontro, diálogo e fraternidade entre culturas e religiões, favorecendo a solidariedade e a paz entre as nações”.

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 VATICAN NEWS

Simpósio sobre energia no Vaticano: urgente mudança de rota pelo futuro do mundo

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 "Nem a transição energética nem a mudança climática podem ser reduzidas a apenas problemas econômicos, tecnológicos e regulatórios", mas é preciso uma "voz moral", dizem os participantes  (AFP or licensors)
  
Na conclusão do Simpósio "Transição de energia e cuidado do lar comum", o Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral divulgou um comunicado 

Cidade do Vaticano

"Um poderoso motor da transição energética é a inegável realidade da crise climática e da degradação ambiental que mais afeta os mais pobres". 

Dirigentes chamados a uma mudança radical

"Enfrentar esta crise sócio ecológica requer uma mudança radical a todos os níveis, tanto pessoal como coletivo", escreve o Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, na conclusão do simpósio "Transição energética e cuidado do lar comum", realizado entre 7 e 9 de junho na Casina Pio IV, nos Jardins do Vaticano.

O encontro - também promovido pela Universidade de Notre Dame – Mendoza College of Business - contou com a participação de dirigentes das principais empresas líderes nos setores de petróleo, gás natural e outros relacionados com a energia, para discutir a transição energética, as oportunidades e riscos para o meio ambiente e para os pobres. 

Precisamos de uma visão de longo prazo
Os participantes, recebidos pelo Papa Francisco no dia 9 de junho, concordaram com a necessidade de "uma transição para uma economia com baixas emissões", examinando "riscos, oportunidades e caminhos possíveis", incluindo “as implicações do preço do carvão e a necessidade de distribuir a renda às pessoas desfavorecidas".

Particular ênfase foi dada à necessidade de uma "visão de longo prazo", especialmente a pensar nas gerações futuras, e no facto de que "nem a transiçÓmicos, tecnológicos e regulatórios", mas é preciso uma "voz moral".


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