17 julho, 2019

Santa Sé: fazer mais para combater a fome no mundo

 
 Depois da Ásia, o continente africano é o que mais sofre com a fome  (AFP or licensors)
 
Em 2018, mais de 820 milhões de pessoas não tinham comida suficiente. É o que revela o último relatório da ONU sobre o estado da segurança alimentar e nutricional no mundo. Mons. Fernando Chica Arellano, Observador Permanente junto do organismo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, falou ao Vatican News sobre os desafios para combater a fome.
 
Barbara Castelli - Cidade do Vaticano
 
"A humanidade não cumpriu suficientemente p seu dever pelos irmãos mais pobres". Com estas palavras, Mons. Fernando Chica Arellano, Observador Permanente da Santa Sé junto à Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), ao Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e ao Programa Mundial de Alimentos (PAM), comenta o relatório de 2019 sobre o estado da segurança alimentar e nutricional no mundo. O documento foi apresentado na terça-feira, 15,  em Nova York, por cinco agências da ONU: FAO, FIDA, UNICEF (Fundo para a Infância), PAM e OMS (Organização Mundial da Saúde). O relatório faz parte do monitoramento dos progressos em direção ao segundo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - "Fome Zero" - que visa derrotar a fome, promover a segurança alimentar e colocar fim a todas as formas de desnutrição até 2030. 

Os números da crueldade da fome

Pelo terceiro ano consecutivo, a fome no mundo não dá sinais de declínio: em 2018, cerca de 820 milhões de pessoas não tinham comida suficiente, em comparação com os 811 milhões do ano anterior. As crianças com baixo peso ao nascer são 20,5 milhões (1 em cada 7), as crianças com menos de 5 anos com desnutrição crónica são 148,9 milhões e aquelas que sofrem de desnutrição aguda são 49,5 milhões. A fome está a aumentar, de modo particular, em países onde o crescimento económico está a ficar para trás, com baixo rendimento média e aqueles cuja rendimento depende do comércio internacional de matérias-primas.

Em contraposição a esta triste realidade, o relatório das Nações Unidas também revela que no mundo está a aumentar a obesidade e o número de pessoas com excesso de peso, particularmente entre crianças em idade escolar e adultos; e que as probabilidades de insegurança alimentar são maiores entre mulheres do que entre os homens, em todos os continentes, com a maior diferença na América Latina.

"O relatório - continua Mons. Fernando Chica Arellano na entrevista concedida ao Vatican News - diz-nos que as pessoas por detrás destes números não têm um presente sereno nem um futuro luminoso". "A comunidade internacional realmente deveria fazer mais - ressalta - falta a vontade, sobretudo em remover as causas originadas pelo homem, como os conflitos, a crise económica e as mudanças climáticas". 

O grito de ajuda que vem da Ásia e de África

O maior número de pessoas subnutridas (mais de 500 milhões) vive na Ásia, principalmente na parte sul. Também em África, a situação é extremamente alarmante, com as mais altas taxas de fome do mundo, que continuam a aumentar lentamente, mas de forma constante, em quase todas as regiões.

Em particular, na África Oriental, cerca de um terço da população (30,8%) está subnutrida. Além do clima e dos conflitos, o aumento é favorecido pelas crises económicas. O Observador Permanece junto às organizações e organismos das Nações Unidas para alimentação e a agricultura, enfatiza que "todos podemos fazer algo para combater a fome", antes de tudo não desperdiçando alimentos e não cedendo à indiferença, como os personagens da parábola do "bom samaritano". "A comunidade internacional - acrescenta - deve crescer em solidariedade, porque a solidariedade, o investimento na paz, são uma forma de lutar contra a fome". 

Entrevista com Mons. Fernando Chica Arellano

R. - Este relatório diz-nos que a humanidade não cumpriu suficientemente o seu dever em relação aos nossos irmãos mais pobres. A fome continua a aumentar. Isto evidencia - eu diria - a grandeza do desafio de atingir a meta de desenvolvimento sustentável "Fome zero", até 2030. Portanto, significa que devemos trabalhar mais para melhor cumprir o nosso dever como comunidade internacional e, sobretudo como pessoas, também a nível individual. Os números são realmente muito eloquentes. Falemos da Ásia: 513,9 milhões de pessoas famintas. Falemos de África: 256,1 milhões de pessoas. Na América Latina 42,5 milhões. Mas o relatório enfatiza não apenas a crueldade da fome, mas também outro aspeto: a obesidade. Os adultos obesos do mundo são 672 milhões, 13%, ou uma pessoa em cada oito. Portanto, o problema não é somente a desnutrição, mas também a má nutrição. O relatório, na verdade, diz-nos que as pessoas  que estão por detrás destes números não têm um presente sereno nem um futuro luminoso. A comunidade internacional realmente deveria fazer mais. Falta a vontade, sobretudo na remoção das causas originadas pelo homem, como os conflitos, a crise económica e as mudanças climáticas. Estes três continuam a ser os fatores que produzem estes flagelos.

A atenção aos últimos, a quem sofre, é um tema muito caro para o Papa Francisco. Como é possível promover, também nas pequenas coisas, uma transformação estrutural inclusiva?

R. - Todos podemos fazer algo para lutar contra a fome. Primeiro de que tudo, não desperdiçar comida; depois, não passar, como fez o sacerdote ou o levita, diante do pobre fechando os olhos ou não ouvindo o grito dos famintos. Isto a nível pessoal. A nível paroquial e de outras ONGs, tantas coisas belas estão a ser feitas, há bonitas iniciativas. Mas pode-se fazer mais. Este relatório é um impulso para fazer mais. Depois a comunidade internacional deve crescer em solidariedade, porque a solidariedade, o investimento na paz é uma forma de lutar contra a fome. Se nós não derrotarmos a fome, todos os outros objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030, acredito que não poderão ser alcançados. Os objetivos números um e dois são fundamentais para alcançar os outros 15, que todos juntos sintetizam, ao dizerem que não devemos deixar ninguém para trás. O Papa Francisco, no dia 27 de junho, recebeu a Conferência da FAO r disse que este é um problema que deverá envolver todos, porque o sofrimento de uma pessoa é o sofrimento de todas. Ele também fez um apelo ao bom uso da água, sobretudo na produção de alimentos e na sua distribuição mais justa, porque enquanto há países onde a comida está a avançar, sobretudo em África existem regiões inteiras onde, pelo contrário, ela está a faltar. Esta desigualdade é verdadeiramente cruel.

VN

16 julho, 2019

FALTAM-ME AS PALAVRAS


 
 
 
Sinto-Te, Senhor, e quero dizer-Te tantas coisas, expressar o meu louvor, o meu amor, a minha adoração mas parece-me que estou vazio de palavras, de expressões, de emoções.
Queria saber inventar palavras para Te louvar, para Te expressar a minha entrega, mas as que me saem já estão todas inventadas e são tão pobres em relação à Tua grandeza.

A Tua grandeza!

És tão grande, Senhor, e, no entanto, fazes-Te tão perto, tão pequeno, tão humilde, tão doado, como se em vez de ser eu a dizer que preciso do Ti, és Tu que me dizes que queres sentir o meu abraço!
Porquê, Senhor, porque queres precisar do meu abraço, porque queres precisar do meu amor, porque queres precisar da minha vida?
Nada posso acrescentar à Tua grandeza, ao Teu amor, ao Tudo que Tu És!

Pois não, dizes-me Tu, meu Deus, mas quando Me abraças, quando Me amas, quando Me dás a tua vida, acrescento Eu a ti o tanto que sempre precisas, não só para ti, para te completares, para te salvares, mas também para dares aos outros tudo o que a ti dou.

Mas, Senhor, e o meu orgulho, a minha vaidade, o meu desconforto quando sinto que gosto de elogios e de agradecimentos?
É tudo Teu, Senhor, porque continuas a permitir que eu viva sempre e cada vez mais esta luta de me sentir mal comigo próprio, quando me orgulho ou envaideço?

Porque, meu filho, quando assim te sentes percebes sempre que tudo vem de Mim, e não descansas na luta de querer sempre ser e fazer tudo segundo a minha vontade.

Continuam a faltar-me as palavras, Senhor!
Aceitas apenas um amo-Te vindo do coração?


Monte Real, 16 de Julho de 2019
Joaquim Mexia Alves

15 julho, 2019

D. Daniel Henriques presidiu à peregrinação aniversária, em Fátima

Ao presidir à peregrinação internacional aniversária de julho das aparições de Nossa Senhora em Fátima, o Bispo Auxiliar de Lisboa D. Daniel Henriques convidou os cristãos a serem consoladores.

Foto: Santuário de Fátima

Quem experimenta as consolações de Deus não pode deixar de se tornar, ele mesmo, fonte de consolação”, salientou D. Daniel Henriques, na homilia da Eucaristia, na manhã do dia 13 de julho. No Santuário de Fátima, o Bispo Auxiliar de Lisboa lembrou São Paulo, para quem “as consolações de Deus não se esgotam em nós próprios”. “É a própria consolação de Deus que, através de nós, deve iluminar e confortar o coração de quantos se encontram atribulados. Para isso mesmo, diz São Paulo, somos confortados em todas as nossas tribulações. E este conforto nos vem, na medida em que nos soubermos associar aos sofrimentos de Cristo. Participar nos seus sofrimentos é participar das suas consolações. Associemo-nos aos sofrimentos de Cristo no seu Corpo, que é a Igreja, no sofrimento que Ele padece nos seus membros. Acolhamos a consolação da parte de Deus que nos vem por esta entrega. Assim consolados, tornemo-nos nós também consoladores, em palavras e gestos concretos carregados de ternura e compaixão”, desejou D. Daniel Henriques.
Nesta celebração em Fátima, concelebrada pelo cardeal D. António Marto, Bispo de Leira-Fátima, e por seis bispos e 110 sacerdotes, o Bispo Auxiliar do Patriarcado destacou ainda a importância do Espírito Santo Consolador: “Por intercessão de Maria, peçamos hoje o dom de acolhermos em nós o Espírito Santo Consolador, de o invocarmos nas nossas tribulações e angústias, de reconhecermos a sua presença na paz alcançada pela oração, na confiança com que nos colocamos nas mãos do Pai, na forma com que unimos os nossos sofrimentos à Cruz do Senhor. O Espírito Santo conduz-nos e ilumina-nos interiormente, conforta-nos em todas as nossas tribulações. Através dele, experimentamos a nossa vida envolvida pelas consolações de Deus”.
Na noite de dia 12, D. Daniel Henriques tinha denunciado a perseguição que é feita aos cristãos, simplesmente porque são cristãos. “Unamo-nos em oração, de forma particular, pelos nossos irmãos cristãos perseguidos por causa da sua fé”, pediu. “O seu crime não é outro senão afirmarem-se como discípulos de Jesus e recusarem-se a abandonar esta herança recebida de seus pais”, acrescentou.

Patriarcado de Lisboa

14 julho, 2019

Angelus: a compaixão é a chave da vida cristã

 
 
Comentando a parábola do Bom Samaritano, o Papa Francisco recordou o elo indissolúvel que existe entre o amor a Deus e o amor concreto e generoso pelos irmãos.
 
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco dedicou a alocução que antecede a oração do Angelus à parábola do Bom Samaritano, proposta pela liturgia deste XV Domingo do Tempo Comum.

Para Francisco, esta parábola tornou-se paradigmática da vida cristã: "Tornou-se o modelo de como um cristão deve agir", convidando os fiéis a lerem o "tesouro" contido no Evangelho de Lucas. 

Quem é o próximo?

Neste episódio, Jesus é interrogado por um doutor da lei sobre o que é necessário para herdar a vida eterna.

Jesus convida-o a encontrar a resposta nas Escrituras: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, e ao teu próximo como a ti mesmo!”. Havia, porém, diferentes interpretações sobre quem seria o “próximo”. Então Jesus responde com esta parábola.

O protagonista é um samaritano, grupo na época desprezado pelos judeus. Portanto, não é casual a escolha de um deles como personagem positivo da parábola. Ao longo de uma estrada, o samaritano encontra um homem roubado e agredido por assaltantes. Antes dele, por aquela estrada, tinham passado um sacerdote e um levita, isto é, pessoas que se dedicavam ao culto de Deus. Mas não pararam. O único que lhe presta socorro é precisamente o samaritano, "quem não tinha fé!".
“ Também nós pensamos em tantas pessoas que conhecemos, talvez agnósticas, que fazem o bem. Jesus escolhe como modelo alguém que não era homem de fé. E este homem, amando o irmão como a si mesmo, demonstra que ama a Deus com todo o coração e com todas as forças - o Deus que não conhecia! - e expressa ao mesmo tempo verdadeira religiosidade e plena humanidade. ”
 Peregrinos na Praça São Pedro

 Lógica invertida

Depois de contar a parábola, Jesus dirige-se novamente ao doutor da lei e diz-lhe: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”. Deste modo, explicou Francisco, Jesus inverte a pergunta do seu interlocutor e também a lógica de todos nós.

“Ele faz-nos entender que não somos nós, com base nos nossos critérios, que definimos quem é o próximo e quem não é, mas é a pessoa em situação de necessidade que deve poder reconhecer quem é o seu próximo, isto é, quem usou de misericórdia para com ele", prosseguiu o Papa, que acrescentou:
“ Sermos capazes de sentir compaixão: esta é a chave. Esta é a nossa chave. Se diante de uma pessoa necessitada, não sentes compaixão, o teu coração não se comove, significa que algo não funciona. Fica atento, estejamos atentos. Não nos deixemos levar pela insensibilidade egoística. A capacidade de compaixão tornou-se a medida do cristão, ou melhor, do ensinamento de Jesus. ”
O Pontífice fez o exemplo dos moradores da rua e de como nos comportamos diante de alguém caído no chão. "Pergunta se o teu coração não endureceu, se não se tornou gelo. (...) A misericórdia diante de uma vida humana na situação de necessidade é a verdadeira face do amor." 
“ Que a Virgem Maria nos ajude a compreender e, sobretudo, a viver sempre mais o elo indissolúvel que existe entre o amor a Deus, nosso Pai, e o amor concreto e generoso pelos nossos irmãos e nos dê a graça de ter e crescer na compaixão. ”
VN

12 julho, 2019

Emanuela e os túmulos vazios do Teutônico: a vontade da Santa Sé de esclarecer


 Abertura dos dois túmulos no cemitério Teutónico, Cidade do Vaticano  (Vatican Media)

As averiguações no Campo Santo, no Vaticano, atestam a proximidade à família Orlandi. 

Andrea Tornielli - Cidade do Vaticano 

Era percetível em todos os presentes na manhã de quinta-feira, 11 de julho, nas operações de abertura dos dois túmulos no Campo Santo Teutónico, a surpresa por tê-los encontrados vazios. Nenhum resto humano, nenhum vestígio de caixões ou urnas.

Como é sabido, a magistratura vaticana permitiu realizar essa atividade investigativa para ir ao encontro do desejo da família de Emanuela Orlandi, a jovem de quinze anos filha de um funcionário pontifício misteriosamente desaparecida no centro de Roma em junho de 1983: uma indicação anónima tinha referido um dos antigos túmulos daquele cemitério como possível lugar da sepultura para os restos da jovem. Foram abertos dois túmulos porque o Promotor de Justiça do vaticano, Gian Piero Milano, preferiu verificar que também no túmulo adjacente, e semelhante devido à presença de uma figura angélica, não tivessem presentes restos atribuíveis à jovem desaparecida.

A decisão de abrir ambos os túmulos, na presença de um perito nomeado pela família de Emanuela, operando segundo os mais modernos e consolidados padrões técnicos, representou um sinal de atenção particular e de proximidade humana e cristã aos Orlandi. Não certamente – como dito – uma admissão da parte vaticana de um possível envolvimento na ocultação de um cadáver.

Resultou da verificação que no túmulo indicado e no adjacente não se encontravam os restos de Emanuela. Por conseguinte, a investigação teve um (previsível) êxito negativo. Como se sabe, nos sepulcros com as inscrições dos nomes de duas princesas, ambas falecidas no Séc. XIX, não foi encontrado nenhum resto de esqueleto humano, mas somente um amplo vão subterrâneo completamente vazio, sem lápides, inscrições, sepulturas, presumivelmente fechado nos anos Sessenta do século passado.

O facto de os dois túmulos não terem restos suscitou novas perguntas acerca da destino dos ossos das duas mulheres nobres falecidas, dois séculos atrás. Mas procurar desviar o foco para chamar também à causa a Santa Sé, a propósito do destino destes restos é absolutamente equivocado. Não estavam sendo realizadas investigações sobre as duas princesas. Procuravam os restos de uma jovem de quinze anos desaparecida em 1983. Portanto, vale a pena reiterar, sobretudo, que a hipótese investigativa levada em consideração pelo magistrado era concernente à possível descoberta dos ossos de Emanuela Orlandi. Não se encontrou nenhum vestígio desses restos.

Dito isto, a Magistratura vaticana estabeleceu continuar as verificações documentais relacionadas com os trabalhos arquitetônicos realizados na área do cemitério e ocorridos em duas fazes, a última das quais na metade dos anos Sessenta com a construção do novo palácio do Colégio Teutónico. Os túmulos das duas princesas encontram-se propriamente próximos da parede de sustentação desta construção, e, portanto, é plausível que cavando o fundamento da mesma tenham sido esvaziados dos restos ainda existentes transferindo-os para outro lugar. Também sobre isto é presumível que possam abranger as próximas averiguações. 

A meticulosidade das investigações e dos levantamentos técnicos, a decisão de realizar o teste sobre o DNA dos restos eventualmente reencontrados, o documentado profissionalismo com o qual se realizaram as operações sob a guia do Promotor de Justiça e a coordenação do Corpo da Gendarmaria guiada por Domenico Giani, atestam de modo evidente a vontade da Santa Sé de levar o pedido da família a sério. Vontade colocada em prática apesar de o pedido ter sido originado por uma indicação que permaneceu anónima, e tenha sido, portanto, impossível para a Magistratura vaticana verificar previamente o grau de credibilidade. 

Veja também:

Nenhum resto mortal encontrado na busca no Cemitério Teutónico

VN

11 julho, 2019

Nenhum resto mortal encontrado na busca no Cemitério Teutónico

 
Cemitério Teutónico, no Vaticano   (Vatican Media)
 
A abertura dos dois sepulcros, dispostos para verificar a eventual presença dos restos mortais de Emanuela Orlandi, não trouxe nenhum resultado.
 
Andrea Tornielli - Cidade do Vaticano
 
Nenhum resto mortal.  Nada de caixões, urnas mortuárias ou ossos. As operações no Campo Santo Teutónico no Vaticano, para verificar uma suposta presença de restos mortais humanos atribuíveis a Emanuela Orlandi, concluíram-se às 11h15, dando em nada. A busca, de facto, deu resultado negativo. A cuidadosa inspeção começou com a abertura do túmulo da princesa Sophie von Hohenlohe, que revelou apenas um grande compartimento subterrâneo de cerca de 4 metros x 3,70, completamente vazio.

Posteriormente, realizaram-se as operações de abertura do segundo túmulo-sarcófago, intitulada à princesa Carlotta Federica de Mecklemburgo. Também neste caso, no seu interior não foram encontrados restos humanos. Os familiares das duas princesas foram prontamente informados dos resultados da pesquisa.

Participaram nas buscas uma equipe da Fábrica de São Pietro, o professor Giovanni Arcudi assistido pela sua equipe, na presença de um perito de confiança nomeado pelo advogado da família de Emanuela Orlandi.

Estavam presentes a advogada da família Orlandi, Laura Sgrò, e o irmão de Emanuela, Pietro Orlandi. O Promotor de Justiça do Tribunal do Estado da Cidade do Vaticano, Gian Piero Milano, e o seu assistente Alessandro Diddi, juntamente com o Comandante do Corpo de Gendarmaria do Vaticano, Domenico Giani, acompanharam todas as fases da operação.

«Para um ulterior aprofundamento - informou o diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti - que estão a ser verificados documentos concernentes  às intervenções estruturais ocorridas na área do Campo Santo Teutónico, numa primeira fase no final do século XIX, e uma segunda fase mais recente entre os anos sessenta e setenta do século passado».

No final das operações, acrescentou Gisotti, "gostaríamos de reiterar que a Santa Sé sempre demonstrou atenção e proximidade ao sofrimento da família Orlandi e, em particular, à mãe de Emanuela. Atenção demonstrada também nesta ocasião em aceitar o pedido específico da família para fazer uma verificação no Campo Santo Teutónico».

Investigação no Cemitério Teutónico, no Vaticano

VN

Faleceu Vincent Lambert. Santa Sé: uma derrota para a humanidade


Manifestantes por Vincet Lambert  (AFP or licensors)

Vincent Lambert faleceu às 8h24 desta quinta-feira (11/07) no hospital de Reims, em França. A notícia foi dada pelo sobrinho. Num tuíte, a Pontifícia Academia para a Vida fala de uma derrota para a nossa humanidade. Em declaração da Sala de Imprensa da Santa Sé, foi dado o pesar pelo falecimento do enfermeiro francês de 42 anos.

Cidade do Vaticano
Vincent Lambert completaria 43 anos no próximo mês de setembro. O enfermeiro francês faleceu na manhã desta quinta-feira (11/07) no hospital de Reims, no norte de França, onde se encontrava internado.
Desde o dia 2 de julho, há nove dias, tinha-lhe sido suspensa a alimentação e hidratação após uma longa batalha legal. Vincent não se encontrava no fim de vida. Há mais de 10 anos estava em estado com consciência mínima – para alguns, em estado vegetativo – para outros, após o acidente automobilístico que o deixou tetraplégico.  

Tuíte do Pontífice
O Papa Francisco fez vários apelos sobre o caso. Esta quarta-feira (10/07), num tuíte, o Santo Padre disse: “Rezemos pelos enfermos que são esquecidos e abandonados à morte. Uma sociedade é humana se protege a vida, toda a vida, do início até ao seu fim natural, sem escolher quem é digno ou não para viver. Que os médicos sirvam a vida, não a tirem”. 

Tuíte da Pontifícia Academia para a Vida
Esta quinta-feira, num tuíte, a Pontifícia Academia para a Vida escreve: “Dom Paglia e toda a Pontifícia Academia para a Vida rezam pela família de Vincent Lambert, para os médicos, por todas as pessoas envolvidas neste caso. A morte de Vincent Lambert e a sua história são uma derrota para a nossa humanidade”. 

Declaração da Sala de Imprensa da Santa Sé
E no final da manhã desta quinta-feira o diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti, fez a seguinte declaração: “Recebemos com pesar a notícia da morte de Vincent Lambert. Rezamos a fim de que o Senhor o acolha na sua Casa e expressamos a nossa proximidade aos seus entes queridos e a todos aqueles que, até ao último momento, se empenharam em assisti-lo com amor e dedicação. Recordamos e reiteramos o que disse o Santo Padre, pronunciando-se sobre este caso doloroso: Deus é o único dono da vida do início até o fim natural e é nosso dever protegê-la sempre e não ceder à cultura do descarte”.

Batalha legal
A suspensão da hidratação e alimentação autorizada em 2 de julho tinha sido determinada pelo Tribunal de Recursos que anulara a decisão do Tribunal de Apelação de prosseguir o tratamento à espera do parecer do Comité da Onu para os Direitos das pessoas necessitadas de cuidados especiais.
De facto, o organismo das Nações Unidas tinha solicitado a França, seis meses para examinar o caso. Jean e Viviane, seus pais, travaram uma árdua batalha legal para impedir que fossem interrompidas a alimentação e hidratação do filho, que o mantinham em vida.
A esposa Rachel e os médicos que tratavam dele tinham parecer contrário. Os médicos consideravam uma “insensata obstinação” mantê-lo em vida. Para outros houve uma “insensata obstinação” em fazê-lo morrer.

Veja também:

Papa: rezemos pelos enfermos abandonados e deixados morrer

VN