31 outubro, 2014

Unidade na diversidade, não uniformidade - o Papa à Fraternidade Carismática


(RV) O Papa Francisco recebeu nesta sexta-feira de manhã em audiências cerca de 1000 membros do Movimento dos Carismáticos, mais precisamente a “Catholic Fraternity of Charismatic Covenant Comunities and Fellowship”. Eles encontram-se em Roma para a sua XVI conferência internacional sobre o tema “Laudes e Adoração para a nova Evangelização” .

Ao dirigir-lhes a palavra o Papa recordou o seu encontro com os movimentos carismáticos em Junho passado no Estádio Olímpico de Roma, congratulando-se com eles por terem iniciado a pôr em prática quanto naquele momento parecia mais um desejo. Enalteceu também o facto de a Catholic Fraternity ter aceite trabalhar no Palácio de São Calisto em Roma juntamente com os da Renovação Carismática, um testemunho de unidade, disse o Papa, entendendo com isso “unidade na diversidade”, “não uniformidade”;o que quer dizer “reconhecer e aceitar com alegria os diversos dons que o Espírito Santo dá a cada um e pô-los ao serviço de toda a Igreja. É saber ouvir, aceitar as diferenças, ter a liberdade de pensar de forma diferente e manifestá-lo com todo o respeito ao meu irmão. Não tenhais medo das diferenças!” – exortou - acrescentando ainda que “a diferença é um modelo poliédrico, não esférico.”

Olhando depois para o opúsculo do encontro que menciona o baptismo no espírito Santo, o Papa disse que a Igreja precisa do Espírito Santo, que é quem nos revela Cristo. "Vivei esta experiencia?, partilhai-a?" – perguntou o Papa aos presentes, recordando-lhes que a vida espiritual se alimenta na oração e se manifesta na acção: inspiração e expiração, disse o Papa comparando a vida espiritual ao processo de respiração humana: inspirar-se em Deus e expirar, isto é partilhar.

Ninguém pode viver sem respirar. O mesmo acontece com o cristão: sem as laudes e sem a missão não vive. Louvamos a Deus pela sua grandeza, porque é Grande. Juntamente com a oração das laudes – frisou o Papa - a oração de intercepção é hoje o grito ao Pai celeste a favor dos nossos irmãos cristãos perseguidos e assassinados e pela paz no nosso mundo abalado.
A concluir o Papa recordou ainda que a Renovação Carismática é por natureza ecuménica. E citando o Beato Paulo VI que chmamava a atenção para isso, convidou à unidade, perguntando-se se um dos grandes problemas da evangelização hoje não serão por ventura as divisões.

O amor abre as portas da esperança, não a letra da lei – o Papa em Santa Marta


(RV) O amor abre as portas da esperança, não a letra da lei – esta a principal mensagem do Papa Francisco na homilia da Missa em Santa Marta na sexta-feira dia 31 de outubro.
O Santo Padre desenvolveu a ideia de que os cristãos que ficam tão presos à lei esquecem-se da justiça. Partindo do Evangelho do dia em que Jesus pergunta aos fariseus se é lícito ou não curar aos sábados, o Papa Francisco refere que eles não respondem e Jesus tomou o doente pela mão e curou-o. Diante da verdade os fariseus calam-se – afirmou o Santo Padre que considerou ainda que estas pessoas viviam tão presas à lei que negavam a ajuda mesmo aos pais idosos, com a desculpa de terem dado tudo em doação ao Templo:

“Este caminho de viver presos à lei afastava-os do amor e da justiça. Preocupavam-se com a lei e ignoravam a justiça e o amor. E para essas pessoas, Jesus só tinha uma única palavra: hipócritas. De um lado, vão em busca de prosélitos. E depois? Fecham a porta. Homens de fechamento, tão presos à letra da lei, mas não à lei, que é amor; e sempre fechavam as portas da esperança, do amor, da salvação... Homens que sabiam somente fechar”.
“O caminho para ser fiéis à lei, sem ignorar a justiça e o amor” – prosseguiu o Papa citando a Carta de São Paulo aos Filipenses –, “é o caminho inverso: o do amor à integridade; do amor ao discernimento; do amor à lei”:

“Este é o caminho que nos ensina Jesus, totalmente oposto ao dos doutores da lei. E este caminho do amor à justiça leva a Deus. Ao invés, o outro caminho, de ficar presos somente à lei, à letra da lei, leva ao fechamento, ao egoísmo. O caminho que vai do amor ao conhecimento e ao discernimento, à plena realização, leva à santidade, à salvação, ao encontro com Jesus. Ao invés, este caminho leva ao egoísmo, à soberba de sentir-se justos, àquela santidade entre aspas das aparências, não? Jesus diz a essas pessoas: ‘Mas vocês gostam de se mostrar como homens de oração, de jejum... mostrar-se…!? E por isso Jesus diz à pessoas: ‘Façam aquilo que dizem, não aquilo que fazem’”.
Com pequenos gestos, Jesus faz-nos compreender o caminho do amor ao pleno conhecimento e ao discernimento. Ele pega-nos pela mão e cura-nos:

“Jesus aproxima-se: a proximidade é justamente a prova de que nós vamos no verdadeiro caminho. Porque é o caminho que Deus escolheu para nos salvar: a proximidade. Aproximou-se de nós, fez-se homem. A carne de Deus é o sinal; é o sinal da verdadeira justiça. Deus que se fez homem como um de nós, e nós que nos devemos fazer como os outros, como os necessitados, como os que precisam da nossa ajuda”. (RS)

SÍNODO DIOCESANO 2016 - Respostas aos Guiões através de formulário



O Patriarcado de Lisboa disponibilizou um formulário online que permite aos grupos que se têm reunido para refletir sobre o Sínodo Diocesano 2016 enviarem as suas conclusões.
Acessível através da página
http://sinodo2016.patriarcado-lisboa.pt, o formulário foi preparado pela Comissão Preparatória do Sínodo Diocesano 2016 e visa que os grupos, ou as pessoas individualmente, partilhem com esta comissão preparatória as reflexões sugeridas no Guião #1, que tem como tema ‘A transformação missionária da Igreja’ e que corresponde ao período de setembro a dezembro de 2014. A partir de janeiro de 2015, e até ao mês de março, toda a diocese – paróquias, congregações, movimentos, grupos – vai iniciar a reflexão em torno do Guião #2, ‘Na crise do compromisso comunitário’, que vai ser disponibilizado brevemente.

Além do novo formulário, o email
sinodo2016@patriarcado-lisboa.pt continua ativo e disponível para, em alternativa, receber as respostas dos grupos.

Patriarcado de Lisboa

SÍNODO DIOCESANO 2016 - HINO




É o sonho missionário
de chegar a toda a gente.
Longe ou perto, o necessário 
É mostrar Cristo presente.

É o sonho missionário
De chegar a toda a gente

Sonhou o Papa Francisco
um mundo de Paz e Bem,
sem nada que ponha em risco
a esperança que nos mantém.

Está Cristo na sua Igreja,
pão vivo compartilhado.
Connosco vai a quem esteja
excluído, abandonado.

Aberto está o caminho:
sigamos, mas não a sós!
Ninguém percorre sozinho
a senda de todos nós.

Alegres no Evangelho
façamos, já, sem demora,
do mundo que ficou velho,
outro mundo novo agora!

E seja a Igreja, em Lisboa,
lugar de amor fraternal,
espaço onde ressoe
o convite universal.

Connosco Santa Maria,
nossa Mãe e nosso encanto,
Rumo a Deus que nos sacia,
na plenitude dos santos.

Música: Padre Teodoro Sousa


Patriarcado de Lisboa

Lançamento do Sínodo 2016 - Ocasião para experimentar a alegria do Evangelho

 “Em pleno caminho sinodal diocesano”, o Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, classifica o “acolhimento e a família” como pontos prioritários no caminho sinodal e revela qual o “melhor resultado” que se pode conseguir com o Sínodo Diocesano 2016.

“Proporcionar a cada um, a cada família, a cada comunidade, a ocasião mais aproveitada para experimentar a alegria do Evangelho”. Este é, para D. Manuel Clemente o “melhor resultado” da caminhada sinodal da Diocese de Lisboa, para os próximos dois anos.
 Na celebração aniversária da Dedicação da Sé de Lisboa, no passado sábado, dia 25 de outubro, que marcou também o lançamento do Sínodo Diocesano 2016, o Patriarca de Lisboa alertou para a “indisponibilidade” na evangelização quando “devia haver correspondência”, e apontou um caminho para tornar presente, nas comunidades, a experiência “ressuscitada e ressuscitadora” de Cristo. “Urge ultrapassar, em nós e nas comunidades, quer o alheamento do que nos há-de motivar a todos, quer o consumismo religioso do que eventualmente nos interesse. Mas nem connosco nem com outros acontecerá assim, se a presença de Cristo não for mais notada e oferecida, na Palavra anunciada, nos sacramentos celebrados e na caridade atuada, isto é, em tudo o que assinala realmente a sua presença ressuscitada e ressuscitadora no corpo eclesial em que se prologa e manifesta”, refere D. Manuel Clemente, lembrando depois as palavras do Beato Paulo VI, na Exortação Apostólica ‘Evangelii Nuntiandi’: “O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas”.

Testemunhos vivos
 Na Missa concelebrada pelos Bispos Auxiliares de Lisboa, D. Joaquim Mendes, D. Nuno Brás e D. José Traquina, e também pelo recém-nomeado Bispo Coadjutor de Beja, D. João Marcos, o Patriarca de Lisboa lembrou a finalidade do caminho sinodal que a Diocese de Lisboa fará até 2016. “Todo o percurso sinodal de Lisboa, meditando, rezando e ensaiando, um após outro, os luminosos capítulos da Exortação Apostólica ‘Evangelii Gaudium’, não visa senão tal fim: que em cada fiel e em cada comunidade da diocese se ofereçam testemunhos vivos da presença de Cristo, para continuarem agora os gestos salvadores que Ele começou, por si, há dois mil anos e quer continuar, por nós, neste tempo que vivemos, tão redobrado em carências de corpo ou de espírito. Para isso existimos, como Igreja de Cristo, a tal nos destinamos em caminho sinodal", aponta.
“Do templo às periferias e das periferias ao templo”. Este é, para D. Manuel Clemente, o “círculo da evangelização perfeita”. Perante os representantes das paróquias da diocese, o Patriarca de Lisboa destacou que “pode haver distâncias geográficas que não são periféricas e proximidades que o são muito e muitíssimo” e dá como exemplo o que se passa nos dias de hoje: “Veja-se o que sucede na parte antiga desta e outras cidades e povoações; veja-se o que se passa em relação a idosos, que, podendo ser próximos pelo parentesco ou vizinhança, acabam por ser periféricos na atenção que lhes é dada; veja-se o acolhimento que se presta, ou não, a tantos que procuram lugares de paz e apoio espiritual ou outro”, aponta.
Para D. Manuel Clemente, o exemplo de Jesus que “estava, acolhia, chamava e escutava” deve estar presente em cada igreja de Lisboa. “Que bom será e há-de ser, quando as nossas igrejas forem continuamente assim, espaços onde as periferias existenciais se centralizem, pelo acolhimento, pela ocasião oferecida de serenar a alma e encontrar respostas! Há inegáveis problemas práticos de arranjo e segurança dos espaços. Mas, se conseguirmos progredir neste ponto, retomando criativamente o serviço dos antigos ostiários – que abriam e guardavam os templos –, proporcionaremos a muitos um lugar propício à alegria evangélica. Na verdade, se temos de procurar os outros, também temos de lhes proporcionar lugares onde finalmente se encontrem – com Deus, consigo próprios e com os outros em Deus, que o mesmo é dizer ‘em Cristo’, de quem o templo é sinal. Evangelizar é convidar a todos para um encontro que tarda – e em cada templo se há-de oferecer”, salienta.


Saiba mais na edição do dia 2 de novembro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa

Patriarcado de Lisboa

30 outubro, 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (4)


 
 
Levanto-me de manhã, olho para o espelho e vejo o cabelo todo revolto, os olhos ainda meio fechados, a cara por lavar e tudo o mais que acontece em cada manhã.
Tomo banho, lavo os dentes, penteio o cabelo, olho para o espelho e julgo que já estou apresentável.
Ergo os olhos ao Céu para agradecer, e lembro-me do meu interior.

Ó Senhor, digo então num pequeno diálogo, precisava de um espelho onde visse o meu interior, para dele também cuidar cada manhã.

A resposta vem de imediato:
Mas Eu dei-te um espelho, inquebrável e imutável, onde podes sempre aferir o teu interior.

Qual, Senhor?
Respondo eu admirado.

A minha Palavra, meu filho, a minha Palavra!
Só tens de abrir o Livro, ler com o coração o que te digo em tantas passagens, e reparares se nesse “espelho” da minha Palavra, está reflectido o teu interior.
Se o teu interior não corresponde à imagem que o Livro te devolve, então meu filho, precisas de lavar a alma, purificar o coração e “pentear” os teus pensamentos, até que o teu interior coincida o mais possível com a reflexão que te dá o “espelho” da minha Palavra.

Obrigado, Senhor, Tu nunca me faltas com o teu amor.

Vai, meu filho, e lembra-te que só com o teu interior reflectido no “espelho” da minha Palavra, poderás viver cada dia braço dado com o meu amor.


Marinha Grande, 30 de Outubro de 2014
Joaquim Mexia Alves
 
Série constante na faixa lateral, em "Pesquisa rápida" -  "DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS"
 

"Os pobres no centro das atenções da Igreja" - Dom Sorondo


(RV) O encontro do Papa com os Movimentos Populares nesta terça-feira (28), no Vaticano, teve repercussão no mundo inteiro. No evento internacional, estavam representados os trabalhadores informais, migrantes, indígenas, agricultores sem terra e moradores de periferias. O chanceler da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, Dom Marcelo Sánchez Sorondo, concedeu entrevista sobre o assunto à Rádio Vaticano.

“Estes Movimentos Populares são realmente um sinal daquilo que está a acontecer no mundo, nos estimulam e nos fazem compreender a realidade de hoje. Representam as consequências daquilo que acontece numa sociedade como a nossa, onde se preocupa unicamente com o lucro e se deixa de lado a pessoa. Então, são realmente o sinal daquilo que o Papa chama de ‘globalização da indiferença’.”
O Papa olha para os pobres e excluídos com uma atenção especial...

“Sim. Como ele disse, precisamos colocar no centro o Discurso da Montanha, as bem-aventuranças dos pobres, daqueles que sofrem pela justiça, daqueles que choram, daqueles que têm o coração puro. Onde tem pobreza se encontra normalmente uma moral mais genuína que não onde tem uma grande riqueza que produz escravidão de todos os tipos. Existe a necessidade de recuperar esta instância radical do Evangelho de colocar a pessoa no centro, sobretudo a pessoa que sofre, os marginalizados, os excluídos, aqueles que sofrem, os pobres. Me parece magnífico que o Papa faça isso.”
Mas também está a ser acusado por alguns...

“Sim. Ele diz que o acusam de ser comunista, mas disse também que, na verdade, são os comunistas que seguiram o Evangelho... Naturalmente, não pelo que se refere a luta de classes. Então, é interessante que esses Movimentos Populares procurem seguir a Doutrina Social da Igreja sem nenhuma postura de revolução, entendida como violência.”
Um evento importante, então...

“Claro. Me parece que é a primeira vez que, em Roma, no centro da Igreja, sejam recebidos esses Movimentos Populares. E isso é um grande bem porque, se não se abrem as portas aos excluídos, se não escutamos eles, existe o risco de gerar violência.” (AC/BS)

Papa Francisco encontra os membros da Conferência dos Bispos vetero-católicos de Ultrecht

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(RV) Às 11,45 horas de Roma, o Papa Francisco recebeu em audiência no Vaticano a delegação da Conferência Internacional dos Bispos vetero-católicos de Utrecht (Áustria). Por ocasião o Papa Francisco salientou que encontro constitui um momento propício para reflectir sobre o percurso ecuménico percorrido até hoje. “Este ano, disse o Santo Padre, assinala-se o quinquagésimo aniversário da promulgação do Decreto sobre o Ecumenismo do Concílio Vaticano II, Unitatis Redintegratio, que inaugurou uma nova era de relações ecuménicas e de empenho na busca da unidade dos discípulos de Cristo. Para todos nós, o trabalho da Comissão Internacional do diálogo católico-vetero-católico, desempenha um papel significativo na busca de uma crescente fidelidade à oração do Senhor Jesus <>.
O Papa Francisco recordou que durantes estes cinquenta anos, foi possível construir pontes de diálogo, de compreenção recíproca e de cooperação prática. Foram realizadas sobretudo convergências e foram individuadas de maniera mais precisa as diferenças. Entretanto, recordou o Papa Francisco, “se de um lado nos alegramos todas as vezes que somos capazes de dar passos ulteriores em relação à uma cada vez maior comunhão de fé e de vida, de outro lado entristecemo-nos em tomarmos conciência dos novos desacordos que emergiram entre nós durante estes anos”. Por conseguinte, prosseguiu o Papa, “as questões ecclesiológicas e teológicas que estiveram na origem da nossa separação, são cada vez mais difíceis de superar por causa da nossa crescente distância em relação aos temas relativos ao ministério e ao discernimento ético”.
<>.
Por conseguinte, concluiu o Papa Francisco, num espírito de perdão recíproco e de humilde arrependimento, temos todos necessidade de reforçar o nosso desejo de reconciliação e de paz. O caminho para a unidade inicia precisamente com uma transformação do coração e com uma conversão interior. Trata-se de uma viagem espiritual que nos leva do encontro à amizade, da amizade à fraternidade e da fraternidade à comunhão.

O diabo não é um mito e deve ser combatido com a arma da verdade – o Papa em Santa Marta

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(RV) O diabo não é um mito e deve ser combatido com a arma da verdade – esta a mensagem principal do Papa Francisco na homilia da Missa de quinta-feira, dia 30 de outubro celebrada na Capela da Casa de Santa Marta.
Partindo da Carta de S. Paulo aos Efésios, proposta pela liturgia do dia, o Santo Padre reafirmou que o diabo existe e que devemos lutar contra ele com a armadura da verdade:

“De quem me devo defender? O que devo fazer? Revestir-me da armadura de Deus, diz-nos S. Paulo, isto é aquilo que é de Deus defende-nos, para resistir às insídias do diabo. É claro? Claro. Não se pode pensar numa vida espiritual, a uma vida cristã, sem resistir às tentações, sem lutar contra o diabo, sem vestir esta armadura de Deus, que nos dá força e nos defende.”

“ Mas a esta geração – e a tantas outras – fizeram acreditar que o diabo fosse um mito, uma figura, uma ideia, a ideia do mal. Mas o diabo existe e nós devemos lutar contra ele. Di-lo Paulo, não o digo eu! A Palavra de Deus di-lo. Mas nós não estamos tão convencidos. E depois Paulo diz como é esta armadura de Deus, quais são as diversas armaduras, que fazem esta grande armadura de Deus. E ele diz: ‘Estai firmes, portanto, estai firmes, cingindo os vossos rins com a verdade. Esta é uma armadura de Deus: a verdade.”

Num texto pleno de uma linguagem militar, S. Paulo reforça a ideia de que para se ser cristão é necessário trabalhar continuamente pela justiça com a força da fé – sublinhou o Papa Francisco que concluiu a sua homilia exortando os cristãos a não perderem a coragem e a viverem na verdade uma vida que é uma luta, mas é uma luta belíssima:

“A vida é uma milícia. A vida cristã é uma luta, uma luta belíssima, porque quando o Senhor vence em cada passo da nossa vida, dá-nos uma alegria, uma felicidade grande: aquela alegria que o Senhor fez vencer em nós com a sua gratuidade de salvação. Mas sim, todos somos um pouco preguiçosos, na luta, e deixamo-nos levar por paixões e por algumas tentações. É porque somos pecadores, todos! Mas não vos desencorajeis. Coragem e força, porque o Senhor está connosco.” (RS)

"Há quem queira limitar a liberdade de consciência" – D. Bernardito Auza nas Nações Unidas

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(RV)
O Observador Permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas D. Bernardito Auza, participou nesta quarta-feira na 69ª Sessão da Assembleia Geral daquele organismo, consagrada aos os direitos humanos. Na sua mensagem começou por reafirmar que o debate desta sessão traz à luz um grande número de sérios desafios aos direitos humanos em todo o mundo, e lembra todos a necessidade de reconstruir a confiança no sistema dos direitos humanos na defesa dos direitos humanos fundamentais. De facto, o direito à vida, tal como consagrado na lei natural e protegido por leis internacionais de direitos humanos, está na base de todos os direitos humanos, disse Dom Auza, reiterando que a Santa Sé reafirma que toda a vida deve ser totalmente protegida em todas as suas fases, desde a concepção até à morte natural.

A este respeito – continuou D. Auza - a Santa Sé acolhe favoravelmente a redução nos últimos dois anos do recurso à pena de morte em todo o mundo. Como o Papa Francisco afirmou diante dos representantes da Associação do Direito Lei Penal Internacional, "é impossível imaginar que os Estados, hoje, não podem fazer uso de outros meios que não a pena da morte para defender a vida das pessoas de uma injusta agressão". O Papa também recomenda a abolição da pena de prisão perpétua, que ele define como "uma pena de morte camuflada" porque, tal como a pena de morte, essa exclui qualquer possibilidade de resgate e recuperação.

O Papa Francisco apelou a todos os homens de boa vontade a lutar também para melhorar as condições das prisões, por respeito para com a dignidade humana dos prisioneiros, muitos dos quais, em tantos países do mundo, foram detidos por longos períodos sem julgamento, diz ainda o Observador permanente do Vaticano.

Juntamente com o direito à vida, o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião continua a enfrentar sérios desafios no mundo inteiro. Nalgumas regiões, as violações contra a liberdade religiosa se ​​multiplicaram e intensificaram na sua brutalidade, em particular contra as minorias religiosas. Estas violações brutais não apenas devem ser vistas como violência contra minorias étnicas e religiosas, mas em primeiro lugar devem ser condenadas como violações flagrantes dos direitos humanos fundamentais, e devem ser tratadas como tais.

Dom Auza disse ainda que a Santa Sé deseja ressaltar que a luta pela liberdade religiosa esteve na origem de certas nações e que o direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião é um direito humano fundamental inalienável; e por isso, sempre esteve e sempre estará no centro da luta pelo reconhecimento e livre exercício dos direitos humanos fundamentais. Na verdade, um mundo que verdadeiramente respeita a liberdade religiosa deve ir além da mera tolerância: o direito à liberdade de religião ou crença inclui o direito de todos a praticar a sua fé sozinhos ou em comunidade, tanto em público como em privado, bem como o direito de mudar a própria religião ou crença. E para enfrentar estes desafios – sublinhou Dom Auza - temos de reforçar o sistema internacional dos direitos humanos.

Agora é tempo para decisões corajosas. A Santa Sé está ansiosa de trabalhar com todas as delegações durante esta sessão para revigorar o respeito e valorização dos direitos humanos fundamentais em todo o mundo - concluiu D. Auza. (BS)

29 outubro, 2014

Igreja, realidade visível e espiritual – o Papa na audiência geral exortou os cristãos a testemunharem o olhar misericordioso de Jesus


(RV) Quarta-feira, 29 de outubro, Roma acordou para uma manhã outonal mas cheia de entusiasmo na Praça de S. Pedro para acolher o Papa Francisco para mais uma audiência geral. Tema da catequese: A Igreja, realidade visível e espiritual. O Santo Padre colocou, desde logo, uma questão:

“... como podemos entender a relação entre a sua realidade visível e aquela espiritual?”

O Papa Francisco de imediato declarou parte da resposta à sua interrogação dizendo que:

“A realidade visível da Igreja é constituída por tantos irmãos e irmãs batizados que no mundo creem, esperam e amam.”

A Igreja edificada pelo Espírito Santo como Corpo de Cristo, é visível, por exemplo, nas estruturas e pessoas que guiam as nossas comunidades – afirmou o Santo Padre que, no entanto, deixou claro que a realidade visível da Igreja não se limita ao Papa, aos bispos, aos sacerdotes, às pessoas consagradas, mas é formada por todos os batizados que seguem e imitam Jesus, indo ao encontro dos que sofrem ou estão abandonados para lhes dar alívio, conforto e paz.

“Para compreender a relação, na Igreja, entre a sua realidade visível e aquela espiritual, não há outro caminho que não seja olhar para Cristo, do qual a Igreja constitui o corpo e do qual essa é gerada, num ato de infinito amor.”

O Papa Francisco declarou, assim, que a realidade visível da Igreja deve colocar-se ao serviço da sua realidade espiritual:

“…como Cristo Se serviu da sua humanidade para anunciar e realizar o desígnio divino de redenção e de salvação, assim também deve ser para a Igreja. Através da sua realidade visível, os sacramentos e o seu testemunho, é chamada em cada dia a aproximar-se de cada ser humano começando por quem é pobre, por quem sofre, por quem vive marginalizado, para continuar a fazer sentir a todos o olhar compassivo e misericordioso de Jesus. “

No final da catequese o Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, em particular os Amigos do Museu do Oriente, o grupo de sacerdotes de São Sebastião do Rio de Janeiro, bem como os membros das Comunidades “Canção Nova”, em festa pelo reconhecimento eclesial, e “Doce Mãe de Deus” e “Copiosa Redenção”, pelo jubileu de fundação. O Senhor vos encha de alegria e o Espírito Sano ilumine as decisões da vossa vida, para realizardes fielmente a vontade do Pai celeste. Sobre todos vós e vossas famílias e comunidades, vele a Santa Mãe da Igreja. “

No final da audiência o Santo Padre formulou o seguinte apelo pelas vítimas do vírus Ébola:

“Perante o agravar-se da epidemia do ébola, desejo exprimir a minha viva preocupação por esta implacável doença que se está a difundir, especialmente no continente africano, sobretudo, entre as populações mais desprotegidas. Estou próximo com o afeto e a oração às pessoas atingidas, como também aos médicos, aos enfermeiros, aos voluntários, aos institutos religiosos e às associações, que se esforçam heroicamente para socorrer estes nossos irmãos e irmãs doentes. Renovo o meu apelo, por forma a que a Comunidade Internacional coloque em curso todos os esforços necessários para debelar este vírus, aliviando concretamente os sofrimentos de todos quantos são assim duramente atingidos. Convido-vos a rezar por eles e por quantos perderam a vida.”

O Papa Francisco a todos deu a sua benção. (RS)

Papa Francisco: estar ao lado dos pobres é Evangelho, não comunismo


(RV) Terra, casa, trabalho: estes foram os três pontos fundamentais em torno dos quais desenvolveu-se o longo e articulado discurso do Papa Francisco aos participantes do Encontro Mundial dos Movimentos Populares, recebidos esta terça-feira na Sala Antiga do Sínodo, no Vaticano. O Pontífice ressaltou que é preciso revitalizar as democracias, erradicar a fome e a guerra, assegurar a dignidade a todos, sobretudo aos mais pobres e marginalizados.

Tratou-se de um veemente pronunciamento, ao mesmo tempo, de esperança e de denúncia. Um discurso que, por amplidão e profundidade, tem o valor de uma pequena encíclica de Doutrina Social. Aliás, era natural que os Movimentos Populares solicitassem este encontro com o Papa Francisco.

Efectivamente, na Argentina, como bispo e depois como cardeal, Bergoglio sempre se fez próximo das comunidades populares como as de "catadores de papel" e "camponeses". No fundo, nesta audiência retomou o fio de um compromisso jamais interrompido.

O Santo Padre evidenciou já de início, no discurso, que a solidariedade – encarnada pelos Movimentos Populares – encontra-se "a enfrentar os efeitos deletérios do império do dinheiro".

O Papa observou que não se vence "o escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção que servem unicamente para transformar os pobres em seres domésticos e inofensivos". Quem reduz os pobres à "passividade", disse, Jesus "os chamaria de hipócritas". Em seguida, deteve-se sobre três pontos chave:

"Terra, tecto, trabalho. É estranho – disse –, mas quando falo sobre estas coisas, para alguns parece que o Papa é comunista. Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho." Portanto, acrescentou, terra, casa e trabalho são "direitos sagrados", "é a Doutrina social da Igreja".

Dirigindo-se aos "camponeses", Papa Francisco disse que a saída deles do campo por causa "de guerras e desastres naturais" o preocupa. E acrescentou que é um crime que milhões de pessoas padeçam a fome, enquanto a "especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando esses alimentos como qualquer outra mercadoria". Daí, a exortação do Papa Francisco a continuar "a luta em prol da dignidade da família rural".

Em seguida, o Santo Padre dirigiu seu pensamento aos que são obrigados a viver sem uma casa, como experimentara também Jesus, obrigado a fugir com a sua família para o Egipto. Hoje, observou, vivemos em "cidades imensas que se mostram modernas, orgulhosas e vaidosas". Cidades que oferecem "numerosos lugares" para uma minoria feliz e, porém, "negam a casa a milhares de nossos vizinhos, incluindo as crianças".

Com pesar, o Papa ressaltou que "no mundo globalizado das injustiças proliferam-se os eufemismos para os quais uma pessoa que sofre a miséria se define simplesmente 'sem morada fixa'".

O Papa denunciou que muitas vezes "por trás de um eufemismo há um delito". Vivemos em cidades que constroem centros comerciais e abandonam "uma parte de si às margens, nas periferias".

Por outro lado, elogiou aquelas cidades onde se "segue uma linha de integração urbana", onde "se favorece o reconhecimento do outro". Em seguida, foi a vez de tratar da questão do trabalho:

"Não existe – ressaltou – uma pobreza material pior do que a que não permite ganhar o pão e priva da dignidade do trabalho." Em particular, o Papa Francisco citou o caso dos jovens desempregados e ressaltou que tal situação não é inevitável, mas é o resultado "de uma opção social, de um sistema económico que coloca os benefícios antes do homem", de uma cultura que descarta o ser humano como "um bem de consumo".

Falando espontaneamente, ou seja, fora do texto, o Pontífice retomou a Exortação apostólica "Evangelii Gaudium" para denunciar mais uma vez que as crianças e os anciãos são descartados. E agora se descartam os jovens, com milhões de desempregados, disse ainda. Trata-se de um desemprego juvenil que em alguns países supera 50%, constatou. Todos, reiterou, têm direito a "uma digna remuneração e à segurança social".

Aqui, disse o Pontífice, encontram-se "catadores de papel", vendedores ambulantes, mineiros, "camponeses" aos quais são negados os direitos do trabalho, "aos quais se nega a possibilidade de sindicalizar-se". Hoje, afirmou, "desejo unir a minha voz à vossa, e acompanhar-vos na vossa luta".

Em seguida, o Papa Francisco ofereceu a sua reflexão sobre o binómio ecologia-paz, afirmando que são questões que devem concernir a todos, "não podem ser deixadas somente nas mãos dos políticos". O Santo Padre afirmou mais uma vez que estamos a viver a "III Guerra Mundial", em pedaços, denunciando que "existem sistemas económicos que têm que fazer a guerra para sobreviver":

"Quanto sofrimento, quanta destruição - disse o Papa –, quanta dor! Hoje, o grito da paz se eleva de todas as partes da terra, em todos os povos, em todo coração e nos movimentos populares: Nunca mais a guerra!"

Um sistema económico centralizado no dinheiro – acrescentou – explora a natureza "para alimentar o ritmo frenético de consumo" e daí derivam feitos destrutivos como a mudança climática e o desmatamento. O Papa recordou que está preparando uma Encíclica sobre a ecologia assegurando que as preocupações dos Movimentos Populares estarão presentes nela. O Pontífice perguntou-se por qual motivo assistimos a todas essas situações:

"Porque – respondeu – neste sistema o homem foi expulso do centro e foi substituído por outra coisa. Porque se presta um culto idolátrico ao dinheiro, globalizou-se a indiferença." Porque, disse ainda, "o mundo esqueceu-se de Deus que é Pai e tornou-se órfão porque colocou Deus de lado".

Em seguida, o Papa exortou os Movimentos Populares a mudarem este sistema, a "construírem estruturas sociais alternativas". O Papa Francisco advertiu que é preciso fazê-lo com coragem, mas também com inteligência. Com tenacidade, porém, sem fanatismo. Com paixão, mas sem violência".

Nós cristãos, disse, temos um bonito programa: as Bem-aventuranças e o Cap. 25 do Evangelho segundo Mateus. O Papa reiterou a importância da cultura do encontro para derrotar toda a discriminação e disse que é preciso uma maior coordenação dos movimentos, sem, porém, criar "estruturas rígidas":

"Os Movimentos Populares – afirmou – expressam a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias, muitas vezes sequestradas por inúmeros factores." É "impossível", frisou, "imaginar um futuro para uma sociedade sem a participação protagonista da grande maioria" das pessoas.

É preciso superar "o assistencialismo paternalista" para ter paz e justiça, prosseguiu, criando "novas formas de participação que incluam os movimentos populares" e a "sua torrente de energia moral". O Pontífice concluiu o seu discurso com um premente apelo:

"Nenhuma família sem casa. Nenhum camponês sem terra! Nenhum trabalhador sem direitos! Nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá" – disse.

Entre os participantes, no Vaticano, do encontro dos Movimentos Populares figura também o presidente da Bolívia, Evo Morales.

O director da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, explicou que, nesta ocasião, a visita do chefe de Estado boliviano não foi "organizada mediante os habituais canais diplomáticos" e que o encontro "privado e informal" no final da tarde desta terça-feira entre o Papa Francisco e o presidente deve ser considerado "uma expressão de afecto e proximidade ao povo e à Igreja boliviana e um apoio à melhoria das relações entre as Autoridades e a Igreja no país". (RL/BS)

Papa Francisco encontra líderes de movimentos sociais


(RV) Encorajados pelo Papa Francisco a “construir uma Igreja pobre e para os pobres”, mais de 100 leigos, líderes de grupos sociais, 30 bispos empenhados com as realidades e os movimentos sociais nos seus países, e cerca de 50 agentes pastorais, além de alguns membros da Cúria romana, participam desde segunda-feira (27/10) do Encontro Mundial dos Movimentos Populares, que se realiza em Roma até esta quarta-feira, 29 de outubro.
O evento é organizado e promovido pelo Pontifício Conselho da Justiça e Paz, em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais.
O discurso do Papa aos presentes foi precedido pela saudação do Cardeal Peter Turkson, Presidente do organismo que promove o encontro. Nas suas palavras o purpurado recordou que o Pontifício Conselho da Justiça e Paz, em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais e os líderes dos Movimentos envolvidos, organizou este Encontro, a fim de fortalecer a rede de organizações populares, favorecer o conhecimento recíproco e promover a colaboração entre eles e as Igrejas locais, aqui representados por bispos e seus agentes pastorais provenientes de vários países do mundo, comprometidos na promoção e tutela da dignidade e dos direitos da pessoa humana.

Num mundo globalizado, caracterizado por múltiplas discriminações e injustiças, sentimo-nos chamados a fazer ouvir a voz daqueles que não têm voz, e a dar visibilidade aos milhões de excluídos e marginalizados - especialmente os camponeses, os jovens, os imigrantes e as mulheres - que enfrentam diversas barreiras para o acesso seja a um trabalho digno, seja à terra ou a uma moradia decente.

“Sustentados, muitos de nós, pela fé em Cristo, que se fez pobre entre os pobres, e fortes pelo magistério social do Papa Francisco e da sua preocupação para com as vítimas da indiferença e do egoísmo de um sistema social e económico elitista, - destacou o cardeal - estamos reunidos hoje, no Vaticano, para recebermos de si, Santo Padre, palavras que nos iluminem e nos apoiem no nosso difícil caminho para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, onde ninguém seja considerado um “descarte” (Evangelii gaudium, n 53), mas visto com o olhar de Deus, que abraça todos os seus filhos, especialmente aqueles a quem o Senhor chama de ‘meus irmãos e irmãs mais pequeninos’”. (SP/BS)

28 outubro, 2014

Estejamos dentro da Igreja, não fiquemos na recepção – o Papa em Santa Marta

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(RV) Na missa de terça-feira, dia 28 de outubro na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco exortou os cristãos a estarem dentro da Igreja e a não ficarem na entrada ou na receção. A Cristo interessa amar e curar os corações e não medir os pecados – afirmou o Papa Francisco refletindo sobre o Evangelho do dia que nos conta o nascimento da Igreja com o chamamento dos Apóstolos:

“Jesus reza, Jesus chama, Jesus escolhe, Jesus envia os discípulos, Jesus cura a multidão. Dentro deste templo, este Jesus que é a pedra angular faz todo este trabalho: é Ele que leva em frente a Igreja assim. Como dizia Paulo, esta Igreja está edificada sobre os fundamentos dos Apóstolos. Este que Ele escolheu, aqui: escolheu doze. Todos pecadores. Todos. Judas não era o mais pecador, não sei quem era... Judas pobrezinho, é aquele que se fechou ao amor e por isso se tornou traidor. Mas todos escaparam no momento difícil da Paixão e deixaram só Jesus. Todos são pecadores. Mas Ele escolheu.”

Jesus não nos quer dentro da Igreja como hóspedes ou estrangeiros mas com o direito de um cidadão.– disse ainda o Santo Padre, citando S. Paulo. Na Igreja não estamos de passagem, estamos radicados nela. A nossa vida está ali – afirmou o Papa Francisco:

“Nós somos cidadãos, concidadãos desta Igreja. Se nós não entrarmos neste templo e fizermos parte desta construção, para que o Espírito Santo habite em nós, nós não estaremos na Igreja. Nós estamos na porta e olhamos: ‘Que bonito… sim, isto é belo…’. Cristãos que não ultrapassam a recepção da Igreja; estão ali, na porta… ‘Mas sim, sou católico, mas não muito”.
O Papa Francisco concluiu a sua homilia realçando o valor da oração para o curar o pecado em cada um de nós:

“Jesus não se importou com o pecado de Pedro: buscava o coração. Mas para encontrar esse coração e para curá-lo, rezou. Jesus que reza e Jesus que cura, também por cada um de nós. Não podemos entender a Igreja sem este Jesus que reza e este Jesus que cura. Que o Espírito Santo nos faça entender, a todos nós, esta Igreja que tem a sua força na oração de Jesus por nós e que é capaz de curar a todos nós”. (RS)

27 outubro, 2014

Papa Francisco: Papa Bento XVI, um grande Papa, a ciência deve ser para todos


(RV) O Papa Francisco foi na manhã desta segunda-feira à Casina Pio IV, no Vaticano, por ocasião da Plenária da Pontifícia Academia das Ciências e para a inauguração de um busto em homenagem a Bento XVI. Este busto, disse o Papa Francisco, recorda a todos a pessoa e o rosto do amado Papa Ratzinger, evoca também o seu espírito: o espírito dos seus ensinamentos, dos seus exemplos, das suas obras, da sua devoção à Igreja, da sua actual vida "monástica". E este espírito, continuou o Papa, longe de se desintegrar com o andar do tempo, aparecerá cada vez maior e mais poderoso de geração em geração, pois Bento XVI é um grande Papa: grande pela força e a penetração da sua inteligência, pela sua significativa contribuição à teologia, pelo seu amor à Igreja e aos seres humanos, pela sua virtude e religiosidade. E o Papa recordou ainda que o amor de Bento XVI pela verdade não se limita apenas à teologia e filosofia, mas se abre às ciências, e este amor pelas ciências transborda na sua solicitude pelos cientistas, sem distinção de raça, nacionalidade, civilização, e religião; solicitude pela Academia, desde que São João Paulo II o nomeou como membro.
Certamente – sublinhou o Papa – do Papa Bento XVI nunca se poderá dizer que o estudo e a ciência fizeram murchar a sua pessoa e o seu amor para com Deus e o próximo mas, pelo contrário, a ciência, a sabedoria e a oração dilataram o seu coração e o seu espírito. Devemos por isso agradecer a Deus pelo dom que ele deu à Igreja e ao mundo, com a existência e o pontificado do Papa Bento XVI, e agradecer também a todos aqueles que generosamente tornaram possível a obra o evento, de modo particular o autor do busto, o escultor Fernando Delia, a família Tua, e todos os Académicos.
Em seguida, o Papa dirigiu-se aos académicos dizendo de ser feliz de exprimir a sua profunda estima e caloroso encorajamento para que levem para frente o progresso científico e a melhoria das condições de vida das pessoas, especialmente dos mais pobres. E, mesmo sem querer abordar a complexa questão da evolução do conceito da natureza, o Papa sublinhou que Deus e Cristo caminham connosco e estão presentes também na natureza, como afirmara o apóstolo Paulo no Areópago.
O cientista, portanto, e especialmente o cientista cristão, deve interrogar-se sobre o futuro da humanidade e da Terra, e deve ser livre e responsável, para concorrer na sua preparação e para preservá-lo, eliminando os riscos quer do ambiente natural quer daquele humano. E ao mesmo tempo, disse ainda o Papa Francisco, o cientista deve ser movido pela confiança de que a natureza esconde nos seus mecanismos evolutivos, o potencial que a inteligência e a liberdade deve descobrir e aplicar para chegar ao desenvolvimento que está no desígnio do Criador.
E o Papa terminou a sua mensagem dizendo: “encorajo-vos a continuar os vossos trabalhos e a realizar as felizes iniciativas teóricas e práticas para o benefício dos seres humanos que vos honram. E agora entrego com alegria o colar, que o Mons. Sanchez Sorondo dará aos novos membros. Obrigado” (BS)

As palavras revelam se somos cristãos da luz, das trevas ou cinzentos – Papa na missa desta segunda-feira em Santa Marta

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(RV) O exame de consciência sobre as nossas palavras nos faz compreender se somos cristãos da luz, das trevas, ou cor de cinza: é quanto disse o Papa Francisco na homilia da missa desta segunda-feira de manhã na capela da Casa Santa Marta, onde reside.

As pessoas se reconhecem pelas suas palavras. São Paulo ao convidar os cristãos a comportar-se como filhos da luz e não como filhos das trevas “faz uma catequese sobre a palavra” – afirmou o Papa acrescentando que há quatro palavras para compreender se somos filhos das trevas:

É uma palavra hipócrita?, uma pouco daqui um pouco de acolá, para estar bem com todos? É uma palavra vazia, sem substância, cheia de vacuidade? É uma palavra vulgar, trivial, isto é mundana? Uma palavra feia, obscena? Estas quatro palavras não são dos filhos da luz, não vêm do Espírito Santo, não vêm de Jesus, não são palavras evangélicas… este modo de falar, falar sempre de coisas feias, de mundanidade, vacuidade, falar hipocritamente…”.

Qual é então a palavra dos Santos, isto é dos filhos da luz? Responde o Papa:

Paulo o diz: “Fazei-vos imitadores de Deus: caminhai na caridade; caminhai na bondade; caminhai de forma humilde... “Sede misericordiosos – diz São Paulo – perdoando-vos reciprocamente, como Deus perdoou-vos em Cristo. Fazei-vos, portanto, imitadores de Cristo e caminhai na caridade, isto é caminhai na misericórdia, no perdão, na caridade. Esta é a palavra da luz

O Papa passou depois a falar do terceiro grupo de cristãos que não são nem luminosos, nem tenebrosos. São os cristãos do cinzento que às vezes estão dum lado, às vezes do outro. E recordou que no livro do Apocalipse, o Senhor diz a estes cristãos do cinzento:

Mas não, tu não és nem quente, nem frio. Quem dera que fosses quente ou frio. Mas és tépido – Estou para te vomitar da minha boca” .

Os cristãos do cinzento - continuou o Papa - "provocam muito mal porque o seu testemunho cristão é um testemunho que semeia confusão, semeia um testemunho negativo”.

E o Papa concluiu exortando a reflectirmos sobre as nossas palavras, a não nos deixarmos enganar por palavras vazias, bem ditas, mas vazias, e a comportarmo-nos como filhos da luz.

A Semana do Papa – uma síntese das principais atividades de 20 a 26 de outubro

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Dia 20
Nesta segunda-feira, dia 20, teve lugar na Aula do Sínodo o Consistório Ordinário Público presidido pelo Papa Francisco para Causas de Canonização. Foi vontade do Santo Padre, comunicada durante o Sínodo dos Bispos, que estivessem presentes neste Consistório também os Patriarcas do Medio Oriente para informar os membros do Colégio cardinalício sobre a atual situação dos cristãos nesta região.

Tomando a palavra, o Papa Francisco explicou o motivo pelo qual quis realizar este Consistório, que foi, segundo o Santo Padre, a vontade comum de resolver os conflitos com o diálogo e ajudar de todas as formas possíveis as comunidades cristãs a permanecerem na região. Disse o Papa:

“Não podemos imaginar o Médio Oriente sem os cristãos, que há dois mil anos ali confessam o nome de Jesus. Os últimos acontecimentos, principalmente no Iraque e na Síria, são muito preocupantes. Assistimos a um fenómeno de terrorismo de dimensões jamais pensadas. Muitos irmãos são perseguidos e tiveram que deixar as suas casas de modo brutal. Ao que parece, perdeu-se a consciência do valor da vida humana; é como se as pessoas não contassem mais e pudessem ser sacrificadas em nome de outros interesses. Isto acontece, infelizmente, no meio da indiferença de muitos”.
“Esta situação injusta requer, além da nossa constante oração, uma resposta adequada também da Comunidade Internacional. Estou certo que, com a ajuda do Senhor, emergirão do encontro de hoje válidas reflexões e sugestões para ajudar os nossos irmãos que sofrem e abordar o drama da redução da presença cristã na terra onde nasceu e da qual se difundiu o cristianismo”, afirmou ainda o Papa Francisco no seu discurso aos Cardeais reunidos em Consistório.

Dia 21
Somos um povo unido em Jesus, não pessoas que se arranjam sozinhas – esta a principal mensagem do Papa Francisco em Santa Marta na terça-feira dia 21 de outubro. Na sua reflexão o Santo Padre procura fundir os ensinamentos das duas leituras do dia: Carta de S. Paulo aos Efésios capítulo 2 e Evangelho de S. Lucas no seu capítulo 12. E a primeira ideia fundamental que nos deixa o Papa Francisco é que nós sem Cristo não temos identidade. Aquilo que veio fazer Jesus connosco é dar-nos cidadania, pertença a um povo, nome e apelido. E assim Jesus junta-nos com o seu sangue abatendo o muro da separação que divide – afirmou o Papa Francisco:

“Todos nós sabemos que quando não estamos em paz com as pessoas, há um muro que nos divide. Mas Jesus oferece-nos o seu serviço de abate deste muro para que nos possamos encontrar. E se estamos divididos não somos amigos: somos inimigos. E fez mais para reconciliar todos em Deus: Reconciliou-nos com Deus: de inimigos a amigos; de estranhos a filhos.”

De gente de estrada que nem sequer convidados eram a familiares de Deus foi isto que Jesus fez com a sua vinda – afirmou o Papa que declarou ainda que só há uma condição: Esperar Jesus:

“Esperar Jesus. Quem não espera Jesus, fecha a porta a Jesus, não o deixa fazer esta obra de paz, de comunidade, de cidadania, mais: de nome. Dá-nos um nome. Faz-nos filhos de Deus. Esta é a atitude de esperar Jesus, que está dentro da esperança cristã. O cristão é um homem ou uma mulher de esperança.”

Dia 22
Quarta-feira, 22 de outubro, audiência geral na Praça de S. Pedro – tema da catequese do Papa Francisco: A Igreja Corpo de Cristo.

“... quando se quer evidenciar como os elementos que compõem uma realidade estejam estreitamente unidos um ao outro e formem juntos uma só coisa, usa-se, muitas vezes, a imagem do corpo. A partir do Apóstolo Paulo, esta expressão foi aplicada à Igreja e foi reconhecida como o seu traço distintivo mais profundo e mais belo. Hoje, então, podemos perguntar: em que sentido a Igreja forma um corpo? E porque é que é definida “corpo de Cristo”?”

A Igreja Corpo de Cristo é uma imagem profunda que indica o vínculo real que nos une a Cristo após o Batismo. Isso mesmo nos mostra a visão do profeta Ezequiel, que diante de ossos ressequidos espalhados pelo chão, recebe de Deus a ordem de invocar sobre estes o Espírito do Senhor, para que eles formem um corpo cheio de vida.

“A partir daquele momento, os ossos começam a aproximar-se e a unir-se, sobre eles crescem antes os nervos e depois a carne e forma-se, assim, um corpo completo e cheio de vida. Isto é a Igreja!”

“É a obra-prima do Espírito, o qual infunde em cada um a vida nova do Ressuscitado e nos põe um ao lado do outro, um ao serviço e apoio do outro, fazendo assim de todos nós um só corpo edificado na comunhão e no amor.”

Dia 23
O Papa Francisco encontrou-se nesta quinta-feira, no Vaticano, com uma delegação dos juristas da Associação Internacional de Direito Penal e disse-lhes que os cristãos e homens de boa vontade "são chamados hoje a lutar não somente pela abolição da pena de morte", em "todas as suas formas", mas também pela melhoria das "condições prisionais". As afirmações fortes e contundentes do Papa Francisco:

"Todos os cristãos e homens de boa vontade são, portanto, chamados hoje a lutar não somente pela abolição da pena de morte, legal ou ilegal que seja, e em todas as suas formas, mas também pela melhoria das condições prisionais, no respeito pela dignidade humana das pessoas privadas da liberdade. E uno isso também à prisão perpétua. No Vaticano, há pouco tempo atrás, no Código Penal do Vaticano, não existe a prisão perpétua. Ela é uma pena de morte coberta."

Dia 24
Fazer a unidade na Igreja é o dever de cada cristão – esta a mensagem do Papa Francisco na manhã de sexta-feira dia 24 na Missa na Capela da Casa de Santa Marta. Guiados pelo Espírito Santo faremos a unidade da Igreja na diversidade das pessoas. Partindo da Carta de S. Paulo aos Filipenses o Santo Padre deixou claro que fazer a unidade é o trabalho da Igreja e de cada cristão:

“Fazer a unidade da Igreja, construir a Igreja, este templo, esta unidade da Igreja: este é o dever de cada cristão, de cada um de nós. Quando se deve construir um templo, um prédio procura-se uma área edificável, preparada para isso. A primeira coisa que se faz é procurar a pedra base, a pedra angular diz a Bíblia, E a pedra angular da unidade da Igreja ou melhor a pedra angular da Igreja é Jesus…”

Na manhã desta sexta-feira, 24 de outubro, o Papa Francisco recebeu em audiência uma delegação da Fundação ‘Lumen’, que reúne os cristãos de tradição oriental nos Estados Unidos da América.
Quarenta e cinco membros desta Fundação estão de passagem por Roma no âmbito de uma peregrinação ecuménica, liderados pelo Metropolita, Kàllistos de Diokleia. Nascido na Inglaterra há 80 anos, Kàllistos entrou na Igreja Ortodoxa aos 24 anos e tornou-se Metropolita em 2007. É muito ativo no campo do diálogo pela unidade dos cristãos.
No discurso que dirigiu aos membros desta instituição o Santo Padre referiu-se à sua próxima viagem à Turquia em novembro:

A visita do bispo de Roma ao Patriarcado Ecuménico, e este novo encontro entre o Patriarca Bartolomeu e a minha pessoa serão sinal da profunda relação que une as sedes de Roma e Constantinopla e do desejo de superar, no amor e na verdade, os obstáculos que ainda nos dividem.

Dia 26
Na sua habitual reflexão antes da oração mariana do Angelus, o Papa Francisco, comentou o evangelho deste 30° Domingo em que que S. Mateus fala de alguns fariseus que, querendo pôr à prova Jesus, lhe perguntam qual é o maior dos mandamentos, e disse que o evangelho nos recorda que toda a lei divina se resume no amor de Deus e no amor ao próximo: “amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espirito. O segundo é semelhante a este: amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. E o Papa Francisco acrescentou:

Jesus não inventou nem este segundo mandamento, cita-o do Livro do Levítico, mas a sua novidade consiste exatamente em colocar juntos estes dois mandamentos - o amor por Deus e o amor pelo próximo – revelando que esses são inseparáveis e complementares, são as duas faces de uma mesma medalha.”
E, recordou a este propósito o comentário de Bento XVI nos nn. 16-18 da sua Enciclica Deus caritas est. E explicou:

“O sinal visível que o cristão pode mostrar para testemunhar ao mundo o amor de Deus é o amor aos irmãos. O mandamento do amor a Deus e ao próximo é o primeiro não porque ele está no topo da lista dos mandamentos, mas porque é o coração do qual tudo deve começar e ao qual tudo deve voltar e fazer referência.”

E com o Angelus deste domingo terminamos esta síntese das principais atividades do Santo Padre que foram notícia de 20 a 26 de outubro. Esta rubrica regressa na próxima semana sempre aqui na RV em língua portuguesa. (RS)

26 outubro, 2014

Amor a Deus e ao próximo, duas faces da mesma medalha - Papa Francisco durante o Angelus

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(RV) Na sua habitual reflexão antes da oração mariana do Angelus, o Papa Francisco, comentou o evangelho deste 30° Domingo em que que S. Mateus fala de alguns fariseus que, querendo pôr à prova Jesus, lhe perguntam qual é o maior dos mandamentos, e disse que o evangelho nos recorda que toda a lei divina se resume no amor de Deus e no amor ao próximo: “amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espirito. O segundo é semelhante a este: amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. E o Papa Francisco acrescentou:

Jesus não inventou nem este segundo mandamento, cita-o do Livro do Levítico, mas a sua novidade consiste exactamente em colocar juntos estes dois mandamentos - o amor por Deus e o amor pelo próximo – revelando que esses são inseparáveis e complementares, são as duas faces de uma mesma medalha.
E, recordou a este propósito o comentário de Bento XVI nos nn. 16-18 da sua Enciclica Deus caritas est. E explicou:

O sinal visível que o cristão pode mostrar para testemunhar ao mundo o amor de Deus é o amor aos irmãos. O mandamento do amor a Deus e ao próximo é o primeiro não porque ele está no topo da lista dos mandamentos, mas porque é o coração do qual tudo deve começar e ao qual tudo deve voltar e fazer referência.
Também no Antigo Testamento – continuou o Papa - a exigência de ser santo, à imagem de Deus que é santo, incluía também o dever de cuidar dos mais vulneráveis ​​como o estrangeiro, o órfão, a viúva, e Jesus veio completar esta lei de aliança, Ele que une em si mesmo, na sua carne, a divindade e a humanidade, num único mistério de amor.
E agora, à luz da palavra de Jesus, o amor é a medida da fé, insistiu o Papa, e a fé é a alma do amor:

Já não podemos mais separar a vida religiosa do serviço aos irmãos, àqueles irmãos concretos que encontramos. Já não podemos dividir a oração, o encontro com Deus nos sacramentos, e a escuta do outro, a proximidade à sua vida, especialmente às suas feridas.
No meio da densa floresta de preceitos e regulamentos, disse ainda o Papa, aos legalismos de ontem e de hoje, Jesus abre uma passagem que nos permite ver dois rostos: o rosto do Pai e o do irmão.

Não nos entrega duas fórmulas ou dois preceitos, mas dois rostos, ou melhor um único rosto, o rosto de Deus que se reflecte em muitos rostos, porque no rosto de cada irmão, especialmente o mais pequeno, frágil e indefeso, está presente a própria imagem de Deus.
Deste modo, concluiu o Papa a sua reflexão, Jesus oferece a cada homem o critério fundamental sobre o qual basear a sua própria vida. Mas acima de tudo, ele nos deu o seu Espírito, que nos permite amar a Deus e ao próximo como Ele, com um coração livre e generoso, e invocou a intercessão de Maria, para uma maior abertura e acolhimento deste dom, para todos caminharmos na lei do amor

Depois da oração das três ave-marias o Papa falou da beatificação, em S. Paulo do Brasil, da fundadora das Missionárias Escalabrinianas:

Ontem, em São Paulo, Brasil, foi proclamada Beata a Irmã Assunta Marchetti, nascida na Itália, co-fundadora das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo Escalabrinianas. Era uma Irmã exemplar no serviço aos órfãos dos emigrantes italianos; ela via Jesus presente nos pobres, órfãos, doentes, e migrantes. Demos graças ao Senhor por esta mulher, um modelo de incansável missionariedade e de corajosa dedicação no serviço da caridade.
Por último o Papa saudou cordialmente a todos os peregrinos provenientes da Itália e de muitos outros Países, tendo dirigido um pensamento especial à comunidade peruviana de Roma, presente na Praça de S. Pedro com a imagem do Senhor dos Milagres e os representantes do Movimento Schoenstatt também presentes na praça com um ícone bem visível de Nossa Senhora.

E por fim o Papa deu a todos a sua bênção pedindo para que rezem por ele e desejando bom domingo e bom almoço.