10 dezembro, 2018

Papa Francisco: preparar-se para o Natal com a coragem da fé


 Papa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)
 
Na homilia da missa matutina, o Papa Francisco exortou a viver a segunda semana do Advento pedindo a graça de nos preparar com fé no Natal.
Benedetta Capelli – Cidade do Vaticano

Celebrar o Natal com verdadeira fé. Este foi o convite do Papa Francisco na homilia da Missa na Casa de Santa Marta (10/12), na qual comentou o episódio do Evangelho do dia, que narra a cura de um paralítico. Foi a ocasião para o Papa reiterar que a fé infunde coragem e é o caminho para tocar o coração de Jesus

O Natal não se celebra de modo mundano

Francisco recordou que “Jesus admira a fé nas pessoas”, como no caso do centurião que pede a cura para o seu servo; da mulher sírio-fenícia que intercede pela filha possuída pelo demónio ou também da senhora que, somente tocando a barra da veste de Jesus, cura-se das perdas de sangue que a afligiam. Mas “Jesus – acrescentou o Papa – repreende as pessoas de pouca fé”, como Pedro que duvida. “Com a fé – continuou – tudo é possível”.  
Hoje pedimos esta graça: nesta segunda semana do Advento, para nos prepararmos com fé para celebrar o Natal. É verdade que o Natal – todos o sabemos – muitas vezes celebra-se não com muita fé, celebra-se também mundanamente ou de modo pagão; mas o Senhor pede-nos que o façamos com fé e nós, neste semana, devemos pedir esta graça: poder celebrá-lo com fé. Não é fácil custodiar a fé, não é fácil defender a fé: não é fácil. 

O ato de fé com o coração

Para o Papa, é emblemático o episódio da cura do cego no capítulo IX de João, o seu ato de fé diante de Jesus que reconhece como o Messias. Francisco então exorta a confiar a nossa fé em Deus, defendendo-a das tentações do mundo:  
Hoje, e também amanhã e durante a semana, far-nos-á bem pegar neste capítulo IX de João e ler esta história tão bonita do jovem cego desde o nascimento. E concluir no nosso coração com o ato de fé: “Creio, Senhor. Ajuda a minha pouca fé. Defende a minha fé da mundanidade, das superstições, das coisas que não são fé. Defende-a de reduzi-la a teorias, sejam elas teológicas ou morais … não. Fé em Ti, Senhor”.

Veja um trecho da homilia do Santo Padre


VN

09 dezembro, 2018

Papa Angelus: o centro da nossa vida é Jesus e a sua palavra de luz, amor, e consolação

 
 Papa - Angelus  (Vatican Media)
 
Neste segundo Domingo do Advento o Evangelho apresenta-nos a figura de João Batista, que "percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados".
 
Silvonei José - Cidade do Vaticano
 
Neste segundo Domingo do Advento o Papa Francisco rezou ao meio-dia a oração mariana do Angelus com os fiéis e peregrinos de todas as partes do mundo reunidos na grande Praça de São Pedro, embelezada pelos símbolos do Natal: o presépio e a árvore de Natal.

Depois de recordar que no último domingo a liturgia convidava-nos a viver o tempo do Advento e da espera do Senhor com a atitude de vigilância, neste segundo domingo do Advento, disse o Papa, indica-nos como dar substância a essa espera: empreendendo um caminho de conversão.

Como guia para este caminho, - continuou Francisco - o Evangelho apresenta-nos a figura de João Batista, que "percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados". Para descrever a missão do Batista, o evangelista Lucas recolhe a antiga profecia de Isaías: "Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas. Todo o vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas”.

"Para preparar o caminho para o Senhor que vem, é necessário levar em conta as exigências da conversão a que Batista nos convida. Antes de mais nada, somos chamados a recuperar os buracos produzidos pela frieza e pela indiferença, abrindo-nos aos outros com os mesmos sentimentos de Jesus, isto é, com a cordialidade e a atenção fraternas que se responsabiliza pelas necessidades do nosso próximo, isto é recuperar os buracos produzidos pela frieza. E não se pode ter uma relação de amor, de caridade, de fraternidade com o próximo se há buracos, como não se pode caminhar por um estrada com muitos buracos. E tudo isto fazer com um cuidado especial para com os mais necessitados"

Então,  - prosseguiu Francisco - precisamos de reduzir tantas severidades causadas pelo orgulho e  pela soberba, fazendo gestos concretos de reconciliação com os nossos irmãos, pedindo perdão pelas nossas faltas. Não é fácil reconciliar-se, acrescentou o Papa, se se pensa, quem irá dar o primeiro passo? O Senhor ajuda-nos nisto se temos boa vontade.

"A conversão, na verdade, é completa leva-se a reconhecer humildemente os nossos erros, as nossas infidelidades e omissões".
 
O fiel, sublinhou o Papa na sua alocução antes de rezar o Angelus -, é aquele que, estando próximo de seu irmão, como João Batista, abre estradas no deserto, ou seja, indica perspetivas de esperança mesmo naqueles contextos existenciais impenetráveis, marcados pelo fracasso e pela derrota.

"Não podemos render-nos a situações negativas de fechamento e rejeição; não devemos deixar-nos sujeitar à mentalidade do mundo, porque o centro da nossa vida é Jesus e a sua palavra de luz, de amor, de consolação".

O Batista convidava as pessoas do seu tempo à conversão com força, vigor e severidade. No entanto, ele sabia ouvir, sabia como realizar gestos de ternura e de perdão para com as multidões de homens e mulheres que iam até ele para confessar os seus pecados e serem batizados com o batismo da penitência.

O seu testemunho de vida, - acrescentou o Papa - a pureza de seu anúncio, a sua coragem em proclamar a verdade conseguiram despertar as expectativas e esperanças do Messias que há muito tempo estavam adormecidas. Ainda hoje, os discípulos de Jesus são chamados a serem suas humildes mas corajosas testemunhas para reacender a esperança, para fazer entender que, apesar de tudo, o reino de Deus continua a ser construído dia a dia com o poder do Espírito Santo.

Pensemos, cada um de nós – disse Francisco –, “como posso eu mudar algo no meu comportamento para preparar o caminho do Senhor?

Que a Virgem Maria – concluiu o Santo Padre -, nos ajude a preparar dia após dia o caminho do Senhor, começando por nós mesmos; e a espalhar em torno a nós, com tenaz paciência, sementes de paz, de justiça e de fraternidade.

VN

08 dezembro, 2018

Imaculada. Papa pede a Maria que fique perto das famílias necessitadas


Papa Francisco - Imaculada Conceição, Praça de Espanha 

Antes do tradicional ato de veneração à Imaculada na Praça de Espanha, o Papa Francisco prestou homenagem à Salus Populi Romani, na Basílica de Santa Maria Maior. Não se resignar diante dos problemas da cidade: o cuidado de cada um torne Roma mais bonita, sublinhou o Papa em sua oração. 

Cidade do Vaticano 

Na solenidade da Imaculada Conceição, dogma definido pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854, também neste ano o Papa Francisco prestou homenagem à Virgem no coração de Roma, levando consigo a vida e os sofrimentos dos habitantes da cidade. Um ato de veneração à Imaculada, a dos Papas, que tem uma longa história. Francisco foi recebido pelo cardeal vigário Angelo De Donatis e pelas autoridades civis. Aos pés do grande monumento onde está a estátua, foi deposta a homenagem floral. Os primeiros a deporem a coroa de flores nos braços de Nossa Senhora, nesta manhã, como tradição, foram os bombeiros. 

Enfrentar os inconvenientes da vida cotidiana com paciência
 
Em silêncio, ao redor do Papa, uma multidão de fiéis. Na oração, o seu pensamento vai antes de tudo aos doentes e àqueles que "sofrem por várias circunstâncias para ir adiante e àquela "aquela graça ordinária" que a Virgem faz aos que vivem em Roma: "enfrentar com paciência as dificuldades do dia a dia".
Eis na íntegra a Oração do Papa Francisco: 

Oração a Maria Imaculada

Mãe Imaculada,
No dia da tua festa, tão amada pelo povo cristão,
Venho homenagear-te no coração de Roma.
Trago na minha alma os fiéis desta Igreja
e todos os que vivem nesta cidade, especialmente os doentes
e os que sofrem por várias circunstâncias para ir adiante.

Antes de tudo quero agradecer-te
pela bondade materna com a qual acompanhas o nosso caminho:
várias vezes ouvimos narrações com lágrimas nos olhos
dos que receberam a tua intercessão,
as graças que pedes para nós ao teu Filho Jesus!

Penso também numa graça extraordinária para os que recebem os que vivem em Roma:
a de enfrentar com paciência as dificuldades do dia a dia.
Mas por isso pedimos-te a força para não nos resignarmos, ao contrário,
de fazer com que todos façam diariamente a própria parte para melhorar a situação,
para que o cuidado de cada um torne Roma mais bela e habitável para todos;
para que o dever do bem seja um facto para cada um, garanta os direitos de todos.
E pensando no bem comum desta cidade,
te pedimos pelos que têm maiores responsabilidades:
obtenham para eles, sabedoria, clarividência, espírito de serviço e de colaboração.

Virgem Santa,
Desejo confiar a ti de modo particular os sacerdotes desta Diocese:
os párocos, os vice-párocos, os padres idosos que com o coração de pastores
continuam a trabalhar ao serviço do povo de Deus,
aos muitos sacerdotes estudantes de todas as partes do mundo que colaboram nas paróquias.
Para todos eles peço-te a doce alegria de evangelizar
E o dom de serem pais, próximos do povo, misericordiosos.

A ti, Mulher toda consagrada a Deus, confio as mulheres consagradas na vida religiosa e na secular,
que graças a Deus, em Roma são muitas, mais do que noutra cidade do mundo,
formando um maravilhoso mosaico de nacionalidades e culturas.
Para elas te peço a alegria de serem como tu, esposas e mães,
fecundas na oração, na caridade, na compaixão.

Ó Mãe de Jesus,
Peço ainda, por último, neste tempo de Advento
Pensando nos dias em que tu e José estavam ansiosos
pelo iminente nascimento do vosso menino,
preocupados porque havia o censo e deveriam deixar a vossa cidade, Nazaré, para ir a Belém…
Tu sabes o que quer dizer ter uma vida no ventre
e sentir ao redor a indiferença, a rejeição, às vezes o desprezo.
Por isso te peço para estares próxima das famílias que hoje
em Roma,em Itália, no mundo inteiro sofrem semelhantes situações,
para que não sejam abandonadas a si mesmas. Mas tuteladas nos seus direitos,
direitos humanos que são prioridades antes de qualquer legítima exigência.

Ó Maria Imaculada,
autora de esperança no horizonte da humanidade,
vigia sobre esta cidade,
sobre as casas, as escolas, os escritórios, as lojas,
as fábricas, os hospitais, as prisões
que em nenhum lugar falte o que Roma tem de mais precioso,
e que conserva para o mundo inteiro, o testamento de Jesus:
“Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (cf. Jo 13, 34)

No final da oração, o Papa fez uma breve paragem na sede do jornal romano "Il Messaggero", na via del Tritone, para saudar os dirigentes e funcionários. Este ano o jornal fesgteja 140 anos de vida.

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Papa Angelus: Viver confiando em Deus em tudo, eis o segredo da vida


 Papa - Angelus  (Vatican Media)

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, na Solenidade da Imaculada Conceição, com o fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro provenientes de todo o mundo. 

Silvonei José - Cidade do Vaticano 

"Estar com Deus não resolve magicamente os problemas. Mas Maria confia em Deus diante dos problemas”. Foi o que disse o Papa Francisco antes de rezar a oração mariana do Angelus na Solenidade da Imaculada Conceição com o fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, provenientes de todo o mundo.

"Eis um comportamento sábio: não viver dependendo dos problemas – quando termina um, apresenta-se outro! - mas confiando em Deus e confiando-se a Ele todos os dias: Eis-me aqui! Peçamos à Imaculada a graça de viver assim", exortou o Papa.

Comentando a página do Evangelho do dia, o Papa recorda Eis-me é a palavra-chave da vida. Marca a passagem de uma vida horizontal, centralizada em si mesmo nas suas próprias necessidades, a uma vida vertical lançada na direção de Deus.

"Eis-me é estar disponível ao Senhor, é a cura para o egoísmo, o antídoto para uma vida insatisfeita, na qual falta sempre alguma coisa. Eis-me é o remédio contra o envelhecimento do pecado, é a terapia para ficar jovem por dentro. Eis-me é crer que Deus conta mais do que o meu eu. É apostar tudo no Senhor, dócil às suas surpresas. Por isso dizer-lhe eis-me é o maior louvor que podemos oferecer-lhe. Por que não começar assim todos os nossos dias? Seria belo, todas as manhãs dizer: “Eis-me, Senhor, hoje faça-se em mim segundo a tua vontade”.

“Maria não ama o Senhor de vez em quando, com interrupções. Vive confiando em Deus em tudo e para tudo. Eis o segredo da vida. Tudo pode quem confia em Deus para tudo. Porém o Senhor, caros irmãos e irmãs, sofre quando lhe respondemos como Adão: “tenho medo e me escondi”. Deus é Pai, o mais dócil dos pais, e deseja a confiança dos filhos. No entanto, quantas vezes suspeitamos d’Ele, pensamos que possa mandar-nos alguma prova, privar-nos da liberdade, abandonarmos. Mas este é um grande engano, é a tentação das origens, a tentação do diabo: insinuar a desconfiança em Deus".
 
Maria, - continuou o Papa - vence esta primeira tentação com o seu eis-me. E hoje olhamos para a beleza de Nossa Senhora, nascida e vivida sem pecado, sempre dócil e transparente a Deus.

“Isto não quer dizer que para ela a vida tenha sido fácil. Estar com Deus não resolve magicamente os problemas. A conclusão do Evangelho de hoje recorda isso: “O Anjo afastou-se dela”. Afastou-se: é um verbo forte. O anjo deixa a Virgem sozinha numa situação difícil. Ela sabia o modo particular com o qual seria Mãe de Deus, mas o anjo não tinha explicado aos outros. E os problemas começaram logo: pensemos na situação irregular segundo a lei, da angústia de São José, aos planos de vida que acabaram, o que diriam as pessoas…"
 
Mas Maria, finalizou o Papa, confia em Deus, diante dos seus problemas. Foi deixada pelo anjo, mas acredita que com ela, nela, ficou Deus. E confia. Está certa de que com o Senhor, mesmo de modo inesperado, tudo irá dar certo.

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06 dezembro, 2018

Papa Francisco: o Senhor é a rocha sobre a qual construir a vida

 
Papa celebra a missa na Casa de Santa Marta  (Vatican Media)
 
Dizer e fazer. Areia e rocha. Alto e baixo. A homilia do Papa Francisco na capela da Casa de Santa Marta inspira-se neste jogo de palavras. 
 
Amedeo Lomonaco – Cidade do Vaticano

Na homilia da missa matutina (06/12), o Papa Francisco, referindo-se ao trecho do Evangelho de hoje, de Mateus, e na Primeira Leitura extraída do livro do Profeta Isaías, indica uma série de palavras em contraste umas com as outras. 

Dizer e fazer

As primeiras palavras, “dizer e fazer”, marcam dois caminhos opostos da vida cristã:

“O dizer é um modo de acreditar, mas muito superficial, no meio do caminho: eu digo que sou cristão, mas não faço as coisas do cristão. É um pouco – para dizê-lo simplesmente – maquilhar-se como cristão: dizer somente é um truque, dizer sem fazer. A proposta de Jesus é concretude, sempre concreto. Quando alguém se aproximava e pedia conselho, sempre coisas concretas. As obras de misericórdia são concretas”. 

Areia e rocha

As outras duas palavras em contraste são “areia e rocha”. A areia “não é sólida”, é “uma consequência do dizer”, um maquilhar-se como cristão, uma vida construída “sem fundamentos”. A rocha, ao invés, é o Senhor.

É Ele, a força. Mas muitas vezes quem confia no Senhor não aparece, não tem sucesso, está escondido … mas é firme. Não tem a sua esperança no dizer, na vaidade, no orgulho, nos efémeros poderes da vida … O Senhor, a rocha. A concretude da vida cristã faz-nos ir avante e construir sobre aquela rocha que é Deus, que é Jesus; sobre o sólido da divindade. Não sobre as aparências ou as vaidades, o orgulho, as recomendações... Não. A verdade. 

Alto e baixo

O terceiro binómio, alto e baixo, contrapõe os passos dos orgulhosos, dos vaidosos aos passos dos humildes. Recordando a primeira leitura extraída do livro do profeta Isaías, Francisco destacou que o Senhor “derrubou os que habitam no alto, há de humilhar a cidade orgulhosa, deitando-a por terra, até fazê-la beijar chão. Hão-de pisá-la aos pés, os pés dos pobres, as passadas dos humildes”.

Este trecho do profeta Isaías parece o canto da Nossa Senhora, do Magnificat: o Senhor eleva os humildes, os que estão na concretude de todos os dias, e abate os soberbos, os que construíram a sua vida na vaidade, no orgulho...estes não duram. 

Perguntas para o Advento

Neste Advento, concluiu o Papa, ajudar-nos-ão algumas perguntas cruciais: "Eu sou cristão do dizer ou do fazer? Construo a minha vida sobre a rocha de Deus ou sobre a areia da mundanidade, da vaidade? Sou humilde, procuro caminhar sempre por baixo, sem orgulho, e assim servir o Senhor?".


 VN

05 dezembro, 2018

Audiência: com Jesus, aprender a rezar com humildade

 
 
Concluída a série sobre os Dez Mandamentos, o Papa Francisco iniciou um novo ciclo de catequeses dedicado ao “Pai-Nosso”. Diante de milhares de fiéis na Sala Paulo VI, o Papa partiu a  sua explicação do Evangelho de Marcos. 
 
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

“Senhor, ensina-nos a rezar”: na Audiência Geral desta quarta-feira (05/12), o Papa Francisco iniciou um novo ciclo de catequeses dedicado ao “Pai-Nosso”.

Concluída a série sobre os Dez Mandamentos, o Pontífice concentra-se agora na figura de Jesus como homem de oração. 

Todos te buscam!

Diante de milhares de fiéis na Sala Paulo VI, o Papa partiu a sua explicação do Evangelho de Marcos.

Desde a primeira noite de Cafarnaum que Jesus demonstra ser um Messias original. Na última parte da noite, quando a alvorada se anuncia, os discípulos ainda o procuram, mas não conseguem encontrá-lo. Até que Pedro finalmente o encontra num lugar isolado, completamente absorvido na oração. E diz-lhe: “Todos te procuram!” (Mc 1,37).

Mas Jesus diz aos seus que deve ir além; que não são as pessoas a procurá-Lo, mas é antes de tudo Ele a procurar os outros. Por isso, não deve fincar raízes, mas antes permanecer continuamente peregrino pelas estradas da Galileia. “E também peregrino em relação ao Pai, isto é, rezando. Ño caminho da oração.”

“Tudo acontece numa noite de oração”, notou o Papa. “Em alguma página das Escrituras, parece ser a oração de Jesus, a sua intimidade com o Pai, a governar tudo”, explicou.

Jesus, homem de oração  

“Eis o ponto essencial: Jesus rezava.” Jesus rezava com intensidade nos momentos públicos, mas buscava também locais apartados que lhe permitissem entrar no segredo da sua alma. Rezava com as orações que a mãe lhe tinha ensinado.

Jesus rezava como reza qualquer homem do mundo. E mesmo assim, no seu modo de rezar, estava contido um mistério, algo que certamente não passou desapercebido aos olhos dos seus discípulos, ao ponto de dizerem: “Senhor, ensina-nos a rezar”. Eles viam Jesus rezar e tinham vontade de aprender.
“ E Jesus não recusa, não tem ciúme da sua intimidade com o Pai, mas veio justamente para nos introduzir nesta relação. E assim se torna mestre de oração dos seus discípulos, como certamente quer ser para todos nós. ”
Aprender sempre a rezar 
 
Mesmo rezando há muitos anos, devemos sempre aprender!, exclamou o Papa. A oração do homem, este anseio que nasce de modo assim tão natural da sua alma, é talvez um dos mistérios mais intensos do universo. E não sabemos nem mesmo se as orações que endereçamos a Deus são realmente as que Ele quer ouvir de nós.
 
Há orações inoportunas, afirmou Francisco, citando aquela narrada na parábola do fariseu e do publicano. O fariseu era orgulhoso, fazia de conta que rezava, mas o seu coração era frio.

“O primeiro passo para rezar é ser humilde. Ir ao Pai, a Nossa Senhora: ‘Olha, sou pecador, fraco, malvado’, cada um sabe o que dizer. Mas começa-se semcom a humildade. O Senhor escuta, a oração humilde é ouvida pelo Senhor.”

Por isso, iniciando este ciclo de catequeses sobre a oração de Jesus, a coisa mais bela e mais justa que todos devemos fazer é repetir a invocação dos discípulos:
“ Será belo no tempo de Advento repetir: Senhor, ensina-nos a rezar. Todos podemos ir além e rezar melhor e pedir ao Senhor, ‘ensina-nos a rezar’. Façamos isso neste tempo de Advento. Ele certamente não deixará cair no vazio a nossa invocação. ”
Imaculada
 
No final da catequese, ao saudar os peregrinos polacos, o Pontífice saudou os redatores da secção polaca da Rádio Vaticano, que celebram 80 anos de fundação. “Eu agradeço-lhes pelo serviço ao Papa e à Igreja.”
 
Francisco recordou ainda a celebração no próximo domingo, na Polónia, da 19ª Jornada de oração e de Ajuda à Igreja no Leste. “Com reconhecimento peço a todos aqueles que com a oração e as obras concretas, apoiam as comunidades eclesiais dos países vizinhos.”

O Papa lembrou por fim a celebração no próximo sábado, 8 de dezembro, da solenidade da Imaculada Conceição. “Entreguemo-nos a Nossa Senhora! Ela, como modelo de fé e de obediência ao Senhor, ajude-nois a preparar os nossos corações a acolher o Menino Jesus no seu Natal”, disse Francisco.

Como é tradição, no dia 8 o Papa vai até à Praça de Espanha para uma homenagem com flores a Nossa Senhora. A Rádio Vaticano/Vatican News transmitirá o evento ao vivo, com comentários em português, a partir das 16h locais.

Veja um trecho da homilia do Santo Padre

 VN

04 dezembro, 2018

Tema da vida eterna precisa de maior atenção, diz o Papa


 Papa indica repropor “apaixonadamente” e com linguagem adequada
ao dia a dia, o tema da Eternidade  (ANSA)

Francisco enviou mensagem à sessão solene das Academias Pontifícias em Roma e abordou o tema da “beleza da eternidade”, “intencionalmente esquecido e ignorado” nas missas e nas pesquisas dentro das universidades. O Papa pede que se renove o interesse sobre a vida eterna, tanto a nível teológico como da catequese e formação cristã. 
 
Andressa Collet – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco enviou uma mensagem ao presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Cardeal Gianfranco Ravasi, por ocasião da XXIII Sessão Pública das Academias Pontifícias. A solenidade anual foi realizada no final da tarde desta terça-feira (4), no Palácio da Chancelaria, em Roma - o edifício renascentista mais antigo da cidade e que faz parte do Património Mundial da Humanidade.

A cerimónia intitulada “Eternidade, a outra face da vida”, onde também estavam presentes os presidentes de outras seis universidades, além de cardeais, bispos, embaixadores e estudantes, abriu espaço para intervenções, inclusive musicais, sobre o tema. Na oportunidade, o secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, entregou o “Prémio das Academias Pontifícias” para promover e apoiar o trabalho junto dos jovens, ao ler a mensagem do Pontífice dirigida a Dom Ravasi, também presidente do Conselho de Coordenação entre as universidades pontifícias.

O Papa Francisco iniciou a sua declaração lembrando as origens da solenidade, criada em 1995 depois da reforma das Academias Pontifícias no pontificado de João Paulo II, e valorizando a entrega do Prémio para que contribua “para a promoção de um novo humanismo cristão”.
“ A experiência de encontrar com Deus transcende qualquer conquista humana e constitui uma meta infinita e sempre nova. ”
Tema da Eternidade é ignorado nas missas
 
Sobre a temática do encontro solene, o Papa parabenizou a escolha que “nos estimula a refletir novamente e melhor sobre um âmbito, não somente teológico que, mesmo sendo essencial e central na experiência cristã”, não tem sido tão valorizado nas pesquisas académicas dos últimos anos e nem na formação dos fiéis. 
 
Francisco recordou, então, o quanto tratamos da “ressureição dos mortos e da vida eterna” todos os domingos, na missa, porque “trata-se do núcleo essencial da fé cristã”, ligado diretamente à fé de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Mesmo assim, é uma reflexão que “não encontra o espaço e a atenção que merece”, advertiu o Papa, que tem a impressão de que seja um tema “intencionalmente esquecido e ignorado porque é aparentemente distante, estranho à vida quotidiana e à sensibilidade contemporânea”.
 
Ao aprofundar a questão, Francisco comentou que é uma realidade que não surpreende, já que um dos fenómenos que marca a cultura atual “é justamente o fechar dos horizontes transcendentes, o fechar-mo-nos em nós mesmos, o apego quase exclusivo ao presente, esquecendo ou censurando as dimensões do passado e, sobretudo, do futuro, sentido, especialmente pelos jovens, como obscuro e cheio de incertezas. O futuro além da morte aparece, nesse contexto, inevitavelmente ainda mais distante, indecifrável ou completamente inexistente”, afirmou o Pontífice. 

Linguagem usada na catequese distancia reflexão

Mas a pouca atenção ao tema da “eternidade, esperança cristã que anuncia a ressurreição e vida eterna em Deus e com Deus”, acrescentou o Papa, pode depender também de outros fatores como, por exemplo, da linguagem tradicional usada na catequese. O anúncio da verdade da fé, disse Francisco, pode aparecer quase incompreensível e até transmitir “uma imagem pouco positiva e ‘atraente’ da Vida eterna. A outra face da vida pode, assim, ser percebida como monótona e repetitiva, chata, até triste ou completamente insignificante e irrelevante para o presente”. 

Papa cita Gregório de Nissa e São Tomás de Aquino 

O Papa Francisco então citou o Padre grego Gregório de Nissa que oferecia uma visão diversa da eternidade, “concebida como uma condição existencial que não é estática, mas dinâmica e vivaz. O desejo humano de vida e felicidade, intimamente ligado àquele de ver e conhecer Deus, cresce continuamente” sem nunca encontrar o fim. A experiência de encontrar com Deus, acrescentou o Pontífice, “transcende qualquer conquista humana e constitui uma meta infinita e sempre nova”.  

São Tomás de Aquino também ganhou citação na mensagem do Papa, quando o Pontífice sublinhou o seu pensamento de que “na vida eterna acontece a união do homem com Deus, numa ‘perfeita visão’ d’Ele”. Esse tipo de reflexão, continuou o Papa, deveria encorajar-nos a repropor “apaixonadamente” e com linguagem adequada ao dia a dia e com profundidade, “o coração da nossa fé, a esperança que nos anima e que dá força ao testemunho cristão no mundo: a beleza da Eternidade”.

No final da mensagem, Francisco anunciou aos jovens vencedores do Prémio das Academias Pontifícias e da Medalha do Pontificado com o desejo de que se renove o interesse sobre a eternidade, seja a nível teológico como da catequese e formação cristã, ao encorajar as pesquisas que aprofundem o tema da escatologia.

VN

03 dezembro, 2018

Papa: que o Advento não seja mundano, é o tempo para purificar a fé


Papa celebra a missa na Casa de Santa Marta  (Vatican Media)

Na capela da Casa de Santa Marta, o Papa Francisco celebrou a missa e falou do tempo do Advento como a ocasião para compreender plenamente o nascimento de Jesus em Belém e para cultivar a relação pessoal com o Filho de Deus.
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Barbara Castelli – Cidade do Vaticano
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O tempo do Advento tem “três dimensões”: passado, futuro e presente. Celebrando a missa na capela da Casa de Santa Marta (03/12), o Papa Francisco recordou que o Advento, iniciado ontem, é o tempo propício “para purificar o espírito, para fazer crescer a fé com esta purificação”.
O ponto de partida das reflexões do Pontífice é o Evangelho do dia (Mt 8,5-11): o encontro em Cafarnaum entre Jesus e um oficial romano, que pede ajuda para o seu servo, paralisado na cama. Também hoje, afirmou, pode acontecer “acostumar-se à fé”, esquecendo a sua “vivacidade”. “Quando estamos acostumados – destacou o Papa –, perdemos aquela força da fé, aquela novidade da fé que sempre nos renova”.

Que o Natal não seja mundano
Na homilia, Francisco ressaltou que a primeira dimensão do Advento é o passado, “a purificação da memória”: “recordar bem que não nasceu a árvore de Natal”, que certamente é um “belo sinal”, mas recordar que “nasceu Jesus Cristo”.
Nasceu o Senhor, nasceu o Redentor que veio para nos salvar. Sim, a festa…nós temos sempre o perigo, sempre teremos em nós a tentação de mundanizar o Natal, mundanizá-lo … quando a festa deixa de ser contemplação – uma bela festa de família com Jesus no centro – e começa a ser festa mundana: fazer compras, presentes, isto e aquile outro...e o Senhor permanece ali, esquecido. Inclusive na nossa vida: sim, nasceu, em Belém, mas... E o Advento é para purificar a memória daquele tempo passado, daquela dimensão. 

Purificar a esperança
Além disso, o Advento serve para “purificar a esperança”, para se preparar “para o encontro definitivo com o Senhor”.
Porque aquele Senhor que veio lá, voltará, voltará! E voltará para nos perguntar: “Como foi a tua vida?”. Será um encontro pessoal. Nós, o encontro pessoal com o Senhor, hoje, teremos na Eucaristia e não podemos ter um encontro assim, pessoal, com o Natal de 2000 anos atrás: temos a memória do que foi. Mas quando Ele voltar, teremos aquele encontro pessoal. É purificar a esperança. 

O Senhor bate todos os dias no nosso coração
Por fim, o Papa convidou todos a cultivarem a dimensão cotidiana da fé, não obstante as preocupações e os muitos afazeres, cuidando da própria “casa interior”. O nosso Deus, de facto, é o “Deus das surpresas” e os cristãos deveriam perceber todos os dias os sinais do Pai Celeste, o seu falar connosco hoje.
E a terceira dimensão é mais cotidiana: purificar a vigilância. Vigilância e oração são duas palavras para o Advento; porque o Senhor veio na História em Belém; virá, no final do mundo e também no final da vida de cada um de nós. Mas vem todos os dias, em todos os momentos, no nosso coração, com a inspiração do Espírito Santo.

Veja um trecho da homilia do Santo Padre

 VN

02 dezembro, 2018

Papa: "Advento, tempo de vigiar e orar"


Milhares rezaram a oração mariana do Angelus com o Papa  (Vatican Media)

No encontro dominical com os fiéis, Francisco indicou estas atitudes, recomendadas por Jesus como o caminho, neste início de Advento, para “sairmos de um modo de vida resignado e habitual, e alimentar esperanças e os sonhos para um novo futuro, com a vinda de Deus”.
 
Cidade do Vaticano

Vigiar e orar: o Papa Francisco indicou estas atitudes, recomendadas por Jesus e expressas no Evangelho de Lucas, como o caminho, neste início de Advento, para “sairmos de um modo de vida resignado e habitual, e alimentar esperanças e os sonhos para um novo futuro, com a vinda de Deus”.

Falando da sua sacada na Praça de São Pedro neste primeiro domingo de Advento (02/12), diante de milhares de pessoas, o Pontífice iniciou sua reflexão lembrando que no Advento, não vivemos apenas a espera do Natal; pois "Natal não é somente pensar no que posso comprar". 

O Evangelho deste domingo adverte-nos contra a opressão de um estilo de vida egocêntrico e dos ritmos convulsivos de nosso cotidiano 

“O Advento convida-nos a um compromisso de vigilância, a olhar para fora de nós mesmos, ampliando a nossa mente e o nosso coração para nos abrirmos às necessidades de nossos irmãos e ao desejo de um novo mundo. É o desejo de tantos povos martirizados pela fome, pela injustiça e pela guerra; é o desejo dos pobres, dos mais frágeis e abandonados", frisou o Papa.
“ Este tempo é apropriado para abrir os nossos corações, para nos questionarmos concretamente sobre como e para quem dedicamos nossas vidas ”
A segunda atitude para viver bem o tempo da espera pelo Senhor é a oração: trata-se de levantar e rezar, voltando os nossos pensamentos e os nossos corações para Jesus que está para vir.
 
Mas qual é o horizonte da nossa espera em oração?
 
Como o profeta Jeremias, que fala ao povo severamente sofrido pelo exílio e que teme perder a sua identidade, nós cristãos também corremos o risco de nos mundanizar e até mesmo "paganizar" o estilo cristão. Por isso, precisamos da Palavra de Deus.

Antes de rezar com todos a oração mariana do Angelus, Francisco disse ainda:

“Que a Virgem Maria, mulher da espera e da oração, nos ajude a fortalecer a nossa esperança nas promessas do seu Filho Jesus, para nos fazer sentir que, através das aflições da história, Deus permanece fiel e utiliza também os erros humanos para nos demonstrar a sua misericórdia”.

VN

01 dezembro, 2018

Papa Francisco: o Advento indica-nos o essencial da vida, encontrar Cristo nos irmãos


A tradicional coroa do Advento com as quatro velas 

O Advento é o tempo que nos foi dado para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro, para reconhecê-lo nos irmãos e para aprender a amar. Repropomos algumas catequeses do Papa Francisco para aprofundar o significado deste tempo que dá início ao novo ano litúrgico 

Cidade do Vaticano 

Neste domingo inicia o Tempo do Advento que terá seu ápice no Natal. No Angelus de 3 de dezembro do ano passado, o Papa Francisco explicou que “O Advento é o tempo que nos é concedido para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro, também para verificar o nosso desejo de Deus, para olhar em frente e nos preparar para o regresso de Cristo. Ele voltará a nós na festa do Natal, quando fizermos memória da sua vinda histórica na humildade da condição humana; mas vem dentro de nós todas as vezes que estamos dispostos a recebê-lo, e virá de novo no fim dos tempos para ‘julgar os vivos e os mortos’. Por isso, devemos estar vigilantes e esperar o Senhor com a expectativa de o encontrar”.

As três visitas do Senhor


São as três visitas do Senhor à humanidade (Angelus, 27 de novembro de 2016): “A primeira visita foi a Encarnação, o nascimento de Jesus na gruta de Belém; a segunda acontece no presente: o Senhor visita-nos continuamente, todos os dias, caminha ao nosso lado e é uma presença de consolação; por fim, teremos a terceira, a última visita”, o encontro com Cristo no Juízo Final, que o Papa recorda citanto o capítulo 25 do Evangelho de Mateus: “Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim". Na noite da vida seremos julgados no amor. 

Atentos e vigilantes para acolher as ocasiões para amar


O convite de Jesus no Tempo do Advento é para estarmos atentos e vigilantes, para não desperdiçar as ocasiões de amor que nos doa: “A pessoa atenta é a que, no meio do barulho do mundo, não se deixa tomar pela distração ou pela superficialidade, mas vive de maneira plena e consciente, com uma preocupação voltada antes de tudo para os outros. Com esta atitude percebemos as lágrimas e as necessidades do próximo e podemos dar-nos conta também das suas capacidades e qualidades humanas e espirituais”. (Angelus, 3 de dezembro de 2017) 

No mundo, mas não do mundo


O Advento faz-nos olhar para o céu, mas com os pés na terra: “A pessoa atenta também se preocupa com o mundo, procurando contrastar a indiferença e a crueldade presentes nele, e alegrando-se pelos tesouros da beleza que contudo existem e devem ser preservados. Trata-se de ter um olhar de compreensão para reconhecer quer as misérias e as pobrezas dos indivíduos e da sociedade, quer a riqueza escondida nas pequenas coisas de cada dia, precisamente ali onde nos colocou o Senhor. A pessoa vigilante é a que aceita o convite a vigiar, ou seja, a não se deixar dominar pelo sono do desencorajamento, da falta de esperança, da desilusão; e ao mesmo tempo, rejeita a solicitação de tantas vaidades de que o mundo está cheio e atrás das quais, por vezes, se sacrificam tempo e serenidade pessoal e familiar”. (Angelus, 3 de dezembro de 2017)
“ Estar atentos e vigilantes são os pressupostos para não continuar a ‘desviarmos para longe dos caminhos do Senhor’, perdidos nos nossos pecados e nas nossa infidelidades; estar atentos e ser vigilantes são as condições para permitir que Deus irrompa na nossa existência, para lhe restituir significado e valor com a sua presença cheia de bondade e ternura ”
As boas batalhas da fé
 
Com o tempo do Advento recomeça o nosso caminho para o Senhor. Um caminho feito de alegria, mas também de dores, de luz mas também de escuro. O caminho torna-se um combate, é a boa batalha da fé. O Papa Francisco afirma: “Deus é mais poderoso e mais forte que tudo. Esta convicção dá ao crente serenidade, coragem e a força de perseverar no bem, frente às piores adversidades. Mesmo quando se desencadeiam as forças do mal, os cristãos devem responder ao apelo, de cabeça erguida, prontos a resistir nesta batalha em que Deus terá a última palavra. E será uma palavra de amor e de paz”. (Homilia do Primeiro Domingo do Advento na Catedral de Bangui, 29 de novembro de 2015)
A coisa mais importante é o encontro com o Senhor
  O Advento indica-nos o essencial da vida. “A relação com o Deus que vem visitar-nos confere a cada gesto, a todas as coisas uma luz diversa, uma importância, um valor simbólico. Desta perspetiva vem também um convite à sobriedade, a não sermos dominados pelas coisas deste mundo, pelas realidades materiais, mas antes a governá-las. Se, ao contrário, nos deixarmos condicionar e dominar por elas, não podemos perceber que há algo muito mais importante: o nosso encontro final com o Senhor: e isto é importante. Aquele, aquele encontro. E as coisas de todos os dias devem ter este horizonte, devem ser orientadas para aquele horizonte. Este encontro com o Senhor que vem por nós”. (Angelus, 27 de novembro de 2016) 

Maria nos conduz pela mão de Jesus


O Papa Francisco confia a humanidade a Maria: “Nossa Senhora, Virgem do Advento, nos ajude a não nos considerarmos proprietários da nossa vida, a não opormos resistência quando o Senhor vem para a mudar, mas a estar preparados para nos deixarmos visitar por Ele, hóspede esperado e agradável mesmo se transtorna os nossos planos". (Angelus, 27 de novembro de 2017)

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