20 setembro, 2016

Papa: cristãos sejam unidos na compaixão pelos que sofrem


(RV) Durante a oração ecuménica na Basílica Inferior de S. Francisco, em Assis, o Papa Francisco, partindo das palavras de Jesus na cruz (‘tenho sede’) falou da sede como necessidade do ser humano, e também a sua extrema miséria. Assim contemplamos – disse - o mistério do Deus Altíssimo, que Se tornou, por misericórdia, miserável entre os homens.

O Senhor tem certamente sede de água, elemento essencial para a vida, continuou o Papa, mas sobretudo tem sede de amor, elemento não menos essencial, tem sede de nos dar o seu amor, e de receber o nosso amor.

Também S. Francisco de Assis, por amor do Senhor que sofre, não se envergonhava de chorar e gritar “o Amor não é amado” e única resposta de Madre Teresa de Calcutá às palavras de Jesus na cruz foi o serviço aos mais pobres dos pobres, reiterou Francisco. O Senhor é saciado pelo nosso amor compassivo; é consolado quando, em nome d’Ele, nos inclinamos sobre as misérias alheias. E no Juízo, chamará «benditos» aqueles que deram de beber a quem tinha sede, aqueles que ofereceram amor concreto a quem estava necessitado: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes»”.

E o Santo Padre indicou nos dramas de hoje o significado da sede do Senhor na cruz. Naquelas palavras, disse, podemos ouvir a voz dos que sofrem, o grito escondido dos pequenos inocentes a quem é negada a luz deste mundo, a súplica instante dos pobres e dos mais necessitados de paz, tendo ressaltado:

“Imploram paz as vítimas das guerras que poluem os povos de ódio e a terra de armas; imploram paz os nossos irmãos e irmãs que vivem sob a ameaça dos bombardeamentos ou são forçados a deixar a casa e emigrar para o desconhecido, despojados de tudo. Todos eles são irmãos e irmãs do Crucificado, pequeninos do seu Reino, membros feridos e sedentos da sua carne. Têm sede”.

Infelizmente, observou ainda o Papa, com frequência lhes é dado, como a Jesus, o vinagre amargo da rejeição. Deparam-se muitas vezes com o silêncio ensurdecedor da indiferença, o egoísmo de quem se sente incomodado, a frieza de quem apaga o seu grito de ajuda com mesma facilidade com que muda de canal na televisão.

À vista de Cristo crucificado, concluiu o Papa nós, cristãos, somos chamados a contemplar o mistério do Amor não amado e a derramar misericórdia sobre o mundo, a sermos «árvores de vida», que absorvem a indiferença e restituem ao mundo o oxigénio do amor, manifestando compaixão por todos os sedentos de hoje.

Como a Maria ao pé da cruz, que o Senhor nos conceda de estar unidos a Ele e próximos de quem sofre, nos guarde a todos no amor e nos congregue na unidade, para nos tornarmos o que Ele deseja: «um só» - disse Francisco a terminar.

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