30 setembro, 2015

Audiência: construir pontes e não muros

(RV) Quarta-feira, dia 30 de setembro: audiência geral do Papa Francisco na Praça de S. Pedro, a primeira após a sua Viagem Apostólica a Cuba e aos EUA.

O Papa Francisco agradeceu o acolhimento que lhe prestaram os presidentes Raul Castro e Barack Obama nos seus países e agradeceu também ao Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon.

Na sua catequese, o Santo Padre referiu-se a ambos os destinos que o levaram ao continente americano, começando por dizer que foi a Cuba como “Missionário da Misericórdia”:

“Missionário da Misericórdia: foi assim que me apresentei em Cuba, uma terra rica de beleza natural, de cultura e de fé. A misericórdia de Deus é maior do que qualquer ferida, qualquer conflito, qualquer ideologia; e com este olhar de misericórdia pude abraçar todo o povo cubano, na pátria e fora, para além de qualquer divisão.”

“Com o povo cubano, partilhei a esperança de ver plenamente realizada a profecia de S. João Paulo II: que Cuba se abra ao mundo e o mundo se abra a Cuba” – frisou o Papa – que recordou que o caminho é seguir é o da abertura, recusando a exploração da pobreza e dando dignidade com liberdade. Referiu ainda a sua visita ao Santuário da Virgem da Caridade do Cobre em Cuba.

“De Cuba para os Estados Unidos foi uma mudança emblemática” – disse o Papa – porque “Deus sempre quer construir pontes; somos nós que construímos muros!”

Sobre a sua visita aos EUA o Papa Francisco recordou as três etapas cumpridas: Washington, Nova Iorque e Filadélfia. Sobre a primeira etapa na capital o Santo Padre ressaltou os encontros com as autoridades, com os bispos e sacerdotes, mas também com os pobres e marginalizados. Em particular, o Santo Padre recordou a canonização do sacerdote franciscano Junípero Serra, evangelizador da Califórnia.

Entretanto, sobre a sua etapa em Nova Iorque o Papa evidenciou a visita à ONU, o encontro junto ao Memorial Ground Zero e a Missa no Madison Square Garden.

O Papa Francisco sublinhou que tanto em Washington como em Nova Iorque teve oportunidade de encontrar algumas realidades caritativas e educativas, “emblemáticas do enorme serviço que as comunidades oferecem neste campo”.

Finalmente, o Papa Francisco salientou a sua viagem a Filadélfia para o VIII Encontro Mundial das Famílias onde “o horizonte se alargou a todo o mundo”:

“A família é a resposta porque é a célula de uma sociedade que equilibra a dimensão pessoal e aquela comunitária e que, ao mesmo tempo, pode ser o modelo de uma gestão sustentável dos bens e dos recursos da criação. A família é o sujeito protagonista de uma ecologia integral.”

No final da sua catequese o Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! De coração vos saúdo a todos, em particular os fiéis brasileiros vindos de São Paulo, Rio de Janeiro, Itú e Campo Grande, lembrando-vos que a reposta ao grave desafio da divisão e massificação no mundo atual é a família. Sobre vós e as vossas famílias, desça a bênção de Deus!”

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção!

(RS)

29 setembro, 2015

Festa RV. Parolin: sede instrumento da Igreja “em saída”




(RV) “A festa dos Arcanjos é a festa da Rádio Vaticano.” O Secretário de Estado, Card. Pietro Parolin, presidiu na capela da Anunciação, na sede da emissora, à Missa por ocasião da festa de São Gabriel, padroeiro da Rádio do Papa.

Na sua homilia, o Cardeal recorda que os Arcanjos são os portadores da mensagens celestes mais importantes. A eles, é confiada a missão de comunicar fielmente e de abrir o caminho ao Senhor.

“Não há dia mais apto do que este para celebrar a festa da Rádio Vaticano. A sua missão se une àquela dos anjos e a eles pede assistência e protecção. A Rádio Vaticano recebeu o mandato de comunicar as palavras, os gestos, a acção e a proposta do Santo Padre, fazendo ressoar a voz e aprofundando a sua mensagem. Uma voz e uma mensagem que brotam do Evangelho e ao Evangelho pretendem conduzir. Uma mensagem de paz, vida, solidariedade e perdão que se difunde através deste trabalho a todo o mundo”, destacou o Secretário de Estado.

O Cardeal Parolin ressaltou também a tarefa da emissora de informar com objectividade os principais factos da actividade eclesial e civil, oferecendo aos ouvintes um serviço de “notável utilidade”, já que é inestimável o valor de uma informação correcta, que não esteja ao serviço de interesses e poderes que, para alcançar os seus objectivos, distorcem a informação.

Servir Cristo – disse ainda o Cardeal – oferece a vantagem de ser servos da Verdade. “A finalidade da Rádio Vaticano é fazer ressoar clara e forte a mensagem evangélica e de ser exemplo de boa informação. E assim a emissora se distinguiu desde o seu nascimento em 1931.”

O Secretário de Estado recordou ainda toda a produção da Rádio Vaticano, seja através das ondas da rádio, mas também na internet, em mais de 40 idiomas. “Um trabalho de equipe, de alto profissionalismo e ponto de referência para uma informação crível.”

E enalteceu o espírito de sacrifício dos seus funcionários, demonstrado por exemplo durante a viagem do Papa a Cuba e aos Estados Unidos, trabalhando inclusive nas horas nocturnas para divulgar a mensagem do Santo Padre. O mesmo afinco será demonstrado durante os próximos eventos, para a cobertura do Sínodo e do Jubileu Extraordinário.

Por fim, o Cardeal Parolin citou a recém-instituída Secretaria para a Comunicação, chamada em nome do Papa a renovar, com novos meios, as comunicações da Santa Sé.

“Que os Santos Arcanjos protejam toda a Rádio Vaticano, para que seja capaz de renovar-se, permanecendo fiel a si mesma, e se torne instrumento sempre mais eficaz ao serviço do Papa e daquela Igreja em saída, que é seu pedido a todos nós.”

Nesta terça-feira, o Cardeal Pietro Parolin nomeou como novo Director dos Programas da Rádio Vaticano o Padre polaco Andrzej Majewski, S.I. O sacerdote jesuíta sucede o Padre Andrzej Koprowski, também ele polaco e jesuíta, que trabalhou durante 10 anos na emissora.

(BS)

Papa no avião de regresso dos EUA: muros não são solução




(RV) No tradicional encontro com os jornalistas no avião de regresso das viagens apostólicas, o Papa Francisco disse que não é uma “estrela” mas que o Pontífice é o “Servo dos servos de Deus”. Foram vários os temas abordados que a seguir elencamos:

Refugiados na Europa

Falando sobre os refugiados na Europa e os muros que tornam a ser erguidos em fronteiras europeias o Papa afirmou que “todos os muros caiem”. Declarando que “os muros não são solução” o Santo Padre apontou o “diálogo” como o caminho que tem que ser percorrido para encontrar soluções para a “onda migratória”.

“Divórcio católico”

Sobre o seu recente Motu Proprio que facilitou o processo de nulidade matrimonial, o Papa reiterou que o “divórcio católico” não existe. “Ou não foi matrimônio – e esta é a nulidade, não existiu – e se existiu é indissolúvel. Isto é claro”.

China

Ao recordar que já se tinha manifestado sobre seu desejo de ver estabelecidas relações diplomáticas entre Santa Sé e China, o Papa disse que “existem contatos e diálogo”. “Para mim, ter um país amigo como a China, que tem tanta cultura e tanta possibilidade de fazer bem, seria uma alegria”.

Colômbia

Sobre o acordo de paz na Colômbia, o Papa disse sentir-se parte não por ter tido uma atuação direta mas sim porque “sempre desejou isso”. “Falei duas vezes com o presidente Juan Manuel Santos sobre o problema, e a Santa Sé – não somente eu –está aberta a ajudar como puder”.

Objeção de consciência

No contexto de uma resposta sobre “funcionários do governo” que se rejeitam realizar o trabalho segundo a lei, o Papa disse que a objeção de consciência é um direito humano. “Se a uma pessoa não é permitido exercer a objeção de consciência, essa é a negação de um direito”.

“Sucesso” da viagem

Ao ser questionado se se “sentia mais forte” após o sucesso da viagem, o Papa Francisco afirmou que deve continuar no caminho do serviço porque sente que ainda não fez tudo o que deve fazer. “Este é o sentido que eu tenho de poder”, respondeu. “Não sei se tive sucesso ou não. Mas tenho medo de mim mesmo, porque se eu tenho medo de mim mesmo, sinto-me sempre frágil, no sentido de não ter poder, o poder é também uma coisa passageira: hoje existe, amanhã não... Jesus definiu o poder: o verdadeiro poder é servir”.

“Mulheres” sacerdotisas

Questionado sobre se, um dia, a Igreja católica terá mulheres sacerdotisas, o Papa afirmou que “isso não se pode fazer”. Contudo, admitiu: “Estamos um pouco atrasados no desenvolvimento de uma teologia da mulher. Devemos seguir adiante com essa teologia. Isso sim, é verdadeiro”.

(RS/RB)

Papa aos jovens: Cracóvia nos espera!


 

(RV) A alegria de Deus é perdoar: é o que escreve o Papa Francisco aos jovens, na mensagem para a 31ª Jornada Mundial da Juventude de Cracóvia 2016.

“Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7) é tema da Mensagem. Cracóvia acolherá uma Jornada especial – um “Jubileu dos jovens”, como definiu Francisco. Será a primeira a ser celebrada, a nível mundial, depois da canonização de João Paulo II, idealizador das JMJ e, sobretudo, se inserirá no Ano da Misericórdia convocado pelo Papa.

Francisco exorta os jovens a compreenderem que o amor de Deus pelo seu povo é como o de uma mãe ou de um pai por seu filho: um amor capaz de “criar dentro de mim espaço para o outro, sentir, sofrer e alegrar-me com o próximo”, um amor “fiel, que perdoa sempre”. Por isso, destaca o Pontífice, “na misericórdia está sempre incluído o perdão”, porque não se trata “de uma ideia abstracta, mas de uma realidade concreta”. Em Jesus, “tudo fala de misericórdia”, ou melhor “Ele próprio é misericórdia”, e a “síntese de todo o Evangelho” está nisto: “a alegria de Deus é perdoar”.

No texto, o Papa recorda a sua experiência juvenil quando, aos 17 anos, o encontro com um sacerdote, durante a Confissão, mudou a sua vida. Eis então o convite aos jovens para se aproximarem deste Sacramento, porque “quando abrimos o coração com humildade e transparência, podemos contemplar de forma muito concreta a misericórdia de Deus”. O confessionário é “o lugar da misericórdia”, destaca Francisco, porque “o Senhor nos perdoa sempre” e nos olha com um olhar de amor infinito, para além de todos os nossos pecados, limitações e fracassos.

Mas a misericórdia – adverte o Pontífice – não só se recebe, mas se coloca em prática. Ou melhor, “só seremos realmente felizes se entrarmos na lógica divina do dom, do amor gratuito, sem medida”. Recordando que “a misericórdia não é bonomia nem mero sentimentalismo”, o Papa faz uma proposta aos jovens: escolher, entre janeiro e julho de 2016 – mês da Jornada – uma obra de misericórdia corporal e uma espiritual para colocar em prática em cada mês. A mensagem da Divina Misericórdia, recorda Francisco, é “um programa de vida muito concreto e exigente”, que implica obras, entre as quais perdoar quem nos ofendeu.

Num mundo em que os jovens se declaram cansados, em meio a tantas guerras e violência, o Papa reitera que a misericórdia é o único caminho para vencer o mal. A justiça, escreve ele, é necessária, mas não suficiente, porque “justiça e misericórdia devem caminhar juntas”.

 “Cracóvia espera-nos com os braços e o coração abertos!”, afirma ainda o Papa aos jovens, “vinde a Ele e não tenhais medo”.

Em 2016, pela terceira vez uma JMJ coincidirá com um Ano Jubilar. A primeira vez foi em 1983-84, durante o Ano Santo da Redenção. Depois, o Grande Jubileu do Ano 2000, quando mais de dois milhões de jovens de cerca de 165 países se reuniram em Roma para a 15ª JMJ. (BS/BF)

28 setembro, 2015

Papa na Missa com as famílias: abrir aos milagres do amor

(RV) Domingo, 27 de setembro, Missa com o Papa Francisco no encerramento do VIII Encontro Mundial das Famílias em Filadélfia na qual estiveram mais de um milhão de fiéis.
O Papa exortou os cristãos e as famílias, em particular, a abrirem-se aos milagres do amor, acreditando na ação de Deus que “ultrapassa a burocracia” e os “círculos restritos” e quer que “todos os seus filhos tomem parte na festa do Evangelho”.

Na sua homilia o Santo Padre realçou, desde logo, a “linguagem alegórica que nos interpela” nas leituras deste domingo: “na primeira Leitura, Josué diz a Moisés que dois membros do povo estão a profetizar, anunciando a palavra de Deus sem qualquer mandato. No Evangelho, João diz a Jesus que os discípulos impediram uma pessoa de expulsar os espíritos malignos em nome d’Ele.

E aqui aparece a surpresa – declarou o Santo Padre – “Moisés e Jesus censuram estes colaboradores por serem de mente tão fechada”:

“Quando nos damos conta disto, podemos entender por que motivo as palavras de Jesus sobre o escândalo são tão duras. Para Jesus, o escândalo intolerável consiste em tudo aquilo que destrói e corrompe a nossa confiança no modo de agir do Espírito.”

A ação de Deus no nosso mundo “ultrapassa a burocracia, o oficial e os círculos restritos” – salientou o Papa – “Deus quer que todos os seus filhos tomem parte na festa do Evangelho.”

O Santo Padre afirmou que Jesus nos diz para não colocarmos obstáculos ao que é bom, mas, pelo contrário, devemos ajudar a crescer. E essa é a “obra do Espírito” viver a santidade e a felicidade dos pequenos gestos:

“São gestos de mãe, de avó, de pai, de avô, de filho. São gestos de ternura, de afeto, de compaixão. Gestos, como o prato quente de quem espera para jantar, como o café da manhã de quem sabe acompanhar o levantar na alvorada. São gestos familiares. É a bênção antes de dormir, e o abraço ao regressar duma jornada de trabalho.”

“O amor exprime-se em pequenas coisas, na atenção mínima ao quotidiano e que fazem com que a vida tenha sempre sabor de casa. A fé cresce, quando é vivida e plasmada pelo amor. Por isso, as nossas famílias, as nossas casas são autênticas igrejas domésticas: são o lugar ideal onde a fé se torna vida e a vida cresce na fé.”

Segundo o Santo Padre, “Jesus convida-nos a não obstaculizar estes pequenos gestos miraculosos; antes, quer que os provoquemos, que os façamos crescer, que acompanhemos a vida como ela se nos apresenta, ajudando a suscitar todos os pequenos gestos de amor, sinais da sua presença viva e operante no nosso mundo”.

 “Nós, cristãos, discípulos do Senhor, pedimos às famílias do mundo que nos ajudem. Somos tantos a participar nesta celebração e isto, em si mesmo, já é algo de profético, uma espécie de milagre no mundo de hoje que está cansado de inventar novas divisões e desafios. Quem dera que fôssemos todos profetas!

“Quem dera que cada um de nós se abrisse aos milagres do amor a bem de todas as famílias do mundo, para assim podermos superar o escândalo dum amor mesquinho e desconfiado, fechado em si mesmo, sem paciência com os outros!”

“Deixo-vos uma pergunta: “Na minha casa grita-se ou fala-se com amor e ternura? É uma boa maneira para medir o nosso amor.”

O Papa Francisco concluiu a sua homilia exortando os fiéis, e as famílias em particular, a renovarem a sua fé na “palavra do Senhor”, que convida as nossas famílias para a abertura à profecia e à ação do Espírito vivo e operante no mundo.

E o Santo Padre concluiu dizendo: “Que Deus nos conceda a todos, como discípulos do Senhor, a graça de ser dignos desta pureza de coração que não se escandaliza do Evangelho.”

(RS)

27 setembro, 2015

Os 40 anos do Renovamento Carismático Católico em Portugal

Vidas abertas aos outros pelo Espírito Santo
  

O Renovamento Carismático Católico chegou a Portugal há 40 anos. “Impulsionados pelo Espírito Santo”, os membros deste ‘movimento’ da Igreja procuram a “intimidade com Deus” para estarem ao serviço dos outros, em especial nas “diversas atividades paroquiais”.

“Por vezes somos vistos um pouco fora do comum, mas não é assim. O Renovamento Carismático requer uma linha de interiorização muito grande. É certo que levantamos as mãos porque é todo o nosso corpo que quer louvar o Senhor... mas sem exageros, porque por vezes isso também existe”. Quem o diz é Garcia Estêvão, membro do Renovamento Carismático há 25 anos. Para este paroquiano de Benfica, com 78 anos, é no Renovamento Carismático que sente “a presença do Senhor”. As circunstâncias que o fizeram começar uma “experiência maravilhosa” estão bem presentes na sua memória. “Conheci o Renovamento Carismático na Casa de Retiros da Buraca, há 25 anos, depois de ter sido convidado por uma pessoa. Fui a primeira vez e nunca mais larguei”, conta ao Jornal VOZ DA VERDADE. Casado e com dois filhos, este empregado de escritório – ainda em exercício, realça que a sua caminhada neste movimento da Igreja o tornou mais desperto para interpretar os acontecimentos na sua vida. “Há coisas que acontecem e que vemos que o Espírito Santo está ali, como se fosse palpável”, afirma, convicto, recordando uma etapa decisiva: “Depois de uma caminhada e de uma envolvência, acontece, através de uma etapa, a ‘Efusão do Espírito Santo’. Isso dá abertura para o Espírito Santo sair e não termos medo de falar no nome do Senhor. Eu comecei a sentir isso maravilhosamente. Primeiro, na comunidade ‘Pneumavita’, mas também ligado à equipa diocesana, através do ‘Grupo de Oração’, mas sempre disponível para a paróquia”, aponta.

O Espírito que age
Na paróquia de São João de Deus, em Lisboa, existe também um ‘Grupo de Oração’. Desse grupo faz parte Ana Cristina Pires, que ao Jornal VOZ DA VERDADE reafirma a importância da ‘Efusão do Espírito Santo’ e mostra como a sua vida mudou após essa etapa. “Sempre fui uma pessoa um bocadinho triste e, a partir dessa altura, toda a gente me diz que fiquei mais alegre. Houve uma grande transformação em mim, ao longo dos anos”, revela.
Ana Cristina, com 55 anos, refere uma situação onde pôde ver a atuação do Espírito Santo e para a qual foi “despertada” através da sua caminhada no Renovamento Carismático. “O meu marido teve um enfarte, recentemente. Apesar de ter ficado muito assustada, senti a presença do Espírito através de um amigo que estava presente naquele momento, que era médico, e foi possível fazer a reanimação. Mesmo com esta provação, o Senhor esteve ali, com o meu marido e com a graça de ter um médico a seu lado. Tudo isto é o Espírito Santo que age em nós”, afirma.
Tal como Garcia Estêvão, também para Ana Cristina Pires a evangelização passa pela disponibilidade de todos os membros para servir, no local onde estão. “Nós estamos muito disponíveis na paróquia, para ajudar o irmão. Somos um grupo aberto, que nos deixamos envolver pelo Espírito Santo. Deixamos que o Espírito Santo aja através de nós... e isso é muito bom”, revela.

Igreja nascente
Existe tendência para atribuir a origem do Renovamento Carismático no Brasil, provavelmente por aí ter atualmente maior expressão; contudo, o Renovamento Carismático teve a sua origem, em 1967, nos Estados Unidos da América, mais concretamente na cidade norte americana de Pittsburgh, estado da Pensilvânia. “Naquela cidade, na Universidade do Espírito Santo, um grupo de alunos e professores reunia-se frequentemente para falar da sua fé. Era um grupo que se sentia bastante tíbio, sem entusiasmo porque estavam convencidos que o seu progresso espiritual dependia do esforço que cada um fazia”, conta, ao Jornal VOZ DA VERDADE, o diácono Armando Marques, atual responsável pelo Renovamento Carismático no Patriarcado de Lisboa. “Facilmente começaram a pensar que na ‘Igreja nascente’ não era nada disso. A Igreja nasceu com a vinda do Espírito Santo e havia uma relação muito próxima entre os primeiros cristãos e o Espírito Santo”. Com o permanente apoio do cardeal belga Leo-Jozef Suenens, que, por nomeação do Papa Paulo VI, foi um dos quatro moderadores do Concílio Vaticano II, o Renovamento Carismático propagou-se por todo o mundo, “levando o cardeal a afirmar que o Renovamento Carismático tinha sido a segunda graça de então, logo a seguir ao Vaticano II. Hoje, contamos com aproximadamente 150 milhões de membros em todo o mundo”, lembra o diácono Armando.

Diversidade
A entrada do Renovamento Carismático em Portugal dá-se, em 1974, em Fátima. Através do padre José Lapa, Espiritano, o movimento propagou-se pela maioria das dioceses de Portugal. Atualmente “conta com cerca de 15 mil membros”, avança o diácono Armando Marques. Na Diocese de Lisboa existem 71 ‘Grupos de Oração’ que contam, no total, com cerca de 2500 membros. A estes números podem somar-se ainda as comunidades, com “especificidades próprias mas dentro dos princípios do Renovamento Carismático”, tais como a Comunidade Bethânia, a Comunidade Emanuel, a Comunidade Canção Nova ou a Comunidade Pneumavita. “O movimento tem uma grande diversidade. Não é muito uniforme”, classifica o responsável do movimento no Patriarcado de Lisboa, reforçando que   “todas as comunidade estão sob jurisdição do Bispo local”.
Semanalmente, os ‘Grupos de Oração’ reúnem-se para “rezar, fazer a leitura orante da Bíblia, ajudarem-se mutuamente e prepararem-se para a evangelização”, aponta o diácono Armando. Dentro de cada grupo “existe uma pequena estrutura que é o núcleo, composto por 3, 5 ou 7 pessoas, que ficam responsáveis, isto é servidores”. “A evangelização é feita sobretudo dentro das paróquias. As pessoas estão nas paróquias e procuram integrar-se, sobretudo na visita aos doentes e nas diversas atividades paroquiais”, sublinha.

Ao serviço dos outros
O diácono Armando Marques conheceu o Renovamento Carismático Católico, há 25 anos. Atualmente, nomeado para o trabalho pastoral nas paróquias da Terrugem, Montelavar e Pêro Pinheiro, da Vigararia de Sintra, este clérigo sentiu-se “tocado por esta onda de graça que é o Renovamento Carismático” através de um ‘Grupo de Oração’ que existe em Sintra. “Algo me dizia que devia ir àquela reunião do chamado ‘Grupo Nazaré’. E foi então que fiquei apaixonado pelo Renovamento Carismático”, conta este avô de 10 netos.
No Renovamento Carismático, “tentamos meter Deus na nossa vida, procurando assim que a intimidade que ganhamos com Deus possa crescer, cada vez mais. Como responsável, tento incutir isso nas pessoas, através dos ensinamentos, procurando fazer com que essa intimidade com Ele seja sincera, autêntica, e verdadeira, mas com muita humildade, despindo-nos de nós próprios para podermos estar ao serviço dos outros”, afirma o diácono Armando, destacando que é “esta vivência que faz com que caminhemos e demos passos na conversão”. “Como qualquer cristão, nós também recebemos os dons do Espírito Santo mas procuramos ter consciência do Espírito Santo que vive em cada um de nós”, afirma.

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Sínodo Diocesano 2016
“Seguindo as orientações do nosso Bispo, D. Manuel Clemente, temos refletido, nos nossos ‘Grupos de Oração’ sobre a exortação apostólica ‘A alegria do Evangelho’”.
Diácono Armando Marques, responsável pelo Renovamento Carismático no Patriarcado de Lisboa

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“A ‘Efusão do Espírito Santo’ dá abertura para o Espírito Santo sair e não termos medo de falar no nome do Senhor.”
Garcia Estêvão

“Somos um grupo aberto, que nos deixamos envolver pelo Espírito Santo. Deixamos que o Espírito Santo aja através de nós...”
Ana Cristina Pires

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Papa Francisco: “Uma corrente de graça na Igreja e para a Igreja”
No 37º Encontro Nacional do Renovamento Carismático Católico, que decorreu em junho de 2014, no Estádio Olímpico de Roma, o Papa Francisco alertou os participantes para o “perigo da organização excessiva” e pediu para não “aprisionarem o Espírito Santo”, de forma a poderem sair “pelas ruas a evangelizar, anunciando o Evangelho”. Para o diácono Armando Marques, este discurso do Papa Francisco foi “um lastro seguro pelo qual o Renovamento Carismático se pode pautar e guiar”. Estas palavras do Papa Francisco são “uma espécie de constituição. Nunca nenhum Papa tinha sido tão concreto”, lembra o responsável pelo Renovamento Carismático no Patriarcado de Lisboa.

texto por Filipe Teixeira; fotos por Filipe Teixeira, http://govvota.blogspot.pt
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Voz da Verdade

Papa exorta prisioneiros a uma reintegração moral e social




(RV) Depois do Encontro com os Bispos, provenientes de diversos países, que participam no VIII Encontro Mundial das Famílias em Filadélfia, o Santo Padre deixou o Seminário São Carlos Borromeu e se transferiu de helicóptero para a Prisão Curran- Fromhold, a 27 km de distância.

A penitenciária é dedicada a dois agentes da polícia carcerária, assassinados enquanto prestavam serviço naquela prisão, em 1973. Trata-se do maior cárcere masculino de Filadélfia, inaugurado em 1995, que hospeda quase dois mil e 800 detentos.

O Papa foi recebido pelos responsáveis da penitenciária e pelo capelão, que o acompanharam até o salão, onde estavam reunidos 100 prisioneiros.

Após a saudação do Arcebispo de Filadélfia, Dom Charles Chaput, o Santo Padre pronunciou o seu discurso, agradecendo a recepção e a possibilidade de estar ali, partilhando um momento da vida deles, difícil e cheia de tensões, também para as suas famílias e a própria sociedade.

O Papa disse visitar aquela prisão como pastor, mas sobretudo como irmão, para rezar com eles e encorajá-los. Por isso, citou a passagem evangélica do lava-pés, um nobre gesto de serviço, de humildade, de vida. Jesus procura curar as nossas feridas, as nossas chagas, a nossa solidão. Ele vem ao nosso encontro para nos dar a vida, a dignidade de filhos de Deus, a fé e a esperança.

Na nossa vida, continuou o Pontífice, precisamos sempre ser purificados e encorajados. Neste período de detenção, de modo particular, é necessária uma mão que ajude a reintegração social, desejada por todos: reclusos, famílias, funcionários, políticas sociais e educativas. Uma reintegração que beneficia e eleva o nível moral de todos.

Por isso, o Santo Padre fez votos de que se possam criar novas oportunidades para os presos, seus familiares, os funcionários, enfim, para toda a sociedade. E concluiu:

“Quero encorajar-vos a manter esta atitude entre vós e entre todas as pessoas que de alguma maneira fazem parte deste Instituto. Sede artífices de oportunidades, de caminho e de novos caminhos. Todos temos que ser purificados. Despertemo-nos para a solidariedade. Fixemos os olhos em Jesus que nos lava os pés: Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Que a força do seu amor e da sua Ressurreição seja sempre um meio para a vida nova”. (BS/MT)

Papa: vergonha pelos abusos, responsáveis prestarão contas




(RV) O Papa Francisco se reuniu com vítimas de abusos sexuais cometidos por membros da Igreja. Ele mesmo o anunciou domingo (27/09), antes de iniciar o seu discursos aos bispos da Filadélfia, na capela do Seminário São Carlos Borromeu.

“Ficaram gravadas no meu coração as histórias de dor e sofrimento dos menores que foram abusados sexualmente por sacerdotes. Continuo a cobrir-me de vergonha porque pessoas que tinham sob a sua responsabilidade o cuidados de menores os violaram e lhes causaram graves danos. Deus chora profundamente. Os crimes e pecados dos abusos sexuais em menores não podem ser mantidos em segredo por mais tempo. Comprometo-me por uma zelante vigilância da Igreja para proteger os menores e prometo que todos os responsáveis prestarão contas”.

Depois de pronunciar estas palavras, que não estavam previstas no seu discurso, Francisco revelou:

“Acabo de me encontrar com um grupo de pessoas abusadas, crianças que são ajudadas e acompanhadas aqui em Filadélfia com carinho pelo Arcebispo Chaput”.

Dom Charles Chaput foi nomeado em 2011 para assumir a Arquidiocese de Filadélfia na administração das comunidades mais feridas pelos escândalos de abusos sexuais nos EUA – naquele mesmo ano, por exemplo, 21 padres foram suspensos em decorrência do problema; a maioria dos episódios de abusos teria ocorrido entre as décadas de 1960 e 1980.