31 julho, 2014

Bispos asiáticos acompanharão o Papa Francisco na sua Visita à Coreia do Sul em agosto


(RV) Serão 90 os bispos asiáticos que acompanharão o Santo Padre durante os cinco dias da viagem à Coreia do Sul: é o que informou o Comité de preparação da visita do Papa. “Cerca de 90 Bispos, dos quais 30 convidados pelo próprio Papa e 60 vindos dos países asiáticos estarão presentes nos vários momentos dos quais Francisco participará durante a visita à Coreia do Sul”, informou numa nota à imprensa.

O Santo Padre visitará a Coreia do Sul de 14 a 18 de agosto. A preparação já está na reta final. O Papa celebrará quatro missas, sendo uma delas com a beatificação de 124 mártires coreanos e outra no Encontro dos jovens católicos asiáticos. Acompanharão o Papa, os cardeais Pietro Parolin, Secretário de Estado Vaticano; Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, e Stanislaw Rylko, Presidente do Cnselho Pontifício para os Leigos.

O Cardeal Oswald Gracias, Presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia, e os Bispos do Japão, Mianmar, Filipinas, Mongólia, Laos e outros Países asiáticos acompanharão o Papa Francisco. (SP/RS)

30 julho, 2014

A Santa Sé propõe à atenção dos governos as preocupações do Papa pela paz


(RV) “Não haverá nenhum futuro no Médio Oriente sem a presença e a contribuição dos cristãos”: foi o que disse o Cardeal Leonardo Sandri, Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, durante a Divina Liturgia celebrada em San Diego, Califórnia, na Catedral da Eparquia caldeia. Rezando pelos cristãos perseguidos no Iraque, a pátria da Igreja Caldéia, o purpurado recordou também os cristãos da Síria, Palestina, Egito, assim como a delicada situação na Ucrânia dos greco-católicos, expressando a proximidade e o encorajamento do Papa a “perseverar com força na fé e na esperança”.

Citando, então, as palavras do Patriarca caldeu Louis Sako, o Cardeal Sandri destacou que hoje, “pela primeira vez na história do Iraque, em Mossul não há cristãos”, e que “o país se aproxima de um desastre humanitário, cultural e histórico”. Também o Patriarca Maronita Bechara Boutros Rai, acrescentou o cardeal prefeito, exortou os perseguidores dos cristãos ao diálogo, em nome da “humanidade comum”, e convidando a escolher o “diálogo, a compreensão, o respeito pelo outro” no lugar “de armas, do terrorismo e da violência”.

“Nenhuma religião - reiterou o Cardeal Sandri - pode aceitar matar os filhos de Deus, em nome do próprio Deus”, sublinhando que “os cristãos do mundo devem ser a voz” dos marginalizados da sociedade e devem “defender firmemente os seus direitos”. Daqui, o convite a rezar em silêncio, um silêncio que, no entanto, “não é de indiferença, porque extrai a sua força do silêncio de Cristo na cruz e está cheio de Amor eterno, do qual nada nos pode separar”.

Por fim, o cardeal expressou a sua alegria pela grande presença de sacerdotes na liturgia, juntamente com os animadores, o coro e os cerca de mil fiéis, pedindo paz e justiça para todos os que são afetados por uma violência incrível e sem sentido.


Na sua chegada, o prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais foi recebido pelo bispo da Eparquia caldeia, Dom Sarhad Jammo, que destacou “o imenso conforto” que o representante pontifício trazia a todos os cristãos do Oriente com sua visita e a sua oração. (SP/RS)

29 julho, 2014

Papa em Caserta aos evangélicos pentecostais: o Espírito Santo faz a diversidade mas também a unidade

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(RV) O Espírito Santo faz a diversidade, mas faz também a unidade na Igreja – esta a mensagem principal do Papa Francisco durante o encontro nesta segunda-feira, dia 28, na "Igreja Pentecostal da Reconciliação" em Caserta, sul da Itália, aonde foi encontrar o Pastor Giovanni Traettino, seu amigo dos tempos de Buenos Aires e que, como ele, há muitos anos trabalha em prol do ecumenismo.
Participaram do encontro cerca de 200 pessoas, na sua maioria pentecostais oriundos, principalmente, da Itália, dos EUA e da Argentina. Foi um encontro muito belo e familiar, entre o Papa Francisco e o seu amigo Pastor reunido com a sua comunidade. Comovido, Traettino saudou o Papa por entre os aplausos afetuosos dos presentes:

"Caríssimo Papa Francisco, meu amado irmão, é grande a nossa alegria por esta sua visita: uma grande e inesperada graça, impensável até há pouco tempo atrás. E poderá ver isso nos olhos das crianças, dos idosos, dos jovens e das famílias. Nós gostamos de si! (aplausos)”

“E deve saber uma coisa: também entre nós, evangélicos, temos muito afeto pela sua pessoa (aplausos) e muitos de nós, todos os dias, rezamos por si. Aliás, é muito fácil gostar de si.”

“Muitos de nós até acreditam que a sua eleição a Bispo de Roma tenha sido obra do Espírito Santo (aplausos)."
O Pastor Traettino, que no dia 1 de junho passado participou no encontro do Papa com a Renovação Carismática no Estádio Olímpico de Roma, recordou o esforço do Santo Padre ao ir pela segunda vez a Caserta e afirmou: "Com homens como o senhor há esperança para nós cristãos!" Em seguida, falou da unidade da Igreja fundada em Jesus Cristo. Disse que o centro da nossa vida é estar na presença de Jesus e que a fé é um encontro pessoal com Ele. Por sua vez, o Papa falou da diversidade que não é divisão e recordou quem é que faz a unidade na Igreja:

"O Espírito Santo faz a diversidade na Igreja e essa diversidade é tão rica, muito bonita; mas, depois, o próprio Espírito Santo faz a unidade. E assim a Igreja é una na diversidade. E para usar uma palavra bela de um evangélico, que amo muito, é uma diversidade reconciliada pelo Espírito Santo."
A unidade – observou ainda o Papa – não é uniformidade, porque "o Espírito Santo faz duas coisas: faz a diversidade dos carismas, e depois faz a harmonia dos carismas". O ecumenismo é justamente buscar que "essa diversidade seja mais harmonizada pelo Espírito Santo e se torne unidade". O Santo Padre pediu perdão, como pastor dos católicos, pelas leis emanadas no passado contra os protestantes e de seguida, respondeu aos que ficaram surpresos pelo facto de o Papa ter ido visitar pentecostais dizendo-lhes que foi encontrar os irmãos:

"Alguém estará surpreso: 'O Papa foi visitar evangélicos!' Foi encontrar os irmãos! (aplausos). Agradeço-vos muito e peço que rezem por mim, preciso muito...para que, pelo menos, seja menos mau. Obrigado! (aplausos)." (RL/RS)

Delegação de Bispos franceses no Iraque: demasiada indiferença para com os cristãos, Ouça entrevista

Igreja cristã incendiada em Mossul
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(RV) Uma delegação da Igreja católica francesa iniciou segunda-feira, no Iraqque, uma visita de solidariedade para com os cristãos desse País, cuja existência é cada vez mais ameaçada pela guerra e pelo avanço dos integralistas do chamado Estado islâmico. Em Mossul, passados 2000 anos, praticamente já não há cristãos, foram expulsos à força das suas casas.

A delegação guiada pelo cardeal Philippe Barbarin, arcebispo de Lion, encontrará, dentre outros, o Patriarca de Babilónia dos Caldeus, Louis Raphaiel Sako I. Participa também nesta missão D. Michel Dubost, bispo de Evry-Corbeil-Essonnes. Foi entrevistado por António Galofaro.

Nós queremos que a atenção para com o que está a acontecer agora, sobretudo em Gaza, não nos faça esquecer que os cristãos do Oriente vivem um momento extremamente difícil. Desejamos manifestar a esses nossos irmãos e irmãs que somos solidários com eles e que queremos, com todo o coração, estar-lhes vizinhos.

- Vós denuciais a indiferença que existe para com as perseguições que sofrem os cristãos nesse Pais…

É claro que não existem muitas imagens na televisão: somente Gaza, mas da Síria e do Iraque não temos imagens: todavia, aqui, os cristãos sofrem muito! E fala-se pouco disso ou nem sequer se fala nisso. O que nós procuramos fazer é tornar público esse sofrimento.

- Vós sois da opinião de que a Comunidade internacional não se empenhou na resolução desses conflitos…

A Comunidade Internacional, é, aliás, desde há tempos que mostra a sua impotência. O presidente Bush quis intervir no Iraque, mas abriu um vaso de Pandora, que provocou mais males do que bem! E hoje o “Califado” dispõe de muito dinheiro, de muitos recursos e de muitíssimos meios e isso é, na verdade, muito inquietante para a paz no mundo. Seria necessário que as grandes potências se preocupassem em tempo útil! Mas não sabem o que é que devem fazer: esse é o problema!

- O que esperam desta missão no Iraque?

O que nós esperamos é muito claro! Queremos, antes de mais, encontrar essas pessoas, dizer-lhes que nós estamos espiritualmente junto deles… Decerto é uma pequena consolação: mas, quando se sofre, é importante escutar os que nos estão vizinhos. Pedimos ao Senhor para mudar os corações. Não existem outras soluções! Nós vamos ao Iraque como pobres: mas os pobres podem transformar o mundo!

28 julho, 2014

OS “GESTOS” DO PAPA FRANCISCO




Agora lemos e vemos permanentemente em jornais, revistas, televisões, etc., frases acompanhadas de fotografias, tais como:
«Papa Francisco almoça na cantina do Vaticano.»
«Papa Francisco pára para falar com deficiente.»
«Papa Francisco telefona a esta ou àquele.»
e podia continuar, enchendo folhas e folhas de papel com todas estas notícias sobre o Papa Francisco.

Antes de mais, quero louvar a Deus por este Papa que nos quis dar, neste tempo em que o mundo tanto necessita de testemunhos de paz, de humildade, de amor, enfim, testemunhos de Deus.
Depois afirmar que, para mim, todas estas notícias, todos estes testemunhos, me tocam e exortam a querer ser melhor cristão, mais católico, (universal), a querer ser mais Igreja com todos e para todos.

Mas também me apetece perguntar se a razão da comunicação social tanto noticiar o Papa Francisco se prende com a bondade de querer testemunhar este extraordinário exemplo, ou se pretendem fazer comparações com outros Papas, (criando divisão), ou de alguma forma atacar a Igreja antes deste Papa?
E depois perguntar ainda se, de alguma forma, os testemunhos deste Papa são noticiados para exercerem boa influência na sociedade, ou se são noticiados apenas como “fait divers”, que não levam a qualquer reflexão sobre a vida e a sociedade, até da parte daqueles que colocam tais notícias?

É que se as notícias sobre estes testemunhos da Papa Francisco servem apenas como “arma de arremesso” em desfavor dos anteriores Papas, ou como se houvesse uma pretensa “nova” Igreja, desiludam-se porque não é essa de modo nenhuma a vontade de Francisco, mas apenas e tão só ser o homem que o Espírito Santo entendeu colocar à frente da Igreja com todos as suas qualidades, capacidades, carismas e até defeitos, (que os terá, sem dúvida), no tempo certo, para sociedade deste tempo.

Vejamos todas essas fotografias com olhos de ver, leiamos todas essas notícias com a bondade do coração, rezemos cada vez mais pelo Papa Francisco e pela Igreja, e, sobretudo, tentemos imitar o seu testemunho de humildade e amor ao próximo.

Então sim, acredito que estaremos a entender perfeitamente os gestos do Papa, estaremos a construir a Igreja de Cristo, que começou em Pedro e continuou pelos seus Sucessores, até chegar a este Francisco que Deus nos deu.


Marinha Grande, 28 de Julho de 2014
Joaquim Mexia Alves

Papa de novo em Caserta para um encontro privado com um Pastor pentecostal, amigo


(RV) Na manhã desta segunda-feira, 28, o Papa Francisco voltou a Caserta onde esteve no passado sábado. Desta vez tratou-se de uma visita estritamente privada para encontrar-se com o pastor evangélico Giovanni Traettino, seu amigo dos tempos de Buenos Aires, como ele próprio desde há muito empenhado no ecumenismo.
De facto, o Pastor Traettino participou no passado 1 de junho, no Estádio Olímpico de Roma, no encontro com o Renovamento no Espírito, aonde interveio também o Papa, e trabalho ativamente a favor do diálogo entre carismáticos católicos e protestantes.

O Santo Padre chegou a Caserta, de helicóptero, por volta das 10.15. Após um colóquio pessoal na residência do Pastor Traettino, o Papa Francisco teve um encontro com a Comunidade da Igreja evangélica pentecostal, umas 200 pessoas, no local da igreja pentecostal da Reconciliação, ainda em construção (fotos). Presentes também outros Pastores Pentecostais provenientes da Argentina, dos Estados Unidos e de outros países.

O Santo Padre deteve-se a almoçar com a Comunidade.

Esta tarde, o regresso ao Vaticano.

27 julho, 2014

Peço-vos, de todo o coração: por favor, parem (os ataques)! É tempo de parar! - súplica do Papa, ao Angelus

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(RV) Há que “fazer prevalecer sempre as razões da paz, através de um diálogo paciente e corajoso”, tendo presentes “as lições da história”. Que “no centro de cada decisão não se ponham os interesses particulares, mas sim o bem comum e o respeito por cada pessoa”: esta a advertência e a exortação do Papa Francisco, neste domingo ao meio-dia, na Praça de São Pedro, evocando, depois da reza do Angelus, os 100 anos da I Grande Guerra.
Ocorre amanhã o centésimo aniversário do deflagrar da I Guerra Mundial, que causou milhões de vítimas e imensas destruições. Esse conflito, que o Papa Bento XV definiu um “massacre inútil”, desembocou, ao fim de quatro anos, numa paz que resultou mais frágil. Amanhã será um dia de luto por esta trágico evento.
O Papa fez votos de que “não se repitam os erros do passado, mas se tenham presentes – isso sim – as lições da história, fazendo sempre prevalecer as razões da paz, mediante um diálogo paciente e corajoso”.
Neste contexto, o Santo Padre evocou “três áreas de crise”, bem atuais: Médio Oriente, Iraque e Ucrânia, pedindo que todos se unem à sua oração…
para que o Senhor conceda às populações e às Autoridades daquela zona a sabedoria e a força necessárias para prosseguir com determinação no caminho da paz, enfrentando todos os contrastes com a tenacidade do diálogo e das negociações e com a força da reconciliação.
Papa Francisco pediu “que no centro de todas as decisões se coloquem não os interesses particulares, mas o bem comum e o respeito por cada pessoa”.
Recordando, em palavras improvisadas, a tragédia especialmente vivida pelas crianças, mortas ou feridas, mutiladas, que não conseguem sorrir, suplicou:
Parem, por favor, parem! É tempo de parar!

Na breve catequese que precedeu a recitação do Angelus dominical, o Santo Padre comentou o Evangelho deste domingo, em que Jesus propõe as parábolas do tesouro escondido no campo e da pérola de grande valor. “Assim é o reino de Deus: quem o encontra não tem dúvidas, sente que é isso o que procurava, o que esperava e que corresponde às suas mais autêntica aspirações”.
E é mesmo assim: quem conhece Jesus, quem o encontra pessoalmente, fica fascinado, atraído por tanta bondade, tanta verdade, tanta beleza, e tudo isso numa grande humildade e simplicidade.
Foi o que aconteceu a todos os que ficaram profundamente tocados pela leitura do Evangelho e se converteram mesmo a Jesus. Como São Francisco, que já antes era cristão, mas só “à água de rosas”… Quando o Evangelho nos faz conhecer o Jesus verdadeiro, vivo, Ele fala-nos ao coração e transforma a nossa vida. E então deixa-se tudo… Tudo adquire sentido quando se encontra este tesouro que Jesus chama o Reino de Deus, isto é, Deus que reina na nossa vida; é amor, paz e alegria em cada homem e em todos os homens. E então transparece esta alegria nova…
A alegria de ter encontrado o tesouro do Reino de Deus transparece, vê-se. O cristão não pode manter escondida a sua fé, porque transparece em cada palavra, em cada gesto, mesmo nos mais simples e quotidianos.
A concluir este breve encontro dominical com os romanos e peregrinos congregados na Praça de São Pedro, o Papa saudou todos os presentes, entre os quais de incluía um grupo de escuteiros portugueses provenientes de Gavião.
Foto do fundo: bandeiras palestinianas, neste domingo, ao Angelus, na Praça de São Pedro.

Papa em Caserta: ter esperança em Jesus, acolher os excluídos, defender a legalidade e tutelar o ambiente

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(RV) “Não deixeis que vos roubem a esperança!” Foi com este apelo que o Papa Francisco concluiu a homilia perante a multidão de milhares de fieis que em Caserta o esperaram durante horas, para o saudar e acolher a sua mensagem.
A todos o Papa disse que a esperança é Jesus e é Ele o tesouro que transforma a existência dos homens quando o encontram. A homilia do Santo Padre centrou-se no Evangelho em que Jesus conta duas parábolas, com referência à vida quotidiana das pessoas daquele tempo: a parábola do tesouro escondido no campo e a da pérola de grande valor. Em ambos os casos – fez notar o Papa Francisco - um mesmo sentimento: surpresa e alegria por encontrar a satisfação plena de todos os desejos quando descobrimos na nossa vida a proximidade e a presença de Jesus:
“Uma presença que transforma a existência e nos torna abertos às exigências dos irmãos; uma presença que nos convida a acolher cada presença, também aquela do estrangeiro e do migrante.”
Quando encontramos Jesus ficamos fascinados, conquistados e deixa-se com alegria o normal modo de viver “para abraçar o Evangelho, para nos deixarmos guiar pela lógica nova do amor e do serviço humilde e desinteressado” – afirmou o Santo Padre que, contudo, advertiu que, para termos o Reinos dos Céus, não basta entusiasmo, é preciso colocar Deus em primeiro lugar:

“Dar o primado a Deus significa ter a coragem de dizer não ao mal, não à violência, para viver uma vida de serviço aos outros e em favor da legalidade e do bem comum.”

“Quem se torna amigo de Deus, ama os irmãos, empenha-se a salvaguardar a sua vida e a sua saúde respeitando o ambiente e a natureza. Eu sei que vós sofreis por estas coisas. Mas eu não posso dar-vos a esperança. Mas eu posso dizer-vos: onde está Jesus está a esperança, onde está Jesus ama-se os irmãos, empenhamo-nos a salvaguardar a sua vida, a sua saúde, também respeitando o ambiente e a natureza. É esta a esperança que nunca desilude.”

Na conclusão da sua homilia o Papa Francisco referiu-se à Padroeira de Caserta Santa Ana que neste sábado se festejava, e referiu gostar de lhe chamar “avó” pois sendo mãe de Maria foi ela que preparou a sua filha para ser Rainha dos Céus e da Terra.
O Santo Padre apelou a todos para viverem na fraternidade e na solidariedade “com esperança” pois “a esperança nunca desilude” E repetiu a expressão que tanto gosta de dizer: não deixeis que vos roubem a esperança.” (RS)

26 julho, 2014

O Reino de Deus é Jesus e o contacto com a sua palavra: Papa Francisco na Missa em Caserta, neste sábado


(RV) Não podia ser mais simples – com dois momentos apenas - o programa da visita do Papa Francisco à cidade de Caserta, ao sul de Roma, perto de Nápoles: pouco depois da chegada, de helicóptero, vindo de Roma, o Papa teve um encontro com o clero da diocese, durante cerca de uma hora. Seguiu-se, às 18 horas, a Missa da festa de Santa Ana, padroeira local, no largo em frente ao famoso palácio real de Caserta.

Tendo lugar ao fim da tarde, os textos da missa, como mandam as regras litúrgicas, foram deste domingo. A homilia do Santo Padre centrou-se no Evangelho, em que Jesus conta duas parábolas, com referência à vida quotidiana das pessoas daquele tempo: a parábola do tesouro escondido no campo e a da pérola de grande valor. Em ambos os casos – fez notar o Papa Francisco - um mesmo sentimento: surpresa e alegria por encontrar a satisfação completa de todos os desejos.
Jesus conta estas duas parábolas para ensinar: - o que é o Reino dos céus, - como encontrá-lo, e - o que fazer para o possuir.
Na verdade – observou o Papa – Jesus não se preocupa em “explicar” o que é o Reino de Deus. Fala disso desde o início do Evangelho, insistindo que está “perto” e já “no meio” das pessoas…
O reino dos céus torna-se presente na própria pessoa de Jesus. É Ele o tesouro escondido, a pérola de grande valor.
Mas como é que se encontra o reino de Deus? – interrogou-se o Papa, logo sublinhando que há um percurso particular para cada um, às vezes longo, noutros casos de modo improviso. Seja como for, insistiu, “Deus faz-se encontrar, porque é Ele o primeiro a querer encontrar-se conosco; é Ele a procurar-nos…

(Ele) veio para ser o Deus conosco. É Ele que nos procura e se faz encontrar por aqueles que o procuram … E quando uma pessoa encontra Jesus, fica fascinado, conquistado, e é uma alegria deixar o habitual modo de vida, por vezes árido e apático, para abraçar o Evangelho, para nos deixarmos guiar pela lógica nova do amor e do serviço humilde e desinteressado.
Já a concluir a homilia, Papa Francisco interrogou-se sobre o que há a fazer para “possuir” o reino de Deus. Não basta o entusiasmo inicial da descoberta. Há que colocar Deus no primeiro lugar, na nossa vida, preferi-Lo acima de tudo…
Quando uma pessoa descobre a Deus, o verdadeiro tesouro, abandona um estile de vida egoísta e procura partilhar com os outros a caridade que vem de Deus.
Neste contexto, o Papa fez uma referência à situação concreta vivida naquela zona italiana, em que o tratamento inadequado de resíduos tóxicos contamina as terras agrícolas e o próprio ar, causando nos habitantes sérios problemas de saúde…

Quem se torna amigo de Deus, ama os irmãos, empenha-se em salvaguardar a vida e a saúde de todos, respeitando o ambiente e a natureza. Isto é particularmente importante nesta vossa bela terra, que precisa de ser tutelada e preservada. O que requer coragem de dizer não a todas as formas de corrução e de ilegalidade, exige que todos sejam servidores da verdade e assumam em todas as situações um estilo evangélico, que se manifesta no dom de si e na atenção ao pobre e ao excluído.

Também na oração dos fiéis, se rezou pela terra de Caserta, “Campania felix”, “Terra de Trabalho”:
Que se recupere, com renovado empenho da parte de todos, o dom natural dos seus perfumes e sabores inimitáveis, entregando às gerações imediatamente futuras um território tutelado pela sua fertilidade, liberto de todos os abusos e interesses míopes.

Rezou-se também pela paz, com o que poderá ter sido uma discreta alusão à tragédia que se vive neste momento na Faixa de Gaza, no Iraque, na Síria e em tantas outras situações bélicas.
Pela paz: para que seja sincera e motivada pela benévola paixão por cada sujeito humano, obra maravilhosa das mãos de Deus. Da parte de todos os que detêm o poder institucional, que a paz não seja estabelecida no campo de batalha, entre carnífices e vítimas, entre fortes e débeis, entre potentes e pobres. Sobre tudo, vença a correta consciência humana e social, no discernimento objectivo da verdade.


25 julho, 2014

CHEGOU O VERÃO! CHEGARAM AS FÉRIAS!


Chegou o Verão!
Chegou o calor!
Chegaram as férias!

Durante um ano inteiro as pessoas trabalham, enervam-se com os problemas decorrentes das profissões de cada um, “queimam” tempo demasiado na carreira profissional, que porventura deveria ser tempo para cada um, tempo para a família, tempo para o descanso e lazer.

Muitos, sem dúvida, mesmo durante este tempo de trabalho não deixam de ter tempo para Deus, tempo para as celebrações comunitárias, (mormente a Eucaristia Dominical), de tal modo que o seu trabalho, as suas preocupações constituem também uma oração diária e de entrega a Deus, com Ele colaborando, na sua obra criadora do mundo.

Outros há, também, que se servem do trabalho, da carreira profissional, como desculpa para não ter tempo para Deus, para não perceberem que a vida é dom de Deus e que o trabalho que lhes é dado e sai das suas mãos, pode e é também sinal de Deus para eles e para os outros.

Em ambos os casos as férias chegam e devem ser vividas como tempo de descanso, tempo de família, tempo necessário para cada um, tempo de descontracção e lazer.

Os primeiros viverão, com certeza, essas férias com Deus, para aproveitar um tempo mais próximo com Ele e de maior entrega em oração.

Os segundos, terão agora a desculpa de que, estando em férias, têm que aproveitar todos os momentos para si próprios e por isso continuarão a não ter tempo para Deus, ou então, para Lhe dar apenas as “sobras” do “seu” tempo.

Como posso eu querer ter tempo para mim, para descansar, para estar em família, para me retemperar, e não fazer desse tempo um tempo de Deus e para Deus?

Alguma vez o homem se constrói, se encontra a si próprio, se faz verdadeiramente humano, se não estiver em comunhão com Deus?

E se Deus fizesse férias de nós?


Monte Real, 25 de Julho de 2014
Joaquim Mexia Alves

Papa Francisco encontrou a sudanesa Meriam condenada à morte por ser cristã – o comentário do P. Lombardi

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(RV) O Papa Francisco recebeu nesta quinta-feira, 24 de julho, na Casa Santa Marta, Meriam Yahia Ibrahim Ishag, jovem sudanesa de 26 anos condenada à morte em maio, no Sudão, por se ter casado com um cristão, o que, aos olhos da lei islâmica, significa ter-se "convertido" ao cristianismo. Na verdade, Meriam, que cresceu com a mãe cristã, nunca praticou o Islão. Apesar disso, a sentença baseou-se na lei islâmica vigente no Sudão desde 1983, que proíbe as conversões. Houve a partir daí uma onda de indignação a nível mundial.

No encontro com Francisco, Meriam esteve acompanhada do seu marido Daniel Wani, que também é cidadão norte-americano, e pelos seus dois filhos, Martin de um ano e meio, e Maya, de apenas dois meses e que nasceu na prisão.
O Padre Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, esteve presente neste encontro com o Santo Padre e prestou declarações à nossa colega da redação italiana da Rádio Vaticano, Fausta Speranza:

“Foi recebida não apenas ela mas toda a família. Ela estava com o marido que tem necessidades especiais – estava numa cadeira de rodas – e estava com as duas pequenas crianças. Portanto, uma família de quatro pessoas muito carinhosamente unida. O Papa manifestou toda a sua proximidade e ternura; agradeceu o testemunho de fé que foi dado pelo casal e pelo exemplo de coragem que foi dado e eles agradeceram porque sentiram o apoio do Papa e da oração de toda a Igreja e de todas as pessoas de boa vontade. O Papa, à parte, naturalmente, da proximidade a esta família específica, quis, com este encontro, afirmar a sua solidariedade e proximidade a todos aqueles que estão em sofrimento, que sofrem perseguições ou dificuldades pela sua fé ou pela limitação da liberdade religiosa.”
Esta família esteve no Vaticano, acompanhada pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Lapo Pistelli, que mediou o acordo para trazer Meriam e a sua família a Roma, de onde partirão agora para os Estados Unidos da América. (MJ/RS)

Papa Francisco almoçou na cantina do Vaticano


(RV) Visita surpresa nesta sexta-feira à hora do almoço na cantina do Vaticano: o Papa Francisco almoçou com os funcionários da Santa Sé. O Papa apresentou-se como um normal trabalhador fazendo a fila para o almoço. Perante a surpresa geral, o nosso colega da Rádio Vaticano Sérgio Centofanti recolheu o depoimento do cozinheiro-chef da cantina que referiu que o Papa “se apresentou como o mais humilde dos operários fazendo a fila com o seu tabuleiro e nós servimo-lo. Comeu massa e pescada. Esteve muito bem e circundado da sua grande família.”
Ainda muito emocionado, este cozinheiro vaticano expressou a sua surpresa dizendo que “não esperava tal coisa. Foi uma das maiores satisfações que me pudessem acontecer.” – disse. (RS)

24 julho, 2014

Viagem do Papa a Caserta – a esperança dos cristãos da “terra de Gomorra”

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(RV) Será no próximo sábado, dia 26 que o Papa Francisco visitará a cidade de Caserta situada na região da Campania, no sul de Itália. Aí o Santo Padre encontrará pelas 16h locais os sacerdotes da Diocese, presidindo pelas 18h à Missa na Praça diante do Palácio Real de Caserta por ocasião da Festa de Sant'Ana, padroeira da cidade. A sua visita está a ser aguardada com grande expectativa pelas pessoas daquela região. Segundo escreviam os cristãos de Caserta ao Papa João Paulo II em 1992, a sua terra era uma terra de ninguém, na qual a pessoa se perde, onde são muito graves a degradação ambiental e o atraso social e cultural.
Para conhecer a realidade atual desta região dormitório de Nápoles a nossa colega da redação italiana da Rádio Vaticano Francesca Sabatinelli entrevistou o padre Domenico Dragone, Reitor do Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Marcianise, uma das cidades desta zona da Campania, nos arredores de Caserta:

“De um ponto de vista pratico é aquela que era, mas na localidade tantas coisas têm sido feitas e não aparecem. Por exemplo, em cada paróquia existem os centros de escuta aos quais se dirigem os fieis que não têm possibilidades económicas e que encontram, por exemplo, um médico para tratar um filho: o centro de escuta oferece estes médicos com boa vontade. Aos centros de escuta vão pessoas que têm problemas de habitabilidade das suas casas e a paróquia manda lá alguém. É esta cadeia de solidariedade tão local que não emerge. Portanto, há tanto bem e também tanto mal.”

O meio ambiente, nesta zona de Itália, é profundamente poluído e muito degradado devido às infiltrações criminosas na gestão de lixos e detritos que permitiu que durante anos fossem enterrados lixos tóxicos naquela zona mesmo vindos de outras regiões. Bastava que pagassem. Esta é a “terra de Gomorra”, o conhecido livro e filme que documenta a vida dos camorristas e mafiosos de Caserta. Mas, esta é também a “terra dos tumores”. Por tudo isto, os jovens fogem destas cidades, segundo nos diz o Padre Domenico:

“... fogem de cidades como Caserta, Capua, Marcianise, Maddaloni, porque têm um ar tão envenenado. Por isso, há gente que se desenrasca como pode, fogem para a montanha onde podem respirar um pouco de ar puro. Este ar é o mesmo que é respirado pelos administradores, pelos políticos que têm filhos, netos e descendentes. Mas ainda não perceberam que se o ambiente continuar a degradar-se, também eles sofrerão os males e até foi um sacerdote, padre Patriciello que disse a um destes camorristas: ‘Mas então, és assim tolo de teres trazido o veneno para tua casa! Morres tu e também os teus filhos. Aqui estão a morrer tantas crianças, tantos homens e mulheres, devido ao cancro neste ar assim tão degradado”
“Eu sou pároco em Marcianise, aqui nos últimos dias houve uma infinidade de detenções e de sequestros de milhões de bens retirados aos malfeitores e àqueles que lhes são próximos. Vai-se à procura da riqueza fácil do desonesto e não àquilo que é necessário para honestamente usar no dia-a-dia. Há uma mentalidade errada que mesmo quando vais a um pároco para pedir um atestado de batismo é preciso uma recomendação! Isso é o que mais incomoda.”

O padre Domenico Dagrone acha que a visita do Papa Francisco não resolverá todos os problemas, mas poderá ajudar muito a transformar lentamente a realidade:
“O Papa em Caserta dirá, provavelmente, coisas que já foram ditas, mas ditas por ele nestas circunstâncias podem entrar em algum coração e transformá-lo. Os milagres fazem-se lentamente. Quando o Papa João XXIII iniciou o Concílio Vaticano II disse: “Não é a chuva torrencial que fertiliza os campos; é a chuva fininha e lenta.” Por isso, não será a mensagem do Papa na Praça Carlos III a transformar Caserta, mas aquela mensagem nós a ouviremos e meditaremos e serão depois os párocos e as realidades cristãs, católicas a explicá-la fazendo-a tornar-se em chuva simples e continua. A transformação não acontece com um relâmpago mas sim lentamente. É preciso caminhar e trabalhar sempre sobre as mesmas realidades, sobre os mesmos passos e mensagens.” (RS)

Gaza: “situação trágica” – D. Lazzarotto, Núncio em Israel e Delegado Apostólico em Jerusalém e Palestina


(RV) O conflito israelo-palestiniano continua em Gaza e parece não se ver fim à vista. Os pequenos momentos de cessar-fogo não tiveram durabilidade e serviram para dar argumentos de intensificação da violência. “A situação está a tornar-se trágica” foi o que afirmou o núncio apostólico em Israel e delegado apostólico em Jerusalém e Palestina, D. Giuseppe Lazzarotto em declarações à Rádio Vaticano:

“... porque a situação está a tornar-se verdadeiramente trágica: há uma perda de vidas humanas que não é aceitável, é preciso colocar um fim à violência porque, assim, criam-se outras situações de conflito, abrem-se novas feridas que produzirão mais morte. É urgente que aqueles responsáveis percebam que não há outro caminho do que aquele do diálogo e da negociação; as partes em causa devem ser ajudadas e levadas para a mesa das negociações.”

“A oração no Vaticano, o gesto do Santo Padre de convidar os dois presidentes e o seu telefonema precisamente para eles há uns dias atrás, vai tudo na mesma direção que é aquela de semear. Aquilo que o Santo Padre fez foi uma sementeira. Agora, é preciso circundar esta semente de atenções, deixa-la crescer e fazer reproduzir os frutos que deverá dar; perceber o sentido do gesto do Papa e traduzi-lo em ações concretas e corajosas, o Papa sublinhou-o tantas vezes: a paz tem necessidade destes gestos corajosos. Já é hora de que os responsáveis políticos de todos os lados compreendam e se movam nesta direção.” (RS)

D. Tomasi, Observador da Santa Sé na ONU: "a violência não levará a lugar nenhum, nem agora, nem no futuro"


(RV) “A voz da razão parece abafada pelo barulho das armas”. Foi o que afirmou o Observador Permanente da Santa Sé junto da ONU em Genebra, D. Silvano Tomasi, ao discursar na Sessão Especial do Conselho da ONU para os Direitos Humanos, dedicada à escalada do conflito israelo-palestiniano.
D. Tomasi reiterou que “a violência não levará a lugar nenhum, nem agora, nem no futuro”. A perpetuação de injustiças e a violação dos direitos humanos, em particular o direito à vida e a viver em paz e segurança – prosseguiu – semeiam sementes frescas de ódio e de ressentimento. Está a ser consolidada uma cultura da violência, cujos frutos são destruição e morte. A longo prazo, não podem haver vencedores na tragédia atual, somente mais sofrimento. A maior parte das vítimas – disse ainda D. Tomasi – são civis que pelo direito humanitário internacional, deveriam ser protegidos. As Nações Unidas estimam que cerca de 70% dos palestinianos mortos são civis inocentes. Isto é intolerável, assim como os foguetes lançados indiscriminadamente contra objetivos civis em Israel. As consciências estão paralisadas por um clima de violência prolongada, que procura impor a solução por meio do aniquilamento do outro. Demonizar os outros, todavia, não elimina os seus direitos. Pelo contrário, o caminho para o futuro está em reconhecer a nossa comum humanidade”.
O Observador Permanente da Santa Sé no Escritório da ONU em Genebra cita ainda um discurso do Papa Francisco em Belém na sua peregrinação à Terra Santa: “Pelo bem de todos – havia dito o Pontífice – existe a necessidade de intensificar os esforços e as iniciativas voltadas a criar as condições de uma paz estável, baseada na justiça, no reconhecimento dos direitos de cada um e na recíproca segurança. É chegado o momento para todos, de ter a coragem da generosidade e da criatividade à serviço do bem, a coragem da paz, apoiada no reconhecimento por parte de todos do direito de dois Estados, a existir e a gozar de paz e segurança dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas”. (JE/RS)

23 julho, 2014

Papa Francisco telefonou ao Patriarca sírio-católico: "acompanho com preocupação o drama dos cristãos de Mosul"

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(RV) No passado domingo, 20 de julho, o Papa Francisco telefonou ao Patriarca Sírio-católico Youssef III Younan. Na ocasião, o Santo Padre assegurou-lhe que “acompanha de perto e com preocupação o drama dos cristãos expulsos e ameaçados na cidade iraquiana de Mosul”, informou a Agência SIR.
Segundo o Patriarcado sírio-católico, “a conversação durou 9 minutos, durante a qual o Patriarca Younan agradeceu ao Papa e pediu-lhe para intensificar os esforços junto dos poderosos do mundo, colocando-os a par do facto que na Província de Nínive se está consumando uma limpeza em massa baseada na religião. Que envergonha pelo silêncio do assim chamado ‘mundo civilizado’”, afirmou o Patriarca.
No final da conversa, o Papa Francisco concedeu a sua Bênção Apostólica a todo o povo cristão do Oriente, assegurando que a paz e a segurança estarão sempre presentes nas suas orações.
Recordemos que foi o Patriarca Younan que denunciou o incêndio no Palácio Episcopal dos sírio-católicos de Mosul, provocado pelos extremistas islâmicos. Foram estas as suas declarações à Rádio Vaticano:

As últimas notícias são desastrosas. Com muita consternação, repetimos o que sempre temos vindo a dizer: não se deve misturar a religião com a política. Se há inimizades entre xiitas, sunitas, e não sei quem mais, isto nunca deve ser absolutamente uma razão para atacar cristãos inocentes e outras minorias, em Mosul e noutros lugares. Não é sequer uma razão para destruir lugares de culto, igrejas, episcópios, paróquias, em nome de uma suposta organização terrorista que não ouve a razão e não se importa com a consciência. Com muita consternação dizemos que o nosso arcebispado de Mosul foi queimado completamente: manuscritos, biblioteca ... E eles já ameaçaram que, se não se converterem ao islamismo, todos os cristãos serão mortos. É terrível! Esta é uma vergonha para a comunidade internacional

Há ainda cristãos em Mosul?

Já não há mais cristãos. Havia uma dezena de famílias que tiveram de fugir ontem, mas roubaram-lhes tudo. Foram deixá-los na fronteira da cidade, mas roubaram-lhes tudo, os insultaram, deixaram-nos assim, em pleno deserto. Infelizmente, é assim.
No passado dia 19 de julho, o Patriarca Younan esteve no Vaticano tendo-se reunido com o Secretário para as Relações com os Estados, o Arcebispo Dominique Mamberti. (JE/RS

21 julho, 2014

JOIO E TRIGO


 
Sou joio e trigo da mesma seara,
Senhor,
que um dia em mim semeaste,
embora o joio saia de mim
e o trigo seja todo o fruto
que me vem do teu amor.

O joio quero arrancar,
para que o trigo cresça
e dê fruto,
cem por um,
e cem por mil,
mas apenas se fores Tu,
com a tua água a regar
a seara que em mim,
Senhor,
Tu quiseste semear.

Quem me dera ser só trigo,
não ser joio do pecado,
apenas estar contigo,
permitir a tua ceifa,
e fazer da minha vida,
o teu amor partilhado.


Marinha Grande, 20 de Julho de 2014

Joaquim Mexia Alves

A Semana do Papa – uma síntese das principais atividades de 14 a 20 de julho dre 2014

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(RV)
Esta semana a atividade do Santo Padre esteve muito reduzida e assim se manterá pelo menos até final de agosto, devido ao período de verão que se vive na Europa. Desta forma, registamos na rubrica de hoje os seguintes assuntos:
a vídeo-mensagem do Papa Francisco aos doentes e funcionários do Policlínico Gemelli,
o contacto telefónico com os Presidentes Peres e Abbas para reafirmar o desejo de paz na Terra Santa perante a escalada militar que aconteceu nos últimos dias na Faixa de Gaza,
e, finalmente, no final desta rubrica daremos destaque ao Angelus deste domingo.
Comecemos então pela vídeo-mensagem do Papa Francisco dirigida aos doentes e funcionários do Policlínico Universitário “Agostino Gemelli”, o Hospital de Roma que o aguardavam no passado dia 27 de junho, mas o Santo Padre não pôde realizar esta visita devido a uma leve indisposição.


Na vídeo-mensagem, o Papa Francisco revelou o motivo do cancelamento da visita: uma forte dor de cabeça, que já tinha desde manhã mas que foi piorando durante o dia.

“Sei que tudo tinha sido preparado com entusiasmo e paixão para recordar os 50 anos da inauguração em Roma do Policlínico Universitário ‘Agostino Gemelli’, anexo à Faculdade de Medicina e Cirurgia. Tudo estava pronto; ou melhor, como puderam ver, os meus mais estreitos colaboradores já se encontravam no Gemelli, mas poucos minutos antes de partir, uma forte dor de cabeça que tinha desde manhã, e que esperava que passasse, foi piorando e a esta se acrescentou também a náusea.”
“Compreendo a insatisfação não somente dos responsáveis, mas também de todos aqueles que trabalharam com tanto esforço e paixão. Compreendo sobretudo a desilusão dos doentes já prontos para poder rezar juntos durante a Santa Missa, e que teria tido o gosto de saudar pessoalmente.”

Aos doentes, o Papa Francisco afirmou que o período de verão que estão vivendo pode representar mais dificuldade ou solidão, pois muitas pessoas saem de férias, mas pediu que cultivem na oração o prazer das coisas de Deus, que testemunhem que somente Deus é a nossa força.

“Vós, enfermos, que sentis a fragilidade do corpo, podeis testemunhar com força às pessoas que estão ao vosso redor que o bem precioso da vida é o Evangelho, o amor misericordioso do Pai, e não o dinheiro ou o poder. De facto, mesmo quando uma pessoa é, segundo as lógicas mundanas, importante, não pode acrescentar um só dia à própria vida.”
Por fim, o Papa Francisco agradeceu a todos os funcionários pela “paixão” com que trabalham e dirigiu-se mais uma vez aos doentes:

“Saibam que desejei muito este encontro, mas, como bem sabeis, nós não somos donos da nossa vida e não podemos fazer como bem queremos. Devemos aceitar as fragilidades. Cultivem comigo a confiança que somente em Deus depositamos a nossa força. Eu vos confio a Maria e vocês continuem rezando por mim.”

Com a situação na Faixa de Gaza a agravar-se de dia para dia o Papa Francisco na senda do seu apelo pela paz na Terra Santa no domingo dia 13, telefonou pessoalmente na manhã de sexta-feira, dia 18, aos Presidentes israelita Shimon Peres e palestiniano Mahmoud Abbas. O Papa partilhou com os dois presidentes “as gravíssimas preocupações na atual situação do conflito” que – refere um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé – “envolve de modo particular a Faixa de Gaza e que, num clima de crescente hostilidade, ódio e sofrimento para os dois povos, está provocando numerosas vítimas e dando lugar a uma situação de grave emergência humanitária”.

Como havia feito durante a sua recente peregrinação à Terra Santa e por ocasião da oração pela paz aos 8 de junho, nos Jardins do Vaticano, o Papa Francisco “assegurou a sua incessante oração e a de toda a Igreja, em favor da paz na Terra Santa e partilhou com os seus interlocutores - que considera homens de paz e que querem a paz -, a necessidade de se continuar a rezar e de comprometer-se em fazer sim com que todas as partes interessadas e todos os que têm responsabilidades políticas a nível local e internacional, se empenhem em fazer cessar todas as hostilidades, trabalhando em favor de uma trégua, da paz e da reconciliação dos corações”.


No Angelus deste domingo dia 20 o Papa Francisco manifestou uma vez mais a sua profunda preocupação pela situação dos cristãos no Iraque e em todo o Médio Oriente:

Soube com preocupação as notícias que chegam das comunidades cristãs em Mosul (Iraque) e outras partes do Médio Oriente, onde eles viveram desde o início do cristianismo, com os seus concidadãos, oferecendo um significativo contributo ao bem da sociedade. Hoje são perseguidos, os nossos irmãos, são mandados embora, devem deixar as suas casas sem ter a possibilidade de levar nada consigo. Asseguro a estas famílias e a estas pessoas a minha proximidade e a minha constante oração. Caríssimos irmãos e irmãs, tão perseguidos, eu sei quanto sofreis, eu sei que sois despidos de tudo, , estou convosco na fé naquele que venceu o mal. E a vós aqui na Praça, e a todos os que nos seguem … convido-vos a recordá-los na oração. Vos exorto também a perseverar na oração pelas situações de tensão e conflito que persistem em diversas partes do mundo, especialmente no Médio Oriente e na Ucrânia. Que o Deus da paz inspire em todos um autêntico desejo de diálogo e reconciliação. A violência não se vence com a violência. A violência vence-se com a paz!

E com o Angelus deste domingo terminamos esta síntese das principais atividades do Santo Padre que foram notícia de 14 a 20 de julho. Esta rubrica regressa na próxima semana sempre aqui na RV em língua portuguesa. (RS)

20 julho, 2014

Palavra de Vida - Julho de 2014



«Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no Céu. Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt 18, 19-20).

Na minha opinião, esta é uma daquelas palavras de Jesus que nos tocam profundamente. Quantas necessidades na vida, quantos desejos lícitos e bons que não sabemos como satisfazer, que não podemos saciar! Não temos qualquer dúvida que só uma intervenção do Alto, uma graça do Céu, nos poderia conceder tudo aquilo por que ansiamos com todo o nosso ser. E eis então que ouvimos Jesus dizer, com uma clareza espantosa, com uma certeza absoluta, cheia de esperança e de promessa, a Palavra: 

«Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no Céu. Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles». 

Lemos no Evangelho que Jesus recomenda várias vezes a oração e ensina como se procede para se obter qualquer coisa. Mas esta oração, que estamos a analisar agora, é realmente original. Para que possa obter uma resposta do Céu, ela exige a presença de várias pessoas, uma comunidade. Diz: «Se dois de entre vós». Dois. É o número mais pequeno para formar uma comunidade. Portanto, a Jesus importa não tanto o número, mas a pluralidade dos crentes.

Também no Judaísmo, como se sabe, é conhecido que Deus aprecia a oração da coletividade, mas Jesus diz algo de novo: «Se dois de entre vós se unirem». Deseja que sejam várias pessoas, mas deseja que estejam unidas, põe o acento sobre a unanimidade delas: quer que sejam uma só voz.

Sem dúvida, devem pôr-se de acordo sobre o pedido a fazer. Mas esta petição deve apoiar-se sobretudo numa concordância dos corações. Na prática, Jesus afirma que a condição para se obter aquilo que se pede é o amor recíproco entre as pessoas. 

«Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no Céu. Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».

Podemos questionar-nos: «Mas porque é que as orações feitas em unidade têm mais aceitação junto do Pai?».

O motivo é, talvez, porque são mais purificadas. De facto, a que é que se reduz, muitas vezes, a nossa oração, senão a uma série de pedidos egoístas que mais fazem lembrar mendigos junto de um rei, do que filhos junto de um pai?

Pelo contrário, tudo aquilo que se pede juntamente com os outros é, sem dúvida, menos contaminado por um interesse pessoal. Em contacto com os outros, somos mais propensos a sentir também as suas necessidades e a partilhá-las.

Não só: mas é mais fácil que duas ou três pessoas compreendam melhor aquilo que devem pedir ao Pai.

Portanto, se quisermos que a nossa oração seja ouvida é melhor fazer exatamente como diz Jesus, isto é: 

«Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no Céu. Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles». 

O próprio Jesus diz-nos onde está o segredo da eficácia desta oração. Está naquele «reunidos em meu nome». Quando estamos assim unidos, existe entre nós a Sua presença e tudo aquilo que se pede com Ele é mais fácil de se obter. Na verdade, o próprio Jesus, presente onde o amor recíproco une os corações, é que pede connosco as graças ao Pai. E será possível pensar que o Pai não oiça Jesus? O Pai e Cristo são uma coisa só.

Não é esplêndido tudo isto? Não nos dá certeza? Não nos dá confiança? 

«Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no Céu. Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».

Temos agora todo o interesse em saber o que é que Jesus quer que Lhe peçamos.

Ele próprio o diz claramente: «qualquer coisa». Não há, pois, nenhum limite.

Então temos que pôr esta oração no programa da nossa vida. Talvez a família de cada um de nós, nós próprios, os nossos amigos, as associações de que fazemos parte, a nossa pátria, o mundo que nos rodeia tenham inúmeras necessidades porque nós não pedimos por elas.

Temos que nos juntar aos nossos amigos, com aqueles que nos compreendem ou partilham os nossos ideais e, depois de estarmos dispostos a amar-nos como o Evangelho ordena, de tal maneira unidos que mereçamos a presença de Jesus entre nós, podemos pedir. E pedir o mais que pudermos: pedir durante a assembleia litúrgica; pedir na igreja; pedir em qualquer lugar; pedir antes de tomar decisões; pedir o que quer que seja.

E, sobretudo, não devemos proceder de maneira que Jesus fique desiludido com o nosso desleixo, depois de nos ter dado tantas possibilidades.

Todas as pessoas vão sorrir mais, os doentes terão mais esperança. As crianças vão crescer mais protegidas, as famílias mais harmoniosas. Os grandes problemas poderão ser resolvidos até dentro da nossa casa... E poderemos ganhar o Paraíso, porque a oração pelas necessidades dos vivos e dos mortos é, também ela, uma daquelas obras de misericórdia que nos serão exigidas no exame final.

Chiara Lubich
Fonte: Movimento dos Focolares
Site oficial em Portugal

Papa Francisco durante o Angelus: "a violência vence-se com a paz!"

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(RV) Aos milhares de fiéis reunidos na Praça de S. Pedro para a oração mariana do Angelus o Papa, na sua reflexão neste XVI Domingo do Tempo comum, falou da parábola da boa semente e do joio, uma parábola que enfrenta o problema do mal no mundo pondo em evidência a paciência de Deus. A cena – explicou o Papa – tem lugar num campo onde o proprietário semeia o trigo mas numa noite chega o inimigo e semeia a cizânia. Os servos queriam arrancar imediatamente a erva daninha mas o proprietário disse que não, para que não suceda que, arrancado o joio se arranque também o trigo. E sobre o significado da parábola disse o Papa:

O ensino da parábola é duplo. Antes de tudo, ela nos diz que o mal que existe no mundo não vem de Deus, mas do inimigo, o Maligno. Este inimigo é astuto: semeou o mal no meio do bem, de modo que é impossível para nós homens separá-los claramente; mas Deus, no fim dos tempos, poderá fazê-lo.
O segundo tema, continuou o Papa é o da contraposição entre a impaciência dos servos e a espera paciente do proprietário do campo, que representa Deus. Nós por vezes temos pressa de julgar, classificar, colocar aqui os bons e para lá os maus …

Mas Deus sabe esperar. Ele olha para o "campo" da vida de cada pessoa com paciência e misericórdia: ele vê muito melhor do que nós a sujeira e o mal, mas também vê os germes do bem e espera com confiança que amadureçam. Deus é paciente, sabe esperar.
Para o Papa Francisco a atitude do proprietário é a da esperança fundada na certeza de que o mal não tem nem a primeira nem a última palavra. E é graças a esta esperança paciente de Deus que a própria cizânia se pode tornar, ao fim, bom trigo. Mas também advertiu:

Mas cuidado: A paciência evangélica não é indiferença ao mal; não se pode fazer confusão entre o bem e o mal! Diante da cizânia presentes no mundo, o discípulo do Senhor é chamado a imitar a paciência de Deus, e a alimentar a esperança com o apoio de uma fé inabalável na vitória final do bem, que é Deus.
No dia da colheita final, disse ainda o Papa, o juiz será Jesus, aquele que semeou a boa semente e se tornou ele mesmo o "grão de trigo", que morreu e ressuscitou. E nós todos seremos julgados com a mesma medida com a qual teremos julgado os outros. E o Papa terminou invocando a Virgem Maria para que nos ajude a crescer na paciência, esperança e misericórdia.

Depois do Angelus o Papa manifestou uma vez mais profunda preocupação pela situação dos cristãos no Iraque e Médio Oriente em geral:

Soube com preocupação as notícias que chegam das comunidades cristãs em Mosul (Iraque) e outras partes do Médio Oriente, onde eles viveram desde o início do cristianismo, com os seus concidadãos, oferecendo um significativo contributo ao bem da sociedade. Hoje são perseguidos, os nossos irmãos, são mandados embora, devem deixar as suas casas sem ter a possibilidade de levar nada consigo. Asseguro a estas famílias e a estas pessoas a minha proximidade e a minha constante oração. Caríssimos irmãos e irmãs, tão perseguidos, eu sei quanto sofreis, eu sei que sois despidos de tudo, , estou convosco na fé naquele que venceu o mal. E a vós aqui na Praça, e a todos os que nos seguem … convido-vos a recordá-los na oração. Vos exorto também a perseverar na oração pelas situações de tensão e conflito que persistem em diversas partes do mundo, especialmente no Médio Oriente e na Ucrânia. Que o Deus da paz inspire em todos um autêntico desejo de diálogo e reconciliação. A violência não se vence com a violência. A violência vence-se com a paz!
E por último o Papa saudou cordialmente a todos os peregrinos, vindos da Itália e de outros Países, tendo desejando a todos bom domingo e bom almoço.