Fátima recebe, de 4 a 6 de setembro, o XXXII Encontro da Pastoral
Social, que este ano vai refletir se ‘A paróquia ainda é um lugar de
proximidade?’. Do programa, destaque para as conferências ‘A paróquia.
Uma perspetiva histórica’, por D. Manuel Clemente, presidente da
Conferência Episcopal Portuguesa, e para a conferência de encerramento
‘Proximidade. Uma história de vida’, pelo novo Bispo de Viseu, D.
António Luciano. Nota ainda, neste encontro que decorre no Steyler
Fátima Hotel, para o painel ‘Paróquia e proximidade’ e para as
apresentações ‘A minha experiência de paróquia como lugar de
proximidade’, pela irmã Beatriz Santos, de Beja, e ‘Ação social na
paróquia’, pelo padre José Manuel Pereira de Almeida e Juan Ambrosio.
Papa saúda o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Vicenzo Paglia
(Vatican Media)
Para Francisco, a sacralidade da vida
embrional deve ser defendida com a mesma paixão que a sacralidade da
vida dos pobres que já nasceram.
Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano
O Papa Francisco concluiu a sua série de audiências recebendo os participantes da Plenária da Pontifícia Academia para a Vida.
A Plenária realiza-se no Vaticano de 25 a 27 de junho, sobre o tema “Iguais no nascimento? Uma responsabilidade global”.
Cardeal Elio Sgreccia
No início do seu discurso, o Pontífice agradeceu publicamente o
empenho e a dedicação do Cardeal Elio Sgreccia, um dos maiores
especialistas em bioética do mundo e presidente da Pontifícia Academia
para a Vida no passado. Hoje, este cargo é ocupado pelo arcebispo
Vincenzo Paglia.
Para Francisco, quando se fala de vida humana é preciso considerar a
qualidade ética e espiritual da vida em todas as suas fases: desde a
concepção até a morte. Mas não só a vida biológica: existe a vida
eterna, existe a vida que é família e comunidade, existe a vida humana
frágil e doente, ofendida, marginalizada, descartada. “É sempre vida
humana”, reiterou o Papa.
A síndrome de Narciso
“Quando entregamos as crianças à privação, os pobres à fome, os
perseguidos à guerra, os idosos ao abandono, não fazemos nós mesmos o
trabalho ‘sujo’ da morte?”, questionou o Pontífice.
Excluindo o outro do nosso horizonte, a vida fecha-se em si mesma e torna-se bem de consumo. Como Narciso, acrescentou Francisco, tornamo- nos homens e mulheres-espelho, que se veem somente a si mesmos e nada
mais.
Visão global da bioética
Por isso, é necessária uma visão global da bioética. Em
primeiro lugar, explica o Papa, esta bioética global será uma modalidade
específica para desenvolver a perspectiva da ecologia integral, própria
da Encíclica Laudato si’. Portanto, temas como a relação entre pobreza e
fragilidade do planeta, a crítica ao novo paradigma e às formas de
poder, a cultura do descarte e a proposta de um novo estilo de vida.
Em segundo lugar, um discernimento meticuloso das complexas
diferenças fundamentais da vida humana: do homem e da mulher, da
paternidade da maternidade, a fraternidade, a sexualidade, a doença, o
envelhecimento, a violência e guerra.
Defender a sacralidade da vida
Para Francisco, a sacralidade da vida embrional deve ser defendida
com a mesma paixão que a sacralidade da vida dos pobres que já nasceram.
A bioética global, portanto, requer um discernimento profundo e
objetivo da valor da vida pessoal e comunitária, que deve ser protegida e
promovida também nas condições mais difíceis.
Todavia, observou o Papa, a regulamentação jurídica e a técnica não
são suficientes para garantir o respeito à dignidade da pessoa.
A perspectiva de uma globalização que tende a aumentar a aprofundar
as desigualdades pede uma resposta ética a favor da justiça. Por isso é
importante estarmos atentos a fatores sociais e económicos, culturais e
ambientais que determinam a qualidade de vida da pessoa humana.
Destino último da vida humana
Por fim, é preciso interroga-mo-nos mais profundamente sobre o destino último da vida.
“A vida do homem, encantadora e frágil, remete além de si mesma: nós
somos infinitamente mais do que daquilo que podemos fazer para nós mesmos.”
A sabedoria cristã, concluiu o Papa, deve reabrir com paixão e
audácia o pensamento do destino do género humano à vida de Deus, que
prometeu abrir ao amor da vida além da morte.
Papa Francisco no Angelus deste domingo
(AFP or licensors)
"É preciso aprender a confiar e a se
calar diante do mistério de Deus e a contemplar na humildade e no
silêncio a sua obra, que se revela na história e que muitas vezes supera
a nossa imaginação", disse Francisco.
Cidade do Vaticano
O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo
(24/06), Solenidade da Natividade de São João Batista, com os fiéis e
peregrinos de várias partes do mundo, presentes na Praça São Pedro.
O nascimento de João Batista “é o evento que ilumina a vida de seus
pais Isabel e Zacarias, e envolve os parentes e vizinhos na alegria e
estupor. Esses pais idosos sonharam e prepararam aquele dia, mas agora
não o esperavam mais. Sentiam-se excluídos, humilhados e desiludidos:
não tinham filhos”.
“Diante do anúncio do nascimento de um filho, Zacarias ficou
incrédulo, porque as leis naturais não o permitiam: eram idosos.
Consequentemente, o Senhor o tornou mudo durante todo o tempo da
gestação”, frisou o Papa.
Confiar e se calar diante do mistério de Deus
“É um sinal, mas Deus não depende de nossas lógicas e capacidades
humanas limitadas. É preciso aprender a confiar e a se calar diante do
mistério de Deus e a contemplar na humildade e no silêncio a sua obra,
que se revela na história e que muitas vezes supera a nossa imaginação.”
Agora que o evento se cumpre e Isabel e Zacarias experimentam que “para Deus nada é impossível”, grande é a sua alegria.
“O Evangelho deste domingo anuncia o nascimento e depois se detém no
momento da imposição do nome ao menino”, sublinhou Francisco.
“Isabel escolhe um nome estranho à tradição familiar e diz: ‘Ele vai
chamar-se João’, dom gratuito e inesperado, porque João significa ‘Deus
fez a graça’. Este menino será arauto, testemunha da graça de Deus para
os pobres que esperam com fé humilde a sua salvação.”
Zacarias confirma inesperadamente a escolha daquele nome,
escrevendo-o numa tabuinha, porque estava mudo, e ‘no mesmo instante, a
boca de Zacarias se abriu, a sua língua se soltou, e começou a louvar a
Deus’.
Estupor, surpresa e gratidão
O nascimento de João Batista é circundado de uma sensação alegre de
estupor, surpresa e gratidão. “Estupor, surpresa e gratidão. As pessoas
ficaram tomadas pelo temor santo de Deus, e ‘a notícia espalhou-se por
toda a região montanhosa da Judia’.”
Segundo o Papa, “o povo fiel entende que aconteceu algo de grande,
embora humilde e escondido, e interroga-se: ‘O que virá a ser este
menino?’ O povo fiel de Deus é capaz de viver a fé com alegria, com a
sensação de estupor, surpresa e gratidão. Olhemos para as pessoas que
falavam bem sobre esse facto maravilhoso, sobre esse milagre do
nascimento de João, e faziam isso com alegria, estavam felizes, sentiam
estupor, surpresa e gratidão”.
“Olhando para isso, interroguemo-nos: como anda a minha fé? É uma fé
alegre ou uma fé sempre igual, uma fé plana? Fico surpreso quando vejo
as obras do Senhor, quando ouço falar de evangelização ou da vida de um
santo, ou quando vejo muitas pessoas boas: sinto a graça dentro ou nada
se mexe dentro do meu coração? Sinto o consolo do Espírito ou estou
fechado?” “Pergunte cada um de nós a si próprio, no exame de consciência: como
está a minha fé? É alegre? É aberta às surpresas de Deus? Porque Deus é
o Deus das surpresas. Experimentei na alma a sensação de estupor que a
presença de Deus dá, o senso de gratidão? Pensemos nessas palavras que
foram de ânimo para a fé: alegria, sensação de estupor, surpresa e
gratidão”, disse o Papa.
Família, um santuário da vida
Francisco concluiu, pedindo à “Virgem Maria para que nos ajude a
entender que em cada ser humano existe a marca de Deus, fonte da vida”.
Que Maria, Mãe de Deus e nossa, “nos torne cada vez mais conscientes
de que na gestação de um filho os pais agem como colaboradores de Deus.
Uma missão realmente sublime que faz de toda família um santuário da
vida e desperta, todo nascimento de um filho, a alegria, o estupor e a
gratidão”.
Papa Francisco encontra a delegação das Igrejas Independentes Africanas
(Vatican Media)
"Uma das tarefas dos cristãos em África é
promover a coexistência de grupos étnicos, de tradições e línguas, como
também de religiões diferentes”, disse o Papa Francisco à delegação das
Igrejas Independentes Africanas.
Cidade do Vaticano
Na sua série de audiências, na manhã deste sábado (23/6), o Santo
Padre recebeu, no Vaticano, uma Delegação de onze pessoas da Organização
das Igrejas independentes Africanas.
Após ter agradecido a visita da Delegação africana e a sua
disponibilidade em buscar elos mais estreitos com a Igreja católica, o
Papa disse:
“As vossas Comunidades, na sua história relativamente breve, foram
marcadas pela luta de independência, sustentada pelo Continente africano
e pelos sucessivos esforços de criar sociedades caracterizadas pela
justiça e a paz, para defender a dignidade da grande variedade de povos
africanos”.
Desafios que a África está a enfrentar
Porém, acrescentou Francisco, infelizmente, a promessa de progresso e
justiça, contida neste processo de emancipação, nem sempre foi mantida;
muitos Países estão distantes da paz e do desenvolvimento económico,
social e político. E o Papa ponderou:
“Vocês conhecem bem os desafios que África está a enfrentar, em
geral, como também as diversas Igrejas, na sua missão de evangelização,
reconciliação e ajuda humanitária. Vocês estão cientes também do enorme
desafio para oferecer estabilidade, instrução e oportunidade de trabalho
aos jovens, que compõem uma ampla parte das sociedades africanas”.
África, hoje, disse o Papa, foi comparada àquele homem do Evangelho
“que ia de Jerusalém a Jericó e caiu nas mãos dos malfeitores, que o
despojaram de suas vestes, o espancaram e, depois, foram embora,
deixando-o quase morto”. E o Papa perguntou: “Em que sentido a mensagem
cristã é uma boa notícia para os povos da África”? E respondeu:
“Contra o desespero dos pobres, a frustração dos jovens, o grito
de dor dos idosos e dos sofredores, o Evangelho de Jesus Cristo,
transmitido e vivido, traduz-se em experiências de esperança, paz,
alegria, harmonia, amor e unidade”.
Formas concretas de solidariedade
Se estivermos realmente conscientes de que os problemas da África
poderão ser facilmente resolvidos, recorrendo aos recursos humanos,
culturais e materiais do continente, afirmou Francisco, então é claro
que a nossa tarefa cristã é a de acompanhar os esforços para favorecer o
uso sensato e ético de tais recursos. E sugeriu:
“É improrrogável o compromisso comum de promover os processos de
paz, nas várias áreas de conflito; há urgente necessidade de formas
concretas de solidariedade com quem mais precisa; a tarefa das Igrejas é
ajudar as pessoas a porem as suas energias ao serviço do bem comum e
defender a sua dignidade, liberdade e direitos”.
E o Santo Padre acrescentou: “É preciso, urgentemente, que todos os
cristãos aprendam a trabalhar juntos pelo bem comum. Apesar das nossas
diferenças, sobre questões teológicas e eclesiológicas, há tantos campos
em que os líderes e os fiéis das várias comunidades cristãs, podem
estabelecer objetivos comuns e trabalhar pelo bem de todos, sobretudo
pelos mais fracos e excluídos”. Aqui, Francisco fez seu apreço aos
africanos:
“Os povos da África têm um profundo senso religioso da existência
de um Deus criador e de um mundo espiritual: a família, o amor pela
vida, os filhos como dons de Deus, o respeito pelas pessoas idosas,
deveres com os irmãos próximos e distantes”.
Promover a coexistência de grupos étnicos
Neste sentido, o Papa perguntou ainda: “Estes valores religiosos e os
princípios de vida não pertencem a todos nós cristãos?” E recordou:
“Uma tarefa particular dos cristãos nas sociedades africanas é
promover a coexistência de grupos étnicos, de tradições e línguas, como
também de religiões diferentes. Trata-se de uma tarefa que, muitas
vezes, se defronta com obstáculos por causa das graves hostilidades
recíprocas”.
Por isso, Francisco concluiu o seu pronunciamento à Delegação da
Organização das Igrejas independentes Africanas, incentivando-a a um
encontro mais intenso e um maior diálogo ecuménico com todas as Igrejas e
Comunidades Cristãs.
Colaboração entre todos
Por fim, o Papa fez votos de “que o Espírito Santo nos ilumine para
encontrarmos o modo justo de promover a colaboração entre todos –
cristãos, religiões tradicionais, muçulmanos – por um futuro melhor e
promissor para a África”. E concluiu:
“Faço votos de que a vossa permanência em Roma, a cidade do martírio
dos Apóstolos Pedro e Paulo, possa contribuir para assegurar-lhes a
vontade férrea da Igreja Católica, junto com os seus colaboradores
ecuménicos, de promover o Reino de justiça, paz e fraternidade, que Deus
deseja para toda humanidade”.
Papa encontra delegação das Igrejas Independentes Africanas
Papa recebe os participantes do Capítulo dos Verbitas
(Vatican Media)
Francisco propôs uma reflexão aos
verbitas sobre três palavras: confiança, anúncio e fraternidade.
Cidade do Vaticano
O Papa Francisco concluiu a sua série de audiências recebendo os
participantes do Capítulo Geral da Sociedade do Verbo Divino, conhecidos
como Verbitas.
No seu discurso, o Pontífice comentou o lema do Capítulo “O amor de
Cristo nos impele: enraizados na Palavra, comprometidos com a sua
missão”.
Confiança
Com base neste tema, Francisco propôs uma reflexão sobre três palavras: confiança, anúncio e fraternidade.
Na vida de cristãos e consagrados, afirmou o Papa, é essencial saber abandonar-se nas mãos de Deus.
“Não deixemos que entre nós haja medo e fechamento e nem mesmo
sejamos nós a colocar obstáculos e empecilhos à ação do Espírito”, disse
Francisco, encorajando os verbitas a renovarem a confiança no Senhor e a
sair sem temor para anunciar a alegria do Evangelho.
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Sobre a segunda palavra, anúncio, o Papa recordou que no coração dos
verbitas devem arder como fogo as palavras de São Paulo: “Ai de mim se não anunciar o Evangelho”.
“Este foi o empenho de tantos missionários e missionárias que os
precederam, este é o testemunho que lhes deixaram e o desafio que os
aguarda. O mandato missionário não conhece nem confins nem culturas,
porque todo o mundo é terra de missão. A vida do missionário é
desordenada. Tem somente uma segurança: a oração.”
Fraternidade
A terceira palavra proposta por Francisco é fraternidade. “Quanto é
belo ver uma comunidade que caminha unida e onde os seus membros se
amam; esta é a maior evangelização.”
Unidos, acrescentou o Papa, será possível enfrentar todas as
dificuldades e a tarefa de sair para encontrar os irmãos excluídos da
sociedade.
“Também ali vós sois convidados a realizar o espírito das
bem-aventuranças através das obras de misericórdia: ouvindo e
respondendo ao clamor de quem pede pão e justiça; levando paz e promoção
integral a quem busca uma vida mais digna; consolando e oferecendo
motivos de esperança às tristezas e aos sofrimentos de tantos homens e
mulheres do nosso tempo... Que esta seja a bússola que guia os vossos passos
de irmãos missionários”, disse Francisco, que antes de concluir pediu
que os verbitas não se esqueçam de dois pontos:
O primeiro diz respeito às raízes, que sejam arraigados às origens
para que possam crescer. O segundo parece "lúgubre", mas não é:
cemitérios. "Pensem nos cemitérios de regiões distantes, na Ásia, em
África, na Amazónia...quantos de vós estão ali e na lápide se lê que morreram jovens, porque se lançaram, deram a vida."
No Capítulo
O 18º Capítulo Geral da Congregação do Verbo Divino teve início em
dia 17 de junho e encerra no dia 14 de julho, na localidade de Nemi,
perto de Roma.
São 151 participantes dos cinco continentes, superiores e delegados
de 58 Províncias, Regiões e Missões, representando mais de 6.000
missionários do Verbo Divino, que trabalham em 84 países.
O Conselheiro Geral da Congregação é o missionário brasileiro Padre
Arlindo Dias, que falou da expectativa dos participantes do Capítulo:
Francisco: “Com a ajuda da ROACO os
filhos mais distantes no Médio Oriente podem ser ouvidos, amados e
acompanhados como Igreja do Ressuscitado, no meio dos desafios e
sofrimentos espirituais e materiais”.
Cidade do Vaticano: 22.6.2018
Na sua série de atividades, o Santo Padre recebeu em audiência, na
Sala do Consistório, no Vaticano, na manhã desta sexta-feira (22/6),
cerca de 100 participantes da 91ª Assembleia Plenária da ROACO, -
Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais – que, este ano,
comemora o bseu 50° aniversário de fundação.
O Papa no seu discurso, que foi entregue, enviou a sua grata saudação
aos Representantes Pontifícios nos Países médio-orientais, que,
diariamente, acompanham o caminho esperançoso das populações cristãs e
de outras tradições religiosas em terras, infelizmente, marcadas por
conflitos e sofrimentos. E Francisco acrescentou:
“Depois do centenário de atividades da ROACO, que acaba de se
encerrar, este organismo vive o seu ano jubilar. Por isso, convido-vos a
recordar, com gratidão, o tempo transcorrido e todos os que contribuíram
para a sua ação caritativa. Graças à generosidade de muitos fiéis do
mundo, com projetos e apoio material, permitiram às Igrejas Orientais
católicas desenvolverem-se e darem testemunho evangélico”.
Trata-se, disse Francisco, de um testemunho duramente provado, entre
sofrimentos e perseguições, antes, por regimes totalitários e, depois,
por formas de fundamentalismo e fanatismo, com pretexto religioso, e por
intermináveis conflitos e migrações forçadas no Médio Oriente:
“Tudo isto é expressão do rosto sofredor da Igreja de Cristo, que
anuncia o Evangelho, com palavras e obras, tornando presente a caridade
divina entre os homens. Neste sentido, o ano da graça do Senhor
tem sempre uma dimensão de libertação interior, do coração do homem oprimido
pelo pecado, e exterior, na vida nova dos redimidos”.
As Igrejas Orientais católicas, explicou o Papa, são testemunhas
vivas das origens apostólicas; elas são chamadas, de modo especial, a
manter e difundir a centelha do fogo pentecostal e a redescobrir a sua
presença profética, nos lugares por onde peregrinam. Começando por
Jerusalém, onde a presença dos cristãos, como pequeno rebanho, obtém a
força do Espírito para a sua missão de dar testemunho de Jesus Cristo. E
o Papa acrescentou:
“Possa, dos Lugares Santos, - onde o desígnio de Deus se realizou
com o mistério da Encarnação, Morte e Ressurreição de Cristo – brotar um
renovado espírito de fortaleza, para animar os cristãos da Terra Santa e
do Médio Oriente a compreender a sua vocação peculiar e testemunhar a sua
fé e esperança”.
O Santo Padre concluiu o seu pronunciamento aos membros da ROACO
exortando os filhos e filhas das Igrejas Orientais católicas a manter
o seu dom profético e de anúncio do Evangelho de Jesus também em
contextos, cada vez mais secularizados, do nosso Ocidente, onde chegam
incontáveis migrantes e refugiados. Por fim, o Papa disse:
“Graças às atividades da ROACO, através dos seus gestos de
solidariedade e caridade para ajudar as Igrejas Orientais, o Sucessor de
Pedro pode continuar a sua missão de buscar percursos para a unidade
visível de todos os cristãos”. Com a sua ajuda, os filhos mais distantes
podem ser ouvidos, amados e acompanhados como Igreja do Ressuscitado, no meio dos desafios e sofrimentos espirituais e materiais, no Médio Oriente e na Europa Oriental”.
“Estou convencido de que, se aumentar o
impulso missionário, crescerá também a unidade entre nós”, disse o Papa
no encontro ecuménico na sede do Conselho Mundial de Igrejas em Genebra.
Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano
O segundo compromisso do Papa Francisco em Genebra foi o encontro
ecuménico na sede do Conselhénicos, autoridades civis e o
séquito papal.
Após os discursos do Secretário-geral do CMI, Rev. Olav Fykse Tveit, e
da Moderadora Dra. Agnes Abuom, o Pontífice tomou a palavra num
discurso centralizado na vocação missionária de todo cristão.
Simbologia bíblica do número 70 Inicialmente, Francisco agradeceu o convite para participar das
celebrações dos 70 anos do CMI e falou da simbologia bíblica em torno
deste número: setenta anos evoca a duração completa de uma vida, sinal
de bênção divina. Mas setenta é também um número que traz à mente duas
passagens famosas do Evangelho. Na primeira, o Senhor mandou perdoar não
até sete vezes, mas «até setenta vezes sete» (Mt 18, 22).
O número não pretende indicar um limite quantitativo, explicou o
Papa, mas abrir um horizonte qualitativo: não mede a justiça, mas alonga
a medida para uma caridade desmesurada, capaz de perdoar sem limites.
“É esta caridade que nos permite, depois de séculos de contrastes, estar
juntos como irmãos e irmãs reconciliados e agradecidos a Deus nosso
Pai.”
Novo ímpeto evangelizador Setenta lembra também os discípulos que Jesus, durante o ministério
público, enviou em missão. O número destes discípulos alude ao número
das nações conhecidas, elencadas nos primeiros capítulos da Sagrada
Escritura.
“Que sugestão nos deixa isto? Que a missão tem em vista todos os
povos, e cada discípulo, para ser tal, deve tornar-se apóstolo,
missionário.”
O Papa declarou-se preocupado com a dissociação entre ecumenismo e
missão. “O mandato missionário, que é mais do que a diaconia e a
promoção do desenvolvimento humano, não pode ser esquecido nem anulado.
Em causa está a nossa identidade. O anúncio do Evangelho até aos últimos
confins da terra é conatural ao nosso ser de cristãos.”
Para Francisco, necessita-se de um novo ímpeto evangelizador. “Estou
convencido que, se aumentar o impulso missionário, crescerá também a
unidade entre nós.”
Caminhar - Rezar - Trabalhar juntos O Pontífice comentou o lema dos 70 anos do CMI: Caminhar - Rezar - Trabalhar juntos.
Caminhar num movimento duplo: de entrada e de saída. De entrada, a
fim de nos dirigir constantemente para o centro, que é Jesus. De saída,
rumo às múltiplas periferias existenciais de hoje.
Rezar, pois a oração é o oxigênio do ecumenismo. Sem oração, a
comunhão asfixia e não avança, porque impedimos que o vento do Espírito a
empurre para diante.
Trabalhar juntos, pois a credibilidade do Evangelho é testada pela
maneira como os cristãos respondem ao clamor de quantos são vítimas do
trágico aumento de uma exclusão que, gerando pobreza, fomenta os
conflitos. “Se um serviço é possível, por que não projetá-lo e
realizá-lo conjuntamente, começando a experimentar uma fraternidade mais
intensa no exercício da caridade concreta?”, questionou o Papa.
Ecumenismo de sangue Francisco mencionou também os cristãos perseguidos. “Estejamos ao
seu lado. E lembremo-nos de que o nosso caminho ecuménico é precedido e
acompanhado por um ecumenismo já realizado, o ecumenismo do sangue, que
nos exorta a avançar.”
O Pontífice concluiu o seu discurso com as seguintes palavras:
“Ajudemo-nos a caminhar, rezar e trabalhar juntos, para que, com a ajuda
de Deus, progrida a unidade e o mundo acredite”.
Definindo-se um “peregrino em busca de
unidade e de paz", o Papa Francisco participou da oração ecuménica na
sede do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra.
Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano
O Papa Francisco deixou o Vaticano na manhã desta quinta-feira (21/06) para uma peregrinação ecuménica em Genebra.
Depois de uma hora e quarenta minutos de voo, o Pontífice chegou à cidade
suíça por volta das 10h, onde foi recebido pelo Presidente da
Confederação Helvécia, Alain Berset, no aeroporto internacional da
cidade para uma breve cerimónia de boas-vindas e um encontro privado.
Na sequência, o Papa transferiu-se de carro até o Centro Ecuménico do
Conselho Mundial de Igrejas, pois justamente este é o motivo dessa
peregrinação: celebrar os 70 anos desta instituição, criada depois da II
Guerra Mundial.
Mais de 500 milhões de fiéis O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) é a maior organização mundial do
movimento ecuménico, com o mais alto número de membros: são 345
comunidades cristãs de mais de 110 países, com exceção da Igreja
Católica, e compreende reformados, luteranos, anglicanos metodistas,
batistas, ortodoxos e outras Igrejas. Representa mais de 500 milhões de
fiéis em todo o mundo, cuja sede é Genebra.
No Centro Ecuménico do CMI, realizou-se uma oração comum, com a
participação de cerca de 230 pessoas – ocasião em que o Pontífice
pronunciou o primeiro discurso do dia.
Caminhar segundo o Espírito Inspirado na leitura extraída da Carta aos Gálatas, Francisco propôs
uma reflexão sobre a expressão “Caminhar segundo o Espírito”.
“Caminhar segundo o Espírito é rejeitar o mundanismo. É escolher a
lógica do serviço e avançar no perdão. É inserir-se na história com o
passo de Deus: não com o passo ribombante da prevaricação, mas com o
passo cadenciado por «uma única palavra: Ama o teu próximo como a ti
mesmo» (Gal 5, 14).”
No decurso da história, afirmou o Papa, as divisões entre cristãos
deram-se porque na raiz, na vida das comunidades, infiltrou-se uma
mentalidade mundana: primeiro cultivavam-se os próprios interesses e só
depois os de Jesus Cristo. A direção seguida era a da carne, não a do
Espírito.
“Mas o movimento ecuménico, para o qual tanto contribuiu o Conselho
Ecuménico das Igrejas, surgiu por graça do Espírito Santo”, recordou o
Papa.
Ser do Senhor É preciso escolher ser de Jesus antes que de Apolo ou de Cefas,
antepor o ser de Cristo ao facto de ser «judeu ou grego», ser do Senhor
antes que da direita ou da esquerda, escolher em nome do Evangelho o
irmão antes que a si mesmo.
A resposta aos passos vacilantes, prosseguiu o Papa, é sempre a
mesma: caminhar segundo o Espírito, purificando o coração do mal,
escolhendo com obstinação o caminho do Evangelho e recusando os atalhos
do mundo.
“Depois de tantos anos de empenho ecuménico, neste septuagésimo
aniversário do Conselho, peçamos ao Espírito que revigore o nosso passo.
(…) Que as distâncias não sejam desculpas! É possível, já agora,
caminhar segundo o Espírito. Rezar, evangelizar, servir juntos: isto é
possível. Caminhar juntos, rezar juntos, trabalhar juntos: eis a nossa
estrada-mestra.”
Unidade Esta estrada tem uma meta concreta: a unidade. A estrada oposta, a da
divisão, leva a guerras e destruições. “O Senhor pede-nos unidade; o
mundo, dilacerado por demasiadas divisões que afetam sobretudo os mais
fracos, invoca unidade.”
Francisco concluiu o seu discurso definindo-se como um “peregrino em busca de
unidade e de paz”. “Agradeço a Deus porque aqui encontrei irmãos e
irmãs já a caminho. Que a Cruz nos sirva de orientação, porque lá, em
Jesus, foram abatidos os muros de separação e foi vencida toda a
inimizade: lá compreendemos que, apesar de todas as nossas fraquezas,
nada poderá jamais separar-nos do seu amor.
Os mandamentos são diálogo, reitera o Papa
(Vatican Media)
"Deus impõe-me as coisas ou cuida de mim?
Os seus mandamentos são somente uma lei ou contém uma palavra? Deus é
patrão ou Pai? Somos súbditos ou filhos? Este combate, dentro e fora de
nós, apresenta-se continuamente", disse o Papa Francisco na sua
catequese na Audiência Geral desta quarta-feira.
Cidade do Vaticano
A forma como vemos Deus – patrão ou Pai – fará com que raciocinemos
como filhos ou escravos. E o mundo tem necessidade de cristãos com o
coração de filhos.
“Dez Palavras” para viver a Aliança”: na Audiência Geral desta
quarta-feira – realizada na Praça São Pedro e na Sala Paulo VI - o Papa
Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os Mandamentos,
explicando a diferença entre uma “ordem” e uma “palavra”, que é o meio
essencial da relação como diálogo.
Ao iniciar a sua reflexão, o Santo Padre explicou aos mais de 13 mil
presentes na Praça São Pedro, que Jesus não veio abolir a lei, mas
levá-la ao cumprimento, mas “devemos compreender melhor esta
perspetiva”.
Veja também: Audiência Geras de 20 de junho de 2018
Na Bíblia, os mandamentos não vivem por si mesmos, mas são “parte de
um relacionamento, de uma relação”, a da Aliança entre Deus e seu Povo.
A frase “Deus pronunciou todas estas palavras” no início do capítulo
20 Livro do Êxodo, podem parecer um início como outro qualquer, mas
Francisco ressalta que não é dito “estes mandamentos”, mas “estas
palavras”.
A tradição hebraica chamará sempre o Decálogo de "as dez Palavras".
Mesmo na forma de leis, são objetivamente mandamentos. Mas porque,
então, o Autor sagrado usa precisamente aqui, a expressão "dez
palavras" e não "dez mandamentos?
Ordem x Palavra
E que diferença existe entre uma ordem e uma palavra?, pergunta:
“A ordem é uma comunicação que não requer o diálogo. A palavra,
pelo contrário, é o meio essencial da relação como diálogo. Deus Pai
cria por intermédio da sua palavra, e o seu Filho é a Palavra feita carne. O
amor nutre-se de palavras e assim a educação ou a colaboração. Duas
pessoas que não se amam, não se conseguem comunicar. Quando alguém fala
ao nosso coração, a nossa solidão acaba. Recebe uma palavra, acontece a
comunicação. E os mandamentos são palavras de Deus. Deus comunica-se com
estas dez Palavras e espera a nossa resposta”.
“ Uma coisa é receber uma ordem, outra bem diferente é perceber
que alguém fala connosco, sublinhou. Os mandamentos são um diálogo. ”
O Papa refere-se então ao n. 142 da Evangelii gaudium,
justamente onde fala que “um diálogo é muito mais do que a comunicação
de uma verdade. Realiza-se pelo prazer de falar e pelo bem concreto que
se comunica entre eles que se querem bem por meio das palavras.
A tentação
Esta diferença não é algo artificial. E voltando-se ao que aconteceu
nos primórdios, recorda que exatamente este é o ponto usado pelo
Tentador, o diabo, desde o início, para enganar o homem e a mulher,
querendo convencê-los de que Deus os proibiu de comer o fruto da árvore
do bem e do mal para mantê-los subjugados:
“O desafio é justamente este: a primeira norma que Deus deu ao
homem, é a imposição de um déspota que proíbe e obriga, ou é o cuidado
de um pai que está a cuidar dos seus pequenos e os protege da
autodestruição? É uma palavra ou uma ordem?”
“A mais trágica entre as mentiras que a serpente diz a Eva – recorda o
Papa – é a sugestão de uma divindade invejosa e possessiva: “Deus não
quer que vós tenhais liberdade”. E “os factos demonstram dramaticamente
que a serpente mentiu”.
“ O Tentador fez acreditar que uma palavra de amor era uma ordem ”
Súbditos ou filhos?
“E o homem está diante desta encruzilhada: Deus impõe-me as coisas
ou cuida de mim? Os seus mandamentos são somente uma lei ou contém uma
palavra, para cuidar de mim? Deus é patrão ou Pai? O que pensam?
Somos súbditos ou filhos? (...) Nunca se esqueçam disto. Nunca. Mesmo
nas situações mais difíceis, pensem que têm um Pai que nos ama a
todos (...). Este combate, dentro e fora de nós, apresenta-se
continuamente: mil vezes devemos escolher entre uma mentalidade de
escravos e uma mentalidade de filhos. O mandamento é do patrão, a
palavra é do Pai”.
O Espírito Santo – disse então o Papa – é um Espírito de filho, é o Espírito de Jesus:
“Um espírito de escravos acolhe a Lei de modo opressivo e pode
produzir dois resultados opostos: ou uma vida feita de deveres e de
obrigações, ou uma reação violenta de rejeição. Todo o cristianismo é a
passagem da letra da Lei ao Espírito, que dá a vida. Jesus é a Palavra
do Pai, não é a condenação do Pai. Jesus veio salvar-nos com a sua
palavra, não condenar-nos”.
E vê-se quando um homem ou uma mulher viveram esta passagem, diz o Papa:
“ Percebe-se se um cristão raciocina como filho ou como escravo ”
"E nós mesmos recordamos se os nossos educadores cuidaram de nós
como pais e mães, ou se nos impuseram regras. Os mandamentos são o
caminho para a liberdade, pois são as palavras do Pai que nos tornam
livres neste caminho”.
“O mundo não tem necessidade de legalismos, mas de cuidado. Tem
necessidade de cristãos com o coração de filhos, tem necessidade de
cristãos com o coração de filhos. Não se esqueçam disto”.
Viagem a Genebra
Ao saudar os peregrinos de língua alemã, o Papa disse: “Rezem por mim e pela minha peregrinação ecuménica a Genebra, amanhã”.