09 dezembro, 2016

Encontro de Grupos de Oração da Diocese de Lisboa







Estimados Irmãos e Irmãs:


  «Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração (JL 2, 12)»




                Como já foi anunciado, vamos realizar mais um encontro de Oração, no próximo dia 18 de Dezembro de 2016 e desta vez com a participação ativa dos Grupos de Oração: «Caminho de Vida Nova»,  «Fogo e Luz», «Imaculado Coração de Maria», «Shallon Aleluia», «Nazaré (Sintra)» e «Nova  Jerusalém», na Igreja de Santa Maria dos Olivais, em Lisboa.

                O programa é seguinte:

 - Início às 14H30, com animação e oração de louvor,

                   - Ensinamento/reflexão às 15H00 sobre os dons e carismas do Espírito Santo;

                   - Às 16H00 adoração com Jesus exposto;
 .
                   - Às 17H00, celebração da Eucaristia, presidida pelo Senhor Pe Bruno  
                     Machado (Assistente Diocesano do RCC).

                Apelamos à participação de todos os Grupos de Oração porque estamos convencidos e assim acreditamos que estes encontros nos ajudam a crescer na intimidade com o Senhor, e em igreja, enquanto membros do Corpo Místico de Cristo. Aproveite mais esta oportunidade, pois pensamos que o Senhor age através de homens e mulheres, independentemente das suas qualidades humanas e o que Ele pretende é tão só a disponibilidade e o amor com que cada um de nós deve acolher e testemunhar as Suas propostas .

                                        Lisboa, 08 de dezembro de 2016 (Festa da Imaculada Conceição).


                                                        Pela Equipa de Serviço Diocesano de Lisboa
 .

Papa confia à Imaculada Conceição as necessidades do mundo




(RV) Na tarde desta quinta-feira, 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada, o Papa Francisco dirigiu-se à Praça de Espanha, centro de Roma, para renovar o tradicional ato de homenagem e de oração aos pés do monumento à Imaculada, dirigindo-se a seguir à Basílica de Santa Maria Maior, para rezar diante da imagem de Nossa Senhora “Salus Populi Romani”.

Às 7h30 da manhã, como reza a tradição, uma equipe do corpo de bombeiros depositou flores aos pés da estátua, no alto da coluna, e colocou uma coroa de flores na imagem. Durante todo o dia foram realizadas diversas cerimônias e procissões diante da imagem, sob a responsabilidade de diversos grupos.

Após saudar populares presentes na Praça de Espanha, Francisco depositou flores aos pés do monumento e recitou a seguinte oração:

“Ó Maria, nossa Mãe Imaculada, no dia de tua Festa venho a Ti, e não venho sozinho: trago comigo todos aqueles que o teu Filho me confiou, nesta cidade de Roma e em todo o mundo, para que Tu os abençoe e os salve dos perigos.

Trago a Ti, Mãe, as crianças, especialmente aquelas sozinhas, abandonadas, e que por isso são enganadas e exploradas.

Trago a Ti, Mãe, as famílias, que levam em frente a vida e a sociedade, com seu compromisso diário e escondido; especialmente as famílias que têm mais dificuldades, por tantos problemas internos e externos.

Trago a Ti, Mãe, todos os trabalhadores, homens e mulheres, e confio a ti especialmente quem, por necessidade, se esforça em realizar um trabalho digno e aqueles que perderam o trabalho ou não conseguem encontrar um.

Temos necessidade de teu olhar imaculado, para reencontrar a capacidade de olhar para as pessoas e as coisas com respeito e reconhecimento, sem interesses egoístas ou hipocrisia.

Temos necessidade de teu coração imaculado, para amar de maneira gratuita, sem segundas intenções, mas buscando o bem do outro, com simplicidade e sinceridade, renunciando à máscaras e truques.

Temos necessidade de tuas mãos imaculadas, para acariciar com ternura, para tocar a carne de Jesus nos irmãos pobres, doentes, desprezados, para levantar aqueles que caíram e sustentar quem vacila.

Temos necessidade de teus pés imaculados, para ir de encontro àqueles que não podem dar o seu primeiro passo, para caminhar nos caminhos de quem está perdido, para ir e encontrar as pessoas sozinhas.

Nós te agradecemos, ó Mãe, porque mostrando-se a nós livre de qualquer mancha de pecado,Tu nos recordas que antes de tudo existe a graça de Deus, existe o amor de Jesus Cristo que deu a vida por nós, existe a força do Espírito Santo que tudo renova.

Faz que não cedamos ao desencorajamento, mas, confiando na tua constante ajuda, nos empenhemos a fundo para renovar nós mesmos, esta Cidade e o mundo inteiro.
Reza por nós, Santa Mãe de Deus".

A Imaculada e os Papas

O dogma da Imaculada Conceição foi proclamado em 8 de dezembro de 1854 pelo Beato Papa Pio IX.

Três anos mais tarde, em 8 de dezembro de 1857, o Papa abençoou e inaugurou o monumento da Imaculada na Praça de Espanha.

O Papa Pio XII, por sua vez, foi o primeiro a enviar flores à Praça de Espanha na Solenidade da Imaculada.

São João XXIII, em 1958, dirigiu-se à Praça de Espanha e depositou aos pés do monumento um cesto contendo rosas brancas. Sucessivamente, visitou a Basílica de Santa Maria Maior.

Tal gesto foi repetido também pelos Papas Beato Paulo VI, São João Paulo II e Bento XVI.

(JE)

08 dezembro, 2016

Mensagem natalícia

Para ampliar clique sobre a animação
Imagem de Fundo: Serra de Ota

Constituição Sinodal de Lisboa

A Constituição Sinodal de Lisboa foi apresentada neste dia 8 de dezembro, no Mosteiro dos Jerónimos. A versão impressa está disponível, a partir do dia 9 de dezembro, na Livraria Nova Terra, no Patriarcado de Lisboa.
Patriarcado de Lisboa

Constitucao Sinodal Lisboa

Homilia no encerramento do Sínodo Diocesano e Ordenaçõe


Sem Maria, nada seríamos nem faríamos como Igreja
Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, celebração conclusiva do Sínodo Diocesano e Ordenações

Celebrar a Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria é também vislumbrar-nos a nós mesmos como Deus a olhou a Ela: em função de Cristo e a partir de Cristo.
Em função de Cristo, pois, como ouvimos na Carta aos Efésios, é n’Ele que nos tornamos «santos e irrepreensíveis, em caridade».  Em Cristo, tornamo-nos no que Maria foi desde a sua Conceição: santos e irrepreensíveis, além de toda a mácula, pecado e desamor.
Em Maria, Deus como que recriou a terra, para nela e dela poder nascer o Homem Novo, Jesus Cristo. Na medida em que Cristo for nascendo também em cada um de nós, a sua presença no mundo será mais manifesta, operante e salvadora. E em liberdade perfeita, como foi a dela, a «cheia de graça», assim saudada pelo Anjo. Porque a liberdade é do tamanho da caridade. Propriamente referida, não é a possibilidade negativa de escolher o mal: é, isso sim, a possibilidade positiva de fazer o bem, vencida a resistência do pecado.
Desde a sua Conceição, Maria foi inteiramente libertada para o bem, que é outro nome da vontade de Deus aceite e cumprida. Como ouvimos: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra». Nesta liberdade perfeita e incólume foi concebida, nesta liberdade concebeu a Cristo e O seguiu depois, do presépio à cruz e da cruz à glória.
Relembremos liturgicamente o arco completo da existência da Mãe de Cristo, para nele revermos o que em nós há de ser: Hoje, 8 de dezembro, é a sua Conceição Imaculada, para daqui a nove meses certos celebrarmos a sua Natividade, a 8 de setembro. A 25 de março lembraremos como concebeu Jesus, na Anunciação, e daí a nove meses, a 25 de dezembro, o Natal do seu Filho. Em Sexta-feira Santa encontrá-la-emos junto à Cruz; e a 15 de agosto, na Assunção, participando inteiramente da Páscoa do Senhor, para com Ele nos acompanhar «até ao fim do mundo» (cf. Mt 28,20).

É sempre a esta luz que, com Cristo e Maria, restauraremos uma existência imaculada, para nós e para os outros, na mesma graça libertadora e plena. Assim progrediremos com Maria no seguimento do seu Filho, até que a morte nos eternize na caridade divina, essa mesma que «nunca acabará» (cf. 1 Cor 13,8).
Num percurso que também nos leva da conceção ao nascimento, do nascimento ao crescimento e até à morte natural, sempre acrescentado e nunca interrompível, em nós e nos outros. Sobretudo quando males do corpo ou tristezas da alma requeiram, isso sim, mais presença e companhia, de cada um a cada um, de todos a todos. Cuidados reforçados que, não só do ponto de vista clinico, chamamos “paliativos”, palavra ligada a “pálio”, que significa manto, envolvimento, cobertura e proteção.
Como Nossa Senhora da Conceição, Maria é também Padroeira de Portugal. Com este título a queremos invocar e imitar, alargando nós, como sociedade, um manto protetor aos que sofrem momentos difíceis e a roçar o desespero. Não nos dispensemos, por qualquer legalização abusiva, do bom apoio que lhes devemos, sempre no sentido da vida. Recuarmos neste ponto seria gravíssima limitação da liberdade autêntica, que apenas reside no viver e conviver.
Com o seu «manto tecido de luz» nos envolve a Mãe de Cristo. Tornemo-nos também nós numa “sociedade paliativa”, que corresponda com mais proximidade e maiores cuidados a qualquer dor que surja, a cada pessoa que sofra. De contrário avançaria a morte, que nem se há de pedir nem jamais se há de dar a ninguém. Entreabrir-lhe a mais pequena brecha seria rapidamente escancarar-lhe a porta larga das mais graves consequências – como já se sofrem nas sociedades que o fizeram.

Fixemo-nos agora em dois motivos fortes da nossa presença aqui: o Sínodo Diocesano, que concluímos e agradecemos, e as Ordenações que felizmente se seguem:
Também nós, Patriarcado, nos acrescentaremos com Maria no amor de Deus e do próximo. Na Constituição Sinodal de Lisboa, hoje oferecida à Diocese, apresenta-se um conjunto de opções que são outras tantas coincidências com a primordial opção de Deus. Sim, de Deus, que, como aconteceu com Maria Imaculada, nos quer santos e em missão, em comunidade e crescimento na fé, em cada família e na resposta fiel à vocação pessoal; tudo sinodalmente levado, pois só em conjunto faremos o que devemos.
Assim aconteceu com Ela, plenamente santa da santidade do seu Filho, em pronta missão na visita a Isabel, em comunidade do Presépio ao Pentecostes; a primeira iniciada no caminho cristão, mãe de Jesus e esposa de José, vocação cumprida sem recuo nem demora; e sinodalmente, pois não ia só.    
Com Maria, nossa Senhora e Mãe Imaculada, prossigamos sempre e sinodalmente também. A melhor receção do Sínodo Diocesano será essa mesma, de cada comunidade se perguntar ciclicamente pela concretização prática desta atitude marial de maior acolhimento e mais decidida missão, longe ou perto.
Atitude “marial”, repito, pois a Maria nos confiou Jesus Cristo e sem Ela nada seríamos nem faríamos como Igreja. Na verdade, como no Prefácio cantaremos, na graça concedida a Maria começa a Igreja, seguindo-a na correspondência também: «Nela [Pai santo] destes início à Igreja, esposa de Cristo, sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza e santidade». Assim foi e só assim continuará a acontecer.
A Imaculada Conceição foi em Maria a preparação pessoal para a incarnação de Cristo: Nova Terra para o Homem Novo. Desde o Batismo, caríssimos ordinandos, o mesmo Espírito que a guardou a Ela de todo o contágio do mal, trabalhou também em cada um de vós para serdes sacramento da presença diaconal ou sacerdotal de Cristo. Mantende os olhos na Imaculada, para serdes inteiramente límpidos de coração e gesto, na graça de Cristo de que sereis instrumentos.
Entregai-vos constantemente à proteção da Virgem Imaculada. Experimentareis a sua proximidade e incentivo, tão próprios dum coração materno, repassado de misericórdia divina. Com Ela acolhei a Cristo em vós e nos outros, em vós para os outros. Verificareis assim, verificaremos todos, as maravilhas de Deus, num contínuo Magnificat que sempre cantaremos.

Lisboa, Santa Maria de Belém, 8 de dezembro de 2016

+Manuel, Cardeal-Patriarca

Papa: o Sim de Maria é um sim total e incondicional



(RV) Por ocasião da festa da solenidade da Imaculada Conceição, o Papa Francisco procedeu esta manhã, às 12,00 horas de Roma, na Praça de S. Pedro, à celebração Mariana do Ângelus. Peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo congregaram-se na Praça de S. Pedro para assistir a cerimónia.

Na sua alocução Francisco iniciou por sublinhar que as leituras “hodierna solenidade da Imaculada Conceição da Beata Virgem Maria, apresentam duas passagens cruciais na história das relações entre o homem e Deus: podemos dizer, acrescentou Francisco, que conduzem às origens do bem e do mal”.

 “O livro do Génesis nos mostra o "não das origens", no momento em que o homem preferiu olhar para si mesmo, em vez de confiar no seu Criador, quis fazer por conta própria, escolheu ser autossuficiente. Assim, rompendo a comunhão com Deus, esvaziou-se a si mesmo e passou a ter medo, a esconder-se e a acusar o seu próximo. Isso é o que faz o pecado. Mas o Senhor não deixa o homem à mercê do seu mal; imediatamente o procura e lhe faz uma pergunta cheia de apreensão: "Onde você está?". É a pergunta de um pai ou de uma mãe que procura o filho perdido: "Onde estás? Em que situação encontras?". E Deus faz isso com tanta paciência, até preencher a distância criada nas origens.”

A segunda passagem crucial, narrada hoje no Evangelho, é quando Deus vem habitar entre nós, se faz homem como nós. E isso só foi possível por meio de um grande “Sim”, o de Maria no momento da Anunciação.

 “Graças à este “sim” Jesus iniciou o seu caminho pelas estradas da humanidade; iniciou este percurso em Maria, vivendo os primeiros meses de vida no útero da mãe: não apareceu já adulto e forte, mas seguiu todo o percurso de um ser humano. Se fez em tudo igual a nós, excepto numa coisa: o pecado. Por isso, escolheu Maria, a única criatura sem pecado, imaculada. No Evangelho, com uma palavra, ela é chamada de "cheia de graça", isto é repleta de graça. Isso significa que nela não há lugar para o pecado. E também nós, quando nos dirigimos a ela, reconhecemos nela esta beleza: a invocamos como "cheia de graça", sem a sombra de mal”, sublinhou Francisco.

Maria responde à proposta de Deus dizendo: "Eis aqui a serva do Senhor". Ela não diz: "Desta vez vou fazer a vontade de Deus, eu estou disponível, depois vamos ver ...". O seu é um “sim” total, incondicional. Tal como o “não” das origens tinha fechado a passagem do homem a Deus, assim o “sim” de Maria abriu, para nós, o caminho para Deus. É o “sim” mais importante da história, o “sim” humilde que abate o “não” soberbo das origens, o “sim” fiel que cura a desobediência, o “sim” disponível que derrota o egoísmo do pecado.

 “Também para cada um existe uma história de salvação feita de sim e de não a Deus. Às vezes, porém, somos especialistas nos Sim à metade: somos bons em fingir de não entender bem o que Deus quer e o que a consciência sugere. Somos também astutos, e para não dizer um não verdadeiro a Deus dizemos: "eu não posso", "não hoje, mas amanhã"; "amanhã serei melhor, amanhã eu vou rezar, vou fazer o bem, amanhã." Assim, no entanto, fechamos a porta ao bem, e o mal aproveita desta falta de um “sim”. Em vez disso, cada “sim” pleno a Deus dá origem a uma história nova: dizer sim a Deus é verdadeiramente "original", não o pecado, que nos torna velhos dentro, nos envelhece por dentro. Cada sim a Deus origina histórias de salvação para nós e para os outros.”

Neste caminho do Advento, Deus nos quer visitar e espera pelo nosso "sim", mediante o qual dizemos a Deus: "Creio em Ti, espero em Ti, eu te amo; faça-se em mim segundo a tua vontade". Com generosidade e confiança, como Maria, vamos dizer hoje, cada um de nós, este sim pessoal a Deus.

Após a oração mariana do Ângelus, o Papa Francisco recordou o terremoto que abalou nesta quarta-feira (07/12), a ilha de Sumatra, na Indonésia.

“Garanto a minha oração pelas vítimas e os seus familiares, pelos feridos e todos os que perderam as suas casas. Que o Senhor dê força à população e sustente o trabalho de socorro.”

A seguir, saudou todos os fiéis com afecto, especialmente as famílias e grupos paroquiais. “Saúdo os fiéis de Rocca di Papa com a tocha de Natal, o grupo "Projeto Rebecca" que se ocupa de crianças necessitadas, e os fiéis de Biella.

Nesta Solenidade da Imaculada Conceição a Ação Católica Italiana renova a sua adesão. “Dirijo um pensamento especial a todas as associações diocesanas e paroquiais. A Virgem Imaculada abençoe a Ação Católica e a torne sempre mais uma escola de santidade e de generoso serviço à Igreja e ao mundo”, disse Francisco.

“Nesta tarde eu vou até a Praça de Espanha para renovar o tradicional ato de homenagem e de oração aos pés do monumento à Imaculada. Depois vou à Basílica de Santa Maria Maior, para rezar diante da imagem de Nossa Senhora “Salus Populi Romani”. Peço-vos que se unam a mim neste gesto que expressa a devoção filial a nossa Mãe celeste”.

O Papa concluiu desejando a todos boa festa e bom caminho de Advento sob a guia da Virgem Maria. “Por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom almoço e até breve!”.

07 dezembro, 2016

Apelo: contra a corrupção e pelos direitos humanos




(RV) No final da audiência geral desta quarta-feira dia 7 o Papa Francisco fez um apelo contra a corrupção e pelos direitos humanos:

“ Nos próximos dias acontecem duas importantes jornadas promovidas pelas Nações Unidas: contra a corrupção no dia 9 de dezembro e aquela pelos direitos humanos de dia 10 de dezembro. São duas realidades estreitamente ligadas: a corrupção é o aspeto negativo a combater, a começar pela consciência pessoal e vigiando sobre os ambientes da vida civil, especialmente, sobre aqueles mais em risco; os direitos humanos são o aspeto positivo a ser promovido com decisão sempre renovada, para que ninguém seja excluído do efetivo reconhecimento dos direitos fundamentais da pessoa humana. O Senhor nos apoie neste dúplice compromisso.”

(RS)

Audiência: a esperança cristã é dos pequeninos




(RV) Quarta-feira, dia 7 de dezembro: na audiência geral na Sala Paulo VI o Papa iniciou um ciclo de catequeses sobre o tema da esperança cristã. De modo particular neste tempo litúrgico do Advento “é importante refletir sobre a esperança” – disse o Santo Padre.

Francisco fez referência ao profeta Isaías que, por ordem de Deus consola e encoraja o seu povo exilado na Babilónia. Com o exílio, perdeu tudo: a pátria, a liberdade, a dignidade e até a confiança em Deus. Sentia-se abandonado e sem esperança. Tudo na vida lhe parecia um deserto; mas é precisamente aí que Deus decidiu descer.

O Santo Padre recordou também João Batista que grita: «Preparai o caminho do Senhor endireitai as suas veredas» e o facto de que no tempo de Batista o povo israelita sofria sob a dominação dos Romanos, que o tornava estrangeiro na sua própria pátria, governado pelos poderosos que decidiam como queriam da vida do povo.

Mas a verdadeira história não é a história feita pelos poderosos mas pelos pequenos afirmou o Papa:

“Mas a verdadeira história não é aquela feita pelos poderosos, mas aquela feita por Deus juntamente com os seus pequeninos. Aqueles pequenos e simples que encontramos com Jesus quando nasce: Zacarias e Isabel, idosos e marcados pela esterilidade, Maria, jovem rapariga virgem prometida em casamento a José, os pastores de Belém, que eram desprezados e não contavam nada. São os pequeninos, tornados grandes pela sua fé, os pequeninos que sabem continuar a esperar.”

“Deixemo-nos ensinar a esperança, aguardemos confiantes a vinda do Senhor e então os desertos da nossa vida, sejam eles quais forem, transformar-se-ão num jardim florido” – disse o Santo Padre no final da sua catequese.

Nas saudações destaque para a mensagem do Papa aos peregrinos de língua portuguesa, em particular, a um grupo de jovens de Lisboa, a quem disse para procurarem sempre o “olhar de Nossa Senhora que conforta todos aqueles que estão na provação e mantém aberto o horizonte da esperança”.

No final da audiência geral o Papa Francisco fez um apelo contra a corrupção e pelos direitos humanos:

“ Nos próximos dias acontecem duas importantes jornadas promovidas pelas Nações Unidas: contra a corrupção no dia 9 de dezembro e aquela pelos direitos humanos de dia 10 de dezembro. São duas realidades estreitamente ligadas: a corrupção é o aspeto negativo a combater, a começar pela consciência pessoal e vigiando sobre os ambientes da vida civil, especialmente, sobre aqueles mais em risco; os direitos humanos são o aspeto positivo a ser promovido com decisão sempre renovada, para que ninguém seja excluído do efetivo reconhecimento dos direitos fundamentais da pessoa humana. O Senhor nos apoie neste dúplice compromisso.”

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção!

(RS)

Papa ao jornal belga: laicidade sadia é aberta à transcendência




(RV) Os frutos do Jubileu da Misericórdia, a laicidade, os desafios para os jovens e para a Europa: estes são alguns dos temas comentados por Francisco numa entrevista concedida ao semanal católico belga "Tertio", publicado esta quarta-feira (07/12).

Laicidade saudável

O Papa observa que um Estado laico é melhor do que um Estado confessional. Todavia, não é saudável o laicismo que “fecha as portas à transcendência”, trata-se de uma “herança que o Iluminismo nos deixou”. Para Francisco, a abertura à transcendência faz parte da essência humana, e quando um sistema político ignora esta dimensão, descarta a pessoa humana.

Não se pode fazer guerra em nome de Deus

O Papa responde a uma pergunta sobre as guerras e o fundamentalismo religioso. Antes de tudo, defende que “nenhuma religião como tal pode fomentar a guerra”, porque – neste caso – estaria “proclamando um deus de destruição, um deus de ódio”. “Não se pode fazer a guerra em nome de Deus”, “em nome de nenhuma religião”. Por isso, “o terrorismo e a guerra não se relacionam com a religião”. O que acontece é que “usam deformações religiosas para justificá-las”. O Pontífice reconhece que “todas as religiões têm grupos fundamentalistas. Todas. Inclusive nós”. Esses pequenos grupos, acrescenta, “adoeceram a própria religião” e “dividem a comunidade, o que é uma forma de guerra”.

Líderes europeus

Na entrevista, Francisco fala também do continente europeu e ressalta que, mesmo passados 100 anos da I Guerra Mundial, “estamos sempre num estado de conflito mundial, em pedaços”. Dizemos com a boca “nunca mais a guerra”, “mas enquanto isso fabricamos armas e as vendemos para quem combate em nome dos interesses dos fabricantes de armas. O preço é muito alto: o sangue”. Francisco considera que hoje faltam líderes verdadeiros na Europa, como Schumann, De Gasperi e Adenauer, que lutaram contra a guerra. “A Europa necessita de líderes, líderes que olhem para frente”.

Jubileu da Misericórdia, uma ideia inspirada pelo Senhor

Uma parte importante da entrevista é dedicada ao Jubileu da Misericórdia. O Papa revela que a ideia não surgiu imediatamente, mas se inspirou de modo especial na acção do Beato Paulo VI e de S. João Paulo II. A convocação de um Ano Santo extraordinário nasceu de uma conversa com Dom Rino Fisichella, presidente do dicastério para a Nova Evangelização. Foi uma ideia que veio do “alto”, “creio que o Senhor a inspirou”. Um evento, prossegue, que “evidentemente foi muito bem”. E destaca que “criou muito movimento” por ter se realizado em todo o mundo, e não só em Roma. “Tantas pessoas se sentiram chamadas a se reconciliarem com Deus, a sentirem o carinho do Pai”.

Sinodalidade

Outro tema foi a sinodalidade, em que Francisco recorda que a Igreja nasce da comunidade, da base. Portanto, ou existe uma Igreja piramidal, onde se faz o que diz Pedro, ou uma Igreja sinodal, em que Pedro é Pedro, mas acompanha a Igreja. “A experiência mais rica disso tudo foram os últimos dois Sínodos”, aponta o Papa. Para ele, “é interessante a riqueza da variedade de tons, que é própria da Igreja. É unidade na diversidade”. Nos Sínodos, cada um disse o que pensava “sem medo de se sentir julgado”, “todos tinham a atitude de escuta, sem condenar”. Houve uma discussão “como irmãos”. “Houve uma liberdade de expressão muito grande” e “isso é belo”. “Pedro garante a unidade da Igreja” e é preciso “progredir na sinodalidade”, defende Francisco. E aos jovens recordou a experiência da JMJ de Cracóvia, pedindo a eles que não tenham vergonha da fé, que busquem novos caminhos e “não se aposentarem aos 20 anos.”.

Media e desinformação

O Papa faz também uma reflexão sobre os meios de comunicação, destacando que os media “tem uma responsabilidade muito grande”, pois podem formar “uma boa ou uma má opinião”, “podem construir”, “fazem um bem imenso”. Todavia, podem fazer danos através da “tentação da calúnia”, para “sujar as pessoas” e difamá-las. A desinformação, adverte, é o maior mal que os media podem fazer, “porque orientam a opinião pública numa direcção, deixando a outra parte da verdade”. Francisco pede ainda transparência e limpidez na cobertura, sem cair na “doença da coprofilia”, isto é, comunicar o escândalo, “coisas ruins”, porque assim podem provocar danos.

Sacerdotes e ternura

O último pensamento do Papa é direccionado aos sacerdotes, aos quais pede que amem sempre Nossa Senhora, que jamais se sintam órfãos, que se deixem guiar por Jesus e busquem sua carne sofredora nos irmãos. E exortou: “Não tenham vergonha da ternura. Hoje se necessita de uma revolução da ternura neste mundo que sofre de cardiosclerose”.

06 dezembro, 2016

Lisboa: Sínodo diocesano aponta Ireja mais acolhedora e missionária



(RV) São as grandes prioridades que se destacam da Assembleia Sinodal que decorreu na Casa de Espiritualidade do Turcifal, em Torres Vedras. Após quatro dias de trabalhos, D. Manuel Clemente apresentou em conferência de imprensa as conclusões, que apontam mais para mudanças de mentalidade e de atitude do que para mudanças de estruturas.

D. Manuel Clemente pediu “mais acolhimento, mais missão, mais trabalho em conjunto”, e disse que é essencial valorizar a dimensão missionária das paróquias, tanto em sítios longínquos como “do outro lado da rua”, desafiando quem participa numa comunidade a “chegar onde o outro não chega”.

O Cardeal Patriarca de Lisboa realçou ainda a importância da sinodalidade, como “o caminho que se faz em conjunto”, e  sugeriu que as comunidades sejam “uma porta aberta a todos” e “treinem ser mais acolhedoras” para com as muitas pessoas que as procuram.

Domingos Pinto, em Lisboa

 

Papa: conhece doutrina cristã quem conhece a ternura de Deus



(RV) O ponto central da homilia do Papa na manhã da terça-feira (06/12) foi o Evangelho da ovelha perdida com a alegria pela consolação do Senhor.

 “Ele vem como um juiz” – explicou Francisco – “mas um juiz que cuida, um juiz cheio de ternura: faz de tudo para nos salvar”: não vem “para condenar mas para salvar”, procura cada um de nós, nos ama pessoalmente, “não ama a massa indistinta”, mas “nos ama por nome, nos ama como somos”.

A ovelha perdida – comentou o Papa – “não se perdeu porque não tinha uma bússola. Conhecia bem o caminho”. Se perdeu porque “o coração estava doente”, cego por “uma dissociação interior” e foge “para ficar longe do Senhor, para saciar aquela escuridão interior que a levava à vida dupla”: estar no rebanho e fugir para a escuridão. “O Senhor conhece estas coisas” e “vai a sua procura”. “A figura que melhor me faz entender o comportamento do Senhor com a ovelha perdida – confessa o Papa – é o comportamento do Senhor com Judas”.

“A mais perfeita ovelha perdida no Evangelho é Judas: um homem que sempre, sempre tinha algo de amargo no coração, algo a criticar nos outros, sempre separado. Não sabia da doçura da gratuidade de viver com todos os outros. E sempre, esta ovelha não estava satisfeita – Judas não era um homem satisfeito! – fugia. Fugia porque era ladrão, ia para aquele outro lado, ele. Outros são luxuriosos, outros... Mas sempre escapam porque têm aquela escuridão no coração que o separa do rebanho. E aquela vida dupla, aquela vida dupla de tantos cristãos, e também, com dor, podemos dizer, sacerdotes, bispos... E Judas era bispo, era um dos primeiros bispos, eh? A ovelha perdida. Pobre! Pobre este irmão Judas como o chamava padre Mazzolati, naquele sermão tão bonito. ‘Irmão Judas, o que acontece no teu coração?’. Nós devemos entender as ovelhas perdidas. Também nós temos sempre algo, pequeno ou nem tanto, das ovelhas perdidas”.

Aquilo que faz a ovelha perdida – destacou o Papa – não é tanto um erro quanto uma doença que está no coração e da qual o diabo tira proveito. Assim, Judas, com o seu “coração dividido, dissociado”, é “o ícone da ovelha perdida” e que o pastor vai procurar. Mas Judas não entende e “no final quando viu aquilo que a própria vida dupla provocou na comunidade, o mal que semeou, com sua escuridão interior, que o levava a fugir sempre, procurando luzes que não eram a luz do Senhor mas luzes como enfeites de Natal”, “luzes artificiais”, “se desesperou”. O Papa comentou:

“Há uma palavra na Bíblia – o Senhor é bom, também para estas ovelhas, nunca deixa de procurá-las – há uma palavra que diz que Judas se enforcou, enforcou e ‘arrependido’. Eu creio que o Senhor tomará aquela palavra e a levará consigo, eu não sei, talvez, mas aquela palavra nos faz duvidar. Mas essa palavra o que significa? Que até o final o amor de Deus, trabalha naquela alma, até o momento do desespero. E esta é a atitude do Bom Pastor com a ovelha perdida. Este é o anúncio, a boa notícia que nos traz o Natal e nos pede essa sincera alegria que muda o coração, que nos leva a nos deixarmos consolar pelo Senhor, e não as consolações que procuramos para tentar desabafar, para escapar da realidade, escapar da tortura interior, da divisão interior”.

Jesus, quando encontra a ovelha perdida não a insulta, ainda que tenha feito tanto mal. No Jardim das Oliveiras chama Judas “Amigo”. São as carícias de Deus:

“Quem não conhece as carícias do Senhor não conhece a doutrina cristã! Quem não se deixa acariciar pelo Senhor está perdido! É esta a boa notícia, esta é a alegria sincera que nós hoje queremos. Esta é a alegria, esta é a consolação que buscamos: que venha o Senhor com o seu poder, que são as carícias, a encontrar-nos, para nos salvar, como a ovelha perdida e a nos levar para o rebanho de sua Igreja. Que o Senhor nos conceda esta graça, de esperar o Natal com as nossas feridas, com os nossos pecados, sinceramente reconhecidos, para esperar o poder desse Deus que vem nos consolar, que vem com poder, mas o seu poder é a ternura, as carícias que nasceram do seu coração, o seu coração tão bom que deu a vida por nós”. (BS-RB-SP)

05 dezembro, 2016

Papa: transformação de Jesus não é truque, renova o coração




(RV) Deixemo-nos transformar por Jesus, deixemo-lo "recriar-nos" libertando-nos dos nossos pecados – disse o Papa Francisco na manhã desta segunda-feira (05/12) durante a missa na Casa Santa Marta, centrada no tema da renovação que traz o Senhor

Na sua homilia, o Pontífice comentou a primeira leitura, que fala da renovação: O deserto florescerá, os cegos verão e os surdos ouvirão. Tudo será transformado para melhor, pois era isso que o povo de Israel esperava do Messias.

Ao falar do Evangelho do dia, Papa observou que Jesus curava e mostrava “um caminho de mudança para as pessoas e, por isso, elas o seguiam”. Não o seguiam porque estava na moda, mas porque a sua mensagem chegava ao coração. E depois, acrescentou, “o povo via que Jesus curava e o seguia também por isso”:

“Mas o que Jesus fazia não era somente uma mudança da feiura à beleza, do ruim ao bom: Jesus fez uma transformação. Não é um problema de fazer bonito, não é problema de maquiagem, de magia: transformou tudo a partir de dentro! Transformou com uma recriação: Deus tinha criado o mundo; o homem caiu no pecado; chega Jesus para recriar o mundo. E esta é a mensagem; a mensagem do Evangelho, que se vê claramente: antes de curar aquele homem, Jesus perdoa os seus pecados. Vai ali, à recriação, recria aquele homem de pecador a homem justo: o recria como justo. O faz de novo, totalmente novo. E isso escandaliza: isso escandaliza!”

Por isso, afirmou o Papa, os Doutores da Lei “começam a discutir, a murmurar” porque não podiam aceitar a sua autoridade. Jesus, disse, “é capaz de fazer de nós – pecadores – pessoas novas”. É algo – observou – que Madalena intuiu, ela que era saudável, mas tinha uma chaga dentro: era uma pecadora. Intuiu, portanto, que “aquele homem podia curar não o corpo, mas a chaga da alma. Podia recriá-la! E para isso precisa de tanta fé”.

Dizer os pecados “com nome e sobrenome”

O Papa afirmou: “Que o Senhor nos ajude a preparar-nos para o Natal com grande fé”, porque precisa de muita fé “para a cura da alma, para a cura existencial, para a recriação que Jesus nos traz”. “Ser transformados – reiterou – é a graça da saúde que Jesus traz”. E precisa vencer a tentação de dizer “eu não consigo”, mas, ao invés, se deixar “transformar”, “recriar” por Jesus. Coragem é a palavra de Deus:

“Todos somos pecadores, mas olhe para a raiz do seu pecado e que o Senhor vá lá no fundo e a recrie; e aquela raiz amarga florescerá, florescerá com as obras de justiça; e você será um novo homem, uma nova mulher. Mas se nós ‘Sim, sim, tenho pecados; vou, me confesso… duas palavrinhas e depois continuo assim…’, não me deixo recriar pelo Senhor. Somente duas pinceladas de verniz e acreditamos que com isso encerro o caso! Não! Os meus pecados, com nome e sobrenome: eu fiz isso, isso, isso e me vergonho dentro do coração! E abro o coração: ‘Senhor, o único que tenho. Recria-me! Recria-me!’ E assim teremos a coragem de ir com fé verdadeira – como pedimos – em direcção ao Natal”.

O Papa acrescentou que sempre “tentamos esconder a gravidade dos nossos pecados”. Por exemplo, quando não damos importância à inveja. Esta, ao invés, disse Francisco, “é algo terrível! É como o veneno da serpente” que tenta destruir o outro!”.

Deixemos que o Senhor cancele os nossos pecados

O Papa então encorajou a “ir a fundo nos nossos pecados e depois entregá-los ao Senhor, para que Ele os cancele e nos ajude a ir avante com fé”. E destacou este trecho, contando uma anedota de um Santo, “estudioso da Bíblia”, que tinha um carácter muito forte, com momentos de ira e que pedia perdão ao Senhor, fazendo muitas renúncias e penitências:

“O Santo, falando com o Senhor, dizia: ‘Está feliz, Senhor?’ – ‘Não!’ – ‘Mas dei tudo!’ – ‘Não, falta alguma coisa…’. E este pobre homem fazia outra penitência, outra oração, outra vigília: ‘Dei-lhe isto Senhor. Está bom assim?’ – ‘Não! Falta alguma coisa…’ – ‘Mas o que falta, Senhor?’ – ‘Faltam os seus pecados! Dê-me os seus pecados!’. Isso é o que o Senhor pede a nós hoje: ‘Coragem! Dê-me os seus pecados e eu farei de você um novo homem e uma nova mulher’. Que o Senhor nos dê fé para acreditar nisto”.

04 dezembro, 2016

Homilia no encerramento da Assembleia Sinodal



Homilia na Missa do 2º Domingo do Advento, em Sínodo Diocesano

Ouvir, sonhar, acolher, preparar…

Caríssimos irmãos e irmãs, nesta Missa conclusiva da assembleia sinodal:
Acabámos de ouvir a Palavra de Deus, como ressoa hoje nas nossas comunidades em geral, no segundo Domingo do Advento. À sua luz veremos luminosamente tudo, porque nos abre e aprofunda a perspetiva segundo a própria visão divina, como foi captada e reconhecida pelos nossos antepassados na fé, bíblica e cristã.
Não faltaram nestes dias apelos à centralidade da Palavra de Deus nas nossas comunidades, catequeses e análises das coisas. Muito coincidentes, também nesse ponto, com o que o Papa Francisco nos propõe na recente Carta Apostólica Misericordia et misera, para a celebração anual de «um Domingo inteiramente dedicado à Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgotável que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo» (MM, 7).
Escutámos primeiro o profeta Isaías e o seu sonho largo de reconciliação universal, quando não se praticar mal nem destruição em Jerusalém ou em qualquer outra parte, quando o conhecimento dum único Senhor preencher o país como as águas ao leito do mar… Não devemos deixar de “sonhar” os sonhos de Deus, nem de rumar à sua realização. Os cristãos que neste mesmo momento vivem em países destroçados pela guerra, ou ameaçados da sua própria eliminação, enviam-nos mensagens assim, plenas duma esperança que só Deus garante. Entre nós, comunidades cristãs e sociedade que integramos, é no mesmo sonho que criamos futuro: um futuro para todos, corolário do Deus de todos.
Seguiu-se São Paulo, escrevendo aos primeiros cristãos de Roma. Usa um verbo que o nosso Sínodo toma para a diocese com insistência pastoral, o verbo “acolher”: «Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus». Especifica depois o modo como Cristo acolheu, servindo os judeus sem esquecer os gentios. Provindo inteiramente de Deus, foi inteiramente para os outros, todos os outros.
Quem quer que se abeirasse de Cristo era acolhido de coração inteiro. Mesmo quando tinha tanto que fazer, detinha-se e escutava, pois cada pessoa lhe trazia, a seu modo, um vasto mundo. Quando certo tipo de “comunicação”, mesmo tecnicamente sofisticada, nos alheia dos outros, como realmente são, nem há Evangelho nem temos Igreja. Da nossa parte e das nossas comunidades, assumimos o apelo do Papa Francisco para «fazer crescer uma cultura de misericórdia, com base na redescoberta do encontro com os outros: uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença, nem vire a cara quando vê o sofrimento dos irmãos» (MM, 20).
No Evangelho, foi a vez de João Batista concretizar a antiga profecia e “preparar” o caminho do Senhor, endireitar as suas veredas. Nada tinha em si que não fosse expectativa e disponibilidade para que a profecia finalmente acontecesse. Por isso foi ele o Precursor.

Estamos nós, estão os nossos contemporâneos, num hoje comum que em geral não basta e a muitos nem chega... Neste mesmo Sínodo foram detalhadas várias situações sociais incompatíveis com a dignidade e a justiça que a todos são devidas. Pois bem, irmãos e irmãs, o Advento que esperamos terá de encontrar em cada uma das nossas comunidades o verdadeiro corpo eclesial d’Aquele que quer vir e responder a tantas necessidades, de corpo e de espírito, pelo caminho aberto da nossa conversão evangélica.
É esta propriamente a missão, propósito da nossa assembleia. E que não diverge do acolhimento, pois só missiona quem acolhe. Assim em Deus, cuja primeira Pessoa é “Pai” em relação ao Filho; a segunda é “Filho” em relação ao Pai; e a terceira é o Espírito do mútuo acolhimento de ambos. Entre nós, nisto e principalmente à imagem e semelhança de Deus, dirigimo-nos aos outros porque, antes de mais, os acolhemos no coração e os procuramos na vida. Viver é, na verdade, conviver, objetivo duma missão premente e sempre alargada.

Comemorámos nestes dias a Beata Maria Clara do Menino Jesus, e São Francisco Xavier, a primeira natural da nossa diocese (século XIX) e o segundo que daqui partiu para a Índia (século XVI). Juntamos-lhes hoje São João Damasceno, que viveu no século VII-VIII no Próximo Oriente. Três diversas situações, todas missionariamente entendidas. Maria Clara, porque era preciso cuidar dos pobres e fazê-lo no espírito franciscano, mesmo quando não eram permitidas fundações religiosas entre nós. Francisco Xavier, porque os novos caminhos marítimos não haviam de servir apenas para comerciar coisas, mas sobretudo para comunicar vida, a vida de Cristo. João Damasceno, que foi sacerdote e monge já sob o domínio dum povo doutra crença, mas sem perder a sua e reforçando os cristãos entre Damasco e o deserto de Judá, ou seja, em pequena geografia. Uma foi além do risco, outro foi além do mar, o último além das circunstâncias que lhe poderiam enfraquecer o ânimo.  É o que cantamos e continuamos a cantar no nosso hino sinodal: «Longe ou perto o necessário / É mostrar Cristo presente!»
Aliás, mais um vez verificámos que é precisamente esta atitude de acolher os outros no coração e de os procurar em missão que tanto resume como garante a Igreja e lhe abre o futuro. O que a Igreja de Lisboa tem de mais convincente e promissor reside precisamente nas comunidades, paroquiais ou outras, em que se têm sempre presentes os horizontes largos ou próximos da missão e se fazem permutas de experiências missionárias de além e aquém mar; donde partem cristãos, clérigos ou leigos, e também famílias para períodos mais ou menos dilatados de evangelização, que tanto acrescem com o mesmo espírito as comunidades de origem. Ou onde a avaliação pastoral se faz e refaz com o mesmo critério, das pessoas que se procuraram, dos sós que se passou a acompanhar, dos mais que se integraram, dos ambientes que se conseguiram evangelizar. Como acontece, por exemplo, com as atuais “Missões País”, levando milhares de jovens estudantes a partilharem por algum tempo a vida de muitas paróquias e descobrindo aí mesmo o Cristo que sempre os espera naqueles que lá encontram. E como voltam depois, para evangelizar os seus próprios colegas, nas suas mesmas escolas… Ou com os “campos de férias” e outras iniciativas de voluntariado e serviço.
Esta realidade sempre reencontrada está no âmago do nosso Sínodo. Assim correspondemos ao apelo que o Papa Francisco nos fez na Evangelii Gaudium e convém lembrar: «Sonho com uma Igreja missionária […]. A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender nesse sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de “saída” e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade. Como dizia João Paulo II aos bispos da Oceânia, “toda a renovação da Igreja há de ter como alvo a missão, para não cair vítima duma espécie de introversão eclesial”» (EG, 27).     

Concluindo esta assembleia, o Sínodo Diocesano de Lisboa dá graças a Deus por tudo quanto foi fazendo connosco, no sentido duma maior comunhão com Ele e com todos; e também duma mais nítida e convicta radicação evangélica de quanto somos e fazemos como Igreja de Cristo no mundo. Concretamente neste nosso mundo mais próximo, em que nos situamos: o Patriarcado de Lisboa, da capital a Alcobaça, de Azambuja ao mar.
Mundo quantitativa e qualitativamente complexo, desigual e desencontrado, entre um passado que já foi e um futuro que ainda não divisamos bem. Complexo, porque habitado por uma centena de povos de vários continentes, com diversos níveis de instalação e convivência sociocultural – os que vão além da mera sobrevivência… Desigual, e parecendo até conformado com desigualdades gritantes, antigas e recentes. Desencontrado, pois ainda estamos para nos retomar mais à frente, quando incluirmos, em pluralidade legítima e criativa, todos quantos chegaram entretanto. Talvez só nalguma zona ainda rural da diocese se mantenha a sociabilidade habitual e simples de outros tempos. Tudo o mais se tornou menos estável e previsível, enfraquecidas as solidariedades tradicionais e mal definidas as futuras.
Com o Papa Francisco, queremos reforçar o olhar evangélico sobre a cidade, que se traduz por palavras como “compaixão “ ou “misericórdia”, recuperando o seu significado autêntico. Por “compaixão” queremos dizer solidariedade e compromisso com todos os que sofrem, pelo que sofrem por si ou pelo que outros os fazem sofrer. Como há meio século escreveu o Concílio Vaticano II, as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos nossos contemporâneos são as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo (cf. Gaudium et Spes, nº 1). Por “misericórdia” indicamos um modo de olhar a realidade a partir do que é mais frágil e pobre, esquecido e periférico. Foi assim que Deus nos olhou e procurou, como acreditamos que aconteceu em Jesus Cristo. E também cremos que, se assim olharmos a realidade, começaremos por onde mais urge começar, para podermos construir finalmente a cidade de todos.
Na nossa assembleia sinodal experimentámos a força e a beleza da refletir e rezar em comum, dando espaço a Deus para nos conduzir aonde e como queira. “Sínodo” significa caminho conjunto; e sinodalmente queremos prosseguir, pois só assim seremos fermento duma sociedade que se reencontre e prossiga na senda da justiça e da paz.
A todos manifestamos a nossa disponibilidade para a concretização duma sociedade de todos para todos. Assim mesmo nos reforçámos em Sínodo, para dar glória a Deus no serviço do próximo. Com Cristo e Maria – permanente Senhora do seu Advento.

Sínodo Diocesano, 4 de dezembro de 2016

+ Manuel, Cardeal-Patriarca