(Rua Camilo Castelo Branco - Junto ao Marquês de Pombal)
10 de Janeiro de 2010
das 09:30 às 17:30 horas.
Pe. Manuel Morujão
Para celebrar a 100ª edição do Labat, nada me pareceu tão oportuno como falar do Espírito Santo e, sobretudo, dar a conhecer um precioso livro, que é um conjunto de meditações, que todos devíamos meditar e saborear, acerca do Hino “Veni creator”.
O livro foi escrito pelo P. Raniero Cantalamessa, padre capuchinho, pregador há muitos anos da Casa Pontifícia, ou seja, do Santo Padre e daqueles que mais de perto trabalham com ele, como vários Cardeais.
Homem insigne em sabedoria bíblica, homem de uma profunda espiritualidade que, como afirmou o Papa no prefácio do livro: “ No diligente tratamento dos textos nunca, porém, o Autor, se detém na mera esfera do histórico; no passado ele vislumbra o presente, de tal modo que, conceitos aparentemente muito distantes, tornam-se subitamente práticos e convertem-se em orientações realizáveis na nossa vida.
A Obra, embora concebida como comentário ao hino consagrado ao Espírito Santo ‘Veni Creator Spiritus’, da autoria do teólogo alemão medieval Rábano Mauro (780-856), não é uma obra sobre o Espírito Santo”. Quem lê estas palavras do actual Papa não pode deixar de ficar com desejo e gosto de ler a grande Obra do Padre Catalamessa, publicado pelo Apostolado da Oração, Braga, num volume bem apresentado e rico de conteúdo, à venda nas livrarias.
Cada capítulo tem um título que é uma pequena oração tirada do Hino, mas o autor tomando o ensinamento de muitos teólogos e dos Santos Padres da Igreja, recheia o capítulo de muita sabedoria.
Examina, faz rezar o Espírito Santo, mistério de força e de ternura, Criador que transforma o caos em cosmos, que renova, em nossos dias, os primórdios do primeiro Pentecostes, que nos ensina a tornar-nos paráclitos, que ensina a fazer da nossa vida um dom, que nos comunica a vida divina, que nos livra do pecado e da tibieza, que nos faz vivenciar o amor de Deus, que nos comunica o odor da caridade de Cristo, que adorna a Igreja com imensidão dos carismas, que nos transmite a força de Deus, que dá sustento à nossa esperança, que dá força ao nosso anúncio, que nos conduz à verdade total, que nos faz passar do amor a nós mesmos ao amor de Deus, que prepara a redenção do nosso corpo, que nos assegura a vitória sobre o maligno, que nos concede a magna paz de Deus, que nos conduz ao discernimento espiritual, que infunde em nós o sentimento da filiação divina, que nos ensina a proclamar ‘Jesus é o Senhor’, que nos ilumina sobre a mistério da sua Pessoa.
É esta série maravilhosa de pequenos capítulos sobre o Espírito, fonte de vida e de santidade, água divina que lava e purifica, fogo que incendeia em nós o amor, que o P. Cantalamessa, com arte e sabedoria nos faz rezar.
Temos neste belo e precioso e livro uma verdadeira Summa teológica e espiritual sobre o Espírito Santo. O estilo, porém, não é o de um tratado de teologia, mas sim o da linguagem inspirada, que recorre aos símbolos, às imagens, ao canto, à poesia, à liturgia, à profecia e aos modelos de santidade.
Deste modo, o P. Raniero Cantalamessa - um dos maiores conhecedores da teologia do Espírito - revela-se um mestre na arte de entusiasmar cada leitor a um encontro verdadeiro e pessoal com o Espírito Santo. E todos precisamos de ter este contacto com o Espírito, que nos habita, que faz morada em nosso coração.
Ele é o Mestre interior, que reza em nós e nos ensina a rezar, é a sabedoria do Alto que nos ilumina a inteligência, é a força do Alto que nos pode fazer vencer tentações, levar a cruz de cada dia, ter vitória sobre o mal, e o Maligno. Sem esta comunhão com o Espírito não há verdadeira oração, não há vivência sacramental séria, não sabemos escutar a Palavra, não teremos a graça da união íntima com Deus.
Depois da Ascensão o Espírito Santo é o grande agente da vida e da santidade da Igreja e de cada um de nós. É Ele que nos cura, nos lava, nos purifica em ordem à santidade, à comunhão com Deus.
O Hino sobre o qual escreveu o Padre Catalamessa, da liturgia da Solenidade de Pentecostes, como prolongada e solene invocação do Paráclito, faz-nos compreender melhor as insondáveis riquezas do Espírito, como Pessoa divina, da sua acção e presença na história da salvação e na vida da Igreja e na nossa vida pessoal.
Sem devoção ao Espírito não nos abrimos à luz divina, não somos conduzidos nos caminhos da santidade, não temos a graça de viver de um modo evangélico, de saborear a Palavra de Deus, que é Palavra inspirada, não somos capazes de caminhar até à união mística. Só o Espírito, dom e graça do Alto, Deus verdadeiro, igual ao Pai e ao Filho, nos pode fazer realizar a maravilha da vida cristã.
Ter nas mãos este precioso livro do P. Catalamessa, saborear os seus ensinamentos, meditar com cuidado cada capítulo, tirar lições para a vida, fazer dele partilha na oração e nas reuniões, será um dos modos mais eficazes e mais felizes de celebrar o nº 100 do nosso Labat.
“Vem Espírito Criador”, vem animar nossas almas, vem ser luz e graça, vem ser fogo divino, vem fortalecer, iluminar, encorajar, divinizar.
“Vem, Espírito Criador”, que a tua presença em nós nos faça crescer em espírito de oração, em intimidade com a Trindade, em comunhão mais profunda com Jesus, em descoberta da Palavra, em amor filial com Maria, em sentido profunda de sermos Igreja.
“Vem, Espírito Criador, santifica-nos, transfigura-nos, diviniza nossos seres, identifica-nos com Jesus, fá-Lo viver em nós de um modo cada vez mais intenso, faz-nos viver n’Ele, para Ele, com Ele.
P. Dário Pedroso, SJ (Labat n.º 100 de Dezembro de 2009)
Livro referido:
Vem, Espírito Criador!
Meditações sobre o Veni creator
Autor: P. Raniero Cantalamessa
Editora: "Editorial AO"
Já referimos, aqui (Labat), este assunto. É da máxima importância tanto nos evangelhos como em S. Paulo. E se volto ao assunto é por causa do livro que estou a ler de E. P. Sanders, Paulo, a lei e o povo judaico (São Paulo, Ed. Academia Cristã/Paulus, 2009).
E. P. Sanders é reconhecido mundialmente como um dos melhores exegetas da Bíblia do Novo Testamento. O grande mérito deste autor consiste em tornar a ler a pessoa de Jesus, nos evangelhos, e de S. Paulo, nas cartas, à luz do pensamento judaico de então. Jesus e S. Paulo foram judeus. Não nasceram cristãos. Não eram nem gregos nem romanos.
À medida que a Igreja crescia e se dilatava pelos quatro cantos do mundo, o judaísmo era abandonado e combatido, e tanto Jesus como S. Paulo eram lidos, amados, proclamados urbi et orbi contra judeus e pagãos. Semelhante leitura não corresponde à verdade. O seu a seu dono.
Segundo E. P. Sanders, a doutrina de S. Paulo acerca da Lei não é uniforme, contrariamente ao que católicos e protestantes têm dito e pregado. Costumamos apresentar a Lei judaica, sobretudo nas cartas aos Gálatas e Romanos, como o oposto do Espírito: o Antigo Testamento e respectiva Lei moisaica foi substituído pelo Espírito. A Lei morreu para dar lugar ao Espírito. Ser judeu é pertencer à Lei e ser cristão é pertencer ao Espírito. Esta visão é demasiado unilateral.
S. Paulo parte do princípio que Deus determinou um projecto de salvação para o seu povo – o judaico – através da Lei, mas que não é suprimido pelo mesmo princípio de salvação para toda a humanidade para o seu povo – o cristão – através de Jesus Cristo. O Paulo judeu não deixa de ser judeu pelo facto de ter sido apanhado por Jesus Cristo (Fl 3, 12: “Não que já o [Jesus] tenha alcançado ou já seja perfeito; mas corro, para ver se o [Jesus] alcanço, já que fui alcançado/apanhado por Cristo Jesus”).
A S. Paulo punha-se o dilema de difícil solução: a Lei do AT é santa porque dimana de Deus, mas a vinda de Jesus Cristo, para judeus e pagãos, não podia estar sujeita à Lei, dada aos judeus. Assim se explicam as antinomias entre o Espírito e a Lei em Gl 5, 16-26.
Neste contexto, S. Paulo tanto apresenta a antinomia entre Espírito e Lei como entre Espírito e carne (5, 18s: “Ora, se sois conduzidos pelo Espírito, não estais sob o domínio da Lei. Mas as obras da carne estão à vista…”). Mas as obras da carne-Lei (vv. 19s “fornicação, impureza, devassidão, idolatria, feitiçaria. inimizades, contenda, ciúme, fúrias, ambições, discórdias, partidarismos, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas…”) também são condenadas na Lei do AT.
E as obras do Espírito (vv. 22s: “amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, auto-domínio) também são apresentadas na Lei do AT, embora sem esta cadência.
Esta antinomia é ainda mais clara em Romanos 7-8. No capítulo sétimo S. Paulo apresenta o seu pensamento sobre a Lei e no capítulo oitavo sobre o Espírito (19 vezes). Mas a Lei em 7, 13 é apresentada como boa (“Será então que aquilo que é bom se transformou em morte para mim? De maneira nenhuma!”).
Para resolver este dilema, S. Paulo deixa de apresentar a Lei-carne para apresentar como causa da morte e de todas as desgraças o pecado (v. 13b: “O pecado é que, para se manifestar como pecado, se serviu do que é bom [a Lei] e foi causa de morte para mim”).
Já antes escrevera (vv. 11-12: “É que o pecado, aproveitando-se da ocasião dada pelo mandamento [Lei], seduziu-me e deu-me a morte, por meio dele. Por conseguinte, a Lei é santa e o mandamento é santo, justo e bom”).
Segundo o Apóstolo, no desígnio de Deus sobre o seu povo, não fazia parte a morte, a física e a moral, mas ela existe e está presente na sua carne-humanidade. Como explicar? S. Paulo recorre ao pecado. Perguntamos: mas que pecado? S. Paulo apenas faz afirmações sem as explicar.
Outro texto deveras intrigante é o de Rm 2, 5-6: “Afinal, com a tua dureza e o teu coração impenitente, estás a acumular ira sobre ti, para o dia da ira e do justo julgamento de Deus, que retribuirá a cada um conforme as suas obras…”.
Como conclusão devemos dizer que S. Paulo apresenta vários registos sobre a Lei. Há um desígnio de Deus, universal e absoluto, sobre a salvação através da Lei de Moisés. A Lei é boa e santa mas potenciadora do pecado e da morte porque é pela Lei que tomamos consciência do nosso estado de ser: “Não adorarás outro Deus… não cobiçarás…não desejarás a mulher do próximo…”.
Esta razão de ser da Lei tanto é válida ontem como hoje. Se ela impedir a fé em Jesus Cristo torna-se num muro de Berlim, contrária à liberdade (Gl.3, 1s:” Oh Gálatas insensatos! Quem vos enfeitiçou, a vós, a cujos olhos foi exposto Jesus Cristo crucificado? Só isto quero saber de vós: foi pelas obras da Lei que recebestes o Espírito ou pela pregação da fé?”; 5, 1: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou”; 5, 13: “Irmãos, de facto, foi para a liberdade que vós fostes chamados. Só que não deveis deixar que essa liberdade se torne numa ocasião para os vossos apetites carnais…”).
Daqui deriva a necessidade da Lei do Espírito que tudo resume ao mandamento do amor (Gl 5, 5, 14: “É que toda a Lei se cumpre plenamente nesta única palavra: Ama o teu próximo como a ti mesmo”).
Mas este mandamento é uma citação de Levítico 19, 18. Assim sendo, S. Paulo não é contrário à Lei de Moisés de modo unilateral. É judeu e é cristão porque o desígnio de Deus é único e irreversível. O que faz falta é saber ler e interpretar.
Há leis do AT que não interessam, mormente as leis identitárias do povo e da raça – circuncisão, sábado, kosher (leis da alimentação) -, que estabeleciam o tal muro de Berlim entre judeus e não-judeus.
O Deus de Jesus Cristo e o Deus de Paulo (teologia e cristologia em S. Paulo caminham juntos) é para todos e não apenas para um povo ou raça. As leis identitárias deste povo-raça facilmente nos conduzem ao racismo. Jesus Cristo e o seu Espírito libertam-nos deste perigo que, na prática, ontem e hoje continua bem vivo entre alguns judeus, cristãos e muçulmanos.
Pe. Joaquim Carreira das Neves, OFM (Labat n.º 100 de Dezembro de 2009)



Somos um GRUPO DE ORAÇÃO Católico, do Renovamento Carismático da Diocese de Lisboa, que no Centro Paroquial de OTA, Concelho de Alenquer, se reúne, conduzido pelo Espírito Santo e orientado pela Equipa Diocesana que o Senhor Patriarca, D. José Policarpo escolheu para zelar pelo Renovamento Carismático no Patriarcado de Lisboa.
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Oração semanal:
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Adoração ao Santíssimo:
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(Para os irmãos que pretendam colaborar no coro pedimos a sua comparência com alguma antecedência, para ligeiro ensaio)