21 novembro, 2017

Prelúdio da obra "Portugal Católico"

O que é o “Portugal Católico”?
 
Agradeço aos Professores José Carlos Seabra Pereira e José Eduardo Franco, bem como a todos os autores, colaboradores e editores desta obra, a tentativa de responder à pergunta, de modo tão amplo e original entre nós.Porque tanto o substantivo como o adjetivo são difíceis. Porque a sua conjugação ainda mais.

Comecemos pelo substantivo “Portugal”. Politicamente designa um país. Foi uma terra nortenha, em torno de Gaia, um condado que veio até Coimbra, depois até Lisboa, depois mais para sul, já como reino. No século XIII ganhou fronteiras continentais que no século XV se alargaram pelo oceano. Entre 1815 e 1822 foi o reino unido de Portugal, Brasil e Algarves. De então para cá foi-se arduamente definindo como é hoje, Continente, Madeira e Açores.

Politicamente é assim, no concerto das nações, existindo sob vários regimes, quatro dinastias e três repúblicas no que à chefia do Estado respeita, hoje uma democracia entre as democracias da União Europeia. Rondaremos os quinze milhões, os portugueses, se contarmos os dez do país e os outros da diáspora com os descendentes de uma, duas e mais gerações, já plurinacionais tantos deles.

Culturalmente, é mais difícil a definição, se é que é possível. Tratando-se de terra amanhada, agricultura, vá que não vá, mas tentando melhores dias doutra maneira. O Portugal da terra e das terras, dos povoados e do povo, esse é estudável na etnografia, visível e audível no folclore. Mas quando descola da terra, ou quando da terra descola para outros voos de pensamento e expressão, a cultura do espírito torna-se mais densa e imprevisível. - Até onde chega Portugal como cultura portuguesa, como voz ou saudade da terra, como literatura ou como canção, arte plástica ou abstração filosófica? Senti-lo é possível, quando nos toca ou nos dói, especialmente quando estamos fora, finalmente quando regressamos. Defini-lo, delimitá-lo, não. E ainda bem assim, ou não teríamos poesia, que só acontece de dentro ou de longe. Portuguesmente, adivinha-se entre o nevoeiro. “Entre as brumas da memória”, como canta o hino.

Nem por isso menos verdadeiro, mas por isso menos passível de definições. A ideia que temos do que fomos projeta no passado o que queremos ser no futuro. A verdade é o que somos hoje. E a verdade do passado é o que nos sobra apesar de tudo. O chão que pisamos e nos é comum, ainda que sejamos diversos nas histórias contadas e nas memórias escolhidas. De “pátria” podemos falar, enquanto terra dos pais, nos herdados e deserdados que somos conforme os casos. E ainda como terra que queremos legar, sendo cada um seu “pai” para o melhor futuro de quem vier a seguir. E assim mesmo Portugal designa a corresponsabilidade atual de nós todos.

Ligando política e cultura, como vimos fazendo, incluímos necessariamente o legado religioso que nos chega. Plural também, dentro da unidade que o termo indica. “Religião” vem de ligação, do sentimento espontâneo de não estarmos sós nem desprendidos dos outros e dum Outro que nos une a todos. Este Outro, ganhou vários nomes e outras tantas qualidades. Por vezes nem se definiu em termos propriamente individuais, vagando entre o animismo que o adivinha em todo o lado e a conveniência de que esteja algures, abstratamente mais longe ou pragmaticamente mais perto, pertíssimo quando é preciso.No espaço português há sinais de tudo isto. Começou pela religiosidade espontânea, chamada “pagã” porque própria do campo, da água e da terra, da chuva e do sol, da vida e da morte, tendo vários nomes para designar o parecido. Subsiste sempre, com a força do que brota e com o perigo de não crescer. De não passar da terra ao céu, de não olhar as estrelas ou além delas, de não se libertar de si própria, de fazer do ciclo das estações do ano a rotina encerrada das vidas.

Chegaram-nos, entretanto, outros legados religiosos. Judeus, cristãos e muçulmanos trouxeram-nos um Deus único, garantia e desafio à unidade de todos, criaturas suas. O mais presente na totalidade sociocultural que somos foi o cristianismo. Fala-nos de um Deus que tanto nos transcende como nos incarna, tomando em Jesus a condição humana em que ganha rosto, voz e companhia.

Aqui chegados, tomamos o adjetivo que o título desta obra acrescenta: Portugal “Católico”.

Como disse acima, é difícil a definição e a conjugação dos termos. De Portugal, pois ao descolar da terra como povo e sentimento ultrapassa os limites de si próprio. De Católico, porque designando correntemente uma aceção específica do cristianismo global, inscreve-se no âmbito religioso, mais fácil de verificar nas expressões do que de captar como convicção.Diga-se, porém, que na tripartição habitual do cristianismo, muito imprecisa aliás, entre catolicismo, ortodoxia e protestantismo, o primeiro acentua a ligação a Roma e algo a que podemos chamar sacramentalidade. Por sacramentalidade podemos entender a expressão física da realidade espiritual, qual consequência da incarnação de Deus em Cristo; e a quase tangibilidade de Cristo, omnipresente porque ressuscitado, em múltiplos sinais que o manifestam. Na tradição católica estes são sobretudo os sete sacramentos. Mas alargam-se em muitos outros, como que prolongado a incarnação, pois dalgum modo a ecoam. Aqui os templos, aqui a literatura, aqui a arte; aqui a própria organização social, quando pretenda aproximar a cidade terrena da mística cidade de Deus, isto é, realizar aquela convivência nova entre os homens a que Jesus chamava o “Reino”.  

Estes aspetos sacramentais do cristianismo, que a tradição católica particularmente acentua, nem sempre mantiveram um cunho exclusivamente “religioso”, podendo mundanizar-se demais. Toda a tradição católica vive desta tensão, conhecendo sucessivos movimentos de reforma que lhe lembram um Reino que “não é deste mundo”, como o próprio Cristo acentuou, mas nem por isso quis fora do mundo. O nosso património sociocultural e institucional, cujas variadas expressões esta obra recolhe na atualidade a que chegámos, manifesta essa tensão nas artes e nas letras, nos claustros e no mundo, na ciência, na economia, na vida sociopolítica.

Uma tensão criativa. Porque, não sendo fácil a conjugação de tal verdade divina com tanta variedade humana, humanização de Deus e divinização do homem oferecem-nos uma totalidade múltipla que nos desafia sempre mais. Assim acontece mundo além, assim acontece em Portugal. Com tanta surpresa como esta obra recolhe, com tanto futuro como assim mesmo promete.    

Manuel Clemente
Patriarcado de Lisboa

Papa: colonização cultural ou ideológica não tolera diferenças


(RV) A colonização cultural ou ideológica não tolera as diferenças e torna tudo igual, terminando por RVrseguir também os cristãos. É o que sublinha o Papa Francisco na homilia da missa matutina na Casa Santa Marta, refletindo sobre o martírio de Eleazar, narrado no livro dos Macabeus e proposto na primeira leitura.

O Papa Francisco releva que existem três tipos diferentes de perseguição: uma perseguição apenas religiosa, outra político-religiosa, por exemplo a ‘Guerra dos 30 anos’ ou a ‘noite de São Bartolomeu’ e uma terceira perseguição, puramente “cultural”, quando chega “uma nova cultura que quer fazer tudo novo e fazer uma ‘limpeza’ nas tradições, na história e também na religião de um povo”. Este último tipo de perseguição é aquela em que se encontra Eleazar, condenado a morrer por fidelidade a Deus.

O relato desta perseguição cultural – observa o Papa – começou ontem, quando alguns, ao ver o poder e a beleza magnífica de Antíoco Epífanes, pensaram em fazer uma aliança para ser modernos. Assim, umas pessoas do povo tomaram a iniciativa e foram até o rei, que “lhes deu a possibilidade de introduzir instituições pagãs nas nações”. Não as ideias ou os deuses, mas instituições – frisa Francisco. Portanto, este povo que havia crescido em torno da Lei do Senhor, faz entrar ‘novas instituições’, uma nova cultura que faz uma ‘limpeza’ de tudo: cultura, religião, lei, tudo”.

Trata-se de uma verdadeira colonização ideológica que quer impor ao povo de Israel este ‘hábito único’ que alguns aceitaram porque parecia ser uma coisa boa. O povo então começou a viver de um modo diferente.

Surgem porém algumas resistências para defender “as boas tradições do povo”, como aquela de Eleazar que era um homem digno, muito respeitado, e o Livro dos Macabeus narra a história destes mártires, destes heróis.

Assim, tem continuidade uma perseguição surgida por uma colonização ideológica que destrói, “faz tudo igual, não é capaz de tolerar as diferenças”.

A palavra-chave que o Papa evidencia é precisamente “raiz perversa”, isto é, Antíoco Epifanes.

Se tira, portanto, a raiz do povo de Israel e se faz entrar esta raiz perversa para fazê-la crescer no povo de Deus, “com o poder”, estes hábitos “novos, pagãos mundanos”:

E este é o caminho das colonizações culturais que acabam por perseguir também os fiéis. Mas não devemos ir muito longe para ver alguns exemplo: pensemos aos genocidas do século passado, que era uma coisa cultural, nova: “Todos iguais e estes que não têm o sangue puro, fora, e estes..”. Todos iguais, não há lugar para as diferenças, não há lugar para os outros, não há lugar para Deus. É a raiz perversa. Diante destas colonizações culturais que nasces da perversidade de uma raiz ideológica, Eleazar, ele mesmo, se faz raiz”.

E o Papa observa que Eleazar morre pensando nos jovens, para deixar a eles um nobre exemplo. Assim, Eleazar “o mártir, aquele que dá a vida, por amor a Deus e à lei, se faz raiz para o futuro”.

Diante daquela raiz perversa, portanto, “existe esta outra raiz que dá a vida para fazer crescer o futuro”.

O Papa observa que aquilo que veio do reino de Antíoco, era uma novidade e que as novidades não são todas más, basta pensar no Evangelho, em Jesus, que é uma novidade, mas é preciso saber distinguir.

“É preciso discernir as novidades. Esta novidade é do Senhor, vem do Espírito Santo, vem da raiz de Deus ou esta novidade vem de uma raiz perversa? Mas, antes, sim, era pecado, não podia matar as crianças; mas, hoje, pode, não tem tanto problema, é uma novidade perversa. Ontem, as diferenças eram claras, como Deus fez. A criação era respeitada; mas hoje, somos um pouco modernos... você faz, você entende..., as coisas não são tão diferentes e se faz uma mistura de coisas.

A novidade de Deus, ao invés, “nunca faz uma negociação”, mas faz crescer e olha o futuro:

As colonizações ideológicas e culturais somente olham o presente, renegam o passado e não olham o futuro. Vivem no momento, não no tempo, e por isso não podem nos prometer nada. Com esse comportamento de fazer todos iguais e cancelar as diferenças, cometem, fazem o pecado feito da blasfêmia contra o Deus criador. Toda vez que chega uma colonização cultural e ideológica se peca contra Deus criador, porque se quer mudar a Criação como Ele a criou. E contra esse fato que ao longo da história aconteceu muitas vezes, existe somente um remédio: o testemunho, ou seja, o martírio”.

Eleazar dá um testemunho da vida pensando na herança que dará com o seu exemplo: “Eu vivo assim. Sim, dialogo com aqueles que pensam diferente, mas o meu testemunho é assim, segundo a lei de Deus”. Eleazar não pensou em deixar dinheiro ou outra coisa, mas pensou no futuro, “na herança do próprio testemunho”, ao testemunho que teria sido “para os jovens uma promessa de fecundidade”. Portanto, se cria raiz para dar vida aos outros. E o Papa concluiu, desejando que o seu exemplo “nos ajude nos momentos talvez de confusão, diante das colonizações culturais e espirituais que nos são propostas”.

(CM/JE/MJ)

20 novembro, 2017

Papa almoçou festivamente com 1500 pobres na Aula Paulo VI




(RV) Neste 1º Dia Mundial dos Pobres, o Papa almoçou na Aula Paulo VI com 1500 pobres. Esses pobres faziam parte dos mais de quatro mil necessitados e pobres acompanhados que participou na Missa presidida pelo Papa na Basílica de São Pedro. Estavam acompanhados pelo pessoal das associações de voluntariado provenientes não apenas da região italiana do Lácio em que Roma se situa, e da cidade em si, mas também de diversas dioceses doutras partes da Europa, como por exemplo, da França, Polónia, Bruxelas e Luxemburgo.
 
Depois da Missa e do Angelus,  esses mil e quinhentas pobres  dirigiram-se à Aula Paolo VI, para um almoço festivo com o Papa. O almoço foi animado pela orquestra da Gendarmaria do Vaticano e pelo coro “Le Dolci Note”  (As notas doces) composto por crianças dos 5 aos 14 anos.

Os outro dois mil e quintos pobres foram para diversas cantinas da Cáritas, de Seminários e de Colégios católicos de Roma, onde tiveram também o seu almoço festivo.

No momento da refeição, o Papa dirigiu as seguintes palavras aos seus hóspedes:

Benvindo a todos! Preparemo-nos para este momento juntos - cada um de nós com o coração cheio de boa vontade e de amizade em relação ao outros  - para partilhar o almoço e desejando uns aos outros o melhor. E agora rezemos o Senhor para que nos abençoe, abençoe esta refeição, abençoe aqueles que a prepararam, abençoe a todos nós, abençoe os nossos corações, as nossas famílias, os nossos desejos, a nossa vida e nos dê saúde e força. Uma bênção também a todos aqueles que estão nas outras cantinas espalhadas pela cidade de Roma, porque Roma está cheia disto, hoje. Uma saudação e um aplauso para eles a partir daqui.” 

(DA)

19 novembro, 2017

O medo bloqueia. É preciso a coragem de emprender caminhos novos

MP3 » 

(RV) Depois da Missa presidida por Francisco no altar papal, Missa em que participaram muitos pobres, o Papa apareceu ao meio dia à janela do Palácio Apostólico para a oração do Angelus. Deteve-se primeiramente sobre o Evangelho deste domingo, explicando-o com palavras simples aos fieis reunidos na Praça de São Pedro. Disse que a atitude do servo que enterrou o talento recebido, agiu com medo, mas o medo bloqueia e não leva a nada de construtivo, pois que paralisa, autodestrói. E convidou a reflectir sobre a nossa ideia de Deus, recordando que não é um patrão severo e intolerante, mas um Pai cheio de bondade, misericordioso, amorável. Devemos, portanto ter confiança n’Ele. E’ sempre terno especialmente com os pequenos, como aliás, recordamos neste Dia Mundial do Pobre.

Por isso a parábola dos talentos encoraja-nos a empreender caminhos novos e não a enterrar os talentos, assim seremos uteis aos outros e no fim dos tempos seremos convidados por Deus a tomar parte na Sua alegria.

Seguiu-se a oração do Angelus, após a qual Francisco recordou que ontem em Detroit nos Estados Unidos foi proclamado Bem-aventurado Francesco Solano, sacerdote dos Frades Menores Capuchinhos. Humilde e fiel discípulo de Cristo, se distinguiu por um incansável serviço aos pobres. O seu testemunho ajude os sacerdotes, religiosos e leigos a viver com alegria a ligação entre anuncio do Evangelho e o amor aos pobres.

É isto que quisemos recordar na hodierna Jornada Mundial dos Pobres, que em Roma e nas dioceses do mundo se exprime através de tantas iniciativas de oração e de partilha. Desejo  - afirmou o Papa - que os pobres estejam no centro das nossas comunidades não só em momentos como este, mas sempre; porque eles são o coração do Evangelho, neles encontramos Jesus que nos fala e nos interpela através dos seus sofrimentos e necessidades.

O Papa recordou, de modo particular, as populações que vivem uma dolorosa pobreza devido a guerras e conflitos. E renovou à comunidade internacional um premente apelo a fazer todo o possível para favorecer a paz, de modo particular no Médio Oriente. E dirigiu um pensamento particular ao “caro povo do Líbano” afirmando que reza pela estabilidade no País, a fim de que possa continuar a ser uma “mensagem” de respeito e convivência para toda a região e para o mundo inteiro.

Francisco disse também que “reza pelos homens da tripulação do submarino militar argentino do qual não se têm notícias”.

E não passou desapercebido ao Papa, o Dia Mundial de Recordação das Vítimas de Acidentes rodoviários, que ocorre por iniciativa da ONU. Francisco encorajou as instituições públicas nas acções de prevenção e exortou os condutores à prudência e ao respeito das normas, como primeira forma de tutela de si mesmos e dos outros.

Por fim, saudou diversos grupos, famílias, paróquias e associações italianas e de estrangeiros, como os peregrinos da Republica Dominicana; os participantes eslovacos numa corrida de solidariedade em Roma, a comunidade do Equador residente em Roma e que está a festejar neste domingo Nossa Senhor do Quinche. De todos o Papa se despediu desejando bom domingo, bom almoço e pedindo que rezemos por ele.

(DA)

Papa - "Todos somos mendigos do essencial, o amor de Deus"


(RV) Francisco recordou na sua homilia que “todos somos mendigos do essencial, do amor de Deus que nos dá o sentido da vida e uma vida sem fim. Por isso, também hoje, estendemos a mão para Ele a fim de receber os seus dons”.


Reatando estas palavras ao Evangelho deste domingo em que São Mateus fala da parábola dos talentos, Francisco disse que aos olhos de Deus todos somos “talentosos”, ninguém, pode considerar-se inútil ou tão pobre que nada possa dar aos outros. “E Deus a cujos olhos nenhum filho pode ser descartado, confia uma missão a cada um”. E  como um Pai amoroso e exigente, Ele “responsabiliza-nos” e convida-nos através da parábola dos talentos a não nos comportarmos como o servo mau que recebeu o talento, enterrou-o e entregou-o depois tal e qual o recebera. O Papa chamou a esta atitude “omissão” e disse que não devemos ser como esse servo que no fundo não fez nada de mal. Porém, “não fazer nada de mal, não basta. Porque Deus não é um controlador à procura de bilhetes não timbrados. É um Pai à procura de filhos, a quem confiar os seus bens e seus projectos. E é triste, quando o Pai do amor não recebe uma generosa resposta de amor dos filhos, que se limitam a respeitar as regras, a cumprir os mandamentos, como empregados na casa do Pai”.

É verdadeiramente fiel a Deus aquele que não aceita deixar tudo como está e, por amor, arisca a vida pelos outros, não permanece indiferente, atitude que o Papa elucidou com estas palavras:

É dizer “não me diz respeito, não é problema meu, é culpa da sociedade” É passar ao largo quando o irmão está em necessidade, é mudar logo de canal quando um problema sério nos indispõe, é também indignar-se com o mal, mas sem fazer nada. Deus, porém, não nos perguntará se sentimos justa indignação, mas se fizemos o bem.”

Agradar a Deus significa conhecê-lo através da sua Palavra, e o Evangelho deste domingo recorda-nos que o Senhor diz que quando fazemos o bem aos pequeninos é a Ele que o fazemos.

Estes irmãos mais pequeninos, seus predilectos, são o faminto e o doente, o forasteiro e o recluso, o pobre e o abandonado, o doente sem ajuda e o necessitado descartado. Nos seus rostos, podemos imaginar impresso o rosto d’Ele”.

Através do pobre Jesus bate à porta do nosso coração e pede-nos amor. Quando respondemos positivamente somos amigos fieis do Senhor. Deus tem em grande apreço a “mulher forte” que “estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente” – disse Francisco indicando nesta atitude a verdadeira fortaleza:

Esta é a verdadeira fortaleza: não punhos cerrados e braços cruzados, mas mãos operosas e estendidas aos pobres, à carne ferida do Senhor”.

Francisco continuou afirmando que nos pobres manifesta-se a presença de Jesus entre nós, Ele que se fez pobre, por isso na fragilidade dos pobres há uma “força salvífica”. São eles que nos abrem o caminho para o Céu e nós temos o “dever evangélico” de cuidar deles e de o fazer não só dando o pão, mas repartindo com o eles o Pão da Palavra (…). “Amar o pobre significa lutar contra todas as pobres, espirituais e materiais”. O amor ao próximo é o que conta verdadeiramente. E temos diante de nós uma escolha – disse a concluir o Papa: “viver para ter tudo na terra ou dar para ganhar o Céu. Para o Céu, não vale o que se tem na terra, mas o que se dá e “quem amontoa para si não é rico em relação a Deus” . Então, sublinhou ainda o Papa: “não busquemos o supérfluo para nós, mas o bem para os outros , e nada de precioso nos faltará”. E rematou:

O Senhor, que tem compaixão das nossas pobrezas e nos reveste dos seus talentos, nos conceda a sabedoria de procurar o que conta e a coragem de amar, não com palavras, mas com obras”

(DA)

17 novembro, 2017

Papa: doente nunca deve ser abandonado, não à eutanásia




(RV) Com a consciência dos sucessos alcançados pela medicina no campo terapêutico e do quanto “as intervenções no corpo humano se tornam sempre mais eficazes, mas nem sempre resolutivas”, o Papa Francisco destaca a necessidade de “um suplemento de sabedoria, porque hoje é mais insidiosa a tentação de insistir com tratamentos que produzem efeitos poderosos sobre o corpo, mas sem visar o bem integral da pessoa”.

Na carta endereçada a Dom Vincenzo Paglia e aos participantes do Encontro Regional Europeu da World Medical Association, e citando a Declaração sobre a eutanásia de 5 de maio de 1980, o Santo Padre recorda o quanto seja “moralmente lícito renunciar à aplicação de meios terapêuticos, ou suspendê-los, quando o seu emprego não corresponde àquele critério ético e humanista que será mais tarde após definido “proporcionalidade dos tratamentos”.

Uma escolha – prossegue o Papa – que assume responsavelmente o limite da condição humana mortal, no momento em que reconhece não mais poder contrastá-lo”, “sem abrir justificativas à supressão do viver”.

Uma acção, portanto, “que tem um significado ético completamente diferente da eutanásia, que permanece sempre ilícita, enquanto se propõe interromper a vida, buscando a morte”.

Para um atento discernimento – explica de fato Francisco – três são os aspectos a serem considerados:

“O objecto moral, as circunstâncias e as intenções dos sujeitos envolvidos. A dimensão pessoal e relacional da vida – e do próprio morrer, que é sempre um momento extremo do viver – deve ter, no cuidado e no acompanhamento do doente, um espaço adequado à dignidade de ser humano.

Neste percurso – sublinha Francisco – “a pessoa doente assume o papel principal. Diz isto com clareza o Catecismo da Igreja Católica: “As decisões devem ser tomadas pelo paciente, se tem para isto a competência e a capacidade”. É antes de tudo ele que tem título, obviamente em diálogo com os médicos, de avaliar os tratamentos que lhe são propostos e julgar a sua efectiva proporcionalidade na situação concreta, tornando desejável renunciar a eles se tal proporcionalidade fosse reconhecida como ausente”.

O Papa não esconde a dificuldade da avaliação, sobretudo se consideradas as múltiplas mediações” às quais é chamado o médico: “exigidas pelo contexto tecnológico e organizativo”.

Outra preocupação do Pontífice é a desigualdade terapêutica “presente também dentro dos países mais ricos, onde o acesso aos tratamentos corre o risco de depender mais da disponibilidade económica das pessoas do que das efectivas exigências de tratamentos”.

Disto, a necessidade de ter “em absoluta evidência o mandamento supremo da proximidade responsável” com “o imperativo categórico” “de nunca abandonar o doente”, porque – explica ainda Francisco – a relação “é o lugar em que nos é pedido amor e proximidade, mais do que qualquer outra coisa, reconhecendo o limite que nos une a todos e justamente nisto tornando-nos solidários. Cada um dê amor na forma que lhe é própria (…), mas que o dê!”.

Neste contexto de amor, com a consciência de que não se pode sempre garantir a cura e não se deve voltar inutilmente contra a morte, “se movimenta a medicina paliativa” que “assume uma grande importância também no plano cultural, empenhando-se em combater tudo aquilo que torna o morrer mais angustiante e sofrido, ou seja, a dor e a solidão”.

O Santo Padre não deixa de dirigir a atenção aos mais vulneráveis “que não podem fazer valer sozinhos os próprios interesses” e, sem esquecer “a diversidade das visões de mundo, das convicções éticas e das pertenças religiosas, em um clima de recíproca escuta e acolhida”, sublinhando que “o Estado não pode renunciar a tutelar todos os sujeitos envolvidos, defendendo a fundamental igualdade pela qual cada um é reconhecido pelo direito, como ser humano que vive com os outros em sociedade”.

Eis porque – conclui Francisco – “também a legislação no campo médico e sanitário exige” um “olhar abrangente” para que se promova “o bem comum nas situações concretas” e “em vista do bem de todos”. (BS/JE/EC)

Igreja lembra ao Estado princípio da subsidiariedade

Bispos portugueses não entendem que se abram escolas e creches públicas ao lado de outras que já existem e que reconhecidamente funcionam bem. O alerta foi feito no final da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, que definiu como prioridade a preparação para o matrimónio.

 Os bispos portugueses estão preocupados com a situação de algumas escolas católicas e acusam o Estado de não respeitar quem já está há vários anos no terreno. O comunicado final da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), refere que “dadas as graves dificuldades que afectam muitas instituições sociais e educativas, de reconhecido mérito, os bispos lembram o princípio da subsidiariedade, que levará o Estado a respeitá-las e apoiá-las, não criando concorrências desnecessárias e atendendo aos direitos dos seus profissionais e das famílias”.
Na conferência de imprensa que encerrou o encontro, D. Manuel Clemente, cardeal patriarca de Lisboa e presidente da CEP, afirmou que não é aceitável que se insista em abrir estabelecimentos ao lado dos que já lá estão, e com provas dadas. “Se essas instituições são capazes, estão no local, têm empregados, desempenham funções bem e reconhecidamente, então é necessário estarmos a criar agora por via oficial uma outra instituição ao lado que vá pôr em perigo uma que funciona bem. Aí é que vem o principio da subsidiariedade”.
À pergunta se houve algum desrespeito recente que levasse os bispos a lembrar este princípio neste momento, D. Manuel respondeu que “não há um, há vários”, sublinhando que não entende porque razão o Estado não opta por apoiar esses estabelcimenos que já funcionam alguns “há décadas”, em vez de abrir novos.

Família e casamento preocupam bispos e jovens
A Igreja portuguesa vai apostar na preparação para o matrimónio. A prioridade foi definida nesta Assembleia Plenária dos bispos. Na conferência de imprensa que encerrou os trabalhos, D. Manuel Clemente esclareceu que a CEP vai seguir as indicações do Papa nesta matéria, à luz da exortação apostólica "Amoris Laetitia".
O presidente da CEP propôe uma atitude fundamental de “acolhimento”, “acompanhamento” e “discernimento” dos divorciados recasados, assinalando que “em grandíssimo número de casos” o matrimónio foi nulo. Mas também lembrou que a possibilidade de readmissão destes católicos aos sacramentos, nomeadamente à comunhão, não será uma decisão “rápida, imediata e simples”, implica um itinerário "muito longo". “Trata-se de uma coisa séria”, sublinhou.
Vai ser agora promovida uma “ampla auscultação” junto das instâncias eclesiais de pastoral familiar, tendo em vista a elaboração de “um documento mais vasto, com fundamentação teológica e propostas de itinerários concretos, sobre a preparação para o matrimónio”.
O presidente da CEP considerou curioso que a família seja uma da preocupações dos jovens portugueses, conforme demonstram as respostas que deram no questionário preparatório do próximo Sínodo dos Bispos, e que também esteve em análise nesta reunião.
“Estou a sublinhar este ponto porque foi dos que me deu mais nas vistas, a mim e aos meus colegas. Nas respostas que nos chegaram dos jovens este interesse por tudo o que diz respeito à família e à vida familiar é muito forte, o que requer também da nossa parte uma atenção reforçada a esta vertente da preparação para o matrimónio. Este é um aspecto importante.”
A Assembleia Plenária aprovou um projecto de “Cantoral Nacional”, uma selecção de cânticos para a Liturgia, e também uma proposta de Cânticos para o Sacramento do Matrimónio.

Formação dos padres, celibato e “barrigas de aluguer”
O recente caso do padre do Funchal, que assumiu a paternidade de uma criança, “não foi debatido” na reunião, assegurou o cardeal patriarca, para quem o assunto está a ser tratado como deve, no âmbito da diocese. “Tem de se verificar com o sacerdote em causa qual é a situação, qual é a disposição, com certeza também com as responsabilidades que tem de assumir em relação à criança que nasceu”, assinalou, acrescentando que tal como as crianças nascidas fora do matrimónio, que não implica necessariamente acabar com o casamento, também aqui poderá não haver necessidade do padre em causa deixar o sacerdócio, desde que se mantenha “na fidelidade ao celibato, sem vida dupla”.
Em discussão no encontro dos bispos esteve o novo documento sobre a formação dos futuros padres, que entre outras coisas sublinha a importância da maturidade psíquica, sexual e afectiva dos candidatos ao sacerdócio.
D. Manuel Clemente recusou ligar a questão do celibato obrigatório à falta de vocações, lembrando que “nas igrejas não católicas onde não são celibatários também há falta de clero e de ministros”. E acrescentou que “na maneira como olhamos para o sacerdócio o padre é sinal vivo do que era a vida de Cristo, que escolheu não formar família para ser família de todos”. “Eu não ligaria necessariamente o problema do celibato a haver mais ou menos vocações, porque também reparo que em igrejas não católicas onde os respectivos pastores não são celibatários também pode acontecer, e acontece, falta de clero, falta de ministros, por isso não ligo directamente uma coisa à outra. Eu por mim não abandonaria não só o celibato, como não abrandaria a sua apologia.” Já relativamente aos candidatos que sejam assumidamente homossexuais, o presidente da CEP lembrou que a recomendação é desaconselhar, proibir que alguém com essa tendência ingresse no seminário. “É uma medida de prudência”.

“Tem havido sucessivos documentos da parte da congregação para o clero nesse sentido de desaconselhar vivamente, para não dizer proibir, que um jovem que manifeste essa orientação homossexual ingresse no seminário. Seria sempre muito melindroso. É melhor não avançar. Não é só é melhor, é completamente desaconselhável.” As chamadas “barrigas de aluguer” também não fizeram parte da ordem de trabalhos, mas na semana em que foi dada luz verde ao primeiro caso de gestação de substituição o assunto foi abordado pelos jornalistas, com D. Manuel Clemente a considerar que a opinião dos bispos e da Igreja é negativa, até porque há uma contradição grave na lei que permite estas situações. “É mais um daqueles casos em que não caminham a par as molduras legais com os avanços da ciência. Porque hoje nós temos conhecimento científico, como nunca tivemos, do que é a verdadeira relação da mãe com a criança em gestação, a relação intrauterina. E então agora, ao fim de 9 meses de gestação, a criança passa para outra mãe, quando já houve uma relação, e uma relação que cada vez é mais evidenciada como fundamental? Portanto há aqui uma contradição entre uma evidência científica cada vez maior, além de afectiva, e uma falta de enquadramento legal correspondente a essa evidencia cientifica. É mais um dos casos.”

Nesta Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Traquina, recém-nomeado bispo de Santarém, foi escolhido para presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, em substituição de D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto, que faleceu em Setembro. Filipe José Diniz, da Diocese de Coimbra, é o novo director do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil.


Renascença 

Papa: pensar na morte faz bem, será encontro com o Senhor




(RV) Reflectir sobre o fim do mundo e também sobre o fim de cada um de nós: é o convite que a Igreja nos faz através do trecho evangélico de Lucas, comentado pelo Papa na homilia da missa matutina, na Casa Santa Marta.

O trecho narra a vida normal dos homens e mulheres antes do dilúvio universal e nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, se casavam... mas depois, como um trovão, chega o dia da manifestação do Filho do homem... e as coisas mudam.

A Igreja, que é mãe – diz o Papa na homilia – quer que cada um de nós pense em sua própria morte. Todos nós estamos acostumados à normalidade da vida: horários, compromissos, trabalho, momentos de descanso... e pensamos que será sempre assim. Mas um dia, prossegue Francisco, Jesus chamará e nos dirá: ‘Vem!’ Para alguns, este chamado será repentino, para outros, virá depois de uma longa doença; não sabemos.

No entanto, repete o Papa, “O chamado virá!”. E será uma surpresa, mas depois, virá ainda outra surpresa do Senhor: a vida eterna. Por isso, “a Igreja nestes dias nos diz: pare um pouco, pare e pense na morte”. O Papa Francisco descreve o que acontece normalmente: até participar do velório ou ir ao cemitério se torna um evento social. Vai-se, fala-se com os outros e em alguns casos, até se come e se bebe: “É uma reunião a mais, para não pensar”.

“E hoje a Igreja, hoje o Senhor, com aquela bondade que é sua, diz a cada um de nós: ‘Pare, pare, nem todos os dias serão assim. Não se acostume como se esta fosse a eternidade. Haverá um dia em que você será levado e o outro ficará, você será levado’. É ir com o Senhor, pensar que a nossa vida terá fim. Isto faz bem”.

Isto faz bem – explica o Papa – diante do início de um novo dia de trabalho, por exemplo, podemos pensar: ‘Hoje talvez será o último dia, não sei, mas farei bem meu trabalho’. E o mesmo nas relações de família ou quando vamos ao médico.

“Pensar na morte não é uma fantasia ruim, é uma realidade. Se é feia ou não feia, depende de mim, como eu a penso, mas que ela chegará, chegará. E ali será o encontro com o Senhor, esta será a beleza da morte, será o encontro com o Senhor, será Ele a vir ao seu encontro, será Ele a dizer: “Vem, vem, abençoado do meu Pai, vem comigo”.

E ao chamado do Senhor não haverá mais tempo para resolver nossas coisas. Francisco relata o que um sacerdote lhe disse recentemente:

“Dias atrás encontrei um sacerdote, 65 anos mais ou menos, e ele tinha algo que não estava bem, ele não se sentia bem ... Ele foi ao médico que lhe disse: “Mas olhe - isso depois da visita – o senhor tem isso, e isso é algo ruim, mas talvez tenhamos tempo para detê-lo, nós faremos isso, se não parar, faremos isso e, se não parar, começaremos a caminhar e eu vou acompanhá-lo até o fim”. “Muito bom aquele médico”.

Assim também nós, exorta o Papa, vamos nos fazer acompanhar nesta estrada, façamos de tudo, mas sempre olhando para lá, para o dia em que “o Senhor virá me buscar para ir com Ele”. (BS-CM-SP)

16 novembro, 2017

Bible Challenge - nº4 - Pedro Gil, Opus Dei



Papa: é o Espírito que faz crescer o reino de Deus, não os planos pastorais




(RV) O reino de Deus não é um espectáculo nem um carnaval, “não ama a propaganda”: é o Espirito Santo que o faz crescer, não “os planos pastorais”. Foi o que disse o Papa na missa da manhã de quinta-feira (16/11) na capela da Casa Santa Marta, comentando o Evangelho do dia (Lc 17,20-25).

Francisco se deteve na pergunta que os fariseus fazem a Jesus: “quando virá o reino de Deus?”. Uma pergunta simples, que nasce de um coração bom e aparece tantas vezes no Evangelho. João Baptista, por exemplo, quando estava na prisão, angustiado, pede aos seus discípulos que perguntem a Jesus se é ele mesmo que deve vir ou se devem esperar outra pessoa. Outras vezes, a pergunta foi feita “sem rodeios”, “se és tu, desce da cruz”. “Há sempre a dúvida”, a “curiosidade” de quando virá o Reino de Deus, disse o Papa.

“O reino de Deus está no meio de vós”: é a resposta de Jesus. Assim como a semente que, semeada, cresce a partir de dentro, também o reino de Deus cresce “escondido” e no meio “de nós” – reiterou o Pontífice – ou se encontra escondido como “pedra preciosa ou o tesouro”, mas “sempre na humildade”.

“Mas quem faz crescer aquela semente, quem faz germinar? Deus, o Espírito Santo que está em nós. E o Espírito Santo é espírito de mansidão, espírito de humildade, é espírito de obediência, espírito de simplicidade. É ele que faz crescer dentro o reino de Deus, não são os planos pastorais, as grandes coisas... Não, é o Espírito, escondido. Faz crescer, chega o momento e aparece o fruto”.

No caso do Bom Ladrão, o Papa se pergunta quem fez semear a semente do reino de Deus no seu coração: talvez a mãe, faz uma hipótese – ou talvez um rabino quando lhe explicava a lei. Depois, talvez, se esquece, mas a um certo momento “escondido”, o Espírito a faz crescer.

Por isso, Francisco repete que o reino de Deus é sempre “uma surpresa”, porque é “um dom que o Senhor dá”. Jesus explica também que “o reino de Deus não vem para chamar a atenção e ninguém dirá: ‘Ei-lo aqui, ei-lo lá’”. “Não é um espectáculo ou pior ainda – mas às vezes se pensa assim – “um carnaval”, reitera o Papa.

“O reino de Deus não se mostra com a soberba, com o orgulho, não ama a propaganda: é humilde, escondido e assim cresce. Penso que quando as pessoas olhavam Nossa Senhora, ali, que seguia Jesus: ‘Aquela é a mãe, ah…’. A mulher mais santa, mas escondida, ninguém conhecia o mistério do reino de Deus, a santidade do reino de Deus. E quando estava perto da cruz do filho, as pessoas diziam: ‘Mas pobre mulher com este criminoso como filho, pobre mulher …’. Nada, ninguém sabia”.

O reino de Deus, portanto, cresce sempre escondido, porque “o Espírito Santo está dentro de nós” – recordou o Papa – que “o faz germinar até dar o fruto”.

“Nós todos somos chamados a fazer esta estrada do reino de Deus: é uma vocação, é uma graça, é um dom, é gratuito, não se compra, é uma graça que Deus nos dá. E nós todos baptizados temos dentro o Espírito Santo. Como é a minha relação com o Espírito Santo, que faz crescer em mim o reino de Deus? Uma bela pergunta para todos nós fazermos hoje: eu acredito, acredito realmente que o reino de Deus está no meio de nós, está escondido ou gosto mais do espectáculo?”.

Francisco conclui exortando a pedir ao Espírito Santo a graça de fazer germinar “em nós e na Igreja, com força, a semente do reino de Deus para que se torne grande, dê refúgio a tantas pessoas e dê frutos de santidade”.