25 maio, 2017

Valorização da Palavra de Deus é objetivo para o próximo ano pastoral

O Patriarcado de Lisboa quer valorizar a Palavra de Deus na pastoral da diocese e na programação do próximo ano 2017-2018. A reflexão sobre esta temática, ligada à receção da Constituição Sinodal de Lisboa (CSL), foi o tema central do novo Conselho Presbiteral do Patriarcado, reunido nos dias 23 e 24 de Maio no Seminário dos Olivais.

Assim, cultivar maior presença da Palavra de Deus na vida orante, formar grupos bíblicos, procurar que a Palavra de Deus presida aos grupos na pastoral, proporcionar o estudo bíblico, incentivar a formação de leitores, retomar a Exortação Apostólica do Papa Bento XVI sobre a Palavra de Deus, ‘Verbum Domini’, foram algumas das interpelações que surgiram nesta reflexão com o objectivo de concretizar o nº 38 da CSL, que servirá de temática para o próximo ano pastoral, dentro do triénio 2017-2020.
Depois do Sínodo Diocesano, reunido em dezembro de 2016, e a partir da publicação da CSL, foram apurados, nos últimos meses, alguns objectivos concretos para o próximo triénio (‘Fazer da Palavra de Deus o lugar onde nasce a fé’, para 2017-2018; ‘Viver a liturgia como lugar de encontro’, para 2018-2019; ‘Sair com Cristo ao encontro de todas as periferias’, para 2019-2020;) e um objectivo transversal a todos os anos (“Fazer da Igreja uma rede de relações fraternas”).
Em comunicado ao Conselho Presbiteral, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, salientou que “tudo o que a Constituição Sinodal de Lisboa oferece nos seus setenta números é para receber e praticar” mas, assinala que, os números a que correspondem estas temáticas, “maioritariamente escolhidos pelas vigararias e outros grupos, serão ponto de partida para tudo o mais”.
Tendo em conta que a realidade da diocese é muito diversificada, “não parece viável nem desejável uma programação muito detalhada e uniforme”, observa D. Manuel Clemente, sublinhando que as sugestões programáticas para a receção da Constituição Sinodal de Lisboa sejam aplicadas “conforme a criatividade de cada uma das realidades pastorais do Patriarcado.
Neste Conselho Presbiteral foi eleito o novo secretariado composto pelo coordenador, Padre José Manuel Pereira de Almeida; secretário: Padre Nuno Amador; e os vogais Padre Daniel Batalha, Padre José Miguel Barata Pereira e Padre Filipe Santos.

Patriarcado de Lisboa

24 maio, 2017

Não há vitória sem sacrifícios e sofrimentos - Papa na audiência geral


(RV) Depois da audiência a Donald Trump, que durou cerca de meia hora, o Papa Francisco dirigiu-se à Praça de São Pedro, onde milhares de fiéis e peregrinos de várias partes do mundo estavam já reunidos para ouvir a sua catequese semanal, desta vez centrada sobre “Emaús, o caminho da esperança

O Papa partiu da leitura bíblica do Evangelho de São Lucas, para falar da experiencia dos dois discípulos de Emaús que tinham posto toda a sua esperança em Jesus. Pensavam que depois de um longo período de preparação e escondimento, Jesus teria manifestado a sua potencia, mas isso não aconteceu. Ele morreu na cruz.

Os dois discípulos estavam tristes – disse o Papa – porque tinham cultivado uma esperança só do ponto de vista humano e que acabou por desmoronar. Por isso eles fugiram de Jerusalém tristes para ir procurar tranquilidade numa aldeia. Aquela festa de Páscoa que devia entoar o cântico da libertação tinha-se, pelo contrário, transformado num dia doloroso. Estão caminham tristes. Francisco chamou atenção para o elemento “caminho”  que era já importante nas narrações evangélicas e que torna-se ainda mais importante quando se começa a contar a história da Igreja.

Os dois discípulos caminham pensativos quando alguém se põe ao lado deles. É Jesus, mas não o reconhecem. Jesus começa então a sua “terapia da esperança – sublinhou o Papa indicando o método seguido por Cristo: pergunta e escuta, pois que Jesus não se imiscui. Deixa aos discípulos o tempo de remexer eles próprios em profundidade a sua amargura. O resultado é uma confissão: “nós esperávamos, mas….”  O Papa compara a amargura destes dois discípulos às que cada um de nós pode ter e tem na vida. Mas Jesus caminha, diz o Papa…

 “Jesus caminha com todas as pessoas desconfortadas que caminham com a cabeça abaixada. E caminhando com eles, de maneira discreta, consegue voltar a dar esperança” .

Jesus – prosseguiu o Papa – fala aos discípulos  de Emaús antes de mais através das Escrituras para fazer compreender que não há heroísmo fácil. A verdadeira esperança  passa sempre por derrotas, por sofrimentos...

Depois Jesus repete-lhes o gesto principal de cada Eucaristia: toma o pão, o abençoa, o parte e o dá. Nesta serie de gestos  não está por ventura toda a história de Jesus, aquilo que deve ser a Igreja? – pergunta Francisco que responde:

Jesus nos toma, nos abençoa, “quebra” a nossa vida – porque não há amor sem sacrifício – e a oferece aos outros, a oferece a todos”.

O encontro de Jesus com os dois discípulos é rápido, mas nele está todo o destino da Igreja. Uma Igreja em caminho, não encerrada numa cidadela. E no caminho “encontra as pessoas com as suas esperanças e desilusões, por vezes pesadas”; escuta-as e dá a Palavra de esperança, testemunho de amor, amor fiel até ao fim.

Todos nós, na nossa vida, temos tido momentos difíceis, de escuridão; momentos em que caminhávamos tristes, pensativos, sem horizontes, só um muro à frente. E Jesus está sempre ao nosso lado para nos dar esperança, para aquecer o nosso coração e dizer “vai em frente, eu estou contigo. Vai em frente

O segredo de Emaús está nisto – disse Francisco. Mesmo através de aparência contrárias, continuamos a ser amados, e Deus não deixará nunca de nos querer bem.

Deus caminhará sempre connosco, sempre, mesmo nos momentos mais dolorosos, mesmo nos momentos mais duros, mesmo nos momentos de derrota: ali está o Senhor. E é esta a nossa esperança: vamos para a frente com esta esperança, porque Ele está ao nosso lado caminhando connosco. Sempre! “

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A catequese do Papa foi depois resumida em diversas línguas, incluindo a língua ucraina, e ao saudar em italiano os peregrinos desta língua, mas com algumas palavras em ucraino, o que suscitou aplausos, o Papa disse que continua a inovar do Senhor a paz para a querida terra ucraina.

Eis a saudação do Papa aos peregrinos de língua portuguesa

"Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, invocando para todos as consolações e luzes do Espírito de Deus, a fim de que, vencidos pessimismos e desilusões da vida, possam cruzar, juntamente com os seres queridos, o limiar da esperança que temos em Cristo ressuscitado. Conto com as vossas orações. Obrigado!"

(DA)

Paz, migrantes e cristãos no colóquio entre o Papa e Donald Trump




(RV) O Papa Francisco recebeu esta manhã às 8.30, em audiência privada, no Palácio Apostólico, o Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump com o séquito.

Depois o Chefe de Estado americano foi recebido pelo Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, acompanhado por D. Paul Richard Gallagher, Secretário para as Relações com os Estados.

Segundo um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, durante os colóquios que decorreram de forma cordial, foi manifestado apreço pelas boas relações bilaterais existentes entre a Santa Sé e os Estados Unidos da América, assim como o empenho comum a favor da vida e da liberdade religiosa e de consciência. Exprimiu-se o desejo de que haja uma serena colaboração nos domínios da saúde, da educação e da assistência aos imigrados.

O comunicado informa ainda que as conversações permitiram também ter uma troca de visões sobre temas relativos à actualidade internacional e à promoção da paz no mundo através de negociações políticas e de diálogo inter-religioso, com particular referência à situação no Médio Oriente e à tutela das comunidades cristãs.

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Enquanto decorriam os colóquios, a esposa de Donald Trump, Melânia, visitou a Capela Paulina e a Sala Régia. No fim o casal Trump visitou privadamente a Capela Sistina e a Basílica de São Pedro.

Às 11.15, a Srª Melânia Trump, deslocou-se em visita ao Hospital Pediátrico, Bambino Gesù, (Menino Jesus) perto do Vaticano. Criado em 1869 por iniciativa dos Duques Salviati, o Hospital Bambino Gesù foi o primeiro Hospital pediátrico da Itália. Em 1924 foi doado à Santa Sé, tornando-se, a todos os efeitos, um hospital pontifício. É um hospital de excelência. Em 2104 foi enriquecido com novos laboratórios de pesquisa que se estendem por 5 mil metros quadrados e dotados de modernas tecnologias de investigação genética e celular. Este Hospital é hoje o maior policlínico e centro de pesquisa pediátrica na Europa. Tem quatro pólos de internamento e cura no território italiano, sendo a sede principal no gianícolo, perto do Vaticano.

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A filha de Donald Trump, Ivanca com o marido, visitaram, pelo contrário, a Comunidade de Santo Egídio, tendo-se debruçado sobre a questão do tráfico humano.

Depois de um encontro com o Presidente italiano, Sergio Matarella, no Quirinal, Donald Trump teve um almoço de trabalho com o Primeiro Ministro italiano, Paolo Gentiloni, antes de seguir para Bruxelas, donde regressará de novo à Itália para tomar parte, na  cidade de Taormina, na Sicília na cimeira do G7, os sete países mais industrializados do mundo, a ter lugar nos dias 26 e 27 deste mês.

(DA)

Papa: passar do estilo de vida morno ao alegre anúncio de Jesus




(RV) Muitas pessoas consagradas foram perseguidas por terem denunciado atitudes de mundanidade: o espírito mau prefere uma Igreja sem riscos e morna. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta.

Na sua homilia, o Pontífice comentou o capítulo 16 dos Actos dos Apóstolos, que narra Paulo e Silas em Filipos. Uma escrava que tinha um espírito de adivinhação começou a segui-los e, gritando, os indicou como “servos de Deus”. Era um louvor, mas Paulo, sabendo que esta mulher estava possuída por um espírito maligno, um dia o expulsou. Paulo – notou o Papa – entendeu que “aquele não era o caminho da conversão daquela cidade, porque tudo permanecia tranquilo”. Todos aceitavam a doutrina, mas não havia conversões.

Muitos consagrados perseguidos por terem dito a verdade

Isto se repete na história da salvação: quando o povo de Deus estava tranquilo, não arriscava ou servia - não "digo aos ídolos" - mas "à mundanidade", explica Francisco. Então o Senhor enviava os profetas que eram perseguidos "porque incomodavam", como ocorreu com Paulo: ele entendeu o engano e mandou embora esse espírito que, apesar de dizer a verdade – isto é, que ele e Silas eram homens de Deus - no entanto, era "um espírito de torpor, que tornava a igreja morna". "Na Igreja - afirma - quando alguém denuncia tantos modos de mundanidade é encarado com olhos tortos, não deve ser assim, melhor que se distancie":

“Eu lembro na minha terra, tantos, tantos homens e mulheres, consagrados bons, não ideólogos, mas que diziam: ‘Não, a Igreja de Jesus…’ – ‘Ele é comunista, fora!’, e os expulsavam, os perseguiam. Pensemos no beato Romero, não?, o que aconteceu por dizer a verdade. E muitos, muitos na história da Igreja, também aqui na Europa. Por quê? Porque o espírito maligno prefere uma Igreja tranquila sem riscos, uma Igreja dos negócios, uma Igreja cómoda, na comodidade do torpor, morna”.

No capítulo 16, se fala ainda dos patrões dessa escrava, que ficaram bravos com ela porque não podiam mais ganhar dinheiro às suas custas por ter perdido o poder de adivinhação. O Papa destacou que “o espírito maligno sempre entra pelo bolso”. “Quando a Igreja está morna, tranquila, toda organizada, não existem problemas, mas olhem onde há negócios”, afirmou Francisco.

Mas além do dinheiro, há outra palavra ressaltado pelo Pontífice, que é a “alegria”. Paulo e Silas são arrastados pelos patrões da escrava diante dos juízes, que ordenaram que fossem açoitados e levados à prisão. O carcereiro os leva para a parte mais escondida da prisão. Paulo e Silas cantavam. Por volta da meia-noite, há um forte tremor de terremoto e todas as portas da prisão se abrem. O carcereiro está para se matar antes que fosse assassinado por ter deixado os prisioneiros escaparem, mas Paulo o exorta a não se machucar, porque – disse – “estamos todos aqui”. Então o carcereiro pede explicações e se converte. Lava as feridas deles, é batizado e fica cheio de alegria”:

“E este é o caminho da nossa conversão diária: passar de um estado de vida mundano, tranquilo, sem riscos, católico, sim, sim, mas assim, morno, a um estado de vida de verdadeiro anúncio de Jesus Cristo, à alegria do anúncio de Cristo. Passar de uma religiosidade que olha demasiado para os lucros para uma religiosidade de fé e de proclamação: ‘Jesus é o Senhor’”.

Este é o milagre que o Espírito Santo faz. O Papa exortou então a ler o capítulo 16 dos Atos para ver como o Senhor “com os seus mártires” leva a Igreja para frente:

“Uma Igreja sem mártires não dá nenhuma confiança; uma Igreja que não se arrisca provoca desconfiança; uma Igreja que tem medo de anunciar Jesus Cristo e afugentar os demónios, os ídolos, o outro senhor, que é o dinheiro, não é a Igreja de Jesus. Na oração pedimos a graça e também agradecemos o Senhor pela renovada juventude que nos dá com Jesus e pedimos a graça que ele mantenha esta renovada juventude. Esta Igreja de Filipos foi renovada e tornou-se uma Igreja jovem. Que todos nós tenhamos isso: uma renovada juventude, uma conversão do modo de viver morno ao anúncio alegre que Jesus é o Senhor”. (BS-BF-SP)

23 maio, 2017

Papa às Pias Discípulas: longe dos profetas da desgraça, sede alegres




(RV) O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira (22/05), na Sala do Consistório, no Vaticano, cinquenta e três participantes do 9º Capítulo Geral das Pias Discípulas do Divino Mestre.
O Capítulo Geral das religiosas teve início, em Roma, no dia 10 de abril e prossegue até 28 de maio, sobre o tema “Vinho novo em odres novos”. No último dia 10, foi eleita a nova Superiora Geral, Ir. M. Micaela Monetti, que exercerá o cargo até 2023. Este é o segundo mandato da religiosa.
Comunhão
O Papa desejou às Pias Discípulas do Divino Mestre que esse tempo do Capítulo Geral traga frutos abundantes do Evangelho na vida do Instituto.
“Frutos, sobretudo, de comunhão. Abertas ao Espírito Santo, Mestre da diversidade e Mestre da unidade nas diferenças, vocês caminharão na comunhão que respeita a pluralidade, que as impulsione a tecer incansavelmente a unidade nas diferenças legítimas, considerando a sua presença em vários países e culturas. Como permitir a cada um de se expressar, de ser acolhido com os seus dons específicos, de se tornar plenamente co-responsável? Cultivando a atenção e o acolhimento recíproco, praticando a correcção fraterna e o respeito pelas irmãs vulneráveis, crescendo no espírito de viver juntas, banindo das comunidades as divisões, invejas e fofocas, dizendo as coisas com franqueza e caridade.”
Carismas
Francisco destacou os frutos de comunhão com os homens e mulheres de nosso tempo, com os irmãos e irmãs da Família Paulina, pois as Pias Discípulas do Divino Mestre tem como pai e fundador Pe. Tiago Alberione, e a missão de levar o Evangelho aos homens e mulheres de nosso tempo, “através do apostolado litúrgico e auxílio aos sacerdotes”.
Frutos de comunhão com outros carismas. “É o momento da sinergia de todos os consagrados para acolher as riquezas de outros carismas e colocá-los a serviço da evangelização, permanecendo fiéis à própria identidade. Ninguém constrói o futuro isolando-se, nem com as próprias forças”, disse o Papa.
Escuta
“O Capítulo Geral é tempo de ouvir o Senhor que nos fala através dos sinais dos tempos. Tempo de escuta recíproca e abertura ao que o Senhor nos comunica através dos irmãos. Tempo de confronto sereno e sem preconceitos entre os próprios projectos e os dos outros. Tudo isso requer abertura da mente e do coração.”
“O Capítulo Geral é um tempo propício para exercer o espírito do êxodo e da hospitalidade: sair de si para acolher com alegria a parte da verdade que o outro me comunica e juntos caminhar para a verdade plena e única que nos torna livres”.
Discernimento
“Ouvir as irmãs, como também os homens e as mulheres de hoje. Nesse tempo de grandes desafios, que exigem dos consagrados fidelidade criativa e busca apaixonada, a escuta e a partilha são muito necessárias, se quisermos que a nossa vida seja plenamente significativa para nós mesmos e para as pessoas que encontramos.”
“Para tal objectivo é necessário manter um clima de discernimento, para reconhecer o que pertence ao Espírito e o que é contrário a Ele. Diante de nós se abre um mundo de possibilidades. A cultura em que estamos imersos nos apresenta todas como válidas e boas, mas se não quisermos ser vítimas da cultura do zapping, e às vezes de uma cultura de morte, devemos incrementar o hábito do discernimento, nos formar e formar para o discernimento. Nunca se cansem de se perguntar como indivíduo e comunidade: Senhor, o que devo fazer? O que devemos fazer?”
Profecia
Segundo Francisco, “o Capítulo é também tempo para renovar a docilidade ao Espírito que anima a profecia. Este é o valor irrenunciável para a vida consagrada, pois é uma forma especial de participação na missão profética de Cristo”.
O Papa encorajou as religiosas a viverem “a profecia da alegria, aquela que nasce do encontro com Cristo numa vida de oração pessoal e comunitária, de escuta da Palavra, no encontro com os irmãos e irmãs, numa vida comunitária fraterna e alegre, inclusiva da fragilidade e que abraça a carne de Cristo nos pobres”.
Francisco incentivou as Pias Discípulas do Divino Mestre a serem “profetas da esperança com os olhos voltados para o futuro”. “Como todos os discípulos de Jesus sabemos que a esperança é para nós uma responsabilidade. Jesus Cristo é a nossa esperança. Nele depositamos a nossa confiança e com a força do Espírito Santo podemos ser profetas da esperança. Não se unam aos profetas da desgraça que fazem tanto mal à Igreja e à vida consagrada”, concluiu. (BS/MJ)

21 maio, 2017

Papa: Regina Coeli na Praça de S. Pedro


(RV) Hoje, domingo, dia 21 de Maio de 2017, o Papa Francisco procedeu, às 12 horas locais de Roma, à celebração do Regina Coeli na Praça de S. Pedro, repleta de fiéis e peregrinos proveniente de diversas partes da Itália e do mundo inteiro.

Comentando o texto do Evangelho deste domingo, sexto tempo pascal (Jo 14, 15-21), Francisco fez notar que é a continuação do Evangelho da semana passada que disse, “nos conduz àquele momento comovente e dramático que é a última ceia de Jesus com os seus discípulos”.

O Evangelista João recolhe da boca do Senhor os seus últimos ensinamentos antes da paixão e da morte. Jesus promete aos seus amigos que, depois  dele receberão um “outro Paráclito”, isto é um outro “Advogado defensor e consolador, o “Espírito da verdade” e acrescenta: não vos deixareis órfãos: voltarei para junto de vós”.

Estas palavras, sublinha o Santo Padre, transmitem a alegria de uma nova vinda de Cristo: Ele ressuscitado e glorificado, habita no Pai e, ao mesmo tempo, vem até nós através do Espírito Santo. E nesta sua nova vinda  se revela a nossa união com Ele e com o Pai: “reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e Eu em vós”.

Meditando estas palavras de Jesus temos a percepção  da fé de ser o povo de Deus em comunhão com o Pai e com Jesus mediante o Espírito Santo. Neste mistério de comunhão a Igreja encontra o mistério inexaurível da própria missão que se realiza mediante o amor.

De facto, recorda o Pontífice, Jesus no Evangelho deste domingo nos diz “ se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amálo-ei e manifestar-Me-ei a ele”.

É o amor que nos introduz no conhecimento de Jesus, graças à acção do Espírito Santo. O amor a Deus e ao próximo é o maior mandamento do Evangelho. O Senhor chama-nos hoje a corresponder generosamente à chamada evangélica ao amor, colocando Deus no centro da nossa vida e dedicando-nos ao serviço dos irmãos, especialmente dos mais necessitados de ajuda e de consolação.

Se existe uma atitude que nunca foi fácil mesmo para uma comunidade cristã, é próprio a atitude de saber amar segundo o exemplo do Senhor. Muitas vezes os contrastes, o orgulho, as invejas, as divisões deixam um sinal indelével sobre o rosto da Igreja. Uma comunidade cristã deveria viver na caridade de Cristo, mas pelo contrário, é próprio ali, neste âmbito que o maligno intervém  e nós, as vezes, deixamo-nos enganar. E quem paga por tudo isso são as pessoas espiritualmente mais frágeis. Quantos de entre eles se afastaram porque não se sentiram acolhidos, compreendidos e amados.

Também para um cristão, saber amar não é um dado adquirido uma vez por todas; trata-se de uma conquista: cada dia é preciso recomeçar,  se deve exercitar para que o nosso amor para com os irmãos e irmãs que encontramos se torne maduro e purificado daqueles limites ou pecados que o tornam parcial, egoístico, estéril e infiel. Cada dia se deve aprender a arte de amar, cada dia deve-se seguir com paciência a escola de Cristo, com a ajuda do seu Espirito.

Francisco concluiu a sua meditação fazendo votos para que a Virgem Maria, perfeita discípula do seu Filho e Senhor, nos ajude a ser cada vez mais dóceis ao Paráclito, o Espírito da verdade, para que possamos aprender cada dia, a amar como Jesus nos amou.
Após a alocução do Regina Coeli, Francisco falou aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça de S. Pedro, das “dolorosas notícias” da situação de guerra e das suas vítimas e dos desalojados, que chegam da República Centro Africana, país que, disse Francisco “conservo no coração”. O Papa manifestou a sua aproximação para com as populações, aos bispos e todos aqueles que estão empenhados na causa da paz e da convivência pacifica naquele país. “Rezo para os defuntos, os feridos  e renovo, o meu apelo: calem as armas e prevaleça a boa vontade de dialogar para dar ao país a Paz e o desenvolvimento.

O Santo Padre pediu em seguida aos presentes para que se unam todos juntos a ele e a toda a Igreja no próximo dia 24 de Maio em união espiritual com os fiéis católicos da China, por ocasião da Beata Virgem Maria “Ajuda dos Cristãos” venerada no Santuário Sheshan em Shanghai e pediu aos chineses que concentrem o seu olhar em Maria nossa Mãe, para que nos ajude a discernir a vontade de Deus sobre o caminho concreto da Igreja na China e para que nos ajude a acolher com generosidade o projecto de amor . Não esqueçamos, disse, de testemunhar a fé com a oração e com o amor, mantendo-nos sempre abertos ao encontro e ao diálogo.

Francisco saudou todos os fiéis e peregrinos presentes na Praça de S. Pedro, provenientes de diversas partes de Itália, da Europa e do mundo, entre eles também o grupo do Colégio S. Tomás de Lisboa.

Finalmente o Santo Padre anunciou que na quarta-feira do dia 28 de Junho vai presidir o Consistório para a criação de 5 novos Cardeais que, disse, “representam a universalidade da Igreja”, e vai concelebrar no domingo, 29 de Junho, por ocasião da Solenidade de S. Pedro e S. Paulo, a Santa missa juntamente com os novos Cardeais.

Os futuros cardeais provêm da Espanha, Suécia, Laos, El Salvador e Mali:

São eles:

Dom Jean Zerbo, Arcebispo de Bamako, no Mali

Dom Juan Jose Omella, Arcebispo de Barcelona, na Espanha

Dom Anders Arborelius, Bispo de Estocolmo, Suécia

Dom Louis-Marie Ling Mangkhanekhoun, Bispo e Vigário apostólico de Paksé, Laos

Dom Gregório Rosa Cháves, Bispo auxiliar da Arquidiocese de San Salvador, El Salvador