25 junho, 2018

Pastoral Social: ‘A paróquia ainda é um lugar de proximidade?’




Fátima recebe, de 4 a 6 de setembro, o XXXII Encontro da Pastoral Social, que este ano vai refletir se ‘A paróquia ainda é um lugar de proximidade?’. Do programa, destaque para as conferências ‘A paróquia. Uma perspetiva histórica’, por D. Manuel Clemente, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, e para a conferência de encerramento ‘Proximidade. Uma história de vida’, pelo novo Bispo de Viseu, D. António Luciano. Nota ainda, neste encontro que decorre no Steyler Fátima Hotel, para o painel ‘Paróquia e proximidade’ e para as apresentações ‘A minha experiência de paróquia como lugar de proximidade’, pela irmã Beatriz Santos, de Beja, e ‘Ação social na paróquia’, pelo padre José Manuel Pereira de Almeida e Juan Ambrosio.
 
Patriarcado de Lisboa

Vida humana: Papa Francisco propõe uma visão global da bioética

 
Papa saúda o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Vicenzo Paglia  (Vatican Media)
 
Para Francisco, a sacralidade da vida embrional deve ser defendida com a mesma paixão que a sacralidade da vida dos pobres que já nasceram. 
 
Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano

O Papa Francisco concluiu a sua série de audiências recebendo os participantes da Plenária da Pontifícia Academia para a Vida.

A Plenária realiza-se no Vaticano de 25 a 27 de junho, sobre o tema “Iguais no nascimento? Uma responsabilidade global”. 

Cardeal Elio Sgreccia
No início do seu discurso, o Pontífice agradeceu publicamente o empenho e a dedicação do Cardeal Elio Sgreccia, um dos maiores especialistas em bioética do mundo e presidente da Pontifícia Academia para a Vida no passado. Hoje, este cargo é ocupado pelo arcebispo Vincenzo Paglia.

Para Francisco, quando se fala de vida humana é preciso considerar a qualidade ética e espiritual da vida em todas as suas fases: desde a concepção até a morte. Mas não só a vida biológica: existe a vida eterna, existe a vida que é família e comunidade, existe a vida humana frágil e doente, ofendida, marginalizada, descartada. “É sempre vida humana”, reiterou o Papa. 

A síndrome de Narciso
“Quando entregamos as crianças à privação, os pobres à fome, os perseguidos à guerra, os idosos ao abandono, não fazemos nós mesmos o trabalho ‘sujo’ da morte?”, questionou o Pontífice.

Excluindo o outro do nosso horizonte, a vida fecha-se em si mesma e torna-se bem de consumo. Como Narciso, acrescentou Francisco, tornamo- nos homens e mulheres-espelho, que se veem somente a si mesmos e nada mais. 

Visão global da bioética
Por isso, é necessária uma visão global da bioética. Em primeiro lugar, explica o Papa, esta bioética global será uma modalidade específica para desenvolver a perspectiva da ecologia integral, própria da Encíclica Laudato si’. Portanto, temas como a relação entre pobreza e fragilidade do planeta, a crítica ao novo paradigma e às formas de poder, a cultura do descarte e a proposta de um novo estilo de vida.

Em segundo lugar, um discernimento meticuloso das complexas diferenças fundamentais da vida humana: do homem e da mulher, da paternidade da maternidade, a fraternidade, a sexualidade, a doença, o envelhecimento, a violência e guerra. 

Defender a sacralidade da vida
Para Francisco, a sacralidade da vida embrional deve ser defendida com a mesma paixão que a sacralidade da vida dos pobres que já nasceram.

A bioética global, portanto, requer um discernimento profundo e objetivo da valor da vida pessoal e comunitária, que deve ser protegida e promovida também nas condições mais difíceis.

Todavia, observou o Papa, a regulamentação jurídica e a técnica não são suficientes para garantir o respeito à dignidade da pessoa.

A perspectiva de uma globalização que tende a aumentar a aprofundar as desigualdades pede uma resposta ética a favor da justiça. Por isso é importante estarmos atentos a fatores sociais e económicos, culturais e ambientais que determinam a qualidade de vida da pessoa humana. 

Destino último da vida humana
Por fim, é preciso interroga-mo-nos mais profundamente sobre o destino último da vida.

“A vida do homem, encantadora e frágil, remete além de si mesma: nós somos infinitamente mais do que daquilo que podemos fazer para nós mesmos.”

A sabedoria cristã, concluiu o Papa, deve reabrir com paixão e audácia o pensamento do destino do género humano à vida de Deus, que prometeu abrir ao amor da vida além da morte.

Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco

VATICAN NEWS

24 junho, 2018

Papa no Angelus: família, um santuário da vida

 
Papa Francisco no Angelus deste domingo  (AFP or licensors)
 
"É preciso aprender a confiar e a se calar diante do mistério de Deus e a contemplar na humildade e no silêncio a sua obra, que se revela na história e que muitas vezes supera a nossa imaginação", disse Francisco. 
 
Cidade do Vaticano

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (24/06), Solenidade da Natividade de São João Batista, com os fiéis e peregrinos de várias partes do mundo, presentes na Praça São Pedro.

O nascimento de João Batista “é o evento que ilumina a vida de seus pais Isabel e Zacarias, e envolve os parentes e vizinhos na alegria e estupor. Esses pais idosos sonharam e prepararam aquele dia, mas agora não o esperavam mais. Sentiam-se excluídos, humilhados e desiludidos: não tinham filhos”.

“Diante do anúncio do nascimento de um filho, Zacarias ficou incrédulo, porque as leis naturais não o permitiam: eram idosos. Consequentemente, o Senhor o tornou mudo durante todo o tempo da gestação”, frisou o Papa. 

Confiar e se calar diante do mistério de Deus
“É um sinal, mas Deus não depende de nossas lógicas e capacidades humanas limitadas. É preciso aprender a confiar e a se calar diante do mistério de Deus e a contemplar na humildade e no silêncio a sua obra, que se revela na história e que muitas vezes supera a nossa imaginação.”

Agora que o evento se cumpre e Isabel e Zacarias experimentam que “para Deus nada é impossível”, grande é a sua alegria.

 “O Evangelho deste domingo anuncia o nascimento e depois se detém no momento da imposição do nome ao menino”, sublinhou Francisco.



“Isabel escolhe um nome estranho à tradição familiar e diz: ‘Ele vai chamar-se João’, dom gratuito e inesperado, porque João significa ‘Deus fez a graça’. Este menino será arauto, testemunha da graça de Deus para os pobres que esperam com fé humilde a sua salvação.”

Zacarias confirma inesperadamente a escolha daquele nome, escrevendo-o numa tabuinha, porque estava mudo, e ‘no mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, a sua língua se soltou, e começou a louvar a Deus’. 

Estupor, surpresa e gratidão
O nascimento de João Batista é circundado de uma sensação alegre de estupor, surpresa e gratidão. “Estupor, surpresa e gratidão. As pessoas ficaram tomadas pelo temor santo de Deus, e ‘a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judia’.”

Segundo o Papa, “o povo fiel entende que aconteceu algo de grande, embora humilde e escondido, e interroga-se: ‘O que virá a ser este menino?’ O povo fiel de Deus é capaz de viver a fé com alegria, com a sensação de estupor, surpresa e gratidão. Olhemos para as pessoas que falavam bem sobre esse facto maravilhoso, sobre esse milagre do nascimento de João, e faziam isso com alegria, estavam felizes, sentiam estupor, surpresa e gratidão”.

“Olhando para isso, interroguemo-nos: como anda a minha fé? É uma fé alegre ou uma fé sempre igual, uma fé plana? Fico surpreso quando vejo as obras do Senhor, quando ouço falar de evangelização ou da vida de um santo, ou quando vejo muitas pessoas boas: sinto a graça dentro ou nada se mexe dentro do meu coração? Sinto o consolo do Espírito ou estou fechado?” “Pergunte cada um de nós a si próprio, no exame de consciência: como está a minha fé? É alegre? É aberta às surpresas de Deus? Porque Deus é o Deus das surpresas. Experimentei na alma a sensação de estupor que a presença de Deus dá, o senso de gratidão? Pensemos nessas palavras que foram de ânimo para a fé: alegria, sensação de estupor, surpresa e gratidão”, disse o Papa. 

Família, um santuário da vida 
Francisco concluiu, pedindo à “Virgem Maria para que nos ajude a entender que em cada ser humano existe a marca de Deus, fonte da vida”.

Que Maria, Mãe de Deus e nossa, “nos torne cada vez mais conscientes de que na gestação de um filho os pais agem como colaboradores de Deus. Uma missão realmente sublime que faz de toda família um santuário da vida e desperta, todo nascimento de um filho, a alegria, o estupor e a gratidão”.

Angelus deste domingo

VATI9CAN NEWS

23 junho, 2018

Papa: é improrrogável compromisso de promover os processos de paz em África

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 Papa Francisco encontra a delegação das Igrejas Independentes Africanas  (Vatican Media)

"Uma das tarefas dos cristãos em África é promover a coexistência de grupos étnicos, de tradições e línguas, como também de religiões diferentes”, disse o Papa Francisco à delegação das Igrejas Independentes Africanas. 

Cidade do Vaticano 

Na sua série de audiências, na manhã deste sábado (23/6), o Santo Padre recebeu, no Vaticano, uma Delegação de onze pessoas da Organização das Igrejas independentes Africanas.

Após ter agradecido a visita da Delegação africana e a sua disponibilidade em buscar elos mais estreitos com a Igreja católica, o Papa disse:

As vossas Comunidades, na sua história relativamente breve, foram marcadas pela luta de independência, sustentada pelo Continente africano e pelos sucessivos esforços de criar sociedades caracterizadas pela justiça e a paz, para defender a dignidade da grande variedade de povos africanos”. 

Desafios que a África está a enfrentar
Porém, acrescentou Francisco, infelizmente, a promessa de progresso e justiça, contida neste processo de emancipação, nem sempre foi mantida; muitos Países estão distantes da paz e do desenvolvimento económico, social e político. E o Papa ponderou:

Vocês conhecem bem os desafios que África está a enfrentar, em geral, como também as diversas Igrejas, na sua missão de evangelização, reconciliação e ajuda humanitária. Vocês estão cientes também do enorme desafio para oferecer estabilidade, instrução e oportunidade de trabalho aos jovens, que compõem uma ampla parte das sociedades africanas”.

África, hoje, disse o Papa, foi comparada àquele homem do Evangelho “que ia de Jerusalém a Jericó e caiu nas mãos dos malfeitores, que o despojaram de suas vestes, o espancaram e, depois, foram embora, deixando-o quase morto”. E o Papa perguntou: “Em que sentido a mensagem cristã é uma boa notícia para os povos da África”? E respondeu:

Contra o desespero dos pobres, a frustração dos jovens, o grito de dor dos idosos e dos sofredores, o Evangelho de Jesus Cristo, transmitido e vivido, traduz-se em experiências de esperança, paz, alegria, harmonia, amor e unidade”. 

Formas concretas de solidariedade
Se estivermos realmente conscientes de que os problemas da África poderão ser facilmente resolvidos, recorrendo aos recursos humanos, culturais e materiais do continente, afirmou Francisco,  então é claro que a nossa tarefa cristã é a de acompanhar os esforços para favorecer o uso sensato e ético de tais recursos. E sugeriu:

É improrrogável o compromisso comum de promover os processos de paz, nas várias áreas de conflito; há urgente necessidade de formas concretas de solidariedade com quem mais precisa; a tarefa das Igrejas é ajudar as pessoas a porem as suas energias ao serviço do bem comum e defender a sua dignidade, liberdade e direitos”.

E o Santo Padre acrescentou: “É preciso, urgentemente, que todos os cristãos aprendam a trabalhar juntos pelo bem comum. Apesar das nossas diferenças, sobre questões teológicas e eclesiológicas, há tantos campos em que os líderes e os fiéis das várias comunidades cristãs, podem estabelecer objetivos comuns e trabalhar pelo bem de todos, sobretudo pelos mais fracos e excluídos”. Aqui, Francisco fez seu apreço aos africanos:

Os povos da África têm um profundo senso religioso da existência de um Deus criador e de um mundo espiritual: a família, o amor pela vida, os filhos como dons de Deus, o respeito pelas pessoas idosas, deveres com os irmãos próximos e distantes”. 

Promover a coexistência de grupos étnicos
Neste sentido, o Papa perguntou ainda: “Estes valores religiosos e os princípios de vida não pertencem a todos nós cristãos?” E recordou:

Uma tarefa particular dos cristãos nas sociedades africanas é promover a coexistência de grupos étnicos, de tradições e línguas, como também de religiões diferentes. Trata-se de uma tarefa que, muitas vezes, se defronta com obstáculos por causa das graves hostilidades recíprocas”.

Por isso, Francisco concluiu o seu pronunciamento à Delegação da Organização das Igrejas independentes Africanas, incentivando-a a um encontro mais intenso e um maior diálogo ecuménico com todas as Igrejas e Comunidades Cristãs. 

Colaboração entre todos 
Por fim, o Papa fez votos de “que o Espírito Santo nos ilumine para encontrarmos o modo justo de promover a colaboração entre todos – cristãos, religiões tradicionais, muçulmanos – por um futuro melhor e promissor para a África”. E concluiu:

Faço votos de que a vossa permanência em Roma, a cidade do martírio dos Apóstolos Pedro e Paulo, possa contribuir para assegurar-lhes a vontade férrea da Igreja Católica, junto com os seus colaboradores ecuménicos, de promover o Reino de justiça, paz e fraternidade, que Deus deseja para toda humanidade”.
Papa encontra delegação das Igrejas Independentes Africanas

 

VATICAN NEWS

22 junho, 2018

Papa: confiança, anúncio e fraternidade para ser missionário

 
Papa recebe os participantes do Capítulo dos Verbitas  (Vatican Media)
 
Francisco propôs uma reflexão aos verbitas sobre três palavras: confiança, anúncio e fraternidade.
 
Cidade do Vaticano

O Papa Francisco concluiu a sua série de audiências recebendo os participantes do Capítulo Geral da Sociedade do Verbo Divino, conhecidos como Verbitas.

No seu discurso, o Pontífice comentou o lema do Capítulo “O amor de Cristo nos impele: enraizados na Palavra, comprometidos com a sua missão”. 

Confiança
Com base neste tema, Francisco propôs uma reflexão sobre três palavras: confiança, anúncio e fraternidade.

Na vida de cristãos e consagrados, afirmou o Papa, é essencial saber abandonar-se nas mãos de Deus.

“Não deixemos que entre nós haja medo e fechamento e nem mesmo sejamos nós a colocar obstáculos e empecilhos à ação do Espírito”, disse Francisco, encorajando os verbitas a renovarem a confiança no Senhor e a sair sem temor para anunciar a alegria do Evangelho. 

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Sobre a segunda palavra, anúncio, o Papa recordou que no coração dos verbitas devem arder como fogo as palavras de São Paulo: “Ai de mim se não anunciar o Evangelho”.

“Este foi o empenho de tantos missionários e missionárias que os precederam, este é o testemunho que lhes deixaram e o desafio que os aguarda. O mandato missionário não conhece nem confins nem culturas, porque todo o mundo é terra de missão. A vida do missionário é desordenada. Tem somente uma segurança: a oração.” 

Fraternidade
A terceira palavra proposta por Francisco é fraternidade. “Quanto é belo ver uma comunidade que caminha unida e onde os seus membros se amam; esta é a maior evangelização.”

Unidos, acrescentou o Papa, será possível enfrentar todas as dificuldades e a tarefa de sair para encontrar os irmãos excluídos da sociedade.

“Também ali vós sois convidados a realizar o espírito das bem-aventuranças através das obras de misericórdia: ouvindo e respondendo ao clamor de quem pede pão e justiça; levando paz e promoção integral a quem busca uma vida mais digna; consolando e oferecendo motivos de esperança às tristezas e aos sofrimentos de tantos homens e mulheres do nosso tempo... Que esta seja a bússola que guia os vossos passos de irmãos missionários”, disse Francisco, que antes de concluir pediu que os verbitas não se esqueçam de dois pontos:

O primeiro diz respeito às raízes, que sejam arraigados às origens para que possam crescer. O segundo parece "lúgubre", mas não é: cemitérios. "Pensem nos cemitérios de regiões distantes, na Ásia, em África, na Amazónia...quantos de vós estão ali e na lápide se lê que morreram jovens, porque se lançaram, deram a vida."

No Capítulo
O 18º Capítulo Geral da Congregação do Verbo Divino teve início em dia 17 de junho e encerra no dia 14 de julho, na localidade de Nemi, perto de Roma.

São 151 participantes dos cinco continentes, superiores e delegados de 58 Províncias, Regiões e Missões, representando mais de 6.000 missionários do Verbo Divino, que trabalham em 84 países.

O Conselheiro Geral da Congregação é o missionário brasileiro Padre Arlindo Dias, que falou da expectativa dos participantes do Capítulo:

Ouça o Padre Arlindo Dias

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Papa: Igrejas Orientais católicas testemunhas vivas das origens apostólicas

 
 Papa Francisco Reunião ROACO  (Vatican Media)
 
Francisco: “Com a ajuda da ROACO os filhos mais distantes no Médio Oriente podem ser ouvidos, amados e acompanhados como Igreja do Ressuscitado, no meio dos desafios e sofrimentos espirituais e materiais”.
 
Cidade do Vaticano: 22.6.2018
 
Na sua série de atividades, o Santo Padre recebeu em audiência, na Sala do Consistório, no Vaticano, na manhã desta sexta-feira (22/6), cerca de 100 participantes da 91ª Assembleia Plenária da ROACO, - Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais – que, este ano, comemora o bseu 50° aniversário de fundação.

O Papa no seu discurso, que foi entregue, enviou a sua grata saudação aos Representantes Pontifícios nos Países médio-orientais, que, diariamente, acompanham o caminho esperançoso das populações cristãs e de outras tradições religiosas em terras, infelizmente, marcadas por conflitos e sofrimentos. E Francisco acrescentou:

Depois do centenário de atividades da ROACO, que acaba de se encerrar, este organismo vive o seu ano jubilar. Por isso, convido-vos a recordar, com gratidão, o tempo transcorrido e todos os que contribuíram para a sua ação caritativa. Graças à generosidade de muitos fiéis do mundo, com projetos e apoio material, permitiram às Igrejas Orientais católicas desenvolverem-se e darem testemunho evangélico”.
 
Trata-se, disse Francisco, de um testemunho duramente provado, entre sofrimentos e perseguições, antes, por regimes totalitários e, depois, por formas de fundamentalismo e fanatismo, com pretexto religioso, e por intermináveis conflitos e migrações forçadas no Médio Oriente:

Tudo isto é expressão do rosto sofredor da Igreja de Cristo, que anuncia o Evangelho, com palavras e obras, tornando presente a caridade divina entre os homens. Neste sentido, o ano da graça do Senhor  tem sempre uma dimensão de libertação interior, do coração do homem oprimido pelo pecado, e exterior, na vida nova dos redimidos”.
 
As Igrejas Orientais católicas, explicou o Papa, são testemunhas vivas das origens apostólicas; elas são chamadas, de modo especial, a manter e difundir a centelha do fogo pentecostal e a redescobrir a sua presença profética, nos lugares por onde peregrinam. Começando por Jerusalém, onde a presença dos cristãos, como pequeno rebanho, obtém a força do Espírito para a sua missão de dar testemunho de Jesus Cristo. E o Papa acrescentou:

Possa, dos Lugares Santos, - onde o desígnio de Deus se realizou com o mistério da Encarnação, Morte e Ressurreição de Cristo – brotar um renovado espírito de fortaleza, para animar os cristãos da Terra Santa e do Médio Oriente  a compreender a sua vocação peculiar e testemunhar a sua fé e esperança”.
 
O Santo Padre concluiu o seu pronunciamento aos membros da ROACO exortando os filhos e filhas das Igrejas Orientais católicas a manter o seu dom profético e de anúncio do Evangelho de Jesus também em contextos, cada vez mais secularizados, do nosso Ocidente, onde chegam incontáveis migrantes e refugiados. Por fim, o Papa disse:

Graças às atividades da ROACO, através dos seus gestos de solidariedade e caridade para ajudar as Igrejas Orientais, o Sucessor de Pedro pode continuar a sua missão de buscar percursos para a unidade visível de todos os cristãos”. Com a sua ajuda, os filhos mais distantes podem ser ouvidos, amados e acompanhados como Igreja do Ressuscitado, no meio dos desafios e sofrimentos espirituais e materiais, no Médio Oriente e na Europa Oriental”.
 
VATIVAN NEWS

21 junho, 2018

Cristãos precisam de novo ímpeto evangelizador, afirma o Papa em Genebra



“Estou convencido de que, se aumentar o impulso missionário, crescerá também a unidade entre nós”, disse o Papa no encontro ecuménico na sede do Conselho Mundial de Igrejas em Genebra. 

Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano 
O segundo compromisso do Papa Francisco em Genebra foi o encontro ecuménico na sede do Conselhénicos, autoridades civis e o séquito papal.

Após os discursos do Secretário-geral do CMI, Rev. Olav Fykse Tveit, e da Moderadora Dra. Agnes Abuom, o Pontífice tomou a palavra num discurso centralizado na vocação missionária de todo cristão. 

Simbologia bíblica do número 70 
Inicialmente, Francisco agradeceu o convite para participar das celebrações dos 70 anos do CMI e falou da simbologia bíblica em torno deste número: setenta anos evoca a duração completa de uma vida, sinal de bênção divina. Mas setenta é também um número que traz à mente duas passagens famosas do Evangelho. Na primeira, o Senhor mandou perdoar não até sete vezes, mas «até setenta vezes sete» (Mt 18, 22).

cq5dam.thumbnail.cropped.750.422O número não pretende indicar um limite quantitativo, explicou o Papa, mas abrir um horizonte qualitativo: não mede a justiça, mas alonga a medida para uma caridade desmesurada, capaz de perdoar sem limites. “É esta caridade que nos permite, depois de séculos de contrastes, estar juntos como irmãos e irmãs reconciliados e agradecidos a Deus nosso Pai.”

Novo ímpeto evangelizador
Setenta lembra também os discípulos que Jesus, durante o ministério público, enviou em missão. O número destes discípulos alude ao número das nações conhecidas, elencadas nos primeiros capítulos da Sagrada Escritura.

“Que sugestão nos deixa isto? Que a missão tem em vista todos os povos, e cada discípulo, para ser tal, deve tornar-se apóstolo, missionário.”

O Papa declarou-se preocupado com a dissociação entre ecumenismo e missão. “O mandato missionário, que é mais do que a diaconia e a promoção do desenvolvimento humano, não pode ser esquecido nem anulado. Em causa está a nossa identidade. O anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra é conatural ao nosso ser de cristãos.”

Para Francisco, necessita-se de um novo ímpeto evangelizador. “Estou convencido que, se aumentar o impulso missionário, crescerá também a unidade entre nós.”

Caminhar - Rezar - Trabalhar juntos
O Pontífice comentou o lema dos 70 anos do CMI: Caminhar - Rezar - Trabalhar juntos.

Caminhar num movimento duplo: de entrada e de saída. De entrada, a fim de nos dirigir constantemente para o centro, que é Jesus. De saída, rumo às múltiplas periferias existenciais de hoje.

Rezar, pois a oração é o oxigênio do ecumenismo. Sem oração, a comunhão asfixia e não avança, porque impedimos que o vento do Espírito a empurre para diante.

Trabalhar juntos, pois a credibilidade do Evangelho é testada pela maneira como os cristãos respondem ao clamor de quantos são vítimas do trágico aumento de uma exclusão que, gerando pobreza, fomenta os conflitos. “Se um serviço é possível, por que não projetá-lo e realizá-lo conjuntamente, começando a experimentar uma fraternidade mais intensa no exercício da caridade concreta?”, questionou o Papa. 

Ecumenismo de sangue 
Francisco mencionou também os cristãos perseguidos. “Estejamos ao seu lado. E lembremo-nos de que o nosso caminho ecuménico é precedido e acompanhado por um ecumenismo já realizado, o ecumenismo do sangue, que nos exorta a avançar.”

O Pontífice concluiu o seu discurso com as seguintes palavras: “Ajudemo-nos a caminhar, rezar e trabalhar juntos, para que, com a ajuda de Deus, progrida a unidade e o mundo acredite”.

Encontro ecuménico em Genebra

 VATICAN NEWS

Papa aponta para o ecumenismo: caminhar, rezar e trabalhar juntos



Definindo-se um “peregrino em busca de unidade e de paz", o Papa Francisco participou da oração ecuménica na sede do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra. 

Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano 

O Papa Francisco deixou o Vaticano na manhã desta quinta-feira (21/06) para uma peregrinação ecuménica em Genebra.

Depois de uma hora e quarenta minutos de voo, o Pontífice chegou à cidade suíça por volta das 10h, onde foi recebido pelo Presidente da Confederação Helvécia, Alain Berset, no aeroporto internacional da cidade para uma breve cerimónia de boas-vindas e um encontro privado.

Na sequência, o Papa transferiu-se de carro até o Centro Ecuménico do Conselho Mundial de Igrejas, pois justamente este é o motivo dessa peregrinação: celebrar os 70 anos desta instituição, criada depois da II Guerra Mundial. 

Mais de 500 milhões de fiéis
O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) é a maior organização mundial do movimento ecuménico, com o mais alto número de membros: são 345 comunidades cristãs de mais de 110 países, com exceção da Igreja Católica, e compreende reformados, luteranos, anglicanos metodistas, batistas, ortodoxos e outras Igrejas. Representa mais de 500 milhões de fiéis em todo o mundo, cuja sede é Genebra.
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No Centro Ecuménico do CMI, realizou-se uma oração comum, com a participação de cerca de 230 pessoas – ocasião em que o Pontífice pronunciou o primeiro discurso do dia. 

Caminhar segundo o Espírito 
Inspirado na leitura extraída da Carta aos Gálatas, Francisco propôs uma reflexão sobre a expressão “Caminhar segundo o Espírito”.

“Caminhar segundo o Espírito é rejeitar o mundanismo. É escolher a lógica do serviço e avançar no perdão. É inserir-se na história com o passo de Deus: não com o passo ribombante da prevaricação, mas com o passo cadenciado por «uma única palavra: Ama o teu próximo como a ti mesmo» (Gal 5, 14).”

No decurso da história, afirmou o Papa, as divisões entre cristãos deram-se porque na raiz, na vida das comunidades, infiltrou-se uma mentalidade mundana: primeiro cultivavam-se os próprios interesses e só depois os de Jesus Cristo. A direção seguida era a da carne, não a do Espírito.

“Mas o movimento ecuménico, para o qual tanto contribuiu o Conselho Ecuménico das Igrejas, surgiu por graça do Espírito Santo”, recordou o Papa. 

Ser do Senhor 
É preciso escolher ser de Jesus antes que de Apolo ou de Cefas, antepor o ser de Cristo ao facto de ser «judeu ou grego», ser do Senhor antes que da direita ou da esquerda, escolher em nome do Evangelho o irmão antes que a si mesmo.

A resposta aos passos vacilantes, prosseguiu o Papa, é sempre a mesma: caminhar segundo o Espírito, purificando o coração do mal, escolhendo com obstinação o caminho do Evangelho e recusando os atalhos do mundo.

“Depois de tantos anos de empenho ecuménico, neste septuagésimo aniversário do Conselho, peçamos ao Espírito que revigore o nosso passo. (…) Que as distâncias não sejam desculpas! É possível, já agora, caminhar segundo o Espírito. Rezar, evangelizar, servir juntos: isto é possível. Caminhar juntos, rezar juntos, trabalhar juntos: eis a nossa estrada-mestra.” 

Unidade 
Esta estrada tem uma meta concreta: a unidade. A estrada oposta, a da divisão, leva a guerras e destruições. “O Senhor pede-nos unidade; o mundo, dilacerado por demasiadas divisões que afetam sobretudo os mais fracos, invoca unidade.”

Francisco concluiu o seu discurso definindo-se como um “peregrino em busca de unidade e de paz”. “Agradeço a Deus porque aqui encontrei irmãos e irmãs já a caminho. Que a Cruz nos sirva de orientação, porque lá, em Jesus, foram abatidos os muros de separação e foi vencida toda a inimizade: lá compreendemos que, apesar de todas as nossas fraquezas, nada poderá jamais separar-nos do seu amor.

Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco


 
VATICAN NEWS

20 junho, 2018

Papa: o mundo tem necessidade de cristãos com coração de filhos

 
Os mandamentos são diálogo, reitera o Papa  (Vatican Media)
 
"Deus impõe-me as coisas ou cuida de mim? Os seus mandamentos são somente uma lei ou contém uma palavra? Deus é patrão ou Pai? Somos súbditos ou filhos? Este combate, dentro e fora de nós, apresenta-se continuamente", disse o Papa Francisco na sua catequese na Audiência Geral desta quarta-feira.
 
Cidade do Vaticano
 
A forma como vemos Deus – patrão ou Pai – fará com que raciocinemos como filhos ou escravos. E o mundo tem necessidade de cristãos com o coração de filhos.

“Dez Palavras” para viver a Aliança”: na Audiência Geral desta quarta-feira – realizada na Praça São Pedro e na Sala Paulo VI - o Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os Mandamentos, explicando a diferença entre uma “ordem” e uma “palavra”, que é o meio essencial da relação como diálogo.

Ao iniciar a sua reflexão, o Santo Padre explicou aos mais de 13 mil presentes na Praça São Pedro,  que Jesus não veio abolir a lei, mas levá-la ao cumprimento, mas “devemos compreender melhor esta perspetiva”.

Veja também: Audiência Geras de 20 de junho de 2018

Na Bíblia, os mandamentos não vivem por si mesmos, mas são “parte de um relacionamento, de uma relação”, a da Aliança entre Deus e seu Povo.

A frase “Deus pronunciou todas estas palavras” no início do capítulo 20 Livro do Êxodo, podem parecer um início como outro qualquer, mas Francisco ressalta que não é dito “estes mandamentos”, mas “estas palavras”.  

A tradição hebraica chamará sempre o Decálogo de "as dez Palavras". Mesmo na forma de leis, são objetivamente mandamentos. Mas porque, então, o Autor sagrado usa precisamente aqui, a expressão "dez palavras" e não "dez mandamentos? 

Ordem x Palavra
E que diferença existe entre uma ordem e uma palavra?, pergunta:
 
“A ordem é uma comunicação que não requer o diálogo. A palavra, pelo contrário, é o meio essencial da relação como diálogo. Deus Pai cria por intermédio da sua palavra, e o seu Filho é a Palavra feita carne. O amor nutre-se de palavras e assim a educação ou a colaboração. Duas pessoas que não se amam, não se conseguem comunicar. Quando alguém fala ao nosso coração, a nossa solidão acaba. Recebe uma palavra, acontece a comunicação. E os mandamentos são palavras de Deus. Deus comunica-se com estas dez Palavras e espera a nossa resposta”.
“ Uma coisa é receber uma ordem, outra bem diferente é perceber que alguém fala connosco, sublinhou. Os mandamentos são um diálogo. ”
O Papa refere-se então ao n. 142 da Evangelii gaudium, justamente onde fala que “um diálogo é muito mais do que a comunicação de uma verdade. Realiza-se pelo prazer de falar e pelo bem concreto que se comunica entre eles que se querem bem por meio das palavras. 

A tentação
Esta diferença não é algo artificial. E voltando-se ao que aconteceu nos primórdios, recorda que exatamente este é o ponto usado pelo Tentador, o diabo, desde o início, para enganar o homem e a mulher, querendo convencê-los de que Deus os proibiu de comer o fruto da árvore do bem e do mal para mantê-los subjugados:

“O desafio é justamente este: a primeira norma que Deus deu ao homem, é a imposição de um déspota que proíbe e obriga, ou é o cuidado de um pai que está a cuidar dos seus pequenos e os protege da autodestruição? É uma palavra ou uma ordem?”

“A mais trágica entre as mentiras que a serpente diz a Eva – recorda o Papa – é a sugestão de uma divindade invejosa e possessiva: “Deus não quer que vós tenhais liberdade”. E “os factos demonstram dramaticamente que a serpente mentiu”.  
“ O Tentador fez acreditar que uma palavra de amor era uma ordem ”
Súbditos ou filhos? 
 “E o homem está diante desta encruzilhada: Deus impõe-me as coisas ou cuida de mim? Os seus mandamentos são somente uma lei ou contém uma palavra, para cuidar de mim? Deus é patrão ou Pai? O que pensam? Somos súbditos ou filhos? (...) Nunca se esqueçam disto. Nunca. Mesmo nas situações mais difíceis, pensem que têm um Pai que nos ama a todos (...). Este combate, dentro e fora de nós, apresenta-se continuamente: mil vezes devemos escolher entre uma mentalidade de escravos e uma mentalidade de filhos. O mandamento é do patrão, a palavra é do Pai”.
 
O Espírito Santo – disse então o Papa – é um Espírito de filho, é o Espírito de Jesus:

“Um espírito de escravos acolhe a Lei de modo opressivo e pode produzir dois resultados opostos: ou uma vida feita de deveres e de obrigações, ou uma reação violenta de rejeição. Todo o cristianismo é a passagem da letra da Lei ao Espírito, que dá a vida. Jesus é a Palavra do Pai, não é a condenação do Pai. Jesus veio salvar-nos com a sua palavra, não condenar-nos”.

E vê-se quando um homem ou uma mulher viveram esta passagem, diz o Papa:
“ Percebe-se se um cristão raciocina como filho ou como escravo ”
"E nós mesmos recordamos se os nossos educadores cuidaram de nós como pais e mães, ou se nos impuseram regras. Os mandamentos são o caminho para a liberdade, pois são as palavras do Pai que nos tornam livres neste caminho”.

“O mundo não tem necessidade de legalismos, mas de cuidado. Tem necessidade de cristãos com o coração de filhos, tem necessidade de cristãos com o coração de filhos. Não se esqueçam disto”. 

Viagem a Genebra
Ao saudar os peregrinos de língua alemã, o Papa disse: “Rezem por mim e pela minha peregrinação ecuménica a Genebra, amanhã”.

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