19 agosto, 2019

Papa enaltece "mulheres corajosas" que prestam assistência humanitária

 
 
Hoje recordamos todas as mulheres corajosas que vão ao encontro dos seus irmãos e irmãs em dificuldade. Cada uma delas é sinal da proximidade e da compaixão de Deus. #WomenHumanitarians
 
Bianca Fraccalvieri com Rádio ONU

As Nações Unidas celebram neste 19 de agosto o Dia Mundial de Assistência Humanitária para homenagear pessoas que atuam nesta área e realçar que é preciso apoio para os afetados por crises.

Em 2019, a organização destaca a ação de mulheres em crises por todo o mundo e a elas o Papa Francisco dedicou a sua mensagem no Twitter:
“ Hoje recordamos todas as mulheres corajosas que vão ao encontro dos seus irmãos e irmãs em dificuldade. Cada uma delas é sinal da proximidade e da compaixão de Deus. #WomenHumanitarians ”
Mortos
 
Entre essas trabalhadoras mencionadas pelo Papa Francisco está a brasileira Karin Manente, cujo primeiro contato com os afetados pelo ciclone Idai em Moçambique marcou a sua atuação como diretora do Programa Mundial de Alimentação, PMA, no país.

“Achamos que na nossa resposta é importante alavancar e colocar o papel da mulher na dianteira. Isto com base no facto do papel fundamental que elas têm na sociedade, e também na questão do combate à fome. Então, por exemplo, a nível das comunidades onde nos interagimos, trabalhamos com comunidades, com os seus líderes e com a contrapartida do governo para pôr as mulheres na dianteira.”

O fenómeno natural provocou centenas de mortos e afetou mais de 1,8 milhões de pessoas quando passou por Moçambique em março. 

Cerimónia
 
Numa mensagem de vídeo sobre a data, a secretário-geral António Guterres disse que desde o apoio a civis em crise à atuação em surtos de doenças, “as mulheres em ações humanitárias estão na linha de frente”.

Segundo António Guterres, a presença feminina “torna as operações de auxílio mais eficazes, aumentando o seu alcance. Também melhora a resposta humanitária à violência de género, que aumenta durante as emergências.”

Por ocasião do dia, a organização incentiva à partilha de histórias desses personagens e que seja reafirmado “o compromisso de fortalecer o papel das mulheres em operações humanitárias”. Uma campanha nas redes sociais usa a hastag #WomenHumanitarians.

Guterres disse que líderes mundiais e todas as partes em conflitos devem garantir que os funcionários humanitários sejam protegidos contra danos, como é exigido pela lei internacional.

O chefe da ONU destaca ainda que violações graves do direito internacional humanitário e dos direitos humanos continuam em todo o mundo e “devem ser investigadas e julgadas.”
 
Ataques
  No ano passado ocorreu o segundo maior número de ataques a trabalhadores humanitários, com 405 funcionários atacados, 131 mortos, 144 feridos e 130 sequestrados. No total ocorreram 226 incidentes em 2018.

Desde 19 de agosto de 2003, mais de 4,5 mil funcionários humanitários foram mortos, feridos, detidos, sequestrados ou impedidos de cumprir os seus deveres para salvar vidas. As Nações Unidas estimam que uma média de 280 trabalhadores desse setor sofrem ataques por ano, um número que corresponde a cinco vítimas por semana.

Este ano, o Dia Mundial de Assistência Humanitária marca 10º aniversário do ataque com um veículo-bomba ao prédio da ONU em Bagdad, que deixou 24 mortos. Entre as vítimas estava o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, que era representante máximo das Nações Unidas no Iraque. Outras dezenas de pessoas ficaram feridas no atentado.

Na entrada da ONU, em Nova Iorque, está exposta a bandeira da organização que estava hasteada no prédio do Canal Hotel no momento do ataque em Bagdad. Foi naquele ponto, na sede da organização que vários trabalhadores realizam uma cerimónia para lembrar o pessoal que perdeu a vida na capital iraquiana.

VN

18 agosto, 2019

Angelus: dizer-se cristão não é o mesmo que ser cristão, é preciso coerência




A liturgia deste domingo que foi celebrada em Itália propõe o capítulo 12 de São Lucas, versículos 49-53. A Solenidade da Assunção foi celebrada em 15 de agosto. 

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Dizer-se cristão é bom, mas é preciso ser cristão: palavras do Papa Francisco ao reunir-se com os fiéis e peregrinos na Praça de São Pedro, para o Angelus dominical.
O Pontífice comentou o trecho de São Lucas, no qual Jesus adverte os discípulos de que chegou o momento da decisão.
“A sua vinda ao mundo, de facto, coincide com o tempo das escolhas decisivas: não se pode adiar a opção pelo Evangelho”, explicou o Papa.~ 

Abandonar a apatia para acolher o fogo do amor

Para exemplificar melhor este chamamento, Jesus utiliza a imagem do fogo que Ele mesmo veio trazer sobre a terra: «Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso?».
Estas palavras, prosseguiu Francisco, têm a finalidade de ajudar os discípulos a abandonar toda atitude de preguiça, de apatia, de indiferença e de fechamento para acolher o fogo do amor de Deus.
“Jesus revela aos seus amigos, e a nós também, o seu desejo mais ardente: levar sobre a terra o fogo do amor do Pai, que acende a vida e mediante o qual o homem é salvo.”
O fogo do amor, aceso por Cristo no mundo por meio do Espírito Santo, é sem limites, universal, disse ainda o Papa.  

"Incêndio benéfico"

Foi o que aconteceu desde os primeiros tempos do Cristianismo: o testemunho do Evangelho propagou-se como um “incêndio benéfico, superando toda divisão entre indivíduos, categorias sociais, povos e nações”.
Este testemunho queima toda forma de particularismo e mantém a caridade aberta a todos, com uma preferência pelos mais pobres e excluídos.
Aderir a este fogo significa duas coisas: adorar a Deus e a disponibilidade para servir o próximo. A primeira quer dizer "aprender a oração da adoração, que com frequência esquecemos", afirmou o Papa, convidando os fiéis a descobrirem a beleza desta oração. Depois, estar disponível a servir o próximo, e Francisco manifestou a sua admiração a quem se dedica aos mais necessitados mesmo durante o período de férias.
“Para viver segundo o espírito do Evangelho, é preciso que, diante das sempre novas necessidades que aparecem no mundo, haja discípulos de Cristo que saibam responder com novas iniciativas de caridade. Assim, o Evangelho manifesta-se realmente como fogo que salva, que transforma o mundo a partir da mudança do coração de cada um.”  

Escolhas coerentes com o Evangelho

Assim se compreende outra afirmação de Jesus contida no trecho de Lucas, que numa primeira leitura pode chocar: «Julgais vós que vim trazer paz à terra? Não, digo-vos, vim antes criar a dissensão».
Isto significa que Jesus veio para “separar com o fogo” o bem do mal, o justo do injusto.
“Neste sentido, Jesus veio para “dividir”, para colocar “em crise” – mas de modo saudável – a vida dos seus discípulos, desfazendo as fáceis ilusões daqueles que acreditam poder conjugar vida cristã e mundanidade, vida cristã e acordos de todo gênero, práticas religiosas e atitudes contra o próximo.” O Pontífice advertiu que recorrer à cartomante é superstição, "não é de Deus".
A adesão a este fogo requer deixar a hipocrisia de lado e estar dispostos a pagar o preço por escolhas coerentes com o Evangelho. "Esta é a atitude que cada um deve procurar na vida: coerência", e pagar o preço por ela.
“ É bom dizer-se cristão, mas é preciso antes de tudo ser cristão nas situações concretas, testemunhando o Evangelho, que é, essencialmente, amor por Deus e pelos irmãos. ”
Francisco concluiu pedindo a Maria que “nos ajude a deixar-nos purificar o coração pelo fogo trazido por Jesus, para propagá-lo com a nossa vida, mediante escolhas firmes e corajosas”.

VN

17 agosto, 2019

Papa aos fiéis de Paris: reconstrução da Notre-Dame é sinal de renascimento da fé


Uma procissão precedeu a missa realizada nesta quinta-feira (15),
na Igreja de Saint-Sulpice  (ANSA)

A proximidade de Francisco à comunidade católica francesa deu-se durante uma missa nesta quinta-feira (15), na Igreja de Saint-Sulpice. O Pontífice enviou uma mensagem mencionando a reconstrução da Catedral de Notre-Dame, assinada pelo secretário de Estado, Card. Pietro Parolin, que foi lida no final da celebração. 

Andressa Collet – Cidade do Vaticano 

A mensagem do Papa Francisco, assinada pelo secretário de Estado do Vaticano, Card. Pietro Parolin, foi lida no final da missa desta quinta-feira (15), na Igreja de Saint-Sulpice, em Paris, por ocasião da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora.

O incêndio na catedral, em abril

Depois de quatro meses do incêndio que devastou parte da Catedral de Notre-Dame, na noite de 15 de abril, a diocese promoveu a tradicional procissão da Virgem Maria com centenas de fiéis, que começou na ponte Saint-Louis. Com os terços na mão, entoaram a Ave Maria e caminharam em direção à Igreja de Saint-Sulpice, onde o arcebispo Michel Aupetit presidiu à missa. Na oportunidade, como sempre, o prelado renovou “os votos” do rei Luís XIII que consagrou a França a Maria, em 10 de fevereiro de 1683. 

A proximidade do Papa aos fiéis de Paris

Para a ocasião, o Papa Francisco enviou a mensagem para assegurar “a sua proximidade espiritual” aos fiéis. No texto, que foi lido ao final da celebração eucarística pelo reitor da Catedral de Notre-Dame, Dom Patrick Chauvet, o Pontífice lembrou que, “como uma verdadeira mãe, Maria caminha connosco, luta connosco e dissemina incansavelmente a proximidade do amor de Deus. Partilha a história de cada povo que recebeu o Evangelho e que agora faz parte da sua identidade histórica".

“ O Santo Padre pede também a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora, que a reconstrução da sua joia arquitetónica seja um sinal forte do renascimento e da revitalização da fé dos seus fiéis. Cheios de esperança, serão para as suas famílias, para as suas comunidades e lugares de vida, construtores de uma nova humanidade enraizada em Jesus Cristo. ”
Assista à Missa (em francês):



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16 agosto, 2019

Papa: que Nossa Senhora nos ajude a ser santos e a ter uma fé forte e alegre


O Papa Francisco reza diante da imagem de Nossa Senhora 
na Basílica Vaticana  (Vatican Media)

No tuíte, nesta sexta feira, o Papa Francisco convidou os fiéis a inspirarem-se em Maria para terem uma fé forte, alegre e a serrem santos. 

Cidade do Vaticano 

Peçamos a Nossa Senhora que nos guarde e nos sustente; que tenhamos uma fé forte, alegre e misericordiosa; que nos ajude a ser santos, a encontrar-mo-nos com Ela, um dia, no Paraíso.

Esta é a mensagem do Papa Francisco publicada no Twitter nesta sexta-feira.

A oração feita com fé tem poder!

Ao rezar a oração do Angelus nesta quinta-feira, solenidade da Assunção de Maria no Vaticano e em Itália, o Pontífice abençoou terços destinados à Síria.

“ Hoje, nesta grande festa de Maria, eu os abençoo e, depois, serão distribuídos às comunidades católicas na Síria como sinal da minha proximidade, especialmente para as famílias que perderem alguém por causa da guerra. A oração feita com fé tem poder! Continuemos a rezar o terço pela paz no Médio Oriente e no mundo inteiro. ”

A iniciativa é da Associação “Ajuda à Igreja que Sofre”, no âmbito da campanha ecuménica de oração “Console meu povo”.

Os seis mil terços abençoados pelo Santo Padre foram feitos por artesãos cristãos de Belém e Damasco a fim de serem distribuídos nas paróquias sírias no dia 15 de setembro, por ocasião da festa das Sete Dores da Santíssima Virgem Maria.

Durante as missas e nas procissões, os fiéis vão orar principalmente pelos mortos e as suas famílias. Existem cerca de duas mil famílias cristãs que perderam um dos seus entes queridos durante o conflito. Além disso, 800 cristãos foram sequestrados.

Além dos Rosários, Bíblias também serão distribuídas

Além dos terços, serão distribuídas Bíblias em árabe e cruzes feitas com madeira de oliveira da Terra Santa, doadas pela Igreja Ortodoxa. Nesse mesmo dia, o Santo Padre voltará a participar na iniciativa. Ele abençoará, no final do Angelus, o ícone da “Santíssima Virgem Maria das Dores, consoladora dos sírios”. O ícone também foi doado pela Igreja Ortodoxa.

Antes de se reunir com os fiéis e peregrinos na Praça de S. Pedro, o Papa Francisco recebeu uma delegação de “Ajuda à Igreja que Sofre” na Casa Santa Marta.

O presidente-executivo internacional da Associação, Thomas Heine-Geldern, recordou que “o Santo Padre apoiou nosso compromisso com a Síria e o Médio Oriente em várias ocasiões. O seu apoio a esta nova iniciativa é muito importante para nós. A sua proximidade é um grande consolo para aqueles que perderam entes queridos por causa da guerra”.

15 agosto, 2019

Angelus: o céu é a nossa meta e não as pequenezas da vida



"Quantas mesquinhices na vida! Maria hoje convida a elevar o olhar para as ‘grandes coisas’ que o Senhor realizou Nela”, disse o Papa no Angelus. 

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco rezou o Angelus com os fiéis presentes na Praça de São Pedro, neste dia 15 de agosto - solenidade da Assunção de Maria.

Antes da oração mariana, o Pontífice comentou as palavras da Virgem narradas no Evangelho de Lucas: "Minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito alegr-se em Deus, meu Salvador» (Lc 1,46-47).

Deixar de lado as mesquinhices da vida

Francisco ressaltou os dois verbos desta frase: engrandecer e alegrar-se. Maria exulta por causa de Deus. “Quiçá se também a nós aconteceu exultar pelo Senhor: exultamos pelo resultado obtido, por uma bela notícia recebida, mas hoje, Maria, ensina a exultar a Deus, porque Ele faz ‘grandes coisas’”, disse o Papa.

As grandes coisas são evocadas por outro verbo: engrandecer. De facto, engrandecer significa exaltar uma realidade pela sua grandeza. Maria exalta a grandeza do Senhor.

Na vida, é importante buscar coisas grandes, recordou Francisco; do contrário, nos perdemos em muitas pequenezas. Maria nos demonstra que, se quisermos que a nossa vida seja feliz, deve ser colocado Deus em primeiro lugar, porque somente Ele é grande.
“ Quantas vezes, ao invés, vivemos buscando coisas de pouco valor: preconceitos, rancores, rivalidades, invejas, ilusões, bens materiais supérfluos... Quantas mesquinhices na vida! Maria hoje convida a elevar o olhar para as ‘grandes coisas’ que o Senhor realizou Nela. Também em nós, em cada um de nós, o Senhor faz tantas grandes coisas. É preciso reconhecê-las e exultar.”
Maria, porta do céu

São as “grandes coisas” festejadas na solenidade da Assunção.

Maria foi assumida no céu: pequena e humilde, recebe, em primeiro lugar, a glória maior. Ela, que é uma criatura humana, uma de nós, alcança a eternidade em alma e corpo. E ali espera por nós, como uma mãe espera que os filhos voltem para casa.

Um passo rumo à grande meta

Portanto, explicou Francisco, a festa da Assunção de Maria é um chamamento para todos, especialmente para aqueles que se sentem afligidos por dúvidas e tristezas, e vivem com o olhar cabisbaixo.

“Olhemos para o alto, o céu está aberto”, exortou o Papa. O céu não provoca temor, porque no limiar há uma mãe que nos espera.
“ Como toda mãe, quer o melhor para os seus filhos e nos diz: ‘Vós sois preciosos aos olhos de Deus; não são feitos para os pequenos prazeres do mundo, mas para as grandes alegrias do céu’. Sim, porque Deus é alegria, não tédio. Deixemos que Nossa Senhora nos pegue pela mão. Todas as vezes que pegamos no Terço e rezamos, damos um passo em frente, rumo à grande meta da vida. ”
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ASSUNÇÃO II

 
 
 
 
 
Os anjos tomaram-te nas suas mãos
e levaram-te ao Céu,
Maria!

E é grande
a nossa alegria!

Temos uma Mãe
junto de Deus,
que continuamente pede
pelos filhos seus!

Obrigado Jesus,
que nos deste a Vida,
quando para nosso bem,
Te entregaste na Cruz,
fazendo-nos filhos também,
da Tua Santíssima Mãe!

Qual João,
recebo-A em minha “casa”,
dou-Lhe tudo o que tenho,
a vida,
o coração,
para que tudo entregue a Ti,
Senhor,
e em doação,
me entregue ao Teu amor.



Assunção da Virgem Santa Maria
Marinha Grande, 15 de Agosto de 2019
Joaquim Mexia Alves

14 agosto, 2019

Papa: recordar que somos filhos de Deus para não nos rendermos às adversidades

 
 
O tuíte desta quarta-feira do Papa Francisco é dedicado a São Maximiliano Kolbe, cuja memória a Igreja celebra hoje, 14 de agosto. 
 
Cidade do Vaticano

“Peçamos a graça de recordar todos os dias de que não somos esquecidos por Deus, que somos seus filhos amados, únicos e insubstituíveis: recordá-lo, dá-nos a força para não nos rendermos diante das adversidades da vida.”

O tuíte desta quarta-feira do Papa Francisco é dedicado a São Maximiliano Kolbe, cuja memória a Igreja celebra hoje, 14 de agosto.

Por ocasião da sua viagem à Polónia, em 2016, Francisco visitou a cela onde o santo polaco ficou preso no Campo de extermínio de Auschwitz.

Para o Papa, São Maximiliano - “mártir da caridade” - soube transformar uma obscura opressão num lugar de luz .

A São Maximiliano Kolbe são atribuídas as seguintes palavras, que ele teria pronunciado em pleno furor da perseguição nazista: "O ódio não é uma força criativa: somente o amor o é". E do amor foi uma prova heroica a generosa oferta que ele fez de si mesmo em troca de um dos seus companheiros de prisão, oferta esta que culminou com a sua morte no bunker da fome, em 14 de agosto de 1941. 

A origem
 
Maximiliano Kolbe nasceu em 7 de janeiro de 1894, em Zduńska-Wola, na região polaca controlada pela Rússia. O seu pai, tecelão, e a sua mãe, parteira, eram cristãos fervorosos: no Batismo, escolheram para ele o nome de Raimundo.

Frequentou a escola dos franciscanos em Leópolis. Em 1910, entrou para a Ordem dos Frades Menores Conventuais, onde recebeu o nome de Maximiliano; sendo enviado primeiro a Cracóvia e, depois, para Roma, onde permaneceu seis anos, estudou Filosofia, na Pontifícia Universidade Gregoriana, e Teologia no Colégio Seráfico. Foi ordenado sacerdote em 28 de abril de 1918. 

A Milícia da Imaculada
 
Em Roma, enquanto jogava bola num campo, Maximiliano começou a cuspir sangue: era tuberculose, uma doença que o acompanhou pelo resto da sua vida.

Com a autorização dos Superiores, fundou a "Milícia da Imaculada", uma Associação religiosa, cujo objetivo era a conversão de todos os homens, por meio de Maria.


Ao regressar a Cracóvia, na Polónia, não obstante tenha se formado com notas altas, não pôde lecionar ou pregar, devido ao seu estado de saúde, pois não podia falar muito. Ainda com a permissão dos Superiores, dedicou-se à promoção da "Milícia da Imaculada", contando com numerosas adesões entre professores e estudantes da Universidade, profissionais e camponeses, e até com religiosos da sua própria Ordem. 

Sucesso da revista "O Cavaleiro da Imaculada"
 
Durante o Natal de 1921, o Padre Maximiliano Kolbe fundou, em Cracóvia, uma revista de poucas página, intitulada "O Cavaleiro da Imaculada", para difundir o espírito da "Milícia".

Tendo-se transferido para Grodno, a 600 quilómetros de Cracóvia, criou uma pequena tipografia para imprimir a revista, com máquinas antigas. Com esta iniciativa conseguiu atrair muitos jovens, desejosos de partilhar o estilo de vida franciscano inspirado em Maria. A revista propagou-se cada vez mais.


Em Varsóvia, graças à doação de um terreno pelo Conde Lubecki, Maximiliano fundou "Niepokalanów", "Cidade de Maria". O centro desenvolveu-se rapidamente: das primeiras cabanas, passou-se a construções verdadeiras; a antiga impressora foi substituída por novas técnicas de redação e imprensa.

Em pouco tempo, "O Cavaleiro da Imaculada" atingiu rapidamente uma tiragem de milhões de cópias, enquanto eram criados outros sete periódicos. 

A “Cidade de Maria” na Polónia e no Japão
 
Com o ardente desejo de expandir o seu Movimento mariano para além das fronteiras da Polónia, Maximiliano Kolbe partiu para o Japão, onde fundou a "Cidade de Maria" em Nagasaki. Ali, após a explosão da primeira bomba atómica, os órfãos de Nagasaki encontraram abrigo.

O Padre Maximiliano colaborou com judeus, protestantes e budistas, certo de que Deus lança a semente da verdade em todas as religiões.

Enfim, abriu ainda uma Casa em Ernakulam, no litoral oeste da Índia. Para se tratar da tuberculose, voltou para a sua “Niepokalanów”, na Polonia. 

Niepokalanów, abrigo para refugiados e judeus
 
Após a invasão da Polónia, em 1° de setembro de 1939, os nazis mandaram destruir a Niepokalanów. Os religiosos foram obrigados a deixar o centro. A eles o Padre Kolbe recomendou apenas uma coisa: "Não se esqueçam do amor".

Ali permaneceram cerca de quarenta Frades, que transformaram a “Cidade de Maria” nun lugar de acolhimento para feridos, doentes e refugiados. Em 19 de setembro de 1939, os alemães prenderam o Padre Maximiliano Kolbe e os outros frades e levaram-nos para o Campo de Extermínio, de onde foram, inesperadamente, libertados no dia 8 de dezembro. Assim, retornaram para a Niepokalanów e retomaram sua atividade de assistência de cerca de 3500 refugiados, dos quais 1500 judeus.

No entanto, depois de alguns meses, os refugiados foram expulsos ou presos. Por sua vez, o Padre Kolbe, ao recusar a naturalização alemã, para se salvar, foi preso em 17 de fevereiro de 1941, junto com quatro frades. Ao ser maltratado pelos guardas da prisão, foi obrigado a usar um hábito civil, porque o traje franciscano "perturbava" os nazistas.

Em 28 de maio, Padre Kolbe foi deportado para o Campo de extermínio de Auschwitz. Com o número 16670, foi colocado junto com os judeus, por ser sacerdote, onde foi obrigado a trabalhos forçados, como o transporte de cadáveres para os fornos crematórios. 

Vida e testemunho em Auschwitz
 
A sua dignidade de sacerdote encorajava os outros prisioneiros. Uma testemunha recorda: "Kolbe era um príncipe para nós".

No final de julho, o Padre foi transferido para o Bloco 14, onde os prisioneiros trabalhavam na lavoura. Mas, um deles conseguiu fugir. Por isso, os nazistas pegaram em dez prisioneiros para morrer no “lager”. O Padre Kolbe ofereceu-se para morrer no lugar de um dos "escolhidos", pai de família e companheiro de prisão. O desespero dos condenados transformou-se em oração comum, guiada pelo sacerdote.

Após 14 dias, apenas quatro ficaram vivos, inclusive o Padre Maximiliano. Então, os guardas decidiram abreviar a sua agonia com uma injeção letal de ácido fênico. O Padre Maximiliano Kolbe estendeu o seu braço, recitando a "Ave Maria"! Estas foram suas últimas palavras. Era o dia 14 de agosto de 1941.

VN

12 agosto, 2019

Índia: pesar do Papa pelas vítimas das chuvas de monções

 
 
Estados do sul e do oeste da Índia têm sido castigados por chuvas e deslizamentos na última semana, que já provocaram o deslocamento de 165 mil pessoas para campos de ajuda humanitária. 
 
Cidade do Vaticano

O Papa Francisco manifestou o seu pesar pelas vítimas das inundações provocadas pelas chuvas de monções na Índia.

Assinado pelo secretário de Estado do vaticano, card. Pietro Parolin, o telegrama foi enviado às autoridades locais. Eis o texto:
“ Profundamente entristecido ao saber da trágica perda de vidas nas monções dos últimos dias, em Kerala, Karnataka, Maharashtra e Gujarat, e atento a todos aqueles que perderam os seus lares e meios de subsistência, o Papa Francisco envia as suas sinceras condolências aos parentes das vítimas. Ele reza pelos esforços de socorro em andamento, e sobre a nação invoca as bênçãos divinas de força e perseverança. ”
Estados do sul e do oeste da Índia têm sido castigados por chuvas e deslizamentos na última semana, que já provocaram o deslocamento de 165 mil pessoas para campos de ajuda humanitária. De acordo com o levantamento divulgado no domingo (11/08), o número de mortos subiu para 147. Várias áreas estão isoladas e os serviços de comboios foram cancelados nas regiões alagadas.

VN

11 agosto, 2019

Apelo do Papa: respeitar as Convenções de Genebra

 
 Papa Angelus  (Vatican Media)
 
Francisco: "não esqueçamos que a guerra e o terrorismo são sempre uma grave perda para toda a humanidade. São a grande derrota humana”.
 
Silvonei José – Cidade do Vaticano
 
"Todos somos obrigados a respeitar os limites impostos pelo direito internacional humanitário": é a advertência feita pelo Papa Francisco, após a oração do Angelus neste domingo na Praça de São Pedro, recordando que nesta segunda-feira recordam-se os 70 anos das Convenções de Genebra, importantes instrumentos jurídicos internacionais que impõem limites ao uso da força, e têm por objetivo a proteção dos civis e dos prisioneiros em tempo de guerra".

O Pontífice espera que este aniversário “torne os Estados cada vez mais conscientes da necessidade essencial de proteger a vida e a dignidade das vítimas dos conflitos armados. Todos são obrigados a observar os limites impostos pelo direito internacional humanitário, protegendo as populações indefesas e as estruturas civis, especialmente hospitais, escolas, locais de culto, campos de refugiados. E não esqueçamos que a guerra e o terrorismo são sempre uma grave perda para toda a humanidade. São a grande derrota humana”.

As Convenções de Genebra e os seus Protocolos Adicionais são a pedra angular do direito humanitário internacional, ou seja, o conjunto de normas jurídicas que regulam as formas como os conflitos armados podem ser combatidos e que procuram limitar os efeitos dos mesmos.

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Papa Angelus: A fé autêntica e madura é capaz de iluminar as muitas "noites" da vida


 Papa durante o Angelus  (ANSA)

Francisco: "quem confia em Deus sabe bem que a vida de fé não é algo estático, mas é dinâmica: é um caminho contínuo, para ir para etapas sempre novas, que o próprio Senhor indica dia após dia. 
Silvonei José - Cidade do Vaticano

O Papa Francisco rezou ao meio-dia deste domingo (11/08) o Angelus com os milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. Na sua alocução que precedeu a oração mariana o Santo Padre citou a página evangélica do domingo na qual Jesus chama os seus discípulos à vigilância constante para captar a passagem de Deus na própria vida, porque Deus continuamente passa na nossa vida.

Francisco sublinhou que “a verdadeira fé abre o coração ao próximo e encoraja a comunhão com os irmãos, especialmente com aqueles que estão na necessidade”. Chamou então a atenção a todos os fiéis que se professam cristãos que "ninguém pode retirar-se  intimamente na certeza da sua própria salvação, desinteressando-se dos outros”.

O Pontífice exortou "a não criar raízes em cómodas e tranquilizadoras habitações, mas abandonar-mo-nos com simplicidade e confiança à vontade de Deus, que nos guia para a próxima meta. 

“O Senhor caminha sempre connosco e tantas vezes nos pega pela mão, para nos guiar, para não errarmos neste caminho tão difícil. De facto, quem confia em Deus sabe bem que a vida da fé não é algo estático, mas é dinâmica: é um caminho contínuo, para ir para etapas sempre novas, que o próprio Senhor indica dia após dia. Porque Ele é o Senhor das surpresas, o Senhor das novidades, mas das verdadeiras novidades”.

E depois - continuou Francisco - é-nos pedido para mantermos as "lâmpadas acesas" para sermos capazes de iluminar a escuridão da noite. Somos convidados, isto é, a viver uma fé autêntica e madura, capaz de iluminar as muitas "noites" da vida. “E sabemos, todos nós tivemos dias que eram verdadeiras noites espirituais”. "A lâmpada da fé precisa de ser alimentada continuamente, com o encontro coração a coração com Jesus na oração e na escuta da sua Palavra".

O Papa recordou então o que já dissera várias vezes: "carreguem sempre convisco um pequeno Evangelho no bolso, na bolsa, para o ler. É um encontro com Jesus, com a Palavra de Jesus. Esta lâmpada do encontro com Jesus na oração e na sua Palavra nos é confiada para o bem de todos". E sublinhou: “é uma fantasia crer que alguém possa iluminar-se por dentro. Não, é uma fantasia”.

Francisco disse ainda que Jesus, para nos fazer compreender a atitude de espera, conta a parábola dos servos que esperam o regresso do patrão quando regressa de um casamento, apresentando assim outro aspeto da vigilância: estar prontos para o último encontro e definitivo com o Senhor. Cada um de nós vai encontrar-se com Ele naquele dia do encontro. Cada um de nós tem a sua própria data para o encontro final.

O Papa observou que "a vida é um caminho em direção à eternidade; por isso, somos chamados a fazer frutificar todos os talentos que temos, nunca esquecendo que não temos aqui a cidade estável, mas estamos à procura da cidade futura". Nesta perspectiva o Pontífice concluiu, "cada momento torna-se precioso", com vista a "construir um mundo mais justo e fraterno".

VN

09 agosto, 2019

Paróquias de Abrigada e Ota - Tomadas de posse

(Para ampliar clique na imagem)

Papel dos leigos: menos teorias e mais compromisso na vida concreta

 
 Ghisoni: a nossa missão é eclesial, ser vivida em corresponsabilidade,
em comunhão com os irmãos e irmãs
 
A subsecretária do Dicastério vaticano para os leigos, a família e a vida, Linda Ghisoni, fez um pronunciamento no Encontro da Ação Católica em Ávila, Espanha, sobre o tema "Realizar o sonho de Deus". Cada um “interrogue-se como pode viver com renovada consciência do seu ser fermento”, não somente “nos ambientes da Igreja, mas propriamente nos lugares e momentos ordinários da vida cotidiana, nos contextos da vida pública”, exortou
 
Cidade do Vaticano

Como serem leigos que transformam o mundo e a sociedade em que vivemos? A subsecretária do Dicastério vaticano para os leigos, a família e a vida, Linda Ghisoni – concluindo o encontro, organizado de 1º a 4 de agosto em Ávila, Espanha, pela Ação Católica Geral com o tema “Realizar o sonho de Deus” –, sugeriu um itinerário para a formação do laicato na paróquia.

“Não podemos pensar ser leigos transformadores das realidades em que vivemos e trabalhamos se não formos primeiro transformados”, afirmou Ghisoni, abrindo o diálogo com os 750 leigos, provenientes das 45 dioceses da Espanha, presentes no encontro com dez bispos e sessenta sacerdotes. 

A partir do batismo, testemunhar Evangelho com a nossa vida

“Mas é preciso tomar consciência – acrescentou – de que o nosso ser fiéis leigos significa viver como batizados: carregamos connosco o dom de ser renascidos, chamados e convidados a levar não ideias bonitas ou projetos, mas a testemunhar o Evangelho com a nossa vida.”

E assim, propriamente enquanto “fiéis leigos conscientes do batismo, dos direitos e deveres originados por ele, conscientes de sermos chamados, somos por vocação enviados” que, “para viver de modo sadio e consciente o protagonismo oriundo do batismo”, voltam à “fonte”, mediante a oração e a partilha com os outros, cultivando a formação. 

Estabelecer relações baseadas no perdão e acolhimento

“Como leigos – prosseguiu a subsecretária do Dicastério vaticano –, não podemos desencarnar-nos em relação à realidade em que vivemos, de contrário, trairemos a nossa vocação”: daí, o apelo para que cada um “se interrogue como pode viver com renovada consciência o seu ser fermento”, não somente “nos ambientes da Igreja, mas propriamente nos lugares e momentos ordinários da vida cotidiana, nos contextos da vida pública”.

“Se somos transformadores – enfatizou Ghisoni –, então somos capazes de estabelecer relações novas com os outros, baseadas no perdão, escuta, paciência, diálogo e acolhimento.” 

Missão eclesial a ser vivida em corresponsabilidade

Conscientes de que a nossa missão “é uma missão eclesial, a ser vivida em corresponsabilidade, em comunhão com os outros irmãos e irmãs, com os párocos, com os bispos”, longe da “inércia paralisante” ou do ter que ser necessariamente “religiosos especialistas da série A”.

Em particular, Ghisoni chamou a atenção para “alguns riscos, tentações insidiosas para a nossa vida que neutralizam o nosso esforço”. Em primeiro lugar, a ideia de realizar projetos e planos de ação pastorais inspirados nas melhores intenções, guiados pelo nosso esforço voluntário: mas não podemos fabricar o sonho de Deus.
“Deste modo entregaremos o poder ao voluntarismo e correremos o risco de um delírio de onnipotência que não tem nada a ver com a imagem do Reino que Jesus nos deu comparando-o ao grão de mostarda.”
Porém, advertiu, “podemos também cair na tentação oposta: permanecer a nível de pensamento, de ideias, regozijando-nos em explicações teóricas, sem comprometer-nos concretamente, mas aprazendo-nos de modo narcisista com belas construções e ideias sobre os leigos, sobre a Igreja, sobre a formação”.

Riscos concretos oriundos do pelagianismo e agnosticismo

E “estes extremos representam riscos concretos para nós hoje e têm as suas raízes em duas heresias que apareceram nos primeiros séculos do cristianismo: o pelagianismo e o gnosticismo que continuam a ser alarmante atualidade”, como denunciou o Papa Francisco na Exortação apostólica Gaudete et exsultate.
“Para nós, a vida ordinária nos ambientes da casa, escola, universidade, trabalho, no engajamento social, político, não é uma interrupção, um entrave em relação ao nosso viver cristão.”
“Os desafios e as dificuldades diárias não são um erro de fabrico, são o lugar que espera ser vivido por nós como cristãos, de modo que nenhuma situação possa ser uma situação de morte, de desencorajamento, mas onde somos testemunhas da vida, do amor que em Cristo vivifica, tudo transforma”, concluiu.

(L’Osservatore Romano)

VN

07 agosto, 2019

Papa Francisco: a mão de Jesus é a nossa mão, sempre estendida para ajudar o outro

 
 
O Papa Francisco, na primeira Audiência Geral depois da pausa de verão, retomou a série de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos, comentando o milagre de Pedro, cura de um paralítico em nome de Cristo. A nossa mão que ajuda o próximo a levantar-se "é a mão de Jesus"
 
Andressa Collet – Cidade do Vaticano 
 
O Papa Francisco retoma as tradicionais Audiências Gerais das quartas-feiras. Neste dia 7 de agosto, na Sala Paulo VI e devido ao calor forte do verão italiano, os fiéis puderam acompanhar a catequese do Pontífice sobre os Atos dos Apóstolos, em continuidade à reflexão do final de julho quando fez uma pausa de férias.
 
“Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (At 3,3-6): a cura de um paralítico de nascença que agora caminha, anda e louva a Deus. O Papa Francisco refletiu sobre a primeira narração de cura do Livro dos Apóstolos e enalteceu a ação concreta dos Apóstolos Pedro e João que testemunharam a verdade do anúncio do Evangelho, demonstrando como agem em nome de Cristo. 

A "relação" com o outro que acontece no amor

Francisco recordou que a lei da época impedia oferecer sacrifícios a quem tinha algum tipo de deficiência física, em consequência de alguma culpa, e inclusive impedia o acesso ao Templo em Jerusalém. Mas, como narra o Evangelho, o paralítico, “paradigma de tantos exclusos e descartados da sociedade, estava ali para pedir a esmola de todos os dias”, quando os Apóstolos trocaram olhares com ele e Pedro disse: “Não tenho prata, nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (At 3,3-6).

Esta foi a relação estabelecida entre o paralítico e os Apóstolos, do mesmo modo em que Deus ama manifestar-se, ressaltou Francisco, “na relação”, sempre no diálogo, com a inspiração do coração, através de um encontro real entre as pessoas que pode acontecer só no amor. 

Igreja pobre para os pobres

Ao tratar do Templo, onde na frente se encontrava o paralítico, o Papa explicou que, além de ser um centro religioso, era um lugar de trocas comerciais. E por esta dimensão do espaço, Jesus tinha-se manifestado contrário várias vezes.
“ Mas quantas vezes eu penso nisso quando vejo alguma paróquia onde se pensa que é mais importante o dinheiro que os sacramentos! Por favor! Igreja pobre: peçamos ao Senhor isso. ”
A Igreja que não fecha os olhos, mas abre o olhar
 
Aquele mendigo paralítico, encontrando os Apóstolos, não encontrou aquele dinheiro, mas “o Nome que salva o homem: Jesus Cristo, o Nazareno”. Pedro invocou o seu nome e ordenou ao paralítico para se levantar e andar, tocou no doente  ajudo-o a ficar em pé.
“ E aqui aparece o retrato da Igreja, que vê quem está em dificuldade, não fecha os olhos, sabe olhar a humanidade no rosto para criar relações significativas, pontes de amizade e de solidariedade no lugar de barreiras. Aparece o rosto de ‘uma Igreja sem fronteiras que se sente mãe de todos’ (Evangelii gaudium, 210), que sabe pegar na mão e acompanhar para se levantar – não para condenar. Jesus pega sempre na mão, procura sempre levantar, fazendo com que as pessoas se curem, que sejam felizes, que encontrem Deus. ”
O Papa descreveu esta atitude como “a arte do acompanhamento”, que se caracteriza pela delicadeza com o próximo, dando sinais de proximidade, como a troca respeitosa e cheia de compaixão de olhares.

"E isto fazem os dois Apóstolos com o paralítico: olham para ele, dizem ‘olha para nós’, seguram a sua mão, fazem-no se levantar e curam-no. Assim faz Jesus com todos nós. Pensemos niso quando estivermos em momentos maus, em momentos de pecado, em momentos de tristeza. Aí está Jesus que diz: ‘Olha para mim: eu estou aqui!’. Vamos pegar na mão de Jesus e deixar que nos levante.” 

Estender a mão ao outro: sempre!

Os Apóstolos Pedro e João ensinaram-nos a confiar na “verdadeira riqueza que é a relação com Jesus”, afirmou o Papa. Uma tarefa que também cabe a nós, acrescentou o Pontífice, ao finalizar a catequese de hoje:
“ E nós, cada um de nós, o que temos? Qual é a nossa riqueza, o nosso tesouro? Com que coisa podemos tornar ricos os outros? Peçamos ao Pai o dom de uma memória agradecida ao recordar os benefícios do seu amor na nossa, para dar a todos o testemunho de louvor e reconhecimento. Não esqueçamos: sempre a mão estendida para ajudar o outro a erguer-se; é a mão de Jesus que, através da nossa mão, ajuda os outrosa levantarem-se. ”
Veja o resumo da catequese de hoje:
 
O livro dos Atos dos Apóstolos mostra como o anúncio do Evangelho é confirmado pelos milagres e sinais que o acompanham. O primeiro deles é a cura dum paralítico de nascença que, todos os dias, era colocado à porta do Templo de Jerusalém para pedir esmola. Um dia, pelas três da tarde, Pedro e João sobem ao Templo e seus olhos cruzam-se com o olhar daquele mendogo que pede uma esmola. Os apóstolos acolhem aquele olhar, aceitam um encontro real com aquele homem enfermo, ativam uma relação: «Dinheiro, não temos! Mas damos-te o que temos: “Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!” E ele de um salto, pôs-se de pé e começou a andar». Encontrando os Apóstolos, o mendigo não encontra dinheiro, mas o Nome que salva: Jesus Cristo Nazareno. Pedro e João ensinam-nos a confiar, não nos meios materiais – sem dúvida, necessários –, mas na verdadeira riqueza que é a relação com Jesus ressuscitado. De facto, como dirá o apóstolo Paulo, «somos tidos (…) por pobres, nós que enriquecemos muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). O nosso tudo é o Evangelho, que manifesta o poder do nome de Jesus que realiza prodígios.A prova disto é o paralítico curado: agora caminha, salta e louva a Deus. Pode viver celebrando o Amor de Deus que o criou para a vida e a alegria.


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