20 abril, 2017

Papa no Consistório: Pastorinhos de Fátima santos a 13 de maio




(RV) Jacinta e Francisco Marto, os dois Pastorinhos que presenciaram as aparições de Nossa Senhora, serão canonizados pelo Papa Francisco em Fátima, no próximo dia 13 de maio. A canonização terá, portanto, lugar durante a Viagem Apostólica do Papa a fátima, no Centenário das Aparições da Virgem Maria.

A confirmação deu-se na manhã desta quinta-feira (20/04) durante o Consistório Ordinário Público, presidido pelo Santo Padre no Vaticano. Serão as primeiras crianças não-mártires a serem proclamadas Santas. Na mesma data, há 17 anos, os dois irmãos eram beatificados por João Paulo II.

Jacinta e Francisco Marto, os dois irmãos de apenas nove e dez anos, juntamente com a prima Lúcia dos Santos, tiveram visões de Nossa Senhora. A primeira vez aos 13 de maio de 1917, seguindo-se em todos os dias 13 de cada mês, até chegar ao mês de outubro. Nos "encontros celestiais" Maria deixou mensagens sobre acontecimentos futuros e recomendações aos pequenos, entre estas, a de rezar o Rosário diariamente.

A fama de santidade dos dois Pastorinhos logo após as suas mortes já havia se difundido por todo o mundo. Francisco morreu em 4 de abril de 1919, de febre espanhola. Jacinta, dez meses mais tarde, em 20 de fevereiro de 1920.

Jacinta, após muitos sofrimentos oferecidos pela conversão dos pecadores, morreu sozinha num hospital de Lisboa, sendo sepultada em Vila Nova de Ourém, o município ao qual pertence o Santuário de Fátima.

De Francisco - chamado de "o consolador" pelo seu desejo de consolar com a oração Nossa Senhora - perdeu-se o local preciso de sua sepultura. Somente anos mais tarde seus restos mortais foram reconhecidos pelo pai, por um detalhe muito particular, o terço que ele tinha nas mãos.

Em setembro de 1935, o corpo incorrupto de Jacinta foi traslado de Vila Nova de Ourém a Fátima. O corpo foi fotografado e o Bispo de Leiria-Fátima, José Alvez Correia da Silva, enviou uma cópia à Lúcia, que se tinha tornado Irmã Doroteia. Na ocasião, o prelado pediu a Lúcia que escrevesse tudo o que sabia sobre a vida de Jacinta. Nascia assim a Primeira memória, que ficou pronta no Natal de 1935.

Sucessivamente o bispo pediu que Lúcia escrevesse também suas recordações a respeito de Francisco e os factos ocorridos em Fátima.

Não fossem estes relatos deixados sobre a breve vida dos dois irmãos, talvez ninguém poderia ter pensado em abrir uma Causa de canonização, mesmo porque naquele tempo ainda não havia sido decretado o reconhecimento de "exercício das virtudes em grau heróico" também para os pequenos.

O pedido para investigar a santidade dos dois foi iniciado pela Diocese de Leiria somente em 1952 e concluído em 1989, com o decreto sobre a prática das virtudes, em consideração à idade das crianças.

O obstáculo, era ainda uma questão de fundo debatida no decorrer do século XX, em relação à possibilidade ou não de levar em consideração duas crianças como candidatos à canonização. Questão que foi resolvida em 1981 por meio de um documento emitido com este propósito pela Congregação da Causa dos Santos.

O milagre atribuído à intercessão das duas crianças, e que levou à beatificação, foi reconhecido em 1999. Já o que abriu o caminho para a canonização, foi reconhecido em 23 de março passado, e diz respeito a uma criança brasileira, que na época tinha seis anos.

Esta criança estava na casa do avô, brincando com a irmãzinha, quando caiu por acidente de uma janela de cerca sete metros de altura, sofrendo um grave traumatismo crânio-encefálico, com a perda de material cerebral.

Levada ao hospital em coma, foi operada. Caso sobrevivesse, viveria em estado vegetativo ou, no máximo, com graves deficiências cognitivas. Milagrosamente, após três dias, a criança recebeu alta, não sendo constatado nenhum dano neurológico ou cognitivo.

Em 2 de fevereiro de 2007, uma equipe médica deu parecer positivo unânime sobre o caso, como "cura inexplicável do ponto de vista científico".

No momento do incidente, o pai da criança havia invocado Nossa Senhora de Fátima e os dois pequenos beatos. Na mesma noite, os familiares e uma comunidade de Irmãs de clausura haviam rezado com insistência, pedindo a intercessão dos Pastorinhos de Fátima.
 (BS/JE)

XL Assembleia Nacional do RCC


“Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito Santo para utilidade de todos” (1Cor 12,7)
 XL ASSEMBLEIA NACIONAL
DO RENOVAMENTO CARISMÁTICO CATÓLICO
Centro Pastoral Paulo VI – Fátima                2 e 3 de Setembro 2017

PROGRAMA
                                       ASSEMBLEIA NACIONAL – CINQUENTENÁRIO DO RCC


SEXTA-FEIRA (1 de setembro) 

21,15 h - Salão do “Bom Pastor” - Encontro com as Equipas Diocesanas de Serviço do RCC, equipas de serviço à Assembleia, responsáveis e membros de Comunidades Carismáticas, alargado aos irmãos que queiram estar presentes, limitado à lotação da sala. “Nova Evangelização” – Ralph Martin 

SÁBADO (2 de setembro)

09,15 h – Acolhimento/Animação/ Hino (oficial do Cinquentenário, se houver)
10,00 h – Introdução: Coordenador Nacional/Assistente Nacional
10,30 h – Apresentação das Dioceses/ Comunidades
11,15 h – “O RCC no panorama da Pastoral do Laicado e Família” pelo Presidente da CELF – Comissão Episcopal do Laicado e Família-
12,30 h – Louvor – A Igreja e as diversas comunidades: Equipa Nacional, Canção Nova, Cristo de Betânia, Comunidade Emanuel
13,00 h – Almoço
15,00 h – Animação
15,30 h – “A primeira experiência de Efusão – Um Novo Pentecostes na Igreja” por Ralph  Martin
16,30 h – Intervalo
17,00 h
“A CEP e o RCC: o que vêm e esperam os bispos portugueses” pelo Senhor Patriarca, D. Manuel Clemente
18,30 h – Eucaristia (votiva do Espírito Santo) - Senhor Patriarca, D. Manuel Clemente
19,45 h – Jantar
21,15 h – Animação
21,30 h – Oração Mariana
22,00 h – “Novo Pentecostes – O arrependimento e a oração, caminhos de Santidade para uma missão frutuosa na Igreja”, por Ralph Martin
22,45 h – Oração de cura e libertação

DOMINGO (3 de setembro)
 

09,00 h – Animação
09,15 h – Laudes (P. Magalhães)
09,45 h – “RCC - que lugar na vida da Igreja de hoje? “pelo Senhor Cardeal Stanislaw Rilko
11,00 h – Eucaristia de encerramento


                              Este programa pode ser alterado por motivos imprevistos

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Ralph Martin 

Ralph Martin é presidente dos Ministérios do Renovamento, uma organização dedicada ao renovamento Católico e evangelização. Ralph é responsável também por um programa semanal de rádio e televisão “The choices we face” ou seja “As escolhas que enfrentamos”, um programa que é amplamente visto e escutado, distribuído em todo mundo. 

Ralph é doutorado em teologia pela Universidade Pontifícia de S. Tomás (Angelicum) em Roma e é professor e diretor dos Programas de Teologia de Pós-graduação em Nova Evangelização no Seminário Maior do Sagrado Coração na Arquidiocese de Detroit. Foi nomeado pelo Papa Bento XVI como Consultor no Conselho Pontifício para a Nova Evangelização e foi também indicado como “perito” para o Sínodo sobre a Nova Evangelização em Outubro de 2012. 

Ralph é autor de numerosos livros, os mais recentes dos quais são: Urgency of the New Evangelization: Answering the Call;  The Fulfillment of All Desire: A Guidebook for the Journey to God Based on the Wisdom of the Saints; e Will Many Be Saved? What Vatican II Actually Teaches and Its Implications for the New Evangelization. 

Ele e a sua esposa Anne têm seis filhos e dezasseis netos e residem em Ann Arbor, Michigan.

Fonte: ESD RCC Lisboa

Santa Sé: defender direitos, liberdades e dignidade dos migrantes




(RV) O Acordo Global sobre as Migrações dará à comunidade internacional a oportunidade para respeitar os compromissos assumidos com a adopção da Agenda 2030, o programa para o desenvolvimento sustentável, assinado em 2015 pelos governos dos 193 Países membros da ONU – sublinhou Dom Bernardito Auza, Núncio apostólico e Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, na sua intervenção, esta terça

A Agenda 2030 é um sinal de esperança

Dom Auza recordou que o Papa Francisco descreveu a adopção desta Agenda "um importante sinal de esperança". A Santa Sé – explicou o prelado - acredita que esta esperança se transformará em realidade somente se a Agenda for realmente, e de forma justa e eficaz,  implementada para todos, incluindo os migrantes.

É urgente responder às necessidades fundamentais de todos

Dom Auza também lembrou que o Santo Padre exortou todos os líderes do governo a adoptar medidas imediatas, eficazes  e concretas para parar, tão rapidamente quanto possível, ao fenómeno da exclusão social e económica. A impossibilidade de acesso a uma educação de qualidade, a falta de oportunidades de emprego e a ausência de cuidados de saúde adequados estão entre as causas que levam as pessoas a emigrar.

A instabilidade global determina graves consequências negativas

Estas exigências sem respostas - disse Dom Auza - estão na base de uma instabilidade global. E são múltiplas as repercussões negativas provocadas por esta instabilidade. Entre elas, estão o tráfico de seres humanos, a exploração sexual, formas de escravidão relacionadas com o trabalho, a prostituição, o comércio de droga, de armas e o terrorismo. Por isso - disse ainda o Núncio – o primeiro e principal empenho deve ser o de responder às exigências fundamentais de todos os povos.

Sempre mais preocupante o drama dos menores não acompanhados

Outra área de grande preocupação refere-se às crianças migrantes não acompanhadas. Antes ainda de atingir metas importantes como a reunificação familiar, deve-se olhar para a origem deste problema. A comunidade internacional - disse Dom Auza - se comprometa a fazer cessar os conflito e a violência. É esta violência - observou o Prelado – a chaga que leva as pessoas a fazer emigrar os seus filhos na esperança de que eles possam encontrar as condições para uma vida melhor.

Para governar o fenómeno da migração é necessária uma abordagem global

A governação, no que diz respeito à migração, não pode ser relegada a um ministério ou a um único departamento. É necessário – sublinhou Dom Auza numa segunda intervenção sobre o mesmo assunto - uma abordagem de governo global, que reflicta a natureza integral da pessoa humana. É, portanto, indispensável uma resposta comum às migrações, que tenha em conta a complexidade deste fenómeno. É também urgente um esforço coordenado que inclua, para além das actividades de governo, também a comunidade política, a sociedade civil, as organizações internacionais e as instituições religiosas.

Ninguém se pode excluir da obrigação de defender os direitos dos migrantes

Dom Auza finalmente recordou as palavras dirigidas pelo Papa Francisco, no passado dia  21 de fevereiro, aos participantes no Fórum "Migração e Paz". Por aquela ocasião, o Pontífice tinha centrado na situação de milhões de trabalhadores e trabalhadoras migrantes, entre os quais também refugiados, requerentes de asilo e vítimas de tráfico. "A defesa dos seus direitos inalienáveis, a garantias das liberdades fundamentais e o respeito pela sua dignidade – tinha dito Francisco - são tarefas das quais ninguém se pode excluir". (BS)

19 abril, 2017

Papa na Audiencia geral: Cristo Ressuscitou dos mortos - aqui nasce a fé cristã




(RV) Como habitualmente às quartas-feiras, também hoje o Papa Francisco teve a sua catequese geral na Praça de São Pedro. E como era de esperar falou de Cristo Ressuscitado tal como é apresentada na primeira Carta de São Paulo aos Coríntios. O cristianismo – disse Francisco – nasce com a Ressurreição de Cristo e “não é uma ideologia, não é um sistema filosófico, mas sim um caminho de fé que parte de uma acontecimento, testemunhado pelos primeiros discípulos de Jesus”.

Se Cristo não tivesse ressuscitado teríamos nele um exemplo de dedicação suprema, mas isto não poderia gerar a nossa fé. A fé nasce da Ressurreição – insistiu o Papa. Aceitar que Cristo morreu e que morreu na cruz, não é um acto de fé, é um acto histórico, mas acreditar que ressuscitou, sim. “A nossa nasce na manhã de Páscoa”.

Seguindo a Carta de Paolo aos Coríntios, o Papa faz notar que ele era um perseguidor da Igreja, um homem firme nas suas convicções, satisfeito da vida, com clara consciências dos seus deveres. Mas nesse quadro perfeito da vida, um dia acontece-lhe algo de imprevisível: a caminho de Damasco, encontra Jesus e cai do cavalo, mas não se tratou duma simples queda. Ele é apanhado por um acontecimento que muda o sentido da sua vida. E de perseguidor torna-se apóstolo. Porquê?

Porque vi Jesus vivo! Eu vi Jesus Cristo ressuscitado! Este é o fundamente da fé de Paulo, assim como da fé dos apóstolos, como a fé da Igreja, como a nossa fé”.

O Papa chamou a atenção para a beleza de o cristianismo ser essencialmente isto: não tanto a nossa procura de Deus que na realidade é titubeante, mas sim Deus que nos procura e não nos abandona. O cristianismo – disse  - é graça, é surpresa e por isso requer um coração capaz de se maravilhar…

um coração cerrado, um coração racionalístico é incapaz de se maravilhar, e não compreender o que é o cristianismo. Porque o cristianismo é graça, e a graça só é perceptível, só se encontra na maravilha do encontro

Então – continuou o Papa – se somos pecadores, todos o somos, se nos sentimos falhados, tal como aqueles que foram ao sepulcro de Jesus e viram a pedra rolada – podemos ira a nosso sepulcro interior e ver como Deus é capaz de ressuscitar também ali. E então lá onde todos pensavam que só havia tristeza, trevas, insucessos, dá-se a felicidade, a alegria, a vida. “Deus faz crescer as suas flores mais bonitas no meio de pedras áridas”.

E o Papa concluiu recordando que “ser cristãos significa não partir da morte, mas do amor de Deus para connosco” E convidou, a trazermos no coração, nestes dias de Páscoa, do grito de São Paulo “Ó morte onde está a tua vitória? Onde está ó morte o teu aguilhão”. Assim poderemos responder a quem se interroga sobre o nosso sorriso, que “Jesus ainda está aqui e continua a estar vivo no meio de nós, que Jesus está aqui na praça connosco: vivo e ressuscitado” .
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Depois da sua catequese em italiano, as palavras do Papa foram resumidas em francês, inglês, espanhol, alemão, polaco, e português, seguidas de uma saudação nessas línguas para diversos grupos de peregrinos presentes na Praça. Eis a saudação do Papa em língua portuguesa…

De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os grupos vindos de Portugal e do Brasil. Queridos amigos, deixai-vos iluminar e transformar pela força da Ressurreição de Cristo, para que as vossas existências se convertam num testemunho da vida que é mais forte do que o pecado e a morte. Feliz Páscoa para todos!"

(DA)

19/04/2017 12:37

17 abril, 2017

RESSUSCITOU! ALELUIA!

RESSUSCITOU! ALELUIA!

E agora?

Agora vais viver uns dias cheio de fé exaltante, fazendo promessas e mais promessas de emendares isto e aquilo, de celebrares mais e “rotinares” menos, de te entregares todo inteiro, sem medo nem vergonhas.
Que bom vai ser!

E depois, depois, ao longo dos dias vais perdendo o ânimo, a vontade, vais “descobrindo” razões para quebrares algumas promessas, vais-te deixando envolver na rotina, vais deixando de fora da tua entrega algumas coisas da tua vida, (que são só “tuas” convenceste-te tu), vais deixando que algum medo, alguma vergonha te vá manietando em certos momentos, enfim, vais voltar ao habitual, que longe de ser mau, não é no entanto o que a Ressurreição espera de ti!

E, no entanto, Ele não “queimou etapas”!
Passou pela prisão, pelo abandono dos seus, por um julgamento iniquo, por uma humilhação feroz, por um sofrimento atroz, por uma crucificação excruciante, para culminar na exaltante Ressurreição, para te dar a Vida Nova, para te dar a Vida d’Ele, a ti!

Claro que Ele não espera que sejas a partir de agora um “santo perfeito”, um homem sem mácula, sem fraquezas, sem medos, nem vergonhas, mas espera, com certeza, que esta Páscoa te leve a um caminho mais seguro do que as anteriores, (que também foram preparando esta), espera que conhecendo-te tu agora melhor, estejas atento, vigilante, (como Ele gosta de dizer), para não te deixares cair com facilidade nos erros do passado.

Espera que não arranjes desculpas para não rezares, mais e melhor, (não são as palavras, mas o espírito da oração), porque Ele sabe que quando rezas, estás em comunhão com Ele e com os outros e assim a Sua Ressurreição torna-se Vida Nova em ti.

Ouviste, Joaquim, leste Joaquim, compreendeste Joaquim?

Então entrega-te, sem medo, e a Ressurreição será vida eterna em ti e nos outros, pela graça do Deus de misericórdia que se entregou por ti e por todos.

E não te esqueças: Sempre, sempre para a maior glória de Deus!


Marinha Grande, 17 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves

Papa: Regina Caeli de segunda-feira do Anjo 17.04.17




(RV) Hoje, dia 17 de Abril é segunda-feira do Anjo e dia feriado no Vaticano e na Itália e às 12 horas de Roma Papa Francisco rezou a oração do Regina Caeli, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

O Pontífice sublinhou que “nesta segunda-feira de festa, conhecida como ‘Segunda-feira do Anjo”, a liturgia faz ressoar o anúncio da Ressurreição”, anúncio proclamado no Domingo de Páscoa: Cristo ressuscitou, aleluia!

“No Evangelho de hoje, podemos ouvir o eco das palavras que o Anjo dirigiu às mulheres que correram ao sepulcro: “Vão depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos”.

“Sentimos como dirigido também a nós o convite a ir depressa anunciar aos homens e mulheres do nosso tempo esta mensagem de alegria e esperança. De esperança porque desde que, na aurora do terceiro dia, Jesus crucificado ressuscitou, a última palavra não é mais da morte, mas da vida! Esta é a nossa certeza. A última palavra não é do sepulcro, não é da morte, é da vida! Por isso, repetimos: Cristo ressuscitou! Porque Nele o sepulcro foi vencido, e nasceu a vida.”

“Em virtude desse evento, verdadeira e própria novidade da história e do cosmo, somos chamados a ser homens e mulheres novos, segundo o Espírito, afirmando o valor da vida. Isso é começar a ressurgir!”

“Seremos homens e mulheres de ressurreição, homens e mulheres de vida se, no meio da vicissitudes que afligem o mundo, e são muitas, em meio à mundanidade que distancia de Deus, soubermos fazer gestos de solidariedade, gestos de acolhimento, alimentar o desejo universal de paz e aspirar a um ambiente livre de degradação. São sinais comuns e humanos, mas que, sustentados e animados pela fé no Senhor ressuscitado, adquirem uma eficiência bem superior às nossas capacidades. Sim, porque Cristo está vivo e operante na história por meio do seu Santo Espírito: resgata as nossas misérias, alcança todo coração humano e doa novamente esperança ao oprimido e sofredor.”

O Papa pediu à Virgem Maria, “testemunha silenciosa da morte e da ressurreição de seu filho Jesus, para que nos ajude a ser sinais límpidos de Cristo ressuscitado entre os acontecimentos do mundo, a fim de que os que se encontram nas tribulações e dificuldades não permaneçam vítimas do pessimismo e da derrota, da resignação, mas encontrem em nós muitos irmãos e irmãs que oferecem o seu apoio e consolação”.

“Que a nossa Mãe nos ajude a crer fortemente na ressurreição de Jesus. Jesus ressuscitou! Está vivo aqui entre nós e este é um mistério de salvação admirável com a sua capacidade de transformar os corações e a vida. Que ela interceda de modo particular pelas comunidades cristãs perseguidas e oprimidas em várias partes do mundo, chamadas a um testemunho difícil e corajoso.”

Na luz e alegria da Páscoa, o Papa Francisco convidou todos os presentes na Praça de São Pedro a rezar o Regina Caeli, oração que durante cinquenta dias, até ao Pentecostes, substitui o Angelus.

Depois da oração do Regina Caeli, o Papa Francisco saudou as pessoas presentes na Praça São Pedro, famílias, grupos paroquiais, associações e peregrinos provenientes da Itália e várias partes do mundo.

“Que vocês transcorram serenamente estes dias da Oitava de Páscoa, em que se prolonga a alegria da Ressurreição de Cristo. Aproveitem esta boa ocasião para serem testemunhas da paz do Senhor ressuscitado.”

“Boa e Santa Páscoa a todos! Por favor, não se esqueçam de rezar por mim”, concluiu o Papa.

Bento XVI festeja nesta segunda-feira do Anjo os seus 90 anos




(RV) O Papa emérito, Bento XVI fez no domingo de Páscoa, 16 de Abril, 90 anos de idade. Muitíssimo os parabéns que recebeu ao longo do dia. Mas os festejos foram adiados para esta segunda-feira, 17.  Esta tarde, Bento XVI recebe, no Mosteiro Mater Eclesiae, no Vaticano, onde reside, uma pequena delegação da sua terra natal, a Baviera. Um momento de festa simples e  familiar.

Do testemunho de fé e humanidade de Bento XVI, dá conta um livro saído precisamente estes dias pela Editora São Paulo. O título é “Bento XVI, imagens de uma vida” e é da autoria da jornalista Maria Giuseppina Bonanno e de Luca Caruso, responsável do departamento de imprensa da Fundação Joseph Ratzinger.

O colega italiano Alessandro Gisotti perguntou a Luca Caruso como surgiu a ideia de contar a vida do Papa emérito através de imagens…

“A ideia nasce em referência a uma passagem do livro do Ben Sira: “Se encontrares um sábio, vai logo ter com ele, os teus pés não poupem os degraus do seu limiar”. O meu desejo e o de Maria Giuseppina Buonoanno era o de dar a conhecer, de forma simples, a quem queira conhecer, a vida de um grande testemunho de fé neste século. Esta narração nasce de um encontro sinérgico entre texto e imagem: aquilo que uma pessoa lê no texto, o vê ao lado traduzido em imagem…

 - Na prefação do livro, o P. Federico Lombardi, Presidente da Fundação Ratzinger, escreve que “os olhos de Bento XVI são os de um homem que procura a verdade e que a intui”…

Isto é verdade, é um olhar que vai para além, que já saboreia antecipadamente a luz, o fulgor da Ressurreição! Joseph Ratzinger nasceu num Sábado Santo e foi baptizado com essa água: vive as dificuldades, as alegrias e as dores de cada dia, mas já saboreia antecipadamente algo que vai para além, o fulgor da Ressurreição.”

- O capítulo conclusivo é dedicado às relações entre o Papa Francisco e aquele que há quatro anos é o Papa Emérito. Também aqui tantas belas imagens dessa relação inédita e, sobretudo, extraordinária de fraternidade entre Bergoglio e Ratzinger…

Sim, eles são um modelo de fraternidade episcopal mas também – num período atormentado de guerra, de violência – são um modelo esplendido de amizade, de fraternidade para cada homem. Para o Papa Francisco, Papa Bento XVI é um “avô sábio em casa” e o Papa Bento está tocado pelo entusiasmo, pela alegria da fé transmitida pelo Papa Francisco.”

O livro traz também um breve texto de Georg Ratzinger, irmão do Papa emérito que sublinha como muitas pessoas encontram nas palavras de Bento XVI “força e orientação”. Falamos muito de imagens, mas o tema da palavra é certamente fundamental e é uma herança fecunda e com um longo e amplo horizonte no caso de Joseph Ratzinger…

Sim, o Papa Bento foi um grande intelectual, fruto da mais alta tradição “mitteleropea”.  E esta sua pesquisa ininterrupta do rosto de Deus através do estudo da Teologia é o seu maior património e que enriqueceu toda a reflexão de quem o ouviu, e continuará a semear frutos por longo tempo na vida da Igreja.”

(DA)

Entrevista - "Ser cristão na sociedade dá-me responsabilidade acrescida"


Em entrevista ao DN o cardeal-patriarca D. Manuel Clemente fala da igreja que o Papa Francisco quer construir, do País e da Europa, referindo três católicos que se assumiram: o Presidente da República, o secretário-geral das Nações Unidas e o selecionador nacional.A luz entra pelo gabinete que é seu desde há dois anos, no Mosteiro de São Vicente de Fora, e onde está instalado o Patriarcado de Lisboa. "São Vicente de Fora, porque está fora das antigas muralhas da cidade", explica. Das janelas, um olhar invejável pelo rio, Alfama e Castelo. Um olhar por uma Lisboa que está a mudar. "Nem imagina a diferença. Junto ao rio eram só contentores, agora são barcos de cruzeiro. Aqui, em Alfama, não há uma rua que não tenha prédios em recuperação. Tudo muda, até a população." Do outro lado e apontando para o Castelo, conta: "Foi por este lado que se deu a reconquista cristã", introduzindo um tema que lhe é grato, História, a primeira de várias licenciaturas. Historiador, professor, teólogo, sacerdote, bispo e agora cardeal-patriarca, D. Manuel Clemente, tem obras publicadas e recebeu o Prémio Pessoa em 2009. Mas quando lhe perguntamos se tem saudades de ser professor, responde: "Isso era o que eu queria ser, mas dá-me ideia que cada dia tenho de ser um bocadinho." Tal como ser patriarca "é um desafio para todos os dias." Do Papa admira a sua presença de proximidade, se é o Papa que o mundo precisava, diz que "todos são os adequados à sua época". Como cidadão vota em todas as eleições, "é um dever", e assume-se torriense de nascença e de coração, do qual é sócio do clube e "com quotas pagas". Numa tarde na semana antes da Páscoa, D. Manuel Clemente, aos 68 anos, confessa: "O que me preocupa mais em relação a Portugal é tudo aquilo que poderíamos ser e ainda não somos."

O Papa Francisco fala da construção de uma Igreja do discernimento e do acolhimento. Como se constrói esta Igreja?A partir de onde estamos. Em Portugal temos uma rede de presença na sociedade que é única, foi a rede em que a própria sociedade se constituiu. Era nela que se nascia, crescia, vivia, casava e morria. No fundo, esta rede de sociabilidade é já uma tentativa de criar um porto de abrigo, material e espiritual , para toda a gente, onde se recorre e de onde parte também a motivação. Nas igrejas ouve-se o Evangelho, que dá critérios e vontade de se fazer melhor. E isso é muito importante. Nem imagino o que seria se acabasse esta rede, se de repente não houvesse missa dominical, onde ainda vai quase um quarto da população portuguesa. Faltava-nos a última hipótese de nos encontrarmos, novos e velhos, crianças e adultos, gente de cá e de fora, de várias condições sociais e estatutos. Não há nada assim e é preciso manter esta rede. Não manter por manter, mas manter positivamente a habitualidade de convívio e, ao mesmo tempo, de recolhimento. Esta rede é um enorme feito para a Igreja portuguesa, para os seus ministros, servidores, mais de três mil, que a garantem. Mas a figura do Papa Francisco - que tem tanta vontade de estar com as pessoas, de acolher cada um como se parasse o tempo e acabasse o mundo - dá-nos mais estímulo para fazer mais. Se há algo de que o mundo precisa é de presenças assim, que estejam realmente presentes.

É isso que se quer dos católicos?
É o que mais me desafia: onde esteja, esteja. Não é estar já a pensar onde vou a seguir, a precipitar as coisas.

O Papa tem pedido aos sacerdotes que pensem e depois decidam nas situações com que a igreja tem mais dificuldade em lidar - divorciados, recasados, homossexualidade. O que é preciso fazer para acolher estas pessoas?
Antes de mais acolhê-las como pessoas, porque antes de serem um divorciado, um recasado ou um homossexual são uma pessoa. Esta tónica é fundamental, é o que acontecia com Jesus Cristo. Há o famoso caso em que Lhe levam uma mulher apanhada em adultério, a atiram aos Seus pés e Lhe dizem: "Olha que a nossa lei diz que deve ser apedrejada até à morte, matá-las quando são apanhadas em flagrante. E tu o que dizes? "Enquanto falavam, Jesus escrevia no chão. Depois disse-lhes: "Muito bem, quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra." Ninguém atirou, mas a conversa acaba com um diálogo que é uma proposta de diferença: "Ninguém te condenou, eu não te condeno, vai mas não tornes a pecar." Esta volta final é o acolhimento maior, que segundo Jesus é a vontade de Deus. E se queremos ser discípulos de Jesus temos de ter esta dupla intenção: 1.º Se é uma pessoa que está diante de ti, essa pessoa vale tudo aos olhos de Deus; 2. º Deus não deixa de lhe propor o melhor, é o que temos de fazer.

Mas como?
Para já, evitando as situações de rutura familiar, preparando melhor as famílias que formamos, uma preparação logo de criança para que não se habituem a viver em função de si próprios, porque se crescem juntando egoísmos não dá em nada.
Patriarcado de Lisbia

16 abril, 2017

Papa Francisco: Mensagem Urbi et Orbi

  
(RV) Numa Praça de S. Pedro, hoje mais uma vez repleta de féis e peregrinos provenientes de diversos cantos da Itália e do mundo inteiro, e logo após a celebração da santa missa de solenidade de Páscoa, o Papa Francisco procedeu a comunicação da mensagem e da bênção Urbi et Orbi deste ano 2017.



Queridos irmãos e irmãs,

feliz Páscoa!

Hoje, em todo o mundo, a Igreja renova o anúncio maravilhoso dos primeiros discípulos: «Jesus ressuscitou!» - «Ressuscitou verdadeiramente, como havia predito!» A antiga festa de Páscoa, memorial da libertação do povo hebreu da escravidão, alcança aqui o seu cumprimento: Jesus Cristo, com a sua ressurreição, libertou-nos da escravidão do pecado e da morte e abriu-nos a passagem para a vida eterna.

Todos nós, observou Francisco, quando nos deixamos dominar pelo pecado, perdemos o caminho certo e vagamos como ovelhas perdidas. Mas o próprio Deus, o nosso Pastor, veio procurar-nos e, para nos salvar, abaixou-Se até à humilhação da cruz. E hoje podemos proclamar: «Ressuscitou o bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia!» (Missal Romano, IV Domingo de Páscoa, Antífona da Comunhão).

Através dos tempos, recordou o Santo Padre,  o Pastor ressuscitado não Se cansa de nos procurar, a nós seus irmãos extraviados nos desertos do mundo. E, com os sinais da Paixão – as feridas do seu amor misericordioso –, atrai-nos ao seu caminho, o caminho da vida. Também hoje Ele toma sobre os seus ombros muitos dos nossos irmãos e irmãs oprimidos pelo mal nas suas mais variadas formas.

O Pastor ressuscitado vai à procura de quem se extraviou nos labirintos da solidão e da marginalização; vai ao seu encontro através de irmãos e irmãs que sabem aproximar-se com respeito e ternura e fazer sentir àquelas pessoas a voz d’Ele, uma voz nunca esquecida, que as chama à amizade com Deus. Cuida de quantos são vítimas de escravidões antigas e novas: trabalhos desumanos, tráficos ilícitos, exploração e discriminação, dependências graves. Cuida das crianças e adolescentes que se vêem privados da sua vida despreocupada para serem explorados; e de quem tem o coração ferido pelas violências que sofre dentro das paredes da própria casa. O Pastor ressuscitado faz-Se companheiro de viagem das pessoas que são forçadas a deixar a sua terra por causa de conflitos armados, ataques terroristas, carestias, regimes opressores. A estes migrantes forçados, Ele faz encontrar, sob cada ângulo do céu, irmãos que compartilham o pão e a esperança no caminho comum.

Eis então que, nas vicissitudes complexas e por vezes dramáticas dos povos, Francisco pede ao Senhor ressuscitado para  que guie os passos de quem procura a justiça e a paz; e dê aos responsáveis das nações a coragem de evitar a propagação dos conflitos e deter o tráfico das armas.

Concretamente nos tempos que correm,  que o Senhor sustente os esforços de quantos trabalham activamente para levar alívio e conforto à população civil na Síria, vítima duma guerra que não cessa de semear horrores e morte. Conceda paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra Santa, bem como ao Iraque e ao Iémen.

Não falte a proximidade do Bom Pastor às populações do Sudão do Sul, do Sudão, da Somália e da República Democrática do Congo, que sofrem o perdurar de conflitos, agravados pela gravíssima carestia que está a afectar algumas regiões da África.

Em seguida, Francisco dirige o seu olhar ao seu amado continente, América Latina e pede a Jesus ressuscitado para que sustente os esforços de quantos estão empenhados neste continente, em garantir o bem comum das várias nações, por vezes marcadas por tensões políticas e sociais que, nalguns casos, desembocaram em violência. Que seja possível construir pontes de diálogo, perseverando na luta contra o flagelo da corrupção e na busca de soluções pacíficas viáveis para as controvérsias, para o progresso e a consolidação das instituições democráticas, no pleno respeito pelo estado de direito.

Finalmente, o Santo Padre dirigiu o seu olhar à quantos sofrem no continente europeu, a começar pelo povo ucraniano: que o Bom Pastor, disse o Papa, ajude a nação ucraniana, atormentada ainda por um conflito sangrento, a reencontrar a concórdia, e acompanhe as iniciativas tendentes a aliviar os dramas de quantos sofrem as suas consequências. O Senhor ressuscitado, que não cessa de cumular o continente europeu com a sua bênção, dê esperança a quantos atravessam momentos de crise e dificuldade, nomeadamente por causa da grande falta de emprego, sobretudo para os jovens.

Queridos irmãos e irmãs, este ano, nós, os crentes de todas as denominações cristãos, celebramos juntos a Páscoa. Assim ressoa, a uma só voz, em todas as partes da terra, o mais belo anúncio: «O Senhor ressuscitou verdadeiramente, como havia predito!» Ele, que venceu as trevas do pecado e da morte, conceda paz aos nossos dias.

Feliz Páscoa!

No final da missa, e depois do anúncio da mensagem urbi et orbi, O Santo Padre dirigiu um especial augúrio di Boa Páscoa aos milhares de fiés e peregrinos presentes na celebração: < Um particular agradecimento a todos aqueles que ofereceram e prepararam a decoração das flores, que também neste ano provêem dos Países Baixos. Possais sentir cada dia a presença do Senhor Ressuscitado, e partilhar com os outros, a alegria e a esperança que Ele nos dá. Por favor, não esqueçam de rezar por mim. Boas festas e até breve»!