14 julho, 2019

Angelus: a compaixão é a chave da vida cristã

 
 
Comentando a parábola do Bom Samaritano, o Papa Francisco recordou o elo indissolúvel que existe entre o amor a Deus e o amor concreto e generoso pelos irmãos.
 
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco dedicou a alocução que antecede a oração do Angelus à parábola do Bom Samaritano, proposta pela liturgia deste XV Domingo do Tempo Comum.

Para Francisco, esta parábola tornou-se paradigmática da vida cristã: "Tornou-se o modelo de como um cristão deve agir", convidando os fiéis a lerem o "tesouro" contido no Evangelho de Lucas. 

Quem é o próximo?

Neste episódio, Jesus é interrogado por um doutor da lei sobre o que é necessário para herdar a vida eterna.

Jesus convida-o a encontrar a resposta nas Escrituras: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, e ao teu próximo como a ti mesmo!”. Havia, porém, diferentes interpretações sobre quem seria o “próximo”. Então Jesus responde com esta parábola.

O protagonista é um samaritano, grupo na época desprezado pelos judeus. Portanto, não é casual a escolha de um deles como personagem positivo da parábola. Ao longo de uma estrada, o samaritano encontra um homem roubado e agredido por assaltantes. Antes dele, por aquela estrada, tinham passado um sacerdote e um levita, isto é, pessoas que se dedicavam ao culto de Deus. Mas não pararam. O único que lhe presta socorro é precisamente o samaritano, "quem não tinha fé!".
“ Também nós pensamos em tantas pessoas que conhecemos, talvez agnósticas, que fazem o bem. Jesus escolhe como modelo alguém que não era homem de fé. E este homem, amando o irmão como a si mesmo, demonstra que ama a Deus com todo o coração e com todas as forças - o Deus que não conhecia! - e expressa ao mesmo tempo verdadeira religiosidade e plena humanidade. ”
 Peregrinos na Praça São Pedro

 Lógica invertida

Depois de contar a parábola, Jesus dirige-se novamente ao doutor da lei e diz-lhe: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”. Deste modo, explicou Francisco, Jesus inverte a pergunta do seu interlocutor e também a lógica de todos nós.

“Ele faz-nos entender que não somos nós, com base nos nossos critérios, que definimos quem é o próximo e quem não é, mas é a pessoa em situação de necessidade que deve poder reconhecer quem é o seu próximo, isto é, quem usou de misericórdia para com ele", prosseguiu o Papa, que acrescentou:
“ Sermos capazes de sentir compaixão: esta é a chave. Esta é a nossa chave. Se diante de uma pessoa necessitada, não sentes compaixão, o teu coração não se comove, significa que algo não funciona. Fica atento, estejamos atentos. Não nos deixemos levar pela insensibilidade egoística. A capacidade de compaixão tornou-se a medida do cristão, ou melhor, do ensinamento de Jesus. ”
O Pontífice fez o exemplo dos moradores da rua e de como nos comportamos diante de alguém caído no chão. "Pergunta se o teu coração não endureceu, se não se tornou gelo. (...) A misericórdia diante de uma vida humana na situação de necessidade é a verdadeira face do amor." 
“ Que a Virgem Maria nos ajude a compreender e, sobretudo, a viver sempre mais o elo indissolúvel que existe entre o amor a Deus, nosso Pai, e o amor concreto e generoso pelos nossos irmãos e nos dê a graça de ter e crescer na compaixão. ”
VN

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