20 outubro, 2015

Sinodo. “Escutar famílias feridas”




(RV) O Sínodo dos Bispos sobre a Família prosseguiu na manhã desta segunda-feira (19/10) com mais uma sessão de Círculos Menores. Os treze grupos linguísticos estão agora a trabalhar sobre a terceira parte do Instrumentum laboris, dedicada ao tema “A missão da família hoje”. Os relatórios dos Círculos serão apresentados na tarde desta terça-feira (20/10).

Entretanto, intervieram na conferência de imprensa do início da semana, ao lado do Pe. Federico Lombardi, o Patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, Dom Mark Benedict Coleridge, arcebispo de Brisbane (Austrália) e Dom Enrico Solmi, bispo de Parma (Itália).

Para Dom Twal, “os padres sinodais provêm de contextos diferentes; os desafios são diferentes e é normal que não estejam de acordo com tudo, mas afirmou também que existe um ponto comum, isto é, que “Todos queremos o bem das famílias: nestas duas semanas de trabalhos sinodais, não houve nenhum aspecto da família que não tenha sido abordado, sempre em busca do melhor para as nossas famílias, entendidas como a família humana, a família religiosa e a família como Igreja total”, disse.

Em relação à questão dos divorciados recasados e do seu acesso ao sacramento da Eucaristia, o Patriarca afirma que “os aspectos sobre este ponto são muitos e ninguém está indiferente a esta situação. Este, porém, é um campo delicado e não se deve generalizar: melhor estudar caso por caso, usando misericórdia, mas sem esquecer a doutrina.

É necessário um diálogo genuíno com os casais irregulares, pois a sua história deve ser ouvida. Dom Coleridge disse que “sem pretender fazer previsões em âmbito doutrinal, pode-se dizer que existem bases para mudanças no ensinamento da Igreja. Em nenhum Círculo foi explicitamente pedido que os recasados sejam readmitidos à comunhão; em alguns foi solicitado um gesto de misericórdia do Papa durante o Jubileu”.

Dom Solmi, bispo de Parma, afirmou que “sentiu o clima de universalidade da Igreja”: “Vir a Roma, encontrar o mundo, ter uma visão menos ocidental e menos fechada do matrimónio e da família, porque na Sala do Sínodo chegam todas as famílias do mundo com as suas especificidades, suas temáticas, seus problemas e às vezes também o conjunto de valores e atenções quase sempre esquecidos no nosso mundo ocidental”.

Relativamente aos caminhos penitenciais propostos para os divorciados recasados, o bispo afirmou que era importante que a Igreja acompanhe as pessoas com dificuldades principalmente com o discernimento e com a consciência de que o perdão de Deus vai além da mediação da própria Igreja. Dom Solmi terminou a sua intervenção exprimindo votos de que o Sínodo seja realmente influente: “Penso e espero que o Sínodo não seja um ‘cosmético’, mas que incida na vida da Igreja, colocando a família no lugar que lhe compete na Igreja. Espero que isso possa se tornar um sinal forte”, concluiu.

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