19 setembro, 2018

Os pais deram-nos a vida, jamais insultá-los, pediu Francisco

 
Papa na Audiência Geral  (Vatican Media)
 
"Nunca, nunca, nunca insultar os outros, os pais. Nunca insultar o pai, a mãe. Nunca. Tomem esta decisão interior. A partir de hoje nunca insultarei o pai ou a mãe de quem quer que seja. Eles deram-nos a vida. Nunca insultá-los”, foi o pedido do Papa Francisco na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira.
 
Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

Nunca insultar os pais! “Poderemos começar a honrar os nossos pais com a liberdade de filhos adultos e com misericordioso acolhimento dos seus limites”, “quando descobrirmos que o verdadeiro enigma não é mais “por que?”, mas “por quem?”” aconteceu isto ou aquilo que forjou a minha vida.

“Honrar pai e mãe”. O quarto mandamento foi o tema da catequese do Papa na Audiência Geral desta quarta-feira, 19, ao dar continuidade à sua série de reflexões sobre o Decálogo. Francisco pediu para nunca insultarmos os pais.

O sentido de "honrar"

Francisco começou a explicar aos 13 mil presentes na Praça São Pedro, numa quarta-feira com tempo instável na Cidade Eterna, o sentido desta “honra”, que em hebraico indica a glória, o valor, a consistência de uma realidade. Portanto, “honrar” significa reconhecer este valor.

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Se “honrar Deus nas Escrituras quer dizer, reconhecer a sua realidade, considerar a sua presença”, dando-Lle “o seu justo lugar na existência”, honrar pai e mãe quer dizer então “reconhecer a sua importância também com actos concretos, que exprimem dedicação, afeto, cuidado”, mas não só.

“Honra o teu pai e a tua mãe, como te ordenou o Senhor, para que se prolonguem os teus dias e prosperes na terra que te deu o Senhor teu Deus”. O quarto mandamento – explica o Papa - “contém um êxito”, ou seja, “honrar os pais leva a uma vida longa e feliz”. 

Feridas da infância

De facto, “a palavra “felicidade” no Decálogo aparece somente ligada à relação com os pais”. E essa sabedoria milenar declara o que as ciências humanas conseguiram elaborar somente há pouco mais de um século, isto é,  que as marcas da infância marcam toda a vida:

“Muitas vezes pode ser fácil entender se alguém cresceu num ambiente saudável e equilibrado. Mas da mesma forma perceber se uma pessoa vem de experiências de abandono ou de violência. A nossa infância é um pouco como uma tinta indelével, expressa-se nos gostos, nos modos de ser, mesmo que alguns tentem esconder as feridas de próprias origens”. 

Reconhecimento por quem nos colocou no mundo

Francisco chama a atenção, de que o quarto mandamento não fala da bondade dos pais, nem lhes pede que sejam perfeitos, mas, “fala de um ato dos filhos, independente dos méritos dos genitores, e diz uma coisa extraordinária e libertadora”:

“Mesmo que nem todos os pais sejam bons e nem todas as infâncias sejam serenas, todos os filhos podem ser felizes, porque a realização de uma vida plena e feliz depende do justo reconhecimento para com aqueles que nos colocaram no mundo”.
“ A realização de uma vida plena e feliz depende do justo reconhecimento para com aqueles que nos colocaram no mundo ”
Exemplo do Santos
 
O Papa ressalta o quanto este quarto mandamento “pode ser construtivo para tantos jovens que vêm de histórias de dor e para todos aqueles que sofreram na sua juventude. Muitos santos - e muitos cristãos - depois de uma infância dolorosa viveram uma vida luminosa, porque, graças a Jesus Cristo, se reconciliaram com a vida:
 
"Pensemos ao hoje Beato, mas no próximo mês Santo Sulprizio, aquele jovem napolitano que há 19 anos acabou a sua vida reconciliado com tantas dores, com tantas coisas, porque o seu coração era sereno e jamais tinha renegado os seus pais. Pensemos em São Camilo de Lellis, que de uma infância desordenada construiu uma vida de amor e serviço; mas pensemos em Santa Josefina Bakhita, crescida numa escravidão horrível; ou no abençoado Carlo Gnocchi, órfão e pobre; e no próprio São João Paulo II, marcado pela perda da mãe em tenra idade”.

O homem, qualquer que seja a sua história, “recebe deste mandamento a orientação que conduz a Cristo”, em quem se manifesta de facto “o Pai verdadeiro, que nos oferece renascer do alto”.

“Os enigmas das nossas vidas iluminam-se quando se descobre que Deus desde sempre nos preparou a vida como seus filhos, onde cada ato é uma missão dele recebida.” 

Feridas como potencialidades
 
As nossas feridas – observou o Santo Padre – iniciam a ser “potencialidades” quando, por graça, descobrimos que o verdadeiro enigma não é mais “por que?”, mas “por quem?”” me aconteceu isto, explicando:
 
Em vista de qual obra Deus me forjou através da minha história? Aqui tudo se inverte, tudo se torna precioso, tudo se torna construtivo. Então podemos começar a honrar os nossos pais com a liberdade de filhos adultos e com misericordioso acolhimento doa seus limites”.
“ Em vista de qual obra Deus me forjou através da minha história? ”
Jamais insultar pai e mãe
 
“Honrar os pais – exortou o Papa.  Nos deram a vida”. E fez um pedido:
 
“Se te afastaste dos teus pais, mah, faz um esforço e volta, volta para eles. Talvez sejam idosos. Deram a vida a ti. E depois, entre nós existe este costume de dizer coisas feias, mesmo palavrões. Por favor. Nunca, nunca, nunca insultar os outros, os pais dos outros. Nunca! Nunca se insulta a mãe, nunca insultar o pai. Nunca! Nunca! Tomem esta decisão interior. A partir de hoje nunca insultarei a mãe ou o pai de quem quer que seja. Deram-nos a vida. Nunca devem ser insultados”.

Mas essa vida maravilhosa, disse o Papa Francisco ao concluir, nos é oferta, não imposta. Renascer em Cristo é uma graça a ser acolhido livremente e é o tesouro de nosso Batismo, no qual, por obra do Espírito Santo, um só é o Pai nosso, aquele do céu”.

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 VATICAN NEWS

18 setembro, 2018

Seguir Jesus quando a Igreja floresce e quando está em crise, diz o Papa aos jovens franceses

 
 
Na manhã de segunda-feira o Papa Francisco teve uma conversa franca e aberta com um grupo de jovens franceses da Diocese de Grenoble-Vienne, quando falou de diversos temas, em respostas às perguntas a ele dirigidas: Igreja, vocações, pobreza, sexualidade.
 
Cidade do Vaticano

Os males que afligem a Igreja, proximidade com os pobres, vocações, sexualidade, compromisso dos cristãos na sociedade. A audiência de ontem do Papa Francisco aos jovens da Diocese de Grenoble-Vienne -cujo conteúdo foi divulgado nesta terça-feira pela Sala de Imprensa - transforma-se num diálogo franco e aberto, mas acima de tudo paterno. O Papa respondeu a  perguntas desde adolescente de 14 anos até jovens de 27. Selecionamos algumas perguntas:

Matthieu: Santo Padre, o meu nome é Mathieu, tenho 16 anos e os meus amigos, no ensino médio, azem-me perguntas sobre eventos atuais em que a Igreja é duramente criticada, como a homossexualidade ou a pedofilia. Eu respondo-lhes o que os animadores me ensinaram, mas no fundo eu não acredito realmente nisso ...

Rémy: Santo Padre, o meu nome é Rémy, tenho 14 anos e esta é a minha pergunta: como atualizar, hoje, a mensagem da Igreja para que eu possa compreendê-la e retransmiti-la para jovens que não necessariamente acreditam?

Papa Francisco

Não é fácil para mim responder em francês a esta sua pergunta: Eu direi uma palavra, uma palavra que é o segredo para transmitir a mensagem da Igreja: proximidade, proximidade. O que significa isso? Significa, antes de mais nada, fazer o que Deus fez com o seu povo. No livro de Deuteronómio, Deus diz assim ao povo: "Qual o povo que tem os seus deuses tão próximo deles, como vós?” Deus fez-se próximo de seu povo. Mas isso não terminou aqui. Ele queria estar tão próximo que ele se fez um de nós, homem. Essa proximidade cristã é o primeiro passo: na verdade, é "o ambiente", o clima no qual a mensagem cristã deve ser transmitida. A mensagem cristã é uma mensagem de proximidade.

Então, sobre effatà: antes de falar, ouvir. O apostolado da "orelha": ouvir, ouvir. "E depois, padre, fala?" Não, pare. Antes de falar, fazer. Certa vez, um jovem universitário fe-me essa pergunta: "Eu tenho muitos amigos na universidade que são agnósticos, o que devo dizer-lhes para que se tornem cristãos?". Eu disse: a última coisa que tem que fazer é dizer coisas. A última. Primeiro  tens que fazer, e eles verão como lidas com a vida. Eles irão perguntar-te: "Por que estáa a  fazer isso?" E então ali podes falar. O testemunho antes da palavra. Este é o contesto da mensagem cristã. Ecouter, faire, e depois dizer, falar.

Além disso, a mensagem cristã não pode ser transmitida "em poltrona": ela está sempre em caminho. Sempre. Se não te colocares em caminho, não serás capaz de transmiti-la. Jesus esteve três anos em caminho. Parecia que ele vivia na estrada. No caminho, sempre, a fazer alguma coisa. No caminho. Ouvir, testemunhar, responder às perguntas, mas em caminho. Um jovem que não se coloca em caminho é um jovem aposentado aos vinte anos de idade. É mau aposentar-se aos vinte anos! Eu não sei ... respondi à sua pergunta ou não? Sim? consegues repetir? Em frente ...

Gabriel: Bom dia Santo Padre. Eu sou Gabriel, tenho 21 anos. Com os jovens do departamento de Isère, somos animados pelo desejo de nos colocar ao serviço dos pobres que nos cercam. Pessoalmente, acho difícil viver a solidariedade na Igreja: preciso de estar acompanhado e orientado a viver a caridade de maneira concreta.

Clara-Marie: Santo Padre, o meu nome é Clara-Marie e tenho 16 anos. A minha pergunta: o que se pode esperar de nós, jovens cristãos, para viver concretamente essa caridade?

Papa Francisco

Os dois têm o mesmo tema. Os pobres estão no centro do Evangelho. Quando eu era seminarista e jovem padre na América Latina, era o tempo de 68; vocês também conheceram. O que era mais importava era a guerrilha, o trabalho político ... E se um padre fazia um trabalho com os pobres, esse era "comunista". Porque a situação política era assim ... Parecia que o único grupo que se aproximava dos pobres e lutava por justiça eram os comunistas. É ao contrário: o Evangelho, o Evangelho coloca os pobres no centro. Antes ainda, coloca a pobreza no centro. Se não tens uma pobreza de espírito, não serás um bem-aventurado, um bom cristão. É a primeira das bem-aventuranças: os pobres, os pobres de espírito. Depois, aproximares-te dos pobres, mas não de cima para baixo. É lícito olhar para uma pessoa de cima para baixo apenas quando te inclinas para levantá-la. Noutras situações, não é permitido olhar para uma pessoa de cima para baixo. Ir aos pobres no mesmo nível, servir os pobres porque eles são a imagem de Cristo. E quando digo pobre, digo pobres de tudo: também os pobres de saúde, os doentes; os pobres de dinheiro; os pobres de cultura; os pobres que caíram nos vícios, na dependência. Quantos dos seus companheiros estão nas drogas, por exemplo: são pobres, pobres do Evangelho. "Mas não, o que está na droga tem muito dinheiro e uma família rica, aquele não é um homem pobre". Não, ele é um homem pobre, é um pobre. Aproxima-te do pobre para servi-lo. Aproxima-te do pobre para levantá-lo. Mas levantá-lo junto, ajoelhando-te e pegando-o. Quando tocas na doença de um homem pobre, estás a tocar nas feridas de Cristo. Isto é um pouco "o sentido dos pobres na Igreja". Ça va bien?

Thérèse: Bom dia, Santo Padre, o meu nome é Thérèse, tenho 24 anos. Várias vezes, na minha vida pessoal, confidenciei com pessoas maiores sobre problemas de amor e sexualidade. Cada vez mais, me encontrava diante de uma falta de atenção e compreensão; tive a sensação de não ser ouvida. Acho que isso acontece porque somos a primeira geração que fala e que, especificamente, fala sobre esses temas.

Manon:O meu nome é Manon e tenho 16 anos. Repentinamente, esses tópicos tornam-se complicados; se se ouve tudo de alguém, se xd vê tantas coisas, há tantas opiniões diferentes ... Em geral, sentimo-nos perdidos. Como se posicionarnos, numa  sociedade em que o corpo está dessacralizado?

Papa Francisco

A sexualidade, o sexo, é um dom de Deus. Nada de tabus. É um dom de Deus, um dom que o Senhor nos dá. Tem dois propósitos: amar e gerar vida. É uma paixão, é o amor apaixonado. O verdadeiro amor é apaixonado. O amor entre um homem e uma mulher, quando é apaixonado, leva-te a dar vida para sempre. Sempre. E a dá-la com o corpo e a alma. Quando Deus criou o homem e a mulher, a Bíblia diz que os dois são a imagem e semelhança de Deus. Ambos, não somente Adão ou somente Eva, mas ambos. E Jesus vai mais longe e diz: por isto o homem, e também a mulher, deixará o seu pai e sua mãe e se unirão e serão ... uma só pessoa? ... uma só identidade? ... uma só fé do matrimónio? ... Uma só carne: esta é a grandeza da sexualidade. E se deve falar sobre a sexualidade assim. E se deve viver a sexualidade assim, nesta dimensão: do amor entre homem e mulher por toda a vida. É verdade que as nossas fraquezas, as nossas quedas espirituais levam-nos a usar a sexualidade fora desse caminho tão bonito, do amor entre o homem e a mulher. Mas caíram, como todos os pecados. A mentira, a ira, a gula ... São pecados: pecados capitais. Mas esta não é a sexualidade do amor: é a sexualidade "coisificada", separada do amor e usada para se divertir. É interessante como a sexualidade é o ponto mais bonito da criação, no sentido de que o homem e a mulher são criados à imagem e semelhança de Deus, e a sexualidade é a mais atacada pela mundanidade, pelo espírito do mal. Diga-me:viste, por exemplo - eu não sei se há em Grenoble - mas viste uma indústria da mentira, por exemplo? Não. Mas uma indústria da sexualidade separada do amor,  viste? Sim! Tanto dinheiro é ganho com a indústria da pornografia, por exemplo. É uma degeneração comparada ao nível em que Deus a colocou. E com este comércio ganha-se muito dinheiro. Mas a sexualidade é grande: protejam a vissa dimensão sexual, sa vossa identidade sexual. Protejam-na bem. E preparem-na para o amor, para inseri-la nesse amor que irá acompanhá-los por toda a vida. Eu vou contar-vos uma coisa, e depois vou contar uma outra. Na Praça [São Pedro] uma vez - saúdei as pessoas na Praça - havia duas pessoas grandes, idosas, que celebravam o sexagésimo aniversário de casamento. Estavam radiantes! E eu perguntei: "Brigaram muito?" - "Bem, às vezes ..." - "E vale a pena isto, o matrimónio?" - E estes dois, que me olhavam, olharam um para o outro e, de seguida, voltaram o olhar novamente para mim, e tinham os olhos molhados, e disseram-me: "Estamos apaixonados". Depois de 60 anos! E depois eu queria dizer-vos isto a vós: uma vez um idoso - muito idoso, com a esposa velha - disse-me: "Nós nos amamos tanto, tanto, e às vezes nos abraçamos. Nós não podemos fazer amor na nossa idade, mas nós nos abraçamos, nos beijamos ... Esta é a verdadeira sexualidade. Nunca separá-la do lugar tão lindo do amor. É preciso falar assim da sexualidade. Ça va?

Emilie: Eu tenho outra pergunta, Santo Padre: nos seus inícios, a Igreja era omnipresente na sociedade, era um modelo a seguir. Hoje, a sociedade evoluiu e a França é um país secular em que o número de cristãos diminuiu fortemente. A igreja ainda tem o seu lugar? E para que serve? É por isso que lhe pergunto, Santo Padre: por que envolver-se numa instituição que às vezes me parece sem sentido e sem colocação?

Papa Francisco

A sua pergunta é muito realista, muito realista. Isso me faz pensar num fã de futebol que é contratado por uma equipa e a equipa começa a cair, cair, cair e questiona-se: como fico eu nesta equipa? Talvez ele diga: não, não, mudo de equipa. Se ele não tem uma grande paixão por essa equipa, mas tem uma paixão pelo futebol, escolhe outra equipa que jogue melhor. Muda de equipa, muda de instituição. Mas pertencer à Igreja, antes de tudo, não é pertença a uma instituição, é pertença à pessoa, a Jesus. No Domingo de Ramos, Jesus estava em triunfo; quando ele fez a multiplicação dos pães queriam fazê-lo rei - uma bela instituição aquela! - mas na Sexta-feira Santa estava crucificado. Trata-se de seguir Jesus, não seguir as consequências de Jesus. Nem as consequências sociais: se a Igreja é grande ou pequena ... não, mas Jesus. Segui-lo nos momentos tranquilos, quando a Igreja floresce; e segui-lo no momento em que a Igreja está em crise. Tome a história da Igreja: com a Igreja foi assim. A Igreja não foi levada adiante pelas grandes organizações, grandes partidos políticos, grandes instituições ... Não. A Igreja foi levada em frente pelos santos. E no dia de hoje serão os santos a levá-la em frente, não nós, nem mesmo o Papa. Não, os santos. Eles abrem caminho diante de nós. E porquê os santos? Porque eles seguem Jesus, a fé não é uma ideia: é um encontro com Jesus. Eu faço votos para que este encontro acompanhe-vos por toda a vida.

Pauline: Bom dia, Santo Padre, o meu nome é Pauline e tenho 27 anos. Ouvindo os testemunhos, como acompanhar a vocação de cada um neste contexto?

Papa Francisco

A vocação é um dom de Deus e devemos custodiá-la. Referiste-te às vocações sacerdotais, à vida religiosa ou a todas as vocações?

[Resposta da jovem: às vocações religiosas e sacerdotais]

O Senhor chama. E a pessoa chamada diz: "Eu quero ser freira, quero ser padre, quero ser religiosa ...". E começa um caminho, para ser acompanhado com normalidade. Normalidade. Eu tenho medo dos seminaristas que fazem isso [que assumem uma "pose"], eu tenho medo, porque eles não são normais. Queres ser padre? Deves ser um homem verdadeiro que segue em frente. Queres ser freira? Deves ser uma mulher madura que segue em frente. Nunca renegar a humanidade. Que sejam normais, porque o mal que faz um padre neurótico é terrível! E o mal que pode fazer uma freira neurótica é terrível! Acompanhá-los na normalidade: primeiro. Segundo: acompanhá-los na fé. Que cresçam na fé, no compreender a beleza de Deus, no compreender o caminho de Jesus, e que tua vida mude na relação com a oração. Terceiro: acompanhá-los na pertença comunitária. Um padre isolado da comunidade não está certo: ele é um "solteirão". Solteirão é quem não se casa e fica velho. O que não se casa e toda a vida permanece sozinho. Célibataire, mas eu disse uma palavra mais forte. Não, o sacerdote não deve ser um "solteirão" isolado, ele deve ser um padre. A paternidade: educá-los na paternidade. E também na fraternidade. O mesmo acontece com a freira: a freira deve aprender a ser mãe de tantas pessoas e a comunidade também. Mas a freira tem uma vantagem em relação ao sacerdote, uma grande vantagem - é por isso que acredito que as freiras são mais importantes do que os sacerdotes - neste sentido: elas são o ícone de Maria e da Igreja. É belo! O ícone de Maria. Uma freira é o ícone de Nossa Senhora e da Igreja. Educá-la assim e numa comunidade. Ajudá-los a crescer e acompanhá-los”.

VATICAN NEWS

Novo documento do Papa: Sínodo dos bispos ao serviço do Povo de Deus

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 Publicada a Constituição apostólica Episcopalis communio

Consultar o Povo de Deus e ter uma Igreja sinodal: estas são as características da Constituição apostólica Episcopalis communio publicada nesta terça-feira. 

Giada Aquilino – Cidade do Vaticano 

Faltando poucos dias para o início do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens, foi publicada esta terça-feira (18/09) a Constituição Apostólica do Papa Francisco Episcopalis communio sobre a estrutura do organismo instituído por Paulo VI em 1965. 

Pelo bem de toda a Igreja

Francisco define a instituição do Sínodo como uma das “heranças mais preciosas do Concílio Vaticano II”, e destaca a “eficaz colaboração” do organismo com o Romano Pontífice nas questões de maior importância, isto é, que “requerem uma especial ciência e prudência pelo bem de toda a Igreja”. Neste momento histórico em que a Igreja abarca uma nova “etapa evangelizadora”, através de um estado permanente de missão, o Sínodo dos bispos é chamado a tornar-se sempre mais um canal adequado para a evangelização do mundo de hoje. 

A Secretaria Geral

Paulo VI tinha previsto que, com o passar do tempo, esta instituição poderia ser aperfeiçoada; a última edição do Ordo Synodi é de 2006, promulgada por Bento XVI. Diante da eficácia da ação sinodal, nesses anos cresceu o desejo de que o Sínodo se torne sempre mais “uma peculiar manifestação e uma eficaz atuação da solicitude do episcopado para com todas as Igrejas”. 

A escuta

O bispo, reitera o Papa, é contemporaneamente “mestre e discípulo”, num compromisso que é ao mesmo tempo missão e escuta da voz de Cristo que fala através do Povo de Deus. Também o Sínodo então “tem que se tornar sempre mais um instrumento privilegiado de escuta do Povo de Deus”, através da consulta dos fiéis nas Igrejas particulares, porque mesmo que seja um organismo essencialmente episcopal, não vive “separado do restante dos fiéis”.

Portanto, é “um instrumento apto a dar voz a todo o Povo de Deus justamente por meio dos bispos”, “custódios, intérpretes e testemunhas da fé”, mostrando-se, de Assembleia em Assembleia, numa expressão eloquente da “sinodalidade” da própria Igreja, em que se espelha uma comunhão de culturas diferentes. Também graças ao Sínodo dos bispos, ficará mais evidente que nela vigue uma “profunda comunhão”, entre os pastores e fiéis, e entre os bispos e o Pontífice. 

A unidade do todos os cristãos

A esperança do Papa Francisco é que a atividade do Sínodo possa “a seu modo contribuir para o restabelecimento da unidade entre todos os cristãos, “segundo a vontade do Senhor”. Deste modo, o organismo ajudará a Igreja Católica, segundo o auspício de São João Paulo II expresso na encíclica Ut unum sint, a “encontrar uma forma de exercício de primado que, não renunciando de modo algum à essência da sua missão, se abra a uma nova situação”.

Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco

 VATICAN NEWS

Papa: o pastor é humilde, próximo às pessoas, compadece-se e reza quando é acusado

 
 Papa celebra na Capela da Casa Santa Marta  (� Vatican Media)
 
O Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta, recorda que Jesus, ícone do Bom Pastor, tinha autoridade pela sua humildade e compaixão, que se exprimia na ternura e mansidão. "Também nós pastores" devemos ser próximos das pessoas, não aos poderosos ou ideológicos "que nos envenenam a alma" 
 
Alessandro Di Bussolo – Cidade do Vaticano

O que dava autoridade a Jesus como pastor era a sua humildade, a proximidade com das pessoas, a compaixão, que se expressava na brandura e na ternura. E quando as coisas iam mal, como no Calvário, “ficava calado e rezava”.

Na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira, o Papa Francisco repropõe Jesus como ícone e modelo de pastor, que tem uma autoridade pela graça do Espírito Santo e pela proximidade das pessoas, “não aos grupinhos dos poderosos, dos ideológicos”. 

A ressurreição do único filho da mãe que era viúva

Francisco comenta a passagem do Evangelho de Lucas proposto pela liturgia, que narra o milagre da ressureição do filho único da mãe que era viúva, e sublinha que Jesus tinha autoridade diante do povo, não pela doutrina que pregava, que era quase a mesma dos outros, mas porque era “manso e humilde de coração”.

“Ele não gritava, ele não dizia “eu sou o Messias” ou “sou o Profeta”; não tocava  trombetas quando curava alguém e pregava às pessoas ou realizava um milagre como a multiplicação dos pães. Não. Ele era humilde. Ele fazia”. E era “próximo das pessoas". 

Jesus está próximo às pessoas, os doutores da Lei não

Os doutores da Lei, pelo contrário, “ensinavam da cátedra e se distanciavam das pessoas”. Não se interessavam por elas, a não ser para impor mandamentos, que “multiplicavam até mais de 300”. Mas não estavam próximos dass pessoas:

No Evangelho, quando Jesus não estava com as pessoas, estava com o Pai, rezando. E a maior parte do tempo na vida de Jesus, na vida pública de Jesus, Ele passou na estrada, com as pessoas. Esta proximidade: a humildade de Jesus, o que Lhe dá autoridade, o leva à proximidade com das pessoas. Ele tocava as pessoas, abraçava as pessoas, olhava nos olhos das pessoas, escutava as pessoas. Próximo. E isto dava-lhe autoridade”. 

Era capaz de "sofrer com", pensava com o coração

São Lucas, no Evangelho, sublinha que a “grande compaixão” que teve Jesus ao ver a mãe que era viúva, sozinha e o filho morto. Ele tinha “esta capacidade para ‘sofrer com’. Não era teórico”. Poder-se-ia dizer que “pensava com o coração, não separava a cabeça do coração”:

“E há duas características desta compaixão que gostaria de sublinhar: a mansidão e a ternura. Jesus disse: Aprendam de mim que sou manso e humilde de coração”: manso de coração. Ele era manso, não gritava. Não punia as pessoas. Era manso. Sempre com mansidão. Jesus irritava-se? Sim! Pensemos quando viu que a irritou-se, pegou no chicote e expulsou todos. Mas porque amava o Pai, porque era humilde diante do Pai, tinha esta força”. 

Compaixão feita de ternura e mansidão

Depois, a ternura. Jesus não disse “Não chore, senhora”, estando longe. “Não. Aproximou-se, talvez tenha tocado nos seus ombros, talvez lhe tenha feito um carinho. ‘Não chore’. Assim é Jesus. E Jesus faz o mesmo connosco, porque está próximo, está no meio das pessoas, é pastor”.

Outro gesto de ternura é pegar o rapaz e devolvê-lo à sua mãe. Enfim, “humilde e manso de coração, próximo das pessoas, com capacidade de sentir compaixão, com compaixão e com esses dois traços de mansidão e de ternura. Este é Jesus”. E faz isto com todos nós quando se aproxima, aquilo que fez com o jovem e a mãe viúva. 

Jesus é o ícone do pastor do qual aprende

“Este é o ícone do pastor”, destacou o Pontífice, e disto devemos aprender nós pastores: “próximos das pessoas, não aos grupinhos dos poderosos, dos ideológicos … Essas pessoas envenenam a alma, não nos fazem bem!”. O pastor, portanto, “deve ter o poder e a autoridade que tinha Jesus, aquela da humildade, da mansidão, da proximidade, da capacidade de compaixão e de ternura”. 

O pastor acusado sofre, oferece a vida e reza

E depois quando as coisas não saem bem para Jesus, o que fez ele?, questionou o Papa:

"Quando as pessoas o insultavam, naquela Sexta-Feira Santa, e gritavam ‘crucifiquem-no’, ele ficou em silêncio, porque sentia compaixão por aquelas pessoas enganadas pelos poderosos do dinheiro, do poder... Ficou calado. Rezava. O pastor, nos momentos difíceis, nos momentos em que o diabo se faz sentir, onde o pastor é acusado, mas acusado pelo Grande Acusador através de tantas pessoas, tantos poderosos, sofre, oferece a vida e reza. E Jesus rezou. A oração levou-o inclusive à Cruz, com fortaleza; e também ali teve a capacidade de se aproximar e curar a alma do Ladrão".

O convite final de Francisco é para hoje relermos o capítulo sétimo de Lucas, para ver “onde está a autoridade de Jesus”. E pedirmos a graça de que “todos nós pastores tenhamos esta autoridade: uma autoridade que é uma graça do Espírito Santo”.

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 VATICAN NEWS

«JOVEM, EU TE ORDENO: LEVANTA-TE»

 
 
 
«Jovem, Eu te ordeno: levanta-te».

Olho-Te nos olhos e digo quase envergonhado:
Senhor, eu já não sou jovem!

Estendes-me a Tua mão e com voz de imperativo amor, repetes:
«Jovem, Eu te ordeno: levanta-te».

Perpassa nos meus olhos uma leve tristeza, pensando que Tu, Senhor, não me ouviste, ou que não estás a falar comigo.

Mas Tu percebes.
Aliás, Tu percebes tudo o que me vai no intimo, no meu coração, na minha vida e dizes-me novamente cheio de amor:
«Jovem, Eu te ordeno: levanta-te».

Olho para todos os lados, não vejo ninguém, percebo então que é para mim e começo a levantar-me.

Falham-me as pernas, (ou falha-me a vontade), e fico a meio caminho, olhando-Te ansioso.

É então que me agarras a mão, me puxas para Ti, me encostas ao Teu coração e me repetes ao ouvido:
«Jovem, Eu te ordeno: levanta-te».

Sinto-me novo, sinto-me jovem, sinto-me envolvido em amor e digo-Te olhos nos olhos:
É realmente verdade, Senhor: Tu renovas todas as coisas!


Monte Real, 18 de Setembro de 2018
Joaquim Mexia Alves

17 setembro, 2018

Carisma dos mequitaristas é de viva atualidade, diz Papa na sua mensagem

 
Cardeal Leonardo Sandri participa da Divina Liturgia da Congregação Armênio Mequiterista  
 
Que “a chama acesa pelo Fundador continue a iluminar o caminho espinhoso e florescente do povo arménio com a fé em Cristo e com a esperança que a Sua Palavra, contemplada, estudada e difundida perenemente gera”, foram os votos do Papa na sua mensagem 
 
Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

A Congregação Arménio Mequitarista concluiu as celebrações do terceiro centenário de fundação da Casa mãe em Veneza. Para a ocasião, o Papa Francisco enviou uma mensagem – com data de 5 de setembro - ao Delegado Pontifício para a Congregação Arménio-Mequiterista, Dom Levon Boghos Zékiyan.

A mensagem foi lida no domingo, 16,  no final da Divina Liturgia celebrada em Veneza na Ilha de São Lázaro dos Arménios e da qual tomou parte o cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais. 

Fé provada até com martírio

“O solene aniversário permite elevar o agradecimento ao Senhor pela abundante efusão de graças e carismas que no decorrer dos séculos se derramou na Congregação no seu conjunto e em numerosos dos seus membros, que se distinguiram para uma vida religiosa fielmente vivida e, não raro, heroicamente testemunhada, às vezes até mesmo com o supremo sacrifício do martírio”, disse o Papa no início de sua mensagem.

Pio XII colocou Mequitar, o fundador, entre os grandes reformadores da vida monástica nas Igrejas do Oriente. Como reconhecem os estudiosos mas sobretudo o sensus fidei do povo arménio – recordou Francisco -   ele constitui “uma das expressões mais fúlgidas da espiritualidade e da cultura de seu povo”. 

Humanismo teológico arménio

Na mensagem o Pontífice evoca, entre outros, dois elementos de particular valor: a tradição do humanismo teológico arménio e a profética abertura ecuménica inserida na espiritualidade mequiteriana.

A tradição do humanismo teológico arménio – observa Francisco -  está encarnada de modo singular na instituição dos Vardapet. “Inspirado pelo lema de São Nerses de Lambron, segundo o qual «o amor pelo estudo é por si o amor de Deus», Mequitar dedica-se à busca da presença divina nas criações do espírito humano, realizando uma síntese original, posteriormente bem desenvolvida pelos discípulos, entre o humanismo eclesial dos Vardapet arménios e aquele clássico ocidental, dos quais são monumentos insignes a produção teológica, filosófica, histórica, lexicográfica e filológica da escola mequitarista”. 

A abertura ecuménica

O Santo Padre destaca então um segundo aspeto: a abertura ecuménica presente na espiritualidade mequitarista.  No sulco  da grande tradição da Igreja Arménia formulada por alguns dos seus santos e radicada no magistério universal e existencial do Santo Doutor da Igreja Gregório de Narek, “Mequitar é intérprete inspirado de tal  nutrida herança, disse o Papa. A entrega, como dom benéfico para o caminho ecuménico, que hoje se revela sempre mais sinal dos tempos para reforçar o pedido do Senhor aos seus discípulos para serem um só”. 

Proximidade da Santa Sé

As incompreensões e as dificuldades que Mechitar e a Congregação encontraram mesmo em tempos recentes, e que foram superadas com a graça de Deus, “são parte inseparável do carisma, que se revela também agora de viva atualidade”.

A Santa Sé – recordou o Pontífice – que sempre nutriu por Mequitar e os seus filhos particular cuidado e atenção, foi e está ao lado da Congregação nestas delicadas passagens, oferecendo a ela toda a ajuda e apoio possível”.

A Ilha de São Lázaro tornou-se, ao lado do Mosteiro de Viena, o coração pulsante da vida da Congregação, onde cada monge “é chamado a manter abertos, amplos os horizontes da missão e forte o vínculo da comunhão”. 

Monges inteiramente consagrados a Deus

“A identidade do mequitarista – reiterou o Pontífice – consiste em ser, antes de tudo monges, pessoas inteiramente consagradas a Deus”, uma vocação “irrealizável sem uma comunhão real com os confrades e sem a assunção total, íntegra e alegre dos votos de pobreza, castidade e obediência, fonte evangélica de verdadeira renovação e garantia segura nas dificuldades de hoje”.

O Papa conclui, fazendo votos  de que “a chama acesa pelo Fundador continue a iluminar o caminho espinhoso e florescente do povo arménio com a fé em Cristo e com a esperança que a Sua Palavra, contemplada, estudada e difundida perenemente gera”. 

Gratidão pela carta do Papa

Dom Boghos Levon Boghos Zékiyan agradeceu a carta do Papa Francisco, "sinal e penhor de bênçãos divinas". No seu pronunciamento, ele afirmou ver "quase o presságio da beatificação do Servo de Deus, Abade Mechitar", confessando serem “como crianças em perseguir este objetivo". 

Card. Sandri: redescobrir a comunhão entre nós

O cardeal Leonardo Sandri na sua homilia,  exortou a rezar pelo Papa "para que através dele o Senhor possa tornar certa a navegação da Igreja universal nas águas turbulentas desta época. O próprio Cristo não nos abandona em nenhuma tempestade, ele está no barco com todos nós". "Somente na comunhão e na harmonia - acrescentou - existe a possibilidade de poder expressar-se, sob pena de irrelevância e falta de comunicação, antes de tudo entre nós e depois perante o mundo, que tanto espera pelo seu testemunho". 

A Congregação Mequitarista

A Congregação Mequitarista foi fundada em 8 de setembro de 1700, na Arménia, pelo Abade Mequitar de Sebaste, cujo nome em arménio quer dizer "consolador". A Congregação transferiu-se de Sebaste para Constantinopla, onde foi fundada oficialmente em 1701.

Mequitar, hostilizado pelo Patriarcado arménio de Constantinopla, que era anticatólico, fugiu com os seus monges para Veneza, onde lhe foi confiada a ilha de São Lázaro, sua residência definitiva. Ali faleceu em 27 de abril de 1749.

A Congregação dos Padres Mequitaristas tem como carisma a promoção da perfeita comunhão eclesial dos Arménios com a Igreja Católica e a iluminação cultural e religiosa do povo arménio.

VATICAN NEWS

16 setembro, 2018

Angelus: para seguir Cristo é preciso renunciar ao orgulho egoísta

 
 
Quem é Jesus? : a alocução do Papa deste domingo repropõe a pergunta presente em todo o Evangelho de São Marcos.
 
Cidade do Vaticano

Para seguir Jesus, é preciso renunciar às pretensões do próprio orgulho egoístico e tomar a própria cruz: foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste domingo (16/09).

Diante de uma multidão na Praça S. Pedro, o Pontífice inspirou sua reflexão no trecho evangélico de São Marcos, em que Jesus pergunta aos discípulos sobre sua identidade. 

Fé míope

Antes de interpelar diretamente os Doze, explicou o Papa, Jesus quer ouvir deles o que as pessoas pensam Dele. Por isso pergunta: “Quem dizem os homens quem eu sou?”. Emerge que Jesus é considerado pelo povo um grande profeta. Mas, na realidade, Ele não se interessa pela falatório das pessoas.

Ele não aceita nem mesmo que os seus discípulos respondam às suas perguntas com fórmulas pré-concebidas, “porque uma fé que se reduz a fórmulas é uma fé míope”. 

Quem sou eu para ti?

“O Senhor quer que os seus discípulos de ontem e de hoje instaurem com Ele uma relação pessoal”, afirmou Francisco, que acrescentou:

“Hoje, Jesus dirige esta pergunta tão direta e confidencial a cada um de nós: ‘Quem sou eu para ti?’. Cada um de nós é chamado a responder, no próprio coração, deixando-se iluminar pela luz que o Pai nos dá para conhecer o seu Filho Jesus.”

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 Angelus de 16 de setembro de 2018

Porém, prosseguiu, Jesus adverte que a sua missão realiza-se não na estrada ampla do sucesso, mas no caminho árduo do Servo sofredor. Por isso, pode acontecer protestar e rebelar-nos, porque isso contrasta com as nossas expectativas mundanas.

A profissão de fé em Jesus Cristo não pode parar nas palavras, mas pede que seja autenticada por escolhas e gestos concretos.
“ Jesus diz-nos que para segui-Lo, para ser seus discípulos, é preciso renunciar a si mesmo, isto é, às pretensões do próprio orgulho egoístico e tomar a própria cruz. ”

O amor muda tudo

Com frequência, na vida, por tantos motivos, erramos o caminho, buscando a felicidade nas coisas ou nas pessoas que tratamos como coisas. Mas a felicidade encontramos somente quando o amor, aquele verdadeiro, nos encontra, nos surpreende, nos transforma. "O amor muda tudo e pode mudar inclusive a nós!", disse Francisco.

O Papa então concluiu:

“Que a Virgem Maria, que viveu a sua fé seguindo fielmente o seu Filho Jesus, nos ajude também a caminhar na sua estrada, vivendo generosamente a nossa vida por Ele e pelos irmãos.”

Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco

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