28 junho, 2011

XXXIV Assembelia Interdiocesana

XXXIV Ass. Interdiocesana - 28-29.AGO


ROBERT FARICY S.J.

ROBERT FARICY é sacerdote e teólogo jesuíta, professor emérito de Espiritualidade da Universidade Pontifícia Gregoriana em Roma.
Escreveu cerca de trinta livros, a maioria deles traduzidos em várias línguas e centenas de artigos em jornais e revistas sobre teologia e espiritualidade, filosofia, oração contemplativa e discernimento espiritual.
Tem pregado em assembleias, conferências e retiros em Itália, Estados Unidos, México, Irlanda e muitos outros países em todo o mundo.


 PROGRAMA

Sábado (27 de Agosto)

09h00 - Animação e Oração da Manhã
10h00 - 1.º Ensinamento
11h00 - Intervalo
11h30 - Eucaristia
13h00 - Almoço
15h00 - Animação e Oração da Tarde
16h00 - 2.º Ensinamento
17h00 - Intervalo
17h30 - Oração Mariana
19h30 - Jantar
21h00 - Noite de Louvor e Adoração
23h00 - Encerramento

Domingo (28 de Agosto)

09h30 - Animação e Oração da Manhã
10h00 - 3.º Ensinamento
11h00 - Intervalo
11h30 - Eucaristia
13h00 - Encerramento e Envio


Vamos rezar intensamente pedindo de novo ao Senhor
que nos queime com o Fogo de Pentecostes,
nos purifique, renove e entusiasme!
Fonte do texto informativo: ESD-LX

27 junho, 2011

A Bíblia do Espírito Santo

Hoje em dia, há muitos teólogos que falam de três qualidades de Bíblia: BÍBLIA DA CRIAÇÃO, BÍBLIA DO CORAÇÃO e BÍBLIA DA HISTÓRIA.
Católicos, Ortodoxos e Protestantes estamos habituados a ler, meditar, rezar e estudar a BÍBLIA DA HISTÓRIA. Trata-se do Antigo Testamento e Novo Testamento com os seus 73 livros canónicos ou inspirados. As diversas Igrejas, a judaica e as cristãs, alicerçam todas as suas doutrinas (Credo, Sacramentos, Dogmas) nesta Bíblia.
O simples enunciado BÍBLIA DA HISTÓRIA significa que Deus se revela pela história. Concretamente, o Deus da Bíblia da História revela-se nas pessoas dos Patriarcas, Moisés, Josué, Juízes. Reis, Sacerdotes, Sábios, Jesus Cristo, Apóstolos e Igreja. Deus revela-se de maneira exógena, isto é, através de pessoas e realidades que nos são exteriores. O centro da revelação está em Deus (Teocentrismo) e nas suas criaturas, a começar pelo seu povo – O Israel do Antigo Testamento e o Israel do Novo Testamento.
Nesta história de revelação há pessoas e não ideias, dramas de Patriarcas, de Moisés e seu Êxodo, de Profetas e Reis, de Sacerdotes e sacrifícios, de sábios e tradições, de Salmistas e poetas, de Jesus Cristo e Apóstolos. Todos estes agentes humanos desta Bíblia divina e humana são comandados pela Palavra e pelo Espírito. Umas vezes obedecem a essa Palavra e Espírito e outras vezes desobedecem. Quando obedecem cumprem com a vontade de Deus e quando desobedecem pecam.
Para reparar o pecado, o AT tem os seus ritos próprios. O rito máximo consiste no “Dia da Expiação” (Yom Kippur). O Novo Testamento pede aos cristãos que se convertam (mudem de atitude e de vida) e dá o poder aos Apóstolos para perdoarem em nome de Deus e com a força do Espírito Santo (Jo 20, 22-23: “Em seguida soprou sobre eles e disse-lhes: ‘Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.”).
A BÍBLIA DA CRIAÇÃO é a Bíblia do livro do Universo. É uma Bíblia aberta, cósmica, universal, objecto sagrado de crentes e não-crentes, letrados e iletrados. É a Bíblia dos astrofísicos e matemáticos que nos falam e tentam explicar o acto da criação a quem chamam BIG BANG , que terá acontecido há 25 mil milhões de anos. É A Bíblia dos poetas que olham as estrelas, os planetas, as galáxias, os mares, montanhas, florestas e flores e vêem em todas estas criaturas da Natureza um dedo de Deus.
A BÍBLIA DA CRIAÇÃO não é apenas o livro aberto da beleza da Natureza, mas, também, da beleza do Deus da Natureza. É a Bíblia do “Cântico das Criaturas” de São Francisco de Assis.
A BÍBLIA DO CORAÇÃO é a Bíblia que tem por centro não o Teocentrismo mas o antropocentrismo, não a revelação exógena de Deus por meio da História, mas a revelação endógena do homem por meio do bater sentimental e espiritual do coração. Não se trata do coração da mãe em relação ao filho ou do namorado em relação à namorada, mas do coração que bate e bate forte por meio da alma da Natureza. Deus fala-nos pelas forças e energias da mãe Natureza. Entre o coração humano e o coração-energia da natureza passa o sangue da força anímica de tudo quanto existe. É a Bíblia dos esotéricos modernos a beberem a água viva da sua fé nos movimentos filosóficos e psicológicos orientais: budistas, Yoga Zen, hinduísmo tântrico, Upanichades, New Age, Hare Krishna, etc.
Estas três BÍBLIAS não se contradizem; pelo contrário, completam-se, amplificam-se, correspondem-se. E a chave hermenêutica desta complementaridade e correspondência é a BÍBLIA DO ESPÍRITO SANTO Santo. A Palavra criadora de Génesis 1, 3: “Deus disse: ‘Faça-se a luz…”, não se concretiza sem a performatividade do Espírito de Deus “que se movia sobre a superfície das águas” (Génesis 1, 2). E o que acontece no princípio da BÍLIA DA CRIAÇÃO (protologia), acontece também no fim da BÍBLIA DA HISTÓRIA: “O Espírito e a Esposa dizem: “Vem!” (escatologia).
Pe. Joaquim Carreira das Neves, OFM.
Labat n.º 77 de Novembro de 2007

26 junho, 2011

A necessidade de caminhar

João SilvaCaminhar é uma necessidade para atingir determinado fim e objectivo. Cada acto de caminhar no homem total visa uma realização apelativa de seguir em coerência e de um modo agradável e gratificante. Caminhar é o oposto de estar parado, fechado, inactivo, estático.

O nosso caminhar é aqui agora. Neste mundo somos confrontados com procedimentos padronizados por contextos sócio-económicos-culturais, familiares, profissionais, princípios éticos, deveres morais, subjectividade, relatividade, o imediato, o concreto, a religião, etc.

Este espaço multifacetado do mundo exige de nós uma disponibilidade interior para ver o homem na sua dignidade como pessoa de direitos e deveres inalienáveis. Impõe ser homem integral não fechar os ouvidos do coração aos gritos de sofrimento de solidão, de injustiça, de vingança, de amor negado, de falta de comunicação e diálogo, de exclusão, de fome e miséria, de desemprego, de arbitrariedade dos poderes instituídos, de silenciamento, de egoísmo, de desprezo pela dignidade dos outros, de escândalos, de roubos, de doença.

Esta aridez da vida não nos pode impor um deserto de amargura, revolta e desespero. Acreditemos nas capacidades profundas do nosso coração. Vivamos o dom da fé em Cristo Jesus nosso salvador e libertador. “Ele é o caminho” da vida, verdade, esperança, justiça, paz, amor, e renovação da dignidade do homem resgatado pela cruz redentora.

Com Ele caminhamos à luz da fé. Ele nos ajuda a caminhar de coração com Deus e em caridade com e para os outros. A necessidade de caminhar vivendo uma caridade de verdade é a missão do carismático enquanto cristão.
João Silva
Editorial do Labat n.º 97, de Setembro de 2009
(Relançamento de texto inserido neste blogue, em 18.SET.09)

25 junho, 2011

Espírito Santo de Deus

Pe. Luis Archer sjSenhor, nós acreditamos inteiramente na força extraordinária do teu Espírito.
Ele mudou, por completo e para sempre, a partir do dia de Pentecostes, aqueles pescadores incultos que tantas vezes pareciam cobardes no amor, incrédulos, a tremerem de medo, tristes e confusos.
Depois de receberem o teu Espírito, todos eles ficaram totalmente diferentes. Basta ler os Actos dos Apóstolos e os Evangelhos. E ficaram assim até à morte, até ao martírio.
O que nos aflige, Senhor, é ver que nós recebemos o mesmo Espírito Santo, e não só uma mas muitas vezes, e preparámo-nos para a sua vinda o melhor que pudemos, e muitos de nós até já recebemos a “Efusão do Espírito Santo”, e apesar disso, alguns de nós ainda falhamos, às vezes.
Quando a nossa vaidade é ferida ou o nosso orgulho abalado, alguns de nós ainda murmuramos maldosamente dos nossos irmãos. O sofrimento e as doenças arrasam-nos como se com esta vida acabasse tudo. Senhor, onde está em nós o Espírito Santo que nos deste? Onde está a felicidade que nos trouxeste?
A culpa é nossa. Não falamos longa e sinceramente com o Espírito Santo que está em nós, não lhe damos o espaço e o tempo na nossa vida para que se desenvolva e domine por completo a nossa psicologia.
Senhor, nós necessitamos mesmo do teu Espírito. Faz que, ao menos este ano, ele nos atinja finalmente em cheio, abra o nosso coração, deite fora os nossos egoísmos, se expanda dentro de nós e nos faça outros, ele que “faz novas todas as coisas”.
Pe. Luís Archer s.j.
Editorial do Labat n.º 83 de Maio de 2008

O Espírito, força que transforma

“O Espírito é também força que transforma o coração da comunidade eclesial para ser, no mundo, testemunha do amor do Pai, que quer fazer da humanidade uma única família, em seu Filho.” - Bento XVI, “Deus caritas est, 19”
O exercício efectivo da caridade

Na segunda parte da Encíclica o Santo Padre debruça-se sobre o exercício efectivo da caridade. Isto quer dizer que assume tudo o que anteriormente foi dito com uma realidade dinâmica, sempre a renovar e a visitar, e que tem consequências práticas. A medida do amor de Deus é a referência primeira e última de todo o agir cristão.
Nada se dá como definitivo ou adquirido na marcha da história do homem ou das comunidades. As opções que se tomam de uma vez para sempre têm de ser regularmente reafirmadas pois corre-se o risco de esmorecer, desanimar ou ceder às tentações de desvio face a novas propostas que enfraquecem aquela opção primeira. Isto é valido em todos os aspectos da nossa vida.
O desejo ou o querer que hoje me anima, ou que anima a uma comunidade, amanhã tem obrigatoriamente de ser revisto, ou para o reafirmar ou para o reajustar. A tentação do desânimo enfraquece os bons propósitos que um dia fizemos, e os bons propósitos que ontem fizemos hoje podem ter de se adaptar porque as situações mudaram, atendendo que não se perca ou desvirtue o essencial.
 O discernimento dos sinais dos tempos e das necessidades de cada momento obrigam a esta dinâmica e impedem a fossilização da pessoa e da comunidade.
O sopro de Deus imagem bíblica do Espírito

Não é por acaso que uma das mais bonitas imagens bíblicas do Espírito Santo é o sopro de Deus. O sopro que reaviva as brasas que ameaçam ficar em carvões frios é o mesmo vento que, soprando onde quer, empurra uma embarcação para o seu destino.
Na vida amorosa dos casais o reacender do amor professado diante do altar de Deus no dia do Matrimónio tem de ser fortalecida com renovadas provas de amor, e também o modo de amar e viver o amor de um casal que celebra as suas bodas de prata ou ouro, é diferente da vivência amorosa de um jovem casal.
A realidade continua a ser a mesma mas assume diferentes contornos conforme os tempos e as necessidades, e nós somos transformados e moldados segundo a força do Espírito para em cada momento darmos a devida resposta ao desafio do amor de Deus.
A criatividade atenta do amor que inventa a cada momento novos modos de se dizer, expressar e actualizar, respondendo oportunamente às necessidades da vida. Saber traduzir em vida, em gestos concretos, é trabalho de cada um que olha as suas circunstâncias e nelas descobre o campo fértil para lançar a semente.
É um trabalho pessoal que ninguém pode fazer pelo outro, traduzir em acção o ideal da caridade que é Deus.
A fonte trinitária do Amor de Deus

Na primeira parte o Santo Padre colocou diante dos nossos olhos essa realidade tão nova e tão antiga que é o Amor de Deus e que continua a cativar pela sua absoluta novidade, ao mesmo tempo que encanta pela sua constância e actualidade.
Amor de Deus não é uma coisa do passado remoto do tempo dos Patriarcas bíblicos ou dos Apóstolos do Cordeiro, mas uma realidade viva do hoje da minha história, este tempo que me toca viver, hic et nunc, com o nosso Deus que a cada momento é novidade.
Toda a acção da Igreja, e de cada um dos elementos da comunidade eclesial, tem a sua origem e fonte no Amor Trinitário de que nos falou o Papa na primeira parte da Encíclica. Esse Amor encarnou em Jesus Cristo e encarna cada dia nos gestos e palavras concretas da acção do cristão e da Igreja.
Esta encarnação da caridade que acontece sempre que amo com o mesmo amor que sou amado por Deus, não pode ser uma roupagem que se põe ou tira para usar só em momentos solenes e especiais da nossa vida, mas a nossa própria maneira de ser e de estar no mundo.
Os frutos da fé e do Espírito em nós

Os frutos da fé, os frutos da acção do Espírito Santo em nós não podem ser coisas de dias de festas, mas realidades constantes no todo da nossa vida, em cada instante e em cada momento da nossa vida como se isso fosse o nosso modo habitual de estar no mundo. É por estes frutos que damos testemunho d’Aquele que nos amou primeiro, e este testemunho é obrigação dos crentes que manifestam ao mundo a fé no Deus-caridade.
O serviço da caridade é parte integrante do testemunho a que é chamada a comunidade eclesial. Saber e estudar o amor de Deus, celebra-lo liturgicamente, e vivê-lo na prática como testemunho do que se sabe e do que se celebra, são três aspectos inseparáveis e todos de grande importância, falhar ou esquecer um é falhar e esquecer todos.
Note-se que o exercício da caridade ou o amor efectivo e concreto, não é simplesmente uma consequência da fé, mas o modo próprio de viver essa fé, é expressão da própria identidade da Igreja.
A caridade congrega na unidade como no princípio em que os Apóstolos tinham um só coração e uma só alma, e manifesta a unidade da Trindade, que cada cristão por si e toda a comunidade é chamado a testemunhar.
“A caridade de Cristo impele-nos” dizia S. Paulo, impele-nos a conhecer, a celebrar, e a testemunhar, quebrando todos os limites do egoísmo e dispondo à partilha na promoção da pessoa humana, seja ela quem for, como filho muito amado do Pai.
Não se pode romper esta unidade do modo de ser cristão sob o risco de desvirtuar a mensagem de Jesus e de nos tornarmos, como diz S. João, mentirosos: “quem diz que ama a Deus que não vê e não ama o irmão que vê é mentiroso e a verdade não está nele”.
Amados por Deus sejamos capazes de amar todos os que Deus ama.
Frei Gonçalo Figueiredo
Labat n.º 73, de Junho de 2007

24 junho, 2011

A Verdade

O conceito de verdade e respectiva abordagem foi, é e será o maior desafio da inteligência humana.
Os filósofos, desde os pré-socráticos, até aos nossos dias, procuram a verdade através da razão. Diante da Natureza interrogam a verdade da realidade da mesma Natureza: é verdadeiro o que está de acordo com a realidade. A história da filosofia é a história da procura da verdade. Na ciência, é verdadeiro o que se experimenta. Na história, é verdadeiro o que acontece.
Tomás de Aquino, na esteira de Aristóteles, define a verdade como a adaequatio intellectus et rei (adequação devida da inteligência à realidade). Mas o homem, ser inteligente, racional, livre, mortal, o único que sabe que sabe, que fala e escreve, que se interroga, que ama sem determinismo biológico, que coloca o problema de Deus e da fé, da verdade e do erro, quem é o homem face à verdade?
Para a Bíblia, a verdade define-se com o sema ´emet: o que é sólido, seguro e de confiança. Deus aparece como “Rocha”. Só quem nela colocar os pés da inteligência e amor é verdadeiro.
Neste sentido, verdade é igual a fidelidade (emunah e a hesed) – homens de verdade são os crentes em Deus e sua Lei (Ex 18, 21; Nem 7, 2, etc.).Mais tarde, nos livros sapienciais e apocalípticos, verdade confunde-se com a doutrina da sabedoria e com a verdade revelada (Pr 23, 23; Qo 12, 10; Si 4, 28LXX: “Luta pela verdade até à morte”). Depressa se passa para a semântica do “mistério” (Sb 6, 22) – verdade é o desígnio misterioso de Deus a realizar na história. Para Daniel, “o livro da verdade” (Dn 10, 31) é aquele em que está escrito o desígnio de Deus (ver Dn 9, 13; 8, 26; 10, 1; 11, 20). Em Qumran (1QH 7, 26s), a “inteligência da verdade de Deus” é o conhecimento do mistério.
No NT, a começar por Paulo, a “verdade de Deus” designa a fidelidade de Deus às suas promessas (Rm 3, 7; ver 3, 3; 15, 8; 2Cor 1, 18ss), e as promessas têm a ver com a pessoa de Jesus.
Segundo Paulo, neste sentido, “à verdade da Lei” opõe-se “a verdade do Evangelho” (Gl 2, 5. 14) ou “a palavra da verdade” (Cl 1, 5; Ef 1, 13; 2Tm 2, 15). A esta verdade só se vai pela fé.
Assim se explica a catequese polémica das cartas pastorais contra a “falsa doutrina” (1Tm 1, 10; 4, 6; 2Tm 4, 3; Tt 1, 9; 2, 1). E só a Igreja do Deus vivo é “a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15).
No quarto evangelho, a verdade tem um nome: chama-se Jesus Cristo, o Unigénito do Pai (1, 17: “A Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vêm-nos por Jesus Cristo”; 14, 6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”). Mas esta verdade cristocêntrica não está pronta – é uma verdade em aberto e construção por obra e graça do Espírito da Verdade: 14, 17; 15, 26; 16, 13.
Bento XVI tem-se apresentado nesta dinâmica como homem “da fidelidade ao serviço da verdade”. Segundo Michel KUBLER (Benoît XVI, Pape de Contre-Réforme?,Bayard, Paris, 2005), há três motivos fundamentais que movimentam a dinâmica de Bento XVI: Fidelidade, Verdade, Serviço.
Segundo este Papa, a teologia tem como função “pesquisar inteligentemente a fé como resposta à voz da verdade, como apelo e ajuda ao povo de Deus, segundo o mandato apostólico (cf, 1Pd 3, 15)” (p. 18).
Muitos católicos continuam a temer este Papa como demasiado conservador; outros vêem nele o teólogo e o homem crente da verdade para quem não há nem esquerda nem direita; só a verdade interessa.
Em 1977, quando foi nomeado arcebispo de Munique, disse que “nunca devemos pactuar com o espírito do tempo…[mas], sim, interpelar os vícios e os perigos da época” e, sobretudo, nunca fugir aos problemas (p. 31). Na declaração Dominus Jesus de João Paulo II, no ano 2000, da autoria do Cardeal Ratzinger, refere as igrejas protestantes como “deficientes da verdade…”.
Na meditação de sexta feira santa de 2005, no Coliseu de Roma, denunciou as “imundícies” (Schmutz) da barca de Pedro a “meter água por toda a parte” (p. 34).
Em 1985 declarou “que pertence definitivamente ao passado o que está interiormente morto…” (p. 48).
Em 1998, por ocasião do primeiro Congresso Mundial dos novos movimentos ou comunidades, declarou que a Igreja “precisa de menos organização e mais Espírito!” (p. 49). Pôs de sobreaviso as “revelações” de Cristo a Vassula Ryden, o fundamentalismo historicista do “terceiro segredo de Fátima” e a passividade das “novas comunidades” desinteressadas da acção social, afirmando que “não basta rezar para se ser salvo…” (p. 33). Para este Papa, a verdade da Igreja gira à volta da eucaristia e respectiva dinâmica política e social. O mistério da verdade, na eucaristia, obriga-o a denunciar os perigos da cultura da morte contra a cultura da vida – aborto, manipulação genética…
Na sua viagem recente ao Brasil sublinhou que “a Igreja é fé, não ideologia”. Disse que “a Igreja não faz proselitismo. Ela age mais por atracção (…). Esta é a fé que fez a América Latina, o continente da esperança, e não uma ideologia política, não um movimento social e tão pouco económico. A fé no Deus encarnado, morto e ressuscitado em Jesus Cristo”.
A força da Igreja deve assentar na fé e não em “ideologias políticas” ou em “movimentos sociais ou económicos”, referindo, indirectamente, “o socialismo do séc. XXI” de Hugo Chávez. António Marujo intitula esta viagem ao Brasil: “Samba do Papa entre o aborto e o social”. Será assim?
O papa João Paulo II, como homem do teatro, da poesia, da dança e de tudo o que é belo, convivia muito bem com o samba e com as danças da América Latina e África. Bento XVI é diferente. Nenhum papa é mimético em relação ao seu antecessor. O mimetismo só vale para o valor da verdade, dos princípios, dos valores universais.
Hoje em dia, para muita gente, verdade é igual a moda, satisfação e prazer. É verdade o que me sabe bem, me dá prazer, me torna notável, famoso, “charmoso”.
Para os filósofos gregos, para Jesus Cristo e para os cristãos não pode ser assim. Jesus, em Jo 17, 13-20 diz-nos, através da sua oração ao Pai: “Mas agora vou para Ti e, ainda no mundo, digo isto para que eles tenham em si a plenitude da minha alegria. Entreguei-lhes a tua palavra, e o mundo odiou-os, porque eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. Não te peço que os retires do mundo, mas que os livres do Maligno. De facto, eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. Consagra-os na Verdade; a Verdade é a tua palavra. Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo, e por eles totalmente me consagro, para que também eles sejam consagrados, por meio da Verdade.”
Neste texto há dois tipos de “mundo”: o da verdade e o da não-verdade. Esta maneira de Jesus ensinar obriga-nos a pensar seriamente. Que tipo de verdade é que eu sigo? Certamente que a verdade de Jesus tem a ver com o Pai e com o Filho, isto é, com a fé teológica e cristológica. Não há Pai verdadeiro, total, sem o Filho. E não há Filho verdadeiro, total, sem o Espírito da Verdade, como diz Jesus em Jo 16, 12-13: “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa.”
 Como é bom viver na Verdade! 
Pe. Joaquim Carreira das Neves, OFM
Labat n.º 73, de Junho de 2007

23 junho, 2011

Deus é Trindade de Amor


Pe. Luis Archer sjDepois de meditar as celebrações do Pentecostes e da Santíssima Trindade, o Senhor Jesus fez-me sentir o que vos vou tentar transmitir na minha linguagem:
Se crês na minha Palavra, começou o Senhor, mas não a consegues por totalmente em prática, clama pelo Espírito Santo que o Pai e Eu fizemos descer sobre ti. Pede-lhe, uma e muitas vezes, que abra o teu coração de par em par, reconhecendo humildemente que só Ele é capaz de te mover a essa abertura completa.
O meu Espírito está sobre ti. Recebe-O com amor. Faz que Ele se sinta bem na tua morada interior. Cala o teu pensamento e a tua imaginação para seres capaz de O escutar. A Sua voz suave só se ouve no silêncio interior. Não O interrompas constantemente. Deixa que Ele te penetre, te mova como quiser.
O meu Espírito acabará por te revelar toda a Verdade, mesmo aquela que tu nem imaginas. E a pouco e pouco, farei germinar na tua vida a santidade de que não és capaz.
Quem receber assim o meu Espírito recebe-me também a mim e ao Pai, porque Nós somos um só e faremos de ti a nossa morada.
O Pai é amor que se dá totalmente, e assim me gera em Mim. Ele não quer conhecer-se senão em Mim e naqueles que permanecem em Mim. Recebendo tudo do Pai, Eu tudo lhe restituo. Este êxtase de amor do Pai para Mim e de Mim para o Pai é o Espírito Santo que te foi dado. Nós três somos um só, porque vivemos nessa constante entrega mútua de amor.
Todo este pulsar da nossa vida acontece também dentro de ti, lembrando-te que tu, feito à Nossa imagem e semelhança, só és e te sentes bem na medida em que te dás aos outros com o mesmo amor que está em nós. Se te fechas em egoísmo, pensando só em ti, não permaneces um só Connosco, e não deixas que sejamos um só contigo.
Anuncia a todos a tua vida nova no Espírito. Confere com os teus irmãos carismáticos o que julgas ter ouvido de Nós, para que eles te confirmem na Verdade.
Verás que se persistires Connosco nesta entrega, Nós mudaremos a tua vida quase sem dares por isso. Em vez da inveja, ciúme, murmuração, impaciência, sentirás “amor, alegria, paz, paciência, benignidade” (Gal 5, 22). Serás feliz!
P. Luís Archer sj
Editorial do Labat n.º 73 de Junho de 2007

22 junho, 2011

ALEGRIA CRISTÃ???


Estar atentoOuvi alguns excertos do discurso da recém-eleita Presidente da Assembleia da República, e pelo meio das suas palavras, ouvi-a falar na “alegria cristã”.

Fiquei obviamente feliz com tal expressão, e "pensei com os meus botões" que talvez houvesse alguém em lugar tão importante, que fosse defensor dos valores cristãos que enformam o povo Português, que fosse alguém defensor da vida.

Como, “palavras, leva-as o vento”, fui à procura da posição da referida senhora sobre alguns temas, nomeadamente o aborto.

E para meu espanto, ou talvez não, Assunção Esteves foi das poucas deputadas do PSD, (ao que pude averiguar), que defendeu intransigentemente o sim no referendo ao aborto.

Como é que uma mulher inteligente e culta, (segundo afirmam), se permite utilizar uma expressão de tão rico e imenso conteúdo, como é a “alegria cristã”, e ao mesmo tempo ser a favor de algo que é totalmente contra a Doutrina cristã?

Ou será que a senhora julga que Jesus Cristo é pró-aborto?

É que aqui nem está em causa o ser ou não católico.
Basta afirmar-se cristão, para indubitavelmente se ser contra o aborto.
E aqui não há duas opiniões, mas apenas esta, que é a verdadeira.

Já agora, se utilizou a expressão como mera figura de retórica, também de alguma forma enganou aqueles que a ouviram, porque não se pode falar de “alegria cristã”, sem se saber o que é ser cristão e viver como cristão.

É bonito, fica bem, proferir tal frase, mas ela não tem qualquer sentido vindo de alguém que é a favor do aborto.

É que a expressão “alegria cristã” tem um conteúdo imenso, mas bastava apenas um, para a frase já não ter sentido na boca de alguém que apoia o aborto.

É que a “alegria cristã” se baseia, é intrínseca, à vida!
A vida criada por Deus em cada ser único e irrepetível, desde a sua concepção, até à sua morte.

E neste sentido, ao falarmos em “alegria cristã”, não interessam opiniões, nem suposições, como por exemplo, sobre quando começa a vida, mas apenas e só a verdade que cada cristão deve acreditar e professar, que a vida é dom de Deus desde a sua concepção até à morte, (e até para além da morte), e como tal, só a Deus pertence, sendo assim inviolável seja por quem for, e sejam quais forem os motivos ou razões que se quiserem encontrar.

Resumindo, a expressão “alegria cristã” na boca da nova Presidente da Assembleia da República não tem qualquer sentido, o que não invalida que ela possa ser uma pessoa competente “politicamente” para o cargo para que foi eleita, mas que se deve coibir de utilizar expressões “religiosas” que podem induzir em erro aqueles que a ouvem e podem acreditar que a senhora professa a fé cristã, em que afinal, pelos vistos, não acredita, porque a ela se opõe.
Joaquim Mexia Alves

19 junho, 2011

Homilía do Santo Padre, na Solenidade da Santíssima Trindade

19 de Junho de 2011

É grande a minha alegria em poder dividir convosco o pão da Palavra de Deus e da Eucaristia e poder dirigir, querido San Marino, a minha cordial saudação. Dirijo uma saudação especial aos Regente Capitães e às demais autoridades políticas e civis presentes nesta celebração eucarística, saúdo com afecto o vosso Bispo, Dom Luigi Negri, a quem agradeço as amáveis palavras que me dirigiu e, com ele, todos os sacerdotes e fiéis da diocese de San Marino-Montefeltro, cumprimentando cada um de vós expressando a minha profunda gratidão pela cordialidade e carinho com que me acolheram.
Eu vim partilhar convosco as alegrias e as esperanças, os esforços  e compromissos, ideais e aspirações desta comunidade diocesana. Eu sei que aqui também existem dificuldades, problemas e preocupações. Tudo o que eu quero é garantir-vos  a minha proximidade e a minha lembrança na oração, para participar no estímulo a perseverar no testemunho dos valores humanos e cristãos, tão profundamente enraizados na fé e na história deste território e da sua população, com a sua fé granito que foi falada por Sua Excelência. 
Celebramos hoje a festa da Santíssima Trindade: Deus Pai, Filho e Espírito Santo, Festa de Deus, do centro da nossa fé. Quando pensamos na Trindade, normalmente vem à mente o aspecto do mistério: são Três e são Um, um só Deus em três Pessoas. Na verdade, Deus não pode ser outra coisa, senão um mistério para nós na sua grandeza. e mesmo assim Ele se revelou: Podemos conhecê-Lo no Seu Filho e assim conhecer o Pai e o Espírito Santo.  

Hoje, a Liturgia, no entanto, chama a nossa atenção não tanto sobre o mistério, mas sobre a realidade do amor que está contida neste primeiro e maior mistério da nossa fé. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são um, porque é o amor e o amor é o absoluto poder vivificante, a unidade criada pelo amor é reconhecimento, O Pai dá tudo para o Filho, o Filho recebe tudo do Pai com gratidão, e o Espírito Santo é como o fruto deste amor recíproco entre o Pai e o Filho.
Os textos da Santa Missa de hoje falam de Deus e, portanto,  falam de amor; não se fixa tanto sobre o mistério das três Pessoas, mas sobre o amor que neles constitui a substância, unidade e trindade ao mesmo tempo.
O primeiro texto que escutamos é do Livro do Êxodo – sobre ele falei numa recente Catequese de quarta-feira – e é surpreendente que a revelação do amor de Deus ocorra depois de um gravíssimo pecado do povo. Apenas foi concluído o pacto de aliança feito no monte Sinai e o povo já deixou cair a fé.
A ausência de Moisés prolonga-se e logo o povo diz: “Mas onde está este Moisés, onde está o seu Deus?” e pede a Aarão para lhes fazer um deus que seja visível, acessível, operável, ao alcance do homem, em vez daquele misterioso Deus invisível, distante. Aarão concorda e faz um bezerro de ouro.
Descendo do Sinai, Moisés viu o que aconteceu e quebra as tábuas da aliança, que já está quebrada, quebrando as duas pedras em que estavam escritos os Dez Mandamentos, o conteúdo real da aliança com Deus. Tudo parece perdido, toda a amizade desde o início, já está quebrada.
No entanto, no momento deste enorme pecado do povo, Deus, por intercessão de Moisés, decide perdoar e chama Moisés a subir a montanha para receber novamente a Sua lei, os Dez Mandamentos e renovar o pacto.
Moisés, então pede a Deus para se revelar, para mostrar-lhe o rosto. Mas Deus não mostra a Sua face, revela antes o seu ser pleno de bondade com estas palavras: “Senhor! Senhor! Deus misericordioso e clemente, vagaroso na ira, cheio de bondade e fidelidade” (Ex 34, 8).
Esta é a Face de Deus. Esta auto-definição de Deus manifesta o seu amor misericordioso, um amor que vence o pecado, cobre-o, apaga-o. E podemos estar sempre seguros desta bondade que não nos deixa. Não pode haver revelação mais clara. Nós temos um Deus que renuncia destruir o pecador e que quer manifestar o seu amor de forma ainda mais profunda e surpreendente, diante desse pecador para lhe oferecer a possibilidade da conversão e do perdão.
O Evangelho, pleno desta revelação que escutámos na primeira leitura, indica até que ponto Deus tem mostrado a sua misericórdia. O evangelista João profere esta declaração de Jesus: “Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê, não se perca, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3, 16)
No mundo existe o mal, o egoísmo e a maldade, e Deus poderá vir para julgar o mundo, para destruir o mal e punir aqueles que trabalham na escuridão, mas em vez disto, Ele mostra o Seu amor ao mundo, amor pelo homem, apesar do seu pecado, e envia o que é bem mais precioso: O Seu Filho unigênito. E não somente envia, mas Ele faz um presente ao mundo. Jesus é o Filho de Deus que nasceu para nós, que viveu por nós, que curou os doentes, perdoou os pecados, saudou a todos. Respondendo ao amor que vem do Pai, o Filho deu a sua própria vida por nós, na cruz, e o amor misterioso de Deus chega ao cume. E é sobre a cruz que o Filho de Deus recebe a participação na vida eterna, que é comunicada a nós, através do dom do Espírito Santo. 
Assim, no mistério da cruz, há três Pessoas divinas: o Pai, que doa o seu Filho unigênito, para a salvação do mundo; o Filho, que cumpre até o fim o desígnio do Pai; o Espírito Santo, derramado por Jesus na hora da morte – que nos vem tornar participantes da vida divina, para transformar as nossas vidas, animadas pelo amor divino. 
Queridos irmãos e irmãs! A fé no Deus uno e trino também tem caracterizado esta Igreja de San Marino-Montefeltro no curso da sua história antiga e gloriosa. A evangelização desta terra é atribuída a São Leo  e Marino, e pedreiros, que na metade do século III depois de Cristo, teriam chegado a Rimini da Dalmácia.
Pela sua santidade de vida teria sido um, consagrado sacerdote, e o outro, diácono, pelo Bispo Gaudenzio e por ele enviados ao interior, ao monte Feretro, que depois recebeu o nome de San Leo, e o outro ao monte Titano, que mais tarde tomou o nome de San Marino.
Além das questões histórias – que não é nossa tarefa investigá-las – interessa afirmar como Marino e Leão levaram no contexto desta realidade local, com fé em Deus revelado por Jesus Cristo, novas perspectivas e valores, resultando no nascimento de uma cultura e civilização centradas na pessoa humana, à imagem de Deus e, portanto, portadora de direitos humanos antes de qualquer legislação.
A variedade de grupos étnicos diferentes – romanos, godos e em seguida, os lombardos – que entravam em contacto uns com os outros, às vezes de maneira muito conflituosa, encontravam como referência comum a fé, como factor poderoso na construção ética, cultural, social e, de alguma forma, a política. Era evidente aos seus olhos que não poderia ser considerado um projecto de civilização, enquanto todos os componentes do povo não fizessem parte de um comunidade cristã viva, bem estruturada e construída sobre a fé no Deus uno e trino.
Justamente, portanto, pode dizer-se que a riqueza desta nação, querido Sam Marino, foi e é a fé, e que esta fé criou uma civilização de cultura única. Próxima à fé, que deve então lembrar a absoluta fidelidade ao Bispo de Roma, ao qual esta Igreja sempre olhou com devoção e afecto, bem como a sua atenção para a grande tradição da Igreja oriental e da profunda devoção à Virgem Maria.
Estais justamente orgulhosos e gratos pelo quanto o Espírito Santo operou pelos séculos na sua Igreja. Mas devem saber que o melhor modo de apreciar uma hereditariedade é cultivar e enriquecê-la. Na realidade, sois chamados a desenvolver este precioso depósito num dos momentos mais decisivos da história.
Hoje, a nossa missão é ter que lidar com profundas e rápidas transformações culturais, sociais, económicas e políticas, que levam a novas directrizes e mudanças de atitudes, costumes e sensibilidades. Mesmo aqui, na verdade, como noutros lugares, existem dificuldades e obstáculos, principalmente devido aos modelos hedónicos que ofuscam a mente e ameaçam desfazer toda a moralidade.
Tem havido a tentação de acreditar que a riqueza do homem não é a fé, mas o seu poder pessoal e social, a sua inteligência, a sua cultura e a sua capacidade de manipular a realidade científica, tecnológica e social da realidade. 
Assim, nestas terras, começou a substituir-se a fé cristã e os valores pela riqueza, que, no fim, se revela inconsistente e incapaz de manter a grande promessa de verdade, do bem, da beleza e da justiça que durante séculos os vossos antepassados foram identificados com a experiência de fé. Não esqueçam a crise que se agrava em muitas famílias, pela fragilidade generalizada psicológica e espiritual dos esposos, bem como, a fadiga experimentada por muitos educadores, na obtenção de continuidade na formação dos jovens afectados pelas incertezas múltiplas, primeiro, entre todos aqueles do meio, e depois, da possibilidade de trabalho.

Caros amigos! Conheço bem o empenho de cada membro desta Igreja, especialmente na promoção da vida cristã nos seus diversos aspectos. Exorto a todos os fiéis que sejam como fermento no mundo, mostrando tanto, seja em Montefeltro ou em San Marino, que os cristãos estão pró-activos e consistentes. Os sacerdotes, os religiosos e religiosas vivam sempre na mais cordial e afectiva comunhão eclesial ajudando e escutando o Bispo diocesano. Também peço a vós, com urgência, uma revitalização das vocações sacerdotais, em especial à consagração sacerdotal: faço um apelo às famílias e aos jovens para que abram a alma para uma resposta pronta ao chamamento do Senhor.
Nunca haverá arrependimento por serem generosos com Deus! Para vós, leigos, eu recomendo o empenho activo na comunidade, de modo que, além dos vossas tarefas especiais, cívicas, políticas, sociais e culturais, possam encontrar tempo e disponibilidade para a vida da fé, a vida pastoral.
Caro San Marino! Permaneçam firmemente leais ao património construído ao longo dos séculos, sob o impulso dos seus grandes patronos, Marino e Leão. Invoco a bênção de Deus sobre o vosso caminho, hoje e amanhã e recomendo a todos “à graça do Senhor Jesus Cristo, ao amor de Deus e à comunhão do Espírito Santo”(2Cor 13,11). Amém!

© Copyright 2011 - Libreria Editrice Vaticana

Tradução: L. Santos

10 junho, 2011

1.º Aniversário do G. O. "Boa Nova do Reino" - Azambuja

10 de Junho de 2011

G.O. Boa Nova do Reino

No dia 10 de Junho de 2011, comemorou-se o primeiro Aniversário do Grupo de Oração 'Boa Nova do Reino' - Azambuja, do RCC da Diocese de Lisboa, realizado no Centro Paroquial daquela localidade, com a presença dos seguintes convidados:

- João Silva e Maria Olga – Anterior Coordenador, e ambos, antigos responsáveis da  Equipa Diocesana cessante (onde permaneceram durante 14 anos) que estiveram bem enraizados na formação e consolidação do Grupo aniversariante;

- Grupos de Oração, 'Raboni - Meu Mestre', de Alverca, e 'Verdade e Vida', de Ota – que em conjunto participaram no Seminário de Vida Nova no Espírito, ali realizado, não só com a presença de irmãos para formação e Efusão do Espírito Santo, mas também com a de outros que tendo já obtido a Efusão do Espírito, frequentaram uma acção de aprofundamento a decorrer em simultâneo com o Seminário;
 

- A Equipa Diocesana, por motivos de agendamento, não deixou de mostrar a sua presença, o que fez através de mensagem de felicitações, apoio e incentivo. 

Na vivência do dia, não só foi notória uma franca confraternização, mas essencialmente, a manifestação clara da presença do Espírito Santo, como fruto da unidade entre todos os presentes. 

A Eucaristia foi presidida pelo Pe. Manuel Silva, Pároco de Ota e Assistente Regional dos Grupos das Vigararias VIII, IX, X e XII, do RCC da Diocese de Lisboa. 

O GOVV, felicita e deseja ao Grupo “Boa Nova do Reino”, uma longa e fértil caminhada de Vida Nova no Espírito.


ENSINAMENTO

 Diácono Acácio Vasconcelos

(Em vídeo/som)



Se desejar o texto deste ensinamento, encontrá-lo-á  imediatamente a seguir à Reportagem Fotográfica

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REPORTAGEM FOTOGRÁFICA

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ENSINAMENTO
(em texto)

ESPÍRITO SANTO

1. Refeições de Jesus

Jesus começou a Sua vida pública, de anúncio da Boa Nova do Reino, com o primeiro milagre, numa refeição – “Bodas de Caná”. E, a Sua partida deste mundo, já ressuscitado, é precedida de uma refeição com os seus discípulos, conf. Act 1, 4 e ss.. 
Podemos acrescentar a estes dois episódios a refeição da Última Ceia, onde Jesus aproveitou o momento para se despedir dos discípulos, antes da Paixão e Morte.
Porque será que Jesus aproveitou as refeições para “momentos chave da sua missão”? 
Jesus serve-nos de exemplo para tudo. É Ele que dá sentido à vida humana; mostra-nos o que somos, de onde vimos e para onde vamos. Jesus é o nosso ser, indica-nos o caminho e é nele que chegamos ao Pai. Portanto, podemos procurar nas suas palavras, nos seus gestos e nas suas obras todo o sentido que têm, com vista à compreensão do modo de ser e de agir do ser humano para a sua plena realização. As refeições de Jesus servem, exactamente, para extrairmos delas algo de útil para a nossa vida. 
Como humanos que somos (e Jesus também era humano) sabemos que as refeições são momentos interessantes de convívio, de festa e de partilha, não só de bens como de amizades e ideias. 
Jesus, como humano, em todos os seus ensinamentos, serviu-se das circunstâncias locais, do modo de vida dos seus contemporâneos, das tradições, dos ambientes familiares, da vida social, dos elementos visíveis da natureza, no fundo, de tudo o que fazia parte da vida do homem. E, nomeadamente, nas refeições, como humano que necessitava de comer e beber e gostava de conviver, aproveitou esses momentos para grandes ensinamentos. 
Podemos observar que nas refeições de Jesus existe uma coerência com a Sua pregação e com o Seu modo de ser e de agir. São a demonstração de que o nosso grandioso e poderoso Rei aceita sentar-se à mesa com os pobres e pecadores e está pronto para servir. As refeições de Jesus são um dos grandes sinais do Reino. Simbolizam e antecipam a realidade do grande banquete com os filhos pródigos. Assim, o Reino além de ser uma promessa de um futuro, passa a ser uma realidade antecipada sob o sinal de uma refeição festiva. 
Nas bodas de Caná, Jesus inicia a Sua vida pública e apresenta o Seu programa: trazer à relação entre Deus e o homem o vinho da alegria, do amor e da festa. É este programa que Jesus anuncia e cumpre ao longo de toda a sua vida – a doação total por amor. Jesus veio revelar-nos o Pai bondoso e terno, que pretende realizar o grande banquete com os seus filhos. Jesus toma a água da nossa vida, que são as nossas alegrias, os nossos amores, as nossas conquistas humanas, os nossos desaires, as nossas tristezas, os nossos tédios e mesmo os nossos pecados e transforma-os em vinho novo, em vinho do Reino que dá alegria e felicidade. É esse o “vinho” que Jesus veio trazer, o “vinho” do amor de Deus, que produz alegria e que nos leva à festa do encontro com o Pai e com os irmãos. 
Jesus quis dizer, com o seu primeiro milagre público naquele banquete de casamento, que o Reino de Deus, que com ele se estava a manifestar, é um reino de alegria e de festa. Quem começa a participar do Reino de Deus entra logo no banquete e na alegria do Senhor. 
A última ceia de Jesus, embora não isolável das outras refeições, tem um significado especial. É a Sua despedida antes da morte terrena. Ele dá à última ceia um sentido de resumo da sua vida e um sentido de esperança. Apesar de a morte ser caminho de trevas, de angústia e de tristeza é caminho para a vida eterna. 
Jesus, na última ceia, não se importa de partilhar com o seu traidor e, além de comunicar a angústia e o sofrimento por onde estava prestes a passar, faz uma doação pessoal do Reino que anunciava. Dá, já neste mundo, a comunhão da vida do Reino aos seus discípulos e dá-a como promessa de futuro para todos os que participarem no memorial dessa última ceia, da Sua paixão, morte e ressurreição. 
Também, aí, sendo Ele a personificação do Reino, através dos seus gestos e palavras, explicita o que é ser membro do Reino: um “servidor” que, num gesto de doação e de amor lava os pés. É não só um gesto de humildade e de serviço, como também a indicação de que quem for lavado pelo Senhor e cear com Ele terá comunhão e participação na Sua pessoa e na Sua sorte – “se não te lavar os pés não terás parte comigo” (Jo 13, 8) -, e consequentemente, participação no banquete do Reino. 
Na Última Ceia, aproveita o momento para se despedir dos discípulos, para instituir a Eucaristia - Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição - e para lhes transmitir a grande mensagem para o futuro: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos e eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador para estar convosco para sempre, o Espírito da Verdade”. (Jo 14, 15-17). 
Na despedida de Jesus, antes da ascensão, efectuada também, durante uma refeição, Ele, o Ressuscitado, diz: “Mas ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria, e até aos confins do mundo” (Act 1, 8). 
Jesus anuncia, assim, a vinda do Espírito Santo que recorda tudo o que Ele disse, ensina todas as coisas e dá a força para testemunhar. Até ali, Jesus revelou tudo o que o Pai lhe indicou. Para os que estavam naqueles momentos e para todos os que haveriam de percorrer os caminhos deste mundo cria, ainda, a expectativa de um momento mais interessante. Quis alimentar a esperança de todos os que não ouviram e não assistiram às suas obras. Promete que vem o Consolador para ficar connosco até ao fim dos tempos. 
No caso destas refeições em “momentos chave” de Jesus, como sejam o início do anúncio do Reino, o fim da vida terrena e a Sua partida para o Pai, podemos verificar que Jesus, “representante” do Pai, senta-se à mesa com os pobres e pecadores. Quer partilhar com o ser humano: quer dar e quer comer do pão ganho com sangue, suor e lágrimas; quer partilhar o pão vivo que mata a fome e, a água viva que mata a sede para sempre; quer amar e ser amado; quer encher odres novos com vinho novo que embriague de amor e de alegria. E, até promete que não nos vai deixar sós a navegar neste mar de tormentas nem permitirá que o amor a Deus se limite que fiquemos a amar o Deus distante do Antigo Testamento. Parte, mas quer partilhar o mesmo Espírito, Seu e do Pai, garantindo ao ser humano que, apesar das suas limitações humanas, pode amar a Deus e os irmãos filhos do mesmo Pai e, ser amado por Deus uno e trino, por intermédio do Seu Espírito – o Deus connosco.

  
2. A glória de Deus

Voltando às refeições de Jesus, poderíamos dizer que a Eucaristia, marco final de Jesus e finalizador da Sua existência terrena, é o ponto inicial e de apoio da existência da Igreja. A missão de anúncio do Evangelho e revelação do Pai foi cumprida por Jesus com a Sua vida, morte e ressurreição. No entanto, em alguns momentos, Jesus dá a entender que a obra de Deus não estaria, ainda, concluída, mesmo após a Ressurreição e a Ascensão, como vamos ver.
Na última ceia, Jesus diz: “Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, para estar convosco para sempre… Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós… Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, Esse ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.” (Jo, 14, 15-26). 
Jesus indica que a vida vai continuar, depois da sua morte e ressurreição, mas a obra de Deus continuará também: o Pai dará outro Consolador, para não ficarmos sós. 
E diz, ainda, “Mas quando vier o Consolador que vos hei-de enviar da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, Ele testificará de Mim. E vós também testificais, pois estivestes comigo desde o princípio.” (Jo 15, 26-27). “Contudo, digo-vos a verdade: Convém-nos que eu vá; porque se eu não for o Consolador não virá a vós e se eu for, enviar-vo-lo-ei.” (Jo 16, 7). “Quando vier o Espírito da Verdade, Ele guiar-vos-á para a verdade total, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á o que há-de vir. Ele glorificar-me-á porque há-de receber do que é meu, para vo-lo anunciar.” (Jo 16, 13-15). 
Jesus anuncia um outro momento: A glorificação do Seu Nome – a glória de Deus. 
Quando parte para o Pai, não vai sem antes indicar aos seus discípulos como deviam continuar a sua missão universal: “Ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo.” (Mt 28, 19-20). 
Aqui, efectivamente, Jesus dá orientações aos seus discípulos, mas com uma garantia que mantém firme a esperança: “E eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo.”
Verificamos, então, que Jesus indica que a obra de Deus não está completa.
Sabemos que Jesus, o Filho de Deus, dá a conhecer o Pai e, que a Ressurreição mostra, com clareza, a natureza divina de Jesus Cristo. Ela é a transfiguração definitiva que mostra Jesus como o Filho amado do Pai; é a plenitude da encarnação e o ponto em que a revelação de Deus se torna plena. 
Podemos, assim, afirmar que a ressurreição é o culminar da história da salvação, é a revelação de Deus ao homem. Mas, o Pentecostes segundo as palavras de Jesus, na última ceia, é algo mais, é o culminar de todas as obras de Deus; é aí que resplandece a glória de Deus, como diz o Beato João Paulo II, na Carta Encíclica Dominum et Vivificantem, 7: “Por isso, no Espírito Santo Paráclito, o qual continua incessantemente no mistério e na actividade da Igreja a presença histórica do Redentor sobre a terra e a sua obra salvífica, resplandece a glória de Cristo, como atestam as palavras de São João que vêm a seguir: «Ele (isto é, o Espírito) glorificar-me-á, porque receberá do que é meu para vo-lo anunciar».” 
Jesus deu a conhecer Deus ao homem na Sua Pessoa. Antes, Deus já existia e actuava no meio dos homens, mas o ser humano, com as limitações de humano, porque não é divino, não conseguia ver Deus. Em Jesus Cristo, humano e divino, torna-se possível ao humano conhecer e ver Deus. Também o Espírito de Deus já estava presente no mundo, antes da vinda de Jesus e antes do Pentecostes com os seus dons e com o seu poder. Mas, em Jesus Cristo Ele passa a estar connosco de forma pessoal e fica connosco, já não em pessoa, mas, em Espírito. Assim, passamos a ter conhecimento não só de Jesus, mas também de toda a Trindade, de Deus uno e trino com toda a dimensão do que Deus é: Deus Pai de amor. 
Nos escritos apostólicos Jesus Cristo e o Espírito andam inseparavelmente unidos.
Não podia deixar de ser. O que une o Pai ao Filho é a força do amor de Deus – o Espírito Santo. 
O Espírito Santo é o amor de Deus que, como humanos, podemos desde já aceder e partilhar, porque é o Espírito de Cristo (só em Cristo temos acesso ao Pai). Então, a frase dos Actos dos Apóstolos: ”Todos ficaram cheios do Espírito Santo” (Act 2,4) só pode significar que todos ficaram cheios do amor de Deus. 
Os apóstolos, após a ressurreição, acreditaram que aquele Jesus, seu Mestre, era verdadeiramente o Filho de Deus, mas continuaram receosos. Reuniam-se às escondidas. 
Só no Pentecostes sentiram a verdadeira experiência do amor de Deus que os envolveu, ao ponto de quem os via e ouvia, dizer que estavam embriagados com vinho doce. Estavam, sim, embriagados com o vinho novo, embriagados com a caridade e amor do Espírito Santo. Claro que, quando surge essa experiência de ser amado por Deus e de amar Deus, imperiosamente, tem que se notar algo na nossa maneira de ser e de agir. Foi isso que aconteceu aos apóstolos e é isso que acontece a cada um de nós quando, efectivamente, se dá “novo Pentecostes”. O ser humano não tem capacidade para aguentar a força do amor de Deus e extravasa-o inundando outros. 
O Pentecostes ocorreu naquele dia específico com os apóstolos, mas continua a acontecer. Como diz Jesus Cristo, se O amarmos e guardarmos os seus mandamentos Ele dar-nos-á o Consolador que estará connosco para sempre; Ele ensinar-nos-á todas as coisas, recordará tudo o que Jesus disse, guiar-nos-á para a verdade total, de modo a podermos ser suas testemunhas e anunciar-nos-á o que há-de vir. Então, resplandece a glória de Cristo e será o coroamento das obras de Deus para Sua glória na Trindade Santa. 
Sem o Espírito, o que seria a Igreja? O acontecimento Jesus Cristo perder-se-ia ao longo da história, a identidade cristã diluir-se-ia e a Igreja transformar-se-ia numa organização sem vida. Jesus confiou ao Espírito a continuidade da sua obra na comunidade cristã. Jesus não é só o Ressuscitado, é «Senhor que dá a vida», e é o Espírito que dá esse sentido à missão de Jesus. Mas o dar a vida não é como acender uma luz num determinado instante. A doação de vida é contínua, é um amor que se vive e será para sempre – é a vida eterna na comunhão do amor de Deus. É por isso que o Espírito Santo vem depois de Jesus e graças a Ele; vem para continuar no mundo, mediante a Igreja, a obra da Boa Nova da salvação, até que a criação seja glorificada com o Pai e com o Filho e com o Espírito Santo. Então, sim, estará completa a obra de Deus.



3. Maria e o Espírito Santo

Em toda a história bíblica, o Espírito é a força de Deus que se apodera do profeta, do autor ou do intérprete sagrado para que se disponibilize, se esvazie de si mesmo deixando que a Palavra de Deus se inscreva na sua intimidade; o culminar dessa história é o caso de Maria, modelada de forma singular pelo Espírito que a tornou simples, humilde e terra santa, onde a Palavra produziu fruto. 
Maria recebe a força do Espírito que lhe permite dialogar com Deus Pai, torna-a capaz de assumir a sua própria vida e dizer “eu quero” e converte-se em Mãe do Filho de Deus. 
Vivendo com Jesus e em Jesus, até à Sua morte e ressurreição, Maria recebe o Espírito de Cristo no Pentecostes da Igreja (cf. Jo 19, 25-27.30; Act 1, 14). Ali, Ela que já tinha sido repleta do Espírito Santo, recebe o Espírito da nova comunhão que a vincula ao povo novo do Senhor glorificado; entra e faz parte da glória de Deus. 
Maria pertence à nossa própria humanidade, como criatura deste mundo, mas é aquela que manteve e mantém relações privilegiadas com o Pai e Filho e o Espírito, realizando-se como pessoa, dentro do espaço trinitário: Maria é a primeira pessoa da história a participar da glória de Deus. Ela pode apresentar-se como cume da história e centro da Igreja. Foi graças ao seu “Sim” e com o Espírito Santo que a obra de Deus se realizou. É fruto das suas qualidades de Mãe que ela é a alma inspiradora da comunidade dos crentes. Pois a Mãe Maria está atenta e preocupa-se para que nada falte na mesa do Senhor. 
Maria, cheia do Espírito Santo, mergulhada no amor de Deus é a nossa “paráclita”, é “consoladora” dos aflitos e “advogada” dos pecadores, seus filhos. Também, com ela e com o Espírito Santo podemos fazer parte do coro que glorifica o seu Filho e que dá glória a Deus.



4. Conclusão

Concluindo, a missão de Jesus de anúncio do Evangelho, instauração do Reino de Deus e revelação do Pai foi cumprida por Ele próprio. Mas é necessário continuar a divulgação da Sua mensagem e dar a conhecê-Lo para que se tenha acesso ao Pai, a fim de que haja Salvação para glória de Deus. Cabe-nos a nós essa função com a força do Espírito Santo que nos ensina todas as coisas e nos recorda tudo o que Jesus disse. 
Meus amigos, a vida é para se viver, não é para a deixarmos abalar; é para sentir (só sente quem vive) e o melhor que podemos desfrutar da vida é sentirmo-nos pessoalmente amados por Deus. Para se sentir esse amor temos que fazer a experiência de nos deixarmos amar e de amar em simultâneo (só há vivência em amor quando o amor é recíproco). Contudo, as nossas capacidades podem ser pequenas, mas consola-nos a certeza de que Deus faz acontecer “Pentecostes” e torna-nos capazes de amá-Lo tanto mais quanto se vive e se experimenta o Seu amor. 
Como conclusão prática para a vida do dia-a-dia, verificamos que não basta ter fé, acompanhar Jesus Cristo e conhecer Deus, como os apóstolos, (embora “conhecer” já implique vivenciar); é preciso uma experiência real e transformante do amor de Deus; é necessário sentir o amor com que Deus Pai nos ama e que nos torna capazes de O amar e de amar o próximo. Temos que partilhar refeições com Jesus: aceitar o seu convite para o banquete e, também, convidá-Lo para se sentar à mesa connosco e estar atentos à efusão do Espírito Santo, como Maria. 
Este “receber”, “ser”, “amar”, “dar” é o “viver em Cristo”, é compartilhar os bens, é comer à mesma mesa. Assim alimentados, temos vida, a vida que o Espírito dá, a vida de Cristo, a vida do Pai, a vida do amor trinitário. 
Nos dias de hoje, sabemos que “crer” é, relativamente, fácil; “amar” é um pouco mais difícil, mas não muito. O que é difícil é “esperar”. Somos seres frágeis que desanimamos e desesperamos facilmente. Mas, as tribulações reavivam e produzem esperança. É a esperança que nos dá força para recomeçar depois dos fracassos. A esperança é que nos salva. E, porquê? Temos a promessa salvífica e santificadora do Pai. 
Mas, saciados, com vida e em festa, cheios do Espírito Santo, cheios do amor de Deus, poderemos, extravasar esse amor e envolver o próximo na mesma paixão de amor; poderemos comungar da própria vida de Cristo e, num só e mesmo Espírito, fazer parte no Reino, que já está no meio de nós e participar na Glória de Deus. 
Além das refeições de que falámos da vida de Jesus, temos fé e esperança de que haverá um “grande momento chave” na vida do Reino, onde se prepara mais uma refeição para a qual Maria, Jesus e os seus estão convidados: Deus prometeu e tem preparado um grande banquete para todos os filhos pródigos. 
Animados, com o Espírito Santo vivemos e esperamos por esse grande momento.

(Hino ao Espírito Santo, composto no Séc. IX)

Veni creator Spiritus
Tradução
Veni, Creator Spiritus, mentes tuorum visita,imple superna gratia, quae tu creasti pectora.

Qui diceris Paraclitus, altissimi donum Dei, fons vivus, ignis, caritas, et spiritalis unctio.

Tu septiformis munere, digitus paternae dexterae, tu rite promissum Patris, sermone ditans guttura.

Accende lumen sensibus; infunde amorem cordibus, infirma nostri corporis virtute firmans perpeti.

Hostem repellas longius, pacemque dones protinus;
ductore sic te praevio vitemus omne noxium.

Per te sciamus da Patrem, noscamus atque Filium;
teque utriusque Spiritum credamus omni tempore.

Deo Patri sit gloria, et Fillio, qui a mortuis surrexit, ac Paraclito, in saeculorum saecula. Amen.
Vem, ó Espírito Criador, visita as tuas almas, enche da suprema graça, os corações que criaste.

Tu que és o dito Paráclito, altíssimo dom de Deus, fonte viva, fogo, caridade, e unção espiritual.

Tu dador dos sete dons, dedo da direita paterna, Tu solene promessa do Pai que inspiras as palavras.

Acende a luz nos sentidos, infunde o amor nos corações, fortalece para sempre o que no nosso corpo é enfermo.

Afasta o inimigo, dá a paz sem demora, e assim guiados por Ti, evitaremos todo o mal.

Por Ti descubramos o Pai, e também  o Filho conheçamos,
em Ti Espírito de ambos acreditemos por todo o sempre.

Glória seja dada a Deus Pai, e ao Filho, que da morte ressuscitou, e ao Paráclito, pelos séculos dos séculos. Amen.
Azambuja, 10 de Junho de 2011                                                                          A. Vasconcelos (Diác.)
 
 
___________________
 
 
Os primeiros passos do G.O. “Boa Nova do Reino”
Acesso: