17 janeiro, 2017

Francisco: cristãos não sejam "estacionados" mas corajosos




(RV) Sejam cristãos corajosos, ancorados na esperança e capazes de suportar momentos difíceis. Esta é a forte exortação do Papa na Missa matutina na Casa Santa Marta. Os cristãos preguiçosos, ao invés, são parados, destacou Francisco, e para eles a Igreja é um belo estacionamento.

O Papa desenvolve a sua homilia partindo da Leitura da Carta aos Hebreus. O zelo de que fala, a coragem de ir avante deve ser a nossa atitude diante da vida, como os que treinavam no estádio para vencer. Mas a Leitura fala também da preguiça, que é o contrário da coragem. “Viver na geleira”, sintetizou o Papa, “para que tudo permaneça assim”:

“Os cristãos preguiçosos, os cristãos que não têm vontade de ir avante, os cristãos que não lutam para fazer as coisas mudarem, coisas novas, coisas que fariam bem a todos se mudassem. São os preguiçosos, os cristãos estacionados: encontraram na Igreja um belo estacionamento. E quando digo cristãos, digo leigos, padres, bispos… Todos. E como existem cristãos estacionados! Para eles, a Igreja é um estacionamento que protege a vida e vão adiante com todas as garantias possíveis. Mas esses cristãos parados me fazem lembrar uma coisa que nossos avós diziam quando éramos crianças: ‘Fique atento porque água parada, que não escorre, é a primeira a se corromper’”.

Ancorados na esperança

O que torna os cristãos corajosos é a esperança, enquanto “os cristãos preguiçosos” não têm esperança, estão “aposentados”, disse o Papa. É belo se aposentar depois de tantos anos de trabalho, mas – advertiu -, “passar toda a sua vida aposentado é ruim!”. Ao invés, a esperança é âncora à qual se agarrar para lutar inclusive nos momentos difíceis :

“Esta é a mensagem de hoje: a esperança, aquela esperança que não desilude, que vai além. E diz: uma esperança que ‘é uma âncora segura e firme para a nossa vida’. A esperança é a âncora: nós a lançamos e ficamos agarrados na corda, mas ali, indo ali. Esta é a nossa esperança. Não se deve pensar: ‘Sim, mas tem o céu, ah que belo, vou ficar aqui…’. Não. A esperança é lutar, agarrados na corda para chegar lá. Na luta de todos os dias, a esperança é uma virtude de horizontes, não de fechamentos! Talvez seja a virtude que menos se compreende, mas é a mais forte. A esperança: viver na esperança, viver de esperança, olhando sempre para frente com coragem. ‘Sim, padre –vocês podem me dizer -, mas existem momentos difíceis, o que devo fazer?’. Agarre-se à corda e suporte”.

Cristãos estacionados olham apenas a si mesmos, são egoístas

“A nenhum de nós a vida é presenteada”, observa Francisco, devemos ao invés ter a coragem de ir avante e aguentar. Cristãos corajosos, tantas vezes erram, mas “todos erram”, disse o Papa, “erra aquele que vai em frente”, enquanto “aquele que está parado parece não errar”. E quando “não se pode caminhar, porque tudo é escuro, tudo está fechado”, você tem que suportar, ter perseverança. Em conclusão, Francisco nos convida a nos perguntar se somos cristãos fechados ou de horizontes e se nos maus momentos somos capazes de suportar com a consciência de que a esperança não desilude: “porque eu sei - afirmou – que Deus não desilude”:

“Vamos nos fazer a pergunta: como sou eu? como é a minha vida de fé? é uma vida de horizontes, de esperança, de coragem, de ir para a frente ou uma vida morna que nem mesmo sabe suportar os maus momentos?

E que o Senhor nos dê a graça, como pedimos na Oração da colecta, para superar os nossos egoísmos, porque os cristãos estacionados, os cristãos parados, são egoístas. Olhando somente para si mesmos, não sabem levantar a cabeça para olhar para Ele. Que o Senhor nos dê esta graça”.

16 janeiro, 2017

Papa na paróquia de Guidonia: testemunhar Jesus, sem mexericos




(RV) “Testemunhar Jesus” com exemplos de vida cristã, acções concretas e sem “mexericos”. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da missa celebrada, na tarde deste domingo (15/01), na Paróquia de Santa Maria em Setteville, município de Guidonia, Diocese de Roma.

O pontífice retomou as suas visitas às paróquias romanas depois de uma pausa do ano jubilar. Recomeçou o ciclo de visitas encontrando na Paróquia de Santa Maria em Setteville o vice-pároco Padre Giuseppe Berardino, 47 anos, que sofre gravemente de Esclerose Lateral Amiotrófica há mais de dois anos, e não se movimenta autonomamente.

Francisco se encontrou com os jovens que começaram cinco anos atrás o seu percurso de formação para o Crisma com P. Giuseppe. Acompanhado pelo Pároco P. Luigi Tedoldi, o Papa solicitou os jovens a falar, a fazerem perguntas, a testemunhar com a sua presença na paróquia que é “uma graça do Senhor” aos jovens que abandonam a Igreja depois do Crisma.

Testemunho

Com as crianças, o Pontífice se deteve sobre o significado do testemunho como “exemplo de vida”:

“Posso falar do Senhor, mas se eu com a minha vida não falo dando testemunho, não serve! Padre, eu sou cristão, e falo do Senhor. Sim, mas tu és um cristão papagaio: palavras, palavras e palavras, e nada mais. O testemunho cristão se faz com a palavra, com o coração e com as mãos.”

O Papa exortou a ouvir, ir ao encontro, pedir perdão e perdoar, realizar obras de misericórdia com os doentes, encarcerados e pobres. E ter fé, vivendo-a e demonstrando com os factos o quando seja importante:

“Se tu tens um amigo, uma amiga que não crê, não deves dizer-lhe: “Tu tens de crer por isso e aquilo, e explicar todas as coisas. Isso não deve ser feito! Isso se chama proselitismo e nós cristãos não fazemos proselitismo. O que se deve fazer? Se não posso explicar, o que devo fazer? Viver de tal forma que seja ele ou ela a lhe perguntar: Porque tu vives assim? Porque fizeste isso? Aí sim, podes explicar.”


Francisco convidou a falar e a ter como exemplo os avós que “protegem a família”: “são a nossa memória, a nossa sabedoria, são também amigos”, sublinhou.

No encontro com os agentes pastorais, recordou o período em que em Buenos Aires fazia algumas catequeses “com um filme”, convidando a assistir o filme japonês de Kurosawa intitulado “Rapsódia em Agosto”, para explicar o diálogo entre avós e netos.

O Papa falou das vezes em que caminhou na “escuridão” da fé: “Existem dias em que não se vê nada, mas depois com a ajuda do Senhor a gente se reencontra.” Por exemplo, diante de uma calamidade: Francisco se referiu às 13 crianças nascidas depois do terremoto que abalou recentemente a região central da Itália, baptizadas, no último sábado (14/01), na Casa Santa Marta. Um homem disse ao Papa que perdeu sua esposa no terremoto.

“Respeita a escuridão da alma. Depois, o Senhor despertará a fé. A fé é um dom do Senhor. Cabe a nós somente protegê-la. Não se estuda para ter fé: a fé se recebe como um presente.”

No encontro com os doentes, Francisco reflectiu sobre o sofrimento também das “crianças com problemas”:

“Existem coisas que não têm como explicar, acontecem. A vida é assim. Jesus quis estar próximo a nós com a sua dor, com a sua paixão, com seu sofrimento. Jesus está com todos vós.”

Com os pais de 45 crianças baptizadas na paróquia durante 2016, o Papa se deteve na “alegria da vida que segue adiante”, típica das crianças. A seguir, confessou quatro pessoas, e na homilia da missa, voltou a convidar a testemunhar Cristo: “Existem muitos cristãos que professam que Jesus é Deus; existem vários sacerdotes que confessam que Jesus é Deus, muitos bispos, mas todos testemunham Jesus? Ser cristão é uma maneira de viver? É como ser apoiante de uma equipa? Ser cristão é primeiramente testemunhar Jesus.”

Paz

Uma paróquia é incapaz de testemunhar se nela existem mexericos. O Papa deu como exemplo os Apóstolos, que não obstante tenham traído Jesus, nunca “falavam mal” uns dos outros.

“Vocês querem uma paróquia perfeita? Não digam mexericos. Se você tem alguma coisa contra uma pessoa, fale directamente com ela ou converse com o pároco, mas não entre vocês. Este é o sinal de que o Espírito Santo está numa paróquia. Os outros pecados, todos temos. Existe uma colecção de pecados: eu pego esse, tu pegas aquele, mas todos somos pecadores. Porém, o que realmente destrói uma comunidade, como o verme, são os mexericos.”

Antes de deixar Guidonia, Francisco saudou os fiéis que esperaram por ele do lado de fora da igreja. E deixou uma tarefa: Que este seja um “bairro de paz”.

(BS/MJ)

15 janeiro, 2017

Papa: Ai da Igreja quando anuncia a si mesma e não a Cristo


(RV) O Papa Francisco presidiu hoje  hoje, domingo, dia 15 de Janeiro, dia da Jornada Mundial dos Migrantes e Refugiados, às 12 horas de Roma, na Praça de S. Pedro repleta de fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo, a cerimónia mariana do Ângelus.

No centro do Evangelho de hoje, disse o Papa, está esta palavra de João Baptista: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Uma palavra acompanhada pelo olhar e pelo gesto da mão do Baptista que indica o Cordeiro de Deus: Jesus.

João anuncia, disse ainda o Papa, que o reino dos céus está próximo, que o Messias está para se manifestar e é preciso preparar-se, converter-se e comportar-se com justiça. Ele sabia que o Messias, o Consagrado do Senhor está próximo e o sinal para O reconhecer é que sobre Ele há de descer e repousar o Espírito Santo; Ele de facto realizará o verdadeiro baptismo, pois é Ele que baptiza no Espírito Santo.

Jesus é o Messias, o Rei d’Israel, mas não com a potência deste mundo, mas como o Cordeiro de Deus que carrega sobre si e tira o pecado do mundo. Assim o indica João Baptista: eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

E estas são palavras que nós sacerdotes repetimos todos os dias durante a missa, quando apresentamos ao povo o pão e o vinho que se tornaram no Corpo e o Sangue de Cristo. Este gesto litúrgico representa toda a missão da Igreja, a qual não anuncia a si mesma. Ai, ai da Igreja quando ela anuncia a si mesma, perde a bússola, não sabe para onde vai. A Igreja anuncia Cristo, não leva consigo si mesma, mas Cristo. Pois, só Cristo é que salva o seu povo do pecado, o liberta e o guia para a terra da vida e da liberdade. Que a Virgem Maria, Mãe do Cordeiro de Deus, nos ajude a acreditar n’Ele e a seguí-Lo.

Após a recitação da oração mariana do Ângelus, Francisco recordou aos presentes que hoje se celebra a Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado, dedicado ao tema “Migrantes menores vulneráveis e sem voz”.

Estes nossos pequenos irmãos, se não são acompanhados, são expostos a tantos perigos. E estes perigos são tantos. É necessário adoptar todas as mediadas possíveis para garantir aos migrantes menores, protecção e defesa, mas também a sua integração.

Finalmente, Francisco saudou todas as representações de diversas comunidades étnicas congregadas na Praça de S. Pedro. Caros amigos, disse, faço os meus votos para que possais viver serenamente nas localidades que vos acolheram, respeitando as leis e as tradições das comunidades que vos acolhem, e, ao mesmo tempo, preservando os valores das vossas culturas de origem. O encontro entre várias culturas, sublinhou o Santo Padre, é sempre um enriquecimento para todos.

E Francisco agradeceu a todos os presentes, à todos quantos se dedicam a causa dos Migrantes e refugiados e de modo particular ao Secretariado Migrantes da Diocese de Roma. A todos o Papa augurou um bom domingo e um bom almoço. Ao mesmo tempo que pediu a todos que não esqueçam de rezar por Ele.

Papa à Global Foundation: "quem descarta será também descartado"




(RV) “É inaceitável e desumano um sistema económico mundial que descarta homens, mulheres e crianças pelo facto que parecem ser ‘inúteis’ segundo os critérios de rentabilidade de empresas e outras organizações”: foi o que disse o Papa num discurso feito na manhã deste sábado (14/01), na Sala Clementina, ao receber uma delegação da ‘Mesa redonda’ de Roma da Global Foundation.

“Descartar as pessoas – acrescentou o Papa – constitui um retrocesso e uma desumanização de qualquer sistema político ou económico. Os que causam ou permitem o descarte de refugiados, o abuso ou a escravização de crianças, a morte de pobres nas ruas por frio e fome, se transformam em máquinas sem alma. Mais cedo ou mais tarde, eles também serão descartados... é um bumerangue; esta é a verdade, serão descartados quando não forem mais úteis a esta sociedade, que colocou no seu centro o deus-dinheiro”.

A ‘Mesa Redonda’ é um encontro que se está a realizar em Roma ao redor do tema da própria Fundação, “Juntos nos comprometemos com o bem comum global”. A Global Foundation foi criada na Austrália em 1998 e seu trabalho, sem fins lucrativos, é focado no serviço ao bem público de longo prazo e apoiado pelo sector privado e benfeitores.

Wojtyla e Madre Teresa já haviam entendido

Francisco recordou aos 85 convidados que em 1991, o Papa Wojtyla havia já compreendido “o risco que a ideologia capitalista se difundisse e que isto comportaria uma escassa consideração pelos fenómenos da marginalização, da exploração e da alienação humana, ignorando as multidões que ainda vivem em condições de miséria material e moral e confiando numa solução ligada exclusivamente ao desenvolvimento das forças do mercado”.

“Infelizmente, os riscos anunciados por São João Paulo II se concretizaram. Entretanto, indivíduos e instituições foram desenvolvendo múltiplos esforços para recuperar os prejuízos de uma globalização irresponsável. A Santa Madre Teresa de Calcutá é um símbolo e um ícone dos nossos tempos e de certa forma, representa e resume estes esforços”.

“Que a compaixão – concluiu o Papa – ajude os líderes económicos e políticos a usarem a sua inteligência e os seus recursos não apenas para controlar e monitorar os efeitos da globalização, mas também para ajudar os responsáveis nos vários campos políticos a corrigirem o seu rumo sempre que for necessário. A política e a economia, de facto, devem compreender o exercício da virtude da prudência”. (BS/CM)

Papa: dar respostas ao drama de milhões de migrantes menores




(RV) Neste domingo a Igreja celebra o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, sobre o tema "Migrantes menores, vulneráveis e sem voz". Na sua mensagem para esta ocasião, o Papa Francisco convida a comunidade cristã e toda a sociedade civil, a oferecer respostas para o drama de milhões de crianças e meninos, muitas vezes não acompanhados no fluxo global das migrações, e que fogem da guerra, a violência, a pobreza e as catástrofes naturais.

Fala com muita clareza Jesus: "Quem acolhe um sós destes pequenos em meu nome, acolhe a Mim", e também acrescenta: "Quem escandalizar um destes pequeninos que acreditam em mim, é melhor ... que seja lançado no fundo do mar". Palavras de advertência, sublinha Francisco, para "gente sem escrúpulos", que explora meninas e meninos "envolvidos na prostituição ou tomados nos ciclos da pornografia, feitos escravos do trabalho infantil ou alistados como soldados, envolvidos no tráfico de drogas e outras formas de delinquência, forçados a fugir de conflitos e perseguições, correndo o risco de se encontrarem  sozinhos e abandonados. "Por isso faço questão, escreve o Papa, "de chamar a atenção para a realidade dos migrantes menores, especialmente aqueles que se encontram sozinhos, exortando todos a cuidar das crianças que são três vezes mais indefesas, porque menores, porque estrangeiras e porque inermes quando, por várias razões, são forçadas a viver longe da sua terra de origem e separadas doa afectos da família”.

Como responder a esta realidade? "Focalizar na protecção, na integração e em soluções duradouras", sugere Francisco. Antes de tudo proteger, intervindo "com maior rigor e eficácia"  contra os "aproveitadores" para parar "as múltiplas formas de escravidão das quais são vítimas os  menores". Em seguida, intensificar a colaboração entre os migrantes e as comunidades que os acolhem, criando "redes capazes de assegurar intervenções rápidas e capilares”.

Para a integração são indispensáveis "recursos financeiros" para "adequadas políticas de acolhimento, assistência e inclusão". "Em vez de favorecer a inserção" dos menores migrantes ou "programas de devolução segura e assistida", denuncia o Papa, impede-se o seu ingresso, favorecendo a utilização de redes ilegais, ou se devolvem  ao País de origem, sem assegurar-se de que isso é do seu interesse. "O direito dos Estados de gerir os fluxos migratórios e  salvaguardar o bem comum nacional deve-se conjugar - reitera Francisco - com o dever de resolver e regularizar a posição dos migrantes menores, no pleno respeito pela sua dignidade”.

Soluções duradouras, indica a Mensagem, requerem "que se enfrentem nos Países de origem as causas que provocam as migrações". Isto exige, "o empenho de toda a comunidade internacional para resolver os conflitos e a violência que obrigam as pessoas a fugir" e "programas apropriados para as áreas afectadas por mais graves injustiças e instabilidade, de modo que a todos seja garantido o acesso ao desenvolvimento autêntico, que promova o bem das crianças e meninos, esperanças da humanidade". Por fim, um encorajamento do Papa aos que caminham ao lado de crianças e adolescentes nas vias da emigração: "Eles precisam da vossa preciosa ajuda, e também a Igreja precisa de vós e vos apoia no generoso serviço que prestais”. (BS)

14 janeiro, 2017

Papa aos jovens: escutai a voz de Deus, fazei ouvir o vosso grito




(RV) "Não tenhais medo de ouvir o Espírito que sugere escolhas ousadas", diz o Papa Francisco na carta que enviou aos jovens, nesta sexta-feira (13/01), como apresentação do documento preparatório do Sínodo dos Bispos de 2018.

O Pontífice inicia a carta manifestando a sua alegria de anunciar aos jovens que, em outubro de 2018, se realizará a 15ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

O documento preparatório foi apresentado, nesta sexta-feira, na Sala de Imprensa da Santa Sé. Um dos objectivos do texto é encontrar as melhores maneiras para acompanhar os jovens a reconhecer e acolher o chamamento à vida plena e anunciar o Evangelho de maneira eficaz.
A carta dá início a uma fase de estudo da parte do Povo de Deus. É endereçada às Conferências Episcopais, aos Conselhos dos Hierarcas das Igrejas Orientais Católicas, aos departamentos da Cúria Romana e à União dos Superiores Gerais. Espera-se também a participação dos jovens através de um site.

O Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, Cardeal Lorenzo Baldisseri, abriu a conferência de imprensa com os jornalistas apresentando a estrutura do documento que tem como objectivo recolher informações sobre a actual condição sociocultural dos jovens de 16 a 29 anos, nos vários contextos em que vivem, a fim de entendê-la, em vista dos passos preparatórios sucessivos para a assembleia dos bispos.

O texto é dividido em três partes: ver a realidade, a importância do discernimento, e acção pastoral da comunidade eclesial. A Igreja deseja acompanhar os jovens na descoberta e realização de sua vocação.

“Deve ser esclarecido que o termo vocação deve ser entendido no sentido amplo e diz respeito a grande variedade de possibilidade de realização concreta da própria vida na alegria do amor e na plenitude decorrente do dom de si a Deus e aos outros. Trata-se de encontrar a forma concreta em que esta realização plena possa se realizar através de uma série de escolhas, que articulam estado de vida, matrimónio, ministério ordenado, vida consagrada, etc. profissão, modalidade de compromisso social e político, estilo de vida, gestão do tempo e dinheiro, etc.”, disse o Cardeal Baldisseri na conferência.

Completa o documento preparatório um questionário que prevê a recolha de dados estatísticos sobre cada igreja local, a resposta a várias perguntas para entender melhor cada situação e a partilha de boas práticas pastorais em andamento para que possam ser de ajuda a toda a Igreja.

Os jovens serão plenamente envolvidos nesta fase preparatória através de um site a fim de recolher suas expectativas e vida.

“O próximo Sínodo não quer somente se interrogar sobre como acompanhar os jovens no discernimento de sua escolha de vida à luz do Evangelho, mas quer também colocar-se à escuta dos seus desejos, projectos e sonhos que os jovens têm para a sua vida, como também das dificuldades que encontram para realizar o seu projecto ao serviço da sociedade à qual pedem para ser protagonistas activos”, disse o Subsecretário do Sínodo dos Bispos, Dom Fabio Fabene.

Para envolver os jovens serão criadas várias iniciativas, vigílias de oração, encontros internacionais e concertos. As respostas ao questionário do documento preparatório e as dos jovens serão a base para a redacção do Documento de trabalho, o Instrumentum laboris, que será o ponto de referência para o debate dos Padres sinodais.

A seguir, a carta do Papa aos jovens

“Quis que vocês estivessem no centro das atenções, porque vos tenho no meu coração. Exactamente hoje foi apresentado o Documento preparatório, que também vos confio como «bússola» ao longo deste caminho.”

Sair

“Vêm-me à mente as palavras que Deus dirigiu a Abraão: «Sai da tua terra, do meio de teus parentes e da casa de teu pai, e vai para a terra que eu te mostrarei». Hoje, estas palavras são dirigidas também a vocês: são palavras de um Pai que vos convida a «sair» a fim de serem lançados em direcção a um futuro desconhecido, mas portador de realizações seguras, encontro ao qual Ele mesmo vos acompanha. Convido-vos a ouvir a voz de Deus que ressoa nos vossos corações através do sopro do Espírito Santo”, ressalta o Papa no texto.

“Quando Deus disse a Abraão «Sai», o que queria lhe dizer? Certamente, não para fugir de sua família, nem do mundo. O seu foi um convite forte, uma provocação, a fim de que deixasse tudo e partisse para uma nova terra. Qual é para nós hoje esta nova terra, a não ser uma sociedade mais justa e fraterna que vocês almejam profundamente e desejam construir até às periferias do mundo?”

“Mas hoje, infelizmente, o «Sai» adquire também um significado diferente. O da prevaricação, da injustiça e da guerra. Muitos de vós, jovens, estais submetidos à chantagem da violência e sois forçados a fugir da vossa terra natal. O vosso clamor sobe até Deus, como o de Israel, escravo da opressão do Faraó”, destaca o Pontífice.

Discernir

“Recordo-vos também as palavras que certo dia Jesus proferiu aos discípulos, que lhe perguntavam: «Rabi, onde moras?». Ele respondeu: «Vinde e vede!». Jesus dirige o seu olhar também a vós, convidando-vos a caminhar com Ele.”
“Queridos jovens, vós encontrastes este olhar? Ouvistes esta voz? Sentistes este impulso a pôr-se a caminho? Estou convencido de que, não obstante a confusão e a perturbação deem a impressão de reinar no mundo, este apelo continua a ressoar no vosso espírito para o abrir à alegria completa. Isto será possível na medida em que, também através do acompanhamento de guias especializados, souberdes empreender um itinerário de discernimento para descobrir o projecto de Deus na vossa vida. Mesmo quando o vosso caminho estiver marcado pela precariedade e pela queda, Deus rico de misericórdia estende a sua mão para vos erguer”, sublinha ainda o Papa.

Agir

Na abertura da última Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, perguntei-vos várias vezes: «Podemos mudar as coisas?». E vós gritastes juntos um «Sim!» retumbante. Aquele grito nasce do vosso coração jovem, que não suporta a injustiça e não pode submeter-se à cultura do descarte, nem ceder à globalização da indiferença. Escutai esse clamor que vem do vosso íntimo! Mesmo quando sentirdes, como o profeta Jeremias, a inexperiência da vossa jovem idade, Deus vos encoraja a ir para onde Ele vos envia: «Não tenhas medo [...] pois eu estou contigo para te proteger».

Constrói-se um mundo melhor também graças a vós, ao vosso desejo de mudança e generosidade. Não tenhais medo de ouvir o Espírito que vos sugere escolhas audazes, não hesiteis quando a consciência vos pedir para arriscar a fim de seguir o Mestre. Também a Igreja deseja colocar-se à escuta da vossa voz, da vossa  sensibilidade, da vossa fé; até das vossas dúvidas e as vossas críticas. Fazei ouvir o vosso grito. Deixai que ele ressoe nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores. São Bento recomendava aos abades que, antes de cada decisão importante, consultassem também os jovens porque «muitas vezes é exactamente ao mais jovem que o Senhor revela a melhor solução».

“Assim, através do caminho deste Sínodo, eu e os meus irmãos Bispos queremos, ainda mais, «colaborar para a vossa alegria». Confio-vos a Maria de Nazaré, uma jovem como vós, à qual Deus dirigiu o seu olhar amoroso, a fim de que vos tome pela mão e vos guie para a alegria de um «Eis-me!» pleno e generoso”, conclui o Papa.

(BS/MJ)

13 janeiro, 2017

Papa em Santa Marta: no coração se joga o hoje da nossa vida




(RV) “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações”. A homilia de Francisco foi inspirada na primeira leitura, extraída da Carta aos Hebreus, e se desenvolveu em torno de duas palavras: “hoje” e “coração”.

O hoje do qual fala o Espírito Santo é “a nossa vida”, um hoje “repleto de dias”, mas “depois do qual não haverá um replay, um amanhã”, “um hoje no qual recebemos o amor de Deus”, a promessa de Deus de encontrá-lo”, explicou o Papa, “um hoje” no qual podemos renovar “a nossa aliança com a fidelidade de Deus”.

Porém, há “somente um só hoje na nossa vida” e a tentação é de dizer: “Sim, farei amanhã”. A tentação do amanhã que não haverá”, como o próprio Jesus explica nas parábolas das dez virgens: as cinco insensatas não levaram o óleo e as lâmpadas, e quando foram comprar, encontraram a porta fechada. Francisco fez referência também à parábola daquele que bate à porta pedindo ao Senhor: “Comi contigo, estive contigo …”. “Não te conheço: chegaste tarde …”:

“Eu digo isso não para assustar, mas simplesmente para dizer que a nossa vida é um hoje: hoje ou nunca. Eu penso nisto. O amanhã será o amanhã eterno, sem anoitecer, com o Senhor, para sempre. Se eu sou fiel a este hoje. E a pergunta que vos faço é esta que faz o Espírito Santo: ‘Como eu vivo este hoje?’”.

A segunda palavra que é repetida na leitura é “coração”. Com o coração, de facto, “encontramos o Senhor” e muitas vezes Jesus repreende, dizendo: “tardos de coração”, tardos no compreender. Portanto, o convite é para não induzir o coração e a questionar-se se não seja “sem fé” ou “seduzido pelo pecado””:

“No nosso coração se joga o hoje. O nosso coração é aberto ao Senhor? Sempre me impressiona quando encontro uma pessoa idosa – muitas vezes sacerdotes ou religiosas – que me dizem: ‘Padre, reze pela minha perseverança final’ – ‘Mas viveu bem toda a vida, todos os dias do seu hoje foram no serviço do Senhor, mas tem medo …?’ – ‘Não, não: a minha vida ainda não findou: eu gostaria de vivê-la plenamente, rezar para que o hoje chegue pleno, pleno, com o coração firme na fé, e não destruído pelo pecado, pelos vícios, pela corrupção…”.

Portanto, o Papa exorta a interrogar-nos sobre o nosso “hoje” e sobre o nosso coração. O “hoje” é repleto de dias, mas não se repetirá. Os dias se repetem até quando o Senhor dirá “chega”.

Mas o “hoje” não se repete: é esta a vida. O coração é aberto ao Senhor, não fechado, não endurecido, não sem fé, não perverso, não seduzido pelo pecado. O Senhor encontrou tantas pessoas que tinham o coração fechado: os doutores da Lei, todos os que o perseguiam, que o colocavam à prova para condená-lo... até que conseguiram. Voltemos para as nossas casas somente com estas duas perguntas: como está o meu “hoje”? O ocaso pode ser hoje mesmo, neste mesmo dia ou em tantos outros. Mas, como está o meu “hoje” na presença do Senhor? O meu coração, como está? Está aberto? Está firme na fé? Ele se deixa conduzir pelo amor do Senhor? Com estas duas perguntas peçamos ao Senhor a graça da qual cada um de nós necessita.

11 janeiro, 2017

Papa: a esperança jamais desilude


(RV)  O Papa Francisco realizou na manhã desta quarta-feira, dia 11 de Janeiro, às 9,45 horas de Roma, a habitual audiência geral na Aula Paulo VI, repleta de fiéis e peregrinos vindos de todas as partes da Itália e do mundo para assistir a catequese do Papa. Tema da reflexão catequética do Papa hoje é a esperança que nos advém do Advento e do Natal: um período do ano litúrgico, disse o Papa, que desperta no povo de Deus o desejo da esperança. A esperança, sublinhou Francisco, é uma necessidade primária do homem: ter espença no futuro, acreditar na vida, enfim,  “pensar positivo”.

Mas é importante que essa esperança seja radicada em algo que  nos possa ajudar a viver e a dar um sentido à nossa existência. É por isso que a Sagrada Escritura nos adverte contra as falsas esperanças que o mundo nos apresenta, revelando a sua inutilidade e insensatez. E o faz de diversos modos, mas sobretudo denunciando a falsidade dos ídolos nos quais o homem está continuamente tentado de depositar a sua confiança, transformando-os em objectos da sua esperança.  

Certo que a fé, observa o Papa, é confiar no Senhor. Entretanto chegam sempre os momentos em que, enfrentando dificuldades objectivas da vida, o homem experimenta a fragilidade da sua esperança e sente então a necessidade de adquirir outras formas de certezas, de segurança tangíveis, concretas. É neste preciso momento que somos tentados a procurar consolações também efémeras, que parecem preencher o vazio da solidão que experimentamos. Mas sobretudo, pensamos poder encontrar a certeza na segurança que nos pode garantir o dinheiro, nas alianças que estabelecemos com os potentes do mundo, na mundanidade, nas falsas ideologias.

 Ora, sublinhou o Santo Padre, os profetas, os salmos da Sagrada Escritura, recordam-nos que todas essas certezas são apenas falsos ídolos. E não se trata apenas de imagens feitas de metal ou de barro, mas também imagens construídas na nossa mente, quando confiamos em realidades limitadas que transformamos em absolutos ou quando reduzimos Deus aos nossos esquemas e ideias de divindade: um deus à nossa medida, que possa servir as nossas exigências e intervir magicamente para mudar a realidade e torná-la como a queremos nós. Neste caso o homem, feito à imagem de Deus, fabrica um deus à sua própria imagem e uma imagem mal conseguida, pois não ouve, não age e sobretudo não pode falar.

À esperança no Senhor da vida, que, com a sua Palavra, criou o mundo e conduz a nossa existência, contrapomos a confiança em imagens mudas. As ideologias com a sua pretensão de absoluto, as riquezas, o poder e o sucesso, com a sua ilusão de eternidade e omnipotência, valores como a beleza física e a saúde vistos como ídolos aos quais tudo se sacrifica: tudo isso são realidades que confundem a mente e o coração e, em vez de favorecer a vida, conduzem à morte.

Ora, a mensagem do Salmo, disse Francisco, é muito clara: se colocamos a nossa esperança em tais ídolos, ficamos como eles: imagens vazias, com mãos que não apalpam, pés que não caminham, bocas que não podem falar. Não temos nada para dizer, tornamo-nos incapazes de ajudar, melhorar a vida, sorrir, dar-se.

Eis a estupenda realidade da esperança: confiando no Senhor, depositando a nossa esperança no Senhor, tornamo-nos como Ele,  a sua bênção nos transforma em filhos que partilham a sua vida. A esperança em Deus nos faz entrar, por assim dizer, nos raios de acção da sua recordação, da sua memória que nos abençoa e nos salva. E então pode brotar o aleluia, o louvor ao Deus vivo e verdadeiro, que para nós nasceu da Virgem Maria, morreu na cruz e ressuscitou na glória.

Como em todas as audiências gerais das quartas-feiras, também hoje não faltou a saudação especial do Papa aos numerosos fiéis e peregrinos de língua oficial portuguesa, presentes na Aula Paulo VI: “Amados peregrinos de língua portuguesa, cordiais saudações para todos vós, de modo especial para os membros do Grupo de Cavaquinhos de Passos de Silgueiros. Sobre os vossos passos, invoco a graça do encontro com Deus: Jesus Cristo é a Tenda divina no meio de nós. Ide até Ele, vivei na sua amizade e tereis a vida eterna. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção de Deus!