23 abril, 2017

Papa: misericórdia aquece o coração e o torna sensível aos irmãos


(RV) 23 de abril de 2017, II domingo da Páscoa, Domingo da Divina Misericórdia. Antes da oração do Regina Coeli, o Papa Francisco dirigindo-se aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça de S. Pedro, falou da ressurreição do Senhor Jesus da qual todos os domingos fazemos memória, reiterando que, neste período pascal, o Domingo tem um significado ainda mais iluminador. E o Papa explicou o sentido deste domingo, que a tradição da Igreja chamava “in albis” para  recordar o rito que realizavam os que tinham recebido o baptismo na Vigília Pascal, que recebiam uma veste branca - "alba" - para indicar a nova dignidade dos filhos de Deus:

“Ainda hoje aos recém-nascidos dá-se uma pequena veste simbólica, enquanto os adultos vestem uma veste real. Aquela veste branca, no passado, era vestida por uma semana, até ao domingo in albis, quando era despida, e os neófitos iniciavam a sua nova vida em Cristo e na Igreja”.

Em seguida, Francisco recordou S. JP II que no Jubileu de 2000 estabeleceu que este domingo seja dedicado à Divina Misericórdia. A poucos meses depois do Jubileu extraordinário da Misericórdia – reiterou Francisco - este domingo convida-nos a retomar com força a graça que vem da misericórdia de Deus. Misericórdia descrita no Evangelho de hoje quando S. João narra a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos reunidos no Cenáculo, dizendo-lhes: "Recebei o Espírito Santo. Para aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados". E o Papa explicou:

“Eis o sentido da misericórdia que se apresenta no dia da ressurreição de Jesus como perdão dos pecados. Jesus ressuscitado transmitiu à sua Igreja, como primeira tarefa, a sua própria missão de levar a todos o anúncio concreto do perdão. Este sinal visível da sua misericórdia traz consigo a paz do coração e a alegria do encontro renovado com o Senhor”.

A misericórdia, portanto, à luz da Páscoa deixa-se perceber antes de tudo como uma verdadeira forma de conhecimento do mistério que vivemos, disse ainda o Santo Padre. Existem várias formas de conhecimento, observou Francisco: pelos sentidos, a intuição, a razão e outras, mas também se pode conhecer através da experiência da misericórdia:

“Ela abre a porta da mente para compreendermos melhor o mistério de Deus e da nossa existência pessoal. Faz perceber que a violência, o ressentimento, a vingança não fazem nenhum sentido, e as primeiras vítimas são aqueles que vivem desses sentimentos, porque se privam da sua dignidade. A misericórdia também abre a porta do coração e permite exprimir a proximidade, especialmente com aqueles que estão sós e marginalizados, porque faz com que se sintam irmãos e filhos do mesmo Pai. Ela facilita o reconhecimento dos que precisam de consolação e faz encontrar  palavras adequadas para dar conforto”.

“Irmãos e irmãs, a misericórdia aquece o coração e o torna sensível às necessidades dos irmãos com a partilha e a participação. A misericórdia, enfim, empenha todos a serem instrumentos de justiça, reconciliação e paz. Nunca nos esqueçamos que a misericórdia é a chave para a vida de fé, e a forma concreta em que damos visibilidade à ressurreição de Jesus”.

E o papa invocou Maria, Mãe de Misericórdia, para que nos ajude a crer e viver tudo isso com alegria.

***

Depois do Regina Coeli, o Papa recordou a beatificação, ontem em Oviedo, Espanha, do sacerdote Luis Antonio Rosa Ormières. Viveu no século XIX, dedicando as suas muitas qualidades humanas e espirituais ao serviço da educação, e para isso fundou a Congregação das Irmãs do Anjo da Guarda. O seu exemplo, disse o Papa, e a sua intercessão ajudem especialmente os que trabalham na escola e na educação.

Em seguida o Papa saudou cordialmente a todos, fiéis de Roma e peregrinos da Itália e dos vários Países do mundo, particularmente a Confraria de S. Sebastião de Kerkrade (na Holanda), o Secretariado católico da Nigéria e a paróquia de Liebfrauen de Bocholt (Alemanha).

Uma saudação particular aos peregrinos polacos, a quem Francisco exprimiu profundo apreço pela iniciativa da Caritas Polónia, em apoio de tantas famílias na Síria. E especial saudação para os devotos da Divina Misericórdia reunidos hoje na igreja de Santo Spirito in Sassia, bem como os participantes do "Corrida para a Paz": uma corrida estafeta que hoje parte da Praça de S. Pedro para chegar a Wittenberg, na Alemanha.

Por último, o Papa agradeceu a todos os que que neste período lhe enviaram mensagens de felicitações para a Páscoa, dizendo que calorosamente as retribui, invocando todos e para cada família a graça do Senhor ressuscitado.

A todos o Papa desejou um bom domingo pedindo, por favor, para que não nos esqueçamos de rezar por ele [Buon pranzo e arrivederci] – Bom almoço e até logo!

(BS)

Papa na Ilha Tiberina recorda os “novos mártires” e o drama dos refugiados




(RV) A comunidade romana de Santo Egídio acolheu o Papa Francisco na tarde de sábado (22/04) na Basílica de S. Bartolomeu, na ilha Tiberina, no centro histórico de Roma.

O Pontífice presidiu à Liturgia da Palavra em memória dos novos mártires “assassinados pelas insanas ideologias do século passado ou só porque discípulos de Jesus”, como disse o Papa em sua homilia.

“A lembrança dessas heróicas testemunhas antigas e recentes nos confirmam a consciência de que a Igreja é Igreja de mártires. Tiveram a graça de confessar Jesus até o fim, até a morte. Eles sofrem, dão a vida, e nós recebemos a bênção de Deus por seu testemunho”, disse o Papa, citando ainda os muitos “mártires escondidos”: homens e mulheres que na vida cotidiana tentam ajudar os irmãos e amar a Deus sem reservas.

O ódio do príncipe do mundo: a origem da perseguição

O Papa falou ainda da causa de toda perseguição, isto é, o “ódio do príncipe deste mundo”. E a origem do ódio é esta: porque fomos salvos por Jesus, ele nos odeia e suscita a perseguição que, desde os tempos de Jesus, continua até o nossos dias.

Em momentos difíceis da história, prosseguiu Francisco, se diz que a pátria necessita de heróis. Já a Igreja necessita de mártires, de testemunhas, dos santos de todos os dias que testemunham Jesus com a coerência de vida e daqueles que O testemunham até a morte. “Todos eles são o sangue vivo Igreja.”

Campos de refugiados: campos de concentração

Deixando o texto de lado, o Papa afirmou que gostaria de acrescentar um ícone nesta Basílica: a de uma mulher que ele não conhece o nome, mas de quem conheceu a história quando visitou a ilha grega de Lesbos.

No campo de acolhimento de refugiados, o Pontífice cumprimentou um homem de cerca 30 anos, muçulmano casado com uma cristã e pai de três filhos, que viu a mulher ser degolada por se recusar a tirar o crucifixo diante dos terroristas. “Nós nos amávamos tanto”, disse sem rancor o muçulmano ao Papa. “Este ícone eu trago hoje como presente”, afirmou Francisco.

“Não sei se aquele homem conseguiu sair daquele campo de concentração”, assim definiu o Papa o local devido à quantidade de pessoas. “Aprecio o empenho de acolhimento de alguns povos generosos, mas parece que os acordos internacionais são mais importantes do que os direitos humanos.”

O amor permite lutar contra a prepotência

“A herança viva dos mártires doa hoje a nós paz e unidade. Eles nos ensinam que, com a força do amor, com a mansidão, se pode lutar contra a prepotência, a violência, a guerra e se pode realizar a paz com paciência. E então podemos assim rezar: Ó Senhor, torne-nos dignas testemunhas do Evangelho e do seu amor; efunde a sua misericórdia sobre a humanidade; renove a sua Igreja, proteja os cristãos perseguidos, conceda em breve a paz ao mundo inteiro.”

Testemunhos

No decorrer da celebração, os participantes ouviram o testemunho de parentes e amigos de três mártires cuja memória está preservada na Basílica: Karl Schneider, pastor da Igreja Reformada assassinado em 1939 no campo de Buchenwald; Roselyne, irmã do padre Jacques Hamel, assassinado ao final da missa em Rouen, na França, em 26 de julho do ano passado num atentado terrorista; e Francisco Hernandez Guevara, amigo de William Quijano, um jovem da comunidade de Santo Egídio de El Salvador, assassinado em setembro de 2009 por seu trabalho em prol da juventude. Já o fundador da comunidade de Santo Egídio, Andrea Riccardi, recordou que neste mesmo dia, quatro anos atrás, foram sequestrados em Aleppo dois bispos, de cujo paradeiro ainda não se tem notícia.

Novos mártires

Depois de sua homilia, o Papa prestou homenagem nas seis capelas laterais da Basílica que mantêm as relíquias dos mártires da Europa, África, América, Ásia. Velas foram acesas para acompanhar cada oração que foi pronunciada em memória das testemunhas da fé do século XX até os nossos dias: foram lembrados os armênios, os cristãos massacrados durante a I Guerra Mundial, mártires da paz e do diálogo como os monges trapistas na Argélia, Pe. Andrea Santoro na Turquia, vítimas da máfia, como Pe. Pino Puglisi. Uma lembrança que uniu nomes mais conhecidos, como o de Dom Oscar Arnulfo Romero, ao de muitos missionários que, no mundo, deram sua vida pelo Evangelho.

Refugiados

Ao final da celebração, Francisco encontrou numa sala adjacente à Basílica um grupo de refugiados que chegou à Itália graças aos corredores humanitários, além de mulheres vítimas do tráfico humano e menores desacompanhados.

Ao cumprimentar os fiéis que o aguardavam do lado de fora da Basílica, o Papa voltou a falar do desafio migratório, recordando que fechar-se corresponde ao suicídio.

“Pensemos na crueldade que se abate sobre tantas pessoas, em tantas pessoas que chegam em embarcações e são acolhidos por países generosos, como Itália e Grécia, mas depois os tratados não deixam... Se na Itália dois migrantes fossem acolhidos por município, teria lugar para todos. Que a generosidade de Lampedusa, Sicília, Lesbos, possam contagiar a todos. Somos uma civilização que não faz filhos e mesmo assim fechamos as portas aos migrantes: isso se chama suicídio.”

20 abril, 2017

Papa no Consistório: Pastorinhos de Fátima santos a 13 de maio




(RV) Jacinta e Francisco Marto, os dois Pastorinhos que presenciaram as aparições de Nossa Senhora, serão canonizados pelo Papa Francisco em Fátima, no próximo dia 13 de maio. A canonização terá, portanto, lugar durante a Viagem Apostólica do Papa a fátima, no Centenário das Aparições da Virgem Maria.

A confirmação deu-se na manhã desta quinta-feira (20/04) durante o Consistório Ordinário Público, presidido pelo Santo Padre no Vaticano. Serão as primeiras crianças não-mártires a serem proclamadas Santas. Na mesma data, há 17 anos, os dois irmãos eram beatificados por João Paulo II.

Jacinta e Francisco Marto, os dois irmãos de apenas nove e dez anos, juntamente com a prima Lúcia dos Santos, tiveram visões de Nossa Senhora. A primeira vez aos 13 de maio de 1917, seguindo-se em todos os dias 13 de cada mês, até chegar ao mês de outubro. Nos "encontros celestiais" Maria deixou mensagens sobre acontecimentos futuros e recomendações aos pequenos, entre estas, a de rezar o Rosário diariamente.

A fama de santidade dos dois Pastorinhos logo após as suas mortes já havia se difundido por todo o mundo. Francisco morreu em 4 de abril de 1919, de febre espanhola. Jacinta, dez meses mais tarde, em 20 de fevereiro de 1920.

Jacinta, após muitos sofrimentos oferecidos pela conversão dos pecadores, morreu sozinha num hospital de Lisboa, sendo sepultada em Vila Nova de Ourém, o município ao qual pertence o Santuário de Fátima.

De Francisco - chamado de "o consolador" pelo seu desejo de consolar com a oração Nossa Senhora - perdeu-se o local preciso de sua sepultura. Somente anos mais tarde seus restos mortais foram reconhecidos pelo pai, por um detalhe muito particular, o terço que ele tinha nas mãos.

Em setembro de 1935, o corpo incorrupto de Jacinta foi traslado de Vila Nova de Ourém a Fátima. O corpo foi fotografado e o Bispo de Leiria-Fátima, José Alvez Correia da Silva, enviou uma cópia à Lúcia, que se tinha tornado Irmã Doroteia. Na ocasião, o prelado pediu a Lúcia que escrevesse tudo o que sabia sobre a vida de Jacinta. Nascia assim a Primeira memória, que ficou pronta no Natal de 1935.

Sucessivamente o bispo pediu que Lúcia escrevesse também suas recordações a respeito de Francisco e os factos ocorridos em Fátima.

Não fossem estes relatos deixados sobre a breve vida dos dois irmãos, talvez ninguém poderia ter pensado em abrir uma Causa de canonização, mesmo porque naquele tempo ainda não havia sido decretado o reconhecimento de "exercício das virtudes em grau heróico" também para os pequenos.

O pedido para investigar a santidade dos dois foi iniciado pela Diocese de Leiria somente em 1952 e concluído em 1989, com o decreto sobre a prática das virtudes, em consideração à idade das crianças.

O obstáculo, era ainda uma questão de fundo debatida no decorrer do século XX, em relação à possibilidade ou não de levar em consideração duas crianças como candidatos à canonização. Questão que foi resolvida em 1981 por meio de um documento emitido com este propósito pela Congregação da Causa dos Santos.

O milagre atribuído à intercessão das duas crianças, e que levou à beatificação, foi reconhecido em 1999. Já o que abriu o caminho para a canonização, foi reconhecido em 23 de março passado, e diz respeito a uma criança brasileira, que na época tinha seis anos.

Esta criança estava na casa do avô, brincando com a irmãzinha, quando caiu por acidente de uma janela de cerca sete metros de altura, sofrendo um grave traumatismo crânio-encefálico, com a perda de material cerebral.

Levada ao hospital em coma, foi operada. Caso sobrevivesse, viveria em estado vegetativo ou, no máximo, com graves deficiências cognitivas. Milagrosamente, após três dias, a criança recebeu alta, não sendo constatado nenhum dano neurológico ou cognitivo.

Em 2 de fevereiro de 2007, uma equipe médica deu parecer positivo unânime sobre o caso, como "cura inexplicável do ponto de vista científico".

No momento do incidente, o pai da criança havia invocado Nossa Senhora de Fátima e os dois pequenos beatos. Na mesma noite, os familiares e uma comunidade de Irmãs de clausura haviam rezado com insistência, pedindo a intercessão dos Pastorinhos de Fátima.
 (BS/JE)

XL Assembleia Nacional do RCC


“Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito Santo para utilidade de todos” (1Cor 12,7)
 XL ASSEMBLEIA NACIONAL
DO RENOVAMENTO CARISMÁTICO CATÓLICO
Centro Pastoral Paulo VI – Fátima                2 e 3 de Setembro 2017

PROGRAMA
                                       ASSEMBLEIA NACIONAL – CINQUENTENÁRIO DO RCC


SEXTA-FEIRA (1 de setembro) 

21,15 h - Salão do “Bom Pastor” - Encontro com as Equipas Diocesanas de Serviço do RCC, equipas de serviço à Assembleia, responsáveis e membros de Comunidades Carismáticas, alargado aos irmãos que queiram estar presentes, limitado à lotação da sala. “Nova Evangelização” – Ralph Martin 

SÁBADO (2 de setembro)

09,15 h – Acolhimento/Animação/ Hino (oficial do Cinquentenário, se houver)
10,00 h – Introdução: Coordenador Nacional/Assistente Nacional
10,30 h – Apresentação das Dioceses/ Comunidades
11,15 h – “O RCC no panorama da Pastoral do Laicado e Família” pelo Presidente da CELF – Comissão Episcopal do Laicado e Família-
12,30 h – Louvor – A Igreja e as diversas comunidades: Equipa Nacional, Canção Nova, Cristo de Betânia, Comunidade Emanuel
13,00 h – Almoço
15,00 h – Animação
15,30 h – “A primeira experiência de Efusão – Um Novo Pentecostes na Igreja” por Ralph  Martin
16,30 h – Intervalo
17,00 h
“A CEP e o RCC: o que vêm e esperam os bispos portugueses” pelo Senhor Patriarca, D. Manuel Clemente
18,30 h – Eucaristia (votiva do Espírito Santo) - Senhor Patriarca, D. Manuel Clemente
19,45 h – Jantar
21,15 h – Animação
21,30 h – Oração Mariana
22,00 h – “Novo Pentecostes – O arrependimento e a oração, caminhos de Santidade para uma missão frutuosa na Igreja”, por Ralph Martin
22,45 h – Oração de cura e libertação

DOMINGO (3 de setembro)
 

09,00 h – Animação
09,15 h – Laudes (P. Magalhães)
09,45 h – “RCC - que lugar na vida da Igreja de hoje? “pelo Senhor Cardeal Stanislaw Rilko
11,00 h – Eucaristia de encerramento


                              Este programa pode ser alterado por motivos imprevistos

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Ralph Martin 

Ralph Martin é presidente dos Ministérios do Renovamento, uma organização dedicada ao renovamento Católico e evangelização. Ralph é responsável também por um programa semanal de rádio e televisão “The choices we face” ou seja “As escolhas que enfrentamos”, um programa que é amplamente visto e escutado, distribuído em todo mundo. 

Ralph é doutorado em teologia pela Universidade Pontifícia de S. Tomás (Angelicum) em Roma e é professor e diretor dos Programas de Teologia de Pós-graduação em Nova Evangelização no Seminário Maior do Sagrado Coração na Arquidiocese de Detroit. Foi nomeado pelo Papa Bento XVI como Consultor no Conselho Pontifício para a Nova Evangelização e foi também indicado como “perito” para o Sínodo sobre a Nova Evangelização em Outubro de 2012. 

Ralph é autor de numerosos livros, os mais recentes dos quais são: Urgency of the New Evangelization: Answering the Call;  The Fulfillment of All Desire: A Guidebook for the Journey to God Based on the Wisdom of the Saints; e Will Many Be Saved? What Vatican II Actually Teaches and Its Implications for the New Evangelization. 

Ele e a sua esposa Anne têm seis filhos e dezasseis netos e residem em Ann Arbor, Michigan.

Fonte: ESD RCC Lisboa

Santa Sé: defender direitos, liberdades e dignidade dos migrantes




(RV) O Acordo Global sobre as Migrações dará à comunidade internacional a oportunidade para respeitar os compromissos assumidos com a adopção da Agenda 2030, o programa para o desenvolvimento sustentável, assinado em 2015 pelos governos dos 193 Países membros da ONU – sublinhou Dom Bernardito Auza, Núncio apostólico e Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, na sua intervenção, esta terça

A Agenda 2030 é um sinal de esperança

Dom Auza recordou que o Papa Francisco descreveu a adopção desta Agenda "um importante sinal de esperança". A Santa Sé – explicou o prelado - acredita que esta esperança se transformará em realidade somente se a Agenda for realmente, e de forma justa e eficaz,  implementada para todos, incluindo os migrantes.

É urgente responder às necessidades fundamentais de todos

Dom Auza também lembrou que o Santo Padre exortou todos os líderes do governo a adoptar medidas imediatas, eficazes  e concretas para parar, tão rapidamente quanto possível, ao fenómeno da exclusão social e económica. A impossibilidade de acesso a uma educação de qualidade, a falta de oportunidades de emprego e a ausência de cuidados de saúde adequados estão entre as causas que levam as pessoas a emigrar.

A instabilidade global determina graves consequências negativas

Estas exigências sem respostas - disse Dom Auza - estão na base de uma instabilidade global. E são múltiplas as repercussões negativas provocadas por esta instabilidade. Entre elas, estão o tráfico de seres humanos, a exploração sexual, formas de escravidão relacionadas com o trabalho, a prostituição, o comércio de droga, de armas e o terrorismo. Por isso - disse ainda o Núncio – o primeiro e principal empenho deve ser o de responder às exigências fundamentais de todos os povos.

Sempre mais preocupante o drama dos menores não acompanhados

Outra área de grande preocupação refere-se às crianças migrantes não acompanhadas. Antes ainda de atingir metas importantes como a reunificação familiar, deve-se olhar para a origem deste problema. A comunidade internacional - disse Dom Auza - se comprometa a fazer cessar os conflito e a violência. É esta violência - observou o Prelado – a chaga que leva as pessoas a fazer emigrar os seus filhos na esperança de que eles possam encontrar as condições para uma vida melhor.

Para governar o fenómeno da migração é necessária uma abordagem global

A governação, no que diz respeito à migração, não pode ser relegada a um ministério ou a um único departamento. É necessário – sublinhou Dom Auza numa segunda intervenção sobre o mesmo assunto - uma abordagem de governo global, que reflicta a natureza integral da pessoa humana. É, portanto, indispensável uma resposta comum às migrações, que tenha em conta a complexidade deste fenómeno. É também urgente um esforço coordenado que inclua, para além das actividades de governo, também a comunidade política, a sociedade civil, as organizações internacionais e as instituições religiosas.

Ninguém se pode excluir da obrigação de defender os direitos dos migrantes

Dom Auza finalmente recordou as palavras dirigidas pelo Papa Francisco, no passado dia  21 de fevereiro, aos participantes no Fórum "Migração e Paz". Por aquela ocasião, o Pontífice tinha centrado na situação de milhões de trabalhadores e trabalhadoras migrantes, entre os quais também refugiados, requerentes de asilo e vítimas de tráfico. "A defesa dos seus direitos inalienáveis, a garantias das liberdades fundamentais e o respeito pela sua dignidade – tinha dito Francisco - são tarefas das quais ninguém se pode excluir". (BS)

19 abril, 2017

Papa na Audiencia geral: Cristo Ressuscitou dos mortos - aqui nasce a fé cristã




(RV) Como habitualmente às quartas-feiras, também hoje o Papa Francisco teve a sua catequese geral na Praça de São Pedro. E como era de esperar falou de Cristo Ressuscitado tal como é apresentada na primeira Carta de São Paulo aos Coríntios. O cristianismo – disse Francisco – nasce com a Ressurreição de Cristo e “não é uma ideologia, não é um sistema filosófico, mas sim um caminho de fé que parte de uma acontecimento, testemunhado pelos primeiros discípulos de Jesus”.

Se Cristo não tivesse ressuscitado teríamos nele um exemplo de dedicação suprema, mas isto não poderia gerar a nossa fé. A fé nasce da Ressurreição – insistiu o Papa. Aceitar que Cristo morreu e que morreu na cruz, não é um acto de fé, é um acto histórico, mas acreditar que ressuscitou, sim. “A nossa nasce na manhã de Páscoa”.

Seguindo a Carta de Paolo aos Coríntios, o Papa faz notar que ele era um perseguidor da Igreja, um homem firme nas suas convicções, satisfeito da vida, com clara consciências dos seus deveres. Mas nesse quadro perfeito da vida, um dia acontece-lhe algo de imprevisível: a caminho de Damasco, encontra Jesus e cai do cavalo, mas não se tratou duma simples queda. Ele é apanhado por um acontecimento que muda o sentido da sua vida. E de perseguidor torna-se apóstolo. Porquê?

Porque vi Jesus vivo! Eu vi Jesus Cristo ressuscitado! Este é o fundamente da fé de Paulo, assim como da fé dos apóstolos, como a fé da Igreja, como a nossa fé”.

O Papa chamou a atenção para a beleza de o cristianismo ser essencialmente isto: não tanto a nossa procura de Deus que na realidade é titubeante, mas sim Deus que nos procura e não nos abandona. O cristianismo – disse  - é graça, é surpresa e por isso requer um coração capaz de se maravilhar…

um coração cerrado, um coração racionalístico é incapaz de se maravilhar, e não compreender o que é o cristianismo. Porque o cristianismo é graça, e a graça só é perceptível, só se encontra na maravilha do encontro

Então – continuou o Papa – se somos pecadores, todos o somos, se nos sentimos falhados, tal como aqueles que foram ao sepulcro de Jesus e viram a pedra rolada – podemos ira a nosso sepulcro interior e ver como Deus é capaz de ressuscitar também ali. E então lá onde todos pensavam que só havia tristeza, trevas, insucessos, dá-se a felicidade, a alegria, a vida. “Deus faz crescer as suas flores mais bonitas no meio de pedras áridas”.

E o Papa concluiu recordando que “ser cristãos significa não partir da morte, mas do amor de Deus para connosco” E convidou, a trazermos no coração, nestes dias de Páscoa, do grito de São Paulo “Ó morte onde está a tua vitória? Onde está ó morte o teu aguilhão”. Assim poderemos responder a quem se interroga sobre o nosso sorriso, que “Jesus ainda está aqui e continua a estar vivo no meio de nós, que Jesus está aqui na praça connosco: vivo e ressuscitado” .
**
Depois da sua catequese em italiano, as palavras do Papa foram resumidas em francês, inglês, espanhol, alemão, polaco, e português, seguidas de uma saudação nessas línguas para diversos grupos de peregrinos presentes na Praça. Eis a saudação do Papa em língua portuguesa…

De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os grupos vindos de Portugal e do Brasil. Queridos amigos, deixai-vos iluminar e transformar pela força da Ressurreição de Cristo, para que as vossas existências se convertam num testemunho da vida que é mais forte do que o pecado e a morte. Feliz Páscoa para todos!"

(DA)

19/04/2017 12:37

17 abril, 2017

RESSUSCITOU! ALELUIA!

RESSUSCITOU! ALELUIA!

E agora?

Agora vais viver uns dias cheio de fé exaltante, fazendo promessas e mais promessas de emendares isto e aquilo, de celebrares mais e “rotinares” menos, de te entregares todo inteiro, sem medo nem vergonhas.
Que bom vai ser!

E depois, depois, ao longo dos dias vais perdendo o ânimo, a vontade, vais “descobrindo” razões para quebrares algumas promessas, vais-te deixando envolver na rotina, vais deixando de fora da tua entrega algumas coisas da tua vida, (que são só “tuas” convenceste-te tu), vais deixando que algum medo, alguma vergonha te vá manietando em certos momentos, enfim, vais voltar ao habitual, que longe de ser mau, não é no entanto o que a Ressurreição espera de ti!

E, no entanto, Ele não “queimou etapas”!
Passou pela prisão, pelo abandono dos seus, por um julgamento iniquo, por uma humilhação feroz, por um sofrimento atroz, por uma crucificação excruciante, para culminar na exaltante Ressurreição, para te dar a Vida Nova, para te dar a Vida d’Ele, a ti!

Claro que Ele não espera que sejas a partir de agora um “santo perfeito”, um homem sem mácula, sem fraquezas, sem medos, nem vergonhas, mas espera, com certeza, que esta Páscoa te leve a um caminho mais seguro do que as anteriores, (que também foram preparando esta), espera que conhecendo-te tu agora melhor, estejas atento, vigilante, (como Ele gosta de dizer), para não te deixares cair com facilidade nos erros do passado.

Espera que não arranjes desculpas para não rezares, mais e melhor, (não são as palavras, mas o espírito da oração), porque Ele sabe que quando rezas, estás em comunhão com Ele e com os outros e assim a Sua Ressurreição torna-se Vida Nova em ti.

Ouviste, Joaquim, leste Joaquim, compreendeste Joaquim?

Então entrega-te, sem medo, e a Ressurreição será vida eterna em ti e nos outros, pela graça do Deus de misericórdia que se entregou por ti e por todos.

E não te esqueças: Sempre, sempre para a maior glória de Deus!


Marinha Grande, 17 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves