15 agosto, 2017

Solenidade da Assunção de Maria ao Céu: Ângelus do Papa



(RV) “Trazendo Jesus, Nossa Senhora traz também a nós uma nova alegria, cheia de significado; nos traz uma nova capacidade de atravessar com fé os momentos mais dolorosos e difíceis”.

Falando aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro e provenientes de diversas partes da Itália e do mundo para assistir a cerimónia mariana do Ângelus na Solenidade da Assunção, o Papa Francisco recordou que devemos pedir a Maria aquele “dom imenso”, da “graça que é Jesus Cristo” para as nossas famílias e comunidades de pertença.

A narrativa do evangelista Lucas sobre a visita de Maria a sua prima Isabel, foi o tema da reflexão do Papa, que precedeu a oração mariana do Ângelus.

Francisco recordou que “na casa de Isabel e do seu marido Zacarias, onde antes reinava a tristeza pela falta de filhos, agora existe a alegria de uma criança que chega, uma criança que se tornará o grande João Batista, precursor do Messias”.

“E quando chega Maria, a alegria transborda e explode nos corações, porque a presença invisível mas real de Jesus preenche tudo com um sentido: a vida, a família, a salvação do povo, tudo!”

“E esta alegria plena – explica o Santo Padre – se exprime com a voz de Maria na estupenda oração” do Magnificat: “É o canto de louvor a Deus que opera grandes coisas por meio das pessoas humildes, desconhecidas para o mundo, como é a própria Maria, como é o seu esposo José, e como é também o local onde vivem, Nazaré. As grandes coisas que Deus fez com as pessoas humildes! As grandes coisas que o Senhor faz no mundo com os humildes, porque a humildade é como um vazio, que deixa espaço para Deus. O humilde é poderoso, não porque é forte. E esta é a grandeza do humilde, da humildade” sublinhou o Santo Padre.

“Gostaria então de perguntar a cada um de vós aqui presente  e também a mim mesmo – sem contudo que se tenha de responder em voz alta; mas que cada um responda no coração: Como está a minha humildade?”

“O Magnificat – disse o Papa – canta o Deus misericordioso e fiel que cumpre o seu plano de salvação para com os pequenos e os pobres, para com aqueles que têm fé n’Ele, que confiam na sua palavra como Maria”. Neste sentido, acrescentou Francisco “a vinda de Jesus naquela casa por intermédio de Maria, criou não somente um clima de alegria e de comunhão fraterna, mas também um clima de fé que leva à esperança, à oração, ao louvor”.

“Tudo isto nós gostaríamos que acontecesse hoje nas  nossas casas. Celebrando Maria Santíssima Assunta ao Céu, gostaríamos que ela, mais uma vez, trouxesse para nós, para as nossas famílias, às nossas comunidades, o dom imenso, a graça única que devemos sempre pedir em primeiro lugar e acima das outras graças que também estão no coração: a graça que é Jesus Cristo”.

“Trazendo Jesus – acrescentou o Pontífice – Nossa Senhora nos traz também uma alegria nova, cheia de significado: nos traz uma nova capacidade de atravessar com fé os momentos mais dolorosos e difíceis; nos traz a capacidade de misericórdia para perdoar-nos, compreender-nos, apoiarmo-nos uns aos outros”.

“Maria – concluiu dizendo o Papa – é modelo de virtude e de fé”; “agradeçamos a ela porque sempre nos precede na peregrinação da vida e da fé”, pedindo que “nos proteja e nos sustente”. “Que possamos ter uma fé forte, alegre e misericordiosa, que nos ajude a sermos santos, para nos encontrarmos com ela um dia no Paraíso”.

Após recitação do Ângelus, o Papa Francisco saudou aos fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro, confiando a Maria  “as ansiedades e as dores das populações que em tantas partes do mundo sofrem por causa das calamidades naturais, de tensões sociais ou de conflitos. Que a nossa Mãe Celeste, disse Francisco, obtenha para todos a consolação e um futuro de serenidade e de concórdia!”

14 agosto, 2017

Papa: promover no Mediterrâneo cultura de acolhimento aos migrantes




(RV) “Precisamos de um empenho cada vez mais generoso em favorecer a cultura de acolhimento e solidariedade promovendo a paz e a fraternidade entre os povos" – afirma Francisco na mensagem ao encontro internacional ‘Mediterrâneo: um porto de fraternidade'.

Centenas de jovens provenientes de vários países europeus e do Mediterrâneo, culturas e orientações religiosas diferentes, estão reunidos para 4 dias de reflexão sobre temas comuns na cidade italiana de Leuca, no extremo sul, aonde ‘termina a Itália’. O encontro se realiza todos os anos e esta edição debate especificamente fraternidade e cooperação, com o tema “Mediterrâneo: um porto de fraternidade”.



“Faço votos que o significativo evento suscite um empenho cada vez mais generoso em favorecer a cultura da acolhida e da solidariedade, promovendo a paz e a fraternidade entre os povos.

Encorajo a comunidade cristã deste território, os jovens provenientes de países do Mediterrâneo, e todas as pessoas de boa vontade, a considerar a presença de tantos irmãos e irmãs migrantes como uma oportunidade de crescimento humano, de encontro e de diálogo, assim como uma ocasião para anunciar e testemunhar o Evangelho da caridade.

Com estes sentimentos, encorajo a prosseguir com generosidade no caminho do bem; invoco a protecção da Virgem Maria para todos os participantes da iniciativa, que produzirá a ‘Carta de Leuca’ e concedo a minha a Bênção Apostólica”.

Peregrinação

Na noite entre 13 e 14 de agosto, se realiza a peregrinação entre o túmulo de Dom Tonino Bello (bispo de Molfetta, falecido em 1993 e com causa de beatificação em curso) e a Basílica Santuário de Santa Maria di Leuca - De Finibus Terrae.

Comunidade de Santo Egídio

Com a participação da Conferência Episcopal Italiana, Pax Christi, Migrantes, Caritas Italiana e outras realidades, o evento quer ser um testemunho do trabalho da Comunidade de Santo Egídio, que cria ‘corredores humanitários’ para consentir a quem foge das atrocidades da guerra imigrar com segurança.

O documento final, síntese de diversas culturas, sensibilidades e crenças religiosas, será transformado em apelo a políticos e governos para que construam um futuro de paz, à maneira de Dom Tonino Bello. (BS/CM)

13 agosto, 2017

A fé é uma mão que ajuda a ultrapassar as tempestades existenciais



(RV) Praça de São Pedro bastante cheia de fiéis neste domingo de meados de agosto, mês de férias no hemisfério norte, para ouvir as reflexões do Papa, ao meio dia, e rezar com ele o Angelus.

Francisco comentou o Evangelho deste domingo, em que São Mateus descreve Jesus que caminha sobre as águas no lago da Galileia. Depois de ter passado a noite a rezar nas margens do lago, Jesus se dirige ao barco dos seus discípulos que se encontrava bloqueado no meio do lago devido a um forte vento contrário. Jesus vai em direcção a eles caminhando sobre as águas e os discípulos enchem-se de medo, pensando que se trata de um fantasma. Mas Jesus diz-lhes: “Coragem, sou eu, não tenhais medo!” E Pedro diz-lhe: “Senhor, se és tu, ordena que eu vá em direcção a ti, sobre as águas”; e Jesus chama-o: “Vem!”. Mas por causa do vento ele começa a vacilar e a afundar e grita “Senhor salva-me!” e Jesus lhe estende a mão e segura-o.

Um conto que faz reflectir sobre a nossa fé – disse o Papa:

Este conto do Evangelho contem um rico simbolismo e nos faz reflectir sobre a nossa fé, tanto como indivíduos, que como comunidade eclesial, e mesmo a nossa fé de nós que estamos aqui hoje, na Praça. A comunidade, esta comunidade eclesial tem fé? Como é a fé de cada um de nós e a fé da nossa comunidade?” – perguntou Francisco recordando que o barco descrito no Evangelho é a vida de cada um de nós, mas também a vida da Igreja.

O vento contrário representa as dificuldades e as provações. A invocação de Pedro “Senhor ordena que vá em direcção a ti!” e o seu grito: “Senhor salva-me” assemelham muito ao nosso desejo de sentir a proximidade do Senhor, mas também o medo e a angústia que acompanham os momentos mais duros da nossa vida e das nossas comunidades, marcada pela fragilidade interna e por dificuldades externas”.

O Papa fez depois notar que tal como Pedro a quem não bastaram as palavras de Jesus para se sentir seguro, também a nós pode acontecer o mesmo e sermos levados até a recorrer a horóscopos e cartomantes e quando isto acontece é que estamos afundar. E sublinhou que o Evangelho deste domingo nos recorda que a fé no Senhor e na Sua Palavra não nos abre um caminho onde tudo é fácil e tranquilo e pediu repetidamente que não nos esqueçamos isto: 

A fé nos dá a segurança de uma Presença, a presença de Jesus, que nos leva a ultrapassar as tempestades existenciais, a certeza de uma mão que nos agarra para nos ajudar a enfrentar as dificuldades, indicando-nos o caminho, mesmo quando é escuro. Em suma, a fé não é uma via de fuga dos problemas da vida, mas nos apoia no caminhada e lhe dá um sentido”.

O Papa afirmou ainda que o episódio do Evangelho deste domingo é uma imagem extraordinária da realidade da Igreja de todos os tempos: uma barca que ao longo da travessia tem de enfrentar ventos contrários e tempestades que ameaçam tomar conta dela.

O que a salva não são a coragem e a qualidade dos seus homens: a garantia contra o naufrágio é a fé em Cristo e na sua Palavra. Esta é a garantia: a fé em Jesus Cristo e na sua Palavra.”

Nesta barca estamos seguros não obstante as nossas fraquezas e misérias, sobretudo quando nos ajoelhamos para adorar Cristo e, tal como fizeram os discípulos lhe dizemos “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus” – disse Francisco que rematou:

Que belo dizer a Jesus esta palavra Tu és verdadeiramente o Filho de Deus!”

E pediu aos presentes que o repetissem juntamente com ele e depois deixou-os dizê-lo sozinhos…

O Papa concluiu pedindo à Virgem Maria para nos ajudar a permanecer bem firmes na fé para resistirmos às tempestades da vida, a permanecermos na barca da Igreja, afastando a tentação de subir para as embarcações atraentes, mas inseguras das ideologias, das modas, e dos slogans.

Depois da oração do Angelus, o Papa saudou diversos grupos presentes na Praça de São Pedro, e pediu que nos esqueçamos de rezar por ele.

(DA)

11 agosto, 2017

A MEMÓRIA E AS COISAS DE DEUS

 
 
 
Há cerca de duas semanas uma reunião de trabalho levou-me a Lisboa, por acaso, muito perto do primeiro colégio que frequentei desde a 1ª classe até ao 2º ano do Liceu, (nos anos 50), e que era o Externato Marista de Lisboa, na Rua Artilharia Um.

Ao fim de 50 anos decidi entrar pelo velho portão, (que já não existe), e percorrer aquela rua de acesso, tendo reconhecido apenas o velho palacete, onde tínhamos aulas, pois o resto da propriedade está toda construída com modernos edifícios.
Matei as saudades, (dos tempos bons e dos tempos menos bons), tirando uma fotografia à fachada do palacete, que aqui reproduzo.

Hoje ao olhar para a fotografia, lembrei-me, inevitavelmente, de tudo o que vivi naquele colégio naquele tempo, e reflecti, obviamente, em tudo o que ali me foi dado de conhecimentos, não só de estudo, mas também de valores, comportamentos e prática cristã.

Quando fui catequista, (há poucos anos atrás), perguntava-me se valia a pena, ou seja, se alguma coisa que eu dissesse ou fizesse, iria tocar, com a graça de Deus, aqueles jovens.

Ao relembrar essas minhas dúvidas, e perante aquele palacete, vieram à minha memória a “seca” dos terços rezados na última hora da manhã, (não me lembro se era todos os dias ou apenas ao Sábado), e toda a aprendizagem de catequese, “interminável” e aborrecida, que só valia, julgava eu, pelo momento em que acabava.

Ah, mas hoje percebo que muito ficou cá dentro, não só a graça dos terços rezados, mas também o conhecimento catequético, (que naquela altura entrava por um ouvido e saía pelo outro), mas que pelos vistos passou também e ficou no meu coração, como constatei e vou constatando ainda.

E de tal modo ficou, (com os ensinamentos e testemunho dos meus pais), que, tendo vivido cerca de 20 anos afastado de Deus e da Igreja, quando regressei à fé cristã, todas essas memórias vividas regressaram também e me ajudaram a viver a vida que hoje em dia vivo, uma vida com sentido, porque alicerçada e construída em Deus, tentando sempre fazer a Sua vontade.

Por isso, hoje, ao olhar esta fotografia, agradeço a Deus pelos Maristas, pelos Franciscanos e Dominicanos, (Externato da Luz e Clenardo, por onde passei também), bem como a todos aqueles e aquelas que me formaram ao longo da minha vida, onde se contam os meus irmãos e irmãs mais velhos e sobretudo os meus pais.

Realmente Deus concedeu-me graças imensas ao longo de toda a minha vida, muitas das quais só agora me vou dando conta.

Obrigado, meu Senhor e meu Deus!


Marinha Grande, 11 de Agosto de 2017
Joaquim Mexia Alves

09 agosto, 2017

Papa: todos precisamos da misericórdia de Deus



(RV) Mais de sete mil pessoas, entre fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo inteiro congregaram-se na Sala Paulo VI, no Vaticano, na manhã de hoje, quarta-feira (09/08) para ver e ouvir as palavras do Papa Francisco na audiência geral. No verão, o encontro semanal se realiza neste ambiente fechado e com ar condicionado gerado pela energia de painéis solares.

O tema da reflexão proposta pelo Papa foi  hoje é “O perdão, motor da esperança”. Após a leitura em várias línguas, do capítulo 7 do Evangelho de Lucas, o Papa iniciou a catequese comentando a reacção dos convidados de Simão ao ver Jesus perdoar a pecadora, um gesto considerado ‘escandaloso’.

Segundo a mentalidade da época, Jesus, profeta, não deveria permitir que a mulher se inclinasse sobre os seus pés para lavá-los com perfume; a separação entre o santo e o pecador, entre o puro e o impuro, deveria ser nítida.

“Desde o início do seu ministério público, Jesus aproxima-Se e deixa aproximar de Si leprosos, endemoninhados, doentes e marginalizados. Quando encontra uma pessoa que sofre, Ele assume como próprio o sofrimento dela: não diz que este sofrimento deve ser suportado heroicamente, mas faz Sua aquela pena”.

É este o comportamento que caracteriza o cristianismo: a misericórdia. Jesus sente compaixão. Onde houver um homem ou uma mulher sofrendo, Jesus vai querer a sua cura, a sua libertação e a sua vida plena. E é por isso, explicou o Papa, que Ele acolhe os pecadores de braços abertos.

“Quanta gente perpetua numa vida de erros por não encontrar ninguém que os veja com os olhos diferentes, com o coração de Deus, ou seja, com esperança? Jesus entrevê uma possibilidade de ressurreição mesmo para quem fez um monte de opções erradas”.

Mas esta atitude, disse Francisco, conduziu Jesus à Cruz:

“Jesus não foi crucificado porque cura doentes, prega a caridade e proclama as Bem-aventuranças, mas (e sobretudo) porque perdoa os pecados, quer a libertação total e definitiva do coração humano, não aceita que o ser humano arruíne toda a sua existência com uma ‘tatuagem’ indelével, com o pensamento de não poder ser acolhido pelo coração misericordioso de Deus”.  
“Por isso, perdoa aos pecadores. E este perdão divino é o motor da esperança! Com o perdão, os pecadores readquirem a serenidade a nível psicológico, vendo-se livres do sentimento de culpa. Mas Jesus faz muito mais: oferece-lhes a esperança de uma vida nova, uma vida caracterizada pelo amor”.

Somos todos pobres pecadores, carentes da misericórdia de Deus, que tem a força de nos transformar e de nos oferecer esperança, todos os dias. Concluindo, o Papa acrescentou:

“A quem compreendeu esta verdade basilar, Deus confia a missão mais bela do mundo: o anúncio de uma misericórdia que Ele não nega a ninguém”.

 Antes de saudar os peregrinos italianos no final da audiência, o Papa Francisco recordou os actos de violência contra os cristãos na Nigéria e na República Centro-Africana:

 “Fiquei profundamente entristecido pela tragédia ocorrida no último domingo na Nigéria, dentro de uma igreja, onde foram mortas pessoas inocentes. E infelizmente esta manhã chegou a notícia de violências homicidas na República Centro Africana contra a comunidade cristã. Faço votos para que cesse toda a forma de ódio e de violência e não se repitam mais crimes assim vergonhosos, perpetrados em locais de culto, onde os fiéis se reúnem para rezar. Pensemos nos nossos irmãos da Nigéria e da República Centro-Africana e rezemos por eles todos juntos....Ave Maria".

Finalmente e como de costume, o Santo Padre dirigiu uma saudação especial aos peregrinos e fiés de língua portuguesa presentes na Sala Paulo VI: “Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, convidando todos a permanecer fiéis a Cristo Jesus. Ele desafia-nos a sair do nosso mundo limitado e estreito para o Reino de Deus e a verdadeira liberdade. O Espírito Santo vos ilumine para poderdes levar a Bênção de Deus a todos os homens. A Virgem Mãe vele sobre o vosso caminho e vos proteja.

07 agosto, 2017

CRUZ RASGADA NA PEDRA

 
 
 
 
Esta fotografia, tirada a semana passada no Castelo da Sortelha, fez-me lembrar a perseverança e o testemunho da fé.

“Rasgada” na pedra, ali está a Cruz de Cristo ao longo de tantas centenas de anos a afirmar a cristandade, o ser cristão, o dar testemunho de Cristo.

O meu coração não é de pedra, e por isso tantas vezes a cruz nele inscrita pelo amor de Cristo, é esquecida por mim próprio, e sobretudo, “esquece-se” o meu coração  de dar testemunho desse mesmo amor.

Claro que não quero um coração de pedra, um coração que não sinta, nem se deixe mover pelo amor, mas quero sim um coração de carne, onde a Cruz de Cristo, prova constante do Seu eterno amor por mim, por nós, esteja “rasgada” de tal forma, que nunca eu a possa esquecer, e sobretudo que todos a possam ver como testemunho da fé e do amor que em mim o Senhor derramou, para mim, mas sobretudo para dar e me dar aos outros.


Marinha Grande, 7 de Agosto de 2017
Joaquim Mexia Alves

06 agosto, 2017

Solenidade da Transfiguração do Senhor: mensagem do Ângelus



(RV) Hoje, domingo, dia 6 de Agosto de 2017, a Igreja celebra a solenidade da Transfiguração do Senhor. Como de costume, às 12 horas de Roma, o Papa Francisco celebrou, na Praça de S. Pedro, repleta de fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo, a habitual cerimónia mariana do Ângelus.

A página evangélica deste domingo, disse o Papa, narra-nos a experiência de um evento extraordinário de que foram testemunhas os apóstolos Pedro, Tiago e João. Jesus tomou-os consigo e levou-os, em particular a um alto monte e enquanto rezava o seu rosto mudou de aspecto, ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.

Apareceram Moisés e Elias e entraram em diálogo com Jesus. Eis então que Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Mas antes mesmo que Pedro terminasse de falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sobra.

O evento da Transfiguração do Senhor oferece-nos uma mensagem de esperança: convida-nos a encontrar Jesus, para estarmos ao serviço dos irmãos. A subida dos discípulos para o Monte Tabor leva-nos a reflectir sobre a importância de destacarmo-nos das coisas mundanas, para percorrermos um caminho para o alto e contemplar Jesus. Trata-se de dispormo-nos à escuta atenta e orante de Cristo, o Filho amado do Pai, procurando momentos íntimos de oração que permita o acolhimento dócil e alegre da Palavra de Deus.

Neste sentido, somos chamados, observa ainda Francisco, a redescobrir o silêncio pacificador e regenerador da meditação do Evangelho que conduz para uma meta rica de beleza, de esplendor e de alegria.

Nesta perspectiva o tempo do verão, das férias, é um momento providencial para incrementar o nosso empenho de busca e de encontro com o Senhor. Neste período os estudantes estão livres dos empenhos escolares e tantas famílias gozam das suas férias; é importante que no período do repouso e distanciamento das ocupações quotidianas, se possa regenerar as forças do corpo e do espírito, aprofundando o caminho espiritual.

No fim da admirável experiência da Transfiguração,  observa o Santo Padre, os discípulos desceram da montanha com os olhos e os corações transfigurados pelo encontro com o Senhor. É o caminho que podemos realizar também nós. A redescoberta sempre viva de Jesus não é um fim em si, mas nos conduz a “descer da montanha”, refortificados com a força Espírito Divino, para decidir novos passos de autêntica conversão e para testemunhar constantemente a caridade como lei de vida quotidiana.

Transformados pela presença de Cristo e pelo ardor da Sua Palavra, disse ainda Francisco, seremos um sinal concreto do amor vivificante de Deus para todos os nossos irmãos, especialmente para quem sofre, para aqueles que se encontram na solidão e no abandono, para os enfermos e para a multidão de homens e mulheres que, em diversas partes do mundo, são humilhados pela injustiça, pela prepotência e pela violência.

Na Transfiguração se ouve a voz do Pai celeste que diz: “Este é o meu Filho amado. Escutai-O! "(V.5). Olhemos para Maria, a Virgem da escuta, sempre pronta para acolher e guardar no coração cada palavra do Filho divino (Lc 1, 51). Que a celeste Mãe de Deus nos ajude a entrar em sintonia com a Palavra de Deus para que Cristo se torne luz e guia de toda a nossa vida. A Ela confiamos as férias de todos, para que sejam serenas e profícuas, mas sobretudo o verão daqueles que não podem gozer das férias porque impedidos pela idade, por motivos de saúde ou de trabalho, por restrições económicas ou por outros problemas, para que, mesmo assim, seja um tempo de relaxe, animado de presenças amigas e de momentos felizes.

Após a recitação mariana do Ângelus, Francisco dirigiu palavras de saudação e de agradecimento aos milhares de fiéis e peregrinos congregados na Praça de S. Pedro para assistir a cermónia do ângelus, não obstante o sol e o imenso calor romano:

Queridos irmãos e irmãs, disse o Santo Padre,

 saúdo todos vós, romanos e peregrinos de vários países: famílias, associações, fiéis.

Hoje estão presentes aqui, vários grupos de adolescentes e jovens. Saúdo-vos com grande afecto! Em particular, o grupo da pastoral juvenil de Verona; os jovens de Adria, Campodarsego e Offanengo.

Finalmente, Francisco desejou à todos um bom domingo. Pedindo que por favor, não se esqueçam de rezar por Ele. Bom almoço e até breve, concluiu dizendo o Santo Padre!

02 agosto, 2017

Francisco retoma a Audiência Geral na Sala Paulo VI



(RV) “Ser baptizado significa ser chamado a difundir a luz da esperança de Deus neste mundo sem esperança”. Ao retomar as Audiências Gerais após a pausa no mês de Julho, o Papa Francisco dedicou a sua catequese ao "Baptismo, como porta da esperança".

Dirigindo-se aos sete mil presentes na Sala Paulo VI, Francisco começou a sua reflexão recordando que nos tempos modernos praticamente desapareceu o fascínio pelos antigos ritos do Baptismo, assim como alegorias que tinham um grande significado para o homem antigo, como a orientação das Igrejas para o Oriente, “local onde as trevas eram vencidas pela primeira luz da aurora, o que nos remete a Cristo”, "que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente."

Permanece intacta em seu significado no entanto – observou o Papa – “a profissão de fé feita segundo a interrogação baptismal, que é própria da celebração de alguns sacramentos”.

Mas, o que quer dizer “ser cristãos?”, perguntou Francisco. “Quer dizer olhar para a luz, continuar a fazer a profissão de fé na luz, mesmo quando o mundo é envolvido pela noite e pelas trevas”:

“Nós somos aqueles que acreditam que Deus é Pai: esta é a luz! Acreditamos que Jesus desceu entre nós, caminhou nas nossas próprias vidas, tornando-se companheiro especialmente dos mais pobres e frágeis: esta é a luz! Nós acreditamos que o Espírito Santo age incansavelmente para o bem da humanidade e do mundo, e até mesmo as maiores dores da história serão superadas: esta é a esperança que nos desperta todas as manhãs! Acreditamos que cada afecto, cada amizade, cada desejo bom, cada amor, até mesmo aqueles mais momentâneos e negligenciados, um dia encontrarão o seu cumprimento em Deus: esta é a força que nos impulsiona a abraçar com entusiasmo a nossa vida todos os dias!”

O Papa recorda então outro sinal “muito bonito da liturgia baptismal, que nos recorda a importância da luz”, que é quando ao final do rito é entregue aos pais da criança - ou ao adulto baptizado - uma vela, cuja chama é acesa no Círio Pascal.

O Círio Pascal que na noite de Páscoa entra na igreja completamente escura, para manifestar a Ressurreição de Jesus:

“Daquele Círio – explica Francisco – todos acendem a própria vela e transmitem a chama aos vizinhos: neste sinal existe a lenta propagação da ressurreição de Jesus na vida de todos os cristãos. A vida da Igreja é contaminação de luz”.

O Santo Padre reitera então a importância de sempre recordarmos do nosso Baptismo, explicando:

“Nós nascemos duas vezes: a primeira à vida natural, a segunda, graças ao encontro com Cristo, na fonte baptismal. Ali somos mortos para a morte, para viver como filhos de Deus neste mundo. Ali nos tornamos humanos como nunca poderíamos ter imaginado. Eis porque todos devemos espalhar a fragrância do Crisma com o qual fomos marcados no dia do nosso Baptismo. Em nós vive e opera o Espírito de Jesus, o primogênito de muitos irmãos, de todos aqueles que se opõem a inevitabilidade das trevas e da morte”.

“Que graça – exclama Francisco – quando um cristão torna-se realmente um “cristóforo”, um “portador de Cristo” no mundo!”, sobretudo “para aqueles que estão atravessando situações de luto, de desespero, de trevas e de ódio”, e isto pode ser percebido por tantos pequenos gestos:

“Da luz que um cristão traz nos olhos, da profunda serenidade que não é afectada mesmo nos dias mais complicados, pelo desejo de recomeçar a querer bem mesmo quando se tenha experimentado muitas decepções”.

“No futuro – pergunta o Papa ao concluir sua reflexão -  quando for escrita a história do nosso dia, o que se dirá de nós? Que fomos capazes de esperança, ou que  colocamos a nossa luz debaixo do alqueire? Se formos fiéis ao nosso Baptismo, propagaremos a luz da esperança de Deus e poderemos passar para as gerações futuras razões de vida”.

Ao saudar os peregrinos em língua portuguesa, o Papa Francisco citou, em particular, os membros da Fraternidade dos “Irmãozinhos de Assis” presentes.

“Ser baptizados - disse o Papa– significa ser chamado à Santidade. Peçamos a graça de poder viver os nossos compromissos baptismais como verdadeiros imitadores de cristo, nossa esperança e nossa paz”.

Santa Sé : nasce uma rede global contra a máfia e a corrupção



(RV) “Fazer uma frente comum contra as diversas formas da corrupção, crime organizado e máfia”: é o objectivo do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, através da sua consulta sobre a justiça. O anúncio veio do documento final que emergiu do debate sobre corrupção que teve lugar no Vaticano no passado dia 15 de junho.

Trata-se de uma rede a nível internacional inspirada no convite de Francisco na sua intenção universal de oração para o mês de fevereiro de 2018, em memória do homicídio do beato Giuseppe Puglisi, para que “aqueles que têm um poder material, político e espiritual não se deixem dominar pela corrupção”. É isto que a Consulta quer ser. A Igreja “no mundo é já uma rede – lê-se no texto final – e por isso pode e deve colocar-se ao serviço de tal intenção com coragem, decisão, transparência, espírito de colaboração e criatividade”.

A Consulta “aprofundará o estudo relativo a uma resposta global – através das conferências episcopais e as Igrejas locais – sobre a excomunhão aos mafiosos e as organizações criminais afins e sobre prospectiva de excomunhão por corrupção”. A Consulta orientará a partir de setembro, as próprias iniciativas em relação a tal empenho do próximo ano”.

A corrupção – lê-se no documento- “ antes de ser um acto é uma condição: daí, a necessidade da cultura, da educação, da instrução, da acção institucional, da participação dos cidadãos”. A Consulta não se limitará a piedosas exortações, porque precisamos de gestos concretos. O empenho educativo exige, de facto, mestres credíveis, mesmo na Igreja”. “Não é credível – afirma o testo- quem procura alianças por privilégios, isenções, vias preferenciais ou mesmo ilícitas. Nós todos nos tornaremos irrelevantes, danosos e perigosos se agirmos deste modo. Não é credível quem se aproveita da própria posição para recomendar pessoas muitas vezes não recomendáveis, seja no plano de valores, seja no plano da honestidade”.

Para isto “a acção da Consulta será educativa e instrutiva, e se dirigirá à opinião pública e a muitas instituições para gerar uma mentalidade de liberdade e justiça, em vista do bem comum” e intervirá “sobretudo lá onde, no mundo, a corrupção é ela mesma sistema social dominante.

Um caminho que “não será simples” – prossegue o documento – e que verá a Igreja “meter-se na escuta de todas as suas articulações para proceder no diálogo mesmo com os não cristãos, de maneira participada, transparente e eficaz”

01 agosto, 2017

Papa Francisco: carta aos jovens brasileiros



(RV) O Papa Francisco enviou uma carta aos jovens brasileiros por ocasião do encerramento do “Projecto Rota 300”, que se concluiu neste sábado, dia 29 de Julho com uma grande festa no Santuário Nacional de Nossa Senhora de Aparecida, na cidade de S. Paulo, no Brasil.

Queridos jovens, escreve Francisco na missiva,

saúdo afectuosamente todos vós, jovens do Brasil, reunidos em Aparecida para o encerramento do “Projecto Rota 300”, nesse Ano Mariano que comemora os 300 anos do descobrimento da imagem de Nossa Senhora nas águas do Rio Paraíba do Sul.

Para tal ocasião, gostaria de ressaltar um aspecto da Mensagem que vos escrevi este ano, para a XXXII Jornada Mundial da Juventude: a Virgem Maria é um precioso exemplo para a juventude e um auxílio na caminhada pela estrada da vida. Para que vocês possam perceber esta verdade, não são necessárias grandes reflexões; basta contemplar a imagem da Mãe Aparecida, durante a peregrinação que farão no seu Santuário Nacional. Eu mesmo fiz essa experiência, quando aí estive em 2007, por ocasião da V Conferência do Episcopado Latino-americano e, depois em 2013, durante a JMJ no Rio de Janeiro.

Pude ali descobrir, observa ainda Francisco, no olhar terno e maternal da Virgem morena e nos olhos da gente simples que a contemplava, o segredo da esperança que move o povo brasileiro a enfrentar com fé e coragem os desafios de cada dia. Pude também contemplar a força revolucionária de uma Mãe carinhosa que move o coração dos seus filhos a saírem de si mesmos com grande ímpeto missionário, como aliás vocês fizeram durante a semana missionária, que acabam de concluir no Vale do Paraíba. Parabéns por este testemunho!

Caros amigos, disse o Santo Padre, no meio das incertezas e inseguranças de cada dia, da precariedade que as situações de injustiça criam ao vosso redor, tenham sempre uma certeza: Maria é um sinal de esperança que vos animará com um grande impulso missionário. Ela conhece os desafios que estais vivendo. Com a sua atenção e acompanhamento materno, vos fará perceber que não estais sozinhos.

Nesse sentido, acrescenta o Pontífice, vale a pena recordar a história daqueles pescadores pobres, que depois de uma pesca sem grandes resultados, no rio Paraíba do Sul, lançaram mais uma vez as suas redes e foram surpreendidos com uma imagem partida de Nossa Senhora, coberta de lama. Primeiro acharam o corpo, logo em seguida a cabeça.

E tal como comentei aos Bispos brasileiros em 2013, disse ainda Francisco, o facto traz em si um simbolismo muito significativo: aquilo que estava dividido, volta à unidade, como o coração daqueles pescadores, como o próprio Brasil colonial, dividido pela escravidão, que encontra a sua unidade na fé que aquela imagem negra de Nossa Senhora inspirava (cf. Discurso aos Bispos do Brasil, 27/7/2013).

Por isso, observa o Papa, convido-vos também a deixarem que os vossos corações sejam transformados pelo encontro com Nossa Mãe Aparecida. Que Ela transforme as “redes” da vossa vida – redes de amigos, redes socias, redes materiais e virtuais -realidades que tantas vezes se encontram dividas, em algo mais significativo: que se convertam numa comunidade! Comunidades missionárias “em saída”! Comunidades que são luz e fermento de uma sociedade mais justa e fraterna.

Assim, integrados nas vossas comunidades, não tenhais medo de arriscar e de se comprometer na construção de uma nova sociedade, permeando com a força do Evangelho os ambientes sociais, políticos, económicos e universitários! Não tenham medo de lutar contra a corrupção e não se deixem seduzir por ela! Confiantes no Senhor, cuja presença é fonte de vida em abundância, e sob o manto de Maria, vós podeis redescobrir a criatividade e a força para serem protagonistas de uma cultura de aliança e assim gerar novos paradigmas que venham a pautar a vida do Brasil (cf. Mensagem à Assembleia do CELAM, 8/5/2017).

Possa o Senhor, pela intercessão da Virgem Aparecida, renovar em cada um de vós, a esperança e o espírito missionário. Vós sois a esperança do Brasil e do mundo. E a novidade de que sois portadores, já começa a construir-se hoje.

Que Nossa Senhora, que na sua juventude soube abraçar com coragem o chamamento de Deus na sua vida e sair ao encontro dos mais necessitados, possa estar em frente na vossa caminhada, guiando-vos em todos os vossos caminhos! E para tal, envio à cada um, assim como também aos vossos familiares e amigos, a Bênção Apostólica, pedindo que, por favor, não deixem de rezar também por mim, concluiu dizendo o Papa Francisco.

Papa: como Santo Inácio de Loyola deixemo-nos conquistar por Jesus




(RV) Se é um dia um dia especial para os jesuítas em todo o mundo, o é também para o Papa Francisco, que pertence à Companhia. Em 2014, o Papa festejou a data com seus confrades na Cúria Geral, que fica a dois passos da Praça S. Pedro.

A última vez que almoçou com eles foi no dia 12 de fevereiro deste ano, por ocasião da despedida do Pe. Adolfo Nicolás, Prepósito da Companhia de 2008 a 2016, que agora desempenha sua missão nas Filipinas.

Discernimento

Desde outubro do ano passado, esta função é desempenhada pelo venezuelano Arturo Sosa, que em entrevista à Rádio Vaticano falou dos dois grandes desafios da Companhia hoje:

“Eu gostaria de sintetizar os desafios da Companhia em dois grupos. O primeiro é como nós podemos entender a nossa melhor contribuição à missão de reconciliação da Igreja que, segundo a 36ª Congregação Geral, tem três dimensões: a reconciliação com Deus, a reconciliação dos homens entre si e a reconciliação com a criação. Nós nos sentimos colaboradores deste processo, pois compartilhamos a missão do Senhor entregue à Igreja. A contribuição tem um fundamento, e o fundamento é a fé. Portanto, o primeiro desafio é discernir onde Deus trabalha neste momento da história humana e como o faz, para sermos seus instrumentos e para colaborarmos àquilo que Ele faz.”

Desigualdade

Pe. Arturo Sosa afirma que é preciso olhar para os crucifixos do mundo de hoje – mundo marcado pela desigualdade e pela pobreza. “Sem justiça social, a reconciliação não é possível”, afirma, acrescentando que é preciso entender as causas da injustiça e pensar em modelos alternativos de convivência humana. “O desafio que temos diante de nós é buscar reconciliar este processo, para garantir às futuras gerações uma vida melhor do que temos hoje em meio à desigualdade e à pobreza.”

Conversão

O segundo grande grupo de desafios identificado pelo Prepósito é adaptar a Companhia de Jesus aos tempos atuais, “colocar a Companhia em condições de oferecer uma colaboração mais eficaz a esses desafios”. Para o sacerdote venezuelano, isso começa com a conversão pessoal, com a conversão da vida comunitária e, a mais difícil, a conversão institucional.

Há cem anos atrás, a Carta de Bento XV contra o "massacre inútil”




(RV) “Poucas afirmações extraídas de documentos pontifícios tiveram tão grande influência histórica como a que foi escrita por Bento XV em 1º de agosto de 1917, quando, passados três anos da deflagração da I Guerra Mundial, lançou um apelo aos ‘chefes dos povos beligerantes’ a dar fim a um conflito cruento que todos os dias se mostrava cada vez mais ‘como um massacre inútil’".

É o que escreve o presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), Cardeal Gualtiero Bassetti, num editorial para o jornal vaticano “L’Osservatore Romano” de 31 de julho – 1º de agosto.

Advertência de grande importância moral e política

“Ainda hoje, à distância de cem anos, aquelas palavras ressoam, não somente no discurso público, mas na consciência profunda de toda pessoa, como uma advertência de grande importância moral e política”, afirma o arcebispo de Perugia.

Naquela carta “o Papa pedia de modo contundente uma ‘paz justa e duradoura’ que pudesse sedimentar-se – graças aos mais importantes instrumentos da época: o pedido de um arbítrio internacional, a restituição recíproca de alguns territórios e a necessidade imperiosa de um desarmamento”.

Palavras de Bento XV revelaram-se proféticas

Embora as suas palavras não tenham mudado o rumo do conflito mundial, mesmo assim “revelaram-se proféticas”, sobretudo pelo seu “duríssimo juízo sobre a guerra”, acrescenta.

“A evocação de ‘um massacre inútil’ tornou-se a partir daquele momento uma espécie de grito de dor pela guerra moderna e todo tipo de atroz morte de massa provocada pela modernidade niilista. E não casualmente, o Papa Francisco a evocou por ocasião do G20 para denunciar os massacres inúteis de migrantes no Mediterrâneo” – observa o Cardeal Bassetti.

Início da elaboração de uma nova teologia da paz

O presidente dos bispos italianos afirma ainda que as palavras de Bento XV com a denúncia da guerra qual “massacre inútil” marcam “o início da elaboração de uma nova teologia da paz”.

Uma nova teologia da paz que não se fundamenta baseada em vagos propósitos ideais, mas indiscutíveis princípios evangélicos: a justiça, a caridade e a dignidade da pessoa humana.

Jamais como hoje essa teologia da paz “deve ser defendida daqueles que, de modo vil e mesquinho, perpetram brutais actos terroristas contra a humanidade inocente” e “de quem provoca as guerras por uma vontade de poder, de conquista e por interesses económicos”.

Força moral do direito na busca da paz

“Buscar a paz não é o produto de uma civilização decadente com uma identidade frágil – pondera ele –, é exactamente o contrário. Buscar a paz é um exercício heróico, que requer um esforço enorme, incessante, diário, e que requer uma força diferente da força militar: é a força da fé; a força do diálogo; e, como escrevia Bento XV, a ‘força moral do direito’.”

“Portanto, este é o tempo de defender o compromisso em prol da paz com coragem, determinação e mansuetude. Buscando dar-lhe também novos significados e uma linguagem renovada. Com um único grande objectivo: superar todos massacres inúteis do mundo actual”, conclui o presidente da Conferência Episcopal Italiana. (BS/RL/Sir)

30 julho, 2017

Papa no Angelus: é Jesus o tesouro que dá alegria e sentido à vida



(RV) Antes da oração mariana do Angelus e dirigindo-se aos milhares de fiéis e peregrinos reunidos da Praça de S. Pedro, o Papa Francisco comentou as três semelhanças que concluem o cap. 13 de Mateus: o tesouro escondido, a pérola preciosa e a rede de pesca.

Vou me debruçar nas duas primeiras, disse o Pontífice, que sublinham a decisão dos protagonistas de venderem tudo para conseguir aquilo que descobriram.

No primeiro caso, é um agricultor que acidentalmente se depara com um tesouro escondido no campo onde estava a trabalhar e, visto que o campo não era de sua propriedade, decide arriscar todos os seus bens para comprar o campo e não perder aquela ocasião realmente excepcional; e no segundo caso, é um negociante de pérolas preciosas que, como bom conhecedor, identifica uma pérola de grande valor e, ele também, decide apostar tudo sobre aquela pérola, chegando a vender todas as outras.

Estas semelhanças, continuou o Papa, destacam duas características relacionadas com a posse do Reino de Deus: a procura e o sacrifício, pois o Reino de Deus é, sim, oferecido a todos, mas não é disponibilizado num prato de prata, é preciso procurar, caminhar, empenhar-se – reiterou Francisco:

“A atitude da procura é a condição essencial para encontrar; é necessário que o coração se abrase com o desejo de alcançar o bem precioso, ou seja, o Reino de Deus, que se faz presente na pessoa de Jesus. É Ele o tesouro escondido, é Ele a pérola de grande valor. Ele é a descoberta fundamental, que pode dar um impacto decisivo à nossa vida, enchendo-a de significado”.

Perante a descoberta inesperada, tanto o agricultor como o negociante percebem que têm diante de si uma oportunidade única a não perder, e portanto eles vendem tudo o que possuem, observa Francisco, ressaltando que a avaliação do valor inestimável do tesouro, leva-os os dois a uma decisão que também envolve sacrifício, desprendimentos e renúncias. Quando o tesouro e a pérola foram descobertos, isto é, quando encontramos o Senhor, não se deve deixar estéril esta descoberta, mas sacrificar por ela qualquer outra coisa, disse o Pontífice, que também acrescentou:

“Não se trata de desprezar o resto, mas de subordiná-lo a Jesus, colocando a Ele em primeiro lugar. O discípulo de Cristo não é alguém que se privou de algo essencial; é alguém que encontrou muito mais: encontrou a alegria plena que só o Senhor pode dar. É a alegria evangélica dos doentes curados; dos pecadores perdoados; do ladrão a quem se abre a porta do paraíso”.

Trata-se, pois, da alegria do Evangelho que enche o coração e toda a vida daqueles que se encontram com Jesus, pois na verdade os que se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento.

Hoje somos convidados a contemplar a alegria do agricultor e do negociante das parábolas, é a alegria de cada um de nós quando descobrimos a proximidade e a presença consoladora de Jesus na nossa vida, uma presença que transforma o coração e nos abre às necessidades e ao acolhimento dos irmãos, especialmente os mais fracos – concluiu Francisco convidando todos a rezar, por intercessão da Virgem Maria, para que cada um de nós saiba testemunhar, com as palavras e os gestos de cada dia, a alegria de ter encontrado o tesouro do Reino de Deus, isto é, o amor que o Pai nos deu mediante o seu Filho Jesus.

Após o Angelus Francisco recordou o Dia Mundial de luta contra o tráfico de seres humanos que hoje se comemora:

“Hoje celebra-se o Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, promovido pelas Nações Unidas. Todos os anos, milhares de homens, mulheres e crianças são vítimas inocentes da exploração laboral e sexual e do tráfico de órgãos. E parece que estamos de tal maneira habituados a ele que o consideramos uma coisa normal. Isto é feio, é cruel, é criminoso. Quero recordar o empenho de todos para que este flagelo aberrante, uma forma de escravidão moderna, seja adequadamente combatida. Rezemos juntos à Virgem Maria para que sustente as vítimas do tráfico de pessoas e converta os corações dos traficantes”.
Em seguida o Papa dirigiu uma saudação a todos, romanos e peregrinos, e em particular saudou as Irmãs Murialdinas de São José, as Noviças das Irmãs de Maria Auxiliadora, os Acólitos de várias paróquias italianas, e o clube italiano de Hockey Feminino de Buenos Aires.

E a todos Francisco desejou bom domingo pedindo, por favor, para que não nos esqueçamos de rezar por ele.

Bom almoço e até logo!

29 julho, 2017

Papa confia Charlie Gard ao Pai celeste



(RV)Confio ao Pai o pequeno Charlie e rezo pelos seus pais e as pessoas que o amaram” – Este o tweet lançado pelo Papa Francisco ao fim da tarde de sexta-feira, 28, depois da notícia da morte do bebé inglês.
A nossa esplêndida criança já se foi. Sentimo-nos realmente orgulhosos de Charlie” – foi com estas palavras que  Connie Yates e Chris Gard anunciaram ontem a morte do seu filho de 11 meses, depois da transferência – por decisão do Supremo Tribunal de Londres – a um hospício, onde lhe foi interrompida a respiração artificial que o mantinha em vida.
Charlie que sofria de uma doença genética rara, morreu depois de uma longa batalha legal dos pais, que queriam curá-lo graças a terapias experimentais nos Estados Unidos, não obstante a oposição do Hospital pediátrico de Londres – Great Ormond Street Hospital – onde estava internado e da justiça britânica.
Milhares de orações e declarações de afeição, estão a chegar aos pais de Charlie através dos novos meios de comunicação social e, devido ao excesso de tráfico não se pode aceder ao sítio web, onde se conta a dramática e dolorosa vicissitude de Charlie. Vicissitude que o Papa Francisco acompanhou e pelo qual rezou sempre.
Em declarações à Rádio Vaticano, D. Vincenzo Paglia, Presidente da Academia Pontifícia pela Vida, sublinhou a imensidão do amor de Deus que "nunca desliga a ficha”.  Esta vicissitude nos leva a “promover uma cultura de acompanhamento” e a “dizer três grandes nãos: à eutanásia, ao abandono e ao “obstinação  terapeutica”. Para o bispo, devemos ser, pelo contrário, favoráveis a “grandes sim” como o “acompanhamento, o progresso da ciência e o sim à terapia da dor.
Em Londres, o Cardeal Vincent Nichols, arcebispo de Westminster e Presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales, declarou-se profundamente triste pela morte do pequeno Charlie, apresentou as condolências aos pais e assegurou-lhes a oração de toda a comunidade católica. O Cardeal Nichols referiu-se também ao pessoal do Hospital Pediátrico em que Charlie estava internado, hospital que disse ter visitado recentemente e onde – afirmou – os pequenos pacientes são tratados com grande profissionalismo. 
(DA)

27 julho, 2017

Santa Sé: só o diálogo levará a paz no Médio Oriente




(RV) O processo de paz entre Israel e a Palestina não pode ser excluído das prioridades da comunidade internacional. Este é um dos pontos-chave indicados por Dom Simon Kassas, Encarregado de negócios junto à Missão do Observador Permanente da Santa Sé na ONU
Em pronunciamento, esta terça-feira (25/07) em Nova Iorque, no debate promovido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a situação no Médio Oriente e sobre a questão palestina, o representante vaticano recordou que a Santa Sé reitera o seu firme apoio à solução de dois Estados.

Foram expressos votos de uma nova ordem geopolítica que contemple o Estado de Israel tendo ao lado o Estado palestino numa moldura de paz e dentro de confins internacionalmente reconhecidos.

Solução seja negociada

Para garantir segurança e prosperidade na perspectiva de uma coexistência pacífica não existe alternativa a um acordo negociado que leve a uma solução reciprocamente concordada.

O caminho a seguir é o de negociações directas entre israelitas e palestinos, com o apoio da comunidade internacional, acrescentou. Para que este processo possa ser completado com bom êxito, israelitas e palestinos devem dar passos relevantes a fim de reduzir tensões e violências.

Ambas as partes devem abster-se de acções, inclusive a de assentamentos, que podem contradizer o compromisso em favor de uma solução negociada.

Não facções, mas uma frente unida palestina

Em seguida, o Prelado libanês recordou a visita ao Vaticano, em 2014, do Presidente israelita Shimon Peres e do seu homólogo palestino Mahmoud Abbas.

No âmbito de tais encontros o Papa Francisco exortou a rezar e a promover a cultura do diálogo, de modo que se possa deixar em herança às novas gerações “uma cultura que saiba delinear estratégias não de morte, mas de vida, não de exclusão, mas de integração”.
A solução de dois Estados requer também que todas as facções palestinas mostrem uma vontade política unitária trabalhando juntas. Uma frente unida palestina seria fundamental para a prosperidade económica, a coesão social e a estabilidade política de um Estado da Palestina, observou o representante vaticano.

A questão Jerusalém

Também não se deve esquecer Jerusalém, cidade sagrada para os judeus, os cristãos e os muçulmanos. O status quo dos sítios sagrados é uma questão de profunda sensibilidade. A Santa Sé confirma a sua posição em linha com a comunidade internacional e renova o seu apoio por uma solução completa, justa e duradoura concernente à questão da cidade de Jerusalém, disse Dom Kassas.

Além disso, o Prelado reiterou a importância de um estatuto especial para Jerusalém, que seja internacionalmente garantido a fim de assegurar liberdade de religião e de consciência. Deve-se também garantir aos fiéis de todas as religiões e nacionalidades o acesso seguro e livre aos lugares sagrados.

Domingo passado (23/07), ao término do Angelus, o Papa Francisco dirigiu um apelo em favor do Médio Oriente, recordando “as graves tensões e as violências destes dias em Jerusalém”. “Sinto a necessidade de expressar um veemente apelo à moderação e ao diálogo”, afirmou o Santo Padre.

Empenho e soluções políticas para o Oriente Médio

Dom Kassas deteve-se em seguida sobre a situação em várias regiões do Médio Oriente. A Santa Sé exprime a sua dor pelos dramas provocados por guerras e por conflitos em vários países, em particular na Síria, no Iémen e no norte do Iraque.

Nestas áreas, a dramática situação humanitária requer um renovado empenho por parte de todos para se chegar a uma solução política. O Papa Francisco aprecia profundamente os esforços incansáveis daqueles que buscam encontrar uma solução política para o conflito na Síria, acrescentou.

O Pontífice encoraja todos os actores a trabalhar por um processo político sírio que leve a uma transição pacífica e inclusiva, baseada nos princípios do comunicado de Genebra de 30 de junho de 2012.

Um acordo pacífico concordado pelos partidos sírios devolverá estabilidade ao País, permitirá o retorno seguro dos refugiados e dos deslocados, promoverá uma paz duradoura e a reconciliação.

Deste modo, se favorecerá um contexto necessário para esforços eficazes contra o terrorismo preservando a soberania, a independência, a unidade e a integridade do Estado sírio.

Comunidades cristãs não sejam esquecidas

Referindo-se ainda ao Médio Oriente, o representante vaticano recordou, por fim, que as comunidades cristãs habitam naquela região há mais de dois mil anos convivendo pacificamente com as outras comunidades.

A Santa Sé convida a comunidade internacional a não esquecê-las e considera que o estado de direito, incluindo o respeito pela liberdade religiosa, é fundamental para o alcance e manutenção da convivência pacífica, concluiu. (BS/RL/AL)