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27 janeiro, 2019
Papa: Voluntários fazem o milagre da multiplicação da esperança
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No estádio Rommel Fernandez, 20 mil jovens ouviram palavras de gratidão e encorajamento por parte do Santo Padre. O Papa concluiu repetindo o que disse em Cracóvia: “Não sei se estarei na próxima JMJ, mas Pedro estará lá certamente".
Fraccalvieri – Cidade do Panamá
No estádio Rommel Fernandez, 20 mil jovens ouviram palavras de gratidão e encorajamento por parte do Santo Padre. O Papa concluiu repetindo o que disse em Cracóvia: “Não sei se estarei na próxima JMJ, mas Pedro estará lá certamente".
Fraccalvieri – Cidade do Panamá
O encontro do Papa com os voluntários encerra tradicionalmente a Jornada Mundial da Juventude. E no Panamá não foi diferente.
No estádio Rommel Fernandez, 20 mil jovens ouviram palavras de gratidão e encorajamento por parte do Santo Padre.
Fé viva, dinâmica e real
Antes de pronunciar o seu discurso, o Pontífice assistiu a uma representação moderna do anúncio do Anjo Gabriel a Maria, narrado ao som de rap e tango, com direito a uma equipa de futebol e selfie.
Francisco ouviu também o testemunho de três voluntários, que enfrentaram e superaram momentos de dificuldade e de desânimo para poderem trabalhar na JMJ.
Servindo os outros, a fé adquire um sabor e uma força completamente novos: torna-se mais viva, dinâmica e real.
“Deus chama-nos a fazer o que podemos e a pedir o que não podemos”, recordou Francisco, que insistiu na importância da oração.
Somente rezando é possível sentir a realidade em profundidade, “a oração dá espessura e vitalidade a tudo o que fazemos”.
Multiplicação da esperança
Muitos voluntários tiveram que renunciar aos interesses próprios em favor dos outros, tornando possível o milagre da multiplicação da esperança. Mas este esforço é recompensado:
“ Sempre que adiamos um gosto nosso pelo bem dos outros, especialmente dos mais frágeis, ou das nossas raízes, como são os nossos avós e idosos, o Senhor devolve-nos na proporção de cem por um. Porque, em generosidade, ninguém O pode vencer; no amor, ninguém O pode superar. ”
Agora, é chegado o momento do envio: ir e contar, ir e testemunhar, ir e transmitir o que vieram e ouviram.
“Tudo isto, queridos amigos, dêem a conhecer não com muitas palavras, mas – como fizestes aqui – com gestos simples do dia-a-dia, aqueles que transformam e fazem novas todas as horas.”
Ao confiar os voluntários à proteção de Nossa Senhora, o Papa concluiu com o que disse em Cracóvia: “Não sei se estarei na próxima JMJ, mas Pedro estará lá certamente e os confirmará na fé. Continuem avante com força e coragem e, por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Obrigado!”
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Lisboa vai acolher as Jornadas Mundiais da Juventude em 2022
O cardeal-patriarca de Lisboa afirmou hoje que a realização da Jornada
Mundial da Juventude em Lisboa, em 2022, é uma “excelente notícia” e a
concretização de um sonho da Igreja Católica em Portugal, de “há muito
tempo”.
“É uma excelente notícia e é também uma feliz confirmação de algo que
já esperávamos há muito tempo em Portugal, porque as nossas 20 dioceses
há muito tempo têm este sonho de ver uma Jornada Mundial da Juventude
em Portugal, como será em Lisboa”, disse D. Manuel Clemente à Agência
ECCLESIA e à Renascença.
Para o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, a realização da JMJ em Lisboa sinaliza também “um grande dinamismo” da juventude católica que, “de ano para ano, manifesta ainda mais o gosto de ter um acontecimento destes”.
D. Manuel Clemente convidou “jovens de todo o mundo” a participarem na JMJ de 2022, especialmente aqueles estão ligados a Portugal “pela história e pela tradição”, nomeadamente “das Igrejas africanas de expressão portuguesa e não só”.
Toda a gente lá vai estar com gosto e empenho e vamos fazer todo o possível para que corra de uma maneira fabulosa. Tão fabulosa como foi esta feliz notícia que o Papa Francisco nos acaba de dar: Lisboa, 2022, Jornada Mundial da Juventude”, concluiu o cardeal-patriarca.
O Papa Francisco anunciou hoje, no fim da Missa de encerramento da JMJ do Panamá, que a próxima edição do maior acontecimento juvenil da Igreja Católica vai decorrer em Lisboa, em 2022.
Patriarcado de Lisboa
JMJ 2022: Jornada em Lisboa é «vitória da língua portuguesa e da lusofonia» – Presidente da República (c/vídeo)
Marcelo Rebelo de Sousa mostra-se «muito feliz» com decisão do Papa Francisco
João Pedro Gralha e Paulo Rocha (Agência ECCLESIA) e Aura Miguel (Renascença), enviados ao Panamá
Cidade do Panamá, 27 jan 2019 (Ecclesia) – O presidente da República
afirmou hoje que a decisão do Papa de convocar a Jornada Mundial da
Juventude para Lisboa, em 2022, é uma “vitória de Portugal”, da “língua
portuguesa e da lusofonia, confirmando desde já a sua presença.
“Estou muito feliz, estamos muito felizes. Valeu a pena! Lá estaremos
em 2022”, disse Marcelo Rebelo de Sousa numa declaração para a Agência
ECCLESIA e a Renascença.
O presidente da República considera que a realização da JMJ em 2022
em Lisboa é uma “vitória de Portugal, do povo católico português,
vitória da Igreja Católica, vitória também do episcopado”, dirigindo uma
palavra a D. Manuel Clemente que “tanto lutou por isto.
Marcelo Rebelo de Sousa disse também que o anúncio da JMJ em Portugal é uma “vitória da língua portuguesa e da lusofonia”.
“Na discussão do Vaticano, um ponto essencial era a abertura à
África, continente onde nunca houve estas jornadas”, considerou o chefe
de Estado de Portugal.
Para Marcelo Rebelo de Sousa, Portugal é o país que constitui a
“melhor plataforma giratória para todos os continentes e sobretudo para a
África”, possibilitando a participação de “muitos peregrinos, muitos
jovens”
“Isso foi um argumento decisivo”, afirmou o presidente da República Portuguesa.
“Conseguimos! Conseguimos, Portugal, Lisboa! Esperávamos, desejávamos, conseguimos”, festejou Marcelo Rebelo de Sousa.
Marcelo Rebelo de Sousa está no Panamá desde o dia 25 de janeiro para
participar na Jornada Mundial da Juventude que hoje terminaram com a
Missa conclusiva, onde o Vaticano anunciou que a próxima edição do maior
evento católico juvenil vai decorrer em Portugal, em 2022.
PR
ECCLESIA
JMJ LISBOA 2022
(Para ampliar clique na imagem)
A próxima Jornada Mundial da Juventude
será em Portugal!
O Presidente do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, Cardeal Kevin Farrell, anunciou a próxima cidade que irá receber a Jornada Mundial da Juventude no final da missa conclusiva do evento do Panamá neste domingo (27/01), no Campo São João Paulo II. A cidade de Lisboa, em Portugal, vai sediar a JMJ de 2022.
A preparação para a próxima festa mundial dos jovens começa já nesta semana, segundo afirma o Pe. José Manuel Pereira de Almeida, teólogo e vice-reitor da Universidade Católica de Portugal: “será uma ocasião extraordinária ter os jovens do mundo inteiro e o Papa aqui. Começamos a trabalhar já nesta semana!”.
Para
saber mais
Papa: "Jovens, vocês são o 'agora' de Deus!"
700 mil fiéis acompanharam a celebração no Campo de São João Paulo II
(ANSA)
Na missa de envio
da JMJ do Panamá, Francisco alertou os jovens para o risco de pensar que
a vida seja uma promessa que vale só para o futuro, que nada tem a ver
com o presente.
Cristiane Murray - Cidade do Vaticano
Na mesma esplanada que acolheu 600 mil jovens para a festa da Vigília na noite anterior, o Papa celebrou na manhã deste domingo (27/01) a missa campal de envio da edição panamenha da Jornada Mundial da Juventude.
Ao chegar ao Metro Park, em papamóvel, Francisco foi recebido pelo Arcebispo de Panamá, Dom José Domingo Ulloa Mendieta,
e com ele a bordo, prosseguiu entre os fiéis até à Sacristia do Campo
fr São João Paulo II. Talões foram instalados em pontos estratégicos do
campo para uma melhor visibilidade das 600 mil pessoas presentes. Na
área destinada às autoridades, estavam os presidentes de 5 países
latino-americanos: Costa Rica, Colômbia, Guatemala, El Salvador e
Honduras, além do português Marcelo Rebelo de Sousa.
Jesus e o cepticismo da comunidade
Na sua homilia, o Papa refletiu sobre ‘o agora de Deus’, tema apresentado no Evangelho de Lucas:
Era o início da missão pública de Jesus e na sinagoga, circundado por
conhecidos e vizinhos, Ele pronuncia publicamente as palavras
“Cumpriu-se hoje”, que significavam a presença de Deus, o tempo de Deus
que torna justos e oportunos todos os espaços e situações. Em Jesus,
começa e faz-se vida o futuro prometido.
Mas nem todos aqueles que lá O ouviram, se sentiam convidados ou
convocados; não estavam prontos para acreditar em alguém que conheciam e
tinham visto crescer e que os convidava a realizar um sonho há muito
aguardado. E o mesmo acontece às vezes também connosco, explicou o Papa:
“Nem sempre acreditamos que Deus possa ser tão concreto no dia-a-dia,
tão próximo e real, e menos ainda que Se faça assim presente agindo
através de alguém conhecido, como um vizinho, um amigo, um parente”.
Não subestimar, mas assumir
De facto, prosseguiu Francisco, é comum comportarmo-nos como os
vizinhos de Nazaré, preferindo um Deus à distância: magnífico, bom,
generoso mas distante e que não incomode, porque um Deus próximo no
dia-a-dia, amigo e irmão, pede-nos para aprendermos proximidade,
presença diária e, sobretudo, fraternidade.
Francisco alertou os jovens para o risco de pensar que a vida seja
uma promessa que vale só para o futuro, que nada tem a ver com o
presente. Como se ser jovem fosse sinónimo de uma ‘sala de espera’ para o
futuro, considerando que o seu ‘agora’ ainda não chegou; que são jovens
demais para se envolverem no sonho e na construção do amanhã.
Criar um espaço comum e lutar por ele
A este ponto, o Papa recordou o recente Sínodo dos Jovens, celebrado
em outubro passado, no Vaticano, destacando como um dos seus frutos “a
riqueza da escuta entre gerações, do intercâmbio e do valor de
reconhecer que precisamos uns dos outros; “que devemos esforçar-nos por
promover canais e espaços onde nos comprometamos a sonhar e construir o
amanhã, já hoje, unidos, criando um espaço em comum: um espaço que não
nos é oferecido como um presente, nem o ganhamos na lotaria, mas um
espaço pelo qual vocês também devem lutar”.
“ Porque vós, queridos jovens, não são o futuro, mas o agora de Deus. ”
“Ele vos convoca e vos chama, para que nas vossas comunidades e cidades, irem à
procura dos avós, dos mais velhos; para se erguerem de pé e, juntamente
com eles, tomar a palavra e realizar o sonho com que o Senhor nos
sonhou. Não amanhã; mas agora!”.
A missão com Deus é a nossa vida
Incitando os jovens a se deixarem apaixonar por Deus, sentindo que
possuem uma missão, Francisco concluiu a sua homilia lembrando que o
Senhor e sua missão não são um ‘entretanto’, uma coisa passageira, mas
são ‘as nossas vidas’, e que o amor de Deus é concreto, próximo e real:
“É alegria festiva que nasce da opção de participar na pesca
miraculosa da esperança e da caridade, da solidariedade e da
fraternidade frente a tantos olhares paralisados e paralisadores por
causa dos medos e da exclusão, da especulação e da manipulação”.
Viver o amor concretamente
Assim como Maria, que não Se limitou a acreditar em Deus e nas suas
promessas como algo possível, mas acreditou em Deus e teve a coragem de
dizer ‘sim’ para participar neste agora do Senhor, devemos viver em
concreto o nosso amor:
“Que o seu ‘sim’ continue a ser a porta de entrada para que o
Espírito Santo conceda um novo Pentecostes ao mundo e à Igreja” – foram
as palavras conclusivas do Papa.
O 'obrigado' do Papa
No final desta celebração, Francisco agradeceu todas as autoridades
civis, o arcebispo de Panamá e os bispos do país e das nações vizinhas,
por tudo o que fizeram nas suas comunidades para dar abrigo e ajuda a
tantos jovens. O ‘obrigado’ do Papa dirigiu-se também a todas as pessoas
que a apoiaram com a oração e colaboraram com dedicação e trabalho na
realização da JMJ e principalmente, a todos os jovens:
“ A sua fé e alegria fizeram vibrar o Panamá, a América e o mundo inteiro ”
O último pedido a todos foi para que regressem às suas paróquias e comunidades, famílias e amigos e transmitam esta experiência, para que outros possam vibrar “com a sua força e o seu sonho”.
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Papa Francisco: abraçar o próximo com gestos simples e diários
Andressa Collet – Cidade do Vaticano
O Papa Francisco visitou o Lar do Bom Samaritano neste domingo (27/01), por ocasião da sua participação na Jornada Mundial da Juventude, no Panamá. Ao encontrar os doentes do local e de outros centros de assistência, mas também diretores, colaboradores e agentes pastorais, o Pontífice confessou “o desejo ardente” do encontro na casa-família para se renovar a esperança.
Lembrando um dos testemunhos lidos pelo Pontífice antes da visita que
dizia “aqui nasci de novo”, o Papa afirmou que esse tipo de espaço é
“sinal da vida nova que o Senhor nos quer dar” e são neles que “a
Igreja e a fé nascem e se renovam continuamente por meio da caridade”.
“ Começamos a nascer de novo, quando o Espírito Santo nos dá olhos para ver os outros – como nos dizia o Padre Domingo – não apenas como os nossos vizinhos (o que é já tanto), mas como nosso o próximo. ”
O rosto do próximo
O Papa Francisco, então, fez referência à parábola do Bom Samaritano para dar o exemplo do “nosso próximo”, um “rosto que incomoda maravilhosamente a vida”:
“O próximo é sobretudo um rosto que encontramos ao longo do
caminho e pelo qual nos deixamos mover e comover: mover dos nossos
planos e prioridades e comover intimamente por aquilo que vive aquela
pessoa, para lhe dar lugar e espaço na nossa caminhada. [...] O bom
Samaritano, como todas as vossas casas, mostram-nos que o próximo é,
antes de tudo, uma pessoa, alguém com um rosto concreto e real, e não
qualquer coisa a deixar para trás ou ignorar, seja qual for a sua
situação. É um rosto que revela a nossa humanidade tantas vezes
atribulada e ignorada.”
Criando comunidades
O Papa Francisco disse que visitar o Lar é “tocar o rosto silencioso e materno da Igreja, que é capaz de profetizar e criar casa, criar comunidade”. E, assim, explicou:
“ Criar «casa» é criar família; é aprender a sentir-mo-nos unidos aos outros, sem olhar a vínculos utilitaristas ou funcionais, de modo que nos faça sentir a vida um pouco mais humana. Criar casa é permitir que a profecia encarne e torne as nossas horas e dias menos rudes, indiferentes e anónimos. É criar laços que se constroem com gestos simples, diários e que todos podemos realizar. ”
E as casas, lembrou o Pontífice, precisam sempre da colaboração de
todos, o que implica também “ter paciência, aprender a perdoar-nos;
aprender em cada dia, a recomeçar”. Então o Papa questionou e respondeu de
seguida: “quantas vezes temos de perdoar e recomeçar? Setenta vezes
sete, todas as vezes que for necessário. Criar relações fortes requer a
confiança, que se alimenta diariamente de paciência e perdão”.
Angelus: coragem para se doar
O Papa Francisco, depois de agradecer o trabalho de todos para manter viva e concretizar “o milagre de experimentar que, aqui, se nasce de novo”, rezou a oração mariana do Angelus. À Virgem Maria, como “Boa Samaritana”, o Pontífice pediu “que nos ensine a estar atentos para descobrir em cada dia, quem é o nosso próximo e nos encoraje a ir prontamente ao seu encontro e dar-lhe uma casa, um abraço onde possa encontrar proteção e amor de irmãos”.
Angelus: coragem para se doar
O Papa Francisco, depois de agradecer o trabalho de todos para manter viva e concretizar “o milagre de experimentar que, aqui, se nasce de novo”, rezou a oração mariana do Angelus. À Virgem Maria, como “Boa Samaritana”, o Pontífice pediu “que nos ensine a estar atentos para descobrir em cada dia, quem é o nosso próximo e nos encoraje a ir prontamente ao seu encontro e dar-lhe uma casa, um abraço onde possa encontrar proteção e amor de irmãos”.
Texto integral do discurso do Papa na Casa-família
"O Bom pastor"
VISITA APOSTÓLICA DO SANTO PADRE AO PANAMÁ
DISCURSO
«Angelus»
(Casa-família «O Bom Samaritano», 27 de janeiro de 2019)
Queridos jovens, Prezados diretores, colaboradores e agentes pastorais, Amigas e amigos!
Obrigado, Padre Domingo, pelas palavras que me dirigiu em nome de todos. Desejei ardentemente este encontro convosco: vós que viveis aqui na Casa-família «O Bom Samaritano» e também os outros jovens presentes vindos do Centro «João Paulo II», da Casa-família «São José» das Irmãs da Caridade e da «Casa do Amor» da Congregação dos Irmãos de Jesus Kkottonngae. Para mim, estar convosco é motivo para renovar a esperança. Obrigado porque o tornastes possível!
Ao preparar este encontro, pude ler o testemunho dum membro desta
casa que me tocou o coração, porque dizia: «Aqui nasci de novo». Esta
casa e todos os centros que representais são sinal da vida nova que o
Senhor nos quer dar. É fácil confirmar a fé dalguns irmãos quando a
vemos em ação ungindo feridas, curando a esperança e encorajando a crer.
Aqui não nascem de novo apenas aqueles que poderíamos designar como
«primeiros beneficiários» das vossas casas; aqui a Igreja e a fé nascem e
se renovam continuamente por meio da caridade.
Começamos a nascer de novo, quando o Espírito Santo nos dá
olhos para ver os outros – como nos dizia o Padre Domingo – não apenas
como os nossos vizinhos (o que é já tanto), mas como o nosso próximo.
O Evangelho refere que uma vez perguntaram a Jesus: «Quem é meu próximo?» (Lc
10, 29). Não respondeu com teorias, nem fez um discurso lindo e
elevado, mas usou uma parábola – a do Bom Samaritano – um exemplo
concreto de vida real que todos vós conheceis e viveis muito bem. O
próximo é sobretudo um rosto que encontramos ao longo do caminho e
pelo qual nos deixamos mover e comover: mover dos nossos planos e
prioridades e comover intimamente por aquilo que vive aquela pessoa,
para lhe dar lugar e espaço na nossa caminhada. Assim o entendeu o bom
Samaritano à vista daquele homem que fora deixado meio morto, à beira
da estrada, não só por alguns bandidos, mas também pela indiferença de
um sacerdote e um levita que não tiveram a coragem de o ajudar; pois a
indiferença também fere e mata! Uns por umas míseras moedas, outros pelo
medo de se contaminar, por desprezo ou aversão social não tiveram
dificuldade em deixar aquele homem caído na estrada. O bom Samaritano,
como todas as vossas casas, mostram-nos que o próximo é, antes de tudo,
uma pessoa, alguém com um rosto concreto e real, e não qualquer coisa a
deixar para trás ou ignorar, seja qual for a sua situação. É um rosto
que revela a nossa humanidade tantas vezes atribulada e ignorada.
É um rosto que incomoda maravilhosamente a vida, porque nos lembra e
coloca na estrada daquilo que é verdadeiramente importante, livrando-nos
de banalizar e tornar supérfluo o nosso seguimento do Senhor.
Estar aqui é tocar o rosto silencioso e materno da Igreja, que é capaz de profetizar e criar casa, criar comunidade;
o rosto da Igreja, que normalmente não se vê e passa despercebido, mas é
sinal da misericórdia e ternura concreta de Deus, sinal vivo da boa
nova da ressurreição que hoje atua na nossa vida.
Criar «casa» é criar família; é aprender a sentir-mo-nos unido aos
outros, sem olhar a vínculos utilitaristas ou funcionais, de modo que
nos faça sentir a vida um pouco mais humana. Criar casa é permitir que a
profecia encarne e torne as nossas horas e dias menos rudes,
indiferentes e anónimos. É criar laços que se constroem com gestos
simples, diários e que todos podemos realizar. Como todos sabemos muito
bem, uma casa precisa da colaboração de todos. Ninguém pode ficar
indiferente ou alheio, porque cada qual é uma pedra necessária na sua
construção. Isto implica pedir ao Senhor que nos conceda a graça de
aprender a ter paciência, aprender a perdoar-nos; aprender cada dia a
recomeçar. E quantas vezes temos de perdoar e recomeçar? Setenta vezes
sete, todas as vezes que for necessário. Criar relações fortes requer a
confiança, que se alimenta diariamente de paciência e perdão.
Deste modo se concretiza o milagre de experimentar que, aqui, se
nasce de novo; aqui todos nascemos de novo, porque sentimos a eficácia
da carícia de Deus que nos permite sonhar o mundo mais humano e,
consequentemente, mais divino.
Obrigado a todos vós pelo exemplo e a generosidade; obrigado às
vossas Instituições, aos voluntários e aos benfeitores. Obrigado a
quantos tornam possível que o amor de Deus se faça cada vez mais
concreto e real, fixando o olhar nos olhos daqueles que nos rodeiam e
reconhecendo-nos como próximo deles.
Agora, aos rezarmos o Angelus, confio-vos à nossa Mãe, a
Virgem Maria. Como a uma boa mãe que se entende de ternura e
proximidade, pedimos-Lhe que nos ensine a estar atentos para descobrir
cada dia quem é o nosso próximo e nos encoraje a ir prontamente ao seu
encontro e dar-lhe uma casa, um abraço onde possa encontrar proteção e
amor de irmãos. Uma missão, em que todos estamos envolvidos.
Convido-vos agora a colocar sob o manto d’Ela todas as vossas
expetativas e necessidades, as tristezas que trazeis dentro de vós, as
feridas que vos fazem sofrer, para que, como Boa Samaritana, venha a nós
e nos assista com a sua maternidade, a sua ternura, o seu sorriso de
Mãe.
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Maria e os "influenciadores" ocultos que mudam a história
Papa diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima
(Vatican Media)
Na vigília com os jovens da JMJ, o Papa Francisco usa a linguagem das mídias sociais para descrever o papel da Mãe de Jesus.
Andrea Tornielli
Francisco não usa computador ou telemóvel, mas muitas vezes quando fala com os jovens, procura anunciar o Evangelho usando a linguagem dos nativos digitais. Este foi o caso durante a Vigília da Jornada Mundial da Juventude no Panamá, no Metro Park, diante de mais de meio milhão de jovens. O Papa explicou que a vida dada por Cristo àqueles que o seguem não é uma salvação pendurada numa nuvem, nem um aplicativo a baixar. Ele recordou que a encarnação, portanto, a redenção, tornou -se possível pelo "sim" de uma jovem de Nazaré, que “não aparecia nas "redes sociais" de então, não era uma "influencer" mas, sem querer nem procurá-lo, tornou-Se a mulher que maior influência teve na história”. Maria, a "influencer" de Deus, definiu-a Francisco. Uma jovem que com poucas palavras soube dizer "sim" e confiar nas promessas de Deus, "a única força capaz de fazer novas todas as coisas".
Manifesta-se assim, mais uma vez, a total reviravolta das lógicas humanas e mundanas. Deus, Todo-Poderoso, que se fez pequeno como uma criança completamente necessitado de tudo, dos cuidados de um pai e de uma mãe como cada um de nós. Manifestou-se na humildade e de modo escondido, longe dos radares da história, numa parte periférica do império romano. Deus encarnou-se graças a uma jovem nascida e crescida numa pequena aldeia, longe dos fluxos da grande história. E sem querer ou procurar por isso, Ela que não era uma “influencer” influenciou a história humana como nenhuma outra criatura fez e fará. É a extraordinária grandeza daqueles que são pequenos, o poder daqueles que são fracos e frágeis. Na imagem de Maria, influenciadora sem nunca ter procurado, encerra-se um precioso ensinamento para o nosso tempo, doente de virtualidade, protagonismo, desejo de aparecer. Quem realmente influencia a história é aquele que acolhe e guarda o Evangelho e, ao se esconder, o faz crescer, consciente da sua pequenez e de ser pecador, e confiando apenas na ajuda da graça de Deus.
Como Maria, os influenciadores da história são aqueles pais e mães de família que, com o seu testemunho diário transmitiram a fé cristã aos seus filhos e seus vizinhos. São aqueles jovens que se gastam gratuitamente, mostrando compaixão e proximidade aos últimos e aos descartados. São aqueles padres que passam horas no confessionário, acolhendo e derramando o bálsamo da misericórdia sobre as feridas e sobre os drama de muitos homens e mulheres do nosso tempo. Existe um balanço da história da Igreja que jamais poderá ser feito, porque nunca poderemos saber quantos dramas foram evitados, quanta violência foi evitada, quantas fraturas foram recompostas, quantas vidas salvadas, graças aos humildes influenciadores de Deus que mudam a história sem se colocarem em evidencia, considerando-se servos inúteis. Dispostos até mesmo a derramar o seu sangue no seu "sim" a Deus, como fez Oscar Romero. O sangue dele estava presente no palco da Vigília no Metro Park num pedaço da camisa que ele usava quando foi assassinado na altura em que celebrava a Missa.
Francisco não usa computador ou telemóvel, mas muitas vezes quando fala com os jovens, procura anunciar o Evangelho usando a linguagem dos nativos digitais. Este foi o caso durante a Vigília da Jornada Mundial da Juventude no Panamá, no Metro Park, diante de mais de meio milhão de jovens. O Papa explicou que a vida dada por Cristo àqueles que o seguem não é uma salvação pendurada numa nuvem, nem um aplicativo a baixar. Ele recordou que a encarnação, portanto, a redenção, tornou -se possível pelo "sim" de uma jovem de Nazaré, que “não aparecia nas "redes sociais" de então, não era uma "influencer" mas, sem querer nem procurá-lo, tornou-Se a mulher que maior influência teve na história”. Maria, a "influencer" de Deus, definiu-a Francisco. Uma jovem que com poucas palavras soube dizer "sim" e confiar nas promessas de Deus, "a única força capaz de fazer novas todas as coisas".
Manifesta-se assim, mais uma vez, a total reviravolta das lógicas humanas e mundanas. Deus, Todo-Poderoso, que se fez pequeno como uma criança completamente necessitado de tudo, dos cuidados de um pai e de uma mãe como cada um de nós. Manifestou-se na humildade e de modo escondido, longe dos radares da história, numa parte periférica do império romano. Deus encarnou-se graças a uma jovem nascida e crescida numa pequena aldeia, longe dos fluxos da grande história. E sem querer ou procurar por isso, Ela que não era uma “influencer” influenciou a história humana como nenhuma outra criatura fez e fará. É a extraordinária grandeza daqueles que são pequenos, o poder daqueles que são fracos e frágeis. Na imagem de Maria, influenciadora sem nunca ter procurado, encerra-se um precioso ensinamento para o nosso tempo, doente de virtualidade, protagonismo, desejo de aparecer. Quem realmente influencia a história é aquele que acolhe e guarda o Evangelho e, ao se esconder, o faz crescer, consciente da sua pequenez e de ser pecador, e confiando apenas na ajuda da graça de Deus.
Como Maria, os influenciadores da história são aqueles pais e mães de família que, com o seu testemunho diário transmitiram a fé cristã aos seus filhos e seus vizinhos. São aqueles jovens que se gastam gratuitamente, mostrando compaixão e proximidade aos últimos e aos descartados. São aqueles padres que passam horas no confessionário, acolhendo e derramando o bálsamo da misericórdia sobre as feridas e sobre os drama de muitos homens e mulheres do nosso tempo. Existe um balanço da história da Igreja que jamais poderá ser feito, porque nunca poderemos saber quantos dramas foram evitados, quanta violência foi evitada, quantas fraturas foram recompostas, quantas vidas salvadas, graças aos humildes influenciadores de Deus que mudam a história sem se colocarem em evidencia, considerando-se servos inúteis. Dispostos até mesmo a derramar o seu sangue no seu "sim" a Deus, como fez Oscar Romero. O sangue dele estava presente no palco da Vigília no Metro Park num pedaço da camisa que ele usava quando foi assassinado na altura em que celebrava a Missa.
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Papa na vigília: Ser "influencer" hoje é ser como Maria e dizer "sim" ao Senhor
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Panamá
Um verdadeira festa feita de oração, cantos, danças, testemunhos e
reflexão: assim foi a vigília que se realizou no Campo de São João Paulo II
com os jovens participantes na Jornada Mundial da Juventude do Panamá.
O ápice foi a adoração ao Santíssimo, mas o discurso do Papa
Francisco foi outro grande momento, que – como sempre – usou a linguagem
dos seus interlocutores. O Pontífice inspirou-se no testemunho dado
momentos antes por alguns jovens para transmitir a sua mensagem, desta
vez mariana.
História da amor
“A salvação que o Senhor nos dá é um convite para participar numa
história de amor”, disse o Papa e foi assim que Ele surpreendeu Maria.
“ A jovem de Nazaré não aparecia nas «redes sociais» de então, não era uma influencer – uma influenciadora digital – mas, sem querer nem procurá-lo, tornou-Se a mulher que maior influência teve na história. ”
Influencer de Deus
Francisco definiu Maria como a “influencer de Deus”, que com palavras
soube dizer «sim», “confiando no amor e nas promessas de Deus, única
força capaz de fazer novas todas as coisas”.
A força desse “sim” impressiona, prosseguiu Francisco. Foi o «sim» de
quem quer comprometer-se e arriscar. Nesta estrada, o primeiro passo é
não ter medo de receber a vida como ela vem, com as suas imperfeições e
dificuldades.
“O amor do Senhor é maior que todas as nossas contradições,
fragilidades e mesquinhices, mas é precisamente através das nossas
contradições, fragilidades e mesquinhices que Ele quer escrever esta
história de amor.”
Comunidade
Retomando a linguagem juvenil, o Papa recordou que não basta estar
conetado o dia inteiro para se sentir reconhecido e amado. Mas é
preciso encontrar espaços onde os jovens se possam sentir parte de uma
comunidade.
Portanto, o segundo passo é criar elos, laços, família: uma
comunidade onde se possam sentir amados. Espaços onde receber raízes e
leva-las em frente.
“ Ser um influencer no século XXI significa ser guardião das raízes, guardião de tudo aquilo que impede a nossa vida de tornar-se «gasosa», evaporando-se no nada. Sejam guardiões de tudo o que permite sentir-nos parte uns dos outros, pertencer-mo-nos mutuamente. ”
Faça-se em Mim
Interagindo com a multidão, Francisco perguntou se os jovens estão dispostos a responder o “sim” de Maria, “Faça-se em Mim”:
“O Evangelho ensina-nos que o mundo não será melhor por haver menos
pessoas doentes, debilitadas, frágeis ou idosas com quem nos ocuparmos, nem
por haver menos pecadores, mas será melhor quando forem mais as pessoas
que, como estes amigos, estiverem dispostas e tiverem a coragem de dar à
luz o amanhã e acreditar na força transformadora do amor de Deus.”
Coragem foi a palavra final do Papa:
“Não tenham medo de dizer ao Senhor que também querem fazer parte da sua história de amor no mundo.”
Veja o texto integral do discurso do Papa Francisco aos jovens na vigília da JMJ 2019
VISITA APOSTÓLICA DO SANTO PADRE AO PANAMÁ
DISCURSO
VIGÍLIA COM OS JOVENS
(Metro Park, 26 de janeiro de 2019)
DISCURSO
VIGÍLIA COM OS JOVENS
(Metro Park, 26 de janeiro de 2019)
Queridos jovens, boa noite!
Acabamos de ver este belo espetáculo sobre a Árvore da Vida, que
mostra como a vida que Jesus nos dá é uma história de amor, uma história
de vida que quer misturar-se com a nossa e criar raízes na terra de
cada um. Essa vida não é uma salvação suspensa «na nuvem» – no disco
virtual – à espera de ser descarregada, nem uma nova «aplicação» para
descobrir, ou um exercício mental fruto de técnicas de crescimento
pessoal. Nem sequer um «tutorial» com o qual apreender as últimas
novidades. A salvação, que o Senhor nos dá, é um convite para participar
numa história de amor, que está entrelaçada com as nossas histórias;
que vive e quer nascer entre nós, para podermos dar fruto onde, como e
com quem estivermos. Precisamente aí vem o Senhor plantar e plantar-Se a
Si mesmo; Ele é o primeiro a dizer «sim» à nossa vida, à nossa história
e quer que também nós digamos «sim» juntamente com Ele.
O Anjo, convidando-A para fazer parte desta história de amor. Sem dúvida, a jovem de Nazaré não aparecia nas «redes sociais» de então, não era uma influencer – uma influenciadora digital – mas, sem querer nem procurá-lo, tornou-Se a mulher que maior influência teve na história.
O Anjo, convidando-A para fazer parte desta história de amor. Sem dúvida, a jovem de Nazaré não aparecia nas «redes sociais» de então, não era uma influencer – uma influenciadora digital – mas, sem querer nem procurá-lo, tornou-Se a mulher que maior influência teve na história.
Maria, a influencer de Deus. Com poucas palavras, soube dizer «sim»,
confiando no amor e nas promessas de Deus, única força capaz de fazer
novas todas as coisas.
Impressiona sempre a força do «sim» desta jovem, daquele «faça-se em Mim» que disse ao anjo. Foi uma coisa diferente duma aceitação passiva ou resignada, ou dum «sim» como quando se diz: «Bem; provemos a ver o que sucede». Foi algo mais, qualquer coisa de diferente. Foi o «sim» de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora duma promessa. Teria, sem dúvida, uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer «não». Com certeza teria complicações, mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a cobardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido. O «sim» e o desejo de servir foram mais fortes do que as dúvidas e dificuldades.
Esta noite ouvimos também como o «sim» de Maria ecoa e se multiplica
de geração em geração. Seguindo o exemplo de Maria, muitos jovens
arriscam e apostam, guiados por uma promessa. Obrigado, Erika e Rogelio,
pelo testemunho que nos destes. Compartilhastes os vossos medos,
dificuldades e todo o risco que vivestes à espera da vossa filha Inês. A
dada altura dissestes: «A nós, pais, por várias razões, custa muito
aceitar a chegada de um bebé portador de doença ou deficiência». Isto é
verdade e compreensível! O facto surpreendente, porém, encerra-se
naquilo que acrescentastes: «Quando nasceu a nossa filha, decidimos
amá-la com todo o nosso coração». Antes da sua chegada, perante todas as
notícias e dificuldades que surgiram, tomastes uma decisão e dissestes
como Maria «faça-se em nós», decidistes amá-la. Face à vida da vossa
filha frágil, inerme e necessitada, a resposta foi um «sim» e, deste
modo, temos Inês. Acreditastes que o mundo não é só para os fortes!
Dizer «sim» ao Senhor é ter a coragem de abraçar a vida como vem, com
toda a sua fragilidade e pequenez e, muitas vezes, até com todas as
suas contradições e insignificâncias, abraçá-la com o mesmo amor com que
Erika e Rogelio nos contaram. É abraçar a nossa pátria, as nossas
famílias, os nossos amigos como são, mesmo com as suas fragilidades e
mesquinhices. Damos também provas de que se abraça a vida, quando
acolhemos tudo o que não é perfeito, puro ou destilado, mas lá por isso
não menos digno de amor. Porventura alguém, pelo facto de ser portador
de deficiência ou frágil, não é digno de amor? Porventura alguém, pelo
facto de ser estrangeiro, ter errado, encontrar-se doente ou numa
prisão, não é digno de amor? Assim fez Jesus: abraçou o leproso, o cego e
o paralítico, abraçou o fariseu e o pecador. Abraçou o ladrão na cruz,
abraçou e perdoou até àqueles que O estavam a crucificar.
Porquê? Porque, só o que se ama, pode ser salvo. Só o que se abraça,
pode ser transformado. O amor do Senhor é maior do que todas as nossas
contradições, fragilidades e mesquinhices, mas é precisamente através
das nossas contradições, fragilidades e mesquinhices que Ele quer
escrever esta história de amor. Abraçou o filho pródigo, abraçou Pedro,
depois de O ter negado, e abraça-nos sempre, sempre, depois das nossas
quedas, ajudando-nos a levantar e ficar de pé. Porque a verdadeira
queda, aquela que nos pode arruinar a vida, é ficar por terra e não nos deixamos ajudar.
Como se torna difícil, às vezes, compreender o amor de Deus! Mas que
grande dádiva é saber que temos um Pai que nos abraça independentemente
de todas as nossas imperfeições!
O primeiro passo é não ter medo de receber a vida como ela vem, de abraçar a vida!
Obrigado, Alfredo, pelo teu testemunho e a coragem de o partilhar com todos nós. Fiquei muito impressionado quando disseste: «Comecei a trabalhar na construção até quando terminou aquele projeto. Sem emprego, as coisas complicaram-se: sem escola, sem ocupação e sem trabalho». Resumo-o nos quatro «sem» que deixam a nossa vida sem raízes e ela seca: sem trabalho, sem instrução, sem comunidade, sem família.
É impossível uma pessoa crescer, se não possui raízes fortes que a
ajudem a estar firme de pé e agarrada à terra. É fácil extraviar-se,
quando não temos onde firmar-mo-nos. Esta é uma questão que nós, mais
velhos, vos devemos colocar; mais, é uma questão que vós devereis
colocar-nos e nós temos o dever de vos responder: Que raízes estamos a
dar-vos? Quais são as bases que estamos a oferecer-vos para vos
construirdes como pessoas? Como é fácil criticar os jovens e passar o
tempo murmurando, se os deixamos sem oportunidades laborais, educativas e
comunitárias a que agarrarem-se para sonhar o futuro! Sem instrução, é
difícil sonhar o futuro; sem trabalho, é muito difícil sonhar o futuro;
sem família nem comunidade, é quase impossível sonhar o futuro. Porque
sonhar o futuro é aprender a responder não só porque vivo, mas também
para quem vivo, por quem vale a pena gastar a vida.
Como nos dizia Alfredo, quando alguém se vê despedido e fica sem trabalho, sem instrução, sem comunidade e sem família, no fim do dia sente-se vazio e acaba por preencher aquele vazio com uma coisa qualquer. Porque já não sabemos para quem viver, lutar e amar.
Lembro-me que uma vez, em conversa com alguns jovens,~perguntaram-me:
«Padre, porque é que hoje muitos jovens não se interrogam se Deus
existe, ou sentem dificuldade em crer n’Ele e evitam comprometerem-se na
vida?» Respondi: «E vós, que achais?» Dentre das respostas que surgiram
na conversa, recordo uma que me tocou o coração e está relacionada com a
experiência que Alfredo partilhou: «Porque muitos deles sentem que,
para os outros, pouco a pouco deixaram de existir, frequentemente
sentem-se invisíveis». É a cultura do abandono e da falta de
consideração. Não digo todos, mas muitos sentem que não têm nem muito
nem pouco para dar, por falta de espaços reais que para isso os convoquem.
Como hão-de pensar que Deus existe se, para os seus irmãos, há muito que
deixaram de existir?
Bem sabemos que não basta estar conetado o dia inteiro para vos sentirdes reconhecidos e amados. Sentirdes considerados e convidados para algo, é
mais do que permanecer «em rede». Significa encontrar espaços onde
possais, com as vossas mãos, com o vosso coração e com a vossa cabeça,
sentir-vos parte duma comunidade maior, que precisa de vós e, vice-versa,
vós precisais dela também.
Isto, compreenderam-no muito bem os santos. Penso, por exemplo, em
São João Bosco, que não foi procurar os jovens em qualquer lugar
distante ou especial, mas aprendeu a ver tudo o que acontecia na cidade
com os olhos de Deus, ficando impressionado com as centenas de crianças e
jovens abandonados, sem escola, sem trabalho e sem a mão amiga duma
comunidade. Havia muita gente que vivia naquela mesma cidade, e muitos
criticavam aqueles jovens, mas não sabiam vê-los com os olhos de Deus.
João Bosco fê-lo e propoz, dar o primeiro passo: abraçar a vida como
ela se apresenta; e, a partir disto, não teve medo de dar o segundo:
criar com eles uma comunidade, uma família onde se sentissem amados com
trabalho e estudo, ou seja, dar-lhes raízes a que se agarrarem para
poderem chegar ao céu.
Penso em muitos lugares da nossa América Latina onde se promove a
chamada família grande lar de Cristo, com o mesmo espírito da Fundação
João Paulo II de que nos falava Alfredo, e muitos outros centros, que
procuram receber a vida como ela vem na sua totalidade e complexidade,
porque sabem que «para a árvore há uma esperança: cortada, pode ainda
reverdecer e deitar novos rebentos» (Job 14, 7).
É sempre é possível «reverdecer e deitar novos rebentos», quando há
uma comunidade, o calor duma casa onde criar raízes, que oferece a
confiança necessária e prepara o coração para descobrir um novo
horizonte: horizonte de filho amado, procurado, encontrado e dedicado a
uma missão. O Senhor torna-Se presente por meio de rostos concretos.
Dizer «sim» a esta história de amor é dizer «sim» como instrumentos para
construir, nos nossos bairros, comunidades eclesiais capazes de
percorrer as estradas da cidade, abraçando e tecendo novas relações. Ser
um influencer no século XXI significa ser guardião das raízes, guardião
de tudo aquilo que impede a nossa vida de tornar-se «gasosa»,
evaporando-se no nada. Sede guardiões de tudo o que permite sentir-mo-nos
parte uns dos outros, pertencer-nos mutuamente.
Isto mesmo viveu Nirmeen na JMJ de Cracóvia. Encontrou uma comunidade
viva, alegre, que veio ao encontro dela, fê-la sentir-se parte dela e
permitiu-lhe viver a alegria que comunica a maravilha de ser encontrada
por Jesus.
Uma vez, um santo interrogou-se: «O progresso da sociedade servirá
apenas para chegar a possuir o último modelo de carro ou adquirir a
última tecnologia do mercado? Nisto se resume toda a grandeza do homem?
Não há mais nada que isto para viver?» (SANTO ALBERTO FURTADO,
Meditación de Semana Santa para jovens, 1946). E eu pergunto-vos: É esta
a vossa grandeza? Não teríeis sido criados para algo maior? Maria
compreendeu-o e disse: «Faça-se em Mim». Erika e Rogelio
compreenderam-no e disseram: «Faça-se em nós». Alfredo compreendeu-o e
disse: «Faça-se em mim». Nirmeen compreendeu-o e disse: «Faça-se em
mim». Amigos, pergunto-vos: Estais dispostos a dizer «sim»? O Evangelho
ensina-nos que o mundo não será melhor por haver menos pessoas doentes,
debilitadas, frágeis ou idosas com que se ocuparem, nem por haver menos
pecadores, mas será melhor quando forem mais as pessoas que, como estes
amigos, estiverem dispostas e tiverem a coragem de dar à luz o amanhã e
acreditar na força transformadora do amor de Deus. Quereis ser
influencer no estilo de Maria, que teve a coragem de dizer «faça-se em
Mim»? Só o amor nos torna mais humanos, mais plenificados, o resto não
passa de remedeio bom, mas vazio.
Dentro de momentos, na Adoração Eucarística, encontrar-nos-emos com
Jesus vivo. Certamente tereis muitas coisas para Lhe dizer, para Lhe
contar sobre várias situações da vossa vida, das vossas famílias e dos
vossos países.
Encontrando-vos na sua presença, face a face, não tenhais medo de Lhe
abrir o coração pedindo que renove o fogo do Seu amor, vos induza a
abraçar a vida com toda a sua fragilidade e pequenez, mas também com
toda a sua grandeza e beleza. Que vos ajude a descobrir a beleza de
estar vivo.
Não tenhais medo de Lhe dizer que vós também quereis fazer parte da sua história de amor no mundo, que sois para um «mais»!
Amigos, peço-vos também que, neste face a face com Jesus, rezeis por
mim para que também eu não tenha medo de abraçar a vida, guarde as
raízes e diga com Maria: «Faça-se em mim segundo a tua palavra».
VN
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