21 setembro, 2017

Papa Francisco: tolerância zero contra abusos de menores




(RV) “Tolerância zero contra os abusos”: este foi o princípio reiterado pelo Papa Francisco ao receber em audiência na manhã desta quinta-feira (21/09) a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores. O Pontífice entregou o discurso e dirigiu aos membros algumas palavras improvisadas.

Logo no início do seu discurso, o Pontífice compartilhou “a profunda dor que sente na alma pela situação das crianças abusadas”.

“O escândalo do abuso sexual é verdadeiramente uma ruína terrível para toda a humanidade, e que afecta muitas crianças, jovens e adultos vulneráveis em todos os países e em todas as sociedades. Também para a Igreja tem sido uma experiência muito dolorosa. Sentimos vergonha pelos abusos cometidos por ministros sagrados, que deveriam ser os mais dignos de confiança.”

Francisco prosseguiu reafirmando que o abuso sexual é um pecado “horrível”, completamente oposto e em contradição com o que Cristo e a Igreja ensinam.

O Papa considerou um “privilégio” a oportunidade que teve de ouvir as histórias das vítimas, que compartilharam abertamente os efeitos que o abuso sexual provocou nas suas vidas e na de suas famílias.

“Por isso, reitero hoje uma vez mais que a Igreja, em todos os níveis, responderá com a aplicação das mais firmes medidas a todos aqueles que traíram o seu chamamento e abusaram dos filhos de Deus”, disse Francisco com veemência.

O Pontífice afirmou que as medidas disciplinares que as Igrejas particulares adoptaram devem ser aplicadas a todos que trabalham nas instituições da Igreja. Todavia, acrescentou, a responsabilidade primordial é dos bispos, sacerdotes e religiosos, daqueles que receberam do Senhor a vocação de oferecer as suas vidas. “Por esta razão, a Igreja irrevogavelmente e em todos os níveis pretende aplicar contra o abuso sexual de menores o princípio da ‘tolerância zero’”.

O Papa citou o Motu Proprio “Como uma mãe amorosa”, que aborda os casos de negligência por parte de autoridades eclesiásticas e o trabalho realizado pela Comissão há três anos para proteger os menores e os adultos vulneráveis.

Francisco declara-se satisfeito em saber que as Conferências Episcopais e de Superiores Maiores procuram a Comissão acerca das Directrizes a serem aplicadas, e o trabalho em equipe com outras instituições vaticanas na formação de novos bispos e em vários congressos internacionais

“A Igreja está chamada a ser um lugar de piedade e compaixão, especialmente para os que sofreram. Para todos nós, a Igreja Católica continua a ser um hospital de campanha que nos acompanha no nosso itinerário espiritual,” concluiu o Papa, afirmando que confia plenamente no trabalho da Comissão, agradecendo aos membros pelos conselhos e esforços realizados nestes três anos de actividades. (BS)

Papa Francisco à Comissão Anti-Mafia: lutar contra a corrupção



(RV) O Papa Francisco recebeu em audiência na manhã desta quinta-feira, no Vaticano os membros da Comissão Parlamentar italiana Antimáfia.

No seu discurso aos presentes o Santo Padre dirigiu primeiramente o seu pensamento a todas as pessoas que na Itália pagaram com a vida a sua luta contra as máfias. Francisco recordou então em particular três magistrados: o servo de Deus Rosário Livatino, assassinado em 21 de setembro de 1990; Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, assassinados 25 anos atrás.

Depois de recordar as palavras de Jesus que “o que sai do homem é o que torna o homem impuro” destacou que o ponto de partida permanece sempre o coração do homem, as suas relações, os seus apegos.

Nunca seremos suficientemente vigilantes neste abismo onde a pessoa está exposta a tentações de oportunismo, engano e fraude, tornada mais perigosa ao recusar a se questionar. Quando você se fecha na auto-suficiência, chega-se facilmente ao prazer de si mesmo e à pretensão de ser a norma de tudo e de todos. É sinal disso também uma política desviante, inclinada a interesses de parte e acordos pouco claros. Então, chega-se a sufocar os apelos da consciência, a banalizar o mal, confundir a verdade com a mentira e a aproveitar-se do papel de responsabilidade pública que possui.

Francisco afirmou em seguida: “A política autêntica, a que reconhecemos como uma forma eminente de caridade trabalha, em vez disso, para assegurar um futuro de esperança e promover a dignidade de cada um. É precisamente por isso que vê a luta contra as máfias como uma prioridade, pois roubaram o bem comum, removendo esperança e dignidade das pessoas”.

Para este fim, torna-se decisivo opor-se de todos os modos ao grave problema da corrupção, que, no desprezo do interesse geral, representa o terreno fértil no qual as máfias se envolvem e se desenvolvem.

“A corrupção, - disse Francisco - sempre encontra o modo para se justificar, apresentando-se como a condição “normal”, a solução de quem “esperto”, o caminho para atingir os seus objectivos. Tem uma natureza contagiosa e parasitária, porque não se nutre do que de bom produz, mas do que subtrai e rouba. É uma raiz venenosa que altera a sã concorrência e afasta os investimentos. Enfim, a corrupção é um “habitus” construído sobre a idolatria do dinheiro e da mercantilização da dignidade humana, por isso deve ser combatida com medidas não menos incisivas do que as previstas na luta contra as máfias”.

O Papa afirmou que combater as máfias significa não só reprimir. Significa também recuperar, transformar, construir, e isso implica um compromisso a dois níveis. O primeiro é o político, através de uma maior justiça social, porque as máfias têm facilidade em se propor como um sistema alternativo precisamente sobre o território onde faltam direitos e oportunidades: trabalho, lar, educação e assistência sanitária.

O segundo nível de compromisso é económico, através da correcção ou supressão de mecanismos que geram em todos os lugares desigualdade e pobreza. Hoje, não podemos mais falar sobre lutar contra as máfias sem elevar o enorme problema de uma economia soberana sobre as regras democráticas através das quais as realidades criminosas investem e multiplicam os já ingentes lucros dos seus tráficos como drogas, armas, tráfico de pessoas, eliminação de resíduos tóxicos, condicionamentos de grandes contractos de obras, jogos de azar.

Estes dois níveis, político e económico, - disse ainda o Papa - pressupõem outro não menos essencial, que é a construção de uma nova consciência civil, a única que pode levar à verdadeira libertação das máfias. Serve – afirmou Francisco -, educar e educar-se a uma constante vigilância sobre si mesmo e sobre o contexto em que se vive, aumentando a percepção dos fenómenos de corrupção e trabalhando para um modo novo de ser cidadão, que inclua o cuidado e a responsabilidade pelos outros e pelo bem comum.

Enfim, o Papa Francisco disse que não se pode esquecer que a luta contra as máfias atravessa a tutela e a valorização das testemunhas da justiça, pessoas expostas a riscos sérios que escolheram denunciar as violências das quais foram testemunhas. Deve ser encontrado um caminho que permita a uma pessoa correcta, mas pertencente a famílias ou contextos mafiosos, mudar sem sofrer vinganças e retaliações. Há muitas mulheres, especialmente as mães que estão tentando fazê-lo, recusando a lógica criminosa, desejando garantir aos seus filhos um futuro diferente, concluiu o Santo Padre. (BS/SP)

Papa em S. Marta: “porta para encontrar Jesus é reconhecer-se pecador”

 

(RV) “A porta para encontrar Jesus é reconhecer-se pecador”, afirmou o Papa Francisco na Missa celebrada na manhã desta quinta-feira, na Capela da Casa Santa Marta. A sua homilia repassou a conversão de São Mateus – que hoje a Igreja festeja - episódio retratado pelo pintor italiano Caravaggio numa tela muito cara ao Papa Francisco.

Três as etapas do acontecimento: encontro, festa e escândalo. Jesus havia curado um paralítico e encontra Mateus, sentado no banco dos impostos. Fazia o povo de Israel pagar os impostos para depois dá-los aos romanos e por isto era desprezado, considerado um traidor da pátria.

Jesus olhou para ele e disse: “Segue-me”. Ele levantou-se e o seguiu, como narra o Evangelho do dia.
De um lado, o olhar de São Mateus, um olhar desconfiado, olhava “de lado”. “Com um olho, Deus” e “com o outro o dinheiro”, “agarrado ao dinheiro como pintou Caravaggio”, e também com um olhar impertinente. De outro, o olhar misericordioso de Jesus que – disse o Papa – olhou para ele com tanto amor”.

A resistência daquele homem que queria o dinheiro “cai”: levantou-se e o seguiu. “É a luta entre a misericórdia e o pecado”, sintetiza o Papa.

O amor de Jesus pode entrar no coração daquele homem porque “sabia ser pecador”, sabia “não ser bem querido por ninguém”, era desprezado.

E justamente “a consciência de pecador abriu a porta para a misericórdia de Jesus”. Assim, “deixou tudo e foi”. Este é o encontro entre o pecador e Jesus:

“É a primeira condição para ser salvo: sentir-se em perigo; a primeira condição para ser curado: sentir-se doente. E sentir-se pecador, é a primeira condição para receber este olhar de misericórdia. Mas pensemos no olhar de Jesus, tão bonito, tão bom, tão misericordioso. E também nós, quando rezamos, sentimos este olhar sobre nós; é o olhar de amor, o olhar da misericórdia, o olhar que nos salva. Não ter medo”.

Como Zaqueu, também Mateus, sentindo-se feliz, convidou depois Jesus para comer em sua casa. A segunda etapa é justamente “a festa”.

Mateus convidou todos os amigos, “aqueles do mesmo sindicato”, pecadores e publicanos. Certamente à mesa, faziam perguntas ao Senhor e ele respondia.

Isto – observou o Papa – faz pensar naquilo que disse Jesus no capítulo 15 de Lucas: “Haverá mais festa no Céu por um pecador que se converta do que por cem justos que permanecem justos”.

Trata-se da festa do encontro do Pai, a festa da misericórdia”. Jesus, de facto, trata a todos com misericórdia sem limite, afirma Francisco.

Então, o terceiro momento, o do “escândalo”. Os fariseus vendo que publicanos e pecadores sentaram-se à mesa com Jesus, perguntavam aos seus discípulos: “Por que o vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?”.

“Um escândalo sempre começa com esta frase: “Por que?””, explica o Papa. “Quando vocês ouvem esta frase, cheira” – sublinha – e “por trás vem o escândalo”.

Tratava-se, em substância, da “impureza de não seguir a lei”. Conheciam muito bem “a Doutrina”, sabiam como seguir “pelo caminho do Reino de Deus”, conheciam “melhor do que ninguém como se devia fazer”, mas “haviam esquecido o primeiro mandamento do amor”.

E assim, “fecharam-se na gaiola dos sacrifícios, quem sabe pensando: “Mas, façamos uma sacrifício a Deus”, façamos tudo o que se deve fazer, “assim, nos salvamos”. Em síntese, acreditavam que a salvação viesse deles próprios, sentiam-se seguros.

“Não! Deus nos salva, nos salva Jesus Cristo”, enfatizou o Papa:

“Aquele “por que” que tantas vezes ouvimos entre os fiéis católicos quando viam obras de misericórdia. “Por que?” E Jesus é claro, é muito claro: “Ir e aprender”. E os mandou aprender, não? “Ide e aprendei o que quer dizer misericórdia - (aquilo que) eu quero – e não sacrifícios, porque eu não vim, de facto, para chamar os justos, mas os pecadores”. Se tu queres ser chamado por Jesus, reconhece-te pecador”.

Francisco exorta, portanto, a reconhecer-se pecadores, não de forma abstracta, mas “com pecados concretos”: “todos nós os temos, tantos”, afirma.

“Deixemo-nos olhar por Jesus com aquele olhar misericordioso cheio de amor”, prosseguiu.
E permanecendo-se ainda no escândalo, ressaltou que existem tantos:

“Existem tantos, tantos. E sempre, também na Igreja hoje. Dizem: “Não, não se pode, é tudo claro, é tudo, não, não... eles são pecadores, devemos afastá-los”. Também tantos Santos são perseguidos ou se levanta suspeitas sobre eles. Pensemos em Santa Joana d’Arc, mandada para a fogueira, porque pensavam que fosse uma bruxa, pensem no Beato Rosmini. “Misericórdia eu quero, e não sacrifícios”. E a porta para encontrar Jesus é reconhecer-se como somos, a verdade. Pecadores. E ele vem, e nos encontramos. É tão bonito encontrar Jesus!” (BS/JE)

20 setembro, 2017

Pesar do Papa Francisco pelas vítimas do terremoto no México



(RV) O Papa Francisco manifestou sua solidariedade aos mexicanos depois do terremoto de 7.1 graus que devastou a nação. Ao saudar os peregrinos de língua espanhola na Audiência Geral, Francisco disse:

“Ontem, um terremoto terrível assolou o México – vi que há muitos mexicanos entre vós -. Causou inúmeras vítimas e danos materiais. Neste momento de dor, quero manifestar a minha solidariedade e oração a toda a querida população mexicana. Elevemos juntos a nossa oração a Deus por quem perdeu a vida, que o Senhor conforte os feridos, seus familiares e todos os afectados.”

O Papa pediu orações também por todos os que trabalham no resgate das vítimas e a protecção de Nossa Senhora de Guadalupe.

O tremor foi sentido em 18 municípios, incluindo a Cidade do México, onde edifícios caíram e pessoas estão soterradas. O epicentro foi nos arredores de Axochiapan, no Estado de Morelos, a cerca de 120 km da capital. Segundo o Serviço Nacional mexicano, o terremoto foi registrado a 57 km de profundidade.

Exatamente 32 anos atrás, no mesmo dia um sismo deixou milhares de mortos na capital mexicana.

Papa na Audência Geral: viva, ame, sonhe e acredite em Deus


(RV) O Papa Francisco presidiu na manhã desta quarta-feira, dia 20 de Setembro de 2017, a tradicional Audiência Geral na Praça de S. Pedro, repleta de fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo. Viva, ame, sonhe e acredite: este é o fulcro da mensagem da catequese hodierna do Papa, desenvolvida a partir duma conversa imaginária entre o Pontífice com um jovem ou com qualquer outra pessoa, homem ou mulher de boa vontade, aberta ao diálogo e à aprendizagem dialógica.

 Retomando o tema das catequeses precedentes – a esperança – o Pontífice falou da “educação à esperança” e proferiu uma série de exortações úteis, sobretudo para os jovens e adolescentes:

A primeira delas é “não se renda às trevas”. O primeiro inimigo a combater, sublinhou Francisco, não está fora de ti, mas dentro. Portanto, não dê espaço aos pensamentos negativos; a luta que conduzimos aqui não é inútil, no fim da existência não nos espera o naufrágio: em nós palpita algo de absoluto. “Deus não desilude. Tudo nasce para florescer numa eterna primavera”, disse Francisco, citando o diálogo entre o carvalho e a amendoeira. O carvalho pediu à amendoeira que falasse de Deus, e ela floresceu.

E o Papa exortou: “Onde quer que estiver, construa! Se estiver no chão, levanta-te! Se estiver sentado, coloque-te em caminho! Se o tédio te paralisa, realize obras de bem! Se estiveres desmoralizado, peça que o Espírito Santo possa preencher o seu vazio.”

O Pontífice prosseguiu convidando a actuar a paz no meio dos homens e a não ouvir a voz de quem espalha ódio e divisão. Por mais diferente que sejam, as pessoas foram criadas para viverem juntas: “ame os seres humanos. Cada criança que nasce é a promessa duma vida que, mais uma vez, se demonstra mais forte do que a morte”.

“Jesus nos entregou uma luz que brilha nas trevas: proteja-a. Esta única chama é a maior riqueza confiada a sua vida.”

Outra exortação dirigida aos jovens é sonhar: “Sonhe, não tenha medo de sonhar, sonhe um mundo que ainda não se vê, mas que certamente chegará”. Os homens que cultivaram esperanças são também os que venceram a escravidão e promoveram melhores condições de vida sobre a terra.

“Seja responsável por este mundo e pela vida de cada homem.” Toda a injustiça contra um pobre é uma ferida aberta. A vida não acaba com a sua existência, neste mundo virão outras gerações recordou Francisco.

Outro convite é pedir a Deus o dom da coragem. “O nosso inimigo mais insidioso nada pode contra a fé. Se um dia o medo o tomar, pense simplesmente que Jesus vive em ti. Tenha sempre a coragem da verdade”, lembrando-se porém que não és superior a ninguém e leve sempre no coração os sofrimentos de toda a criatura.

Cultive os ideais – aconselhou ainda o Papa –; viva por algo que supere o homem. Se errar, levante-te: nada é mais humano do que cometer erros. O Filho de Deus não veio para os saudáveis, mas para os doentes.

Deus é seu amigo. Aprenda com a maravilha, cultive o estupor. Viva, ame, sonhe, acredite. E, com a graça de Deus, jamais se desespere.

Também hoje não faltou a habitual saudação do Papa Francisco aos peregrinos de língua oficial portuguesa presentes na Praça de S. Pedro: Saúdo cordialmente, disse, os peregrinos de língua portuguesa, em particular os fiéis brasileiros e o grupo de benfeitores, historiadores e editores da obra literária «Portugal Católico», e animo-os a procurar sempre o olhar de Nossa Senhora que conforta todos aqueles que estão na provação e mantém aberto o horizonte da esperança. Enquanto vos entrego, vós e as vossas famílias à sua protecção, invoco sobre todos a Bênção de Deus.

19 setembro, 2017

Papa em S. Marta: aproximar-se de quem sofre para restituir dignidade


 

(RV) “Compaixão”, “aproximar-se” e “restituir”. Durante a Missa, na manhã desta terça-feira (19/09), na Casa Santa Marta, o Papa Francisco pediu ao Senhor que nos dê “a graça” de ter compaixão “perante tanta gente que sofre”, de nos aproximarmos e levarmos estas pessoas “pela mão” ao lugar de “dignidade que Deus quer para elas”.
Inspirando-se no Evangelho do dia, dedicado à narração da ressurreição 
do filho da viúva de Naim por obra de Jesus, o Pontífice explicou que no Antigo Testamento os “mais pobres dos escravos” eram justamente as viúvas, os órfãos, os estrangeiros e os forasteiros. E o convite é para cuidar deles, de modo que se insiram “na sociedade”. Jesus, que tem a capacidade de “olhar o detalhe”, porque “olha com o coração”, tem compaixão:

“A compaixão é um sentimento envolvente, é um sentimento do coração, das vísceras, envolve tudo. Não é o mesmo que a “pena” ou … “que dó, pobre gente!”: não, não é a mesma coisa. A compaixão envolve. É “padecer com”. Isso é a compaixão. O Senhor se envolve com uma viúva e com um órfão.... Mas diga, há uma multidão aqui, por que não fala para a multidão? Deixe … a vida é assim … são tragédias que acontecem, acontecem.... Não. Para Ele, era mais importante aquela viúva e aquele órfão morto do que a multidão para a qual Ele estava falando e que o seguia. Por que? Porque o seu coração, as suas vísceras se envolveram. O Senhor, com a sua compaixão, se envolveu neste caso. Teve compaixão”.

A compaixão, portanto, impulsiona “a aproximar-se”, observou o Papa: podem-se ver muitas coisas, mas não se aproximar delas:

“Aproximar-se e tocar a realidade. Não olhá-la de longe. Teve compaixão – primeira palavra – se aproximou – segunda palavra. Depois fez o milagre e Jesus não disse: ‘Até logo, eu continuo o caminho’: não. Pegou o rapaz e o que fez? ‘O devolveu para sua mãe’: devolver, a terceira palavra. Jesus faz milagres para restituir, para colocar as pessoas no próprio lugar. E foi o que fez com a redenção. Teve compaixão – Deus teve compaixão – se aproximou de nós no seu Filho, e restituiu a todos nós a dignidade de filhos de Deus. Ele recriou todos nós”.

A exortação é de “fazer o mesmo”, seguir o exemplo de Cristo, aproximar-se dos necessitados, não ajudá-los “de longe, porque há aqueles que estão sujos”, não tomam banho”, “têm mau cheiro”.

“Muitas vezes vemos os jornais ou a primeira página dos jornais, as tragédias... mas olhe, as crianças naquele país não têm o que comer; naquele país, as crianças são soldados; naquele país as mulheres são escravizadas; naquele país ... oh, que calamidade! Pobre gente ... Viro a página e passo ao romance, para a telenovela que vem depois. E isso não é cristão. E a pergunta que eu faria agora, olhando para todos, também para mim: “Eu sou capaz de ter compaixão? De rezar? Quando eu vejo essas coisas, que me trazem a casa, através dos media ... as vísceras se movem? O coração sofre com essas pessoas, ou sinto pena, digo “pobre gente”, e assim ... “. E se você não pode ter compaixão, peça a graça: ‘Senhor, dá-me a graça da compaixão’”!

Com a “oração de intercessão”, com o nosso “trabalho” de cristãos - devemos ser capazes de ajudar as pessoas que sofrem, para que “retornem à sociedade”, à “vida familiar”, de trabalho; em síntese: à “vida quotidiana”. (BS-BF-SP)

18 setembro, 2017

Papa: rezem pelos governantes não obstante os seus erros



(RV) O Papa Francisco celebrou a missa na Capela da Casa Santa Marta, nesta segunda-feira (18/09), e em sua homilia pediu aos cristãos para rezarem pelos seus governantes, não obstante as coisas más que fazem.


O Pontífice pediu também aos governantes para rezar, caso contrário, correm o risco de fecharem-se no próprio grupo. O governante que tem a consciência de ser subalterno ao povo e a Deus, reza.

A reflexão de Francisco parte da Primeira Leitura de hoje e do Evangelho. Na primeira leitura, São Paulo aconselha a Timóteo a rezar pelos governantes. No Evangelho, há um governante que reza: é o oficial romano que tinha um empregado que estava doente. Amava o povo, não obstante fosse estrangeiro, e amava o empregado, pois, de fato, se preocupava.

“Este homem sentiu a necessidade de rezar”, disse o Papa. Não somente porque amava, mas também porque “tinha a consciência de não ser o patrão de tudo, de não ser a última instância”. Sabia que acima dele, há outro que comanda. Havia subalternos, soldados, mas ele também estava na condição de subordinado. E isso o levou a rezar.

“O governante que tem essa consciência, reza. Se não reza, fecha-se na própria “autorreferencialidade” ou na de seu partido, naquele círculo do qual não se sai. É um homem fechado em si mesmo. Porém, quando vê os problemas verdadeiros, tem a consciência de ser subalterno, que existe outro que tem mais poder que ele. Quem tem mais poder do que o governante? O povo, que lhe deu o poder, e Deus, do qual vem o poder através do povo. Quando um governante tem a consciência de ser subordinado, reza.”

O Papa Francisco ressaltou a importância da oração do governante, “porque é a oração para o bem comum do povo que lhe foi confiado”.

Recordou, a esse propósito, a conversa com um governante que todos os dias passava duas horas em silêncio diante de Deus, não obstante tivesse muitos afazeres. É preciso pedir a Deus a graça de governar bem como Salomão que não pediu a Deus ouro ou riquezas, mas sabedoria para governar.

Os governantes, diz Francisco, devem pedir ao Senhor essa sabedoria. “É tão importante que os governantes rezem” - reitera - pedindo ao Senhor que não cancele a “consciência de ser subalterno” a Deus e do povo: “que a minha força esteja ali e não no pequeno grupo ou em mim”.

E a quem poderia se opor dizendo ser agnóstico ou ateu, o Papa diz: “Se você não pode rezar, confronte-se”, “com a sua consciência”, com “os sábios do seu povo”, mas “não fique sozinho com o pequeno grupo do seu partido”, ressalta. “Isto - reitera - é ser auto-referencial”.

Na primeira leitura, Paulo convida a rezar pelos reis, “para que - afirma - possamos levar uma vida calma, pacífica, digna e dedicada a Deus”. Francisco observa que, no entanto, quando um governante faz algo que não gostamos, ele é criticado ou, de outra forma, louvado. É deixado sozinho com o seu partido, com o Parlamento”:

“’Não, eu o votei – eu o votei' - 'Eu não o votei, problema seu’. Não, não podemos deixar os governantes sozinhos: devemos acompanhá-los com a oração. Os cristãos devem rezar pelos governantes. “Mas, Padre, como vou rezar por ele que faz tantas coisas ruins?”. Ele precisa mais do que nunca da oração. Reze, faça penitência pelo governante. A oração de intercessão – isso é tão bonito que Paulo diz - é para todos os reis, para todos aqueles que estão no poder. Por quê? “Porque podemos levar uma vida calma e tranquila”. Quando o governante é livre e pode governar em paz, todo o povo irá se beneficiar disso”.

E o Papa conclui pedindo que se faça um exame de consciência sobre a oração pelos governantes:

“Peço-lhes um favor: cada um de vocês pegue hoje cinco minutos, não mais. Se você é um governante, se pergunte: “Eu rezo por aquele que me deu o poder através do povo?” Se não é um governante, “rezo pelos governantes? Sim, por esse e por aquele sim, porque gosto deles; por aqueles outros, não”. Esses têm mais necessidade do que os outros! “Rezo por todos os governantes?” E se você perceber, quando faz exame de consciência para se confessar, que não reza pelos governantes, leve isso à confissão. Porque não rezar pelos governantes é um pecado”. (MJ-SP)

Cardeal Filoni no Japão: anúncio do Evangelho é ato de caridade




Tóquio (RV) - O anúncio do Evangelho “é um ato de grande caridade pelos irmãos que esperam uma luz”. Foi o que disse o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Cardeal Fernando Filoni, falando esta segunda-feira (18/09) aos seminaristas do Seminário de Fukuoka, no Japão, onde se encontra desde este domingo para uma visita pastoral que se estenderá até 26 de setembro.

Deus concede sua Graça gratuitamente

Este anúncio do Evangelho – continuou o purpurado – promete a todos poder fazer a experiência do “dom extraordinário e generoso da graça redentora e da misericórdia”, que entrou no mundo desde quando Jesus nos revelou que Deus “é um Pai generoso, aliás, pródigo ao conceder a sua Graça gratuitamente”.

Tal mistério de gratuidade revelado representa também a fonte de toda autêntica vocação sacerdotal, dando inclusive aos sacerdotes do amanhã a força de perseverar num mundo marcado pela “cultura do provisório”.

Encontro com seminaristas, momento importante da visita pastoral do purpurado

Foram os pontos que o prefeito de Propaganda Fide quis colocar para os futuros sacerdotes. O encontro com os seminaristas representou um momento importante do programa da visita do purpurado ao País do Sol Nascente, reporta a agência missionária Fides.

Em seu pronunciamento o purpurado referiu-se à objeção que marcou o anúncio do Evangelho também no Japão. “No famoso romance histórico o Silêncio de Endo Shusaku, agora também um filme famoso”, recordou o Cardeal Filoni, está escrito que os governantes de então faziam aos missionários substancialmente a mesma pergunta:

O que tem a mais a religião cristã?

“Por que nos trazem uma religião estrangeira e nos pedem para crer no Deus de vocês? Também nós temos uma cultura e uma religião, que são muito nobres e dignas. O que o cristianismo tem a mais que não esteja já contido na cultura confucionista ou na tradição xinto-taoísta-budista?”

O anúncio de uma salvação doada gratuitamente por Deus

O coração da novidade cristã é o anúncio de uma salvação doada gratuitamente por Deus mediante o mistério da encarnação, morte e ressurreição de Cristo: “a humanidade inteira precisa deste dom extraordinário e generoso da graça redentora e da misericórdia”.

Em outras palavras, ressaltou o Cardeal Filoni, “todos precisam daquela salvação que a lei do Karma não pode dar, mas que se encontra somente naquele Deus que Jesus Cristo nos revelou”.

Colaboradores de Deus no anúncio da alegre novidade

O purpurado evocou aos futuros sacerdotes japoneses a grande missão de ser colaboradores de Deus no anúncio a seu povo desta alegre novidade.  Uma missão a ser abraçada confiando não em estratégias humanas sofisticadas, mas na própria Graça que fez florescer neles a vocação ao sacerdócio.

“É verdade que os sacerdotes, os religiosos e vocês como seminaristas do Japão são numericamente poucos. Mas a força do sal e da luz não vem da quantidade, mas da autenticidade”, reconheceu o Cardeal Filoni. “Os Apóstolos eram apenas uma dúzia, mas graças ao zelo e à força da graça de Cristo levaram a mensagem de Cristo a todos os lugares”, acrescentou. (RL/Fides)

17 setembro, 2017

Papa no Angelus: abrir-se à alegria, à paz e à liberdade do perdão



(RV) “O perdão não nega o erro sofrido, mas reconhece que o ser humano, criado à imagem de Deus, é sempre maior do que o mal que comete”. Por isto, quem experimentou "a alegria, a paz e a liberdade interior que vem do ser perdoado pode, por sua vez, abrir-se à possibilidade de perdoar".




O Papa Francisco dedicou a sua reflexão que precede a oração mariana do Angelus ao perdão, inspirando-se na passagem de Mateus proposta pela liturgia do dia.

“Perdoar setenta vezes sete, ou seja, sempre”, é a resposta de Jesus a Pedro ao ser questionado por ele sobre quantas vezes deveria perdoar. Se para ele perdoar sete vezes uma mesma pessoa já parecia ser muito, “talvez para nós pareça muito fazê-lo duas vezes”, observou o Papa.

Jesus ilustra a sua exortação com a parábola do “rei misericordioso e do servo perverso, que mostra a incoerência daquele que antes foi perdoado e depois se recusa a perdoar”:

“A atitude incoerente deste servo é também a nossa quando recusamos o perdão aos nosso irmãos. Enquanto o rei da parábola é a imagem de Deus que nos ama com um amor tão rico de misericórdia, que nos acolhe, nos ama e nos perdoa continuamente”.

Com o nosso Batismo – recordou o Santo Padre – Deus nos perdoou de uma “dívida insolvível”, e continua a nos perdoar “assim que mostramos um pequeno sinal de arrependimento”. E Francisco nos dá um conselho quando temos dificuldade em perdoar:

“Quando somos tentados a fechar o nosso coração a quem nos ofendeu e nos pede desculpa, nos recordemos das palavras do Pai celeste ao servo perverso: “eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?”.

“Alguém que tenha experimentado a alegria, a paz e a liberdade interior que vem do ser perdoado pode, por sua vez, abrir-se à possibilidade de perdoar”, sublinhou Francisco, que recordou que “na oração do Pai Nosso, Jesus quis inserir o mesmo ensinamento desta parábola. Colocou em relação direta o perdão que pedimos a Deus com o perdão que devemos conceder aos nossos irmãos: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”:

“O perdão de Deus é o sinal de seu amor transbordante por cada um de nós; é o amor que nos deixa livres para nos afastar, como o filho pródigo, mas que espera a cada dia o nosso retorno; é o amor contínuo do pastor pela ovelha perdida; é a ternura que acolhe todo pecado que bate à sua porta. O Pai celeste é pleno de amor e quer oferecê-lo, mas não o pode fazer se fechamos o nosso coração ao amor pelos outros”.

Ao concluir, o Papa pede que “a Virgem Maria nos ajude a sermos sempre mais conscientes da gratuidade e da grandeza do perdão recebido de Deus, para nos tornarmos misericordiosos como Ele, Pai bom, lento para a ira e grande no amor”. (JE)